EntreContos

Detox Literário.

Dente de leite (Cícero Lopes)

São velhos como os campos da várzea. Antigos como os cromos com as figuras de Ademir da Guia e de um certo “Diamante negro” – Leônidas. São pesados como a antiga bola de couro, preservada como fosse a mais valiosa peça da coleção desse museu em que eles se confundem com o próprio acervo. Ainda jogam com a bola pesada – eles não admitem essas modernas, tecnológicas e leves como balões de festas. Amam se misturar ao barro vermelho do campo, trabalhado em patchwork costurado aqui e alí por pequenas ilhas de uma vegetação que eles chamam de “grama”, mas é só um capim toscamente aparado. Só usam os uniformes de algodão, sem nenhuma frescura têxtil e chuteiras, pretas como devem ser e com travas afiadas o suficiente para marcar um território de tamanho amazônico. Poderiam se chamar dinossauros, mas adotaram o nome de “Enferrujados” e se encontram todos os sábados de manhã – porque velho acorda cedo!

Já foram mais numerosos, mas no jogo contra a vida, perderam alguns jogadores – a vida pratica um jogo desleal. Com sua sanha e apetite insaciável, tem ocasionado muitos desfalques aos “Enferrujados” e a reposição é difícil. O candidato tem que passar por uma enorme lista de exigências, desde pertencer ao bairro, nunca ter tido atrito nenhum com os titulares e fundadores – coisa bastante improvável se considerarmos que eles já se arrebentaram contra mais da metade da cidade. Foram brigas à beira do campo ou pós-partida, nos bares onde, fanfarrões exibem sua “marra” e pintam as estórias com soberba, exagerado brilho e sempre destinando aos adversários uma grande dose de humilhação, fundamentadas em portentosas mentiras, dessas que ninguém engole calado e daí, para uma confusão, empurra-empurra, nariz quebrado, dedos no olho, mordidas canibais e outras baixarias, é um peido. Claro, que essas confusões são de um tempo em que eram mais jovens e “cabeçudos”, quando tinham cabelos e topetes engomados no alto da testa e não, esses cabelos nas orelhas e na venta, quando o jogo era a “vera”, hoje só jogam amistosamente, mas ainda assim, não admitem que qualquer um entre no time.

Dos vinte e dois iniciais só restavam dezesseis, até esse sábado, quando o Nestor Bigode, 68, foi fazer o jogo do meio de semana nos campos celestiais.

— Como vamos fazer para formar os times? Perguntou o Natã “Magrelo”, 71 anos. Sim, todos tinham um apelido quase sempre vinculados a alguma característica física estranha, por exemplo: Fernando “Verruga”, 72, um dos goleiros, tinha, óbvio, uma verrugona preta ao lado do nariz, enquanto o Jair “Dedo de bode”, 66, exibia uma estranha abertura entre o dedão e o dedo vizinho.

— Os mais velhos ficam com oito e os guris jogam com sete… Propôs Vicente “Olho de peixe”, 61, um dos mais jovens do grupo, recém-integrado e disposto a se assumir como líder, cartola e capitão do time.

— Teu cu! – Desafiou Nelson “Formiga”, 78, este, um legítimo fundador. 

— Vamos fazer como sempre fizemo; dois capitães, tiram no par ou ímpar e escolhem os jogadores até não sobrar nenhum. Qual time vai ficar com sete, vai depender da sorte tirada.

Os capitães há uma década já, eram o Felipe “Trombeta”, 69, trombeta porque possuía uma voz poderosa e o Miro, 72 – que era só Miro, mesmo e foi ele quem ganhou a melhor de três no par ou ímpar. Começaram as escolhas.

— Fernando “Verruga, meu goleiro!

— Olívio “Moça”! Chamou “Trombeta”

— Nelson “Formiga”, meu centroavante matador!

E seguiram as escalações com o João Carlos “Boneco”, Expedito “Dito cujo”, Marinho “Belas pernas”, Jair “Dedo de bode”, Natã “Magrelo”, Toninho “Tesoura”, “Bicudo”, Edu “Sombra”, Heleno “Garrincha” e Vicente “Olho de peixe” que foi o último a ser escolhido.

