EntreContos

Detox Literário.

[EM] Um de nós (Tribuna)

1

Pés à correta distância, joelhos levemente vergados, mãos no taco e olhos na bola.

— Vai, lança! — Miguel grita, desafiador.

Pequena assim é a Vila do Carmo, onde crianças ocupam em brincadeiras infinitas as ruas de pedra.

— Lança logo! — insiste.

Do outro lado, Gustavo faz mira e atira, pretendendo-se certeiro, mas logo divisa a bola distante de seu alvo e ao alcance do taco adversário. 

Miguel, sorriso malicioso, gira o corpo e arremete.

Juntas, as crianças, entre jogadores e entusiastas, assistem o tempo de brincar acabar. O taco erra a bola, atinge o chão e se parte ao meio. Um agora é dois: metade está entre as mãos de Miguel, metade no olho esquerdo de Felipe, que tomba, oco.

2

O cortejo passa silenciando praça, ruas, casas e comércio.

— Não vos entristeçais, pois hoje um anjo vai ao encontro do Pai.

O dia amanhecera nublado e exibia sua face cinza e baixa sobre a comunidade de lápides e covas.

— Não devemos temer a morte. O Pai anseia pelos seus. E os arrebata. 

Entre os circunstantes, escapa um soluço de mãe.

— Os seus, Ele leva. Se temos algo a temer, é ao que fica.

Os céus ameaçavam uma tristeza que se insinuava forte e persistente. Alguns traziam guarda-chuvas, enquanto a maioria apenas acompanhava apática aos últimos momentos do velório que se arrastava desde a tarde anterior.

— Devemos temer é a vida. O mal existe! E não está na morte nem nos que partem.

O sermão calava entre os velhos que teimavam em não partir.

No horizonte, as chuvas se anunciavam com estrondo, enquanto o padre Ângelo tentava suplantar a fúria dos céus.

— O mal está aqui! Entre os vivos.

3

Desce queimando a dose de rabo de galo, bebida num trago, por homens no bar defronte à igreja.  Com o passar do cortejo, o clima se adensa e conversas ébrias baixam o tom. 

— Foi coisa do Cão, seu Cristóvão, tão dizendo. 

O dono do bar enxuga uns copos atrás do balcão.

— Só se o Cão tiver cara de gente, braço de gente, perna de gente e ruindade de gente.

Serviu o freguês.

— Não desmereça, foi o padre quem disse. 

Cristóvão observou o sacerdote de longe. 

— Pois, pra mim, a terra é do homem, não é de Deus nem do Diabo. 

Estendeu o copo pra mais uma dose.

— Amanhã largo a bebida e volto pra igreja.

4

Os passos bêbados confundem pés, pernas, calçadas e pedras. Tropeça em si mesmo, quase cai.

— Eita, diabo! — esbraveja.

Retoma a caminhada, já não mais sozinho sob a luz incerta da lua.

— Ôôô, quem vem lá?

Anda quando ele anda, silencia quando ele fala. Quem vem lá não quer conversa.

Abre mão da pergunta e segue em frente. A adrenalina lhe devolve parte da sobriedade e equilíbrio, mas não o bastante pra antever a estacada nas costas, logo abaixo das costelas. 

Será encontrado no terreno baldio detrás da igreja, olhos e boca ainda abertos para o último espanto, forrado de formigas, rodeado por moscas, marcado por estranhos sinais.

5

— Tome sempre depois da reza. No final de um mês, jogue a garrafa em água corrente. Entendeu?

Na Vila do Carmo, morria-se pouco e sempre de velho. Com dois corpos em uma semana, o que começara como boato no bar terminara como fato nas ruas. Alívio pro delegado, tormento pro padre, suplício pra Mãe Lourdinha.

O menino apanhou a simpatia, tossiu. 

— Tão dizendo que foi obra do Cão.

— Que tenho eu com o Cão?

— Nada, Lourdinha, nada. Mas você conhece a língua do povo.

