EntreContos

Detox Literário.

O Dia em que a Terra Não Parou (Rafael Sollberg)

 

O famoso jornalista britânico Francis Cockburn certa vez disse; “não acredite em nada até que tenha sido oficialmente negado”, por minha vez, vos digo, “acredite em apenas 80% do que a cultura popular costuma contar, porque os outros 20% são puro invencionismo”. Norteado por isso, não me causou qualquer surpresa ou estranhamento o fato dos alienígenas, batizados por mim de “Claytorgs”, serem verdes fluorescentes e pequeninos. Na verdade, o termo “pequenino” pode ser considerado um eufemismo elegante, e obviamente impreciso. Os sujeitos mediam entre dois e três centímetros, contando com as antenas quando completamente eretas. Em uma descrição mais visual e comparativa, é possível dizer que pareciam grilos vindos do espaço. O que nesse exato momento me faz pensar porque diabos não os denominei de “grilos do espaço”? Certamente mais interessante, menos pomposo e muito mais divertido que o ‘viralatismo” descarado de “Claytorgs”. Em minha defesa, excetuado o famigerado caso do E.T de Varginha, é fato conhecido que extraterrestes com esse biotipo preferem o solo americano para suas empreitadas. Do mesmo jeito que “chupa-cabras’ tem predileção por animais mexicanos, Vampiros por pescoços Romenos e Sacis por bundas brasileiras. Enfim, se o tom esverdeado e radioativo possivelmente era fruto de uma dieta rica em legumes no estilo da “Monsanto”, restava claro que o tamanho do corpo era uma necessidade espacial. Afinal, “mais é menos”, “Cuanto más grande eres, más grande será tu caída”[1] e todas as outras frases de sabedoria duvidosa validadas pelo fato dos dinossauros não estarem mais “ai para comprovar”.

É de conhecimento geral[2] que durante 3.000 anos os “Claytorgs” tentaram sem sucesso invadir o planeta terra. Em uma escala de constrangimento cósmico – inúmeras foram as batalhas – poderíamos citar em terceiro lugar a vexatória retirada dos “verdinhos’ em 06/06/1944. Após tensos e intensos 15 minutos sendo bombardeados por uma força mundial que atirava por todos os lados em uma localidade chamada de Normandia, o Supremo Comandante da força “claytorguiana” não girou nos calcanhares, mas engatou a marcha ré do que sobrou de sua esquadra[3] e saiu com as anteninhas entre as pernas.

O segundo maior embate da tropa espacial ocorreu quando resolveram chegar no meio de um grande êxodo. Durante o imbróglio entre um Faraó e os Hebreus, nossos amigos optaram por uma maciça visita de reconhecimento sobre o Delta do Nilo. Entretanto, antes que pudessem coletar os dados necessários para o ataque, 30.000 naves foram surpreendidas por uma improvável chuva de rãs. Laicos por excelência, os visitantes não contavam em seus arquivos com a notícia de uma força aérea de batráquios kamikazes. Destroçados pelo assalto brutal e repentino, os “Claytorgs” sobreviventes abandonaram os seus discos voadores em busca de salvação, mas encontraram apenas uma nuvem de gafanhotos intolerantes, sectários e especistas.

Há quem diga que a maior a batalha da história dos esverdeados diminutos aconteceu em Yunnan no festival de 212, passagem do novo ano do rato, onde milhares de “lanternas de kongming”[4] acertaram em cheio a maior ofensiva já projetada. Queimados pelos notórios balões Chineses, os soldados esmeraldinos lançaram-se num terrível mergulho, um salto mais ou menos no escuro. Todavia, jamais havia passado pelas suas cabeças antenadas que aquilo se tratava de uma tradicional manifestação que clamava aos céus uma solução para a maldita fome. Seus corpos torrados foram empalados e devorados por uma turba ensandecida que vibrava com a entrada do novo ano do boi.

Sim, há quem diga. Eu não! Em minha humilde e definitiva opinião, o maior combate dos insistentes e maduros forasteiros desenrolou-se perto daqui, em meados da semana passada. Os reflexos estão por toda parte. Portanto, assim que sair desta loja de espelhos, contarei os detalhes desconhecidos para deslumbramento universal.

 


[1] O autor optou pelo espanhol simplesmente porque estava com uma vontade louca de escrever “mais grande”.

[2] Entenda-se por “geral” o universo incrível e incontável de leitores do autor.

[3] O Segundo Sargento Douglas Cooper ao fazer seu relatório de batalha jurou por todos os deuses astronautas que durante a invasão do dia D viu milhares de discos se espatifando na praia francesa. 15 anos depois em South Beach ele inventou o “frisbee”

[4] Uma espécie de balãozinho de São João.

 

XXX

 

Adilson, de sobrenome “Atirador” por uma predestinação sem precedentes, era presidente do Clube de Caça e Pesca de Hollywoodnópolis. Uma estranha e não tão pacata cidade de 35.000 habitantes e 17 anos de fundação.  No gabinete de honra da presidência da Agremiação, que dividia espaço com o depósito de raquetes de ping-pong e tabuleiros de xadrez, o sujeito sorria por baixo dos bigodes esticados e batia continência para o retrato do seu finado pai. Finalmente a comunidade adolescente, conhecida como a prima pobre do Triângulo Novamericano, um pouco abaixo de Califórnia do Oeste e muito aquém de Chicagolândia, receberia um evento portentoso da região. Ele, enquanto idealizador, organizador e competidor, não se continha de entusiasmo, replicando a mesma postagem em todas as vias digitais que tinha acesso. O panfleto, cuidadosamente elaborado em um aplicativo apelidado de “peidebrux”[5], trazia as informações do campeonato, os três patrocinadores – que por incrível coincidência e mérito eram justamente as prefeituras da região – e a foto da Vaca Monroe, prêmio exclusivo para o vencedor. Em um atilamento típico das grandes figuras, Adilson Atirador aparecia em forma de marca d’água por baixo da “arte gráfica” numa engenhosidade moderna que remetia as primeiras cédulas do império romano.

