EntreContos

Detox Literário.

[EM] Marcas no asfalto (Felipe Lomar)

Aqui estou eu, tentando escrever minhas memórias, como me pediram. Não entendo esse povo, o que a vida de um detetive aposentado desde 2049 tem de interessante. A tela do computador, com o documento de texto em branco, encara-me friamente. Poderia dizer que me encara como Clint Eastwood, mas fazer referência a um filme centenário é muito cafona. Então, me encara como Taylor Joy na bela série que ela fez lá em meados de 2020, algo sobre uma rainha de pernas finas, ou seja lá o que um gambito significa. Lembro que naquela série, a personagem jogava xadrez. E como um jogo de xadrez funciona a polícia nessa cidade. Uma grande peleja de estratégias entre o trabalho investigativo e as forças obscuras que regem a política, o dinheiro, e a própria polícia, em uma eterna briga secreta entre a justiça e o crime, a moralidade e a contravenção, pelo controle da cidade. E o meu lado está sempre em desvantagem…

Pela janela, entra o vento frio do inverno, com a umidade típica de Copacabana. É uma noite escura e chuvosa, como aquela em que o meu derradeiro caso começou. Estava em minha mesa na delegacia, reclamando do ar-condicionado gelado e do computador lento. O marasmo e o silêncio era quebrado pelo chiado das velhas luzes fluorescentes (quem ainda usa isso, por deus). Até que o telefone no gabinete do delegado toca. A apreensão dura alguns segundos, até que ele aparece e fala aquelas palavras que soaram como música para mim naquele momento:

– Rick, pegue a viatura. tem um acidente de carro com óbito na Rua Tonelero.

– Graças a deus, isso aqui está um tédio! – Mal sabia no que eu estava me metendo…

O trânsito caótico de sempre já havia se esgotado naquela hora da noite, e pude chegar rapidamente ao local. O carro, um luxuoso Mercedes Benz, encontrava-se abalroado em um poste de iluminação, o banco do motorista completamente esmagado, assim como o próprio. A jovem ocupante do carona, em estado de choque, era atendida em uma ambulância por dois paramédicos. O sargento Gustavo isolava a cena do crime. Não havia mais uma alma viva naquela rua além desses.

Começo a tentar observar a dinâmica do acidente. As marcas de pneus mostram o ponto onde se perdeu o controle. Procuro alguma pista na cena, mas não há mais nada no local que pudesse indicar os detalhes dos acontecimentos. Checo as identidades das vítimas. Se chamam Raquel e Enzo Guinle. Fecho a parte burocrática e termino o meu  trabalho. Teria que esperar pela perícia no carro e de uma eventual câmera para entender o que estava acontecendo.

Alguns dias depois, nem me lembrava mais de todos os detalhes daquela ocorrência tão banal. Me encontrando novamente em um marasmo na minha mesa, fui interrompido por uma silhueta na porta de entrada da delegacia. Uma mulher belíssima, como que tivesse saído de uma revista ou de um filme. Um corpo alto e esguio, um rosto como uma escultura, maculado pelos cortes e escoriações do acidente, parcialmente escondidos por um batom vermelho, cabelos escuros que caíam sobre o rosto e óculos escuros. Ela então se dirigiu até mim:

– Você é o detetive Rick? Ma disseram que eu deveria te procurar para prestar depoimento.

– Sim. Você deve ser a Raquel. Você era filha do senhor Guinle?

– Eu era esposa dele.

Não posso negar que fiquei surpreso com a resposta. Por mais que eu saiba que é comum que homens ricos se casem com mulheres mais novas, ainda me causa espanto quando presencio isso.

– Então, me diga: o que você recorda daquele dia?

– Só me lembro que estávamos seguindo para casa tranquilamente. O Jarbas estava dirigindo o carro, até que tudo aconteceu. Foi muito rápido.

– Jarbas? – Uma das poucas coisas que ainda estavam na minha memória é que só haviam duas pessoas no local, e o senhor Enzo estava no banco do motorista – Quem é Jarbas?

– Jarbas é o nome do piloto automático. Todos os Mercedes têm esse equipamento.

Isso explica uma parte, mas não tudo. Também sou dono de um Mercedes, embora muito mais antigo e barato. O piloto automático deles é programado para sempre proteger os ocupantes do carro, independente das circunstâncias. Para aquele acidente ocorrer, algo devia ter dado terrivelmente errado.

– A manutenção do carro estava em dia?

– Claro! Enzo sempre gastava uma fortuna, porque só uma oficina na cidade tem a chave para acessar o computador de bordo, e eles cobram o olho da cara. Qualquer pessoa que tentar acessar sem a chave bloqueia o carro. Estávamos até procurando um software pirata para tentarmos fazer a manutenção por conta própria.

– E quando foi a última manutenção?

– Mês passado.

Agora eu já tinha pistas para investigar. Naquele momento, acreditei que não extrairia mais nada daquele depoimento. Se fosse o caso de ela ser a culpada, poderia fazer mais perguntas em outra hora, com mais evidências que pudessem me ajudar a conduzir um interrogatório mais completo. É impressionante como essas coisas ainda funcionam hoje em dia. Pedi então o contato da moça e disse que poderia chamá-la a qualquer momento para mais perguntas.

Não muito tempo depois de liberá-la, foi a vez do sargento Gustavo aparecer, entrando de forma apressada e ofegante.

