EntreContos

Detox Literário.

[EM] Cem Megahertz (ou Teoria do Campo Unificado aplicado à campos magnéticos variáveis no tempo) (ZZ Top)

Dizem por aí que, se uma borboleta bater as asas no Oceano Atlântico, um tornado de proporções gigantescas atingirá o Oceano Pacífico.

Para Seu Nonato, bastava uma ideia.

I.

— E se o Japão tivesse conquistado o Brasil? – Perguntou ele à esposa, mexendo nas estações de seu rádio à bateria. Segundo ele, pilhas palito eram “coisa do passado”.

— A gente taria bem melhor! – Disse Dona Jacinda, sem hesitar, abrindo um pacote de bolacha Maizena – confeitar tortas era sua especialidade, embora tivesse perdido clientes que insistiam em chamar aquilo de “torta de biscoito”.

Mesmo diante às facilidades do mundo moderno, Seu Nonato preferia confiar em seu eterno companheiro. O rádio quadrado, cinza, de aparência austera e poucos botões, cabia na palma de sua mão. Seu lugarzinho na estante era sagrado, quase um altar. Disputava espaço com o receptor de TV a cabo, um monitor de alta definição e um vasinho de plantas amarelo-transparente, colocado em cima de um bordado estilizado. “Arte”, segundo Dona Jacinda. Sua rotina se resumia a levantar, preparar o café e, obviamente, mexer no rádio, o que ele fazia naquele instante.

Após alguns segundos de chiado, ruídos que pareciam vir do espaço, e estações de rádio que só tocavam batidas estranhas, finalmente encontrava sua melodia preferida: uma mistura de rock antigo e country alternativo. Era a primeira vez que ouvia aquela estação nitidamente, sem qualquer dissonância.

Curioso, verificou o ponteiro. Estava exatamente na marca de 100 Mhz, bem no meio. Nem mais, nem menos. “Perfeito!”. Levantou os braços flácidos em direção ao teto e comemorou. Dona Jacinda apenas balançou a cabeça.

— Gosto dessa rapariga. – Fechou os olhos e ouviu um zumbido agudo, estridente. Sentiu um arrepio nas costas. — Já viu essa, mulher?

Dona Jacinda se virou, colocou as mãos na cintura (já não tão esbelta como antigamente) e fez uma cara feia.

— Nani? Kono uta, shitteru? – Perguntou se ele tinha bebido.

— Que cê disse aí? – Indagou ele, de olhos esbugalhados.

— Shigoto ni iku! – Exclamou ela, voltando ao trabalho.

Com certeza aquela última frase soava familiar. Pressão alta! Só podia ser isso. Sua esposa tinha lhe avisado: ler aquelas revistas de conspiração soviética deixava as pessoas meio doidas. Precisava de ar puro…

A casa modesta que haviam comprado no litoral era o típico desenho de criança: quadrada, com um teto triangular e um sótão exprimido. Ficava em cima de uma colina verdejante, além das dunas de uma praia pacífica, cheia de pedras redondas ao seu redor. Havia também uma plataforma, onde pescadores mais atentos esperavam a maré subir. Seu amigo Raimundo era um deles. Quem sabe ele entenderia. Seu Nonato agarrou o radinho e saiu porta afora, sem dizer nada.

Foi a pior decisão de sua vida.

Em frente aos seus olhos havia uma plataforma: um imenso foguete branco, cercado por vários caminhões-pipa, era resfriado de tempos em tempos. Um logotipo japonês, bastante chamativo, estampava as câmaras de empuxo. No chão não havia mais areia, somente placas de metal antitérmico, as quais refletiam sua testa lisa e face cansada, bem como o bigode-sardinha cultivado de forma carinhosa. Os óculos pendurados no pescoço completavam o retrato da velhice.

Com medo de que estivesse enlouquecendo, ou pior ainda, ter pego a doença da vaca louca, olhou para cima. Teve de se segurar na porta. Uma colossal placa de ferro, revestida de concreto e metal, encobria parte do céu, como um viaduto gigante. “Onde estava o Sol?”. Tratava-se de uma estrutura sem precedentes. Se aquilo fosse um sonho, diria estar exatamente no meio de um acampamento espacial, do tipo que existia na Flórida, como já assistira em documentários no “madrugadão” sem jogos. Até sua casa parecia diferente.

