EntreContos

Detox Literário.

Episódio Seis e Meio (Sar-Kaan)

1

Era já noite cerrada quando dois vultos entraram num edifício abandonado de Satkeel, uma das mais pequenas cidades de Numidian Prime. O mais baixo coxeava ligeiramente, fruto de uma recente ferida de guerra. O seu companheiro era bastante mais alto, um autêntico gigante coberto de pêlo castanho que protestava ruidosamente. 

“Eu sei, Chewie… ”, disse Han Solo, “Pára de reclamar. A mim também não me agrada isto. Mas sabes que precisamos de dinheiro.”

Precisavam sempre de dinheiro, pensou Han. Quando não tinham de pagar dívidas de jogo, tinham de comprar peças para a Falcon, que estava a ficar antiquada. Neste momento precisava de dinheiro para as duas coisas. Leia seria bastante prática nesta situação: venderia a nave sem hesitar um instante. Agora que a Falcon era considerada uma lenda, poderia conseguir um bom dinheiro por ela. Para Leia, a Millennium Falcon não passava de um monte de sucata. Para ele, a nave fazia parte da família – e não se vendia a família a menos que o negócio fosse realmente vantajoso. Assim pensaria o Han Solo de antigamente, quando não tinha ninguém na sua vida. Antes de conhecer Luke, Ben e Leia. 

Leia. 

Parecia que ela continuava fisicamente a seu lado e ele revia constantemente o que tinham vivido juntos, num exercício de masoquismo supremo. Nos primeiros tempos tinham sido felizes, embora tivessem temperamentos completamente opostos. Ela levava o altruísmo ao extremo, ele era um aventureiro egoísta. Ben nasceu um ano depois da Batalha de Endor, quando Luke, um rapaz cujo destino era ser agricultor, venceu Darth Vader numa batalha que culminara com a morte do próprio Imperador Palpatine. O nascimento coincidiu com a Batalha de Jakku, o último estrebuchar do Império. Enquanto Leia sofria no hospital, Han estava metido na maior confusão em que já se tinha visto e de onde sairia vivo por milagre – nunca tinha sentido a morte tão próxima, nem mesmo quando estivera nas garras nojentas de Jabba, o Hutt. No final a Aliança Rebelde venceu e os sobreviventes do Império refugiaram-se na Orla Exterior da galáxia, menosprezados pelo novo governo – o que se provou ser um erro. Leia tentou contrariar o fortalecimento da Nova Ordem por todos os meios, mas a sua posição tinha ficado enfraquecida desde que os seus rivais na Nova República tinham tornado público um facto que até então era segredo: a verdadeira identidade do seu pai, Darth Vader. 

Quando Ben fez três anos, entregaram-no a Luke, como era tradição entre os Jedi, que eram obrigados a viver sem qualquer laço familiar e a um voto de castidade que os impedia de constituir família no futuro. Ben seria um dos três padawan de Luke. A difícil decisão tinha sido tomada no momento em que Ben mostrara sinais mais do que evidentes de possuir a Força, mas lidar com a separação a que isso obrigava demonstrou ser extremamente doloroso, tanto para Leia como para Han, que pela primeira vez na sua vida tinha algo a que podia chamar de família. Leia chorou todas as noites durante mais de um mês. Han ficou do seu lado e ajudou-a no que pôde, mas a separação abrira uma ferida profunda. Como forma de compensar a perda, Leia decidiu dedicar-se ainda mais à luta contra a Primeira Ordem. Contra as recomendações insensatas do senado da Nova República, que iam no sentido de ignorar a Primeira Ordem e dar prioridade ao fortalecimento do poder da Nova República, Leia reuniu um grupo que partilhava a sua visão e iniciou a luta contra a Primeira Ordem chefiada por Snoke.

