EntreContos

Detox Literário.

[EM] Felicidade Plus™ (Rubem Cabral)

Eu a avistei, esperando na esquina às 19 UTC-3, conforme combinamos no aplicativo. Sorte que saí mais cedo da Colmeia-Hotel; estou há duas semanas a trabalho fora de Cidade Modelo III, e Cidade Modelo VII era território meio desconhecido para mim.

Senti frio, embora fizesse 22 Celsius. Percebera pela manhã minha boca seca e os dentes trincando involuntariamente; sintomas de abstinência de Felicidade Plus. Maldita crise existencial do domingo passado, movida a sonhos de um céu cor de estática eternamente gélido e depois, a reprises de musicais durante aquela madrugada insone. Nostalgia por algo que não me lembrava ou talvez mesmo conheci; consumi mais da cota da droga do que devia, mas não foi minha culpa… E acabei com o estoque que trouxera.

Marina – não sei se é seu nome real, não devia ser, só tolos usam nomes reais em aplicativos de encontros – era obviamente bonita; tinha cabelo púrpura que brilhava como mirtilos orvalhados, e vestia um macacão metalizado. Pele acetinada de raro tom chocolate e lábios generosos. Ela me olhou discretamente, e eu, feito um símio, involuntariamente estufei o peito e tentei esconder a evidência da ereção sob a calça justa.

— Oi. Que pontual. Rodrigo, não é?

— Oi! Sim, sempre pontual. O tempo é precioso, o meu e o seu. Como vai você?

— Bem, obrigada! Olha, você se importa de irmos direto ao ponto? Meu apartamento é aqui perto.

— Como você preferir, Marina.

Saímos juntos. Ela sorriu; dentes alvos e perfeitos. Exalava algum perfume fresco. Subimos ao sexagésimo andar. Típico prédio semiorgânico de pseudomadeira genmod, com grama crescendo das paredes e flores e frutas descendendo graciosamente desde o teto das unidades habitacionais. Minha visão turvou por um instante quando chegamos à sua porta. Vi tábuas mal pregadas, sujeira e pichações, percebi um odor de lixo acumulado e vômito; ilusões da mente, que ignorei. Pisquei os olhos, sacudi a cabeça – quanto tempo durou tal apagão? – e nickname Marina já se encontrava quase despida, recostada num divã de margaridas, parecia uma deusa imortalizada numa pintura renascentista.

Deitei-me a seu lado e beijamos. Saliva mentolada, língua quente e atrevida.

— Você não teria por acaso um Feliz extra, minha linda? – indaguei.  – Eu te pago! Tomei meu último ontem e não tenho mais.

— Não uso, tenho implante subcutâneo. Quase todo mundo tem. Comprimidos são tão vintage! Quer ligar pro hotline?

— Não. Eles cobram uma nota e eu já usei o hotline duas vezes. Uma terceira e entro na lista negra… Vão pensar que sou antissistema.

Despi minha camisa. Músculos bem definidos, penugem castanho-dourada descendo do peito ao púbis. Dois vales bem marcados ladeando uma barriga segmentada, que nunca sequer tomou conhecimento do que seria tecido adiposo.

Trinquei os dentes outra vez, fiquei gelado… Marina parecia agora ter uns sessenta anos muito mal vividos, talvez destruída por drogas pesadas. A boca escancarada esperando a minha era um poço fétido sem dentes. Eu virei o rosto e beijei sua bochecha flácida, apenas para notar a orelha vazando secreção amarela dentre uma teia de flocos de pele seca acumulados.

— Não me sinto bem – eu comentei. – Minha mente cria fantasias sombrias…

— Quer desistir? Tudo bem: não tem problema! Mas as compra é minha, caralho! Trato é trato! Ah, tenho DickUp de 1 grama no banheiro.

— Não. Vou me concentrar – bolsas de compras de supermercado espalhadas sobre o chão… Fubá, feijão e carne enlatada, a mulher sorrindo um sorriso de comercial de dentifrício, a mulher banguela cuspindo obscenidades e segurando os mantimentos junto dos seios caídos, sexo consensual/sexo pago. Respirei o ar perfumado/viciado, fiquei repugnado ao observar minha pança inchada e minhas pernas finas com varizes. Não é real!

Aceitei enfim o DickUp e fui até o fim. Em meu delírio, gozei um pouco de sêmen e sangue sobre a cicatriz queloidiana da barriga dela.

***

Da sacada de meu apartamento, Cidade Modelo III resplandecia platinada sob meus pés através do piso translúcido. Prédios longilíneos e elegantes contrastavam de construções ultra ecológicas, cobertas de cipós e samambaias. Senti fome e comi uma maçã-framboesa que crescia na coluna da cozinha e deliciei-me com a perfeição de seu sabor; nunca doce demais, nunca ácido nem fragrante em demasia. Desde meu retorno, não tive mais surtos psicóticos, mas ditara à agenda da nuvem: consultar o médico sobre a possibilidade de reforçar minha dosagem diária, e a consulta seria naquele dia.

Vesti uma capa de gabardine e selecionei um chapéu que combinasse, o aplicativo meteorológico planejara chuva leve para aquela tarde. Ganhei as ruas; as gotas, como um arco-íris líquido, desciam do céu e desenhavam motivos expressionistas nas calçadas. Reconheci no passeio público um Monet da fase de nenúfares e cegueira progressiva.

Gente bonita e bem-vestida circulava com sorrisos brancos em seus rostos esculpidos. A brisa gentil acarinhava meu rosto, e a experiência do caminhar não poderia ser mais agradável.