Olhou para o rádio em suas mãos. Ainda era o mesmo! Seu companheiro fiel, colega de tardes ensolaradas e psicólogo. Agarrou-se ao aparelho com força e entrou em casa depressa. Dona Jacinda preparava o toque final do glacê, onde lia-se “Omedetōgozaimasu!”.

Aquilo estava saindo do controle. Respirou fundo e pensou um pouco. Estava comemorando a marca dos 100mhz quando o mundo enlouqueceu. Refez os seus passos. Seu Nonato largou o radinho na estante, exatamente como fez antes, mudou a frequência para 99mhz e girou lentamente um grau à direita. Fechou os olhos e escutou um zumbido irritante. Sentiu um calafrio nas costas. O country alternativo ainda estava lá.

— Ainda nisso, homi? Vai ficá surdo desse jeito! – Disse sua esposa, preparando a embalagem. Em cima da torta estava escrito “Parabéns!”.

Aliviado, suspirou profundamente. Teve de segurar os joelhos. Como antes, saiu porta afora. Lá estava Raimundo, seu amigo pescador, tentando de todas as maneiras livrar-se de um gato interesseiro. A plataforma estava lá, as dunas estavam lá, as pedras estavam lá. Até o mar estava lá! Esticou as costas. Precisava se acalmar. Entrou novamente.

— Mulher, cê não vai acreditar! Acho que tive um daqueles… Coméque o documentário chamava mesmo? Ah, sonho ludo…

— “Lúdico”! Cê não presta atenção nas aulas, aí depois fica assim. – De fato, Dona Jacinda tinha mais estudo.

— Isso! Lembra que perguntei procê o que aconteceria se o Japão tivesse conquistado o Brasil?

— De novo com isso, seu Nonato Gonçalves? Eu avisei! Cê fica muito tempo lendo essa revistinha importada.

— Mas eu vi! Eu vi! Com esses próprios olhos que a terra há de comê. – Disse ele, indignado.

Dona Jacinda assentiu. Seu marido já não andava muito bem de saúde. Se continuasse a delirar daquele jeito… Embrulhou a torta e foi ao encontro do homem perdido. Segurou suas mãos e sentaram calmamente no sofá da sala. Mesmo com dificuldades, ainda havia muito amor naquele pequeno casebre. Os três (Seu Nonato, Dona Jacinda e o radinho) adormeceram assistindo um “dorama” na TV a cabo, uma ótima forma de acalmar os nervos. Jamais entenderiam o que “dorama” significava, porém, gostavam da expressividade dos atores nipônicos. “Melhor que novela mexicana”, segundo ela.

II.

Assim que o programa acabou, uma brisa fria e úmida se fez presente. A madeira gasta pela maresia já não segurava o calor da manhã. O rádio começou a tocar sozinho, na mesma frequência de 100mhz. Seu Nonato sentiu o tremor. Bateram na porta. Podia ser apenas o vento; litoral tinha dessas coisas. Bateram novamente.

Seu Nonato desvencilhou o braço que já adormecia e deixou sua esposa encolhida no travesseiro rendado. Bocejou enquanto colocava o amigo no bolso interno do casaco. Nem percebeu que estava ligado. Quem poderia ser àquela hora? Abriu a porta com certa resignação.

— Estão vindo! – Gritou o rapaz franzino, em roupa militar. — Estão vindo! O senhor precisa se esconder!

— É o quê, filho? – Indagou ele.

E só então notou a cobertura metálica de concreto sobre suas cabeças. Ao fundo, a silhueta de um míssil. Estava novamente no “outro lado”.

— Diacho! – Praguejou.

— Eles encontraram! O projeto! Os americanos… – O rapaz estava ofegante.

— Calma, filho. Respira! Que projeto? – Indagou Seu Nonato.

— Ora, o que o senhor estava trabalhando: a “Teoria do Campo Unificado aplicado à campos magnéticos variáveis no tempo”. Não se lembra? Os americanos tem algo parecido, o “Projeto Filadélfia”, mas somente o senhor chegou mais perto. – Encerrou ele, enquanto aceitava o copo d’água, oferecido pela esposa já acordada.

