EntreContos

Detox Literário.

A mulher de Jó (Misael Pulhes)

Prometo ser fiel a ti, amar-te e respeitar-te,
Na alegria e na tristeza, na riqueza e na pobreza, na saúde e na doença,
Por todos os dias da nossa vida, até que a morte nos separe.

 

I

E tu, Jó, te manténs íntegro, digno? Amaldiçoa esse teu Deus e morra!

Falas como uma louca qualquer…

“Corta, corta. Parou”.

O ministro que fazia vezes de diretor não aguentou e começou a rir também. O clima da cena se quebrou. É que durante o ensaio, João ficava mandando beijos e piscadelas para Sofia. Conheciam-se desde sempre, uma vez que as famílias eram amigas de longa data. Fizeram juntos Primeira Comunhão, Crisma. Quando chegou a adolescência, e os trabalhos na paróquia, os gostos em comum e algumas viagens das famílias ensejaram uma faísca antes indiscernível, não houve quem não os incentivasse. Formariam o casal perfeito.

E de fato formaram. João estava com 17, e, desde cedo, fazia brilhar os olhos das senhorinhas que o queriam por genro. Tocava razoavelmente piano e violino, jogava gamão e acumulava algumas honrarias em concursos de pintura. Sofia, 16, era um anjo. Nunca se ouvira qualquer reclamação a seu respeito. Uma garota distinta. Ajudava nos trabalhos sociais, escrevia poesia. Fazia menos coisas que ele, era menos prática, mas tinha uma cabeça mais arguta. Ria o tempo todo, um riso branco, reto, que já havia arrebatado outros jovens corações na paróquia. Era ela ligeiramente mais bonita e inteligente que João, o que ele compensava com o jeito de tratá-la, olhá-la. Com isso, conquistou depressa a garota. Os dois juntos eram quase um insulto. “Benza Deus, que casal lindo!”.

Era a primeira vez que ela, tímida, faria o papel da mulher de Jó na tradicional peça de férias. Ele, desde os 10, interpretava o protagonista sofredor. Foi crescendo como ator – ainda que só na opinião leiga da comunidade. Dessa vez, com duas semanas de namoro, era-lhe difícil concentrar-se em outra coisa que não Sofia. E assim seria pelo resto de sua vida.

 

II

À época dos estudos universitários, aquelas almas dotadas de um dos pecados capitais logo decretaram a derrocada do casal. “Ah, ninguém aguenta essa distância, essa saudade toda”. Aguentaram. “Mas o ciúme, ah, esse é fatal. Não dá para saber o que o outro está fazendo, né”. Os cinco anos do curso de Direito passaram num piscar de olhos, acreditem. Quando ele voltou, nem esperou Sofia terminar a graduação e a pediu em casamento.

Ela sorria feito boba cada dia do noivado. Para desespero de alguns, o casal não brigava nunca. João, já treinado na argumentação jurídica, sempre esperava a poeira baixar quanto tinha assunto sério a tratar. Iam para um canto, e a conversa nunca começava antes de um abraço e um beijo nas costas da mão. Quando a coisa vinha à tona, era menor do que aparentava, e eles saíam com o sorriso ainda mais largo. Acumularam horas de diálogo ao longo daqueles anos. Nunca ergueram a voz. Nunca se desrespeitaram. Estavam prontos.

Nos votos, ele reiterou as promessas do namoro. “Serei tudo o que você precisar que eu seja”. Ela prometeu os risos e o respeito. Ambos cumpriram seus votos. Ao menos até onde possível.

 

III

Passaram-se dezessete anos de um casamento “imaculado”, como ele gostava de dizer. Chegaram, então, àquele fatídico ano de 1991. Foi logo no primeiro mês que as coisas deram a virada decisiva. João se lembraria, tempos depois, da cena na cozinha. Ele chegou cansado e feliz do trabalho. Atravessou a sala e a copa em busca de lavar a alma surrada pela semana com um beijo na esposa. Ao cruzar a copa, viu-a gesticulando. A água jorrava pela torneira, o olhar meio perdido de Sofia atravessava a janela. Ele chegou perto, um tanto surpreso. Ela se virou, mas não o viu. Seus lábios se mexiam mudos.

Meu bem… está falando sozinha?

Ela levou um susto.

Oi?

Tudo bem, amor? Você estava falando sozinha.

Eu?

Sim, você – deu um risinho hesitante.

Ah, nem percebi. Mas… bom, e daí?

Ele arqueou as sobrancelhas.

Não, não… nada… eu… eu só estranhei porque nunca tinha visto você falando sozinha… mas até achei bonitinho. O que vamos comer hoje?

Aos poucos, Sofia foi apresentando sinais de inquietação e ficando irritadiça. O que primeiro se perdeu foi o sorriso, aquele sorriso pelo qual ele mataria um homem. E junto dele, foi-se embora também o de João. Logo desaprenderam a dialogar. Para ser mais exato, João puxava sempre alguma conversa, importante ou trivial. Invariavelmente, ele acabou percebendo que teria de tomar certas decisões sem consultar a esposa. Os momentos de paz foram rareando. Finalmente, vieram as primeiras palavras ríspidas, o primeiro grito. João não respondeu a nenhum deles. Foi aprendendo a contragosto, mas ainda firme, a lidar com a súbita mudança. Advogava para si que os anos de ouro, e foram tantos!, eram mais que suficientes para dar-lhe o vigor necessário ante aquela turbulência. “Vai passar”.

Certa vez, estavam os dois sentados no sofá a uma distância nem tão grande. A janela aberta revelava a noite fresca. A TV, ligada a esmo, passava um comercial qualquer de fraldas. João perscrutava periodicamente sua esposa, de soslaio, com zelo e carinho, na esperança de alguma brusca reviravolta naquele terror que já completava uns sete meses. E de repente:

Você não sabe o que é isso, não é?

Oi… oi, amor, o que você disse?

Você não sabe o que é isso. – Ela dizia tudo enquanto olhava o chão, quase sem expressão no rosto, abraçando a si mesma e jogada sem conforto no canto do sofá.

Isso o quê?

Crianças, bebês. Filhos.

Os olhos de João carregaram. Ele engoliu seco, gaguejou. Tentou dizer algo:

Meu amor, você… nos já…

Sofia esteve imóvel. O pior é que não havia vingança naquelas palavras, acidez ou qualquer tipo de emoção. João fez que ia se levantar do sofá, mas ficou. As pernas semiarqueadas, as ideias em desalinho, os olhos oscilando da esposa para a TV, a parede, o chão, lugar nenhum. A noite, quase toda, atravessou-lhes aquela inércia. Então, Sofia se levantou e foi à cozinha. João quis tanto ir ter com ela. Suas pernas tremiam. Valeria a pena? Arriscou. Ele sempre teve um tato muito exato no relacionamento. Sabia o momento de falar, de ficar quieto, tentar um abraço, adentrar uma questão espinhosa… Dessa vez, ele não tinha certeza, mas precisava abraçá-la, sua esposa, sua Sofia. Chegou devagar, controlando a respiração e tocou-lhe a cintura com ternura. A esposa imediatamente empurrou-lhe as mãos e se virou num ímpeto, bufando, o olhar vermelho e agressivo. Não disse nada. Ele a olhou perplexo, com medo. Sofia foi para o quarto, recolheu algumas roupas e foi deitar-se no quarto de visitas, de onde nunca mais retornaria. 

Como quem foge dum desastre, João se dirigiu ao escritório. Não o limpavam fazia uns três meses. Ficou mexendo nos livros do armário, e nos retratos empoeirados sobre a escrivaninha. Não havia uma foto em que não sorrissem. Em algumas, o olhar era tão vibrante, veemente, que foi quase possível reviver os momentos. Neste ponto, é preciso esclarecer algo sobre João: apesar de um homem outrora feliz e sensível, não era muito afeto às lágrimas. Mal saberia dizer quantas vezes e qual a última em que chorou. Mas naquela sexta-feira úmida de julho, prestes a completar 18 anos de casado, ele se apoiou com uma das mãos sobre aquele altar de memórias, e passou longos minutos num pranto intenso e silencioso. Assustou-se quando pensou que sua esposa o veria naquele estado. Espiou a porta e ninguém. Limpou o rosto na camisa, recompôs-se e saiu do escritório. Na cama, agora sozinho, João chorou de novo toda aquela angústia imiscuída na alma. Não queria chorar. Queria que tudo, enfim, passasse. Dali em diante, João entrou num estado mecânico. Não sentia nada. A alma tornou-se indolente. Ele nunca mais verteria uma lágrima. Na verdade, só voltou a chorar uma única vez na vida, anos depois.

