EntreContos

Detox Literário.

Maria da Penha (Wasp)

Nelson mal podia acreditar na própria sorte. Da janela do café, apreciando seu capuccino, observava a mocinha que estava na calçada do outro lado da rua, encantado. Ela era seu tipo perfeito: pequena, magra, bem jovem, uns quatorze anos e, principalmente, sozinha no mundo, a menina de quem ninguém daria falta. Isto era óbvio. Ela estava encostada no muro, cabisbaixa, maltrapilha, parecendo faminta, o retrato do desamparo. Voltava-se, timidamente, a cada transeunte, com as mãos estendidas e recuava em seguida, quando era ignorada. Ela era invisível. Era perfeita para ele.

Terminou sua bebida e voltou ao caixa. Pediu um enroladinho de queijo e presunto e um suco de laranja para viagem, pagou e saiu à rua, já quase vazia, em direção à moça. Era hora de ser encantador.

Maria viu o moço se aproximando e sentiu um frio em sua espinha, alguma coisa se alvoroçou dentro dela e seu coração disparou. Ele sorriu para ela, que não costumava receber muita bondade do mundo. Ele entregou-lhe um saquinho que cheirava a comida e um suco de laranja. Ela teve medo. Abriu o saquinho e cheirou, desconfiada. Olhou para os lados, esperando que alguém lhe tomasse aquelas dádivas, ou que ele as pegasse de volta. Cheirou o suco e, quando percebeu que aquelas coisas eram mesmo para ela, comeu. Estava mesmo com muita fome.

Ele deixou que ela devorasse o lanche em paz e, só depois, conversou com ela, usando seu tom de voz mais doce.

— Eu sou o Nelson. E você?

— Maria.

— Só Maria?

— Maria da Penha.

Nelson segurou o riso. Aquilo não era nome. Era sina. Uma marca do destino.

— Maria, quantos anos você tem?

Ela deu de ombros, não parecia saber a resposta.

— Uns quinze.

Maria pareceu se aborrecer com a pergunta. Hora de mudar de assunto.

— Vi que você gostou do salgado. Esse café tem salgados ótimos. Você vem sempre por aqui?

— Não fico muito tempo em nenhum lugar. Eles não gostam, me mandam embora.

— Gostaria de uma sobremesa? – estendeu em sua direção uma trufa.

Ela abriu a embalagem e enfiou tudo na boca.

— Calma, tem mais aqui. Você pode levar uns para casa, dividir com seus irmãos.

— Não tenho irmãos.

— Ah, entendo. É só você e seus pais.

A reação dela foi a melhor resposta que Nelson poderia esperar. Ficou arredia, olhou para o chão. Ela não tinha ninguém.

— Maria, você parece uma boa menina que vem tendo uma vida difícil. Minha vida também foi difícil até que encontrei pessoas que me ajudaram. Eu gostaria de poder ajudar você.

— Eu não quero ir para o abrigo. Odeio aquele lugar.

— Sim, tudo bem. Nada de abrigo, então. Mas eu gostaria de comprar umas coisas para você, um pouco de comida, umas roupas. Você me acompanha até o mercado?

Nelson estava em seu elemento. Sua voz era doce, calma e pausada, passava confiança e bondade. Seus olhos, eram a própria mansidão. Ele sabia da eficiência daquela máscara, já a usara muitas vezes, com sucesso. Sentia-se seguro e muito próximo de seu objetivo: uma noite de prazeres.

Quando viu que Maria hesitava, armou seu melhor sorriso, aquele que evidenciava duas covinhas charmosas, ergueu as mãos num sinal de rendição e disse, brincalhão:

— Eu não devia convidar uma mocinha desconhecida para entrar em meu carro, mas você me parece confiável, Maria.

Ela riu. Mordeu a isca.  

*

— Maria, desculpe, mas preciso parar aqui um minuto. Tenho que deixar um documento com um colega meu. Você me espera?

Ela fez que sim com a cabeça enquanto olhava ao redor. Era uma zona afastada de onde estavam antes, um lugar ermo, cheio de galpões. Já era noite e a rua estava vazia. Nelson parecia estar na dúvida.

