EntreContos

Detox Literário.

Nada Existe (Nem o Título) – (Thais Pereira)

Nada existe

A vida não é perfeita, mas também não é ruim. Espera. Contentamento é uma das primeiras coisas que aprendi que não podemos ter. Sou feliz? Bem, eu tenho um emprego, estudo como qualquer garota da minha idade, existe minha mãe. Calma, comecei tudo errado de novo, penso mentalmente, respiro e retorno do início, Isa, para começar: defina felicidade…

***

Naquele dia, fui dormir com a última frase dita pelo professor na cabeça.

***

Desci as escadas do serviço que levavam para até a rua. Fiquei fazendo hora extra até tarde e perdi a noção do tempo. Já havia anoitecido e não gosto de sair de lá sozinha. O bairro industrial é muito isolado e, logo na esquina, tem um bar bem frequentado: por bêbados e drogados. Tateei os bolsos a procura do celular, mas não encontrei. Segui o caminho com a intenção de sentar-me na praça, esperando meu pai passar para, enfim, voltar para casa. Sentia-me cansada e tudo que eu precisava era de um banho e uma boa noite de sono.

Atravessei o bar que milagrosamente estava com as portas fechadas, mas mesmo assim fui incomodada por alguns homens embriagados, mendigando moedas para que pudessem beber. Hoje eles nem mentem mais, pedem dinheiro com a desculpa de precisarem sustentar o vício. A voz do meu professor ecoava, conforme tudo que eu observava no mundo. Pobres bêbados. Pobre de quem crítica a bebida constatando seus malefícios, simbólicos demais diante da sedução. Do outro lado dos comerciais de cerveja, estão os idealizadores e seus publicitários, brindando com suco natural. Tudo do mundo foi estrondosamente bem planejado.

Apressei o passo e ao longe vi o início da praça principal. Alguma coisa lá pegava fogo e a fumaça subia de encontro com o céu. Contive os passos, mas a curiosidade foi maior e me deixei levar: notícias quentes rendiam ótimos debates dentro da sala de aula.

Algumas pessoas vagavam perdidas. Fiquei confusa diante daquilo tudo, sentindo que deveria ter lido algum livro sobre o apocalipse zumbi, pois era exatamente o que parecida. Olhei para trás e a rua do meu trabalho ainda permanecia em paz, com a exceção dos bêbados, cantando.

Todos corriam na mesma direção. Era como se toda a cidade tivesse se aglomerado na praça para fazer algazarra. Será que estenderam o carnaval e eu não sabia? Se fosse algum bloco, estava muito bem ensaiado. A expressão de perturbação das pessoas era impressionante. Não havia policiais para conter aquela gente.

No desespero, ao ver uma mulher vomitando sangue na sarjeta, joguei minha bolsa no chão sem me preocupar com dinheiro, chaves, documentos e meu celular, que provavelmente estaria ali.

– Moça – chamei, tentando levantá-la do chão, pois muitos carros passavam rentes à calçada, fugindo de todo aquele transtorno.

Até então, apenas meus olhos estavam conectados ao mundo. Quando abri meus ouvidos, escutei as freadas dos carros. Tentavam se desviar das pessoas que dominavam as ruas. Junto das batidas e vidros sendo quebrados, gritos de pânico formavam sua música.

A mulher agarrou meus cabelos e muitos fios foram arrancados. Percebi que havia sido esfaqueada, manchando minha roupa de vermelho. Ela tentava dizer algo, mas sufocava no próprio sangue. Quando vomitou dentro do decote da minha blusa, soltei-a no desespero e o impacto com o chão fez com que ela caísse morta. Fugi com medo de ser decretada culpada. Vomitei apoiada no poste de luz, sentindo nojo daquela situação.

Arranquei a blusa para me limpar, sentindo ânsia. Depois precisei jogá-la fora, pois não havia condições de vesti-la novamente. Não me importei com a parcial nudez. Ninguém ali parecia reparar, pois muitas pessoas sequer estavam vestidas. “Você nasceu de roupa?”, ele dizia nas quartas e quintas, “Se a sociedade tivesse imposto que andar vestido fosse motivo de vergonha, a playboy teria mulheres usando roupas de inverno.”

Abri espaço na multidão procurando por alguém conhecido, mas havia muitos rostos estranhos. Voltei para buscar minha bolsa, mas alguém já havia espalhado o conteúdo dela no chão. Com dificuldades encontrei meu celular, mas alguém havia pisado em cima dele, quebrando o visor. Felizmente, algumas coisas ainda podiam ser enxergadas. Procurei pelo telefone de casa e não o reconheci. Corri os olhos nos nomes, procurando pelo número dos meus pais, mas todos meus contatos pareciam trocados.  Nem o número da minha melhor amiga estava marcado nas últimas chamadas recebidas.

– É a sua vez – escutei alguém sussurrar.

– A minha vez de quê? – perguntei sem obter resposta, largando o celular e correndo na direção que veio a voz.

Ouvi um grande estalo e uma das árvores caiu impedindo a passagem. Os arruaceiros colocaram fogo na prefeitura e casas construídas muito próximas formavam uma corrente de fogo, fazendo que as pessoas escondidas saíssem para as ruas. Nem sinal de bombeiros.

Ao longe observei o carro do meu pai passando com pressa. Julgo até que tenha me visto parada no meio da multidão, mas não estacionou para ir me buscar. Meus olhos encheram-se de lágrimas. Estava sozinha no meio de todas aquelas pessoas que pareciam ter acabado de fugir de um hospício.

