EntreContos

Detox Literário.

Sr. Villari (Raione Pedrosa)

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Escutei a história em conversas com um amigo ao longo de quase um ano, em ocasiões fortuitas nas quais era retomada por diferentes maneiras, como variações de uma mesma piada, cujos elementos são trocados sempre que é contada. Surgiu pela primeira vez sob a forma de um comentário a respeito de uma expressão muito usada em discussões envolvendo direito de herança, da qual lançam mão testamenteiros, advogados, filhos, cônjuges, amantes, irmãos, sobrinhos, cunhados. Na ausência de. Descreve, como se sabe, uma situação ao mesmo tempo hipotética e esperada, serve de introdução à partilha de bens. Mas naquela noite em que conversávamos à mesa de um bar, o que intrigava Tomás era o aspecto insólito da expressão, quando tomada literalmente. Na ausência de. Como se a ausência fosse um lugar, quem sabe habitável, ou uma mesa nua sobre a qual poderíamos estender uma toalha, dispor pratos, talheres, um jarro com flores. Se algo assim fosse possível, me disse Tomás, eu diria que fui amigo de infância e de juventude de um homem que havia se instalado numa ausência.

A partir daí Tomás me contou como uma obsessão pelo irmão moldou a existência do amigo. Era como se ele quisesse reconstituir a vida do irmão com sua própria vida, me disse. Cerca de treze anos separavam seus nascimentos, e o caçula contava doze quando o irmão morreu em circunstâncias heroicas, enquanto tentava trazer para as margens de um rio um homem que se afogava. Mesmo antes da perda o menino era aficionado por ele. Tomás não pôde evitar uma risada áspera ao dizer que o amigo danificara sua visão insistindo em usar, longe da vigilância dos pais, os óculos de grau do irmão. Mas o processo de apagamento de uma personalidade original foi facilitado pelo golpe desferido sobre a família. Era de cortar o coração ouvir sua mãe chamá-lo, como de dentro de um sonho, como faria alguém com a alma em farrapos, pelo nome do filho morto. É difícil descrever, me disse Tomás, a sensação nauseante que eu sentia ao presenciar cenas como essa, cenas do que me parecia ser uma humilhação tremenda.

Embora tenha comparado o relato de Tomás a uma piada constantemente reformulada, trata-se, no fim das contas, de uma história trágica, em alguns trechos duplicada. Aos vinte e seis anos, então na mesma idade com a qual o irmão morrera, o amigo de Tomás se envolveu com uma mulher mais velha, uma artista plástica. Durou pouco. O término ocorreu por causa de um poema, recitado para a pintora quando os dois se encontravam deitados na cama. A reação da mulher pareceu um pouco histérica num primeiro momento, e logo se reduziu a uma expressão desolada. Imagino-os sentados à mesa da cozinha (aonde foram a fim de dissipar o nervosismo), é madrugada, fumam e falam sobre o poema. Ele confessa que os versos foram escritos pelo irmão, e embora não compreenda o que se passa, a entonação de sua voz trai um sentimento de orgulho.

Alguns anos antes, ela estava prestes a abandonar a faculdade de arquitetura e representava o papel da jovem esposa irremediavelmente infeliz com o casamento. Foi quando conheceu o irmão mais velho. A clandestinidade do amor que surgiu entre eles explica por que o outro irmão não fazia ideia da existência daquela pintora, por que via naquela mulher de meia-idade que ia buscar a filha ao fim de uma aula particular de literatura, um rosto ainda assombrosamente bonito mas desconhecido. Não é como se ele, por uma ironia do destino, tivesse alcançado o que inconscientemente perseguia, quer dizer, viver aquela vida interrompida, que não era a sua?, perguntei a Tomás. O fato é que se separaram. Ao menos sobre ela a revelação deve ter recaído como um fardo, como a insinuação de que sua vida seria uma fantasmagoria. Mesmo ele não poderia se furtar à ideia de usurpação.

Convenci Tomás a me deixar gravar uma espécie de depoimento seu. Pretendia resgatar, de alguma forma utilizar aquela história de irmãos. Quando veio ao meu apartamento, Tomás me trouxe um volume de poemas selecionados por seu amigo (que fora incansável na tarefa de publicá-lo) a partir de cadernos e cartas do irmão. Disse que eu deveria esquecer os nomes próprios, o suicídio do irmão mais novo (ele aplicou até o fim o princípio da simetria entre as duas vidas submergindo naquele mesmo rio) fora um segundo golpe inesperado pela família, que não valia a pena reavivar, e talvez a pintora ainda estivesse viva. Relutei até aqui em nomear os irmãos, não somente por causa dessas considerações, uma vez que poderia ter recorrido a nomes falsos, mas por ainda não conseguir vê-los nem mesmo como personagens, algo além de apontamentos num estudo para um conto. Gravamos nossa conversa naquela tarde, a fala harmoniosa de Tomás, contida, com inflexões quase perfeitas.

