EntreContos

Detox Literário.

Molduras (João Zanetti)

Molduras

Não deu tempo de me despedir de ninguém.

Entrei correndo no escritório, cambaleando enquanto recuperava o fôlego. Tudo parecia estar em preto e branco, mas eu sabia que era, provavelmente, a falta de oxigênio. Não deu tempo de olhar para trás e ver a mesa da Mathilda quando fechei a porta de entrada jogando-a por trás de mim. O que seria da Mathilda? Eu não sei, não deu tempo de olhar para trás.

Tropeçando pelos corredores sempre esfumaçados e já preteados pelas centenas de cigarros fumados pelo pessoal todo dia o dia todo, tateei porta por porta até encontrar a da sala de reuniões. Eu precisava ver se ainda acontecia alguma coisa por lá. Mesmo nesse estado, a sala de reuniões era mais importante que a minha sala, que a enfermaria mais próxima, que qualquer coisa.

Em qualquer outro momento, certamente escolheria me aproximar silenciosamente, alinhar meu corpo ao lado do batente e espiar discretamente pelas faixas de vidro da porta de madeira que não foram jateadas. Mas não existia mais essa possibilidade. Num rompante, abri correndo a porta e me encontrei congelado, duro dentro da sala, com a maçaneta de metal ainda na mão, as tábuas do chão ainda rangendo do impacto com meus pés. Não sei por quanto tempo, exatamente, fiquei sem conseguir me mexer. Provavelmente segundos. Perceptualmente minutos.

A sala já não tinha mais ninguém. Com a luz apagada, tudo que iluminava o cômodo era a fraca luz do corredor de onde surgi e os intensos e quase tangíveis feixes de luz, dura e absolutamente branca que penetravam do exterior pelas persianas. Faixas tão perfeitas e definidas que criavam uma espécie de padrão hipnótico aos olhos e revelavam qualquer partícula de poeira, qualquer cinza de cigarro, qualquer inseto minúsculo que passasse por elas. A luz que vinha dali rebatia e se espalhava pela sala inteira, e uma parte especial da claridade que entrava pelo canto esquerdo superior da janela encontrava a mesa.

A mesa.

A mesa de mogno antigo e provavelmente importado, incrivelmente envernizada, de cantos arredondados e pés de metal cromado retorcido em L.

O lado da mesa que recebia as tarjas de luz violenta da persiana era sua parte mais bonita. Um passar de olhos desavisado e inocente certamente começaria por ali, com a beleza da madeira vermelho-fogo em contraste com os bastões de claridade. Continuando para o resto da mesa, porém, quase que estrategicamente, a penumbra se instaurava. A faixa chegava ao fim e, no centro da mesa, a sombra da minha cabeça moldando a tímida iluminação do corredor me assustou no primeiro momento e, de uma forma quase simbólica, emoldurou o que apenas esperava minha retina se acostumar.

Ali, no meio da mesa, bem na sombra da minha cabeça.

Não deu tempo de ir à minha sala ou à enfermaria mais próxima.

Não deu tempo de olhar para trás e ver a mesa da Mathilde

Não deu tempo de me despedir de ninguém.

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40 comentários em “Molduras (João Zanetti)

  1. Leandro B.
    5 de dezembro de 2013

    Achei bem escrito, mas estaria mentindo se dissesse que o texto me fisgou. Me senti mais frustrado do que interessado pelo mistério criado na cena, talvez por acreditar que não existem elementos mínimos para a elaboração do que está acontecendo. Quero dizer que não consigo, nem mesmo, dar um bom palpite sobre o que aconteceu. Sei lá, não é meu estilo de leitura, mas está, indubitavelmente, bem escrito. Parabéns.

  2. Di Benedetto
    5 de dezembro de 2013

    Então. Achei esse conto despretensioso. Está para um micro-conto na verdade, e não tenho nenhum problema quanto a isso, nem vejo porque alguém não poderia escrever contos assim. São excelentes exercícios, aliás. 😉

    Quanto a escrita, achei OK. Não me agradou mais, porque vai ser sempre mais difícil (mas não impossível) para a descrição de uma a cena rápida ser tão interessante quanto uma história mais destrinchada.

