EntreContos

Detox Literário.

Eu Atirei no Xerife (Bia Machado)

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Ted emudeceu diante da confissão da garota. Tinham finalmente parado, depois de se distanciarem muito de Carlson Valley. Assim era Lilly: louca, quase insana, capaz de gargalhar de repente, sem motivo algum, ou de chorar sem razão aparente, de gritar se tivesse vontade, independente do lugar onde estivesse. E ele a adorava justamente por isso, não por sua beleza incomum que ele vira crescer mais e mais a cada dia, conforme a infância ficava cada vez mais no passado. Lilly era radiante, radiante como aquele pôr-do-sol perfeito que começava a ocupar todo o horizonte.

— Atirei no Xerife. Tive dois motivos para isso, fiz para me defender, mas também para pagar uma antiga promessa – Lilly foi falando assim, quase de uma vez só, como se quisesse que as palavras saíssem todas ao mesmo tempo. — É melhor você saber logo. Daqui a pouco vão nos alcançar e…

— Que loucura foi essa? Você não o matou, não é mesmo? Só o feriu, mas ele está…

— Morto, sim. Morto. Desculpe, ele era seu pai. Só que qualquer dia desses alguém faria o que fiz. Precisava ser eu a fazer, pode me odiar. E mais ainda porque estou feliz por tê-lo feito. Não posso negar, sempre quis fazer isso.

Lilly tentou decifrar o que ia por trás da expressão do rapaz. Graças aos céus, ele não se parecia em nada com o Xerife Davis. Nem fisicamente, muito menos no caráter. Ted tinha o coração bom demais para ser o filho do crápula que tinha deixado de existir quando ela o acertara com dois tiros. Ou tinham sido três? Ou quatro? Por que jogara o revólver no chão antes de subir em seu cavalo? Queria poder contar quantas balas tinham sobrado no tambor.

Logo depois de atirar, só conseguiu pensar no amigo. Tinha que fazer com que ele a acompanhasse e ouvisse de seus lábios os motivos para aquele ato, mesmo que a odiasse para sempre.

— Papai era um pouco arrogante, bruto até. Tinha que ser assim, Lilly, afinal era o Xerife, era o responsável por todos aqui em Carlson, se esqueceu disso? — Ted lutava contra as emoções que tornavam o peito apertado. — Ele cuidou de você quando sua mãe morreu, não cuidou? Foi quase uma filha para ele!

— Era um imundo! – gritou a moça. — Ele se aproveitou da minha mãe, assim como de tantas outras… Da mesma forma que quis se aproveitar de mim! Como nunca percebeu isso? Por acaso será tão bom assim, tão inocente que não consiga ver o quanto seu pai era odiado? Sim, odiado e temido, com razão. Só por isso o respeitavam. Tinham medo dele. Na verdade, esperavam que alguém fizesse o que fiz. Ainda assim, é claro que serei julgada. Não me importo, decidi que isso não vai acontecer. Não aqui nesse mundo.

O rapaz fez uma expressão de incredulidade. Não, não queria mesmo acreditar naquilo tudo que Lilly dizia, por mais que gostasse dela. Por mais que a amasse. Desde quando? Desde há tanto tempo que era como se tivessem nascido já destinados um ao outro. O próprio pai sabia daquele sentimento. Quando o filho lhe contara gargalhara, dissera que o jovem era um tolo, que jamais permitiria aquele casamento. Para o pai, a garota era apenas a filha da cozinheira, com raízes indígenas, neta de gente que tinha morrido defendendo aquele território.

— Meu pai não gostou da ideia de nos casarmos quando falei com ele. Isso sim, fez com que eu me chateasse.

Lilly pareceu amargurada ao ouvir aquilo.

— Claro que não iria gostar – depois de um tempo, o suficiente para conseguir lembrar de tantas, tantas coisas que não cabiam mais dentro de si mesma, continuou: — Ele também era meu pai. Ele se deitou com a índia sioux que tanto desprezava, veja só. Nasci de um ato sujo, vil, contra a gente da minha raça. De vários, aliás. Por ironia, pareço com ele e não com meus antepassados dos quais tanto me orgulho. Nunca percebeu? Somos irmãos, Ted. Por isso odeio Davis ainda mais.