− Isadora! – escutei alguém me chamando. – Isadora, aqui!

Era uma das meninas que frequentava o mesmo curso que eu. Forcei a mente tentando recordar seu nome, mas era inútil. Ela também parecia desesperada.

− Há quanto tempo você está aqui? – perguntei.

− Não muito, mas descobri que precisamos encontrar o caminho de casa. – ela dizia entre os empurrões. – Todos aqui estão procurando o caminho de casa.

− Sim, acabei de sair do serviço, também estou indo para casa e…

− Isa, você ainda não entendeu? – ela me deixou ainda mais confusa. – Vá para a casa descansar!

Uma mulher me olhou de longe, fixamente. Corri atrás dela tentando encontrar respostas, mas fui arrastada pela multidão. Possuíam tanta força que precisei acompanhá-los. Mesmo assim, continuei andando de costas, pois não havia espaço suficiente para me virar. Acabei caindo e sendo pisoteada por aquele bando de loucos. Alguém chutou minha cabeça e eu finalmente caí no sono.

***

Acordei sufocada, inspirando o máximo que conseguia de oxigênio. Era sábado e minha mãe havia me deixado dormir até tarde, como era de costume. Não me levantei. Cobri minha cabeça com medo e comecei a chorar, com receio de ser escutada. Meus pais não sabiam de nada e não entenderiam se eu contasse.

– Isadora, acorda! – ouvi a voz da minha mãe vinda da cozinha. – Lembre-se que prometeu ir para mim no supermercado.

Andei até a cozinha amparada pelo corredor. Sentei-me à mesa e imaginei que meu mal estar poderia ser fome. Preparei um copo de achocolatado, mas meu estômago revirou ao sentir o cheiro. Lembrei da mulher do sonho, vomitando um sangue viscoso. Passei a mão na blusa do meu pijama, como se a mancha vermelha ainda estivesse ali.

− Mãe, você costuma sonhar? – recebi um olhar estranho da minha mãe.

− Sonhar?

− Sim, sonhar.

− Costumo ter pesadelos – ela levantou-se da mesa rindo, recolhendo as louças sujas da mesa. – Com as contas no final do mês.

Procurei minhas chaves, mas não encontrei. Assim como não localizei meu celular e a carteira de dinheiro. Não importava. Não tardaria a voltar das compras. Peguei a bolsa da minha mãe emprestada e caminhei ainda fraca para o supermercado mais próximo.

Inconscientemente, em cada corredor, eu me via parada com alguma lata na mão. Olhava para aquelas descrições sem ler e me focava apenas em uma palavra: “Sinta o real sabor”, “A realidade em sua mesa”, “Tempero real: seja o líder da sua cozinha”.  RealidaDE. RealiDADE. ReaLIDADE. REALIDADE. “Tudo ao redor te manipula”, soava a voz do meu professor.

Apoiei-me no carrinho, sentindo as consequências de ter saído de casa sem me alimentar, mas vê-la fez com que minha disposição voltasse. A mulher do sonho.

Abandonei as compras e corri atrás dela esbarrando em algumas estantes e pessoas. Derrubei uma pirâmide de biscoitos, escutando a reclamação dos funcionários e a festa das crianças. Tudo que eu queria era ir atrás das minhas respostas. Quando virei o penúltimo corredor, em um gesto brusco, tudo se apagou e só pude sentir o choque do corpo com o chão frio.

***

Alguma coisa me perseguia. Eu não a via, mas podia sentir que se aproximava. Eu estava em um lugar deserto, de chão seco e meus pés descalços estavam cheios de bolhas causadas pela quentura da terra. Eles doíam, mas não podia me dar o luxo de parar e ser pega.

Avistei um precipício e entre os dois lados uma ponte velha. Era me atirar ou enfrentar a travessia. Continuei correndo e no último instante que possuía para pensar, enfrentei a ponte. Diminui a velocidade, mas continuei correndo. Em um desses passos, uma madeira falsa me levou para baixo, permanecendo pendurada por uma das mãos. A coisa se aproximava e antes que eu pudesse ver seu rosto, me atirei em um caminho sem fim. Do alto, algo me olhava com pena: a verdade.

***

Abri aos poucos os olhos e vi que um homem de jaleco branco estava ao meu lado, analisando minha pulsação. A enfermeira retirava o soro já no final, o que me fez imaginar que eu estivesse ali há mais ou menos uma hora. Vi minha mãe levantando-se da poltrona e perguntando algo que parecia com “Sente-se melhor? Você desmaiou por ter saído de casa em jejum e…”. Voltei a dormir.

***

Liguei a televisão em casa, mas pouco escutava, pois o barulho do lado de fora ainda continuava. Acostumei com o som dos vidros quebrando, com o fato de ter de concertar portas e janelas frequentemente e de conviver com os animais que, assim como os homens, procuravam abrigo dentro das casas.

Todos os canais de TV relatavam o mesmo estado: em diversas partes do mundo casas e patrimônios públicos eram destruídos, cadeias eram arrombadas e hospícios libertavam seus pacientes. O mundo havia virado o caos e ninguém controlava a situação. Presidentes haviam fugido e alguns até se suicidaram. Não tinha mais o que ser feito, a não ser sentar e esperar sua vez. Peguei uma maçã do lado da poltrona e dei uma mordida. Estava podre, mas agradeci por ter pelo menos aquilo para comer. Terminei-a com satisfação e fui dormir para fugir de todo aquele transtorno.

