EntreContos

Detox Literário.

O Segredo do Natal (Thais Pereira)

Seu plano era perfeito: esconder-se-ia atrás da árvore abarrotada de enfeites e esperaria pacientemente pela chegada do velhinho safado. Safado, por se ocultar das crianças quando depositava debaixo das meias, penduradas na lareira, o tão esperado presente de Natal.

Pedro sempre foi uma criança que chamava atenção pela genialidade. Destacava-se na escola, era alvo dos cochichos das meninas e orgulho dos pais. Companheiro fiel dos meninos. Sempre era solicitado para a elaboração de trabalhos e brincadeiras. Algumas pessoas até o apelidaram de “Cebolinha”, apesar do excesso de fios loiros. Mesmo pequeno, tinha sorte e sabia usá-la.

O plano era perfeito e foi fantasiado o ano inteiro para que não houvesse falhas. Depois da frustração de ter dormido na escada, no ano anterior, Pedro revelou:

– Do ano que vem não passa! – com um ar de herói e olhos cerrados.

Dormiu de dia, para que à noite ficasse bem acordado. Escreveu sua cartinha na escola, pedindo um presente simples e inesperado: um boné. Assim, Papai Noel não viria com a desculpa seu presente era muito caro; como no ano retrasado.

Faltando dez minutos para meia-noite, pôs em ação seu plano. Enquanto seus pais dormiam – e papai até roncava – levantou-se sem fazer barulho e desceu vagarosamente cada degrau da escada. Sentiu medo que não desse tempo de chegar e que sua presença pudesse ser sentida. Atravessou correndo a sala pelo tapete, para que não desse qualquer sinal de que estava acordado e atrás da árvore escondeu seu corpo magro.

Fazia parte do plano bem elaborado: ajudar sua mãe a carregar a árvore de bolas e enfeites volumosos. A estrela na ponta era o dobro do tamanho da que usavam. Apesar de subestimar a altura do menino que não tocava nem a metade da árvore de tão baixinho.

No fundo da sala o rádio estava ligado, tocando músicas natalinas que Pedro detestava, mas que a tia da escola fez questão que cantassem na formatura três dias antes. Ele sabia que o Papai Noel que esteve lá era apenas o tio da cantina mascarado, assim como todos os outros espalhados pela cidade. Papel Noel que é Papai Noel, só aparece na noite de Natal, ele pensava.

Os minutos batiam sem pressa. O guri pensava que descer dez minutos antes aplacaria sua ansiedade. Mas respirou fundo e resolveu não olhar para o relógio de pêndulo. Na árvore, havia um lugar estratégico para que ele pudesse enxergar a lareira. Outra jogada que mestre! Não havia bolas coloridas, ao menos neve de mentira. Apenas alguns pequenos galhos para que escondesse os olhos azuis, também disfarçados por enfeites da mesma cor.

Nada poderia dar errado e quando Pedro escutou um barulho diferente vindo da cobertura, tapou com as duas mãos a boca e ouviu seu grito soar abafado. Mas logo percebeu que era apenas um gato, pelo seu fino miado.

O menino passou a semana inteira observando a estrutura da lareira, sendo observado pelos pais que, curiosos, trocavam sorrisinhos entre si. Não tinha certeza de que o velhinho conseguiria passar por lá, mas ele deveria ter seus truques. Quem sabe, nem seria gordo, como costumava escutar. Naquela noite o mistério seria resolvido e ele seria a primeira criança a ver o verdadeiro Papai Noel.

Os minutos passaram e Pedro, já com sono, estava propenso a desistir quando viu a lareira acender sozinha. A chama tinha uma cor vermelho e verde bonita, nunca vista. Com os olhos pesados, sua vontade de dormir era infinita, mas continuou atento, estufou o peito e dali não sairia. Medo para ele não existia.

A chama esparramou-se no tapete da sala e o menino ia gritar com medo de incêndio quando elas ganham solidez e uma figura gorda dela se transfigurou. Estava de costas para Pedro, mas sua vontade de vê-lo de perto se aquietou quando o velho senhor jogou no chão seu saco de seda e lá caiu um pequeno embrulho com fita dourada.

Apesar dos cabelos brancos, o velho era corpulento: alto e gordo o suficiente para que não pudesse passar pela chaminé. Como ainda permanecia de costas, sua barba branca não podia ser enxergada, mas era volumosa o bastante para ver que batia na barriga.