Ted pensou que podia morrer ali mesmo, naquele instante. Foi como se tivesse acordado de um sonho, caindo direto em um pesadelo. Lá estava ela, com os cabelos mais claros do que uma descendente de nativos poderia ter, de olhos quase tão verdes como os do pai. Tão diferente do jovem, de cabelos e olhos castanhos, heranças maternas que faziam com o Xerife se incomodasse: “espero que não me saia mais um tolo romântico, como era a sua mãe!”

— Desde quando sabia disso?

— Soube na noite em que minha mãe morreu. Ela me contou e pediu para que fosse embora daqui, que fugisse. Que fizesse o que ela não fez por medo de que ele nos encontrasse. Prometi a ela que acabaria com Davis. Minha mãe pediu que não fizesse isso. Não consegui dizer que não o mataria, antes que ela fechasse os olhos. Eu mentiria, se voltasse atrás – queria completar a frase, mas o restante ficou apenas no pensamento: “Eu mentiria se voltasse atrás e não matasse o homem que fez com que eu tivesse que enterrar o amor que sinto por meu próprio irmão!”

Ted não sabia o que fazer. Aliás, sabia. Lilly era sua irmã, jamais poderia alcançá-la, jamais a teria da forma que sempre sonhara um dia ser possível: como sua mulher, o único amor de toda a sua curta vida.

De repente, sentiu como se o sangue gelasse.

— Você disse que ele quis se aproveitar de você. Ele conseguiu? Ele… sabia da verdade?

A moça deu de ombros, enquanto contava ao irmão mais segredos a respeito do pai, sentindo o estômago embrulhar:

— Se sabia, não estava se importando. Era um canalha, já disse. Um dia se cansaria das tentativas sem sucesso. Mais de uma vez disse que seria fácil acabar comigo, se não fizesse o que ordenava. Que só não consumava tudo porque não queria, pois se quisesse, não haveria como escapar.

A amargura tomou conta da garota. Estava satisfeita por sua vingança, queria crer que estava. Aquilo tudo, porém, não faria com que as coisas se resolvessem. Só havia mesmo um caminho para ela agora. Talvez tivesse nascido apenas para dar fim à tirania de Davis. Talvez.

Lilly pensava nisso quando percebeu uma movimentação ao longe. Eram os subordinados de Davis, fiéis aos desmandos do defunto.

— Não vou deixar que encostem a mão em você!

— Não vão encostar — respondeu ela, abraçando o jovem fortemente, na certeza de que seria o último abraço. — Está na hora de voltar para o lugar de onde vim. E ficar lá para sempre.

— Que quer dizer?

— E você, faça o favor de ir embora de vez desse lugar. Seu lugar é lá, na cidade grande, quem sabe do outro lado do oceano? Devia ter ficado na capital… Seja feliz, Ted. Por nós dois. Você precisa ser.

Como ele diria não, se a garota suplicava com o olhar? E adiantava dizer algo a ela? A moça sempre fazia o que achava que devia fazer.

— Eu serei, Lilly. Por nós dois, prometo.

Os homens já não eram apenas poeira no horizonte. Foi difícil se desvencilhar dos braços do amigo, do amor de infância, do irmão que a fatalidade lhe impusera e ter que subir no cavalo. Ela olhou para o topo do morro.

Ted sabia que não podia impedir a jovem de nada. Ficaria ali e não deixaria que aqueles homens a alcançassem. Eles não encostariam em um fio do cabelo de Lilly. Queria acreditar que aquele não era um gesto covarde de sua parte. E se fosse atrás dela? E se dissesse que não, que ninguém os separaria? Poderiam ir para qualquer lugar onde ninguém os conhecesse, vivendo longe de tudo…

— Lembra de quando éramos crianças, Ted? Meu maior sonho era voar. Disse que um dia faria isso, não disse? Vai ser agora… Eia! — e começou a cavalgar morro acima.

Aproveitou cada metro avançado, sem olhar para trás. Todas as lembranças boas estavam em sua mente, mas parecendo querer sair durante o derradeiro galope, como se ocupassem um espaço no horizonte, sendo levadas pelo vento. A imagem da mãe surgiu diante de seus olhos, como se estivesse triste com tudo aquilo. Ela não podia fazer nada. Haveria tempo para o perdão, um tempo infinito.

Quando finalmente se lançou no abismo, abriu os braços e gritou, sem fechar os olhos por um instante sequer.