***

Eu não estava mais no hospital. Estava em um quarto, branco e limpo. Deitada no colo da minha mãe, enquanto ela me fazia cafuné. Olhei para ela de cabeça para baixo e vi seu enorme sorriso, demonstrando estar feliz por eu ter acordado.

– Está se sentindo melhor? – ela perguntou.

– Estou – respondi sem mentir. A tontura havia passado e eu estava pronta para voltar para casa. – Onde estamos?

– O médico achou melhor que você ficasse de observação por algum tempo. Quer algo? Comida, um copo com água.

– Água, – respondi ainda confusa. – Minha boca está seca.

Olhei para o espelho pendurado em cima da cama e sorri vendo o cabelo desarrumado. Quando sorri novamente para ter certeza do que eu havia visto, observei que um dos meus dentes parecia sangrar. Quando passei o dedo percebi que não era sangue e sim uma lasca da casca de maçã que comi no sonho.

Minha mãe levantou-se e foi até a mesa do outro lado do quarto. Puxei para junto de mim um bloquinho de anotações disposto sobre o criado mudo, sentindo o desejo de desenhar meus sonhos, tentando compreender se havia entre eles alguma relação. Encontrei as páginas escritas com a letra da minha mãe.

27/01 – Começou os estudos.

04/02 – Começou a ter pesadelos e a falar dormindo.*

17/02 – Largou o emprego, dizendo não ter mais a necessidade de trabalhar.

18/02 – Passou a frequentar as aulas apenas nas quartas e quintas.

19/02 – Começaram os desmaios.

*Obs: perseguições, mortes, choros, fogo, noticiários relatando o fim dos tempos, precipícios e uma senhora desconhecida.

Olhei para aquilo sem entender direito o que era, mas julgando não ser algo bom. Eu nem ao menos sabia que falava enquanto dormia. Minha mãe ficou assustada quando viu o que eu havia lido. Esperava que ela me entregasse todas as respostas sem serem pedidas.

– O que é isso? – perguntei, percebendo que ela não diria nada sem ser questionada.

– Filha, – ela fez a pausa costumeira das mães que significava problema. – é para o seu bem.

– O que é isso? – reforcei.

– Apenas algumas anotações minhas, por precaução.

Quando olhei para o canto superior direito do pequeno quarto percebi que lá estava, sempre atenta, uma pequena câmera filmadora, registrando todos nossos momentos no quarto e transmitindo Deus sabe para onde!

– Mãe, será que você não entende. – comecei a gritar, buscando compreensão. Abracei a mulher que me deu a vida, na minha válvula de escape, esperando que assim ela me ouvisse. – Mãe, olha em sua volta. Mãe isso não é real. É só uma escapatória, você entende? Você me compreende? Por favor!

Minha mãe chorava, esperando que os enfermeiros chegassem logo. Eu via estampado em seus olhos que ela não acreditava mais em mim.

– Mãe, você precisa acreditar em mim – eu disse chorando. – Isso tudo é apenas um sonho. Um jeito de fugir do caos lá fora. Seus pesadelos: você se lembra dos seus pesadelos? Eles são todos reais. É sua vida, não fuja dela!

Parecia que eu a estava convencendo quando os enfermeiros entraram no quarto e a afastaram. Aplicaram algo no meu braço e eu adormeci relutante.

– Por favor, mãe! – eu clamava por sua misericórdia e adormeci vendo-a chorar.

“Mãe, existe?”, havia sido minha última aula.

***

Eu estava na praça outra vez. Não sei o motivo pelo qual saí de casa, mas constatei que seria fome, já que senti o estômago reclamar. Todos os armazéns já haviam sido assaltados. Encolhi-me em um beco escuro lembrando-me do dia que minha tia foi arrastada pelos enfermeiros para uma clínica de tratamento psiquiátrico. Ela havia matado os filhos, alegando que eles estavam com o demônio no corpo. Nunca me esqueci disso.

Uma menina de cabelos negros estava sentada na calçada, do outro lado da rua. Um homem dormia em seu colo, como minha mãe costumava fazer comigo. Não sei se dormir era a palavra correta, pois ele estava morto. Ela possuía uma faca nas mãos e sufocando-o com um dos braços, enfiava com a ajuda da outra mão a faca em seu crânio. Fez isso tantas vezes que a entrada e saída da faca já aconteciam sem dificuldades. Ela me deu um sorriso amarelo. Seu cabelo estava sujo e as roupas brancas manchadas.

Levantei-me, pois ela vinha na minha direção. Ao invés de fugir, andei ao seu encontro e queria que, por piedade, fizesse comigo o mesmo que havia feito com aquele homem. Quando ela levantou a faca para me perfurar e eu fechei os olhos entregando-me com o destino, alguém me puxou , tirando-me de lá. Era a mulher.

– Era você – eu disse para a senhora, enquanto olhávamos o Teatro Municipal sendo devastado.

– Há quanto tempo você não dorme? – ela me perguntou.

– Estou entrando na terceira semana. – respondi entristecida. – Percebi que não adianta fugir. Apagando lá, acordo aqui. E você?

– Há muito tempo, perdi a conta. Só dormi recentemente aquele dia. O dia que te encontrei no supermercado.

− O que você queria naquele dia?

− Explicar para você o que estava acontecendo. Assim você não ficaria como os outros, loucos. Vivem assim, pois não aceitam a realidade.

