EntreContos

Detox Literário.

O Apocalipse Amarelo (Marcellus Pereira)

apocalipse

– Está tudo bem?

Jacó esticou a mão direita até tocar a testa da jovem Diná. As bochechas rosadas e o calor da pele não deixavam dúvidas: a febre continuava alta.

– Tá tudo bem, pai. – apesar da bravura, a menina se encolheu no banco, incomodada com o cinto de segurança, puxando o cobertor até o pescoço.

– Já vamos chegar ao hospital, meu amor. Só mais um pouquinho.

Acelerou a caminhonete, até um pouco acima do limite do bom senso. A estrada de Brazópolis a Itajubá, estreita, tortuosa e sem manutenção há anos, era um risco que só valia a pena correr em casos extremos.

Casos como aquele.

Ele sabia como a Peste começava: já tinha visto centenas de vezes a febre. A palidez. A perda gradual da memória. Os gritos. A expressão vazia…

Voltou a segurar o volante com as duas mãos. Não queria pensar naquilo. Talvez fosse só uma gripe. “Isso: uma gripe! E justo hoje!”.

Naquela manhã, os poucos funcionários que sobraram na fazenda o haviam acordado mais cedo que de costume. Eufóricos, diziam ter uma novidade inacreditável para mostrar. Ressabiado, ele os acompanhou até o centro de uma das mirradas plantações, subindo uma colina. Boquiaberto, viu uma bananeira. Uma bananeira saudável! Com um cacho de bananas amareladas, firmes e, como logo constatou, deliciosas!

Lea precisava ver aquilo. A primeira boa notícia há meses! Cortou uma penca e voltou em disparada para a sede. A terra seca levantava uma poeira fina, com cheiro de morte, mas ele não se importava. Não naquela manhã.

Já em casa, subiu as escadas aos saltos, gritando para que Diná se levantasse. Precisavam sair o quanto antes!

– Vamos, mocinha, deixe de preguiça! Precisamos… – mas sua voz morreu na garganta ressecada pela poeira. Diná tremia sob o cobertor, mesmo o mês sendo fevereiro.

Tentou voltar sua atenção à estrada.

Lea teria recebido o recado? Com as constantes falhas na infraestrutura de telecomunicações, era difícil ter certeza. Ultimamente vinham usando um antigo rádio Cobra 148 GTL, que funcionava quando lhe dava na telha.

O Sol já estava alto no céu. Não chovia havia três meses, mas Jacó não reclamava. Não daquela vez. Precisava chegar logo ao hospital e chuva só atrapalharia.

O cheiro de poeira e terra seca incomodava. Ele ainda tinha na memória o verde dos pastos e dos restos de florestas que cobriam o sul das Gerais. Que cobriam o mundo. E imaginar que em apenas cinco anos praticamente tudo havia se transformado em terra árida…

Desviou de um buraco, mas caiu no próximo. A caminhonete pulou com um barulho esquisito e Diná se remexeu no banco. O suor frio colando os cabelos na testa. Desacelerou, virando–se preocupado para a menina e quando voltou a olhar a estrada, deu de cara com um deles.

A Dra. Lea ainda não havia dormido. Na verdade, dormia cada vez menos e em intervalos irregulares. Não precisava do curso de Biologia para saber que tinha que regular o sono, mas, diabos, o mundo já tinha ido para o inferno mesmo! Que diferença faria morrer em um, dois ou dez meses? De fadiga ou da Peste?

Então pensou em Diná.

– Doutora, a senhora está bem? – atrás dela, sua assistente, visivelmente preocupada, a encarava com desconfiança.

– Estou, obrigada. E não precisa se preocupar, já fiz o teste esta semana.

Desconcertada, a ajudante entregou uma pilha de pastas:

– Estes são os relatórios que a senhora pediu. Perdemos o último link de dados com Brasília, então tudo teve que ser passado por voz, via rádio e digitado à máquina.

– Meu Deus… que trabalhão, hein?! Pelo menos você achou alguma coisa interessante aí?

– Não notei nada, Doutora, só o de sempre: a população se estabilizou nos vinte milhões, a cobertura vegetal continua a diminuir na mesma taxa: 12% ao ano. Não temos mais acesso aos satélites, mas Brasília ainda tem. Disseram que a cobertura vegetal no Nordeste já é de 5%. Por outro lado, a faixa de isolamento da Amazônia está pronta. E aumentaram a fronteira em um quilômetro. As fotos devem chegar semana que vem.

– Bom, se esse é o resumo geral, vou deixar para ler tudo isso amanhã. O Araújo já chegou?

– Não, senhora.

– Ótimo. Ele vai trazer um pessoal da Marinha e eu preciso revisar alguns dados. Se precisarem de mim, estarei na sala de reuniões.

Antes de sair do laboratório, passou os olhos pela estufa semitransparente. Lá dentro, algumas placas de Petri, com os escritos: “Fusarium oxysporum cepa XIII”. Com um olhar de profundo desprezo, disse: “Desgraçado”.

O carro parou alguns metros adiante sem ter, por sorte, atropelado o zumbi. Ofegante, Jacó olhou para Diná que mal se dava conta do que acontecera.

Odiava encontrar um deles. Queria poder passar por eles e virar o rosto, deixá–los à própria sorte. Sabia que nada poderia salvá–los, não havia tratamento… mas sua consciência simplesmente não deixava. Desconsolado, acariciou o rostinho quente de Diná:

– Espere pelo papai. Eu já volto, meu amor.

Pegou as luvas de couro e uma máscara no porta–luvas. O zumbi, parado no meio da estrada, o encarava com um olhar perdido.

“Zumbi”, pensou. “Como as pessoas podem fazer piada com algo assim?”.

