EntreContos

Detox Literário.

[EM] Cem Megahertz (ou Teoria do Campo Unificado aplicado à campos magnéticos variáveis no tempo) (Victor O. de Faria)

Dizem por aí que, se uma borboleta bater as asas no Oceano Atlântico, um tornado de proporções gigantescas atingirá o Oceano Pacífico.

Para Seu Nonato, bastava uma ideia.

I.

— E se o Japão tivesse conquistado o Brasil? – Perguntou ele à esposa, mexendo nas estações de seu rádio à bateria. Segundo ele, pilhas palito eram “coisa do passado”.

— A gente taria bem melhor! – Disse Dona Jacinda, sem hesitar, abrindo um pacote de bolacha Maizena – confeitar tortas era sua especialidade, embora tivesse perdido clientes que insistiam em chamar aquilo de “torta de biscoito”.

Mesmo diante às facilidades do mundo moderno, Seu Nonato preferia confiar em seu eterno companheiro. O rádio quadrado, cinza, de aparência austera e poucos botões, cabia na palma de sua mão. Seu lugarzinho na estante era sagrado, quase um altar. Disputava espaço com o receptor de TV a cabo, um monitor de alta definição e um vasinho de plantas amarelo-transparente, colocado em cima de um bordado estilizado. “Arte”, segundo Dona Jacinda. Sua rotina se resumia a levantar, preparar o café e, obviamente, mexer no rádio, o que ele fazia naquele instante.

Após alguns segundos de chiado, ruídos que pareciam vir do espaço, e estações de rádio que só tocavam batidas estranhas, finalmente encontrava sua melodia preferida: uma mistura de rock antigo e country alternativo. Era a primeira vez que ouvia aquela estação nitidamente, sem qualquer dissonância.

Curioso, verificou o ponteiro. Estava exatamente na marca de 100 Mhz, bem no meio. Nem mais, nem menos. “Perfeito!”. Levantou os braços flácidos em direção ao teto e comemorou. Dona Jacinda apenas balançou a cabeça.

— Gosto dessa rapariga. – Fechou os olhos e ouviu um zumbido agudo, estridente. Sentiu um arrepio nas costas. — Já viu essa, mulher?

Dona Jacinda se virou, colocou as mãos na cintura (já não tão esbelta como antigamente) e fez uma cara feia.

— Nani? Kono uta, shitteru? – Perguntou se ele tinha bebido.

— Que cê disse aí? – Indagou ele, de olhos esbugalhados.

— Shigoto ni iku! – Exclamou ela, voltando ao trabalho.

Com certeza aquela última frase soava familiar. Pressão alta! Só podia ser isso. Sua esposa tinha lhe avisado: ler aquelas revistas de conspiração soviética deixava as pessoas meio doidas. Precisava de ar puro…

A casa modesta que haviam comprado no litoral era o típico desenho de criança: quadrada, com um teto triangular e um sótão exprimido. Ficava em cima de uma colina verdejante, além das dunas de uma praia pacífica, cheia de pedras redondas ao seu redor. Havia também uma plataforma, onde pescadores mais atentos esperavam a maré subir. Seu amigo Raimundo era um deles. Quem sabe ele entenderia. Seu Nonato agarrou o radinho e saiu porta afora, sem dizer nada.

Foi a pior decisão de sua vida.

Em frente aos seus olhos havia uma plataforma: um imenso foguete branco, cercado por vários caminhões-pipa, era resfriado de tempos em tempos. Um logotipo japonês, bastante chamativo, estampava as câmaras de empuxo. No chão não havia mais areia, somente placas de metal antitérmico, as quais refletiam sua testa lisa e face cansada, bem como o bigode-sardinha cultivado de forma carinhosa. Os óculos pendurados no pescoço completavam o retrato da velhice.

Com medo de que estivesse enlouquecendo, ou pior ainda, ter pego a doença da vaca louca, olhou para cima. Teve de se segurar na porta. Uma colossal placa de ferro, revestida de concreto e metal, encobria parte do céu, como um viaduto gigante. “Onde estava o Sol?”. Tratava-se de uma estrutura sem precedentes. Se aquilo fosse um sonho, diria estar exatamente no meio de um acampamento espacial, do tipo que existia na Flórida, como já assistira em documentários no “madrugadão” sem jogos. Até sua casa parecia diferente.

Olhou para o rádio em suas mãos. Ainda era o mesmo! Seu companheiro fiel, colega de tardes ensolaradas e psicólogo. Agarrou-se ao aparelho com força e entrou em casa depressa. Dona Jacinda preparava o toque final do glacê, onde lia-se “Omedetōgozaimasu!”.

Aquilo estava saindo do controle. Respirou fundo e pensou um pouco. Estava comemorando a marca dos 100mhz quando o mundo enlouqueceu. Refez os seus passos. Seu Nonato largou o radinho na estante, exatamente como fez antes, mudou a frequência para 99mhz e girou lentamente um grau à direita. Fechou os olhos e escutou um zumbido irritante. Sentiu um calafrio nas costas. O country alternativo ainda estava lá.

— Ainda nisso, homi? Vai ficá surdo desse jeito! – Disse sua esposa, preparando a embalagem. Em cima da torta estava escrito “Parabéns!”.

