EntreContos

Detox Literário.

[EM] O Caso Tituba Indian (Angelo Rodrigues)

O sermão do reverendo Samuel Parris, naquela manhã de sábado, advertia os paroquianos da Vila de Salem contra as oportunidades que o Diabo busca para lançá-los em direção ao pecado. E nada melhor que as horas matinas para levar aos fiéis esse providencial alerta, quando teriam pela frente dois dias inteiros de ócio, quando se vai ao Diabo em busca de ajuda contra o Diabo.

Nascido em Londres, em 1660, o reverendo Parris era um experiente religioso, embora fosse um homem simplório. Havia imigrado para Boston por determinação de seu pai, Sir Thomas Parris, e frequentara o Harvard College sem o concluir, obrigando-se, ainda aos treze anos, a interromper seus estudos para assumir uma herança em Barbados, uma grande plantação de cana de açúcar, que poucos anos depois seria destruída por um furacão que arruinou o Caribe, obrigando-o a voltar a Boston em 1680. Nesse retorno, Parris trouxe consigo a escrava Tituba Indian, pela qual estabelecera fortes laços afetivos.

Terminados os serviços religiosos, com fiéis deixando o presbitério, o reverendo Parris aproximou-se do juiz aposentado do Tribunal de Oyer and Terminer, Gordon Trueblood, um homem reservado e astuto, dado a solucionar problemas difíceis com a lei, e sempre pronto a elucidar conflitos locais. Parris precisava consultá-lo acerca de Ranald Glanvill, o gráfico local.

— Um gráfico? — disse o juiz.

— Sim, um gráfico, embora ele afirme ser filho de Joseph Glanvill, um importante Membro da Royal Society, de Londres, escritor e filósofo. Meu pai, que frequentara os Glanvill, nunca nos revelou algo acerca do jovem Ranald Glanvill — disse o reverendo Parris.

— Então, algo não se encaixa… — disse o juiz, interessando-se pelo problema.

— Pouco se sabe sobre ele. Consta que ao deixar Londres, estabeleceu-se em Boston, associando-se ao reverendo Cotton Mather; embora agora esteja com a sua própria gráfica. Espalha panfletos e cartazes por toda a Vila de Salem. Faz disso uma cruzada pessoal, e jogou minha Tituba na cadeia com acusações de bruxaria…

— Tituba Indian?

— Sim, minha Tituba. Acusando-a de bruxaria, colocou-a no cárcere… Gostaria que o senhor o averiguasse.

E o juiz Gordon Trueblood averiguou. Fez uma viagem a Boston e entrevistou o reverendo Mather, mandou um emissário secreto ter com o próprio Ranald, e logo chegaram até sua mãe, Ligeia Glanvill, uma mulher simples e bonita, embora assustada quando diante de desconhecidos. Esperou por cerca de três meses por notícias que pediu a Londres, quando requereu informações ao cavalheiro que fora tutor de Ranald e o despachou à Nova Inglaterra. De tudo que pôde apurar, havia fatos e havia mentiras.

Decorridos um pouco mais de seis meses, de posse de sólidas informações, o juiz Trueblood retornou ao presbitério do reverendo Samuel Parris, quando relatou a ele o que pôde apurar.

— No ano de 1666 — disse o juiz Trueblood ao reverendo Parris —, Joseph Glanvill deu ao mundo um filho que não reconheceu, negando à criança um sobrenome do qual pudesse se orgulhar. Da mãe do menino, a senhora Ligeia, nunca se soube o nome de família. Era uma bela jovem de baixíssima renda, que passou a chamar a criança de Ranald, apenas Ranald, sem o patronímico que lhe fora negado.

— Então ele é realmente um Glanvill?

— Sim, embora não reconhecido. Ligeia escondeu de todos a paternidade escusada do menino. Trocara seu sigilo por uma pequena pensão que os mantinha alimentados e abrigados numa modesta moradia. Joseph Glanvill lhes prometeu que logo haveria propriedades em reconhecimento ao filho, onde o menino e a mãe poderiam viver com prosperidade.

— E terras não existiam…

— Existiam, mas nunca ficou certo se ele as daria ao filho escusado.

— Imagino que não…

— Ranald cresceu sabendo que o pai não o reconhecia, de sua erudição e das muitas fantasias que punha em livros. Mantendo-se distante, Joseph Glanvill deu ao filho uma boa educação, alfabetizando-o como devido, incluído o aprendizado do grego e do latim, o que o fez conhecer a Bíblia como ninguém.

— Ah! A reparação… — disse o reverendo Parris.

— Migalhas ao filho… não se iluda, reverendo… — disse o juiz Trueblood.

Se não tiver recursos para oferecer uma ovelha, uma rês de gado miúdo, trará perante o Senhor, em sacrifício de reparação pelo pecado que cometeu, duas rolinhas ou dois pombinhos, um deles para o sacrifício pelo pecado e o outro para holocausto.

— Bem, continuando: em 1680, aos quarenta e quatro anos, Joseph Glanvill faleceu, não sem antes designar a um tutor (que passou-me tais informações) a incumbência de cuidar do filho bastardo e da mulher que amou uma única vez. Aos quatorze anos, Ranald foi incluído num rápido acerto para distanciá-lo das intrigas que ameaçavam levar desonra à biografia do pai…

— A hipocrisia…

— Joseph Glanvill lutava com seus pecados… era apenas um homem… — rebateu o juiz Trueblood.