Salivou só de imaginar a cara dos seus adversários; Coronel Franco-Franco, patrono de Chicagolândia, e Mister Teófilo Patriota, prefeito de Califórnia do Oeste. Inimigos mortais que não podiam se ver, exceto nas quintas-feiras no rendevouz de Socorro Prazeres. O trio cativava uma espécie de disputa lendária. As figuras capitaneavam as torcidas dos seus respectivos concidadãos nos mais variados embates; da montaria ao videokê, do carteado ao leilão de galinhas.

Em instantes, duelariam por honra, prestígio e a pela Vaca Monroe.

Coronel Franco-Franco jamais havia vestido uma farda e herdara a patente do seu avô [6]. Sem nunca ter passado sequer na frente de um quartel, andava marchando com os olhos no horizonte dando comandos em voz de trovão para seus funcionários do petshop. A redundância, primordialmente onomástica, era um traço característico que alcançava fala e gestual. Não por outra razão recebera dos detratores a alcunha de “Coroné Replay Legendado”.  Era notadamente descrito como um homem justo, probo, duro e leal – ou seja, sem defeitos de caráter – por nove entre dez das suas amantes. Longe de casa, seria a primeira vez que disputaria o torneio sem a ajuda de metade de sua imensa claque.  Ainda assim, alugara duas Vans e uma charrete para os seguidores bem-dispostos (pagos) e aventurados (consanguíneos).

O líder Californiano Mister Teófilo Patriota distinguia-se dos demais por sua classe e educação. Anglô-francofilo de nascimento, fruto do casamento de um Ciclista Francês e uma Professora de Governador Valadares, embaralhava os idiomas em um dialeto inconfundível. Considerado por todos os professores, mestres, explicadores e auxiliares de monografia como um exímio autodidata – fazia de tudo um pouco – aprendeu a andar com três anos e tornou-se aos dezoito e dois dias o vereador mais novo do país. Teopato[7], homenagem justa e carinhosa conferida pelo partido de oposição, só tinha um desgosto na vida; a ausência de um filho varão. Catherine Patriota tentava ocupar essa lacuna, inutilmente, apesar de pescar com maestria, correr como uma gazela, boxear como um canguru e atirar como uma Carabinieri. “Last but not least”[8] vivia para honrar a memória da esposa, que morrera em um estranho acidente de carro na fronteira da Bolívia e ressuscitara três dias depois em um veleiro em Cancun.

No mês anterior, Adilson convocou uma reunião de cúpula para tratar dos detalhes da disputa. Reuniram-se em um lugar neutro chancelado por Socorro dos Prazeres, colombiana muito acostumada a se fazer de Suíça.

– Propomos que nós três estejamos nas finais antecipadamente? – Adilson lançou na primeira pessoa do plural, pois acreditava que possuía a procuração do mundo.

–  Think is justo e démocratique – ponderou Teófilo.

– De acordo, concordo – arrematou o Coronel.

– Vamos ao que interessa! Sugerimos uma pequena aposta em espécie.

– Animais não são moeda! – vociferou o dono da Petshop

– Pardon, acho que ele estava falando sobre “cash”.

– Por que não algo definitivo, peremptório, conclusivo, irrevogável…

– É de conhecimento público que o Coronel tem vocação para criar palavras-cruzadas…

– My dieu, homi!

– Ao vencedor ganhador primeiríssimo a honra de apadrinhar definitivamente a incrível Vaca Monroe!

Vaca Monroe, por causa do James e não da Marilyn, era uma espécie holandesa de cerâmica “esquecida” por um artista plástico pernambucano, que ia para uma exposição no Rio de Janeiro, mas teve seu carro abalroado por um cavalo apátrida. Tendo o sinistro acontecido exatamente na divisa do triângulo Novamericano, a apuração das responsabilidades durou mais tempo que o tal artista podia esperar. O animal de tamanho real, pintado com bolinhas vermelhas e amarelas, tornou-se imediatamente objeto de cobiça por parte dos moradores da localidade.

 


[5] Do inglês “Pei” – varinha, “debrux” – do bruxo/que faz mágica, é um aplicativo que já vem no computador e serve para desenhar boneco de pauzinho. Ah, e também para recortar foto e pintar uns trem.

[6] que também nunca tinha servido ao exército, mas que durante a Guerra do Paraguai havia perdido uma perna mal tratada após uma dividida pouco calculada com um zagueiro nascido em Assunção.

[7] É sabido que o Pato nada, corre e voa, embora não faça nenhum dos três direito.

[8] Que em uma tradução livre feita por Teófilo Patriota significava “os últimos serão os primeiros”.

 

XXX

No dia em que a Terra não Parou, os figurões estavam em formação na linha de tiro da Pedana [9]. Iriam abrir o torneio já com a final da Fossa Olímpica, cada um com a certeza de que ganharia a Grande Bolada, outro apelido da Vaca Monroe. Adilson havia memorizado a ordem de lançamento dos pratos e combinado com o árbitro da prova um certo retardo para acionar a máquina. Coronel Franco-Franco colocara o triplo de chumbo permitido em seus cartuchos para que quando atirasse não sobrasse nada pela frente. Já Mister Teófilo Patriota, após muita discussão e cara feia, concordou com o plano da filha Catherine, campeã nacional da modalidade, para sagrar-se vencedor do desafio.

Gabriel Garcia Márquez disse que todas as coisas possuem vida própria. Eu digo que todas as coisas possuem um propósito e uma vida, não necessariamente própria. Os pratos surgiram para salvar milhares de pombos e patos que serviam de alvo para caçadores entediados. Sua existência está condicionada a natureza quebradiça, onde a sina é espatifar. Portanto, ainda que não tenham sido utilizados no fatídico dia, vã é a esperança de quem nasceu para ser estilhaçado.

Quando o primeiro “alvo” surgiu no horizonte bem antes do previsto e permaneceu imóvel no ar como um beija-flor preguiçoso. Os atiradores se entreolharam desconfiados. Diante da oportunidade sem precedentes Adilson ergueu a espingarda e acertou em cheio o disco voador alaranjado, que deixou para trás uma nuvem de poeira verde[10]. Antes que Coronel Franco-Franco colocasse em cheque a integridade do certame com alguma bravata repetitiva, outro “prato” parou desafiadoramente na linha de tiro. Sem titubear, Mister Teófilo Patriota apontou o cano de sua escopeta e assoviou. Escondida nas moitas Catherine soltou um “tirambaço” certeiro que arrancou suspiros do pai, que ainda ousou fazer um “cataplum” de canto de boca. Diante do insólito e do absurdo, havia a sensação de que muita coisa estava errada, todavia ninguém percebeu o teatro bem sincronizado entre os Patriotas.

