EntreContos

Detox Literário.

Provérbios 11:18 (Júlio Alves)

Minha língua varreu a casa de Deus, e agora me encaminho para a dos homens. Vim em riscos na noite que faiscaram e soçobraram por instantes, mas que reavivaram; vim, mãos rápidas regendo meu corpo, o passando palma em palma, holocausto, me prostando diante daquele que primeiro lambi: Cristo: sua brancura lustrada e sua vestimenta carmesim, seu olhar angustiado — lambi tudo: pés, cabelos, cruz, coroa de espinhos. Cristo se desfez. Os olhos negros me esparramavam no altar, e agora escorrego pelo corredor, estourando os vidros e batendo minhas asas-escarlate aos uivos, mas, lá dentro, o sono os mantém cálidos, e isso graças àquela que forjou em mim proteção e glória e livramento (e, de mim, junto às folhas moídas e espalhadas tanto nas louças portuguesas quanto nas cumbucas de barro, o diabo vermelho): graças a ela, de dedos ásperos e cortados e queimados, me aproximo, mordendo o reboco e a pintura de cal da capela, indo para a casa-grande.

Eu sou o fim, e o começo.

Cristo se desfez.

43 comentários em “Provérbios 11:18 (Júlio Alves)

  1. Kelly Hatanaka
    25 de julho de 2021

    Oi Julio.

    Seu texto é muito bonito, isso é indiscutível. Mas eu não o compreendi.
    Vejo nele referências cristãs, imagens (arquétipos?), percebo a temática religiosa, mas não entendi seu objetivo. Talvez nem haja objetivo, talvez ele seja somente um convite a passear pelas palavras.

    Mas, pena, não entendi e gostaria de ter entendido…

  2. Fabiano Sorbara
    18 de julho de 2021

    Texto provocativo. Prevejo discórdia (rsrsrsrs).
    Acho que a narrativa foi mesmo feita pra causar estranheza, impacto e incômodo. Acredito que esses sentimentos só terão efeitos para s pessoas religiosas.
    Quando a narrativa acho que tem um passagem que ficou repetida no fim “O Cristo se desfez” poderia ser cortado na primeira vez para na tirar o impacto do final.

    • Júlio Alves
      25 de julho de 2021

      Olá, bom dia,
      Obrigado pelo comentário! Eu tenho causar sempre um pouco de estranhamento e discórdia na minha produção, é sempre interessante kkkk
      A repetição, bom, eu tento poetar um pouco, e gosto da cadência, mas entendo não ter gostado.

      Abraços

  3. Amarelo Carmesim
    18 de julho de 2021

    um texto muito bom, mas acredito que o despejo de tudo num único parágrafo causou mais prejuízo do que vantagens de estilo.Teus jogos de palavras e as figuras mentais criadas durante a leitura são um deleite.

    Já fiquei orgulhoso com a parte da vestimenta carmesim, faltou o amarelo… mas na próxima tu compensa. 😀

    A repetição do Cristo se desfez em dois momentos e dois sentidos diferentes poderá causar estranheza aos leitores de leitura mais rápida, mas aos que se deleitarem por uma segunda vez com o texto, creio, terão toda compreensão.

    Espero ler mais coisas neste estilo. Só cuida os parágrafos 😀

    • Júlio Alves
      25 de julho de 2021

      Olá, bom dia,

      Então, Amarelo, agora que você falou eu realmente vejo que devia ter espaçado mais os parágrafos, daria um visual mais interessante.