Acalentai-vos com o fermento dos fariseus, que é a hipocrisia.

— Bem, chegando à Nova Inglaterra, Ranald ficou sob as ordens do reverendo Cotton Mather, Ministro da Igreja do Norte de Boston. Mather, como se sabe, é um convicto protestante, de grande influência na política local, especializando-se em produzir e distribuir em suas comunidades, panfletos advertindo contra os atos de bruxaria praticados por tolas meninas e velhas mais tolas que meninas, incitando-as a se distanciarem do Mal.

— Ah! Um fato. Alguns pais chegaram ao ponto de sacrificar seus filhos e filhas aos demônios — disse o reverendo Parris, preocupado.

— Ranald trouxe consigo ao Novo Mundo a mãe Ligeia e o livro de que mais gostava, escrito pelo pai: Against Modern Sadducism. É nele que Joseph Glanvill fala da existência de bruxas e fantasmas do reino sobrenatural. Os demônios estão vivos, escreveu ele, e Ranald professa que os bons homens engenhosos devem crer na existência de bruxas e aparições.

“Aqui chegando, Ranald percebeu que grande parte dos conflitos locais, como ocorria nas vilas inglesas, estava limitado às linhas divisórias entre propriedades, direitos de pastoreio e cobiça pela prosperidade alheia. Ranald viu nisso um bom começo de vida numa terra que desejava dominar.

— As tolas riquezas do homem! Pleno do Espírito Santo, retornou Jesus do Jordão e foi conduzido pelo Espírito ao deserto, onde enfrentou as tentações do Diabo por quarenta dias. Durante…

— Sim, sim. O Diabo, entendo, reverendo… quando Jesus nada comeu… nem pedra nem pão… — disse o juiz Trueblood, um pouco entediado com as interferências de Parris.

— As riquezas que lhe foram negadas na velha Londres, estariam ao seu alcance na Nova Inglaterra… — recompôs-se o reverendo.

— Entendo que sim. Ao colocar os pés aqui, tanto ele quanto a mãe, Ligeia, adotaram indevidamente o patronímico dos Glanvill: havia uma nova vida a construir. Posto aos serviços do ministro Mather, algo acertado pelo próprio Joseph Glanvill, Ranald iniciou-se como aprendiz de tipógrafo na gráfica do presbitério de Mather, em Boston.

“Completamente inteirado dos conflitos locais, e sob ordens de Mather, Ranald teve como iniciação redigir panfletos que falavam do Diabo dominando o filho mais velho do pedreiro John Goodwin, onde afirmava que o Mal o havia dominado, fazendo-o roubar peças de linho da lavadeira Ann Glover, e esta, dita uma bruxa, lançara sobre os meninos dos Goodwin uma terrível maldição.

— Ah… — disse o reverendo ao ver a esposa e os filhos entrarem na câmara do presbitério.

Elizabeth Eldridge trazia consigo uma bandeja com bule e xícaras para o chá da tarde. Logo atrás, seguiam-na Betty Parris e o irmão Thomas Parris. Queriam conhecer o juiz Trueblood, que embora sempre comparecesse às missas, ao fazê-lo, mantinha-se quieto no fundo da nave.

— Um chá, senhor juiz?

— Por favor…

As crianças cercaram o juiz e começam uma risonha ladainha. Queriam saber de seus casos nos tribunais. Quantas bruxas ele havia enforcado, quantas delas eram inocentes e quantas eram culpadas. Solteirão convicto, o juiz Trueblood não sabia lidar com dois jovens tão intempestivos, o que lhe ficou patente, e o reverendo Parris, em seu socorro, dispersou os filhos, pedindo que a senhora Eldridge os levasse para fora do presbitério.

O juiz continuou:

— Ann Glover era uma presa fácil para Ranald. Nascida na Irlanda, a senhora Glover nunca abdicou de sua fé católica romana, tendo sido vendida por Oliver Cromwell para a escravidão durante a ocupação daquele país, para logo em seguida ser enviada com a família até Barbados.

“Em 1680, acompanhada da filha, a senhora Glover, então conhecida como Goody Glover, deixou Barbados para estabelecer-se em Boston, quando começou a trabalhar para o pedreiro John Goodwin, homem de prole extensa. Passado algum tempo, após uma discussão entre a filha de Goody Glover e os filhos dos Goodwin, estes adoeceram, quando perdiam o controle sobre seus corpos ou batiam os braços como pássaros, ou buscavam prejudicar a si mesmos ou a terceiros. Seus ataques foram declarados como doenças do espanto, logo dados como vítimas de bruxarias.

— Ah! — disse o reverendo Parris. — A bruxa, pelo gesto do seu olho, envia uma Venomena Maléfica àquele que será encantado, para que o lance num ataque. O toque da mão da bruxa sobre o encantado, faz com que o veneno volte novamente ao corpo da bruxa.

— Imagino que seja assim… mas prefiro os fatos, reverendo, e os fatos dizem outras coisas… — disse o juiz Trueblood.

— Então há dúvidas…

— Foi nesse tempo que Ranald Glanvill intensificou seus panfletos, advertindo as comunidades de Boston que nelas grassava a mundividência secular dos saduceus, afirmando que Goody Glover trocara a crença em Deus pela feitiçaria. Presa e julgada, Goody Glover, recusando-se a defender-se numa língua que não era a sua, preferiu o gaélico para explicar-se, embora não houvesse nada que a exonerasse de suas já determinadas culpas, fortemente demonstradas pelos panfletos de Ranald, que acentuou sua carga contra Goody Glover em novos e contundentes escritos, dizendo-a uma bruxa católica romana de obstinada idolatria.