Aproximando–se cautelosamente, dizia alto: “Bom dia, senhora! Precisa de ajuda?”.

O “zumbi” era uma senhora na casa dos setenta anos, usando um vestido florido até as canelas, bastante sujo. Os cabelos desgrenhados entregavam de longe o cheiro forte de urina e suor que se podia sentir mais de perto.

Jacó sabia que ela estava em um estado avançado da doença. Sua memória já devia ser um enorme livro em branco e as funções motoras seriam as próximas da lista. Pensou em Diná e balançou a cabeça. “Só uma gripe… só uma maldita gripe!”.

– Senhora, venha comigo! Vamos tomar um cafezinho? A senhora já tomou seu café hoje?

Algumas famílias, por medo da contaminação ou por vergonha, deixavam seus doentes dormirem fora de casa. Quando acordavam, desnorteados e desmemoriados, vagavam pelo que sobrara do mundo até morrerem de fome e sede ou serem devorados por cães selvagens, tão famintos quanto eles.

Jacó se aproximava devagar, a velha o encarando com a cabeça tombada para a esquerda, como se tentasse enxergar o mundo por outro ângulo, um que fizesse algum sentido.

– Venha! Vamos tomar um café. A senhora deve estar com fome, não?

Ela pareceu reconhecer a palavra e, por um instante, uma expressão de felicidade transpassou seu rosto.

– Café… – Jacó repetiu.

A senhora, num ímpeto, gritou: “Fome!” e lançou–se sobre ele.

Pego de surpresa, tropeçou e ambos caíram no asfalto, ela com os dentes à mostra, num esgar pavoroso, tentando morder seu ombro.

Mas estava fraca e não era páreo para um homem acostumado à lida na fazenda. Recuperado do susto, foi fácil livrar–se dela. Com uma chave de braço, conseguiu imobilizá–la, o que indicava que o sistema nervoso periférico ainda funcionava: ela sentia dor.

Conduzida à força até a caminhonete, foi amarrada dentro da caçamba. Resignada, lançou um olhar triste a Jacó.

– Sinto muito por isso. Vou levar a senhora a um hospital, não vamos demorar.

Dentro da cabine, Diná tremia de frio. O suor escorria em abundância.

Jacó acelerou a caminhonete, deixando marcas no asfalto esburacado.

O Hospital–Escola de Itajubá era agora controlado pelo 4º Batalhão de Engenharia de Combate do Exército. Foi a única forma encontrada de, ao menos, tentar tratar todos os doentes da Peste.

A Dra. Lea, ajeitando o projetor da sala de reuniões, lembrava com tristeza daqueles dias. Havia mais de cinco anos que o surto, apesar de todas as precauções, chegara à cidade. Em uma semana, mais de dez mil pessoas foram infectadas. O Exército declarou toque de recolher, mas a violência explodiu. Em dois meses, já eram vinte e cinco mil infectados. Em um ano… bem, hoje a cidade era um enorme deserto de concreto, asfalto, pedra, tijolos e exatas seis mil trezentas e doze pessoas.

O mundo inteiro sofrera com aquilo, mas o pior ainda estava por vir. “Infelizmente.”.

Nenhum filme de Hollywood havia previsto aquilo. O fim do mundo não foi culpa, afinal de contas, de um meteoro ou de uma invasão alienígena ou de zumbis. “Zumbis… que piada de mau gosto…”.

A culpa era de um fungo. “Um maldito fungo!”.

– Bom dia, Doutora!

Assustada, virou–se para a porta. Já entravam o Tenente–Coronel Araújo, seu velho conhecido e mais dois oficiais da Marinha. As apresentações foram rápidas e informais, “…afinal de contas, tempo é um luxo que não temos”, como dizia Araújo.

– Então, Doutora, aqui estamos, como a senhora pediu. Espero que sejam boas notícias.

– Não são, Coronel, sinto muito.

– Ah… não são. Que pena.

– Senhores, sentem–se, por favor. Antes de explicar o motivo desta reunião, uma rápida recapitulação dos fatos mais importantes desta crise: na década de 50 do século passado, o Mal–do–Panamá atacou e dizimou as culturas de banana do mundo, partindo, como sugere o nome, do país da América Central.

“Em quinze anos, as plantações de banana do tipo Gros Michel foram dizimadas no planeta. Por sorte, um novo tipo, de sabor bem similar, foi produzido: o que nós conhecemos hoje como Cavendish.”

“Acontece que o híbrido Cavendish é assexuado, de forma que sua reprodução precisa ser feita pelo homem. É por isso que as ‘mudas’ de banana na verdade são enxertos: pequenas partes da planta que são retiradas e replantadas.”

“Mas já na década de 80, uma variante do Mal–do–Panamá, uma nova cepa do fungo Fusarium oxysporum começou a matar as plantas Cavendish. E como praticamente todos os pés de banana no mundo são, por assim dizer, clones de um único ascendente, era questão de tempo até que o desastre se instaurasse novamente.”

“Como solução, na segunda década do século XXI, um novo híbrido Cavendish foi produzido. Usando a engenharia genética, pesquisadores da Embrapa conseguiram produzir uma banana com o mesmo paladar e textura da Cavendish, mas extremamente resistente à doença.”

“Esse híbrido se espalhou pelo mundo todo em apenas um ano e a indústria estava tão absorta em sua comemoração, que não percebeu alguns dados alarmantes: depois de duas colheitas, as novas plantas tornaram–se capazes de se reproduzir sem o auxílio humano. O que a princípio pareceu um bônus, na verdade cobrou um preço alto: a espécie era extremamente agressiva, dizimando quaisquer outras plantas no seu entorno.”