      Na próxima vou compensar sim, pode deixar!! Haha

      Obrigado pelo comentário!
      Abraços

  4. Natália Koren
    18 de julho de 2021

    Não sei exatamente o que está sendo dito aqui nesse conto. Talvez boa parte da linguagem figurativa tenha me escapado, e pode ser por falta de conhecimento meu, mesmo. Mas fiquei confusa e intrigada, como se o significado estivesse quase ali e eu estivesse a um passo de entender.
    A construção do cenário nos transporta para outro lugar, certamente, e faz a mente tentar completar as lacunas e contar a história:
    Um incêndio iniciado numa capela por uma escrava, que colocou os senhores para dormir para que não escapem quando o fogo chegar até eles?
    O espírito santo vindo punir os hipócritas falsamente devotos e seus cristos maculados?
    O demônio vindo clamar sua propriedade sobre locais de adoração falsa?
    Nada disso e é só a minha mente fértil me enganando?
    É uma leitura interessante, mas nem consigo formular um comentário considerando esse texto como um conto, pois ficaram só as dúvidas, mesmo…

    • Júlio Alves
      25 de julho de 2021

      Olá, Natália, bom dia!

      Então, a ideia é a dúvida mesmo! Tento sempre em minha produção deixar quem lê com essa imagem dúbia, no geral, a questão do símbolo exarcebado e concreto quase me interessa muito num ponto de vista poético e narrativo.

      Você teve leituras bem precisas do texto, e pode ser tudo isso e muito mais haha não de uma forma vaga, mas pelas veredas do texto mesmo.

      Abraços

  5. Jowilton Amaral da Costa
    18 de julho de 2021

    O conto narra um devaneio lírico e religioso e, me desculpe se estou enganado, satírico, fortemente subjetivo. O conto é bem escrito, no entanto, creio que não entendi muito bem a mensagem que o autor quis passar. Achei um bom conto, mas que me impactou pouco por conta da alta subjetividade. Boa sorte no desafio.

    • Júlio Alves
      25 de julho de 2021

      Olá, bom dia,

      Simm! O intuito é bem satírico, embora a cena seja “trágica” (pra quem, né?). Tem uma cena no filme Pink Flamingos que a personagem da Divine (uma criminosa conhecida por ser nojenta e ter orgulho disso, isso interpretada por uma dragqueen) lambe a casa de seus inimigos (um casal que era malvado e que faziam suas perversidades de forma escusa), e eu tentei canalizar a sensação da cena de uma forma mais poética, dando ao caráter de literalmente lamber um espaço inteiro (alo alo OMS!!) algo entre o profano e o purificador, embora que de alto teor satírico (devido às proporções que já falei) e grotesco também, né.

  6. Felipe Lomar
    18 de julho de 2021

    Bom, é um texto um pouco difícil. Primeiramente, o protagonista não se apresenta, só da algumas pistas de quem seja, de uma forma imprecisa(fogo, diabo, alguém cometendo uma vingança…?). Isso não costuma ser um problema, mas também corre o risco de deixar o leitor confuso. Outra coisa É a narrativa, que não tem muito jeito de conto, como vários textos nesse desafio, se assemelha mais a um fragmento de algo maior, como um romance ou um conto com mais palavras. Não há um desenvolvimento narrativo, ou uma questão a ser resolvida, ou clímax. A escrita é muito bem elaborada e com um léxico bem variado, mas ela sempre existe para suportar a narrativa e não o contrário, e foi o que para mim faltou nesse caso.
    Boa sorte.

    • Júlio Alves
      25 de julho de 2021

      Olá, bom dia,

      Entendo seu comentário, muita das vezes o esperado é algo que tenha início, meio e fim e esse conto acontece precisamente no meio de tudo, logo sua leitura é válida.

      Eu quis deixar a entender toda a trama do antes e do após exatamente para que a leitura fosse maior do que o texto realmente é, tanto com as mortes da casa-grande quanto da vingança propriamente dita. Como comentei em outras avaliações (a maioria com o mesmo comentário que o seu), eu tento abrir o texto de uma forma mais poética e entrevista do que necessariamente literal, ainda mais em um conto narrado pelo fogo.

      No mais, esse conto é uma narrativa paralela a outros trabalhos meus, mas ao mesmo tempo existe sozinho, sendo meramente um comentário no outro trabalho (o incêndio na fazenda e a destruição da capela), nada mais. Curioso como isso de certa forma transpareceu, embora eu acredite que esse texto se sustente, à sua forma, sozinho.