— Era mesmo uma bruxa?

— Já nada se pode saber, reverendo. Goody Glover foi enforcada em novembro de 1688, quando maldisse a multidão que a observava morrer.

— Certamente! — disse o reverendo Parris. — Olhando-a pender numa corda, o jovem Ranald Glanvill soube que ali morria uma idólatra romana, definitivamente uma bruxa. Não errara em seus panfletos quanto ao Mal que havia possuído a bruxa Goody Glover. Estou certo?

— Não se esqueça, reverendo Parris, Ranald é um trapaceiro, que pôs a sua Tituba Indian na cadeia…

— Bem, mas que mulher, afinal, teria fibra para maldizer uma multidão na hora da própria morte senão aquela que estivesse possuída pelo Diabo?

— Ela era uma mulher de fibra… protestante ou católica, reverendo… — disse o juiz Trueblood.

— Ah, certamente o jovem Ranald, conhecendo a Bíblia como conhece, sabe que, se homens e mulheres são iguais aos olhos de Deus, aos olhos do Diabo as mulheres são mais suscetíveis às influências do Mal. Ele não errara com seus panfletos.

— Não esqueça o que ele fez com a sua Tituba…

— É verdade… É verdade…

— O plano do jovem Ranald Glanvill continuou, embora a senhora Glover não tivesse terras nem bens, nada podendo legar aos seus acusadores. Mas Ranald via em tudo isso grandes possibilidades. Pouco tempo depois, ele deixou a gráfica de Cotton Mather e perambulou pelas vilas de Rowley, Northfields, Andover e Topsfield e, finalmente, aos vinte e dois anos, transferiu-se com a senhora Ligeia Glanvill para a Vila de Salem, fundando aqui a sua gráfica, que logo progrediria.

— É quando ele chegou até nós… até minha Tituba…

— Ranald divisava bruxas e o mal que elas causavam por onde quer que fosse, e logo percebeu que na Vila de Salem ocorriam os mesmos conflitos comuns à Nova Inglaterra: linhas territoriais, limites de pastoreio, conflitos familiares e intrigas acerca do pudor protestante.

— Ah! O pudor… Eis que tenho observado os teus atos abomináveis; teus muitos adultérios, os teus relinchos sensuais; toda a tua prostituição, absolutamente sem pudor, sobre as colinas e nos campos! Ai de ti, ó Jerusalém! Até quando continuarás deste jeito: impura?

— Chegando aqui, Ranald viu grandes possibilidades com o que vinha ocorrendo em sua própria residência, reverendo Parris…

— Em minha casa? Em meu presbitério?

— Exato. Fortemente sugestionadas pelo que acontecera aos filhos dos Goodwin, aqui relatados por Ranald, sua pequena Betty e sua sobrinha Abigail Willians também começaram a ter ataques…

— Mas isso porque… senhor juiz…

— … e foram logo diagnosticadas como vítimas de bruxarias. Um pouco antes, a gráfica de Ranald Glanvill havia funcionado a todo vapor, distribuindo panfletos pelas comunidades, onde pregava contra o saduceísmo que dominava a Vila de Salem, o que fez com que surgissem novos casos, que rapidamente se multiplicaram, justificando a intensificação dos panfletos que mais e mais ele produzia. Daí, sob a influência de Ranald… sua filha…

— O senhor diz que tudo começou em minha própria casa?

— Necessariamente na sua casa. Ranald tinha um plano, e nada melhor que a casa de um reverendo para consolidar um medo que já se instalara desde Boston. Ranald trabalhou de forma ainda mais febril quando sua sobrinha Abigail Williams, Ann Putnam, Betty Hubbard e sua própria filha Betty, novamente incitadas pelos panfletos, acusaram a sua Tituba Indian de haver lançado feitiços sobre uma delas, sobre Ann Putnam.

— A pobre Tituba… mais isso…

— Num dos panfletos, Ranald diz que as meninas, em frágil inocência, foram entretidas por Tituba, quando esta adivinhava a sorte de cada uma delas ao que lia as suas mãos, ou ainda, que teriam usado a clara de um ovo e um espelho para criar uma bola de cristal onde se poderia ver a profissão de seus futuros maridos, e todas se assustaram quando viram no engenho as formas de um caixão.

— E Tituba confessou… sei que confessou…

— Sim… confessou…

— Mas Tituba não é uma bruxa… — disse tristemente o reverendo.

— Sabendo de sua certa condenação, Tituba relatou seus encontros com o Diabo, mostrando-se cúmplice de seres malignos e animais horrendos, confirmando as fantasias que sabia existir nas lendas inglesas, e arrastou com ela a mendiga Sara Good. Falou sobre cães e ratos pretos, porcos, pássaros, gatos e um lobo. Também confessou que Sarah Osborne possuía uma criatura que tinha uma cabeça de mulher, duas pernas e asas.

— Mas isso não é verdade…

— Ranald fez com que Tituba lançasse a Vila de Salem em seus braços quando pôs o Diabo entre nós. Os panfletos ganharam volume ao ponto de Dorothy Good, de quatro anos, uma filha de Sarah Good, ser incluída no rol dos suspeitos. Interrogada, tudo que a pequena disse virou confissão, comprometendo a própria mãe. Tituba, Sarah Good e Sarah Osborne, como o senhor bem sabe, foram levadas à prisão por bruxaria.