  3. Marcelo Porto
    4 de dezembro de 2013

    Como uma descrição de um momento, está perfeito. Como um conto, não está. Não consegui captar a mensagem o autor quis passar, pra mim a história está incompleta.

  4. Andrey Coutinho
    3 de dezembro de 2013

    Nesse desafio, resolvi adotar um novo estilo de feedback para os autores. Estou usando uma estrutura padronizada para todos os comentários (“PONTO FORTE” / “SUGESTÕES” / “TRECHO FAVORITO”). Escolhi usar esse estilo para deixar cada comentário o mais útil possível para o próprio autor, que é quem tem maior interesse no feedback em relação à sua obra. Levo em mente que o propósito do desafio é propriamente o aprendizado e o crescimento dos autores, e é isso que busco potencializar com os comentários.

    Além disso, coloquei como regra pessoal não ler nenhum comentário antes de tecer os meus, pra tentar dar uma opinião sincera e imediata da minha leitura em si, sem me deixar influenciar pelas demais perspectivas.

    Dito isso, vamos aos comentários.

    PONTO FORTE

    O retrato sombrio e misterioso de uma situação que escapa aos leitores é instigante. A proposta é bem diferente da maior parte dos textos do desafio. Particularmente, gosto bastante desse tipo de texto, mas sei bem que não é para todos os gostos.

    SUGESTÕES

    Como se trata de um conto que pretende passar sua mensagem sem se alongar muito, sugiro que todas as passagens sejam talhadas ao máximo. Não que haja erros ou que não esteja bom (e está, acredite), mas o que eu posso sugerir é tentar investir um pouco mais em um “falar poético”, que combina com esse tipo de texto. Usar construções frasais inusitadas, metonímias de impacto, brincar com as palavras, esse tipo de coisa. Não precisa enfeitar o vocabulário demais, não é disso que estou falando. Só quero dizer que, como não é um texto grande, vale a pena se debruçar sobre ele e procurar a maneira mais poderosa, impactante e eficiente de expressar cada uma das informações que compõem a cena. Você já fez isso muito bem, mas sempre dá pra melhorar.

    TRECHO FAVORITO

    “A sala já não tinha mais ninguém.”

  5. Alana das Fadas
    2 de dezembro de 2013

    Gostei bastante! Gosto de coisas fluidas. Gosto do inacabado! Não creio que se encaixa muito com o perfil do desafio, mas de qualquer forma, parabéns!

  6. Felipe Falconeri
    2 de dezembro de 2013

    O texto narra um momento de tensão, constrói um cenário intrigante e instiga o leitor a imaginar o que poderia estar acontecendo ali. E é só.

    Não há um antes, não há um depois. Não há nenhuma explicação, nenhuma lógica. Sequer há um caminho claro para se seguir.

    O que o autor faz é descrever um momento e jogar todo o trabalho para o leitor. É o leitor que irá completar todas as lacunas, imaginar o que estaria acontecendo, criar uma história. Talvez muitos fiquem imaginando o que o autor queria dizer, quando na verdade ele não disse nada. Talvez alguns até consigam um bom resultado dessas conjecturas, mas não será mérito do autor.

    Isso não é literatura, não é poesia, não é arte. É mera exploração.

    • Acaso
      2 de dezembro de 2013

      Felipe, obrigado pelo comentário.
      Desculpa dizer dessa forma, mas eu não te conheço para saber quais são suas bases teóricas para dizer o que disse. De qualquer maneira, eu acho que é uma afirmação extremamente forte e complexa dizer que tal conto não é literatura, quanto mais arte. Para mim é bem clara a amplitude desses dois conceitos (principalmente o segundo) e, num mundo onde existe, além do minimalismo, narrativas puramente abertas, descritivas e sensoriais consagradas por grandes autores, e principalmente arte Naïf, fica bastante complicado julgar assim, binariamente, “arte” e “não-arte”, “literatura” e “não-literatura”.
      Num concurso de contos, um conto é um conto. Se alguém colar a letra de ‘parabéns a você’ no word e submeter ao concurso, lá estará ‘parabéns a você’ na forma de um conto, de literatura e em última instância de arte.
      Acho que arte é um conceito etéreo demais para que seja dividido dessa forma. A arte é inclusiva e abrangente. Acho que faz parte da arte – e da literatura – textos com os quais o leitor não concorda. Mas, independente do fato de discordar, os conceitos prevalecem.
      Além disso, pensando no “trabalho do leitor”, o que poderíamos dizer das instalações artísticas e intervenções onde nada acontece? Onde há um objeto no meio da sala? O que dizer do urinol de Duchamp? Parafraseando você mesmo:

