EntreContos

Detox Literário.

Clair de Lune (Gustavo Araujo)

attic

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***

Olho para a porta à minha frente. Como de costume, tenho medo de abri-la. Não por desconhecer o que há do outro lado. Nunca fui homem que tivesse medo do sobrenatural. Na minha concepção, a realidade já conta com elementos suficientes para tornar a existência de qualquer ser humano mais do que terrível. Na verdade, receio abrir a porta porque já testemunhei a cena vezes sem conta. E desta vez não é diferente.

Edith está sentada junto à escrivaninha. Mesmo com o rosto escurecido pela luz filtrada da janela, é possível divisar seu sorriso entristecido. Essa imagem sempre me retorce o coração. Edith é uma mulher forte, decidida, confiante, mas não acredita que a ajuda chegará a tempo de salvá-los. Mesmo quando todos estão confiantes, ela se mantém calada, resignada, como que adivinhando o destino inevitável que os aguarda. O confinamento, de algum modo, permite que ela enxergue, como ninguém mais na casa, a fragilidade da situação e, por fim, perceba como são vãs suas esperanças.

À frente dela, Margot lê um livro. A menina não demonstra seus sentimentos. Prefere afundar o rosto nas páginas amareladas de qualquer exemplar trazido por Bep ou Miep. Os óculos redondos sempre funcionam como um escudo, protegendo-a de confrontos inúteis. Talvez tenha amadurecido rápido demais; Porém, dadas as circunstâncias, não poderia ser diferente.

Deixo o quarto, fechando a porta com um clique seco. Ao lado, outra porta, só que feita de ferro, dessas com vidros martelados, pede que eu entre. Como sempre, me vejo obrigado a fazê-lo. É um quarto apertado, com uma pia branca pequena no canto, encimada por um espelho diminuto. Ali, Fritz Pfeffer faz exercícios de alongamento. Em sua opinião, é a melhor maneira de se manter saudável. Trata-se de um homem muito vaidoso. Barbeia-se todos os dias, o que é surpreendente em face da situação. Talvez sinta falta do trabalho. É dentista.

Observo as paredes enquanto Fritz continua a se exercitar, alheio, claro, à minha presença. Fotografias de atrizes famosas foram coladas diante de uma escrivaninha. Reconheço Shirley Temple e Hedy Lamarr. Naturalmente, a decoração não é obra dele, mas de Ana, com quem o quarto é dividido. Os retratos dão ao cômodo um aspecto vagamente alegre. Uma ilusão, ao menos.

Cerro a porta. Diante de mim uma escadaria se lança acima, vertiginosa. Encaro-a por um instante. Os degraus de madeira ainda são firmes.

Estou no sótão. Mesmo hoje não consigo evitar um arrepio. Sei que aquele é o seu lugar favorito. O espaço é usado para guardar qualquer quinquilharia: roupas, malas, baús, garrafas, tudo atulhado em qualquer canto. Apesar disso, é onde Ana encontra paz e calma. Talvez seja por causa das janelas que oferecem uma miragem da realidade que ela há tempos não tem. Dali se enxerga uma acácia. Ou a torre da igreja. Ana fica ali por horas, imaginando como a vida prossegue para outras pessoas, apesar de tudo, ou como, de alguma maneira, os acontecimentos enfadonhos do esconderijo podem se tornar interessantes a ponto de se os relatar em um diário.

É noite. Ana está sentada sob o luar que incide obliquamente. Ela brinca com as sombras, fazendo desenhos imaginários no chão usando a ponta dos dedos. Como sempre, a visão me provoca uma dor lancinante. A ingênua esperança, o retrato de sonhos e aspirações que jamais vão se realizar, de promessas que nunca se cumprirão.

Desço ao segundo andar. Junto à escada, Peter van Pels se senta sobre a cama. Lê uma revista de esportes. É o único que tem um espaço para si. Não que isso signifique alguma coisa. É um bom garoto, quieto, trabalhador. Está sempre cuidando de tudo. Limpando, consertando, buscando coisas no porão. Até mesmo toma conta dos gatos.

Ao lado fica a cozinha. É também o quarto dos pais do garoto, Hermann e Auguste. No centro há uma mesa grande, coberta por uma toalha marrom, já puída. No canto, uma pia encardida e um fogão com marcas de ferrugem parecem troféus recuperados de uma pilhagem qualquer. Prateleiras na parede, com algumas latas de comida, permitem acreditar, por um breve instante, que uma refeição adequada poderá, sim, ser servida.