Nunca pude acomodar os irmãos em meio as coisas que escrevia, assim como jamais encontrei em mim a capacidade de contar sua história em primeiro plano, distendendo uma por uma as frases de Tomás. Durante um par de anos esse material ficou completamente esquecido, para só voltar à memória de modo desconcertante, quando fui ver Ángel no quarto (uma quitinete) em que ele vivia provisoriamente. Naquele dia notei, sobre a surrada mesa na qual ele trabalhava e fazia suas refeições, um pequeno livro de capa escura, que trazia ao centro uma fotografia em preto e branco, o autor escorado contra um muro numa tarde ensolarada, que os olhos estreitados, como naqueles momentos em que é difícil suportar a luz, denunciavam. Ángel não sabia dizer onde tinha conseguido aquela seleção de poesia. Meus livros, meus poucos livros, estão sempre em trânsito, ele me disse, são pombos que espero que retornem, ou então aquelas garrafas com bilhetinhos atiradas ao mar, embora essa imagem faça menos sentido, muito menos. Apenas os dicionários nunca deixam minha mesa, porque sem eles eu não poderia trabalhar. Perguntei se ele conhecia a história da publicação do livrinho. Não, não conhecia, sequer se lembrava de tê-lo lido. Duzentos exemplares, segundo Tomás, formavam a tiragem daquela edição, o que fazia daquele livro, ali sobre a mesa, um objeto bastante improvável.

À medida que ia desfiando a história dos irmãos, o interesse de Ángel crescia, estampando-se num sorriso em seu rosto, a ponta de um iceberg interno de perplexidade. Trata exatamente disso o romance que venho traduzindo, ele me disse, sem desfazer o sorriso e com o olhar fixo no assoalho, quando acabei minha história. Ángel é um jovem tradutor e poeta. Dedicava-se então à tradução de uma obra de um escritor argentino contemporâneo, até ali desconhecido por mim. Tinha em mente duas ou três editoras às quais poderia oferecer o resultado de seu trabalho, mas era tudo muito incerto, de maneira que a obstinação com que Ángel continuava a traduzir, numa situação financeira cada vez mais complicada, um romancista assombroso mas obscuro, só se torna compreensível quando nos damos conta de que a tradução é o núcleo da própria poesia produzida por Ángel, parte integrante do seu projeto poético, se é que posso me expressar dessa forma. A conversa que se seguiu me permitiu ver que Ángel, à maneira de um toxicômano, transpirava em seu comportamento, em sua fala, em seus versos, as propriedades daquele original argentino ao qual vinha se expondo por horas dia após dia. É a mesma história, dois irmãos, a intersecção de duas vidas num mesmo amor ou num mesmo objeto de amor, a natureza inexorável do destino, a sensação de estar vivendo uma outra vida e, acima de tudo, o pressentimento de que é verdade que nossas vidas não nos pertencem. A mesma história, repetiu Ángel, mas sob uma luz estranha, como um gêmeo espiritual do que você me contou, porque o autor só empresta sua voz à mulher-pintora-narradora.

Voltei ao meu apartamento debaixo de uma chuva torrencial. Naquela mesma noite, vasculhei o velho computador atrás da gravação feita anos antes. Ainda com os cabelos molhados, dei o comando para que o programa executasse o arquivo de áudio, e dentro de poucos segundos a voz gravada de Tomás avançou pelo ar do quarto. Se esta fosse uma história de fantasmas, conviria que aqui entrassem ruídos perturbadores, que a voz de algum dos irmãos (ou a voz de ambos numa simbiose horrível) emergisse das caixas de som como se do leito de um rio, abissal, quase liquefeita, ou que um rumor irreconhecível crepitasse ao fundo, como passos perdidos entre ramagem seca, que soariam aos meus ouvidos como alguém sussurrando “friiiioo”. Mas o som da gravação estava claro, limpo, tudo o que se ouvia era a fala pausada de Tomás, minhas intervenções, mãos e poltronas ruidosas. Apenas parecia muito distante a voz de Tomás, agora que estava isolada de seu olhar, de sua presença, dos meneios de cabeça quando lhe perguntava algo. Também havia um certo tom que me passara batido durante a gravação. Em outras circunstâncias, a história tinha soado pitoresca, mas agora me sentia quase envergonhado por ter imaginado o irmão mais novo revelando com orgulho a autoria do poema, como uma tiete adolescente. A história dos irmãos ressurgia perpassada por uma tristeza aguda, vinha à tona uma dimensão repleta de sombras, e pela primeira vez se faziam notar as marcas da tragédia familiar no próprio Tomás. Mais do que nunca me pareceu uma tarefa ingrata rearranjar na escrita aquelas vidas assombradas.