O velho, ainda sem se virar, caminhou até a mesa onde mais cedo havia ocorrido a ceia e sentou-se na mesma cadeira que Pedro costumava usar. Fartou-se dos restos de comida que ali estavam, pois a mãe da família, por conta do cansaço, dormiu sem se preocupar com a louça suja e restos de alimentos na mesa. Não havia muito: carcaças do frango assado, restos de pernil, um pouco de arroz temperado que o menino deixou no prato. Papai Noel levantou o prato e fez um movimento circular com a cabeça, como se lambesse. No outro dia, ninguém recordaria o que teria ou não ficado sobre a mesa. Limpou na manga do casaco vermelho a boca e se dirigiu até a escada. Andava devagar e no meio do caminho parou para tomar folego, tirou de dentro do bolso da calça um pacotinho vermelho de fita dourada e seguiu seu rumo até o andar de cima.

Pedro saiu de seu esconderijo e foi até a sacola que o bom velhinho carregava. Observou que lá dentro havia muitas caixinhas parecidas e decepcionou-se. Pegou a que estava caída no chão e observou que era muito pesada para o tamanho que tinha. Desfez a fita e sentiu um arrepio ao abrir.

No momento em que ia espiar o que havia dentro do embrulho, o menino escutou um barulho pesado e apressado vindo do andar de cima e então correu de volta ao seu esconderijo, portando consigo o objeto roubado. Aquele embrulho lhe tirou todo o foco de seu visitante e quando novamente se deu conta da figura em sua casa, olhou para o velho, agora de frente.

Os olhos azuis do menino estalaram-se de medo e nem mesmo em seus piores pesadelos ele poderia imaginar uma criatura tão horrível como aquele senhor de barba branca. Tinha a pele enrugada e a sobrancelha cheia de fios rebeldes. Seus globos oculares eram tão grandes que saltavam do rosto e a barba tão amarelada dava a impressão de um dia ter sido branca como neve. Procurando por algo, irritado, ele os olhos de um lado para o outro, como o pêndulo do relógio. Suas mãos brilhavam, mas não por ter uma pele bonita, a gordura da comida alojou-se ali, o que dava a entender que não era a primeira casa onde ele participou da ceia.

O menino com medo, principalmente dos olhos, deixou escapar um gritinho, que mesmo abafado pelas pequenas mãos, pôde ser ouvido. Noel, surpreso, deu um grande sorriso e o cheiro de natal foi envolvido por seu bafo de cachorro molhado e impregnou-se em suas narinas do garoto, causando enjoo.

Aproximando-se de Pedro, Papai Noel abriu a caixinha vermelha que levou para o andar de cima, igualzinha a que o menino havia furtado. Então, observou uma fina luz azul sair de sua cabeça e ir entrando na caixa. Assim que toda substância foi retirada, novos barulhos de passos puderam ser ouvidos, descendo as escadas. Com pressa, Noel ou quem quer que fosse aquele ser, correu para lareira e transfigurou-se em chama, até apagar e voltar para o lugar de onde viera.

Pedro abriu com toda a vontade o embrulho vermelho em suas mãos. Uma luzinha azul saiu de lá e passeou em volta dele, como se quisesse identificar quem era, fazendo cócegas. Até parar em sua frente e passar diversas imagens da vida de uma criança que ele não conhecia: as visitas nos shoppings sentando-se no colo do Papai Noel, escrevendo, fielmente, todos os anos suas cartinhas. Os presentes desembrulhados com sorrisos, enquanto os pais disfarçadamente piscavam um para o outro. Anos após anos, a menina que aparentava ser mais nova que Pedro, sonhou com as noites em que o bom velhinho deixava debaixo de sua meia um presente. A última imagem foi daquele mesmo dia, quando chegando em sua casa, um senhor estranho, vestido de vermelho entrou em seu quarto e roubou de seus pensamentos a mesma luzinha azul que saiu da cabeça de Pedro. Ele tentou, mas não reconheceu quem era aquele senhor horripilante. Então jogou na lareira o embrulho e foi para o quarto dormir. Amanhã desembrulharia os presentes e mesmo os pais insistindo que eram do Papai Noel, Pedro sabia que ele não existia.

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61 comentários em “O Segredo do Natal (Thais Pereira)

  1. Thata Pereira
    17 de janeiro de 2014

    Pessoal, obrigada pelos comentários e votos. Em especial pelo lugar privilégiado que a Ana separou no seu pódio, para o meu conto.

    Como disse, esse conto foi uma brincadeira com o Natal, pois desde criança fui incentivada pelos meus pais a não acreditar em Papai Noel. Hoje fico frustrada por meus primos receberem presentes caros dos meus tios e julgarem ser do “mau velhinho”. rs’
    E como ninguém entrou no espírito natalino, resolvi postá-lo, para trazer um pouco de divertimento, sem a intenção de vencer com ele e muito menos de receber a colocação que recebi. Fiquei bastante contente!

