EntreContos

Detox Literário.

Por Dentro do Tufão (Fátima Heluany)

 

— Dói?

— Imagine a eletricidade passando pelo seu corpo. Mas parece que está ligado a uma tomada. Um, dois, três, a luz acende e se está “no ar”. O inacreditável aconteceu. Antes fosse o roteiro de um filme, não é. Uma situação inteiramente nova e real. Depois começo a me sentir forte; tipo, muito forte. Quando respiro parece que o mundo é todo meu.

 

*****

 

Cresci rapidamente, forte e saudável, ossatura reta sem desvios e com boa consistência óssea, pernas e braços bem musculados, a fronte larga, os olhos colocados distantes um do outro, permitiam-me um ângulo de visão além do comum, e com isso podia observar tudo que acontecia à volta. Inquieto, arrebatador, veloz. Só nos estábulos da fazenda encontrava libertação. Era onde me refugiava sempre que permitiam.

— Tufão! Cuidado! — os peões deram-me o apelido. Era como me viam: uma tempestade que varria o caminho. Pura natureza. Eu provocava, chorava, brigava… Era um tal de desobedecer. De certa forma, já mostrava essa tendência, de hoje…

Passei a tarde toda no dorso de meu animal preferido. Ajudei o capataz na limpeza nas baias. Recostei-me em um monte de feno e, acredito, dormi. Não sei se foi um sonho, mas senti uma presença mágica. Foi como se me passasse uma descarga elétrica que desconjuntava e recompunha meu corpo. Estava iniciada a cerimônia: minha estrutura ia se ovalando, alongando, as mãos caíam para o chão e, assim como os pés, pesavam. Estava plantado com firmeza no solo: quatro patas me prendiam à terra, unhas grossas, escarvantes; e dava longos fungados, arrancando ciscos das narinas. Os cabelos ficaram grossos, suarentos, porejantes.  A forte luminosidade não me afetava os olhos, parecia que o tempo e o espaço iam se esvaindo, entrando em outra realidade…

Acordei sentindo-me diferente. Olhei para meu corpo, procurando o porquê. Senti o sangue congelar nas veias. Sem respiração, percebi o absurdo: era em um cavalo!! A sensação era incrível, indefinida e assustadora! Não entendia o acontecido, não havia explicação! Preocupei em me esconder. Apavorado, corri o mais rápido que pude, sem olhar para trás…

Ágil, saltei os cercados até a lagoa e pude ver uma imagem nítida que se refletia no espelho das águas. Aos poucos fui assimilando aquilo… Bloco compacto de carne suada em balanço rítmico. Estava livre na natureza, um ser independente, com necessidade, somente, de alimentação e locomoção. Galopei pela pradaria.

Era quase noite, lua surgia cheia e o campo, furnas e abismos; galhos secos, plantas espinhentas, água rola-rolando em desvãos, limos nas grutas, lagartixas. Sombras enormes vieram pousar sob as árvores, saídas não sei de que lapa, emitiam conjuntas, estranhos sons de assombrar. Era um cavalo completo — não um centauro, metade humano, metade animal (conhecia o mito de Ixião que se uniu a uma égua e gerou o híbrido), mas, preso a uma forma equina, mantinha os conflitos típicos dos seres humanos: razão, emoção…

Fui visitar o ninho da onça, ali, naquela ribanceira; uma onça (uma onça!) escolhera uma fenda para morar. Achei a cava e ali estava só a memória da onça, um vago temor ainda vibrando no ar. E, deitei, naquele ninho, sobre um dos lados do corpo, com a cabeça encostada no chão. Relinchei de manso quase ronronando e dormi. Dormi.

 

Veio o sol e com ele a lucidez, os conflitos:

O melhor é experimentar! Testar habilidades, reconhecer o novo porte, guiado pelos instintos, a sobrevivência — queria contar minha aventura, mas não havia voz articulada e o medo me proibia qualquer manifesto. — Uma aberração? — Não tinha aonde ir, para quem ir. Era um jovem sem corpo, sem roupas, sem gravidade, sem nada.  Estava só e a solidão pesava. Podia pegá-la, deglutir as porções. Eu era um bicho. Andando, longe da fazenda. Arvoredo em flor, despido de folhas…

Foi quando vi o cavalo pastando flores amarelas em tapetes densos pelo chão. Corria-lhe um suco amarelento pelos cantos da boca, fechava os olhos, as flores viravam música, doce ruído — eram como meninas delgadas oferecendo as faces. Experimentei comer delas, foi ficando pesado. Procurei novas touceiras, disputando com o outro animal, que, com a cauda, espantava os insetos. Uma mansidão percorria-lhe o corpo, provou o capim, comeu musgos, trevos.