Pouco se lhe dava. Falavam, mas quando o médico e o padre não davam conta, era suas mãos benzedeiras que procuravam.

— Pois diga ao povo que conhecem bem o endereço do terreiro. Segunda à esquerda no Caminho do Umbuzal.

6

Caim, assim o alcunharam. Um cachorro escanzelado, rueiro e sem dono, brigão com forasteiros e das crianças chegado. Era convidado, inclusive, pra uma ou outra invencionice, onde virava herói ou vilão no meio da molecada. De Cristóvão ganhava água, de Lourdinha, banho e ração, quando não abrigo do padre em tempo de chuva. 

Andava ressabiado, estranhando a todos, ladrando pro nada. Mordeu a mão de Miguel, numa dessas de cismado. 

— O cachorro endoidou ou o moleque abusou.

7

Luísa não se assustou quando o giroflex atravessou sua janela e seguiu pelo Caminho do Umbuzal. A polícia aumentou a frequência a Vila do Carmo. Quem recebia os homens era Lourdinha, pois acordara com a casa pichada: dizeres de “Bruxa” e “Demônio” atravessando a imagem de São Jorge, já gasta no portão. 

— Nem o santo respeitam mais — Cristóvão falava detrás do balcão, acompanhando o movimento. Policiais entraram no estabelecimento, um cliente murmurou. 

— Pra ela, aquilo não é santo, não. É Ogum. 

— Ogum, orixá da guerra! — um dos policiais anunciou — É o que queremos com esse vagabundo. Qualquer ajuda é bem-vinda, independente do credo.

O delegado, apesar de aparentar pacato, ansiava promoção. Espalhou homens à caça de nomes e informações. O padre firmou compromisso, Cristóvão não disse que sim ou que não, já Lourdinha consultaria seus guias aquém dos homens da lei.

Na porta de Luísa deixaram um cartão: “Qualquer suspeita, ligue 181”. No verso, o telefone pessoal do delegado. 

8

O sacerdote mirou a igreja tornada irreconhecível pelo enorme afluxo de fiéis e curiosos a ocuparem bancos, paredes lindeiras e escadaria defronte.

— Não se agitem. O bom pai conhece as necessidades de seus filhos.

Nas últimas semanas, os insucessos da polícia haviam instigado a boataria e, pela boca das beatas, o povo ouvira a promessa de que o padre poria cabo de toda aquela história.

— Não depositem sua fé nas falsas promessas, porque o inimigo é o pai da mentira. Desde o início dos tempos, ele quer nos destruir, disfarçando-se como anjo de luz. A resposta que procuram não virá de fora, mas de dentro. Atentai-vos!

A fala enigmática servia às mais variadas perguntas. Alguns descriam da polícia, outros acusavam a curandeira e, até mesmo, já havia quem apontasse o padre.

9

Lourdinha não careceu dos búzios pra consultar os guias. Em sonho, um Ogum feroz combatia sombras nas vielas da Vila do Carmo, enquanto Xangô dissipava a escuridão com raios lançados da boca. A benzedeira via tudo com assombro, até um breu tomar aquele mundo onírico e as palhas de Obaluaê farfalharem indicando algum caminho. O Orixá movia-se com lentidão, balançando seu xaxará, e o cenário à sua volta se revelou numa pequena vila, com casas de taipa e um poço, que Lourdinha reconheceu como o quintal de sua infância. 

— Preciso voltar! — Orixás e casas se dissolveram na negrura do nada, até o som de uma buzina despertá-la.

João Motorista, entregador do mercado, às vezes de Cristóvão e de outras bibocas, estava no portão, impaciente. 

— Sua boia, dona!

— Desculpa, menino. Adormeci. Aqui tá o acertado — titubeou, antes de entregar o dinheiro. — Me diga, você também faz viagem por fora?

— Pagando bem, que mal tem? — apanhou o dinheiro. 

— Dê cá seu número, que logo vou precisar de uma carona até a rodoviária. 

João Motorista passou o contato, entrou no Celta e saiu levantando poeira. 