Somente às vésperas das festas de fim de ano é que chegou à cabeça de João que tudo poderia se tratar de algum distúrbio, alguma doença. “Minha Sofia não é assim. Ela não é assim”. Decidiu marcar consultas, avisou-a, mas Sofia não dizia nada. No dia marcado, estava ela pronta, arrumada. Há muito não saíam juntos. No consultório, deu a entender que não queria o esposo por perto. Ele saiu feliz; pensou que enfim a esposa se abriria com alguém e tudo teria explicação. O médico contou depois que Sofia só dissera o suficiente para que pudessem direcionar alguns exames. Nunca descobriram ao certo do que se tratava. “Uma espécie rara, talvez, de esquizofrenia tardia”, disse um dos médicos. “Não, não tem cura”.

 

IV

Sofia piorou significativamente. Agia de fato como o típico estereótipo de uma louca. Não falava praticamente nada; quando falava, não saía coisa com coisa. Passou a, semanalmente, ter surtos e quebrar algum objeto da cozinha, da sala. João sobrevivia, firme aos votos. “Até que a morte os separe”.

No vigésimo quarto ano de casados, ela passou a ter delírios e alucinações. Houve um período em que, sempre à tardinha, corria da varanda para o banheiro aos gritos, e lá permanecia por horas. Isso tudo durou alguns meses, e no ano seguinte ela passou a ouvir vozes. Mais dois anos, e Sofia reverteu a forma habitual dos delírios, passando a se aproximar de João de um modo estranho, uma sensualidade infantil, boba, que o faria rir caso ela o fizesse de caso pensado, como nas brincadeiras da lua de mel. Essa forma irrefletida de tratá-lo o afligiu de modo singular, mais do que qualquer evento daqueles todos, neste alvoroço eterno que já se sobrepunha quase inteiramente às memórias da vida impecável que uma vez tiveram.

João andava depressivo. Já havia quase entregado os pontos quando, num sábado pela manhã, saudoso de boas lembranças, encontrou numa gaveta os tais votos do casamento. “Serei tudo o que você precisar…”. Minutos depois, Sofia teve um surto. No meio das falas disparatadas, ela se ajoelhou no chão da sala e principiou um choro sem fim. João olhava sem saber o que fazer. Ela ergueu a cabeça, olhou o esposo e ergueu os braços, suplicando-o. Ele correu até ela e abraçou-a com a força do mundo. Seria possível? Ambos respiravam profundamente. Com uma das mãos, João apertava forte o rosto da esposa contra seu peito; com a outra, acariciava suas costas, seu cabelo, os braços. Arriscou beijar-lhe a cabeça. Ela não se opôs. Minutos depois ela pregou as mãos no rosto do marido com sofrimento e implorou:

Vamos embora, Jó!

Ele ficou mudo.

Meu amor, meu Jó, vamos embora, por favor!

Tudo bem, tudo bem. Vamos para onde você quiser, meu amor.

No início dos problemas, as famílias de ambos tentaram ajudar. Aos poucos, se distanciaram. João não pensou duas vezes e, em três dias, se mudou para uma cidade distante, mais fria, uma casa de campo. Deixaram para trás os familiares, os amigos, a paróquia, e o último espectro da vida que há décadas haviam construído.

“Jó”, “meu Jó”. Aquilo ficou martelando na sua cabeça por vários dias. Ela teria se esquecido quem ele era? Ou estaria se lembrando dos tempos da juventude? Seria essa sua forma de, numa só frase, trazer um mundo inteiro de boas recordações à tona e dizer que a tempestade estava acabando? Que ia ficar tudo bem! Uma fagulha de esperança reacendeu no coração dilacerado de João. Uma vez mais, ele fez tudo por ela. Consultas, tratamentos, medicação. Foram abençoados com alguns dias de tranquilidade, uns poucos abraços. Medicada, ela parecia um animal domado, inofensivo, mas sem vida. Em dias de surto, ele nem conseguia olhá-la mais.

O terror iniciado num dia qualquer de janeiro se desdobrou e se estendeu por anos a fio. Sofia teve outra crise no inverno de 2009. João lembra com precisão de um grito agudo no hospital horas antes do médico chegar com a notícia. Ele lembra vagamente do diagnóstico. A notícia da morte em nada o atingiu. O enterro de Sofia foi simples, sem nenhum amigo, parente e com um padre que João conhecera na hora. Não mandou avisar ninguém. Após o enterro, apenas foi para casa, deitou na cama, e adormeceu num segundo. No início da noite, acordou pensando ter sido tudo um sonho. As cortinas balançavam e o sino da igrejinha soou. O som era grave, diferente do sino agudo da infância. Ele olhou seus braços, viu as rugas. Não, não era mais uma criança prestes a correr para a paróquia. Não estava sequer em sua terra natal. Lá, nunca mais teriam notícia do alegre e decidido João. Ele virou para o lado e, baixinho, disse para si mesmo. “Quando foi? Quando foi que minha Sofia morreu? E eu nem vi…”.

 

EPÍLOGO

Azuis, cinzas e alaranjados pintavam o céu naquele fim de tarde. Os carros se avolumavam à beira da praça. Uma brisa fresca brindava o início das férias de julho de 2019. As crianças corriam sorridentes, subiam os bancos de pedra e se atiravam ao chão. Um punhado de vira-latas resolveu não ficar de fora; corriam todos, rabo abanando, para o centro da festa. Um deles acompanhava mais lentamente um velho homem, encurvado, barba e cabelos brancos, mal arrumados; um andarilho, ou quase isso. O sino agudo da igreja tocou.

No salão adjunto à paróquia, não havia um lugar vazio. As pessoas se espremiam sem chateação. Alguns estavam eufóricos. Um burburinho constante ajudava a formar a atmosfera aconchegante e familiar na expectativa pela apresentação. Ao pigarrear do ministro no microfone, todos se aquietaram. Na parede ao fundo, o quase andarilho tira o chapéu, olha o chão. O ministro anuncia a tradicional peça. Todos se sentam. O andarilho, de pé.

Tudo se desenrola normalmente. O final do segundo ato era quase sempre o mais aguardado. Há mais de trinta anos os atores eram os mesmos. Jó perdera tudo. Mas ainda tinha sua esposa, com quem era um, que amava e por quem era amado. Ela se aproxima. A plateia aflita. O andarilho ergue o rosto. Jó está prostrado. A mulher chega. Retorce o rosto e tira do fundo da alma seu desespero:

Tu… Tu, Jó, ainda te manténs íntegro, digno? Nem sequer derrama uma lágrima? 

Jó vira o rosto para a mulher, esperando consolo.

Amaldiçoa esse teu Deus, Jó! Amaldiçoa esse teu Deus e morra!

A frase reverbera nas paredes do salão. 

“Amaldiçoa esse teu Deus e morra”. 

“Morra”.

Você fala como uma louca qualquer. Aceitaste o bem de Deus com prazer, e o mal tu rejeitas? Louca!

“Louca”. “Louca”.

O tempo congela.

“Louca”.

Sentado sobre os calcanhares, mãos pesadas sobre a cabeça, o andarilho chora inconsolável.

39 comentários em “A mulher de Jó (Misael Pulhes)

  1. Luciana Merley
    12 de dezembro de 2020

    Olá, autor

    A exemplo da vida do homem mais rico do oriente e mais justo da terra, a felicidade do casamento perfeito se desfaz em meio à dor da loucura.

    Impressões Iniciais – O título já foi um grude para minha atenção, afinal, a história de Jó (que não tem nada a ver com paciência, mas com a soberania de Deus) é uma das mais impressionantes narrativas bíblicas.