      Obrigado pelo comentário, abraços

  7. Rafael Carvalho
    18 de julho de 2021

    No começo do seu conto eu não estava entendendo nada, e no final, parecia que estava no começo! O.O

    Achei interessante o texto, mas talvez por falhar minha quanto leitor, ou por abordar um nicho temático bem especifico, realmente não consegui tirar nada do texto a não ser frases interessantes.
    Talvez, se o texto utilizasse de uma abordagem mais convencional ou utilizasse as palavras restantes, cabíveis ao desafio, para trazer mais informações sobre o contexto da história, ela conseguisse ser assimilada com maior facilidade.

    De qualquer forma parabéns pelo texto.
    Boa sorte no desafio.

    • Júlio Alves
      25 de julho de 2021

      Olá, bom dia,

      Eu tentei utilizar o menor número de palavras possíveis, mais porque achei que o menor, melhor (amei aquele anathema!), mas compreendo seu comentário.

      Eu to pensando se faço um post lá no grupo do feice expondo a minha intenção com o texto, mas ao mesmo tempo fico meio no receio de estar fazendo o que não se faz, que é explicar o texto.

      Abraços

  8. Welington
    16 de julho de 2021

    Uma história sobre um incêndio numa povoação colonial brasileira, onde o protagonista é o fogo – “lambi a casa de Deus (capela) e agora me encaminho para a dos homens (casa grande). Isto foi o que me veio à mente, mas não de modo imediato e certamente não é a única leitura possível. O autor buscou criar uma linguagem demasiado aberta de significados, de modo a deixar a imaginação do leitor atribuir significados próprios; cada leitor, uma leitura.
    A leitura exige releitura para fazer algum sentido, pois o texto tem um narrador com uma linguagem muito rebuscada. Isto talvez não tenha sido aleatório (quero pensar que não), pois o personagem-narrador parece um espírito, logo, o autor buscou uma linguagem específica para diferenciá-lo (elevando-o) do universo humano mortal.
    O texto, contudo, é bastante truncado. Há excesso de linguagem poética e as construções fazem parecer que estamos lendo uma reza, algo que em si é um gênero textual diferente do conto – que é pedido aqui. Acho que a narrativa que o autor quis transmitir seria melhor apresentada num poema.

    • Júlio Alves
      25 de julho de 2021

      Olá, Welington, bom dia,

      Então, a ideia era trazer um quê de poesia mesmo. Muitas pessoas disseram que o texto estava difícil de captar, e eu entendo, e, embora fique contente em parte sobre isso, afinal, a ideia era dar essa imagem de várias possibilidades abertas de um ponto de vista profano e santo, entendo também a necessidade de uma comunicação maior do texto com quem lê.

  9. Elisabeth Lorena
    16 de julho de 2021

    Olá, Heleno Inacia
    Entendi bulhufas de seu texto. Tentei buscar intertextualidade e tal, fui até ler o Provérbios 11 bíblico e não achei nada.
    Um demônio? Labaredas de fogo? Não faço ideia. Fui.

    • Júlio Alves
      25 de julho de 2021

      Olá!

      O Provérbios é, a meu ver, no texto voltado para uma ideia de revolução, mais como uma “pista” de que a justiça vem, e que só virá (pelo que se apresenta no texto) pelo derretimento de imagens e fim das instituições como existem hoje.

      Abraços

  10. Ana Maria Monteiro
    16 de julho de 2021

    Olá, Heleno.

    Começo com uma introdução comum a todos os participantes: primeiro li os dois conjuntos completos de contos, um por um e rapidamente, para colher uma primeira impressão geral e já mais ou menos gradativa e agora regresso a cada um deles e releio com mais calma, para comentar.

    Que conto difícil de comentar, para mim!
    Imagino que os outros leitores amem ou detestem, mas eu sou agnóstica de nascença, nunca recebi qualquer influência de alguma religião, não sei nada desse assunto. Confesso que até me repele um pouco, por conta de ter a ideia de que as pessoas passam a vida a dizer que tudo o que lhes acontece é por vontade de alguém a quem prestam louvor e ainda agradecem por todas as desgraças que lhe possam acontecer, pela vontade insondável dum único ente.