Aliviado, suspirou profundamente. Teve de segurar os joelhos. Como antes, saiu porta afora. Lá estava Raimundo, seu amigo pescador, tentando de todas as maneiras livrar-se de um gato interesseiro. A plataforma estava lá, as dunas estavam lá, as pedras estavam lá. Até o mar estava lá! Esticou as costas. Precisava se acalmar. Entrou novamente.

— Mulher, cê não vai acreditar! Acho que tive um daqueles… Coméque o documentário chamava mesmo? Ah, sonho ludo…

— “Lúdico”! Cê não presta atenção nas aulas, aí depois fica assim. – De fato, Dona Jacinda tinha mais estudo.

— Isso! Lembra que perguntei procê o que aconteceria se o Japão tivesse conquistado o Brasil?

— De novo com isso, seu Nonato Gonçalves? Eu avisei! Cê fica muito tempo lendo essa revistinha importada.

— Mas eu vi! Eu vi! Com esses próprios olhos que a terra há de comê. – Disse ele, indignado.

Dona Jacinda assentiu. Seu marido já não andava muito bem de saúde. Se continuasse a delirar daquele jeito… Embrulhou a torta e foi ao encontro do homem perdido. Segurou suas mãos e sentaram calmamente no sofá da sala. Mesmo com dificuldades, ainda havia muito amor naquele pequeno casebre. Os três (Seu Nonato, Dona Jacinda e o radinho) adormeceram assistindo um “dorama” na TV a cabo, uma ótima forma de acalmar os nervos. Jamais entenderiam o que “dorama” significava, porém, gostavam da expressividade dos atores nipônicos. “Melhor que novela mexicana”, segundo ela.

II.

Assim que o programa acabou, uma brisa fria e úmida se fez presente. A madeira gasta pela maresia já não segurava o calor da manhã. O rádio começou a tocar sozinho, na mesma frequência de 100mhz. Seu Nonato sentiu o tremor. Bateram na porta. Podia ser apenas o vento; litoral tinha dessas coisas. Bateram novamente.

Seu Nonato desvencilhou o braço que já adormecia e deixou sua esposa encolhida no travesseiro rendado. Bocejou enquanto colocava o amigo no bolso interno do casaco. Nem percebeu que estava ligado. Quem poderia ser àquela hora? Abriu a porta com certa resignação.

— Estão vindo! – Gritou o rapaz franzino, em roupa militar. — Estão vindo! O senhor precisa se esconder!

— É o quê, filho? – Indagou ele.

E só então notou a cobertura metálica de concreto sobre suas cabeças. Ao fundo, a silhueta de um míssil. Estava novamente no “outro lado”.

— Diacho! – Praguejou.

— Eles encontraram! O projeto! Os americanos… – O rapaz estava ofegante.

— Calma, filho. Respira! Que projeto? – Indagou Seu Nonato.

— Ora, o que o senhor estava trabalhando: a “Teoria do Campo Unificado aplicado à campos magnéticos variáveis no tempo”. Não se lembra? Os americanos tem algo parecido, o “Projeto Filadélfia”, mas somente o senhor chegou mais perto. – Encerrou ele, enquanto aceitava o copo d’água, oferecido pela esposa já acordada.

Seu Nonato havia lido muita ficção na vida, mas tudo aquilo parecia um episódio saído diretamente de um seriado antigo; só faltava a vinheta com o filtro preto e branco.

— O senhor tem o controle, não é? – Indagou a figura de trinta e poucos anos, olhando para o rádio escondido no bolso alheio.

— O rádio? – Indagou o velho.

— Sim! É um protótipo, mas a camuflagem funciona. O senhor me mostrou hoje de manhã. Uma ideia genial!

— Escuta, filho. Dêcho te fazer uma pergunta: desde quando o Brasil tem foguete?

— O Brasil? Aquele país do outro lado do mundo? No Oriente?

— Eita… – Disse ele, coçando a cabeça. — Olha, cê tá me confundindo com outra pessoa. Nem sou daqui!

— Eu sei disso! O Japão aceita imigrantes. – Retrucou o rapaz.

Dona Jacinda segurou seu marido pelo braço e iniciou uma conversa tensa com o militar, em japonês alto e claro. Quando um oriental xingava outro, “era mais tenso que briga de faca”, segundo Seu Nonato. Uma coisa era certa: não abandonaria seu posto! Jamais deixaria sua esposa e sua casa cair nas mãos do governo… Qualquer que fosse o governo. Tentou uma abordagem mais sutil.

— Olha, jovem. Tô com alguns ‘parafuso solto’ de memória. A idade vem chegando e a cachola só pega no tranco. Me diz uma coisa, como o Brasil foi parar no Oriente?

O militar estava um tanto perdido em meio às gírias, mas pelo que Dona Jacinda havia explicado, seu marido estava à beira de um ataque de nervos. A pressão internacional começava a lhe causar transtornos. Tudo bem. Ainda havia algum tempo. O jovem sentou-se à mesa junto aos dois e tentou uma abordagem mais tática. Iniciou um diálogo hipotético, o qual revelaria ser um código-espião, no dia seguinte.

— O senhor lembra quando o Imperador unificou a grande ilha de Porto Seguro, o famigerado “berço do Japão”?

— Não.