“O plano de Ranald se avolumava, embora ainda não houvesse terras ou bens a serem tomados. Ganhando relevo em nossa Vila de Salem, a gráfica de Ranald Glanvill passou a imprimir missais, programas comunitários, prospectos festivos e religiosos, e mais ainda panfletos.

— Contratei-o muitas vezes… belos missais… lindos prospectos…

— E novos panfletos, que foram incluindo nomes, fazendo crescer a histeria entre os moradores da Vila de Salem. Verificando os editais do Tribunal de Oyer and Terminer, contei haver cerca de duzentos acusados, sessenta e duas pessoas sob custódia judicial, com trinta considerados culpados de bruxaria e dezenove deles enforcados, sendo quatorze mulheres e cinco homens.

— Tantos… ai, ai… Tituba entre eles…

— Com trinta anos, Ranald tornou-se proprietário de uma boa quantidade de terras, todas arrematadas a baixo custo, ou simplesmente ocupadas quando da desgraça daqueles a quem acusou de bruxaria.

— E o que nos resta… ele é hoje um jovem poderoso…

— Até agora reinou a astúcia de Ranald, agora reinará a minha… — garantiu o juiz Trueblood.

Passado algum tempo, quando Ranald tornara-se um próspero negociante na Nova Inglaterra, tudo em seu mundo veio abaixo. Com trinta e dois anos, Ranald é preso, seus bens expropriados, sua mãe é levada até a baía de Boston e posta no primeiro navio que a devolveria a Londres, deixada aos cuidados da família dos Glanvill, à qual ela insistia em dizer que pertencia.

Todos aqueles que perderam seus bens para Ranald, acusaram-no de forjar evidências, dizendo-o um grande trapaceiro, que sob sequestro de suas vontades, exigia pagamentos para que esposas, mães ou filhas não fossem incluídas nos panfletos que prometia publicar, acusando-as de bruxaria em pactos secretos que faziam com o Diabo.

Num rito sumário, o juiz aposentado do Tribunal de Oyer and Terminer, Gordon Trueblood, preside sem toga o julgamento de Ranald Glanvill. Numa sala improvisada nos fundos do presbitério da Vila de Salem, o jovem trapaceiro é condenado por falsas acusações de bruxaria e extorsão, sendo condenado à forca.

Em dezembro de 1698, imberbe como sempre o fora, com seus cabelos louros e lisos lhe chegando aos ombros, Ranald Glanvill foi levado ao patíbulo e enforcado diante daqueles que tiveram suas vidas arruinadas pelas intrigas que ele havia promovido com seus panfletos.

De volta ao presbitério, o juiz Trueblood relatou ao reverendo Parris como tudo aconteceu:

— Sendo um homem discreto, pouquíssimos na Vila de Salem sabem de mim — disse o juiz. — Assim, não foi difícil plantar em Ranald Glanvill a ideia de que eu seria um recluso e próspero inglês, dono de propriedades no Caribe, e que em minha casa, duas de minhas filhas faziam saraus com o Diabo…

— Não fazia ideia… suas filhas… em sua própria casa? Com o Diabo?

— Não, reverendo, de modo algum… nunca houve filhas. Falseamos ao jovem Ranald que minhas duas velhas serviçais, Isobel e Lilly, que nunca deixam a residência por estarem sempre atarefadas, sem tempo para haveres com o Diabo…

— Ah! Compreendo… um alívio…

— Assim começaram os panfletos falando das bruxas Isobel e Lilly. E tudo cresceu ao ponto de certo dia o jovem Ranald buscar uma entrevista comigo, quando me exigiu compensações financeiras para que cessassem suas monstruosas acusações… e não pouco o que me exigia…

— E cessaram…

— Naquele mesmo dia…

— Ah… — disse o reverendo ao ver a esposa entrar na câmara do presbitério.

A senhora Elizabeth Eldridge trazia consigo uma bandeja com bule e xícaras para o chá da tarde.

— Um chá, senhor juiz?

— Por favor… e como vão as crianças? Como está a pequena Betty? E o pequeno Thomas?

— Não querem outra coisa que não seja ouvir as misteriosas histórias contadas por nossa Tituba. Ela está tão feliz depois de tudo pelo que passou…

19 comentários em “[EM] O Caso Tituba Indian (Angelo Rodrigues)

  1. Jowilton Amaral da Costa
    18 de setembro de 2021

    Ambientação: A ambientação é boa, muito por conta dos nomes do personagens e dos diálogos.

    Enredo: O enredo eu achei de médio para bom. Os nomes estrangeiros atrapalharam um pouco a leitura. Achei os diálogos um pouco cansativos, principalmente as citações do reverendo, achei que poderia até ser um alívio cômico, mas, não funcionou muito comigo. No entanto, achei a história bem interessante e a ideia bastante original. Gostei do final, ao saber que Tituba havia se salvado

    Técnica: Muito boa. Sem dúvida a técnica é o que mais se sobressai no conto.

    Considerações Gerais: Um bom conto.

  2. Fabio D'Oliveira
    14 de setembro de 2021

    Olá, Trueblood!

    Que aula, hein.

    AMBIENTAÇÃO

    Climático.

    A aposta do conto está numa ambientação climática.