    Coesão – Confesso que demorei um pouco a engatar na narrativa. Achei que aconteceu uma desconexão grande entre o início juvenil e teatral, seguido pela relação perfeita do casal…e o início da loucura. Como o título é muito sugestivo, fiquei esperando que o conto continuasse referindo-se à história base. Penso que a peça teatral foi uma espécie de PROFECIA que Jó lançou sobre sua mulher e que ressoou na mente de Sofia. Entendi (e perdoe se estiver equivocada) que você fez uma inversão do foco do sofrimento. Parece que no seu conto, é a mulher quem experimenta as feridas e é João quem “recebe com prazer o bem (o casamento feliz, a esposa perfeita), mas o mal rejeita (a loucura)”. Reli, mas não consegui captar o que significaria a presença do andarilho. Entretanto, ele se torna uma presença muito emocionante no final.

    Ritmo – Achei que o Epílogo deu uma quebrada, mas não afetou a fluidez da leitura.

    Impacto – Gostei bastante do seu conto. Não óbvio. Não proselitista. Não vilipendiador. Apenas uma história sendo contada com nuances bastante reflexivas sobre a questão da loucura.

    Parabéns.

  2. Almir Zarfeg
    12 de dezembro de 2020

    Resumo: O conto narra a história de amor de João e Sofia.

    Comentário: Gostei muito da narrativa. Primeiro pela referência à Bíblia e, depois, pela habilidade empregada na condução do enredo. As personalidades dos protagonistas são bem delineadas e, por isso, os conflitos (crises, depressão) são bem assimilados e compreendidos pelos leitores. Claro que todos preferiam um final feliz, né? Mas estamos diante de um drama que, se por um lado, cativa; por outro, emociona e entristece. Parabéns!

  3. Misael Pulhes
    12 de dezembro de 2020

    Olá, “Horácio Johann”

    Resumo: a história de um casal – João e Sofia – que, após 17 anos de casado, começa a enfrentar a esquizofrenia crescente da mulher.

    Comentários: narrativa linear preocupada com a estrutura formal. Eu gosto de epígrafes, divisão de capítulos e epílogo, ao menos na questão visual. Gosto também das referências, dessa intertextualidade. Quanto ao conteúdo, gosto dessa atmosfera melancólica.

    Mas há muitos pontos a serem revistos. A questão dos filhos, a morte de Sofia, o uso da linguagem no desfecho, as intromissões do narrador.

    No geral, gostei, achei uma boa história, ainda que pudesse ser melhor trabalhada, e desejo muitíssima sorte no certame!

  4. Amana
    12 de dezembro de 2020

    Obs.: A nota final não se dará simplesmente pela soma da pontuação dos critérios estabelecidos aqui.
    Resumo: um casal de namorados adolescentes se casam e 17 anos depois a esposa, Sofia, começa a demonstrar insanidade.
    Parágrafo inicial (2/2): Um início que não é lugar comum, deixando o leitor a esperar o que pode acontecer a partir disso.
    Desenvolvimento (1,5/2): Algumas questões ficaram no ar, como por exemplo a conversa no sofá. Depois de 17 anos de casamento não tinham filhos, Sofia pareceu acusar João de algo, mas essa parte não ficou bem explicada. Será que ele não queria filhos? Será que ela não podia ter, ou ele, e João não se incomodava com isso? Ficou vago demais e creio estar aí a chave do mistério. Também quando ela morre, como isso se deu? Por que foi dessa forma? Terá sofrido um ataque cardíaco, de tanta emoção? Como saber?
    Personagens (1,5/2): Achei-os pouco desenvolvidos, não tive empatia suficiente para com eles, talvez pela narração meio linear…
    Revisão (1/1): Nada que incomodasse minha leitura.
    Gosto (1,5/3): Gostei, mas poderia ter sido muito melhor…

  5. Bruno de Paula
    12 de dezembro de 2020

    O conto narra a história de um casal aparentemente perfeito, que se conhece e se cativa desde a infância, começam um namoro na adolescência, que resiste à distância na época de faculdade, até que chega a idade adulta e os jovens casam. O casamento seguia o mesmo ritmo de perfeição até Sofia começar a sofrer de transtornos mentais.

    Olá, Horácio Johann.

    Não costumo usar essa palavra, mas acho que ela define bem seu conto: redondo. Forma e conteúdo estão em harmonia, o texto é bem revisado, a leitura flui tranquilamente, a narrativa é linear, direta, as alusões à parábola bíblica encaixam bem, o arco dramático é crescente e o clímax chega quando o esperamos. Não há surpresas, reviravoltas, nada que cause um impacto muito particular no leitor. Mas não é a isso que o conto se propõe, o impacto desejado é o de acompanharmos uma história triste, com final dramático e melancólico. E é o que acontece. É um texto que alcança perfeitamente seus objetivos: redondo.

    Assim sendo, as únicas ressalvas que eu poderia ter são quando ao conteúdo. E tenho umas poucas.

    Me incomodou o fato do casal ser perfeito (i)demais(/i). E você dedica vários parágrafos para mostrar o quão os dois são belos, virtuosos e se complementam com perfeição. Isso dá um ar de artificialidade, uma sensação que você está construindo um cenário idílico só para destrui-lo depois, o que já nos é antecipado pelo título e pela citação à parábola logo na abertura do conto.

    Indo pra parte médica, o conto dá a entender que a incapacidade do casal de gerar filhos foi o gatilho para despertar a esquizofrenia na moça. Mas isso não corresponde muito à realidade. Poderia ser um gatilho para uma depressão profunda, para crises de ansiedade, até uma fobia social. Mas não esquizofrenia. Além disso, achei que o assunto veio à tona de forma muito abrupta. Não houve qualquer citação a uma tentativa de formar uma família e, de repente, Sofia fala disso como um problema intransponível.

    Ainda na parte médica, esquizofrenia não leva à morte. Podemos imaginar que durante o tempo a saúde dela foi ficando debilitada por outros fatores que podem até ter alguma ligação com a doença. Mas da maneira que foi descrito, parece que Sofia foi enlouquecendo, enlouquecendo, até quebrar e morrer. Não soou verossímil.

    Por fim, no epílogo, vemos a derrocada de João após perder a esposa. Não há nenhum grande problema aqui, mas achei que você abraçou com muita força o melodrama, o que me desagradou um pouco.

    Mas são pequenas ressalvas a um trabalho muitíssimo bem feito, por um autor muito seguro em sua condução. Parabéns pelo conto.

    Abraço.

  6. Euler d'Eugênia
    11 de dezembro de 2020

    O associativo à passagem bíblica é a beleza própria do conto, a alusão, o momento de revelação, é donde tudo se encaixa e se contrasta, pois é uma lida sobre uma loucura e ela é explicada (de maneira abstrata, citada biblicamente). A louca está presente desde o começo de tudo. Os papéis são interpretados na ficção são tão reais quanto, não se distinguem e é cabível desde a debutante citação. Os papéis são levados pontualmente ao mundo real.
    É um conto muito bem construído, argumentado e coerente.
    “úmida de julho, prestes a completar 18 anos de casado, ele se apoiou com uma das mãos sobre aquele altar de memórias, e passou longos minutos num pranto intenso e silencioso” (lindo momento, as águas se encontraram, tanto do ambiente quanto do homem).
    ““Quando foi? Quando foi que minha Sofia morreu? E eu nem vi…”. Aqui fecha tão bem o conto, que a vinda do epílogo após me causou certa reflexão sobre sua necessidade.
    *pronomes: não entendi o uso: ‘viu-a’, ‘alma tornou-se’, ‘era-lhe’, ‘toda, atravessou-lhes’, ‘imediatamente empurrou-lhe’, ‘dele, foi-se’. Trata-se de ênclise devido o infinitivo: ‘ia se levantar’, ‘poderia se tratar’. Trata-se de ênclise devido à oração coordenada: ‘desdobrou e se estendeu’, ‘pedra e se atiravam’
    *Repetições das palavras: mas, como (as quais, se achar necessário, o uso de sinônimos já que tem certo excesso).
    É um texto maduro, fluído e sútil, aborda a loucura com lirismo, assim, apesar da melancolia, é tão suave que abrilhanta o enredo. É um bom texto, gostei.

