EntreContos

Detox Literário.

Rolê no Inferno (Carolina Pires)

 

A única coisa de que me lembrava era da luz intensa que me cegou. Minha cabeça doía tão forte que pensei que iria vomitar umas duas vezes antes de tentar me levantar. Passei a mão por meus cabelos que quase tocavam meu ombro e pela minha barba comprida. Senti tudo sujo por algo húmido e pegajoso. Era sangue.

Procurei pela minha moto – só os motociclistas irão entender que a minha maior preocupação não estava no sangue que escorria pelo meu rosto e amargava a minha boca. Eu precisava conferir se a minha única companheira de estrada estava com as rodas em seu devido lugar.

Não sei que horas eram. Não sei por quanto tempo fiquei ali, inconsciente. Só sei que estava tudo muito escuro. As nuvens do tempo chuvoso tampavam qualquer iluminação possível que o céu poderia proporcionar. Céu… Nunca me senti tão distante da ideia de céu como naquele momento.

Chovia há algum tempo na estrada daquele interior inóspito. A lama havia sujado a minha calça jeans, rasgada devido à queda. A jaqueta de couro estava completamente marcada pelo barro. Olhei para meus pés que calçavam meu par de coturno predileto. Próximo a eles, o capacete era um prelúdio do que eu iria descobrir no que a minha cabeça se transformara. O abismo artificial que separa o lado A do B do cérebro humano havia se materializado. Eu me dei conta disso ao passar os meus dedos – quebrados – pelo topo da minha cabeça, percebendo que meu crânio havia se separado em duas partes. Senti as gotas da chuva regarem com delicadeza a superfície mole daquele corte medonho na cabeça de um homem de quarenta anos.

Como eu poderia estar vivo com o crânio dividido em dois como o cérebro de um típico alien de um filme hollywoodiano? Havia dias que eu me encontrava no vício de assistir filmes que não tivessem saído da fábrica da mesmice de Hollywood. Senti uma irritação irradiar meu corpo: se existia vida após a morte, coisa que nunca acreditei, e se eu estivesse mesmo morto, o estado em que eu me encontrava era tão clichê quanto um filme sem graça de um roteiro de terror em que o homem de vida frustrada dá de cara com a morte fatídica no meio do nada. Era o momento do ator mal pago procurar pelo próprio corpo morto caído no meio daquele mato alto. Chegara a hora do ator novato encontrar com o ator fim de carreira que encenava a personificação da morte: maquiagem plagiando uma olheira funda, unhas grandes, capuz negro e foice comprida. Ou seria o próprio Satã que estaria ali me esperando? Eu devia ter levado uma vida muito desregrada para não pensar em nenhum anjo, santo, nossas senhoras de não sei quantas…

Mas não tinha corpo algum ali. Nem a dona morte, nem santo ou demônio. Eu, ali, em pé, era o único corpo.

E a minha moto? Cambaleei na direção de algumas árvores da marginal daquela estrada pavimentada cheia de buracos. Segui a marca de crosta de lama arrancada no chão. Estava um breu, não conseguia enxergar meio palmo à frente. Foi quando um relâmpago iluminou o céu e tudo à minha volta por um segundo.

Foi quando eu vi. A moto e ela. Meus olhos se acostumaram aos poucos com a escuridão e à medida que eu me aproximava a imagem ficava cada vez mais nítida.

A motocicleta estava tombada, e sentada por cima dela, estava uma bela mulher. Seus cabelos, muito loiros, batiam na cintura. Usava um vestido curto de couro preto envernizado. Botas negras, também de couro, cobriam parte da pele clara de suas pernas, as quais estavam abertas e distanciadas. Ela segurava um pequeno guarda-chuva preto, que a protegia parcialmente dos incômodos pingos de chuva. Sua boca abriu-se em um sorriso expressivo. Consegui ver os piercings que enfeitavam seu nariz, orelha, boca e sobrancelhas. Seus dentes, de um branco invejável, reluziram à minha vista quando um outro relâmpago a iluminou. Ao longo dos braços, pernas e pescoço ela ostentava tatuagens – algumas semelhantes às minhas.