— Quer saber? Aqui não é um lugar seguro. Não gosto da ideia de deixar você sozinha no carro. Venha comigo, é melhor.

Novamente, aquele sorriso caloroso, solar. De fato, aquele lugar dava medo. Maria foi com ele.

Enquanto entravam em um galpão que, por fora, parecia abandonado, Nelson sentia seu coração bater rápido, em antecipação. Adrenalina. Acendeu a luz sem medo, não havia janelas. O ambiente já estava todo preparado, forrado de cima a baixo com plástico grosso. Os armários encostados na parede, impecavelmente arrumados, continham todas as suas ferramentas e todos os seus brinquedos. Uma caixa de metal, guardado num nicho oculto na parede, continha várias mechas de cabelos, amarradas com fita rosa. Cada mecha de uma menina. Nelson se orgulhava de sua coleção, de sua abrangência e variedade. Pensava que os cabelos castanho escuros de Maria, com seu tom de chocolate, seriam uma bela adição. Quando a madrugada terminasse, essa nova mecha estaria dentro de sua caixa de tesouros.

Assim que entrava naquela sala, Nelson se transfigurava. Seu rosto relaxava e ele se excitava, lembrando de cada uma das meninas que levara para lá. Todas enjeitadas, abandonadas, pequenas vira-latas sem destino. Todas menores, quanto mais jovens, melhor. Todas desconfiadas, relutantes. Todas seduzidas pelos seus gestos de gentileza. Todas atraídas para ele como mariposas. Todas destinadas a ele, a uma noite inesquecível que terminava com vários sacos de lixo contendo pequenas partes do corpo sendo espalhados em lixeiras pela cidade. E com mais uma linda mecha na caixa metálica.

De olhos fechados, ele antegozava agora o momento em que a menina perceberia que havia algo de errado. Ela perguntaria “que lugar é esse, tio?” ou “cadê seu amigo, seu Nelson?”, sempre com uma nota de medo na voz, às vezes trêmula. Mas isso não aconteceu. O que houve foi uma dor inesperada em sua coxa e a sensação de que seus músculos viravam gelatina.

*

Maria estava leve. Sentia-se limpa, cabeça vazia, flutuando num mar de satisfação. A noite fora produtiva. Menos um maldito pedófilo no mundo. Menos um monstro. Havia um dito, daqueles que pretendem ser edificantes: se você matar um assassino, a quantidade de assassinos no mundo continua a mesma. Para Maria, isso era muito fácil de resolver. É só você não parar no primeiro. Foi o que ela fez.

O primeiro que ela matou foi Januário. O desgraçado que a adotara apenas para poder exercitar seu sadismo. Ela demorou para tomar a decisão. Ela demorou para acumular meios. Ela demorou para explodir e agir, de forma atrapalhada e amadora. Esta demora toda custou-lhe incontáveis marcas pelo corpo e pela alma. Há coisas que não podem ser esquecidas. A polícia a encontrou no local do crime, coberta do sangue de Januário, segurando a faca que usara para estripá-lo, ainda pensando no que fazer com o corpo.

Ela foi considerada inocente, agira em legítima defesa. As marcas no seu corpo contavam a história de seus motivos. Ela tinha apenas dezesseis anos e foi para uma instituição psiquiátrica, onde aprendeu que os remédios não a faziam se sentir melhor. A sensação de sujeira, de medo, de impotência, nunca a abandonava. Quando voltou para a rua, anos depois, aprendeu a duras penas a sobreviver só. E a ter paz.

Sua paz era voltar àquele momento glorioso em que viu, nos olhos de Januário que ele compreendia que aquele era o fim. Àquele momento em que sua faca deslizou para dentro daquele monstro e ela se sentiu feliz pela primeira vez..

