EntreContos

Detox Literário.

Musas marcianas selvagens (Fernando Abreu)

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As musas marcianas selvagens já não fazem mais parte de Marte. Há pouco tempo transcenderam em seus desejos de expansão. Deram salto mortal ao espaço para buscar aquele planeta da cartilha. Queriam por que queriam encontrar aqueles homens peludos com porretes que amansavam as garotas e as suspendiam no alto pelos cabelos. Lixaram os pés com rochas intergalácticas e fizeram o rosto com cosmo infinito. Encapsuladas em suas conchas de beldade, explodiram a atmosfera terrestre juntas em raios coloridos. O fundo do mar lhes deu as boas-vindas. Quando emergiram do oceano profundo, viram que tinham feito um pequeno estrago.

As ondas dançavam acima das cidades com o céu banhado de sangue. Nuvens de poeira pareciam formar estrelas de corpos indefinidos. Talvez os peixes ofegantes os observassem pedindo coisas. Esforçaram-se para tentar ajeitar tudo alterando a ordem da gravidade. Porém, a única coisa que conseguiram foi uma brecha temporal que as engoliu por completo. “Talvez agora achemos nossos machos peludos de porretes selvagens”, disse Titânia.

Tudo é mais do que tudo nessa terra infinita sem eira bem beira. Já se foi o tempo que nossos meninos davam aulas de cavalheirismo pelos confins da eternidade. Hoje tudo que temos são esses garotos que tiram fotos e posam nus para pintores digitais. “Ai! Eu não sabia que esses pseudopensamentos terrestres invadiam cérebros!”, resmungou Galaquíta. Por aqui costumavam repousar lagartos gigantes e agora tudo que há são criaturas do tamanho de suas unhas. As musas brincaram de cirandinha sabendo que naquela faixa de tempo-era nada achariam. E nunca duvide do poder da ciranda-cirandinha das marcianas selvagens. Saturno acaba de dar à luz a um novo Sol!

“Estou cansada, já não sei mais onde procurar”. “Acho que nem mesmo eles dariam conta, mas não custa tentar”. “Só queria ficar penduradinha naquele porrete, apagada por uma cacetada”. Buscaram a sintonia de todas as explosões universais. Os corpos borbulhando novas cápsulas de vida: anéis, esferas, cometas, luz espacial. A lembrança do colecionador de detritos cósmicos inflamou os hectares de curvas cerebrais. Galaquíta deitou-se de bruços acima dos mundos, mordeu o rabo de um asteroide com o canto da boca, cruzou as canelas para o alto e ficou remexendo as pontinhas dos pés à beira de um buraco-negro. Feliz, feliz.

“Aquele astronauta louco perdido no espaço que nos acenou na celebração da terceira morte de Antares”. “Ah, sim, lembro, dos olhos esféricos avermelhados com cara de pidão. Acabou cantando uma, se não me engano, e não foi legal”. “É, não foi legal. Safado”. “Aquele pequeno colecionador de lixo universal que nos disse sobre os tais desenhos paupérrimos das cavernas terrestres”. “Verdade, estava em cima de um empilhado catártico do que chamava de conhecimento humanoide acumulado em estado bruto”, lembrou Galaquíta. “É, como dizem, pedra bruta que não vira diamante”. “Mas que diamante? Estou cheia de diamantes!”. “Sim, aquele galante andromedâno que vivia tentando comunicações internas com você”. “É, isso que falo, aquele tipo é tudo que não precisamos”. “E para encontrar o rato sujo tarado colecionador de lodo planetário é preciso… Você sabe…”. “Oh, oh, novamente, dama estelar?”. “É, teremos que fazer de novo, não tem jeito”. “Mas dessa vez que creio que vai… Vai?”.

