EntreContos

Detox Literário.

Planeta Peregrino (Ronaldo Brito Roque)

Todo mundo já percebeu que os cientistas estão chutando. Quando o Peregrino ainda estava atrás da lua, diziam que ele só ia passar pelo sistema e continuar sua trajetória rumo ao centro da galáxia. Agora que ele chegou mais perto, já estão falando que ele vai estacionar numa órbita e se tornar um segundo satélite.

Pessoalmente, eu até gostaria que isso acontecesse. Desde que ele apareceu me apaixonei pelo seu brilho violeta, mais bonito e insinuante que a palidez doentia da lua. O problema é que começaram esses terremotos, essas tsunames arrasadoras, e os cientistas dizem que a culpa é dele. Parece que ele sujeitou as marés a um novo ciclo e aumentou tremendamente a temperatura do planeta. Alguns dizem que os trópicos logo se tornarão desertos. Outros garantem que não vai dar tempo. Na velocidade com que ele vem se aproximando, logo vai se chocar com a Terra, aí todas as seguradoras vão falir e não vai sobrar ninguém para pagar a conta.

Há tempo corre o boato de que as autoridades perderam o controle. Parece que o número de assaltos a banco já triplicou, e uma onda gigantesca de suicídios chegou a diminuir em dois por cento a população do planeta. A mídia não toca no assunto, porque admitir o caos poderia incentivá-lo e até acelerá-lo. Tudo que posso dizer é que na minha família ninguém se matou, e as reuniões de domingo continuam um pé no saco. Minhas tias não param de fazer piada, dizendo para eu arranjar logo um namorado, antes que o mundo acabe e eu morra sozinha.

Quando rolou aquele apagão, no início de setembro, muita gente largou o emprego, achando que o fim tinha começado. Como tudo voltou ao normal, as pessoas retornaram ao trabalho ou arranjaram empregos mais ou menos parecidos com os que tinham antes. Foi uma decepção. Nada mudou realmente.

Quase toda noite eu olho para o céu e me pergunto se o Peregrino está maior ou menor que na noite anterior. Claro que nunca notei diferença nenhuma; além de não sacar nada de astronomia, sou completamente míope. Não suporto esses caras que ficam dizendo: “Você viu como hoje ele está maior?” Sei que no fundo não estão vendo porra nenhuma. Se nem o Google, que já mandou não sei quantas sondas para lá, sabe dizer se ele está se aproximando, como é que esses maconheiros idiotas podem saber?

Uma coisa que achei muito engraçada foi a tal onda de estupros – ou tentativas de estupro – cometidos por garotos de 12 a 16 anos. Quando eram presos, os meninos alegavam que o mundo estava acabando e eles não queriam morrer virgens. A maioria nem conseguiu consumar o ato e cumpriu apenas um pouco de trabalho comunitário por atentado ao pudor. Às vezes, quando eu voltava do trabalho, alguns trombadinhas se aproximavam de mim, e eu ficava me perguntando: “Será que vai ser hoje? Será que eles vão tentar me estuprar?” Mas eles sacavam seus canivetinhos e exigiam apenas o celular, como sempre. Acabei aceitando que eu não seria estuprada e voltei a pegar ônibus.

Foi nessa época que aconteceu aquele lance com o Fabinho que me deixou tão chateada. Um dia eu voltei mais cedo da hora do almoço e fiquei lendo uma revista velha que alguém tinha deixado na cozinha. O Fabinho entrou todo sério, me olhou de um jeito estranho e perguntou se podia falar comigo. Eu pensei que era alguma merda, tipo quando alguém roubou o celular da sub-gerente.

― Fala logo, cara. Desembucha!

― É uma coisa particular. Vamos entrar aqui na sala dos monitores.

― O cara da segurança não está aí?

― Ele deu uma saída, não tem ninguém, não.

Senti que aquilo estava muito estranho. Entrei na sala pensando que o Fabinho ia me estuprar ou fazer alguma sacanagem. As notícias sobre estupro estavam frescas na minha cabeça, eu não parava de pensar no assunto.

― Sabe o que é? Você vai achar meio esquisito… ― Ele começou, todo desajeitado. ― Mas você é uma menina legal, a gente tem uma intimidade, né não? Eu sinto que posso me abrir com você.

Pensei que ele ia pedir dinheiro emprestado.

― Fala aí, pode falar. Se eu puder ajudar.

― Bem, é que eu… você sabe, né? Eu sou negro.

― Ah, sei… deu para notar.

― E eu sempre tive essa fantasia, né… quer dizer, não é fantasia, na verdade é um sonho, sabe? Um sonho que eu quero muito realizar!

― Não estou entendendo, Fabinho. Explica melhor.