    Está muito bem escrito. Reli e treli a tentar imaginar a cena e falhei, não consegui encenar na minha cabeça, só deu pra perceber que está muito bem escrito e é, provavelmente, digno de análise – e nem falo de análise literária, mas de conteúdo.
    Não vou tentar escrever mais sobre ele, pois estou por fora e não tenho nada a acrescentar, mas sempre lhe digo que lhe vou dar uma boa nota. A única vantagem dos comentários fechados é que se pode falar da nota que se vai dar. Não ligue, Heleno, este último parágrafo, não era consigo, foi só uma alfinetadazita no Sr. Bruno Raposa.

    Parabéns e boa sorte no desafio.

    • Júlio Alves
      25 de julho de 2021

      Olá, Ana, bom dia

      Imagina: muita gente não gostou hahaha mas eu não levo pro coração, gostei bastante da experiência, nunca tive meu texto lido por tantas pessoas assim, e é beem interessante!
      A meu ver, a ideia do texto, por mais de alto teor religioso, vem mais por uma via anticolonialista e anticapitalista, o que acaba esbarrando na religião, e entendo que tenha se sentido desconexa das referências e símbolos.

      Da próxima, tentarei diluir um pouco mais! Abraços

    • Júlio Alves
      25 de julho de 2021

      Olá, Ana, bom dia

      Imagina: muita gente não gostou hahaha mas eu não levo pro coração, gostei bastante da experiência, nunca tive meu texto lido por tantas pessoas assim, e é beem interessante!
      A meu ver, a ideia do texto, por mais de alto teor religioso, vem mais por uma via anticolonialista e anticapitalista, o que acaba esbarrando na religião, e entendo que tenha se sentido desconexa das referências e símbolos. Faz parte também!

      Da próxima, tentarei diluir um pouco mais! Abraços

  11. Fabio D'Oliveira
    16 de julho de 2021

    Olá, Heleno!

    Serei bem sucinto nesse desafio, avaliando com as impressões imediatas que tive do miniconto.

    BELEZA

    Acho que tem beleza aí. Apenas fui incapaz de encontrá-la.

    IMPACTO

    Despertou interesse. Fui pesquisar o provérbio. Mas preciso admitir que não consegui desenha uma trama completa.

    ALMA

    Fala sobre recompensas. Imaginei um anjo da morte. Um vingador. Mas é um texto que deixa poucas pistas para alguns leitores.

    • Júlio Alves
      25 de julho de 2021

      Olá, Fábio, bom dia,

      Então, pra mim, a beleza está no profano. Pena que não conseguiu ver :/ mas é um conto sobre vingança sim, e bom que achou interessante, por mais que não tenha entrevisto a trama

  12. mariasantino1
    15 de julho de 2021

    Olá!

    Como fórmula de avaliação utilizo os quesitos: G -gramática, F-forma e C-conteúdo, onde a nota é distribuída respectivamente em 4, 3 e 3, e ainda, há que se levar em conta minhas referências, gostos e conhecimentos adquiridos como variável para tanto (o que é sempre um puta risco para o avaliado. KKK). Fé em Deus!

    G=4. Então, não vi erros no seu teu texto, está bem pontuado etc e tals. Nota máxima.

    F=3. Ótima forma de narrar o acontecimento, há figuração de língua, lamber… vivificar o inanimado […] escorrego pelo corredor, estourando os vidros e batendo minhas asas-escarlate aos uivos, […], sentidos completos elencando com a referência do leitor: holocausto e casa-grande, por exemplo. O único defeito é que acaba 😊.