Era bom ser cavalo, ficar ali entre as flores — também tinha fome. Comecei mastigando uma flor, por distração. Um relincho macio, filtrado do companheiro me fez observá-lo. —Ah! não era um cavalo, era uma égua! Arrependi de ter defecado diante dela — então continuava com os temores humanos? — contemplei-me, era um cavalo bonito, luzidio, forte. Senti alguma curiosidade sensual, sabia que poderia amar aquela égua — ainda podia conter o sentimento! Seria perigoso começar qualquer coisa?

 

Bom correr contra o vento zunitente nas orelhas, acariciante na cara, frio-doce no peito — cavalo em disparada, em relinchos. — Será que vai durar muito? Não sinto o tempo passar! Pois é, não sei há quanto tempo estou assim. Sei que há dia e que há noite, mais nada. É bom sentir o dia, a noite, pastar quando tenho fome, galopar algumas vezes. Como não tenho dono, ninguém tentou ainda cavalgar-me ou atrelar-me a uma carroça — pensava…

Outra manhã sem bater de sinos. As flores, ligeiramente orvalhadas, tinham um doce sabor frio. Nunca achava a companheira a meu lado, nem a descobria de imediato, quase sempre em ângulos inesperados… sempre bela. E vínhamos chegando, sempre uma touceira mais densa de capim ou um forte perfume de flores convidando ao aconchego. A música dos dentes remoendo. O calor do meio-dia queimando os dorsos calmos. A noite musicada de sapos, estrelas caindo, caindo… Nunca nos alimentamos dos vaga-lumes, medo da luminosidade interior.   Esquecia-me (e isso não me custava) — o que existiu antes. Era, apenas, densamente animal.

A égua nunca me diria o nome, nem quem era. Nem dizer, ao menos que me conheceu. — Eu a queria assim, égua, despojada do humano, sem identidade, nem situação. Nenhum tremor em seu largo peito. O amor apenas acontecia, e não havia complicações. Mas ela começou a vigiar, temor de que comessem das flores, começassem a pastar por ali, perturbassem a calma. Uma criança (ainda bem que uma criança) esteve muito tempo com uma haste na boca, deixou-a cair, entontecida em nossa contemplação.

Descobri uma forma de deter os meteoritos: era só fitá-los com atenção, a cabeça imóvel. (O olhar dos cavalos impede-lhes a morte breve e ficam brilhando, por muitas horas, sobre nossas cabeças). Tentei com um, quase-morrente. Impedi a queda, a tempo. Tremeluziu, rolou, incandesceu, refez a trajetória e, indeciso, começou a derramar fagulhas sobre nós dois. Isso nunca me aconteceu. Quem sabe, talvez, tivesse o apanhado no momento quase da desintegração. Fiquei alegre, estupidificado diante de nossa capacidade…

As flores começaram a escassear devagarinho, quase imperceptivelmente. A princípio, nem notamos. Uma falha aqui, outra ali, touceiras meio acabadas. Caminhadas cada vez mais longas em busca do alimento. A grama não nos sustentava e nem enchia de mágicas os corações. Cavalos não se alimentam de larvas, gosto ruim o dos gravetos. Era certo que o perigo de gente comer das flores diminuía. Mas, até quando resistiriam?

 

Certa manhã não encontrei a companheira. Senti pela primeira vez o escoar do tempo e a dor estúpida de cavalo ferido. Desde o momento em que a encontrei, sentia algo intenso queimando dentro de mim. Um desejo forte de ficar mais próximo dela, partilhar alegrias ou tristezas. Procurei-a. Ela não voltou.

De repente… o laço no pescoço, os puxões em direção da caminhoneta e depois (quanto tempo depois?) uma planície sem fim. O silêncio podia ser apanhado em camadas moles e flácidas. Um grande sol avermelhado se fixara no longe horizonte. Frearam para me deixar comer alguns musgos. O sol devolveu-me a paz ao estômago. Ficaram consultando o céu durante todo o tempo em que estive descansando. Não sabia para onde iam nem o que fariam comigo; somente aquele desconforto galopante nas veias…

Outros puxões, entre corcovas e coices, levaram-me a um piquete… Então a vi, cheia de marcas, cansada, resfolegante. Manchas e talhos de varais e de chicotes. E deixou-se ficar ali, muda de cansaço, os olhos tristes e para sempre apagados. Só no outro dia, um dia quase sem flores — relinchou e se encostou em mim, de manso e inconformada.

  Nós, os cavalos, não suportamos a violência. A maldade sempre advinda do mundo, porque as esporas e os freios e os fardos e todo o jugo humano não nos ferem à superfície; explodem lá dentro, bem no fundo sensível de nossa mais íntima consistência.  Ficamos mortos por dentro. E já não nos resta o consolo das flores. Essa consciência do sofrimento é o sinal mais certo de que estamos voltando para o frio território humano… — se ela pudesse discursaria.

Fazia, pela primeira vez, um dia cinzento, pluvial. Achava-me fraco, sem coragem para fugir ou defender-nos. Mesmo que eu andasse muitos quilômetros à procura das flores, não as encontraria. E, uma única que achasse, traria para minha égua, entre os dentes, presa pela haste. (Um cavalo com uma flor!) — e, em silêncio, ofertaria à companheira quase morrente. Mal daria para mastigar.