Não havia juiz ou bandeirinhas, as faltas eram de quem gritasse primeiro. Antigamente, coisa de quarenta nos atrás, as coisas pegavam fogo. O jogo era uma batalha sangrenta; do pescoço para baixo tudo era canela e valia cada pernada. Aliás, valia de tudo, desde intimidação verbal até enfiar um dedo no fiofó do outro. Isso tudo num andamento presto, prestissímo, hoje, a cadência andante dá ritmo ao jogo, não se vê mais grandes explosões de músculo contra músculo, os dribles ficaram raros e as arrancadas velozes só permanecem na memória de quem viu. Terminado o jogo, o foco girava para a cerveja, a água ardente embebida no limão e a carne de gato, assando na churrasqueira de blocos, atrás do gol dos fundos que dava para a jaqueira.

Naquele sábado, os “meninos” se aqueceram, se alongaram e estavam preste a iniciar a peleja quando surgiu o italiano, braço estendido na lateral do campo, pedindo para jogar. Chamou atenção que usava uma chuteira, amoldada aos pés, parecendo uma sapatilha de balé, o shorts compridos chegando quase aos joelhos, estava sem camisa, revelando o que pareceu ser um top preto, desses que as moças usam ou, receararm pensar – um sutiã. Apesar dessa bizarrice, e frescuras de última hora, o italiano preenchia a maiorias dos requisitos esperados, tinha certamente, mais de sessenta anos, era do bairro desde sempre, tinha as duas pernas, não era um pederasta confirmado, não sofrera um infarto – essa era uma regra nova, adotada desde que o Mané “Bujão, bateu com as chuteiras em pleno jogo, depois de um ataque fulminante do coração, e também ou principlamente, entre as outras questões, o italiano nunca se bateu contra nenhum deles. O Italiano, por todos esses anos, era o sujeito que permaneceu afastado das brincadeiras do campo e das celebrações dos bares. Desde muito cedo, com a morte do pai, viu-se obrigado a cuidar da mercearia que pertencia a sua família, depois conheceu a Dona Ruth, casou-se, e sem demora, começou a encher as prateleira da casa com a Anna, a Silvana, a Sophia, a Cláudia, a Gina, a Mônica, seis bambinas, nenhum varão, só belas flores em sua calorosa torcida familiar. Guido, o “italianinho” como o chamavam, ainda cuidava dos negócios da paróquia, fiel escudeiro que sempre foi do Padre Jú. Todos o conheciam e a maioria gostava dele, era um sujeito bom, prestativo, respeitador e nas adversidades fazia fiado. O Time do “Trombeta” restara com sete então, o Italiano podia formar com eles. Tudo certo? Tudo certo.

Arrumaram uma camisa, a de número 14 e o “Trombeta” pediu que o italiano, talvez pelo porte franzino, ocupasse a lateral esquerda.

Chovera na noite anterior e o campo estava um lamaçal de respeito com direito a faixa presidencial, fator que determinava um jogo feio e truncado. Foi quando o Italiano, saiu da lateral e foi para o meio, “roubou” a bola do Expedito “Dito cujo” e saiu enfileirando o time adversário, com habilidade, velocidade e uma ginga, que há muito não se via. Da entrada da grande área, junto ao bico esquerdo, chutou com o lado de dentro do pé, levando a bola a fazer uma curvatura mágica, encobrir, o Fernando “verruga” e cair no canto alto direito. Golaço! Depois disso só se ouvia a voz do Trombeta, xingando seus jogadores a cada jogada do italiano, que jogava, parecia, uma partida de Copa do Mundo. Dribles desmoralizantes, chapéus, canetas… Vicente “Olho de Peixe” tentava o Diabo para derrubar, quebrar, partir o italiano ao meio, mas tropeçava na própria língua estirada. O cansaço tomava conta do time do “Trombeta”, do outro lado, os outros jogadores praticamente, só assistiam ao italianinho jogar, apenas completavam um passe, faziam um lançamento, uma cobertura e de resto, era correr… caminhar para o abraço.

Acabou o primeiro tempo. Vinte minutos que pareceram eternos, para a esquadra que perdia de 4 X 0, três gols do estreante e um do Heleno “Garrincha”, que acabou com uma “seca” de nove anos sem marcar.

