EntreContos

Detox Literário.

[EM] Só de passagem (Junior de Plínio)

O único sinal de vida que Plínio viu ao descer do carro foi o zanzar de dois cachorros que se revezavam em cheirar o cu um do outro, no meio da rua principal, alheios a qualquer tipo de pudor. A brisa forte, de uma e meia da tarde, soprada do rio, entrou queimando as narinas do homem, quase o sufocando, fazendo agitar as folhas de sua memória. Ele havia se desacostumado com o calor seco do lugar. Olhou ao redor e percebeu que a agência do Banco do Brasil havia se tornado uma loja de assai e que agora a casa de Lauro de Pingo era uma padaria no estilo delicatéssen.  No entanto, o que mais o impressionou, foi a mansão que se erguia onde era a humilde casa de Dorinha. As fotos que ele tinha consultado não fazia jus a toda aquela imponência vista de perto. Dorinha, a moça que auxiliava a avó de Plínio na feitura de balas de leite, cinco anos mais velha que ele, foi a responsável pela primeira consciência dele do que era o amor, da certeza de que inevitavelmente iremos e teremos de nos apaixonar.

Andou alguns metros, passou pela frente da prefeitura e atravessou a rua se dirigindo para a churrascaria do Joca de Bento de Teiú. A casa era antiga, de mil oitocentos e setenta, como informavam a placa colada na entrada e o brasão encardido. Com o pé direito muito alto e três grandes portas de madeira em forma de arco, a frente da construção ainda conservava as pedras portuguesas vermelhas e castanhas originais. Contudo, não respirava mais os ares de glória, do tempo em que o pequeno porto de apoio era movimentado de embarcações e a cidade era vivaz como uma criança saudável. Naquela época, seu Teiú era o dono da única pousada da região e o dinheiro era farto.

Há trinta anos a pomposa hospedagem havia mudado bastante. Joca, bisneto de seu Teiú, ao herdar o sobrado do pai, praticamente o destruiu por dentro, deixando apenas a fachada. A parte térrea se transformou no amplo salão do restaurante e a de cima, onde residia com a família, foi completamente modernizada.

O passar dos anos não levou apenas o dinheiro dos Teiús e de outros comerciantes da época, também carregou com ele o progresso e a esperança da modesta cidade ribeirinha, que no fim do século dezenove e início do vinte sonhou grandiosamente.

Plínio parou em cima do batente de entrada da churrascaria. O salão estava vazio. A televisão, acoplada em uma pilastra no centro do restaurante, ligada sem volume, passava uma partida de futebol. O som de um forró eletrônico dos anos noventa saia por várias caixinhas penduradas nos cantos altos do recinto. “Já vem montado em seu alazão, chapéu de couro, laço na mão…”. O visitante sentou-se numa posição que pudesse ver com clareza toda a entrada da casa de Dorinha. Acomodou a mochila em outra cadeira. Não havia sinal de garçom ou atendente. Bateu palmas e chamou:

— Ô de casa, boa tarde.

Segundos depois saiu da cozinha um homem atarracado, de cabelos grisalhos, olhos miúdos e de rosto alongado em forma de losango como o focinho de um lagarto. Sem dúvida era o Joca, a cara de teiú era marca dos homens da família. Plínio acenou amistosamente.

— Joca, como vai?

—Tô bem. O senhor vai querer alguma coisa? — O dono do restaurante falou se aproximando desconfiado, não gostava de forasteiros.

— Vou querer uma galinha de capoeira com pirão. Tem, ou só vende carne assada?

— Tem sim. Vai beber o quê?

— Só água mesmo. Me diga uma coisa, Joca, cadê o povo dessa cidade? Em pleno carnaval e um deserto desse.

— Ah, aqui não tem mais festa não. Aquela doença “cabrunquenta” acabou com a cidade, até o banco fechou, e, para piorar, o novo prefeito é “fono” que só ele

— Pão duro mesmo?

— Mais menino, ali é um miseravi.

— E o bloco das Sibites?

— Esse aí acabou tem bem uns dez anos. Essa molecagem de homem se vestir de rapariga… — balançou a cabeça de forma negativa — hum, sei não… pra mim tem verdade ali. Nunca gostei.

— Que chato, mas, me diga outra coisa, meu amigo, esse vazio na cidade não têm a ver com os roubos de gado e os arrombamentos das casas dos sítios e fazendas? —  Plínio falou olhando firmemente para o homem, que fechou a cara, botou a língua para fora e umedeceu os lábios ressecados ficando ainda mais parecido com um lagarto.

— Tô sabendo de nada disso não.