    Ao invés de se focar no ambiente físico, preocupa-se em expor os costumes da época retratada, dando ênfase na egrégora religiosa da antiguidade, nos dogmas e na manipulação da mídia.

    É um trabalho eficiente, levando em consideração o formato do conto.

    ENREDO

    Simples.

    Um oportunista usa o poder da mídia para manipular o povo da Vila de Salem, mas é desmascarado pelo Juiz Trueblood.

    A história é contada numa espécie de relato, em conversas entre o juiz e o reverendo da vila, tendo uma natureza linear. O conto levanta algumas reflexões interessantes, como o poder que a mídia pode ter sobre um povo ignorante.

    ESCRITA

    Prática.

    Narrativa consistente e bem conduzida, ouso dizer que é a escrita de um autor experiente. De natureza explicativa e pragmática. Não encontrei nenhuma falha. E a leitura foi tranquila, sem qualquer entrave.

    Achei estranho a troca do tempo verbal quando o foco se torna a prisão e condenação do Ranald, admito.

    CONSIDERAÇÕES GERAIS

    O conto é bom.

    Pessoalmente, eu não gostei. A leitura foi enfadonha, para mim. Pra completar, a história não me encantou. Esse tipo de narrativa, mais prático e frio, acaba me distanciando naturalmente do texto.

    Não tem nenhum elemento fantástico e o tema abordado, Policial, parece frágil. Não existe uma investigação na história, nem a clássica caçada, mas sim o resultado dela.

    Por causa disso, não posso dar uma nota muito boa, apesar da escrita impecável. Desculpe.

  3. Bruno Tavares
    14 de setembro de 2021

    Ambientação: Muito mistério envolvendo as histórias das bruxas e os pactos com o mal; uma história muito bem fluida e com personagens fortes. Gostei muito da trama apresentada.

    Enrendo: personagens bem construídos e caracterizados; uma narrativa envolvente que nos leva a crer que foi real a cena apresentada; momentos de tensão em lace do reverendo e o juiz, na relação das histótiras de bruxas condenadas e a contada por Tituban india.

    Escrita: texto muito bem escrito e gostoso de ler.

    Considerações Gerais: Um conto maravilhoso! Curti muito e tem uma premissa envolvente desde o início! Parabéns ao autor!

  4. Victor O. de Faria
    11 de setembro de 2021

    Ambientação: Um texto bastante complexo. Tem uma narração interessante, com o estranho hábito de aspas não fechadas. O suspense prende, ainda mais por ser um relato dentro de um relato. Perto do fim o texto dá uma escorregada e há uma troca gigante de tempo não pontuada – isso travou a leitura, reveja se possível. O tema está ali, implícito, mas quase não aparece. Tem um pouquinho de monstro, um pouquinho de detetive.
    Enredo: O enredo traz quase uma história real, de tantos detalhes inclusos. Isso é bom, pois faz o leitor se envolver. Mas, em excesso, o afasta. É de difícil digestão, e cabe a quem lê, interpretá-lo com a mente aberta. Quem já está cansado de uma sequência inevitável de textos em que igreja, padres e ritos estejam envolvidos, vai desejar ler sobre unicórnios e meninas fofinhas.
    Escrita: Tem um ar quase barroco. Entendi que o autor quis emular o estilo da época, mas ler esse conto logo depois do almoço, com o sono chegando, definitivamente não foi uma boa ideia. Carece de mais simplicidade.
    Considerações gerais: Um texto grandioso, mas complexo. Adequado nas entrelinhas, com um final apressado.

  5. Felipe Lomar
    11 de setembro de 2021

    Ambientação:apesar de ser uma ficção histórica e não um conto fantástico, foi uma boa ambientação. Demonstrou conhecimento e pesquisa sobre o caso das bruxas de Salem. Houve só algumas coisas que desviaram da história real, mas pode ter sido proposital para acomodar a ficção.
    Enredo: interessante discorrer sobre uma investigação em um contexto histórico, mas a maior parte do texto é apenas exposição do contexto e só no final há algum desenvolvimento, que não é Muito surpreendente ou cativante.
    Escrita: uma coisa que me incomodou muito foi o fato de que mais da metade do texto são diálogos, e mais ainda diálogos expositivos, que só contam o background e não geram movimento. A história ficou bem cansativa de se ler por causa disso.
    Considerações finais: vou ser sincero: poderia ter sido melhor. A ficção histórica, apesar de difícil de trabalhar, pode gerar textos brilhantes, mas acho que você se perdeu na exposição do contexto. Ficou muita história e pouco você no final das contas. Tome cuidado com isso.

  6. Antonio Stegues Batista
    6 de setembro de 2021

    Ambientação- Não sou contra ambientar a história fora do Brasil. Muitos autores famosos ambientaram seus romances fora de sua pátria.
    Enredo= Bom enredo
    Escrita-= Boa escrita.
    Considerações gerais= O conto é baseado na história de Tituba Indian.