      “Não há um antes, não há um depois. Não há nenhuma explicação, nenhuma lógica. Sequer há um caminho claro para se seguir.”

      E aí, se o cenário interpretativo do meu conto é, de alguma forma, passível de um paralelo com o cenário proposto por um grande artista, só posso ficar feliz. (é importante dizer que não estou me comparando a Duchamp, por favor. Só estou oferecendo um paralelo com um outro cenário interpretativo não ortodoxo)

      • Acaso
        2 de dezembro de 2013

        Ah, e sobre “É o leitor que irá completar todas as lacunas, imaginar o que estaria acontecendo, criar uma história.”: É isso mesmo. Eu acho que arte – já que tocamos no conceito – não é unilateral. Não basta o que o autor oferece. Isso é só uma parte da experiência. É importante que o leitor busque suas respostas para uma pergunta em aberto deixada pelo autor. Isso também é uma forma de contar uma história.
        Eu quis transmitir um sentimento, independente da história por trás dele. Se você acha necessário imaginá-la vá em frente, mas não creio que seja verdade que todos os leitores precisem de acontecimentos narrativos lineares para complementar um sentimento, quanto mais todos os autores.
        Obrigado,

      • Felipe Falconeri
        2 de dezembro de 2013

        Estudei Literatura na faculdade. É daí que vem minhas “bases teóricas”.

        Mas não tenho nenhuma intenção de ficar aqui vomitando nomes de autores, livros ou teorias. Dei minha opinião. Não vou escrever um artigo para embasá-la. Eu poderia ter dito “tá uma merda” ou “legal, hein”, ou qualquer outra coisa. Você lê a opinião e decide o que faz com ela. Se a leva em conta, se a ignora. Não é problema meu e não tenho nenhum interesse nisso.

        Não vou abrir um debate inútil sobre “parabéns pra você” e privadas. Você pode achar que até um espirro é arte. Não é da minha conta. Já não perco mais tempo com isso.

        Por isso eu não rebato críticas aos meus contos e muito menos aos meus comentários. Só tô respondendo isso aqui para deixar logo essa minha postura clara.

      • Acaso
        2 de dezembro de 2013

        Ô, Felipe, antes de mais nada: Eu só disse que esses conceitos são delicados e tentei jogar pontos ponderados para que a conversa pudesse se desenvolver. Não fui agressivo, não entendo porque seu tom está sendo.
        Agora, te agradeço por não ter escolhido escrever “tá uma merda” ou “legal, heim”, mesmo você dizendo que não é problema seu.
        Porém, me chateia um pouco dizer (eu sei que não foi dito explicitamente mas tá certo que tá dito, né?) que eu vomitei teorias e autores, porque eu sinceramente quis trazer luzes novas na discussão do que, até agora, foi o comentário mais produtivo do texto. Achei que o espaço era importante pra trazer argumentos legais – por estarmos rodeados de pessoas que lerão isso e estarão interessadas -, mesmo você não tendo nenhum interesse nisso.
        Eu acho que para um concurso de contos, o debate sobre “parabéns a você” e piadas nunca será inútil. É importante, como eu disse, para quem está passando por aqui e se interessa, além de nós dois, que fizemos faculdades de comunicação/humanas. E obrigado por nos fazer perder esse tempo, mesmo que você já não perca mais tempo com isso.
        De qualquer forma, obrigado também por reforçar sua opinião sobre não rebater críticas e tudo mais. Repito a questão do concurso de contos: Tem mais gente aqui, gente que escreve como eu, gente que estudou como você, gente que quer conversar e debater. Talvez se você tivesse comentado no meu blog eu não respondesse (ou talvez respondesse, não acho problemático ter diálogos divergentes), mas aqui eu acho bem legal, pela comunidade. Aliás, estou escrevendo tudo isso para esclarecer meus pontos justamente aos outros leitores, porque você já fez questão de dizer que não tá nem aí mesmo, infelizmente.