− Defina realidade.

− Quando a elite não conseguiu mais controlar as pessoas eles perceberam que haviam perdido o poder. Não tinham mais o controle nas mãos.

− O que eles fizeram?

− Ensinaram as pessoas a sonhar. Acreditar que isso tudo não passava apenas de um pesadelo e que sua vida real é a vida perfeita que sempre desejou.

– Porque com a gente? – era a pergunta que me atormentava. – Por que os outros não compreendem?

– No fundo todos sabem – ela afirmou. – Mas todos fogem. Alguns preferem dormir eternamente. Caso adormeçam lá e aqui o efeito é diferente.

− Surgem os sonhos.

− Não, surge o comodismo e a mentira. Entendeu o perigo de formar seres pensantes?

Sentamo-nos na porta de uma loja desativada e esperamos pelo espetáculo. Em alguns minutos prédios desabaram e as pessoas comemoravam vitoriosas.

− Os dois mundos estão se misturando.

– Quanto tempo para que tudo acabe? – questionei.

– Menos de um mês, mas parei de assistir os telejornais. Eles afirmam que ainda há esperanças e que tudo está sobre controle.

Há alguns dias atrás fui dormir com a frase do meu professor na cabeça: “Quem disse para você isso tudo em sua volta é real?”.

Acordei e nunca mais dormi.

52 comentários em “Nada Existe (Nem o Título) – (Thais Pereira)

  1. adilson
    8 de agosto de 2014

    Olá Vicente, de antemão quero parabenizar-lo pelo o conto! Realmente é fantástico essa dualidade entre sonho e realidade! Sucesso e, abs!

  2. Eduardo B.
    5 de abril de 2014

    Algumas reflexões inseridas no texto são interessantes, de fato. Só penso que algumas passagens soaram um tanto inverossímeis.
    Continue escrevendo.

  3. Marcellus
    5 de abril de 2014

    Uma pequena revisão, mais tempo de maturação da ideia e esse conto pode tornar-se fantástico. Mas já está muito bom, apesar de sacudir um pouco os alicerces da minha mente, fincados no “real e cartesiano”.
    Parabéns e boa sorte!

  4. Vívian Ferreira
    5 de abril de 2014

    Gostei. Uma loucura bem estrutura. A mistura de sonho e realidade foi bem esclarecida no final. Boa sorte no desafio.

  5. Bia Machado
    5 de abril de 2014

    Gostei muito do conto, muito mesmo. Enxerguei um fundo de Matrix e, se ainda não viu esse filme, vá logo ver! Lembrou-me também o livro “O Homem Fragmentado”, do Tibor Moricz, autor brasileiro, pela estrutura e pelos questionamentos. Outro que quero ler e que se encaixa no mote do conto é “A Realidade Oculta”, conhece? Meu marido está lendo, logo começo a ler também. É um tema que me atrai muito. Ponto a melhorar é a conversa no final, me soou um pouco explicativa, mas entendo que talvez o limite de tempo e de palavras tenha contribuído para isso. Parabéns!

  6. Wilson Coelho
    5 de abril de 2014

    Gostei do conto, da ideia conspirativa, da doidice da situação. Muito bom!

  7. Hugo Cântara
    5 de abril de 2014

    A escrita é boa, filosófica e nota-se que o autor faz bom uso das palavras.
    No entanto, o enredo tornou-se confuso e houve algumas questões que ficaram por responder. Pessoalmente, não sou o maior fã deste género de contos, mas está aí um bom trabalho, que ainda pode ser melhorado.
    Parabéns e boa sorte!
    Hugo Cântara

  8. Thata Pereira
    4 de abril de 2014

    Até que a confusão me agradou sim, mas essa parte que ela é perseguida, na ponte… não sei, me soou pouco convincente. Também fiquei me perguntando que mundo é esse que as pessoas adoram uma faca rsrs’ Bom, mas como li nos comentários do(a) autor(a) vi que intenção não foi dar todas as respostas, algo que precisa de um cuidado maior, pois agrada uns e desagrada outros. Outra parte foi quando uma menina esfaqueia a cabeça de um homem deitado em seu colo. O termo “menina” me passa a ideia de que ela é uma criança, será que foi ela que matou o homem, será que ela conseguiria matar este homem? Mas no fim gostei do conto.

    Boa Sorte!!

  9. Alexandre Santangelo
    2 de abril de 2014

    Essa confusão propositada foi incrivelmente bem estruturada. Gostei também da filosofia. Conseguiu não deixar piegas. Parabéns

  10. fmoline
    2 de abril de 2014

    Bela história e escrita. Uma reflexão bem interessante também. Parabens!
    Boa sorte.

  11. Socram Bradley
    1 de abril de 2014

    Os universos colidem a todo tempo….Gostei! Parabens pela escrita!

  12. Fernando Abreu
    1 de abril de 2014

    Achei que os sonhos não foram bem explorados. Quando se quer fazer essa mistura, há de se jogar completamente em algo surreal, mas os devaneios parecem meio presos. Não gostei e, provavelmente, não entre nos meus 10 escolhidos.

    • Thais Pereira
      1 de abril de 2014

      Fernando, mesmo assim, obrigado pelo comentário!

    • Vicente Miguel
      1 de abril de 2014

      Obrigado pelo comentário, Fernando!