— Oxente, Joca? Se até o Joaozinho, seu irmão, também foi roubado. Invadiram o terreno dele de madrugada, quatro homens fortemente armados e encapuzados levaram várias reses e o dinheiro que ele tinha pra fazer o pagamento dos trabalhadores e depois fugiram numa camionete branca.

— Não falo mais com aquele fuleiro. E como o senhor sabe que ele é meu irmão? O senhor me conhece de onde, rapaz?

— Daqui da cidade mesmo. Não tá me reconhecendo, seu Joca de Bento de Teiú? — Plínio tirou os óculos escuros e sorriu. O comerciante olhou atentamente para ele e, de repente, arregalou os olhos, desanuviou o rosto, deu um tapa na própria perna e exclamou:

— Mas, “homi”, é quem eu tô pensando que é mesmo? “Junio de Pínio”?

— Eu mesmo, Joca.

— Mas rapaz, você foi embora daqui um frangote.

— Eu tinha quinze anos quando fui para a Capital. Isso faz vinte anos.

— Lembro bem de vocês. Uma tristeza sua mãe ter morrido tão nova, ela era minha amiga. Você era um menino bom.

 “Você era um menino bom”, essas palavras chegaram em Plínio como uma pedrada, quase o derrubando. O fato de ele estar na cidade desmentia a afirmação. Ele já não era um menino bom há muito tempo.

— Obrigado, Joca. — Plínio agradeceu constrangido.

— Voltou para ficar?

— Não, estou só de passagem. Se tudo der certo vou embora amanhã mesmo.

O almoço foi servido e enquanto conversavam sobre o passado e Plínio saboreava a galinha cozida, um Jeep Grand Cherokee parou em frente ao portão da garagem da casa de Dorinha. Logo em seguida um Ford Versailles azul marinho estacionou ao lado da mansão. O portão abriu e o Cherokee entrou. Do Versailles saiu um homem e uma mulher. Plínio tirou o boné da mochila e enterrou-o na cabeça, recolocou os óculos escuros e observou a movimentação disfarçadamente, conversando com o dono do restaurante. Ele conhecia policiais em serviço só pelo caminhado e a cara de paisagem que faziam para tentar esconder a tensão de algo muito grande que estava prestes a explodir. “Então é verdade. Que merda, Dorinha!”, Plínio pensou. A dupla de policiais cruzou o portão eletrônico antes que ele se fechasse por completo, dando a chance de Plínio ver, numa fração de segundos, sua amiga de infância descendo do veículo. Parecia bonita como antes.

— Esse carrão que entrou agora nesta casona é de quem?

— De Dorinha. Lembra dela?

— Lembro, lembro sim, ela ajudava a minha vó com as balas de leite. Também lembro que a casa dela não era deste tamanho não. Aliás, tenho certeza de que nessa região nunca houve uma casa como essa.

— Ah, nunquinha mesmo. Ela pegou o beco pouco depois de vocês, foi morar em São Paulo e voltou uns dois ou três anos depois, assim que a mãe dela morreu. Voltou casada com um coroa figurão. Derrubou o barraco antigo, comprou mais dois chãos do lado da casa e construiu esse palacete aí. Se ela já era metida a besta quando era pobre, pense agora como ela tá?

— E o que o marido dela faz?

— Doutor Mariano é Engenheiro. Dizem que tem empresa de tudo quanto é tipo. Mas vive pouco aqui. Fica mais pelas bandas da “carpitá”. Ele agora é um velhinho broco, tá meio caduco e anda todo corcunda usando uma bengala. O povo fala que ela é “gaieira”, que o véio anda corcunda por causa do peso das “gaias”. Mas você bem sabe como o povo daqui é linguarudo. Eu não quero nem saber de nada disso. Não sou vigia do xibiu de rapariga nenhuma. Disseram também que ela já tentou se matar umas duas vezes. Não sei se é verdade ou fuxico do povo.

Plínio sabia bem das maledicências das pessoas daquela cidade, quanto mais pobre e ignorante mais ferina era a língua. Ele também sabia o quanto Dorinha sofrera com isso e que as tentativas de suicídio foram reais. Também sabia que Joca estava redondamente enganado sobre a caduquice do doutor Mariano. O velho estava sim debilitado, mas de broco não tinha nada. O Homem era um verdadeiro demônio.

Joca começou a retirar a louça do almoço e Plínio viu os policiais saírem da casa de Dorinha entrarem no carro e partirem.

— Mas, então, Joca, como vai os negócios?

— Ah, meu filho, tá parado demais. Tá vendo esse salão vazio? É assim quase todo dia.

— As coisas estão difíceis mesmo.

— “Junio”, me diga uma coisa. Você se formou em “adevogado”, num foi?