54 comentários em “Eu Atirei no Xerife (Bia Machado)

  1. Caligo Editora
    25 de maio de 2014

    Fazendo um comentário geral, quero agradecer a todos vocês que leram o meu conto e comentaram deixando claras as emoções, dúvidas, e questionando o que escrevi. Essa não era a ideia que tinha em mente escrever, mas não estava conseguindo finalizar a história, e acabei pensando nessa história, quase que inteirinha, quando ouvi a música do Clapton, “I shot the sheriff”, então tentei escrever uma coisa mais rápida, quase como uma cena, onde a história se desenvolveria por meio das lembranças das personagens. Ledo engano meu, se pensei que esse conto seria mais fácil, por ter menos elementos, rs. O fato é que me envolvi demais com as personagens, isso sempre acontece. E pensar em seu final foi das coisas mais difíceis pra mim. Imaginei a cena e chorei muito, muito mesmo, me senti até uma malvada sem coração, pensando: “essa menina passou por tudo isso e ainda vai fazer uma doideira dessas?” Depois que escrevi o conto, fiquei ainda pensando uns dois dias se tinha como mexer nele, se dava para escrever o outro, se eu não mandava nada… Mas resolvi mandar esse mesmo e ver o que causaria nos leitores. Esperava pela forca, e não sem razão, rsss… E até me surpreendi com a boa aceitação, talvez essa história possa ser salva um dia, quem sabe? Só que acho que não vale mesmo a pena postar algo que parece estar faltando alguma coisa, só para participar. Quase pensei em postar um conto faroeste fora do concurso, e acho que ainda vou fazer isso, com o outro que eu pensava escrever. Ou não, pois a correria tem uma mira certeira demais para o meu gosto, rs. Agradeço muito, muito mesmo, pelo retorno! =)

    • Caligo Editora
      25 de maio de 2014

      E perdoem as repetições no meu post, argh! Deixa eu ir ali, cuidar da vida. 😉

  2. vitorts
    22 de maio de 2014

    Narrativas focadas no campo estritamente emocional não são bem meu tipo de leitura preferida, mas não posso negar que está muito bem escrito. Interessante a proporção entre diálogo e a voz do narrador, como já comentado pelos colegas. Para mim, ajudou bastante a caracterizar os personagens. No final, foi um conto que me agradou.

    Apenas fiquei confuso com um ponto do final. Pelo que entendi, ela atirou-se do precipício junto com o cavalo. Embora a imagem trágica seja bonita, acho que o instinto de auto-preservação do animal falaria mais alto… Isso se entendi certo!

    Parabéns pelo texto!

    • Caligo Editora
      25 de maio de 2014

      Oi, Vitor! Quanto ao cavalo, sua dúvida faz todo o sentido. Mas quero crer que ele era o reflexo de sua dona, rs…

  3. rsollberg
    22 de maio de 2014

    O titulo foi uma sacada bem bacana. Acredito que o clima de indiferença do filho seja fruto da própria construção e não um erro propriamente dito. Ainda mais, tendo em vista o envolvimento do amor de sua vida na ação.
    O conto tem um bom ritmo e prende o leitor.
    O final trágico é na verdade uma libertação dos personagens, o recurso preferido em estórias de vingança. ( também usei no meu, rs)
    Um belo conto.
    Parabéns e boa sorte no desafio!

    • Caligo Editora
      25 de maio de 2014

      Acho que concordo com você quanto ao Ted, RSollberg, rs. Obrigada por seu comentário! Parabéns pelo seu conto, é ótimo! =)

  4. Marcellus
    22 de maio de 2014

    A história é meio “mamão com açúcar”, só faltando ser ambientada no Novo México… 🙂

    Não me chamou a atenção, justamente por ser um romance adocicado. Da mesma forma, a reação de uma pessoa frente ao assassino do pai, especialmente se não houver uma forte mágoa pregressa, não me pareceu crível.

    Mas e’ um texto bem escrito (tirando, talvez, o “Carlson”), com pouca coisa a revisar.

    Boa sorte à autora!

    • Caligo Editora
      25 de maio de 2014

      “Novo México”? Talvez, quem sabe? Escrevo poucos romances “românticos”, é uma grande dificuldade para mim. Sobre as reações de Ted, tenho minhas dúvidas. Fiquei a todo instante enquanto escrevia pensando: ele poderia reagir dessa forma, sendo a assassina uma amiga de infância, amor proibido etc.? Optei por caracterizar Ted como um jovem muito indeciso, que ainda não crescera o que poderia ter crescido e errei, pelo visto. Quanto ao “Carlson”, posso ter pensado em “Carlton” na hora, sei lá, rs. Obrigada pelo comentário.