  13. Felipe Moreira
    30 de março de 2014

    Existe uma explicação para que meu interesse tenha acendido somente na reta final, na “explicação”. Eu não estou habituado a esse tipo de gênero, mas é incontestável a capacidade de narrar do autor. Está de parabéns pelo controle da linguagem e o domínio do ambiente construído.
    O final pra mim foi realmente interessante. Trouxe questionamentos que eu vinha aguardando durante a leitura. Acabei associando esses sonhos e o controle das mentes pensantes com o fanatismo, seja ele político ou religioso.
    Enfim… Parabéns e boa sorte. =)

    • Vicente Miguel
      1 de abril de 2014

      Felipe, obrigado pelo comentário. O domínio do ambiente pode vir do fato que baseei o sonho da garota em sonhos antigos que nunca fui capaz de esquecer. O fanatismo foi uma bela lembrança que também daria muito pano para manga. Obrigado!

  14. rubemcabral
    28 de março de 2014

    Esses questionamentos sobre o que é real são sempre interessantes. Contudo, achei que a trama não foi bem explorada. As pessoas começaram a sonhar um sonho comum para fugirem do real, como? Como o governo conseguiu isso?

    Faltou então, ao meu ver, mais “carne” à história.

    • Vicente Miguel
      28 de março de 2014

      Rubem, o primeiro esclarecimento é sobre a “Elite”, como disse para o Eduardo, não gostaria que a palavra fosse encarada como parece. Quando mencionei “elite” me referi as pessoas com o poder de influenciar as outras na sociedade. O governo é um deles? Sim, porém não é o único. Referente as explicações, como disse em outros comentários: eu não quis tratar de algo “não claro” com clareza. Nesse caso, não desejei dar todas as respostas, pois, ao meu ver, a riqueza do conto está exatamente na possibilidade das pessoas de tirarem suas próprias conclusões (exclusivamente no caso desse tema). Até poderia criar uma justificativa, mas eu estaria induzindo o leitor a acreditar naquilo e contradizendo todo o contexto do conto. Mas também acho justo seu questionamento. Obrigado pelo comentário!

  15. Ricardo Gnecco Falco
    27 de março de 2014

    A confusão mesmo, o verdadeiro questionamento, não vem de nossa mente; mas sim de nossa alma. Agora, se as duas são uma (mente e alma), então como podem enxergarem-se uma a outra? O sonho é sonhado em vida; ou a vida é vivida em sonho? Porque sonhamos enquanto dormimos e, se em sonho acordamos, como continuamos dormindo? Como temos certezas sobre o incerto? E por que abstraímos o óbvio até que ele se concretize?
    Enfim… Gostei da filosofia contida no texto, mesmo que a história não seja de todo original. Mas, afinal, quem pode garantir a existência da originalidade sem ser originário do início de tudo, quando somente o nada inexistia?
    Por fazer (bom) uso da Filosofia, o texto deixa no leitor questionamentos que ultrapassam o ponto final da obra, da mesma forma com que a mantém viva em nossas mentes, mesmo que apenas após o seu findar.
    Parabéns; boa sorte, e que a insônia literária não perdure para sempre!
    😉
    Paz e Bem!

    • Vicente Miguel
      27 de março de 2014

      Ricardo, obrigado pelo comentário. Espero que esses questionamentos que permaneceram após o ponto final não lhe tirem o sono (ou a realidade…). Paz e Bem!

  16. Felipe Rodriguez
    26 de março de 2014

    Pela forma como foi escrito, não consegui me envolver com a trama e nem com os personagens. Há algumas partes interessantes, que começam de repente e criam certa curiosidade, mas, no geral, não gostei do conto.

    • Vicente Miguel
      27 de março de 2014

      Felipe, mesmo assim, obrigado pelo comentário e por ter lido o conto! Abraços!

  17. Fabio Baptista
    26 de março de 2014

    Esse texto mostrou que é possível escrever uma história confusa de forma clara.

    A essência da trama é confusa… sonhos que se misturam com realidade e vice-versa. Porém o autor conseguiu transmitir essa confusão de maneira “limpa”, fazendo o leitor imergir nas dúvidas e aflições de sua personagem. Tem horas que não sabemos o que é sonho e o que é realidade… mas a personagem também não sabe! E estamos no ponto de vista dela.

    Porém a única dúvida que fica é – “será que ela está acordada?” e não coisas do tipo “putz, o que esse cara quis dizer aqui???”. Isso é fundamental.

    Tirando algumas pequenas distrações que poderiam ser eliminadas numa revisão mais criteriosa, o texto está bem escrito.

    Mas…

    Infelizmente a similaridade do tema com os filmes já citados (The Inception, Matrix…) acabou deixando o conto meio batido. Mais ou menos o que aconteceu com os contos de zumbi aqui do desafio. Infelizmente é um tema que, ao menos nesse momento, está saturado.

    Abraço.

    • Vicente Miguel
      27 de março de 2014

      Fabio, muito obrigado pelo seu comentário. Eu ainda não assisti Matrix, mas pelo que aprece a comparação com o conto que escrevi é inevitável. Talvez seja por isso que ele é um filme extremamente comentado na matéria dada pelo professor do conto (que não revelo, mas no final do desafio posso dizer, caso alguém tenha curiosidade). Adianto que não é filosofia, como muitos pensaram. Levando em consideração os filmes citados, o tema pode estar saturado, mas isso também dependerá de quem lê. É completamente aceitável que você pense assim.

  18. Rodrigo Arcadia
    26 de março de 2014

    Até que bagunça no texto foi boa, mistura de sonho e realidade, mas existem certas coerências na história. Bom, não é uma ideia original que chame atenção, Mas sempre é instigante o oculto.