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O segundo apocalipse aconteceu quando as musas marcianas selvagens comprimiram a Terra. Não foi uma tarefa difícil, nada que um dedal de plasma não resolvesse a sujeira derivada do Planeta Sangue – é, descobriu-se que a Terra nada tinha de planeta água. O borrão vermelho na proteção do polegar de Titânia provou isso. O cheiro dos bilhões de litros espalhou-se pelo universo. As musas esfregaram as mãos. Com pequenas alterações na ordem astrológica – rebobinando-se as profecias charlatãs que ainda assombravam o cosmo, escutaram um barulho de sugação de saliva, um emaranhando de cantadas fogosas esparramando-se, provenientes de alguma galáxia contígua: o homem do ferro-velho estelar tinha caído na armadilha.

Ele vinha por cima daquele amontoado de sucata de estrela, estufando o peito e empinando as narinas no vapor vermelho: obra das meninas-marte. Flutuava em seu delírio, imaginando fechar as coleções de colinas ou encontrar raras estatuetas. Caiu dos devaneios quando se viu paralisado no molho grosso de ectoplasma. Ondulou seus lábios de desgosto e viu sua pilha de preciosidades sendo escarafunchada. Explosões de cores orgânicas eclodiam à velocidade da luz no vácuo.

O joio saia do trigo e o alho expulsava o bugalho enquanto olhos azulados e meticulosos de raios compilavam a analisavam infinitos incomensuráveis de informação. Acima da cabeça de Titânia, uma atmosfera giratória trabalhando sem cessar. Rodava, separava – por vezes lustrava – amontoava e avaliava sólidos, líquidos, gasosos, metafísicos e herméticos. Sentiu-se particularmente ofendida por uma publicação de época – “Homens São de Marte, Mulheres São de Vênus”, desintegrando os volumes rapidamente.

Das coisas mais lindas do mundo separavam apenas aquelas que poderiam colocar com argolas em suas orelhas. Um imenso sabugo de milho em que se lia – Bem-Vindo a Itu – chamou a atenção de Galaquíta. Do nada, um feixe de luz borboleteou por entre as toneladas de entulho. As musas marcianas selvagens perceberam que seu desejo descomunal havia, de alguma forma, brotado entre as entranhas de mundos mortos. Por um momento pensaram na existência de uma força superior e na presença do destino.  Titânia soprou um furacão na direção do brilho e Galaquíta aparou-o com sua luva de montanhas. “A cartilha!”, gritou contente. Juntaram-se e deram as mãos, aquela luz flutuando no meio delas. “Ciranda, cirandinha, vamos todos cirandar…”.

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 Os macacos pintados na relva corriam em grupos e coçavam suas cabeças, cheios de dúvidas. O ambiente era duro: terra, mato, pedra, e eles nunca antes tinham visto piranhas daquele porte. Com metade do corpo pra fora dos dentes fininhos das carnívoras, Galaquíta e Titânia nadavam calmamente no leito, utilizando a força da nadadeira dos peixes para que não cansassem as pernas. Numa rolada, deslizaram da boca dos animais e foram recebidas em festa pelos pequenos bípedes peludos. Pela primeira vez os bichinhos viram pernas peladas, bem torneadas, desfilando ensolaradas à beira-mar.

“São eles?”.

“É claro que não, esses aqui são pequenos, peludos demais, mas são farinha do mesmo saco”.

“Acho que não devemos ter pressa. Ir com sede ao pote não é recomendável”.

“Claro que não. Eu, hein?”.

Durante a noite nem sinal de movimentação. Como crianças, as musas milenares banharam-se, correram sem medo na escuridão e colheram uma infinidade de frutos. Ao fim da madrugada, na hora azul, flutuaram seguindo berros de animais que vinham de longe. Provocaram as ovelhas, tropeçaram e se esbaldaram em meio aos pelos fofos. O vento chacoalhava as copas, trazendo aquele barulho sonífero que tanto amamos. Após novo mergulho, tiraram a sujeira do corpo e adormeceram ao pé das árvores.

Obviamente que o sono das musas selvagens do Planeta Vermelho não passaria despercebido. No limiar entre sonho e realidade, como quando às vezes ouvimos e vemos coisas no escuro, Titânia e Galaquíta revelaram seus desejos. Aos poucos, perceberam que ali, naquele lugar de natureza bruta e campos condensados, eram mais livres do que nos milhares de quilômetros de vazio do espaço.