— De como “Japão” vem da frase “Yūhi no kuni”, ou “Terra do Sol Poente”?

— Não também.

— Lembra de como o Brasil, uma ilha gigante do outro lado do mundo, nos encontrou e ofereceu ajuda, além de ordem e progresso?

— Vixe…

— Sabia que quase tudo aqui tem a marca “Made in Brasil”? O pessoal até se acostumou a dizer “esse é um negócio do Brasil”, quando o produto é barato. Se não fosse por eles, estaríamos na Idade da Pedra.

Seu Nonato não pôde conter o riso. Não era bem isso que ele tinha em mente quando fez a primeira pergunta, logo cedo, naquela manhã.

— A pressão é grande. Eu sei. O senhor precisa vir comigo se quiser sobreviver. – Encerrou o jovem.

— Gradecido. Você é um bom rapaz. Mas daqui não saio, daqui ninguém me tira. E vô dizê mais: já entendi como esse treco funciona. Passar bem! – Encerrou o velho, ao ajustar a frequência correta, fechar os olhos, escutar um zumbido, sentir um estremecimento atípico e voltar para casa…

Sua casa, de onde jamais devia ter saído (e não saiu).

III.

Dona Jacinda “roncava igual a um trator”, segundo ele. Parecia até mais jovem. Aquela experiência tinha sido interessante. Cobriu a esposa com cuidado e aninhou-se ao seu lado. Fazia tempo que não dormia daquele jeito, certo de que nada mais o atrapalharia naquela praia quase deserta. Por garantia, Seu Nonato retirou a bateria do rádio e o colocou sobre a estante: o aparelho morreu lentamente, sem dar nem ao menos um último suspiro.

— Desculpe, velho amigo. – Disse ele, ao estender as cobertas.

A noite caiu como uma luva… E o amanhecer os despertou como seda…

Acostumado a dormir cedo, Seu Nonato foi o primeiro a se levantar. As costas reclamaram. Deu um belo bocejo antes de preparar um café especial para a esposa. Em cima da mesa, havia um bilhete: “Entregar pra Dona Cotinha”. A primeira missão daquela nova manhã! Depois de um dia atordoante e uma noite “estrelada”, entregar uma torta de bolacha era uma tarefa fácil. “Bo-la-cha”, soletrou Seu Nonato em voz baixa.

Quando estava prestes a sair, bateram na porta.

— Já vai! – Gritou ele da cozinha.

Tinha alguma coisa faltando. Era o relógio de pulso? Era o boné? Tinha vestido o casaco? Quando olhou para a estante, percebeu. Nem um funeral digno tivera a pobre criatura de fios e eletrodos. Destrancou as chaves da porta, de forma complacente.

O que viu quase lhe fez trancar de novo.

Um homem com certa idade, bem vestido, de roupa social monocromática embaixo de um jaleco surrado, o encarou seriamente. Conhecia aquelas rugas e reentradas na testa. Quando viu o bigode-sardinha e o óculos pendurado no pescoço, não teve mais dúvidas. Aquele senhor um tanto cansado, de aparência sóbria e pomposo demais para seu gosto, era ninguém mais, ninguém menos, do que ele próprio. Ou melhor, sua “outra versão”.

— Surpreso? – Indagou Seu Nonato do “outro lado”.

— Um ‘poquinho’. Mas depois de ontem… Ah, aquele jovem devia tá me confundindo com ocê. – Respondeu ele, depressa.

— Desculpe vir sem avisar. O senhor sabe que tenho pouco tempo. E como sei exatamente o que eu estaria pensando, vou direto ao assunto. Não preciso me apresentar, certo?

Seu Nonato encarava sem pestanejar aquela versão mais culta e empolada de si mesmo. Esperava um cientista-maluco, recebera um advogado. O fato era que seu “outro eu” exalava autoridade enquanto falava.

— …Então eu estava no meio de um experimento quando encontrei sua frequência, a frequência desse lado. Por ironia do destino, ou coincidências do universo – embora seja um consenso entre cientistas que coincidências assim não existam – o seu comprimento de ondas se igualou ao meu.

Fingiu que entendeu tudo. O outro continuou.

— Por um breve momento, nossos mundos se entrelaçaram. Ouvi uma música, uma música que grudou fundo no meu inconsciente. O seu aparelho se tornou o meu. E o meu aparelho se tornou o seu. O senhor está familiarizado com a Teoria das Cordas? – Indagou Seu Nonato “do Japão”.

Seu Nonato “do Brasil” pensou em dizer que as crianças tinham arrebentado a última, mas preferiu ficar quieto. Enquanto ele era apenas um senhor aposentado, trabalhador de minas e ávido consumidor de magazines importadas (tendo preferência por contos fantásticos e ufologia), seu “outro eu” era um cientista militar, físico teórico e matemático. Como não foi interrompido, Seu Nonato “do Japão” continuou.

— Vejo que não… Sabe, pode não parecer, mas me orgulho de minhas origens. Por isso vivo nesse casebre. Aliás, no “outro” casebre, às margens do complexo espacial. Uma boa camuflagem, diga-se de passagem. Ninguém pensa em procurar um cientista num lugar assim. Mas eu estava curioso, confesso. Gostei do senhor. – E soltou uma risadinha não correspondida. — Contudo, vim aqui por outro motivo.

