EntreContos

Detox Literário.

Amor aos Pedaços (Marcellus Pereira)

A chuva fria fustigava seu rosto, enquanto aguardava que alguém atendesse o interfone.

Eram duas da manhã e a cada relâmpago Madalena orava para que abrissem logo. Não bastasse perder a mãe, o ônibus ainda havia atolado na estrada, atrasando a longa viagem. A tia era a única parente viva e, graças ao Senhor, havia oferecido trabalho e moradia. “Cuido de tantas órfãs, meu amor, não cuidaria de você, sangue do meu próprio sangue? Venha morar comigo. Pode me ajudar a cuidar do orfanato, que tal?”. Aos dezessete anos, sozinha e sem dinheiro, como recusar?

Tocou novamente o interfone. A água ensopando a roupa, congelando seus ossos.

O casarão em estilo colonial ocupava todo o quarteirão, protegido por altos muros de pedra. Do portão gradeado só podia ver parte do prédio e a inscrição “Casa Missionária Duvel – Orfanato para meninas”. Era curioso ver o próprio sobrenome ali. Reconfortante.

Um relâmpago mais forte feriu seus olhos e, por um momento, pareceu que vários vultos espreitavam por trás das janelas do segundo andar.  Pensava em chamar alguém, aos gritos, quando o portão finalmente se abriu com barulho metálico.

Correu até a enorme porta de entrada. Uma senhora enrolada num cobertor a esperava com expressão de alívio. Tremendo, aceitou de bom grado o convite mais que esperado: abrigo, roupas secas e uma refeição quente.

Seguiu a tia prédio adentro, enquanto conversavam amenidades. Não se viam havia mais de dez anos. “Sua mãe e eu não éramos muito próximas, você sabe. Ela nunca aceitou minha opção de vida: minha entrega à obra do Senhor Jesus. Mas eu a amava e foi muito triste para mim não poder ir ao enterro. Rogo que me perdoe, minha pequena Madá.”.

Foi difícil enterrar a mãe, mas o dinheiro que a tia enviara cobrira todos os gastos, com folga. E olhando o tamanho do orfanato, Madalena entendia a dificuldade dela em deixar o ofício, mesmo que por pouco tempo.

– Este é o seu quarto. É simples, mas tem uma escrivaninha, guarda-roupa e banheiro. Descanse meu amor, está muito tarde. Amanhã eu venho acordá-la. Fique na paz do Senhor.

– Obrigada, tia Vera. – apesar de ter sido criada nos preceitos da religião, não partilhava do fervor da tia.

Deixou a mala num canto e resistiu ao desejo de se jogar na cama: sabia que se o fizesse, dormiria sem nem mesmo tomar banho. Sentia-se estranha: um misto de gratidão e desespero. Segurou as lágrimas, que insistiam em pressionar suas retinas.

Tomou coragem para tomar logo o banho, desfazer a nécessaire. As roupas ficariam para o outro dia. Trancou a porta do pequeno banheiro: hábitos são difíceis de mudar.

A ducha não era elétrica: um aquecedor central, talvez. Abriu a água e voltou-se para o pequeno armário sobre a pia. Ia guardando seus poucos objetos de higiene pessoal: uma escova dental já gasta, dentifrício, o perfume dado pela mãe no seu último aniversário…

Coube tudo, com folga. Fechou o armário e encarou o espelho: o cabelo desgrenhado, as enormes olheiras… parecia ter envelhecido dez anos. As sardas eram mais evidentes agora, e o azul dos olhos tinha uma tonalidade acinzentada.

O vapor d’água ia preenchendo o ambiente, dificultando sua análise. O cansaço a estava vencendo, era preciso banhar-se logo. Encorajou seu reflexo, com um sorriso enviesado e uma anedota:

– Vá logo, antes que gaste toda a água quente do prédio.

Mas, por trás da nuvem de vapor e do vidro embaçado, seu reflexo não moveu o maxilar. Não abriu a boca. Ficou apenas parado, numa expressão indefinível.

