EntreContos

Detox Literário.

[EM] O Cemitério de Cabos USB (Nelson Danilo)

— Airon Mendes De Souza, número de registro 749288, dígito 6.

— Identificação confirmada – respondeu a máquina. – Por favor, insira sua matéria-prima e escolha uma opção.

Airon soltou aquele hummm segurando o queixo com o polegar e o indicador enquanto olhava o cardápio. Empurrou a tigela repleta de lixo orgânico para dentro do transmaterializador, riscou o ar com a ponta do dedo sem saber o que escolher.

— Anda logo aê, tio – reclamou um adolescente atrás dele na fila.

Selecionou o botão pizza. A enorme máquina começou a zumbir. Poucos segundos depois ela interrompeu a operação com um aviso:

— Material insuficiente. Opção alterada automaticamente para – uma pequena pausa para recalcular – carbonara.

— Merda, de novo isso – esbravejou o rapaz, estapeando com toda sua força o painel plástico.

Após um flash, o transmaterializador avisou:

— Operação finalizada. Oitenta e três por cento de fidelidade. Bom apetite.

— Ótimo, oitenta e três por cento macarrão e dezessete por cento lixo. Isso é o que eu consigo nessa merda de vida!

Já do lado de fora, encostou numa mureta para comer antes de seguir para casa. Finalmente o calor havia dado espaço a um clima mais fresco e ele pôde começar a se sentir descansado. Como o gosto não estava dos melhores, jogou o restinho na lixeira. Colocou a tigela dentro da mochila e seguiu para casa.

O caminho era povoado de barracos improvisados, centros de reaproveitamento de matéria e pilhas e mais pilhas de lixo, entulhos e recicláveis. Tudo isso as margens do Tietê, na região que ficou conhecida como Vale do Silixo. O Brasil consome e joga fora, enquanto o Brasil paralelo transmaterializa para comer.

Faltando pouco para chegar, avistou uma aglomeração nas portas do maior depósito de eletrônicos descartados, apelidado de Cemitério de Cabos USB. Tentou rodear a multidão ao mesmo tempo que tentava entender o que se passara ali. “Ai meu Deus, que agora até a polícia vai baixar aqui”; “Pra mexer com criança, tem que ser obreiro do Satanás”. Mas o que chamou sua atenção foi ouvir “Aquele torresminho tem que ter pelo! Aquela máquina não conhece o valor da comida”.

— Benê! – gritou Airon.

— E aí, meu parça – respondeu abraçando o colega –, você chegou na hora certa. Tava aqui explicando pra Talita que aquela máquina não sabe o que é comida de verdade.

— Faz nem sei quantos anos que a máquina tá lá e você ainda fala disso. Mas me digam, o que é que aconteceu aqui?

— Pelo o que eu entendi, umas três pessoas sumiram durante a coleta hoje.

— E duas eram crianças – completou Talita.

— Puta merda, desse jeito vai dar polícia mesmo! Eu vou é sair logo daqui, amanhã vocês me contam o que virou.

— Falou, parceiro. Mas cuidado aí, que os petbots tão tudo pirado hoje.

— A ponta da minha botina é de ferro – disse exibindo sua bota do trabalho tão suja quanto o chão que pisava.

Após o banho, Airon se deitou. Não ligou nenhum eletrônico, queria descansar. Só pensava em acordar cedo para cobrir o turno do amigo que pediu o favor de trocar. Assim ele teria o final de semana livre e poderia aproveitar para ir numa churrascada. Tudo seguia o plano, até que um som de liquidificador começou a chacoalhar sua cabeça. Aquilo foi aumentando até virar um motor de caminhão. O barulho começou a lhe resgatar de seus sonhos tranquilos até trazê-lo de volta e tá-tá-tá-tá-tá-tá.

Todo seu barraco vibrava ao som de poderosas hélices impulsionando o ar. A claridade do holofote revelava todos os buracos que ele ainda não havia consertado no telhado. Em segundos estava mais desperto do que ficaria com café passado na meia.

Vestiu uma camiseta às pressas, sentou para colocar as botas que estavam ao lado da cama. Vestiu apenas um pé, quando a porta de seu casebre estourou e alguma coisa avançou em sua direção. Entre o desembaraçar dos olhos remelentos e o pouco tempo para reagir, seguiu seus instintos. A bota reforçada com bico de aço aguentaria tranquilamente uma pancada em um objeto metálico. Quando ela atingiu a massa cinzenta que pulou sobre ele, o objeto foi lançado contra o criado mudo, quebrando o retrato de sua mãe que ele deixava ao lado da cabeceira.

— Porra de cachorro! – Esbravejou após perceber que se tratava apenas de um petbot. – Quebrou o retrato de mamãe – e começou a pisotear o robô até estourá-lo.