— Humberto… — chamou pelo meu nome, fazendo meu corpo receber um arrepio estranho. — Enfim, a sós.

— Quem é você? — indaguei, sentindo-me uma espécie de junção de Frankenstein com zumbi.

— Quem eu sou? — levantou-se, começando a caminhar em minha direção, colocando-se bem na minha frente como uma daquelas modelos que seguram uma sombrinha ao lado dos pilotos do Moto GP antes do início da corrida. — Eu que te pergunto: no que você se tornou, Humberto?

— No que me tornei? Então estou mesmo morto?

— Morto? E os mortos conversam por acaso? — disse ela, colocando a mão por baixo da minha camiseta preta, cuja estampa trazia a cara clichê de uma caveira. — Eu te fiz uma pergunta, Humberto.

— Eu não sei. — respondi, confuso. — Até onde eu tenho conhecimento eu nunca estive morto para saber.

Ela riu. De novo pude ver os seus dentes brancos, perfeitos. Pude notar que tinha um piercing de uma bola prata na língua. Ela levantou, devagar, parte da minha camiseta, revelando o osso exposto da minha costela, tocando-o com a ponta dos dedos. Suas unhas – não tão longas assim – estavam pintadas com um esmalte vermelho desgastado.

— Quem é você? — indaguei novamente, sem forças para distanciá-la de mim.

— Sou uma colecionadora.

— De ossos? De corpos? De almas? — questionei, lembrando-me de quantos nomes de filmes clichês me era possível trazer à memória.

— De motos. — disse ela, quase com a boca encostando na minha. — Eu gostei da sua. Vou ficar com ela.

Um frio tomou conta de mim. Não era possível. Eu estava vivo com o crânio rachado conversando com uma mulher escandalosamente linda no meio do nada? Passei as mãos novamente no corte da cabeça, senti a carne do couro aberta, o sangue ainda escorria sobre minha pele. Então eu não estava morto. Não estava sonhando. Eu não estava drogado. Eu estava drogado? Eu nunca pilotava sob efeitos de drogas. Estranhamente não consegui me lembrar de muita coisa. Não lembrava de praticamente nada.

— O que você fez comigo?

— Eu? — sua voz denotava indignação. — Era eu que estava dirigindo o caminhão por acaso? Aliás, aquele lá já deve estar bem longe… Nem para prestar socorro.

— O que aconteceu comigo? — joguei a pergunta no ar enquanto dirigia o olhar para meu joelho, vendo a rótula exposta apontar do jeans rasgado.

— O que acha que aconteceu com você, Humberto? Você caiu da moto, claro. — falou, aproximando-se ainda mais, abraçando-me pela cintura, enquanto segurava sobre nós o pequeno guarda-chuva. — Mas não se preocupe, não foi uma queda comum de dublê de filme de corrida. Foi uma senhora queda. Você sofreu, ao total, trinta e duas lesões, onze ossos quebrados, o crânio trincado e já perdeu por volta de… cinquenta por cento do sangue do seu corpo.

— Como você pode saber isso tudo?

— Como posso saber disso tudo? — perguntou ela com o tom mais irônico possível.

— Você falou sobre queda comum, dublê de filme… Como sabe que me importo com…

— Viver uma vida comum? Sempre foi a sua maior preocupação. Não trabalhar em um escritório, viajar pelo mundo sob duas rodas. Ser um homem livre de paradigmas e comparações… Ah… Tudo isso é tão banal e inútil. Pensou que seria livre de algum parâmetro ao tentar escapar de algum deles? Como era mesmo aquela frase pichada no muro que vi em um dos meus encontros? Lembrei: a vida é clichê, o resto é plágio!

— Quem é você? Você é a morte?

— Como seria a morte para você, Humberto?

— Bem diferente de você.

— Diferente como? — ela sorria.

— Você é a mulher mais gostosa que eu já vi na vida… Ou na morte. Sei lá. — dessa vez foi eu que ri.

Engasguei com a minha própria risada. Cuspi sangue que parecia ter vindo do fundo do estômago. Levei meus dedos quebrados de encontro ao nariz, tentando, em vão, estagnar o sangue grosso que saía pelas minhas narinas.