― Você sabia que eu nunca nem beijei uma mulher branca? É essa porra de racismo, Renata! As brancas nem olham para mim.

― Pô, tem muita mulher cretina nesse mundo.

― Pois é, mas eu sei que você não é assim. Você sempre foi legal comigo…

― É, eu procuro tratar todo mundo com respeito, né. Olha, meu horário de almoço está acabando, tenho que voltar para o caixa.

― Eu sempre te achei a maior gracinha, Renata! ― Ele pegou no meu braço. ― E agora o mundo está acabando. Não custa nada para você, né.

― Fábio, eu tenho que voltar para o caixa, meu horário de almoço é que está acabando.

― Ninguém vai saber, Renata. O segurança é meu chegado, a gente tratou para ele demorar um pouco.

― Abre a porta, cara. Você falou alguma besteira para o segurança? Abre a porta, eu quero sair.

― Pô, Renata, você sempre foi legal comigo, eu sei que você é diferente.

Mas eu consegui abrir a porta e me mandei para o caixa. No final do expediente, eu pedi uma amiga para pegar as minhas coisas. Nem subi no vestiário. No dia seguinte fui no posto de saúde e arranjei um atestando falando que eu estava com sinusite. Fiquei em casa, arrasada. Eu não conseguia parar de me perguntar como o Fabinho podia ter feito aquilo comigo. Logo eu, que sempre o tratei tão bem!

Voltei ao trabalho dois dias depois. Não falei nada com ninguém. Quando o Fabinho passava perto de mim, eu só o cumprimentava. Notei que o segurança estava me olhando de um jeito esquisito, e comecei a pensar em pedir demissão. O Fabinho podia ter contado uma puta mentira para ele, podia ter falado que me comeu e gozou na minha cara, sei lá! Se ele chegou àquele ponto, podia já estar maluco.

Depois de um tempo, a raiva passou, e eu só conseguia ter pena do cara. Ele me cumprimentava e abaixava a cabeça e passava olhando para o chão. Eu pensava: “Coitado, ele não tem culpa. Ele deve ter passado a vida sonhando em comer uma branca”. Mas afinal, o que ele queria, que eu simplesmente abaixasse as calças ali na sala dos monitores?! O cara é louco, porra! Por que ele não falou em motel, por que ele não me chamou para tomar uma cerveja, como qualquer homem normal?! O fim do mundo está simplesmente fodendo com a cabeça das pessoas!

E aquela ideia não me largou. Eu olhava o Fabinho e pensava: por que ele não falou em motel? Será que ele nunca viu aquele arrumadinho, ali na Pacheco Soares, que tem uma entrada discreta pela galeria lateral? E aquele perto da Barra, com vista para o mar, onde está sempre rolando promoção? O cara não pode achar que eu vou sair abaixando as calças em qualquer lugar, eu não sou nenhuma puta, porra!

Depois de algumas semanas eu voltei a conversar com ele. Eu sentia um misto de pena e curiosidade. Queria saber se ele estava pirando, se ele poderia tentar de novo, sei lá. Um dia a gente estava na copa, não tinha ninguém por perto e eu perguntei:

― E aquele dia, hem, cara? O que aconteceu? Você pirou?

― Não pirei, não. Eu apenas fui sincero.

Não posso negar que essa resposta me comoveu.

― Mas e o segurança? O que você falou para ele?

― Falei a verdade, ué. Que você não quis. Aliás, ele tinha previsto que você não ia topar. Ele falou que a gente não pode se fazer de coitado com mulher. Tem que chegar por cima, tem que chegar dominando.

― Que é isso, que machismo é esse! Não é assim não, Fabinho. Nada a ver. Mas você chegou de um jeito complicado, né. Foi muito de repente. E ali também não era lugar para esse tipo de conversa. Aqui no trabalho não dá para falar dessas coisas, tem que ser num lugar mais discreto.

― Me desculpa, tá, Renata. Acho que eu estava meio desesperado.

― Tudo bem, não fica assim. Se você quiser, eu posso te dar umas dicas. A gente passa em algum lugar para tomar uma cerveja e trocar umas ideias. Mulher no fundo não liga para cor, cara. O importante é caráter. ― Não sei por que eu estava dizendo aquilo. Nem sei direito o que é caráter.

― Engraçado. Sabia que eu ouvi isso a vida inteira?

― Mas é sério, cara. Sério mesmo. Mulher olha é o caráter. Vamos tomar uma na sexta, e eu te conto mais, te falo as coisas que a mulher valoriza.

― Valeu, Renata. Mas não vai dar. A Raquel pode ficar chateada.

― Raquel, que Raquel?! A supervisora de estoque? Vocês estão ficando?