Galaquíta acordou, mas fingiu não acordar. Via ali  um pé descalço, não tão peludo como o dos macacos, cinco dedos, coluna atarracada e mandíbula pendendo à frente. Não conseguiu conter o sorriso de canto de boca e – levemente – cutucou a perna de Titânia com o calcanhar ossudo. A companheira mexeu a sobrancelha como se já soubesse. Aquela feição de satisfação dos que acordam ao lado dos amores. Sentiu a mão áspera levantando-lhe pelas costas, deixou o pescoço como quebrado de lado e o cabelo jogado pra trás. Num ritual de conhecimento de objeto estranho, o ser apalpava e cheirava seu corpo.

Da mesma forma que o galante colecionador de selos de universos perdidos chegou às musas pelo cheiro da morte, um grupo de hominídeos encontrou Titânia e Galaquíta ainda caídas. O homem ao lado, com olhos enlouquecidos, segurava um porrete sujo de sangue e emitia sons abstratos. Ora pulava alegre, ora ajoelhava-se e chorava.

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Do mundo podemos odiar a violência e a maldade, mas que tais coisas estão impregnadas no coração humano, disso não se tem dúvida. Em suas manifestações para além do oceano de vácuo, Galaquíta e Titânia nunca demonstraram propensão à guerra, embora tivessem presenciado os maiores confrontos de todos os tempos. Caídas ali, cabeças arrebentadas, os sonhos escorrendo, alimentando o pasto, talvez tivessem sentido, pela primeira vez, um impulso diferente, uma vontade enorme de destruição e massacre. As vibrações estranhas que tomavam seus corpos, ultrapassando limites e vagando em planetas, acabaram por retornar em forma de doçura àqueles seres fantásticos.

Os impulsos de antes, que flertavam com a obsessão do homem pela carnificina – trazendo imagens de montes de corpos amontoados e cidades completamente tomadas pelo fogo, foram aos poucos se transformando pela batida ritmada dos pingos que caíam das folhas às poças d´água. “Tum, tum, tum, tum”. Uma espécie de deusa seminua loira refrescava a mente dos soldados, guerreiros ancestrais e presidiários. Ao berro dos animais de terra, ar e água – ao som iminente das cordas vocais humanas – que reverberavam aos uivos coletivos de alívio das plantações de algodão e tabaco, a atmosfera terrestre enegreceu transportando as musas selvagens marcianas à beira do mar, que rescendia brilhante no movimento sincronizado das ondas.

Como em conto de fadas, os príncipes brutos passavam por seus corpos e as beijavam. A cada toque de lábios, a cada manifestação bucólica de carinho àquelas que tanto buscavam amor, as meninas revigoravam-se e fagulhas de vida brotavam em universos distantes. Elas levantaram-se. “La décadanse!”, gritou Galaquíta.

Assim como os mais niilistas dos cineastas mostram seu amor pelo mundo ao filmarem de forma magistral a natureza. Uma longa panorâmica numa cidadezinha distante, a captação do barulho que o vento faz na copa das árvores (que tanto amamos!) e um eterno close no rosto de uma atriz de beleza estrondosa, além do uso de uma infinidade de adjetivos na tentativa de descrever alguma coisa – quando linda demais. A vida às vezes nos dá momentos como esse.

À luz dos inúmeros satélites de Júpiter, que se tornaram próximos na busca de um efeito alucinógeno para a cena final, os homens peludos dos porretes finalmente amansaram as musas por trás, empunhando firmemente seus seios e rebolando colados por trás de seus corpos, mexendo-se juntos enquanto mar e céus ganhavam um tom roxo. Assim ficaram, ficaram por tempo que não se conta. Tempo que, aliás, não se deve contar.