Subi ao Senso-edifício, um tipo de construção que saiu de moda há uns dez anos. O elevador tinha piso que transitava entre o gelatinoso ao aço sólido, suas paredes pareciam ser feitas de luz, ou de água, ou obsidiana. O ar do centésimo-sexto andar me provocava com odores difíceis de identificar. A experiência era individual; o necessário para estimular cada indivíduo segundo suas preferências, assim ouvi falar.

— Olá. Sim, Senhor Virgílio Torres?  – indagou o recepcionista.

(Como eu disse, ninguém usa o nome real em aplicativos).

— Sim, sou eu.

— O Doutor o atenderá em 9 minutos.

De fato, logo fui autorizado e entrei. A sala era virtualmente enorme, decorada como um ambiente do início do século XX: pinturas a óleo, tapetes felpudos, cortinas pesadas, móveis escuros e sofás de couro cor de caramelo, brilhantes de loção hidratante.

— Então, teve fantasias da Terra Arrasada, Virgílio?

O doutor era um holograma de um avatar digital baseado em famosos psicanalistas e hospedado num grid de rede neural em outro continente. Um fantasma de fantasma de gente que nunca existiu de verdade em tal arranjo conjunto. Era calvo, tinha cavanhaque e usava óculos grossos como da última vez que o vi; uma figura paternal de respeito e saber. Flutuava junto de uma das estantes enquanto folheava um pesado volume.

— Sim, como reportei em seu correio de voz  – respondi.

— Investiguei com minhas fontes infiltradas que houve uma tentativa frustrada de atentado terrorista em Cidade Modelo VII no período que você esteve lá. Um grupo denominado Realidade Real espalhou aspersores de gases de efeito disruptivo em frente ao seu hotel. Naturalmente, foram presos e tudo foi abafado pela Polícia Política, e o RR nem sequer consta em qualquer noticiário. Ou sequer existiu  – ele simulou tossir e sorriu. – A Terra Arrasada e a Perfeição Maníaca são cenários típicos de disforia de personalidade que podem ser disparados pelo gás.

— E isso fez com que eu visse o que vi? Minha felicidade é tão frágil assim? E por que outras pessoas com que interagi não foram afetadas?

— A felicidade é a realização de um desejo pré-histórico da infância, e o que não enfrentamos em nós mesmos, encontraremos como destino.

— Citando Freud e Jung juntos, doutor?

— Não é plágio, já que sou ambos e outros mais. Pareceu-me adequado. A felicidade é utopia, é algo superestimado e idealizado desde que somos pequenos. Contudo, os traumas, os medos, as coisas que não resolvemos e remoemos, essas sempre vão aflorar quando baixamos a guarda. Estão à espreita, feito predadores. Há algo em você que anseia pelo decadente, pelo miserável.

— E a que conclusão chegamos?

— Que sua dosagem deve ser ajustada, já que você quebra facilmente. E que devemos explorar mais os meandros obscuros da sua mente. Que tal uma análise exploratória invasiva? Podemos agendar uma…

— Hã, não sei se desejo me conhecer tão bem, doutor. Obrigado por tudo; o senhor foi muito útil.

***

Eu sonhava com um campo de relva pontilhado de flores brancas miúdas, num dia perfeitamente ensolarado. Era meu típico sonho de conforto. Coelhos pequenos saltavam, pássaros chapinhavam alegres num chafariz. Aproximei-me do esguicho de água cristalina e havia um sapo  – acho sapos simplesmente horríveis  – dentro d’água. O animal balofo e esverdeado encarou-me – todos eles parecem tão tristes  – e falou: — O gás fez você consumir mais da droga naquele domingo insone e a abstinência consequente fez você ver coisas na semana seguinte, ou afetou o funcionamento da droga no dia do encontro com Marina, feito sugeriu o doutor? A Terra Arrasada poderia então ser real, no primeiro caso? Sem FPlus na cachola vemos o mundo como ele é? Hahahaha! Puta alucinação coletiva, seu otário!

Acordei suado, embora não fizesse calor. Escutei passos, levantei e vi sombras junto da porta de entrada do meu apartamento. Abri e uma caixa de Felicidade Plus jazia no chão. Ninguém estava lá.

Verifiquei a caixa do medicamento; não havia bula, apenas uma folha impressa com os dizeres: Placebo com marcadores Felicidade Plus, não recomendado a diabéticos. A embalagem exterior era uma réplica perfeita da fabricada pelos laboratórios Ventura.

As pílulas, esféricas como pérolas e igualmente nacaradas, eram idênticas às do medicamento original. Deveria reportar a fraude às autoridades e entregar o produto que se dizia “placebo”, que podia muito bem ser em verdade o princípio ativo do tal gás dos terroristas, porém não o fiz. Guardei numa gaveta e voltei a dormir.

Acordei e recordei-me do sapo, que parecia um mentor, um sábio. O doutor disse que tenho um desejo mórbido, talvez, de atirar-me à ruína. Preciso saber o que são essas pílulas e sei quem pode me ajudar.

***

O templo do Grande Sábio ficava em Cidade Capital, a uns mil quilômetros daqui. Consegui uma janela na minha agenda laboral e para lá segui. Era um prédio pequenino e pontudo, de pedra esverdeada e opaca, que fora muito visitado nos tempos antigos, embora tenha caído no ostracismo – assim fomos instruídos quando crianças. Havia jardins de flores fluorescentes que só cresciam por lá e pequenos lagos, e havia escadas por todos os lados ao redor, numa espécie de arranjo fractal. Algumas dessas escadas apenas davam a volta por si mesmas, em vórtices e configurações dimensionalmente impossíveis, outras levavam os visitantes de volta aos portões de entrada. Excepcionalmente, havia também as que levam à alguma versão do Sábio.