Eu me cansara da difícil caminhada, os cascos tinham afinado, perdera os músculos da perna. Fazia tempo que não comia das flores, há muito desaparecidas. Olhei para a companheira e senti que ela estava salva por alguns momentos. Dormi entre pressentimentos.

Ao despertar, (a cabeça latejando numa dor insuportável, como se agulhas estivessem perfurando meu crânio) descobri-me, quase sem susto, em dor, ali deitado perto da égua mansa, irremediavelmente gente, com braços e mãos, rosto e olhos, nu, ainda coberto de detritos, magro, cansado.

Levantei-me, ainda capengava, um pouco gente, um pouco bicho — mas Túlio, não mais Tufão — e saí depressa, sem olhar para trás. Não queria outra transformação. Na lembrança da égua haveria de perdurar sempre a imagem de um cavalo, só cavalo, puramente cavalo. A égua ainda se voltou para mim com um olhar triste, inadiável, compreendendo.

 

— Ó de casa! Perdi-me por estes lados, andando sem destino! Acudam! — Olhos surpresos em volta.  E achei-me de novo à mesa. Tudo limpo. O cheiro do pão, a faca deslizando mansamente. O café. Bebi depressa, tomado de grande excitação.

— O garanhão fugiu! Deve estar longe, nem poeira deixou. — o peão avisou os patrões.

 

Era depois do almoço. Meu lugar era aquele… Havia chegado em casa. Eu-andarilho, as estradas, o pó, o orvalho. Eu sei que o caminho foi difícil, melhor dizer: desvio. Para muitos teria sido o caminho-razão de tudo. Olhei o sol, da sacada, a vista ardeu. Os peões agachados, ocupados.

— Você teve medo? — tio Tonho, veio da casa, olhando em volta para ter certeza de que não haveria ouvidos indiscretos por ali. Se seu pai fosse vivo…

— O tio sabe o que me aconteceu? — fui ao encontro dele, confuso, agitado.

— Seu batismo! Eu não tive esta sorte. Não sou primogênito.

— Co-como é is-isto? Po-por que nã-não me pre-prepararam? — gaguejei.

— Quando se fala de sinas estranhas, parece bastante glamuroso. Os pseudo-amigos não param de provocar, querem desvendar o mistério dos sumiços, da beleza máscula e da força cavalar. Por isso. E, podia que ser que a transformação não viesse…

— Que-quer di-dizer… — fiquei paralisado por alguns instantes, sem saber o que falar — sou ti-tipo um lobisomem?

— É. Por isso criamos o Haras. Melhora o disfarce ou é porque neles nos sentimos bem. Não queremos jornalistas, cientistas, curiosos perturbando. Você seria uma cobaia de laboratório. Precisa aprender a controlar cada reajuste do DNA, transformar-se no momento que desejar. É treino.

— O se senhor va-vai me a- ju-judar?

— Prometi a seu pai depois do acidente.

— Mais u- uma coi- coisa, tio. Que-quero com- comprar u-uma é- égua. E-ela foi ca-capturada por e-esse pe-pessoal que me trou-trouxe pa-para cá.

— Sim. Vamos negociar, sem rixas — ponderou o homem. — E pare com essa gagueira

— Se-se um hí-híbrido co-como eu, ti-tiver um fi-filho com u-uma… égua, co-como fica? — envergonhado, o rapaz gagueja com mais intensidade.

— Meu menino se virou, hein? — o homem ria, tentando explicar ao rapaz o que ele era ou o que estava se tornando. — Quando demasiada diferença cria marcas, você se torna uma criatura à parte do mundo. As pessoas o olham e sentem-se inconscientemente perturbadas. A partir desse ponto, sua aura levanta um inquebrável muro de solidão que mantém os outros à distância. Esse muro só pode ser atravessado por alguém que compreenda a desordem em você. Não queremos que sofra! Acabará encontrando uma mulher especial. Quanto, à égua, temos que esperar para ver no que dá.

Ao ouvir essas palavras, uma artéria pulsante brotou da testa de Túlio enquanto sua pele ficava avermelhada. Teria uma missão nada fácil pela frente: convencer a si mesmo de que, apesar das transformações, ele era uma pessoa igual a todas os outros.  Deveria equilibrar-se à beira do abismo dos problemas sociais e individuais, ante os quais a sua personalidade poderia se torna cada vez mais ambivalente e, por fim, estilhaçada. Fitou bem os olhos do tio e suspirou:

— É… não sei bem se recebi um dom ou uma maldição!

