EntreContos

Detox Literário.

Os Químicos (Adriane Bueno)

“Oi mãe, eu ainda to aqui dormindo enquanto a senhora me olha aí de cima como se eu fosse um preguiçoso. Mas é bom te ver.

Sabe como é, é a dose do químico diário. Mais uma vez ela tá mudando tudo. Foi preciso. Mas aí o sono me pega por uns dias e eu fico imprestável.

Ok, mãe tens razão. Tais aí me olhando como eu fosse uma mula empacada, com uma vida empacada, como sempre foi desde que tu me pariu. Desculpa, desde que a senhora me deu à luz.

Eu sei que a senhora é daquelas ‘respeito é bom e eu gosto’ e dessas palavras que falam de eventos naturais, embora sangrentos, como se fossem poesia, etc e tal. Então, assim sou desde que nasci. Empacado, lento, devagar, mesmo antes do Químico me conhecer e fazer parte dessa minha vida de luz e sombra; mais sombra porque, apesar do teu desgosto, eu preciso muito dormir.

Sim, mãe é porque eu continuo tendo aquelas visões. Mas já melhorou bastante. Não eu nunca sonhei que estava matando a senhora. Eu estava matando ‘ELA’, a Lâmia, aquele bicho da Grécia…

Sim eu sei que é apenas uma história, mas às vezes, só as vezes… Tudo bem a senhora não gosta disso. Vou parar de falar nela.

Sim, eu sei que ela não existe e que é ridículo um homem da minha idade achar que ela vai me matar.

To curtindo tua visita, sabe? Tava com saudade, embora a senhora não fale muito, ou eu não possa escutar tua voz meio esganiçada muito bem porque mais uma vez estou entorpecido para ajustar a dose diária ao meu ciclo natural. Mas é bom te ver firme e forte véia, mais do que eu na verdade, como sempre.

Como? Eu disse ‘véia’? Não não quis dizer que a senhora aos 65 anos é uma velha é só uma gíria, sabe? Ah! Esqueci o ‘respeito…’ e que a senhora nunca gostou de gírias. Tudo bem! Mas não precisa bater na minha boca, já passei dessa fase.

Ok, ok, desculpa, os pais têm o eterno direito de repreender e educar o filhos, mesmo que eles já tenham 30 anos. Desculpa aí, não vou repetir.

Posso voltar a dormir agora? Não? Ok.

Mas tudo isso é culpa desse sono maldito e dessa dose que ontem tomei e hoje irei repetir. Quem sabe a amanhã eu já vou estar bem e aí quando a senhora chegar poderemos conversar melhor.

Não? A senhora não poderá vir amanhã? Nem depois de amanhã? Talvez só no mês que vem? Ok, fazer o quê. Eu entendo, é difícil. Diferente de mim a senhora tem responsabilidades e afazeres, etc. e tal.

E por falar nisso, como está o Jorge e a Lica e o tio Sam? Sim eu sei, mãe, todos são uns vagabundos, imprestáveis, nenhum deu certo na vida. Somente a senhora conseguiu tudo, afinal fez tantos sacrifícios…

Não, não estou debochando, eu concordo com a senhora. Olha só é só o químico que me dá essa cara de sono misturada com um tipo de riso maníaco que minha boca mole deixa meio torto e escondido.

Tudo bem, tudo bem. Eu sei que a senhora entende, que não é burra. Ok. Vamos mudar de assunto.

O quê? Já passou uma hora desde que a senhora chegou ao meu quarto? Como é que eu nem vi o relógio passar? Porque eu fiquei dormindo, babando e acordando a maior parte do tempo?

A senhora está enganada, apenas fechei os olhos para descansar a vista e ouvir melhor o que a senhora tinha pra contar.

É pra repetir o que a senhora disse? Por que tá achando que eu não escutei? A senhora acha que eu sou surdo? Pateta? Desligado? Não sou não, a senhora que sempre acha que eu não ligo pra nada.