O sujeito retirou do bolso uma caixinha cinza, quadrada, antiquada e de aparência bem conhecida. Depositou nas mãos alheias. Um rádio exatamente igual ao seu. Pelo menos tinham algo em comum: o gosto por tecnologias antigas.

— É disso que os militar tão atrás? – Indagou Seu Nonato “do Brasil”.

— Sim. É a chave que abre a porta para seu mundo. – Respondeu o outro.

— O guri disse que cê tava fugindo dos americanos. E que corria o risco de morrê.

— O Japão é uma potência mundial e isso atrai muitos inimigos. Por isso, quis encontrá-lo. Não posso deixar a chave cair em mãos erradas. Não confio em ninguém, nem na minha equipe… Só confio em mim mesmo! – Exclamou Seu Nonato “do Japão”.

— Cê qué que eu fique com esse troço aqui? Do “meu lado”? – Sua pressão subia cada vez mais.

Naquele instante ouviram uma batida surda no chão. Era Dona Jacinda, desacordada por ver duas versões tão distintas de seu marido – a mesma careca reluzente, o mesmo bigode, a mesma expressão. Seu Nonato correu em socorro. O outro fez menção de se mover, mas parou no meio do caminho. Foi então que Seu Nonato “do Japão” viu o radinho velho, sem bateria, em cima da estante – uma cópia exata do “Acelerador de Amplitude e Frequência Modulada”. Viu ali uma grande oportunidade. Não desperdiçou.

— Jacinda do céu! Cê tá bem? – Disse o marido.

— Ora, homi! Que ideia de jerico foi essa de me assustar? – Indagou ela, já se levantando. — Da próxima vez avisa antes de fazê uma surpresa dessa. Nem sabia que cê tinha um primo parecido! Qué me mata do coração? Ué, cadê ele?

E notou que estavam completamente sozinhos. O cientista havia desaparecido, assim como seu rádio antigo de estimação. Restara apenas aquele aparelho semelhante, entregue de forma apressada.

— Que safado! – Exclamou Seu Nonato. — Não sô assim não! Agora, vejam só. Fiquei com esse apetrecho do apocalipse pra mim!

— Que cê tá dizendo? Já tá caducando, é? E olha bem onde cê tá botando essa mão! – Disse ela, se recompondo.

— Pelo menos toca rádio… – Encerrou ele, evitando cautelosamente a frequência de 100mhz.

Durante o restante do dia, Seu Nonato ficou pensativo (Dona Jacinda nem fazia ideia do que havia acontecido). Como seria aquela vida cheia de conhecimento, riqueza e progresso? Poderia visitar o outro assim que quisesse. Mas realmente desejava isso? Estaria seguro e tranquilo sabendo que um dia viriam atrás dele, de alguma forma? Jamais imaginava que seu amigo, seu companheiro fiel, seria seu pior inimigo – embora aquela versão captasse uma rádio estrangeira que transmitia programas antigos, o que era, em si, uma vantagem.

Olhou para Dona Jacinda ao seu lado, de forma um tanto maliciosa, ajeitou a gola da camisa e a beijou no rosto. Ela, um tanto desconfiada, retribuiu com um sorriso, sem dizer nada. Seu Nonato segurou o novo rádio nas mãos, analisou brevemente suas formas (idêntico ao outro, só que esse podia rasgar o tecido da realidade) e saiu porta afora. Destrancá-la já estava ficando cansativo.

Fazia tempo que não apreciava o belíssimo pôr do sol litorâneo. As cores tremeluziam e os raios formavam desenhos engraçados na areia quentinha. Seus pés agradeceram o gesto. Seu amigo Raimundo voltava pra casa com um cesto cheio de peixes e um gato no ombro. O vento soprava de forma agradável.  

Olhou sua velha casinha aconchegante, sua vida simples, acenou para a esposa que preparava outra torta de bolacha e chegou à seguinte conclusão: não precisava de mais nada. Aquela era a vida que havia escolhido!

— Podêmo sê de mundos diferentes e gostá de ciência. – Sussurou ele ao vento. — Mas ti conheço, Seu Nonato. Ti conheço. Agora entendi. Você pode sê todo aprumado e tê o nariz empinado. Mas nosso coração ainda é o mesmo. – Disse ele para si, em voz baixa, sabendo o que tinha de fazer.

E ao dizer isso, jogou o pobre aparelho nas pedras, sem dó, com toda a força que lhe restava naqueles braços quase centenários…

Dizem por aí que, se uma borboleta bater as asas no Oceano Atlântico, um tornado de proporções gigantescas atingirá o Oceano Pacífico.

Para Seu Nonato, bastava uma ideia.

IV.

No “outro lado do mundo”, enquanto um jovem espião se aproximava, Seu Nonato ajustava a frequência do rádio para 100mhz e ouvia, admirado, uma agradável mistura de rock antigo e country alternativo. Pena que durou pouco tempo.