 

*****

 

— É isso, querida. Perguntou se dói. Não dói. Sobrevivi. Teso, em pane. Como quem faz uma aposta, uma viagem assustadoramente fascinante pelo buraco negro. Ou liberto, sem rédeas, sem leis, sem nada. Na mesma euforia. O que está em jogo é o mundo tal como o conhecemos. Não foi fácil aprender a me controlar, descobrir os gatilhos… Pedaços de noites e auroras indistintas se contrapõem ao prazer da cavalgada. Você me aceitou. Sem ciúmes das éguas — sussurrou irônico. — E, chega de falar de mim. Estou é curioso para ver o ultrassom do nosso bebê. Está preparada?

 

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18 comentários em “Por Dentro do Tufão (Fátima Heluany)

  1. Wender Lemes
    30 de março de 2019

    Resumo: temos a perspectiva de um homem que se transforma em cavalo e volta a ser homem. Túlio/Tufão retoma o episódio de sua primeira transformação, com direito à paixão primitiva por uma égua da propriedade. Acaba descobrindo que aquilo era uma habilidade herdada passada hereditariamente aos primogênitos de sua família. Aparentemente, tal capacidade poderia ser controlada com a prática, mas a primeira transformação estava além do controle do protagonista, levando-o a experimentar as aventuras e desventuras de uma vida equina.

    Técnica: está ficando batido dizer isso, mas o conto foi muito bem revisado. Não apenas isso, mas conta com um vocabulário amplo, com imagens condizentes. Sobretudo, nota-se a capacidade de quem escreveu ao narrar o relacionamento do protagonista em sua forma animal de forma tão sutil que não parece ser nada além de natural.

    Conjunto da obra: a estranheza desse conto é seu ponto mais forte, em minha opinião. Trazer um ponto de vista tão improvável e torná-lo familiar ao leitor é algo que nem todos conseguem fazer. Isso transforma seu texto em algo único.

    Parabéns, bom trabalho!

  2. Jowilton Amaral da Costa
    29 de março de 2019

    O conta narra a história de Túlio, apelidado de Tufão, que um menino que tem o poder de se transformar em cavalo.

    Eu gostei bastante do conto. O conto tem uma escrita de primeira categoria, na minha opinião. O autor domina completamente o ofício. As frases são muito bem construídas, com um bom uso de neologismo e muitas figuras de linguagem. Gosto bastante de textos assim, que usam essas ferramentas e conseguem uma execução que não é enfadonha nem esnobe. Provavelmente vai aparecer gente reclamando dos adjetivos. A leitura fluiu bem para mim. A trama é interessante e gera um certo desconforto, principalmente quanto ao fato do garoto se interessar pelas éguas, kkkkkkkkkk. O que é bastante lógico, já que em certos momentos ele vira um cavalo, ainda assim causou-me estranheza. Boa sorte no desafio.

  3. Catarina Cunha
    29 de março de 2019

    O que entendi: Um jovem se transforma em um cavalo e tem experiências sensoriais equinas. Quando volta a ser humano, o tio explica que se tratar de um dom (ou maldição) da família. Ele se casa e sua esposa não se importa dele virar cavalo de vez em quando e curtir umas éguas.

    Técnica: Extremamente adjetivada e descritiva, o que torna o texto lento.

    Criatividade: A ideia é boa, mas as experiências de homem e cavalo estão muito sóbrias. Senti falta de, digamos, mais fantasia.

    Impacto: Mínimo. É uma história sem maiores reviravoltas ou surpresas.

    Destaque:” — Nós, os cavalos, não suportamos a violência. A maldade sempre advinda do mundo, porque as esporas e os freios e os fardos e todo o jugo humano não nos ferem à superfície; explodem lá dentro, bem no fundo sensível de nossa mais íntima consistência. Ficamos mortos por dentro. E já não nos resta o consolo das flores. Essa consciência do sofrimento é o sinal mais certo de que estamos voltando para o frio território humano… —“

    Sugestão: Dar mais personalidade ao personagem. Sabemos só sua constituição física, não sabemos o que ele pensa do mundo. Parece que ele sempre foi um cavalo visto por um homem no pasto. Sem sonhos, sem preferências, etc. No meu entender é necessário dar personalidade ao protagonista para gerar empatia do leitor.

  4. rsollberg
    28 de março de 2019

    Resumo: A história de um rapaz do campo que sofre uma metamorfose e torna-se um cavalo. Por fim, descobre que trata-se de uma maldição familiar compartilhada outras parentes durante gerações.

    Fala, Tufão.

    O conto é sem sombra de dúvidas criativo. Bebe da fonte de várias mitologias e mistura um pouco trazendo os motivos da metamorfose. Túlio e tufão foi uma interessante escolha de nomes. A narrativa sob o ponto de vista de um animal, mesclando consciência humana, no meu entendimento foi um belo acerto.