    • Geruza Zelnys
      2 de dezembro de 2013

      que comentário engraçado… sem pé nem cabeça…

      • Geruza Zelnys
        2 de dezembro de 2013

        Gostei muito dos argumentos do autor para o comentário do Felipe.
        Sem querer repetir o que ele já disse de um modo esclarecedor, justifico que o que me pareceu engraçado na postura do Felipe foi justamente o fato de ele se colocar na posição de quem pode dizer o que não é arte.
        Tem um monte de especialistas aí pra julgar o que é arte, mas nunca conheci um capaz de julgar o que não é. E o paradoxo aqui é proposital, uma espécie de arremedo do paradoxo instalado virtualmente na mensagem dele.
        Embora não me sinta capaz de dizer o que não é arte, diria que arte é, entre tantas concepções igualmente válidas, isca.
        O que faz uma isca boa se não sua capacidade de a-trair? Desde aí o comentário do Felipe acaba demonstrando o inverso do que diz quando, capturado pela não-palavra, reclama a falta da mão do autor dizendo algo que re-instaure a segurança perdida. A fala dele evidencia toda uma pedagogia paternalista da arte do tipo “o que o autor quis dizer com isso?”, cuja ingenuidade prevalece ainda nos dias de hoje.
        Resumindo: se a arte é isca, esse conto é arte, pelo menos na sua relação com Felipe, que, gostando ou não, mordeu a chumbada.

    • Felipe Falconeri
      2 de dezembro de 2013

      Então, cara, acho que você entendeu algumas coisas erradas, então vou explicá-las.

      Eu não quis te acusar de vomitar autores e teorias. Até porque você não fez isso. Só citou o urinol do Duchamp, que é uma peça de “arte” (vale lembrar que é muito discutido se essa obra é realmente arte ou não).

      O que eu quis dizer é que eu não quero fazer isso, entendeu? Sem ironias ou acusações. Vou falou sobre bases teóricas e eu não quero levar a discussão a esse ponto, porque, no meu ponto de vista, é perda de tempo fazer isso aqui.

      Meu tom pode ter parecido agressivo, mas eu não estou com raiva do que você disse, nem sequer incomodado com a discussão. As coisas que eu disse são literais. Quando digo que não tenho interesse em levar esse debate para frente, não tem de nada implícito nisso. Não quero dizer que não vou ouvir seus argumentos porque acho que você vai falar besteira, porque desprezo sua opinião, nada disso. Só não tenho interesse mesmo. Cansei desse tipo de debate pela web, acho infrutífero.

      Quando digo que seu conceito de arte não é da minha conta, também não há nada por trás disso. Só não é da minha conta mesmo, não acho que eu tenha que rebater, discutir, fazer algum contraponto.

      Não discordo do que você diz sobre o blog ser um local para debates e que muitos se interessariam por uma possível discussão teórica. Não advogo que a minha postura seja a melhor. É só uma postura que serve para mim. Só achei que devia torná-la clara.

      Por fim, peço desculpas se fui agressivo, se de alguma forma te ofendi. Sou muito seco com as palavras, muito direto e incisivo. Isso às vezes se confunde com grosseria.

      • Acaso
        2 de dezembro de 2013

        Beleza, Felipe.
        Valeu pela atenção em esclarecer os pontos.
        Tá tudo certo, no fim das contas.
        Um abraço.

  7. Agenor Batista Jr.
    30 de novembro de 2013

    Não gostei. Não se enquadrou no tema do Desafio nem se propôs a nada. Desculpe-me o autor pela franqueza, mas não houve pressa, e sim preguiça. O personagem não disse a que veio, de onde, para que lugar, como, nem porquê. O estilo da narrativa pode ser entendido como “underground language”? Não sei. Não sou um especialista mas sou um bom leitor.