Madalena sobressaltou-se, dando um passo para trás. Bateu a cabeça na parede, horrorizada de susto. Mas o descompasso no coração e a dor aguçaram seus sentidos. De alguma forma, seu reflexo parecia ter voltado a agir normalmente.

– Que loucura é essa? É o cansaço, é isso… preciso dormir logo!

Ficou sob a água quente, tentando controlar a tremedeira. Mas a água a incomodava. Era diferente. Tudo era diferente. Sabia que teria que se acostumar com a nova realidade, mas por alguns instantes fechou os olhos e lembrou-se de casa: a mãe olhando o bolo pelo vidro do forno, seu quarto abarrotado de apostilas do curso pré-vestibular, doadas por alguém, o tricô durante a novela, o amor aos pedaços de sobremesa… coisas que não voltariam mais.

Acabara de ensaboar o rosto, quando a porta do banheiro gemeu. Um barulho seco, como se alguém houvesse dado um leve chute.

Com o novo susto, arregalou os olhos e a dor imediatamente a atingiu. Mas entre a dor e o pânico de haver um desconhecido no quarto, a escolha era fácil. Só que ardia.

– Quem está aí? – gritou com verdadeira esperança de conseguir uma resposta.

Encolheu-se contra a parede, sentindo-se fraca e acuada. Sabia que não poderia ficar naquela situação para sempre, mas o corpo teimava em não obedecer. Ouviu um segundo “chute”, outro barulho seco, dessa vez um pouco mais alto.

Não tinha escolha, senão ver o que seria aquilo. Desligou a ducha, enrolando-se na toalha o mais rápido que pode. Encostou o ouvido na porta, na vã tentativa de escutar algo que lhe desse uma pista sobre quem estivesse do outro lado.

No espelho, o vapor formava pequenas gotas que escorriam lentamente. Madalena sabia que o cansaço e o medo provocavam alucinações, distorciam os sentidos. Por isso mesmo piscou algumas vezes, tentando clarear a visão: aquilo não era possível. Parecia haver algo escrito na condensação do vidro. Algo que ia se formando à medida que as gotas d’água desciam… uma palavra… boquiaberta, finalmente conseguiu ler:

“SAI”

Tomada pelo terror, abriu a porta de supetão, orando para que quem que estivesse do outro lado tivesse misericórdia.

Jogou-se sobre a cama, encolhendo-se num canto. Tremia e chorava baixinho, com medo de abrir os olhos, apavorada.

Mas ninguém a atacou, nem houve qualquer outro barulho: apenas o silêncio, quebrado por seu choramingo. Já pensava no pior: enlouquecera. A morte da mãe havia sido demais para ela? Um ataque dos nervos, certamente… só poderia ser.

Tentava consolar-se com esse pensamento, quando ouviu o mesmo barulho novamente: a mesma batida seca, mas agora embaixo da cama. Soltou um gemido baixo, temendo não sabia bem o quê.

Aos prantos, deitou-se devagar, preparando-se para o inevitável: precisava ver quem estava sob a cama. Ou o quê. Ladrão? Rato? Centenas de possibilidades cruzavam sua mente, nenhuma delas agradável.

À medida que sua cabeça descia pela lateral da cama, uma imagem horrenda formava-se defronte seus olhos: um corpo translúcido, nu, com a cabeça virada para a parede, de forma que não podia distinguir seu rosto. Mordendo os lábios até sangrar, numa tentativa de segurar o grito de pavor, Madalena observava aquele estranho ser.

Petrificada, conseguiu distinguir mais detalhes: o corpo não tinha braços nem pernas. Era apenas uma cabeça com longos e ensebados cabelos pretos e um tronco. Os braços haviam sido decepados bem rente ao ombro, dando uma impressão canhestra àquela figura. Já as pernas eram pouco mais que um aleijão, ambas cortadas logo abaixo dos glúteos. Era uma mulher!