– Algo de errado não está certo! – Gritou Franco-Franco.

– Nós chamamos isso de “choro de loser” – emendou Teófilo, ainda empolgado com “seu” grande tiro.

Antes que pudesse retrucar, uma dupla de pratos despontou no céu. O Coronel não se fez de rogado, mirou duas vezes e disparou o projetil turbinado. Os objetos se desintegraram em um vapor esmeraldino que coloriu o fundo azul.

– Toma, toma – ele provocou descansando a arma no ombro – 2 x 1, senhores.

– Concordamos que não seria “double trap”, bien? – Teopato questionou, duvidando da capacidade de sua filha Cat.

– Sim, mas também nunca tínhamos atirado em pratos que ficam parados.

– Sabia que Hollywoodnóplis não estava preparada, capacitada, habilitada para uma competição deste porte.

– Agree! Califórnia do Oeste é a unique com “infraestruture” para receber um “event” desta “nature”

– Não, não. Em Chicagolândia jamais aconteceria esse tipo de coisa, nossos níveis de gravidade são os melhores do país como um todo. Nacionalmente.

– A Terra é Plana lá também? – Adilson inquiriu, com os olhos rubros de raiva.

Numa intervenção cósmica oportuna, mais sete discos laranja vindos direto da atmosfera cessaram o rumo da prosa politico-moral-religiosa. Tal qual uma comédia muda, a tríade se apressou em carregar as espingardas e disparar em frenesi. Coronel Franco arrematou quatro de uma vez só, Catherine acertou dois, para felicidade do papai, e Adilson apenas um. Confuso, o garoto do placar tentava marcar as pedras, quando uma nova linha de oito alvos irrompeu na frente da trinca de fanfarrões. Acontece que em razão da prática, Catherine recarregava sua espingarda bem mais rápido que seu pai conseguia simular. Não por outra razão, contagiada pela empolgação, desembestou em derrubar os discos para desespero de seu parceiro que não conseguia acompanhar os movimentos. Perplexos diante do insólito, Adilson e Franco largaram seus postos e suas respectivas técnicas para atirar a esmo. Naquele momento estava claro que as regras já não valiam de nada e triunfaria quem quebrasse mais pratos independente de qualquer coisa.

Não é preciso mencionar, se o faço é por obrigação de registro, que o campeonato tornou-se um verdadeiro “bang-bang”. Os discos voadores continuaram chegando em intervalos cada vez menores. Mister Teófilo Patriota exausto em empunhar o armamento, cansou-se do teatro e abraçou o descaramento. Enquanto sua filha fazia todo o trabalho, Teopato disparava com a mão e gritava “cataplum” cada vez que algo se partia.  Adilson mandou trazer mais três espingardas que o garoto do placar recarregava nos ínterins. Coronel Franco-Franco convocou sua “entourage”, que formou linha ao seu lado e começou arremessar tudo que estivesse disponível. As garotas invadiram o campo de prova com seus estilingues enquanto os garotos lançavam suas bolinhas de gude.

O Supremo Comandante dos “claytorgs”, responsável militar pela invasão, frustrado com a técnica aprendida com o Arcade Space Invaders, optou mais uma vez pela retirada desonrosa. Porém, não sem antes repetir o imenso clichê de capturar uma vaca com seu campo de força.

Ao avistar a Vaca Monroe subir aos céus como uma divindade Hindu, os três atiradores caíram sobre os joelhos e começaram a rezar. Nesse dia, a terra não parou graças aos “três” heróis improváveis. Surgia ali um novo credo e um novo grupo de defesa: Vigilantes Novamericanos de Gados Raptados por Extraterrestres, os famigerados – VINGADOREX!

 


[9] Uma espécie de amarelinha marcada no chão donde o povo tem que atirar.

[10] Os alvos do tiro ao prato usualmente são laranjas e carregam um pó verde na parte de baixo, quando acertados deixam uma nuvem esverdeada que facilita a visualização dos espectadores e árbitros.

 

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23 comentários em “O Dia em que a Terra Não Parou (Rafael Sollberg)

  1. Luciana Merley
    17 de setembro de 2019

    Logo de cara sabemos que estamos diante de um escritor altamente experimentado (se é, não sei (kkk) mas que parece, parece) Isso porque sabe exatamente onde colocar cada palavra para criar o maior efeito possível.
    A história é inusitada, inteligente e divertida. Minha parte favorita é sobre “o destino dos pratos e a salvação dos patos”.
    Confesso que a transição da primeira para a segunda foi bem difícil. Tive vontade de desistir da leitura (e acho que a maioria dos leitores fariam isso). Sou sincera nesse ponto porque existem leitores e leitores. Esse é um texto para leitores que gostam de enredos experimentais, ou seja, uma percentagem irrisória. Todos os demais achariam cansativo e a maioria abandonaria após o início da segunda parte. Mas veja, o gosto dos leitores não pode ser entrave para a ousadia dos autores não é mesmo?
    Outra coisa, os nomes de cidades e pessoas (excessivamente caricaturados) não acrescentaram tanto, ao contrário, tornaram a leitura menos fluída.
    Você é acima da média meu caro campeão. Um abraço.

  2. Renan de Carvalho
    15 de setembro de 2019

    Conto explana sobre as diversas invasões de uma raça extraterrestre denominada claytorgs, e em uma delas que chega a ser impedida por uns tipos figurões de “Velho Oeste” os conhecidos: VINGADOREX!

    Interessante as diversas formas que o autor encontrou de contextualizar seu conto. Por certo ponto me perdi um pouco,mas retomou próximo ao fim. Um abraço.

  3. Thiago Barba
    15 de setembro de 2019

    Pequenos ETs, tentam realizar a invasão da terra há milhares de anos três amigos num dia que estão fazendo uma competição, acabam afugentando mais uma invasão frustrada dos invasores, mas não antes de terem o prêmio de sua aposta abduzido por eles.