Encontrei Ángel novamente logo depois de sua viagem a Buenos Aires, que lhe consumiu as economias que não tinha. No fundo, a única razão para sua viagem residia na perspectiva de se encontrar com o argentino cuja obra ia traduzindo. Por isso esperava que ele relatasse o encontro, mas embora sua estada na Argentina já houvesse aparecido na conversa, nenhuma palavra sobre o escritor foi dita, de modo que, por fim, decidi perguntar. Marcamos de tomar alguma coisa num café, mas Villari não apareceu, disse Ángel em resposta, depois acrescentou: creio que ao invés de ir até o café apertar minha mão e ter uma conversa ordinária comigo, ele preferiu me contar uma história, assim com sua ausência. Foram instruções precisas as que me passou por telefone, dizendo onde deveria me sentar e a que horas, para que fosse possível me reconhecer, pois seria embaraçante abordar por engano algum outro frequentador do café. Seguindo o roteiro prescrito, me vi isolado num ângulo extremo do lugar, naquela hora do fim da tarde ou início da noite em que a claridade já declinou bastante, quando as luzes elétricas vão se acendendo timidamente e as placas de vidro antes claríssimas ficam opacas e tudo dá a impressão de se ampliar, de vazio e de desolação. Talvez essa sensação de isolamento tenha me levado a pensar, em algum momento das quase duas horas em que me mantive sentado e à espera, que ele estava compondo comigo o cenário de algum quadro. Ángel ficou em silêncio por um breve instante, refletindo sobre o que tinha acabado de dizer, e emendou a conversa com um comentário sobre o método do escritor argentino, ou antes sobre o método de escrita que se evidenciava naquela obra tardia e que consistia numa apropriação dos procedimentos das artes plásticas, mais especificamente, em aproximar texto e pintura. O próprio romance poderia ser descrito em termos de imagem. Quer dizer, a segunda paixão da pintora, o irmão jovem, é phantasma, ou seja, um simulacro, repetição ilusória do amor pregresso.

Pude ler, meses mais tarde, uma cópia do que Ángel considerava ser a versão definitiva de sua tradução. Quando as quatro centenas de páginas estão quase chegando ao fim, numa das raras ou raríssimas ocasiões em que a pintora expõe seus quadros numa galeria, um crítico de arte se aproxima e, mortificado pela curiosidade, observa que é possível identificar, na grande maioria das obras da pintora, um sujeito que se encontra à parte, sempre afastado da cena principal. Às vezes é um homem de chapéu sentado em uma mesa ao fundo do cenário, ou então uma silhueta distante caminhando pela rua depois da chuva, ou ainda uma mão, um simples braço sobre o balcão na extremidade da tela, mas que pressentimos pertencer a ele. Uma presença quase obsedante, mas da qual nada mais na pintura parece se dar conta. Com um bom ânimo inesperado, a artista inclina-se para o crítico de arte, um homem distinto e muito baixo, para dizer-lhe que aquele sujeito não está na maioria de suas obras, mas em todas, ainda que em algumas ele não se encontre dentro dos limites da moldura e só denuncie sua presença uma certa cor que causa estranheza, uma sombra não natural cuja origem aponta para além da tela, como uma nuvem carregada invisível logo acima da franja de céu aberto e claro que se vê na parte superior de um quadro. Ele é quem de fato observa minha arte, ela diz, é a ele que minhas pinturas falam.

Soube de imediato o que esse trecho significava, qual era a moral da fábula. Escutei outra vez (repetidas vezes, por horas a fio, como se decifrasse sílabas de uma outra língua com uma atenção flutuante) a gravação de Tomás, e compreendi por que sua voz parecia tão distante, vinda de um passado remoto, em ondas através de todo um oceano, ou voltada para alguém no espaço sideral. Quando gravamos, embora estivesse sentado quase ao meu lado, olhasse e gesticulasse em minha direção, Tomás não se dirigia a mim.