Podia perceber um leve arfar, um subir e descer do peito, como se respirasse. Mas a vida já havia se esvaído daquela pobre coitada há tempos, notava-se. Madalena não conseguia piscar, nem desviar o olhar, muito menos mudar de posição. Seu terror era infinito.

A figura, então, num espasmo, bateu com a cabeça contra o estrado. Apesar de reconhecer o barulho, Madalena não conseguiu escapar da surpresa – e do grito que a acompanhou.

O brado não passou despercebido pelo espectro, que se imobilizou. Lentamente, como se temesse assustar a viva, virou a cabeça até encarar Madalena. Um rosto descarnado e de órbitas vazias esboçou um sorriso banguela.

Madalena, sem saber o que fazer, iniciou um movimento de recuo, pensando em voltar à posição fetal sobre a cama e, de alguma forma, esquecer aquele horror. Mas o espectro, percebendo a ação, debateu-se em violentos espasmos, em gestos desajeitados e terríveis, batendo a cabeça contra o chão e o estrado, alternadamente, gritando o que ficaria gravado na alma de qualquer ser vivo que escutasse: “Sai daqui! SAI DAQUI!”.

De um salto, Madalena alcançou a porta do quarto e ganhou o corredor. Em disparada, gritava por socorro, tendo apenas a claridade vinda da porta do seu quarto para quebrar o breu.

Chorava copiosamente enquanto tentava abrir as várias portas. Uma por uma, as encontrava trancadas, enquanto se aprofundava no casarão, ouvindo o grito agonizante do espectro.

Depois de dezenas delas, sem mais forças para chorar ou forçar a maçaneta, deixou-se cair de costas contra a última. Os olhos pregados na porta do seu quarto, a metros de distância.

Enrolou-se o quanto pode na toalha, tremendo de frio e medo. Sabia, por conta da escola dominical, que o melhor a fazer nas horas de desespero era orar. Acreditava nisso agora, fervorosamente. O Senhor Jesus não a desampararia naquela hora de necessidade. Já havia lhe tomado a mãe, não haveria de ser o suficiente?

Para sua aflição, a canhestra figura apontou na porta do quarto. Não gritava mais, apenas a encarava com o rosto podre e sem olhos, meio translúcido. Vinha se arrastando com dificuldade, serpenteando desajeitadamente sobre o assoalho.

Incrédula, reuniu forças para colocar-se de pé e forçar a maçaneta. Precisava abrir aquela porta, a última do corredor. Chutou a madeira até descolar uma das unhas. Num esforço desesperado, a porta abriu-se de repente e ela rolou escada abaixo, até estatelar-se no porão.

A luz branca das lâmpadas fluorescentes a cegava. Tentando colocar-se de pé, tateava a parede quando uma voz conhecida a interpelou:

– O que faz aqui, meu amor? E nesses trajes?!

Era sua tia, Vera.

– Graças ao Senhor Jesus, é a senhora! Me ajuda, ela está atrás de mim!

– Calma, minha querida, calma! O que está acontecendo?

Enquanto Madalena contava sua desventura, a tia a conduzia até uma maca, fazendo com que se sentasse. Seu olhar era tranquilo, de um azul que acalmaria a ira do próprio Caifás.

– Você está cansada, meu amor. Seus últimos dias foram tão difíceis, não é? Então… é isso. Descanse aqui um minutinho, eu vou buscar um copo de água e um roupão pra você.

– Não! Não! Não me deixa aqui sozinha, por favor, tia!

– Não vou deixar, calma! – o sorriso era dócil e autêntico – Tenho tudo o que você precisa aqui mesmo.

Com os olhos mais adaptados à claridade, viu a tia atravessando o porão até um armário. Em volta, equipamentos médicos e outra maca. No canto, um balcão de mármore com uma enorme pia de aço inox.

A tia voltou com um copo de água, um comprimido e um avental de paciente.

– Toma, vai te acalmar. Vai te fazer bem. E veste isso, é melhor que ficar enrolada numa toalha molhada.