Seu Nonato havia lido muita ficção na vida, mas tudo aquilo parecia um episódio saído diretamente de um seriado antigo; só faltava a vinheta com o filtro preto e branco.

— O senhor tem o controle, não é? – Indagou a figura de trinta e poucos anos, olhando para o rádio escondido no bolso alheio.

— O rádio? – Indagou o velho.

— Sim! É um protótipo, mas a camuflagem funciona. O senhor me mostrou hoje de manhã. Uma ideia genial!

— Escuta, filho. Dêcho te fazer uma pergunta: desde quando o Brasil tem foguete?

— O Brasil? Aquele país do outro lado do mundo? No Oriente?

— Eita… – Disse ele, coçando a cabeça. — Olha, cê tá me confundindo com outra pessoa. Nem sou daqui!

— Eu sei disso! O Japão aceita imigrantes. – Retrucou o rapaz.

Dona Jacinda segurou seu marido pelo braço e iniciou uma conversa tensa com o militar, em japonês alto e claro. Quando um oriental xingava outro, “era mais tenso que briga de faca”, segundo Seu Nonato. Uma coisa era certa: não abandonaria seu posto! Jamais deixaria sua esposa e sua casa cair nas mãos do governo… Qualquer que fosse o governo. Tentou uma abordagem mais sutil.

— Olha, jovem. Tô com alguns ‘parafuso solto’ de memória. A idade vem chegando e a cachola só pega no tranco. Me diz uma coisa, como o Brasil foi parar no Oriente?

O militar estava um tanto perdido em meio às gírias, mas pelo que Dona Jacinda havia explicado, seu marido estava à beira de um ataque de nervos. A pressão internacional começava a lhe causar transtornos. Tudo bem. Ainda havia algum tempo. O jovem sentou-se à mesa junto aos dois e tentou uma abordagem mais tática. Iniciou um diálogo hipotético, o qual revelaria ser um código-espião, no dia seguinte.

— O senhor lembra quando o Imperador unificou a grande ilha de Porto Seguro, o famigerado “berço do Japão”?

— Não.

— De como “Japão” vem da frase “Yūhi no kuni”, ou “Terra do Sol Poente”?

— Não também.

— Lembra de como o Brasil, uma ilha gigante do outro lado do mundo, nos encontrou e ofereceu ajuda, além de ordem e progresso?

— Vixe…

— Sabia que quase tudo aqui tem a marca “Made in Brasil”? O pessoal até se acostumou a dizer “esse é um negócio do Brasil”, quando o produto é barato. Se não fosse por eles, estaríamos na Idade da Pedra.

Seu Nonato não pôde conter o riso. Não era bem isso que ele tinha em mente quando fez a primeira pergunta, logo cedo, naquela manhã.

— A pressão é grande. Eu sei. O senhor precisa vir comigo se quiser sobreviver. – Encerrou o jovem.

— Gradecido. Você é um bom rapaz. Mas daqui não saio, daqui ninguém me tira. E vô dizê mais: já entendi como esse treco funciona. Passar bem! – Encerrou o velho, ao ajustar a frequência correta, fechar os olhos, escutar um zumbido, sentir um estremecimento atípico e voltar para casa…

Sua casa, de onde jamais devia ter saído (e não saiu).

III.

Dona Jacinda “roncava igual a um trator”, segundo ele. Parecia até mais jovem. Aquela experiência tinha sido interessante. Cobriu a esposa com cuidado e aninhou-se ao seu lado. Fazia tempo que não dormia daquele jeito, certo de que nada mais o atrapalharia naquela praia quase deserta. Por garantia, Seu Nonato retirou a bateria do rádio e o colocou sobre a estante: o aparelho morreu lentamente, sem dar nem ao menos um último suspiro.

— Desculpe, velho amigo. – Disse ele, ao estender as cobertas.