– Que foi, homem? Viu um fantasma?

– Eu, não. Mas acho que o carro viu.

– Oi?

– A perícia disse que o carro ativou um procedimento de emergência para desviar de um obstáculo, e entrou em erro no meio da manobra.

– Então já sabemos a dinâmica do acidente. Devia ter alguém atravessando a rua ali. Você acha mais provável ter sido uma falha de projeto ou…

– Aí que está, Rick – Ele me interrompe de uma forma que não era comum em seus modos – as câmeras dos prédios  em volta não registram Ninguém!

Isso me deixou um pouco confuso momentaneamente. Agora, poderia pensar em duas hipóteses distintas: ou aconteceu alguma coisa na manutenção, ou Raquel estava mentindo, e instalou um software pirata que quebrou o carro. Tento refletir brevemente, mas novamente sou interrompido de maneira estranha pelo sargento, que segura meu pulso e olha fixamente nos meus olhos:

– Foi essa mulher, pode ter certeza! Ela mentiu pra você no depoimento. Com certeza ela sabotou o carro pra matar o velho e ficar com a grana dele.

Essa declaração fele me deixou assustado. Em todos os anos em que trabalhamos juntos, ele nunca tentou interferir no meu trabalho, assim como eu nunca interferi no trabalho dele. Tínhamos uma boa parceria por causa disso. Me levantei da cadeira e fui ao banheiro. Pedi para que ele me esperasse. Ao chegar lá, mandei mensagem para Raquel e disse que precisava falar com ela, e iria até a sua casa. Olhei para o espelho, tentando refletir um pouco sobre a situação. E como se meu próprio reflexo me alertasse, um pensamento cruzou a minha mente: “como ele sabia sobre o depoimento da raquel? Não falei nada sobre para ninguém, nem terminei de registrar no sistema”. Aí eu percebi que tinha algo errado acontecendo. Raquel poderia estar correndo perigo. Mas eu estava aparentemente um passo a frente, pois tal como Sonny Corleone, ele havia dito o que estava pensando para alguém fora da “família”(eu e minha mania de citar filme velho…).

Voltei para minha mesa. Obviamente, o sargento havia ido embora. Procurei algum vestígio de escutas no local, tentando entender como ele pode saber do depoimento. Até que lembrei: hoje em dia ninguém precisa mais plantar nenhuma escuta em lugar nenhum, pois todo mundo carrega um celular, que tem câmera, microfone e GPS. E provavelmente foi possível ler a mensagem que eu acabei de mandar também. Eu precisava agir rápido.

Fui o mais rápido que pude para o endereço dos Guinle: uma cobertura duplex na Avenida Atlântica. No local, avistei uma viatura da polícia militar, a mesma do dia do acidente. Na portaria, o sargento Gustavo saía do elevador:

– Não se preocupe. Já recolhi todas as provas aqui. A dona não estava em casa, mas a polícia já está sob alerta para achá-la.

Precisava achar Raquel antes que fosse tarde. Por sorte, ela estava caminhando pela calçada. Corri até ela antes que o sargeno pudesse perceber sua presença:

– Senhora, você não pode voltar pra casa. Algo está acontecendo.

– O quê?

– Você instalou algum software pirata no carro? Acho que você não me falou tudo.

Como assim? Já te falei que não fiz isso.

– Quem era o seu marido?

– Já te falei tudo o que podia falar! Não irei responder mais nada!

As coisas estavam realmente difíceis sem a cooperação. Por mais que ela fosse uma potencial suspeita, ela também era uma potencial vítima de um futuro crime. Precisava protegê-la, para que eu pudesse ter uma fonte de informação, que seria perdida em uma queima de arquivo. Ordeno que ela procure um local seguro, e ela diz que tem uma tia que mora próximo e que iria ficar lá até as coisas se acalmarem.

A chuva apertou de noite. Os barulhos dos carros na pista molhada, abafados pelas janelas fechadas, era o único ruído no meu apartamento. Eu tentava descansar de um dia cheio. Mas então, a campainha tocou. Sabendo que as coisas não estavam certas, peguei minha pistola e fui até a porta . Mas o que eu vi foi um afigura feminina nada ameaçadora. Agora, sem os óculos, podia ver os belíssimos olhos cor de esmeralda de Raquel.

– Detetive, acho que eu não falei tudo para você.

– De fato.

– Enzo era um empresário do ramo imobiliário. Temos muitos empreendimentos por toda a cidade.

– Isso eu já sei. Já pude constatar. O que mais?

– Ultimamente, ele estava construindo um edifício aqui em Copacabana. Mas o Serginho queria cobrar uma taxa e Enzo não queria pagar.

Todo mundo conhecia o Serginho, o miliciano que domina a maior parte da Zona Sul e cobrava taxas absurdas. Ele também tinha muitas conexões na polícia e na política.

– Então, detetive, eu acho que ele deve ter sabotado de alguma forma o carro porque nós não pagamos as taxas.

– É uma hipótese. Me diz uma coisa: como era o relacionamento de vocês?

– Era um pouco difícil. Ele era muito distante e concentrado no trabalho. Aquele dia era o aniversário dele. Quis fazer uma surpresa e o levei para um restaurante. Na volta, estava tudo indo bem, e achei que teríamos finalmente algum momento de intimidade. Mas aí tudo aconteceu.