    Obrigada!!

  2. Leandro B.
    14 de janeiro de 2014

    Estava me perguntando se ninguém entraria no espírito natalino.

    Gostei do conto. Adoro desconstruções e a que você fez com o Noel ficou muito legal.

    Mas não é só isso. O final que você bolou tem uma…. não sei explicar hehe. Talvez seja extremamente inteligente com um toque de simplicidade, ou algo assim.

    Também fiquei meio perdido quando desceram as escadas. De resto, nada a criticar. Aliás, só uma coisa, vou na contramão e torço para que você não deixe seu final mais mastigado. Se o fizer, espero que o faça com muita cautela.

    Enfim,
    bom conto. Boa sorte!!

  3. Leandro B.
    14 de janeiro de 2014

    Estava me perguntando se ninguém entraria no espírito natalino.

    Gostei do conto. Adoro desconstruções e a que você fez com o Noel ficou muito legal.

    Mas não é só isso. O final que você bolou tem uma…. não sei explicar hehe. Talvez seja extremamente inteligente com um toque de simplicidade, ou algo assim.

    Também fiquei meio perdido quando desceram as escadas. De resto, nada a criticar. Aliás, só uma coisa, vou na contramão e torço para que você não deixe seu final mais mastigado. Se o fizer, espero que o faça com muita cautela.

    Enfim,
    bom conto. Boa sorte!

    • Catarina
      15 de janeiro de 2014

      Leandro, estava me fazendo a mesma pergunta e pensei “por que não?”.
      Quando escrevi o conto pela primeira vez, os pais de Pedro desciam as escadas e deixavam debaixo da árvore seu presente de natal, mas optei por retirar essa parte, me esquecendo do barulho.

      Na verdade, esse final me agrada muito, pois vivo escutando as pessoas dizerem “mostre, não diga”. Essa margem que o conto deu para interpretações diferentes me encantou ao ler os comentários. Estou na corda bamba quanto a isso… talvez mude, talvez não.

      Obrigada pela leitura e comentário!

  4. Paula Melo
    14 de janeiro de 2014

    Adorei o conto, bem escrito, bem desenvolvido e muito criativo.
    Só tenho apenas uma observação a fazer que seria que poderia trabalhar um pouco mais no fantasma.

    Boa Sorte!

    • Catarina
      15 de janeiro de 2014

      Paula, obrigada pelas palavras e sugestão.

  5. Marcelo Porto
    13 de janeiro de 2014

    Um bom conto. Me assustei um pouco com esse Papai Noel, cheguei a pensar que era um fantasma do mal.

    Não sei se era essa a intenção, mas acho que a mensagem é que devemos acreditar por acreditar. Para os levados que só acreditam vendo, o castigo é esquecer o que viu e viver com a decepção de que o Papai Noel não existe.

    Gostei.

    • Catarina
      13 de janeiro de 2014

      Marcelo, não consigo enxergar ele como uma figura maligna. Julgo, sim, o Papai Noel que as crianças acreditam de mau, nunca gostei dele. O que criei apenas impede as crianças de crescerem e decepcionarem-se descobrindo que ele não existe. Isso o torna, para mim, um ser lindo.

      Obrigada pela leitura e comentário!

  6. Cácia Leal
    13 de janeiro de 2014

    Um conto bastante divertido e muitíssimo criativo, me surpreendeu no final. Achei interessante a ideia de um espírito natalino, em forma de Papai Noel. Parabéns!

    • Catarina
      13 de janeiro de 2014

      Cácia, a intenção era exatamente essa: divertir.

      Obrigada pela leitura e comentário!

  7. Raione
    11 de janeiro de 2014

    Achei bem legal essa distorção do Papai Noel, não esperava um fantasma natalino. Está muito bem narrado, com bastante cor. Como parte do pessoal, também não saquei logo o final, precisei dar uma espiada nos comentários (e depois da espiada fiquei pensando que essa cegueira tinha sido mais culpa da minha leitura, e que de qualquer forma é um ótimo desfecho).

    • Catarina
      13 de janeiro de 2014

      Raione, adorei seu comentário. Principalmente pela sinceridade ao dizer que considera que o fato de não ter entendido o final do conto tenha sido culpa sua. Não interprete assim, como muitos também não entenderam, devo ter falhado em algo que será revisto.

      Obrigada pela leitura e comentário!

  8. Pedro Luna Coelho Façanha
    11 de janeiro de 2014

    Apesar da minha predileção nesse desafio por contos mais misteriosos, sangrentos, aterrorizantes, ou que abordem fantasmas de forma mais clássica mesmo, não posso deixar de dizer que foi uma boa leitura. Parabéns.