    • Acaso
      2 de dezembro de 2013

      Olá, Agenor.
      Agradeço o comentário e gostaria de te dizer que não, na verdade não houve preguiça e sim a escolha pela narrativa corrida e aberta. Como disse em minha primeira resposta a comentários, acho que é uma escolha estética que acaba se passando como problema. A falta de respostas e de pistas faz parte disso. Esse conto era uma tentativa de passar um sentimento cru. Ele foi minimalista em seus recursos e, por isso, pode ter passado outra imagem.
      De qualquer forma, valeu.

  8. charlesdias
    29 de novembro de 2013

    Descrição de um momento … desse jeito solto fica sem pé nem cabeça … não entendi nada!

  9. Masaki
    28 de novembro de 2013

    Podemos dizer que este conto é uma poesia. O autor descreve, com destreza, o momento único, e talvez o mais importante, da vida do protagonista. Como se fosse uma foto, o texto nos passa a sensação de medo, curiosidade e surpresa. Achei um tanto vago. Contudo parabenizo o autor pela sagacidade na escrita.

    • Acaso
      2 de dezembro de 2013

      Obrigado pelo comentário, Masaki!

  10. Geruza Zelnys
    26 de novembro de 2013

    Oi Autor,
    realmente eu gostei demais desse conto!
    eu não concordo que o começo esteja mais claro do que o final, na verdade me parece o oposto… o começo pega a gente de surpresa, parece mais escuro e mais truncado, mas o bacana é que a iluminação mental que ocorre ao final é concomitante à escuridão completa que se instaura quando o fim tradicional (todo amarradinho) não acontece, lançando o conto no abismo da significação… note que esse é um procedimento próprio da poesia, que se instaura aqui como uma intrusa sem que tenha o tempo necessário para ser reconhecida… perceba que a maioria dos comentários ao seu texto se refere à capacidade descritiva deixando passar o elemento poético que é justamente o que dá sentido ao conto e se materializa plenamente no instantâneo que não permite que se “olhe para trás” para observar o que está posto (à mesa)… na verdade esse tipo de narrativa que ainda não tem lugar na teoria, mas que proponho aqui chamar de narrativa do instante, é uma sacada genial de alguns autores contemporâneos… sinto algo como se uma tentativa de reconstrução da experiência depois que Walter Benjamin decretou seu fim (junto com a morte do narrador)… eu sugiro que o autor leia um texto de filosofia – que me parece ser a sombra que margeia o literário na sua produção – intitulado “O fim do poema”, de Giorgio Agamben, facilmente disponível na internet para download… abraço e sucesso nas futuras produções…

    • Acaso
      26 de novembro de 2013

      Uau!
      Que demais seu comentário, Geruza! Valeu, fico bem feliz em ler tudo isso.
      É, e talvez os momentos claros e escuros/obscuros acompanhem a situação do próprio leitor e de sua experiência durante a leitura. Assim como luz e sombra se revezam pelas pás da persiana, clareza e confusão nos atingem de formas diferentes, em momentos diferentes. Adorei as observações.
      Com certeza lerei esse texto sugerido. Brigadão!
      Ah! E endosso a ‘narrativa do instante’, com prazer! 🙂

  11. fernandoabreude88
    25 de novembro de 2013

    Bom, o conto até forma na retina do leitor uma profusão de imagens preto e branco, eu vi uns insetos passarem em luzes piscantes e estranhas. Os insetos eram esverdeados. Mas, cá pra nós, não chega a ser um conto, não termina, não começa, é uma imagem piscando.

  12. Marcellus
    24 de novembro de 2013

    Bem, o que posso dizer? Não é um conto para mim. Como descrição de uma cena, uma imagem, concordo que ficou muito bom (e até achei a repetição e os vícios muito bem vindos). Mas… e aí? Me incomodam os finais abertos, essa liberdade de pensar demais. Prefiro todo amarradinho, sequenciado, confortável. Mas esse sou eu.

    De qualquer forma, parabéns!