— Por que não aproveitamos este momento para nos conhecermos melhor?

— Desculpe, moça… Mas eu acho que não tenho muito tempo. — eu disse, enquanto olhava para o céu, avistando voar não muito longe um bando de urubus. — Abutres… Abutres no asfalto…

Ela levou a mão até um pouco abaixo do meu queixo e puxou com violência uma ferragem que havia atravessado a minha jugular. O sangue saia num ritmo frenético como o solo daquela guitarra no show de rock do último festival de motos que eu havia ido naquele ano. Ela enterrou o objeto cortante no mesmo lugar, estancando o ferimento mortal. Fitei o rosto dela, tão perto do meu, agora com pintinhas vermelhas do sangue respingado.

— Você tem o tempo que eu quiser que tenha, Humberto.

— Já sei, você vai me perguntar coisas do tipo: o que eu mais temo? O que eu gostaria de ter feito e não fiz?

— Não! Muito clichê para nós dois, não acha?

— É verdade… Você me conhece bem demais…

Ela gargalhou alto, jogando a cabeça para trás e se livrando do guarda-chuva. Em seguida, colou seu corpo no meu, passando as mãos pelos meus cabelos molhados de sangue, entrelaçando seus dedos pelos fios encharcados.

— Eu gosto de saber coisas simples como: o que você costuma fazer quando acorda?

— O meu próprio café.

— Você gosta de café? Que coincidência. Eu também. Como você gosta do seu café?

— Com pouco açúcar.

— Açúcar? Eu não tomo café com açúcar.

— Adoçante?

— Também não, Humberto. Café adoçado é para os fracos. Eu gosto de café puro e amargo.

— Você é uma mulher interessante pra caralho…

— Gosto quando você me chama assim… De mulher.

— Já que descobrimos um pouco sobre nós, de como gostamos de tomar café, posso te fazer uma pergunta?

— Claro. É a sua vez.

— Você é realmente uma colecionadora de motos?

— Está com medo de que eu leve a sua moto embora, não é mesmo, Humberto? Vocês motociclistas são todos iguais…

— Se eu vou mesmo morrer… Pode ficar com ela, de herança.

— Você está me dando a sua moto? — ela sorriu novamente. — Você é um cara de sorte, Humberto. Tem algo que eu gostei mais do que a sua moto.

— De quê?

— De você, idiota. Quer vir comigo?

— Vai me levar para o inferno?

— Inferno? E onde fica o inferno senão aqui? Entre nós dois? Entre nosso beijo?

— Beijo?

— Sim. Esse que você vai me dar agora.

Eu não resisti. Rendi-me a um beijo naquela boca vermelha, passei a língua entre os lábios dela. Fiz com que sentisse o sabor amargo do meu sangue. Fiz com que bebesse o sangue quente que insistia em sair da minha boca.

Assim que nos distanciamos, rimos juntos. A essa altura eu quase não conseguia ficar mais em pé. Cuspi dois dentes no chão.

— Normalmente eu tenho apenas um encontro com meus escolhidos. Mas se você fizer uma coisa por mim, eu permitirei que você siga viagem… Me deixa subir na sua moto?

Eu balancei afirmativamente com a cabeça. Senti meu cérebro chacoalhar. Ela caminhou até a minha moto custom, e a levantou em um só impulso, sem dificuldade. Ela montou na moto de uma forma tão sexy que poderia ter assoviado se não sentisse que minha língua estava cortada quase até a metade. Ela me indicou a garupa com aquele sorriso arrebatador. Caminhei até ela, subi na moto, e envolvi a minha mão com os dedos estranhamente tortos em sua cintura.

— Você foi para a direita, Humberto… — falou, indicando o pneu dianteiro da moto para o lado esquerdo. — Vá para a esquerda. Para a esquerda, está me ouvindo?