    No que diz respeito ao estilo, entendo que há algumas repetições despropositadas como: “”onça, (uma onça!)” “e dormi. Dormi” “caindo, caindo” parece que o rapaz equino sofre de ecolalia. Outrossim, temos uma cacofonia nessas repetições “a imagem de um cavalo, só cavalo, puramente cavalo”

    Gostei dessa frase “Era, apenas, demasiadamente animal”. Mas não gostei dessa “necessidade de locomoção e alimentação”, sinceramente não acredito que essas sejam as únicas necessidades básicas de um animal, enfim…

    Também não curti aquela frase batidona do clichêzão “e não sei recebi um dom ou uma maldição” só faltou vir acompanhada do “com grandes poderes vem grandes responsabilidades”.

    Acho que a história poderia seu um pouquinho mais ousada, titulo de curiosidade recomendo um conto do Jefferson Lemos acho que para o Criaturas Fantásticas ou 7 pecados, (alerta spoiler) onde um mulher engravida de um cavalo e acaba parindo um centauro.

    Por fim, o texto explora bem as sensações, misturando as percepções e os sentidos, em uma grande sinestesia, recurso típico da poesia.

  5. Fil Felix
    26 de março de 2019

    Resumo: um homem se transforma em cavalo, passa a viver um tempo assim e meio que se apaixona por uma égua, depois descobre ser uma espécie de maldição familiar.

    Considerações: o conto é interessante, lembra um livro que li esses tempos (Coração de Vidro), que narra pela ótica de animais/ árvores. Gostei dos detalhes, como as flores servindo de comida, de falar do corpo do cavalo e trazer a questão da sensualidade. Apesar de tudo ficar nas entrelinhas, é um conto que mexe com o imaginário do leitor e até que, mesmo sem nada muito explícito, não tem tantos pudores nas insinuações. Uma maneira diferente e interessante de abordar o fantástico, gostei. Só o final que achei muito didático, com explicação em excesso. Particularmente, acho que explicar a maldição como algo semelhante ao lobisomen “quebra a magia” do texto, como já falar da gestação. Talvez ficasse interessante manter nas entrelinhas o bebê deles, como o final do Bebê de Rosemary, deixar pro leitor imaginar.

  6. Daniel Reis
    26 de março de 2019

    BREVE RESUMO: um homem chamado cavalo – Túlio/Tufão, uma espécie de lobisomem (ou cavalo-homem). Encanta-se com sua transformação, e descreve suas sensações como cavalo livre, solto no pasto. Apaixona-se por uma égua, mas são levados para adestrar(?) e passam sofrimentos. Ao retomar a forma humana, sabemos que é uma bênção/maldição dos primogênitos, e o haras um disfarce. No final, sabe-se que ele está contando a história para sua mulher, que deve aceitar sem ciúmes o fato dele ser um garanhão – mesmo estando grávida de um outro cavalo-homem.
    PREMISSA: um twist da história de lobisomem, interessantemente adaptada para o universo do ciúme e tensão sexual.
    TÉCNICA: muito bem escrito, ainda que em alguns momentos bastante verborrágico. O autor tem aqui um dos seus pontos fortes.
    EFEITO: a história é memorável, ainda que não encantadora. Desejo sucesso no desafio.

  7. Fabio Baptista
    25 de março de 2019

    ——————–
    RESUMO
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    Rapaz sofre de uma maldição de família e se transforma em cavalo, estilo lobisomem.
    Em sua forma animal, conhece uma égua. São capturados e depois ele se transforma em humano de novo, vivendo certo dilema amoroso.
    No fim, casa-se com uma humana e a engravida.

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    ANOTAÇÕES
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    descrição de cenário bucólico, onde há um tratador de cavalos apelidado de Tufão
    num passe de mágica (espero que não seja somente um sonho, como cogitado pelo personagem), Tufão vira cavalo
    como cavalo, explora os arredores e dorme na antiga toca da onça (não me pareceu uma boa ideia rsrs)
    Tufão acorda em forma humana, tipo um lobisomem (agora a referência da lua no parágrafo anterior faz mais sentido)
    Me enganei na dedução anterior, ele está ainda em forma de cavalo e agora encontrou outro cavalo pastando
    Era uma égua… e todo mundo já sabe o que vai acontecer rsrs
    Ele fica com a égua nos campos, depois há um trecho sobre meteoros e flores que começaram a rarear. Reli pra ver se perdi alguma coisa, mas me pareceram assuntos meio desconexos.
    a égua sumiu… ah, mesmo no reino animal as mulheres têm esse hábito de arrebatar nossos corações e depois desaparecer?
    Tufão é capturado
    a égua tinha sido capturada também
    volta a virar humano
    o tio de Túlio explica a maldição
    Túlio/Tufão fica no dilema sobre o amor e aprende a controlar as transformações
    Entendi que se casa com uma humana que o aceita como é, pulando a cerca (literalmente) por aí em suas aventuras equinas

    ——————–
    TÉCNICA
    ——————–
    Uma técnica muito apurada, consegue narrar de maneira clara e poética, com um estilo clássico.
    Leitura muito agradável. Eu só limaria um pouco a repetição da palavra “flores”.