– Obrigada, tia. – disse, enquanto tomava o comprimido. Sentia frio agora e os músculos já começavam a reclamar.

– Isso, meu amor. Agora, fique deitadinha aí. Eu não vou sair do seu lado, tá bom?

Sentia-se melhor, com a tia ali do lado, segurando sua mão. Aquela loucura toda parecia cada vez mais distante.

– Sabe, minha querida, há anos eu dirijo esse orfanato. E por muito tempo eu chorava toda noite, orando para que o Senhor Jesus me iluminasse e me desse forças para continuar. Houve época que não tínhamos dinheiro nem para pagar a energia elétrica. Não cortavam a luz porque tinham dó da nossa situação. Você está mais tranquila, né?

Madalena sentia a cabeça leve. A voz da tia era um alento, depois daquele dia horrível.

– Esse calmante é muito bom, muito bom. Então… daí, um dia, um médico veio conversar comigo. Nossa, que homem bom! Era sueco, mas falava muito bem a nossa língua. Começou a frequentar a igreja e, sabendo das nossas dificuldades, veio ajudar.

“Segundo ele, havia uma forma de manter as meninas aqui do orfanato, com água, comida, luz, roupas… tudo, tudo. Mas que uma ou outra teria que se sacrificar… e de sacrifício eu entendo, ah se entendo… a ideia era simples: existe uma… condição… uma parafilia, que é como chamam isso. Algumas pessoas sentem atração por corpos mutilados. Sem pés… sem braços… sem pernas… Acrotomofilia é o nome. E esse nosso benfeitor conhecia muita gente que pagaria um bom valor por uma menina nessas condições, você entende?”

Madalena mal discernia o que a tia falava. Sua voz estava distante, escondida por uma bruma de sonolência. Tentou balbuciar alguma coisa, sem conseguir.

– Então. O que nós fazemos aqui, nesse porão, é justamente isso. Nosso benfeitor aparece a cada cinco ou seis meses para fazer o procedimento… e eu já deixo a menina preparada para ele. São órfãs, ninguém sente falta. Nos registros, coloco que a menina fugiu e pronto, ninguém liga. No começou eu chorava e chorava… mas é como dizem: o Senhor escreve certo por linhas tortas, não é? Um sacrifício que salva centenas de outras. É uma bênção, na minha forma de ver. E sempre chegam outras e mais outras…

Vera levantou-se, voltando com um boticão.

– Ele me ensinou a dopar as meninas. Ninguém quer mais sofrimento que o necessário, não é? Então… e eu faço a extração dos dentes. Tiramos todos. Sabe como é… – baixando a voz, como se fizesse uma confidência para a sobrinha – sem os dentes elas não podem morder os… ah… você sabe… as partes íntimas dos seus donos.

“Não me olhe assim… todas têm uma vida muito boa, depois do procedimento. A vida útil é de mais de dois anos, sem sofrimento, tendo comida boa, na hora certa… tem até um tipo especial de comida, você sabia? É, minha filha, é uma ciência!”

Quando acordou, Madalena não sentia as mãos. Nem os pés. Nem as pernas. E sua boca estava estranha… “oca”… estava deitada sobre um colchão d’água, num quarto sem janelas, com uma fraca lâmpada incandescente.

Madalena só ouviu uma voz masculina:

– Já era hora de acordar.

Dizem que ruivos não têm alma, então ela só poderia ser um anjo. Um anjo que tremia de frio, segurando a pequena e surrada mala, vestindo uma longa saia jeans e uma blusa de mangas compridas, remendada na gola.

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34 comentários em “Amor aos Pedaços (Marcellus Pereira)

  1. Marcellus
    16 de janeiro de 2014

    Bem, este foi meu segundo conto este mês. Como escrevi nos comentários de “Daemons”, como senti que de fato havia mais FC que “fantasmas”, essa ideia ficou martelando minha cabeça até que precisei colocar algo no papel.