  7. Fabio D'Oliveira
    11 de dezembro de 2020

    Johann, posso te chamar pelo sobrenome, né? Bem, já estou chamando, haha.
    .
    A leitura foi tranquila, admito, escrita ágil, bem delineada, hábil, etc. Narrativa natural, vale mencionar. O problema que tive com o conto foi com o início. Você construiu um casal perfeito. Belos, sortudos, inteligentes, etc. Eu não gosto disso. Parece-me irreal. A vida não é assim. Não é perfeita. Não tem nada de perfeito em pessoas. Não existem Jó nesse mundo. Não acredito nisso. As pessoas se quebram. Elas não suportam para sempre. Isso existe apenas em filme gospel, amigo, e ainda suportam por um Deus que, para mim, é imaginário. Se existe um deus, não é igual pintam no Cristianismo. Sou cético, sim, e meio ateu. Então, naturalmente, essa narrativa me cansou. É um conto com uma moral explícita: perdura-se por aquele que amamos. Devemos aguentar tempestades, terremotos e apocalipses por quem amamos. Não concordo. Temos, em primeiro lugar, cuidar de nós.
    .
    Mas, Johann, veja bem, essa é minha opinião em relação à história. E meu gosto pessoal não pesa muito na avaliação. O que está pesando, agora, é a criatividade do autor e a inovação proposta no conto, além da técnica. Você escreve muito bem, mas o molde tradicional da narrativa não me encantou, tampouco mostrou criatividade plena, apesar de que todos temos esse potencial. É uma história comum, um cenário comum, ainda mais dentro do tema da loucura. Essa parte, sobre o argumento da loucura, seu conto é um dos melhores. O foco total nisso. Na provação que Jó passa, o desmembramento da doença de Sofia, é tudo muito bem escrito.
    .
    Eu fico um pouco desanimado quando vejo autores tão competentes criando textos tão simples, parece que estamos numa zona de conforto. Podemos brilhar, mas não brilhamos. Por quê? Sinceramente, não sei. Mas eu gosto de pensar que ainda podemos. Minha crítica, aqui, é focada nisso. Eu realmente acredito no Tio Ben. Com grandes poderes vêm grandes responsabilidades. Assuma esse seu talento e nos presenteie com algo que brilhe, tanto na estética quanto no conteúdo. Óbvio que irei respeitar se quiser continuar nesse meio, nesse tipo de literatura, cada um tem que fazer o que ama. Se ama isso, ignore minha chatice e seja feliz!

  8. Fabio Monteiro
    10 de dezembro de 2020

    Resumo: Uma relação de amor e cumplicidade entre João e Sofia. Com o tempo, Sofia adoece e deixa seu amado com a difícil carga de enfrentar seu transtorno até o fim de seus dias.

    O verdadeiro amor é assim, ele suporta as provações. Na saúde e na doença. Essa frase me veio a mente em diversas passagens do texto.

    O personagem João é um ser que me cativa. Me fez pensar na entrega e na partilha de sentimentos que parecem não existir mais entre os casais de hoje.

    É um texto esplêndido. Rico na sua diversidade de formas de interpretação.
    O final é bem trágico.
    Esperava um desfecho menos sofrido para o personagem. Porem, em se tratando do Jó bíblico, este carrega um fardo bem pesado tbem. Digno de elogios e da minha apreciação.

    Boa Sorte autor.

  9. Regina Ruth Rincon Caires
    10 de dezembro de 2020

    A mulher de Jó (Horácio Johann)

    Resumo:

    A história de amor de João e Sofia, interrompida pela doença mental que acomete a mulher.

    Comentário:

    Texto bem construído e que apresenta como início e fim o recurso teatral. Tudo é narrado de maneira poética, suave. O autor conta a história com total domínio da linguagem, há poucos deslizes na escrita. A cada parágrafo, o leitor avidamente procura pelo desfecho. Não tira a atenção do conto.

    Não sei se o título tem a ver com a paciência de Jó bíblico, sei muito pouco das escrituras. Mas sei que é um texto carregado de dizeres cristãos. Narrativa melancólica, cheia de ternura.

    Horácio Johann, parabéns pelo trabalho!

    Boa sorte no desafio!

    Abraços…

  10. Daniel Reis
    9 de dezembro de 2020

    RESUMO: história de um casal, do romance adolescente até a dissolução e a queda pela loucura que se apossou dela, e a decadência que se apossou dele.

    IMPRESSÕES: o autor trata de maneira segura e delicada de um romance que sofre pela doença e a morte, tratando do tema do sofrimento de quem fica e de até onde nos é permitido escolher a dor ou a purgação. O epílogo, ainda que essencial para a história, me pareceu em forma bastante destoante do resto da narrativa. No mais, meus parabéns ao autor!

  11. Fil Felix
    9 de dezembro de 2020

    Bom dia!
    A história de amor entre João e Sofia, que tem seus momentos iniciais numa apresentação da história de Jó na igreja até os momentos finais, quando ela se perde para a loucura.
    Um conto muito bem escrito e desenvolvido, de maneira calma e fluida. As construções são bonitas, com uma ou duas palavras mais rebuscadas entre os parágrafos, mas sem gerar um texto pesado. Gostei de como intercalou a apresentação da peça e a história de Jó na trama, gosto muito dessa metalinguagem, começando e finalizando como num ciclo. Além de trazer as referências bíblicas. Ambos os personagens estão bem desenvolvidos, João em especial, que somos capazes de entrar em seu âmago e entender tanto a sua busca pelos primeiros anos de casamento até o momento que perde a esposa para a morte, mas que já havia perdido para à loucura há muito tempo. Meu único porém é que pra mim, como leitor, senti o conto muito “sóbrio” (não sei como definir em outra palavra), não me causando um clímax.

  12. Alexandre Coslei (@Alex_Coslei)
    9 de dezembro de 2020

    RESUMO:
    Uma história de amor com final na loucura que acomete a esposa do protagonista.

    ABERTURA:
    Abertura é um diálogo que indica uma encenação.

    DESENVOLVIMENTO:
    Confesso que foi a primeira vez que vi um conto indicar “epílogo”, o que me soou original. É bem desenvolvido, segue o tom de melancolia e tem escrita segura do autor, que me pareceu ter clareza do seu objetivo com a narrativa. A revisão precisa de mais cuidado, mas nada que comprometa o interesse pelo conto, às vezes a falha da revisão é apenas fruto da nossa ansiedade e não do nosso desconhecimento.

    DESFECHO
    Olha, considerei o desfecho muito melodramático, não sei ainda se me agradou, mas isso não importa, foi a opção do autor e ele foi competente. Texto bem desenvolvido e com um final coerente. Boa sorte.

  13. Rafael Penha
    8 de dezembro de 2020

    RESUMO: História de vida de um casal até a derradeira morte da esposa, que contraíra uma doença mental,

    COMENTÁRIO:
    Um conto extremamente tocante, sensível.
    As palavras empregadas pelo autor são poderosas, cada uma delas. Demonstram a segurança da experiência. Não há exageros líricos, nem insuficiência, as frases são formadas na medida certa para levar a história adiante e exprimir o sentimento dos personagens.

    E que personagens.

    Ambos bem trabalhados, João é mais aprofundado, mas a maestria de sua percepção supre a ausência da falta de aprofundamento de Sofia. Sua dor foi sentida em mim como leitor, e me angustiou a cada momento. Esse é o valor de um bom texto.

    A loucura aqui ser experienciada por alguém de fora, mas tão afetado quanto o louco foi sublime, original, poucas vezes visto no certame.
    Senti falta, no entanto, de uma explicação de por que o casal não teve filhos. Não é obrigatória, obviamente, mas um casal com mais de 20 anos juntos, sinto que no texto foi apenas arranhado e merecia mais luz, podendo ser talvez, até a fonte da loucura de Sofia.

    O final também ficou a dever para mim. Gosto de finais fortes, reflexivos, intensos. Entendo que na história narrada o final anticlimático, quase que apenas uma conclusão é válida e verossímil, mas senti falta de algo que me chamassem mais atenção no fim, seja algo feliz ou triste.