Por sorte, ela, que sempre foi miúda para a idade, parecia ser um chamariz para esse tipo de sujeito. Eles achavam que ela era criança, muito mais nova do que seus vinte e dois anos, e vinham, cheio de sorrisinhos, tal como esse Nelson, atraí-la para alguma casa de horrores. Era muita tentação para ela, tantos monstros se oferecendo para a redenção pelas suas mãos. Mas é justo dizer que ela nunca se esforçou em declinar.

Com o tempo, ela desenvolveu técnica, aprendeu a se livrar dos corpos, a não deixar vestígios, a agir com calma e sangue frio. E aprendeu que, mais que paz, aquela atividade lhe dava prazer. Isto não a preocupava. Prazer era prazer e havia tão pouco na vida…

De volta ao presente, este Nelson facilitou muito as coisas para ela. Ele tinha tudo à mão, e já pronto para embalar. Ela soltou o plástico que envolvia as paredes, embrulhou o que sobrara do infeliz depois de testar nele todos os brinquedos que o homem guardava naquelas gavetas. Antes disso, arrancou um canino de Nelson e o guardou num saquinho no seu bolso. Ficaria lindo dentro de seu porta joias, ao lado do anel de Januário, da correntinha daquele traficante nojento, da unha bem cuidada do playboyzinho, do canivete daquele policial e de tantos outros tesouros.

A toxina que ela desenvolveu estava funcionando maravilhosamente. A vítima ficava paralisada, porém, com os sentidos preservados. Pena que matava muito rápido. Ela precisava aprimorar a fórmula. Pensava nisso enquanto desovava o corpo num ponto deserto do rio Pinheiros.

Dormiria em paz esta noite. E, no dia seguinte, seria hora de procurar o próximo monstro.

15 comentários em “Maria da Penha (Wasp)

  1. Priscila Pereira
    20 de setembro de 2021

    Olá, Wasp!

    Ambientação: muito boa! Tudo bem descrito, dá pra visualizar toda a cena.

    Enredo: olha, eu escrevi um conto em que uma médica dava uma droga para um cara que ela achou na balada e ele ficava paralisado, mas sentia tudo, e então ela vai torturando ele até que ele morra de dor. Achei bem legal ler algo parecido aqui! Me lembrou também meu amado Dexter!! Gostei bastante dessa anti heroína.

    Escrita: boa, entrega o que se propõe sem enrolação, direta e fluida.

    Considerações gerais: gostei do conto! Bem legal! Parabéns!

    Boa sorte!
    Até mais!

  2. Jowilton Amaral da Costa
    20 de setembro de 2021

    Ambientação: Achei a ambientação boa. Conseguimos nos situar num cenário urbano, um café, mesinhas do lado de fora, transeuntes e pedintes.

    Enredo: O enredo é bom. A reviravolta também me pegou de surpresa e veio bem na hora certa, eu já estava cismando com a condução do conto. Tudo muito direto. Parece brincadeira, mas a frase De volta para o presente, também me pegou de surpresa e me incomodou um pouco. Outra coisa foi a toxina que ela mesma havia desenvolvido não me pareceu muito crível, com isso, dando uma enfraquecida no tom realista do texto, na minha opinião, claro.

    Técnica: Boa técnica, a leitura fluiu sem entraves e a condução narrativa foi bem feita.

    Considerações Gerais: Um bom conto, com uma boa reviravolta

    • WASP
      20 de setembro de 2021

      Oi Jowilton!

      Ah, então, por favor, me explica qual o problema com o “de volta para o presente”, que eu, de verdade, não entendi. A personagem pensava em seu passado e o narrador trouxe o foco de volta para o presente. O que incomodou nesta frase? (não é patada, eu realmente queria entender melhor isso rs).

      E o negócio da toxina… deu pra perceber que eu deixei uma lacuna meio grande demais. Eu devia ter desenvolvido isso melhor. Não ficou claro.

      Obrigada por sua leitura e por seus comentários.

      WASP.

