EntreContos

Detox Literário.

[EM] O Caso Tituba Indian (Juiz Trueblood)

O sermão do reverendo Samuel Parris, naquela manhã de sábado, advertia os paroquianos da Vila de Salem contra as oportunidades que o Diabo busca para lançá-los em direção ao pecado. E nada melhor que as horas matinas para levar aos fiéis esse providencial alerta, quando teriam pela frente dois dias inteiros de ócio, quando se vai ao Diabo em busca de ajuda contra o Diabo.

Nascido em Londres, em 1660, o reverendo Parris era um experiente religioso, embora fosse um homem simplório. Havia imigrado para Boston por determinação de seu pai, Sir Thomas Parris, e frequentara o Harvard College sem o concluir, obrigando-se, ainda aos treze anos, a interromper seus estudos para assumir uma herança em Barbados, uma grande plantação de cana de açúcar, que poucos anos depois seria destruída por um furacão que arruinou o Caribe, obrigando-o a voltar a Boston em 1680. Nesse retorno, Parris trouxe consigo a escrava Tituba Indian, pela qual estabelecera fortes laços afetivos.

Terminados os serviços religiosos, com fiéis deixando o presbitério, o reverendo Parris aproximou-se do juiz aposentado do Tribunal de Oyer and Terminer, Gordon Trueblood, um homem reservado e astuto, dado a solucionar problemas difíceis com a lei, e sempre pronto a elucidar conflitos locais. Parris precisava consultá-lo acerca de Ranald Glanvill, o gráfico local.

— Um gráfico? — disse o juiz.

— Sim, um gráfico, embora ele afirme ser filho de Joseph Glanvill, um importante Membro da Royal Society, de Londres, escritor e filósofo. Meu pai, que frequentara os Glanvill, nunca nos revelou algo acerca do jovem Ranald Glanvill — disse o reverendo Parris.

— Então, algo não se encaixa… — disse o juiz, interessando-se pelo problema.

— Pouco se sabe sobre ele. Consta que ao deixar Londres, estabeleceu-se em Boston, associando-se ao reverendo Cotton Mather; embora agora esteja com a sua própria gráfica. Espalha panfletos e cartazes por toda a Vila de Salem. Faz disso uma cruzada pessoal, e jogou minha Tituba na cadeia com acusações de bruxaria…

— Tituba Indian?

— Sim, minha Tituba. Acusando-a de bruxaria, colocou-a no cárcere… Gostaria que o senhor o averiguasse.

E o juiz Gordon Trueblood averiguou. Fez uma viagem a Boston e entrevistou o reverendo Mather, mandou um emissário secreto ter com o próprio Ranald, e logo chegaram até sua mãe, Ligeia Glanvill, uma mulher simples e bonita, embora assustada quando diante de desconhecidos. Esperou por cerca de três meses por notícias que pediu a Londres, quando requereu informações ao cavalheiro que fora tutor de Ranald e o despachou à Nova Inglaterra. De tudo que pôde apurar, havia fatos e havia mentiras.

Decorridos um pouco mais de seis meses, de posse de sólidas informações, o juiz Trueblood retornou ao presbitério do reverendo Samuel Parris, quando relatou a ele o que pôde apurar.

— No ano de 1666 — disse o juiz Trueblood ao reverendo Parris —, Joseph Glanvill deu ao mundo um filho que não reconheceu, negando à criança um sobrenome do qual pudesse se orgulhar. Da mãe do menino, a senhora Ligeia, nunca se soube o nome de família. Era uma bela jovem de baixíssima renda, que passou a chamar a criança de Ranald, apenas Ranald, sem o patronímico que lhe fora negado.

— Então ele é realmente um Glanvill?

— Sim, embora não reconhecido. Ligeia escondeu de todos a paternidade escusada do menino. Trocara seu sigilo por uma pequena pensão que os mantinha alimentados e abrigados numa modesta moradia. Joseph Glanvill lhes prometeu que logo haveria propriedades em reconhecimento ao filho, onde o menino e a mãe poderiam viver com prosperidade.

— E terras não existiam…

— Existiam, mas nunca ficou certo se ele as daria ao filho escusado.