    C=3. Então, certamente o texto está relacionado com o evento trágico ocorrido com a Catedral de Notredame onde o fogo fez um estrago por lá. Evoca também o dualismo, sagrado/profano, criação/destruição, e o tom, junto com o provérbio que vc deixou ai de quebra traz à tona os Santos Crimes da Idade Média (e todos os demais ocorrido pela igreja e na igreja). Dessa forma o ato de por fogo neste símbolo é uma forma de protesto/reparação e algo que valha. Acho que o pseudônimo também faz alusão à justiça (ou melhor, a falta dela) relacionado aos políticos do governo atual.

    Eu realmente gostei muito. Parabéns e boa sorte!

    Nota: 10

    • Júlio Alves
      25 de julho de 2021

      Olá, Maria, bom dia,

      Obrigado pela leitura! A única coisa que fico devendo é a questão da notre dame, que não pensei antes, mas que ao mesmo tempo é super válido, afinal, não só o texto é subjetivo, mas a leitura também.

      E a crítica ao bozo, sempre bom fazer, e embora não tenha pensado nisso também, é aquilo né: FORA BOLSONARO!!

  13. acapelli
    15 de julho de 2021

    Peço desculpas, mas li e reli seu conto alguma vezes sem sucesso em compreender o enredo ou do que se trata sua narrativa. Como consequência, me sinto incapaz de escrever um comentário sobre aspectos de enredo e personagens. A escrita me pareceu experimental, principalmente pelo uso pouco ortodoxo da pontuação.

    Desejo sorte no desafio.

  14. Elisa Ribeiro
    13 de julho de 2021

    Olá autor. Com vai?

    Li seu conto várias vezes tentando decifrá-lo. Mesmo lendo-o numa chave surrealista, a compreensão me escapa. Não consigo encaixar as imagens e referências que você conectou em sua narrativa. Há também o uso de uma pontuação estranha. Enfim, acho que se trata de um texto talvez experimental demais para o meu repertório.

    Parabéns pela participação.

  15. Luciana Merley
    12 de julho de 2021

    Provérbios 11:18

    “O ímpio recebe salários enganosos, mas quem semeia a retidão colhe segura recompensa.”
    Esse é o texto de Provérbios, mas e o conto, sobre o que será? Estou tentando descobrir.

    Coesão – Não consigo saber, mesmo após várias releituras, sobre o enredo do seu texto. Pareceu-me uma enorme incógnita e, como costumo repetir, não sei se enigmas são ideais para esse tipo de texto tão curto. Não consigo saber quem é seu personagem (o vento, um espírito, um demônio…) e então fica difícil para mim fazer qualquer avaliação sobre coesão.

    Impacto – Juro que tentei compreender, mas não consegui. Me pareceu, além de indecifrável, que poderia ser parte de um texto maior onde tais questionamentos estão mais próximos de serem respondidos. Espero que nos fale um pouco sobre suas intenções com o texto mais tarde.

    Um abraço.

    • Júlio Alves
      25 de julho de 2021

      Olá, Luciana, bom dia,

      Então, o texto é precisamente, a meu ver, sobre vingança, uma promessa de que o mal será estirpado, pois apenas assim que se resolve problemas como este: pelo fim e pelo recomeço.
      Mas entendo seu comentário, ainda mais porque grande parte se sucedeu assim. Obrigado pelo comentário, abraços

  16. gisellefiorinibohn
    10 de julho de 2021

    Ah, Heleno, se você soubesse como sou ruim para fazer interpretação de texto enigmático… 😦

    Li várias vezes este conto – se é que podemos chamá-lo assim. Pensei que o narrador poderia ser o Fogo, Satanás, Luxúria, Cobiça… olha, má vontade não foi, mas entendi nada, não.

    É bem escrito e não deixa de ser bonito. Só fracassou comigo pela falta de compreensão minha. Mas não será a primeira vez que isso acontece.

    Parabéns e boa sorte no desafio. 🙂

    • Júlio Alves
      25 de julho de 2021

      Aaa giselle, sorryy, eu só funciono à base da subjetividade haha mas entendo seu ponto de vista, e acredite, não está só, muita gente também nao entendeu.

