EntreContos

Detox Literário.

[EM] Cidade do Nevoeiro (Gavião Solitário)

Danilo dirigia tranquilo o seu velho Ford pela estrada revestida de concreto. Depois de vender suas mercadorias, voltava para casa em Riacho Grande. Entardecia e ele calculava que chegaria a tempo de jantar no restaurante Galo de Ouro. O estômago roncava de fome. Só de pensar na feijoada do Joaquim, a boca se enchia d’água.

As cidades do interior estavam em progresso acelerado, se auto sustentavam na questão de produtos manufaturados, as donas de casa podiam comprar na esquina o que precisavam sem depender dos vendedores ambulantes. Danilo achava que seus dias de caixeiro viajante estavam contados. Breve teria que arranjar outra profissão.

Com certeza voltaria a um escritório de contabilidade, trabalhando como guarda-livros, fazendo contas o dia todo. Não era uma boa perspectiva, faltavam 9 anos para se aposentar.

Uma neblina cinzenta caiu sobre a região. Foi necessário acender os faróis e andar em marcha reduzida. Logo o carro começou a sacolejar. Danilo deu-se conta que estava dirigindo por uma estrada de terra. Imediatamente, fez a volta e tentou retornar para a rodovia, mas logo depois percebeu que estava perdido.

Parou o carro e procurou se orientar. Avistando luzes na distância, para lá se dirigiu. Chegou a um povoado de casas antigas. As luzes amareladas das lâmpadas nos postes, davam ao lugar uma aparência sinistra. Parou o carro em frente a uma construção de madeira. Uma pequena lâmpada iluminava a placa sobre a entrada. Letras pintadas de branco, anunciavam; Albergue Rouxinol.

Danilo desceu. Observou as ruas desertas, sentiu o silencio pesado. Ali era uma praça, com uma antiga fonte sem água. O cano em forma de cabeça de gárgula, gritava um som seco e mudo. Ao redor, além da estalagem, casas de moradias e de comércio. Construções de madeira, de tetos pontudos, num estilo antigo, medieval. Algumas com terraços projetando-se sobre a rua. Ao fundo, uma rua estreita levava a parte mais alta do povoado. Subindo o flanco da colina, um muro de contenção coberto de heras sumia na escuridão acima.

Calçamento irregular de lajes de granito, tufos de ervas daninhas crescendo nas margens. Do lado oposto, uma ponte em arco sobre um riacho, um beco entre duas casas altas, de janelas estreitas. Danilo sentiu um arrepio, sacudiu os ombros como quem se desfaz da má impressão e entrou no albergue.

Um balcão à esquerda com uma porta ao fundo, no lado oposto, um corredor para os quartos. Um relógio de coluna e mais dois de parede. Danilo pressionou a campainha duas, três vezes, até que apareceu um homem de meia idade, vestindo um colete antiquado, as calças seguras por suspensórios. Ele parou atrás do balcão, olhou para Danilo.

─ Quero alugar um quarto para essa noite. Desejo dormir numa cama confortável, num colchão macio. Estou cansado de dormir no banco daquele carro.

Como que saindo de um transe, o homem esboçou um sorriso, sacudindo a cabeça. Pegou o livro de registros para o hospede assinar. Colocou sobre o balcão, uma chave.

─ Como não temos outros hospedes, vou lhe dar a suíte logo na entrada do corredor pelo mesmo preço de um quarto simples, mas sem refeições. Trinta reais. Pode pagar quando sair. Quer que ajude em alguma coisa?

─ Não, obrigado. Na verdade, perdi o rumo no nevoeiro e cheguei aqui. Como se chama essa cidade?

─ Ornelia Fontana. Era o nome da esposa do primeiro morador do lugar, proprietário de um entreposto, meu bisavô.

Danilo olhou para os relógios. Os 3 marcavam dezenove horas e cinco minutos.

─ Pelo que vi, as ruas desertas, todo mundo dorme cedo aqui.

 ─ É o costume. Se quiser comer, tem um bar ali em frente, mas eles só abrem ao meio-dia.

─ Ok. Vou me deitar que estou louco de sono. Como é o seu nome, mesmo?

─ Eustáquio.

─ Então, boa noite seo Eustáquio.

****

Danilo acordou com as badaladas do relógio na recepção. Era meia-noite. Aquele relógio tinha um som muito alto. Deve ter acordado a cidade toda, pensou. Acendeu o abajur, levantou-se, foi até a pia pegar um copo d’água. Com o copo na mão, afastou a cortina da janela e olhou para a rua. Não viu ninguém, mas ouviu algo. Um órgão começou a tocar uma valsa.

Danilo bebeu a água e dirigiu-se para a porta, descobrir de onde vinha a música. Ele torcia a chave, torcia a maçaneta, mas a porta não abriu. Achou estranho. A chave era a mesma que ele trancou a porta antes de dormir.