  5. Thiago Lopes
    20 de maio de 2014

    Minha leitura vai um pouco na direção do Leandro B. Muitas cenas de reconhecimento, revelações bombásticas. A impressão que tive – é só uma opinião minha – é que a história funcionaria independentemente de um contexto de Faroeste. Como se o gênero fosse apenas pano de fundo. Também achei muito manjado já essa história de casal que descobre que é irmão – as novelas fazem isso todo dia. Mas é preciso dizer que o enredo cativou e o leitor conduziu tudo com muita qualidade. Enfim, meu critério é mais a técnica narrativa que o conteúdo, então seu texto, na minha leitura, está muito, mas muito bom mesmo.

    • Caligo Editora
      25 de maio de 2014

      Bem, deve haver muita gente por aí que usa ideias manjadas, eu com certeza não inventei essa história de amor entre irmãos: já vi em filmes, livros, peças de teatro, tragédias gregas… Deve ter em novela, também, mas deve fazer uns 5 anos que não assisto a novela nenhuma, rs. Acredito sim, que possa funcionar em outros ambientes e contextos, mas imaginei tudo em uma cidadezinha no meio do deserto, rs. Obrigada pelo comentário! 😉

  6. Bia Machado
    17 de maio de 2014

    Um conto curto e ágil, talvez ágil demais, ou pelo menos a impressão é a de que poderia ter algo a mais. O final foi muito doloroso de ler, mas acho que fugiu do óbvio, ficou bem dramático. Boa sorte!

  7. Leandro B.
    13 de maio de 2014

    Achei o conto bem escrito, com uma narrativa boa. Mas a história não me cativou muito. O excesso de revelações e acontecimentos “bombásticos” em um espaço curto podem ter contribuído para isso.
    Tive uma impressão próxima a do Arcadia quanto às reações de Ted. Achei-as um pouco estranhas, apáticas, talvez.

  8. Swylmar Ferreira
    12 de maio de 2014

    Excelente conto E.Clapton.
    Enredo, narrativa, realmente gostoso de ler. Personagem principal feminino, tudo de bom em um faroeste, xerife bandido, amor proibido… Como disse, excelente
    Meus parabéns!

  9. Felipe Moreira
    10 de maio de 2014

    Gostei da narrativa… A descrição da Lilly, suas revelações. O texto é curto, mas abrangente. Acho que ele contem exatamente a dose de um conto, narrar uma grande história, seja através de um evento ou uma vida inteira, mas dessa forma.

    Parabéns e boa sorte.

    • Caligo Editora
      25 de maio de 2014

      Obrigada pela leitura, Felipe. Talvez o texto seja curto demais, até. Mas valeu ao menos participar! 😉

  10. E. Clapton
    6 de maio de 2014

    Pessoal, quero pedir desculpas porque, em um dos links dos meus comentários, eu coloquei um ponto entre as letras X e isso fez com que ele acabe indo para um site pornô, kkkkkkkkkk! Mas se quiserem ir, é por sua conta e risco, ok? Não foi a intenção! :p

  11. Thata Pereira
    6 de maio de 2014

    Li o conto sem detectar nenhum problema, sem me sentir incomodada com nada. Não sei se houve, pois a leitura é tão dinâmica que não fiquei presa aos detalhes. Mas me pareceu o trecho de uma história maior. :/

    Boa sorte!!

  12. Rodrigo Arcadia
    6 de maio de 2014

    Gostei da história, do drama entre os irmãos. só achei Ted sem nenhuma reação com as revelações de Lilly. tirando isso, achei o resultado bem bom.

    Abraço!

    • E. Clapton
      6 de maio de 2014

      “Ted emudeceu diante da confissão da garota.”
      “Ted pensou que podia morrer ali mesmo, naquele instante. Foi como se tivesse acordado de um sonho, caindo direto em um pesadelo.”
      “Ted não sabia o que fazer. Aliás, sabia. Lilly era…”
      “Ted sabia que não podia impedir a jovem de nada. Ficaria ali e não deixaria que aqueles homens a alcançassem. Eles não encostariam em um fio do cabelo de Lilly. Queria acreditar que aquele não era um gesto covarde de sua parte. E se fosse atrás dela? E se dissesse que não, que ninguém os separaria? Poderiam ir para qualquer lugar onde ninguém os conhecesse, vivendo longe de tudo…”

      Desculpe, você pode não ter gostado da reação de Ted, mas que elas existiram, sim, existiram. Agradeço pela leitura!