— Foi sim, Joca, só que eu não exerço a profissão. Virei funcionário público. — Respondeu e foi se levantando.

— Então, até mais ver. — Joca disse.

— Acho que nos vemos amanhã de manhã cedo.

— Aqui não servimos café da manhã. — O visitante sorriu e saiu sem responder. Dirigiu-se até seu carro, entrou, tirou o celular do bolso e mandou uma mensagem de texto. “Chefe, tudo confirmado.”.

Guardou o telefone no porta-luvas do carro, desceu e foi andar pela cidade. Já eram quase quatro da tarde. O sol ainda brilhava forte, no entanto, a sensação de calor havia amainado um pouco e o vento corria agradavelmente. Durante a caminhada, Plínio soube que nunca mais voltaria naquela cidade sob hipótese alguma. Na verdade, ele não compreendia como aguentou viver quinze anos ali. Tudo o repugnava. Ele sempre foi muito diferente de todos daquele lugar. Não queria viver da terra, criar gado, ordenhar vacas, nem escutar sertanejo, nem ficar bêbado de Dreher com Coca-Cola no fim do dia com outros derrotados. Ele queria trabalho intelectual, ouvir rock e se chapar de bebida boa. Nunca expressara o desprezo que sentia pelas pessoas dali, sempre fora um menino educado e obediente. A raiva queimava em fogo brando e as labaredas só foram atiçadas quando ele já era adulto. “Você era um menino bom”, a frase girava em sua cabeça. “Sim, Joca, eu fui um menino bom, agora eu sou um homem ruim.” A única saudade que sentia era da canoa motorizada do seu pai. Não que ele gostasse de pescar, detestava, mas, quando navegava, na maior velocidade que o motor de rabeta Honda podia dar, ele se sentia livre.

Passou pela casa de dona Zica, onde ele comprava geladinho de abacate, viu espantado que Zé Cu Seco, o doido da cidade, continuava gritando impropérios aos seus inimigos invisíveis enquanto balançava seus braços magros e longos feito o desalento. Quando chegou na praça do Santuário, sentou-se no banco em frente a sua antiga casa. Ficou tão perdido nos pensamentos que não percebeu que estava sendo seguido.

A morte da mãe aos trinta e seis anos de câncer de mama foi a coisa mais dolorosa que Plínio já sentira na vida. Entretanto, finalmente, ele conseguiu sair da cidade. O pai vendeu todas as terras e o gado e foi morar na capital com os filhos.

A felicidade de estar numa cidade grande durou pouco. O pai começou abusar da bebida e acabou se casando com uma oportunista que roubou tudo que eles tinham durante os anos que ficaram juntos. Plínio e os irmãos só descobriram o quanto o pai havia perdido depois de sua morte, durante o inventário. Plínio e seus irmãos ficaram apenas com a casa no centro da cidade, que foi vendida e dividida entre os irmãos.  

Plínio formou-se, passou na prova da Ordem e foi advogar. Em pouco tempo descobriu que aquilo não era para ele. Tentou concursos do INSS, da Receita, da Polícia Federal, Delegado, mas, só conseguiu êxito na prova para agente da polícia civil. No entanto, novamente encontrou a frustração, de braços escancarados, na esquina da vida. Até que um dia surgiu uma grande oportunidade de realizar um serviço e ganhar dinheiro graúdo. E ele, sem pensar duas vezes, mergulhou de corpo e alma. Mergulhou tanto, que agora começava a se afogar, já sem nenhuma alma, na lama em que se metera.

Foi tirado de seus devaneios pelo badalo do sino da igreja matriz anunciando a missa das seis da tarde. Levantou-se do banco e caminhou para lá.

A igreja não estava muito cheia. Ele sentou-se sozinho na última fileira de bancos. O padre já começava a missa quando ele viu Dorinha entrando e sentando-se duas fileiras a frente dele. Ela também estava sozinha. Foi ao encontro dela. Acomodou-se ao lado da mulher, que ainda não havia lhe visto e disse baixinho:

— Dona Maria das dores, como vai a senhora? — Dorinha virou-se sem entender e nem reconhecer de imediato quem falava com ela. De súbito, falou um palavrão e depois se benzeu arrependida.

— Não acredito, Pliniozinho! — Exclamou com os olhos marejados. Rapidamente ela se levantou e levou-o pelo braço em direção a saída da igreja. A proximidade fez com que ele sentisse o cheiro dela. Não era mais de leite caramelizado, como ele se recordava, contudo, ainda era muito bom.

— Passe na minha casa mais tarde, lá pelas onze da noite. Vou pedir que a menina que me ajuda vá pra casa da mãe e só volte amanhã de tarde. Minhas filhas estão na fazenda e só voltam para cá depois do carnaval. O cachorro do meu marido não mora mais aqui. Estou me separando. Estaremos só nós dois. Não vá de carro e não me chame pela frente. Você sabe como o povo de Santa Cecília fala demais. Consegue um barco?