    Abraço!

    • Vicente Miguel
      27 de março de 2014

      Rodrigo, obrigado pelo comentário. Fico feliz que tenha gostado da confusão. Abraços!

  19. Felipe França
    25 de março de 2014

    Um conto à “A Origem”. Gostei bastante de misturar estes dois mundos, e também o uso do professor como agente fixador desta ideia louca. O texto está bem escrito e a leitura flui com facilidade. Apenas uma coisa me incomodou… Em algumas partes, o autor parece que se perdeu na “troca de realidade”. Quando minha imersão estava total, ela escapava por algum deslize. Mas temos aqui um excelente material. Com um pouco mais de trabalho irá ficar perfeito! Parabéns e boa sorte!

    • Vicente Miguel
      26 de março de 2014

      Felipe, o professor como agende fixador da ideia foi algo fundamental para o conto, pois se um professor marca sua vida ele facilmente te influenciará. Isso é uma arma muito poderosa!! A confusão pode ter acontecido mesmo, mas nem eu sei definir qual é a realidade. Você parou para pensar se ela estiver realmente enlouquecendo e apenas sonhando? Obrigado pelo comentário!

  20. giulialisto
    25 de março de 2014

    Gostei bastante da história, do jeito que foi escrita. É um conto daqueles que prendem o leitor pra tentar entender o que está acontecendo. Me lembrou um pouco o filme Suckerpunch, com essa coisa de fechar os olhos e estar em outro lugar. Aliás, acho que esse conto daria um roteiro de filme bem bacana. O final no entanto foi a única coisa que me deixou meio confusa, não sei se entendi direitinho. Mas realmente gostei. Parabéns!

    • Vicente Miguel
      26 de março de 2014

      Giulia, obrigado pelo comentário! Sabe, costumam dizer que meus contos dariam bons filmes/ curtas. Quem sabe um dia… Outro filme mencionado que não ouvi falar, mas vou procurar saber sobre. Fico feliz que tenha gostado.

  21. Gustavo Araujo
    24 de março de 2014

    Achei muito bacana essa confusão propositalmente arquitetada pelo autor. Em momento nenhum é possível dizer com segurança o que é sonho e o que é realidade. Demais disso, o uso das palavras corretas e as associações com o imaginário, com o onírico, me fizeram navegar, durante todo o texto, numa espécie de nuvem de incerteza, desejando saber tudo terminaria. Naturalmente, há o que melhorar, mas mesmo do jeito que está me impressionou positivamente – em especial pela filosofia implícita em cada parágrafo. Parabéns.

    • Vicente Miguel
      25 de março de 2014

      Gustavo,

      justamente, quem sabe se os pesadelos são apenas pesadelos, se a vida é mesmo real ou se um é o contrário do outro? Nem eu sei e, sinceramente, não sei se gostaria de saber. Tive a oportunidade de conhecer pessoas que levam essas considerações ao pé da letra. Vivem um mundo estranho. Obrigado pelo comentário!

  22. Pétrya Bischoff
    24 de março de 2014

    Uma ótima ideia de texto. Na verdade, são questionamentos que me afligem muito -temo diariamente perder a sanidade, ou o que conheço de sanidade-. A questão que o professor trouxe é algo que martela em minha mente desde que me tornei um ser pensante. Todos os rodeios e idas e vindas me agradaram; a confusão me agradou. Penso, somente, que uma segunda revisão no texto se faz necessária, algumas coisas fizeram a leitura dar umas travadas. Mas de qualquer maneira está de parabéns 🙂

    • Vicente Miguel
      25 de março de 2014

      Pétrya,

      obrigado pelo comentário. São questionamentos que nos afligem e fica o questionamento: encarar ou se esconder? Espera: encarar o quê? Esconder-se do quê? Algo confuso, porém essa confusão também me agrada.

  23. Anorkinda Neide
    24 de março de 2014

    Olha, gostei não.. mas é pq a narrativa está confusa, me perdi em muitas partes e não gostei do diálogo com a mulher misteriosa que conhece a Matrix.. hehehe
    embora o autor não conheça, a personagem conhece :p
    Esta filosofia de questionarmo-nos se estamos acordados ou dormindo, se o que vemos e vivemos é realmente a realidade, é muito difundida no Oriente e é a base do processo de despertar, que vem a ser exatamente isso, mas sem enlouquecer e sem temer a Elite, por favor… rsrsrs (que não é aqui citada nem por mim e nem pelo autor, como classe social, mas como uma máfia dominante, controladora de mentes).
    Eu acho que a gente observa aqui, no desafio, o Conto. Se o entendemos, se ele está claro, limpo, bem escrito, legível, enfim… se nos agrada e então votamos, como exercício saudável de buscar aprimoramento.
    Não estamos aqui para julgar os personagens, q fazem e pensam o que bem querem… embora exista o autor, onisciente e onipotente.. hehehe, para cuidar de que o texto ficcional fique ‘aceitável e politicamente correto’, mesmo q os personagens não o sejam.
    O ponto positivo do conto pra mim foi a influencia que as aulas, de filosofia, acredito eu, obtiveram na moça… pena q descambou para o manicômio, como eu disse acima, nao precisa ser assim!
    Boa sorte ae, Vicente e participe sempre!
    Abração

    • Vicente Miguel
      24 de março de 2014

      Anorkinda,

      obrigado pelo comentário, ele me divertiu muito. Fico feliz que tenha entendido o sentido de “Elite” no texto e considero totalmente aceitável que o conto não tenha agradado pela confusão. Eu não poderia tratar de algo “não claro” com clareza. Ao meu ver, o conto pedia para ser confuso. E as aulas não são de filosofia, mas vou deixar para revelar no final do desafio.