Não, eu não estou gritando. A senhora que sempre foi muito sensível quando a gente falava um pouco mais alto. Não, não estou dizendo que a senhora é mentirosa e muito menos manipuladora. Eu só… Ok, ok, mas não precisa me bater. Droga.

Tá bem, não vou mais dizer nenhuma palavra que a senhora não goste. Mas a senhora precisa entender que a mudança química às vezes faz isso. Ta bom, eu sei que isso não é desculpa. Tudo bem, a senhora tem razão, como sempre.

Não mãe, realmente não estou sendo condescendente. Não é possível agir assim com a senhora.

Ok, o tempo terminou. Me avisa quando a senhora vem? Por favor? Assim vou ver se consigo ficar melhor quando a senhora me visitar pelo menos. Sim, vou me esforçar pra fazer algo útil. Realmente. Sim, eu sei, se eu não levasse uma vida tão inútil eu não estaria aqui.

Um beijo? Ah, sim, desculpa me esqueci que a senhora não gosta dessas frescuras.

Tchau”.

Ela fechou a porta do quarto e falou com duas jovens no corredor.

“Sim, nós ouvimos os gritos. Horrível, não? Sim, entendemos perfeitamente sua situação. Realmente deve ser aflitivo ver seu filho acabar assim. Naturalmente que a culpa não é da senhora. Ah! A senhora sempre soube que não? Que bom que a senhora não sente culpa”. Uma delas finalizou olhando de esguelha para a colega e contendo um pequeno sorriso, seja de ironia seja de assentimento.

Depois disso ela saiu em direção a porta e ao sol. Cruzou o portão e parou um instante olhando para os dois lados para decidir por onde iria voltar para sua casa no centro de Rio Grande.

“Não é fácil ter um filho assim. Eu não fiz nada pra receber esse castigo”, pensou enquanto começava o trajeto em seu passo de atleta.

Ao fundo se via a fachada do prédio onde seu filho, Carlos, vivia a maior parte da sua vida, entre uma dose e outra de químicos. Um letreiro dizia:

Hospital Psiquiátrico

A. C. Santa Casa

De Misericórdia Do Rio Grande

Publicidade

40 comentários em “Os Químicos (Adriane Bueno)

  1. tamarapadilha
    12 de julho de 2014

    Acho desnecessária essa mania de escrever querendo utilizar todo o modo de falar de um estado. Usar algumas palavras características sim, mas um conto inteiro… não sei, já não fica muito bom.
    Boa sorte.

  2. Bia Machado
    11 de julho de 2014

    Gostei. Li com a dúvida, se era o que eu estava pensando, ou se era outra coisa. Achei engraçadas algumas partes, quando ele reclama da mãe, rs. Talvez tenha achado divertido porque, já que não tinha a fala da mãe, imaginei algo como o recurso no desenho do Charlie Brown, onde em vez da fala dos adultos, há um som de instrumento de sopro, nunca me lembro do nome, rs. O final poderia ter sido um pouco diferente, da forma como está ficou fraco, em minha opinião. Mas o conto é um bom material.

  3. Felipe Rodriguez
    3 de julho de 2014

    A voz do protagonista, até metade do texto, não conseguiu me convencer muito. Até ali, ainda não se sabe muito sobre sua situação, mas os poucos, a narrativa vai ganhando personalidade e por consequência fui me interessando mais pela leitura. Gostei da construção desse personagem secundário – o Químico – pois é ele quem traz a carga dramática ao texto, sem exageros, apenas como um agente fictício na cabeça do acamado. Destaco aqui a frase que mais gostei: “Olha só é só o químico que me dá essa cara de sono misturada com um tipo de riso maníaco que minha boca mole deixa meio torto e escondido”. O final também foi interessante, mas, no geral, achei que o texto ficou penso. Vale dar uma trabalhada.