“Vem comigo”, rogara ela na altura. As palavras tinham ficado gravadas a fogo no espírito de Han. O olhar dela era de súplica, mas o distanciamento e a separação do filho tinham criado um fosso entre eles. Por outro lado, ela conhecia sobejamente a natureza aventureira dele. Leia esperara conseguir mudá-lo, mas teve de dar-se por vencida. A separação foi definitiva – a decisão mais difícil que Han se lembrava de alguma vez ter tomado. E, no entanto, a única que fazia sentido. Aquela que ele tomaria de novo para garantir a sua sanidade mental.

Ele não soube se tinha ouvido um barulho ou se pressentira uma presença, mas apontou de imediato o seu blaster. Chewbacca fez o mesmo, apontando a sua espingarda na mesma direção. Uma mulher materializou-se à frente deles. 

“Eu sou Sar-Kaan. Fui eu que o chamei, Han Solo”, disse ela. Era alta, um corpo deslumbrante, a pele azul e os olhos vermelhos. 

“Um lugar estranho para me encontrar com uma mulher de Mobus.”

“São tempos complicados. Precisamos falar em privado.”

Han olhou para Chewbacca e fez o seu habitual sorriso sarcástico. 

“Eu não tenho segredos para o Chewie.”

“O cérebro de um wookie é um livro aberto para qualquer Cavaleiro de Ren.”

Antes, Han pensava que os Cavaleiros de Ren eram tão lendários como os Cavaleiros de Jedi. Mas Luke mostrara-lhe que estava enganado. 

“Desculpa, Chewie”, disse, baixando o blaster e aproximando-se dela.

O wookie protestou ruidosamente, apontando a sua arma a Sar-Kaan. Ela estendeu a mão, mostrando um pequeno aparelho, um campo de força portátil. Solo aproximou-se dela e ela ligou-o. O campo de força envolveu-os como uma esfera. Passados dois segundos, Chewbacca deixou de os ver, protestando ruidosamente. 

“Calma, Chewie. Vai ficar tudo bem.”, disse Han, virando-se para Chewbacca.

“Ele não o consegue ouvir, Han Solo.”

Sar-Kaan pousou o campo de forças no chão, aos pés dela. 

“Eu sei. Ele é sempre assim… Mobus… Eu conheci uma rapariga de Mobus.”

Sar-Kaan sorriu. 

“Eu sei. Todos sabem da sua passagem por Mobus. Não pelos melhores motivos, digamos.”

“Como é que ela está?”

“A aldeia de Ju-Kar foi atacada pela Primeira Ordem. Ela tentou impedir que levassem o irmão dela. Foi morta à frente dele. Eles estão a recrutar jovens por toda a Orla Exterior.”

“Já ouvi dizer. Foi por isso que convocou esta reunião?”

“Não. Nem o grande General Han Solo consegue resolver todos os problemas da galáxia. O que me traz aqui é algo mais comezinho. Preciso contratá-lo para um serviço. Transportar vinte Madrakks adultos de Csilla para Jakku. Estou disposta a pagar-lhe 25 mil créditos agora e 25 mil quando chegarem a Jakku.”

Han sorriu. 50 mil resolvia-lhe todos os problemas. 

“A proposta é tentadora. Mas Csilla é controlada pela Primeira Ordem, e não há nada que proíba transportar Madrakks, por mais fedorentos que sejam.”

“Com os Madrakks deve levar uma família de agricultores. Um casal com um bebé. Eles são procurados pela Primeira Ordem e por todos os caçadores de prémios da galáxia.”

Han assobiou. 

“Também nós. Dificilmente conseguiremos aproximar-nos de Csilla.”

“Nós tratamos disso. Levará um droid com a localização da sua carga e o destino exacto em Jakku. Aceita o serviço?”

Han pensou um momento. 

“Estou com um mau pressentimento sobre isto”, murmurou.

Ela estendeu uma caixa a Han. Ele hesitou um instante, depois pegou nela. Olhou para o interior. Continha 25 mil créditos que reluziam à luz difusa do campo de forças que se desvaneceu naquele momento. Um droid apareceu a poucos metros deles. Chewbacca apontou-lhe a espingarda. Han sossegou-o. 