Satisfeito, retirou seu pé de cima dos pedaços quebrados. Foi quando percebeu que não estava sozinho. Uma dupla de policiais observara aquela cena. O rádio comunicador quebrou o silêncio, “Meia dois, meia dois, qual a situação?”

A mulher baixou a mão até a altura do cinto. Pegou o comunicador e respondeu, “Era somente um robô, ele foi destruído. Encontramos um morador aqui” A conclusão do oficial superior veio rápida, “Traga o que der para recuperar. E o morador também.”

— Me levar? Pra quê?

— Apenas nos acompanhe – reiterou o outro policial.

#

Dentro de uma tenda improvisada, Airon percebeu que em suas poucas horas de sono, a polícia havia montado uma força-tarefa dentro do Vale do Silixo. Lá dentro, uma fila de pessoas prestavam testemunhos. Não ficou surpreso ao encontrar Benê entre elas, que o saudou com a piada de sempre:

— Iron Maiden De Souza. Então você é o mais novo suspeito desse crime?!

— Crime? Eu? É você quem tá algemado à cadeira. Aliás, é o único algemado aqui.

— É que eu não tenho muito respeito à autoridade, você sabe. Tão sempre fazendo isso comigo. Mas ae, qual é a parada, por que te trouxeram pra cá? Achei que tu tava sonhando com os anjos.

— É exatamente o que ele vai me explicar agora – interveio o delegado encarregado da investigação.

Em outra tenda, o delegado confrontava o depoimento do rapaz, “Quem vai dizer se o petbot era seu ou não, é a perícia, senhor Mendes. Muito estranho o animal sair correndo do depósito direto para a sua casa. Enquanto checamos essa informação e a do seu horário de trabalho, você ficará sob a nossa vigilância.”

O projetor repetia a imagem trêmula do helicóptero seguindo o cão robótico até seu barraco. O que ele poderia alegar, que não gostava de criações, nem mesmo as artificiais? Que sua casa era uma das mais próximas ao Cemitério? Que esmagou o animal por ter quebrado o retrato de mamãe ao invés de esconder evidências? Nada daquilo ia adiantar. Sabia que provavelmente passaria o restante da noite algemado ao lado de Benê. E, quando o aço frio prendeu seu braço à cadeira, o amigo perguntou:

— E aí, foi você mesmo?

— Sai fora. Eu nem sei o que tá acontecendo direito.

— Ah… é tudo culpa daquela patricinha de ONG com fetiche em pobre. A mulher tava lá com um grupo levando comida não-transmaterializada pro povo, quando soube dos sumiços de ontem à tarde. Ela achou que ia posar de heroína e foi ajudar nas buscas, mas acabou desaparecendo também. Sabe o que é engraçado? Os homi só baixaram aqui depois que ela sumiu. Some gente todo dia nessa porra de cidade, some dinheiro, some coisa das casas, mas os filhos da – ele interrompeu seu discurso quando o delegado se aproximou para buscar outro depoente. – Você entendeu, né?

#

Já fazia mais de uma hora que ele escutava Benê falando sobre aleatoriedades:

— Tô te falando, cara. Os pelinhos é a alma do negócio.

— Chega desse papo de pelo no torresmo. A gente precisa sair daqui, isso não vai virar nada pra nós, da mesma maneira que você não vai parar de comer aquela comida reciclada e reclamar dela.

— Aí, o dia que eu tiver dinheiro eu vou comprar e vou fazer você sentir o…

Uma sirene tocou. Todos os policiais que ajudavam na investigação pararam seus afazeres e começaram a evacuar o local. “Xiii, fodeu. Vão lançar bomba na gente”, falou seu parceiro entre a gritaria e correria das pessoas ao redor. Ambos puxaram os braços algemados, até perceberem que só juntos conseguiriam sair dali. Combinaram de cada um erguer um lado da fileira de cinco cadeiras presas a um suporte metálico e correrem até a saída. Mas Benê tropeçou no meio do caminho e ambos foram para o chão. Airon sentiu o chão tremer e a estrutura da tenda desabou de um dos lados. Algo realmente pesado atravessou próximo à área.

— Ajuda eles, ajuda eles – gritou uma voz conhecida.

Era Talita. A policial que entrou em sua casa mais cedo, correu até ele e tirou as algemas. Todos correram antes que a armação de aço das tendas terminassem de desabar. O som pesado se afastava na escuridão do Cemitério. Apenas o som da sirene ecoava, quando um helicóptero passou rapidamente por eles, se afastando da zona do depósito. Então novos gritos em meio as ruas de terra mal iluminadas avisaram “Cuidado”; “Se protejam todos”. E, no meio do escuro, brilhos metálicos refletindo a pouca luz, revelaram algo se aproximando e plooow.