Voltando à janela, ficou espantado com o que viu. Havia seres estranhos na praça. Faunos, sátiros, duendes, centauros, ninfas, lobisomens, criaturas míticas surgiram de repente e começaram a dançar ao som da valsa. Danilo ficou horrorizado e ao mesmo tempo fascinado, assistindo aqueles entes fantásticos seguir o ritmo da valsa. O som parecia vir do alto, talvez da colina.

Danilo não percebeu o tempo passar, se foi cinco minutos, ou meia-hora, a música fez uma breve pausa e mudou completamente para um ritmo frenético e alucinante, A cavalgada das Valquírias, de Richard Wagner. As criaturas na praça mudaram de comportamento, ficaram agitadas, inquietas. Quando a música se tornou num som infernal, as ninfas soltaram lamentos e rasgaram suas roupas, sátiros e faunos começaram a uivar, o centauro corria de um lado para outro, os cascos soltando faíscas nas pedras da rua.

Quando parecia que o céu iria desabar, a música parou de repente. Em seguida, soou um urro, uma mistura de dor e tristeza e logo após, uma névoa esverdeada cobriu tudo, seguido por um pesado silêncio.

*****

Danilo acordou assustado. Estava deitado na cama. A luz do dia entrava através da vidraça. Lembrava de estar olhando pela janela, mas não de ter se deitado. O relógio marcava meio-dia e quinze minutos. Foi até a porta verificar se ainda estava trancada, mas ela abriu facilmente. Havia dois suportes do lado de fora para colocar uma tranca, que não estava ali naquele momento. Alguém colocou pouco antes da meia-noite e tirou quando amanheceu.

Decidiu almoçar antes de ir embora.

Ao sair, viu uma cidade aparentemente normal, um homem conduzia uma carroça, outro um carro de boi, dois idosos conversavam sentados no banco da praça, uma senhora batia um tapete num varal no quintal de sua casa. Agora, de dia, podia ver a parte mais alta da cidade, a rua à direita, o paredão rochoso que se prolongava à esquerda num declive suave para o terreno mais baixo além do riacho e da ponte de pedra.

As construções eram antigas, inclusive o estilo de roupas que os moradores usavam. A cidade parecia ter parado no tempo.

O restaurante era pequeno, uma sala com 4 mesas, um balcão e atrás deles, um casal atendendo.

─ Quer almoçar? – perguntou a mulher de rosto afogueado. ─ Temos arroz, feijão, salada de alface, ovo frito e toucinho.

─ Pra mim tá bom. Estou louco de fome.  

─ Já trago seu prato. – disse a mulher e desapareceu por uma porta ao fundo.

 O homem, perguntou: ─ Pra beber, quer limonada ou laranjada?

─ Tem cerveja?

─ Não.

─ Refrigerante?

─ Não.

─ Laranjada, então.

 Após almoçar, Danilo entrou no carro, tentou dar a partida, mas não conseguiu. Não era falta de gasolina, o tanque de combustível estava pela metade. Algum problema que só um mecânico poderia resolver. Voltou a sair e indagou para as pessoas que encontrava, onde poderia encontrar uma oficina mecânica. Não existe oficina mecânica na cidade, disseram, tampouco conheciam alguém que entenda de motor de automóvel. Tem o ferreiro, senhor Manuel Almeida, que conserta carroças, carros de boi, arados e faz ferramentas.

Danilo considerou que não adiantava falar com ninguém. De qualquer forma, ele decidiu subir o morro e indagar mais adiante. Precisava de um mapa, saber qual era a rodovia mais próxima. Seguiu pela estrada. Lá em cima, parou por um momento para tomar folego. Já não tinha o vigor de antigamente.

No topo do morro só havia uma igreja em ruinas. Parecia abandonada, porém, uma trilha partindo da estrada, cortando a vegetação baixa até o átrio, estava limpa de ervas daninhas e isso indicava que alguém transitava por ali regularmente. Plantas trepadeiras subiam pelas paredes, enlaçando as torres do campanário numa renda verde. Em algumas partes, o reboco havia caído, revelando os tijolos vermelhos entre os vitrais quebrados.

A porta de carvalho, com a pintura descascada, estava apenas encostada. Danilo empurrou a folha e entrou. No altar não havia nenhum adorno, nenhuma imagem. Os passos dele ecoaram pela nave vazia, sem bancos. De repente uma voz de mulher soou de um corredor lateral.

─ Quem está aí? É você, papai?

Logo em seguida surgiu uma garota de pouco mais de 20 anos. Estacou ao ver Danilo, o rosto redondo, pálido, os olhos negros, assustados. Os dedos da mão, apoiada na parede ficaram brancos pela foça que ela fazia, para tomar impulso e fugir. Danilo ergueu as mãos.