Sentados à mesa, Hermann e Auguste discutem. Ele reclama da falta de cigarros, algo que faz até mesmo sua habilidade em contar piadas desaparecer. É um sujeito interessante. Do tipo que gosta de emitir opiniões sobre qualquer assunto, que se julga detentor da verdade suprema. Auguste é a única que sabe como lidar com ele. Ao contrário dos demais, deixa que ele fale sozinho, até o assunto se esgotar. Então, traz-lhe alguma bebida, ou algo para comer.

Do outro lado da mesa, Otto Frank está junto das filhas. Estudam inglês.

É quando chegamos.

Vejo a mim mesmo dizendo a todos que se reúnam. Meus subordinados iniciam o teatro de horrores ao qual estamos acostumados, mas eu lhes digo que se acalmem. Passamos à revista no local, revirando armários, abrindo portas e gavetas, diante do olhar incrédulo de todos ali, especialmente das meninas, que lutam para conter o choro. Pastas são esvaziadas, roupas atiradas ao chão e papéis espalhados por todos os cantos. Temos ordem para confiscar qualquer coisa de valor.

Otto Frank revela que estão escondidos há mais de dois anos. Diante de minha descrença, ele pede à filha Ana que se coloque diante das marcas horizontais na parede, que traduzem seu crescimento durante o período.

Presto atenção à menina pela primeira vez. Uma criança que jamais chegará a se tornar uma mulher. “O Senhor tem uma filha adorável”, é o tudo o que consigo dizer.

Nos aposentos de Otto Frank encontramos um baú com as insígnias do Exército do Kaiser. Nosso prisioneiro lutou pela Alemanha na Primeira Guerra. Não merece o tratamento dispensado aos judeus comuns. Por isso dou a ele e à família tempo suficiente para que se organizem para partir. De qualquer forma, estou convicto de que nenhum deles jamais voltará àquele lugar. Eles também têm essa percepção. Isso já é torturante o suficiente.

A visão então desaparece. De todas as pessoas escondidas no anexo da Opekta, apenas Otto Frank sobreviveu.

Quanto a mim, estou condenado a vagar por esta casa pela eternidade. Durante o dia, junto-me aos turistas que apinham o museu. Naturalmente, ninguém me nota.

À noite, porém, quando tudo está quieto, minha penitência começa, no instante em que me vejo forçado a afastar a falsa estante de livros e iniciar minha peregrinação, repetindo incessantemente a mesma rotina.

Quando vier à Prinsengracht, 263 procure por mim. Talvez nos vejamos.

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40 comentários em “Clair de Lune (Gustavo Araujo)

  1. Jussara Castro Araujo
    18 de janeiro de 2014

    Oi filho, que coisa mais boa ter lido este Best Seller Mundial. “O Diário de Anne Frank”. Vejo que apesar de muitos comentários pertinentes ao Conto, lamentável constatar…ainda existem pessoas que desconhecem a história e o destino da família Frank, o holocausto que marcou definitivamente a humanidade. Sou suspeita pra falar, a meu ver está perfeito, no tamanho, na linguagem sempre impecável, na riqueza de detalhes, e na adição da música…maravilhosa. Sob o ponto de vista emocional, impossível não se sentir tocada. Parabéns, o resultado foi excelente. Te amo, bjos

    • Gustavo Araujo
      18 de janeiro de 2014

      Oi, mãe. Me lembro da vez em que você, com um folheto do “Círculo do Livro” me falou que talvez fosse interessante comprarmos o “Diário…”? Na época eu tinha, sei lá, uns nove ou dez anos, e torci o nariz para a sugestão. Mas recordo que vc contou a história da “menininha que se escondeu no sótão da casa com a família” e que “eles não podiam nem conversar durante o dia”. Acredite: isso me marcou ainda naquela época. Tanto que nunca mais esqueci 🙂

  2. Gustavo Araujo
    16 de janeiro de 2014

    Agradeço aqui, em geral, os comentários e as sugestões declinadas.

    Como eu disse no post do resultado, pretendi fazer uma experiência, escrevendo um conto cuja leitura equivalesse ao tempo de execução da famosa música de Debussy. Não pude, então, descer a fundo na narrativa – algo que sempre faço – tendo que optar por algo mais contundente, breve mas certeiro, como a música é. Isso funcionou para quem estava mais familiarizado com a história de Anne Frank, mas não tocou aqueles que a desconhecem. Um risco que eu decidi correr. Em todo caso, gostei do resultado.