    Confesso ter pensado, que em vez de um conto, seriam três ao ler a primeira e segunda parte. Confesso também, que se tivesse ficado na primeira parte, e, ali terminado, minha nota ao conto seria melhor.
    Gostei muito da descrição dos ETs, da técnica utilizada, da forma humorada da escrita e como essa primeira parte vai se desenvolvendo.
    Quando começa a segunda parte, essa linguagem parece não combinar mais (ou me frustra pela história que não consigo gostar nem um pouco), parecem criar piadas sem sentido e que vão só atrapalhando o conto (igual aos filmes da Marvel, que é inundado de piadas em momentos inoportunos, e, surpreendentemente aparece um VINGADOREX ao final do texto).
    A técnica de ‘atrapalhar’ a história, funcionaria se fosse para um conto curto, se o conto fosse apenas a primeira parte, mas com tanta enrolação, tantos cacos como “Não preciso mencionar, só o faço por obrigação de registro”, vão tornando o texto intragável para este leitor chato que procura na literatura objetos artísticos e não piadas e entretenimentos. Há público para este tipo de texto, mas infelizmente não sou.

  4. tikkunolam90
    15 de setembro de 2019

    Resumo: Numa disputa de atiradores, três homens impedem a invasão de uma raça alienígena conhecida por sua determinação que beira à burrice. Tudo num humor ácido, é revelado as inúmeras tentativas de invasões, todas frustradas.

    A parte escrita do conto está impecável. Não posso falar nada, pois, como não sou um exímio conhecedor do Português, ainda, irei acabar falando besteira. O que posso falar é que a leitura foi natural demais, mesmo com um humor ensaiado que não consigo apreciar, e consegui chegar ao final de primeira e ainda com um gosto de quero mais.

    A única coisa que me deixou em intensa dúvida sobre esse conto foi, de fato, se ele é FC mesmo. A mera inserção de alienígenas não me parece um argumento sólido para justificar o encaixe no tema. Toda a ambientação remete à Terra que conhecemos. Não há um pingo sequer de ciência envolvida na narrativa. Lendo esse conto colocando ao lado de grandes exemplos do FC, infelizmente, parecem gêneros distintos, algo muito mais voltado à fantasia e humor.

    Isso, de certa forma, deixou-me um pouco decepcionado, na ressaca do pós-leitura. Você é extremamente capaz como escritor. Como fez algo tão fora dos eixos? Se foi um descuido, ou por ter uma interpretação diferente e pessoal do que é FC, deveria se focar mais no que importa nesse desafio: o exercício de criar um conto, dentro do seu melhor, numa zona limitada, que é o limite de palavras e o tema. O primeiro você conseguiu, mas o segundo me pareceu muito frágil. Quando o alvo é acertado com precisão em seu centro, não deixa espaço para questionamentos, entende? Um tolo ou outro tenta, mas de forma objetiva, o alvo foi acertado e pronto.

    O conto é muito bom, funciona de forma independente, mas dentro do desafio, achei ficou fora dos temas.

    Enfim, parabéns pelo conto. Ele está impecável, mesmo, de verdade.

  5. Amanda Gomez
    14 de setembro de 2019

    Resumo 📝 A história sobre uma invasão alienígena que nunca deu certo. os chamados Claytorgs, tipo os minions do espaço já passaram pela terra em vário eventos grandiosos da nossa história. Nos dias atuais eles resolvem fazer mais uma tentativa, mas são interrompidos mais uma vez, dessa vez por três atiradores profissionais que competiam em uma…como se fala? hm..competição de tiro com pratos. Além da filha de um deles que escondida, trapaceava para que o pai ganhasse. Esses três atirados se tornam heróis da humanidade, por acaso.

    Enredo🧐 É difícil um texto me fazer rir, mas esse eu achei muito engraçado. O conto é de uma criatividade muito inusitada, quem poderia esperar por algo assim? Alienígenas alá minions que estão tentando invadir a terra desde os primórdios, aparecendo em momentos históricos e sem vem vencidos mais uma vez, dessa vez sem querer hahaha. Adorei. Quando a primeira parte, que é a biografia dos Claytorgs acaba e vem toda a estranheza das apresentações dos personagens eu me senti meio perdida. É muita informação, muita mistura, enfim, coisas estranhíssimas mas muito boas e criativas, essa segunda parte eu reli algumas vezes até saber quem é quem. Tem passagens ótimas e engraçadas, a ambientação também ficou bem esquisita de um jeito legal. Aí vem o ponto alto que é o dia da competição, daí eu meio que já esperava o que ia acontecer ainda sim foi muito engraçado e bem escrito. Os personagens são adoráveis ao seu medo, as tiradas…a vaca sendo abduzida.. enfim. Sensacional.

    Gostei 😁👍 Gostei de tudo. Destaco a cena final, com os tiros, a confusão, a vaca.

    Não gostei🙄👎

    Impacto (😕😐😯😲🤩)🤩 O texto me arrebatou, pelo humor, pela criatividade… deliciosamente inusitado.

    Tema (🤦🤷🙋)🙋 Adequado.

    Destaque📌 “ Numa intervenção cósmica oportuna, mais sete discos laranja vindos direto da atmosfera cessaram o rumo da prosa politico-moral-religiosa. Tal qual uma comédia muda, a tríade se apressou em carregar as espingardas e disparar em frenesi.”

    Conclusão ( 😒🤔🙂😃😍) =😍 Ótimo conto, criativo, divertido e inusitado.

    Parabéns!

  6. Leo Jardim
    14 de setembro de 2019

    🗒 Resumo: uma raça alienígena minúscula tenta, em vão, invadir a Terra desde a antiguidade, mas acaba dando azar de escolher as piores horas: o dia D em Normandia, as pragas do Egito e num festival de lanternas chinesas. Mas a pior e mais recente também foi a mais humilhante: num campeonato de tiro ao alvo num Brasil “Trumperizado” (ou “Olavizado”).

    📜 Trama (⭐⭐⭐▫▫): bastante redondinha, divertida e bem contada.

    Anotei, porém, dois pontos a serem destacados:

    ▪ Os personagens, apesar de serem muito bons e bem construídos, surgem muito tarde na narrativa, diminuindo a conexão com eles.