― É, a gente tá meio junto… tipo namorando.

Fiquei perplexa. Não sabia o que dizer.

― Que legal, Fabinho! Quer dizer… ela é branca, né. Você está realizando seu sonho.

― É, pois é… legal, né. Acabou rolando, e eu fiquei muito feliz.

― Pô, legal mesmo, Fabinho. Também fico feliz. ― Não sei se ele viu como eu estava sem graça. Acho que consegui disfarçar.

Depois dei uma desculpa e voltei para o Caixa. Na hora do expediente a Raquel passou por mim, e eu pensei: “Será que eles estão ficando mesmo? Mas ela é bonitinha, pode arrumar coisa muito melhor!” Depois me veio aquele maldito rebote, misto de vergonha e arrependimento. Até o Fabinho tinha arranjado alguém, só eu continuava sozinha! E o pior: o cara estava realizando o sonho dele, estava ficando com uma branca. E eu não conseguia nem negro, nem branco, nem japonês, nem porra nenhuma! Comecei a sentir um profundo mal estar e também um certo calor. Será que eu estava com febre ou era aquela merda do Peregrino que estava chegando ainda mais perto da Terra? E, afinal, que porra ele estava esperando!? Porque ele não batia logo na Terra e acabava com essa merda de humanidade, esse bando de macacos pelados, que só sabe falar asneira e se amontoar em torno de qualquer palhaçada! Bosta de humanidade, bosta de racistas, bosta de Fabinho que não sabe chegar direito, não sabe conversar decentemente com uma mulher! Se ele tivesse me chamada para uma cerveja, aquele filho da puta!

Deu minha hora e mais uma vez saí do trabalho sem me trocar, para não encontrar ninguém no vestiário. No caminho para casa fui sentindo o calor aumentar. Olhei para o céu, estava anoitecendo, e lá estava o Peregrino, pouco maior que a lua, mas tão indiferente quanto ela. Então desejei ardentemente que ele se chocasse logo com a Terra e aquela agonia toda acabasse. O calor estava quase insuportável. Tirei a blusa, fui andando só de sutiã. Perdi a vergonha dos meus peitos pequenos, do meu quadril largo, desproporcional. Se a temperatura aumentasse um pouco mais, eu ia tirar a calça também. Alguns trombadinhas passaram por mim. Pensei: “Não vou dar dinheiro nem porra nenhuma. Eles que me matem se quiserem alguma coisa!” Logo notei que eles estavam apenas rindo da minha cara. Cogitei tirar o sutiã e jogar para cima deles, atiçá-los, desafiá-los, fazer uma doideira qualquer. Até que de repente coloquei a blusa de volta, e apertei o passo para casa. Alguma coisa me impedia de cometer aquela loucura, talvez uma influência misteriosa do Peregrino ou simplesmente a minha velha covardia. Entrei em casa chorando, minha mãe me perguntou o que estava acontecendo. Como se ela não soubesse o que estava acontecendo, como se ela não soubesse a merda que é passar tanto tempo sem namorado!

― São esses racistas, mãe! Esses putos desses racistas estão sacaneando um amigo meu! Subi correndo para o quarto, me deitei na cama quase morrendo de calor. O Peregrindo estava em frente à minha janela, brilhando, impávido como um monumento, inútil como um monumento. Fechei os olhos e visualizei que ele estava se chocando, que ele estava destruindo a Terra e a Raquel e a mim e todas as minhas lembranças insuportáveis. Então percebi claramente, como se eu estivesse sonhando ou como se eu estivesse me vendo num filme, que aquilo nunca ia acontecer. O Peregrino não ia destruir porra nenhuma, exatamente porque eu queria, e nunca acontecia nada que eu queria. Ele ia simplesmente se acostumar à sua nova órbita, assim como as pessoas já haviam se acostumado com ele, assim como qualquer pessoa se conforma ao espaço regido por um poder mais forte e permanente que o seu. Por incrível que pareça, isso me deu uma certa paz. Eu me vi no dia seguinte, indo ao trabalho, cumprimentando o Fabinho, sorrindo para a Raquel, depois voltando para casa, vendo o Peregrino novamente pela minha janela e pensando a mesma coisa que estava pensando hoje, e assim no dia seguinte, e assim para sempre.

Tomei um banho, fiquei só de toalha e liguei o computador. Estavam dando as últimas notícias sobre o Peregrino. Os cientistas tinham descoberto que ele tinha algumas partes compostas de uma tal matéria gélida, que não reflete calor, apenas o absorve. Agora se acreditava que ele ia abosorver um pouco do calor da Terra e equilibrar a temperatura global. Ele seria, portanto, o salvador, não o destruidor do planeta. Eu podia ficar abismada por minha intuição estar certa, mas não fiquei. Fechei os olhos, pensei no dia seguinte, pensei em nunca mais voltar a pé, para não ver a cara dos trombadinhas que tinham rido de mim. Lembrei dos meus peitos pequenos, abri um saite de busca e digitei: “parcelamento, prótese, silicone”.