  13. Tom Lima
    6 de maio de 2014

    Parece que a personagem influenciou o autor 🙂
    A história foi lançada na cara do leitor, com se o autor quisesse contar tudo de uma vez. Isso não é um problema, o que me incomodou fo a falta de emoção. Achei as reações de Ted muito frias. Talvez o autor tenha tendado passar um estado de choque por tanta informação recebida, mas fakhiu em causar esse estado no leitor.

    O cinto foi bem escrito, mas para mim faltou emoção.

    Parabéns e boa sorte.

    • E. Clapton
      6 de maio de 2014

      Foi bem o que você falou, quanto ao Ted. Achei que foi explorado pouco, mas era o que eu queria mesmo, pois ao colocar mais coisas, achei que ficaria explicativo demais. Os comentários me mostraram, no entanto, que devia ter seguido outro caminho para conseguir o que eu pretendia passar. Agora, com mais tempo, pensarei em outra forma de levar essa história.

      “O conto foi bem escrito, mas para mim faltou emoção.” – Achei isso meio dúbio. Se foi bem escrito, como faltou emoção? Uma história não falha, então, quando não passa emoção ao leitor? Ou o erro está no leitor? Só para pensar… 🙂

  14. Brian Oliveira Lancaster
    5 de maio de 2014

    O que mais gostei: focar em um evento específico e o final ‘sem retorno’. O que não curti muito: gosto de contos que explorem o sentimento, mas em minha opinião algumas coisas ficaram abruptas/rápidas demais. No entanto, a personagem principal me convenceu desde o início. Jóinha!

    • E. Clapton
      6 de maio de 2014

      Grato pelo comentário. Legal saber que a personagem convenceu e vou rever essas questões que deram essa sensação de rapidez. 😉

  15. Sérgio Ferrari
    5 de maio de 2014

    Olá. Achei burocrático o conto (condução do diálogo, rumo da história) no sentido de não ter picos de tensão ou algum ponto que nos desvie para o final, tipo alguma intervenção (não sei que tipo {é de se pensar}). Bem escrito, mas com enredo morno. Final Thelma & Louise, mas sem emoção!

    • E. Clapton
      6 de maio de 2014

      Agradeço pela leitura e pelo comentário. Sobre a intervenção, bem, prometo que pensarei. Nenhum texto está sempre definitivamente pronto.

  16. Davi Mayer
    4 de maio de 2014

    O conto muito bem escrito e construído. Por ser de falas, não torna muito cansativo, e o cenário vai sendo jogado aos poucos, o que me atrai também. Parabéns, prendeu-me do inicio ao fim.

  17. Isabella Andrade
    3 de maio de 2014

    Melancólico, dramático e muito interessante. Achei de uma sutilidade mórbida esse seu conto. Parabéns pela narrativa simples e deliciosa, sem clichês. Obviamente queria mais uns tiros, mas o drama aqui proposto agradou. Boa sorte!

    • E. Clapton
      3 de maio de 2014

      Grato pela apreciação, Isabella! Também fiquei com vontade de dar mais um tirinhos, mas acabei me controlando, haha!

  18. Fabio Baptista
    3 de maio de 2014

    Aqui também temos todos os elementos que caracterizam um conto genuíno, que citei no comentário do “Estranho Duelo”. Porém, dessa vez, fiquei com a impressão de ter lido uma história da metade para o final. Tudo é perfeitamente compreensível, sem dúvida, mas esse começo foi muito abrupto na minha opinião.

    Está bem escrito (apenas uma rima involuntária incomodou logo no começo: repente/independente/justamente… nada muito relevante), sem alegorias ou firulas, o que é ótimo. Apesar que gosto de ver algumas figuras de linguagem bem elaboradas durante a leitura, aqui não teve praticamente nenhuma. Mas antes assim, simples e direto, do que excessivamente rebuscado (para o meu gosto).

    A frase final é marcante, fechando bem a história.

    Bom conto!