“Calma, Chewie. Temos um serviço para fazer.”

 

2

O transportador de minério era excessivamente lento para o carácter impetuoso de Han Solo. A Millenium Falcon estava parcialmente escondida debaixo de painéis de metal. Esperavam assim conseguir escapar ao bloqueio imposto pela Primeira Ordem. Como iam conseguir sair de Csilla era outra história. Han iria ter de improvisar, mas era esse o seu forte. Só esperava conseguir suportar o cheiro de vinte Madrakks adultos. Toda a energia na Falcon tinha sido desligada. Han usava um casaco grosso e até Chewie se queixava do frio. Ao longe viam o planeta Csilla. A orbitar o mesmo estava um gigantesco Destruídor Estelar. Dois caças TIE voaram a rasar o transportador de minério. 

“Estes tipos não estão a brincar”, comentou Han. Chewie concordou. 

Quando o transportador se aproximou do solo, Han ligou os motores e saiu rapidamente. O droid X2 pairou ao lado dele e projectou o holograma de um mapa do planeta. Um ponto vermelho mostrava o destino. Para evitar os radares, Han dirigiu a nave a baixa altitude pelos íngremes desfiladeiros de Csilla. Quando chegaram ao destino, X2 começou a emitir silvos irritantes. Han pousou a nave num planalto. 

“E agora?”, perguntou, olhando para o exterior. Não havia ali nada para além de rocha. Pegou no blaster e desceu a rampa. Saíu da nave. A diferença térmica obrigou-o de imediato a despir o casaco. Sentou-se na rampa e olhou em volta. Não viu nada nem ninguém. Aqueles tinham sido os 25 mil créditos que ganhara mais facilmente na vida.

De repente, o seu olfato foi atingido por uma rajada de peixe podre. Só havia uma coisa em toda a galáxia que cheirava assim: um Madrakk adulto. E o que cheirava pior do que um Madrakk adulto? Vinte Madrakks adultos que apareciam por uma passagem que parecia excessivamente estreita para um Madrakk. Tinham a altura de um homem, estavam cobertos de pêlo e duas grossas patas. Eram os animais mais pachorrentos que existiam na galáxia. 

À frente vinham dois homens armados, com o rosto coberto por máscaras de pano. No fim da comitiva vinham duas pessoas, uma delas transportando uma caixa às costas. Sem perder tempo com qualquer conversa, os dois homens da frente começaram a fazer subir os Madrakks pela rampa. 

“Sintam-se em casa”, comentou Han Solo. No fim, o casal subiu a rampa. Ela era uma mulher simples que o cumprimentou com um sorriso. O homem transportava a caixa. Han percebeu que dentro estava um bebé. O último bebé que tinha andado na Falcon tinha sido o seu filho Ben. As recordações tinham um sabor amargo e ele evitou-as. Tinha um serviço a fazer. Os dois homens armados saíram da Falcon. 

“Adeus. Gostei de conversar convosco.”, disse Han. Depois entrou na Falcon. O cheiro era já insuportável. Passou pelo casal. Ela dava de mamar ao bebé, tapando-o com o seu manto. O homem olhou para Solo com nervosismo. Sentou-se no cockpit ao lado de Chewbacca que já tinha ligado os motores. Ele protestou ruidosamente.

“Eu sei, Chewie. Mas o cheiro parece o teu hálito de manhã. Por isso, não fales muito.”

Han levantou a nave do solo e ganhou altitude, tentando não chocar contra as paredes de rocha afiada do desfiladeiro. Assim que sentiu que não tinha nenhum obstáculo que o impedisse, acelerou. Queria fugir ao bloqueio e entrar no hiperespaço. Ali estaria a salvo. Só tinha de conseguir escapar a um Destruídor Estelar. Isto se conseguisse suportar o fedor dos Madrakks. Olhou para trás. Os passageiros estavam sentados, ela segurava a criança. Havia ali um cenário dolorosamente familiar. 

Chewie ficou subitamente agitado. Han olhou em frente. Em vez de um Destruídor Estelar, havia três e uma nuvem compacta de caças TIE que voavam na sua direção. Han ativou os escudos e aumentou a velocidade da Falcon. Queria esquivar-se aos caças TIE e impedir que a Falcon fosse puxada por um feixe de tração de um Destruídor Estelar. A Falcon começou a estremecer  e várias luzes de aviso apareceram no painel de bordo.

“Não me abandones agora”, suplicou ele, acariciando a parede da nave enquanto atravessava a passagem que dava para a zona de passageiros. Uma explosão abanou a nave. O passageiro levantou-se. 

“Quero ajudar”, disse.

Han limitou-se a indicar a torre inferior da nave. Depois, subiu para a torre superior e sentou-se aos comandos do canhão. Três caças TIE seguiam a Falcon. Han acertou na primeira depois de duas rajadas de tiros. O passageiro demonstrou a sua perícia, acertando nos outros dois caças com uma rajada única para cada um. Sem tempo para regozijos, uma nova explosão atingiu a Falcon. Mais de vinte caças estavam a persegui-la. Antigamente, Han sabia que não teria hipóteses. Mas tinha reforçado o armamento da Falcon, ajudado por Leia. 

“Agora, Chewie. Lança as T-bombs.”, gritou.

Do casco inferior da Falcon saíram dezenas de esferas negras que se espalharam atrás da Falcon. As esferas eram atraídas pelos caças TIE e explodíam ao seu contacto. Han saltou da cadeira e correu pela passagem para o cockpit. Introduziu as coordenadas do salto no hiperespaço e  dirigiu a nave para o espaço entre dois Destruídores Estelares. Ativou os excitadores do motor de hiperespaço, a nave estremeceu e depois tudo desapareceu. 

O homem subiu da torre inferior e foi ter com eles ao cockpit. 

“A sua fama é merecida, Han Solo. Chamo-me Nial Nartano.”

“Não foi a minha fama que nos meteu nesta enrascada – foi a sua.”

“É por uma boa causa, garanto-lhe.”

Han Solo riu. 

“A última vez que me dediquei a uma causa ia morrendo.”

“Mas ajudou a acabar com o Império.”

“A minha participação foi mínima.”

Nartano esboçou um ténue sorriso. 

“Todas as participações contam.”

“E o que isso interessa agora? O Senado está dividido. A Primeira Ordem ganha força.”

“Sim. Mas há forças escondidas a crescer na Galáxia. A Senadora Leia está certa em continuar a luta. No entanto, a Primeira Ordem é apenas uma face do mal que aí vem. Fugimos deles. Não posso revelar mais pormenores. Só quero viver uma vida simples com a minha família.”

“Para isso não precisava trazer as criaturas mais fedorentas da galáxia…”

O passageiro sorriu.

“São as criaturas mais inofensivas que existem. Se todos fossem assim, não haveriam guerras.”

“Concordo… teríamos todos tombado com o cheiro.”

Solo levantou-se. A bebé tinha acordado e estava rabugenta. A mãe pegava nela ao colo. Depois aproximou-se o pai. A cena era demasiado familiar para Han aguentar. Comeu qualquer coisa na cozinha improvisada da Falcon e encostou-se numa cadeira para tentar descansar. Veio-lhe à memória uma recordação da última conversa que tivera com Luke. Este transmitira-lhe a preocupação que tinha com Ben. O rapaz, que na altura tinha 10 anos, era demasiado rebelde e procurava poder. Ambas as coisas eram contra a natureza dos Jedi. Parecia-se demasiado com o avô e Luke temia não o conseguir controlar no futuro.

 

3

Han acordou com o Chewie a protestar. Tinha detectado um sinal no exterior da Falcon. Han analisou o sinal. Era um localizador.

“Temos de tirar esta coisa antes que tenhamos companhia”, disse Han, que comandou a nave de forma a sair do hiperespaço. Sentiu imediatamente o embate da Falcon contra um fragmento de asteróide. Nartano entrou no cockpit. Han levantou-se. 

“Tenho de ir lá fora”, informou Han, tirando o exo-fato do armário. Vestiu-o e dirigiu-se ao compartimento de descompressão. 

“Tenho mesmo um mau pressentimento sobre isto”, murmurou Han enquanto abria a escotilha para o exterior. Saiu e ficou a flutuar no Espaço. Ativou os jatos do fato e distanciou-se do casco da Falcon. Não viu nada de estranho, para além das marcas recentes das explosões que se sobrepunham a outras mais antigas. A nave já tinha sofrido bastante. Passou por baixo do casco e descobriu o que procurava. O localizador era de um modelo que nunca tinha visto. Aparentemente, tecnologia da Primeira Ordem. Usou um alicate para retirar o aparelho que estava cravado no casco da Falcon. Tinha pensado destruí-lo mas, depois, teve uma ideia melhor. Empurrou o localizador até um fragmento de asteróide com cerca de quatro metros de diâmetro e cravou-o lá.

“Isto vai ensiná-los a não meter-se comigo”, pensou Han, esboçando um sorriso que durou pouco tempo. Uma segunda nave saiu do hiperespaço mesmo ao seu lado. Parecia ser ainda mais antiga do que a Falcon e igualmente maltratada. Han sabia reconhecer um caçador de prémios quando via um. 

“Chewie, tens companhia. Livra-te dele.”, gritou Han pelo intercomunicador do exo-fato. Depois viu a Falcon afastar-se rapidamente com o atacante a segui-la de perto e disparar sobre ela. A Falcon ripostava, sem usar toda a artilharia. Chewbacca tinha o suficiente bom senso para evitar ferir Han, que continuava agarrado ao pedaço de rocha. Da torre inferior da nave saíam disparos. Um, mais certeiro, atingiu em cheio a nave do caçador de prémios, que se desfez em milhões de fragmentos de metal, alguns deles projectados na direcção de Solo à velocidade de uma bala. Han sentiu primeiro o impacto na barriga, depois uma nuvem de gás que saía de um rasgão no exo-fato, misturada com pequenas esferas vermelhas que ele reconheceu ser sangue. Perdeu os sentidos e começou a flutuar no espaço até ser apanhado pelas mãos experientes de Nartano, que usava o segundo exo-fato.

 

4

Acordou deitado na mesa. Tana Laa, a esposa de Nial Nartano, observava a ferida de Han com uma experiência evidente. 

“A minha esposa tem formação médica. Pode confiar nela.”

Ela falou pela primeira vez: “O Han teve muita sorte. O fragmento metálico falhou por pouco o fígado.”

“Obrigado. O Nial tem treino militar, a sua esposa tem formação em medicina. Nada mau para duas pessoas que querem levar uma vida simples.”

O homem ficou sério. 

“Temos os nossos motivos. E é para o bem de todos.”

“É sempre para o bem de todos, mas sou eu que sofro na pele. É a história da minha vida. Chewie, quanto tempo falta para chegarmos a Jakku?”

Chewbacca, aos comandos da Falcon, disse algo de incompreensível. Han tentou levantar-se, mas parecia que pesava o dobro. Nartano ajudou-o.

“Não devia levantar-se. Precisa descansar.”

Han vestiu a camisa. Apareceu uma mancha vermelha no lugar da ferida.

“Já estive pior. Estou farto dos vossos segredos. Prefiro contrabandear armas para os Hutt. É mais seguro. Quero deixar-vos no vosso destino, receber o meu dinheiro e partir. Gostava de esquecer esta viagem, se bem que acho que nunca vou conseguir tirar o cheiro dos Madrakks do meu corpo, por mais banhos que tome…”

“Só lhe interessa o dinheiro na vida, Han?”

Han fitou o vazio. Imaginou ver Leia e o Ben. 

“Não. Mas quando me interesso por mais alguma coisa fico sempre a perder. Já tive uma família. Agora estou sozinho.”

Chewie protestou ruidosamente. 

“Desculpa, Chewie…”

“Então percebe a minha luta. Eu quero o melhor para a minha família, que está ameaçada por forças muito maiores do que a Primeira Ordem.”

Jakku apareceu em frente. O droid deu sinal de vida, projetando um holograma de um mapa, tal como tinha feito em Csilla. A diferença é que em Jakku não havia forças da Primeira Ordem a bloquear o acesso. A Falcon deu um solavanco mais pronunciado e acenderam-se várias luzes no painel de instrumentos. O motor estava a um passo de colapsar. Han seguiu o mapa até uma pequena aldeia e aterrou a Falcon.

“É aqui”, confirmou Nartano, espreitando para o exterior. 

O droid abriu um compartimento no seu corpo metálico, mostrando uma caixa.

“É o resto do seu pagamento. Já nos pode esquecer.”, disse Nartano.

A mulher estava com a filha ao colo, que sorria para Han.

“A Rey gosta de si. As crianças sabem quando conhecem boas pessoas, Han. Nunca perca a esperança de ser feliz, por maiores que sejam as feridas.”

Han sorriu. Tirou uma pulseira e deu-a a Tana Laa. 

“Era do meu filho. É para a sua filha.”

Tana Laa agradeceu e mostrou-a à bebé, que começou a brincar com ela. 

Descarregaram os Madrakks com a ajuda dos cinco agricultores que festejavam efusivamente a chegada deles. Nial Nartano e Tana Laa acenavam. Han despediu-se de uma forma evasiva, como era seu hábito. Levantou a rampa e elevou a Falcon.

“Abre as escotilhas, Chewie. Vamos ver se conseguimos tirar daqui o mau cheiro.” 

Han dirigiu a Falcon até uma zona montanhosa. Foi lá que se ouviu um estrondo e Han só teve tempo de acionar os motores auxiliares para conseguir pousar a nave em segurança.

 

5

Depois de perder algumas horas à volta do motor, Han deu-se por vencido: precisava de peças. Deixou o Chewbacca a guardar a Falcon e tirou a speeder que roubara de um depósito de armas abandonado pelo Império depois da batalha de Jakku. Montou na speeder e ligou-a. Depois, deslizou por cima do solo a grande velocidade em direcção à cidade mais próxima. Sendo um planeta de sucateiros, deveria encontrar rapidamente o que procurava, e não se enganava. Regressou quando o sol forte de Jakku estava já muito próximo da linha de horizonte. A planar atrás da sua moto voadora estava uma caixa com um regularizador de fluxo. Queria reparar o motor e desaparecer, mas não foi isso que aconteceu: em vez da Falcon guardada por Chewbacca, encontrou apenas Chewbacca no chão, aos berros. Han não demorou muito tempo para perceber o que tinha acontecido: a Falcon tinha sido roubada. 

Soltou Chewie, que não se conseguia perdoar por ter caído tão facilmente na armadilha. 

“Acalma-te. Agora não há nada a fazer… temos de arranjar outra nave e procurar a Falcon. Também já estava a precisar de ser substituída. Se eu apanho o tipo que fez isto não se vai ficar a rir com a proeza. Tem a cabeça a prémio. Agora é a minha vez.”

Chewie soltou um longo uivo de dor. Depois montou atrás de Han na speeder e partiram para Ka-moon, a cidade mais próxima. 

E Então? O que achou?

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Informação

Publicado em 24 de agosto de 2020 por em FanFic, FanFic - Grupo 2.