Agora eu sabia que o mundo ia continuar sempre o mesmo. Quem precisava mudar era eu.

28 comentários em “Planeta Peregrino (Ronaldo Brito Roque)

  1. jggouvea
    5 de abril de 2014

    Este é um conto muito complicado de se comentar. É razoavelmente bem escrito, tem uma boa dose de influência de certo filme do Lars von Trier (e isto é um desafio para uma obra de literatura, já que os filmes dele são inenarráveis…) e é totalmente deplorável sob o ponto de vista moral (o que pode ser bom ou ruim, dependendo de como for usado).

    Não me refiro aqui ao racismo mencionado, mas ao racismo intuído no próprio autor. Que desliza em momentos como quando a personagem diz que “mulher não liga para cor, mas para caráter” — frase que evoca perigosamente o conceito do ‘preto de alma branca’ ou a ideia de que ser negro é um defeito. Eu não acho que esse tema deva ser abordado de forma tão leviana. Muita gente já sofreu e ainda sofre por causa disso, e não se pode banalizar o racismo como o autor o faz.

    O conceito do estupro não é nem de longe tão polêmico. Está claro que a personagem não “quer” ser estuprada. Esta é apenas uma reação delirante dela a uma situação extrema. Na verdade a falta de reações da personagem diante do contexto dado pelo romance é mais problemática do que o suposto desejo de estupro.

    Este é um conto com personagens deploráveis (e isto poderia ser uma coisa boa, se melhor guiado). O Fabinho é um idiota perfeito, poderia ser construído como um personagem mais complexo, talvez até o protagonista da história, no lugar da insossa narradora. A narradora, se não fosse tão songamonga e se soltasse mais, no que tem de bom e ruim, poderia atrair mais compaixão do leitor.

    Não é um conto que mereça ganhar o concurso, mas me parece digno para figurar entre os primeiros, e, se bem desenvolvido, pode dar um caldo interessante. Mas do jeito que está, parece leviano e banaliza o racismo (e talvez o estupro, embora não na minha opinião).

  2. Weslley Reis
    5 de abril de 2014

    Achei uma visão interessante explorar as inseguranças de alguém no fim.parabéns.

  3. Vívian Ferreira
    5 de abril de 2014

    Gostei da ideia do Planeta Peregrino, mesmo que o fim de mundo tenha ficado um pouco de lado na história. Já a protagonista me pareceu ter uma mente muito masculina em determinados momentos, como tirar a camisa na rua, por exemplo. Acho que o autor, com esta qualidade de escrita, conseguiria facilmente mostrar toda sua personalidade, seu deboche, com menos palavrões. No geral, não funcionou para o meu gosto pessoal. Boa sorte no desafio!

  4. fernandoabreude88
    3 de abril de 2014

    Gostei da velocidade do conto, mas o fato de a menina não estar “nem aí” para o fim do mundo não ficou muito legal, ela não parece alguém assim, ela parece uma garota que se importaria com o fim do mundo, mas enfim, isso é até bom para o personagem e para a discussão. O palavreado eu sempre gosto e o sentimento da menina em relação a tudo é interessante, ela é uma – poderíamos dizer – aspirante a outsider, hehehe. Parabéns.

  5. Wilson Coelho
    2 de abril de 2014

    Eu gostei da personagem desbocada e revoltada. Não me liguei quanto à polêmica dos temas do racismo e do estupro, já que são visões da personagem.
    Um bom conto!

  6. bellatrizfernandes
    31 de março de 2014

    Existe um limite tênue entre o uso de palavrões por necessidade (o que eu defendo) e o abuso para ser usado como uma muleta pelo autor. Lá pela parte em que o Fabinho pediu o que pediu, a personagem disse, num pequeno espaço de 2 parágrafos, um monte de “porras”, deixando-a, além de inconveniente, deselegante.
    E depois veio aquela coisa de tirar a camisa na volta para casa. Isso é um hábito masculino. É uma coisa cultural. Não acho que uma mulher faria isso com a naturalidade que ela fez, apesar do calor.
    E aquela coisa de querer ser estuprada… Mesmo com a falta de namorado, não existe alguém que queira ser usada contra a vontade. Até porque isso é uma coisa horrível e, se ela realmente quisesse, não seria estupro.
    E o final? Ela precisa aumentar seus atributos para se adequar ao mundo? Sei que algumas pessoas pensam assim, e não se ofenda se você pensar, mas isso é horrível.
    Gostei do título e gostei do fato do meteoro não ser a causa do fim do mundo. Foi, sem dúvida, inovador.
    Um bom conto, mas que precisa rever seus conceitos.