  24. Weslley Reis
    23 de março de 2014

    A história me prendeu bastante, por incrível que pareça, pela confusão. Realmente me perdi em diversos pontos do texto, mas sempre impulsionado a querer buscar o final. Comigo, funcionou.

    Um dos meus preferidos até agora.

    • Vicente Miguel
      24 de março de 2014

      Weslley,

      fico feliz que a confusão tenha te agradado. Acredite, ela foi intencional: não é um assunto para ser encarado com clareza. Obrigado pelo comentário!

  25. Maurem Kayna
    23 de março de 2014

    Não é exatamente uma ideia original, mas continua sendo boa. Há vários trechos que ferem o princípio da verossimilhança como a moça soltar a bolsa no chão e depois voltar para tentar resgatar… A narrativa as vezes é muito confusa, mas ao final tudo se esclarece. Só acho que as explicações ao estilo matrix poderiam ser colocadas de outro modo. O leitor poderia saber da manipulação de outra forma (não que eu tenha uma sugestão, risos). Mas no fim das contas, me agradou como enredo.

    • Vicente Miguel
      23 de março de 2014

      Maurem,

      obrigado pelo comentário. Eu não havia deixado as explicações evidentes, porém o medo de falhar nesse quesito soou mais alto. Não sou muito bom de deixar as coisas implícitas. Fico feliz que tenha agradado!

  26. Jefferson Lemos
    23 de março de 2014

    E não é que você mandou mesmo!? rs (pelo menos penso que sei quem é o autor)
    Olha, eu gostei bastante da ideia, é uma coisa que nos faz pensar, se realmente aqui é verdade. Eu mesmo faço isso o tempo todo.
    Entretanto, não sei se a narrativa funcionou de forma correta. Em alguns momentos, achei que o texto correu demais, e em outros, me pareceu confuso.
    No geral foi um bom conto, que me agradou mais pela história do que pela narrativa, e creio que isso de deva ao limite de palavras, pois com mais algumas o texto ficaria melhor.
    De qualquer forma, lhe dou os parabéns!
    Boa sorte!

    • Vicente Miguel
      23 de março de 2014

      Jefferson,
      só do conto ter agradado pela história, já me sinto satisfeito. A narrativa pode ser melhor construída depois, levando em consideração os toques que receberei aqui. Acredite, o texto é confuso até mesmo para mim, acho que a intenção foi mais dele, do que minha.
      Obrigado!

  27. Helena Frenzel
    23 de março de 2014

    Olá, Vicente. Fico feliz que meu comentário tenha sido recebido de forma construtiva. A idéia é sempre somar. O trecho em que eu achei que a protagonista estava lendo (ou advinhando) o pensamento da mãe foi esse aqui: “Minha mãe chorava, esperando que os enfermeiros chegassem logo. Eu via estampado em seus olhos que ela não acreditava mais em mim.” A mãe disse ou fez alguma coisa que levasse a personagem a concluir que ela esperava que os enfermeiros viessem logo? Como a protagonista teve essa certeza? Acho que certas coisas podem (e devem) ficar implícitas num conto; já outras não, têm de ser ditas ou mostradas de alguma forma. E eu não quis ler seu conto uma segunda vez antes de comentar e pode ser que eu tenha entendido mal (é uma hipótese a se considerar). São sutilezas, eu sei, mas são justamente essas coisinhas que eu percebo (involuntariamente) quando leio ficção.

    • Vicente Miguel
      23 de março de 2014

      Helena,
      obrigado pelo retorno, ele foi muito importante para mim. E todos comentários são recebidos de forma construtiva, pode ficar tranquila.Realmente, esse trecho passou desapercebido e eu sei bem o que é perceber essas falhas involuntariamente. Apontá-las são necessárias, pois queremos a opinião sincera de quem lê.
      Sem querer justificar o erro, não ia enviar nenhum conto esse mês, mas ão resisti em escrever algo, com uma hora faltando para o prazo estipulado. Isso atrapalhou a revisão. É satisfatório receber comentários de leitores cuidadosos.
      Obrigado!

  28. Claudia Roberta Angst
    23 de março de 2014

    Vem cá, existe outra forma de pensar a não ser mentalmente?
    Não consegui assistir ao filme Matrix inteiro, mas tenho sempre a sensação de que vivemos realidades paralelas ou talvez seja a percepção do grande SE – e se eu tivesse feito outra escolha, minha vida seria esta?
    Enfim, achei a ideia interessante. Fez com que me lembrasse de um velho guru. Ele afirmava que boa parte da humanidade vivia dormindo, sem consciência dos seus atos.
    Uma revisão mais atenta seria interessante. Não senti o tom de crítica que os outros apontaram. Boa sorte!

    • Vicente Miguel
      23 de março de 2014

      Cláudia,
      era exatamente essa sensação que eu queria proporcionar. A revisão deve ter realmente passado, mas tenho certeza que você entenderá o que aconteceu quando chegar a hora… já esperava os escorregões.
      Obrigado pelo comentário!