Quando publiquei meu primeiro livro, afirmei que meus dedos tinham sido possuídos por um espírito, ao qual dei um nome judeu (para destacar pela incongruência a troça) e a autoria da obra. Embora tenha sido apenas um gracejo, hoje não me ocorreria dizer que psicografei, que uma alma ditou histórias para mim. É provável que aconteça justamente o contrário. Um escritor certa vez declarou que somente se punha a escrever à noite, com todas as luzes da casa apagadas e apenas uma luminária acesa sobre a escrivaninha, de modo que o restrito círculo de luz fornecesse luminosidade suficiente para o trabalho e, ao mesmo tempo, permitisse aos fantasmas se acomodarem confortavelmente na penumbra do gabinete. Toda história é rondada por ausências. O ouvinte de uma história é sempre um morto, o verdadeiro interlocutor implícito. Talvez aí esteja a origem daquela obscuridade que ensombrece mesmo o conto mais ortodoxamente realista: entendemos apenas pela metade aquela carta que, por ter vindo parar em nossas mãos, supomos ter a nós como destinatário, quando este é na verdade um outro, um outro que pousa as mãos em nossos ombros enquanto distraídos estamos lendo. Mas já é tarde, e é melhor encerrar isto. Peço que o senhor me desculpe se aqui não pude ultrapassar os esboços, abandonar as digressões, para então de fato lhe dar uma história, senhor Villari.

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52 comentários em “Sr. Villari (Raione Pedrosa)

  1. Frank
    15 de janeiro de 2014

    Obra de um autor muito habilidoso. Gostei da leitua apesar de ter achado um pouco confuso. Boa sorte.

    • Raione
      17 de janeiro de 2014

      Obrigado, Frank!

  2. Paula Melo
    14 de janeiro de 2014

    Primeiramente Parabéns ao autor pela escrita.
    Conto cativante que possibilita o leitor viajar no mundo do conto.

    Boa Sorte!

    • Raione
      17 de janeiro de 2014

      Obrigado, Paula!

  3. Marcelo Porto
    13 de janeiro de 2014

    Não consegui captar a mensagem digníssimo mestre. Não estou sendo irônico, o estilo da narrativa é de quem domina a arte e pelos comentários elogiosos, foi escrito por alguém que sabe passar a mensagem.

    Mas não consegui me envolver com o conto. Li até o final e voltei algumas vezes para ver se tinha perdido algo importante. Até o momento ainda não achei.

    Se der, ainda voltarei à ele, pois estou curioso para ver o que a galera que viu e gostou tanto.

    • Raione
      17 de janeiro de 2014

      Obrigado pela leitura e pelo comentário, Marcelo!

  4. Cácia Leal
    13 de janeiro de 2014

    O conto está muito bem escrito, com as ideias bem engrenadas e bem dispostas. O autor demonstra experiência na escrita. Merece uma segunda leitura.

    • Raione
      17 de janeiro de 2014

      Agradeço a leitura e o comentário, Cácia!

  5. Leandro B.
    11 de janeiro de 2014

    Como está, achei o conto perfeito.

    Não achei cansativo e, a cada trecho que li, desde a metade, me senti arrepiado. Como o Weslley, poderia dizer que foi o único texto que me assustou. As trocas nas perspectivas narrativas, apresentadas sempre por um mesmo narrador, me lembraram alguns contos do Lovecraft.

    Enfim, certamente estará entre meus primeiros votos. Estou muito curioso para saber quem é o autor. Três nomes me vieram a mente, embora eu acredite que dois não estão participando do desafio desse mês. É provável que eu ainda não conheça o autor, também.

    Parabéns. Ótimo trabalho.

    • Raione
      17 de janeiro de 2014

      Muito obrigado, Leandro!

  6. Weslley Reis
    8 de janeiro de 2014

    Para começar, esse foi o único conto que realmente me assustou, até o momento.

    No começo eu engrenei na história, depois me perdi e quase dispersei, para ser laçado de novo e quase infartar com o final.

    Talvez eu não tenha todo o parecer técnico de alguns comentários que li aqui, porém, no auge da minha ingenuidade, fui laçado por uma história, e outra, e outra, até notar de quem realmente se tratava a histórias nas ultimas linhas.

    Particularmente, achei um conto INCRÍVEL. Diferente da grande maioria que li até agora. Meus mais efusivos parabéns pelo texto.

    • Raione
      17 de janeiro de 2014

      Obrigado, Weslley! Fico contente por você ter curtido.