  7. Marcelo Porto
    30 de março de 2014

    Apesar da protagonista ser uma menina, suspeito que esse conto foi escrito por um menino.
    Não sei se foi intencional, mas me incomodei com racismo explícito, a vontade se ser estuprada e a postura inconsequente da narradora. Gostei do clima intimista, do humor ácido e da ideia de um evento cósmico interferir no cotidiano de uma jovem, só acho que as inquietações dela poderiam ser um pouco mais relevantes.

  8. Hugo Cântara
    26 de março de 2014

    Achei a escrita demasiado juvenil, como já disseram aqui.. Há alguns atropelos de cariz científico quanto ao planeta peregrino, mas acima de tudo penso que o conto se perde em si mesmo ao abrangir tudo ao mesmo tempo, assumindo um erotismo na minha óptica desnecessário e que apenas contribuiu para a dispersão da mensagem que deveria ser transmitida ao leitor.
    Continua a escrever 🙂 Parabéns pelo conto e boa sorte!

    Hugo Cântara

  9. Eduardo B,
    25 de março de 2014

    Eu ri muito durante o texto. Os medos e desejos da protagonista, o vocabulário chulo, o humor ácido… Tudo muito bem dosado.

    Não está entre meus preferidos, mas com certeza tem seus méritos. Continue escrevendo. 😉

  10. Pétrya Bischoff
    23 de março de 2014

    Buenas, gostei dessa coisa meio corrida, do foda-se da protagonista para o fim do mundo. Um texto escrachado e sem não-me-toques. A colocação dos palavrões também me agradou. Senti, no entanto, que a preocupação do autor/a centrou-se na vida sexual da personagem; talvez a intenção tenha sido realmente essa: “o maior problema que me acomete em dias de fim de mundo é uma foda”; mas isso me incomoda um pouco. De qualquer maneira é um conto gostoso de ler. Parabéns e boa sorte

  11. thiagoalbuquerqque
    20 de março de 2014

    Interessante, mas a linguagem, ao meu ver, é muito juvenil para temas tão complexos e o uso de palavrões foi exagerado.
    No geral, eu gostei do humor ácido e da escrita.
    Parabéns.

  12. Thata Pereira
    19 de março de 2014

    Comecei a ler o conto bastante empolgada, mas quando descobri que a narrador era, na verdade, uma garota, não comprei essa informação. Até que no começo estava bem tranquilo, mas quando começaram os diálogos… rs’

    Entretanto foi um texto agradável de ler, quando vi já havia chegado no final. Apena uma coisinha me desagradou. Há dois pensamentos da garota no texto que você repete em parágrafos seguidos da mesma forma: o questionamento dela sobre o motivo do Fabinho não tê-la chamado para um Motel e a afirmação de que ela não abaixaria as calças em qualquer lugar. Isso fez com que eu me sentisse um pouco perdida, como se tivesse lido o mesmo parágrafo duas vezes. Apenas isso.

    Boa Sorte!

  13. Abelardo
    18 de março de 2014

    Um bom texto, sem dúvida., pensei que ia enveredar por algo mais estilo FC, mas apenas apresenta o tal Peregrino que é apenas um figurante, eu pensei que seria o protagonista principal.. E o texto envereda por um tipo “diário de uma adolescente”, recheado de palavrões desnecessários, cita problemas raciais, sociais e mostra nossa adolescente usando o planeta como pano de fundo para seus problemas pessoais….
    Bem, o texto é bem escrito, mas a história, mesmo cheia de sarcasmo e ironia não me tocou.

  14. Rodrigo Arcadia
    17 de março de 2014

    o texto tem uma narrativa que não cansa a leitura, um humor ácido e a desbocada da personagem. agora, a humilhação do negro, foi bem ridícula. queria ver mais a loucura do pessoal, pra mim, faltou mais coisas do ficar apenas na desbocada da moça.
    Abraço!

  15. fmoline
    16 de março de 2014

    Ganhou originalidade com o tipo de abordagem de uma jovem vivendo, de certa forma, quotidianamente em meio às anormalidades. Mas a criatividade não foi suficiente para cobrir uma personagem pouco complexa e uma narrativa com falhas que impedem que atinja uma perfeição. Ganha bastante com um humor pessimista, mas não passaria de uma história do nível das infanto-juvenis atuais….