“Em poucos meses, os bananais começaram a matar o pasto, outras culturas e até mesmo grandes áreas florestais.”

“Desesperados e sofrendo processos em todos os tribunais mundiais, os engenheiros que criaram a nova Cavendish tiveram a brilhante ideia de melhorar o próprio fungo causador da doença.”

– Fogo contra fogo, não é assim, doutora?

– A ideia era mais ou menos essa, Coronel. E no começo a coisa até funcionou: o fungo destruía bananais inteiros em poucas semanas, além de impedir sua reprodução. Mas o alívio durou pouco: uma mutação passou a infectar outras espécies de plantas.

“Como a área de testes do fungo havia sido a Malásia, em dois meses, o fungo estava presente em toda a Ásia. A área vegetal do continente diminuiu pela metade em um ano. A crise se espalhou pelo mundo. A China e a Índia, vendo sua população definhar, declararam guerra à Inglaterra e aos Estados Unidos, países que eles acusavam de modificar o fungo com propósitos bélicos: uma arma biológica.”

– A senhora acredita nisso, Doutora? – perguntou um dos oficiais da Marinha, um Capitão de Fragata chamado Lima, olhando furtivamente para os colegas.

– Não, Capitão, não acredito. De qualquer forma, enquanto a guerra se desenrolava principalmente no Pacífico, e apesar de todos os cuidados para contenção, o fungo chegou à Turquia e à África. De lá, veio para as Américas.

“O efeito na nossa agricultura e no meio–ambiente foi devastador. A cobertura vegetal decresceu de tal forma que hoje é impossível sustentar a criação de gado para corte, simplesmente porque não há pasto. Não temos nascentes de água suficientes para sustentar nenhuma grande cidade. Mas o que ninguém esperava era que o fungo sofresse outra mutação e passasse a infectar seres humanos também, causando o que popularmente se chama ‘Peste’. Hoje, pelo relatório que vi, a população brasileira tem apenas 12% do pico, em dois mil e trinta.”

– Bem, Doutora, por mais triste que seja, disso tudo nós já sabemos. O Exército, principalmente, porque fomos nós que tivemos que limpar as ruas tomadas pelos zumbis…

– Eles não são zumbis, Coronel. São pessoas doentes!

– Claro, Doutora, claro… Por favor, continue.

Controlando a respiração, a Dra. Lea mostrou um novo slide. Nele, podia–se ver uma praia paradisíaca.

– Fernando de Noronha?

– Sim, Capitão. Um dos poucos lugares na Terra aonde o fungo não chegou.

– Só nós sabemos a que custo, Doutora… ainda hoje, a Marinha abate ao menos um navio ou bote de desesperados que tentam chegar ao arquipélago. Mas não entendi aonde a senhora quer chegar. Não vá me dizer que o fungo…

– Não, Capitão. O fungo não chegou ao arquipélago. Ele chegou ao mar.

A reação de surpresa dos três homens era quase hilária, não fosse a situação, pensava Lea.

– Os senhores sabem, é claro, que o oxigênio que respiramos não é gerado nas florestas.

– Não?

– Não, Capitão. As florestas, ou melhor, as plantas, geram oxigênio durante o dia, através da fotossíntese, mas consomem oxigênio à noite. Para que os outros seres vivos tenham o que respirar, devemos agradecer ao conjunto de organismos aquáticos chamado fitoplâncton.

“É o excesso de oxigênio produzido por eles que nós e todos os outros animais, usamos. E agora…”

– Agora a senhora encontrou o fungo nesses organismos?

– Por sorte, não, Coronel. Ainda não. Mas encontramos em baleias, achadas mortas no arquipélago de Fernando de Noronha. E se o fungo está presente nas baleias, pode, em tese, contaminar outras espécies marinhas. Se chegar ao plâncton…

Fez–se um pesado silêncio na sala de reuniões, quebrado apenas pelo barulho da ventoinha do projetor.

– Baleias em Noronha… isso é raro. – disse um dos militares, entre o medo e a desconfiança.

– É incomum. – continuou a bióloga – mas não tão raro. Desta vez, imaginamos que tenha sido por causa do fungo, que já deveria ter atingido o sistema nervoso central, causando a desorientação das jubarte.

Um soldado bateu à porta, entrando logo em seguida. Dirigiu–se ao Tenente–Coronel, sussurrando–lhe algo.

– Com a sua licença, Doutora, há um assunto urgente, mas não me demoro. Por favor, continue a reunião com meus colegas.

Os pneus da caminhonete cantaram em frente à entrada do Hospital–Escola. Dois enfermeiros saíram esbaforidos, perguntando pelo problema. Jacó apontou para a senhora na caçamba, deitada, amarrada e grunhindo. “Infectada”, disse.

Enquanto um dos enfermeiros voltava ao prédio para trazer uma maca, o outro ajudava Jacó a desamarrar a senhora doente.

– Cuidado, ela está com fome.

– Todos estão, Seu Jacó. E a menina ali dentro? Diná, não é?

Se havia alguma vantagem, algum lado bom em toda a desgraça pela qual o mundo estava passando, era a diminuição das comunidades. Claro, ver famílias inteiras levadas pela Peste era triste e difícil, mas entre aqueles que ficavam, crescia um sentimento de irmandade, de afinidade e respeito que Jacó só havia presenciado em sua própria família. E aos domingos.

– É a Diná, sim. Está com fe… gripe. Está gripada.

O enfermeiro parou por um segundo, sem desviar o olhar da velha infectada. Logo em seguida, continuou a desamarrá–la: “Gripe.”.

O outro homem chegou e os três, juntos, conseguiram imobilizar a doente sobre a maca.