  4. Thata Pereira
    27 de junho de 2014

    Não gostei :/ Faltou algo que me predesse. Logo quando comecei a ler imaginei que o rapaz pudesse ser doente. A revelação de que isso era realmente verdade não chegou a me incomodar (eu até gosto quando descubro o final), mas não me convenceu. Mesmo assim, sentimos a forte personalidade da mãe e disso eu gostei!

    Boa Sorte!

  5. Cristiane
    25 de junho de 2014

    Gostei do texto, me prendeu do inicio ao fim. A leitura flui bem rápida!

    A forma como você conduziu a apresentação da personalidade da mãe foi bastante interessante, embora ache que em algumas falas os personagens (principalmente o filho) pudessem ser menos explícitos.

    Você foi bastante assertivo ao criar a dúvida entre dependência química e problemas psiquiátricos, seria interessante mantê-la por mais tempo. Precisaria de umas poucas mudanças para conseguir esse efeito.

    Gostei também de ficar em dúvida se ele falava de fato com a mãe ou se era delírio. No fim tudo se esclarece!

    Obs: O título não me agradou mas isso é só um detalhe. #; )

    Abraços e boa sorte no desafio.

  6. felipeholloway2
    25 de junho de 2014

    Realmente, a obviedade do desfecho subtraiu muito da força que o conto poderia ter. O formato em semi-diálogo (não digo monólogo porque várias falas da mãe podem ser deduzidas) é interessante por criar essa zona de sombra entre personagem e interlocutor, fazendo com que dependamos das falas e reações do primeiro para inferir a personalidade do último, e, de um modo geral, o histórico dessa relação. Corroborando a primeira hipótese que aventamos ao observar um personagem falando “sozinho” — ou seja, a da loucura –, o conto se torna autoindulgente.

    Uma pena, porque o personagem me pareceu um bocado complexo.

  7. Tiago Quintana
    23 de junho de 2014

    Muito interessante! Tenho apenas algumas sugestões.
    Primeiro, uma revisão ortográfica; entendo que o narrador, afetado pelos remédios, não teria uma dicção plena ou tanta coerência lógica, mas isso não deveria afetar a pontuação, que é um recurso metatextual; ou, se afetasse, deveria ser usado só às vezes, se não perde o efeito.
    Segundo, que não coloque as falas do filho entre aspas, faz parecer que ele está escrevendo uma carta; use a travessão mesmo.
    Por fim, marque com maior obviedade a mudança de pontos de vista no final.

  8. Marcelo Porto
    23 de junho de 2014

    Fui até o final achando se tratar de uma história de ficção cientifica, deduzindo que o personagem seria alguma aberração ou experimento cientifico.

    A prosa do autor é de qualidade e manteve a minha atenção até o final, mas me decepcionei quando cheguei lá. É um bom retalho de diálogos e situações instigantes, mas que não funcionou como um todo. Talvez se autor inserir algum conflito ou algo fantástico torne a história mais amarrada.

  9. JC Lemos
    22 de junho de 2014

    No geral, achei que a história ficou até legal, mas para mim faltou alguma coisa, não sei explicar,senti tudo muito raso.

    Já havia imaginado que era alguém com problemas desde o início, mas isso não tira o mérito do texto. E sempre existiu essas mães de merda. Mesmo achando que faltou algo, vejo que muitos outros gostaram e isso é bom.

    Parabéns pelo texto e boa sorte!

  10. Juliana T.
    20 de junho de 2014

    Adoro contos psicológicos! A história desse é forte e poderia ter sido melhor explorada… Eu senti que ficou um pouco repetitivo em retomar o tempo todo os “químicos” que ele tomava, também acabou tirando um pouco da expectativa e deixou um pouco óbvio qual seria o final, talvez se tivesse citado os remédios apenas no início, o mistério perdurasse mais e o leitor teria um pouco mais de liberdade pra “chutar” possíveis resoluções pro mistério.
    Também achei que poderia ter explorado um pouco mais a loucura da personagem.
    Como já disseram, a falta de vírgulas incomoda um pouco, o vocativo praticamente não foi utilizado. Além disso, faltou conformidade no tratamento, ele começa com “ok, tens razão” e poucos parágrafos depois “a senhora tem razão”.
    Nada que atrapalhasse o enredo, não fosse pelo conjunto de erros facilmente detectáveis em algumas revisões.
    A utilização da linguagem coloquial (principalmente num monólogo) deve ser muito bem escrita e revista pra não cair no “pensei e já fui escrevendo”.
    No mais, o tema é muito interessante e prendeu bastante minha atenção.