─ Nada tema. Sou amigo. Eu não sabia que havia alguém aqui. Me chamo Danilo. Estou à procura de um mecânico para consertar meu automóvel.

Esboçou um sorriso, fez um gesto.  ─ Sei que aqui não é uma oficina mecânica. Entrei porque fiquei curioso com o lugar. Queria ver por dentro e me impressionei perguntando, como uma construção como esta foi abandonada?

Enquanto ele falava, a garota foi retomando a serenidade, as cores voltaram às suas faces, ao seu belo rosto.

─ Eu vivo aqui.

─ Como se chama?

─ Rosemunde. Meu pai não quer que eu fale com estranhos. Adeus!

A jovem saiu correndo, sumindo por um corredor lateral. Ela disse que morava naquelas ruinas. Ele seguiu pelo mesmo corredor e logo chegou a uma porta, que estava aberta. Nos fundos da igreja havia um pequeno cemitério. Os túmulos eram simples, em alguns, uma carreira de tijolos e uma lápide marcava o contorno da cova, em outros havia apenas uma cruz de ferro, ou madeira.

Danilo voltou para a cidade, impressionado por aquele encontro fortuito. Se deu conta que já escurecia. Achou estranho o dia passar tão rápido. Voltou ao quarto do hotel. Não tinha outra opção, a não ser passar mais uma noite naquela cidade, que parecia uma outra realidade, uma outra dimensão.

Acordou novamente com o relógio batendo meia-noite. Não demorou muito, a música voltou a tocar. Levantou-se foi até a janela. Na praça, surgiram as mesmas criaturas. Dançaram com a valsa de Strauss e se agoniaram com a música de Wagner. Em seguida repetiu-se o nevoeiro e a escuridão

*****

Danilo acordou suando. Sonhou com os monstros perseguindo-o pela cidade e acabou caindo do penhasco. O relógio marcava duas horas e dezesseis minutos da manhã. Levantou-se, olhou pela janela. A praça estava deserta, não havia nenhum monstro. Mas havia um clarão no topo da colina. Parecia um incêndio na igreja. Lembrou-se de Rosemunde e imaginou que ela poderia estar em perigo. Tinha que ir lá, mas a porta estaria trancada. Enganou-se, ao torcer a maçaneta a porta se abriu. Saiu, subiu a rua correndo.

Chegando nas ruinas, descobriu que não havia nenhum incêndio.  O clarão era das velas e lampiões acesos lá dentro. Ao entrar, deparou-se com uma cena aterradora. Havia um monstro deitado sobre a laje do altar. Um lobisomem preso pela corrente. Ele acordou de repente, ergueu-se num pulo, os olhos avermelhados fitaram Danilo, soltou um rugido e avançou, mas a corrente o impediu de atacar.

Em vez de fugir, mesmo amedrontado, Danilo permaneceu parado, fascinado pela fera, ao mesmo tempo buscando respostas para aquilo. Estremeceu ao ouvir uma voz às suas costas.

─ É a minha filha, Rosemunde.

Era Eustáquio, dono da estalagem.

─ Aquele monstro é Rosemunde?

O estalajadeiro assentiu com um movimento de cabeça e contou a história de Bella e Demétrio, um peão de fazenda. O pai da jovem, Américo, prefeito da cidade, era contra o namoro e fez de tudo para separar os dois. O prefeito queria casar a filha com um rico comerciante. O jovem casal combinou fugir da cidade à noite para se casarem, mas quem compareceu ao encontro de Bella foi o pai dela. Disse que ofereceu dinheiro para Demétrio abandoná-la, e ele aceitou. Afirmou ter o rapaz confessado que não gostava dela, o que ele queria mesmo era dinheiro.

 Bella chorou muito e foi consolada pelo pai. Américo achou que ela logo esqueceria o rapaz. Mas Bella suicidou-se naquela madrugada, jogando-se do penhasco. Antes de morrer, a jovem escreveu uma carta, disse que não acreditava que Demétrio a tinha abandonado, achava que o pai havia matado o rapaz. Por essa razão, amaldiçoou o pai e a cidade que ele cuidava como prefeito.

─ Todas as noites, à meia-noite, nos transformamos em monstros− afirmou Eustáquio. ─ Por isso a cidade parou no tempo. Vivemos um ciclo infinito de suplícios e não sabemos como acabar com a maldição. Nossa cidade permanece no limbo, ninguém mais chegou aqui e por isso ficamos surpreso quando o senhor apareceu.

─ Foi por acaso. Perdi o caminho no nevoeiro. Mas me diga, encontraram provas de que Américo matou mesmo o rapaz?

─ Não. Ninguém viu nem sabe de nada a respeito. Américo era um homem respeitado, prefeito honesto, com grandes planos para o progresso da cidade.