– Vamos levar para a ala terminal… não tem muito o que a gente possa fazer por ela, não…

– O senhor quer que eu traga outra maca para a menina?

– Não precisa, eu mesmo vou levá–la.

Jacó abriu a porta da caminhonete e levou a mão até a testa da pequena. Estava quente, mais quente que quando saíram da fazenda. Aquilo não era nada bom. Precisava falar logo com Lea. Talvez os banhos de Sol pudessem atrasar a doença até que… puxa vida, eles tinham conseguido uma planta saudável, pelo amor de Deus!

Pegando Diná cuidadosamente, virou–se e encarou três homens uniformizados. Dois deles, usando capacetes com a sigla “P.E.”, seguravam fuzis IA2, fabricados ali mesmo na cidade, na única fábrica de armamentos ainda funcional no País.

O terceiro era o Tenente–Coronel Araújo, que Jacó já conhecia.

– Araújo, o que está acontecendo?

– Bom dia, Jacó. Vejo que a Diná não está bem.

– Não, não está. Eu preciso levá–la ao hospital. A Lea vai saber o que fazer.

– Nós dois sabemos que se ela estiver infectada, nem a Dra. Lea nem ninguém poderá fazer alguma coisa.

Segurando as lágrimas, Jacó continuou:

– É só uma gripe. Você vai ver, é só uma gripe… e, se não for… bom, talvez exista uma cura. Apareceu uma bananeira saudável na fazenda e a Lea pode…

Rispidamente, o Tenente–Coronel levantou a mão, num gesto claro para que Jacó se calasse.

– Soldado, leve a menina para dentro. Coloque–a numa sala isolada, em observação. Você, o acompanhe.

Contrariado, Jacó deixou que a levassem. Não entendia o que estava acontecendo, mas não era prudente argumentar com três militares armados.

Quando os homens já haviam entrado, Araújo continuou:

– Você vai me entregar esse cacho saudável de bananas, a folha da bananeira também… vai voltar à fazenda e atear fogo em toda a plantação.

– Mas é claro que não vou! Do que você está falando? Esta pode ser a nossa chance de curar essa Peste! Você faz ideia do quanto nós sacrificamos para chegar até aqui?

Araújo, num gesto firme, colocou a mão sobre o ombro esquerdo de Jacó. Olhando–o nos olhos, com a calma que só anos de guerra podem dar a um homem, disse:

– Eu não estou pedindo.

– Vejamos se entendi, Doutora: a senhora está nos dizendo que existe uma chance real da Peste infectar a fauna e a flora marinhas?

– Já está acontecendo, Capitão. O que estou dizendo é que a Peste vai sofrer uma mutação, cedo ou tarde e infectar o plâncton. Há quem diga que já estamos condenados, uma vez que não encontramos uma forma de combater o fungo e ele continua devastando a flora terrestre.

“Se chegar ao plâncton, além de destruir a base da cadeia alimentar marinha, a produção de oxigênio vai cair drasticamente. Em alguns anos, os que não estiverem infectados, morrerão sufocados em gás carbônico.”.

– Não é um cenário otimista, doutora.

– Não, não é.

Remexendo–se na cadeira, o outro Capitão de Mar–e–Guerra retrucou com mau humor:

– A senhora participou do grupo de estudos da Embrapa que deu origem à cepa mais devastadora do fungo, não foi doutora?

Lea sentiu uma pontada no peito. Odiava aquele assunto e, ainda assim, não podia eximir–se da responsabilidade. De fato, ela havia sido pesquisadora visitante no centro de pesquisas que alterara geneticamente o fungo para combater o avanço do bananal sobre as outras culturas. Pela milionésima vez, ela repetiria:

– Eu fazia o que me mandavam, Capitão. Não tive participação na decisão política de usar o fungo.

– Ainda assim, a senhora foi uma das pesquisadoras mais ativas do grupo, pelo que vi no relatório. Isso está correto?

Engolindo o orgulho com dificuldade, ela acenou com a cabeça.

– Então, a senhora é possivelmente o ser humano vivo que melhor conhece o inimigo, concorda comigo?

– Bem, antes de perdermos nossos links de satélite, tínhamos notícias de pesquisas bastante avançadas em Atlanta e em Paris. Com a guerra entre os Estados Unidos, Índia e China se alastrando pela Europa, não temos mais esperanças de contatá–los. Sendo assim, é bem provável que o senhor tenha razão. Mas qual é o motivo disso?

– Com tão pouca gente disponível, doutora, não podemos nos dar ao luxo de perdê–la. Então, vamos colocá–la no lugar mais seguro que temos, onde poderá continuar suas pesquisas sem correr nenhum risco.

Sem conter o sorriso, Lea só conseguiu balbuciar:

– Noronha…

Inconformados, os homens ajudavam Jacó a atear fogo à plantação. Não era tarefa difícil: o solo seco e as plantas mirradas não se opunham ao beijo quente das labaredas. Era questão de poucas horas até que toda a fazenda fosse um punhado de cinzas.

– Já disse a vocês para não se preocuparem! Todos vão ser remanejados para as fazendas de Cristina e São José do Alegre. Ninguém vai parar de trabalhar.

A revolta era visível em seus rostos, mas eram homens acostumados a obedecer. Se era queimar o que patrão mandava, queimar era o que eles fariam.

A noite avançava quando Jacó conseguiu voltar ao hospital. Coberto de fuligem, com os pulmões ardendo depois de inalarem tanta fumaça, perguntou à enfermeira da recepção por Diná. Ela indicou um quarto no fim do corredor e ele correu até lá.