— Imagino que não…

— Ranald cresceu sabendo que o pai não o reconhecia, de sua erudição e das muitas fantasias que punha em livros. Mantendo-se distante, Joseph Glanvill deu ao filho uma boa educação, alfabetizando-o como devido, incluído o aprendizado do grego e do latim, o que o fez conhecer a Bíblia como ninguém.

— Ah! A reparação… — disse o reverendo Parris.

— Migalhas ao filho… não se iluda, reverendo… — disse o juiz Trueblood.

Se não tiver recursos para oferecer uma ovelha, uma rês de gado miúdo, trará perante o Senhor, em sacrifício de reparação pelo pecado que cometeu, duas rolinhas ou dois pombinhos, um deles para o sacrifício pelo pecado e o outro para holocausto.

— Bem, continuando: em 1680, aos quarenta e quatro anos, Joseph Glanvill faleceu, não sem antes designar a um tutor (que passou-me tais informações) a incumbência de cuidar do filho bastardo e da mulher que amou uma única vez. Aos quatorze anos, Ranald foi incluído num rápido acerto para distanciá-lo das intrigas que ameaçavam levar desonra à biografia do pai…

— A hipocrisia…

— Joseph Glanvill lutava com seus pecados… era apenas um homem… — rebateu o juiz Trueblood.

Acalentai-vos com o fermento dos fariseus, que é a hipocrisia.

— Bem, chegando à Nova Inglaterra, Ranald ficou sob as ordens do reverendo Cotton Mather, Ministro da Igreja do Norte de Boston. Mather, como se sabe, é um convicto protestante, de grande influência na política local, especializando-se em produzir e distribuir em suas comunidades, panfletos advertindo contra os atos de bruxaria praticados por tolas meninas e velhas mais tolas que meninas, incitando-as a se distanciarem do Mal.

— Ah! Um fato. Alguns pais chegaram ao ponto de sacrificar seus filhos e filhas aos demônios — disse o reverendo Parris, preocupado.

— Ranald trouxe consigo ao Novo Mundo a mãe Ligeia e o livro de que mais gostava, escrito pelo pai: Against Modern Sadducism. É nele que Joseph Glanvill fala da existência de bruxas e fantasmas do reino sobrenatural. Os demônios estão vivos, escreveu ele, e Ranald professa que os bons homens engenhosos devem crer na existência de bruxas e aparições.

“Aqui chegando, Ranald percebeu que grande parte dos conflitos locais, como ocorria nas vilas inglesas, estava limitado às linhas divisórias entre propriedades, direitos de pastoreio e cobiça pela prosperidade alheia. Ranald viu nisso um bom começo de vida numa terra que desejava dominar.

— As tolas riquezas do homem! Pleno do Espírito Santo, retornou Jesus do Jordão e foi conduzido pelo Espírito ao deserto, onde enfrentou as tentações do Diabo por quarenta dias. Durante…

— Sim, sim. O Diabo, entendo, reverendo… quando Jesus nada comeu… nem pedra nem pão… — disse o juiz Trueblood, um pouco entediado com as interferências de Parris.

— As riquezas que lhe foram negadas na velha Londres, estariam ao seu alcance na Nova Inglaterra… — recompôs-se o reverendo.

— Entendo que sim. Ao colocar os pés aqui, tanto ele quanto a mãe, Ligeia, adotaram indevidamente o patronímico dos Glanvill: havia uma nova vida a construir. Posto aos serviços do ministro Mather, algo acertado pelo próprio Joseph Glanvill, Ranald iniciou-se como aprendiz de tipógrafo na gráfica do presbitério de Mather, em Boston.

“Completamente inteirado dos conflitos locais, e sob ordens de Mather, Ranald teve como iniciação redigir panfletos que falavam do Diabo dominando o filho mais velho do pedreiro John Goodwin, onde afirmava que o Mal o havia dominado, fazendo-o roubar peças de linho da lavadeira Ann Glover, e esta, dita uma bruxa, lançara sobre os meninos dos Goodwin uma terrível maldição.

— Ah… — disse o reverendo ao ver a esposa e os filhos entrarem na câmara do presbitério.