    ▪ A trama acaba sendo previsível. Desde o preâmbulo e pelo título já imaginava e sabia o destino dos ETs bem antes deles chegarem.

    📝 Técnica (⭐⭐⭐⭐⭐): profissional, gostosa de ler, carrega o conto nas costas. Uma técnica invejável.

    🎯 Tema (⭐⭐): ficção científica [✔]

    💡 Criatividade (⭐⭐⭐): ideias muito criativas, como a releitura de como seria (será) o Brasil se continuarmos como estamos.

    🎭 Impacto (⭐⭐⭐⭐▫): um conto muito divertido de ler. Não é daquele humor de arrancar gargalhada, mas de se ler com um sorriso no rosto. Parabéns!

  7. Gustavo Azure
    14 de setembro de 2019

    RESUMO
    Um jornalista relata um episódio em que os grilhos do espaço tentaram invadir a Terra (talvez plana em Chicagolândia) de novo. Quase tudo dá errado, “quase” pois, pelo menos, conseguem abduzir uma vaca de mentira.

    CONSIDERAÇÕES
    A descrição dos personagens, até mesmo do narrador, é bastante precisa e marcante; cada um deles possuem personalidades distintas sem se deter em descrições longas, pois em parte é mostrado em suas ações. Apesar deles ficarem caricatos, essa era a proposta do conto, deixando-os menos óbvios através da narrativa. As notas de rodapé foi um artifício bem usado para mostrar ainda mais o narrador sem usar a narrativa diretamente. Acredito que esse foi o conto que mais bem trabalhou a apresentação e construção de personagens, sem deixar de lado a relação entre eles.
    A caricatura também está presente na descrição do espaço e dos acontecimentos que envolvem ele, como, por exemplo, as pragas do Egito. Assim como o nome das cidades e apropriação da tríade por aquelas bandas, já que a disputa pela vaca é em razão da confusão territorial. As ações que ocorrem também são bem descritas, sem causar qualquer confusão para o leitor.
    A narrativa foi muito bem articulada, os momentos dela pareceram uma justificativa para o que iria ocorrer posteriormente, dando a impressão de crescimento na história e não de ocorrências avulsas que foram juntadas no final. A ironia na escrita, e a própria escrita em si, é incrível, bem desenvolvida e é, com certeza, um dos pontos fortes do conto. Apesar de não ser um conto que eu goste, este é um dos melhores que li nessa rodada.
    Não houve qualquer problema com a fluidez nesse conto, que conseguiu manter a sensação de um movimento uniforme mesmo apresentando vários personagens e situações. A maneira que a narrativa foi manejada deixou o movimento do conto muito equilibrado.
    NOTA 4,8

  8. Elisabeth Lorena
    12 de setembro de 2019

    O Dia em que a Terra Não Parou (Short Version)
    Conto Ficção científica
    Resumo: Uma competição de tiro é o pano de fundo para uma invasão alienígena que é abortada pela confusão da artilharia.

    Comentário
    Geral
    No plano estrutural o escritor comete alguns erros clássicos pois cria uma narrativa muito carregada pelo excesso de informação. A Introdução e o Desenvolvimento estão comprometidos pelo excesso de dados sobre os claytorgs e suas inúmeras e fracassadas invasões ao Planeta Terra. Entendo a intenção de trabalhar a criação clara de uma ambientação fotográfica, mas falhou. O Ponto cômico é exagerado, sem conseguir fluidez suficiente para ser considerada uma Comédia de erros e se afasta de atingir o ponto de Paródia de costumes, ideia sugerida pela tríplice poder, insensatez e fracasso.
    Não há conflito claro e mesmo a situação em si não cria um suspense que fuja do final óbvio e repetido: os claytorgs se afastarão combatidos pelos filhos do Didi Mocó com o Máscara.
    O foco narrativo fica bem na terceira pessoa, sem deslizes, com os diálogos das personagens em discurso direto, sem comprometer a narrativa é um dos acertos.
    As personagens não são uma unidade coletiva. São muitas e se perdem no desenvolvimento, voltando ao destaque ao final. As informações de outros autores, textos e circunstâncias pesam muito o texto. Os trocadilhos são cansativos e o Dialeto à la “Indomada” ultrapassam o limite do suportável.
    Acertos estão por conta da tríplice já apontada. Ali o poder, a insensatez e o fracasso fortalecem um pouco a narrativa e são respectivamentes notados na Ideia de Coronelismo; Complexo de cachorro vira-lata e fracasso.
    A construção do poder pelo Coronelismo está bem apontada quando o narrador diz que o “Coronel Franco-Franco jamais havia vestido uma farda e herdara a patente do seu avô. Sem nunca ter passado sequer na frente de um quartel”. O Complexo de Cachorro Vira-lata se apresenta na formação das cidades e nas misturas dialetais. Já o fracasso está por toda parte e ultrapassa a idéia da derrota dos extraterrestres. A formação socio-cultural das cidades envolvidas, o jogo corrompido, os poderosos corruptos, a falta de apoio policial ao evento são, em conjunto, a base para o fracasso geral das idéias postas e se cristalizam na abdução da Vaca Monroe, que por ser homenagem a quem é, destrói a imagem de sociedade pseudo-perfeita que esses senhores pensavam ter. O Franco duplo me lembra outro Franco e é triste pensar nas artimanhas criminosas dele.
    A idéia de transformar a jovem desprezada por ser mulher em uma espécie de heroína, apesar das maquinações do pai é também interessante, apesar de passar despercebida em uma primeira leitura.
    A propósito, ao uso das confusões dialetais a la Indomada fica a frase doutrinária de Monroe, o James: “A América para os americanos” . Melhor que o trocadilho tosco: “todavia ninguém percebeu o teatro bem sincronizado entre os Patriotas.”
    Há duas ideias ajustáveis. A primeira por equilíbrio-estética: antenas entre as pernas demanda muita imaginação. Colocá-las abaixadas entre orelhas daria o mesmo sentido de vergonha e derrota. A outra é a criação da realidade que dão conta da invasão pelo rio Nilo. Em que abertura espaço-temporal ficaram perdidos esses seres invasores estavam entre as pragas de rãs e gafanhotos, já que antes dos últimos houve outras manifestações extraordinárias: praga de piolhos, moscas, etc. A propósito eu até gostei dessa parte, pena esse apagão na linha histórica, comprometendo a idéia.
    As informações de rodapé mais me irritaram que informaram. Se essa era a intenção, lhe desejo um tiro de sal!
    Apesar de eu não achar na narrativa a época em que a tropa claytorguiana teve acesso aos jogos da Atari, foi interessante saber que eles se preparam para o ataque final assistindo o “Spacers Invaders” como estratégia e não jogando por diversão. Esses seres verdes fluorescentes não sabem nem se divertir…
    Que tenha sucesso no Desafio.