Ao abrir a porta, viu Diná sentada na cama, rindo de alguma coisa que Lea havia dito. Algo sobre golfinhos.

Ambas o olharam surpresas, mas contentes.

– Papai!

– Oi, meu amor! Tudo bem?

– Está sim. A Lea me deu um remédio e eu fiquei boa.

Ele viu em Lea o sorriso encantador que o havia feito passar por todos aqueles meses de sofrimento, desde que a esposa havia sido infectada. Foi por aquele sorriso que ele desejou viver, mesmo quando as fazendas definhavam. Mesmo quando Rachel morreu.

Haviam deixado a culpa para trás há muito tempo, mas não tinham coragem de contar a Diná.

– Uma virose. Não é a… não é nada grave.

Aliviado, ele sentiu o peso do mundo sair de suas costas.

– E eu tenho outra ótima novidade: que tal uma viagem?

Por muitos anos viveram tranquilamente em Fernando de Noronha. Alguns pesquisadores iam e vinham, de forma que a população da ilha nunca ultrapassava os cem habitantes, contando o pessoal de apoio e uns poucos nativos que não haviam sido removidos.

Os açudes e o dessalinizador proviam água de qualidade e a estação de tratamento de esgoto era verificada mensalmente.

Apesar de contarem com uma pequena agricultura de subsistência, navios de suprimentos vinham a cada três meses, partindo do Recife.

As pesquisas continuaram e Jacó jamais contou a Lea o episódio das bananas saudáveis.

Depois de um ano, os navios de suprimentos simplesmente pararam de chegar. O contato pelo rádio também e o mundo pareceu cair em total silêncio.

Sem suprimentos para os laboratórios, as pesquisas foram desaceleradas e a comunidade se organizou de forma a ter escolas (afinal, nem nas piores desgraças a instinto de procriação é eliminado totalmente) e uma prefeitura. Jacó foi o primeiro a eleger–se.

Quando Diná completou quinze anos, um dos garotos da creche onde trabalhava teve febre alta. Isso perdurou por dias, até que fizeram o teste e ficou comprovado que a Peste finalmente chegara a Noronha.

Alguns moradores, horrorizados, escaparam do arquipélago à noite, em botes e embarcações de salvamento, para desaparecem no mar.

Os que ficaram, caíram um a um, mesmo com as tentativas da Dra. Lea e os poucos pesquisadores que restaram. Nem mesmo os banhos de Sol atrasavam a doença, como anos antes.

Covas profundas foram cavadas, onde os corpos dos zumbis eram jogados para cremação.

Jacó resistiu o quanto pode, mas por fim, numa noite quente e enluarada, derramou clorofórmio sobre um pedaço de pano e forçou contra o nariz de Lea. Fraca e sem controle dos movimentos, ela debateu–se pouco enquanto grunhia. Adormeceu e foi carregada até a vala, onde o fogo já ardia.

Anos depois, Diná penteava os longos e desgrenhados cabelos brancos do pai. De costas para a ilha seca, lembravam de como era a vida no continente, quando havia equipamentos que tocavam música. E lembravam-se das plantações de banana.

– Ah… que saudades daquelas bananas deliciosas, papai…

– A memória prega peças na gente, Diná. As bananas da sua infância já eram mirradas e secas.

– A última que eu comi, não. Era deliciosa! Pena que tive febre naquela noite e nem pude te contar… era um pé saudável, como eu nunca tinha visto. Naquela plantação que o senhor queimou.

Jacó chorou.

32 comentários em “O Apocalipse Amarelo (Marcellus Pereira)

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  2. Marcellus
    6 de abril de 2014

    Pois bem, agora que já fomos todos desmascarados, gostaria de agradecer a todos pela leitura e pelos comentários. Como sempre, é um prazer enorme participar e uma diversão deliciosa compartilhar com vocês essas minhas pequenas criações.

    Ao José Gouvea: os nomes têm mesmo um significado. Na Livro do Gênesis, Jacó é o patriarca de Israel, teve duas esposas (Lea e Rachel) e uma filha (Diná). Eu queria ter aprofundado os paralelos entre as histórias, mas o limite de palavras foi meu algoz.

    À Anorkinda: curiosamente, a história das bananas é, quase toda, verdadeira. Por mais inacreditável que pareça. 🙂

    Um erro bobo, que poderia ser evitado simplesmente perguntando ao nosso caríssimo Gustavo, foi o tratamento dado aos oficiais…

    Outra coisa interessante: como a história ficou grande demais para o limite do conto, acabei por cortar uma parte crucial: o motivo de Araújo ter mandado incendiar a plantação de bananas. A planta saudável poderia levar a uma cura, o que seria inadmissível, visto que os militares já teriam algo similar e tratariam a Peste como arma biológica. Aguardando o fim do conflito entre as superpotências (e usando a cura só depois disso), teriam mais chances de conseguir uma posição vantajosa no pós-guerra.

    E, para terminar, o texto que fiz como “rascunho de ideias”, para que vocês possam acompanhar a evolução da ideia:

    ————-
    Mundo devastado por uma mutação da “Mal do Panamá”, que afeta as bananas.
    * Mutação das novas bananeiras modificadas geneticamente levou a um crescimento descontrolados da cultura,
    afetando e dizimando outras plantas;

    * Usinas eólicas por todo o mundo modificaram o comportamento dos ventos, erradicando a agricultura no
    Brasil e na Índia;

    * Por fim, uma mutação do fungo Fusarium oxysporum infecta e mata todas as plantas do mundo, avançando
    do que restou da Mata Atlântica para o interior. No restante do mundo, a situação é idêntica.