    Um conto realmente ótimo, original, sensível, humano e muito tocante.
    Um abraço!

  14. Marco Aurélio Saraiva
    7 de dezembro de 2020

    RESUMO: João e Sofia formavam um casal pefeito desde a mocidade. Após dezessete anos felizes de casamento, ela começa a demonstrar sinais de uma loucura não conhecida, que a consome e também seu casamento até enfim tirar-lhe a vida. João, sozinho e longe de casa, continua a interpretar o papel de Jó na mesma peça que fazia desde os dezessete anos – agora, sem a esposa.
    É um conto bem triste, daqueles que pesam no peito. Quando terminei de ler notei que estava mal, meio triste, o que só quer dizer que você escreve muito bem e sabe infundir suas palavras com emoções e conduzir a leitura para o lado que deseja. A história de João e Sofia é trágica e o paralelo que você traçou com a história de Jó foi muito interessante. A fala final de Jó é basicamente o tema do conto: “Aceitaste o bem de Deus com prazer, e o mal tu rejeitas? Louca!”. Não por acaso, João e Sofia tiveram dezessete anos de felicidade e dezessete anos de tristeza e sofrimento. O conto é uma lição: a vida tem altos e baixos. Você agradecerá a deus por tudo o que é bom que receber, e o amaldiçoará por tudo o que é ruim? Ou irá aguentar – como João – e manter seus votos até o final?
    O final do conto é impactante por quê vem de um augúrio: o próprio autor indicou que ele choraria apenas uma vez mais na vida, e chora no final do conto, não no enterro de Sofia, mas ao interpretar a peça que interpretava com ela, e quem entra para contracenar com ele já não era mais Sofia. A peça traz memórias mil de uma vida de alegrias e sofrimentos passados. É um conto denso, pesado, e muitíssimo profundo.
    Quanto a escrita, notei apenas algumas poucas coisas que me incomodaram:
    “…aquelas almas dotadas de um dos pecados capitais…” – sério, isso tudo para falar “inveja”? Rs rs rs.
    No final do conto houveram algumas confusões de conjugação de verbo tipo este:
    “Ao pigarrear do ministro no microfone, todos se aquietaram. Na parede ao fundo, o quase andarilho tira o chapéu…” – “aquietaram” é pretérito mas “tira” é presente.
    Enfim, um dos melhores contos do desafio com certeza =)

  15. antoniosbatista
    6 de dezembro de 2020

    Resumo; João e Sofia se amam desde a adolescência, se casam e com o passar dos anos, Sofia começa a sofrer de um distúrbio mental, perde a razão e morre. João tenta seguir a vida relembrando o passado.
    Comentário: O argumento não é ruim, mostra a realidade da vida. A narração está perfeita, começando pela relação do casal ainda na adolescência, passando pelo casamento e os anos de felicidade, chegando aos transtornos psicológicos de Sofia, culminando em sua morte e o final melancólico de João. Foi uma boa ideia começar e terminar a narrativa com a encenação da peça de teatro, Jó. A Bíblia Sagrada, formada por vários livros, um deles é o de Jó, “homem integro e reto que temia a Deus e se desviava do mal”. Boa sorte.

  16. Fernando Dias Cyrino
    5 de dezembro de 2020

    Meu caro Horácio, estou aqui às voltas com essa sua triste história. A loucura da amada Sofia. Interessante é que João contém a palavra Jó, não é mesmo? O Jó bíblico o sofredor e que aceita a sua provação, está contido no João sofredor que também convive, numa tristeza imensa, com a sua provação também. Um casal que se ama muito e que ao completar dezessete anos de casados, passa a conviver com a terrível crise da doença mental da esposa Sofia. Você narra a história de uma forma bem tranquila e mesmo convencional. Não há nada oculto, os capítulos guiam o caminho do leitor. Tudo muito bem escrito, tudo bem acomodado. Você, Horácio, Johan, que também é Jó, não é mesmo, narra de maneira legal a sua história. Possui um bom domínio da língua e da gramática. Tudo em seu devido lugar. Bem, achei o final, circular, interessante. Pensei que a morte de Sofia ficou meio solta: diagnóstico… morte… Dá a impressão que foi se internar por conta de um surto psicótico e aí pum, morreu. Ou teria cometido suicídio e você deixou isto em aberto? Bem, achei que poderia ter explorado um pouco mais a páscoa – já que estamos em um ambiente religioso. – da sua (dele) esposa. Meu abraço de parabéns pela sua história, amigo.

  17. Andreas Chamorro
    4 de dezembro de 2020

    Resumo: o conto é um panorama de toda a relação de João e Sofia, passando pelo início de sua doença até seu fim derradeiro.
    Olá, Horácio, que conto, hein! Até o momento é meu favorito, bem escrito, com uma ótima trama e personagens bem construídos. O que eu mais gostei foi o link que fez entre a peça e a condição horrível que Sofia se encontraria no futuro. É uma história triste e que nos faz sentir a dor de João, o desespero em se manter fiel a seus votos, todavia ainda assim, é uma história bonita pra dedéu. Se eu pudesse usar uma palavra para definir seria fidelidade, esse conto fala de fidelidade, em estar ao lado da pessoa amada em todas as situações. Texto excepcional, meus parabéns, nota máxima!!!

  18. Paula Giannini
    3 de dezembro de 2020

    Olá, Contistas,

    Tudo bem?

    Resumo: Marido ama sua mulher na saúde e na doença.

    Minhas Impressões:

    Para narrar toda a vida de um casal, o(a) autor(a) organizou seu conto em forma de capítulos. Assim, em rupturas temporais em momentos chave, vislumbramos os protagonistas em sua trajetória de amor e doença. Os primeiros anos de amor, a loucura súbita evoluindo com o passar dos anos.

    Partindo da premissa do título, onde se percebe o personagem nominado Jó, o(a) escritor(a) constrói seu texto alicerçado no personagem protagonista, e, embora este não seja o narrado propriamente dito, é a partir de seu ponto de vista que conhecemos o drama do casal. Jó, que na bíblia (não sou profunda conhecedora) é conhecido por sua fidelidade à Deus e por sua paciência, aqui faz de seu amor, sua mulher, o seu Deus, a sua religião, e leva este seu amor, com a paciência da compreensão até o final de sua vida.

    Interessante notar que a questão “Deus” é justamente o diálogo que encerra e abre este belo conto, tornando clara a pesquisa da pena por trás do texto: “A esposa de Jó é uma mulher mencionada sem nome, no Livro de Jó, na Bíblia Hebraica. Ela ganhou a fama de uma mulher infiel, insana e ambiciosa por sugerir a seu marido, Jó, que amaldiçoasse a Deus.”

    Não sei o conto segue algum tipo de estrutura baseada na história de Jó, o da bíblia, mas, pareceu-me que sim. De qualquer modo, aqui temos uma história que prende e emociona, causando empatia no leitor.

    Como digo a todos, se minhas impressões erram o alvo, desconsidere-as.

    Desejo grande sorte no desafio.