    Infelizmente, só consegui “parir” nas últimas horas do desafio, o que levou ao terrível erro do último parágrafo: um resquício do rascunho que deveria ter sido apagado. Isso me daria, inclusive, algumas palavras a mais e evitaria a correria do final. Aquilo me desconsolou. 😦

    De qualquer forma, a intenção com este texto era muito simples (apesar de desproporcionalmente difícil): causar uma reação no leitor. Não uma reação qualquer, mas horror mesmo, no sentido de “credo, não devia ter lido”. E acho que consegui com alguns, o que é um alento, mesmo tendo provocado risos no Tom Lima… 8-).

    Como única curiosidade que valha a menção: a “lenda urbana” das “dolls” ou das pessoas (geralmente mulheres) que são mutiladas para servirem de brinquedos sexuais. Do pouco que pesquisei, a coisa parece sim ser verdadeira. Como também são outras dezenas de atrocidades espalhadas nas profundezas da rede Tor (o que alguns chamam de “Deep Web” ou “Dark Web”). A boa nova é que isso me inspirou a criar vários contos ambientados na Casa Missionária Duvel…

    O saldo positivo do desafio: talvez eu tenha aprendido a gostar de contos de fantasmas, afinal. 😉

    Mais uma vez, muito obrigado a todos pela leitura e, principalmente, pelos comentários.

    • Marcellus
      16 de janeiro de 2014

      Um detalhe, que esqueci: os nomes! Queria ter colocado apenas nomes bíblicos, mas não tinha tempo para a pesquisa.

      “Jó”, o nome do autor, veio do filme “The Jacob’s Ladder” (“Alucinações do Passado”), por uma associação tresloucada de ideias.

      “Duvel”, como todo conhecedor de cervejas sabe, significa “diabo”.

  2. Frank
    15 de janeiro de 2014

    Caracas, acho que esse foi o que me deu mais medo…hahaha. Que coisa era aquele fantasma?

  3. Weslley Reis
    15 de janeiro de 2014

    Interessante a alusão a “lenda” da Boneca Lolita oriunda da Deep Web. Não sei se é real, mas me dá nauseas. Por outro lado, no quesito ficção foi muito bem empregada, gostei muito do resultado do conto.

  4. Paula Melo
    14 de janeiro de 2014

    Conto gostoso de se ler.
    Confesso que me deu medo em algumas partes,rs.

    Parabéns e Boa Sorte!

  5. Caio
    14 de janeiro de 2014

    Olá. Que escrita boa, amigo, gostei muito. Passou uma sensação de conto mesmo, indo sem pressa, contando as coisas aos poucos, dando tensão e suspense, bastante benfeito. Escritor tem cada enredo, né? Nesse desafio tem alguns já que escolheram retratar essas preferências doentias no sexo. É interessante, algo que ninguém na mídia geral explora, só os escritores ‘underground’ mesmo, to percebendo. Mas eu achei muito bem construída a reação da personagem, e o conto me passou uma certeza na narrativa que me deixou pensando que o autor manja mesmo. Abraços

  6. Marcelo Porto
    14 de janeiro de 2014

    Um belo conto de terror.

    Mesmo com a explicação padrão dos vilões no terceiro ato, a narrativa foi eficiente. O clima de suspense me prendeu até o final, mas me pareceu que o fantasma foi inserido depois da história pronta.

    Fiquei aguardando o fantasma fazer algo depois da explanação da tia do mal, mas ele simplesmente deixou de existir quando a protagonista caiu no porão.

    Vale a leitura.

  7. Raione
    11 de janeiro de 2014

    O conto conseguiu me prender, pôde criar uma atmosfera, a narração permite visualizar tudo, não se afoba ao mostrar a criatura fantasma, é tudo conduzido numa escrita cuidadosa. Apenas o longo relato da tia Vera (personagem bem construída, caricata na medida certa) é que é bem parecido com o esclarecimento de todo um plano maligno que vilões canastrões sempre dão, e como a garota já está meio desacordada, fica difícil justificar o falatório pelo sadismo. De resto, apesar de retratar algo meio batido, acho que o conto cumpre seu papel, é uma boa narrativa de horror. Ah, bem bacana o trocadilho feito com o título.