Imediatamente ao término da primera etapa, enquanto alguns cairam ao gramado com o peito ardendo e sem ar nos pulmões, outros, uns três, declaravam que não voltariam para etapa final, o italiano ficou dando voltas nas laterais do campo.

— É para me manter aquecido! – Declarou para a cara paspalha do Miro, somente o reflexo, da maioria que se revolvia incrédula.

— Que idade tem esse sujeito? Sessenta? Sessenta e cinco? – Perguntou Nelson “Formiga”, no justo momento em que o italiano novamente passava pela turma reunida, exausta, acabada em paralelo ao seu trote rápido. 

— Tenho noventa e três, dente de leite!

Não podia ser, todos concordavam que isso parecia impossível, ao mesmo tempo, sem saber que era improvável ser ele mesmo, o italianinho se distanciava do grupo de descrentes em direção a um esplêndido horizonte, gozava uma forte crença: não eram suas pernas que carregavam a idade que possuía, era a idade da sua cabeça que dava força e vigor àquele corpo antigo. 

21 comentários em “Dente de leite (Cícero Lopes)

  1. M. A. Thompson
    11 de abril de 2020

    Olá autor(a)!

    Antes de expor minha opinião acerca da sua obra gostaria de esclarecer qual critério utilizo, que vale para todos.

    Os contos começam com 5 (nota máxima) e de acordo com os critérios abaixo vão perdendo 1 ponto:

    1) Implicarei com a gramática se houver erros gritantes, não vou implicar com vírgulas ou mínimos erros de digitação.

    2) Após uma primeira leitura procuro ver se o conto faz sentido. Se for exageradamente onírico ou surrealista, sem pé nem cabeça, lamento, mas este ponto você não vai levar.

    3) Em seguida me pergunto se o conto foi capaz de despertar alguma emoção, qualquer que seja ela. Mesmo os “reprovados” no critério anterior podem faturar 1 ponto aqui, por ter causado alguma emoção.

    4) Na sequência analisarei o conjunto da obra nos quesitos criatividade, fluidez narrativa, pontos positivos e negativos, etc.

    5) Finalmente o ponto da excepcionalidade, que só darei para aqueles que realmente me surpreenderem. Aqui, haverá fração.

    Dito isso vamos ao comentário:

    TÍTULO/AUTOR: 8. Dente de Leite (Heleno de Freitas)

    RESUMO: O autor descreve com maestria o encontro dos veteranos para uma partida de futebol de final de semana.

    CONSIDERAÇÕES: O texto foi escrito com esmero e por si já é agradável de ler. Adorei os apelidos, um expediente que uso no cotidiano por ter dificuldade em gravar nomes. Mas nornalmente não revelo o apelido, fica só para mim.
    A ideia do italiano fenômeno também foi fenomenal, encerrando a narrativa com chave de ouro. Se fosse escrito por outrem, supeito que seria um conto ruim. Resumido a uma partida em que aparece um sujeito no final que dá um show. Mas a construção narrativa foi a grande vedete deste conto, que acabou tornando uma história simples em algo fenomenal.

    NOTA: 5.0

    Independentemente da avaliação aproveito para parabenizar-lhe pela obra e desejo sucesso na classificação.

    Boa Sorte!

  2. Daniel Reis
    10 de abril de 2020

    8. Dente de Leite (Heleno de Freitas)
    Tema: a sagrada pelada nossa de cada dia, na terceira idade.
    Resumo: o time dos velhos do bairro já estava ficando desfalcado com as “ausências” permanentes dos tradicionais peladeiros. Eis que surge um italiano para completar um dos times e só falta fazer chover. Isso, com 93 anos.
    Técnica: o autor mostra que entende do riscado – seja ele escrita ou nas quatro linhas. Referências deliciosas ao mundo dos boleiros e às peladas de fim de semana que os de mais provecta idade (cof, cof) praticam. Um deslize ou outro na digitação, e o excesso de descrições “ambientativas”, esboçando o retrato desse ou daquele personagem, não atrapalha nada a leitura.
    Emoção: um texto mais leve, que ainda assim traz uma parte da realidade para a nossa sagrada leitura. Muito obrigado!

  3. Valéria Vianna
    10 de abril de 2020

    Narra a rotina de um grupo de veteranos do futebol de bairro, com citações de grandes craques e as limitações da idade. E quando, um novo integrante os surpreende com suas jogadas e disposição para dribles e gols, o narrador entrega o segredo do personagem para tanta energia.