Pela primeira vez, não reclamei de alguém tentar se meter no meu trabalho. Era algo estranho. A presença de uma mulher no meu apartamento não acontecia há anos, desde que fiquei viúvo. Percebia que, desde então, estava como aquele carro: sempre no piloto automático. O piloto automático me acordava de manhã, me levava ao trabalho e me trazia de volta à noite. Então, Raquel me deu uma chance de mudar. E eu prontamente aceitei:

– Então, ainda abem que estou aqui, protegida, com você.

A levei para o quarto. E por alguns instantes, esquecemos de todo o caos ao redor. Nada estava no piloto automático.

No meio da noite, acordamos com barulhos na porta. Raquel fica então absolutamente apavorada.

– O que está acontecendo?

– Calma, fique aqui.

Antes mesmo que eu saísse do quarto, a porta veio abaixo e três elementos entraram atirando. Um dos tiros atingiu meu braço de raspão. Rapidamente, alcancei a pistola e respondi os tiros, matando todos. Ao verificar se ainda ofereciam algum risco, vi que um deles era o sargento Gustavo. Matar um colega de trabalho é triste, mas ele havia se voltado contra mim. Porém, logo sou obrigado a voltar ao quarto com o chamado de Raquel.

Ela havia sido atingida no ombro. Nada muito grave, mas estava sangrando e precisava de atendimento. Fiz um curativo rápido e a levei até o carro. Enquanto íamos até o hospital, o piloto automático guiava o carro enquanto eu tratava dos ferimentos. Até que subitamente ocorreram coisas.

O carro fez uma curva brusca, como se desviasse de algo, e depois entrou em erro, desativando o piloto automático. Consegui reagir rápido e retomei o controle, mas pouco pude fazer. O impacto me livrou do pior, mas a alta velocidade e o ângulo foram fatais para Raquel. Por mais que me doesse, não havia nada que eu pudesse fazer para ajudá-la. Por mais que meu trabalho lide frequentemente com a morte, essa doeu.

Ensanguentado, com dor e encharcado com a chuva, segui a pé até a oficina. Estava determinado a acabar de uma vez por todas com aquilo e evitar mais mortes. Pulei uma janela aberta nos fundos e fui até um terminal. Pude descobrir que não usavam o software original, mas sim um software pirata que instalava um rastreador, e o carro podia ser acessado remotamente a qualquer momento, e que a rede da oficina estava conectada a um conhecido capanga de Serginho, que mesmo na cadeia continuava ativo.

Antes que eu pudesse desligar o terminal e sair dali, um alarme toca e vários capangas apareceram atirando para todos os lados. Detrás de um carro, consegui revidar, derrubando dois deles. Um terceiro deu a volta por trás, mas consegui desarmá-lo e imobilizá-lo. Usando-o como escudo, segui até a janela e escapei . Precisava chegar rapidamente à delegacia para entregar as provas, Já que agora eram claros todos os detalhes do crime. Mas não podia arriscar: ao invés de chamar um táxi, peguei o metrô.

– Parabéns, detetive! – O delegado me recebeu com um abraço e um sorriso incomum – Mais um caso solucionado. No final não passou de um acidente. Trágico!

– Do que você está falando?

– Ora, de tudo o que aconteceu. Agora venha, vou assinar a sua aposentadoria.

– Delegado, você está cometendo um erro. Podemos pegar um dos criminosos mais perigosos do país agora mesmo.

– É para a sua segurança, Rick. E não fale assim do meu chefe, senão eu mudo de ideia e você vai para a lista de desaparecidos.

Esgotado com o cansaço e a dor, não consegui mais me segurar e desmaiei.

Agora estou aqui, escrevendo o que consigo lembrar (e o que posso falar) dessa história. A minha aposentadoria me protegeu de alguma retaliação, pelo menos por enquanto. Agora, vou ter que fazer uma pausa. Estou cansado. E tem alguém tocando a campainha…

19 comentários em “[EM] Marcas no asfalto (Felipe Lomar)

  1. Jowilton Amaral da Costa
    18 de setembro de 2021

    Ambientação: achei uma boa ambientação, tem toda a atmosfera de filmes Noir.

    Enredo: Achei o enredo médio. Ele segue a linha Noir, tem um detetive solitário, um mulher fatal, os dias são chuvosos e tal. Nada contra os clichês, ate gosto deles, mas aqui não foram bem executados, a história não convence e o detetive carece de mais carisma.

    Técnica: Achei a técnica média, a narrativa precisa de mais maturidade, a meu ver, para que o leitor entre realmente na história e compre tudo o que está sendo narrado. A falta de carisma do detetive e a narrativa imatura, não me vez comprar que Raquel transaria com ele assim do nada, logo depois da morte do marido, por exemplo. Para mim, foi bastante inverossímil. Outro ponto é que você deveria ter desenvolvido mais a história, havia espaço para isso.

    Considerações Gerais: Um conto policial mediano.

  2. Rubem Cabral
    18 de setembro de 2021

    Olá, Blade Runner.

    Ambientação:Boa

    O conto emula um noir numa Copacabana em 2049. A ambientação não foi muito distinta de uma história passada nos dias de hoje, fora os carros com pilotos automáticos (que já existem, embora não sejam ainda usados com frequência). Em função disso, não consegui enxergar um ambiente futurista ou retrofuturista.