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36 comentários em “Musas marcianas selvagens (Fernando Abreu)

  1. fernandoabreude88
    8 de abril de 2014

    Pessoal, muito obrigado a todos que leram e comentaram esse conto, Foi uma tentativa de escrever algo surrealista, mas sempre tendo em mente o tema do desafio, se é que isso é possível. Recebi elogios aqui que me deram vontade de apertar a mão de cada um que escreveu – Leonardo, Petrya, Selga, Anorkinda e Bia (puxando a sardinha para os que gostaram, hehe). Achei as críticas bem fundamentadas e percebi que todas tocam na questão do gosto pessoal, organização ou “saco” para embarcar na viagem. O conto foi escrito numa manhã, enquanto tentava deixar os pensamentos fluírem da mente ao papel sem interrupções, mas, obviamente, fiz algumas alterações, o que é extremamente proibido pelos surrealistas. Gostei muito de ter sido considerado como autor do melhor conto para três votantes, vocês não sabem como isso me faz bem. Por isso, agradeço novamente, e vamos para o próximo!

  2. jggouvea
    5 de abril de 2014

    O texto é muito bom no aspecto linguístico, mas careceu de uma maior organização. A história não funcionou tão bem justamente porque a narrativa ziguezagueia demais no tempo. Aliás, de certa forma, o “fim da terra” me pareceu enxertado naquele parágrafo só para poder entrar no desafio, o assunto do conto era a busca das ninfomaníacas espaciais por homens brutos de porretes grandes….

    • fernandoabreude88
      8 de abril de 2014

      Obrigado pela leitura e comentário, José Geraldo.

  3. Vívian Ferreira
    3 de abril de 2014

    Embora muito bem escrito, para avaliar eu precisaria chegar ao final e entender boa parte do que o autor quis contar, o que não aconteceu nesta visão de Fim do Mundo. Parabéns ao autor pela escrita e originalidade, mas infelizmente em primeira leitura, achei confuso e cansativo.

    • fernandoabreude88
      8 de abril de 2014

      Obrigado pela leitura e comentário, Vivian.

  4. Wilson Coelho
    3 de abril de 2014

    Ótimo conto, muito bem escrito e viajannnnnnnte até dizer chega, rs. Obrigado pelo LSD textual!

  5. fernandoabreude88
    2 de abril de 2014

    Boa viagem interplanetária. Gostei das deusas e da relação delas com a Terra. Está bem escrito, imagético e com personagens secundários muito interessantes, como o colecionador de mundos e até mesmo os primatas. Talvez não esteja no meu top 10, mas é forte concorrente.

  6. Marcelo Porto
    2 de abril de 2014

    Um delírio que poderia ser um pouquinho menor.

    É óbvio que o autor é muito bom e eu precisarei de um tempo ruminando para conseguir captar a mensagem, ou não, como diz meu conterrâneo Caetano Veloso, que, aliás, iria adorar esse texto.

  7. Hugo Cântara
    30 de março de 2014

    Bem, quero felicitar o autor pela criatividade e estilo de narração. De facto, este conto distingue-se não pelo que nos conta, mas pela forma como nos conta. Tornou-se cansativo, é verdade. Mas também não estou habituado a ler este tipo de histórias/contos, pelo que foi uma leitura desafiante para mim.
    Parabéns e boa sorte!

    Hugo Cântara

  8. Pétrya Bischoff
    29 de março de 2014

    Aaah!, meus olhos marejaram nessa transa cósmica alucinante. Me apaixonei por esse conto, pelas musas (mais que tudo!), pelo universo que o autor emoldurou, pelos homens e seus porretes…
    Amei o título desde que vi a primeira vez, queria ler na ordem de postagem (como venho fazendo), não mais me contive e o li.
    Houses of the Holy também foi uma baita sacada, inclusive acabei colocando no vinil agora para escutar.
    Só posso descrever o que senti com esse conto como um orgasmo mental.
    Meus mais sinceros parabéns e boa sorte!

  9. Marcellus
    29 de março de 2014

    Meu comentário desapareceu?