    – sol avermelhado se fixara no longe horizonte
    >>> aqui ficaria melhor “horizonte distante”

    – Meu menino se virou, hein?
    >>> kkkkkkkkkkkk

    ——————–
    TRAMA
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    É uma versão equina do lobisomem que, ao mesmo tempo que não inovou nos pilares da lenda, trouxe um sopro de ar fresco com a mudança de animal e enfoque (não o terror de um lobo, mas a doçura de um animal mais inofensivo).
    O final ficou aberto de um jeito bom (pelo menos entendi assim) com a dúvida sobre a natureza do filho.

    ——————–
    CONCLUSÃO
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    Uma história não muito inovadora, mas numa roupagem diferente e muito bem executada.

    NOTA: 4

  8. Leo Jardim
    18 de março de 2019

    🗒 Resumo: um rapaz se vê transformado num cavalo e aproveita vários benefícios e maléficos disso. Depois descobre que é um dom hereditário da família. Ele acaba salvando uma égua por quem se apaixonou e, na forma humana, tem um filho.

    📜 Trama (⭐⭐▫▫▫): a ideia de transformar-se em cavalo é boa e os desdobramentos disso são interessantes, mas a trama em si acabou ficando um tanto vazia. Acompanhamos apenas a primeira transformação e sua paixão pela égua. Bonita a conclusão de que perdendo a liberdade, o animal perde a vida. Quando ele acorda, descobrimos o motivo, mas o conto se interrompe aí, no que parecia ser o primeiro capítulo de uma longa saga. O epílogo acabou trazendo mais perguntas que respostas, não achei que funcionou bem. No contexto único do conto, introduzir a esposa e futuro filho desviou do caminho principal: a relação ambígua dele com a égua. Acho que o conto cresceria investindo e finalizando nisso.

    Achei confusa, também, a introdução, quando a história começa com ele como cavalo (os dois primeiros parágrafos da segunda parte) e, depois, ele é humano de novo (“Passei a tarde toda no dorso de meu animal preferido”). Essa mudança, sem marcações, confunde muito a leitura.

    📝 Técnica (⭐⭐⭐▫▫): uma técnica boa, sem grandes destaques, mas eficiente em contar a história. Alguns diálogos ficaram pouco naturais, principalmente a parte da gagueira, que graficamente acabou atrapalhando a leitura daquela parte. A prática mais usada nesses casos é colocar a gagueira em apenas algumas palavras no início das frases, sem exagerar muito.

    ▪ De certa forma, já mostrava essa tendência, de hoje… (frase confusa; talvez a segunda vírgula esteja errada; “de hoje” quando?)

    ▪ com necessidade *sem vírgula* somente *sem vírgula* de alimentação e locomoção

    ▪ sua personalidade poderia se *torna* (tornar) cada vez mais ambivalente

    🎯 Tema (⭐⭐): uma espécie de licantropia de homem-cavalo [✔]

    💡 Criatividade (⭐⭐⭐): gostei da ideia de transformar-se em cavalo, isso funcionou muito bem e acabou destacando o conto de tantos outros. Não é necessariamente uma novidade, mas é bem fora do comum. Por isso acho que vale a pena continuar investindo nessa ideia.

    🎭 Impacto (⭐⭐▫▫▫): a melhor parte do conto na minha opinião, como já adiantei, é a relação dúbia dele com a égua. Pena que o conto tira o foco disso no fim. Da forma como terminou, o impacto acabou sendo baixo, mesmo fechando com o início.

  9. Evandro Furtado
    10 de março de 2019

    Uma história kafkaniana na qual um sujeito transforma-se em cavalo, apaixona-se por uma égua, come flores e volta a ser gente.

    Achei a ideia, em si, brilhante. É daquelas premissas inesperadas. Além disso, é carregada por uma narrativa pra lá de consistente, de certo tom poético, que ilustra muito bem uma história que vai se compondo com muita originalidade. A parte na qual ele volta a ser gente e contempla os olhos da égua traz uma imagem bem forte e bela que poderia ser eternizada em quadro.

  10. Victor O. de Faria
    7 de março de 2019

    RATO (Resumo, Adequação, Texto, Ordenação)
    R: Inusitado, para dizer o mínimo. Temos o cotidiano de um homem-cavalo, com leves pitadas de humor aqui e ali, em busca de compreensão. Há uma história dentro da história, com certo ar poético embutido. Começa um tanto confuso, mas depois flui muito bem. Literalmente, uma paixão desenfreada. A conclusão dá a entender duas coisas: ou é algo mágico transmitido via traços genéticos, ou o pai do garoto é safado mesmo (ou os dois). Ainda bem que não descambou para algum soft-alguma-coisa.
    A: Quase transpõe o caminho da fantasia para ficção científica, mas consegue se manter na corda bamba. A aura que o texto transmite é bastante curiosa, parecendo uma prosa poética nas entrelinhas. A associação com a lenda do lobisomem é imediata e talvez não precisasse o protagonista reafirmar isso (parece que ele está convencendo o leitor de algo que ele já suspeita). Também traz uma sensação nostálgica de campos abertos. – 4,0
    T: Está bem escrito e suave, embora não goste muito do uso do tempo presente em certas passagens. É um texto bastante ritmado, mas que precisa de lapidação em seu início. O conhecido looping funciona, mas a primeira quebra de tempo precisa de revisão – parece que ele já está transformado, quando ele ainda vai chegar nessa parte. Já a imagem escolhida casa muito bem, assim como os dois sentidos do título. – 4,0
    O: A estrutura funciona, levando-se em conta as sugestões acima. Não é um texto que me agradou como um todo, pois ele é bem bizarro se analisarmos friamente, mas convence como uma boa história de lenda nativa. – 4,0
    [4,0]