A noite caiu como uma luva… E o amanhecer os despertou como seda…

Acostumado a dormir cedo, Seu Nonato foi o primeiro a se levantar. As costas reclamaram. Deu um belo bocejo antes de preparar um café especial para a esposa. Em cima da mesa, havia um bilhete: “Entregar pra Dona Cotinha”. A primeira missão daquela nova manhã! Depois de um dia atordoante e uma noite “estrelada”, entregar uma torta de bolacha era uma tarefa fácil. “Bo-la-cha”, soletrou Seu Nonato em voz baixa.

Quando estava prestes a sair, bateram na porta.

— Já vai! – Gritou ele da cozinha.

Tinha alguma coisa faltando. Era o relógio de pulso? Era o boné? Tinha vestido o casaco? Quando olhou para a estante, percebeu. Nem um funeral digno tivera a pobre criatura de fios e eletrodos. Destrancou as chaves da porta, de forma complacente.

O que viu quase lhe fez trancar de novo.

Um homem com certa idade, bem vestido, de roupa social monocromática embaixo de um jaleco surrado, o encarou seriamente. Conhecia aquelas rugas e reentradas na testa. Quando viu o bigode-sardinha e o óculos pendurado no pescoço, não teve mais dúvidas. Aquele senhor um tanto cansado, de aparência sóbria e pomposo demais para seu gosto, era ninguém mais, ninguém menos, do que ele próprio. Ou melhor, sua “outra versão”.

— Surpreso? – Indagou Seu Nonato do “outro lado”.

— Um ‘poquinho’. Mas depois de ontem… Ah, aquele jovem devia tá me confundindo com ocê. – Respondeu ele, depressa.

— Desculpe vir sem avisar. O senhor sabe que tenho pouco tempo. E como sei exatamente o que eu estaria pensando, vou direto ao assunto. Não preciso me apresentar, certo?

Seu Nonato encarava sem pestanejar aquela versão mais culta e empolada de si mesmo. Esperava um cientista-maluco, recebera um advogado. O fato era que seu “outro eu” exalava autoridade enquanto falava.

— …Então eu estava no meio de um experimento quando encontrei sua frequência, a frequência desse lado. Por ironia do destino, ou coincidências do universo – embora seja um consenso entre cientistas que coincidências assim não existam – o seu comprimento de ondas se igualou ao meu.

Fingiu que entendeu tudo. O outro continuou.

— Por um breve momento, nossos mundos se entrelaçaram. Ouvi uma música, uma música que grudou fundo no meu inconsciente. O seu aparelho se tornou o meu. E o meu aparelho se tornou o seu. O senhor está familiarizado com a Teoria das Cordas? – Indagou Seu Nonato “do Japão”.

Seu Nonato “do Brasil” pensou em dizer que as crianças tinham arrebentado a última, mas preferiu ficar quieto. Enquanto ele era apenas um senhor aposentado, trabalhador de minas e ávido consumidor de magazines importadas (tendo preferência por contos fantásticos e ufologia), seu “outro eu” era um cientista militar, físico teórico e matemático. Como não foi interrompido, Seu Nonato “do Japão” continuou.

— Vejo que não… Sabe, pode não parecer, mas me orgulho de minhas origens. Por isso vivo nesse casebre. Aliás, no “outro” casebre, às margens do complexo espacial. Uma boa camuflagem, diga-se de passagem. Ninguém pensa em procurar um cientista num lugar assim. Mas eu estava curioso, confesso. Gostei do senhor. – E soltou uma risadinha não correspondida. — Contudo, vim aqui por outro motivo.

O sujeito retirou do bolso uma caixinha cinza, quadrada, antiquada e de aparência bem conhecida. Depositou nas mãos alheias. Um rádio exatamente igual ao seu. Pelo menos tinham algo em comum: o gosto por tecnologias antigas.

— É disso que os militar tão atrás? – Indagou Seu Nonato “do Brasil”.

— Sim. É a chave que abre a porta para seu mundo. – Respondeu o outro.

— O guri disse que cê tava fugindo dos americanos. E que corria o risco de morrê.

— O Japão é uma potência mundial e isso atrai muitos inimigos. Por isso, quis encontrá-lo. Não posso deixar a chave cair em mãos erradas. Não confio em ninguém, nem na minha equipe… Só confio em mim mesmo! – Exclamou Seu Nonato “do Japão”.

— Cê qué que eu fique com esse troço aqui? Do “meu lado”? – Sua pressão subia cada vez mais.