    Nota: 4,5

    Escrita sobre futebol é uma armadilha porque, se o leitor não for um aficionado no assunto, pode vir a ser tornar uma leitura enfadonha caso o autor não lance mão de recursos textuais que mantenham o leitor interessado (anedóticos, por exemplo, ou pouco descritivos, outro). A ideia de passar o processo de envelhecimento por intermédio de um grupo de jogadores de bairro foi boa. Mas, o final, a meu ver, ficou a desejar.

  4. Priscila Pereira
    10 de abril de 2020

    Resumo: Um time de futebol formado por anciãos acolhe um “novo” jogador que dá um ânimo para a partida!

    Olá, Heleno!

    Tenho que confessar que detesto futebol e que fiquei boiando na maior parte dos termos técnicos…rsrsrsrsr apesar disso, a história geral do conto é muito boa e original no certame, a ambientação ficou muito boa e os personagens, embora muitos para um conto, foram bem desenvolvidos, na medida do possível para o limite. A mensagem final foi muito boa, que eu até usei, de certa forma, no meu conto! Se manter jovem é mais uma questão de mente do que de corpo.
    Parabéns e boa sorte!

  5. Fernanda Caleffi Barbetta
    9 de abril de 2020

    Resumo
    O conto fala sobre um grupo de amigos, com idades a partir de 65 anos, que mantinham a tradição de jogar futebol juntos, seguindo as regras antigas. Com o tempo, alguns foram morrendo, restando apenas 15. Resolveram dividir o grupo entre oito dos veteranos e e 7 no grupo dos mais jovens, até que surgiu o italiano, cheio de energia no auge de seus 93 anos, mostrando que a idade dele estava na cabeça e que isso a ajudava a manter a energia de uma pessoa jovem.

    Comentário
    Bastante divertido o seu conto, gostei bastante da forma como escolheu para contar a sua história sobre o envelhecer. Algumas partes muito engraçadas como: “muito do pescoço para baixo tudo era canela e valia cada pernada” , “Amam se misturar ao barro vermelho do campo, trabalhado em patchwork costurado aqui e alí por pequenas ilhas de uma vegetação que eles chamam de “grama”, mas é só um capim toscamente aparado”. Gostei também dos apelidos, muito criativos. Legal a ideia do final. Parabéns.

    Uma pena a falta de cuidado com a revisão, que rendeu algumas faltas de aspas e deslizes como:
    se alongaram e estavam preste (prestes)
    o shorts compridos (comprido)
    ou, (-) recearam pensar – um sutiã
    a maiorias (maioria) dos requisitos
    principlamente
    receararm
    as prateleira (prateleiras) da casa – achei curiosa esta expressão
    todos tinham um apelido quase sempre vinculados (vinculado)

    Algumas vírgulas são facultativas, mas outras são obrigatórias, como:
    Só usam os uniformes de algodão, sem nenhuma frescura têxtil (ou coloca uma vírgula aqui ou tira a anterior) e
    Os capitães (vírgula) há uma década já, eram o Felipe “Trombeta”, 69, trombeta porque possuía uma voz poderosa (vírgula) e o Miro, 72
    tinha (virgula) certamente, mais de sessenta anos,
    encobrir, (tirar a vírgula) o Fernando “verruga”

    As aspas e a falta de vírgula deixaram este trecho estranho: — Olívio “Moça”! Chamou “Trombeta”

  6. Amanda Gomez
    9 de abril de 2020

    Olá,

    Resumo 📝 Reunião de um grupo de futebol de várzea com idosos que se reunião para jogar desde a juventude. Tudo parecia normal até a chegada de um novo jogador que os mostrou que a disposição podia ser muito mais algo de cabeça que de seus corpos velhos.

    Gostei 😁👍 Eu li o conto em um momento mais disposto, digamos assim. Em outro momento essa leitura tecida a conceitos de futebol e tipicamente masculina poderia me cansar bem rápido. Não aconteceu, gostei do texto, dos personagens, dos apelidos, da história por trás daqueles momento de reunião, são muitos anos de parceria, muitos que já se foram e eles continuam dispostos, marrentos e felizes em continuar a tradição. Achei isso bem interessante. A chegada do novo jogador também, fiquei pensando o pq de só agora ele entrar pro time…acho que só agora ele teve…tempo? não sei, a mensagem do conto é legal.