  3. Angelo Rodrigues
    20 de setembro de 2021

    17 – Maria da Penha

    O autor estabelece no texto uma relação arquetípica de Lobo Mau e Chapeuzinho vermelho: a mansa sedução. A rigor, dá um ar fabular ao conto. Isso, se por um lado facilita a compreensão, por outro indica um caminho ao leitor, que será quebrado ou não.
    Há uma passagem de frágil construção: “De olhos fechados, ele antegozava […] O que houve foi uma dor inesperada em sua coxa e a sensação de que seus músculos viravam gelatina.” A coxa de quem? Esse trecho só se vai explicar mais adiante. Neste, fica um vazio de compreensão. Quem agrediu quem? Maria ou Nelson?
    O texto pretende uma virada, onde Chapeuzinho Vermelho se torna Lobo Mau. Ok, legal. Embora injustificado. Mendigar esperando pedófilos me parece uma caça de pouquíssimos peixes, salvo se o mundo fosse abarrotado de doidos, o que ainda não é. E Maria da Penha parece atrair os peixes sem que isso se justifique satisfatoriamente.
    Seu jeito Dexter Morgan de ser parece não se justificar razoavelmente, dado que não teria meios de mapear pedófilos por decorrência de sua parca vida de menina-mulher (e futura doida), salvo se nas linhas seguintes houvesse um aparato enorme, uma rede de caça, o que não se mostra verdadeiro.
    No decorrer do texto, mais ao final, o autor constrói, para Maria da Penha (uma franca referência à Lei Maria da Penha) um background que lhe quer dar razoabilidade, mas não consegue, dado não serem razoáveis os argumentos, particularmente no trecho “A toxina que ela desenvolveu estava funcionando…”. Maria da Penha desenvolvia toxinas? Passou do ponto.
    Um conto que pode ser legal se trabalhado e amarrado dentro dos limites de uma pessoa como Maria, de poucos recursos, doida e sofrida. Creio que haja um caminho legal para que o conto ganhe maior verossimilhança. Com certeza será um conto bom de ler.
    Boa sorte no desafio.

    • WASP
      20 de setembro de 2021

      Oi Angelo.

      Obrigada por seus comentários. Foi uma crítica bastante construtiva.
      Falhei em criar o background da Maria. Na verdade, eu o criei, mas só dentro da minha cabeça. No texto, ficou uma lacuna imensa que eu deveria ter trabalhado melhor.

      De novo, obrigada.

      WASP

  4. Júlio Alves
    17 de setembro de 2021

    Interessante como na primeira linha eu já tinha desvendado o desenrolar de tudo: tanto da parte ds primeira personagem como na segunda. E isso não seria um problema se o conto não permanecesse reforçando a ideia sem trazer nenhum elemento. Me soou como o filme Promising young woman, que não terminei de ver por não gostar do passo (o que de nada interfere aqui).

    O maior problema do conto para mim foi um conjunto de palavras que, a não ser que você faça a lá Lemony Snicket em A sala dos répteis, é tenebroso: “de volta ao presente” – frase esta que me levou a perceber os vários cacos deixados ao redor do texto, cacos estes que, por sua vez, me fizeram questionar a intenção autoral com a história, evidenciada em diversos momentos, mais específico sobre a questão manicomial.

    Acredito que exista liberdade para compor da forma desejada, mas também acredito em pesquisa. O conto, infelizmente, soou simplista.

    • WASP
      20 de setembro de 2021

      Caro Julio.

      Que bom que você desvendou tudo! Mas eu, por outro lado, não entendi que ideia fiquei reforçando. Também não assisti Promising young woman e detesto Lemony Snicket, o que também não me ajudou em nada a entender seu comentário.

      Não entendi, tampouco, por que o uso de “de volta para o presente” é tão equivocado. Desculpe a minha ignorancia, mas é errado usar esta frase? Ou é so porque você não gosta? Neste último caso, lamento, mas não há nada que eu possa fazer, a menos que vc me mande uma lista de todas as frases que vc desaprova.

      Eu diria que não entendi também quais foram os cacos que deixei, ou minha intenção autoral ou a questão manicomial, mas aí seria só eu dizendo novamente que entendi patavinas do seu comentário.

      De qualquer forma, obrigada pela leitura.