18 comentários em “[EM] Cem Megahertz (ou Teoria do Campo Unificado aplicado à campos magnéticos variáveis no tempo) (Victor O. de Faria)

  1. Felipe Lomar
    18 de setembro de 2021

    Ambientação: talvez uma das ideias mais complexas do certame. Parabéns por ser um dos poucos textos a focar somente nas realidades alternativas. Talvez tenha somente faltado explicações mais aprofundadas sobre as teorias apresentadas , para dar mais embasamento no worldbuilding. Por exemplo, qual interpretação da teoria das cordas seria embasado o experimento (suponho que a interpretação de muitos mundos)
    Enredo: um enredo talvez simples, sem muitas surpresas, como se costuma esperar de um texto envolvendo realidades alternativas e que começa citando o efeito borboleta. Esperava dilemas e paradoxos criados pela alteração das linhas temporais, e o máximo disso que teve foi o velho destruindo o aparelho. A história pode se resumir no velho confuso com Tudo, infelizmente.
    Escrita: eu gostei da escrita, bem detalhista e com descrições imersivas, como é necessário para entender uma trama desse gênero. Não percebi erros de gramática ou de revisão.
    Considerações finais: uma história bem escrita e com uma ideia legal, mas acho que pede ainda uma trama mais complexa. Boa sorte.

  2. Fabio D'Oliveira
    17 de setembro de 2021

    Olá, Top!

    AMBIENTAÇÃO

    Muito boa.

    As descrições são bem visuais e precisas. Além de facilitar a vida do leitor, dando-lhe tudo o que ele precisa, não estraga o prazer da imaginação, deixando algumas lacunas propositais para que ele possa construir o restante.

    Gosto disso.

    ENREDO

    Blockbuster.

    É uma história pra entreter. E cumpre sua proposta com perícia. Ele é linear e objetivo. Algumas frases de efeito aqui e acolá. E momentos que procuram capturar o leitor no campo emocional.

    Porém, alguns pontos do enredo ficaram estranhos. Por que o Nonato do Japão e o Nonato do Brasil eram iguais em personalidade e diferentes na forma de falar e vestir? Não acho coerente. Nonato do Japão poderia ser, sim, um cientista, mas desleixado e simples, igual o Nonato do Brasil. Além disso, uma versão minha de outra dimensão, ainda mais numa situação igual do conto, não seria igual a mim. Teríamos vivências diferentes, logo, seríamos pessoas diferentes. O lance da chave também ficou confuso. Se o protótipo em forma de rádio se tornou o radinho do Nonato do Brasil, imagino que o Nonato do Japão deveria ter ficado com o radinho original. Ele pode ter construído outro protótipo, mas por que deixou-o com o Nonato do Brasil e voltou com o protótipo antigo? Achei mirabolante demais. Às vezes, o simples funciona melhor, sabe?

    Isso tudo, e outras coisinhas que acontecem depois do primeiro ato (que foi excelente, por sinal), deixaram-me um pouco decepcionado.

    Para mim, e reforço que é minha visão das coisas, apenas minha, o enredo é um tanto incoerente para um FC. Acho interessante pensar nele como uma fantasia científica.

    ESCRITA

    Madura.

    Eficiente e natural, a leitura correu tranquilamente. É redondinho, sabe? Desce igual uma cerveja gelada no verão. Achei as falas do Nonato do Brasil e Dona Jacinda um pouco artificiais, preciso admitir.

    CONSIDERAÇÕES GERAIS

    Quando se trata de gosto pessoal, eu prefiro uma boa história do que uma bela estética. Se o conto fala muito e não chega a lugar algum, acabo não gostando. Quando a história parece ter furos, também acabo me afastando. É o caso deste conto. Ele é bem escrito, provavelmente por alguém maduro, mas não me cativou como leitor.

    Levando isso em consideração, não posso dar uma nota máxima, mesmo estando plenamente dentro do tema e bem escrito. Minha aposta é que este conto seja o vencedor ou, ao menos, esteja no pódio. Ele tem cara disso. Mesmo não me agradando, ele tem várias virtudes no campo técnico. A autoria poderia ficar no campo da fantasia, onde a liberdade criativa é maior, como costumo fazer. Trabalhar com elementos científicos é complicado. Você precisa desenvolvê-los levando em consideração os elementos mundanos. Um roteiro mirabolante demais acaba criando confusões e afins. Por exemplo, o conto poderia ter passado tranquilamente sem a tentativa de explicar o Brasil do outro lado. Ficou estranho e confuso. Não somou no enredo.

    Enfim, escrevi bastante porque o potencial do conto me pareceu enorme. Isso para ser um FC de respeito, digo.

    Boa sorte no certame!

  3. Bruno Tavares
    14 de setembro de 2021

    Ambientação: olha, me perdoe, mas fiquei um pouco confuso com a quantidade de cenas e elementos no texto. Não entendi ao certo o cenário em todo, e não consegui me interessar na história. Começa bem interessante com seu Nonato e Dona Jacinda, conversando a respeito de teorias e possíveis realidades caso os japoneses tivessem tomado o Brasil, mas depois mistura muitos elementos lúdicos e a teoria da ‘Teoria do Campo Unificado aplicado à campos magnéticos variáveis no tempo’, enfim. Não curti a leitura, mas ressalto a criatividade do autor.