    * Outra mutação afeta os seres humanos, destruindo os centros de memória de longo prazo do cérebro.
    Os doentes perdem lentamente a memória, ficam confusos, nervosos, têm ataques repentinos de raiva.
    Se liberados de cuidados, perambulam pelas ruas, sujos, com expressões vazias.

    * Viagens interestudais foram proibidas. Comunicações do governo e das forças armadas só através de rádio;
    TVs passam programas humorísticos 24h/dia.

    * Doentes são levados a prédios e hospitais, onde tomam sol pela manhã (acredita-se que isso diminua a
    velocidade do fungo). Pessoas saudáveis vivem em casas.

    * População mundial diminuiu 75%.

    * Animais marinhos são pouco afetados (“mas já começou”).

    Jacó é o herdeiro das “Fazendas Unidas Bananal Dourado”. Devido ao fungo que se espalha rapidamente, se vê obrigado
    a queimar outra plantação de bananas. Depois de levar a filha ao hospital com suspeita
    da “Peste”, recebe um chamado urgente pelo rádio PX. De volta à fazenda, é levado até uma bananeira saudável, com
    frutos bem desenvolvidos e já amarelos e doces. Come um deles e se delicia com o sabor.
    Estupefado, decide levar uma penca e uma folha de volta ao hospital, na intenção de mostrá-las à Dra. Lea (sua esposa)
    e bióloga trabalhando para a unidade da Embrapa da região.
    No caminho, é parado por um jipe do exército, com três homens. Eles o avisam que precisam confiscar a mercadoria que
    transporta. Ao contar a eles seu plano, os homens tentam usar a força bruta. Ao ser perguntado se contou a mais alguém
    sobre a bananeira, Jacó diz a verdade, mas os homens não acreditam. Ele é ferido e jogado no chão.
    Um dos soldados traz um rádio-comunicador. Um “Tenente-Coronel Araújo” avisa que aquilo não é uma “crise”, é uma
    guerra. Se ele deseja ver a filha e a esposa, deve voltar e destruir as plantas saudáveis. “Mas aquilo pode ser a cura
    para essa peste!” “Nós temos a cura. Mas ainda não vencemos a guerra.”
    Depois de alguns momentos de consideração, Jacó entra na caminhonete e acelera para o hospital. No bolso interno
    da jaqueta, uma casca de banana.
    Chegando ao hospital, vê a Dra. Raquel pelo vidro de uma sala de reuniões. Enquanto aguarda, um homem senta-se ao
    seu lado e murmura: “Vai mesmo trocar a segurança da sua família por um punhado de plantas? Boa sorte.”.
    O homem levanta-se e vai embora, deixando Jacó atônito e sem reação. Quando a bióloga chega e pergunta o que houve,
    ele responde: “Nada. Só vim te ver antes de começar a queimada.”.

  3. jggouvea
    5 de abril de 2014

    Este é um daqueles textos que a gente chega no fim e diz “puta que pariu”! Boa sacada. A escrita não tem deslizes dignos de nota (eu não sou de catar piolhos, lembrem-se) e o ritmo me pareceu bastante bom. Existem algumas coisinhas aqui ou ali que poderiam melhorar, na minha opinião, mas acho que o autor deve ter seus motivos, não vou julgá-lo. A principal coisa que não entendi foi a razão dos nomes. Eles me parecem ter alguma simbologia, mas não a captei. Falha minha ou do autor? Depois saberemos.

  4. Vívian Ferreira
    5 de abril de 2014

    Gostei e achei a ideia bem original. Só fiquei em dúvida quando o militar mandou destruir a plantação, isso ficou sem explicação e o Araújo aceitou muito fácil sem ficar com nenhuma? Mas é um bom conto. Parabéns e boa sorte!

    • Weslley Reis
      5 de abril de 2014

      O conto está muito bem escrito e com certeza cativa, parabéns ao autor(a).

  5. Alexandre Santangelo
    2 de abril de 2014

    Gostei do conto. Me prendeu de inicio. Excelente narrativa. Parabéns!

  6. fernandoabreude88
    2 de abril de 2014

    Achei o texto muito bem escrito, tanto na criação do motivo do fim (a banana!), como os personagens e o cenário. Bom conto!

  7. Wilson Coelho
    2 de abril de 2014

    Criativa a ideia das bananas, mas o texto não me fisgou. Achei forçada a ideia dos cientistas tentarem criar um fungo mais forte, por exemplo. E não comprei a cura através do consumo de uma simples banana.

  8. bellatrizfernandes
    31 de março de 2014

    A-DO-REI
    Do início ao fim fiquei vidrada. Foi leve, foi inovador. Foi o máximo! Uma experiência que só tive, nesse desafio, em mais um outro conto, dentre todos o que já li até agora.
    O fim, principalmente!
    Muito bom! Definitivamente, ganhou um dos meus votos.

  9. Marcelo Porto
    30 de março de 2014

    Um grande conto. Talvez pelas restrições de tamanho ficou um pouco corrido e algumas atitudes não tão bem explicadas, mas o autor não deixou a peteca cair.
    Uma história com começo meio e fim, muito bem estruturada e com uma trama verossímil.
    Gostei muito, esse vai para o meu pódio.

  10. Hugo Cântara
    27 de março de 2014

    Um bom conto, nota-se o trabalho de casa do autor neste enredo. A ideia foi original, bem desenvolvida e explicada. A meu ver, foi estranho o tenente mandar queimar a plantação em vez de se mostrar interessado na descoberta do porquê da plantação ser saudável. Não fiquei convencido nessa parte. O final foi bom, embora um pouco apressado tendo em conta o ritmo que o conto teve desde o início.
    Mas gostei, sem dúvida 🙂 Parabéns e boa sorte!
    Hugo Cântara

  11. Eduardo B,
    25 de março de 2014

    Que história bacana. Bem estruturada, narrativa competente, diálogos consistentes. Confesso que não consegui me conectar com os personagens e o final me soou um tanto corrido, mas o resultado ficou acima da média.