      WASP

  5. Wilson Barros
    17 de setembro de 2021

    Me desculpem, mas não consegui ver nada inverossímil nesse conto. Eu só narraria o conto em primeira pessoa, para dar mais realismo.
    A técnica da “analepsis”, que já comentei no conto “De volta à fogueira”, está mais uma vez presente. É o tipo do conto que todo mundo gosta, pela agradável reviravolta final. Destaque para algumas frases bem construídas:
    “Aquilo não era nome. Era sina”
    “pequenas vira-latas sem destino.”
    Existem muitas outras frases perfeitas em um conto magnificamente escrito. Um conto soberbo.

    • WASP
      20 de setembro de 2021

      Caro Wilson.

      Muito obrigada pelo seu comentário generoso. Fico muito feliz que tenha gostado!

      Pensei em narrar em primeira pessoa, mas achei que ficaria confusa a transição do ponto de vista do Nelson para o da Maria e preferi não arriscar.

      Pena que, pelo visto, nem todo mundo gosta deste tipo de conto rs.
      Mas, fazer o que? É o que eu gosto de escrever. E vc gostou, o que já alegrou meu dia!

      Mais uma vez: obrigada.

      WASP

  6. thiagocastrosouza
    14 de setembro de 2021

    O conto tem elementos de suspense e vingança. Com o codinome de Maria da Penha, a protagonista caça pedófilos pela cidade como uma forma de lidar com seus traumas e fazer justiça com as próprias mãos. Há uma virada no meio do conto, que é o momento onde passamos para a perspectiva da moça.

    Contudo, achei a escrita muito explicativa e com pouca força para gerar tensão. O narrador sabe tudo e vai nos informando diretamente o que se passa na cabeça dos personagens, seus planos, traumas, motivações, muito pouco da história é acrescentada nos atos e diálogos. Estes, quando tem, são guiados pelo escritor, como se estivesse pegando o leitor no colo para explicar tudo o que deseja. Além disso, o tamanho curto do texto não ajudou na construção do enredo. Existem dois personagens introduzidos num curto espaço e com desenvolvimento abrupto, sendo que as ações de Maria não correspondem com esse desenvolvimento. Como uma órfã, que sofreu abusos e perambula sozinha sobrevivendo pela cidade consegue cometer crimes tão refinados, com substâncias químicas e outras ferramentas? Esse é o tipo de coisa que precisa ser plantada no conto com antecedência e cuidado, se não vira apenas um Deus Ex Machina.

    Enfim, o conto abrange o tema do desafio, mas peca na execução.

    Grande abraço!

    • WASP
      20 de setembro de 2021

      Então, Thiago.

      Eu gosto de narradores oniscientes e, talvez, eu abuse um pouco do recurso. Mas, o fato é que eu, como leitora, acho cansativos os textos que mostram todo o background do personagem, seus passos até chegar ao ponto. Preciso achar o equilibrio.

      Maria é orfã. Sofreu abusos. Aprendeu a se virar sozinha. Mas ela não vive sozinha nas ruas, nem é incapaz. Ela só se fantasia de menor abandonada para atrair os pedófilos. Explicar/mostrar isso antes ia tirar a graça do ponto de virada. Exibir/mostrar isso depois ia ficar explicativo. Optei por deixar uma lacuna.

      Obrigada por seu comentário, tentarei aplicar suas sugestões no futuro.

      WASP

  7. Emanuel Maurin
    13 de setembro de 2021

    Achei a narrativa bem fluida, o conto bem estruturado, os diálogos bons e o mais legal foi a virada. Juro que eu não esperava que Maria da penha era o Dexter (brincadeirinha), foi uma grande sacada essa mudança no rumo da trama. É bem difícil fazer isso.

    • WASP
      20 de setembro de 2021

      Oi Emanuel.

      Que bom que gostou!
      Sou fã de Dexter e me inspirei nele, sim. Nele e em Lisbeth Salander.

      Obrigada por seu comentário!