    Tituba, também chamada Tituba Indian, foi uma escrava no século XVII pertencente a Samuel Parris de Salem, Massachusetts.[1][2] Suas origens são debatidas, pesquisas sugerem que ela era uma nativa sul-americana e vendida de Barbados para New England com Samuel Parris.[3] Ela foi uma das primeiras três pessoas acusadas de praticar bruxaria durante os julgamentos das Bruxas de Salém, que ocorreu em 1692.
    Tituba era a terceira pessoa acusada por Betty Parris e Abigail Williams de bruxaria. Ela foi, no entanto, a primeira pessoa a confessar bruxaria em Salém. Ela negou a princípio, e disse que nada tinha a ver com bruxaria, mas foi rapidamente coagida a confessar ter falado com o Diabo. Elizabeth e Abigail, em seguida, passaram a acusar outras duas mulheres, Sarah Good e Sarah Osborne. Outras mulheres e homens das aldeias foram presos e acusados de feitiçaria nos julgamentos de feitiçaria de Salem. Não só Tituba acusou outros em sua confissão, mas falou sobre os cães pretos, porcos, pássaros amarelos, vermelhos e ratos pretos, gatos e um lobo. Também confessou que Sarah Osborne possuía uma criatura com cabeça de uma mulher, duas pernas e asas. Ao misturar as diferentes visões sobre a bruxaria, ela inadvertidamente colocou a pequena cidade de Salem no caos por insinuar que Satanás estava entre eles.
    Fonte= Wikipedia.

    Achei o conto cheio de detalhes intrincados, muitas informações e pouca história. Boa sorte.

  7. Kelly Hatanaka
    5 de setembro de 2021

    Ambientação:
    Bastante detalhada e bem feita. Apesar de detalhada, não é excessiva. Todos os elementos ajudam a imaginar o ambiente com clareza.

    Enredo:
    É uma boa história, com personagens bem desenvolvidos. Porém, o fato de ser quase todo um relato, tornou o texto um tanto cansativo. Talvez, mostrar a história de Ranald ao invés de relatá-la, tornaria a história mais interessante.

    Escrita:
    Excelente, muito fluida e correta. É uma escrita segura, de quem sabe como quer contar a história.

    Considerações gerais:
    Uma história interessante, bem pensada. Uma mudança no formato poderia tê-la tornado mais ágil.

  8. ALINE CARVALHO
    1 de setembro de 2021

    Ambientação: Texto bem ambientado, com ideias elaboradas

    Enredo: Texto longo, difícil de me prender a atenção.

    Escrita: Excelente escrita, não achei nenhum erro.

    Considerações gerais: O texto me pareceu o inicio de um capitulo de romance. Há muitas possibilidades de continuar a história…

  9. Ana Maria Monteiro
    28 de agosto de 2021

    Olá, Juiz.

    Vou comentar seguindo as orientações do regulamento:

    Ambientação: A ambientação está muito boa e é dada mais pelo tom da narrativa do que por descrições, o que é ótimo.

    Enredo: O enredo inclui uma história dentro de outra história, gostei disso – e das histórias também. Ainda que… deixo isso para as considerações.

    Escrita: A escrita é viva, esperta como se de uma pequena fogueira se trate e isso compensa muito alguns deslizes que passaram na revisão. Mas a escrita é realmente bastante agradável, dinâmica e rica.

    Considerações gerais: Neste quesito, poderia dizer muito mas não vou esmiuçar o conto que você conhece decerto melhor que eu e onde vi (muito bem feitas, diga-se de passagem) críticas em todas as direções da sociedade. Isso foi muito bem feito. Achei a parte final muito apressada e atribuo isso ao limite de palavras. Claro que você poderia cortar metade das palavras que antecederam, mas aí ficavam só as histórias e perdia-se o sumo todo, pelo que considero que foi uma boa opção. O meu único entrave a uma plena aceitação do seu conto, prende-se com o afinco demonstrado pelo juiz, quando procurou deslindar a história do gráfico Ranald. Repare, “E o juiz Gordon Trueblood averiguou. Fez uma viagem a Boston e entrevistou o reverendo Mather, mandou um emissário secreto ter com o próprio Ranald, e logo chegaram até sua mãe, Ligeia Glanvill, uma mulher simples e bonita, embora assustada quando diante de desconhecidos. Esperou por cerca de três meses por notícias que pediu a Londres, quando requereu informações ao cavalheiro que fora tutor de Ranald e o despachou à Nova Inglaterra…” isto é demasiado empenho, para quem fica apenas com “a pulga atrás da orelha” e não tem um interesse direto nos factos. Só isto é que me impede de não lhe dar uma nota ainda melhor, pois, no geral, esta foi talvez a leitura mais ágil do desafio e isso tem um imenso mérito – além de serem duas histórias, ambas boas e recheadas da evidência de uma visão clara e esclarecida.

    Parabéns e boa sorte no desafio

  10. Nelson Freiria
    22 de agosto de 2021

    Ambientação e escrita: como quase todo o conto se baseia nesses relatos de coisas que aconteceram, temos um uso extenso de diálogos ou de narrações que contam igualmente se fossem diálogos, toda a ambientação deriva daí. Não compreendo mto sobre o tema, mas a temática foi tangenciando. Aparece uma quantidade grande de nomes e cheguei ao final lembrando apenas do nome da escrava que dá título a história.

    Enredo: de início, parecia que sairia algo com bruxas, mas a medida que o conto se desenvolve e temos uma investigação sobre a questão do Ranald e seus panfletos, tudo vai virando uma história que emenda em outra e depois em outra e chega ao final e tudo fica um copo de chá bem ralo e servido sem açúcar.

    Considerações finais: apesar da premissa que confesso ter gostado, a sequência de histórias contadas que nunca acabam, foram tirando qualquer importância que eu desse aos eventos ou aos personagens. Parece até um trecho extraído de algum documento histórico.