10

Olhos opacos, corpo roto, sinais de intenção na execução; pentagrama invertido no peito, membros amarrados no arame, ventre rasgado em ato de imolação; lábios ligados por fina costura. As autoridades não atribuíram a obra ao Cão, como boa parte da comunidade, mal a notícia se espalhou a partir do córrego da Rua 5, onde encontraram o infeliz, mas era um corpo de cão, do cachorro Caim, que jazia ali, empacado nas águas. Na boca do animal, uma das simpatias de Lourdinha.

11

São Jorge Ogum desapareceu atrás da espessa tinta cinza. Junto com ele, os insultos no portão de Lourdinha. O novo detalhe é uma placa de “Aluga-se”, seguida pelo contato do corretor de imóveis, ignorante dos acontecimentos na Vila do Carmo. Ninguém toma mais o Caminho do Umbuzal, e quem o fizer, será como possível inquilino, talvez membro futuro da igreja do padre Ângelo, que agora vive lotada. Pouco cheia é a mala da benzedeira; cadinhos, roupas, o caderno de orações e poucas imagens em miniatura. No peito, aflição e alívio: pela partida, pelo regresso. Falta pouco. Em breve avisará João Motorista.

12

Do convívio diário com a grandeza e a miséria do que havia de mais humano e, contraditoriamente, mais elevado e mais vil, nasceu-lhe o amor pelo bem e o fascínio pelo mal. Por amor, deixara a cidade natal, a família e se entregara, missionário, à igreja. Por fascínio, acumulava, no baú esmaltado, a inexplicável coleção.

Padre Ângelo levantou a batina e se dobrou ao lado da cama, sentindo joelhos e costas reclamarem. Em breve, teria que encontrar outro esconderijo. Com as pontas dos dedos, alcançou uma das alças laterais e arrastou o baú.

No chão logo ao lado, o padre depositara o recorte da Tribuna, impressa na Capital e chegada tardia à vila. A matéria mais recente, e que logo se juntaria às demais, resumia as anteriores — Mortes Causam Alvoroço em Pequena Vila do Interior. Arquivou o periódico sem saber que olhos não convidados espreitavam a casa paroquial, colada no muro da rua.

13

Boa parte da comunidade afluía até a igreja. No bar defronte, Cristóvão se punha a lavar copos, por força do hábito. Apenas os alcoólatras ainda frequentavam o lugar, mas iam na missa da manhã motivados a largar o vício. Cristóvão já não sentia raiva, e até pensou na conversão, em suplicar pra não minguar o negócio, seu sustento. Costumava consultar Lourdinha em momentos de crise, mas ela, que aprontava saída, já não recebia ninguém. Escorou no balcão e descansou a vista naquele mar de gente saindo do templo. Quebrou o protocolo e se serviu de uma dose.

Entre os passantes, boatos, especulações, clamores e afirmações de fé. A mãe de Luísa era alinhada com os sermões do padre e cada vez mais adepta aos trabalhos no templo. A causa dos agouros, interpretou, era a benzedeira. 

— É coisa da seita dela, sacrificar bicho!

— Cuidado com as palavras, mãe — Luísa repreendia, acompanhando a contragosto a genitora. 

— Graças a Deus vai embora. Aquela casa tinha que ser derrubada.

Entre os fiéis, João Motorista caminhava absorto. Sentiu que, da boca daquele homem santo, recebeu uma revelação, uma missão, implícita no sermão. O celular vibrou roubando sua epifania:

“Me deixa na rodoviária central, hoje, às 21h?”

Esvaziou-se num susto, gelando o corpo de cima a baixo. Apressou o passo pra buscar o carro. 

“Sim!” — respondeu.

De mala em mão, Lourdinha esperava. 

14

Rastros de poeira. No final da rua, a molecada retoma a subida e se posiciona. Cada um no seu carrinho, olhos afiados, é dada a largada:

— Um, dois, já!

— Não valeu!