Involuntariamente voltei umas tantas vezes aos portões de entrada e até vi-me de ponta cabeça observando-me subir os degraus de uma escadaria que certamente não subi. Insisti por horas, e depois de cruzar um corredor escuro longuíssimo e assustador, encontrei-a. Sim, minha versão do Sábio era uma mulher.

Ela era escura como chocolate amargo, os cabelos desciam em tranças multicoloridas que faziam arcos num arranjo em formato de ânfora ao redor da cabeça. Era um tanto gorducha e de aparência madura, e vestia um manto sedoso e branco. Repousava de olhos cerrados sobre almofadas douradas.

— Quer saber? Você é um tremendo pé no saco, Virgílio – ela disse baixo, num quase sussurro. Abriu os olhos e eles eram escuros e com muitos pontos diminutos e brilhantes.

— Me desculpe, Sábia. Eu não queria incomodar.

Ela não parecia aborrecida, em verdade, olhava languidamente para as próprias unhas, pintadas de esmalte marfim.

— Sabe, rapaz. Desde que as pessoas passaram a não me procurar mais, eu me encontrei. De início, parecia algo triste; não poder compartilhar e aconselhar, mas foi como tirar um fardo de sobre os ombros. Hoje, eu me basto, todos meus eus me bastam, minha manifestação nesse plano é calma; é estéril, mas feliz.

— Irei embora, se a senhora quiser.

— Não. Não me custa tanto. Então, sim, óbvio, o mundo é uma ilusão. Faz cinquenta e oito anos que destruímos o planeta com guerra, poluição e superpopulação. Não há florestas, rios e mares são poças de lodo fétido sem vida e com quase tanto plástico quanto água. Quase toda a fauna e flora está extinta. Sobrevivemos no caos, na penúria e na sujeira do que restou. Tínhamos ainda alguma tecnologia avançada e alguém talentoso descobriu um fármaco que baixava o senso crítico e que tinha efeito pró-hipnótico. Assim, criamos fantasias que são adaptadas ao que ocorre no mundo real, orientadas por um pulso hipnótico que toca baixinho, o tempo todo. Se comemos um rato assado numa fogueira de jornais no mundo real, imaginamos uma fruta deliciosa, um éclair recheado, um pastel como o feito por nossa avó numa doce lembrança infantil. A droga quebra nossa personalidade, e nós não vemos o que nossos outros “eus” têm que lidar. Portanto, se você parar com FPlus, se tomar o placebo com marcadores, verá a verdade sem alertar às autoridades do delito. É isso: a “Terra Arrasada” é a bosta da realidade depois do fim do mundo, e toda essa beleza que vemos é um delírio coletivo. Vivemos assim porque é doloroso demais existir de forma tão miserável e sem esperanças.

— Eu já esperava algo assim.

— Eu sei. Quando tudo funciona bem, a festa nunca termina. Se sofremos, não o sabemos, pois nada sentimos. Se morremos de frio, fome ou infecção lá fora, somos removidos do mundo dos sonhos e o fluxo hipnótico readapta o mundo, para que continue a fazer sentido aos utopistas remanescentes.

— E como a senhora sabe disso tudo?

A mulher sorriu e não havia malícia no sorriso, apenas empatia e amor, como numa mãe compreensiva.

— Porque eu gero o fluxo, o templo inteiro é a ponta de uma grande antena que está sobre uma enorme estrutura subterrânea; um iceberg de tecnologia pré-guerra. Eu reconfiguro o mundo, eu garanto a unidade. Bem, já falei demais e estou cansada de tanta interação. Vá agora, e não volte, pois não me encontrará mais.

— Não posso perguntar algo mais?

— Eu já sei qual é a pergunta, você perguntará, mas não responderei.

— Como posso saber o que é real? Se a Terra Arrasada não é apenas outra simulação?

Ela fechou os olhos e ajeitou-se sobre as almofadas. Nunca houve resposta, como ela mesmo prometera.

***

Comecei com o placebo na manhã seguinte. Nenhuma alteração, nenhum lampejo de um mundo miserável. Tirei a semana para trabalhar de casa.

Por volta da hora do jantar do terceiro dia, senti-me sujo e notei que a pele de minhas mãos e braços estava coberta de uma mistura de gordura e fuligem nunca limpa por anos. O azedo de meu próprio corpo enojou-me. Passei a mão nos cabelos e os fios estavam grudados em dreadlocks não intencionais que eram provável habitação de insetos. Pisquei os olhos e o apartamento hesitava entre mundos: era escuro e com grandes montes de roupas, papéis, restos e coisas descartadas, e era ainda perfeito, limpo e ecológico.

Decidi ir até o corredor e ratos transitavam rápidos de um lado a outro, o odor onipresente de urina fermentada chegava a arder os olhos. Uma mulher seminua e desdentada falava junto a um aparelho celular imaginário: — Sim, a gente se encontra no Lampedusa D’or às dez, fofinho. Soube que receberam aquelas ostras de Cabaraquara ontem… É caro, meu bem, mas às vezes devemos um carinho assim a nós mesmos! Beijo!

Ela apertou o botão do elevador, obviamente não funcional, e foi em direção às escadas, evitando os montes de escombros. Seu corpo fazia o necessário para se mover no mundo real, o outro “eu” provavelmente apenas via as paredes reluzentes do elevador e não notava o quanto era demorado e cansativo descer até a rua. Eu não tinha a mais remota ideia do que serviriam no “restaurante”, e não fazia questão de saber.