      To precisando de mais convívio social 🥵🥵

  17. Emanuel Maurin
    9 de julho de 2021

    Olá, Heleno Inácia.

    Resumo: Uma entidade narra sua passagem na casa de Deus e dos homens, fazendo um estrago enorme.

    Parecer: Não é um conto fácil de entender, pelo menos pra mim, mas esta bem construído, bem escrito e não encontrei erros.

  18. simone lopes mattos
    9 de julho de 2021

    Um pouco complicado para mim. Li várias vezes e vi o texto como o testemunho de uma alma recém-chegada do inferno. Procurando morada no mundo. Um espírito que toma a forma de demônio. Uma cobra.
    “asas-escarlate aos uivos” “o diabo vermelho”
    “Eu sou o fim, e o começo.” Essa frase entendo como: também sou caminho para quem ousar me receber.
    Procurei na imagem essa figura, que foi representada em tantas coisas humanas como representante da maldade e contrária a Cristo.

    • Júlio Alves
      25 de julho de 2021

      É por aí! A imagem de Cristo, na verdade, é que representa, a meu ver, essa maldade. Ao invés do inferno, a liberdade por meio do fogo, e o convite, bom, digamos que não se pega fogo no espaço, logo temos que acabar com certos arrobas B3Z0S antes que decidam ir embora, né

  19. alicemariazocchio
    8 de julho de 2021

    Gostei da força do texto e de algumas figuras. As lambidas no Cristo e o seu desfazimento são bem provocadores. O anjinho de asas escarlates chegou pra detonar e parece que conseguiu. Valeu.

    • Júlio Alves
      25 de julho de 2021

      Obrigado Alice ♡

  20. Angelo Rodrigues
    8 de julho de 2021

    19 – Provérbios 11:18 (Heleno Inácia)

    Conto simbólico, de fundo religioso.
    Estranha-me o fato de grassarem nesse desafio, ao menos no núcleo a que me coube avaliar, o grande número de abordagens cujo fulcro está na religião. Um sinal dos tempos. Algo que requer reflexão quando a mim, ao menos, espanta. Espero algo da alma, algo livre, criativo, distante de dogmas… mas, enfim, é o que temos.
    O conto, pareceu-me, teve uma construção tão hermética, que, a princípio, fiquem sem saber se o protagonista seria uma mosca – ou algo como tal. Tamanha a tendência a lamber coisas e roer paredes.
    Lamento não haver compreendido o conto no jeito do autor. Provavelmente falha minha.
    Não entendi se o nosso protagonista havia entrado de costas para parecer que estava saindo, ou o contrário. Amou tanto a Cristo, o Javé helênico e não a Jesus, o Javé hebraico, ao ponto de o desfazer e negá-lo? Simbólico além das minhas parcas capacidades, boiei.
    Talvez como um ímpio, me caiba com tal incompreensão um pagamento enganoso, embora sabendo que sendo justo em minha análise, me seja assegurada uma recompensa valorosa.
    Boa sorte no desafio.

    • Júlio Alves
      25 de julho de 2021

      Olá, Ângelo, bom dia,

      Então, eu acredito que a religião seja um dos meus temas centrais em produção. É a primeira grande história que conheci, e muito me agrada em críticá-la, afinal, se morre gente a torto e a direito devidamente por algo tenebroso que a igreja ajudou a perpetuar.
      Lamber é erótico, e eu gosto do sacrilejo. Como comentei em outro comentário, tem uma cena no filme Pink Flamingos que a personagem da Divine (uma criminosa conhecida por ser nojenta e ter orgulho disso, interpretada por uma dragqueen) lambe a casa de seus inimigos (um casal que era malvado e que faziam suas perversidades de forma escusa), e eu canalizei essa provocação, para que soasse não só queer, mas profano, uma figura feminina que não só gerou o fogo, mas dele cozinhou o sonífero para matar a casa-grande e fugir, trazendo assim, a seus moldes, a justiça.