Meu peito pesou ainda mais sobre ela, até eu não sentir mais seu corpo junto ao meu. Agora era eu mesmo que segurava o guidom da moto. Ouvi o motor roncar alto. Acelerei mais. Entrei em uma curva, deitei o corpo para o lado, aproveitando o ângulo que a estrada me oferecia. Antes mesmo de voltar ao posicionamento correto, senti uma luz me cegar por alguns segundos. Meu instinto me mandava jogar a moto para a direita. Mas eu só conseguia me lembrar daquela voz rouca me indicar a esquerda. Não segui o meu instinto: resolvi obedecer a voz daquela mulher irresistível.

Lancei a direção da moto e o meu corpo para a esquerda. Senti o vento do caminhão fazer cócegas na minha perna. Ouvi os freios do grande veículo tomar conta da estrada. Senti a moto derrapar, mas não virar. Fui parar na encosta da estrada. Respirei fundo. A adrenalina era tanta que podia jurar que estava ouvindo o barulho de um salto alto caminhar por sobre o asfalto esburacado.

Tirei o capacete e olhei para trás. Vi uma silhueta feminina com um vestido preto de couro envernizado, cujo cabelo de um loiro intenso tocava a sua cintura. Caminhava de encontro à cabine do caminhão, fazendo o sinal típico de pedido de carona com uma das mãos. Antes de subir a escada da cabine, ela olhou para mim. Mas estava tão escuro que não pude enxergar quase nada do seu rosto. Pareceu que ela me fez algum tipo de careta, porque pude ver, brilhando no escuro, uma bola prata que enfeitava sua língua.

Era ela. Era a mulher com a qual eu estava conversando segundos atrás. Meu corpo recebeu um arrepio sinistro quando a vi entrar na cabine do caminhão e vê-lo sumir na curva da estrada. A imagem de uma santa enorme, pintada na traseira do caminhão, juntamente com uma frase de esperança me tranquilizaram. Pelo menos o caminhoneiro tinha alguma espécie de proteção.

Voltei a pilotar por aquela estrada com uma sensação de medo estranha me alfinetando a cada quilômetro. Lembro-me de não ter parado mais. Pilotei por horas.

O dia já amanhecia quando me deparei com um restaurante na beira da estrada. Estava aberto. Resolvi fazer parada.

Sentei em uma mesa num canto. Pedi um pão de queijo. Um rapaz, possivelmente o filho do dono daquele estabelecimento modesto, tentava sintonizar a TV precária do lugar. Lembro-me perfeitamente de ver uma repórter do jornal local anunciar uma tragédia com um caminhão. A câmera focalizou a traseira do veículo. Era exatamente a mesma imagem da santa que eu havia visto mais cedo. A mesma frase batida de esperança. Ri de mim mesmo. Qual caminhão não tem a imagem de uma nossa senhora? Mas meu riso emudeceu quando a repórter passou as informações do corpo: a vítima sofreu um total de trinta e duas lesões, teve onze ossos quebrados, e o crânio trincado. Quando a equipe de resgate chegou ao local, o caminhoneiro, que se encontrava sozinho, já tinha perdido cerca de cinquenta por cento do sangue do seu corpo, morrendo ali mesmo entre as ferragens…

Fui despertado com o dono do estabelecimento ao meu lado. Ele segurava uma garrafa térmica.

— Como vai querer seu café, senhor?

Olhei para ele com os olhos assustados. Meu semblante estava fechado e não tinha forças para reclamar do pão de queijo dormido.

— Sem açúcar… — respondi. — Quero café sem açúcar.

19 comentários em “Rolê no Inferno (Carolina Pires)

  1. André Felipe
    15 de junho de 2019

    Um homem está na sua própria cena de morte. Ele se acidentou com a moto. Então aparece uma mulher que parece o conhecer demais. No final ela diz que gostou dele e o faz ter uma segunda chance e outra pessoa acaba morrendo em seu lugar.

    Um conto bem escrito e estruturado. Conseguiu entregar tudo que prometeu e não forma clichê. Não encontrei nenhuma falta para salientar. Boa sorte.

  2. Higor Benízio
    14 de junho de 2019

    Resumo: um motociclista aparentemente sofre um acidente e tem um encontro com uma mulher sedutora que supostamente seria a morte. Ao final, tudo foi um sonho ou coisa parecida (alucinação/segunda chance etc).