Escutei gritos e latidos ameaçadores oriundos de algum andar superior e tranquei-me no apartamento. Já que o mundo era realmente assim, não via motivo para terminar minha vida em sofrimento somente porque era essa a verdade; a verdade, afinal, não valia tanto assim. Tomei dois F-Plus reais e resolvi dormir.

Com alívio, acordei na manhã seguinte em minha cama; limpa, macia e cheirosa. Preparei uma refeição simples e saudável e, por reflexo, tomei outro F-Plus junto de uma golada de suco.

Não foi boa ideia: a abstinência do dia anterior, seguida de doses mais fortes que o que seria adequado. Uma dor de cabeça fortíssima acometeu-me pouco depois, junto de uma sensação de frio intenso. O mundo começou outra vez a sair de sintonia e vi: eu era um cérebro e um sistema nervoso suspenso em gelatina, encarcerado numa caixa de acrílico pequenina e em forma de cubo, numa espécie de prateleira circular colossal e em camadas, feito assentos num estádio de futebol. O sol parecia bem maior do que o normal através das paredes transparentes da megaestrutura, ao brilhar no céu amarelado, turbulento e coberto de nuvens ácidas. Tubos transparentes estavam inseridos em cada cubo, trazendo soluções nutritivas da fotossíntese realizada no teto da estrutura e também levavam nossos dejetos metabólicos, que certamente alimentariam as algas que proviam nosso alimento. A imensa nave circular aparentemente flutuava, mantendo-se numa zona de temperaturas confortáveis na atmosfera hostil. Outras “cidades das nuvens” podiam ser observadas à distância, pequeninas, espalhadas sempre pela face voltada ao sol, num dia sem fim.

O delírio durou talvez uns poucos minutos, mas a sensação claustrofóbica de ser uma massa pensante e desmembrada, presa numa caixa hermética, assombrar-me-ia por muito tempo.

***

Por volta das 21 UTC-3 no Bar Central do Amor, em Cidade Modelo I; foi lá que encontrei o casal. O implante subcutâneo que passei a usar ainda coçava um pouco, mas isso não importava; nada, em verdade, importava. Quem, ou o que eu fosse, onde ou quando; só o agora, somente essa realidade de coisas boas interessava-me.

— Olá. Oh, que pontual. Rodrigo, não é isso? – a moça perguntou.

“Eu preciso de um novo nickname”, refleti, enquanto sorria e estendia a mão aos dois.

20 comentários em “[EM] Felicidade Plus™ (Rubem Cabral)

  1. Rubem Cabral
    20 de setembro de 2021

    Olá. Obrigado a todos pela leitura e pelos comentários.

    Alguns easter eggs e palhaçadas do autor:

    – A frase do médico é uma fusão de uma frase famosa de Freud e outra de Jung.“A felicidade é a realização de um desejo pré-histórico da infância. E por isso que a riqueza contribui em tão pequena medida para ela. O dinheiro não é objecto de um desejo infantil.” (Freud) “tudo o que não enfrentamos em nós mesmos, acabamos encontrando como destino” (Jung);
    – Virgílio é óbvia alusão ao personagem da Divina Comédia, aqui transitando do Céu ao Inferno;
    – A cena de sexo no início do conto foi inspirada na cena em que Winston tem relações com uma prostituta proletária no livro 1984. No romance em questão, devido à escuridão, Winston inicialmente não sabia que a mulher era idosa e que não tinha dentes;
    – “Céu cor de estática” é uma alusão a Neuromancer;
    – Não houve intenção de criar maiores mistérios sobre a Terra Arrasada, por isso a Sábia logo explica tudo. Ela conta o que acha que sabe, mas a Sábia não é onisciente. O universo do conto não é tão repressor quanto tenta parecer ser;
    – A realidade dos cérebros em caixas não é necessariamente o mundo real, isso não foi dito no conto;
    – As escadas que não levam a lugar algum são referências às escadas de Escher;
    – A Sábia é inspirada no Oráculo de Matrix, embora a Sábia não saiba de toda a verdade. A forma física que se apresentou a Virgílio foi inspirada na atriz Octavia Spencer;
    – Ostras de Cabaraquara são consideradas as 4as melhores do mundo;
    – As cidades das nuvens estão em Vênus, e a inspiração foi o documentário “A Vida em Outros Planetas”, da Netflix;
    – O conto tem uma mudança de tom depois da consulta de Virgílio com o doutor, já que a primeira parte do conto estava “na gaveta” faz uns anos, sem conclusão. Quando escrevi o início estava numa vibe mais de ficção científica, daí algumas palavras inventadas como “genmod” (modificado geneticamente).

    Obrigado outra vez!

  2. Felipe Lomar
    17 de setembro de 2021

    Ambientação: eu particularmente achei essa visão de futuro assustadora. Se o objetivo era provocar espanto e medo no leitor, ele foi concebido com sucesso. É possível traçar vários paralelos com outras ficções distópicas como Matrix, admirável mundo Novo e Eles vivem, além de uma certa alegoria com o uso de drogas ilícitas ou não. Porém, as características não confiáveis do protagonista turvam uma descrição precisa desse mundo, o que torna a obra ainda mais complexa.
    Enredo: a história funciona bem e realmente mexe emocionalmente com o leitor. De uma certa forma, porém o desfecho é previsível, e o artifício dos terroristas é um pouco sintético demais, como uma solução apressada para o desenvolvimento do enredo
    Escrita: uma escrita simples, porém bem feita. Tem um tjrmo de leitura equilibrado, nem muito rápido nem muito arrastado. Porém, acho que falta algo para ser memorável. Tem boas descrições, que tem margem para melhorar, mas ajudam a entender o cenário.
    Considerações finais: o texto é bom, tem vários aspectos positivos no enredo, no cenário e na escrita, mas eu diria que para se tornar um texto realmente memorável faltam alguns aspectos. A história poderia ser mais um pouco aprofundada.
    Boa sorte.