      Não é questão propriamente de amor a Deus ou a Cristo, mas uma revolta a 500 graus de puro fogo santo e poder

  21. antoniosbatista
    7 de julho de 2021

    O conto me pareceu mais uma poesia lírica/satírica/religiosa. E surreal.
    Provérbios 11:18, diz; ” O ímpio recebe um salário enganoso, mas para quem semeia justiça, haverá galardão certo”. Significa que o Justo receberá boa recompensa. Não consegui identificar o protagonista, se é um ser espiritual, ou alguém de carne e osso num processo de redenção. Ele lambe a igreja, seus símbolos, o chão, os ladrilhos, num ato de martírio/penitência/sacrifício, não sei. Casa-grande, eram chamadas as residências dos fazendeiros e donos de engenhos antigamente, e isso remete a história ao passado, aos tempos Coloniais. Porém, não consegui entender o mote do conto, com essa localização espaço/tempo/geográfica.

    • Júlio Alves
      25 de julho de 2021

      Olá, Antônio,

      A ideia é essa mesmo: algo deslocado no tempo, que invoque uma vingança de antes, de hoje e de amanhã, sendo narrado pela força que move os olhos que esparramam no altar esse fogo profano e sagrado que, pelo menos naquele instante, derrotará os ímpios exploradores. Algo por aí!

  22. Eduardo Fernandes
    6 de julho de 2021

    Ainda não comecei a ler o teu texto mas já não gostei dele. A mancha me remete a um parágrafo gigantesco e o número de palavras (a olho, ainda) não deve chegar nem a metade do que foi proposto pelo desafio. Vou começar a ler agora…

    Além da formação confusa que me obrigou a reler umas três ou quatro vezes, não percebo bem onde é que o texto que chegar.

    Vejo conceitos lançados sem terem sido contextualizados e uma prosa que poderia ter sido boa, se não soasse muito prepotente.

    O texto parece-me perdido. Se não queres contextualizar, tens que fazer algo que baste a si mesmo. Não é o caso aqui.

    • Júlio Alves
      25 de julho de 2021

      Poxa, que pena que nem na mancha te agradei.

      Bom, aos que dormem, a tranquilidade do sono; aos insones e cansados, a ardência da realidade e a chama da justiça, que não começa nem termina, é nunca, é sempre!
      É tempo e reparar na balança de nobre cobre que o rei,
      Fulmina o injusto, deixa nua a justiça!

  23. thiagocastrosouza
    5 de julho de 2021

    Caro Heleno, li e reli seu mini, procurando me localizar. Há, evidentemente, grande competência na escrita e na escolha das palavras, de modo que adentramos no universo denso do narrador. Achei, contudo, o todo do conto muito inacessível, pelo menos para mim. Ao meu ver, quem fala pode ser Satanás, o próprio tempo, uma figura feita por uma humana, pragas que corroem imagens santas e templos, devorando-os. Talvez tudo, o próprio barro que gerou Adão e Eva, e as imagens dos santos, e que nos consumirá de acordo com a mitologia cristã.

    Gostei do conto e senti desejos de me aprofundar nele. Do desafio, é o conto mais desafiador.

    Por favor, quando abrirem os comentários, retorne aqui para conversarmos sobre sua criação.

    Grande abraço!

    • Júlio Alves
      25 de julho de 2021

      Olá, Thiago, bom dia,

      Que bom que gostou, e embora não tenha conseguido captar a imagem, acredite que a intenção é esse não pertencimento a um espaço único mesmo, mas um emaranhado de símbolos e intenções que são heterogêneos e ao mesmo tempo se assomam numa violência não dita (tanto da parte de quem feriu quanto de quem se vinga).

      Acho que vai por essa linha, numa ideia de ladainha quase, mais para convidar a quem lê a participar, pegar a tocha também, e se libertar com o fogo santo, ou perecer enquanto dorme.

      Ps: seu conto foi um dos meus preferidos, junto do expresso fantasmão!

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Publicado às 5 de julho de 2021 por em Minicontos 2021, Minicontos 2021 - Grupo Chihuahua e marcado .