    Beijos
    Paula Giannini

  19. Fernanda Caleffi Barbetta
    3 de dezembro de 2020

    Resumo
    João e Sofia são um casal apaixonado com uma vida aparentemente perfeita pela frente, mas a loucura que acomete a mulher torna o casamento um calvário.
    Comentário
    O conto é bonito, com muitas frases bem construídas, fluido. Gostei bastante do final “Quando foi? Quando foi que minha Sofia morreu? E eu nem vi…” – lindo isso pois mostra que quem estava lá por muitos anos nçao era a Sofia por quem ele havia se apaixonado. Triste, mas bonito. O final do epílogo com o choro d homem que não costumava chorar foi uma boa sacada.
    A caracterização dos personagens é muito boa, garantindo a empatia do leitor.
    Legal ter baseado os fatos da vida do casal na passagem de Jó, que você traz logo no início do texto.
    Mas, nem tudo são flores. Vamos ao que me incomodou: Até o marido procurar ajuda de um psiquiatra, Sofia não me pareceu ter um distúrbio mental, mas uma tristeza por não ter filhos. Achei estranho o marido não conversar com ela sobre isso quando ela deixou clara a sua tristeza. Demorou anos até ela se mostrar realmente perturbada mentalmente.
    Fiquei incomodada também com o fato de que em sete meses o marido só comentou sobre o fato dela falar sozinha uma única vez e depois não mencionou mais isso.
    Não foi dada a atenção merecida à morte de Sofia. Ficou confusa essa passagem.
    “À época dos estudos universitários, aquelas (?) almas dotadas de um dos pecados” -uma sugestão aqui é substituir a palavra “aquela” por “as” ou “algumas” porque me deu a impressão de estar falando do casal que você acabara de apresentar anteriormente. Tive que ler três vezes para entender que se referia a outras pessoas. Só uma dica de uma percepção minha.
    Não dá para saber o que o outro está fazendo, né (interrogação)
    “Quando a coisa vinha à tona” – ?
    Algumas vírgulas sobrando: “nos livros do armário, e nos retratos” “ele se apoiou com uma das mãos sobre aquele altar de memórias, e passou longos minutos” “a paróquia, e o último espectro”

  20. Claudia Roberta Angst
    1 de dezembro de 2020

    RESUMO
    Sofia e João casam-se jovens e tem um relacionamento quase perfeito durante dezessete anos, até que uma doença – um distúrbio psiquiátrico – acomete Sofia.

    AVALIAÇÃO
    O conto, muito bem escrito, traz referências À passagem bíblica de Jó – revela de fato a paciência (de Jó) que João teve de desenvolver para cuidar do seu amor e ser fiel aos votos feitos.
    “Quando foi? Quando foi que minha Sofia morreu? E eu nem vi…”. Talvez João não tenha percebido a morte de Sofia, pois a mulher por quem se apaixonara e vivera bons anos, essa já havia partido muito antes.
    A encenação feita na igreja parece trazer os verdadeiros papéis vividos pelo casal: João era Jó que passou pelas provações – perdeu até mesmo a possibilidade de ser pai, perdeu o contato com a família, ficou isolado com a mulher, a doença o atingiu da pior forma possível, pois caiu sobre a amada e assim tirou-lhe o aconchego do lar e a esperança em dias melhores. Sofia era a mulher de Jó (João).
    Eu diria que o (a) autor(a) tem vocação de romancista e teve de adaptar o seu texto para caber em um conto. A divisão em pequenos capítulos funcionou bem. O ritmo da narrativa é bom, a leitura fluiu sem me cansar.
    Boa sorte e que a sua paciência e resignação sejam recompensadas.

  21. Andre Brizola
    1 de dezembro de 2020

    Olá, Horácio.
    Conto sobre o casamento de Sofia e João, imaculado em seus primeiros dezessete anos, mas refém da doença que acomete Sofia a partir de então.
    Um texto muito bem estruturado e redigido. A divisão em capítulos foi muito bem-vinda, sobretudo por nos levar a conhecer vários anos de relacionamento e eventos importantes da vida do casal. Esse conto pedia capítulos. Não percebi deslizes gramaticais e, mesmo se tivesse, acredito que não teriam comprometido a leitura, visto que o conto tem força suficiente em seu enredo para nos fazer seguir adiante.
    Acho que a composição dos personagens ficou muito legal. Sofia, que é quem carrega o tema do desafio, tem sua sanidade se esvaindo aos poucos, e a dor de João é muito bem caracterizada. Sentimos pena por ambos, e essa conexão entre personagens e leitores demonstra o carisma do conto.
    Fico pensando em como esse conto ficaria se contado na voz de João. Não há problema com o narrador observador. Mas ele deixa a coisa um pouco fria, no meu entender. Mas não é realmente um problema, o conto ficou ótimo da forma como foi concebido.
    É isso. Boa sorte no desafio.

  22. Priscila Pereira
    1 de dezembro de 2020

    Resumo: Os votos do casamento foram levados a sério na vida de João.

    Olá, Horácio!
    Eu gostei muito do seu conto. É singelo, bonito, triste, parece mesmo uma história real.
    Eu já pensei muito sobre a passagem bíblica que encera o seu conto, receberemos sempre o bem de Deus e não o mal? É justo? Uma pessoa que não reconhece isso é louca mesmo. Esse final deu um arremate perfeito para um conto excelente!
    Notei algumas falhas bobas de revisão que os colegas já devem ter apontado, nada que tire o brilho do conto.
    Realmente, a dor e o peso da loucura atinge mais os sãos que amam os doentes mentais. É importantíssimo procurar ajuda especializada e seguir um tratamento rigoroso e mesmo assim, talvez a vida nunca mais volte a ser como antes.
    Enfim, um ótimo conto! Parabéns!
    Boa sorte!
    Até mais!

  23. Fheluany Nogueira
    27 de novembro de 2020

    João e Sofia amam-se e vivem muito bem até que a esquizofrenia abala o casamento. Ela morre e ele, deprimido, regressa à igreja onde tudo começou.
    Narrativa linear, fluida, comovente e bem escrita. O teatro e as alusões bíblicas enriquecem-na. Personagens bem construídos, simpáticos e verossímeis; são pessoas comuns, do nosso dia-a-dia vivendo situações do cotidiano. Gostei muito, afora de algumas intromissões do narrador. O foco de terceira pessoa, mas se aproximando de João, mostra uma sensibilidade aguçada.
    Parabéns pela forma como figurou o amor e a densidade humana. Sorte no desafio! Abraço.

  24. Amanda Gomez
    25 de novembro de 2020

    Resumo📝 João e Sofia se conhecem desde jovem, se apaixonam, se casam e nada parecia abalar o amor dos dois até que Sofia começa a apresentar sinais de esquisofrenia. Ficaram juntos até que a morte os separou.
    Gostei 😃👍 O autor tem total domínio de sua história, as referências ao conto bíblico transitando pela vida real desses personagens, a peça de teatro que no fim acaba esclarecendo muitas coisas. O título, eu demorei pra sacar a referência bíblica, digo, de cara a gente vê, mas eu achei que era só um detalhe e não uma parte tão importante. A narrativa através de João e não dá louca em questão é um diferencial dos outros contos do desafio, dá uma perspectiva nova e muito atraente. Gostei bastante de João, o leitor sente empatia de imediato por ele, pela sua história, por como ele lida com tudo, parecia tudo perfeito até que não era mais. E o autor sabiamente nós leva a conclusão sem pressa. Gostei da cena em que eles estão vendo TV, da referência aos filhos que eles não tiveram e que pra ela não ter foi o mesmo que perder como acontece na história bíblica. Acredito que essas questões tenham sido o gatilho para loucura…ainda que não tenha sido visível, isso fica claro quando João se pergunta quando foi que Sofia começou a morrer. ( Ótimo trecho) a conclusão nos dá o parecer final com a peça de teatro anos depois, com outros personagens. João sozinho e só, revivendo esse momento. Muito bom! Parabéns.
    Não gostei 😐👎 Nada em específico.
    O conto em emoji : 🙇🏻‍♀️🙇🏻‍♂️

  25. Ana Maria Monteiro
    25 de novembro de 2020

    Olá, Autor.

    Resumo: a história de amor de João e Sofia, desde que se conhecem, passando pelo casamento até que a morte os separou, mas não completamente, pois João continua ligado ao seu amor até que também a ele a morte leve. Acompanhamos, ao longo da narrativa, o lento progresso da esquizofrenia de Sofia.

    Comentário: Um conto belíssimo, clássico e quase perfeito que está dentro do tema e é seguido por ordem cronológica e com lógica, algo que sempre me agrada ainda que nem sempre pratique uma coisa ou outra.
    Este conto é exatamente aquilo que um conto deve ser: conta uma história. E quem não gosta de uma boa história?

    Quando digo que o conto é quase perfeito refiro-me à cena da morte de Sofia no hospital, não percebi bem, aí ficou mal explicado: há o hospital, há um grito, há o diagnóstico, há a morte (certamente por suicídio, mas suicídio no hospital? Estranho) enfim, esse peque trecho ficou confuso e foi a única mancha que notei em todo o conjunto.