    Apenas deixo como sugestão a quem não conhece a história da Anne que não deixe de ler o famoso “Diário”. É uma experiência de vida, mais do que uma leitura corriqueira. E, se puderem, visitem o museu do Anexo Secreto, nem que seja de modo virtual http://www.annefrank.org/en/Subsites/Home/

    Abraços.

  3. Frank
    15 de janeiro de 2014

    Belo conto. Esse museu da Frank é terrível…pesado mesmo. Não volto lá nem de graça.

  4. Weslley Reis
    15 de janeiro de 2014

    É incrível como o conto está bem escrito. Quem o executou sabe exatamente o que está fazendo. Por outro lado, como já citado, é um conto pra um público específico. Eu também não possuo a bagagem literária para compreende-lo em totalidade, por isso, não fui completamente cativado. Ainda assim, consegui apreciar muito do que foi mostrado.

  5. Paula Melo
    14 de janeiro de 2014

    Bom conto,bem escrito e bem desenvolvido.
    A musica de fundo então deu brilho ao conto e a ideia foi ótima. Muito criativo o autor.
    Parabéns pela ideia e pelo conto.

    Boa Sorte!

  6. Caio
    14 de janeiro de 2014

    Olá. A música me deu um ar de filme pra coisa toda, fui lendo como se eu fosse a câmera andando e vendo a casa, numa cena de apresentação das pessoas e do espaço. É uma proposta legal, não achei particularmente engajante ou emocionante, mas foi uma leitura diferente. Aplaudo a ideia e o espírito experimentalista, acho que temos mais é que ousar mesmo. Abraços

  7. Raione
    11 de janeiro de 2014

    Nunca li os diários de Anne Frank e me dá vergonha admitir essa lacuna. Mas o interessante é que é essa lacuna que orienta minha leitura do conto. Quero dizer, não sei se pra mim o conto funcionou “mesmo assim” ou “por causa disso”. Eu fazia alguma ideia da história, então estava desconfiado, e soube mais ou menos onde eu me encontrava quando surgiu o sobrenome Frank. Mas essa localização precária era tudo de que eu dispunha. Nesse contexto, as cenas que iluminavam brevemente cada canto, cada cômodo, eram como uma mistura de álbum de fotografias e casa de bonecas. Só sabia dos personagens que surgiam aquilo que o conto me contava, pra mim eram fragmentos num sentido exato, e exatamente por isso adquiriam força representativa. Ao recuperar recortes de vidas que foram encurraladas, postas em suspensão pela calamidade da História, o conto revela que, antes de os nazistas baterem à porta, as pessoas naquela casa já eram fantasmas. E a narração é competente em mimetizar essa melancolia, que é a melancolia de clair de lune mas também aquela que nasce da inevitabilidade do que já aconteceu.

    • Gustavo Araujo
      16 de janeiro de 2014

      Obrigado pelo comentário, Raione. Suas palavras sintetizam o que eu esperava de uma leitura atenta. É extremamente gratificante quando alguém, ao ler o que escrevemos, consegue captar todas as nuances que tentamos passar. E isso independentemente de conhecer ou não a história de Anne Frank. Valeu mesmo. Abraços.

  8. Mariana Borges Bizinotto
    11 de janeiro de 2014

    A melhor parte foi a música como fundo. Parabéns pela ideia!

  9. Pedro Luna Coelho Façanha
    11 de janeiro de 2014

    Achei bem bacana, mas não me chamou muita atenção. O recurso da música me deixou surpreso, mas como hoje a minha Net tá de sacanagem comigo, não consegui ouvir. 😦 Achei bem escrito. Parabéns.

  10. Fernando Abreu
    7 de janeiro de 2014

    Gostei do conto. A música Clair de Lune já foi utilizada pelo Carlos Reichenbach no filme Alma Corsária, justamente em uma cena que os personagens relembram os períodos mais felizes ou momentos marcantes de suas vidas. O texto elenca diversos fantasmas, dilui em cada parágrafo suas experiências como numa espécie de estante de livros, na qual vamos pegando um e outro, lendo, retirando deles o que bem queremos.