— Que bosta é essa? – berrou Benê.

— Vamo sair daqui, filhadaputa – respondeu Airon dando no pé.

Quando a situação se acalmou minutos depois, o Vale inteiro havia acordado e se aglomerado ali. Blocos enormes de entulho comprimidos estavam cravados na terra. Alguns com petbots ainda apresentando alguma atividade. Outro helicóptero se aproximava da zona, quando a policial que os liberou das algemas pediu a Airon que lhe acompanhasse. Benê e Talita foram juntos.

Não havia mais tendas improvisadas, somente ferros retorcidos e lonas rasgadas. A polícia tentava conter as pessoas por de trás de uma faixa. Um enorme rastro se estendia daquele ponto até o Cemitério. O delegado se comunicava pelo rádio, quando foi interrompido:

— Ele está aqui – disse a policial.

Soltou o botão do comunicador, virou o corpo e disse:
— Senhor Mendes. Não pudemos periciar aquele petbot encontrado em sua casa, porque… como você pode ver… estamos em um situação complicada. Enfim, também não posso te liberar por conta disso. – Dito isso, passou uma algema no braço de Airon e outra em seu próprio braço. – Você está sob minha custódia e é o único suspeito até o momento.

— Isso não pode ser sério. Que merda está acontecendo aqui? Vocês invadem minha casa à noite, me levam para ser interrogado e eu já vou perder meu turno e um dia de pagamento e só tô me fodendo por… – Uma rajada interrompeu seu discurso.

Uma gritaria se levantou ao fundo. Um rastro luminoso cortou o céu. O helicóptero manobrava envolta das gigantes pilhas de entulho, que começaram a se mover. Os olhos de Airon custaram acreditar. Aquilo estava vivo.

— Esse é o motivo, senhor Mendes – disse o delegado apontando o dedo em direção -, foi isso que tirou o seu sono essa noite.

— Caralha! É o Mechagodzilla, ele existe mesmo – disse Benê.

— Puta merda. É o fim do mundo!

As pessoas por trás da faixa de contenção correram. Mas dentro dela, não puderam fazer o mesmo. Policiais gritavam desesperados por reforços em seus rádios. O helicóptero disparava rajadas de tempos em tempos contra a criatura. “Capitão, capitão. Precisamos de armamento mais pesado, os disparos não estão afetando essa… coisa.”

O delegado aguardava a resposta do superior. Airon queria fugir, mas era franzino demais e acabou sendo arrastado até um veículo policial. Todos tentavam se esconder, apontando armas e se preparando para um eventual combate. “Inútil”, pensou o jovem, “Vamos todos morrer se ficarmos aqui.”

O rádio finalmente deu a resposta, “Mecha Unidades de Combate já estão a caminho. Você confirma a ameaça eletrônica?”. O delegado pensou um segundo antes de apertar o botão do comunicador, “Sim, senhor. Confirmo a ameaça eletrônica. Especificamente robótica.”

Novos blocos de entulho foram arremessados contra o helicóptero. A batalha durou poucos minutos até a chegada das unidade robóticas policiais. Airon sempre levava um enquadro quando se deparava com alguma pela cidade. Mas ali, pela primeira vez, sentiu segurança ao ver aqueles corpos de metal de três metros de altura indo em direção a uma ameaça ao seu nível. Eram quatro, todos pintados com as mesmas cores das viaturas e luzes estroboscópicas. O primeiro avanço contra a gigantesca massa de entulhos viva, foi cena digna de cinema. Seus amigos que haviam corrido, voltaram para assistir atrás da faixa. Talita acenou para ele, que tentou erguer o braço mostrando que estava preso ali. Benê filmava a cena. Mas o ato de heroísmo durou pouco. A criatura com o dobro de altura conseguiu esmagar duas unidades sem fazer muito esforço. Talita se aproveitou de um brecha e atravessou a faixa, correndo para próximo do amigo. A criatura, então, passou a mudar de forma. Pilhas de metal se retorciam. Peças novas e antigas se encaixavam em uma loucura de cabos. Peças de carro formavam articulações. Incontáveis robôs domésticos se organizavam, formando tentáculos.

— Ele está fazendo igual da outra vez. Se preparem, ele está vindo pra cá – gritou o delegado.

Como brinquedos, as outras duas unidades foram esmagadas entre as toneladas de entulho. A multidão vibrou. “Dá-lhe neles!”; “Isso aí, acaba com os homi!”; “Manda ver, Akira”. Do helicóptero, novas rajadas. O delegado puxou o rádio, “Perdemos os Mechas. Precisamos de uma bomba eletromagnética pra desligar isso.” A resposta veio rápida dessa vez, “Negativo. Vocês estão muito próximos ao transmaterializador e por aí passam os cabos da subestação que abastece dois hospitais. O prefeito vai comer meu fígado se algo acontecer com os equipamentos. Vamos arranjar outra solução.”