    • Acaso
      25 de novembro de 2013

      Marcellus, é muito importante esse seu comentário – e acho que vale de lembrete pra todo mundo aqui:
      Cada escritor tem seu estilo de escrita e cada leitor tem seu estilo de leitura. É essencial, para um autor, não ficar desapontado se alguém lhe falar que tal texto não ‘faz seu tipo’, não é mesmo?

  13. Pedro Luna Coelho Façanha
    24 de novembro de 2013

    Achei inacabado também. Só que me impressionei com sua habilidade para descrever. ”Um passar de olhos desavisado e inocente certamente começaria por ali, com a beleza da madeira vermelho-fogo em contraste com os bastões de claridade.” Foda.

    • Acaso
      25 de novembro de 2013

      Valeu!
      É ótimo ler isso, até porque a descrição é um dos elementos que eu mais gosto – e faço questão – de desenvolver. 🙂

  14. Leonardo Stockler M. Monney
    21 de novembro de 2013

    Ah, que delícia! Não sabe como me alegro em ver essas coisas! O conto é uma cena só, e todas as informações, a sua totalidade, estão expressas naquilo que pode ser percebido e narrado pelo personagem na situação. Por isso o título é perfeito: o próprio conto é uma moldura. É noir? Claro. O gênero, a imagem que temos dele, pode ser impressa numa moldura, assim como você fez. É uma cena de algo maior que não interessa, ou que interessa apenas enquanto especulação divertida. Acho estimulante esse tipo de literatura. A dica que eu daria é: esse é tipo de conto que tenta dizer o máximo de significados com o mínimo de significantes, então por que não inserir mais elementos pra deixá-lo um pouco mais ambíguo? Ele não precisa ficar tão maior. Foi bem esse o caminho que você seguiu. Meus sinceros parabéns! Gostei muito!

    • Acaso
      25 de novembro de 2013

      Que legal, Leonardo!
      Fiquei muito feliz com ‘estimulante’. Acho que é um dos melhores elogios que um autor pode receber, né? 🙂
      Concordo com sua observação sobre deixar ainda mais ambíguo. Queria, mesmo, desenvolver melhor nesse sentido. Porém, como disse no primeiro comentário, o tempo foi curto – não só pro personagem -, infelizmente. Quem sabe num próximo, né?
      Valeu!

  15. Thata Pereira
    21 de novembro de 2013

    Estou seguindo uma ordem para conseguir ler todos os contos, mas resolvi quebrá-la porque o tamanho desse me chamou muito a atenção. Recordei de quando comecei a escrever e achava — por exemplo — 3.500 palavras muitaaa coisa! Hoje vejo que não.

    Quando terminei, imaginei que um dos motivos do conto ser curtido fosse o fato do narrador estar morrendo. Pensando por esse lado, achei interessante.

    Agora, que dava para desenvolver mais, dava sim.
    Isso de já ter a consciência de que vai deixar “pontas soltas” e fazer uso de “vícios de linguagem”, como você se referiu na sua resposta abaixo: não achei bacana. Você escreve bem, faz umas descrições que gostei muito, pra (que) fazer isso?

    • Acaso
      25 de novembro de 2013

      Oi, Thata!
      Então, valeu por comentar e observar esses pontos. Sobre seu questionamento final: As pontas soltar são uma característica minha, de coisas que venho lendo ultimamente (posso sugerir? Kelly Link, uma escritora incrível de literatura fantástica!) e também um caminho interessante para o Noir, que aguenta uma boa dose de mistério – bem mais que outros gêneros, inclusive. Me pareceu inevitável usar o final aberto! hahah
      Quanto aos vícios de linguagem: Outra característica das coisas que escrevo, que acaba, em minha opinião, casando de uma forma produtiva com o tom ‘urgente’ desse conto: Confere uma certa organicidade que nos (me, pelo menos) ajuda a entrar na cabeça do personagem e sentir a falta de ar e o desespero que ele sente. Essas estruturas acabam refletindo na forma o desespero do conteúdo, aquele desespero em que ninguém consegue concatenar frases perfeitas e estruturas limpinhas.
      Deu pra entender? hahaha

      • Thata Pereira
        25 de novembro de 2013

        Sabe que eu até levei isso em consideração quando li? Só não lembrei na hora de formular o comentário. Mas disse justamente pelo que você respondeu para Cláudia: pode soar como defeito e não estilo.