    • Catarina
      13 de janeiro de 2014

      Pedro, a ideia foi fugir desses fantasmas, fazendo uma brincadeirinha com o período em que o conto foi postado. A intenção foi divertir.

      Obrigada pela leitura e comentário!

  9. bellatrizfernandes
    7 de janeiro de 2014

    Não sei não… Achei fraco.
    Achei que essa figura parecia mais algo mágico do que um fantasma propriamente dito.
    Sei lá, não caiu no meu gosto, mas não acho que eu tenha nada para criticar.
    Boa sorte mesmo assim!

    • Catarina
      13 de janeiro de 2014

      Bom, gosto pessoal não se discute, mas quanto ao mágico/ fantasma, interpreto das duas formas. Na minha opinião, ele é um espírito natalino. Encaro-o de uma forma tão bonita (não o Papai Noel, mas o Papai Noel que criei), que ele é um ser completamente mágico para mim!

      Mesmo assim, obrigada pela leitura e comentário!

  10. gustavomoonmartins
    7 de janeiro de 2014

    (Não sei se o comentário foi antes então, por favor, ignorem se estiver repetido).
    A ideia de um “fantasma do Natal” que rouba a fé as crianças é bem legal. Só acho que a parte que fala como consideravam o garoto inteligente é meio desnecessária. É o tipo de coisa que poderia ter sido mostrada no texto mesmo. Mostre, não diga, basicamente. Tirando isso, conto divertido de ler.

    • Catarina
      13 de janeiro de 2014

      Gustavo, a dica “mostre, não diga”, geralmente é minha (risos). Mas escrever em terceira pessoa foi algo arriscado para mim, pois acostumei muito com a narração em primeira. Foi como se estivesse aprendendo novamente.

      Obrigada pela leitura e comentário!

  11. Bia
    3 de janeiro de 2014

    Ainda bem que deixei para ler esse conto depois do Natal, rs. Eu gostei muito do texto, embora tenha achado o texto um pouco narrativo além da conta para o meu gosto, mas estou falando do meu gosto, eu que prezo muito os diálogos, as falas… Mas não dá pra negar que visualizei bem a situação e gostei desse filminho que passou pela cabeça enquanto lia o conto… Penso que dá pra melhorar algumas coisas, mas é como você disse com relação à revisão, para alguém aqui nos comentários, rs. Bom conto!

    • Catarina
      13 de janeiro de 2014

      Bia, fico contente que tenha visualizado um filminho na sua cabeça, era exatamente essa a intenção, quando escrevi um conto com (quase) nenhum diálogo. Não consegui imaginar um tom de voz para meu Papai Noel e aprecio seres misteriosos que entram mudos e saem calados. Isso fez com que eu também não desse voz ao Pedro (exceto pelo único diálogo, logo no começo do texto). Foi para criar o clima e proporcionar o filme.

      Obrigada pela leitura e comentário!

  12. Tom Lima
    2 de janeiro de 2014

    Minha mente conspiracionista fica pensando:
    “Por que querem que acreditemos que o velhinho é bom?”
    “Pra que ele usa a luz azul tomada das crianças?”

    Memórias infantis são usadas em tratamentos de beleza? Papai Noel é empregado de alguma multinacional com sede na China que usa a infância como combustível em suas fábricas?
    Já sei! É o ingrediente secreto da Coca Cola!

    Foi divertida a leitura.

    Parabéns.

    • Catarina
      2 de janeiro de 2014

      SPOILER

      Tom, você não deve ter lido nenhum comentário abaixo. Dou destaque para os da Ana e da Cláudia. Não o culpo por não ter entendido a história. Pelo que li no geral, eu deveria ter sido mais clara no final.

      Respondendo suas perguntas: a luz azul (qual o motivo de ser azul? Não sei… é uma cor bonita) contém a convicção das crianças, ao acreditar que Papai Noel existe. Ele rouba das crianças todas as lembranças que elas possuem de que ele é “um bom velhinho”. Por quê? Ele é bom, ele é mau? Não. Ele só não é o que elas pensam que ele é. O que os pais induzem elas a acreditaram. Aí você se pergunta como eu queria que você entendesse isso. Pensei que a última frase entregaria:

      “Amanhã desembrulharia os presentes e mesmo os pais insistindo que eram do Papai Noel, Pedro sabia que ele não existia.”

      Bom, ele existe, Pedro o viu. Só que após o velhinho tê-lo roubado a lembrança, ele não acreditou mais.