─ O que aconteceu com ele?

─ Perdeu o juízo com a morte de Bella, foi internado no manicômio e acabou morrendo lá. Foi enterrado ao lado da filha, no cemitério, ali nos fundos. Achamos que, sepultando os dois perto um do outro, a maldição acabaria. Mas nos enganamos.

Enquanto eles conversavam, o sol raiou e com a luz do dia, Rosemunde voltou à sua aparência normal.

─ Eu machuquei alguém, pai?

─ Não, não machucou ninguém. Vou te soltar dessas correntes.

Eustáquio explicou que Rosemunde tocava órgão na igreja quando a maldição foi lançada. Por isso, quando ela se transforma em monstro, toca o órgão para exaltar os habitantes transformados em monstros.

Danilo estava assombrado com aquela história. Pensou em ir embora, nem que fosse a pé para não ficar ali, como um prisioneiro da maldição.

─ Eu preciso ir. – disse, e saiu. Decidiu descer pelo outro lado da colina. Passou pela ponte sobre o penhasco, desceu pela estrada de cascalho e chegou em frente a um prédio em ruinas. Só restaram as paredes cinzentas, com sinais de um antigo incêndio. O nome estava no alto da fachada, com letras em baixo-relevo: Sanatório São Bento.

Movido por uma força estranha, Danilo entrou no recinto. Lá dentro não havia mais nada, apenas restos de material carbonizado em meio a ervas daninhas. Súbito, tudo se desvaneceu numa névoa. Em seguida, lentamente voltaram a tomar forma, janelas, portas, mesas, as cadeiras, as enfermeiras, os doentes, alguns jogando cartas, outros pelos cantos e corredores, sentados no chão, ou de pé, em seus delírios, falando sozinho, fazendo gestos.

 Uma mulher surgiu, em seu uniforme de enfermagem, dirigiu-se para Danilo.

─ Que bom que o senhor chegou, padre. Vem comigo, vou leva-lo ao quarto.

Danilo não teve tempo de falar, a enfermeira pegou-o pela mão e o levou a um quarto. No leito estava um homem enfermo, barbudo, de faces encovadas, moribundo.

─ Ele quer se confessar. Vou deixá-los a sós. – disse a enfermeira e se retirou. Embora não fosse sua vontade, Danilo pegou uma cadeira e sentou-se ao lado da cama. Inclinou-se para escutar o que o homem tinha a dizer. Sabia que não era ele, mas o padre, que na ocasião, dava a extrema unção ao homem que estava para morrer e, temendo o inferno, confessava os seus pecados.

Em voz sumida, murmurou ─ Padre! Me perdoa, eu o matei sim e enterrei debaixo da figueira do antigo moinho.

Após essas palavras, houve um relâmpago. Danilo viu-se novamente em frente às ruinas. Saindo do transe seguiu caminhando. Sabia agora, qual era sua missão.

*****

Com uma pá, cavou ao redor da figueira até encontrar o corpo de Demétrio. Colocou os ossos numa pequena caixa de madeira e subiu o morro. No cemitério atrás da igreja, parou em frente a um túmulo. Nascida em 18.06.1906-Falecida em 23.03.1927. Bella Fontana. Ao lado estava o túmulo do pai, Américo Fontana, na lápide, apenas o nome.

Danilo cavou o túmulo de Américo, tirou os ossos e colocou os de Demétrio. Ao lado do sepulcro de Bella, sepultou ali, os restos mortais do seu bem-amado. E os do pai, voltou a enterrar debaixo da figueira.

Em seguida, retornou ao albergue. Já estava escurecendo e ele teve que passar mais uma noite naquela cidade. Procurou por Eustáquio, mas não o encontrou. Pegou a chave do quarto e foi dormir. Porém, não conseguiu pegar no sono. Ficou acordado esperando o bater da meia-noite e quando ouviu os badalos correu até a janela e olhou para a praça. O tempo passou e nada aconteceu. Os minutos passaram. Meia-noite e trinta e nada. Uma hora e a praça continuava deserta. A maldição tinha sido quebrada? Tudo indicava que sim. Os moradores estavam dormindo tranquilos em suas casas. Não houve nevoeiro, a música não tocou, nem os monstros apareceram. Com esperança de que a maldição tinha acabado, Danilo foi dormir.

Na manhã seguinte, acordou deitado no chão, ao lado do carro. Estava numa estradinha de terra. Sabia que não sonhou. A cidade amaldiçoada desapareceu, mas ela existiu, em algum lugar, em alguma época.

Danilo entrou no carro, torceu a chave e dessa vez o motor funcionou.

E Então? O que achou?

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Informação

Publicado em 9 de agosto de 2021 por em EntreMundos - Monstruoso Mistério Aternativo.