  16. Claudia Roberta Angst
    16 de março de 2014

    Quanto aos conceitos científicos, nem vou opinar. Não sou boa nesse negócio de FC. A narrativa foi bem desenvolvida e prendeu minha atenção com seus diálogos bem pontuados. Talvez alguns palavrões fossem necessários, mas alguns poderiam ser retirados, só pra não pesar muito. Afinal, a linha do conto é mais divertida e irônica. Vi recentemente o filme Melancolia, então ainda estou embriagada com aquele clima de dane-se-que-o-mundo-vai-acabar. Ainda estou digerindo o conto, mas a princípio é uma boa leitura. Boa sorte!

  17. Bia Machado
    16 de março de 2014

    Eu gostei bastante. Gostei dessa crítica bem-humorada com relação à sociedade. Sim, a questão do estupro e do racismo: as situações apresentadas no conto acho possíveis de acontecer, infelizmente já presenciei coisas do tipo “Só namoro mulher branca”, dizendo assim, na maior, como se fosse a coisa mais normal do mundo ter esse conceito. Bem, isso é mesmo complicado. Sou totalmente contra racismo e estupro, isso é indiscutível, mas pra mim isso no conto passou apenas da composição das personagens. Muito reais. O que me incomodou mesmo foram esses palavrões, a quantidade eu achei gratuita, meio irreal na boca de uma garota, ainda que desbocada… Não sei, eu pelo menos nunca encontrei ninguém assim, com esse arsenal, pode ser que exista, rs.

    Quanto à narrativa, achei que poderia ter desenvolvido mais algumas partes, ficou um pouco corrido sim, inclusive o final, dando a resposta de forma rápida àquela situação.

    Lembrou-me um pouco o filme “Another Earth”, fiquei com a imagem de um outro planeta assim, tão próximo…

    Enfim, eu gostei muito do conto. Prendeu minha atenção esse humor “negro”.
    Parabéns.

  18. Fabio Baptista
    14 de março de 2014

    Estava lendo esse conto no trabalho (espero que minha chefe não veja isso) e quando me chamaram para almoçar pensei “Putz! Não queria parar de ler!”.

    Almocei e voltei correndo para concluir a história.

    Raramente isso acontece, então não tenho outra nota para esse conto que não seja 10.

    Foi divertido, escrachado, corajoso, politicamente incorreto. Gostei dos palavrões, gostei do autor ter cutucado alguns ninhos de marimbondo, gostei do desenrolar da história. Tudo!

    Saindo um pouco da análise do conto, não vi a cena do Fabinho com a Renata como se ele estivesse se inferiorizando… encarei como um truque do rapaz para “pegar” a branquinha! kkkk

    Sobre a questão do estupro… quando o Rafinha Bastos fez aquela “piada” sobre as mulheres gordas, que deveriam agradecer os estupradores… eu o condenei, achei uma puta babaquice. E continuo achando.

    Aqui, não sei explicar o porquê, mas encarei a questão de um modo diferente. Acho que o autor caminhou na linha tênue entre o humor negro e a apologia, mas conseguiu se manter do “lado de cá”.

    Enfim… um bom tema a ser debatido em outro meio.

    Meus sinceros parabéns ao autor(a).

    Abraço!

  19. Gustavo Araujo
    13 de março de 2014

    O pano de fundo lembra “Melancolia”, do Lars von Trier: um planeta se chocará com a Terra, mas isso não impede que as pessoas continuem suas vidas mesquinhas, alimentando seus desejos egoístas e brigando com seus fantasmas pessoais.

    No geral gostei do conto. É uma linguagem simples, direta, sem rodeios, típica de adolescente. É como se estivéssemos lendo um diário de uma garota comum e por isso mesmo interessante. Como ponto negativo, achei apenas que no miolo da história abusa-se dos palavrões. Em contraste, o início e o fim flertam mais com a ironia. Talvez o miolo, então, devesse seguir essa linha.

    O que quero dizer é que a quantidade de palavrões – talvez no intuito de fornecer à narradora um estilo despojado – ficou exagerado. Especialmente considerando que é uma garota. Se fossem abolidos, os palavrões não fariam falta.

  20. Felipe França
    13 de março de 2014

    Este é um conto que foi me cativando aos poucos. No começo não botei muita fé, mas a autora foi desenvolvendo de uma maneira que eu entrei de cabeça e comprei a história. A sinceridade e a linguagem debochada da protagonista foi um toque especial. O fim do mundo como plano de fundo serviu perfeitamente para expor todo o psicológico de uma mulher e sua rotina. Creio que se a autora der uma pequena polida no começo da história, o conto ficará completo em sua qualidade. Parabéns!