      Novamente, não o culpo por não ter entendido e volto a dizer que esse conto foi uma brincadeira com o tema e mês do desafio que quis postar aqui para divertir mesmo. Pelo que vi, consegui isso de você e é o que realmente me importa.

      Obrigada pela leitura e comentário!

  13. Ricardo Gnecco Falco
    31 de dezembro de 2013

    O que me incomodou um pouco no texto foi a presença de um – e somente UM – único “diálogo” (monólogo!). Confesso que isso me deixou aflito; penso que omitiria sem pensar esta (única, solitária, isolada, largada, perdida, solta, esquecida) fala caso fosse o autor da obra.
    Será que tenho algum tipo de “T.O.C. literário”??? :O
    No mais, uma boa história, bem desenvolvida.
    Boa sorte!

    • Catarina
      31 de dezembro de 2013

      Essa ideia do TOC Literário é muito interessante Ricardo!
      Gosto muito de “vilões” que entram mudos e saem calados. É claro que meu Papai Noel não é um vilão, mas considero que a aparência dele fala mais do que qualquer diálogo.

      Obrigada pela leitura e comentário!

  14. Gustavo Araujo
    29 de dezembro de 2013

    Sou suspeito para comentar contos assim. Gosto muito desse universo infantil, principalmente desses, com herois-mirins tentando descobrir o inexplicável. Achei muito bacana a premissa – a ideia do esconderijo, a expectativa, a antecipação – mas isso já era de certa forma esperado. O que realmente me pegou foi a imagem do Papai Noel, ou melhor, a subversão da imagem do bom velhinho. Ficou muito bom. Como pontos a serem melhorados, indico o uso da mesóclise no primeiro parágrafo (tudo bem, pode ser só birra minha), e o fim do conto. O último parágrafo ficou um pouco confuso para mim. Na realidade li e reli e não consegui entender direito. Talvez tenha havido um pouco de pressa na hora de amarrar as pontas. Para ser franco, só tive uma luz a respeito do desfecho depois de ler os comentários do pessoal aqui. De todo modo, um bom conto. Parabéns.

    • Catarina
      29 de dezembro de 2013

      Gustavo, esse foi o conto mais divertido que já escrevi. Quando escrevi o final, pensei que estivesse claro, mas lendo os comentários aqui, percebi que não estava. De qualquer forma, fico contente que tenha gostado da história. Vou cuidar melhor desse final.

      Obrigada pela leitura e comentário!

  15. Ryan Mso
    28 de dezembro de 2013

    Catarina, senti bastante afinidade pelo seu texto, e por isso quero parabenizá-lo – o texto -, na verdade, até me empolguei de escrever um conto que tenho na mente faz anos! =D

    E, claro, parabenizo você pelo escrito.

    • Catarina
      28 de dezembro de 2013

      Ryan, gostei muito do seu comentário. Ressalva algo que sempre digo: histórias e personagens têm vida própria.

      Escreva, escreva!! Fico muito contente que ele – o texto – tenha despertado em ti essa vontade.

      Obrigada pela leitura e comentário.

  16. Inês Montenegro
    28 de dezembro de 2013

    Excluindo algumas gralhas, o conto encontra-se bem escrito, e consegue captar o ambiente e sentimentos dessa idade (e desafio auto-imposto de ver o Noel) pela qual todas as crianças passam, ao mesmo tempo que o contraria.

    • Catarina
      28 de dezembro de 2013

      Inês, revisar contos, até os que não são meus, é um grande desafio para mim. Gostaria que houvesse alguma fórmula mágica. Sempre deixo algo passar, infelizmente.

      Obrigada pela leitura e comentário!

  17. Pedro Viana
    27 de dezembro de 2013

    Embora eu tenha adorado a ideia desse conto, devo confessar que não me apeguei muito a ele. Acho que um dos motivos maior é a narração. Tem alguns erros sim, mas desconsidero isso por causa do prazo. O que mais me incomodou foi o modo como o(a) autor(a) apresentou a história: entregando tudo ao leitor sem deixá-lo pensar. Eu gosto de ver quando o(a) autor(a) sugere fatos, deixando o leitor deduzir por si próprio. Por isso tenho que dizer que esse conto ficou mediano, embora mereça ser parabenizado por sua ideia.

    • Catarina
      28 de dezembro de 2013

      Pedro, engraçado é que penso o contrário. Penso que não deixei minha vontade explicita. Tanto que se você fizer uma comparação nos comentários da Ana e da Cláudia, verá que as duas tiraram conclusões completamente diferentes da história. Mas aceito de bom grado sua análise, pois sei que costumo fazer isso. Na verdade, isso é bom, no meu ponto de vista. No mês que tentei criar algo que deixasse o leitor deduzir por si próprio, não tive muito sucesso 😦 Algo para ser trabalhado!