    Continue escrevendo. 😉

  12. Thata Pereira
    24 de março de 2014

    Eu gostei muito do conto. Torci o nariz quando o primeiro zumbi apareceu, pensando que trataria-se de algo bem clichê, mas adorei a história do fungo. Os diálogos explicativos não me soaram cansativos, pois recordei das minhas aulas de biologia na escola e no cursinho pré-vestibular, onde minha professora gritava “parem de dizer que a floresta Amazônica e o pulmão do mundo!” rsrs’ Ela era fissurada na vida marinha. Foi uma boa lembrança, que colaborou com o ritmo do conto.
    Também fiquei me perguntando por qual motivo Araújo pediu que a plantação fosse queimada. Ele pensou que estava infectada? Pois, pelo que eu entendi, até o final, não há uma certeza se estava ou não. Mas, na verdade, a única coisa que fiquei me questionando é porque as pessoas morrem da praga e pai e filha nunca são infectados. Deixei passar algo?
    Como uma menina emotiva: adorei o final.
    Boa Sorte!

    • Anorkinda Neide
      24 de março de 2014

      Thata, eles (pai e filha) comeram a banana salvadora, que o pai tinha plantado e o Gen. mandou queimar, mas o pai nao se deu conta de q a banana dele era salvadora! kkk
      ficou engraçado 😛
      vc nao leu os spoilers dessa vez?

      • Thata Pereira
        4 de abril de 2014

        Anorkinda, obrigada por vir aqui resolver minha dúvida!
        Então, não tenho lido os comentários, apenas alguns… falta de tempo 😦 Obrigada!

  13. Pétrya Bischoff
    23 de março de 2014

    Um conto bem escrito, com várias referências ao “mundo real”, no entanto, as muitas explicações tornaram-se, a meu ver, enfadonhas. A história em si me sufocou, e isso foi bom; como um desespero com o gradual fim. Bueno, no geral eu gostei. Parabéns e boa sorte 🙂

  14. Bia Machado
    18 de março de 2014

    Gostei do conto, mas confesso que as partes explicativas foram bem cansativas. O que me motivou a continuar foram as personagens, das quais gostei bastante. Acho que o conto poderia ser maior, aliás, deveria ser maior, para abarcar com mais tranquilidade todas as ideias, para o desenvolvimento ficar melhor, por isso também concordo que o texto deveria ser, no mínimo, uma novela. Parabéns!

  15. Rodrigo Arcadia
    17 de março de 2014

    Gostei do conto, apesar explicações de causas cientificas fica chato demais. legal utilizar a cidade de Itajubá como o centro da história, já estive duas vezes por lá, alias, conheço algumas cidades por ali. fiquei com umas duvidas no ar, da banana que é queimada e da revelação no final. porque o cara nao lutou e defendeu o fruto. ficou um coisa no ar entre ele o militar.
    Abraço!

  16. fmoline
    16 de março de 2014

    *passando mais TEMPO descrevendo-o…. (Maldito corretor automático)

  17. fmoline
    16 de março de 2014

    O autor criou um universo e personagens com complexidade e maestria, marcando então seu talento com a escrita. Contudo, talvez pelo limite de palavras, não foi suficientemente explorado esse universo, passando mais tendo descrevendo-o que contando alguma história.
    Um texto bom, talentoso, mas limitado ao tema e regras.
    Nota: poderia ter trabalhado mais na criatividade.

  18. Felipe Moreira
    14 de março de 2014

    O conto é bom, bem narrado e num universo que a gente conhece, às vezes nem tanto. Talvez o que eu mais tenha gostado foi a originalidade. Mas, não me senti tão entretido quanto gostaria, ainda enxergando esses bons aspectos. Não posso dizer que o conto é ruim só por não ter me agradado. É bom sim e você merece os parabéns!

    Boa sorte!

  19. Fabio Baptista
    14 de março de 2014

    Fiquei mais ou menos com a mesma impressão que tive em “Nossos pecados”.
    Um conto bem escrito e conduzido, mas que não me agradou tanto.

    Não consegui me envolver com a trama, algo totalmente subjetivo.

    Abraço.

  20. Alan Machado de Almeida
    13 de março de 2014

    A leitura me lembrou André Vianco. Um enredo bem hollywoodiano, mas em um cenário totalmente brasileiro. Gostei bastante.

  21. Felipe França
    13 de março de 2014

    Um belo roteiro apocalíptico tupiniquim. O autor soube explorar e detalhar muito bem todas as nossas informações internas. A trama flui e os personagens possuem um certo carisma. As ações completam-se com a devida importância, e não deixa buracos. Vale a sacada inteligentíssima do autor usar como o motivo do fim do mundo uma bananeira; nada de clichês! Uma única coisa que posso salientar é o final; um pouco corrido. Parabéns pelo excelente texto, senhor Yorick Brown.

  22. Anorkinda Neide
    13 de março de 2014

    Sinto muito, mas não gostei não.
    A história das bananas não me pareceu crível. A explicação da doutora ficou chatérrima e a cura da menina, surreal.. rsrs
    Enfim, o conto nao me convenceu 😦

    Abração

  23. Eduardo Selga
    12 de março de 2014

    Em todo o conto existem referências ao mundo dito real, como o nome do fungo, as cidades mineiras, a Embrapa, as variedades de banana e o mal-do-Panamá. Isso é interessante, no sentido de que, junto à narrativa, construída de modo realístico, pode causar no leitor a falsa impressão de que não se trata de ficção. Autores que ficcionalizam a História usam muito esse instrumento. Os únicos elementos que nos impedem de “embarcar” no conto como se fora narrativa histórica são o fato de que o mundo contemporâneo ainda não passou por um flagelo como o narrado, e nós sabermos que se trata de um texto construído para um certame cujo tema é o fim do mundo. Ou seja, são informações extratextuais que não nos permitem sermos “enganados” pelo autor, que nos fazem ficar firmes na realidade.