    • Juliana T.
      20 de junho de 2014

      Ah, esqueci de comentar o que mais me intrigou nesse conto: a omissão constante da mãe. Deixou um ar de que ela é a louca apesar de o filho estar no hospital psiquiátrico. Entregou uma ideia de que ela está à parte do resto do mundo, de que a resposta e a causa estão de fato nela. Muito bem sacado!

  11. Edivana
    14 de junho de 2014

    Boa noite,
    Apesar da sua manifestação sobre a gramática, o que me incomoda, e quebra o ritmo da leitura, é ler alguma coisa e pensar, faltou algo aqui, daí tu vai reler pra confirmar e fica perdendo tempo nisso. Mas isso é coisa minha, certamente condiz a personagem cometer erros de fala, isso nos é cotidiano. Bem, fora isso, gostei muito do monólogo, que tem um viés super pesado, mas você introduz um humor nele, tornando-o mais leve. Mas acho que a troca de personagem do final poderia ser melhor explorada. Um bom conto, com certeza. Boa sorte!

    • Insanyt
      14 de junho de 2014

      Naturalmente que respeito teus argumentos sobre a gramática e demais críticas, Edivana. Contudo, a gramática, embora deva ser respeitada em textos científicos e em determinados estilos literários, em outros deve-se tentar aproximar o leitor do personagem, usando a linguagem coloquial, justamente para que o leitor realmente sinta o que o último está vivenciando.
      Excesso de perfeição gramatical na literatura também pode tornar um texto, por mais bonito que ele seja, cansativo.
      Por fim, o texto, apesar de parecer conter, não possui humor, não. Isso fica aparente para poucos, justamente por causa da linguagem coloquial, mas realmente não é este o objetivo. Ao contrário, como é baseado em coisas que existem realmente, não sinto humor ao ler este conto, sinto tensão porque quando as pessoas são tidas por insanas ou realmente o são, elas deveriam suscitar empatia e não ser alvo de piadas, exceto quando os fatos são baseados no senso comum.
      Mesmo assim, muito obrigada pelo teu comentário. Aprecio todas as leituras que os colegas e leitores estão fazendo de meu texto, bem como as críticas.
      Abraço.

  12. Anorkinda Neide
    14 de junho de 2014

    Um texto denso e triste. Daqueles que mexe com a gente.. este tipo de mãe, realmente me tira os nervos do lugar! affff!

    Parabens pelo conto e obrigada por ele.
    Abração

    • Insanyt
      14 de junho de 2014

      Agradeço a leitura e o comentário Anorkinda Neide. Captaste o sentido dele. O incentivo sempre é bem vindo.
      Abraços.

  13. Thiago Tenório Albuquerque
    12 de junho de 2014

    Bom texto, mas não conseguiu me prender.
    Boa sorte no desafio.

  14. Swylmar Ferreira
    6 de junho de 2014

    Bom conto, enredo e narrativa bons. Traz um texto curto e denso, intimista, que fui compreender bem perto do final. O titulo (cuja escolha DEVE ser do autor) não ficou legal – minha opinião. A conclusão do autor foi muito boa.
    Parabéns!

    • Insanity
      7 de junho de 2014

      Agradeço o comentário Swylmar Ferreira. Até eu tenho dúvidas quanto ao título, é algo que sempre penso. Abraço.

  15. Rubem Cabral
    6 de junho de 2014

    Resolvi adotar algum critério de avaliação, visto que costumo ser meio caótico para comentar.

    Pontos fortes: a personagem da mãe; fria, distante, algumas boas descrições.