      Obrigada pela leitura e comentário!

      • Pedro Viana
        28 de dezembro de 2013

        Por nada, Catarina.

        Quanto a sua ressalva, eu infelizmente mantenho minha opinião, mesmo que essa futuramente possa ser contestada por alguns. Concordo com a Ana e Cláudia de que sua versão do Papai Noel é diferente, abrindo espaço para várias deduções a respeito de sua origem, mas isso não muda o fato de que, durante o decorrer da história, pelo ponto de vista do menino, tudo foi entregue de mão beijada. Sua personalidade, suas ações e seu plano me deram a impressão de terem sido narradas pelo William Bonner. É nesse ponto que acho que uma melhora seja necessária, não na ideia do Papai Noel, que eu reafirmo ter adorado. Quando eu disse “entregando tudo ao leitor sem deixá-lo pensar” refiro-me ao seu principal, meu xará, e suas ações. Espero que compreenda.

        Grande abraço!

      • Catarina
        28 de dezembro de 2013

        Compreendo sim. Obrigada, mais uma vez!

  18. Gunther Schmidt de Miranda
    27 de dezembro de 2013

    Este texto merecia um livro completo! Parabéns!

    • Catarina
      28 de dezembro de 2013

      Obrigada Gunther, pela leitura e comentário!

  19. Sandra
    26 de dezembro de 2013

    Concordo com a Thata, puxa! que bom que foi postado um dia após o Natal…
    Bem interessante a ideia de refazer a imagem do (bom) velhinho do avesso (bem repugnante). As características negativas são fortes e mexem com nossos sentimentos. Não sei bem se entendi o final e confesso que fiquei curiosa sobre alguns detalhes (por certo, voltarei aqui).
    Uma dúvida é sobre a faixa etária a que se destinaria o conto (estava pensando em ler com minha filha (9a), até o segundo terço da história, mas ela ainda acredita no velhinho, rs), porque algumas dúvidas foram-me surgindo durante a leitura sobre a relação forma-conteúdo. Algumas construções, a meu ver, poderiam ser adaptadas para um público mais jovem (com seus 11, 12 anos, com a intenção de atrai-lo um bocadinho mais).
    No mais, a narrativa é ótima e merece uma releitura.

    • Catarina
      26 de dezembro de 2013

      Sandra, seu comentário me alegrou muito, obrigada!
      Minha intenção era passar exatamente o que foi revelado no comentário da Ana. Espero desenvolver melhor esse final, para que todos possam entender isso claramente.

      Tentei usar uma linguagem mais clara, para que soasse até infantil. Não sei se o objetivo foi atingido, nunca escrevi para esse público. Quando surgiu a inspiração para o conto, disse para um amigo que colocaria meus filhos para dormir contando-lhes essa história (risos). Isso, pois não sou fã do velhinho barbudo, coitado!

      É uma ideia bacana, essa do público jovem. Mas como seria acabar com esse sonho que, geralmente, é nutrido desde criança? Tenho uma prima que acreditava fielmente no Papai Noel. Quando ela descobriu que ele não existia foi um choque! Um dos motivos que me fizeram desapegar da ideia.

      Penso que você poderia ler com ela sim… ela costuma ter pesadelos? Leia durante o dia. Caso faça, volte e me conte como foi a experiência.

      Obrigada pela leitura e comentário!

  20. Frank
    26 de dezembro de 2013

    Bem bacana a ideia e o conto ficou bem bacana. O embrião para novas aventuras. Ótima leitura.

    • Catarina
      26 de dezembro de 2013

      Frank, muito obrigada pela leitura e comentário!

  21. Ricardo Labuto Gondim
    26 de dezembro de 2013

    Show. Sensacional.

    • Catarina
      26 de dezembro de 2013

      Muito obrigada Ricardo, pela leitura e comentário!

  22. Ana Google
    26 de dezembro de 2013

    Puxa, que lindo, é um dos meus favoritos até o presente momento!

    Adorei a caracterização do Papai Noel, adorei a curiosidade do protagonista (quem nunca virou a madrugada para tantar ver o bom velhinho?), adorei a caracterização dos presentes e, especialmente, AMEI O FINAL! A lembrança do guri foi roubada e ele foi dormir com a certeza de que o Papai Noel não existia, assim como os adultos, sendo algo que perdemos ao longo da vida: a capacidade de acreditar. O Papai Noel é um fantasma que nos rouba os bons sonhos de crianças… Rsrsrsrs! Muito bacana, mexeu MUITO com a minha imaginação!