Elizabeth Eldridge trazia consigo uma bandeja com bule e xícaras para o chá da tarde. Logo atrás, seguiam-na Betty Parris e o irmão Thomas Parris. Queriam conhecer o juiz Trueblood, que embora sempre comparecesse às missas, ao fazê-lo, mantinha-se quieto no fundo da nave.

— Um chá, senhor juiz?

— Por favor…

As crianças cercaram o juiz e começam uma risonha ladainha. Queriam saber de seus casos nos tribunais. Quantas bruxas ele havia enforcado, quantas delas eram inocentes e quantas eram culpadas. Solteirão convicto, o juiz Trueblood não sabia lidar com dois jovens tão intempestivos, o que lhe ficou patente, e o reverendo Parris, em seu socorro, dispersou os filhos, pedindo que a senhora Eldridge os levasse para fora do presbitério.

O juiz continuou:

— Ann Glover era uma presa fácil para Ranald. Nascida na Irlanda, a senhora Glover nunca abdicou de sua fé católica romana, tendo sido vendida por Oliver Cromwell para a escravidão durante a ocupação daquele país, para logo em seguida ser enviada com a família até Barbados.

“Em 1680, acompanhada da filha, a senhora Glover, então conhecida como Goody Glover, deixou Barbados para estabelecer-se em Boston, quando começou a trabalhar para o pedreiro John Goodwin, homem de prole extensa. Passado algum tempo, após uma discussão entre a filha de Goody Glover e os filhos dos Goodwin, estes adoeceram, quando perdiam o controle sobre seus corpos ou batiam os braços como pássaros, ou buscavam prejudicar a si mesmos ou a terceiros. Seus ataques foram declarados como doenças do espanto, logo dados como vítimas de bruxarias.

— Ah! — disse o reverendo Parris. — A bruxa, pelo gesto do seu olho, envia uma Venomena Maléfica àquele que será encantado, para que o lance num ataque. O toque da mão da bruxa sobre o encantado, faz com que o veneno volte novamente ao corpo da bruxa.

— Imagino que seja assim… mas prefiro os fatos, reverendo, e os fatos dizem outras coisas… — disse o juiz Trueblood.

— Então há dúvidas…

— Foi nesse tempo que Ranald Glanvill intensificou seus panfletos, advertindo as comunidades de Boston que nelas grassava a mundividência secular dos saduceus, afirmando que Goody Glover trocara a crença em Deus pela feitiçaria. Presa e julgada, Goody Glover, recusando-se a defender-se numa língua que não era a sua, preferiu o gaélico para explicar-se, embora não houvesse nada que a exonerasse de suas já determinadas culpas, fortemente demonstradas pelos panfletos de Ranald, que acentuou sua carga contra Goody Glover em novos e contundentes escritos, dizendo-a uma bruxa católica romana de obstinada idolatria.

— Era mesmo uma bruxa?

— Já nada se pode saber, reverendo. Goody Glover foi enforcada em novembro de 1688, quando maldisse a multidão que a observava morrer.

— Certamente! — disse o reverendo Parris. — Olhando-a pender numa corda, o jovem Ranald Glanvill soube que ali morria uma idólatra romana, definitivamente uma bruxa. Não errara em seus panfletos quanto ao Mal que havia possuído a bruxa Goody Glover. Estou certo?

— Não se esqueça, reverendo Parris, Ranald é um trapaceiro, que pôs a sua Tituba Indian na cadeia…

— Bem, mas que mulher, afinal, teria fibra para maldizer uma multidão na hora da própria morte senão aquela que estivesse possuída pelo Diabo?

— Ela era uma mulher de fibra… protestante ou católica, reverendo… — disse o juiz Trueblood.

— Ah, certamente o jovem Ranald, conhecendo a Bíblia como conhece, sabe que, se homens e mulheres são iguais aos olhos de Deus, aos olhos do Diabo as mulheres são mais suscetíveis às influências do Mal. Ele não errara com seus panfletos.