  21. Anorkinda Neide
    13 de março de 2014

    Interessante até, tratar o texto com a linguagem de uma adolescente desbocada e revoltada e no limite do stress.. rsrsrs

    Mas assuntos delicados devem ser abordados de forma cuidadosa, o escritor tem uma responsabilidade em repassar ideias, ideais e pré-conceitos no texto ou nas entrelinhas…
    Me pareceu que a jovem era preconceituosa, quando disse q a colega bonitinha poderia ter arrumado coisa melhor do q o Fabinho.
    O proprio Fabinho ter aquela atitude ‘humilde’ de implorar pelo beijo dela foi pesado tb, o rapaz se humilha ali e apenas pela condição de ele ser negro? Esta não é a realidade, por mais que ainda exista racismo no mundo e no Brasil, não é assim que a coisa toda funciona, ao menos não é o que vejo e o texto coloca-se, sim, preconceituoso, sinto muito.

    O Rubem levantou a bola dos estupros, tb é um assunto delicado e deve ser tratado com cuidado, até cabe a personagem ser imatura a ponto de não pensar no que um estupro realmente ocasiona e como ele se dá… Mas em algum ponto do texto deveria ser elucidado que não seria não, nada agradável que ela fosse estuprada. E depois, como ela estava com esta fantasia, querendo ser estuprada, se o mesmo se desse, nao seria um estupro, visto q a moça, consentiria com o ato.

    Gostei do final, com o ajuste do planeta aos dois satelites…:)

  22. Felipe Moreira
    12 de março de 2014

    Gostei da forma que você abordou a sociedade. Gostei também das lamentações e da ideia do Peregrino, sem me preocupar com a verossimilhança. Minha parte predileta foi o final, a decisão pessoal.

    Parabéns e boa sorte.

  23. Felipe Rodriguez
    11 de março de 2014

    Achei um bom conto, a oralidade do protagonista é algo que gosto, mas ele parece mais um menino do que uma menina falando, meio revoltadão, meio nem aí. Essa ideia do planeta na órbita da Terra realmente já foi trabalhada pelo Lars Von Trier no filme Melancholia, mas acho que aqui foi ainda melhor empregada, pois neste conto a órbita do outro planeta influencia a nossa, criando coisas fantásticas por aqui e influenciando o comportamento, algo bem interessante. Como sugestão, apenas cortaria a última frase, acabaria garota procurando no Google. Parabéns.

  24. Eduardo Selga
    10 de março de 2014

    Dos que eu até agora li, esse é o segundo ou terceiro conto no qual os personagens lidam com o apocalipse como se fora algo cotidiano, e considero essa abordagem muito interessante, pois consegue sair do lamento ou do desespero usuais.

    O conto apresenta uma caraterística que não tenho visto neste Desafio: o humor. Não do tipo politicamente correto: é ácido, mas não irresponsável, ao tocar em temas complexos, como o racismo e o desejo sexual feminino. Quando se percebe desde o início esse padrão narrativo, esse deboche, não há que se supor no texto algum trato racista ou diminuidor da mulher. Logo no segundo parágrafo, por exemplo, há a seguinte brincadeira com a ordem capitalista: “logo vai se chocar com a Terra, aí todas as seguradoras vão falir e não vai sobrar ninguém para pagar a conta.”

    Nesse contexto é, sim, necessário o palavrão, embora possa incomodar algumas sensibilidades. A “palavra feia”, a “palavra suja” é recurso expressivo totalmente legítimo, e ficaria hipócrita, faltaria veracidade à personagem do conto se ela, ansiosa de desejo sexual, não fizesse uso dele. No trecho “O cara não pode achar que eu vou sair abaixando as calças em qualquer lugar, eu não sou nenhuma puta, porra!”, se o(a) autor(a) substituísse o primeiro palavrão por, digamos, “meretriz” e o segundo por “poxa vida!”, seriam sinônimos, mas não teriam a mesma força expressiva. Porque o texto ficaria “limpo” demais para a situação.

    Mas há um risco nessa escolha. Mesmo entre leitores contumazes, não é raro a confusão narrador-autor, ficção-realidade. Assim sendo, é possível que se considere o comportamento e o palavreado da personagem como uma máscara de seu/sua autor(a) pervertido(a). Contudo, nem por isso eu mudaria o texto.

    O uso do coloquialismo, entretanto, não deve impedir a construção de cenas mais elaboradas. O instante de tensão entre os dois personagens na sala dos monitores, por exemplo. Poderia ter rendido mais, se fosse melhor explorada a dicotomia da moça. Ela, embora quisesse resolver o seu desejo, sentiu-se amedrontada com a atitude do rapaz e recusou-se a fazer o que de fato queria.

  25. Ricardo Gnecco Falco
    10 de março de 2014

    Gostei bastante! Talvez, dentre todos os contos que eu já li neste Desafio, este seja o que mais credibilidade tenha me passado com a concepção de Fim de Mundo apresentada.