— Vou dormir na casa do sítio de tia Neuza, peguei a chave com ela antes de viajar para cá, ela me disse que o barquinho que era do meu pai está ancorado lá e que está funcionando muito bem ainda.

— Ótimo, onze horas então. Não se atrase — Dorinha deu-lhe um beijo no rosto e retornou apressadamente para a missa.

Plínio resolveu descansar um pouco antes do encontro. foi até seu carro, pegou o celular no porta-luvas e o colocou no bolso da calça. Ligou o veículo e seguiu em direção ao sítio que ficava a seis quilômetros da cidade, no povoado Caroá.

Quando estava descendo do carro, já no sítio, percebeu uma camionete aproximando-se velozmente. Apressou o passo, pulou o portãozinho de ferro da entrada da casa e abriu a porta da frente com a chave, que já estava em sua mão. Com o canto dos olhos viu um homem segurando uma espingarda de cano curto, parecendo uma Pump 16 polegadas. Não teve tempo de ter certeza, pulou para sala já se abaixando, retirou a pistola do coldre da calça, fechou a porta com o pé direito e se jogou para o lado. Antes de conseguir chegar à janela, um papoco estourou a madeira da porta, deixando um grande rombo. Experientemente ele abriu uma fresta na janela e disparou três vezes em direção ao seu agressor. Conseguiu acertar o indivíduo encapuzado no ombro. O homem caiu ao lado da camionete e foi imediatamente puxado para dentro. O carro fugiu em disparada espalhando terra vermelha.

Plínio ficou por alguns minutos deitado, espreitando pela fresta da janela de quando em quando. Apalpou todo o corpo e garantiu que não havia sido atingido. Escorou as costas na parede da casa, pegou o telefone celular e mandou uma mensagem. “Adiantem a captura. O Lagarto-Rei sacou tudo.”.

Sem conseguir descansar, cheio de adrenalina da emboscada que sofrera, Plínio resolveu sair com o velho barco do seu pai. Passeou em alta velocidade pela escuridão do rio até a hora marcada por Dorinha.

Alguns metros antes do ancoradouro da casa de velha amiga, Plínio desligou o motor do barco, que escorregou silenciosamente até parar ao lado de uma grande lancha. Amarou o barco e subiu para o deck. Dorinha o esperava na porta dos fundos da mansão. Assim que se encontraram, ela o abraçou e chorou sofridamente.

Plínio e Dorinha conversaram por duas horas ininterruptamente. Ela falou como ficou sem chão quando ele foi embora, e como a vida dela não tinha mais sentido vivendo ali, e que ela sempre fora apaixonada por ele, mas que ele era um menino. Falou sobre o casamento com doutor, como no início ele se mostrou charmoso e elegante, e como ele se transformou num monstro. Contou das agressões que sofreu, das tentativas de suicídio que cometeu e da descoberta dos negócios sujos do marido. E que a gota d’água foi a revelação de uma outra família que ele havia formado com uma garota muito mais nova. “Imagina, você, Plíniozinho, um velho que mal consegue andar, ter outra mulher de vinte e poucos anos?”. Disse também que iria depor contra o marido e que estava tudo marcado para Quarta-Feira de Cinzas a tarde. Plínio contou sobre o pai, o vício dele após a morte da mãe, o golpe que sofrera da madrasta, do trabalho como policial e da investigação sobre os arrombamentos e o roubo de gado da região.

— Ah, então o rebuliço na casa do Teiú mais cedo foi isso?

— Exatamente. Ele era o líder da gangue. Mas os comparsas estão foragidos. — Plínio mostrou o celular com uma mensagem de texto “Lagarto-Rei aprisionado. As lagartixas ainda estão soltas.”.

Conversaram por mais algum tempo e acabaram na cama transando ardorosamente.  

Antes de partir, Plínio abraçou Dorinha calorosamente enquanto ela dormia e foi a vez de ele chorar. Saiu antes do amanhecer, sorrateiramente, pelo mesmo lugar que entrou.

Chegando na casa da tia, ele pegou o celular e ficou olhando por alguns minutos para o nome que brilhava na agenda. “Doutor Mariano”. Digitou a mensagem e enviou. “Trabalho concluído, chefe.”.

O corpo de Dorinha pendurado por uma corda no pescoço, no quarto de dormir, só foi encontrado a tarde.

E Então? O que achou?

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Informação

Publicado em 9 de agosto de 2021 por em EntreMundos - Monstruoso Mistério Aternativo.