    Você conseguiu um excelente trabalho.

    Parabéns e boa sorte no desafio.

  26. Jefferson Lemos
    24 de novembro de 2020

    Resumo: a história de João e Sofia, e todas as alegrias e tristezas que os acompanharam durante suas vidas.

    Olá, caro autor.

    Gostei muito do seu conto. Sua narrativa é extremamente precisa, limpa, aquelas que não falha por excesso ou falta. Gostei da história, seu personagem é crível, as situações, a forma linda com que ele tentou de todas as formas passar por isso. Dei uma lacrimejada no fim da primeira parte.
    Eu nem tenho muito o que falar sobre, apenas que você é um escritor bem completo e de qualidade inquestionável, e compôs uma narrativa belíssima. Parabéns pelo excelente trabalho, prazer em ler coisas bem escritas.
    Boa sorte no desafio!

  27. opedropaulo
    21 de novembro de 2020

    RESUMO: João e Sofiam ficam juntos, na saúde e na doença.

    COMENTÁRIO: Gostei da abordagem do tema que se vê aqui, pois, fugindo do que veio a se tornar normal nos contos desse desafio, o protagonismo é dado não à pessoa que sofre o transtorno, mas àquela que o acompanha de perto e, à sua maneira, sofre também. A abordagem em si não teria funcionado tão bem se não fosse o enredo bem trabalhado, o início cuidando de consolidar o amor genuíno entre os dois que depois se casam e o restante desenvolvendo uma lenta desagregação desse casal, iniciando por um filete de loucura que pouco a pouco vai abrindo uma verdadeira fissura entre os dois. Nisso, elogio o fato de ter escrito alguns episódios, sobretudo o primeiro. A frase “e Sofia foi lentamente enlouquecendo” poderia resumir o conto, mas o fato de ter separado espaço para mostrar o episódio da cozinha e aquele da sala, entre um e outro pontuando as nuances de mudanças de comportamento dela… isso tudo deu verossimilhança ao quadro da personagem, algo muito importante para podermos sentir com mais força a simbólica separação que os dois estão sofrendo. Pensando sobre o final, percebo e arrisco dizer que o conto tinha alguns possíveis finais tristes, mas mais possibilidade de finais felizes (principalmente aqueles que não são inteiramente jubilosos). Apesar do final ter escolhido a saída pela qual se esperava, a morte, há um fechamento muito bom que é a retomada da situação dos protagonistas com os trechos bíblicos que contam a estória de Jó, relativizando a felicidade e a miséria como presentes do mesmo Criador soberano. É um bom conto, bem redigido e atencioso aos detalhes.

    Boa sorte.

  28. Jorge Santos
    21 de novembro de 2020

    Olá, HJ. Este conto narra a história de um homem cuja mulher começa a sofrer de esquizofrenia até que acaba por se suicidar. Sozinho, ele desiste de viver e torna-se um sem-abrigo. No final, ele revive o início do namoro dos dois.
    É um conto hiper-realista, em especial para mim, que passei por um processo em tudo semelhante, excepto no desfecho. O acompanhamento médico é essencial nestes caso. Custe o que custar, o paciente tem de procurar a ajuda certa, caso contrário não consegue contrariar o ciclo nem ter a qualidade mínima de vida.
    Gostei da forma como o conto foi estruturado. Parece um filme, cheio de imagens visuais impactantes. O regresso ao início é especialmente vibrante – o conto não procura um final feliz, a vida não funciona como nos filmes da Disney onde as personagens se casam e vivem felizes para sempre. Este conto é precisamente o contrário: mostra a realidade depois do casamento e a forma como uma doença pode moldar o nosso destino.

  29. Elisa Ribeiro
    17 de novembro de 2020

    A história do amor de João que resiste à loucura de sua esposa Sofia.
    Um conto cujo estilo e temática me remeteu ao século XIX e que caberia perfeitamente em um romance ou uma novela. O enredo é um drama romântico, a narrativa é linear, o narrador onisciente neutro a princípio, quando acompanha a juventude do casal, depois se aproxima de João, o protagonista da trama. O personagem João cativa o leitor por sua integridade, humanidade e amor incondicional pela mulher. O resultado é um conto sóbrio, redondo, bem acabado e de leitura muito agradável.
    A loucura é mostrada pelos olhos de um homem são, o marido, e o autor/narrador se vale de um “truque” para não descrever-lhe os sintomas. Convoca a imaginação/conhecimento do leitor ao narrar que Sofia “agia de fato como o típico estereótipo de uma louca”. Adorei isso. Pena não ter tido a mesma ideia no meu conto.
    Não encontrei nenhuma falha na revisão, apenas o uso pouco comum de algumas palavras causando alguma estranheza, o que não é demérito, muito pelo contrário.
    O que não gostei: só porque me impus esse item como compromisso nos comentários, a voz do narrador em “Neste ponto, é preciso esclarecer algo sobre João” meu soou como um solavanco durante a leitura. Fiquei procurando o motivo de o autor ter optado por essa intrusão, mas não encontrei nenhum efeito porventura pretendido que a justificasse.
    O que gostei: o uso do tempo presente em “João lembra com precisão de um grito agudo no hospital horas antes do médico chegar com a notícia”, momento em que a morte de Sofia é narrada. Achei de uma sutileza notável essa forma de enfatizar o impacto da morte da esposa na vida do marido.
    Parabéns pelo ótimo conto que agradou em cheio a parte de mim que ama e sempre retorna aos clássicos.
    Desejo sorte no desafio. Um abraço.

  30. Leda Spenassatto
    15 de novembro de 2020

    Resumo :
    Um casal, quase perfeito, envolvidos pelo fé, religião, amor e esquizofrenia.

    Comentário:
    João e Sofia, que amor lindo, um casamento quase perfeito, não fosse a esquizofrenia se intromete entre eles.
    Adorei o João ele se propôs ao que prometeu a sua amada no altar.
    Mesmo sem o apoio dos familiares, fez a vontade de Sofia, largou seu trabalho, sua carreira para acompar a esposa em seus últimos dias.
    Um conto lindo e gostoso pra caramba.

    “Quando foi que minha Sofia morreu? E eu nem vi…”
    Quantas vezes somos protagonista da vida de alguém e nem percebemos que esse alguém tem a vida em retroação.

    Te desejo sucesso de montão!

  31. Giselle F. Bohn
    13 de novembro de 2020

    Homem perde a esposa para a loucura.
    Este conto é difícil de comentar. Por um lado, é belíssimo – uma boa trama, personagens bem construídos, escrita primorosa. Não há muito o que criticar nesse aspecto. Você escrever muitíssimo bem e fez um trabalho lindo.
    Mas então, o que me incomodou? Pois é, não sei se vou me fazer entender, mas vou tentar. Uma das coisas foi essa colocação do narrador:
    “Neste ponto, é preciso esclarecer algo sobre João: apesar de um homem outrora feliz e sensível, não era muito AFEITO (um errinho de digitação aqui) às lágrimas. Mal saberia dizer quantas vezes e qual a última em que chorou.” Já comentei em outro conto – não me lembro qual -, que sinto uma “quebra de acordo” quando o narrador ganha voz, é quase como uma trapaça para mim. Mas não se deixe levar por esta leitora aqui – isso é um problema meu apenas. Há livros belíssimos onde isso acontece, e ninguém liga. 🙂
    Outra coisa que acho que fez o conto perder em dramaticidade foi este parágrafo:
    “⎯ Vamos embora, Jó!
    Ele ficou mudo.
    ⎯ Meu amor, meu Jó, vamos embora, por favor!
    ⎯ Tudo bem, tudo bem. Vamos para onde você quiser, meu amor.
    No início dos problemas, as famílias de ambos tentaram ajudar. Aos poucos, se distanciaram. João não pensou duas vezes e, em três dias, se mudou para uma cidade distante, mais fria, uma casa de campo. Deixaram para trás os familiares, os amigos, a paróquia, e o último espectro da vida que há décadas haviam construído.”
    O parágrafo que segue o diálogo foi totalmente anticlimático. Além disso, com este diálogo criou-se uma expectiva imensa, ao menos para mim: agora a história vai tomar outro rumo. Não aconteceu.
    Finalmente, a maneira como a morte de Sofia é descrita foi também, para mim, problemática: “João lembra com precisão de um grito agudo no hospital horas antes do médico chegar com a notícia. Ele lembra vagamente do diagnóstico. A notícia da morte em nada o atingiu.”. Diagnóstico? De algum transtorno mental, como esquizofrenia? Isso não mata a pessoa, então por que a morte súbita? Ela se matou? Talvez tenha me escapado algum detalhe aqui (não duvido; isso acontece sempre comigo!), mas não entendi essa parte. Já peço desculpas se foi falha minha.
    O final é belíssimo, e a interposição da história de Jó foi uma ideia brilhante. Gostei demais disso. No geral é um conto lindo, que nos segura do início ao fim, um dos melhores deste desafio! Parabéns pelo trabalho e boa sorte!