    Não gostei🙄👎 Não é um texto empolgante, é muito detalhista e a gente se perde nos nomes e em algumas referências, bom, pelo menos eu. Achei o texto um pouco longo, por se tratar de uma cena tão breve. Mas não desgostei de nada que fizesse diferença no meu julgamento.

    Destaque📌 “Já foram mais numerosos, mas no jogo contra a vida, perderam alguns jogadores – a vida prática um jogo desleal. Com sua sanha e apetite insaciável, tem ocasionado muitos desfalques aos “Enferrujados” e a reposição é difícil.”

    Conclusão = 😁 Um texto bem escrito, específico, com uma mensagem bacana e que vai agradar uns que cansar outros, dependendo da disposição para embarcar na narrativa peculiar.

  7. Felipe Rodrigues
    9 de abril de 2020

    O conto descreve um time de velhos varzeanos que mantém a tradição das peladas em campos de barro. Em um dos jogos armados, precisam de um jogador e o Italiano se oferece, dando um baile em todos e provando a eles que a idade está mais na cabeça do que nas patas de canhão.

    O potencial de descrever, concatenar e fazer humor com os personagens, locais, apetrechos e apelidos é a sua principal habilidade, digna de um Canhoteiro. Um texto leve e ao mesmo tempo denso, ensolarado, que levanta questões como a sobreposição de um futebol capitalizado em detrimento da verdadeira razão do esporte: manter um grupo como esse unido mesmo depois de tanto tempo e tantas baixas, trazer qualidade de vida à população, divertimento e sentimento de comunidade. Achei muito bom o relato um tanto jornalístico e com olhar de entendedor aprofundado.

  8. Fabio
    7 de abril de 2020

    DENTE DE LEITE (HELENO DE FREITAS)

    Resumo: Um jogo de futebol que acontece entre pessoas da melhor idade.

    Comentário: Um clássico jogo que trás além das memorias de como eram os jogos de futebol (sem as tantas regras que vemos hoje), sentimentos que surgiam ao longo de uma jogada leve e descontraída.

    Gostei muito das descrições: João Carlos “Boneco”, Expedito “Dito cujo”, Marinho “Belas pernas”, Jair “Dedo de bode”, Natã “Magrelo”, Toninho “Tesoura”, “Bicudo”, Edu “Sombra”, Heleno “Garrincha” e Vicente “Olho de peixe”.

    São adjetivos que tratam carinhosamente os grandes personagens desta narrativa. A criatividade correi solta nas mãos deste escritor.

    Boa Sorte no desafio.

  9. Marco Aurélio Saraiva
    6 de abril de 2020

    Um grupo de senhores, já amigos da vizinhança há décadas, joga seu futebol todo sábado. Até que, certo dia, finalmente o vizinho italiano se junta à peleja e deixa todos para trás. A surpresa: ele tinha 93 anos de idade.

    Seu conto é gostoso de ler por quê você escreve muito bem (vá lá, exagera um pouco nas vírgulas… mas é aceitável). O clima do conto é gostoso, traz a nostalgia que se espera neste desafio. Os personagens têm carisma e uma história para contar. Li, li… e nem vi o tempo passar!

    Mas no final… bem, no final fiquei querendo mais. Não, porém, no sentido bom: fiquei naquele estado de “ué… cadê o resto?”. É claro que não é regra escrever conto com clímax, nem com fim declarado. Mas este deixou a desejar no final. Tanto tempo desenvolvendo aquele grupo de velhinhos jogadores de futebol para depois só mostrar o italiano quase centenário e… fim.

    Mas, de qualquer forma, excelente escrita e leitura muito agradável!