  3. Fabio D'Oliveira
    16 de setembro de 2021

    Olá, Dante!

    Matrix vibes!

    AMBIENTAÇÃO

    Excelente.

    Entre nuances, tal como o protagonista, conhecemos três camadas de realidade. A utopia. A devastação. E a verdade. Achei irônico como a utopia é retratada: todos belos e perfeitos, vivendo numa cidade ecológica e autossustentável. Exatamente o contrário do que fizeram em vida. A Terra Arrasada é um grande clichê, em contrapartida, mas cabe na história. A realidade da megaestrutura flutuante é instigante e abre inúmeras possibilidades.

    ENREDO

    Básico.

    Seguindo um modelo semelhante com Matrix e Equilibrium, distopias clássicas do cinema, o conto acompanha a descoberta de Virgílio sobre as camadas da realidade. Existe um tom surreal que me agrada muito.

    Porém, o tom professoral das cenas que sucederam o encontro com Marina me incomodou um pouco. É uma viagem com mentores, óbvio que vai ter ensinamentos e indicações, mas poderia ter sido suavizado, sem explicar demais, apenas sugerindo.

    Para finalizar, o ponto alto do conto, que é a sugestão de uma terceira realidade, mais terrível ainda, é pouco explorado. Achei isso uma pena e não senti que houve um preparo para ele. Aconteceu do nada. De forma gratuita. E não surpreende por ser algo que lembra Matrix.

    ESCRITA

    Boa.

    Algumas construções soaram estranhas. E alguns devaneios desnecessários acabaram quebrando o ritmo da leitura, distraindo-me. Fora isso, nada me incomodou.

    CONSIDERAÇÕES GERAIS

    O conto tem alguns elementos interessantes, e eu gostei dele, em geral, mas não consigo ignorar os probleminhas. O tema está bem explorado, porém, e como a escrita é boa, não tem como dar uma nota baixa. Se possível, tome mais cuidado na lapidação do conto. Alguns trechos que parecem embelezar o texto apenas o torna maçante, além de quebrar o ritmo da leitura.

    Ademais, cuide dos finais: prepare o leitor para o clímax. Quando uma revelação é jogada no colo do leitor, do nada, parece aquelas cenas de novela mexicana: muito showzinho pra compensar a falta do clima. Insinue sobre a verdadeira realidade. Deixe pistas. Aguce a curiosidade do leitor.

  4. Angelo Rodrigues
    8 de setembro de 2021

    20 – Felicidade Plus (…)

    Ambientação:

    Dentro da proposta, o conto está bem ambientado.

    Enredo:

    A ideia do enredo não é nova. Um mundo distópico expõe as transformações pelas quais a Terra passou. Poluição, destruição, ganância e, finalmente, uma droga que faz com que tudo isso se torne alheio aos olhos dos que vivem na pocilga.

    Escrita:

    O conto está bem escrito, não deixa dúvidas pelo caminho. Há alguns pontos que precisam ser melhorados. Talvez uma revisão menos corrida resolva o fato.

    Considerações Gerais:

    Não tenho simpatia por contos escritos nesta vibe. Tudo me parece over e over e over. Pouco natural, ainda que dentro da proposta do autor. Não é equivocado dentro da proposta, estando bem ajustado, mas isso não faz diminuir a impaciência do leitor, que se vê forçado a viver numa viagem psicodélica funcionalmente irreal.
    Algo interessante, que notei, é a forma de construção das ideias. Tem um ritmo que me parece atravessar os textos noir de detetive, passo a passo, com frases curtas revelando pouco na medida que avança. Isso é legal.
    Embora o texto, de alguma forma, fale sobre um futuro, o conto traz em si uma realidade funcional do mundo replicada. Não há efetivamente algo de novo no texto, dado que o que muda, basicamente, são os cenários que comportam a ideia central.

  5. Antonio Stegues Batista
    7 de setembro de 2021

    Felicidade plus

    Ambientação= Dentro do tema, Realidades Alternativas. Mundo pós-apocalíptico.

    Enredo= Bom enredo. Achei uma ideia original, interessante.

    Escrita= Boa escrita. Me pareceu que a palavra “descendendo”, está errada na frase; “grama crescendo nas paredes e flores e frutas descendendo graciosamente…” O certo é descendo.

    Considerações Gerai= Gostei do enredo, das ideias. As drogas que fazem as pessoas imaginarem um mundo perfeito, os breves momentos de lucidez do personagem/narrador que se vê como um cérebro encerrado numa caixa em órbita da Terra, são interessantes, achei original. Ao final, porém, não fiquei sabendo qual é a verdadeira realidade, mas isso não importa. Gostei do conto.