O reclame vem tarde, o jeito é recuperar na descida. Em segundos estão todos vivos na corrida, o rolimã quente como o inferno. Miguel ganha a frente, a chegada é próxima, mas é interceptado por um carro de polícia, subindo a rua com alarde de sirenes. Desvia a tempo e rola no chão. O carro continua subindo pelo Caminho do Umbuzal. 

As crianças buscam acudir o amigo. 

— Machucou?

— Foi nada. Bora de novo. 

Miguel mostra o cotovelo novinho em folha. 

O veículo para no portão cinza, ainda com a placa de “Aluga-se.” Um homem de camisa e gravata, de aspecto abatido, espera. 

— O senhor é o corretor que fez a chamada?

— Eu, eu…ia receber um cliente…

— Tente se acalmar.

O homem tinha o olhar perdido de uma criança. 

— E ela estava, aquilo ali, aberto… Meu Deus. 

O corretor descambou a chorar no ombro da policial. O resto da equipe entrou com armas em punho, averiguando cômodos. A casa estava em silêncio. Na sala, uma mala desarrumada, santos espatifados, desenhos à sangue, um celular. O quarto expelia um cheiro podre. Um dos policiais abriu a porta e conferiu horrorizado. O crime tinha semelhanças com os anteriores, mas agora, era Lourdinha que ali estava.

15

— Lá? 

— Na igreja não, Miguel.

— Duvido você entrar e pegar alguma coisa. 

— Roubar é pecado. 

— Sabia. Bundão!

— Fala baixo, vão achar a gente aqui. Não quero ser o próximo a procurar. 

— E deixar alguma coisa… Uma surpresa pro padre? 

— Tá doido?

— Se você entrar, te prometo algo irrecusável. 

Miguel cochicha no ouvido do amigo, que arregala os olhos de cobiça, enfeitiçado. 

No desenrolar da brincadeira, ambos batem o pique e se escondem novamente. Miguel entrega a encomenda enrolada num pano. Orienta. 

— Não abre!

 O amigo sai com o objeto embaixo da blusa. Passado algum tempo, retorna com as mãos livres. 

— Não sei como consegui. Tá lá. 

— Onde?

— No baú.  Como sabia dele?

— Alguém te viu? 

— E sua promessa?

— Você foi visto?

— Acho que não. E a promessa?

— Calma, tudo no seu tempo. 

Alguém grita do meio da rua:

— Um, dois, três, Miguel e Gustavo. Atrás da Lata do Córrego!

— Merda, minha vez de procurar — lamenta Gustavo. 

— Eu conto, pode deixar — responde Miguel, no ouvido do amigo, que replica desencantado.

— Ué, mas a gente não tinha acabado de se esconder?

— Impressão sua. 

16

Cristóvão não cedeu aos apelos da comunidade. Reservou-se a pendurar um crucifixo atrás da mesa de bilhar, de modo que os fregueses percebessem o estabelecimento mais cristão que outrora. Pouco adiantou, o movimento era mais de policiais do que de bebuns. Caçavam João Motorista, pra espanto geral. 

— Um menino bom, trabalhador, recém convertido — a mãe de Luísa respondia da porta de casa. 

— E foragido da polícia, senhora. Qualquer informação, nos contate. 

Cristóvão foi curto no testemunho; solicitara os serviços do rapaz umas poucas vezes e só. O policial aprontava saída do bar quando um barulho de motor, ao longe, se aproximou numa velocidade incomum. Antecipando o perigo, não conseguiu sacar a pistola a tempo. Um Celta preto atravessou a porta do estabelecimento, prensando o homem na mesa de bilhar até colidir na parede, causando um estrondo. Perturbado, em meio aos destroços, Cristóvão reconheceu o veículo e seu piloto, ensanguentado e perfurado pelas ferragens. O cadáver, sem camisa, exibia marcações nos braços e costas, sequências infinitas de palavras interligadas: “diabolusestnobisdiabolusestnobisdiabolusestnobis”.

Era João Motorista.

Com o abalo, a haste menor do crucifixo recém pendurado despregou-se, e o Messias ficou de ponta-cabeça, num badalar invertido.