    Abraço.

    • E. Clapton
      3 de maio de 2014

      Oi, agradeço por apontar as rimas involuntárias, não tinha mesmo percebido. Também me incomodo quando as percebo, vou arrumar aqui. Quanto ao começo, entendo que fazer da forma como fiz pode trazer essa sensação, mas tenho que confessar que foi proposital, pois foi assim que imaginei o texto, queria exatamente esta ação e ousei escrevê-la desta forma, coisa que não me lembro de ter feito antes. Costumo preferir textos mais diretos, acho que isso é uma constante no que produzo. Abraço!

  19. Anorkinda Neide
    2 de maio de 2014

    Pode-se até pensar que é muita explicação na fala de um personagem só… mas o autor já avisa que a personagem´e de falar muito e com rapidez… então o conto entra no ritmo dela, da personagem, a gente lê com rapidez, num gole só! rsrsrs
    Achei tudo perfeitamente aceitável dentro do espaço de um conto.
    Muito bom o enredo e a execução.
    Parabens

    • E. Clapton
      2 de maio de 2014

      Agradecido pelo comentário, Anorkinda. Que bom que gostou!

  20. Eduardo Selga
    1 de maio de 2014

    Dias atrás estávamos em sala de aula discutindo a presença da tragédia grega na narrativa de autores contemporâneos, ainda que ambientada noutros séculos; o quanto o destino sanguinolento dos personagens é a expressão desse gênero, no conto e no romance. Adoramos uma tragédia.

    Eis que surge um conto que segue os parâmetros das peças encenadas na Grécia antiga, que permanecem vivas entre nós até hoje, a exemplo das telenovelas: um personagem central com grande conflito (ter assassinado seu pai e algoz e ao mesmo tempo ser apaixonada pelo irmão) e um desfecho violento (a moça ter se atirado no abismo).

    Até a opção do autor por estruturar o texto em diálogos, dando pouca voz ao narrador, é um elemento do teatro grego, pois é exclusivamente por meio das falas que a trama teatral evolui.

    E é nesse ponto que, parece-me, o conto tropeça, mas não a ponto de ir ao chão. Se as longas e pouco tensas falas de Lilly se explicam em função de seu temperamento mostrado no parágrafo inicial, tanto diálogo prejudicou a percepção do espaço ficcional habitado pelos personagens. Isso porque o aspecto descritivo do texto ficou um tanto relegado a segundo plano. Acredito que se algumas informações transmitidas pelos diálogos fossem repassadas ao narrador, talvez esse aspecto ficasse melhor.

    A frieza de Lilly durante a conversa com Ted e sua atitude extrema de se atirar do despenhadeiro justificam-se por ser “louca, quase insana […]”, mas um maior passeio por essas características, via narração, ficaria ótimo.

    • E. Clapton
      2 de maio de 2014

      Agradeço pelas dicas com relação à narração. A intenção era, sim, pouca interferência do narrador, foi proposital a pouca descrição, mas se diz que isso prejudica a percepção do espaço, não fará mal transportar alguma coisa da fala de Lilly para o narrador. Verei isso com mais calma, pode estar certo.

    • E. Clapton
      2 de maio de 2014

      “Adoramos uma tragédia.” E como! Por que será?

      • Eduardo Selga
        2 de maio de 2014

        Há algumas explicações, muitas se complementam. Gosto da que diz que combina perfeitamente com os dias de hoje, em que há muita tensão e parecemos ficar excitados com isso. Uma tragédia bem contada é adrenalina na veia.

    • E. Clapton
      2 de maio de 2014

      Ah, sim, me esqueci de dizer que, curioso, quando imaginei a história, até deu vontade de escrever como texto teatral, com rubricas e tudo, mas é claro que não vem ao caso aqui, pois não seria um conto, mas fica a coincidência registrada, de você ter falado nesse ponto.

  21. Jefferson Lemos
    1 de maio de 2014

    Um bom conto, bem desenvolvido e muito bem escrito. Gostei da narrativa leve e direta. Não é algo que costumo ler, mas gostei de certa forma. Por outro lado, esse final não ficou muito bom. Sei lá, acho que eu esperava mais.

    Como já dito, dá pra sentir o ódio da protagonista nas entrelinhas.

    Parabéns e boa sorte!