  7. bellatrizfernandes
    7 de janeiro de 2014

    Gostei da história.
    Realmente, é como uma carta, ou um e-mail, algo casual. Nesse aspecto, nada a declarar. A linguagem está entre o rebuscado e o direto.
    Só uma coisa ficou no ar… O autor argentino era o fantasma? Ou escrevia para o fantasma como os outros? (Se a intenção fosse deixar essa dúvida, acho que tudo bem também).
    Em termos de técnica, acho que você deveria diminuir os períodos e os parágrafos. São longos, penosos de ler. Talvez colocar os diálogos em travessão deixasse o texto mais dinâmico, sei lá.
    Parabéns pelo conto!

    • Raione
      17 de janeiro de 2014

      Obrigado pelo comentário, bellatrizfernandes, pelas sugestões. Quanto ao escritor argentino, ficam as questões.

  8. Edson Marcos
    6 de janeiro de 2014

    Alguns apreciaram sua narrativa, principalmente aqueles que entendem do assunto, por isso dou-lhe os parabéns. Gosto de textos que apresentem uma linguagem mais simples e direta, por isso este aqui não me cativou. Achei a leitura bem cansativa.
    Talvez eu não possua a sensibilidade e até o intelecto necessário para apreciar seu texto como ele merece. Boa sorte.

    • Raione
      17 de janeiro de 2014

      Obrigado pela leitura e pelo comentário, Edson!

  9. Pedro Luna Coelho Façanha
    4 de janeiro de 2014

    Muito bem escrito, mas achei um pouco cansativo… o texto meio que transforma a história em algo travado, quando na verdade por trás das palavras existe algo simples. Mesmo assim, foi um bom trampo. Parabéns.

    • Raione
      17 de janeiro de 2014

      Obrigado pela leitura e pelo comentário, Pedro Luna!

  10. Ana Google
    4 de janeiro de 2014

    Tenho que concordar que o texto é muitíssimo bem escrito, talvez o mais bem escrito desse desafio, mas ele passou MUITO longe de me fisgar. Que me perdoe o autor, que sem sombras de dúvidas é um autor muitíssimo talentoso, mas com a leitura desse texto só tenho algo a pensar: boring. Ele não me convenceu e não consegui me afeiçoar com ele. Não foi por não entender, entendi toda a história, tamanho o esmero do autor em detalhar, mas simplesmente não consegui vibrar na mesma sintonia, não vi nenhum encanto nele.

    Isso é questão de gosto pessoal, não leve a mal, ok?

    Abraço e boa sorte no desafio!

    • Raione
      17 de janeiro de 2014

      Obrigado pela leitura e pelo comentário, Ana, por apontar esse “vazio” do conto, essa monotonia, é algo pra eu refletir bastante.

  11. Tom Lima
    1 de janeiro de 2014

    O melhor que li até agora.

    Gostaria de destacar o parágrafo final e, em letras garrafais, destacar a frase:

    “entendemos apenas pela metade aquela carta que, por ter vindo parar em nossas mãos, supomos ter a nós como destinatário, quando este é na verdade um outro, um outro que pousa as mãos em nossos ombros enquanto distraídos estamos lendo.”

    Quase senti os dedos dele.

    • Raione
      17 de janeiro de 2014

      Hahah Obrigado, Tom!

  12. Ricardo Gnecco Falco
    31 de dezembro de 2013

    É… Talvez este seja um dos raríssimos casos em que um texto (muito) bem escrito não desperta a empatia imediata dos leitores exatamente por causa do imediatismo requerido pela empatia da grande maioria dos leitores.
    … Ficou um pouco confuso? É… Eu também achei.
    Mas, indubitavelmente, este conto é um “achado”.
    Parabéns e boa sorte ao autor!
    . 😉 .

    • Raione
      17 de janeiro de 2014

      Obrigado pela leitura e pelo comentário, Ricardo!

  13. Caio
    31 de dezembro de 2013

    Olá. Meta… eu li e tive a nítida impressão de que estava conhecendo três histórias: a dos irmãos, a do narrador e, por trás, a do autor que teve essas ideias e tentava decidir como as contaria.

    Quer dizer, se um escritor com menos consciência e experiência na arte tivesse a ideia dos irmãos, o que ele faria? Narraria a vida inteira de duas (uma e meia?) pessoas? Seria bem difícil colocar uma história assim em um conto, e provavelmente sairia um texto no máximo bem intencionado.

    Aí vem a ideia de contar pela visão da pintora, mas ainda teria que narrar muita coisa, mostrar muita coisa, e não caberia num conto (talvez num livro de umas 400 páginas?…).

    Então a ideia não teria lugar, a menos que fosse contada exatamente como foi, ditada de um personagem pro outro, não do autor pro leitor. A gente lendo não vê nada, porque o enredo não é mais o dos irmãos, é o do escritor que não sabe como escrever uma história que ouviu de um terceiro.