    Pontos fracos: faltou um tanto de revisão, principalmente qto ao uso da vírgula. Penso também que o final foi absolutamente esperado. Digo, desde o inicio suspeitei que o protagonista-narrador fosse ou um viciado numa clínica de reabilitação ou alguém com problemas psiquiátricos num hospital.

    Sugestões de melhoria: o final destoa ao trocar de narrador, seria melhor mantê-lo. Algumas ideias interessantes, como a Lâmia que o rapaz via, ficaram mal exploradas. Alguma visão desta daria um toque surreal ou assustador.

    Conclusão: o conto é bem escrito em linhas gerais e há um bom desenvolvimento das personagens, mas peca por não surpreender ou ter um final melhor.

  16. Insanity
    5 de junho de 2014

    Devido a outros compromissos profissionais, inclusive literários, não tenho conseguido responder a todos os comentários postados aqui, mas continuo acompanhado as leituras e relendo o conto, visando aprimorá-lo. Agradeço a todos os comentaristas e colegas de escrita.

  17. mariasantino1
    5 de junho de 2014

    Fiquei esperando a todo momento, o autor está me pregando uma peça, a louca é a mãe e não o filho. Vai ser agora que vem o puxar de tapete. Rs. Eu esperei algo diferente no fim. O texto é previsível, mas não deixei de apreciar a leitura. Achei uma narrativa agradável, de verdade.
    .
    Continue. Um forte abraço e boa sorte.

  18. Rafael Magiolino
    5 de junho de 2014

    Muito bom. A ideia que você tentou transmitir foi muito boa, fazendo-nos refletir sobre algumas coisas, como já foi abordado e outro comentário. Apesar de leve, consegui sentir o clima pesado e um tanto perturbador.

    Abraço!

  19. Julia
    4 de junho de 2014

    Excelente conto! Leitura fácil, acessível e que leva uma reflexão profunda sobre o que pensam aqueles que estão internados em hospitais psiquiátricos, abordando o aspecto psicológico de forma muito inteligente. Esse tipo de conto nos faz tentar entender um pouco de outros mundos diferentes do que estamos acostumados. Realmente brilhante conto!!

  20. Brian Oliveira Lancaster
    4 de junho de 2014

    O monólogo é muito bom, intimista. Não vou bater na mesma tecla que os colegas já disseram. O estilo gráfico final causa um belo impacto, apesar de já imaginar o que estava acontecendo no meio do texto.

  21. Rsollberg
    3 de junho de 2014

    Achei muito interessante. Consegui sentir a angustia do personagem. A solidão no próprio diálogo. O autor soube descrever bem a atmosfera que envolve esse tipo de problema. É absolutamente verossímil, pra falar a verdade já presenciei algo muito parecido. A disputa de culpas. A ambiguidade, na minha opinião, está na existência do diálogo propriamente dito e não na existência da mãe.
    Curti!

    Parabéns e boa sorte no desafio.

    • Insanity
      3 de junho de 2014

      Esse é um dos meus contos que me causa essa sensação, independente de quantas vezes eu o leia. Ninguém conhece a solidão da psicose até sofrer uma crise. E estou gostando dos comentários postados (críticas e sugestões) porque parece que alcancei o objetivo, que era justamente criar reflexões sobre essa situação angustiante. Muito obrigada pela participação. Abraço.

  22. Pétrya Bischoff
    3 de junho de 2014

    Mesmo com os erros gramaticais, gostei da estória. Pensar que a consciência ainda é consciente apesar do que é externado. Gostei dessa mãe dissimulada e severa. Senti um temor enorme nesse filho. Gostei, boa sorte.

    • Insanity
      3 de junho de 2014

      Agradeço o comentário Pétrya. Com relação aos erros gramaticais, sei que lerás o que abaixo tenho comentado. Fico feliz em estar recebendo tantos comentários e sugestões. Obrigada e abraços.