    Enredo:Bom
    A história é boa, com femme fatale, policiais corruptos, bandidos, mocinho antiherói, etc. O final, ao meu ver, foi um tanto apressado, e achei as falas do delegado “claras” demais.

    Escrita:Regular
    O conto pede por mais revisão: pontuação, concordância, etc. Incomodou-me também a variação temporal, quando o texto flutua entre conjugações no passado e no presente, sem contudo descrever ações em tempos distintos.

    Por exemplo:

    “A levei para o quarto. E por alguns instantes, esquecemos de todo o caos ao redor. Nada estava no piloto automático.”
    (verbos no passado)
    “No meio da noite, acordamos com barulhos na porta. Raquel fica então absolutamente apavorada.”
    (verbos no presente, logo a seguir)

    Considerações gerais:Bom
    O cômputo geral foi bom: um interessante conto noir, com uma femme fatale boazinha e um bandidão misterioso que manda até na polícia.

    Boa sorte no desafio!

  3. Bruno Tavares
    14 de setembro de 2021

    Ambientação: Sensacional. Uma história que me interessou do início ao fim, e a relação do detetive Rick, recordando do passado e do caso que resolveu, me fez ter a sensação de estar assistindo um ótimo filme policial, apesar do clichê de envolvimento com a mulher da vítima e tal, mas mesmo assim, sensacional!

    Enredo: Curti muito o enredo; o detetive é um personagem bem construído com suas características e pontos fracos e fortes e cada personagem, principalmente a sensual viúva, deixa a trama toda mais interessante. Descobrir a respeito do envolvimento de amigos de trabalho na quadrilha e depois o final dramático de Raquel, foi algo inesperado e que deixou a história ainda mais única.

    Escrita: Nada a dizer

    Considerações gerais: Sensação de estar lendo um livro de Agatha Christie, ou assistindo um filme no qual o ator Keanu Reeves ia ser o protagonista de certo e a Raquel seria Sandra Bullock, haha Parabéns! Curti demais!

  4. Victor O. de Faria
    14 de setembro de 2021

    Ambientação: “Referências! Referências por toda a parte!” E clichês Noir! Meu amigo, seu texto começa muito bem e termina muito bem. O miolho é que está bastante problemático. Tente evitar descrever muitas ações seguidas por outras. Foque em apenas um ambiente – como você fez no apartamento do sujeito. E fuja do lugar-comum! Viúva que tem um caso com detetive, que tem ligações com a máfia ou algo do tipo, são figurinhas carimbadas nesse tipo de texto. Tem seu ar de sessão da tarde, mas a pressa em resolver o caso estragou e muito a conclusão.
    Enredo: Detetive tech-noir pega viúva vilã e se aposenta por coersão.
    Escrita: Cuidado com a troca de tempos verbais! Perdi as contas de quanto já falei isso por aqui. Não se assuste, isso vem com o tempo. Mas se você está narrando o passado, fique no passado. Se há uma troca para o presente, indique isso através de uma pausa longa, ou até por divisão de capítulos. É uma sugestão.
    Considerações gerais: Apesar de estar bem adequado ao tema, o texto tem muitos problemas de conjunto, sendo as melhores partes a introdução e o final, que volta à introdução, por coincidência. Sei que o limite atrapalha, mas tente cortar partes desnecessárias (como a perseguição no beco) e focar mais no que o personagem estava pensando – pois foi isso que me interessou nesse caso, como leitor. Tem muito potencial, só aparar as arestas e fugir dos clichês.

  5. Simone Lopes Mattos
    8 de setembro de 2021

    Ambientação: no primeiro parágrafo sabemos que a história será contada a partir da memória de um personagem. Há várias cenas em diferentes ambientes que vão nos apresentando um caso misterioso. Acho que em alguns trechos o escritor acelera e isso engole a tensão. Como sabemos que o narrador está vivo porque ele mesmo está contando a história, então não tememos por sua vida e se perde o suspense. Ele não estava correndo riscos. É intrigante a questão do acidente e ficamos curiosos pela resolução, mas não há grandes surpresas no desfecho.
    Enredo: a reviravolta principal da trama acaba com a morte também de uma das vítimas do primeiro acidente. Esse é o ponto alto, mas pouco explorado, eu acho. Pareceu para mim que o protagonista não sofreu ou sentiu de fato o que aconteceu com ele. O que aconteceu por trás dos acidentes é apresentado com clareza. O mistério fica resolvido, sabemos que culpados estão protegidos por um sistema criminoso. Um caso policial. Do meio para o fim as coisas acontecem como se não fossem de verdade. Senti falta da emoção do narrador.
    Escrita: há alguns deslizes na escrita, no uso do verbo haver. Mas é fluida e concisa.
    Considerações finais: a questão misteriosa prende o leitor. A velocidade da narrativa deixa uma sensação de superficialidade. Acho que merece ser melhor desenvolvida do meio para o final. O narrador em terceira pessoa pode ser experimentado. Talvez deixe o caso mais tenso.

  6. Antonio Stegues Batista
    8 de setembro de 2021

    Marcas no Asfalto

    Ambientação= Rio de Janeiro num futuro próximo. Tema Policial.

    Enredo= Achei um enredo comum, simples, sem grandes novidades.