    O texto é ruim. Tem muitas repetições bobas que poderiam ter sido evitadas (“Foi quando”, por exemplo, “pelo” e “estava”. Tem um parágrafo que “estava” aparece cinco vezes). Construções ruins como: “Minha cabeça doía tão forte”. A musa do conto, a mulher/morte/oquefor, alude a diálogos charmosos mas tudo acabou soando meio tacanho, vide: “Você é uma mulher interessante pra caralho”. Acho que entendo onde queria chegar, numa coisa meio “tarantinesca”, talvez. Busca pelos livros do Palahniuk, ou as histórias do Mandrake, de Rubem Fonseca (recomendo “A grande arte”), são boas fontes se quiser escrever mais coisas nesta linha.

  3. Estevão Kinnek
    12 de junho de 2019

    Resumo: Depois de acidente, homem se encontra com uma estranha mulher e começa a compreender o que aconteceu momentos antes.

    Comentários: Outro conto que eu gostei pela prosa, mas autor/autora, a meu ver, errou na dose no que se refere ao terror. O diálogo entre o homem e a mulher não se aprofunda muito e talvez tenha sido uma tentativa de dar mais mistério à história, mas pra mim acabou sendo cansativo. Menos é mais. Gostei do final por não ter sido tão óbvio, apenas a cena da cobertura do acidente me incomodou um pouco, pois não creio que em um evento desse os jornalistas deem aqueles dados tão precisos (tantos ossos quebrados, tantos litros de sangue etc…), isso é possível na necropsia, penso eu… Resumindo, eu gostei do conto, mas faltou algo que trouxesse a sensação de terror para a história.

  4. Um motoqueiro retoma a consciência após sofrer um acidente. Seu corpo apresenta diversas lesões, seu cérebro está exposto, há sangue e ossos partidos. Sobre sua moto, ele vê uma bela mulher, sorridente, que o conhece pelo nome e lhe faz perguntas. O homem pensa se tratar da morte, um anjo que o levará para o inferno ou algo assim. A jovem interage com ele e, após um beijo, dá um conselho: vire à esquerda, não à direita, como havia feito. Após o beijo, ele retorna instantes antes do acidente fatal. E, ao seguir a instrução da mulher, seu destino é diferente.

    Conto muito bem escritor. O autor, ou autora, prende a atenção de leitor com um domínio pleno da narrativa. Não se trata de uma história muito original, não deixa de ser um clichê essa associação da morte com uma mulher bonita. Mas eu acredito que seja algo proposital, uma espécie de homenagem ao gênero. E não muda o fato do conto ser construído de forma muito habilidosa.

  5. Thiago Barba
    5 de junho de 2019

    Motoqueiro sofre um acidente e é recebido pela morte, após um trato volta a vida, mas descobre que na verdade sua vida foi trocada pela do caminhoneiro com quem se acidentou.
    Ótima narrativa. Tem apenas algumas passagens dos diálogos que me incomodaram, pareciam não ser daqueles personagens, algumas frases um pouco bobas em comparação ao resto do texto. A única coisa que eu olharia com um pouco mais de atenção seria mesmo os diálogos, no mais, a trama me prende e tem ótima finalização.

  6. Amanda Gomez
    5 de junho de 2019

    Olá,

    A história de um motoqueiro que se vê em um terrível acidente, em uma experiência inexplicável se vê em pé no meio da rua todo quebrado, avistando uma linda mulher que conversa com ele de forma desconexa. Depois da conversa ela lhe faz um pedido, subir na moto e virar para esquerda. Segundos depois ele obedece e se vê a salvo. A mulher vai com o caminhoneiro levando-o para a morte.

    Olá,

    Eu gostei do conto, das cenas, dos diálogos das expectativas. Não consegui visualizar muito bem ele todo quebrado, me pareceu bem estranho, o beijo por exemplo, mas ficou legal num todo. O desfecho foi satisfatório, uma vida por outra vida, ele conquistou a simpatia da ”morte” e ganhou uma segunda chance, mas uma vida devia ser levada e foi a do motorista. Não sabemos quem errou ali, mas não importa, percebe-se que tudo é uma escolha dela.