    Enredo: A divagação do protagonista em imaginar um Brasil dominado pelos japoneses e a influência direta de animes ou conteúdo do tipo, pois foi minha sensação. É uma questão de gosto meu; a não ser que seja devidamente fundamentada, o uso de língua japonesa me dá a sensação de assistir um ‘anime’ e eu não curto mais animes, pelo menos hoje, com 37 anos rs; gostei até meus 17.. ou coisa do tipo e a história não conquistou minha atenção e interesse. Me perdoe, não estou dizendo que é um texto ruim, pelo contrário, achei interessante a ideia de imaginar um contexto histórico brasileiro diferente do atual, porém eu não me interessei pela história e por isso peço desculpas por não poder opinar mais a fundo do jeito que merece.

    escrita: nada a dizer

    Considerações gerais: A ideia inicial é bem promissora, mas para mim não conquistou meu interesse e por isso, peço desculpas por não opinar mais a fundo sobre. Desejo sorte ao autor.

  4. Simone Lopes Mattos
    11 de setembro de 2021

    Ambientação: o fantástico chega devagar nessa história. Quando chega, já estamos confortáveis com o casal simplório. Os acontecimentos são complexos, mas contados de forma leve. Enquanto o mistério se desenrola as explicações são plantadas. Tudo fica claro. O personagem central também foi capaz de compreender o processo, uma espécie de portal e a versão paralela dele mesmo.
    Enredo: a história vai causando muita curiosidade pelos próximos acontecimentos. Não chega a causar suspense. Acho até que a naturalidade do personagem é desproporcional. Ele vai aceitando aquele fenômeno, simplesmente.
    Escrita: não observei erros na escrita. Algumas vezes achei que a explicação poderia ficar nas entrelinhas. Ou seja, poderia enxugar o texto.
    Considerações gerais: intrigante. Não deixa o leitor soltar o texto. Mas acho que o leitor fica esperando mais ação e os eventos são lineares. O final também.

  5. Antonio Stegues Batista
    8 de setembro de 2021

    Cem mega-hertz

    Ambientação= Teoria dos mundos paralelos. Realidades Alternativas. Dentro do tema.

    Enredo= Um rádio faz a ligação entre dois mundos iguais mas invertidos. Regular.

    Escrita= Sem problemas. Acho que a imagem destoa da história.

    Considerações gerais= Historia com altos e baixos, alguns devaneios para encher espaço. Há sempre um evento casual, uma chave para abria o portal para ligar os dois mundos. Não traz grandes novidades em se tratando de Universos Paralelos, História Alternativa, Duplos, mas achei um bom conto.

  6. Jowilton Amaral da Costa
    5 de setembro de 2021

    Ambientação: Ambientação razoável, poderia ser melhor.

    Enredo; Enredo razoável também. Enquanto estava só nos dois mundos, estava bastante interessante, mas quando apareceu um outro seu Donato, achei que o texto enfraqueceu, inclusive, tornando os personagens bem caricatos, talvez por conta dos diálogos, que não estão muito bons.

    Técnica: Achei a técnica boa, não percebi erros. A narrativa poderia ser melhorada, assim como os diálogos. A forma como seu Donato e sua esposa falavam me soou muito artificial.

    Considerações Gerais: Um conto de realidade alternativa que me impactou muito pouco.

  7. Rubem Cabral
    5 de setembro de 2021

    Olá, ZZ Top.

    Vamos à análise do conto:

    Ambientação:Boa

    O conto tem ambientação bem adequada, com boas descrições e diálogos, o que permitiu boa imersão do leitor no “mundo” onde se desenrola o enredo.

    Enredo:Muito Bom
    A história, que envolve a existência de realidades paralelas ou multiversos, foi criativa. Os personagens foram bem desenhados, as situações mostradas foram divertidas e ousadas.

    Escrita:Muito Boa
    Não vi nada que desabonasse a boa escrita do conto. Os diálogos brincam com o dialeto caipira e foram bem simpáticos e adequados.

    Considerações gerais:Muito Bom

    O cômputo geral foi muito bom. Talvez um pouco mais de descrições e sensações pudesse aumentar a imersão, mas é a única sugestão que deixo aqui.

    Boa sorte no desafio!

  8. ALINE CARVALHO
    4 de setembro de 2021

    Ambientação: Excelente ambientação e descrição dos personagens

    Enredo: Trama coerente, prende a atenção do inicio ao fim

    Escrita: Boa escrita, com mistura de linguagem formal e infomal

    Considerações gerais: Texto com muita criatividade e originalidade, forte candidato a final…

  9. Anderson Prado
    2 de setembro de 2021

    Ambientação: Mediana. A história se passa em universos alternativos: Brasil e Japão. O autor brinca com a hipótese do Brasil ter sido descoberto e colonizado pelo Japão.

    Enredo: Mediano. Um velho descobre um portão para uma realidade paralela, na qual há um outro Brasil, mais moderno.

    Escrita: Mediana. Embora não cometa grandes erros, a escrita ainda é um tanto insegura.

    Considerações gerais: Ressalvado um erro gramatical (o “a” craseado), achei o título fantástico. Porém, senti que o texto não entregou tudo o que o título promete. Também gostei bastante da brincadeira que o autor fez com a ideia do bater de asas de uma borboleta, mas, novamente, ficou-me a sensação da analogia ou metáfora ter soado um tanto forçada, uma tentativa de criar um efeito, um impacto – e que não funcionou muito bem. A presença do negrito não se me mostrou justificada – o mesmo se podendo dizer do itálico. Sobre o negrito e o itálico, parecem demonstrar uma falta de confiança: um emprego melhor dos recursos narrativos pode dispensar esses recursos gráficos.