Usando os tentáculos de apoio, o monstro começou a se arrastar na direção do cerco. Os oficiais juntaram seu armamento mais pesado e aguardaram. Talita tentou ajudar o amigo, mas não conseguiu convencer o delegado, que simplesmente pediu a ela que se retirasse. Sobrevoando a área, o helicóptero avisou, “Há alguma coisa embaixo da criatura. Não conseguimos nos aproximar mais e precisamos voltar para abastecer.”

O delegado subiu sobre o capô, pediu um binóculos, apenas percebeu que Airon estava acorrentado a ele quando o braço do rapaz se projetou na sua visão. Mudou o objeto de braço e ajustou o foco. Dali ele pode ver um ninho metálico com vários petbots brincando alegremente. Entre eles, um pequeno grupo de pessoas. Duas crianças, um homem e uma mulher.

— São eles. Achei, achei eles – e sua saliva espirrou na face Airon.

— E eu achei a sua baba –  disse esfregando os olhos –, está bem na minha cara. Que tal irmos embora daqui?

O delegado puxou o rádio com tanta força que o aparelho soltou um estalo. “Tem um ninho em baixo da criatura. Parece que essa porra é uma mãe defendendo os filhotes. Os quatro desaparecidos estão lá.” Eles pularam de cima do carro e o oficial passou a informação adiante. Enquanto alguns policiais se organizavam para um resgate, a resposta do capitão soou em todos os comunicadores. “Retirem eles de lá. Pedi ajuda aos militares. Eles estão enviando um bombardeio. Nada grande, mas evacuem tudo dentro de um raio de um quilômetro da coisa.”

#

As dozes motocicletas aguardavam apenas a chegada do helicóptero para avançarem. O rugido dos motores e dos grossos calibres não faziam diferença para a pilha viva de metal retorcido.

— Repassando o plano – gritou o delegado para Airon, agora algemado ao suporte de mão da traseira da moto –, você não desequilibra a moto, você não solta a mão do suporte e você NÃO FAZ NADA. Entendido?

Airon apenas grunhiu. Quando o helicóptero voltou abastecido e passou por suas cabeças, as motocicletas aceleram em direção ao Cemitério dos Cabos USB. A coisa começou a voltar em direção ao depósito de entulhos. O plano estava dando certo. Distraída pelas rajadas do helicóptero, a pilha gigante não viu o resgate atravessar.

O terreno era difícil e a luz era pouca. Divididos em dois grupos, as motocicletas contornaram a criatura e seguiram em direção ao ninho. No meio do caminho, um grupo precisou descer para escalar o terreno a pé enquanto o outro daria cobertura. Assim que o primeiro grupo atingiu o ninho, a criatura levantou um tentáculo em sua direção. Na garupa, Airon sentiu o pescoço balançar igual vara de bambu. As seis motocicletas atiravam e manobravam entre os entulhos para escapar. O delegado precisou realizar uma curva brusca quando um barra metálica se projetou em sua frente. Os capacetes se chocaram.

— Filhadapu… – uma mensagem interrompeu o delegado.

“Pegamos os civis. Já estamos voltando.” Os cinco minutos que se seguiram deixaram uma marca na cueca de Airon. Quando o rádio avisou que os civis já estavam em segurança, o segundo grupo voltou ao cerco. O aviso de sucesso da missão liberou a ordem do bombardeio. “Preparem a evacuação. O ataque chega em cinco minutos. Depois uma tropa do exército vai assumir com uma unidade de artilharia. Eles não querem fazer um grande estrago para não danificar a rede elétrica. A missão de vocês é garantir a segurança da população local e preservar o Centro de Transmaterialização Alimentar.”

As tropas policiais dispersava a multidão enquanto aumentava o perímetro do cerco.

— Então acabou?

— Literalmente, meu amigo – respondeu o delegado sorrindo e, num golpe traiçoeiro algemou Airon na grade de entrada do Cemitério.

— Mas o que você tá fazendo? Você tá louco?

— Resolvendo o caso – respondeu tranquilamente.

— Mas eu sou inocente, seu maluco psicopata. Você nem teve tempo de me investigar.

— Eu só preciso resolver o caso, não encontrar a verdade. Assim que destruirmos aquela coisa, o público vai querer respostas e eu vou dizer que você era o hacker por trás de tudo.

— Vai se fuder, Capitão Nascimento. Você não vai me deixar aqui. VOCÊ NÃO VAI! SEU MALDITO. DESGRAÇADO.

— Meu nome é Judas. Judas Prestes.