  8. Pedro Luna Coelho Façanha
    11 de janeiro de 2014

    Gosto de contos assim. Tensos. História macabra. Parabéns.

  9. Pedro Viana
    6 de janeiro de 2014

    Se não um dos melhores contos, certamente uma das melhores narrativas. Tensa, convincente, detalhes certos nas horas certas, dinâmica, amarrada… Perfeita! A história é boa, porém não me surpreendeu. Os personagens foram bem construídos e o final foi condizente (desconsiderando o último parágrafo, como pedido). Agora é fazer mirabolâncias para encaixá-lo no meu top 15 que já tem 18 contos, rsrs. Parabéns!

  10. 3 de janeiro de 2014

    Relembrando: pessoal, na pressa de enviar o conto, deixei de apagar uma parte referente ao rascunho, que não existe na versão final do texto. Me perdoem. Por favor, desconsiderem o último parágrafo. 😦

    • Ana Google
      11 de janeiro de 2014

      Jó, desculpe-me, não leio os comentários para não influenciar o meu. Só hoje vi que foi um equívoco mesmo. Abraço.

  11. Ana Google
    3 de janeiro de 2014

    E esse ultimo parágrafo? Não entendi… Parece que foi colocado de forma aleatória no texto!
    Bem, não sou fã de historias de terror, mas reconheço que esse é um ótimo conto do gênero. Embora não seja um dos meus favoritos, reconheço a capacidade do autor, só que não costuma ser o tipo de texto que costumo gostar! Sorry!

    De qualquer maneira, parabéns pela obra!

  12. Cácia Leal
    2 de janeiro de 2014

    Um bom conto, um tanto divertido, mas, infelizmente, não me cativou. Boa sorte.

  13. Leandro B.
    1 de janeiro de 2014

    Sobre os pontos positivos e negativos: A escrita está bem convidativa. O (a) autor (a), aparentemente, já possui experiência. No início, contudo, alguns elementos utilizados me pareceram um pouco… desgastados. Por exemplo, a palavra escrita no espelho do banheiro. O que achei estranho é que, apesar de um clichê, o autor descreveu o acontecimento com bastante competência, daí a minha impressão de que já tem bastante bagagem.

    Quanto ao restante do texto: acho que está perfeito. A personagem se mostra bem carismática e a cena em que o fantasma se apresenta está muitíssimo bem feita. Acho que a motivação da tia foi condizente com o espaço que o autor podia utilizar no texto. Achei que a coisa rumaria para a venda de órgãos, mas nos é entregue essa outra bizarrice de forma fria e natural. Assustador.
    Só um outro pequeno detalhe: Não consegui imaginar a personagem dizendo: “– Vá logo, antes que gaste toda a água quente do prédio.” E seu reflexo não se movendo. A frase é grande demais, ela teria percebido que a boca não se movia antes de chegar na metade dela. Entende o que quero dizer? A menos que, sei lá, ela estivesse olhando para a pia e só fitasse o espelho no final da frase (o que não parece ser o caso, afinal, ela encara seu reflexo antes). É um detalhezinho bobo, mas tirou um pouco o impacto da cena para mim.

    Enfim, uma narrativa convidativa, uma personagem carismática (torcemos por ela, talvez, por se mostrar bem humana), um fantasma apresentado de maneira original e uma conspiração bizarra e interessantíssima.

    Um excelente conto. Parabéns e boa sorte.

  14. Felipe França
    31 de dezembro de 2013

    Conto bem elaborado e muito bem escrito. Até a metade da trama me simpatizei imediatamente com a protagonista, o autor soube transmitir com maestria seu carisma, contudo, não esperava por este final denso. Só achei que o motivo da tia da personagem para manter o orfanato podia ser um pouco mais trabalhado. Parabéns pela a obra e boa sorte!