  11. srosilene
    22 de agosto de 2021

    o conto é bem escrito e desenvolvido. Por ter sido baseado na história “as bruxas de Salem” me despertou um olhar mais crítico em relação a trama. Acho válido escrever a respeito, até porque tem muito a ser analisado e explorado com o ocorrido. Destacando que essa temática é tão cara nos dias atuais. Mesmo não sendo original a ideia foi boa e as personagens bem escritas. A ambientação idem. Mesmo o final sendo positivo e o vilão pagando pelos seus atos insanos, fiquei com algumas sensações de conheço a história, por isso não me despertou tanto interesse. Até lembrei do filme “O piano”, penso que foi devido a ambientação. E no mais é aquela máxima:” uma mentira contada mil vezes passa a ser verdade “. A temática é atemporal e bem atual. Hoje vivemos as fases news. Como uma calúnia e uma difamação teatralizada pode destruir vidas de forma tão cínica, cruel e vil. Tudo em nome do dinheiro, poder e religião. E por mais que se prove a verdade sempre fica aquela dúvida no ar. Será que aquela pessoa realmente é inocente? Enfim, o emocional, psicológico e humano é posto em cheque.

  12. Jorge Santos
    21 de agosto de 2021

    Olá meritíssimo Sr Juiz. Junto remeto o meu comentário.

    Ambientação

    O conto tem uma excelente ambientação. Talvez seja essa a sua maior virtude.

    Enredo

    Percebe-se que estamos perante uma recriação de uma parte do processo das bruxas de Salem. A parte que, justamente, dá início ao processo. Tive de pesquisar na Wikipédia para conseguir perceber minimamente o enredo, em especial a conclusão. Isso tira qualidade ao conto. Não é problemático que o fim fique em aberto, mas é crucial que o leitor consiga percebê-lo sem grandes pesquisas, caso contrário o autor pode perder o leitor.

    Escrita

    Simples e eficaz, sem grandes floreados. O conteúdo é confuso.

    Considerações finais

    Conto confuso, sem grande adequação a nenhum dos três temas do desafio.

  13. MARCIO VALLE PEREIRA CALDAS
    21 de agosto de 2021

    Ambientação: Interessante notar que toda a trama se passa em dois diálogos. E que em apenas um deles, o leitor é situado no tempo e espaço, tendo como fundo o episódio histórico da caça às bruxas em Salém.

    Enredo: A ideia do diálogo entre o reverendo e o juiz é utilizada de maneira sagaz para apresentar os personagens e o plano histórico de fundo. O episódio, que sempre fora conhecido como bruxaria ou apenas histeria coletivo, ganha uma nova direção com um potencial trapaceiro. Cria-se uma trama paralela ao evento histórico, que cabe perfeitamente.

    Escrita: As interrupções com citações bíblicas do padre são bem utilizadas para amenizar o ritmo, o que gera fluidez ao texto. Não são utilizados afrescos literários. A leitura se torna rápida e seduz o leitor a perseguir a verdade na voz do juiz.

    Considerações gerais: Muito bom. Ao final, o leitor se depara com a possibilidade ter lido um relato histórico fictício. E se sente até um pouco mais satisfeito com uma justiça fictícia e tardia.

  14. Priscila Pereira
    20 de agosto de 2021

    Olá, Juiz!

    Ambientação: Muito boa! Além de ser de época, ainda estrangeira, e tudo ficou muito verossímil e sem nenhum estranhamento.

    Enredo: Ainda que um tantinho maçante, não deixa de ser interessante. Parece mesmo uma história que alguém do final de 1600 escreveria, o que é uma qualidade e não um defeito, veja bem.

    Escrita: Muito boa, nota-se que o autor tem pleno domínio da escrita e foi o que salvou o conto de ser chato, já que era muito provável pela época e pelo caso em si. O reverendo é chatissimo o que condiz com os estereótipos da época.

    Considerações gerais: Um bom conto, muito bem escrito, descrito e pensado. A história não me agradou muito, mas realmente gostei de parecer um texto real da época. É extremamente difícil acertar esse tom e o autor está de parabéns por ter conseguido!

    Parabéns!
    Boa sorte!
    Até mais!

  15. Simone Lopes de Mattos
    18 de agosto de 2021

    Ambientação: A vila de Salem, logo de início, me pareceu o lugar ideal para um caso misterioso, ainda mais envolvendo bruxaria. Então, o ambiente é envolvente. A imagem que acompanha o conto também ajuda no clima. As intromissões do reverendo durante o diálogo ( e a história é contada por meio desse diálogo) mantém o leitor no clima.
    Enredo: a história tem pouca descrição de cenário. Quase tudo está no diálogo. Ainda assim, não perde a fluidez. Vamos entrando na trama, conhecendo a história do personagem central Glanvill, seus porquês. Foi ele o responsável pela acusação e prisão de Tituba. Ele tem obsessão por bruxaria. Se aproveita disso para dar golpes financeiros? As apurações do juiz sobre o caso são apresentadas. Há um momento em que o leitor fica ávido para voltar a ler sobre Tituba. Não fica clara a passagem do tempo. Quanto tempo passou desde a primeira conversa e a última? Quanto tempo a escrava ficou presa? Estranhei que ela ainda estivesse viva. Acho que foi proposital para trazer estranhamento. Também estranhei que o reverendo não soubesse de fatos relacionados a sua família. Ou não queria revelar? Acho que a narrativa acelerou após o primeiro diálogo do juiz com o reverendo. O juiz explica sua estratégia para desmascarar o panfleteiro e conta sobre a morte na forca.
    No desfecho ficamos sabendo que Tituba ainda vive.
    Escrita: poucos equívocos de digitação que nada comprometem. Gostei da separação dos parágrafos.
    Considerações gerais: eu gostaria de ter entendimento melhor a passagem do tempo. Parece ter acontecido tanta coisa em pouco tempo. Perdi essa referência, talvez pelas voltas ao passado. Na minha leitura Tituba era mesmo uma bruxa.