  9. Carolina Pires
    12 de setembro de 2019

    Resumo: É discorrido sobre as mais importantes invasões dos claytorgs (uma espécie de alienígenas) ao planeta Terra. Dentre vários momentos históricos, o conto dá atenção ao mais recente, uma competição de tiro ao alvo entre inimigos de uma região do interior do Brasil (acredito ser Minas, apesar dos nomes serem fictícios). Enquanto invadiam com as naves “redondinhas”, os claytorgs foram recebidos a balas, por parecer com os pratos da competição. Em retirada, os extraterrestes abduzem um monumento em forma de vaca.

    IN-CRÍ-VEL! Simplesmente espetacular! De longe o conto mais criativo. Eu amei a forma como trabalhou com o humor no seu conto, Short. Eu também gosto muito de trabalhar com o humor nos meus, e tive em você um grande exemplo de fazer isso tudo sem forçar a barra. Ficou muito, muito divertido!

    Muito bem escrito esteticamente. Simplesmente espetacular a forma como trabalhou com as notas de rodapé (uma mais engraçada que a outra). Eu amei a descrição dos “claytorgs”, apesar das GRANDES diferenças, eles me lembraram os “lupa-lupas” da “Fantástica Fábrica de Chocolates”. Os personagens secundários (ou principais também?) também foram muito bem arquitetados, a começar pelo nomes, bem típico de apelidos no interior de Minas.

    Como eu ri da hábil ligação que você fez das invasões dos claytorgs com os fatos históricos. A vaca Monroe sendo abduzida (hahahahahahahahha). Muito bom!!! Imagino todo mundo olhando para aquela cena.

    Eu não consigo ver nenhum defeito no seu conto. Muito bom mesmo!

    Parabéns! Mil vezes parabéns!

    Obs: amei a imagem que parece um jogo do Atari. =)

  10. Estela Goulart
    11 de setembro de 2019

    Claytorgs são denominados pequenos seres alienígenas de antenas. Suas tentativas frustradas de invadir o planeta resultaram em situações cômicas. Mas a mais lendária aconteceu durante o campeonato de Hollywoodnópolis. Durante a disputa entre Franco-Franco, Adilson e Teófilo Patriota, os ets vencem a competição e levam a Vaca Monroe.

    Não hesito nada em dizer que esse é o melhor conto que já li em todos os desafios. Sim, estou dizendo uma opinião minha e sempre vou lembrar disso. Não pela narrativa, pela estética genial, pela articulação e desenvolvimento do conto, mas pelo contexto geral. Admito que não consegui ler a primeira vez pelas inúmeras informações, mas logo me encantei com a forma que você escreveu. Acredito que os comentários não sejam apenas para “conferir gramática milimetricamente”, mas sim para expressar a opinião à respeito da história. E minha opinião é que você foi criativo, super inteligente e conseguiu um conto muito, muito bem feito. Um conto muito legal.

  11. Fernando Cyrino
    9 de setembro de 2019

    Olá, Short Version, tudo bem? Cá estou eu às voltas com a sua história. Que bom que a terra não parou, não é mesmo? Uma ficção científica muito doida. Pequeninos seres galácticos invadem a terra. Em outros momentos já haviam tido tal intento, mas sempre com rotundos fracassos. Nessa última tentativa, não é que vem chegando no momento exato da disputa entre três heróis do tiro ao prato, aliás, tiro ao disco? E tal certame acontece em meio a mil falcatruas. Um enredo alucinado, apropriado ao tema que você desejava me contar. Um uso legal da língua. Reparei, Short, que deixou passar alguns pequeninos detalhes na revisão última que fez do texto. Coisas pequeninas, de somenos, que em nada atrapalharam a compreensão e muito menos a leitura da história. Gostei da sua narrativa, bacana a maneira como me trouxe a invasão alienígena. O humor deu ainda mais leveza à narrativa. A assunção da Vaca Monroe ao céu, fechou de maneira legal a sua história. Parabéns. Meu abraço, Fernando.

  12. Paulo Luís
    4 de setembro de 2019

    Olá, Short Version, boa sorte no desafio. Eis minhas impressões sobre seu conto.

    Resumo: O conto trata de uma sátira de prováveis invasões alienígenas, os famosos boatos de aparições de extraterrestres em diversos tempos e localidades. A começar pelo título que parodia o famoso “o dia em que a terra parou” de Orson Welles.

    Gramática: Leitura flui bem sem problemas gramaticais, exceção feita às citações em estrangeirismos que atravancam um pouco a leitura.

    Comentário crítico: O conto faz paródia de diversas autoridades, principalmente militares e políticos e, a eventos, ao se organizarem para um provável torneio de caça? Mas que não passa de uma sátira pela sátira, ironia por ironia, sem uma objetividade crítica. O próprio tema ficção, no meu entendimento não se manifestou nesse enredo. Ficando apenas no deboche. Embora bem arquitetado.

  13. Luis Guilherme Banzi Florido
    3 de setembro de 2019

    Boa tarde, amigo. Tudo bem?

    Conto número 36 (estou lendo em ordem de postagem)
    Pra começar, devo dizer que não sei ainda quais contos devo ler, mas como quer ler todos, dessa vez, vou comentar todos do mesmo modo, como se fossem do meu grupo de leitura.

    Vamos lá:

    Resumo: cômica história sobre um trio de competidores caricatos que salvam o mundo de uma invasão alienígena numa maluca competição de tiro ao alvo.

    Comentário:

    Muito bom!

    Num muito bem vindo tom de humor, o conto me entreteve e manteve preso à leitura do início ao fim.