17

As obrigações dos pais estão sempre a recair sobre os filhos. Como dona Marta estivesse indisposta, coube a Luísa a limpeza da paróquia. Fosse sua mãe a vassourar, o baú teria permanecido incólume sob a cama, mas, nas mãos de Luísa, o invólucro encontrou a polícia como destino certo.

Passada a incredulidade inicial, o delegado decidiu se envolver pessoalmente na prisão. Antes de tomar o caminho da Vila, contatou a Tribuna e retardou o flagrante. Quando deixou a igreja com o padre algemado à tiracolo, o instantâneo enquadrou com perfeição os dois homens e o templo ao fundo, em captura digna de primeira página.

Nem tudo restava esclarecido. A morte da criança, por exemplo, ainda não fazia sentido. Ao que tudo indicara, havia sido um acidente, com dezenas de testemunhas. Ainda assim, era impossível explicar como que a metade desaparecida do taco partido fora parar dentro do baú do padre, que não negara a coleção de recortes, mas não soubera esclarecer a presença do macabro objeto.

Em frente à igreja, fiéis e curiosos, entre pasmos e furiosos, se reuniam. 

Destacando-se da multidão e salivando quase certeira, a mãe de Felipe, o garoto que morrera no jogo de taco, gritou:

— Monstro!

Impassível, o padre respondeu:

— Não acusem os monstros. Há algo dentro deles que não podem controlar. Temeis os inocentes, porque o inimigo é traiçoeiro. Cuidado com sua perfídia.

Às costas do sacerdote e da multidão, a porta da igreja foi fechada com estrondo pelos últimos homens da escolta do delegado. Permaneceria lacrada até que os detalhes dos crimes fossem esclarecidos.

18

Algumas portas se fecham pra não mais se abrir.

Padre Ângelo não deixou o presídio, incriminado e condenado pelos resquícios de sangue encontrados no pedaço de taco utilizado pra estocar o bêbado pelas costas e na imolação dos corpos de Caim, Mãe Lourdinha e João Motorista.

— Senhor Ângelo Dama…

— Padre, excelência.

— Padre Ângelo Damasceno, tem algo a dizer em sua defesa?

— Sim… Não temo meus juízes, também Cristo sofreu por falsos pecados, mas Deus é Pai, e em seu reino absolverá os inocentes. 

— Isso veremos, Padre, – e, voltando-se pro júri – O veredicto?

— Culpado.

As portas da igreja não mais tornaram a se abrir, inadiavelmente à espera da designação de um novo sacerdote, enquanto, pela Vila, as famílias abastadas colocaram seus imóveis à venda e, antes mesmo que os negócios se efetivassem, partiram com suas mudanças e medos, porque o que vinha do fórum pouco ecoava por ali.

— Não me contaram, vi com estes olhos que um dia a terra há de comer. Foi um acidente, meia dúzia de garotos brincando na rua.

— Mas e o Celsinho, Lourdinha, João Motorista?

— João Motorista? Acidente também, que por pouco não leva junto o Cristóvão. E pra matar o João e a Lourdinha, Padre Ângelo teria que ser dois, um pra trancar a igreja por dentro e outro pra perambular pelas ruas.

— Não sei… Se não foi o Padre, foi quem então?

— O Cão.

— O que morreu também?

— Não este. O outro…

Marta se benzeu, pediu licença e cruzou a praça. Junto às portas pesadas da igreja, tentou acender sua vela e reavivar a chama de outras tantas colocadas a cada dia das semanas anteriores.

Perto dali, Miguel se sentou às escadas que davam pra rua e olhou ao redor. Comércios vazios, ruas desertas, bancos e brinquedos ociosos na praça. Malicioso, sorriu e fez soprar um vento vadio, arteiro, destinado a fazer arruaça com as velas que Marta lutava pra deixar acesas.

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Informação

Publicado em 9 de agosto de 2021 por em EntreMundos - Monstruoso Mistério Aternativo.