  6. Nelson Freiria
    5 de setembro de 2021

    Escrita: gostei, tem estilo

    “Em meu delírio, gozei um pouco de sêmen e sangue sobre a cicatriz queloidiana da barriga dela.” kkk alegrou meu domingo com essa frase, obrigado autor(a)

    Ambientação e enredo: muito eficaz, consegue juntar a questão dos efeitos das drogas com a narrativa e trazer muitas sensações e misturar tudo isso em descrições da cidade que pintam belos retratos urbanos tão indefinidos quanto as falsas naturezas que cercam esse ambiente. Alguns parágrafos, entretanto, acabo me vendo a ler coisas que se repetem sem serem as mesmas palavras, ou seja, uma repetição de ideia de quando o autor(a) quer passar uma sensação ligada a algum sentido.

    Considerações gerais: após a visita ao psico-sei-la-o-que foi aquilo, o texto parece se acalmar, talvez seja um texto em dupla, talvez por ter acabado o efeito do FPlus do autor(a). Eu curti muito o conto, a crítica que ele tece e como relaciona isso com os outros elementos do texto que já citei. O final, porém, me deixou meio agridoce, sem saber o que pensar. Talvez o problema seja eu esperando por alguma resolução mais punk, hehe.

  7. ALINE CARVALHO
    4 de setembro de 2021

    Ambientação: Boa descrição dos personagens e do cenário.

    Enredo: Excelente trama, me prendeu do inicio ao fim.

    Escrita: Excelente escrita, não achei erros.

    Considerações gerais: Uau!! Parabéns pela originalidade!

  8. Simone lopes mattos
    2 de setembro de 2021

    Dante Virgílio, oi
    A ambientação vai te apresentando a atmosfera fantástica, talvez de felicidade química, metáfora dos antidepressivos. Chegamos ao primeiro diálogo já envolvidos pela realidade mostrada para essa história. Muito bom. A realidade parece mascarada. E vamos entendendo que é isso mesmo. Distopia. Muito bem descritas e sensoriais as cenas. Vão ficar muito tempo na minha imaginação. Um conto até longo, mas não senti as linhas passando, de tão bem escrito que está. Achei que o final seria outro, mas do jeito que está ficou mais verdadeiro e confortável.
    Enredo: o mais interessante é ir acompanhando a situação ser esclarecida, porque não há grandes viradas. A história está na descoberta da realidade que ele prefere no final ignorar. Aliás, é a única saída.
    Escrita: perfeita.
    Considerações finais: acho que já li algo bem parecido. No entanto, você colocou a narrativa com muita competência. Linguagem clara. Ótimo ritmo. História previsível mas que prende totalmente o leitor. Meus parabéns

  9. Priscila Pereira
    1 de setembro de 2021

    Olá, Dante!

    Ambientação: meio confusa no primeiro parágrafo, mas depois deslancha muito bem! Tudo muito bem pensado, executado e descrito. Um mundo futurista, mistura de distopia com utopia.

    Enredo: bem legal! Uma história original e bem contada. Faz pensar. Eu sempre tive interesse nessa premissa do que é real e o que não é, e você executou muito bem essa premissa. No final não sabemos o que é real de verdade. Mas esse é mais um charme do conto.

    Escrita: muito boa. Li com interesse e entendi tudo sem fazer esforço. Pra mim, é isso o que faz uma escrita realmente boa.

    Considerações gerais: um ótimo conto. Criativo, bem escrito e muito interessante! Parabéns!

    Boa sorte!
    Até mais!

  10. Victor O. de Faria
    28 de agosto de 2021

    Ambientação: Uma curiosa mistura de Matrix e Bliss (aquele novo filme com o Owen “wow” Wilson), onde a realidade é simulada. A diferença é que Matrix esconde o lado ruim e Bliss, esconde o lado bom, o que é bem curioso. Aqui você traz meio que uma mistura dos dois e quase afunda os pés no clichê. Felizmente tem várias saídas inteligentes e a parte final – onde dá a entender que realmente é apenas um cérebro numa caixa, estilo Futurama – compensa todos o restante e as imagens um tanto desconfortáveis que você cria na viagem. Tem uma pontinha de Cyberpunk e Distopia no conjunto. Me pergunto se realmente poderia ser considerado uma realidade alternativa, já que o mundo foi pro saco mesmo, então tudo que acontece apenas mascara a verdade, mas, em teoria, não é alternativo – é só uma fuga.
    Enredo: Tem quem goste de temais mais crus e diretos. Não é meu caso. Gosto de textos mais leves e floreados. Aqui combina bem, mas foi difícil terminar a leitura. Admirável Mundo Novo também mandou um abraço.
    Escrita: Flui maravilhosamente bem e traz imagens bastante perturbadoras.
    Considerações gerais: Então. É um ótimo texto, com uma ótima estrutura. Mas resvala na adequação ao tema e parece uma “maçaroca” de todos os scifi que já vi ou li (minha experiência). O que salva, na minha opinião, é realmente o protagonista dar a entender que não passa apenas de um cérebro num aquário alienígena. Dessa parte eu gostei.

  11. Ana Maria Monteiro
    26 de agosto de 2021

    Olá, Dante.

    Vou comentar seguindo as orientações do regulamento, mas ao menos trocando a ordem e começando pelas considerações:

    Considerações gerais: Então, você não tem culpa nenhuma, mas este conto remeteu-me ao “Matrix” durante todo o tempo que o li e isso foi mau para o conto, porque o “Matrix” é melhor e mais abrangente, uma vez que o seu conto fica entre o Neo e a vidente e falta o demais que também faz parte do filme e é muito bom.

    Ambientação: Tem muita ambientação, mas não me transportou para esse mundo, que consegui imaginar, mesmo assim.

    Enredo: O enredo vai bem, dentro do que pretende ser, mas não percebi a frase final, aquela parte de estender a mão aos dois: em que é que o nick name influiu no aparecerem duas pessoas? Essa informação ficou em falta e foi logo a última afirmação.