  10. Cilas Medi
    4 de abril de 2020

    Olá Heleno de Freitas.
    Do tempo de jogar futebol dos nossos pais, nascidos antes da primeira guerra. Leônidas, também.
    A velha guarda aprumada (ainda) em encontro futebolístico. Todos eles com nomes “próprios” a destacar um detalhe da sua forma física. Os encontros e desencontros em uma confusa forma de tentar acertar os jogadores e partirem, de uma vez, para o mais fácil: par ou impar e escolher. Mas apareceu o italiano, com todas as qualidades exigidas e pediu para jogar.
    Jogou demais, a ponto de deixar a todos eles sem nenhuma vontade de voltar para o segundo tempo de vinte minutos.
    E deu no que deu, confirmar a idade – 93 anos – para os dente de leite, entre sessenta e setenta qualquer coisa.
    Um conto satírico, até burlesco, recheado de lugar comum, mas bem escrito, detalhado, inusitado e fanfarrão.
    Parabéns!
    Sorte no desafio.

  11. Elisa Ribeiro
    3 de abril de 2020

    Um novo jogador se junta a um antigo grupo de sexagenários peladeiros e os surpreende com sua disposição e talento futebolístico.

    O enredo leve, quase uma anedota, me agradou em cheio. A narrativa escorrega agradavelmente, destaco a ambientação e as descrições como pontos altos. Fiquei rindo com esses apelidos que funcionam bem em qualificar esses senhores sexagenários como nada mais que meninos crescidos.

    Com relação à técnica, uma única sugestão seria quebrar mais os parágrafos. Senti isso sobretudo no longo parágrafo que narra a adesão do italiano ao grupo.
    Gostei do final, a descoberta de que o italiano goleador era um antigo veterano enquanto os demais eram apenas dentes de leite me surpreendeu e deu uma graça ao conto, mas acho que esse desfecho devidamente trabalhado poderia ter rendido um impacto ainda maior.

    Um bom conto que representa a velhice não como decrepitude, mas como continuidade. Gostei bastante.

    Parabéns pela participação. Desejo sucesso no desafio e em tudo mais. Um abraço.

  12. Fernando Cyrino
    3 de abril de 2020

    ei, Heleno de Freitas, puxa, que conto mais legal esse seu. Gostei muito do tema, da maneira como você foi escrevendo a história e fazendo com que eu fosse entrando na cena. Sim, no antigamente havia os apelidos e eles eram feitos a partir das características físicas. Também tive um amigo Belas Coxas (o seu Belas Pernas) e até um Volks e não é que se você olhasse bem concordaria que ele se parecia com o fusca? Pois é, gostei dos Enferrujados. Caso pudesse te dar uma dica, te diria para fazer uma última repassada no conto. Ficaram alguns detalhes pequenos a serem acertados. Nada que impeça o entendimento, problemas causados pelo digitar rapidamente, creio. Bem, parabéns pela sua bela história. Seu conto é dos melhores que li até agora. Abraços Fraternos, Fernando.

  13. Luciana Merley
    2 de abril de 2020

    Olá, autor.
    A história de um jovem quase centenário que desbancou a turma de “novinhos”, donos do pedaço, no jogo de futebol.

    AVALIAÇÃO: Utilizo os seguintes critérios: Técnica + CRI (Coesão, Ritmo e Impacto) sendo que, desses, o impacto é subjetivo e é geralmente o que definirá se o conto me conquistou ou não.

    Técnica – Uma narrativa muito atraente, adequada ao tema, sem papas na língua, assim como são as línguas na realidade dos campos de várzea. Linguagem muito bem escolhida e que nos transporta sem nenhum esforço para o ambiente da narrativa. Dá para sentir (apesar de não ter sido dito) que o dia de jogo é o que dava sentido à vida daqueles homens. Dá para sentir como, ali, eles sentiam-se vivos, viris novamente. Também é possível imaginar a raiva e o despeito que sentiram ao ver aquele novo jogador correndo para continuar aquecido. Faria Nelson Rodrigues ler seu texto com muito gosto.
    Minha única ressalva nesse quesito é o início, pois poderia ter sido mais atraente, menos decodificado. Como sabemos, o início de um conto é determinante para o impacto da leitura. Sugeriria essa parte para começar “Poderiam se chamar dinossauros, mas adotaram o nome de “Enferrujados” e se encontram todos os sábados de manhã – porque velho acorda cedo!”

    CRI – O conto faz um recorte da realidade e segue coerente quando traz aspectos mais gerais. O ritmo, como já citei, é muito atraente e adequado ao tema e o impacto é muito interessante, com um final surpreendente, não bombástico, mas delicado até.