    E esta ambiguidade — na verdade quase um contrassenso — existente entre uma colisão interplanetária e o “tédio” causado por sua lenta finalização (e de tudo mais que existe), para mim, colore ricamente a história, tingindo-a de forma equânime por toda a leitura; tirando o pálido tom lunar e brotando como violetas entre os contos aqui apresentados. E olha que neste Desafio o jardim está bem florido, devido ao tom fantástico que 99,9% dos participantes daqui têm como preferencial.

    O aparente “desfoque” da trama para questões existenciais — e paradigmaticamente ordinárias — frente a latente possibilidade de extinção das Espécies só faz acrescentar este sentimento de aproximação do leitor com a protagonista. As relações interpessoais vividas, quase que em paralelo com as interplanetárias, traz um ritmo leve, gostoso e belo como o cenário vislumbrado pelas personagens no céu fictício de uma história muito mais real do que esperávamos encontrar em um texto com esta temática.

    Fui até dar uma espiada no céu agora… (rs!) “Just in case!”

    Leitura, história e personagens deliciosos e muito bem desenvolvidos e apresentados; conto de fácil projeção e identificação com o público.
    Parabéns e espero ler mais textos do(a) autor(a)!

    Gostei mesmo!
    Boa sorte, e continue criando obras assim, “impactantes” e ao mesmo tempo intimistas. Tens o “dom”! 😉
    Parabéns!

    Paz e Bem!

  26. rubemcabral
    10 de março de 2014

    A história é boa, apesar da ideia da colisão com um outro corpo celeste ser um tanto gasta (vide nossos amigos “nibirutas” e filmes como “Melancholia”).

    Os conceitos científicos foram mesmo meio fantasiosos, mas nem todo texto de FC precisa ser “hard”: há espaço para todo tipo de cenário fantástico – mas achei graça da tal “matéria gélida”.

    Vou falar de algo delicado agora, que me incomodou no texto: a forma como os temas racismo e estupro foram apresentados. De antemão já deixo o autor tranquilo: sei que certamente não houve má intenção e não acuso o conto de nada, mas achei fortes as cenas do Fabinho suplicante por um beijo de mulher branca, assim como a da protagonista saindo só de sutiã nas ruas, sabendo dos estupros muito frequentes nesse mundo pré-apocalíptico. Isso, ainda combinado ao seu confesso desejo de ter sexo com qualquer um.

    Sei que por mil fatores muitas pessoas negras têm baixa autoestima, e até acho que a cena descrita pudesse realmente ocorrer. Apenas me incomodou por ser meio vexatória/subserviente.

    Qto ao tema estupro, aí já penso que seja mais complicado. Para mim, falar da graça das tentativas – ainda que em geral mal sucedidas – de estupros praticados por adolescentes e pré-adolescentes, por exemplo, não pegou nada bem. Mesmo que essa seja somente a ótica da personagem e não do autor.

    Não sou censor nem defensor do politicamente correto. Apenas sugeriria ao autor rever o potencial ofensivo do texto, em especial qto ao tema estupro. Talvez alguma leitora possa dar depois um feedback melhor qto ao assunto.

    Essas foram minhas impressões.

  27. marcellus
    10 de março de 2014

    Física: 0. Conto: 10. Muito boa a sacada de mostrar uma vida comum, ordinária, às vésperas do fim do mundo.

    Parabéns à autora.

    Agora, uma sugestão à diretoria: podíamos ter uma categoria “NSFW” que só seria mostrada a quem estive “logado”. Afinal, há crianças que acessam e seria uma forma de… Sei lá, pode ser puritanismo meu, mas ficaria mais tranquilo sabendo que a textos mais adultos estariam mais “protegidos “.

  28. Jefferson Lemos
    9 de março de 2014

    Então… pra começar, achei que o fim do mundo acabou por ficar de lado no texto. A personagem me pareceu meio instável mentalmente. Pareceu que queria ser estuprada. E tem essa coisa meio erótica que para mim, é muito ruim em um texto.
    Quando o texto remete a algum tipo assim, até que vai, mas não vi necessidade nesse, e exatamente isso tomou o espaço de todo o enredo do texto, que me pareceu mais focado em estupros do que no fim do mundo.
    ,
    Achei a ideia do peregrino bem legal, e dentro de um contexto, onde o fim do mundo seja o foco principal, seria um texto muito bom! Porém, creio que tenha sido muito mal aproveitado aqui.

    Enfim, eu não gostei e desculpe a sinceridade. Espero que outras pessoas possam gostar.

    Parabéns e boa sorte!

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Informação

Publicado às 9 de março de 2014 por em Fim do Mundo e marcado .
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