  16. Anderson Prado
    14 de agosto de 2021

    Ambientação: Mediana. Não são fornecidos muitos detalhes do ambiente, já que o conto, bastante dialogado, não possui muitas passagens descritivas. Sabemos, apenas, que a história se passa há alguns séculos.

    Enredo: Mediano. O excesso de personagens e nomes estrangeiros, além do contar pouco objetivo dos personagens que dialogam, dispersaram minha atenção a ponto de eu sentir estar me confundindo um pouco com o enredo. Como tive a impressão de se tratar de uma história baseada em fatos reais, tive de recorrer ao Google para obter confirmação.

    Escrita: Boa. A escrita é tecnicamente correta (com poucos deslizes de revisão), mas achei o vocabulário, que se pretende de época, pomposo, grandiloquente, formalista e artificial.

    Considerações gerais: Embora a escrita seja tecnicamente muito competente, a história ou o jeito de contá-la não me encantou.

  17. maquiammateussilveira
    11 de agosto de 2021

    Ambientação: Referente ao contexto histórico, é bem realizado o levantamento dos dados reais e o uso de palavras e expressões. Quanto ao gênero do conto, fico na dúvida: é um conto policial ou de realidade alternativa? Não que um gênero tenha que anular o outro, mas, se encarado como um conto policial, termos apenas o relato de uma investigação, a qual não acompanhamos ao mesmo tempo que os personagens. E é justamente esse “acompanhamento do leitor no processo da investigação” que causa a diversão do gênero policial.

    Enredo: A trama é basicamente conduzida por sumários históricos e diálogos informativos. Isso cria um distanciamento do leitor em relação ao enredo e faz com que a ação se resuma a dois personagens trocando informações.

    Escrita: Com quase todas as informações relatadas por diálogos, o texto se torna cansativo. Em alguns trechos, cada personagem precisa relatar fatos conhecidos pelo outro, a fim de que o leitor se inteire do assunto, e isso dá um certo tom inverossímil á conversa.

    Considerações gerais: O final é cativante ao mudar o acontecimento histórico real e revelar o conto como uma realidade alternativa.

  18. Rubem Cabral
    10 de agosto de 2021

    Olá, Juiz Trueblood.

    Ambientação: Boa. O conto é eficiente em criar ser microverso em termos de linguagem, geografia e tempo. Poderia ser melhor se houvesse investido talvez mais linhas com descrições e menos diálogos (às vezes expositivos).

    Enredo: Bom. A história de um espertalhão malvado que se aproveitava da histeria da época para alcançar seus interesses vs. um juiz calejado e justiceiro. O formato do conto, porém, podou profundidade a alguns personagens, por só conhecê-los através dos diálogos entre o juiz e o pastor (Ranald e Tituba, por exemplo).

    Escrita: Boa. Escrita correta e eficiente em entregar o “produto” (o conto) sem maiores entraves. Faltou, ao meu ver, alguns voos criativos para tornar a leitura menos burocrática.

    Considerações gerais: Há excesso de nomes e sobrenomes. É importante posicionar o leitor e imagino que à época fosse costumeiro citar nomes e sobrenomes de gente importante, mas ficou um tanto cansativo. Achei estranho que o Parris houvesse frequentado o Harvard College (College é uma universidade, não?), até os treze anos de idade, mas não sei dizer se é um erro. Em linhas gerais, penso que o conto poderia ser melhor se não houvesse usado o formato de diálogo em quase sua totalidade, pois isso o “engessou”.

    Boa sorte no desafio!

  19. thiagocastrosouza
    9 de agosto de 2021

    Ambientação: Muito bem feita. Confesso que torci o nariz quando vi tantos nomes estrangeiros e já fiquei temeroso pela confusão mental que poderia fazer, mas, sem exageros, somos transplantados para os Estados Unidos do século XVII, assim como as percepções sobre bruxaria, pecado e cristianismo daquela época. Há um evidente trabalho de pesquisa a favor da narrativa.

    Enredo: Muito bom! Por meio de uma conversação, os fatos e personagens vão se desdobrando para o leitor. O fato do protagonista ser um juiz/investigador permite que o texto seja explicativo no encadeamento dos fatos. Contudo, pelo valor do mistério, além da condução dessas falas, com movimento, o texto não fica enfadonho e previsível. Há, no conto, todos os elementos detetivescos de um conto policial, além da contemplação do tema “monstros”, na figura das bruxas ou do próprio Diabo.

    Escrita: Ótima! Bom uso dos diálogos, movimentação dos personagens, atrito nas falas.

    Considerações: Ah poxa, me faltam palavras quando o conto é, realmente, muito bom! Gostei da pesquisa histórica e, principalmente, na forma como conduziu o mistério por meio do diálogo. Foi uma saída inteligente e, pela dinâmica construída, muito bem aproveitada! É dez!

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Publicado às 9 de agosto de 2021 por em EntreMundos - Monstruoso Mistério Aternativo e marcado .
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