  10. Kelly Hatanaka
    2 de setembro de 2021

    Ambientação:
    Excelente. No lado do Brasil, o mundo normal. No lado do Japão, a estranheza de um mundo igual e diferente.

    Enredo:
    Muito bom! Gostei demais desta história de universos paralelos. Muito bem feita e bem contada. Os Nonatos, deiferentes e, ainda assim, parecidos, o radio antigo, ele mesmo um personagem. O relacionamento de Nonato e Jacinda, tão simples e bonito. Muitos elementos deliciosos no seu conto e todos muito bem costurados.

    Escrita:
    Impecável e cheia de persoalidade. Uma leitura Muito agradável.

    Considerações gerais:
    Foi uma história que cativou desde a primeira linha. Muito interessante e inventiva e a decisão final, de trocar os rádios e fechar a ligação entre os mundos, muito coerente. Meu favorito até agora.

  11. Jorge Santos
    2 de setembro de 2021

    Ambientação

    Adequado ao tema das realidades alternativas. Só não sei se a utilização do Japão foi um bom exemplo: nenhuma das nações conquistadas pelo Japão guardou boas memórias disso.

    Enredo

    Bastante complicado. Tem um ponto forte, a utilização do rádio para mudar de realidade ao mesmo tempo que se muda a frequência, mas esse recurso não foi usado em todo o seu potencial, porque a narrativa ficou excessivamente confusa, sem outros pontos de interesse.

    Escrita

    Eficaz mas sem brilho.

    Considerações finais

    Conto sobre realidades alternativas com grande potencial mas que ficou confuso e incoerente.

  12. Angelo Rodrigues
    27 de agosto de 2021

    13 – Cem Megahertz (…)

    Ambientação:

    O conto tem ambientações diversas, todas apropriadas à proposta do texto.

    Enredo:

    O conto, uma franca comédia caipira-tecnológica, propõe a existência de mundos paralelos por meio de ondas de rádio. Mundos invertidos, mundos alternativos que se colidem. Bem interessante.

    Escrita:

    Linguagem apropriada, simulada entre o português caipira e o japonês fônico (ao que me pareceu). Tomado de erros propositais buscando adaptar-se à simplicidade do interior.
    Na parte relativa ao português castiços, creio que precise de algumas revisões.

    Considerações Gerais:

    Um conto delicioso de ler. Basicamente despretensioso, o autor passeia por possibilidades tecno-caipiras sem pretender grande coisa senão agradar ao leitor. É um passeio pelas contradições e coincidências do mundo. Muito doce a abordagem.
    Vendo seu Nonato, lembrei-me de mim mesmo, quando bem criança. Explico. Quando me bateu nas mãos pela primeira vez um rádio japonês (acho que era Mitsubishi, pelo desenho da marca, da qual ainda me lembro, aqueles três pequenos triângulos – eu devia ter uns quatro anos, talvez -, frustrou-me profundamente passear pelo deal sem ouvir outra coisa que não fosse o português. Se o rádio era japonês, qual o motivo de ele estar falando em português. Foi decepcionante a minha primeira experiência tecnológica.
    Parabéns pelo conto, pela simplicidade de abordagem e pelo desfecho.

  13. Ana Maria Monteiro
    26 de agosto de 2021

    Olá, ZZ Top.

    Vou comentar seguindo as orientações do regulamento:

    Ambientação: Está ótima, fica fácil imaginar o mundo de Seu Nonato. Um mundo simples, fácil e bonito.

    Enredo: O enredo é muito bom. Precisa de mais palavras, bem mais palavras, mas é muito bom.

    Escrita: A escrita é boa e algo irregular, como se mudasse de género. Lê-se bem, mas surpreende um pouco.

    Considerações gerais: Posso comentar a história, mas não creio que seja isso que interesse. Mas, ou muito me engano, ou estou perante outra coautoria, muito bem sucedida. Talvez não seja uma coautoria, talvez se trate de uma bipolaridade criativa. A verdade é que no fim tenho a sensação de ter lido um trabalho feito por duas pessoas, iguais como gémeos, mas umas vezes escreve o gémeo menino, outras vezes escreve a gémea menina. Como ambos têm grande imaginação, muito sentido de humor e capacidade criativa, fico à espera de saber as autorias no final.

    Parabéns e boa sorte no desafio

  14. Nelson Freiria
    22 de agosto de 2021

    Escrita: ficou legal colocar as partes destacadas com negrito e sombra azulada. Maioria dos autores esquece que tem esse recurso, ou não gostam de usar, sei lá. A escrito é boa, não tem aquela gordura que mtas vezes vem acompanhada em textos que falam do cotidiano. As palavras em japonês me fizeram lembrar das coisas que falam os fãs de animes que não sabem o idioma, mas gostam de dizer palavras estrangeiras.

    Enredo: divertidíssimo, nem parece um conto que foi criado apenas para o desafio, pois é bem trabalhado do começo ao fim.

    Ambientação: achei eficaz, tudo dentro das medidas certas. Um pouco de japão, um pouco de brasil, um pouco de litoral e um bocado de humor com idosos.