    E pra mim é por isso que tudo aparece como aparece. É a terceira história correndo paralela, a do autor real – você, Israel -, pensando em como escreveria, denunciada pelos modos como a ideia dos irmãos aparece de novo de jeitos diferentes.

    Aí você somou a ideia do primeiro parágrafo e a da mensagem no final e ficou bem interessante.

    Foi assim que eu enxerguei o texto, e olha, muito engenhoso da sua parte. Quando olhei assim, entendi também o desprendimento do pessoal. A história dos irmãos, mais chamativa, é apenas contada, não é o foco mais. A história do narrador é menos forte e ele não está narrando pra gente, está contando pro interlocutor dele.

    Como experiência literária é algo mesmo interessante, mesmo se o resultado não é tão engajante. Então fiquei nessa, uma história interessante apenas por toda a arquitetação, mas que pra tanto sacrificou a parte conectiva e do entretenimento. Não pude deixar de ficar vendo o autor, Israel, em cada parágrafo, as engrenagens por trás do conto, os tijolos do prédio. Sem imersão, mas uma luz apontada pro próprio processo de criação do conto. Acho isso uma qualidade negativa, quando não consigo me perder no texto, mas pelo jeito foi intencional, então a diferença deve ser conceitual e ai não tem jeito. Boa jogada, mesmo assim, abraços

    • Raione
      17 de janeiro de 2014

      Obrigado, Caio! Acho que você pegou o espírito da construção da história, teceu um comentário agudo, é uma pena que não tenha curtido, mas muito obrigado.

  14. Bia Machado
    30 de dezembro de 2013

    Para mim não funcionou. Gostei dele até o final do segundo parágrafo. Depois disso, as situações foram sendo narradas e eu não me empolguei, apesar de tentar até o final. Acontece, e vejo que a minha sensação não é a da maioria, por isso parabenizo ao autor, da mesma forma.

    • Raione
      17 de janeiro de 2014

      Na verdade, acho que essa é sim a sensação da maioria, Bia, ou de boa parte hahah. É algo que eu gostaria de conseguir com este conto, tornar a história empolgante, forte, significativa, mas não foi dessa vez. Muito obrigado!

      • Caligo Editora
        18 de janeiro de 2014

        O seu conto é muito bonito no conjunto, essa foi ao menos a minha sensação. Eu não sei o que aconteceu comigo, que durante a leitura prestei muito mais atenção na estrutura, na forma de narrar, do que no enredo em si. Daí, foi o que aconteceu: cheguei ao final do conto, mais de uma vez, sem conseguir entender. Fiquei possessa comigo mesma, e até comentei com o Vitor sobre isso. Gosto de contos nesse estilo, mas com o seu foi a primeira vez que li, li, li, curtindo o estilo mas não sendo fisgada pelo enredo, pelo que aconteceu, pelos personagens. Será que fui assombrada pelo fantasma? rsss… É muito bom ver um texto seu por aqui, Raione! Estava com saudades! Você faz falta, guri! Faça o favor de voltar outras (todas as) vezes!

  15. José Geraldo Gouvea (@jggouvea)
    29 de dezembro de 2013

    Sem dúvida o texto é bom, mas não merece a enxurrada de elogios que está recebendo. Acredito que alguns foram feitos seguindo a onda positiva, talvez por receio de discordar de opiniões iniciais muito favoráveis. Muita gente tem receio de romper com a harmonia de uma opinião. Para isso é preciso um iconoclasta, uma criança que zombe do pingolim do imperador.

    Bem, esse cara sou eu. Nunca me esquivei de advogar para o diabo, mesmo sabendo que isso atrai pedras ao meu telhado e faz com que algumas pessoas me tomem pelo que não sou, um ranzinza.

    Mas há coisas que precisam ser ditas, e digo: este texto não é o novo clássico machadiano que o Holloway disse que é. Vindo de quem veio, um elogio tão forte é perigoso, porque mascara as fraquezas do texto. E ele as tem

    É, de fato, um texto um tanto que vai ficando confuso quando avança para o final, até terminar sem sentido, por causa do desaparecimento do irmão sobrevivente. A história fica desconexa. Por que o irmão, que durante anos cultivara a memória do falecido, de repente abandona sua obra diante de um desconhecido, para que a publique?

    A inserção do personagem Ángel me pareceu, também, desnecessária, por quebrar o ritmo narrativo. Bastaria ao escritor ler o romance traduzido e iluminar-se sobre o significado do que olhe ocorrera. Então os parágrafos gastos falando de Ángel precisariam ter sido mais justificados para não ficarem gratuitos.