    Atenção para as passagens:

    No lugar de “com a desculpa seu presente”, o correto seria “com a desculpa DE QUE seu presente”; em vez de “Outra jogada que mestre”, o correto é “Outra jogada de mestre”; faltou a pontuação de “folego”, sendo que o correto é “fôlego”; na seguinte passagem faltou uma palavra, que eu coloco a título de sugestão: “ele os olhos de um lado para o outro”, sendo que poderia ser “ele BALANÇOU (?) os olhos de um lado para o outro”.

    Meus sinceros parabéns para a autora!

    Beijos!

    • Claudia Roberta Angst - C.R.Angst
      26 de dezembro de 2013

      Interessante ver como interpretamos o conto de maneiras diferentes. No entanto, acho que a sua é de fato a mais coerente com a narrativa. Eu fantasiei um pouco e fui na linha contrária. Concordo com você que esse conto é muito bom. Quem será a autora? Mistério! Mas já aprovei.

    • Catarina
      26 de dezembro de 2013

      Ana, fico feliz que tenha gostado! Mais feliz ainda fico de ter compreendido o final. A Thata meio que tentou explicar no comentário abaixo, mas foi exatamente isso que você disse. Minha ideia era: como ele não é a figura que todas as crianças imaginam, ele toma delas essa imagem.

      E obrigada pelas anotações das passagens que precisam ser revisadas: o autor é o pior revisor do mundo!

      Obrigada pela leitura e comentário!

  23. Weslley Reis
    26 de dezembro de 2013

    A leitura é bem agradável e talvez pela proximidade com o natal foi bem fácil entrar na atmosfera do conto.

    Consegui visualizar cada cena e salvo pequenos erros de revisão, gostei muito da história como um todo.

    Parabéns pelo texto.

    • Catarina
      26 de dezembro de 2013

      Weslley, gosto de deixar a narração bem “visual”, fico contente que consegui.

      Obrigada pela leitura e comentário!

  24. Claudia Roberta Angst - C.R.Angst
    26 de dezembro de 2013

    Conto de bom tamanho:curto. A leitura corre fácil e prazerosa. Alguns pontinhos a serem revistos, mas pouca coisa mesmo.
    A ideia de juntar Papai Noel e fantasma é bem interessante. Não é mais o espírito natalino, é só um fantasma natalino…rs. Tirei várias conclusões a respeito dessa visita do Bom Velhinho (que no conto ficou meio assustador para mim): ele era o fantasma nas memórias infantis e queria resgatar sua lenda, a crença na sua existência. Os presentes continham o seu espírito, as provas de que sempre houve a esperança das crianças e que por isso Papai Noel existisse mesmo mas de uma forma bem diferente. Viajei total. Boa sorte!

    • Catarina
      26 de dezembro de 2013

      Claudia, como acabei de dizer, não gosto da figura do Papai Noel. Então, minha intenção era as melhores, mas gostei da sua interpretação mais tranquila…

      Obrigada pela leitura e comentário

      • Claudia Roberta Angst - C.R.Angst
        26 de dezembro de 2013

        Minhas primeiras fotos natalinas mostram um bebê loiro chorando com medo de Papai Noel. Era eu, apavorada com o Bom Velhinho. rs

      • Catarina
        26 de dezembro de 2013

        Corrigindo o que eu disse: minha intenção NÃO* era as melhores.

        Todas as crianças já passaram por isso… deve ser uma bonita recordação!

  25. Thata Pereira
    26 de dezembro de 2013

    ** Contém Spoiler **

    Só tenho que agradecer por esse conto ter sido postado após o Natal! rs’

    Contém alguns errinhos de revisão. Em algum lugar observei que uma palavra faltava e também percebi que alguém desceu as escadas e não apareceu. Fiquei intrigada com a luz azul quando saiu da cabeça de Pedro. Quando ele abriu o embrulho e a luz saiu passando as imagens da menina com o Papai Noel, imaginei que fosse isso que ele roubou de Pedro. A ideia de que ele existe. É isso mesmo? De qualquer forma, essa parte precisa ser melhor desenvolvida.

    É pequeno e fácil de ler. Soa mesmo como uma “brincadeira”, como o próprio/a autor/a disse…

    Boa Sorte!

    • Catarina
      26 de dezembro de 2013

      Thata, acho que cada um interpretará da sua forma. Como não gosto da figura do Papai Noel, vou imaginar esse fim da forma mais maldosa possível. (risos) Não que seja tão maldosa assim… mas no fim do concurso virei esclarecer meu ponto de vista.

      Obrigada pela leitura e comentário!