    Parabéns, gostei muitíssimo.

  14. Pedro Paulo
    1 de abril de 2020

    Adorei o conto, pois trata de nos apresentar a uma espécie de mentalidade coletiva solidamente edificada e firmada pelo passar dos anos. Não só fica clara essa sensação, como também existe um grupo disciplinado em repetir antigos valores de macheza e camaradagem. Lembrou-me o meu avô, que, enquanto idoso, jogou bola com os amigos até sofrer de uma lesão.

    O conto primeiro nos apresenta ao grupo e à sua cosmovisão e, depois, com uma escrita econômica e ágil que, à mesma linha, nos informa o que ocorre e se mantém coerente ao linguajar estabelecido, nos apresenta a uma partida com um novo jogador e, portanto, com um novo elemento a se considerar neste pequeno universo particular. Como é de se esperar, a novidade trazida pelo jogador não é tão somente a sua presença, mas a sua forma de jogar, impressionante e goleadora.

    Um bom adendo narrativo foi a conclusão final, em que descobrimos a real idade do jogador. Isto encerra o conto com uma mensagem, nos dando uma perspectiva diferente da idade e nos surpreendendo.

  15. antoniosbatista
    28 de março de 2020

    Resumo: A história de um grupo de idosos que se reúne aos sábados para jogar futebol

    Comentário: A escrita é muito boa, frases elaboradas, leitura fluida, mas argumento é simples, não tem nada de surpreendente. Não aconteceu nada de anormal, de novo, original, que me surpreendesse. Um grupo de pessoas jogando futebol se moços ou velhos, a história é a mesma, não faz diferença. O jogo foi bacana, os apelidos e foi só. O autor tem uma boa escrita, mas precisa ter melhores ideias. Por exemplo; O italiano poderia ter sido um vampiro centenário, ficaria mais interessante. Ou ele era e não me dei conta? Boa sorte.

  16. Angelo Rodrigues
    28 de março de 2020

    Dente de Leite (Heleno de Freitas)

    Resumo: Recorte da história de uma partida de futebol entre idosos, com o surgimento do italiano dando um show de bola apesar de seus noventa e três anos.

    Comentários: Conto legal. Me fez lembrar a minha juventude nos campos de futebol. O autor parece ter vivido esses momentos. Os apelidos, as brincadeiras entre amigos antigos, a permanência de uma época que se foi, marcada agora apenas pela necessidade de manter viva a memória gostosa de anos passados
    O conto, entretanto, de uma grande proximidade com a realidade, torna-se inverossímil ao final, pondo nas pernas de um homem de noventa e três anos tamanha desenvoltura. Ficaria bem se assim permanecesse, mas, ao final, o autor aprofundou essa inverossimilhança dizendo que era a idade de sua cabeça (do velho de noventa e três anos) que dava força e vigor àquele corpo antigo.
    Embora poético o final, creio que criou uma dicotomia fática quando quebrou uma narrativa bastante real com um final pouco verissímil.
    Ainda assim, achei o conto legal. Se me for permitido, acho que o conto deveria terminar na frase final do italiano, quando ele diz que tem noventa e três anos, passando ao leitor a ideia de que o dito seria uma brincadeira, ou, ao contrario, uma verdade. O término com essa dúvida seria bem mais apreciável que consolidar uma inverossimilhança, como acabou ficando.
    Boa sorte no desafio.

  17. Jorge Miranda
    28 de março de 2020

    Uma história que envolve futebol e a passagem do tempo. Heleno de Freitas (parabéns pela referência ao craque dos anos 40 e 50, famoso pelas farras, brigas, pelo imenso talento em campo e por ter morrido em um manicômio), acredito que uma das coisas que caracterizam uma produção artística qualquer é a sua capacidade para despertar emoções, aquela coisa de fazer a gente transcender algo, acho que você conseguiu isso. Achei muito interessante você ter pego algo que atravessa a cultura brasileira como é o caso do futebol e associar com o tempo que passa. Chamo a atenção para a criatividade dos nomes dos “boleiros” que você criou. Achei que a sua narrativa fluiu tranquilamente e não senti em momento algum que ela ficasse algo cansativo.
    Gosto muito de futebol, nunca joguei muito bem, mas de também, igual ao seus personagens, as minhas pedaladas e dribles, rsrsrs.
    Pela emoção que você despertou em mim com o seu texto eu atribuo a nota 4 para ele.