      WASP

  8. Anderson Prado
    7 de setembro de 2021

    1. o tema está adequadamente abordado: a protagonista é uma fora da lei;

    2. o enredo é bom: é surpreendente como a aparente vítima se torna algoz;

    3. o domínio da gramática e das técnicas de narração é bom: o autor comete poucos deslizes (a maioria irrelevantes) e sabe como tornar a leitura fluida e interessante;

    4.   não me agradou a escolha do título e, consequentemente, do nome da personagem: soou-me mal-gosto. Ainda assim, compreendi o intuito: justiçar, através da literatura, Maria da Penha; além disso, a imputação do nome conduz o leitor depositar ainda mais fé na ideia de que está diante de uma vítima, tornando a virada ainda mais surpreendente;

    5. em falas, sugiro ao autor trocar “para” por “pra”, o que tornará seus diálogos mais realistas;

    6. sugiro ao autor rever a questão relativa à separação de sujeito de predicado com vírgulas. Por exemplo, em “Seus olhos, eram a própria mansidão”, a vírgula parece inadequada;

    7. supondo que o conto esteja ambientado no presente, é pouco crível que optasse por espalhar partes dos corpos pela cidade, correndo o risco de ser visto ou, ainda mais provável, filmado (hoje, nas cidades médias e grandes) é praticamente impossível lançar partes de corpos em lixeiras sem acabar sendo filmado. Seria mais crível se o assassino optasse por enterrar os corpos ou lançá-los em local de desova específico;

    8. quando a estrutura de uma frase é quebrada para inserção de uma indicação de lugar, deve-se usar um par de vírgulas. Assim, faltou uma segunda vírgula depois de “nos olhos de Januário”;

    9. não sei se está correta a crase aposta em “Àquele moment”;

    10. o parágrafo iniciado por “Por sorte, ela…” é uma ação passada anterior a outra também passada. Assim, deveria estar no pretérito mais que perfeito: “sempre fora (ou tinha sido) miúda”; “nunca se esforçara (ou tinha se esforçado) em declinar”;

    11. pareceu-me pouco crível que uma garota de 22 anos, moradora de rua, sem formação escolar de qualidade tenha desenvolvido uma toxina (!!!!!!!);

    12. pareceu-me pouco crível que uma garota de porte miúdo tenha transportado o corpo de um homem adulto até o rio Pinheiros (!!!!!!!). Como ela fez isso? Ela agora tinha um carro à sua disposição? Ela então sabia dirigir? Aprendeu onde? Nas ruas? (!!!!!!!)

    • WASP
      20 de setembro de 2021

      Anderson.

      A escolha do título foi sim uma homenagem, de modo que lamento que vc ache que seja de mau gosto. De mau gosto é uma lei que precisou que uma mulher se tornasse paraplégica para, só então, ser discutida e vir a existir. De mau gosto é uma realidade em que, primeiro, temos que ser vítimas, para, só então, ter o direito ao respaldo da justiça. Quis criar uma personagem que não se conforma em esperar.

      A ideia de espalhar pedacos de corpos separados era a de inviabilizar a identificação e a localização do local do crime. Desovar em algum lugar seria mais crível, mas seria também pouco criativo, batido e clichê.

      Item 9: sim, está certo. Refiro me “A aquele momento…”. Portanto, “Àquele momento…”.

      Item 11: Maria não mora na rua. Ela se disfarça de menor abandonada para atrair pedófilos. A formação escolar dela não foi de má qualidade, isso foi inferência sua…

      Item 12: também acho pouco crível que Lisbeth Salander, com menos de 1,50m e magrela derrube marmanjos com algumas lições de boxe. Mas isso não me impede de gostar da série Millenium. Sim, eu sou bocó. Não, eu não ligo.

      E Maria tinha um carro à disposição: o carro de Nelson, lembra? Ela aprendeu a dirigir, provavelmente, numa auto escola. Só não julguei necessário colocar no conto uma cena dela fazendo aulas de volante.

      No mais, agradeco seus comentários e sua leitura.

      WASP

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Informação

Publicado em 4 de setembro de 2021 por em Foras da Lei.