Por um breve momento, ambos contemplaram o mau gosto em comum de seus pais em escolherem nomes com referência a bandas de rock. Então, Judas deu as costas a Airon e o deixou esbravejando sozinho. Ao longe, Benê e Talita esperavam os fogos enquanto mastigavam um torresmo transmaterializado.

— Pena que não tem uns pelinhos crocantes.

— Por favor, nem começa, Benedito.

— O Iron Maiden deve tá vendo tudo lá de pertinho.

— Uma noite igual essa, só em outra vida.

18 comentários em “[EM] O Cemitério de Cabos USB (Nelson Danilo)

  1. Rubem Cabral
    18 de setembro de 2021

    Olá, Giroflex.

    Vamos à análise do conto!

    Ambientação:Muito Boa

    Um cyberpunk bem brasileiro, com geringonças supermodernas e gente vivendo uma vida difícil. O conto foi bem eficiente em criar o universo da história e em apresentar os personagens. Os diálogos foram divertidos, embora às vezes pareceram-me um pouco caricatos.

    Enredo:Bom

    O enredo é bom, embora dê muitas voltas e chegue a um final um tanto estranho. Não entendi bem a origem do monstro feito de sucata. O final foi um pouco apressado.

    Escrita:Bom

    A escrita é boa em entregar a história sem maiores comprometimentos. É simples e eficiente. Há, contudo, alguma pontuação falha e alguns pequenos problemas.

    Considerações gerais:Bom

    O cômputo geral foi bom: o conto é divertido e o mundo criado foi bem criativo.

    Boa sorte no desafio!

  2. Simone Lopes Mattos
    16 de setembro de 2021

    Muito boa ambientação da história no Vale do Silixo. Trata-se de um futuro distópico, Brasil de contrastes ainda maiores, mas algumas coisas não mudaram. A tensão é crescente e as cenas contam o necessário com ótimo ritmo.
    Enredo: linear, com boa reviravolta final. Um pobre coitado preso para dar um bom desfecho ao caso policial. Personagem central é um azarado. Isso cria empatia e compaixão. Gostei da ausência de explicações e flashback. Manteve o ritmo crescente.
    Escrita: muito boa. Os diálogos com verossimilhança. Referência ao capitão nascimento.
    Considerações finais: manteve o interesse do leitor e a curiosidade pelo final, pela resolução. Lamentei o final. Apostei que ele seria exatamente o herói da história e que acabaria recebendo honrarias. Mas foi bom o final que me enganou. Parabéns

  3. Victor O. de Faria
    14 de setembro de 2021

    Ambientação: Uma inusitada mistura de Jogador nº1 com Transformers. É um conto blockbuster, literalmente. Está mais para uma distopia, ou scifi B, do que realidade alternativa. Tem um monstro? Talvez. Tem ares de detetive? Não. Só a polícia de enfeite. É bem humorado? Com certeza.
    Enredo: Bem, temos o conto de uma periferia em uma cidade tecnológica, algo muito comum em filmes cyberpunk ou mesmo em distopias. Aqui, tudo tem um jeitão abrasileirado, o que deixar o teor cômico bastante visível. Esse é o mérito – o texto deixa implícito, desde o início, que não é para ser levado a sério. O que foi ótimo, porque a trama escala de uma maneira absurda. Do nada temos um conto sobre meninos buscando comida, de repente, estamos na pedreira do Jaspion enfrentando Godzillas e Decepticons.
    Escrita: Simples, mas eficiente. Bem divertida, com suas referências e nomes Bollywood (Iron Maiden e Judas Priest foram ótimos!).
    Considerações gerais: É um texto que cativa pela sua loucura, simplicidade, mas que tem um coração melancólico bem saliente. Contudo, quase não se encaixa na adequação aos temas.

  4. Priscila Pereira
    12 de setembro de 2021

    Oi, Giroflex!

    Ambientação: ótima! Típica de filme de ação é comédia pós apocalíptico! Gostei bastante!

    Enredo: muito bom, bem imaginativo, bem pensado e muito bem executado. Só tenho uma coisa pra acrescentar: o final trágico não combinou com o resto do conto… Tava mó comédia e ação e do nada o mocinho vai morrer? Como assim? Não é uma crítica, ficou bom mesmo assim, mas senti muito a quebra de padrão, talvez se fizesse uma transição mais lenta da comédia pro drama soasse melhor ( ou eu que sou chata mesmo).

    Escrita: muito boa! De gente que sabe o que tá fazendo! Conta a história de uma forma que a gente mergulha nela.

    Considerações gerais: um dos contos mais legais do desafio! Gostei bastante! Parabéns!

    Boa sorte!
    Até mais!