    Firmes demais, talvez. Como o texto não abre espaços para que o leitor “viaje”, o texto se torna um tanto engessado. Mesmo leitores mais admiradores do protocolo realista podem se incomodar com isso, principalmente com a extensão de algumas passagens explicativas.

    O texto não possui a dinâmica mais adequada ao conto, e para isso contribuiu a construção de dois núcleos dramáticos, nos quais a fabulação fala muito mais alto que os personagens. Estes soam um tanto vazios, e pontos de tensão que poderiam ser melhor explorados não o foram, como, por exemplo, o mal-estar que a cientista sente em relação a si própria por ter participado do grupo de estudos que originou o fungo devastador.

  24. Claudia Roberta Angst
    11 de março de 2014

    Também lembrei do nosso anfitrião por causa do Araújo. Uma homenagem?
    O conto foi muito bem escrito e a ideia desenvolvida com precisão e coerência. Gostei do final como está. Talvez cortasse um pouco as explicações que tornaram alguns momentos mais arrastados e cansativos. No mais, parabéns pela ideia original e bem defendida. Fiquei com vontade de comer banana rsrsrs. Boa sorte.

  25. Pedro Luna
    10 de março de 2014

    Um bom conto. Tem uns elementos de The Last of Us, quem sabe o autor quis homenagear? Ou quem sabe não?..kk

    Enfim, eu curti e apesar de algumas parte do conto serem uma enxurrada de informações, não soou cansativo. O final ficou um pouco arrastado, ma acho que não daria pra fazer de outra forma. Parabéns.

  26. Gustavo Araujo
    10 de março de 2014

    Conto muito bom. Li com aquela vontade de saber o que aconteceria, algo compulsiva até. Gostei dos personagens, da maneira como o tema foi tratado, da explicação – ou das explicações – para o fim das espécies. Bacana mesmo. Quem sabe não é um reflexo do porvir?

    Algumas sugestões, porém.

    Acho que o “histórico” da peste poderia ter sido descrito em off, no início do texto, em vez de constar dos diálogos de uma reunião em que, na verdade, todo mundo já tinha esse conhecimento. Se o tempo era precioso, não teria sido necessário fazer esse resgate dos fatos.

    Não entendi o motivo do TC Araujo querer destruir as bananas. Do mesmo modo, não comprei a ideia de Jacó ter aceitado destruí-las assim, sem mais nem menos, considerando ainda a desconfiança que ele tinha sobre a ausência do fungo na planta. Ele não teria guardado uma amostra para si? Eu teria!

    O fato de, no final, Diná ter revelado ao pai que comera banana no dia da febre – o que teria feito Jacó compreender o poder curativo da planta – não ficou legal. Ele já não desconfiava disso? Quer dizer, o fato de haver uma bananeira saudável já não apontava para uma possibilidade de cura?

    Como já apontado, o fim ficou muito corrido. É o típico caso de história maior que conto. Dá para desenvolver uma novela bacana com esse argumento.

    A parte militar do conto está legal. Quase tudo soa crível para quem é do ramo, rs. Os poucos senões são as referências aos militares da Marinha. Os capitães de fragata e de mar e guerra, assim como os de corveta, não são chamados “capitães” no dia a dia, apesar do posto. Todos são chamados “comandante”. Apenas o capitão-tenente é chamado “capitão”.

    Bem, apesar das observações acima, quero dizer que gostei bastante. A história é muito envolvente. De certo modo me lembrou “Véspera de natal em Páscoa”, do Rubem. Destaque positivo também para a imagem enviada. É Pripyat, na Ucrânia, não? Excelente escolha – trata-se de um dos lugares que mais se aproximam do apocalipse descrito na sua história, não tanto pela causa, mas pelas consequências.

    É isso. Boa sorte!

  27. rubemcabral
    10 de março de 2014

    Um conto muito bom, com ideias novas sobre uma peste global, desenvolvimento interessante e bons personagens. Só o final, realmente, deixou a desejar.

    Ficou no ar o mistério do pq o Araújo ter destruído a plantação de bananas. Como o conto tem uma pegada mais científica, eu diria que acho improvável que uma banana resistente à praga passaria essa resistência a um humano por simples ingestão do fruto – mas é válido num contexto de FC soft, rs.

  28. Rodrigues
    10 de março de 2014

    Conto muito bom. A originalidade da causa do vírus, título, diálogos e personagens muito bem desenvolvidos, fora a escrita excelente que prende a atenção. Porém, ao final, a história perde o fôlego e fica meio vazia. Mesmo assim, até agora, agora, meu preferido. Parabéns!

  29. Jefferson Lemos
    10 de março de 2014

    Pô, eu até gostei da história no geral, mas senti falta de algo no final.
    O texto foi sendo desenvolvido durante todo o trajeto, e quando chegou na reta final, deu uma acelerada anormal.

    Achei a escrita boa e bem clara, e gostei mais de alguns trechos do que de outros,mas no geral foi bom.
    Um militar, e chamado Araújo, me fez lembrar nosso anfitrião! hahaha

    Parabéns e boa sorte!

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Informação

Publicado às 9 de março de 2014 por em Fim do Mundo e marcado .
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