  15. Gunther Schmidt de Miranda
    31 de dezembro de 2013

    Um conto tenso… Pesado… Mas, sem sombra de dúvida, alcança o objetivo. Parabéns. Boa sorte.

  16. Charles Dias
    31 de dezembro de 2013

    Conto interessante com base numa lenda urbana. Bem escrito, com uma boa dose de suspense. O problema foi o horizonte de tempo do conto. Mal a menina chega já encontra um fantasma, a tia que não a vê há anos confidencia os crimes que comete e acaba sendo “preparada” para um cliente … putz, muita coisa para pouco tempo, isso precisa ser melhor trabalhado. De qualquer forma é um bom conto.

  17. Ricardo Gnecco Falco
    31 de dezembro de 2013

    Um conto HORRÍVEL.
    Credo; dá nojo só de imaginar. Espero que o autor não fique com traumas (ou distúrbios) por ter certamente pesquisado sobre o assunto e, consequentemente, entrado em “contato” com tais práticas. Contato, inclusive, que eu dispenso ter, totalmente.
    Agindo friamente, posso dizer que o conto está bem escrito, mas não costumo preferir contos com esta temática a outros mais “edificantes”, embora compreenda que toda obra criativa tenha o seu valor. Apenas eu que, particularmente, não tenho o costume (nem o desejo) de valorizá-las…
    Então, parabenizo o autor pela escrita, embora enfatize que, utilizando sua imaginação e capacidade de expressão para “o lado bom da Força”, certamente obteria um melhor resultado!
    😉
    É isso…

  18. Gustavo Araujo
    31 de dezembro de 2013

    Conto muito bem elaborado, brilhante na criação da atmosfera de terror que o permeia. Gostei bastante. Dá para perceber o medo de Madalena em cada linha, além do sadismo da tia Vera. E o tempo todo o fantasma tentando avisá-la do perigo… Legal mesmo. Apenas uma coisinha me pareceu fora do esquadro – a imagem de Madalena no espelho, aquela que não acompanha o sorriso. Não sei… A mim pareceu despropositada tal cena, já que, aparentemente, não influencia no desenrolar da história (embora, na verdade, tenha sido o trecho mais aterrorizante do conto 🙂 )
    O pior, como já disseram, é imaginar que a prática descrita é recorrente em diversas situações por este Brasil afora =/
    De todo modo, um conto muito bom. Like imediato. Parabéns!

  19. Edson Marcos
    30 de dezembro de 2013

    Ótimo conto! Assustador e também asqueroso, por nos fazer imaginar qual seria o limite para a crueldade humana. Acrotomofilia: onde você achou isso, pessoa?
    Quando a imagem do fantasma se forma na mente é arrepiante, e o conto já tinha me conquistado com isso; quando veio o desfecho então…
    Já sabia que a tia era do mal, mas não imaginei que seria tanto!
    Assustou, surpreendeu e revoltou. Tá na minha lista. Parabéns!

  20. Tom Lima
    30 de dezembro de 2013

    Gostei bastante.

    Me lembrei do Cavaleiro Negro, de Em Busca do Cálice Sagrado. 🙂

    Foi muito bem escrito e cria bastante tensão.

    Em alguns pontos é previsível e usa alguns clichés, mas isso não chega a prejudicar o conjunto.

    Parabéns.

  21. Thata Pereira
    30 de dezembro de 2013

    ** PODE CONTER SPOILER **

    Nossa, ainda bem que não li esse conto de noite, eu não dormiria. Eu também estranharia a reação da menina ao ouvir os barulhos, mas levando em consideração o trauma que ela passou, a mudança repentina de vida, considero possível. Assim que ela entrou no porão e encontrou a tia, já desconfiei de algo. Mas nunca pensei que fosse algo assim…

    Ele me lembrou o relato que um antigo amigo me fez sobre um filme, onde um cara constrói uma Centopeia Humana. Viva! rs’ É o tipo de coisa que você imagina, mas NUNCA quer ver, nem em fotografias.