  5. ALINE CARVALHO
    12 de setembro de 2021

    Ambientação: Excelente ambientação, rica em detalhes e personagens

    Enredo: Trama eletrizante, prende a atenção do inicio ao fim

    Escrita:Boa escrita, com poucos erros

    Considerações gerais: Gostei muito do conto, daria um bom filme!

  6. Kelly Hatanaka
    30 de agosto de 2021

    Ambientação:
    Um mundo futurista porém, mesmo assim, muito parecido com o nosso, o que aumenta a sensação de estranheza.

    Enredo:
    Bastante ágil e dinâmico. Não é uma história muito complexa, de fato, pouco coisa acontece de fato. Mas a narrativa é envolvente e há bastante ação, o que dá a falsa impressão de que muita coisa aconteceu.

    Escrita:
    Excelente, diálogos muito fluidos e bem feitos, que mostram muito dos personagens.

    Considerações gerais:
    Uma história boa e bem contada e uma leitura divertida. Parabéns!

  7. maquiammateussilveira
    26 de agosto de 2021

    Ambientação: a realidade alternativa desse conto é divertida ao jogar com os elementos da realidade social brasileira e ainda brincar com clichês de filmes e séries de ação.

    Enredo: A trama é criativa, os personagens engraçados. Demorei um pouco para me localizar no universo do conto, já que a primeira cena não é muito clara. Mas logo na sequência o contexto foi surgindo e a situação do protagonista também. Consegue abordar um tema sério de uma forma descontraída.

    Escrita: O ritmo é ágil e o tom cômico funciona ma maioria das vezes, principalmente nos diálogos. Em alguns trechos, principalmente nas cenas de ação, a narrativa poderia explorar um pouco mais a comédia, para enriquecer o texto e o leitor não ficar apenas com “a descrição dos fatos”. Mas, em geral, o tom cômico domina e trona o texto se mantém divertido.

  8. Felipe Lomar
    22 de agosto de 2021

    Ambientação: uma boa criação de uma são Paulo distopica e futurista. Trabalha as realidades da pobreza e da desigualdade, além da poluição e do lixo eletrônico, através de uma lupa
    Enredo: eu sei que é proposital, mas a parte do torresmo ficou repetitiva. A luta no final também foi meio sem sal.
    Escrita: uma escrita limpa, sem firulas. Mas que também não é perfeita. Há algumas palavras comidas. Mas as referências às bandas(e ao meme do godzilla giroflex) foram boas
    Considerações finais: não sou muito chegado ao tema de kaijus e monstros gigantes. Então já não ia entrar de cabeça no texto. A ambientação é boa, mas a história fica muito só na ação e perde a profundidade. Me desculpe ser duro.

  9. Jorge Santos
    21 de agosto de 2021

    Ambientação

    Conto que tenta a adequação aos três temas propostos, e que consegue uma ambientação convincente no policial e monstros, excelente na realidade paralela, se bem que aqui está seja mais próximo da ficção científica.

    Enredo

    O conto é algo confuso e não chega a prender o leitor. Os diversos temas surgem quase por obrigação, quando o tema da realidade onde a comida é obtida por transmaterialização é suficientemente forte.

    Escrita

    Linguagem excessivamente coloquial. Não encontrei erros, mas o conto é pouco fluído, nunca chegando a prender a atenção.

    Considerações finais

    Conto confuso pela tentativa de abarcar os três temas.

  10. Fabio D'Oliveira
    21 de agosto de 2021

    Olá, Giroflex.

    Seu conto me lembrou levemente de um episódio de Love, Death & Robots. Gostei!

    AMBIENTAÇÃO

    Boa.

    Apesar das descrições não serem muito visuais, cria-se o clima certeiro para o conto: uma realidade degenerada, onde pessoas se alimentam de lixos transmutados, e trabalham para sobreviver, numa espécie de escravidão moderna. O uso de termos próprios do mundo facilitou na criação desse clima. Adoro essa técnica, apesar dela ser perigosa.

    Admito que queria ter tido uma visão mais elaborada do lixão, mas faz parte.

    ENREDO

    Bom.

    Os personagens são carismáticos, um pouco caricatos, movendo a história num ritmo razoável. O foco narrativo da história é Airon, que, assim como o leitor, não sabe o que está acontecendo. Não sei se foi a melhor escolha para esse conto, pois ele pedia um pouco mais de desenvolvimento em alguns pontos. Talvez algumas transições de focos narrativos poderia deixar o desenvolvimento mais dinâmico e rico.

    Pontos que poderiam melhorar: o lixão, o monstro e os personagens secundários. Como disse na ambientação, o lixão ficou bem genérico, sem muitos detalhes, e é o cenário mais importante do conto. O monstro seguiu o ritmo do cenário, tendo uma participação de coadjuvante. E os personagens secundários, apesar de cativantes em seus diálogos, serviram apenas para mover a história na direção que você queria.