    • Marcellus
      29 de março de 2014

      Puxa… segunda vez que acontece. 😦 Eu dizia que ainda era cedo para a vodca, que voltaria mais tarde para tentar entender o conto e desejava boa sorte ao autor…

  10. Marcellus
    29 de março de 2014

    Ainda é cedo para a vodca (droga mais pesada disponível no meu pequeno ambulatório particular), de forma que precisarei voltar mais tarde.
    Por enquanto, desejo boa sorte ao autor.

  11. Ricardo Gnecco Falco
    29 de março de 2014

    Até a chegada do fim do mundo de verdade eu já devo ter entendido pelo menos parte do que li aqui…
    Ou, quem sabe(?), em alguma outra vida, quando vier em forma mais evoluída…
    Por enquanto, posso apenas parabenizar o autor por estar bem escrito isso aqui que eu ainda não sei direito o quê é. Ou foi. Ou será…
    …Será?
    Enfim… Parabéns por isso!
    E boa sorte!
    🙂

  12. Thata Pereira
    28 de março de 2014

    Comecei a ler empolgada, achando as palavras escolhidas bastante harmônicas, mas depois começou a ficar cansativo. É o perigo desse tipo de narrativa, quem não está acostumado se cansa muito rápido. Mas isso não é um problema do autor, mas do leitor de não procurar esse costume (eu estou tentando, mas ainda está bastante difícil para mim rs’). A grande sacada aqui foi ser curtinho, quando estava ficando cansativo, acabou. Isso fez com que eu gostasse da maior parte do conto.

    Boa Sorte!

  13. Gustavo Araujo
    27 de março de 2014

    Ao ler este conto me lembrei de uma canção antiga do grupo “Train” chamada “Drops of Jupiter”. A letra parece não dizer coisa com coisa e o surrealismo impera. Para dizer a verdade, só comecei a gostar dela depois de um bom tempo mas hoje é uma das minhas favoritas.

    Creio que o mesmo pode ocorrer em relação a este conto. De início me parece loucura demais, viagem demais. Porém, talvez, se eu tiver paciência para lê-lo outras vezes, quem sabe umas cinco ou seis vezes, eu venha a apreciá-lo adequadamente, absorvendo pelo menos parte do que o autor pretendeu dizer.

    Há contos, assim como há músicas, que demandam um tempo maior de sedimentação para serem compreendidos e apreciados. Inegável, porém, que quem escreveu sabia exatamente o que queria passar.

    Boa sorte.

  14. bellatrizfernandes
    26 de março de 2014

    O título me chamou atenção e me deixou super animada…
    Mas depois eu fiquei mais confusa do que Arthur Dent com o peixe babilônio no ouvido… Não consegui me relacionar com nenhum dos personagens, e passeei pela saga sem adquirir nenhum tipo de empatia pela história ou seus fatos. A bem da verdade, nem sequer tenho certeza do que entendi o que li.
    Mas talvez seja só o meu gosto…

    De qualquer forma, boa sorte!

  15. Eduardo B.
    26 de março de 2014

    Uma bagunça. Bem escrito e poético, mas as doses cavalares de surrealismo me fizeram soltar um “hã?” em inúmeras passagens.

    De qualquer forma, parabenizo o autor pela escrita primorosa. Não gostei pura e simplesmente por questão de gosto pessoal. Continue escrevendo. 😉

  16. Rodrigues
    26 de março de 2014

    Nossa senhora, Salvador Dalí chamou Buñuel para um papo num boteco estelar, é isso? Hahaha. Gostei do texto, a simultaneidade de imagens fortes e bem precisas, com duas personagens abstratas e, ao mesmo tempo, tão palpáveis, e ainda tem essa pulsão de sexo e morte entremeando o conto do começo ao fim. Bom conto!

  17. Weslley Reis
    24 de março de 2014

    Com toda certeza muito bem escrito, mas a história não me pegou. A confusão não funcionou comigo.
    De toda forma, parabéns

  18. rubemcabral
    24 de março de 2014

    Imagético, poético e bem escrito, mas a dose de surrealismo foi too damn high para mim. Depois de alguns parágrafos viajantes com minha pobre mente cartesiana tentando extrair algum sentido, comecei a cansar, literalmente.