    Considerações Gerais: sabe aquela sensação de “eu já vi isso em algum lugar?”, foi o que eu senti quando li o primeiro diálogo do conto. Mas meter o projeto filadélfia no meio dessa história me foi realmente inesperado. Gostei do tom teórico conspiracionista que apenas dá uma rodeada no conto. Mas sinceramente, não vi nenhum motivo para a existência daquele último parágrafo.

  15. srosilene
    22 de agosto de 2021

    Conto longo, dividido em três partes que se entrelaçam entre si. A narrativa é interessante e um pouco nostálgica e chega a ser um pouco cansativa. Temas que perpassam a história nos reportam um tempo ontem e hoje. O objeto rádio e suas ondas, a conspiração, a espionagem, a dominação de uma nação sobre a outra, o conhecimento, a tecnologia, etc. Enfim, o autor desenvolve sua narrativa através de um recorte da história (se é que podemos dizer um), e nos leva a viajar em diversas possibilidades, nos deslocando para mundos outros, que dependendo do olhar se tornam hipotéticos e/ou até reais. Tudo vai depender do grau de criatividade imaginativa do espectador/leitor. A escrita corre solta e com desenvoltura. A ambientação transita em ambientes externos/internos. Cada um envolvendo um misto ora de realidade, suspense, irrealidade, fantasia, e devaneio. Estes ocorrem de olhos despertos e ou até mesmo sonolentos. O texto nos apresenta um mar de questionamentos e reflexões, estes podem ganhar um tom de seriedade ou de brincadeira.

  16. Priscila Pereira
    14 de agosto de 2021

    Olá, ZZ!

    Ambientação: Ótima! Gostei muito! Eu amo assistir doramas e sou familiarizada com a teoria das cordas pela série Tbbt 🤭 então achei sua ambientação o máximo! A fala regional e o toque japonês ficaram perfeitos!

    Enredo: Bem legal, a ideia de universos paralelos é bem comum na FC e na fantasia, mas você conseguiu dar um toque original para o conto, com a utilização do humor e elementos que tiraram a tensão e o drama exagerado que esse tipo de narrativa tem as vezes.

    Escrita: Boa, confiante, direta e limpa. Nada de ostentação, do jeito que eu gosto 😉

    Considerações gerais: Gostei bastante! Muito divertido de ler! Parabéns!

    Boa sorte!
    Até mais

  17. maquiammateussilveira
    13 de agosto de 2021

    Pra começo de conversa, até o momento li sete concorrentes e esse conto é, disparado, o meu preferido. (E é melhor do que o meu também, ehehe).

    Ambientação: Os detalhes elencados da casa fizeram com que eu me apaixonasse pelos personagens já no terceiro parágrafo. O vasinho amarelo, a descrição do radinho, as bolachas de maisena… Pronto, eu já tenho toda a casa e os personagens desenhados na imaginação! O contraste entre esse ambiente modesto e o climão de Realidade Alternativa cria a curiosidade para continuar lendo e dá o tom bem humorado que permeia todo o conto.

    Enredo: O mote para a realidade alternativa “Brasil – Japão” é muito engraçado. Quando a Dona Jacinda começa a falar japonês, juro, eu ri alto. E, apesar de todos os sustos pelos quais passa o seu Nonato, é a relação dele com seu radinho que começa e encerra o conto. Emocionante!

    Escrita: O texto é claro e coeso, desenhando para o leitor cada situação sem excessos descritivos, arroubos estilísticos ou se perdendo com pressa na ação. Com isso o ritmo flui, sem demoras nem atropelos. O conto tem um tom cômico muito peculiar – leve, carinhoso – que se sustenta do início ao fim.

    Considerações Gerais: De cara o título já tinha me deixado curioso. Veio prometendo e cumpriu. Dei umas boas risadas, me mantive curioso e, no final, fiquei emocionado com a cena na praia. Parabéns!

  18. thiagocastrosouza
    10 de agosto de 2021

    Ambientação: Um conto com mistos de cotidiano e Ficcção Científica. Dentro da proposta da história, funciona muito bem.

    Enredo: Colocar esse personagem extremamente humano e simples dentro de uma situação para lá de complexa foi uma ótima ideia. O mote do conto, que é uma realidade paralela onde Brasil e Japão têm relações históricas muito mais próximas do que a que conhecemos, é bem explorada pelo ponto de vista do personagem. Tomado por uma inquietação dentro da sua simplicidade cotidiana, o autor coloca o simpático Nonato em situações absurdas que o fazem pensar sobre o atual estado das coisas, sua vida e seu valor. Muito bonito o caminho, além de bastante cômico.

    Escrita: Correta e coloquial, principalmente na boca dos personagens. Para uns, pode gerar estranhamento, mas eu embarquei na proposta, até porque não é um uso abusivo ou exagerado. Está no tom certo. Os gestos e diálogos são bem construídos e chegamos ao final do conto com uma sensação de leveza, muito graças ao estilo da escrita.

    Considerações Gerais: Puxa vida, gostei demais desse conto! Levinho e bom, trata do tema do desafio sem grandes pretensões. Me cativou!

    Parabéns!

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Publicado às 9 de agosto de 2021 por em EntreMundos - Monstruoso Mistério Aternativo e marcado .
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