    Achei o final muito bom: o final clássico do personagem azarado.

    ESCRITA

    Boa.

    Sem pretensão de brilhar, o conto segue uma narrativa linear e simples, que cativa o leitor pela sua fluidez e facilidade. Eu gosto de contos assim. Soube aplicar muito bem os termos do mundo, sem prejudicar o entendimento da história.

    Como crítica, acho interessante tentar deixar os diálogos mais naturais, pois esse tipo de diálogo combina melhor com o tipo de narrativa empregada no texto.

    CONSIDERAÇÕES GERAIS

    Gostei do conto.

    Poderia ser melhor, claro, mas a leitura me divertiu. É o tipo de história que gosto. O humor aplicado no conto tem muito potencial, aliás. Talvez valha a pena explorar isso.

  11. Ana Maria Monteiro
    18 de agosto de 2021

    Olá, Giroflex.

    Vou comentar de acordo com o que manda o regulamento, desculpa se ficar esquisito, mas não estou habituada à rigidez da fórmula.

    Ambientação: A ambientação adapta-se obviamente ao tema de realidades alternativas e

    Enredo: o enredo vai mais ao encontro de mistério e um pouco de monstruosidade. No entanto, ambas as situações ficaram pouco claras: não se percebeu
    completamente aquele universo quase igual ao seu paralelo, nem tampouco a centro da trama em que o protagonista se viu envolvido.

    Escrita: Aqui é que a coisa fica complicada pois, se a técnica narrativa se revela eficaz, a revisão ficou por fazer. Mandou no último dia? Não teve tempo nem de passar os olhos? Tem muitas gaffes daquelas que se cometem enquanto se está a escrever, mas que depois saltam logo à vista.

    Considerações gerais: No geral, o conto manteve-me presa, embora em grande parte devido ao facto de que precisava de o comentar e para isso teria de chegar a perceber aquela trama toda. Não foi difícil e manteve-me intrigada.

    Parabéns e boa sorte no desafio

  12. Felipe Melo
    17 de agosto de 2021

    Ambientação: A ideia e o ambiente são muito criativos, e oferecem muito espaço para exploração. Ainda, a conexão com problemas modernos é muito instigante e o tom cômico casou bem com a ideia, apesar de tratar-se de um cenário de horror.

    Enredo: o enredo é muito interessante, e a sequência dos fatos narrados prendem a atenção, principalmente para o leitor que busca elementos de crítica social. O texto é cheio de referências, algumas delas interessantes, outras exageradas e outras um pouco comuns

    Escrita: A escrita em geral é boa, porém, existem alguns problemas de ritmo e construção de frases que dificultam um pouco a leitura, mas não muito.

    Considerações gerais: o texto é agradável, o tema é moderno e instigante e as cenas são engajadoras. Uma escrita um pouco mais cuidada, contudo, ajudaria ainda mais no engajamento.

  13. Angelo Rodrigues
    13 de agosto de 2021

    4 – O Cemitério de Cabos USB

    Ambientação:
    Boa ambientação. Transmaterializada em direção a São Paulo, a Cibercidade dos cabos USB.

    Enredo:
    Um grupo de amigos se vê às voltas com seres transmaterializados em criaturas vivas que atacam os seres humanos e tudo o mais, sabe-se lá o motivo de o fazerem. É São Paulo, sem dúvida, e só faltou narizes tomados por fuligem preta. Tem clima de Battlebots, Transformers e delegacias de seriados dos anos 1980, uma espécie de CiberPunk sem engenhocas a vapor. Ficou legal.

    Escrita:
    A escrita tem um tom informal, provavelmente, dado que escala anos futuros, incorporando a linguagem atual das periferias de qualquer cidade do Brasil, à parte o sotaque de cada uma.
    Ressalto apenas o trecho “… as pessoas por [de trás] detrás de uma faixa…”, que precisa de revisão.

    Considerações Gerais:
    O conto ficou legal, tem um jeito informal de contar uma história esquisita. Faz uso de diversos clichês, como relatei acima. Não ficou mal.
    Acredito que tenha buscado atender ao quesito Realidades Alternativas, passando pela opção Policial.

  14. Bruno Tavares
    11 de agosto de 2021

    Ambientação: O autor criou um universo distópico e bem vasto, ao meu entender, muito criativo.

    Enredo: Quanto ao enredo e trama dos personagens, temos a velha e batida máxima do policial corrupto e dos revoltados contra a polícia, os rebeldes que se auto intitulam heróis ou vítimas do sistema opressor e injusto, assim como desculpa para qualquer ato inconsequente ou falta de responsabilidade. Senti um pouco de dificuldades em certos pontos da história, necessitando reler trechos, pela quantidade de cenas e coisas acontecendo a todo momento. Achei um pouco confuso, porém é um conto muito rico em detalhes e com uma narrativa sensacional!