— Não esqueça o que ele fez com a sua Tituba…

— É verdade… É verdade…

— O plano do jovem Ranald Glanvill continuou, embora a senhora Glover não tivesse terras nem bens, nada podendo legar aos seus acusadores. Mas Ranald via em tudo isso grandes possibilidades. Pouco tempo depois, ele deixou a gráfica de Cotton Mather e perambulou pelas vilas de Rowley, Northfields, Andover e Topsfield e, finalmente, aos vinte e dois anos, transferiu-se com a senhora Ligeia Glanvill para a Vila de Salem, fundando aqui a sua gráfica, que logo progrediria.

— É quando ele chegou até nós… até minha Tituba…

— Ranald divisava bruxas e o mal que elas causavam por onde quer que fosse, e logo percebeu que na Vila de Salem ocorriam os mesmos conflitos comuns à Nova Inglaterra: linhas territoriais, limites de pastoreio, conflitos familiares e intrigas acerca do pudor protestante.

— Ah! O pudor… Eis que tenho observado os teus atos abomináveis; teus muitos adultérios, os teus relinchos sensuais; toda a tua prostituição, absolutamente sem pudor, sobre as colinas e nos campos! Ai de ti, ó Jerusalém! Até quando continuarás deste jeito: impura?

— Chegando aqui, Ranald viu grandes possibilidades com o que vinha ocorrendo em sua própria residência, reverendo Parris…

— Em minha casa? Em meu presbitério?

— Exato. Fortemente sugestionadas pelo que acontecera aos filhos dos Goodwin, aqui relatados por Ranald, sua pequena Betty e sua sobrinha Abigail Willians também começaram a ter ataques…

— Mas isso porque… senhor juiz…

— … e foram logo diagnosticadas como vítimas de bruxarias. Um pouco antes, a gráfica de Ranald Glanvill havia funcionado a todo vapor, distribuindo panfletos pelas comunidades, onde pregava contra o saduceísmo que dominava a Vila de Salem, o que fez com que surgissem novos casos, que rapidamente se multiplicaram, justificando a intensificação dos panfletos que mais e mais ele produzia. Daí, sob a influência de Ranald… sua filha…

— O senhor diz que tudo começou em minha própria casa?

— Necessariamente na sua casa. Ranald tinha um plano, e nada melhor que a casa de um reverendo para consolidar um medo que já se instalara desde Boston. Ranald trabalhou de forma ainda mais febril quando sua sobrinha Abigail Williams, Ann Putnam, Betty Hubbard e sua própria filha Betty, novamente incitadas pelos panfletos, acusaram a sua Tituba Indian de haver lançado feitiços sobre uma delas, sobre Ann Putnam.

— A pobre Tituba… mais isso…

— Num dos panfletos, Ranald diz que as meninas, em frágil inocência, foram entretidas por Tituba, quando esta adivinhava a sorte de cada uma delas ao que lia as suas mãos, ou ainda, que teriam usado a clara de um ovo e um espelho para criar uma bola de cristal onde se poderia ver a profissão de seus futuros maridos, e todas se assustaram quando viram no engenho as formas de um caixão.

— E Tituba confessou… sei que confessou…

— Sim… confessou…

— Mas Tituba não é uma bruxa… — disse tristemente o reverendo.

— Sabendo de sua certa condenação, Tituba relatou seus encontros com o Diabo, mostrando-se cúmplice de seres malignos e animais horrendos, confirmando as fantasias que sabia existir nas lendas inglesas, e arrastou com ela a mendiga Sara Good. Falou sobre cães e ratos pretos, porcos, pássaros, gatos e um lobo. Também confessou que Sarah Osborne possuía uma criatura que tinha uma cabeça de mulher, duas pernas e asas.

— Mas isso não é verdade…

— Ranald fez com que Tituba lançasse a Vila de Salem em seus braços quando pôs o Diabo entre nós. Os panfletos ganharam volume ao ponto de Dorothy Good, de quatro anos, uma filha de Sarah Good, ser incluída no rol dos suspeitos. Interrogada, tudo que a pequena disse virou confissão, comprometendo a própria mãe. Tituba, Sarah Good e Sarah Osborne, como o senhor bem sabe, foram levadas à prisão por bruxaria.

“O plano de Ranald se avolumava, embora ainda não houvesse terras ou bens a serem tomados. Ganhando relevo em nossa Vila de Salem, a gráfica de Ranald Glanvill passou a imprimir missais, programas comunitários, prospectos festivos e religiosos, e mais ainda panfletos.