    Escrita= Regular. Em algum momento mistura tempos verbais.

    Considerações Gerais= Achei que algumas atitudes do detetive são bem simplórias e suas deduções duvidosas. Ele conclui fatos sem mesmo ter evidencias, sem mesmo saber o que aconteceu. É claro que ele está aposentado e está contando a história, mas no passado ele não podia saber das coisas que aconteceriam. O enredo é comum, história de policial que se apaixona pela suspeita, milicianos, policias corruptos. Nada novo, de diferente. A história precisa impressionar o leitor. Ambientar o conto no futuro, ano de 2049 não fez diferença alguma. Não mostrou novas tecnologias, mudança na sociedade, na cultura, nos costumes, etc.

  7. Kelly Hatanaka
    7 de setembro de 2021

    Ambientação:
    Muito bem feita. O clima noir futurista faz juz ao seu pseudônimo. Durante a leitura, era até difícil não imaginar as cenas em repto e branco, como os velhos filmes noir. Gostei muito!

    Enredo:
    Bem tradicional. No final, os acontecimentos pareceram se precipitar e a coisa ficou meio corrida, atropelada. A descoberta da oficina e o desbaratamento do esquema poderia ter tomado mais tempo, já que o ritmo estava bom e o leitor já estava conquistado.
    Ficamos conhecendo Rick aos poucos, sua personalidade e história vão sendo reveladas de forma natural.

    Escrita:
    Muito boa, com pouquíssimos erros de digitação.

    Considerações gerais:
    Uma leitura agradável. Um texto bem escrito e bem pensado. Uma ótima participação netse desafio;.

    Parabéns.

  8. Nelson Freiria
    5 de setembro de 2021

    Ambientação: fiquei indeciso se aquele parágrafo inicial era de algum futuro caótico, ou de alguma história do batman

    Escrita: tem um pessoalidade interessante no tom do protagonista, acho que o seu desenvolvimento, ainda que bastante exclusivo as suas funções de serviço, conseguem transmitir algo até certo ponto que acaba dando um certo tom interessante para a narrativa.

    “Não posso negar que fiquei surpreso com a resposta. Por mais que eu saiba que é comum que homens ricos se casem com mulheres mais novas, ainda me causa espanto quando presencio isso.”
    Esse parágrafo é pura redundância e tá sobrando nesse texto. Penso se o autor(a) não teve tempo para revisar o conto como desejava. Essa sensação também é devida a erros de digitação que uma rápida revisão resolveria.

    Enredo: problemático. Até certo ponto, estava tudo bem, era fácil acompanhar Rick em seu trabalho. Mas quando o conto joga tudo pra cima e abraça clichês, senti que o texto perdeu o rumo. Tudo se torna ingênuo demais na narrativa e o autor(a) deixa de desenvolver os personagens e elementos para buscar uma solução rápida e simples para o conflito. O romance entre os personagens foi completamente sem pé nem cabeça.

    Considerações gerais: o clima urbano chuvoso na Copacabana futurista não foi tão bem aproveitado como poderia, já que esse futuro explorado carece de mais descrições que não fossem apenas do clima. Se fosse pra saber o clima, a gente digitava aqui no google, faltou mais considerações sobre o espaço que cerca os personagens e, principalmente (ao meu ver), sobre tecnologia. Carros que se dirigem sozinhos já é presente. Estamos para além de 2049 nessa história e não ficamos sabendo de mais nada interessante… poxa, assim vc que quebra. Vale falar também que se o conto se passava no Brasil, era bom ter algo a mais de brasilidade que não o nome “copacabana” no meio do texto. Por fim, o humor. Eu dei risada de certos momentos igual dou quando assisto alguma produção de cinema B. Principalmente da parte que relacionamos amor com pilotos automaticos de carros aheuaheua hilário, humor involuntário, mas hilário.

  9. Priscila Pereira
    3 de setembro de 2021

    Olá, Blade!

    Ambientação: boa, tem um pegada bem detetives, com boas descrições. O conto é passado no futuro, mas isso fica bem raso no conto, podia ter feito uma ambientação mais futurista.

    Enredo: bem legal. Um recorte na vida de um detetive narrado por ele mesmo. Bem cara de filme do Stalone… Essa pegada de filme ficou bem legal em um conto curto. Direto ao ponto, sem enrolação.

    Escrita: boa, mas precisa de uma revisão mais detalhada. Tem algumas coisas erradas, mas dá pra ver que é por falta de atenção e não de competência.

    Considerações gerais: conto bem legal. Clichê, mas quem não gosta de um bom clichê, né! Eu gosto! Parabéns!

    Boa sorte!
    Até mais!

  10. Fabio D'Oliveira
    3 de setembro de 2021

    Olá, Blade!

    Preciso lembrar de uma coisa: tudo que escrevo aqui é uma opinião. Apenas isso!

    AMBIENTAÇÃO

    Mais ou menos.

    Temos alguns detalhes interessantes: um futuro carioca, com carros automatizados e criminalidade em alta. O clima noir está presente. Chuva, melancolia e protagonista durão.

    Porém, infelizmente, a ambientação foi pouco explorada. Gostaria de ter conhecido um pouco mais desse futuro sinistro.

    ENREDO

    Um show de clichês.