    Não esperava encontrar um conto de humor nesse desafio, fui positivamente surpreendido. Particularmente, não costumo gostar muito de textos de comédia. O desafio comédia foi meio chato pra mim, por isso. Porém, o seu foi sensacional, e provavelmente teria grandes chances naquele desafio, também.

    A escrita também é impecável, demonstrando muita experiência.

    Acredito que o ritmo da história é o ponto alto. Os cortes de cena foram bem executados, e as notas de rodapé entre as partes caíram super bem.

    O autor brinca o tempo todo com o leitor, ignorando a quarta parede e criando uma sensação de familiaridade. Me deu a sensação de estar ouvindo a história direto da boca do autor, como num diálogo informal.

    Os personagens, extremamente caricatos, acabam se tornando muito carismáticos. Eles são, sem dúvida, o ponto mais alto da história. O enredo também é bem tramado e não deixa buracos. Até o título foi bem escolhido.

    Enfim, quando gosto muito de um conto, tenho dificuldades para comentar, pois não tenho muito o que falar.

    Parabéns e boa sorte!

  14. Evandro Furtado
    2 de setembro de 2019

    Uma história esquizofrênica acerca de uma competição esportiva local entre três líderes políticos de três cidadezinhas fronteiriças que se deparam com uma invasão extraterrestre.

    A primeira parte, que detalha o contexto histórico das invasões é perfeita. A sátira se coloca no nível exato, articulando-se muito bem à proposta. À partir do momento em que passa a contar a história da competição, no entanto, torna-se um pouco “boba”. Ainda é engraçada em alguns momentos e consegue se suportar numa estrutura narrativa bem composta, mas depende de um tipo de comédia que é muito frágil e caminha tênue entre a brilhantia e a cafonisse. No final, ainda é um conto muito bom, mas deixa um pouco a impressão de que poderia ser ainda melhor.

  15. Fernanda Caleffi Barbetta
    22 de agosto de 2019

    O conto é muito bom, divertido e inteligente. Adorei as notas de rodapé. Parabéns.

  16. O dia em que a Terra não parou

    O narrador inicia a história contando sobre os “Claytorgs”, alienígenas com altura entre dois e três centímetros, verdes e com anteninhas. Ele menciona que os “grilos espaciais” tentaram invadir a Terra em inúmeras oportunidades, sendo as mais notáveis durante o Egito Antigo, na China e durante a Segunda Guerra Mundial, sempre de forma frustrada. Então, o narrador relata uma quarta tentativa de invasão, ocorrida no Triangulo Novamericano, formado pelas cidades de Hollywoodnópolis, Califórnia do Oeste e Chicagolândia. Em um torneio de tiro, envolvendo representantes das três cidades, Adilson Atirador, Coronel Franco Franco e Mister Teófilo Patriota, em meio aos pratos lançados para a competição, os discos dos Claytorgs surgem, parando no firmamento, para espanto dos competidores. Envolvidos pelo espírito competitivo, os homens não questionam o movimento não natural dos discos e seguem atirando. Ao constatar o fracasso da nova invasão, os extraterrestres abduzem a Vaca Monroe, troféu destinado ao vencedor da competição.

    O texto tem uma narrativa agradável, descontraída. A história mistura ficção científica e humor e, gramaticamente, não reparei em falhas. É muito comum associar a ficção científica a textos “sisudos”, dramáticos. A opção para uma narração leve e o flerte com a comédia foi bastante criativa por parte do autor. Por outro lado, o Short Version do pseudônimo, acredito, é uma pista de que o texto foi encurtado para o certame. O que fica bem evidente na parte final do texto. A narrativa fica acelerada, deixa alguns buracos (surge, sem maiores apresentações, a filha campeã de tiro de um dos personagens). Se, por um lado, as descrições do universo do Triângulo Novamericano é divertido, elas deixam o texto deveras descritivo, cansa um pouco o leitor. A ação chega só no final, numa correria só. Enfim, texto interessante, ideia criativa que o autor provavelmente desenvolverá de forma mais razoável na versão longa.

    Originalidade: 5
    Domínio da escrita: 5
    Adequação ao tema: 5
    Narrativa: 4
    Desenvolvimento de personagens: 5
    Enredo: 3

    Total: 4,5

  17. Antonio Stegues Batista
    17 de agosto de 2019

    O DIA E QUE A TERRA NÃO PAROU

    Resumo:

    Alienígenas pequenos, de 3 centímetros tentam invadir a Terra, mas são repelidos por eventos históricos com o dia D. Também invadem a Terra exatamente quando está acontecendo um torneio de tiro ao prato. Os competidores destroem suas naves pensando que são pratos.

    Comentário:

    O título, claro, é uma referência ao filme, O Dia Em Que a Terra Parou, que teve um remake com Keanu Reeves. Quanto ao conto, achei algumas piadas boas, bem construídas, o sentido figurado engraçado, mas não me fez rir. Achei forçado os aliens invadir a Terra exatamente quando ocorre um evento fatal para eles, como no dia em que houve uma chuva de rãs, uma das pragas do antigo Egito causada pelo profeta Moisés. Na parte do torneio, a leitura já ficou enjoativa com tantos absurdos. Acho que isso tirou a graça do conto. A ideia poderia ter sido desenvolvida de outra forma. Achei que houve excesso de alegorias. Acho que a história ficaria mais interessante se equilibrasse uma prosa lúdica e piadas.

  18. Contra-analógico
    13 de agosto de 2019

    Sinopse: Mesclando ficção científica e um humor non sense, O Dia em que a Terra Não Parou brinca com os clichês das invasões alienígenas e das lendas da internet, aquelas teorias bizarras e sem sentido algum que compartilhamos nas redes sociais. O narrador desconhecido revela fatos de uma realidade alternativa, mas verossímil com a nossa, onde situações que são dignas da série de filmes Todo mundo em pânico seria capaz de realizar.