  19. adriane dias bueno
    23 de março de 2014

    Muito interessante do ponto de vista surreal, com imagens bem elaboradas e deu até para sentir o colorido em algumas partes. Mas convenhamos, poucas mulheres, sejam terrestres ou alienígenas, por mais impulso sexual que tenham, gostariam realmente de ser tratada com tanta brutalidade. O conto me lembrou ainda um filme muito interessante: “A guerra do fogo”, por isso, embora muito legal no aspecto surrealista, não me agradou no que tange a questão fim de mundo. Estaria mais para uma versão do início do mundo. Sucesso.

  20. Felipe Moreira
    21 de março de 2014

    É inegavelmente bem escrito, mas por não estar habituado a esse surrealismo, acabou não dando certo comigo. Parabéns pela criatividade.

    Boa sorte. \o

  21. thiagoalbuquerqque
    20 de março de 2014

    O conto é muito bem escrito.
    Mas me perdi em alguns momentos, deve ser a idade.
    Gostei bastante.
    Parabéns.

  22. Bia Machado
    20 de março de 2014

    Bacana! Uma verdadeira viagem, surreal. Lá pelo meio senti um pouco de cansaço, admito, mas logo em seguida lia outra parte que me dava um “chacoalhão”, e assim foi pelo conto todo, rs. Adorei essas musas!

  23. Abelardo
    19 de março de 2014

    bem escrito, muito poético, pende para o surrealismo e não para o Fantástico. Não é o tipo de texto que gosto de ler.

  24. Rodrigo Arcadia
    19 de março de 2014

    Pois é, esse surreal consegui pescar, certinho. o motivo das musas, o significado do texto.
    Gostei, bom demais.

    Abraço!

  25. Claudia Roberta Angst
    19 de março de 2014

    Imagens bem poéticas bem ao meu gosto pessoal.Personagens que se aproveitam do inverossímil para marcarem presença. Fiquei imaginando essas mulheres selvagens, sedentas por emoções primitivas, mais Marte do que Vênus. Buscando a agressividade marciana, do desafio bruto, do impulso sexual. Nada da delicadeza de uma Vênus surgindo da espuma do amor.
    Leitura bem interessante.Boa sorte!

  26. Eduardo Selga
    18 de março de 2014

    Quando às vezes eu aqui comento a respeito da necessidade de a estória ir além da mera “contação”, que é preciso trabalho estilístico, é de contos como este que falo.

    Se o leitor pretender contar a outrem por meio da fala este enredo, é bem provável que encontre alguma dificuldade, pois a ação, os fatos, aqui, são de importância menor se comparados à tecitura textual. Ou seja, neste conto, é mais relevante como se narra do que o fato narrado, pois é profundamente imagético. As imagens sugeridas pelo ótimo domínio sintático-semântico são realmente ímpares. Como esta: “Caídas ali, cabeças arrebentadas, os sonhos escorrendo, alimentando o pasto […]”.

    É uma construção poética essa oração. Não no sentido desgastado de poesia, que apenas abriga aquele lirismo mais xarope e diário. Não. É poético, como todo este conto o é, por fazer inesperado uso da conotação, trazendo imagens inéditas. Se as cabeças estão arrebentadas, é lógico, do ponto de vista poético, que os sonhos estão escorrendo.

    Se muitos dos textos aqui publicados não apresentam uma linguagem francamente ligada a determinada linha estética, dado que seguem um padrão próximo ao protocolo realista, no sentido de que não há evento absurdo sob o ponto de vista lógico, este é um dos poucos a respeito qual é possível afirmar que há uma linha definida: a literatura fantástica, conceito às vezes nebuloso mas que não pode ser confundido com o surrealismo.

    Quando se analisa contos que têm uma vocação realista , a verossimilhança dos personagens e sua densidade psicológica é algo que precisa ser cobrado. Contudo, não é caso. Os personagens criados evidentemente não são críveis (e nem poderiam!). Eles se comportam não como representações de pessoas: antes, são imagens literárias, são alegorias. O “lixeiro estelar”, é um exemplo. Cores de uma grande aquarela abstrata, os personagens funcionam muito bem.