    Acho que isso resume tudo. Não existe nenhum elemento original na história, até o “acidente” do piloto automático é usado há um bom tempo em histórias de FC. Esse é o ponto mais fraco do conto: conforme lemos, sabemos de tudo, o que torna tudo um pouco previsível demais. A leitura é chata, assim.

    Além disso, encontramos alguns problemas de desenvolvimento, como falta de pesquisa. Por exemplo, o intuito da Polícia Militar é o policiamento ostensivo (patrulhamento e prevenção de crimes) e a preservação da ordem pública. Investigações, geralmente, são repassados para a Polícia Civil ou Federal, dependendo da natureza do crime. Quando você cita apenas a Polícia Militar no conto, deixa a entender que o protagonista também faz parte dessa instituição, principalmente quando ele tem acesso ao mesmo ambiente que o sargento Gustavo, que é PM.

    Isso acontece em outros pontos do conto. Quando você chama um investigador para uma ocorrência de acidente de trânsito aparentemente comum, por exemplo. Ou quando ele começa a investigar o ambiente como se fosse um perito criminal, mesmo sem ter certeza se era um crime.

    Basta prestar atenção e pesquisar bem sobre o assunto que deseja abordar. Não leva muito tempo. Por causa disso, houve uma americanização dentro da instituição policial brasileira, usando termos que não são comuns, como detetive no lugar de investigador.

    Preste atenção nisso, Blade. São os pequenos detalhes que mais importam numa história.

    ESCRITA

    Um pouco crua.

    Quando falamos sobre a narrativa, ela é dosada em alguns pontos (como na descrição do ambiente) e acelerada em outros (como nas cenas de ação). Não existe uma linha harmônica. E é isso que você precisa alcançar. Com essas idas e vindas, o leitor perde o fluxo da leitura, dificultando o entendimento da obra e o prazer da leitura.

    Os diálogos são artificiais e forçados, com pouco movimento, e não servem ao personagem. Não tem personalidade, sabe?

    Tome cuidado na hora de revisar e lapidar o texto. Aconteceram algumas trocas do tempo verbal. E erros que poderiam ter sido evitados com uma revisão mais cuidadosa. Sobre a lapidação, procure encontrar a melhor palavra possível. Por exemplo, quando você descreve o acidente, num momento, você afirma que o sargento Gustavo isolava a cena do crime. Como ele já sabia que era um crime? O ideal seria informar que Gustavo isolava o lugar do acidente. Isso acontece bastante, na realidade.

    Para finalizar, tome cuidado com os reforços de ideia. O leitor não é burro. Você fica insistindo toda hora em reforçar que aquilo tudo é estranho, que algo de errado estava acontecendo, que Raquel era uma mulher belíssima, etc, etc. Você nem precisa falar que a mulher era bela, por exemplo, você poderia muito bem deixar isso claro através da reação do investigador. Existem várias técnicas que podem te ajudar a deixar a narrativa mais natural. Mas, por enquanto, foque nos pontos que levantei. Você tem muito potencial, basta identificar o que precisa melhorar e trabalhar em cima disso.

    CONSIDERAÇÕES GERAIS

    Não vou mentir: é um conto bem fraco.

    Está dentro do tema, por abordar um Rio de Janeiro futurista, mas, mesmo assim, é uma ambientação frágil e mal desenvolvida. Tente sair do comum. Não fique com medo de errar por tentar fazer isso. Vai errar de qualquer forma, no início. E muito. Isso é comum. Abrace sua natureza como escritor, sem medo, tente sair do convencional e continue se aprimorando. Vai chegar longe, se fizer isso!

  11. Jorge Santos
    2 de setembro de 2021

    Ambientação

    Sabe quando você pensa que vai comer churrasco e acaba por comer peixe cozido? Isso descreve um pouco o sentimento que tive ao ler este texto. Vou esclarecer: sou fã incondicional da obra de Philip K. Dick e dos dois filmes de Blade Runner. Quando vejo um texto que parte deste universo, estou condicionado por ele, o que faz com que até um bom texto seja uma decepção. Neste caso não houve lugar a decepção, mas estava à espera de algo que me transportasse para o mesmo universo, o que não aconteceu.

    Enredo

    A criatividade do conto resulta da crítica velada aos excessos tecnológicos. À medida que aumenta a inteligência artificial aumenta também a estupidez natural, e na mesma medida. A condução autónoma é a grande novidade da indústria automóvel. Mesmo sendo uma tecnologia imatura embarcamos nela cegamente, não importando as vidas que essa atitude já custou. Quanto ao enredo propriamente dito e fora este elemento criativo, estamos perante um conto policial passado no futuro, onde um detetive investiga um acidente mortal. O excesso de coloquialismo e o ritmo desajustado tiram o interesse do leitor. Dado o limite imposto, era preferível narrar um conjunto mais limitado de momentos mais fortes.

    Escrita

    Não encontrei erros, mas o excesso de coloquialismo tirou parte do interesse do texto. O ritmo trepidante, que não deixa o leitor sentir o texto, feriu-o de morte.

    Considerações finais

    O potencial do universo do Blade Runner é imenso. Este texto conseguiu passar a ideia da crítica aos excessos da tecnologia, mas não conseguiu ir mais além disso.