  11. Rubem Cabral
    7 de março de 2019

    Olá, Túlio.

    Resumo da história: rapaz transforma-se num cavalo e enamora-se pela vida equina e por uma égua. Quando volta a se tornar humano, descobre que é tipo de transmorfo, que sua família sabia e que poderia se tornar cavalo em outras ocasiões.

    Prós: a narração tangencia o poético, com descrições inspiradas e inusitadas. As sensações do rapaz quando transformado em cavalo foram muito bem feitas.

    Contras: há pouco enredo, sem conflitos ou clímax. Talvez a história poderia se alongar um pouco mais.

    Nota: 4.0

  12. Paula Giannini
    6 de março de 2019

    Olá, autor(a),
    Tudo bem?

    Resumo:
    A primeira transformação de um menino em cavalo, em uma família de “lobisomens” é contada pelo próprio à mãe de seu futuro filho.

    Meu ponto de vista:
    Este é um texto claramente planejado pelo(a) Autor(a), aqui, lançando mão de vários momentos chave, o escritor(a) leva o leitor a intuir quem é o personagem. Primeiro se acredita ser um menino, depois pensamos em um cavalo, para, em seguida, entendermos que tal “projeção” faz parte da trama, e, o personagem, de fato, é por vezes cavalo, em outras, menino. .

    Assim, o leitor não percebe propriamente o momento em que se opera a transformação, através de descrições ou algo que o valha. Não. Neste trabalho, em um determinado momento, chega-se a estranhar a transição, para, no final, entendermos que o ponto de vista escolhido pelo(a) autor(a) é o do próprio protagonista, levando-nos a perceber as mutações pelos olhos deste magnífico personagem criado, um “menino-cavalo”.

    Gostei bastante da busca de formato e linguagem por parte de quem compôs este texto, e, se a trama por si só já é interessante, contada do modo como foi, construída sem pressa e com o cuidado de quem sabe o que está fazendo, ficou ainda melhor.

    Parabéns por seu conto.
    Boa sorte no desafio.

    Beijos
    Paula Giannini

  13. Ricardo Gnecco Falco
    4 de março de 2019

    Olá Túlio; tudo bem? 😉

    O seu conto é o décimo segundo trabalho que eu estou lendo e avaliando.

    COMENTÁRIOS GERAIS: Gostei da roupagem que você deu ao conto, utilizando-se de quebras temporais e optando por escrever na primeira pessoa. Isso trouxe uma dinâmica ao trabalho e fez com que a gente lesse a história sem se cansar. A parte gramatical também foi bem trabalhada, incluindo a acentuação. Não encontrei nenhum entrave ou ponto que travasse a leitura. Parabéns pelo bom trabalho e boa sorte no Desafio!

    ————————————-
    RESUMO DA HISTÓRIA:
    ————————————-
    Túlio descobre-se possuidor de uma espécie de ‘dupla pessoalidade’. Uma humana; outra equina. Ao melhor estilo lobisomem (cavalomem, no caso), o protagonista descobre ao final que é portador de uma sina, ou dom, já experimentado por outros membros de sua família.

  14. Marco Aurélio Saraiva
    26 de fevereiro de 2019

    Túlio “Tufão” é um “Cavalomem” ainda muito jovem que descobre dos seus poderes de forma inesperada. Acompanhamos ele em sua aventura pela natureza, apaixonando-se por uma égua e sendo capturado por homens, para só então descobrir que esta habilidade era hereditária.

    Você escreve bem, de forma mágica; quase poética. Sua técnica é bem autoral, com uma escolha interessante de palavras e estruturas de frase. Seu texto traz uma leitura complexa, mas não inacessível. Parte das suas descrições é de fácil assimilação, e a outra parte instiga o leitor a completá-la com a imaginação. É realmente uma técnica e tanto. Só me incomodaram algumas vírgulas que ou estão em demasia em algumas frases ou estão em falta em outras.

    A história é simples. Não há muito senão a descoberta deste estranho poder. O conto foca mais na vida animal e propõe um ponto de vista único: o de um cavalo. Em especial: o de um homem-cavalo. Isto não é algo que se lê todo dia, e você passou isso muito bem.