    Há uma forte conotação sexual no conto. Aliás, é toda a motivação propulsora do enredo. Mais que sexual: fálica. A princípio é uma excitação que se manifesta lá no início ( “Só queria ficar penduradinha naquele porrete, apagada por uma cacetada”), cresce no percurso do texto e culmina no término do conto (orgasmo?) com uma cena que lembra sexo anal.

    para não empanar o brilho do texto, prefiro entender a citação ao livro “Homens São de Marte, Mulheres São de Vênus”, uma dessas bobagens feitas para vender, como ironia. Não creio que seja uma homenagem.

    Apesar de perfeitamente legítimo, conforme as regras da Dona Norma, parece-me que usar aspas para separar interlocutores, ao invés do travessão, em se tratando de diálogo, cria certo embaraço visual à leitura, como ocorre nos parágrafos 4 e 5.

  27. Alan Machado de Almeida
    18 de março de 2014

    Bastante criativo! A história me remete a uma aura de Pink Floyd!!!! Porém, em alguns momentos, acabei me vendo perdido nas descrições surreais e sendo tentado a avançar um pouco mais a história. No mais, está de parabéns

  28. Leonardo Stockler
    18 de março de 2014

    É isso aí. Perfeito. Eu sei que ninguém quer que o outro diga que seu conto é perfeito, porque aí não se teria o que melhorar, mas nesse aqui não há mais nada para ser dito.

    Isso é literatura fantástica no sentido mais completo do termo. Fantástico tanto no que quer contar, quanto na forma do que quer contar. E isso é mais do que fundamental. Chega a ser tedioso a enorme quantidade de autores que possuem ideias brilhantes e fantásticas, mas que escolhem contá-las da forma mais monótona e comedida possível. É preciso não ter barreiras nem limites. As melhores histórias são aquelas que nos dão vontade de telefonar para o autor assim que a gente termina de ler.

    As figuras que você criou são impressionantes. E você escolheu as melhores palavras para expressá-las: “sucata de estrela”, por exemplo.

    É um conto que dá sensação de liberdade, porque me faz pensar que qualquer coisa pode ser escrita, e que tudo está esperando para ser dito.

    Parabéns!

    • Leonardo Stockler
      18 de março de 2014

      E essa capa do Houses of the Holy casou perfeitamente. As cenas espaciais me lembraram algumas músicas de space-rock, de bandas tipo GonG, Pink Floyd, Hawkwind…

  29. bentosjc
    18 de março de 2014

    Gostei do psicodelismo, gostei do tom alegórico. Achei legal o final. Mas a verdade é que não entendi muito do texto. Gostei, mas não gostei, é possível isso?

  30. Fabio Baptista
    18 de março de 2014

    Inegável o domínio do autor sobre suas ferramentas de trabalho.

    Mas não consegui acompanhar o enredo surreal. Talvez se estivesse sob efeito de entorpecentes teria conseguido aproveitar melhor a viagem, mas eu estava em horário de serviço … 😀

    Abraço!

  31. Anorkinda Neide
    18 de março de 2014

    Gostei demais desta pegada surreal e estelar!
    Decepcionei um pouco qd elas chegam à Terra, achei q iria perder a surrealidade ali, mas ela voltou, não tão plena quanto o início do conto, mas valeu.
    Parabens!

  32. Jefferson Lemos
    18 de março de 2014

    Achei o conto bem escrito, mas não sei se essa história funcionou comigo.
    Não sei se é porque é algo que não tenho o costume de ler, mas não consegui me ligar a história.

    Creio que é apenas uma questão de gosto, pois acho que outros irão apreciar, e poderão avaliar melhor do que eu.

    De qualquer forma, parabéns e boa sorte!

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Informação

Publicado às 18 de março de 2014 por em Fim do Mundo e marcado .