  32. Anna
    12 de novembro de 2020

    Resumo : Uma linda história de amor é ameaçada quando a esposa é diagnosticada com esquizofrenia tardia mas o marido permanece ao seu lado.
    Comentário : Achei lindo o amor que o marido sente pela esposa. O conto nos faz acreditar no romantismo. O amor fez o marido se mesclar com a loucura da esposa, fez ele se tornar o porto seguro em crises, fez ele se tornar tudo que sua mente maltratada pela doença necessitasse. Imagino como esse homem deve ter desejado momentos breves de lucidez para dizer “eu te amo” e ser compreendido. A esposa morre e o marido a continua buscando, tentando reviver memórias.

  33. Victor Belini Polo
    11 de novembro de 2020

    No meu outro comentário aqui falei que o escritor do conto possuí um talento nato como escritor, mas nato não seria a palavra certa por significar de nascença. Acho que brilhante seria melhor, sem querer puxar o saco.

  34. Victor Belini Polo
    11 de novembro de 2020

    Gostei muito do conto. João foi um exemplo de marido resignado, e que colocou em prática o verdadeiro amor que é sólido diante das difículdades, esse é o verdadeiro amor, o amor incondicional, semelhante ao Amor de Cristo por sua amada esposa, sua igreja, na qual ele amou até o fim, de maneira incondicional. O conto foi muito bem escrito, pensado e trabalhado. Que imaginação fértil, que conhecimento da natureza humana, quanto romantismo, quanta doçura envolta nas cinzas da triste realidade. Um conto doce e amargo ao mesmo tempo. O escritor é um escritor nato.

  35. Lara
    10 de novembro de 2020

    Resumo : João e Sofia vivem uma linda história de amor que culmina em casamento. Após muitos anos de casados Sofia é diagnosticada com esquizofrenia mas o marido permanece com ela até a morte da mesma.
    Comentário : O conto tem relação com a história de Jó porque o esposo perde a coisa mais valiosa em sua vida, a esposa amorosa e o lindo relacionamento que possuía. Gostei do conto apesar de ser triste. Achei lindo o marido ter sido o que ela precisava até o fim.

  36. Angelo Rodrigues
    10 de novembro de 2020

    Resumo:
    Menino e menina, João e Sofia, atravessam o tempo com seu amor imaculado. Sofia adoece. João suporta, mantém-se fiel. A mulher acaba falecendo. Ele revive, na igreja que sempre os acolheu, seus dias de juventude.

    Comentário:
    Conto que sobrescreve, até onde pude ver, a história de Jó na terra e no céu. Achei curioso porque, ao contrário do que ocorre a Jó

    “Ah, se pudessem pesar a minha tribulação e depositar na balança junto à minha calamidade!” (Jó 6:2 – King James)

    Bem, a calamidade de João-Jó recaiu sobre a esposa, e não sobre ele, cabendo-lhe, sim, é verdade, lamentar a solidão e a perda de Sofia, que amava.
    Mas não tenho profundidade para seguir adiante, infelizmente.

    Passou-me, isso sim, um fio de sentimento acerca do que ocorreu com a esposa, quando, diante da tevê vendo comerciais de fraldas, ela entra em parafuso. Jó e esposa tiveram sete filhos, eles, o nosso protagonista e sua esposa, não tiveram nenhum.

    Bem, foi isso que senti, o que justificou essa desconexão de Sofia com o mundo. A sua frustração de não poder, diante de tanto amor, não fazer da vida o seu palco de infância e juventude, não constituindo verdadeiramente a família ideal que representou no palco por anos.

    Foi isso que senti quando procurei elucidar o que houve com os rumos da história. Acho importante compreender o que há de subliminar na história, a mensagem que o autor desejou passar ao leitor.

    O conto está bem escrito. Não há dificuldade alguma na leitura, e tem um final bem legal.

    Boa sorte no desafio.

  37. Thiago de Castro
    10 de novembro de 2020

    Resumo: Conto sobre amor conjugal erodido pela esquizofrenia da esposa.
    Comentário: Caro Horácio, seu conto utilizou muito bem a simbologia bíblica para construir a trajetória de um casal em constante tentação. Toda a apresentação dos personagens, desde o início ingênuo e todo o caminho promissor e imaculado até o casamento constroem uma ideia de perfeição que compreendemos, já pelo título e tema do desafio, que irá ruir. A queda é grande, mas você a fez sem exageros, até porque ela acontece ao longo dos anos, ao poucos, e vemos os personagens se distanciando até o ponto de não se reconhecerem mais.
    Quando Sofia morre, fui pego de surpresa, pois estava no meio do parágrafo e, de repente, ela faleceu. Achei esquisito e muito súbito, mas você conseguiu, através da escrita, passar a sensação que o próprio marido teve com a morte da esposa: ela já havia perecido há muito, ali foi apenas o findar físico, burocrático.
    O final é comovente e dialoga com o início do conto, cuja tentação de Jó e o apelo da esposa para amaldiçoar esse Deus é visto como loucura. João termina amargurado e confuso. Valeu a pena suportar?
    Ótimo conto!
    Boa sorte no desafio.

  38. Bianca Cidreira Cammarota
    10 de novembro de 2020

    Casal harmônico no início de seu relacionamento se vê acometido pela insanidade da esposa ao longo dos anos de matrimônio, terminando no triste falecimento desta.
    Horácio, seu texto é redondo, linear e seguro. A ordem cronológica dos fatos (o desenvolvimento da insanidade de Sofia) fornece os parâmetros da decadência do matrimônio em si, mas não do amor de João. O paralelo com a história de Jó, que perdeu tudo (bens, amigos, família e saúde), menos a vida, como prova de fé do ser humano no divino, é interessante. Talvez, por isso, você tenha construído um casal perfeito no começo da história. Comparativamente, podemos refletir que, no universo antigo grego, uma vida humana tão perfeita era invejada pelos deuses e, frequentemente, destruída por esses. Ou seja: a “perfeição” é incompatível com os mortais.
    Mas deixemos de filosofar…rs
    O texto é bom. Na minha percepção, senti falta de uma identificação maior com as personagens, talvez pela o estilo mais exterior da narração. Contudo, ressalto que essa afirmação é fruto de sensação muito subjetiva minha.
    Parabéns por produzir um conto bom!! Boa sorte no desafio

  39. Anderson Do Prado Silva
    9 de novembro de 2020

    Resumo:

    Casamento se corrói depois que a esposa enlouquece.

    Comentário:

    Conto escrito com bastante competência! O domínio da língua e da narração são bons! A divisão de capítulos e os diálogos (ainda que poucos) contribuíram para dar fluidez. A epígrafe e o epílogo ficaram ótimos! O título é bastante sugestivo! Achei o desfecho excelente!

    Na minha opinião, o uso da língua foi conservador, prevalecendo o uso denotativo da palavra. Alguns trechos, com parágrafos longos e desprovidos de diálogos, são pouco dinâmicos. Em alguns momentos, deparei-me com o que me soaram como lugares comuns literários. A relação do casal, perfeita demais no início do conto, pareceu-me inverossímil. Não gostei das intromissões do narrador.

    Parabéns pelo conto, do qual gostei, e boa sorte no desafio!

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Informação

Publicado às 8 de novembro de 2020 por em Loucura e marcado .