  26. Felipe França
    26 de dezembro de 2013

    Uma leitura leve, fácil e envolvente. Gostei do conto! Só uma pequena coisa a ser observada: a imagem do fantasma na figura do Papai Noel podia ser um pouco mais trabalhada. Passou a impressão de ser uma figura assustadora, mas não um fantasma propriamente dito. Contudo, a autora está de parabéns! Boa sorte.

    • Catarina
      26 de dezembro de 2013

      Felipe, ele não é assustador, é um fofo! (risos)

      Até pensei em explorar melhor a história, mas essa foi apenas uma brincadeira com o natal, levando em consideração que tenho outro conto no desafio. A intenção foi divertir…

      Obrigada pelo leitura e comentário!

  27. Jefferson Lemos
    26 de dezembro de 2013

    Achei bem legal, e gostoso de ler. Mas pra mim ficou faltando algo. Senti que poderiam sair mais presentes de onde vieram esses. rs
    Enfim, boa sorte e parabéns, Catarina! :p

    • Catarina
      26 de dezembro de 2013

      Jefferson, talvez essa impressão do “faltando algo” venha do fato que não entendeu o final. Mas com percebi, talvez não deixei bem esclarecido. Posso apenas dizer que gostei de ter escrito e desejo que esse seja mesmo o verdadeiro Papai Noel. Ele não é mau, apenas não é o que todos pensam.

      Obrigada pela leitura e comentário!

  28. Caio
    26 de dezembro de 2013

    Olá. O seu fantasma é muito legal, ficou como um conto de apresentação pra esse ‘bixo’ novo que você inventou. Em si o texto é rápido e bem escrito, mas a mensagem que me ficou foi a de que você criou esse fantasma e agora eu sei que existe, mas ainda não li a história dele. Um conto fechado envolvendo seu monstro podia ser algo mais desenvolvido que contasse alguém descobrindo, investigando e depois enfrentando o noel, por exemplo, algo com mais começo-meio-fim. Minha impressão é essa, achei benfeito mas não completo, em vez de uma obra em si, um exercício de construção ou apresentação do personagem do fantasma. Aí lendo de novo eu me peguei pensando que toda a construção do protagonista, o menino, acabou sendo meio em vão, porque essa não é bem uma história dele, é só o que ele viu um dia e pronto. Tem bons caminhos e boa escrita, mas acho que um planejamento melhor do enredo (e de quais informações ajudam a contar esse enredo) te permitiria criar um conto que vive em si e é plenamente satisfatório pro leitor. Espero que ajude aí, abraços

    • Catarina
      26 de dezembro de 2013

      Caio, justamente, o conto foi mesmo um exercício. Uma brincadeira com um tema que não gosto.

      A ideia era apenas o relato daquele momento, mesmo. Não sei se você compreendeu o final do conto, a função da caixinha vermelha, mas percebi, com o comentário do Marcellus, que não deixei minha intenção bem esclarecida. Ah, e o garotinho derrotando o Papai Noel para mim não teria graça! Ele ainda precisa visitar outras criancinhas…

      Obrigada pela leitura e comentário!

  29. Marcellus
    26 de dezembro de 2013

    >>> SPOILERS <<<

    Se o Noel era gordo e estava de costas, como o moleque sabia que sua barba ia até a cintura? O conto tem outros pequenos furos (por exemplo: Noel escuta passos na escada e foge apressado, mas ninguém aparece na sala) e carece de pequenas revisões ("Outra jogada que mestre!"), mas é imaginativo, apesar de poder aprofundar mais na figura horripilante (que vai de casa em casa apenas para comer os restos de comida?).

    Pelas minhas dúvidas, o autor pode perceber que fiquei um pouco confuso com a história, mas desejo boa sorte e Feliz Natal!

    • Catarina
      26 de dezembro de 2013

      Marcellus, primeiramente, a inspiração surgiu de uma forma engraçada, pois eu nunca gostei desse personagem que criaram para o Natal e não apoio pessoas que incentivam crianças a acreditarem.

      Agora, vamos lá: sobre a barba, o conto mesmo explica que “Como ainda permanecia de costas, sua barba branca não podia ser enxergada, mas era volumosa o bastante para ver que batia na barriga”. Foi o modo como imaginei a criatura, mas sei que cada um imaginará ela da sua própria forma.

      No texto original os pais do garoto descem até a sala para deixar seu presente, mas resolvi retirar essa parte, pois ia deixar confusa a ideia principal para o meu final. Que pelo que percebi continuou confusa, pois ele não vai apenas para comer os restos de comida. Sobre a finalidade da visita, explico no final do desafio.

      Obrigada pela leitura e comentário!

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Informação

Publicado às 26 de dezembro de 2013 por em Fantasmas e marcado .