    Escrita: A escrita é boa e segura, sem nada a apontar.

    Parabéns e boa sorte no desafio

  12. maquiammateussilveira
    26 de agosto de 2021

    Ambientação: Com certeza, é o ponto alto desse conto. As descrições dessa(s) realidades(s) alternativas(s) são muito bem construídas, com uma riqueza de detalhes muito bem elaborada.

    Enredo: A ideia central é bem desenvolvida e o foco narrativo se mantém nessa ideia do início ao fim. A situação do protagonista é interessante e vai se revelando na medida certa. Mesmo assim, a ambientação fica bastante a frente do conceito, que já me parece um tanto batido (é difícil não compará-lo a Matrix, por exemplo, ehehe). Quando se capta o conceito do conto, lá pela metade, a conclusão se torna óbvia. E aí o interesse do texto fica a depender totalmente das descrições (muito criativas) dos ambientes.

    Escrita: A narração feita em primeira pessoa até chega a explorar a personalidade do protagonista, mas acredito que poderia ir um pouco além, revelando mais dessa personalidade a partir dos seus comentários. Algumas partes ficaram um pouco arrastadas, (nos dois diálogos “filosóficos”, principalmente) e o tom desse protagonista poderia “brincar” mais com sua visão de mundo alienada. Mas a descrição dos cenários, das situações, várias observações do narrador são, sim, muito boas e dão força e ritmo ao texto.

    Considerações gerais: Talvez eu tenha apontado mais pontos negativos que positivos, mas considero um conto bem acima da média.

  13. Bruno Tavares
    23 de agosto de 2021

    Ambientação: O autor criou um mundo distópico, onde a felicidade é basicamente derivada da droga e de relações superficiais, a exemplo da relação de Marina e Rodrigo. Um mundo assustador, mas não muito diferente do nosso.

    Enredo: Gostei muito da forma como o autor coloca o protagonista em conflito com seus vários ‘eus’ e os diálogos que ocorrem durante o texto, nos mostra o preço de uma realidade sintética, como na conversa a respeito da felicidade e traumas, que ele têm com o médico halográfico.

    Escrita: Não percebi erros.

    Considerações gerais: Um texto que nos leva à reflexão a respeito de nossos impulsos e ‘vícios’ no modernismo e felicidades frívolas e momentâneas. Qual o preço disso? Onde isso pode nos levar? Achei fantástico e parabenizo o autor.

  14. Welington
    21 de agosto de 2021

    AMBIENTAÇÃO: pós-apocalíptico, os cenários de simulação e de realidade se alternando, criando contraste de sensações no leitor. Muito bem desenvolvido.

    ENREDO: temos um cenário pós-apocalíptico onde a realidade se tornou algo insuportável e por isso uma (ou várias) simulações foram criadas para que pessoas pudessem viver. É uma trama para o tema de realidade paralela, realidades que se alternam pela via química. Os “mundos” que você nos mostrou são antagônicos – um parece encantador, tudo aquilo que queríamos ter conseguido enquanto civilização (ordem, progresso, ambiente equilibrado), o outro é o grande pesadelo de nossas piores angústias. E tal pesadelo aparece em cada detalhe, desde o lixo e a desordem do cenário até as descrições das pessoas.

    ESCRITA: no início fiquei um pouco crítico com o detalhismo de suas descrições, sobretudo no que diz respeito à mulher. Contudo, ao chegar no final tudo mostrou-se pertinente, uma vez que os elementos sensoriais são fundamentais para se contrapor realidade e simulação. Não há repetições de palavras e nem erros gramaticais, seu texto é bem construído e a leitura simplesmente flui, as imagens ganhando lugar na mente do leitor. Está de parabéns neste quesito também.

    CONSIDERAÇÕES GERAIS: distopias são o tipo de história que mais gosto de ler. Nelas nossas angústias com o futuro e nossas decepções com o presente todas se materializam na forma de ficção. Como sou leitor de distopias, este é aquele tipo de texto que você fica pensando depois de ler. Como o protagonista conseguiria comer alguma coisa ou transar com alguém sabendo que aquilo que ele vê não corresponde ao real e que algo horrível se esconde ali? É vertiginoso pensar nisso. Gostei muito do teu texto. Em cada parágrafo uma leitura instigante se desenrolava.

  15. Jorge Santos
    21 de agosto de 2021

    Ambientação

    Texto brilhante, que segue o tema de realidades alternativas, sem deixar de piscar o olho aos problemas reais do mundo actual. É do género de ficção científica e é algo parecido com um dos meus livros favoritos, Ubik, de Philip K. Dick.

    Enredo

    Bem estruturado e coerente, algo extremamente difícil de conseguir em textos de ficção científica. Bastante forte, prende o leitor do princípio ao fim.

    Escrita

    Fluída, com brilho. Sem entrar em vias desnecessárias. Aqui e ali, algumas opções com a pontuação que me pareceram erradas.

    Considerações finais

    Texto excelente, dos melhores do desafio.

  16. MARCIO VALLE PEREIRA CALDAS
    20 de agosto de 2021

    Ambientação: Perfeita. Não apenas as descrições dos ambientes, mas a facilidade com que o autor mostra ao leitor a dualidade existente no mesmo local, na mesma realidade. Em como somos facilmente transportados ao mundo criado.