  12. maquiammateussilveira
    30 de agosto de 2021

    Ambientação: O ambiente noir com gambiarra carioca deu um tom bem divertido. Só acho que dava pra explorar melhor o lance futurista. Não sei se chega a fazer diferença pro conto passar no futuro ou nos dias de hoje.

    Enredo: Ponto positivo: o conto levanta algumas suspeitas, em alguns momentos as revelações parecem que vão resvalar no óbvio e daí a trama conduz pra outro caminho, o que é o melhor na literatura policial (teve um momento que eu achei que o assassino fosse o carro ehehehe). Ponto negativo: achei o final decepcionante, porque essa linha de um assassino entre os personagens se perdeu pra “herói versus bandidos”, e pro final “sociológico”.

    Escrita: Muito envolvente. Conseguiu conciliar na linguagem as narrativas em off dos filmes noir com um tom carioquês. A leitura flui e em geral as observações do narrador tornam a leitura divertida.

  13. opedropaulo
    27 de agosto de 2021

    O conto é coeso e coerente, tendo inserido a ficção científica no cenário de um Brasil futurista ao mesmo empo que contempla uma das propostas do desafio. Então por um lado o texto atende plenamente ao exigido, mas, por outro, tem um desenvolvimento fraco com personagens rasos e uso intenso dos clichês. O desenrolar da história sucede sem surpresas e com uma narração um tanto prosaica que impede o estabelecimento de qualquer clímax, tirando bastante da emoção da leitura e, portanto, da atenção que se deseja captar. Outra crítica que faço é que, como denotei, o texto atende ao tema por meio da ambientação, mas, embora também influa na arma do crime, o “scifi” não foi algo explorado com profundidade ou habilidade. Então simultaneamente atende ao tema, mas sofre por ser tangente e, quando permeia um ponto central da trama, que é a descoberta do assassinato, a narrativa pouco desenvolta contribui para o esquecimento do tema.

  14. Welington
    21 de agosto de 2021

    AMBIENTAÇÃO: o conto é ambientado em um Rio de Janeiro futurista, em tudo igual ao atual (corrupção, milícias e queimas de arquivo), porém mais tecnológico. Para mim, foi uma ambientação bem desenvolvida, que chama a atenção do leitor.

    ENREDO: um acidente de carro automático, uma viúva jovem e bonita como “red harring”, uma trama corporativa de corrupção. A fórmula do conto policial foi seguida à risca, e com louvor. Ponto negativo do enredo, pra mim, foi um excesso de cenas de tiroteio, perseguições e fugas, isso deixa a leitura um pouco frenética e, paradoxalmente, monótona.

    ESCRITA: apenas alguns erros de digitação, que em nada retiram a capacidade de compreensão do texto. A escolha de contar a trama em primeira pessoa, como uma lembrança, sempre funciona bem. Mas em alguns momentos o tempo verbal oscilou bruscamente do passado para o presente, e isso tem que ser evitado.

    CONSIDERAÇÕES GERAIS: gostei do seu cenário, a trama é convincente e a estrutura de conto policial foi bem desenvolvida. Sei que o desafio traz uma dificuldade extra na questão do limite de palavras, mas seria legal desenvolver mais um pouco a pista falsa, (o “red harring”) antes que o detetive de fato siga a pista verdadeira.

  15. Ana Maria Monteiro
    19 de agosto de 2021

    Olá, Blade Runner.

    Vou comentar seguindo as orientações do regulamento:

    Ambientação: A ambientação está bem feita, percebe-se que o conto se passa no futuro, um futuro que pouco mudou em ralação ao presente e onde as pessoas continuam a ser tal e qual como são agora.

    Enredo: O enredo está muito bem, mas tem algumas partes que foram pouco trabalhadas; por exemplo, a ida deles para a cama é apressada e sem qualquer ambientação prévia. Há mais partes um pouco assim, apressadas.

    Escrita: A técnica narrativa é boa, tirando os momentos de pressa, mas precisa de uma revisão ortográfica, tem falhas em quantidade, há um “fele” que deveria ser um “dele”, um “sargeno” que se esqueceu de levar o “t”, e mais umas coisas assim, enfim, pormenores de digitação e revisão, mas em alguma quantidade.

    Considerações gerais: Talvez se eu tivesse visto o filme, encontrasse algo mais além da história que li, mas não vi. E a história que li, tem o mérito de ser um bom produto de entretenimento e que não pretende mais que isso. É o problema destes temas, não rendem (nem pedem) histórias com grande sumo. É mesmo um produto de consumo imediato e nesse sentido, está bastante bem e tem os ingredientes certos.

    Parabéns e boa sorte no desafio

  16. ALINE CARVALHO
    16 de agosto de 2021

    Ambientação: Por se passar em 2049, senti falta de alguns itens futuristas no texto. A impressão que dá é que se passa na atualidade mesmo,,,

    Enredo: Otimo enredo, consegue prender a atenção até o fim,

    Escrita: Excelente escrita, com começo, meio e fim, sem “encheção de linguiça”. Encontrei alguns erros de portugues, mas nada que desqualifique o texto.

    Considerações gerais: O melhor conto que eu li até agora!