    • Insanity
      5 de junho de 2014

      Ah! Petrya relendo teu comentário, achei interessante um ponto nele, no qual tenho muito refletido: os erros gramaticais.
      A consciência humana não ‘pensa’ de forma estruturada e gramaticalmente correta sempre. Por isso, penso que isso deveria ser um tanto explorado na literatura também.
      No entanto, concordo que sempre é bom procurar escrever obedecendo as normas, mas pode-se abrir mão delas em virtude desse fluxo da consciência.

  23. Davi Mayer
    3 de junho de 2014

    O texto é bom. Tem alguns deslizes, mas acredito que pela pressa, e por mais que revisemos o texto, sempre passa alguma coisa. Essa ideia de alucinação, pensei que seria uma coisa, e acabou sendo outra. Já imaginava que o cara tinha assassinado a mãe e que ele tinha alucinações conversando com ela. KKKKK… mas não foi bem assim. Muito bom. Não me decepcionei.

    A única coisa que ficou a desejar foram as pontuações e questão estrutural, mas nada que abone o texto.

    Parabens.

    • Insanity
      3 de junho de 2014

      Agradeço o comentário e as críticas Davi. Tanto uma como a outra são bem vindas e eu aceito sempre o que me é dito, mas bato pé em outras, kkkkk. A questão da pontuação e é uma delas, se todo escritor de ficção fosse aderir totalmente a questão da forma de escrita (gramática, pontuação, etc.) obedecendo totalmente as normas gramaticais, a título de exemplo, não teria ocorrido o Movimento Modernista no Brasil. Mas com certeza, estou prestando atenção a todas as sugestões e procurando aprimorar. Abraços e agradeço tua participação.

  24. Fabio Baptista
    2 de junho de 2014

    Coisas que eu mudaria (algumas já apontadas):

    to – tô
    Ta bom – Tá bom
    como eu fosse – como SE eu fosse
    sabe a amanhã – sabe amanhã

    Em alguns pontos, pudemos “ver” a mão do autor, quebrando o ritmo da narrativa e consequentemente tirando a imersão na loucura do personagem. Exemplo:

    – amanhã eu já vou estar bem (ok, na maior parte do tempo o personagem fala dessa forma)

    Porém, logo em seguida, temos um:
    – A senhora não poderá

    Acredito que um “vai poder” se encaixaria melhor no contexto. Dessa forma pareceu um deslize (ironicamente ao escrever de um modo mais correto).

    Ao contrário dos colegas, não vi ambiguidade no texto. E isso acabou matando o conto. Esse finalzinho, mudando o narrador, me tirou a dúvida que poderia ser o diferencial da história. (Claro, pode ser que eu tenha interpretado errado, mas até aí o impacto já foi pro brejo).

    Acho que teria ficado melhor se o conto se restringisse ao monólogo.

    Abraço.

  25. Jefferson Reis
    2 de junho de 2014

    A mãe me parece uma figura manipuladora e rígida demais.
    E o filho parece ser o resultado de uma educação ruim.
    Não acho que toda a narrativa seja alucinação, não foi assim que a li.
    Gostei dos personagens, do cenário e da trama.

  26. williansmarc
    1 de junho de 2014

    Gostei desse conto, a ambiguidade é muito bem aproveitada. Há uma boa referencia a Lâmia, um devorador de crianças, creio eu que para reforçar que o protagonista, mesmo tendo 30 anos, continua sendo uma criança. Reparei no uso em excesso da palavra “senhora”, a mim isso não incomoda, mas talvez incomode a outros leitores.

    Dois pequenos erros que passaram pela revisão:

    Faltou um “se” na frase abaixo, certo?
    Tais aí me olhando como eu fosse uma mula empacada, com uma vida empacada, como sempre foi desde que tu me pariu. Desculpa, desde que a senhora me deu à luz.

    Tem um “a” sobrando na seguinte frase:
    Quem sabe a amanhã eu já vou estar bem e aí quando a senhora chegar poderemos conversar melhor.