    • E. Clapton
      1 de maio de 2014

      Oi. Pena não ter gostado do final, mas acontece. Para mim, está bom assim, foi bem complicado tê-lo escrito. Não foi fácil, mas achei digno, ao menos neste momento.

  22. Claudia Roberta Angst
    1 de maio de 2014

    Gostei da narrativa que não ficou conduzindo o leitor em círculos. Bom tamanho, condensando ação e emoção em um episódio central.
    A única coisa que me incomodou foi a reação do “filho do crápula” ao saber da morte do pai. Pareceu um tanto frio e ao mesmo tempo referindo-se a ele como “papai”. Algo aí não me soou bem, como se tivesse encaixado à força uma peça errada no quebra-cabeça. Mas pode ter sido apenas impressão minha.
    O final foi o que eu previa e aprovei. Fechou bem a trama criada, pois a personagem já havia anunciado: “(…) Ainda assim, é claro que serei julgada. Não me importo, decidi que isso não vai acontecer. Não aqui nesse mundo.”
    Boa sorte!

    • E. Clapton
      1 de maio de 2014

      Apenas explicando o “papai”, ele o chama assim no começo, depois muda e não o chama mais. Mas parece que isso não fica claro para quem lê o conto.

  23. Pétrya Bischoff
    1 de maio de 2014

    Me pareceu uma única cena, gostei do seu tamanho. Se houvesse prolongamento, não prenderia o leitor. Uma escrita simples e, de qualquer maneira, boa. Gostei que o autor tenha exposto as mazelas da protagonista; senti sua raiva pelo Xerife. Parabéns e boa sorte 😉

  24. mariasantino1
    1 de maio de 2014

    É um pequeno recorte. Li querendo saber mais e fiquei cheia de ânsias quando o texto acabou. Gostei somente da trama, se percebe que há muito ódio implícito e sentimos ele no decorrer do texto. Achei que seu conto parece uma página solta de um romance maior e adoraria ler algo mais desenvolvido com o que tens aqui. Por hora, te desejo boa sorte no desafio 🙂

    • E. Clapton
      1 de maio de 2014

      Não vi como um recorte. Quando tive a ideia, esta me pareceu muito longa. Então planejei a cena da forma que, com os fatos anteriores apenas narrados já se soubesse da história que há por trás e se desse crédito às atitudes de Lilly. Agradeço a leitura.

      • mariasantino1
        3 de maio de 2014

        Olá! Disse que é um recorte justamente por ter muito antes. Sinceramente acho que seu texto poderia sim ser maior e como dito, adoraria ler mais. Gosto muito quando sou cativada pela trama (como aconteceu aqui) Peço que perdoe se me expressei mal (ultimamente minha HD mental tem dado pane…). Novamente desejo sorte. É isso 🙂

    • E. Clapton
      1 de maio de 2014

      Não o vejo como um recorte. Acho que isso pode, talvez, passar essa impressão porque as personagens falam sobre fatos anteriores ao que está nele escrito. E foi essa a minha intenção, fazer com que tudo ficasse ciente apenas nesta cena, pois se fosse colocar tudo o que foi apenas contado por Lilly e Ted, ficaria bem maior. E o que eu tinha a intenção de escrever, realmente, era um conto. Agradeço a leitura.

    • E. Clapton
      3 de maio de 2014

      Olá, Maria, fique tranquila, pois entendi o que quis dizer e assumo toda a responsabilidade por qualquer interpretação que a minha história tenha dado. Sim, o texto poderia ser maior, como os meus textos geralmente são, mas tenho tentado escrever coisas menores, pois sempre passo do limite de palavras e depois sou obrigado a cortar, o que não tenho achado muito interessante. Então este conto serviu como um exercício e fiquei feliz por você ter sido cativada pela trama, só por isso já valeu a pena ter escrito o conto. Talvez, um dia, com mais calma, eu aumente a coisa, mostrando todo o “antes”, confesso que me peguei pensando nisso a partir dos comentários. Mas já não sei se o final seria o mesmo… Confessando aqui: queria que o final fosse algo a la “Thelma & Louise”, hehe… Mais uma vez, agradeço!

      • mariasantino1
        3 de maio de 2014

        Opa! Filmaço da infância. Sim, o clima do final desse filme é ótimo. Rende ao menos um susto, um breve torpor. Falooowww!! Até +

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Publicado às 1 de maio de 2014 por em Faroeste e marcado .