  16. Gustavo Araujo
    20 de novembro de 2013

    Este é o tipo de narrativa que não se pode chamar de tradicional. Não há clichês. Não há uma ligação (nítida) de A para B. Certamente, é um texto cujo desenvolvimento causa desconforto por conta da maneira diferente como foi escrito. Pouca gente está acostumada a ler coisas assim. De qualquer forma, não dá para negar que o autor sabe muito bem o que está fazendo. O ritmo imposto pelo jogo de palavras, pela concatenação dos parágrafos, pelas descrições sinestésicas, tudo isso foi pensado com uma perícia de dar inveja. Pena o texto ser tão curto.

    • Acaso
      25 de novembro de 2013

      🙂
      Valeu, Gustavo!

  17. Ricardo Gnecco Falco
    20 de novembro de 2013

    Achei que a leitura começou interessante, que depois ficou um pouco truncada, que mais pra frente picotou ainda mais, que repetições de palavras se tornaram frequentes, que a leitura começou a travar e que, no final…
    … Que?
    (estou brincando, autor! 😉 ) É (que) não consegui pensar em nada melhor para escrever aqui! 😛
    Boa sorte!

    • Acaso
      25 de novembro de 2013

      hahahah é isso aí, Ricardo.
      Acho que é parte da proposta, mesmo: O começo ser mais claro que o final.
      Valeu!

  18. rubemcabral
    20 de novembro de 2013

    Olha, você escreve bem, descreve bem e consegue impor um ritmo muito bom. A ideia do conto pareceu sair da imagem selecionada, não? Algo de alto contraste, tipo expressionismo alemão.

    No entanto, achei que o final abrupto não convenceu; você teceu a teia, distribuiu algumas pontas em várias direções, mas cortou com tesoura no final.

    Espero ler outros textos seus, porém escritos com mais tempo…

    • Acaso
      25 de novembro de 2013

      Valeu pelo comentário, Rubem!
      A imagem é minha mesmo. Produzi para o texto. Pode ser tanto uma referência a esse universo e a esse sentimento como, numa interpretação mais direta, uma representação das persianas (que são justamente o que propicia esse claro-escuro).

      Quando o desafio acabar, posso postar o link pro meu blog, com textos escritos com mais (e até menos!) tempo. 🙂

  19. Jefferson Lemos
    20 de novembro de 2013

    Não gostei, achei sem sentido. D:
    Ficou inacabado e confuso, mas valeu por participar. 🙂

  20. Claudia Roberta Angst - C.R.Angst
    20 de novembro de 2013

    Não deu tempo de escrever o conto, não é? Eu entendo. Há elementos interessantes aí mesmo que pareça tudo inacabado, jogado, rasgado por falta de esparadrapo ou tempo. Pressa tropeça e faz cair em detalhes bobos:
    “Mesmo nesse estado, a sala de reuniões era mais importante que a minha sala, que a enfermaria mais próxima, que qualquer coisa ” Essa repetição que que que me estressou um pouco.
    Eu sei, foi a pressa e a falta de iluminação adequada, mas valeu.

    • Acaso
      20 de novembro de 2013

      Obrigado pelo comentário!
      O tempo realmente estava apertado – no conto e fora dele -, o que resultou na narrativa breve e relações não tão desenvolvidas.
      Já a impressão de estar tudo inacabado e picotado estaria aí com ou sem tempo, pois foi a estrutura conscientemente escolhida no momento da concepção do conto: O plano era escrever assim, (era) deixar pontas soltas, (era) não aparar todas as aretas e (era) também, aliás, deixar fluir vícios de linguagem, como essa repetição do ‘que’.
      De qualquer forma, é importante ver que isso talvez ainda não perpasse, no texto, da maneira mais eficaz, parecendo defeito ao invés de estilo.
      Mas, como você disse, valeu. 🙂

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Informação

Publicado às 19 de novembro de 2013 por em Noir e marcado .