    Parabéns pelo conto e boa sorte no desafio!

    • Insanity
      1 de junho de 2014

      Agradeço o comentário e a percepção quanto a Lâmia, Williansmarc.
      Realmente estes dois erros passaram desapercebidos, talvez pela insanidade que acomete a mim e ao personagem. rsrsrs
      Muito obrigado pela leitura.
      Abraço.

  27. Claudia Roberta Angst
    31 de maio de 2014

    A dúvida que o conto traz sobre a existência ou não da mãe do personagem é provocadora. Mãe sofredora ou delírio de um desequilibrado?
    As vírgulas não me incomodaram. A narrativa centrada no trajeto psicológico do personagem prende a atenção do leitor. Boa sorte!

    • Insanity
      31 de maio de 2014

      Obrigada Claudia, pela leitura e pelo comentário que captou bem o enfoque do personagem. Também espero ter sorte. Abraço

  28. Adriane Dias Bueno
    31 de maio de 2014

    Apesar da questão das vírgulas comentada pelo Eduardo, apreciei ler este texto, pois gosto muito de contos ou livros que narram a história pela perspectiva psicológica do personagens. Mas acho que não são alucinações do Carlos. Penso que ele está mesmo conversando com a mãe revoltada durante uma de suas alucinações.
    Sucesso Insanity.

  29. Insanity
    31 de maio de 2014

    Eduardo Selga, agradeço tanto a leitura atenta quanto as críticas. O fato de faltar vírgulas, recurso de escrita e estilo permitido ao escritor, é para dar um ritmo estranho ao texto, justamente para demonstrar a ambiguidade e a mente conturbada do personagem. Muito obrigada mais uma vez.

  30. Eduardo Selga
    31 de maio de 2014

    O conto apresenta uma característica que me parece muito desejável no texto literário: certa penumbra, ambiguidade, não deixar-se ler de maneira inequívoca à primeira leitura. Digo isso porque à medida em que o texto avança, percebe-se um diálogo subentendido, no qual o filho responde perguntas da mãe, porém elas não são expressas (só temos as “respostas”). Um ótimo recurso, pois, a depender do leitor, causa a sensação de que a parte do texto narrada em primeira pessoa trata-se de alucinações do protorganista, seja em todo o discurso seja em alguns pontos. Isso é muito positivo, na medida em que escrever um conto, acredito, é não dizer. Ou, por outra: dar instrumentos ao leitor para que ele complete as lacunas, se quiser ou conseguir.

    Delírio ou não, nas palavras do personagem está presente, em maior ou menor grau de visibilidade, certo desprezo pela figura materna, ironia e ressentimento. E aqui uma outra linha interpretativa me parece possível: as “falas” do filho não seriam, na verdade, os pensamentos da mãe diante de um filho inutilizado pelo tratamento psiquiátrico, numa espécie de projeção? Delírio meu? Parece-me possível esse viés interpretativo, pois ela, ao fim do conto, demonstra considerar o filho um grande fardo a ser carregado (“Não é fácil ter um filho assim. Eu não fiz nada pra receber esse castigo”) e, consoante, algumas falas do filho corroboram sua necessidade de parecer isenta de culpa (“Não, não estou dizendo que a senhora é mentirosa e muito menos manipuladora. Eu só… Ok, ok, mas não precisa me bater. Droga.”).

    Mas há vários trechos em que a vírgula é mal utilizada, o que prejudica o ritmo de leitura, como nos trechos abaixo:

    “Ok, mãe tens razão”. (“Ok, mãe, tens razão”)
    “Sim eu sei que é apenas uma história, mas às vezes, só as vezes…” (Sim, eu sei que é apenas uma história, mas às vezes, só às vezes…)
    “Não eu nunca sonhei que estava matando a senhora.” (Não, eu nunca sonhei que estava matando a senhora).

E Então? O que achou?

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.

Informação

Publicado às 31 de maio de 2014 por em Tema Livre e marcado .
%d blogueiros gostam disto: