EntreContos

Detox Literário.

Macaco Guariba (Gustavo Araujo)

Passou a mão na água escura enquanto o barco avançava. Gostava da sensação dos dedos rasgando o manto aquoso. O ruído do motor, porém, a impedia de escutar os sons da floresta. À sua frente, o macaco sorria. Era um sorriso maroto, cúmplice, talvez perverso. Tentou ignorá-lo. Olhou para trás e viu sua casa diminuindo cada vez mais. Aquela casa de madeira fincada entre as árvores altas e exuberantes. A casa que nunca mais veria.

Podia ainda sentir o cheiro ferruginoso de sangue, a mancha enegrecida ganhando o assoalho da cozinha, formando uma poça. Os gemidos, os soluços, a busca pelo ar que não viria. E o rosto. Aquela face incrédula de quem sabe que a morte chegou antes da hora.

No horizonte que recebia as primeiras luzes da manhã, um pássaro riscou o céu. O guariba o contemplava com um bocejo. A menina puxou a trouxa de roupa para perto de si e, com seus dedos pequenos, acelerou o motor.

***

Tuane chamou-a num sussurro. Estava agachada à margem do Oiapoque, os longos cabelos negros derramados nos ombros.

― Vem aqui, bem devagarzinho…

Nina aproximou-se da irmã e agachou-se também, os olhinhos se estreitando na face redonda.

― Veja…

― Onde?

― Ali, no buraco…

A alguns metros de onde estavam, filhotes de tartarugas se debatiam no terreno barrento, agitando as patinhas com pequenos tapas, ganhando centímetros rumo às águas. Dez, vinte… Havia uma porção.

― Elas só aparecem bem cedinho ― disse Tuane, os olhos grudados nas bichinhas. ― Assim, quando o sol ainda está acordando.

― Acho que elas não gostam de muito calor ― Nina respondeu. ― Parecem de brinquedo, né?

― Nina, Tuane, o almoço está pronto!

A voz aguda tipo araponga atravessou o ar, quebrando o encanto. As meninas se olharam por um instante e riram. Levantaram e deram-se as mãos, saltitando de volta para casa.

Tartaruga-ê! Tartaruga-á!

Moravam à beira do rio desde que se conheciam por gente. Os pais, antes, tinham vivido na cidade, em Santarém, pelo que disseram. Mas como a vida lá era ruim, preferiram voltar para a floresta. Trabalhar ali, o pai dizia, era muito mais tranquilo. Não era preciso se incomodar com patrão nem nada assim. Era fazer o que qualquer homem trabalhador faz: acordar cedo, ir para a lavoura. Plantar, colher e depois vender. Açaí e mandioca sempre têm mercado. Não tem erro. À noite, rezar e dormir. Pronto.

Era um homem sério ele. Não sorria muito. Era magro como uma garça, tinha os cabelos ralos e o rosto vincado pelo sol. Quando não trabalhava, ia ao povoado ali perto, uns trinta minutos de barco, para jogar conversa fora com os amigos. Ou senão se sentava no trapiche para pescar, as pernas balançando no vazio sobre o rio que passava manso embaixo. Era um homem bom, dizia a mãe das meninas. Um homem bom.

Ela própria era mulher pequena, a constituição forte se refletindo nas feições largas e na pele bronzeada. Os braços poderosos, forjados na lavoura desde criança, ajudavam na lida e no dia a dia da casa.

A casa. Dois quartos, uma sala e cozinha. O banheiro era do lado de fora, num tipo de quartinho, afastado, perto de um pequeno depósito onde se guardavam as ferramentas. Casa ótima, na cheia e na vazante.

Tinham sorte, dizia o pai com frequência nas refeições. ― A maioria das pessoas na cidade não tem onde cair morta.

Não raro, ele se perdia em olhares distantes, para além das paredes, como se enxergasse algo invisível para elas. ― Mas aqui temos tudo ― retomava, voltando-se para as meninas, mastigando de boca aberta.

― Temos que agradecer sempre a Deus ― completava a mãe. ― Sem Ele, estaríamos numa situação terrível, e não aqui, neste paraíso.

Nina gostava de viver ali. Na época das aulas, a mãe as levava para a escola na vila rio acima. Por vezes, deixava que elas pilotassem o barco, controlando o motor. Era muito fácil. Deslizar pelas águas, logo cedo, assim, no controle, era bom demais. O vento nos cabelos, o reflexo do sol no mareio dançante à frente. Outras vezes, nesse trajeto, competiam, ela e Tuane, para ver quem enxergava mais animais. Tuane uma vez vira um jacaré, mas Nina não acreditou. A irmã queria levar vantagem só porque era mais velha. ― Você fala demais, Tuane ― ria a mãe. ― Tinha que ser mais quieta, como a sua irmã.

Volta e meia viam guaribas pulando nas copas perto da margem, como que se exibindo, os braços longos agarrando os galhos e impulsionando-os árvore acima. Nina os adorava porque eram bagunceiros e pareciam não ter medo de nada.

Toda vez que os via, lembrava da vez em que estavam na floresta, elas e os pais, para apanhar folhas de poejo, quando de repente um daqueles macacos roubou o chapéu do pai, que ficou furioso. Nina e Tuane riram muito, mas baixinho, porque o pai ficara realmente bravo. Mas isso não fora tudo. Naquela vez, um dos guaribas piscou para ela. Ele tinha uma mancha vermelha sob um dos olhos. A piscada fez com que Nina imaginasse que ambos faziam parte de uma equipe secreta. Tão secreta que nem mesmo Tuane podia saber.

***

Certo dia tomavam café da manhã reforçado. O pai tinha dito que precisava de ajuda no trabalho porque havia muita mandioca para colher. Apontando com o garfo, disse que Tuane iria com ele, enquanto Nina e a mãe ficariam em casa, lidando com o açaí. Tuane protestou, dizendo que preferia ficar com a mãe também, já que sabia peneirar o açaí melhor do que todos, mas o pai disse não, que Tuane estava ficando forte e que deveria ajudá-lo na lavoura. Nina que aprendesse a peneirar direito, sentenciou, enquanto a mãe permanecia em silêncio.

Na verdade, Tuane andava mal humorada há algum tempo. Dava para perceber. Sem paciência, não queria mais brincar. Passava longos períodos sentada ao rio, sem fazer nada. Às vezes Nina tentava se aproximar dela, convidá-la para fazerem alguma coisa juntas, ir à floresta ou pescar, mas a irmã preferia ficar sozinha. A mãe dizia que ela estava crescendo e que era natural que se comportasse assim, que logo se tornaria uma mulher e que, se Deus quisesse, encontraria um marido trabalhador com quem construiria uma família, ocupando-se do trabalho diário e dos afazeres domésticos. Porque assim era assim a vida.

Contudo, Nina insistia. Por vezes tinha sucesso. Ela e Tuane iam à margem do rio olhar os pássaros ou, quando tinha mais sorte, acabavam brincando de fazenda com ossinhos de tambaqui e pedras que recolhiam na beira d’água. Mas no geral Tuane estava cada vez mais distante, lendo e relendo as revistas velhas que havia em casa. Para Nina, a culpa era dessa obrigação de ir trabalhar com o pai. Estava na cara que Tuane detestava aquilo, mas o pai não se importava. E nem a mãe, para falar a verdade. Todos os dias. Tuane e o pai terminavam o almoço e iam para a lavoura, os chinelos se arrastando na trilha quase sempre enlameada, enquanto Nina permanecia com a mãe, para ajudar na casa, para peneirar o açaí.

À tardinha se punha a olhar o horizonte, na expectativa da volta deles, a ansiedade sempre crescente. Quando finalmente chegavam, porém, Tuane ia para banho, dizendo-se exausta, seguindo para o quarto. Às vezes chorava. Às vezes não comia. Às vezes Nina queria conversar com ela, contar que vira uma arara vermelha, mas Tuane não prestava atenção. Talvez, se Nina fosse junto com ela e o pai para a plantação, a irmã se sentisse melhor. Mas o pai nunca deixaria. Diria que Nina ainda era pequena demais, que não entendia nada e que iria fazer tudo errado.

***

Numa tarde qualquer, topou com um guariba na janela do quarto. Reconheceu-o. Era aquele, da mancha vermelha sob o olho. Mostrava o riso arreganhado, os dentes claros contrastando com a cara barbuda. Quis chamar a mãe, mas o macaco balançou a cabeça. Era como se pedisse silêncio. Da janela, apontou a floresta. Nina não entendeu. Ele pulou para fora do quarto e guinchou num apelo. Estaria perdido? Não… Macacos não se perdem. Um convite, quem sabe? Observou-o dali, do umbral. Ele parecia mesmo aguardá-la, apontando com insistência para as árvores. Escorregou para fora também, na direção dele, tão silenciosa que nem uma aranha perceberia seus movimentos.

― Muito bem, senhor guariba ― sussurrou. ― O que você quer?

O macaco pôs-se em marcha com pequenos saltos, na direção das árvores e Nina seguiu-o por um ou dois minutos.

― Não posso ir… ― disse ela, detendo-se. ― Tenho que avisar minha mãe.

O macaco olhou para ela, inquisitivo. Na verdade, Nina estava um pouco assustada. O guariba tinha o olhar amistoso. Provavelmente só queria brincar, mas a estranheza da situação era grande demais. Impossível demais.

― Não tem ninguém para pular nas árvores com você? Onde estão os outros guaribas?

Talvez o macaco fosse como ela, alguém sem muitos amigos, sem ninguém para passar o tempo.

― Nina! ― a mãe gritou da porta da casa. ― Onde você está?

Olhou para trás e viu-a agitando os braços. Nesse instante o macaco desapareceu, assustado por certo com a voz estridente da mulher.

Pouco importava.

Precisava contar aquilo a Tuane. Ela não ia acreditar!

***

Acordou com o silêncio. Ouvia ao longe alguns passarinhos cantando, mas na casa não havia movimento algum. Caminhou até a porta de entrada, onde viu a mãe parada, mirando o rio logo adiante, os olhos úmidos.

― Tuane foi embora ― disse ela. ― Não fique triste.

― Como assim foi embora? Por que ninguém me avisou?

― Foi embora porque tinha que ir. Foi estudar em Santarém ― disse, enxugando os olhos com o pano de prato. ― Ou você acha que aqui nessa escolinha de merda alguém aprende alguma coisa?

Merda…

― Desculpe, filha. Eu também estou triste… Na verdade, a gente já tinha feito esses planos. Não contamos para você porque… Porque achamos que você não ia entender, que ia chorar… Como eu agora…

Sim, claro que Nina queria chorar.

― Cadê o papai?

― Papai foi levar ela até a casa nova, de uma tia. Deve voltar daqui a pouco. Também está triste. Todo mundo está triste.

― Tia? Que tia?

― Tuane cresceu, sabe? Quase uma mulher. Quase não. Uma mulher de verdade. Não tem mais lugar aqui. Precisava estudar, voar. Fazer a família dela.

Tuane foi embora.

― E quando a gente vai visitar ela, mãe?

― Logo a gente vai fazer isso, filha. Prometo. Ela vai ficar com saudades também. Aposto que vai.

Tuane foi embora. Nunca mais as brincadeiras na margem do rio. Nunca mais as tartarugas, os pássaros, os ossinhos de tambaqui.

Merda.

***

Não se falava mais em Tuane na casa. Qualquer menção a ela era logo engolida por outros assuntos. Tinham que retomar a rotina, o trabalho. A mandioca, o açaí. A vida continua apesar do buraco na alma. Sem escola para Nina, porém. Escola coloca muita ideia errada na cabeça das crianças, disse o pai.

Por vezes Nina via a mãe escondendo o choro. O homem, contudo, escondia bem a tristeza. Nunca o vira reclamar. Para ele, era claro, Tuane tinha que ser esquecida e a melhor maneira de enterrá-la nos abismos da memória era trabalhando cada dia mais. E rezando.

Na casa, pouco conversavam. Mas a mãe tentava, vagarosamente, preencher aquele vazio. Tentou convencer o pai a comprarem um gerador novo, mais potente. Quem sabe poderiam assistir à TV, buscar distração. Algumas pessoas falavam das novelas, das histórias que passavam todos as noites depois do jornal. Seria bom se distrair.

Talvez amanhã, dizia o pai. Era teimoso. Até porque acreditava que televisão era atraso de vida.

***

Nina agora acompanhava o pai na lavoura. Também crescia, também ganhava corpo e braços fortes. O sol incomodava um tanto, mas a chuva não tardava a aparecer. O importante era colher as ramas direitinho, como o pai ensinara. Pouco conversavam, mas ele estava sempre de olho nela.

Dia após dia, a rotina se repetindo. Ainda se lembrava da irmã. Imaginava Tuane ali, as mãos machucadas pelo cabo da enxada, os dedos lanhados pelas raízes, inundada por pensamentos. A vida toda seria assim? Um trabalho infinito? Casar-se e cuidar da casa, do marido? Ter filhos e começar tudo de novo? Todos os dias, tudo sempre igual. Acordar, ir à escola, trabalhar, rezar, dormir. Ponto. E depois e depois a mesma coisa. O sol, a chuva. O nada.

Porque não tinha ainda muita destreza com as ferramentas, o pai se aproximava dela para ensinar o manuseio. Aqui, pegue assim, mexa desse jeito, dizia. Jogue lá na frente, puxe, arraste. Ele era muito insistente. Nina não parecia fazer certo nunca, porque todos os dias o pai se aproximava por trás dela e pegava junto na enxada e no rastelo. Dizia que seria mais fácil se ela jogasse o corpo assim, para frente e para trás. E mexia junto com ela, assim, para frente e para trás. Para frente e para trás.

Depois de um tempo ele parecia satisfeito, mas no outro dia, lá vinha ele de novo. Encostava a cintura junto dela e moviam-se indo e vindo. No silêncio da lavoura, tudo o que Nina percebia era a respiração ofegante do homem.

Um dia, num momento desses, um bando de guaribas apareceu. Gritavam e agitavam os braços. Há tempos Nina não os via. Eram ousados demais. Assim, na plantação, fazendo aquela bagunça. Nina desvencilhou-se do pai e correu na direção deles, na esperança de encontrar seu amigo, aquele da mancha vermelha no rosto, mas não conseguiu encontrá-lo.

Semanas e meses se passaram. Os macacos não vieram mais. Nina, em todo caso, estava mais incomodada com a insistência do pai em vir por trás dela para ensinar o manejo da enxada. Resolveu perguntar à mãe se era assim mesmo, se havia alguma coisa de errado na maneira como ela empunhava as ferramentas. A mulher, entretanto, limitou-se a fechar os olhos e exalar um longo suspiro. Em seguida, enquanto cortava uma cebola, disse que era assim mesmo, que o pai era teimoso daquele jeito, que era preciso compreender, aceitar.

***

Há alguns dias a mãe caíra de cama. Maleita. O pai fora até a vila, atrás de um médico e remédios, mas sem sucesso. Precisavam recorrer às plantas, disse ele. Chá de pariparoba, alguém dissera. Não tinha jeito. Era o único jeito. Fizeram com que a mãe bebesse, dia a dia. Mas não havia sinal de melhora.

Nina ocupou-se da cozinha. Fazia arroz, fritava mandioca, enquanto o pai vigiava a mãe, inundada por calafrios, com a febre que ia e vinha, cada vez mais alta. Panos úmidos na testa, suor, bacia d’água ao lado da cama. O lençol molhado, a sensação de frio. Os delírios.

― Tuane, desculpa a mãe, filha…

A mãe repetia o nome de Tuane vezes sem fim.

― Para quê? Por quê?

O pai permanecia ali, ao lado da cama, em silêncio, os olhos fechados, murmurando preces.

A mãe vai morrer, pensou Nina. Já tinha visto gente com malária antes. Naquele ponto não tinha mais o que fazer. A mãe vai embora. Agora serão só ela e o pai.

À noite sonhou. Saía para o quintal quando veio o choque por trás. Inevitavelmente caiu. O peso sobre ela era insuportável. O cheiro de suor, a barba cerrada. A respiração acelerada, esbaforida. Tentou se desvencilhar, mas era impossível. Pensou na mãe. Em Tuane. Deus, onde está você?

Acordou assustada. Na escuridão da casa via a figura do pai, iluminado por um toco de vela, ao lado da mãe, que gemia.

Mãe, por favor, não morra.

O pai não quis sepultá-la no cemitério da vila. Disse que ela era filha daquela terra e que voltaria ao pó ali mesmo, próximo da sumaúma. Levou Nina com ele. O corpo da mulher num carrinho de mão, balançando no terreno irregular. Tudo muito rápido. A pá, o buraco, a terra. A terra acumulada formando um monte ao lado da árvore gigante. A mãe transformada em planta. Ao lado, outro monte. Menor.

Nina chorou. Chorou como nunca na vida. Depois enxugou as lágrimas. Olhando o pai caminhando a frente, no caminho de volta para casa, ouviu um guincho em meio às árvores altas.

Noite após noite, acordava em sobressalto ao menor ruído. No breu que envolvia a casa, quebrado de quando em quando pela lua que vinha de fora, procurava pelo pai nas sombras. Às vezes deslizava com a ponta dos pés até o quarto dele, só para ter certeza de que ele estava ali, ressonando, apagado.

Não ia mais à lavoura com ele. Substituindo a mãe, permanecia em casa, na lida diária. Colhendo o açaí, peneirando e peneirando, fazendo caldo, lavando a louça, varrendo o piso, engolida pela rotina, pelos dias que se repetiam, aguardando o homem voltar. Aguardando. O cheiro. O peso. O suor. Quem sabe um rasgo na alma. Aguardando. Aguardando.

Sonhava com frequência agora. Um pesadelo recorrente. O peso sobre si, o sufoco, a angústia se repetindo noite após noite. Um rasgo na alma, a dor nas entranhas, o fogo, a ardência insuportável. O inferno.

Em algum momento deu-se conta do estardalhaço que vinha da cozinha. Em meio à vista embaciada, notou o pai no chão, a garganta cortada, o sangue vertendo pelo rasgo escuro. Diante dele, o macaco de mancha vermelha no rosto segurava uma faca longa ainda pingando. Ele ria, o macaco, olhando para ela, os dentes pontudos na cara barbuda. O pai ainda se mexia, levando a mão ao pescoço, gorgolejando, cuspindo, engasgando-se. Tinha os olhos fixos na menina, arregalados.

Nina voltou ao quarto. Fez uma trouxa de roupas e rumou para o trapiche, resoluta. Entrou no barco e ligou o motor. Em meio ao balanço, o guariba ainda guinchava. Girou o acelerador e partiu. Rasgando o manto aquoso com as pontas dos dedos, olhou para o macaco, até senti-lo desaparecer dentro de si.

27 comentários em “Macaco Guariba (Gustavo Araujo)

  1. Pingback: Resultados do Desafio “Amazônia” | EntreContos

  2. Marcio Caldas
    4 de julho de 2020

    O arco é bem conduzido, com muita sensibilidade. A história é marcante e não sai da cabeça do leitor.

    A ideia de utilizar o animal como um alter ego necessário de fuga para a criança da o toque final para este ótimo conto. Adorei.

  3. fabiolaterrabaccega
    4 de julho de 2020

    Uma família ribeirinha composta pelos pais e duas filhas, vivem um drama.
    As filhas ainda crianças são abusadas pelo pai.
    A filha mais nova, após a morte da irmã e da mãe mata o pai e vai embora.
    Um macaco está presente o tempo todo na narração, se revelando no final, ser o subterfúgio que a menina achou para conseguir se livrar do sofrimento.

    Achei o conto muito bonito.
    A mistura de fatos totalmente prováveis, principalmente nessa região do Brasil, que é o abuso de menores, a violência doméstica, o distanciamento de recursos como escolas, hospitais, foi descrito com maestria.
    A inclusão do aspecto psicológico, colocando um animal da fauna local como inicialmente “amigo” das meninas e surpreendendo no final ao mostrar que era a própria menina, foi perfeito!
    Um conto que juntou tudo: a natureza e o homem!

  4. Daniel Reis
    3 de julho de 2020

    Macaco Guariba (Ribeirinha)
    Resumo: família (pai, mãe, duas filhas pré-adolescentes) vivem quase isoladas, no meio da Amazônia. A irmã mais velha, que ajudava o pai na lavoura, vai embora, a filha mais nova assume seu lugar – inclusive nos abusos. A mãe morre e a menina também “toma o seu lugar”. Ao final, o macaco, que aparece para ela na história em momentos cruciais, se concretiza como alegoria da vingança dela contra o pai abusivo.

    Quanto à PREMISSA, impossível não pensar em “A vida de Pi”, pois utiliza de recurso alegórico muito similar. Isso não desmerece o trabalho, pois apesar do tema ser sobrevivência, aqui ele carrega a dramaticidade de uma situação extremamente grave e disseminada, não só nas famílias do interior, mas até mesmo nos grandes centros.

    A TÉCNICA empregada é muito boa, pois consegue mostrar a realidade de Nina sem ter que contar muita coisa, só pelas narrativas das cenas e personagens.

    O EFEITO NO LEITOR, ao término, é muito bom, pois a história, ainda que com final previsível, também é inevitável. Comentei isso em outra história do desafio, justamente porque é o que mais me parece característico do drama – a inevitabilidade dos acontecimentos. Parabéns!

  5. Fabio D'Oliveira
    1 de julho de 2020

    Resumo: Nina vive no interior da Amazônia e tem sua inocência arrancada de forma triste e agoniante enquanto observa a família, que tanto amou um dia, se vítima de um abusador.

    Olá, Ribeirinha.

    Você sabe escrever muito bem. Alguns erros de digitação, mas nada que uma revisão mais cuidadosa não resolva. Um dica: se for possível, ficar alguns dias sem mexer no texto. Assim seus olhos ficam mais atentos numa releitura. Ajuda muito na hora de lapidar o conto. Sua narrativa é fluida e gostosa, tudo se desenrola com naturalidade, você mostra a história de uma forma eficiente, não tem um estilo poético, mas é agradável, não é denso. É uma autora bem desenvolvida, já. E isso se reflete no enredo tão bem desenvolvido, também. A agonia que você transmite, a inocência inicial, você desenvolve de acordo com a fase de vida da Nina. Isso é muito bom. É como em livros onde o protagonista começa numa inocência que é quebrada no decorrer da história e a narrativa acompanha isso, mudando do puro para o sombrio. A metáfora com o guariba também é excelente. O lado animal da Nina aflorando e se manifestando, deixando ileso sua parte inocente, que não se reconhece como a autora do assassinato. Parabéns por isso, você é uma escritora nata!

    Agora, uma coisa que fico sempre em dúvida sobre o tema, é quando o usam como plano de fundo. O cenário, sabe? Quando o cliente é forte, bem criado e sempre presente na história, não costumo cismar com isso. Mas quando dá a sensação que, com pequenos ajustes, a história poderia ser igual em qualquer outro lugar, principalmente por termos vários comunidades ribeirinhas que saem da alçada da Amazônia, entrando até no ambiente da Mata Atlântica, e temos guaribas em outros pontos no país, acaba fortalecendo essa sensação. Não se desvincula completamente da proposta, mas fica claro que o foco não foi criar um conto sobre a Amazônia, mas sim escrever sobre o período da vida de Nina em que foi abusada. E que a ambientação foi construída pensando em encaixar o texto no desafio.

    Fora isso, que me incomodou um pouco, seu conto é muito bem desenvolvido e merece muito louvor. Parabéns!

    Muita felicidade para ti, com certeza será um dos primeiros colocados nesse desafio!

  6. soniazaghetto
    27 de junho de 2020

    É um texto muito bem escrito, que revela um autor bastante competente. O enredo me lembrou “As aventuras de Pi” na utilização do animal interno perante situações emocionais extremas. Entretanto, foi criativo e calcado em dura realidade.
    Técnica, gramática, linguagem e abordagem excelentes.
    Parabéns.
    Boa sorte. espero que esteja entre os finalistas.
    P.S. Admito que, pessoalmente, a menção ao Oiapoque acrescentou uma emoção extra, já que tenho um livro histórico sobre o município e o rio Oiapoque. Acabei por “enxergar”a trama inteira nos cenários que conheço.

    • soniazaghetto
      28 de junho de 2020

      Resumo (que esqueci de colar):
      Uma família ribeirinha vive um terrível drama. As meninas Nina e Tuane são abusadas pelo pai. Após a morte da mãe, a filha caçula descobre que a irmã também está morta. Sob abusos, ela mata o pai e, para se proteger da dura realidade do gesto, refugia-se numa fantasia (transfere seus atos para um macaco guariba) e foge do lugar.

  7. Ana Carolina Machado
    27 de junho de 2020

    Oiiiii. Um conto triste sobre uma menina chamada Nina e um macaco guariba que representa a parte dela que resistiu ao abuso do pai, chegando ao extremo de o matar para que pudesse fugir. O conto começa nos apresentando Nina já fugindo depois do que ocorreu com o pai. Um pouco depois conhecemos Tuane, a irmã dela e companheira de brincadeiras . Tuane começa a agir estranho,sem paciência até para brincar como antes e no fim a menina desaparece. A mãe diz para Nina que Tuane tinha ido estudar em Santarém, porém mais para frente descobrimos que na verdade ela morreu e está enterrada perto de uma árvore assim como a mãe que morreu de malária. Ficando só Nina e o pai a situação piora, começam os pesadelos que podem representar o abuso que ocorria na realidade. A menina vive sempre em um estado de medo constante, acordando de sobressalto ao menor ruído, até que em um dado momento o pai é morto aparentemente pelo macaco guariba que no final se mostra como uma parte da personalidade da própria Nina.
    Um conto forte e realista, pois a região amazônica é uma das regiões em que mais ocorrem esse tipo de abuso. Se não me engano tem até uma matéria da BBC sobre isso. Foi muito realista e triste a inocência da Nina diante dos abusos, com ela chegando a perguntar para a mãe se tinha alguma coisa de errado na forma como ela segurava as ferramentas, pois no fundo ela sabia que as aproximações do pai não eram normais, porém ao mesmo tempo a mente dela não conseguia processar o que estava ocorrendo. Parabéns pelo conto e boa sorte no desafio.

  8. aultimaedicaoblog
    27 de junho de 2020

    O conto é sobre tristeza, sobre realidade, é denúncia, é reflexão. Este conto, que fala de forma simples, precisa, aguda sobre uma família que chega a uma região linda, rica, porém miserável – paradoxos que os governantes do Brasil criaram e criam – e então se vê presa a uma rotina de trabalho que a desfigura como família, como pessoas. O pai, figura soturna, utilitária e deprimente, abusa das filhas como se estivesse a assisitir um programa dominical, a que tanto proíbe a esposa de ver. As filhas não podem ir para a escola, pois lá poderiam denunciá-lo a algum amigo, professor, mas não que isso fosse funcionar, mas seria ao menos uma esperança. Ao fim, processada e um movimento de ódio acumulado, a garota sem saber conversa com a natureza – perceba, a sua natureza interna aliada à natureza da floresta, que é o macaco, símbolo de tudo isso. Aí está a genialidade do conto!

    Em outro aspecto, o desaparecimento da irmã torna a trama mais misteriosa, deixando para que o leitor faça suas conexões após a leitura, o que faz o conto proliferar em digressões pós-leitura. A Amazônia também está lá, recolhida em sua prosperidade, nas ávores centenárias que ladeiam o corpo da mãe – esta, de vida tão sofrida e curta – na atividade econômica do pai e da filha, no esgotamento, nas frutas. Enfim, tudo no conto é realmente intrigante. Já tem aqui uma nota máxima, caro escritor.

  9. angst447
    26 de junho de 2020

    RESUMO:
    Uma família morando à beira do rio vive um cotidiano simples, mas que esconde um terrível segredo. As meninas Nina e Tuane muito ligadas, acabam sofrendo o mesmo abuso do pai, cada uma ao seu tempo de desabrochar. O terrível comportamento paterno acaba por provocar sua própria morte pelas mãos da filha caçula, que para se proteger da cruel realidade refugia-se na fantasia de transferir seus instintos de sobrevivência e justiça para um macaco .
    …………………………………………..
    AVALIAÇÃO:
    * T – Título: Simples, só uma menção ao macaco da Amazônia.
    * A – Adequação ao Tema: o conto abordou o tema proposto pelo desafio.
    ……………………………………
    * F – Falhas de revisão: Não percebi nada que me incomodasse durante a leitura.
    * O – Observações: Conto muito bem narrado, ambientado na Amazônia, mas com o foco na relação familiar conflitante, infelizmente, é algo que ocorre com mais frequência do que se imagina. O doloroso é perceber que para algumas pessoas essa situação é tao comum que só resta aceitar a sina, como fez a mãe de Nina. Triste!
    * G – Gerador (ou não) de impacto: O final me surpreendeu, pois não imaginei que o macaquinho fosse na verdade parte da menina, como sua natureza mais primitiva e inocente.
    * O – Outros Pontos a Considerar: O(a) autor(a) domina muito bem a arte com as palavras. Deixou entrever a situação terrível sem camuflagem de metáforas, mas também sem descrever explicitamente o horror vivido por Nina e Tuane.
    Parabéns pela sua participação!

  10. Gustavo Aquino Dos Reis
    26 de junho de 2020

    Resumo:
    Família de ribeirinhos esconde um segredo tétrico que vai impactar diretamente a filha mais nova.
    Impressões:
    É um trabalho esmeradamente bem escrito e denota um(a) autor(a) seguro(a) e competente. O enredo é demasiadamente pesado, e real. No entanto, em algumas partes do conto, eu o senti moroso. As rotinas poderiam ter sido detalhadas mais para espicaçar a nossa curiosidade – e apontar a mudança psicológica da filha mais nova – do que simplesmente para cumprir tabela.
    Não me entenda de maneira errada: eu apreciei seu trabalho e sua escrita, só faltou algumas coisas para deixar ele impecável.

  11. Priscila Pereira
    26 de junho de 2020

    Resumo: Menina que é abusada pelo pai o mata depois que a mãe morre e descobre que a irmã também está morta.
    Olá, Ribeirinha!
    Nossa! Que conto! Realmente uma excelente narrativa. O alter ego da menina que já desconfiava do que realmente acontecia com a irmã e a constatação do que lhe aconteceria , a dificuldade de assimilar isso em si mesma, os “sonhos” que se repetiam, tudo está muito bem orquestrado, dá pra ver que a autora tem muito conhecimento da psicologia humana, e obviamente da escrita!
    A amizade com a irmã, a mãe que sabia e não fazia nada, a morte dela que foi mais de remorso do que de doença, cada pecinha se encaixa perfeitamente para formar um todo de alta qualidade.
    Um conto impecável!
    Parabéns!!
    Boa sorte!
    Até mais!

  12. Renata Rothstein
    25 de junho de 2020

    Oi, Ribeirinha,
    Família deixa a cidade e parte (ou regressa) para o interior de algum ponto da Amazônia, em busca de uma vida mais simples e com sentido.
    As filhas começam a demonstrar um comportamento estranho, cada uma à sua maneira, enquanto fatos acontecem com Nina, demonstrando um psicológico atordoado.
    Logo fica claro que ambas estão sendo vítimas de abuso sexual por parte do pai.
    A mãe morre de malária, a filha mais nova surta e mata o pai, usando a figura de um macaco para assumir ante sua consciência o ato.
    Forte….muito forte e bem escrito, nota-se que você, Ribeirinha, além de escrever bem domina a situação de terror.Ótimo.
    Claro que achei sensacional esse conto, apenas não vi o tema plenamente desenvolvido, embora saibamos o quanto de abusos acontecem por esse mundo afora, principalmente nos locais mais distantes, inimagináveis….Outro ponto é que ficou extremamente óbvia a situação, o abuso, a morte e desaparecimento de Tuane – em nada isso diminui a qualidade do conto.
    A revolta aqui me levou às lágrimas, seu conto mexeu comigo de verdade.
    Meus parabéns pelo conto forte, denso, temos aqui um terror amazônico, gostei muito.
    Abraços!

  13. Jorge Santos
    25 de junho de 2020

    Conto denso, que relata a história de uma família de agricultores que vive junto a um rio. A família é constituída por um casal com duas filhas. Tuane, a filha mais velha, foge de casa (ou ter-se-á transformado em macaco). A mãe, não conseguindo ultrapassar a falta dela, adoece, pelo que o pai fica sozinho com a filha mais nova, que impede de estudar. Passado algum tempo, ele aparece morto, supostamente por um macaco e, continuando no campo das suposições, seria Tuane. Nina resolve abandonar o lugar de barco, levando o macaco.
    Achei um conto algo estranho, não tendo percebido o final, mesmo depois de uma segunda leitura. Percebo o sentido do conto. Tem algum paralelismo com a história de alguns familiares.
    Penso que a história é algo repetitiva e o leitor perde a vontade de chegar só seu fim.
    Em termos de linguagem, nada a apontar.

  14. Luciana Merley
    21 de junho de 2020

    Olá, autor
    Uma história de abuso infantil e negligência no interior da mata amazônica. Tuani e Nina são as filhas de uma família de lavradores que vivem numa região de floresta. Através dos olhos da pequena Nina, nós acompanhamos desde a relação afetuosa com a irmã, as brincadeiras divertidas à beira dos rios, até o extremo do horror e da violência humana com o abuso perpetrado pelo pai às filhas, sob a conivência (tolerância) da mãe. A história tem fim trágico com uma perspectiva psicológica considerável.

    Não foi fácil ler seu texto. Nunca é fácil, em especial quando se torna mãe, ter contato com esse tipo de relato, que sabemos ser, assustadoramente comum no ambiente velado das casas. Concordo que a localização na Amazônia é um detalhe insignificante para a história, mas não levarei isso em conta na avaliação.

    Farei minha avaliação conforme os seguintes critérios: Técnica + CRI (Coesão, ritmo e impacto).

    Técnica – Apresentar o final do conto logo no início é uma técnica interessante para inserir a curiosidade no leitor. O texto é muito fluido, sem erros gramaticais perceptíveis e numa linguagem simples e bem escolhida. A apresentação da família sem traços de violência no início é compreensível porque na maioria dos casos é assim mesmo. Trata-se da violência mais velada que existe, apesar de ser a mais horrorosa. Mas, quero comentar sobre como você apresenta a mãe porque acho que poderia ser melhorado. Sabemos que na maioria dos casos, as mães não silenciam porque querem, mas porque também sofrem de violências diversas (coerção, ameaças) e que a violência psicológica é capaz de paralisar as vítimas de um modo inimaginável. Mas o fato é que as mães são coniventes (tolerantes). A mãe do seu texto é fria, sofre um pouco, mas nem de longe o que uma mãe sofreria numa situação dessas. Então penso que faltou investir mais no processo de paralisação dessa mãe ou em sinais que demonstrem que ela já havia sido paralisada antes do seu texto começar. Se optou por uma mãe conivente, tudo bem, existem muitas (apesar de que, hoje em dia, descrever uma mulher como fonte ou conivente com uma violência dessas é pedir pra ser massacrado), ainda assim teria que descrevê-la melhor, de modo mais convincente. “Olhos úmidos” ou choro cortando cebola não é reação que se espere de uma mãe que viu a filha ser abusada e assassinada. Mais compreensível seria que essa mãe tivesse ganas de enfiar a faca no pescoço do homem (eu faria isso).
    Uma outra perspectiva (a de trama mais profunda do seu texto) é a questão psicológica que afeta as crianças vítimas de abuso. Você trabalhou bem essa questão do bloqueio, de não saber o que é real e o que é imaginação e a figura do macaco fecha com chave de ouro enquanto a personificação do outro EU que a criança cria para fugir da dor.

    CRI – Em geral o texto é coeso, aborda o cotidiano de uma família simples e que vai ganhando o peso da desconfiança que vai se consolidando em certeza da violência. Penso que pecou na parte em que descreve a visão do macaco na janela. Me pareceu um vácuo entre a tarde da visão do macaco e a manhã do desaparecimento da irmã. A irmã não voltou para casa naquela tarde? Ou voltou e foi morta à noite. Não ficou claro se é aí que começam as confusões que permeiam o psicológico já afetado da caçula. Outra coisa é na parte em que você descreve o sonho. Pelo que entendi, ela ainda não tinha sido abusada por completo, mas demonstra saber detalhes de como é um abuso (a dor, a queimação…)
    O ritmo é adequado ao texto, aumentando a tensão à medida em que percebemos a densidade do tema.
    O impacto foi grande, conforme já descrevi aqui.

    Parabéns. Grande texto. Pela coragem, principalmente.

  15. Thiago de Melo
    20 de junho de 2020

    Resumo:
    O conto narra a história de uma pequena família que deixou a cidade foi morar o interior da amazônia, plantando, colhendo e vendendo os frutos de seu trabalho. Contudo, logo se percebe que há algo de errado, especialmente quando a irmã mais velha de repente desaparece sem mais explicações. a vida continua e o pai da família então começa a investir na irmã mais nova. Com o tempo, a mãe cai doente, delirante, até que vem a falecer e o pai resolve enterrá-la no pé de uma grande árvore, onde a irmã mais nova percebe uma outra cova menor. A vida continua até que um dia ela vê o pai se esvaindo em sangue na cozinha e um macaco guariba segurando uma faca. Ela vai embora e vê o macaco desaparecer dentro de si.

    Análise,

    Um texto muito bem escrito e que com certeza vai estar entre os melhores do desafio. Achei o início um pouco difícil de acompanhar por causa da mudança no tempo da narrativa. Mas na sequência consegui pude conhecer melhor a rotina daquela família que tinha tudo para ser feliz em contato com a natureza, mas infelizmente não foi assim que tudo se desenrolou. O primeiro momento que me fez arregalar os olhos foi quando houve menção a uma segunda cova no pé da samaúma. Nesse momento confirmei minhas suspeitas sobre o que havia de fato acontecido.
    A cena final foi muito surpreendente e impactante, mas a última frase foi a que me fez perceber o quanto o texto foi bem construído. Um bom conto costuma terminar com uma revelação ou alguma surpresa, e de fato mostrar a real interação entre a menina e o macaco foi uma escolha bastante acertada.
    Excelente trabalho.
    Parabéns!

  16. Gustavo Araujo
    20 de junho de 2020

    Resumo: a vida de uma família de ribeirinhos vista pelos olhos da filha mais nova. O pai que parece um homem de bem, a mãe que exerce uma autoridade distante e a irmã mais velha, a quem ela adora. Tudo se desmorona quando a mais velha se vai e o pai se revela um abusador, ante ao silêncio da mãe, obrigando a filha mais nova a buscar uma saída traumática, usando, para tanto, a figura de um macaco da região.
    Impressões: que animais habitam em nós? O conto pretende discutir o que há de bom e mau na alma humana, já que guardamos, todos, tendências de toda espécie em nossos corações, aguardando, involuntariamente, o momento, o gatilho, para que as liberemos. O conto joga com isso. O macaco é uma metáfora, um alter ego de Nina? Ou é real? Outras perguntas surgem: quando é real? A todo tempo? Creio que o autor acerta ao não deixar isso muito claro, permitindo ao leitor completar as lacunas. Por outro lado, o ambiente amazônico, à exceção do macaco nativo, não é tão explorado, não surge como peça essencial na narrativa, que prefere abordar a questão do abuso. Não chega a ser um pecado mortal, mas deixa aquela impressão de que o conto funcionaria da mesma forma em qualquer espécie de ambiente. Sobre o abuso em si, acredito ter sido igualmente correta a mera sugestão, a dúvida quanto à sua ocorrência, já que crianças — sob os olhos de quem a narrativa se desenvolve — muitas vezes não se dão conta de que está acontecendo. No mais, o texto é seco, sem direito a arroubos poéticos, mas adequado a esse tipo de história. Considero um bom trabalho, ainda que haja espaço para melhoras. Em todo caso, parabenizo o autor e desejo boa sorte no desafio.

  17. Paula
    19 de junho de 2020

    É a história de uma família ribeirinha. Os pais viveram em Santarém, mas voltaram à floresta, onde a vida era melhor e mais tranquila. Viviam da venda de mandioca e de açaí. A mãe dedicava-se aos afazeres da casa, junto com as duas filhas. E o pai cuidava da lavoura. Quando a filha mais velha cresce, o pai a força a acompanhá-lo até a lavoura, contra sua vontade. A adolescente vai se entristecendo, se fechando, até que enfim decide partir para a cidade. A filha mais nova sente muita falta da irmã. Ao longo da história, um macaco guariba procura a caçula algumas vezes, uma vez, a incita a ir para a floresta.
    A caçula substitui a irmã na lavoura e o pai, com o pretexto de ensiná-la a usar a enxada, abusa sexualmente da filha. A menina pergunta à mãe se aquilo é normal e a mãe a aconselha a aceitar. A mãe adoece de malária e morre. Os abusos sexuais contra a filha tornam-se então ainda piores, rasgando-lhe a alma, misturando-se realidade e pesadelos. Uma noite, ela acorda e depara-se com a cena do pai sangrando no chão da cozinha, com um corte no pescoço, e seu macaco quariba com uma faca não. E então vai embora dali. O macaco, na verdade, era uma metáfora para algo que crescia dentro dela (a semelhança do filme Aventuras de Pi). O conto está muito bem escrito, o desfecho é surpreendente e a leitura é fluida. Tem força e empatia. Parabéns!

  18. cgls9
    19 de junho de 2020

    Uma família ribeirinha, vivendo a margem do rio e da sociedade, com suas próprias regras, simples regras: plantar, colher, rezar… Duas irmãs vivendo junto a natureza rica e excitante, uma mãe que pouco aparece e um pai que dita as já citadas regras. O autor domina a escrita com maestria, e usa de uma delicadeza absurda para contar uma triste e terrível história de abuso. É cheia de signos e é genial por isso. Foi o macaco que matou o pai abusador! O assassino foi o animal que havia nela. Muito bom, parabéns!

  19. Alexandre Coslei
    15 de junho de 2020

    O enredo gira em torno de uma família que habita à margem de um rio. Tuane, Nina, o pai e a mãe. O pai abusivo e incestuoso molesta a filha Nina, Tuane sai de casa e desaparece, a mãe omissa nada faz para impedir a aberrante situação. Seguem-se os dias, Nina sente falta da irmã, começa a trabalhar na lavoura onde é constantemente importunada sexualmente pelo pai. A mãe morre, Nina passa a trabalhar dentro de casa e continua sendo atacada pelo pai. Desespera-se. Há um toque de realismo fantástico na figura de um macaco que ao final do conto levanta a possibilidade de ser uma alucinação da própria Nina, que termina matando o pai e se libertando do pérfido jugo em que vivia.
    Conto desenvolvido com capricho, boa escrita, trama bem construída, num processo de tensão crescente. A história se faz por nuances tristes, melancólicas. Aborda um assunto polêmico com delicadeza e profundidade. Não observei qualquer erro incômodo na parte ortográfica e gramatical. Gostei muito. Boa sorte!

  20. brunafrancielle
    15 de junho de 2020

    Resumo: Nina mora com sua irmã, Tuane, e seus pais numa casa isolada na Amazônia. É apegada a irmã. Em certo momento, percebe que sua irmã está estranha. Algo a ver com suas idas à lavoura c o pai. Depois a irmã desaparece. Sua mãe morre. Ela passa a cuidar da casa. É abusada pelo pai. Certo dia, o mata e coloca “psicologicamente” a culpa num macaco que conhecera quando jovem.
    Estarei analisando os aspectos que EU considero mais importante, baseado nas minhas participações anteriores no certame. Sinta-se a vontade para descartar minha singela opinião se não concordar.

    ENTRETENIMENTO (foi um conto chato de ler? Maçante? Legal?) : Talvez, se eu não fosse obrigada pelo certame, teria pulado grande parte da história e ido direto ao fim, apenas por mera curiosidade. Infelizmente, o dia a dia da família da Nina, incluindo detalhes do que ela fazia na margem do rio, não me empolgaram muito. Não sei se foi a escrita, ou o ritmo. PORÉM. Talvez tenha sido bom que o certame me obrigou. Mais pra metade, a história foi ficando, de pouco em pouco, interessante. Talvez a ideia de que o fim já estava exposto no ínicio tenha me desanimado da história precocemente. Porém, ao terminar de ler, percebi que realmente o fim estava exposto no começo. Usar a cena final, no começo, gerou curiosidade e desânimo ao mesmo tempo. Por isso, eu teria pulado direto pro fim, se desse.

    COMPREENSIBILIDADE (levando em consideração a formulação de orações e a história em si. Há diálogos confusos e etc?): SE eu entendi direito, o macaco era uma criação da mente de Nina, ao menos no assassinato. Ou talvez o tempo todo. Está bem compreensível no geral.

    CRIATIVIDADE/ORIGINALIDADE (eu gosto de ler histórias de coisas que não vi ou não pensei antes. Ideias óbvias não se sairão bem neste quesito.): Definitivamente descobri que “malária” já foi muito comum na Amazônia depois deste certame, pois ela apareceu em incontáveis textos. Na verdade, parece que todo texto que tenho lido hoje possui algum tipo de menção à doença. PORÉM, achei que você tocou num tema original ao abordar a “patriarcalidade” do “interior”, o estilo de vida de quem é mais “ignorante” em relação a certos assuntos, ou que tem uma visão de vida diferente da moderna.

  21. Vanessa Honorato
    15 de junho de 2020

    Um casal que fugiu da cidade e fora viver no interior, longe de tudo. A esposa, submissa e conivente com o marido abusador. Assim que as meninas iam crescendo, o pai as violava. A mais velha fora viver na cidade (que na verdade fora morta) e a mais nova passou a sofrer os abusos. Como forma de defesa, a menina criou uma figura dentro de si, um macaco que ela compreendia e que a defendia. Quando perdeu a mãe e passou a ser ainda mais explorada pelo pai, a menina deixou que seu protetor saísse de dentro de si e matasse seu pai. Ela foge de barco, deixando o corpo de seu “pai” para trás, enquanto o espírito do macaco volta para dentro de si.
    É um conto forte, triste, de embrulhar o estômago.
    Este trecho “Trabalhar ali, o pai dizia, era muito mais tranquilo. Não era preciso se incomodar com patrão nem nada assim […] Não tem erro. À noite, rezar e dormir. Pronto” me lembrou um episódio do Discovery sobre vida no Alasca, uma participante disse que a vida na cidade é como um hamster na roda, corre, corre, mas não sai do lugar. As vezes isso me tira o sono, uma vida corrida, será mesmo viver? Todavia, nesse conto, apesar de viver em meio à natureza, a vida também era rotina, sempre igual e doída. A realidade de muitas meninas, seja na cidade ou na fazenda. Espero que o macaco não precise mais sair de dentro de Nina.
    Abraços ❤

  22. Angelo Rodrigues
    13 de junho de 2020

    Macaco Guariba (Ribeirinha)

    Resumo:
    Duas irmãs, a mãe e o pai vivendo na margem de um rio. Um macaco estabelece com uma das meninas uma relação sensorial que se manifesta em ação posteriormente. E essa foi a chance que teve Nina de deixar o lugar onde vivia e nunca mais voltar.

    Comentários:
    Gostei do texto. Ao estabelecer uma relação familiar que parece harmônica, o autor vai desconstruindo aos poucos o que estabeleceu por princípio.
    Fiquei inicialmente em dúvida se havia realmente uma relação abusiva do pai com as filhas ou se era apenas uma estranha fantasia da filha menor, Nina, dado que em dado momento lhe passa a ocorrer algumas fantasias oriundas de sonhos.
    Aos poucos também, com elegância, o autor vai deixando migalhas para que o leitor o siga. O túmulo pequeno da irmã desvenda a mentira contada pela família à filha menor.
    O autor usa de um realismo fantástico quando põe nas mãos de um animal, o macaco com a pinta vermelha, a vingança de um crime moral. Por óbvio tal moral pertence aos homens e não aos macacos. A vingança é terrível, com a degola do pai.
    Há espaços para interpretações. Uma delas é a fantasia da existência do macaco que chega para dar um basta em tudo pelas mãos da própria filha. Mas isso é outra história.
    Um conto que transita bem pela realidade e pelo fantástico.
    Parabéns pelo conto e boa sorte no desafio.

  23. Fheluany Nogueira
    12 de junho de 2020

    Menina abandona a casa ribeirinha, deixando alguém ferido. Então vem a história: pai abusou da irmã mais velha e depois dela. A mãe, antes da morte por malária, já sabia mas se sentia impotente. A garota descobre que a irmã estava morta. Para se libertar, mata o pai.

    Leitura fluida e interessante; texto pungente, bem estruturado, sem equívocos gramaticais; mas, talvez para mim, previsível. Desde o início, senti que se desenvolveria um caso de incesto, assunto sensível e forte.

    Um ótimo recurso de realismo fantático,que permitiu uma ambientação mais segura e mostra o domínio de técnica,pelo(a) autor(a), foi a metáfora do “macaco guariba” (Usei essa interação em “O confronto entre a menina e o bicho”- AS CONTISTAS.).

    Parabéns pelo trabalho. Boa sorte. Abraço!

  24. Regina Ruth Rincon Caires
    9 de junho de 2020

    Macaco Guariba (Ribeirinha)
    Resumo:
    A história de Nina e Tuane, irmãs, que viviam com os pais nas margens do Oiapoque. O pai, pedófilo, inicialmente abusou de Tuane, a mais velha. Ela desapareceu. Depois, passou a abusar de Nina. A mãe sabia, e sofria. A malária levou a mãe, e no sepultamento feito ali mesmo, Nina viu que havia acontecido outro enterro, havia outra cova coberta por morro de terra, menor. Era Tuane. Com o tempo, o pai a estuprava continuadamente, e numa madrugada ele foi degolado pelo “macaco guariba”. Nina partiu com o barco para nunca mais voltar.
    Comentário:
    Texto excelente, de técnica primorosa. A narrativa é feita de maneira tão fluente que o leitor não consegue desviar a atenção. Tudo é costurado, nada sobra, nada falta. A descrição perfeita coloca o leitor no ambiente, vendo as cenas. E que raiva!
    Leitura sobre pedofilia não é prazerosa. Acredito que a estupidez deste comportamento sórdido, além de mostrar o ser abjeto em que se transforma um “humano”, ele desperta, no leitor, sentimentos “primitivos”. E não é nada bom lidar com nojo, com sofrimento, com indignação, com revolta.
    Mas a história é bem traçada, bem escrita, sem deslizes. E a figura do Macaco Guariba, que pode ser entendida como simbiose Nina/fera, é sensacional. Foi o que deduzi. Cada leitor deixa a imaginação voar.
    Fiquei encantada com a firmeza da escrita, com a competência do contar.
    Parabéns, Ribeirinha, seu conto é lindo!
    Boa sorte no desafio!
    Abraços…

  25. pedropaulosd
    8 de junho de 2020

    RESUMO: A família de Nina é tipicamente ribeirinha, estabelecida à margem do rio com o pai cuidando da lavoura, a mãe cuidando da casa e as duas irmãs, Tuane e a mais nova, Nina, ajudando aqui e ali, além de aproveitarem a infância juntas. Tudo muda quando Tuane passa a acompanhar o pai e depois desaparece, “deixando” a casa. Fica para Nina lavrar como pai, onde descobre, sem realmente descobrir, o abuso e o que é viver com medo dentro da própria casa. Nisso guarda apenas a esperança de reencontrar seu amigo, um macaco guariba que certa vez tentou tira-la da casa. Depois da morte da mãe, sobrada com seu abusador dentro da casa, tem a intervenção do mesmo macaco amigo que assassina o seu pai e permite a sua fuga.

    COMENTÁRIO: Um conto excelente. É rico em detalhes, permitindo a imersão no ambiente e, principalmente, a capacidade de enxergar pelos olhos de Nina. Isto é fundamental não só para compreender a perspectiva de uma ribeirinha, mas também porque dessa forma se vê pela inocência de uma criança. Em nenhum momento as palavras “estupro” ou “pedofilia” aparecem, mas, de uma outra forma a personagem sente medo e entende que há algo de errado acontecendo. Ao leitor, isso é passado quando ela pergunta à mãe, pelos pesadelos que tem e pelo receio da presença do pai. O sucinto, dessa forma, dá verossimilhança à personagem, fazendo crível que lemos sobre uma criança. Além disso, o fantástico encontra o seu caminho para a trama com naturalidade, mesmo que Nina tenha percebido o surrealismo de ser convocada por um macaco no meio da noite, ainda acha possível poder interagir com ele como iguais. Assim, a resolução do conto por via dessa atuação ativa do macaco, cabe perfeitamente. A narrativa, aliás, é muito bem equilibrada, pois ainda que centrada em uma personagem, nos permite absorver um pouco de cada, inclusive o suficiente para nos enganar, já que a primeira descrição que temos do pai é a de um homem bom e pragmático, “sério”, o que faz sentido devido ao fato de ser uma descrição construída pela filha mais nova. Isso acaba sendo perfeitamente coerente com a narrativa e cegando o leitor para o risco, contribuindo para a surpresa do final. É demonstrativo de domínio da narrativa. Parabéns.

  26. Anderson Do Prado Silva
    8 de junho de 2020

    Entre Contos – Avaliação – Macaco Guariba

    Resumo: Garota sobre abuso sexual e mata o próprio pai.

    Abertura:

    ( x ) surpreende: a abertura desperta a curiosidade do leitor, convidando para seguir a leitura e descobrir quem foi assassinado e por quê.
    ( ) não surpreende

    Desenvolvimento (fluidez narrativa):

    ( x ) texto fluido: o autor possui pleno domínio da técnica narrativa.
    ( ) poderia ser melhor

    Encerramento:

    ( x ) surpreende: o encerramento revela genialidade. Achei a abertura boa, mas estava um pouco desanimado com o desenvolvimento. O texto era correto, porém lhe faltava uma certa pegada. Eu segui assim um pouco desanimado quando, de repente, na última frase, o autor me apresentou o toque de sua genialidade, fazendo valer todo o meu tempo de leitor que eu havia emprestado a ele.
    ( ) não surpreende

    Gramática:

    ( x ) não identifiquei erros dignos de nota: o autor possui pleno domínio da gramática e é muito cuidadoso na revisão.
    ( ) possíveis erros gramaticais

    Enredo:

    ( ) surpreende
    ( x ) não surpreende: o enredo não me cativou. No entanto, o pleno domínio que o autor tem da língua e das técnicas narrativas foi me motivando a seguir adiante. O tema é difícil, pesado, lúgubre, exigindo sensibilidade e empatia do leitor (o que talvez tenha me faltado).

    Linguagem:

    ( ) surpreende
    ( x ) não surpreende: o autor usa as palavras em seu sentido denotativo. Não identifiquei muita poesia (talvez o tema nem permitisse mesmo muita poesia).

    Estrutura:

    ( ) surpreende
    ( x ) não surpreende: o autor não trouxe nada novo na estruturação de seu texto. É apenas uma história com início, meio e fim.

    Estilo:

    ( ) surpreende
    ( x ) não surpreende: o autor possui um português tecnicamente correto e pleno domínio da técnica narrativa. Porém, de tudo, não se sobressai algo que se possa identificar como um estilo que seja próprio ou único do autor. Ressalvada a ideia para o desfecho (que é excelente), o resto do texto poderia ser escrito por outros autores com idêntico domínio da língua e da técnica narrativa.

    Excertos dignos de nota:

    ( x ) sim: “Todos os dias, tudo sempre igual. Acordar, ir à escola, trabalhar, rezar, dormir. Ponto. E depois e depois a mesma coisa. O sol, a chuva. O nada.”
    “Sonhava com frequência agora. Um pesadelo recorrente. O peso sobre si, o sufoco, a angústia se repetindo noite após noite. Um rasgo na alma, a dor nas entranhas, o fogo, a ardência insuportável. O inferno.”
    “Rasgando o manto aquoso com as pontas dos dedos, olhou para o macaco, até senti-lo desaparecer dentro de si.”
    ( ) não

    Inteligência:

    ( ) desafia a inteligência
    ( x ) não desafia a inteligência: o texto não desafia a inteligência do leitor. Não é preciso que o leitor empreenda qualquer grande esforço intelectivo nem conheça qualquer assunto em profundidade. Mas o texto também não pretende intelectualizar nada. Antes, quer tocar, sensibilizar e retratar.

    Avaliação final: O autor possui pleno domínio da linguagem e da técnica narrativa. Assim, qualquer texto que esse autor escrever será um bom texto, cuja leitura valerá à pena. No entanto, em momentos específicos, em que sobrar inspiração ou outros fatores imponderáveis, esse autor escreverá textos geniais. Enfim, digo isso porque Macaco Guariba é um texto bom (tecnicamente correto), mas que não foi excepcional – faço ressalva para o desfecho, cuja última frase revelou o traço de genialidade que esse autor possui.
    O tema eleito pelo autor possui um dificultador para fins de desafio literário: é um tema sensível, delicado, difícil, lúgubre até. Seria muito bom ter esse texto na estante e escolher lê-lo, porém, para fins de desafio, esse texto sofrerá uma injusta concorrência com texto alegres, vivazes, inspiradores, transcendentes etc.
    O autor pratica boa literatura. Eu não teria qualquer inibição de me declarar seu leitor. Tenho certeza de que nunca pegarei um texto desse autor que considere ruim ou mal escrito.

    Anderson do Prado Silva

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Publicado às 7 de junho de 2020 por em Amazônia, Amazônia - Grupo 2, Amazonia-Finalistas e marcado .