    Detectei outros defeitos no texto, também, mas espero que agora que o clima de geral louvação foi rompido, alguém mais os procurará.

    • Ricardo Gnecco Falco
      31 de dezembro de 2013

      JG, seu ranzinza!
      . 😛 .

    • Raione
      17 de janeiro de 2014

      Obrigado pelo comentário, José Geraldo! Infelizmente o conto tem sim muitas falhas (se é que funciona direito em algum nível, se é que vale alguma coisa), além de uma capacidade absurda pra entediar o leitor, pra ser nebuloso e maçante, como alguns comentários anteriores já tinham apontado.

  16. Pedro Viana
    29 de dezembro de 2013

    Impecavelmente escrito, sem dúvidas. É um conto muito bom, apesar de eu não ter me apaixonado tanto por ele. Foi magistralmente narrado e sua condução culminou de uma forma épica (quem estava absorto na história e não sentiu um frio na barriga ao ler última palavra que atire a primeira pedra). Merece, não só um, como vários parabéns!

    • Raione
      17 de janeiro de 2014

      Muito obrigado, Pedro!

  17. Gustavo Araujo
    29 de dezembro de 2013

    Creio que será difícil encontrar neste desafio um texto tão bom como este. Ideias magistralmente dispostas, parágrafos profundos e escritos com esmero, argumentos moldados com precisão. Há muitas qualidades aí, muito mais do que uma leitura simples e açodada permitem identificar. Este é um texto magnífico que demanda uma segunda e, quiçá, uma terceira apreciação.

    Existe um certo consenso no que tange à receita de sucesso para qualquer história: é necessária uma espécie de simbiose entre aquele que o escreve e o outro, que o lê. Tanto melhor a conexão, tanto melhor o resultado. A excelência na escrita está aí – talvez um pouco oculta, é verdade – de modo que é preciso um pouco de paciência, por parte do leitor, para percebê-la. Exercendo tal dom, será possível divisar cada detalhe dessa narrativa fantástica – em todos os sentidos da expressão.

    Usando uma metáfora mais adequada à minha realidade de escritor, confesso que à primeira vista me senti como um garoto trancado – sozinho – em uma loja de brinquedos. Extasiado com as prateleiras cheias, fui incapaz de perceber que tinha, para meu próprio deleite, todos os corredores, cada qual com seus tesouros.

    Assim é este conto: cada parágrafo condensa aspectos exímios e que os tornam, isoladamente, pequenas obras de arte. Vistos em conjunto, porém, se traduzem numa espécie de Louvre literário. Melhor, aliás, porque conta, ainda (se a própria escrita já não fosse suficiente), com um quadro de Edward Hopper.

    • Raione
      17 de janeiro de 2014

      Brigadão pelos elogios, Gustavo, ainda que o conto não esteja à altura deles. Aproveito pra te agradecer (e ao Vitor também, claro) pelo Entrecontos e por este desafio, trabalho incrível.

  18. Felipe Holloway
    28 de dezembro de 2013

    O melhor conto que li neste blog, e sem dúvida um dos vinte melhores que já li na vida.

    Há tantos pontos a admirar (e, por que não admitir?, invejar), que fica difícil elencá-los. A mistura de ficção, relato memorialístico e ensaio metafísico é tão assombrosamente bem executada que só me ocorrem equivalentes literários de peso: o romance Austerlitz, do alemão W. G. Sebald; a novela The Sense of an Ending, do inglês Julian Barnes; Enquanto Agonizo, de William Faulkner; A parte dos críticos e A parte de Archimboldi, respectivamente o primeiro e o último volume de 2666, a obra-prima do chileno Roberto Bolaño. Em maior ou menor medida, todas essas obras se alicerçam no revisionismo memorial e numa ausência que se impõe de forma opressiva, sulcando naqueles que subsistem a ela ora admiração empática, ora devoção obsessiva, numa espiral de decadência cujo fim é sempre o esquecimento. Que a história dos irmãos seja contada a princípio como anedota que o tempo e o estado de espírito do narrador editam conforme a necessidade, é denotativo soberbo da tendência humana para envolver em mantos de comédia o que originalmente era apenas desolação. O humor negro de eventos como a visão prejudicada pelo uso indevido dos óculos alheios, ou a mãe que chama o filho sobrevivente pelo nome do morto, evolui num crescendo orgânico — shakespeariano, até — para a descrição (feita apenas de passagem, como se o desfecho daquela história não tivesse tanta importância quanto o substrato artístico-metafísico que se poderia extrair dela) do suicídio em simetria. O autor transcende o escopo do brilhantismo ao introduzir a narrativa principal como rescaldo de uma discussão em que a natureza da expressão jurídica “na ausência de”, quando tomada de modo literal, era analisada. Também o conto que se seguirá instala-se numa espécie de ausência, de vácuo potencial, porque, admitindo metalinguísticamente haver miséria na origem de toda forma de arte, reconhece o caráter parasitário da literatura, sua arrogante pequenez, e à própria arte como um ideal de beleza cuja essência obtém-se a partir da vida, mas que só na suspensão dela consegue atingir a plenitude.