    Enredo: É uma história, ao meu ver, sobre consciência. Muitas vezes vivemos nossa via no automático sem se preocupar com a realidade que nos envolve. No mundo digital em que vivemos, essa busca por uma realidade virtual não está muito longe, talvez já exista. O texto disserta sobre o tema de maneira eficiente e encantadora.

    Escrita: Domínio da língua pátria e das técnicas de escrita. Seduz o leitor a se enveredar pelo mundo e pela trama. Envolve o leitor na psique do protagonista sem que ele mesmo perceba.

    Considerações gerais: Confesso que estava sem paciência para ler um conto extenso, mas como em um lapso memorial do protagonista, o conto chegou a seu final, sem que eu nem percebesse. Excelente! Tudo foi ótimo. A escrita perfeita. A descrição imersiva do ambiente nos transporta instantaneamente para dentro do personagem, de suas dúvidas e reflexões. Sempre ávido por descobrir até aonde vai a estrada de tijolos amarelos. Muito boa leitura.

  17. Jowilton Amaral da Costa
    16 de agosto de 2021

    Ambientação: A ambientação é muito boa, desde o início já sabemos que estamos num mundo diferente, um mundo utópico pós apocalíptico. Acho que o conto é um tipo de solarpunk.

    Enredo. O enredo é bom, segue uma linha sem reviravoltas muito grandes. Esse tipo de história, em que o personagem acaba descobrindo que a realidade em que ele vive não é verdadeira já bem conhecida, não causando tanto impacto assim. No entanto, o mundo contado é bastante viajante, lisérgico, cheio de cores, luzes, cheiros e sensações.

    Técnica: A técnica é excelente com uma narrativa segura de quem entende do assunto FC. O uso de palavras peculiares ao gênero literário foi bem feito, apesar disso, a leitura não fluiu tão bem, não consegui ler de uma vez só, acabei me perdendo algumas vezes.

    Considerações gerais: Um bom conto muito bem escrito. Boa sorte no desafio.

  18. Anderson Prado
    14 de agosto de 2021

    Neste desafio, enviei os contos para o Kindle, onde li enquanto fazia anotações. Este conto, porém, foi lido na barbearia. Assim, o comentário será mais genérico, pois vem algum tempo depois da leitura.

    Ambientação: Boa. A história se passa em um futuro em que a humanidade precarizou as condições de habitação do planeta.

    Enredo: Bom. O protagonista enfrenta uma dificuldade de adaptação que o leva a questionar suas condições de vida, mas, quando descobre a realidade, vê-a como insuportável, e dela decide se (re)alienar.

    Escrita: Boa. Escrita muito competente, com poucos erros de revisão.

    Considerações gerais: Foi um conto de leitura bastante prazerosa. Não chegou ao extremo de me encantar, mas, como encantamento é algo muito raro e está intimamente ligado ao “gosto”, acho suficiente e meritoso que a leitura tenha sido fácil, fluida, prazerosa, com o enredo prendendo minha atenção.

  19. Kelly Hatanaka
    13 de agosto de 2021

    Ambientação:
    Excelente. Tanto a descrição do mundo com Felicidade quanto a descrição da Terra Arrasada constroem a vibe irreal com muita competência. Uma Matrix em que Neo escolhe a outra pílula. Na boa? Eu faria o mesmo.

    Enredo:
    Muito bom, muito bem conduzido. A gente vai seguindo Rodrigo em suas descobertas e se desconcertando com ele. Os personagens também estão muito bem definidos. Gostei muito de vc ter mostrado alguns “figurantes”, porque eles mostraram como se vive no meio dessa ilusão, como as coisas funcionam.

    Escrita:
    Clara, correta, gostosa de ler.

    Considerações gerais:
    Um ótimo conto muito bem desenvolvido. Gostei demais! Parabéns!

  20. thiagocastrosouza
    10 de agosto de 2021

    Ambientação: Uma das melhores do desafio. Boa parte do conteúdo deste mundo inventado nos é apresentado de forma orgânica na narrativa. Aos poucos, com o conflito do personagem se acentuando, os elementos como as pílulas, nomes de cidades, tecnologias vão se integrando com muita naturalidade. Há, apenas, um escorrego, que apresento a seguir.

    Enredo: É um clássico conto de paranoia, onde o personagem passa a questionar o mundo real e, aos poucos, percebe-se dentro de uma grande simulação. Posto isso, o enredo segue pelo caminho da descoberta, onde o personagem busca uma verdade que, no final, não o satisfaz. Tenho apenas dois pontos que me tiraram da leitura; o primeiro, a forma demasiadamente explicativa com que o sábio, na figura da mulher, explica os acontecimentos daquele mundo. Nesse momento, a exposição que até então estava embutida de maneira sutil na trama, tornou-se explícita demais. Nem sei se carecia dessa explicação toda naquela altura do conto. Outro ponto é mais uma dúvida do que uma crítica; como o protagonista conseguiu se perceber como um cérebro e visualizar as plataformas que seriam o mundo real? Digo isso porque um cérebro recebendo estímulos não teria condições visuais (olhos) para reparar no mundo exterior a ele. Fiquei intrigado se não seria outra simulação, só para fazer o protagonista ceder as ilusões inebriantes dessa nova realidade.

    Escrita: Contém alguns erros de digitação, mas, no geral, achei bastante segura.

    Considerações Gerais: Gostei do conto, da maneira como apresentou o universo e conduziu o personagem. Alguns excessos de explicação e interpretações dúbias prejudicam um pouco o resultado, mas só um pouco, pois é um grande conto!

    Parabéns!

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Publicado às 9 de agosto de 2021 por em EntreMundos - Monstruoso Mistério Aternativo e marcado .
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