  17. Angelo Rodrigues
    13 de agosto de 2021

    8 – Marcas no Asfalto

    Ambientação:
    O conto transita por locais variados. A rua Tonelero [casualmente, a rua em que moro], delegacia [talvez a 12a. DP) e um apartamento na avenida Atlântica, em Copacabana. Curioso é o veículo estar voando pela Tonelero em direção à Atlântica, algo que pouco se justifica, na prática.
    Nada exige do autor uma boa localização descritiva das cenas, tal como ocorre nos contos policiais, onde o importante é dedicado aos acontecimentos e os ambientes são apenas subsidiários.

    Enredo:
    Um carro batido na rua Tonelero leva a especulações. A partir desse ponto, o autor transita livremente pelos clichês dos textos policiais. Curiosamente entra em cena um miliciano [Serginho] em Copacabana, que cobra taxa de grandes construtoras. Achei um pouco exagerado. Não é o ramo dessa rapaziada.
    Entra no texto um software pirata e um carro assassino, que primeiro mata um dos Guinle, depois Raquel e, quem sabe, em busca de também acabar com a vida do nosso protagonista. Um texto em que a conspiração vai crescendo…

    Escrita:
    A escrita é boa, embora precise de algumas revisões.

    Considerações Gerais:
    O texto atende ao requisito clássico dos contos policiais. Muitos clichês, machões, armas e mulheres fáceis. Se por um lado funciona bem, pois tem atrás de si a expectativa do conhecido, por outro, deixa a desejar pela pouca iniciativa em criar algo que surpreenda. É bom saber o que esperar, particularmente nos contos policiais, mas nada além disso surge, o que frustra.
    Acho que o desafio da escrita está exatamente em achar uma brecha por onde se possa navegar em águas desconhecidas, dar uma chance ao novo. O texto, embora bom de ler, tem sobre si esse peso, o de não frustrar em nenhum momento as expectativas futuras: o esperado sempre acontece.

  18. Anderson Prado
    10 de agosto de 2021

    Ambientação: Mediana. A história se desenvolve na cidade do Rio de Janeiro, porém o cenário tem importância quase nenhuma.

    Enredo: Mediano. Policial narra sua última investigação, na qual nada muito impressionante ocorre.

    Escrita: Mediana. Embora o domínio da língua esteja bem encaminhado, há muitos deslizes, alguns dos quais julgo o autor já tem cabedal para não cometer.

    Há uma enorme confusão no uso dos tempos verbais, com a narração se confundindo no uso do tempo presente e no uso do tempo passado – e passando ao largo do pretérito-mais-que-perfeito.

    Faltou uso de ponto de interrogação:
    – “o que a vida de um detetive aposentado desde 2049 tem de interessante.”
    – “(quem ainda usa isso, por deus)”

    Sobrou vírgula:
    – “Lembro que naquela série, a personagem jogava xadrez”

    Dica: uso abusivo de naquele/naquela (se suprimidos, não fariam falta):
    – “Lembro que naquela série”
    – “soaram como música para mim naquele momento”
    – “já havia se esgotado naquela hora da noite”
    – “Não havia mais uma alma viva naquela rua além desses.”
    – “Naquele momento, acreditei que não”

    Dica: frase ruim:
    – “o banco do motorista completamente esmagado, assim como o próprio”. Poderia ficar assim: “banco e motorista completamente esmagados”

    Dica: lugar comum literário a ser evitado:
    – “Não havia mais UMA ALMA VIVA naquela rua além desses.” Além da frase em si ser bastante feia. Poderia ser restrita: ” NA RUA DESERTA, o sargento Gustavo isolava a cena do crime.”

    Faltou capitulação:
    – “Rick, pegue a viatura. tem um acidente de carro com óbito na Rua Tonelero.”

    Erro de digitação:
    – “Ma disseram que”
    – “Essa declaração fele me deixou assustado”
    – “Mas o que eu vi foi um afigura feminina”
    – “Ainda abem que”

    Faltou crase:
    – “um passo a frente”

    Faltou travessão:
    – “Como assim? Já te falei que não fiz isso.”

    Considerações gerais: O conto, no geral, me sou mediano: nada brilhante, nada fosco.

  19. thiagocastrosouza
    10 de agosto de 2021

    Ambientação: Urbana e noir. Se passa em um contexto futurista, mas somos inseridos naturalmente nesse universo, de modo que o conto não fica carregado de infodump quando se trata da ambientação.

    Enredo: O ponto que menos gostei. Há a inserção de um mistério, mas é desenvolvido de forma muito direta. Não instiga o leitor e há a figura do narrador que, já contando o causo acontecido, lima boa parte da tensão que poderia enriquecer o enredo. Além disso, algumas atitudes acontecem de supetão, como o envolvimento amoroso entre o detetive e Raquel. Houve pouca interação entre ambos e não nos cativamos quando o encontro se dá. Aliás, toda a sequência após essa etapa me pareceu muito atropelado, às pressas para resolver a história. Apesar disso, o final é interessante.

    Escrita: Um ou outro erro de digitação, mas o que me afastou do conto mesmo foi o estilo. O texto está em primeira pessoa, mas escrito de uma forma um pouco explicativa e descritiva demais.

    Considerações Gerais: Bacana a história em Rio de Janeiro futurista dominado pela milícia e corrupção. Ainda melhor a ideia de um detetive aposentado a contragosto. Contudo, a execução e o enredo deixaram a desejar.

    Grande abraço!

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Publicado às 9 de agosto de 2021 por em EntreMundos - Monstruoso Mistério Aternativo e marcado .
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