    Este conto, definitivamente, renova a minha fé na nova literatura brasileira.

    P.S.: sobre o Ed Hopper como ilustração, nada a dizer. Está perfeito.

    • Raione
      17 de janeiro de 2014

      Seu comentário foi extremamente generoso, Holloway. Se o conto tem algum mérito é o de ter servido de ocasião pra você trazer esse insight, que certamente transcende o conto. Muito obrigado!

  19. Ryan Mso
    28 de dezembro de 2013

    Bom conto, mas cansativo. Esse é o meu exprimir acerca do texto. Parabenizo ao autor pelo trabalho.

    • Raione
      17 de janeiro de 2014

      Obrigado por ler e comentar, Ryan!

  20. Inês Montenegro
    28 de dezembro de 2013

    Boa escrita e excelente abordagem do tema, contudo, há muito tell e praticamente nenhum show, o que associado à lentidão do enredo, tornou a leitura cansativa, e por vezes aborrecida.

    • Raione
      17 de janeiro de 2014

      Obrigado pelo comentário, Inês! Realmente, muitos comentários destacaram o aspecto cansativo da leitura do conto, algo pra ser trabalhado.

  21. Marcellus
    27 de dezembro de 2013

    Conto muito bem escrito. Muito mesmo! Passou longe da obviedade e, não só por isso, ganhou o meu voto.

    Parabéns ao autor!

    • Raione
      17 de janeiro de 2014

      Obrigado pela leitura e pelo comentário, Marcellus!

  22. Claudia Roberta Angst - C.R.Angst
    27 de dezembro de 2013

    Como já foi dito, o conto foi muito bem escrito com todos os detalhes exigidos pela narrativa. Confesso que não consegui me focar em todos os fatos narrados, divaguei, pulei partes, voltei parágrafos. Talvez algo pudesse ser enxugado para tornar a leitura mais fluida. Tornarei a ler com mais atenção, mas não há como negar que é um bom trabalho. Boa sorte!

    • Raione
      17 de janeiro de 2014

      Obrigado, Claudia! Parece que como está o conto não tem mesmo um fio muito firme, então agradeço sua observação nesse sentido.

  23. Gunther Schmidt de Miranda
    27 de dezembro de 2013

    Bem escrito, mas compartilho as palavras e sentimentos de Jefferson. Boa sorte.

    • Raione
      17 de janeiro de 2014

      Obrigado pela leitura e pelo comentário, Gunther!

  24. Thata Pereira
    27 de dezembro de 2013

    A escrita é muito bonita. Digo até que é romântica. Vez ou outra me catei viajando, analisando as palavras e perdendo o foco da história. Isso me incomodou um pouco, pois é uma história que exige atenção para poder entendê-la. No fim, nem sei se compreendi direito, na verdade. Voltarei para ver os próximos comentários.

    Apesar dessa dúvida, gostei mesmo do conto. A narrativa me encantou muito. Mas do modo como está, parece estar sendo narrado por uma mulher, então uma voz feminina me acompanhou até a metade da leitura, quando alguma palavra demonstrou que se tratava de um homem. Mesmo assim, não consegui mudar o gênero na minha cabeça e isso meio que quebrou o clima, principalmente do final.

    Ahh, mas só mais uma vez: adorei a narrativa.

    Boa Sorte!

    • Raione
      17 de janeiro de 2014

      Obrigado, Thata! Fiquei intrigado com sua impressão de que se tratava de uma narradora, essa possibilidade não tinha me ocorrido.

  25. Jefferson Lemos
    27 de dezembro de 2013

    Achei o conto MUITO bem escrito, mas não me cativou. Não consegui me ligar a historia e acabei achando-a cansativa.
    No meu caso é apenas questão de gosto, espero que outros venham a gostar.
    Parabéns e boa sorte!

    • Raione
      17 de janeiro de 2014

      Obrigado pela leitura e pela opinião sincera, Jefferson!

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Publicado às 27 de dezembro de 2013 por em Fantasmas e marcado .