— Contratei-o muitas vezes… belos missais… lindos prospectos…

— E novos panfletos, que foram incluindo nomes, fazendo crescer a histeria entre os moradores da Vila de Salem. Verificando os editais do Tribunal de Oyer and Terminer, contei haver cerca de duzentos acusados, sessenta e duas pessoas sob custódia judicial, com trinta considerados culpados de bruxaria e dezenove deles enforcados, sendo quatorze mulheres e cinco homens.

— Tantos… ai, ai… Tituba entre eles…

— Com trinta anos, Ranald tornou-se proprietário de uma boa quantidade de terras, todas arrematadas a baixo custo, ou simplesmente ocupadas quando da desgraça daqueles a quem acusou de bruxaria.

— E o que nos resta… ele é hoje um jovem poderoso…

— Até agora reinou a astúcia de Ranald, agora reinará a minha… — garantiu o juiz Trueblood.

Passado algum tempo, quando Ranald tornara-se um próspero negociante na Nova Inglaterra, tudo em seu mundo veio abaixo. Com trinta e dois anos, Ranald é preso, seus bens expropriados, sua mãe é levada até a baía de Boston e posta no primeiro navio que a devolveria a Londres, deixada aos cuidados da família dos Glanvill, à qual ela insistia em dizer que pertencia.

Todos aqueles que perderam seus bens para Ranald, acusaram-no de forjar evidências, dizendo-o um grande trapaceiro, que sob sequestro de suas vontades, exigia pagamentos para que esposas, mães ou filhas não fossem incluídas nos panfletos que prometia publicar, acusando-as de bruxaria em pactos secretos que faziam com o Diabo.

Num rito sumário, o juiz aposentado do Tribunal de Oyer and Terminer, Gordon Trueblood, preside sem toga o julgamento de Ranald Glanvill. Numa sala improvisada nos fundos do presbitério da Vila de Salem, o jovem trapaceiro é condenado por falsas acusações de bruxaria e extorsão, sendo condenado à forca.

Em dezembro de 1698, imberbe como sempre o fora, com seus cabelos louros e lisos lhe chegando aos ombros, Ranald Glanvill foi levado ao patíbulo e enforcado diante daqueles que tiveram suas vidas arruinadas pelas intrigas que ele havia promovido com seus panfletos.

De volta ao presbitério, o juiz Trueblood relatou ao reverendo Parris como tudo aconteceu:

— Sendo um homem discreto, pouquíssimos na Vila de Salem sabem de mim — disse o juiz. — Assim, não foi difícil plantar em Ranald Glanvill a ideia de que eu seria um recluso e próspero inglês, dono de propriedades no Caribe, e que em minha casa, duas de minhas filhas faziam saraus com o Diabo…

— Não fazia ideia… suas filhas… em sua própria casa? Com o Diabo?

— Não, reverendo, de modo algum… nunca houve filhas. Falseamos ao jovem Ranald que minhas duas velhas serviçais, Isobel e Lilly, que nunca deixam a residência por estarem sempre atarefadas, sem tempo para haveres com o Diabo…

— Ah! Compreendo… um alívio…

— Assim começaram os panfletos falando das bruxas Isobel e Lilly. E tudo cresceu ao ponto de certo dia o jovem Ranald buscar uma entrevista comigo, quando me exigiu compensações financeiras para que cessassem suas monstruosas acusações… e não pouco o que me exigia…

— E cessaram…

— Naquele mesmo dia…

— Ah… — disse o reverendo ao ver a esposa entrar na câmara do presbitério.

A senhora Elizabeth Eldridge trazia consigo uma bandeja com bule e xícaras para o chá da tarde.

— Um chá, senhor juiz?

— Por favor… e como vão as crianças? Como está a pequena Betty? E o pequeno Thomas?

— Não querem outra coisa que não seja ouvir as misteriosas histórias contadas por nossa Tituba. Ela está tão feliz depois de tudo pelo que passou…

E Então? O que achou?

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Informação

Publicado em 9 de agosto de 2021 por em EntreMundos - Monstruoso Mistério Aternativo.