Naquele instante ouviram uma batida surda no chão. Era Dona Jacinda, desacordada por ver duas versões tão distintas de seu marido – a mesma careca reluzente, o mesmo bigode, a mesma expressão. Seu Nonato correu em socorro. O outro fez menção de se mover, mas parou no meio do caminho. Foi então que Seu Nonato “do Japão” viu o radinho velho, sem bateria, em cima da estante – uma cópia exata do “Acelerador de Amplitude e Frequência Modulada”. Viu ali uma grande oportunidade. Não desperdiçou.

— Jacinda do céu! Cê tá bem? – Disse o marido.

— Ora, homi! Que ideia de jerico foi essa de me assustar? – Indagou ela, já se levantando. — Da próxima vez avisa antes de fazê uma surpresa dessa. Nem sabia que cê tinha um primo parecido! Qué me mata do coração? Ué, cadê ele?

E notou que estavam completamente sozinhos. O cientista havia desaparecido, assim como seu rádio antigo de estimação. Restara apenas aquele aparelho semelhante, entregue de forma apressada.

— Que safado! – Exclamou Seu Nonato. — Não sô assim não! Agora, vejam só. Fiquei com esse apetrecho do apocalipse pra mim!

— Que cê tá dizendo? Já tá caducando, é? E olha bem onde cê tá botando essa mão! – Disse ela, se recompondo.

— Pelo menos toca rádio… – Encerrou ele, evitando cautelosamente a frequência de 100mhz.

Durante o restante do dia, Seu Nonato ficou pensativo (Dona Jacinda nem fazia ideia do que havia acontecido). Como seria aquela vida cheia de conhecimento, riqueza e progresso? Poderia visitar o outro assim que quisesse. Mas realmente desejava isso? Estaria seguro e tranquilo sabendo que um dia viriam atrás dele, de alguma forma? Jamais imaginava que seu amigo, seu companheiro fiel, seria seu pior inimigo – embora aquela versão captasse uma rádio estrangeira que transmitia programas antigos, o que era, em si, uma vantagem.

Olhou para Dona Jacinda ao seu lado, de forma um tanto maliciosa, ajeitou a gola da camisa e a beijou no rosto. Ela, um tanto desconfiada, retribuiu com um sorriso, sem dizer nada. Seu Nonato segurou o novo rádio nas mãos, analisou brevemente suas formas (idêntico ao outro, só que esse podia rasgar o tecido da realidade) e saiu porta afora. Destrancá-la já estava ficando cansativo.

Fazia tempo que não apreciava o belíssimo pôr do sol litorâneo. As cores tremeluziam e os raios formavam desenhos engraçados na areia quentinha. Seus pés agradeceram o gesto. Seu amigo Raimundo voltava pra casa com um cesto cheio de peixes e um gato no ombro. O vento soprava de forma agradável.  

Olhou sua velha casinha aconchegante, sua vida simples, acenou para a esposa que preparava outra torta de bolacha e chegou à seguinte conclusão: não precisava de mais nada. Aquela era a vida que havia escolhido!

— Podêmo sê de mundos diferentes e gostá de ciência. – Sussurou ele ao vento. — Mas ti conheço, Seu Nonato. Ti conheço. Agora entendi. Você pode sê todo aprumado e tê o nariz empinado. Mas nosso coração ainda é o mesmo. – Disse ele para si, em voz baixa, sabendo o que tinha de fazer.

E ao dizer isso, jogou o pobre aparelho nas pedras, sem dó, com toda a força que lhe restava naqueles braços quase centenários…

Dizem por aí que, se uma borboleta bater as asas no Oceano Atlântico, um tornado de proporções gigantescas atingirá o Oceano Pacífico.

Para Seu Nonato, bastava uma ideia.

IV.

No “outro lado do mundo”, enquanto um jovem espião se aproximava, Seu Nonato ajustava a frequência do rádio para 100mhz e ouvia, admirado, uma agradável mistura de rock antigo e country alternativo. Pena que durou pouco tempo.

E Então? O que achou?

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Informação

Publicado em 9 de agosto de 2021 por em EntreMundos - Monstruoso Mistério Aternativo.