  29. Helena Frenzel
    23 de março de 2014

    Olá, não estou participando do desafio mas vou tentar ler alguns contos e deixar pelo menos um comentário registrando a minha impressão imediata de leitura, sem pretensões de análises mas com o objetivo de que meus comentários sejam produtivos. Pois bem: esse é o primeiro conto lido, acho que precisa de revisão tanto gramatical quanto da coerência do enredo (verossimilhança). A perspectiva do narrador chamou-me a atenção, por exemplo, quando a narradora reporta pensamentos ou o que vai na cabeça de outro personagem (no caso a mãe da protagonista). Como se tem acesso assim do nada ao que pensam os outros? A não-preocupação com detalhes como este podem prejudicar a sensação de veracidade ou convencimento de uma narrativa. Outro ponto: remeteu-me à velha idéia da matrix portanto: não tive qualquer surpresa. Frases como “Do alto, algo me olhava com pena: a verdade” acho que não funcionaram bem como empregadas na narrativa, porque me soaram soltas e sem sentido no texto. Também achei as cenas das facadas desnecessárias, um exagero, mas isso é questão de gosto. Ponto positivo: tem um ritmo bom. Há outros pontos, mas paro por aqui e espero que não esqueçam que esta é só uma opinião de leitora. Cordiais saudações!

    • Vicente Miguel
      23 de março de 2014

      Helena,
      obrigado pelo comentário. Apenas não associei nenhuma parte do conto onde a narradora teve acesso ao pensamento da mãe, já que o maior contato entre elas acontece quando elas estão no hospital psiquiátrico e a menina lê as anotações da mãe feitas em um caderno. A voz que soa na cabeça dela é do professor, frases dias nas aulas.
      Se eu te disser que nunca assisti Matrix você acredita? É até engraçado você mencionar o filme, pois utilizei como base para o conto a conversa com uma pessoa que mencionou que eu deveria vê-lo. Irei providenciar isso o mais rápido possível agora… mais uma vez, obrigado.

  30. Gabriel Passos
    23 de março de 2014

    Concordo com o Eduardo Selga. Veja, por exemplo essa fala:
    “Se a sociedade tivesse imposto que andar vestido fosse motivo de vergonha, a playboy teria mulheres usando roupas de inverno.”
    O escritor não está acima da sociedade, portanto não pode se excluir dela. O escritor não é um moralista e não é um difusor dos bons costumes. O escritor é um componente da sociedade que a analisa e a exibe para o leitor.
    Uma história deve simplesmente imitar o mundo. A crítica social vem justamente de expor ao ridículo esse mundo, e não de execrá-lo de maneira tão explícita quanto foi feito em alguns trechos.
    O nosso mundo é ridículo por si só. A boa peça de arte não precisa explicar isso. Assista, por exemplo, a 2001 – Uma Odisseia no Espaço. Em nenhum momento há um narrador dizendo “Veja como você é estúpido, expectador.” Mas quem assiste àquilo se sente estúpido, porque sabe que é igual.
    Imagina se Monalisa seria Monalisa caso DaVinci tivesse colocado uma legenda “esta moça está sorrindo porque encontrou um namorado”.
    Pense nisso haha
    De mais, não sei se foi intencional por causa dos sonhos, mas as descrições são um tanto confusas e eu me perdi em vários trechos.

    • Vicente Miguel
      23 de março de 2014

      Gabriel,
      primeiramente, obrigado pelo comentário. Senti como se estivesse ofendido as pessoas com esse conto. Se encarou dessa forma, desculpe-me. Não foi a intenção. Até porque eu faço parte da sociedade e vivo como qualquer outra pessoa presente nela: saio, bebo, trabalho. A frase que menciona a revista, ouvi e considerei interessante.
      Quando escrevi, a intenção não foi fazer (fazendo) uma crítica, mas relatar os sonhos, pois alguém já parou para pensar se nós, na verdade, estivermos todos dormindo nesse exato momento?

  31. Eduardo Selga
    23 de março de 2014

    O texto é bem construído, há uma proposital similaridade entre o mundo sonhado e o dito normal, como se um fora a extensão do outro ou, talvez melhor dizendo, outra versão, diferentemente do modo mais usual de se demonstrar narrativamente os sonhos, no qual sempre há algum aspecto inverossímil. A proximidade é tanta que em alguns trechos pode surgir a dúvida a respeito do que seria o sonho e do que seria a realidade.

    Embora eu considere positivo fazer do texto literário um instrumento de combate a certas estruturas sociais, isso não pode se dar de modo panfletário. Quando, especificamente no fina, as personagens dialogam sobre a elite, surge um traço de panfleto, que prejudica o texto enquanto peça de arte. Seria necessário, nesse caso, maior sutileza.

    Considerando a intenção de abordar a manipulação do discurso e de como isso constrói versões do fato, algo que é muito pertinente ao mundo contemporâneo, a construção textual é adequada em sua falta de maiores poetizações. A dureza apresentada, parece-me, ficou na medida certa.

    • Vicente Miguel
      23 de março de 2014

      Eduardo,
      primeiramente, obrigado pelo comentário. O diálogo que menciona a “Elite” foi colocado de última hora. Fiquei com receio, porém, não gostaria que a palavra “elite” não fosse encarada como parece, com todos os pré-conceito estabelecidos pela sociedade. Não pensei em nenhuma classe específica quando escrevi, todos no mundo dominam e são dominados. Encarando assim, elite não existe. Obrigado também pelos elogios.

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Informação

Publicado às 22 de março de 2014 por em Fim do Mundo e marcado .