    No geral, um conto sem muitos altos e baixos, com uma escrita poética e uma história que te faz pensar.

  15. Davenir da Silveira Viganon
    25 de fevereiro de 2019

    – o protagonista se vê transformado em um cavalo. Apos a experiência, um membros a família, seu tio, releva que ele é um metamorfo de cavalo e não é o único da família. E vai ajudar a controlar sua metamorfose.
    – acho que serve tanto para Fantasia quanto para Ficção Científica. Gostei das descrições e a história tem plot instigante, bom desenvolvimento. Achei bom.

  16. angst447
    25 de fevereiro de 2019

    RESUMO: Túlio é um rapaz que um dia se vê transformado em um cavalo (Tufão). Passa a experimentar as sensações equinas e encontra uma companheira, uma égua que gosta de mastigar flores. A égua desaparece e Túlio/Tufão é capturado. Ao ver a companheira maltratada, ele sofre. De repente, vê-se novamente como humano e descobre que tem uma espécie de maldição que o transforma em cavalo. No final, ele encontra mesmo uma mulher com que se casa e espera o seu primeiro filho. Será o menino um cavalinho?

    AVALIAÇÃO: Conto escrito na temática de Fantasia. Não há erros gritantes de revisão, senti a falta de um R em um verbo, mas foi apenas por distração, decerto. O tom empregado é poético, cheio de descrições dos cenários e das sensações experimentadas por Túlio. A escolha da linguagem mais densa e poética torna a leitura um pouco lenta e o ritmo da narrativa custa a engrenar. O diálogo com o tio no final dá uma agilizada no texto, mas o excesso de gagueira me incomodou um pouco. A proposta do conto é interessante, uma METAMORFOSE mais fofa, já que ao invés de barata, temos um garboso cavalo.
    Até a próxima rodada.Boa sorte!

  17. Gustavo Araujo
    23 de fevereiro de 2019

    Resumo: garoto se transforma em um cavalo e aprende a aproveitar a vida como esse animal, sentindo-se até mesmo atraído e depois apaixonado por uma égua. A liberdade termina quando o utilizam como força de trabalho, e também a égua, dispensando a ela um tratamento mais agressivo, o que faz o menino-cavalo se apiedar dela. No fim, ele volta a ser humano e é informado de que, como primogênito, foi agraciado com aquele poder. Não podendo ficar com a égua, casa-se com uma mulher humana. O conto termina quando o casal está esperando para ver o ultrassom do bebê que esperam.

    Impressões: é um conto repleto de sensibilidade, seguramente escrito por alguém que aprecia cavalos e que já imaginou, não de hoje, como seria a vida na pele de um desses animais que nos são tão próximos. Gostei do clima bucólico e da percepção naturalística que dominam a narrativa. Foi uma boa ideia tratar de um menino-cavalo que retém a razão humana mesmo transformado em bicho.

    Como fábula que é, o conto demandou uma explicação didática: a transformação é uma herança de família, um poder que atinge os filhos mais velhos. É nessa parte, porém, que o texto decai um pouco, sobretudo com o gaguejar de Túlio, pouco natural e exagerado. No final, o conto se recupera, por meio do diálogo entre o protagonista e sua mulher (humana), fazendo a ponte com o início, prestes a conferir o ultrassom do bebê que esperam, sugerindo ao leitor que poderia se tratar de um pequeno centauro.

    Enfim, um conto simpático, agradável de ler e que deve atrair a atenção de quem gosta de animais. Parabéns e boa sorte no desafio!

  18. FELIPE Rodrigues
    21 de fevereiro de 2019

    Homem vira cavalo, depois é levado por desconhecidos e volta a ser homem. Chega em casa e descobre que já sabiam da maldição. Sabe-se que achou alguém para procriar.

    Esse conto ficou na minha cabeça sendo digerido e então finalmente descobri seu significado, sim, Tufāo, é claro, que assim como o cavalo-homem, é uma força da natureza, operante e inabalável, pura e devastadora, uma alegoria aos que, privados da obediência, são indolentes e seguem seus instintos incompreendidos na estrada da vida. Mal vistos por todos ao redor, só tem a capacidade de desenvolvimento no convívio adaptado, dentro de um sistema em que pode ser entendido, como fica claro no iluminado trecho do conto “— Quando demasiada diferença cria marcas, você se torna uma criatura à parte do mundo. As pessoas o olham e sentem-se inconscientemente perturbadas. A partir desse ponto, sua aura levanta um inquebrável muro de solidão que mantém os outros à distância. Esse muro só pode ser atravessado por alguém que compreenda a desordem em você.”
    Em tempos onde discute-se até mesmo a volta do eletrochoque, a história é mais do que conveniente.
    Muito bom!

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Informação

Publicado às 17 de fevereiro de 2019 por em Liga 2019 - Rodada 1, Série B e marcado .