    Comentário: O autor optou por fazer uma ficção científica somado ao humor, o conto apresenta duas narrativas em si. Confesso que a primeira parte foi muito engraçada, o autor soube fazer ótimas tiradas. Da segunda parte em diante, tanto a narrativa quanto as piadas descem muito o nível. No geral, o conto parece ser uma soma de várias coisas desúteis, e no todo, uma narrativa que nada apresenta além de uma ou outra sacada inteligente. E eis o problema: tentar fazer piadas muito inteligentes e que não tem tanta graça nenhuma. Para se ter uma ideia, o autor teve a necessidade de fazer notas explicativas sobre elas, explicar uma piada mostra que o autor além de não ter o timing correto para contá-las, termina que perdem toda a graça, piada é para ser apreendida e não ensinada. O autor perdeu muitos pontos pela sua indefinição narrativa. Pecou pelo excesso de estrangeirismos e neologismos.

    Notas de Contra-analógico:
    – A Bruxa: 1,0
    – A Hora Certa de Dizer “Eu te Amo”: 4,5
    – A Obradora e a Onça: 3,5
    – Às Cegas: 3,8
    – As Lobas do Homem: 3,0
    – De Forma Natural: 2,0
    – Espectros da Salvação: 3,5
    – Folhas de Outono: 2,0
    – Humanidade: 4,0
    – Love in the Afternoon: 3,0
    – Neo: 2,5
    – O Buquê Jamais Recebido: 2,5
    – O Dia Em Que a Terra Não Parou: 1,0
    – O Touro Mecânico: 2,0
    – Poá: 2,0
    – Rosas Roubadas: 1,5
    – Show Time: 5,0
    – Sob um Céu de Vigilância: 4,0

    Contos Favoritos
    Melhor técnica: A Hora Certa de Dizer “Eu te Amo”
    Mais criativo: Show Time
    Mais impactante: Show Time
    Melhor conto: Show Time

  19. Gustavo Araujo
    13 de agosto de 2019

    Resumo: Claytorgs, pequeninos extraterrestres, tentaram invadir a Terra diversas vezes, mas sempre alguma coisa acabou impedindo o sucesso da empreitada. Desta vez, a tentativa se dá durante uma competição de tiro ao prato, em que os participantes buscam o prêmio máximo – a Vaca Monroe. Um a um, os disquinhos dos Claytorgs são abatidos por tirambaços certeiros. Embora derrotados, os ETs levam consigo a vaca.

    Impressões: o conto tem uma linguagem propositalmente escrachada, buscando o contato com o leitor por meio de construções ágeis e sem concessões ao politicamente correto. Sobressaem-se o sarcasmo e a ironia, num conto aparentemente surreal, mas que tem consigo uma forte crítica à sociedade, seus líderes, seus estereótipos, seus pequenos e mesquinhos jogos de poder, suas trapaças, suas pretensas inteligências superiores.

    É sempre um risco escrever desta maneira e por isso eu sinto certa inveja do autor, que se mantém fiel a seu estilo, doa a quem doer. Evidentemente, isso pode atrair muitos leitores e inspirar admiração (meu caso), mas por outro pode levar a narizes torcidos. Não acho, sinceramente, que você, meu caro amigo que escreveu esta obra prima do soco na cara, esteja se importando muito com isso. Sua ideia, pelo que vejo, é incomodar quem lê, tirar-nos da mesmice e nos fazer mexer na cadeira, meio zonzos por conta desse virtuosismo. De fato, admiro essa coragem.
    Espero que outros leitores possam compreender as entrelinhas. Parabéns e boa sorte no desafio.

  20. Lucas Cassule
    12 de agosto de 2019

    Posso dizer que gostei das misturas de idiomas e achei bem engraçada os nomes dos locais também

  21. Lucas Cassule
    12 de agosto de 2019

    kkkkk, eu queria fazer um mini resumo aqui, mas nunca um texto me deixou tão confuso

  22. Pedro Paulo
    12 de agosto de 2019

    RESUMO: Os Claytorgs são uma espécie pequenina e experimentada na Terra, com grandes tragédias marcando sua prática de guerra, atualmente pautada em fris- discos voadores. O narrador toma para si a honra de narrar o seu maior conflito no planeta dos humanos, acidental e desastroso, entremeio à competição de três figuras conhecidas da região pela Vaca Monroe, prêmio simbólico. Os competidores só se deram conta da magnitude dos seus feitos ao, ironicamente, perderem o prêmio, mas salvarem o mundo, coligados como os Vingadorex! Tu-tu tutuuuuuu tuuuuu tuuuuu tuuuuu *Stan Lee cameo*

    COMENTÁRIO: Muito bom! Como um conto satírico, merece destaque por ter perpassado suas piadas em múltiplas dimensões. O gênero “alienígena” veio subvertido e, apesar das proporções épicas presentes nas histórias de grandes guerras, a “ameaça claytorguiana” foi muito mais piada do que ameaça, do histórico ao nome, cujo autor fez questão de acusar o viralatismo. Por outro lado, a sátira está presente nos elementos que compõem a trama central, justamente saindo das constantes brincadeiras com os mitos estadunidenses para adquirir traços evidentemente brasileiros e, mais especificamente, mineiros: o coronel que não é coronel com cacoete; o figurão metido no estrangeiro; e o valente de bons contatos. Só um deles especialmente habilidoso, mas todos com características de arquétipos brasileiros. Os percalços da história vão fazendo da situação cada vez mais cômica e bizarra e, quando se imaginou que os claytorgs tinham saído da história, percebe-se que aquela informação do frisbee doi valiosa, afinal, e o que estava acontecendo era mesmo mais um grande conflito claytorguiano ou, na verdade, um grande e sangrento mal-entendido que acabou envolvendo até a Grande Bolada, para prejuízo dos competidores e benefício do Planeta Terra, que viu a equipe dos heróis mais fortes do planeta se formar. Uma comédia científica!

  23. Higor Benízio
    7 de agosto de 2019

    Numa disputa inusitada de tiro ao alvo entre autoridades, pela Vaca Monroe (uma obra de arte) os atiradores acabam impedindo uma invasão de alienígenas milimétricos.

    Porra, agora eu li um conto! Texto é imprevisível, engraçado e original. O único ponto que incomoda são essas notas numeradas, acho que elas podiam estar dentro do texto, entre parenteses ou travessões (se fizer o teste, vai ver que dá certo). Muito bom.

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Informação

Publicado às 1 de agosto de 2019 por em Liga 2019 - Rodada 3, R3 - Série A e marcado .