  11. Edson Marcos
    3 de janeiro de 2014

    O comportamento do protagonista fez com que eu o associasse ao Capitão Hosenfeld, do filme O Pianista, lembrando o conflito interno enfrentado por alguns nazistas entre a obediência às ordens do Führer e “o faça o que é certo”.
    Confesso que fiquei perdido durante a leitura, e depois, lendo os comentários dos leitores, vi com alivio que eu não era o único. Os comentários da Thata e da Bia fizeram com que eu me situasse (e me emocionasse). Instigaram-me a ler O Diário.
    Trocar “Anne Frank” por “Ana” parece ter sido um recurso para que o conto não fosse visto como uma Fanfic, e isso prejudicou a leitura para os desnorteados como eu.
    Ainda assim, devo dizer que o conto foi bem escrito, simples e bem narrado. Deve ter emocionado e muito o público cativo. Parabéns e boa sorte!

  12. Ana Google
    3 de janeiro de 2014

    Tenho plena convicção de que existe um público cativo de cada texto. Infelizmente, eu não sou o público desse conto. Digo infelizmente porque o texto realmente me cativou. Ele é curto, direto, sem diálogos. A música é belíssima e tem o timing exato, o que particularmente adorei (inclusive, não sabia que podia usar esse recurso, sendo que, se eu soubesse antes, com certeza o meu texto nesse desafio o teria). Outrossim, a redação é impecável, é um dos raros contos que eu não consegui vislumbrar sequer um pecado, mesmo que de digitação.

    Contudo, sinto dizer que, como não conheço a história de Anne – nem sequer li algo a respeito – o conto não me fisgou, e eu fiquei perdida com os personagens. O texto tem um público MUITO específico, o que acaba atrapalhando a leitura. Ele exige uma bagagem prévia boa de quem o lê e perde o sentido se lido por outra pessoa que desconhece os personagens da trama real. Nisso, o texto perdeu o lugar no meu pódio, sem desmerecer o talento do autor – que fique claro.

    De qualquer forma, meus sinceros parabéns e boa sorte nesse desafio!

  13. Gustavo Araujo
    2 de janeiro de 2014

    Um conto curto, direto, sem grande aprofundamento. Talvez para caber no timing da música (que é, de fato, maravilhosa).

    Mas o grande problema é que se exige, de antemão, que o leitor esteja familiarizado com “O Diário de Anne Frank”. Apesar de ser um best seller mundial, não é todo mundo que conhece a história. É provável que, por causa disso, muitos leitores fiquem perdidos na narrativa.

    Talvez a história fosse melhor apreciada com Otto Frank como narrador, em vez do oficial nazista. Um texto em que o pai se refere à família morta no holocausto poderia surtir melhor efeito em leitores pouco acostumados à história do Anexo Secreto.

  14. Cácia Leal
    2 de janeiro de 2014

    Ah, esqueci de dizer: muito bem escrito! Parabéns!

  15. Cácia Leal
    2 de janeiro de 2014

    Muito criativo, principalmente com relação ao fundo musical. No entanto, achei um tanto confuso aos personagens, a trama… o desenrolar. Apesar disso, é um conto de fácil leitura, curto e rápido. Boa sorte!

  16. Leandro B.
    2 de janeiro de 2014

    Vish, como não estava em casa quando li, parece que perdi uma das grandes sacadas do conto que foi o uso da música ¬¬

    Vou reler depois.

  17. Leandro B.
    2 de janeiro de 2014

    A narrativa está impecável. Fui carregado pela leitura. Como é bom ler um conto assim.

    A inversão dos papéis comuns nesse tipo de referência histórica me anima muito. Enfim temos um alemão assassino de judeus um pouco mais complexo. Esse tipo de história me agrada porque acho muitíssimo perigoso pensar nos nazistas como monstros. É um dos raros contos da Segunda Guerra que gosto.

    Contudo, para esse desafio, existem outros quesitos que levarei em conta na votação. Especifico isso para não causar surpresa ao autor. Embora, até aqui, seja um dos meus contos favoritos, não sei se encabeçará minha lista. Isso porque o uso da temática de fantasmas me pareceu muitíssimo apagado. Acredito que o texto causaria o mesmo impacto com ou sem esse elemento. Da maneira que foi utilizado, o sobrenatural me parece aqui bem dispensável, tendo sido pouco explorado. Está ali por estar ali. De fato, acho até que limita um pouco o conto.

    De todo modo, excelente trabalho. Parabéns.