  18. Julia Mascaro Alvim
    26 de março de 2020

    ops um errinho no comentário anterior. 3 gols do italiano e 1 gol do heleno. desculpem.

  19. Julia Mascaro Alvim
    26 de março de 2020

    São velhos jogadores de futebol chamados de “Enferrujados”. Hoje são menos numerosos: dos 22 iniciais , restaram 16. Eles escolhem os jogadores e iniciam a partida após acertarem com mais um novo jogador. O campo estava um lamaçal. O jogo acontece e o Italiano faz um gol. 4×0 no primeiro tempo. outro jogador fizera os outros 3 gols. Ao final, descobrem que o italiano tem 93 anos. moral: a idade de sua cabeça dava vigor àquele corpo antigo.
    A ideia do jogo com os velhos é criativa. O texto é claro e com uma dose de humor.nota 04.

  20. Gustavo Araujo (@Gus_Writer)
    25 de março de 2020

    Resumo: time de futebol formado por idosos recebe a companhia de um novo jogador Guido, um itaiano franzino. Apesar do físico pouco avantajado, Guido acaba com o jogo. No final, revela a idade: de corpo, 93; de cabeça, muito menos.

    Impressões: gostei do conto. Há uma leveza nas linhas, algo que remete à infância, emobra tenha como protagonistas jogadores já sexagenários e além. Bacana como foram demonstradas as relações entre eles, as brincadeiras, os insultos,os apelidos, até as notícias relativas à morte dos integrantes originais, numa narrativa permeada de nostalgia e que revela a amizade intrínseca entre eles. O conto vai além, contudo, ao apresentar um novato, alguém que sacode a rotina do pessoal. Esse novato, vê-se, tem muito a ensinar a todos ali, como fica evidente ao se revelar um craque. Não gosto muito de contos com “moral da história”, mas aqui ficou bacana a forma como a lição foi passada, de que a velhice é algo que está muito mais na cabeça das pessoas do que realmente no físico. Em suma, um trabalho competente, descompromissado e que não joga o leitor para a típica atmosfera depressiva que costuma contaminar o tema “velhice”. Ao contrário, é quase um Cocoon reloaded. Parabéns e boa sorte no desafio.

    Nota: 4,0

  21. Regina Ruth Rincon Caires
    25 de março de 2020

    Dente de leite (Heleno de Freitas)

    Resumo:

    A história de vários amigos veteranos que formaram um time de futebol. A cada ano, pelo processo natural da vida, aconteciam “desfalques de jogadores”. Para fechar a história, apareceu o “Italianho”, bom de bola que só ele. Conto excelente!

    Comentário:

    Sabe aquele texto que você lê engolindo cada palavra, dada a proximidade do conteúdo?! Pois é. Assim foi minha leitura. Acho que sou um dos convocados da pelada ou estava na beira do campo. Com certa nostalgia, entendi cada palavra escrita. Sei não, tirando umas vírgulas meio fora de lugar, juraria que foi o Fábio que escreveu essa belezura… O leitor se emociona, ri, engole aquele trem que se forma na goela… Que lindeza, meu Deus!

    O título é de uma ternura que encanta. O pseudônimo, reverenciando o craque mineirinho e centroavante botafoguense miserável de bom, retrata a genialidade de “Gilda”. Irreverente, incontrolável, terror dos técnicos, boêmio, fora do cabo, Heleno partiu precocemente, não sem antes passar por internações em sanatórios.

    Lindo o jeito de contar. Os diálogos acalorados dão um toque de naturalidade, retratam exatamente o que acontece nas peladas entre amigos. Sensacional!

    Não sei se gostei mais dos nomes/apelidos dos jogadores, das descrições, das conversas, das impressões do narrador. Sei lá. Só posso dizer que é um encanto, o meu texto preferido até aqui.

    Parabéns, Heleno de Freitas, você me emocionou profundamente! Você nasceu para escrever. Continue. Depois da leitura, fiquei saboreando as recordações por um bom tempo…

    Boa sorte no desafio!

    Abraços…

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Publicado às 22 de março de 2020 por em Envelhecer, Envelhecer - Grupo 1 e marcado .