    Parabéns. Boa sorte.

  7. Luiz Ricardo
    25 de maio de 2019

    RESUMO: Motoqueiro sofre acidente em rodovia contra um caminhão, e numa espécie de letargia encontra a morte na forma de uma mulher loira muito bonita, que depois de uma conversa concede ao quase morto uma segunda chance, voltando no tempo e ceifando o motorista do caminhão em seu lugar.

    CONSIDERAÇÕES: A história e o título são fracas, os diálogos são fracos, os personagens são fracos e as referências também são fracas. Você conheceu a palavra “clichê” recentemente? Porque é insuportável a quantidade de vezes que faz citação dela e dos filmes de terror. Você faz tanta crítica ao clichê, mas notou o quanto essa história é batida?

  8. Antonio Stegues Batista
    25 de maio de 2019

    A história é boa, tem boas imagens detalhadas como os ferimentos do personagens, só não gostei de algumas partes do diálogo dele com a mulher. Algumas falas achei forçadas, sem a naturalidade de uma conversação. Acho que foi apenas para dar extensão ao texto. de qualquer forma é uma boa ideia.

  9. M. A. Thompson
    25 de maio de 2019

    Olá Valentin Strada!

    Simpatizei com seu conto, pois também sou fã de moto.

    A história é sobre um acidente em que o piloto da moto acaba tendo um encontro com a morte, na figura de uma mulher sensual, e tem seu destino comutado para outra pessoa, um caminhoneiro.

    O que não gostei: primeiro o clichê morte-mulher sensual. Poderia ter sido mais criativo. Outra coisa que não me atraiu foi a imagem de alguém desfigurado sendo acariciado nos cabelos molhados de sangue. Causou uma certa repulsa, o que não tem exatamente relação com terror.

    No mais, boa sorte no Desafio.

  10. gabrieldemoraes1
    25 de maio de 2019

    Gabriel Bonfim Silva de Moraes

    RESUMO:

    O conto se inicia com um suposto acidente e a reflexão do protagonista sobre sua situação sanguinolenta. Ele tenta encontrar sua motocicleta, e após acha-la percebe que está na presença de uma forma feminina que ele julga ser a morte. Eles tem um diálogo longo e ela acaba o avisando daquele mesmo acidente e o salvando da morte. No final, o motociclista percebe uma noticia quando toma café que o mesmo caminhão que tinha o derrubado em sua visão tinha sofrido um acidente semelhante.

    CONSIDERAÇÕES:

    O desenvolvimento do conto é focado no diálogo enigmático entre ele e a mulher misteriosa. Achei interessante e convincente a conversa. Gostei também do fato do conto se “amarrar” perfeitamente, no caso, o fato dele tomar um café amargo conclui de forma exímia a história e me agrada particularmente. Apenas tenho uma observação que é o fato do horror ser citado superficialmente, deixado nas sombras do diálogo com a mulher e focando mais no suspense, não senti tanto medo e sim mistério. Bom trabalho!

  11. Benjamim Nkadi
    25 de maio de 2019

    Um homem faz acidente com a moto. Desperto em meio a um clima de terror, ensanguentado e cheio de dores, é interpelado por uma mulher. No entanto, o mesmo não sabe que essa mulher, bonita por sinal e que o envolve num clima de paixão, é a própria morte. No dia seguinte, já salvo da situação, vê uma reportagem na tevê sobre um acidente na rodoviária, tendo a vítima (um camionista) sofrido as mesmas lesões corporais que ele sofreu aquando do acidente com a moto. De forma inteligente, o autor encerra o conto com o narrador se debatendo sobre a questão de ser ele ou não o camionista que acidentara. E, portanto, como o conto foi deixado em aberto é leitor que completa o resto. Excelente conto. Simplesmente excelente. As descrições foram muito boas e a estória muito bem conduzida.