  18. Charles Dias
    31 de dezembro de 2013

    Engraçado como a temática da 2a Guerra Mundial se repetiu até o momento em dois contos que li. Interessante.

    O conto em si é bom, mas entrega fácil o final. Bem escrito apesar de ser um tanto descritivo demais, carece de alguma ação, do modo como está ficou morno.

  19. Gunther Schmidt de Miranda
    31 de dezembro de 2013

    Bom conto, interssante; mas não me cativou (impressão pessoal). Parabéns e boa sorte.

  20. Ricardo Gnecco Falco
    31 de dezembro de 2013

    Eu já devo ter “esbarrado” neste fantasma, quando estive no museu. Confirmando o sentimento da querida Thata, posso dizer que já estive duas vezes em Amsterdam, mas não consegui repetir a visita ao “museu” na segunda vez, esperando do lado de fora na rua por uma amiga que percorria tais caminhos lá dentro da casa. O clima é mesmo muito pesado; como (bem) mostrado neste conto.
    Parabéns ao autor!

  21. Felipe França
    31 de dezembro de 2013

    Brilhante ideia de ambientar a trama neste livro tão profundo e tocante. Na primeira vez que li… lembro-me de sentir um vazio interno que perdurou por dias. Conto bem escrito, envolvente e emocionante. A música escolhida é outro ponto positivo; agregou maior carga emocional ao texto. Parabéns e boa sorte. Viva Claude Debussy!

  22. Ricardo Labuto Gondim
    30 de dezembro de 2013

    Muito inteligente o uso da música em um conto escrito para a web. Para mim está claro que funcionou tão bem pela qualidade fluída e elegante do texto.

  23. Tom Lima
    30 de dezembro de 2013

    Efeito Lúcifer, experimento Milgram, a culpa que chega tarde demais.
    O conto não me tocou tanto, mas me fez pensar sobre essas coisas acima citadas.
    Parabéns.

  24. Thata Pereira
    30 de dezembro de 2013

    Existe um motivo que faz com que até hoje eu não tenha lido O Diário de Anne Frank.

    Eu sempre amei minhas aulas de história na escola. Mas uma das minhas frustrações foi NUNCA terem ensinado sobre a Segunda Guerra Mundial. Assim, tudo que sei sobre, aprendi sozinha. Por isso mesmo, sempre estou descobrindo coisas novas. Recentemente li o conto da Bia Machado, na Antologia ! e fiquei muito emocionada.

    Estou seguindo a ordem de postagens para ler os contos, mas pulei um para ler esse. Havia decidido ler apenas dois essa noite, esse é terceiro. De alguma forma, esse conto me chamou. Está tarde e eu estou aqui chorando! rs’ Da mesma forma que aconteceu quando terminei de ler “A Menina que Roubava Livros”. Por uma simples saudade, procurei meu diário de 2010, a página que escrevi após ler esse livro. Era 10 de Janeiro, 01h37min da madrugada. Exata hora que escrevo para esse autor agora. E olha que eu nunca mentiria dizendo isso.

    Como disse, existe um motivo que faz com que até hoje eu não tenha lido O Diário de Anne Frank: eu não consigo. Eu leio trechos no internet e não paro de chorar. Eu realmente não entendo. Existem outros livros sobre a Segunda Guerra que pretendo comprar, ler. Alguns já estou até comprando. Decidi criar coragem de ler esse livro ano que vem. Já tentei escrever sobre o tema. Digo mais uma vez: não consigo. Se um dia atingir esse objetivo, não sei se ficaria feliz ou triste. Acho que eu simplesmente não me sentiria mais. Não existiria.

    Eu comecei a chorar nas primeiras linhas. Parece que eu sinto quando Anne vai surgir… parece que ela fica do meu lado e sussurra “estou presente aí”, mas só minhas lágrimas escutam. E minhas lágrimas entregam.

    Descobri de cara quem é o autor e tudo que posso é agradecer por ter lido esse conto, por ter sido envolvida por essa música — que não durou até o fim, mas o sentimento… ahh, esse ficará marcado: nas páginas do meu diário. Vou indo, tenho um compromisso com a caneta e o papel agora.

    Meu primeiro lugar está aqui. Obrigada!