    Escrita: A escrita também é bem desenvolvida; acredito que a pontuação está ‘ok’, e em conjunto com a voz em terceira pessoa, conquistou minha atenção.

    Considerações gerais: No geral é um bom conto e muito bem escrito. Clichês fazem parte… E muitas histórias boas tem os seus. Parabéns ao autor!

  15. Anderson Prado
    11 de agosto de 2021

    Ambientação: Mediana. A história se passa em um futuro distópico. Não achei que são fornecidos muitos detalhes desse futuro, mas nos deparamos com máquinas, comida sintética, robôs etc. A ambientação não me impressionou, mas estava lá, mediana embora.

    Enredo: Ruim. Achei totalmente errático. Não identifiquei muito bem qual era o cerne do conto. Não me deparei com uma história que tenha gostado de acompanhar.

    Escrita: Boa. A escrita me soou bastante competente, o que me deixou muito feliz por um tempo, na verdade, até eu perceber que o enredo era errático. É raro me deparar com uma escrita tão boa desacompanhada de uma história minimamente interessante.

    Considerações gerais: Ao que me pareceu, o autor só quis contar uma história e pronto, sem se prender muito à ideia de um conto que tivesse um início, um meio e um fim, uma abertura, um clímax e um desfecho surpreendente. Escreve bem, o que já é muito bom. Promete.

  16. Antonio Stegues Batista
    11 de agosto de 2021

    Cemitério de cabos usb

    Ambientação= Pós-apocalíptico. Boa criação.

    Enredo= Bom, mas certos pontos ficaram meio nebulosos.

    Escrita= Normal, inserindo uma pitada de bom-humor. Nesse tipo de história ágil, de narração rápida, sempre escorregamos para o absurdo engraçado..

    Considerações Gerais= Não deu para entender o lance do cão-robô e quais eram os motivos do policial para prender o cara. Faltou elaborar melhor as ações para que eu tivesse um bom entendimento do conto. De qualquer forma, é um enredo interessante, uma boa ideia que merece ser melhorada.

  17. thiagocastrosouza
    11 de agosto de 2021

    Ambientação: Futuro distópico, tecnológico e miserável. O autor ambientou o conto à serviço da narrativa, perdendo pouco tempo com explicações longas. Tudo é inserido de maneira natural, de modo que a leitura avança sem interrupções.

    Enredo: Pura ação! Aliás, não lembro de me deparar com um conto tão ágil e divertido como este. Há um enredo simples, mas que, dentro do gênero proposto, funciona muito bem. O brilho está na forma como conduz as passagens de ação e a interação entre os personagens. O final é frustrante, mas no bom sentido, porque Iron, apesar de ser moralmente duvidoso como os demais personagens, me conquistou.

    Escrita: Há muitos méritos na escrita. Desde a forma como nomeou os personagens, as tecnologias e ferramentas, até na maneira como descreve a ação. O conto me deixou sem fôlego, muito pelo dinamismo que imprimiu após a chegada da polícia no barraco de Iron.

    Considerações Finais: Gostei muito! Achei que seria mais um conto genérico de FC e fui brindado com essa peça original, despojada e cômica. Parabéns!

  18. Jowilton Amaral da Costa
    11 de agosto de 2021

    Ambientação: A ambientação é boa, conseguimos nos situar dentro de uma espécie de lixão de materiais eletrônicos de mundo caótico num futuro próximo..

    Enredo. É uma história policial de ficção científica. Um homem, morador de uma espécie de favela ou lixão de objetos eletrônicos é preso como suspeito de um sequestro. Neste ínterim, um monstro gigante formado por entulhos eletrônicos começa atacar a região. O enredo é bom, um tanto caótico e com muita ação e humor escrachado. Há também muita crítica social em todo o conto, culminando com a sacanagem do delegado de deixar Airon preso para morrer e depois culpá-lo por todo o ocorrido, mesmo não sendo ele o responsável.

    Técnica: A técnica é boa, com muito fôlego para cenas de ação. Há alguns errinhos de revisão que não me atrapalharam na leitura. Narrativa boa, com algumas piadocas, algumas funcionam outras não.

    Considerações gerais: Contos de FC não me atraem muito. Como sempre digo em meus comentários sobre este gênero, prefiro vê-los do que lê-los. O impacto não foi alto. No geral, um bom conto. Boa sorte no desafio.

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Publicado às 9 de agosto de 2021 por em EntreMundos - Monstruoso Mistério Aternativo e marcado .
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