  12. Elisabeth Lorena Alves
    25 de maio de 2019

    Resumo
    Em uma noite sombria de chuva, um homem encontro um espírito da Morte e, ferido, negocia com ele uma última viagem, mesmo ferido de forma irremediável devido ao choque de sua moto com um caminhão. O encontro inusitado finda de forma inesperada quando o homem e a morte se beijam e ela pede uma carona. O corpo do homem se recompõe e ele obedece a voz da mulher, seguindo pelo lado contrário do anterior. A mulher some, pede carona ao caminhoneiro e no fim é ele que sofre o acidente que o motoqueiro tinha sofrido antes.

    Comentário
    Texto muito bom. A sequência inicial do reconhecimento do narrador ferido é minuciosa, consigo perceber quase visualmente ele tocar o cérebro exposto. A mudança de situação e o afastamento da morte, que some da moto, é bem construída. E o fim é provocante, principalmente para mim que gosto de café forte e sem açúcar. Provocante e não ambíguo.
    Gostei da frase: “Procurei pela minha moto” e pela explicação, pois,quem em sã consciência, sentindo o sangue e as vísceras escorrer pelo corpo, pensaria na “moto”, entretanto, quão consciente está alguém com o cérebro exposto?
    Interessante que a personagem ao narrar, nada fala de sentimentos. Fala do enjoo e dor de cabeça proveniente do choque só no início, as dores das quebraduras, que são muitas, não são mencionadas, ele consegue mover-se apesar das quebraduras, sem gemer ou reclamar, entretanto, sente-se atraído pela colecionadora e a beija, sem se importar com a situação. Bem surreal.
    O final é bem interessante. O ambiente crível. O enredo foi bem amarrado. A construção cronológica é bem estabelecida. As personagens são bem definidas. Muito bom.

  13. Renan de Carvalho
    25 de maio de 2019

    “Rolê no inferno” é um conto de encontro com a morte. O motociclista após se acidentar dialoga e barganha com uma mulher de caráter forte, e que muito se assemelha a ele em gostos. Ela sugere a ele que levará sua moto, já que le não precisará mais dela, o que para ele parece inegociável. Ela o seduz, e lhe diz que alem do crânio cortado ao meio ele tem outros graves ferimentos pelo corpo. Ela então decide dar-lhe outra chance e diz para ele jogar para esquecer o instinto e jogar para o outro lado. Ele acorda do transe e vê o caminhão cruzar por ele e ambos seguirem viajem, mas antes uma moça, aparentemente parecida com a que ele ludibriara embarca no caminhão. Na TV ele houve o repórter descrever um acidente com um caminhão, no qual o motorista encontrava-se exatamente como outrora ele estivera: morto.

    O conto é bem legal. Traz uma leitura rápida e uma brincadeira com o inevitável. Interessante essa identificação da personagem com a morte, e como vários motociclistas, que por diversas vezes parecem flertar descaradamente com a mesma.

  14. Thiago Amaral
    24 de maio de 2019

    Motoqueiro acorda desmemoriado e bem machucado. Encontra sua moto e uma mulher gostosa, aparentemente a morte. Os dois tem um longo diálogo, se beijam, se gostam, e ela lhe concede uma segunda chance. Ele pilota a moto mais uma vez, reencenando seu acidente, mas dessa vez sem se machucar. No final, descobre que o caminhão em que a garota foi embora se acidentou, e o caminhoneiro teve exatamente os mesmos ferimentos que o motoqueiro apresentava no início do conto.

    O conto está muito bem escrito. As construções estão muito bem feitas, com quase nenhum erro gramatical. Podemos ver certa habilidade na escrita, sinal de experiência.

    No entanto, achei a história meio fraca. Não mexeu muito comigo. Começou com um clima de mistério, mas não descambou pra muito terror, não. Foi mais pra romântico, na verdade. Pareceu bem agradável, até. Nada de inferno. E, por fim, acho que não levarei muita coisa da história. Parecia não ter um tema, nem muito a dizer. Até tem uma mensagem, um simbolismo… mas está tudo diluído num pacote bonito. Não senti muita coisa.

    Algumas orações ficaram estranhamente longas e cansativas:

    “O sangue saia num ritmo frenético como o solo daquela guitarra no show de rock do último festival de motos que eu havia ido naquele ano”

    “o estado em que eu me encontrava era tão clichê quanto um filme sem graça de um roteiro de terror em que o homem de vida frustrada dá de cara com a morte fatídica no meio do nada”

    Conclusão: Tiro na água de uma escrita talentosa. Acontece.