    • Bia Machado
      30 de dezembro de 2013

      Ai, Thata, você me fez chorar com esse depoimento. Ao contrário de você, eu já quero ler o que eu puder sobre a Segunda Guerra. Eu sofro, eu choro, me acabo de chorar, seja com filmes ou com livros, mas eu leio. Eu preciso ler, não sei explicar, é como se eu quisesse viver aquilo tudo, como se eu tivesse culpa também, por não ter estado lá… Ou de repente estive, como saber? Dói, dói muito, mas eu não resisto a ler… =\

      • Thata Pereira
        30 de dezembro de 2013

        Ai, Bia… é isso mesmo. Gostaria de ter estado lá. Quando assisti A Lista de Schindler me emocionei muito, pois gostaria de ter estado lá, de ter feito aquilo. Mas quem vai dizer que não estávamos? Eu não descarto nenhuma possibilidade, pois o assunto me toca tanto, tanto, que aqui estou eu chorando de novo! rs’
        Eu também leio tudo. Mas esse Diário… eu tenho receio. A Anne meche muito com meu emocional, com o meu psicológico. Mas do ano que vem não passa!! ^^

    • Gustavo Araujo
      16 de janeiro de 2014

      Minha amiga Thata, já conversamos sobre as suas impressões a respeito do conto, mas eu queria deixar registrado aqui a satisfação que tive com o seu comentário, algo que me deixa extremamente feliz e que, em suma, me impele a continuar nesse caminho. Obrigado mesmo 🙂

      • Thata Pereira
        17 de janeiro de 2014

        Sou sua fã, Gustavo!! Não só conta desse conto, mas de todos os outros que tive a oportunidade de ler. Parabéns!!

  25. Claudia Roberta Angst - C.R.Angst
    29 de dezembro de 2013

    Adorei a música de fundo pois deu uma dinâmica à leitura. Uma ideia inovadora, sem dúvida. Conto bem escrito, baseado na história de Anne Frank, o que sempre dá uma mexida no consciente/inconsciente coletivo. Um final com pinceladas melancólicas, mas que fechou bem a narrativa. Boa sorte!

  26. Inês Montenegro
    29 de dezembro de 2013

    Não compreendi porquê que o nome de Anne foi traduzido para Ana, em especial quando todos os outros foram mantidos. Tirando isso, é um bom conto, bem escrita, e que soube utilizar o material à disposição.

  27. Jefferson Lemos
    29 de dezembro de 2013

    Bom conto, a música no fundo deu uma dinâmica diferente e sua escrita me fez lembrar Neil Gaiman. 🙂
    Parabéns e boa sorte!

  28. Bia Machado
    29 de dezembro de 2013

    Caramba, deu certinho o tempo da música com a leitura, rs… Gostei muito do texto, ele é simples, mas me trouxe as imagens das minhas leituras do Diário de Anne Frank, não procurando “copiar” o texto do livro, mas colocando uma outra visão da história, a do homem que os descobriu no cativeiro… Achei que conduziu bem, parabéns pela ideia!

    • Gustavo Araujo
      16 de janeiro de 2014

      Quem descobriu o esconderijo foi o agente da Gestapo Karl Silberbauer. Daí o pseudônimo que usei: Carlos S. 😉

      • Bia Machado
        16 de janeiro de 2014

        Que legal! Não me lembrava do nome, faz tanto tempo que li… Falta coragem para um releitura… Também não lembro se lá no livro diz o nome dele. Bem pensado! =)

  29. Pedro Viana
    28 de dezembro de 2013

    O conto é interessante, sem dúvidas. Brilhante a ideia da música de fundo. Tenho medo de tal recurso ser muito usado daqui para frente, como disse o Marcellus, e a longo prazo o mesmo ser banalizado. No entanto, o(a) autor(a) soube escolher uma música linda e encaixá-la em perfeita sintonia com o texto, com um timming de dar inveja na Rede Globo. Quanto ao texto, é uma construção simples, sem grandes surpresas ou reviravoltas, mas que foi bem escrito e merece parabéns.

  30. Ryan Mso
    28 de dezembro de 2013

    Bom conto, boa história e boa narrativa. Me agradou bastante. Parabenizo ao autor pelo escrito.

  31. Marcellus
    28 de dezembro de 2013

    Bom conto: simples, direto. A música de fundo ajudou e prevejo que será um artifício muito usado daqui para a frente, nestes desafios.

    O autor está de parabéns! Boa sorte!

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Publicado às 28 de dezembro de 2013 por em Fantasmas e marcado .