    A pior parte é admitir que essas coisas acontecem de verdade. Parte o coração. Já que não posso fazer nada significante quanto essas coisas, prefiro não saber. Mas gostei muito do conto.

    Boa Sorte!!

    • Leandro B.
      1 de janeiro de 2014

      Esse filme é bizarro haha

      E mais bizarro ainda é o fato de ter continuação rs

      • Thata Pereira
        1 de janeiro de 2014

        Uma continuação mais bizarra ainda, pelo que fiquei sabendo… rsrs’

  22. Bia Machado
    30 de dezembro de 2013

    Gente, que medo desse conto!!!! E só eu acordada aqui! Sério que isso existe na vida real? Não duvido de mais nada com relação ao ser humano, que triste! Ainda bem que o autor explicou com relação ao último parágrafo, eu já estava achando que era apenas alucinação da menina, aí ia ficar bem brava! Foi uma narrativa muito boa de ler, só tenho umas coisas pra perguntar: a criatura era o quê, alguém tentando avisá-la do perigo, é isso? Corajosa essa menina, porque se “algo” escreve SAI do nada no vapor do espelho, mas nunca que eu ia me deitar na cama e, ouvindo barulho, eu não duvidaria nem um instante de que aquilo NÃO era um rato, NEM um ladrão. Mas parabéns! E difícil um texto, mesmo com terror/horror, me fazer ter essa sensação de desconforto e medo da forma como senti. 😉

  23. Marcellus
    29 de dezembro de 2013

    O conto não é ruim, a história é interessante e bem construída. Mas precisa de alguma revisão (e o próprio Jó comentou que enviou apressadamente), o que tira um pouco do prazer da leitura.

    Boa sorte ao autor.

  24. Claudia Roberta Angst - C.R.Angst
    29 de dezembro de 2013

    AI, que medo! Ainda bem que li agora os outros comentários e encontrei a explicação para o último parágrafo que não devia existir. A narrativa cresce com o terror acompanhando os olhos do leitor. Será que durmo esta noite???? Boa sorte!

  25. Inês Montenegro
    29 de dezembro de 2013

    Ah, bem estranhei o último parágrafo. Mas tendo já lido a explicação, será desconsiderado =)
    Tive conhecimento destas… práticas há mais ou menos um ano, lembrei-me imediatamente delas aquando a aparição. Tive certeza que a tia se encontrava envolvida no assunto devido à quantidade de vezes que a sua capacidade calmante foi referida, se há intenção que o leitor o saiba, não será problema, mas se não, talvez seja melhor rever isso.
    O enredo encontra-se muito bem estruturado, o “horror” crescendo gradualmente tanto na personagem quanto no leitor, até culminar no final que afinal se revela humano e não sobrenatural.

  26. Jefferson Lemos
    29 de dezembro de 2013

    Sinistro! rs
    Gostei do conto e li fácil, com um pouquinho de terror embutido.
    Parabéns ao autor e boa sorte!

  27. Ryan Mso
    28 de dezembro de 2013

    Nossa, esse chegou até a me evocar o medo… Meus parabéns, de verdade. Está na minha lista!

  28. 28 de dezembro de 2013

    Pessoal, na pressa de enviar o conto, deixei de apagar uma parte referente ao rascunho, que não existe na versão final do texto. Me perdoem. Por favor, desconsiderem o último parágrafo. 😦

  29. susyramone
    28 de dezembro de 2013

    Excelente! O melhor conto que li até agora, parabéns! Remeteu-me à segunda temporada de American Horror Story e olha… Quando eu descobri sobre as “dolls” há alguns meses, fiquei noites sem dormir pensando em tamanha atrocidade. Bom, seu conto é sensacional. Parabéns mais uma vez!

    • Thata Pereira
      30 de dezembro de 2013

      Tô com a segunda temporada para ver Susy, louca para ver a terceira. Amo a primeira… rs’ Mas e a coragem? Vou assistir só durante o dia. rsrs’

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Publicado às 28 de dezembro de 2013 por em Fantasmas e marcado .