  15. Pedro Teixeira
    22 de maio de 2019

    Olá, autor(a)! A narração é bem conduzida, mas o enredo me pareceu bastante batido. É algo que poderia nem ser um problema se os diálogos e as observações do protagonista não soassem tão banais. Ainda assim, o conto tem qualidades, como as boas descrições e um bom ritmo.
    Dicas de ortografia: húmido – úmido

  16. Sidney Muniz (@SidneyMuniz_)
    17 de maio de 2019

    Resumo: Rolê no Inferno (Valentin Strada)

    O conto é bem interessante, li, no início com alguns entraves, emperrando a leitura, mas aos poucos a narrativa cresce. O autor(a) teve uma excelente ideia, trabalhou muito bem o enredo, que é o ponto alto, teve bons momentos, tanto de terror, como eróticos e até engraçados. Um conto que fala de um acidente entre um motoqueiro e um caminhoneiro, onde o motoqueiro inicialmente se dá mal, mas após um encontro inusitado com a “morte” acontece algo diferente e a situação se reverte… Bom desfecho, excelente final, tudo muito bem tramado! Gostei muito!

    Repetição de pronomes possessivos (meu – minha – meus – minhas)
    Olha, até agora, de longe o melhor conto em relação a definição, escolhas, enredo. Confesso que a repetição do pronome “meu” me aborreceu de início, mas depois o autor(a) conseguiu dosar. São 20 “meu” durante o conto e 8 “meus” que também é bem semelhante. Quanto ao “minha” são 25… Veja que realmente é maçante.

    Avaliação:

    Terror: de 1 a 5 – Nota 4 (é um bom terror)

    Gramática – de 1 a 5 – Nota 3 (A coesão pode ser melhor)

    Narrativa – de 1 a 5 – Nota 3,5 (uma boa narrativa, prejudicada pelo excesso dos pronomes possessivos)

    Enredo – de 1 a 5 – Nota 5 (Fechadinho! Gostei.)

    Personagens – de 1 a 5 – Nota 5 (Muito bons!)

    Título – de 1 a 5 – Nota: 3,5 (Um título interessante, mas que denúncia demais)

    Total: 24,0 pts de 30 pts

  17. neusafontolan
    7 de maio de 2019

    Ótimo conto.
    Gostei mesmo.
    Parabéns.

  18. Anorkinda Neide
    7 de maio de 2019

    Olá! Feliz de voltar a ler aqui e principalmente pra poder ler um conto destes!! Bah!
    .
    Resumo: motoqueiro morre num acidente e encontra a D. Morte dos motoqueiros. Ele atende um desejo dela e recebe a vida de volta.
    .
    Considerações: Achei perfeito, embora simples, como se pode ver pelo resumo que fiz. Um texto que mostra competência sem precisar de malabarismos e altas tramas. E que competência!
    A princípio torci o nariz pra D. Morte motoqueira, mas ela se mostrou tão interessante.. parece que a pegada será sexual mas a fulana queria dar um rolê de moto hauihua engraçado.
    Isso aqui parece coisa do Sollberg.
    .
    Abração

  19. Claudinei Novais
    6 de maio de 2019

    RESUMO: Motociclista desperta após um grave acidente que sofreu. Estava em meio à chuva, todo sujo de lama e com gosto de sangue na boca. Levantou-se e saiu à procura da motocicleta e quando a encontra, há uma moça sentada sobre a sua moto. Os dois conversaram e foi dada uma segunda chance ao rapaz, que voltou à vida, menutos antes do acidente ter acontecido e, sob a orientação da mulher-morte, desta vez conseguiu se desviar o caminhão. A mulher pegou carona com o caminhoneiro e desta vez quem levou a pior, foi o caminhoneiro.

    CONCLUSÃO: Conto bem escrito, mas com história bastante mediana. Não me cativou, nem prendeu minha atenção.

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Informação

Publicado às 1 de maio de 2019 por em Liga 2019 - Rodada 2, Série C - Final, Série C3 e marcado .