EntreContos

Detox Literário.

Retorno (Angelo Rodrigues)

 

Não lembrava de tudo. Sabia do homem e seu cheiro, da casa, das estradinhas que se perdiam em margens de capim. Lembrava dos postes, dos fios alvoroçados pelo pouso das aves, do sopro quente do vento e do sol que só fazia queimar.

Ainda pela manhã deixou a casa do pai em direção à crista do morro, o terceiro, maior e mais distante. Era do que lembrava. Caminhava seguindo os riscos negros do chão, a sombra curva dos fios marcadas nas distâncias entre os postes de madeira.

Pela mão levava o filho que já passava dos quatro anos, mais terroso que ela.

Olhava o céu como se flertasse com as nuvens, mas só queria saber dos fios mexidos pelos pardais; eram sinais de que estava no caminho certo na direção daquele homem. O vento rápido arrastava pelo azul as nuvens cor de chá, brancas, purpúreas; a depender do desejo que tinha o sol de colorir o mundo.

Perdia-se nas sombras das árvores, desorientava-se no abrumar das nuvens, na altura de um monte, nos mexidos do capinzal. Nunca se distanciava de suas lembranças: os morros, os fios, a sombra dos fios pelas estradinhas margeadas de capim.

O filho, arredio por gosto ou arte, saltava barrancos, molhava os pés nas poças d’água e lama, rolava no capim, perdia-se no desejo de encontrar coisas que não havia perdido; tudo brinquedo: achava um braço de boneco e o enfiava na sacola que a mãe levava, depois um toco de lápis, as rodas de lata de um caminhão, mais adiante um nada indecifrável e ele imaginava construir um forte, uma cabana, um circo com mil palhaços, leões, ursos, tigres, girafas; todos gigantes, amigos e risonhos. Nos pés, as sandálias tomadas pela lama e o pó vermelho do chão; nem ligava. No corpo apenas o calção e a blusa de algodão com a estampa desmaiada de Nossa Senhora com o Menino Jesus.

“Larga isso, menino…”, ela dizia.

Ele não largava. Colhia um brinquedo imaginado e o levava até a bolsa da mãe. Tinha já o hábito das coleções, bem não sabia do quê; de tudo.

Às vezes ela corria veloz à frente dele, deixando que o filho ficasse para trás. Voltava-se e ria, saltava, fazia caretas, tão criança quanto ele, balançando seu vestido de chita florido. Nos cabelos um lenço vermelho pacificava o desalinho de todas as manhãs. Às vezes apenas olhava o filho, acompanhava seus movimentos com olhos de curioso espanto. Ele estava em sua vida, próximo, ia e vinha, preenchia e esvaziava, era riso e dor. Como tudo aquilo aconteceu?

“Vem!”, ela dizia.

O menino não ia. Chorava e ria, seguia lentamente a mãe com seus passinhos sujos. Ela retornava e o pegava ao colo, beijava seu rosto para logo devolvê-lo ao chão. Era quando o menino corria à sua frente, em disparada, e ria, saltava, fazia caretas com a graça da vitoriosa trapaça.

“Cuidado com o trem!”, ela gritava.

O menino não cuidava e ela o acolhia novamente ao colo. Um bando de rolinhas, certificadas do perigo voaram para longe do arrulho adormecente do trem. Sentados à beira dos trilhos aguardavam a passagem do comboio sob a fuligem saída dos vagões de minério que seguiam na direção do porto. Nos dedos ele contava aquele tanto de vagões: um, três, dois, três, cinco, dez, três, dois, nove…, não havia fim nem começo. Depois retomaram a viagem. Ele aos brinquedos, ela aos fios, aos olhos baixos, às sombras despejadas nas trilhas de terra vermelha tomada de capim e sol.

Ainda ouvindo o som distante do trem, ela se virou na direção do cume da ladeira e viu nas distâncias a sequência dos postes que perseguia, perdidos em longas subidas e descidas; lá, distante, haveria a casa do homem que devia reencontrar. Sabia por confusas lembranças que teria que ultrapassar o mais alto dos três morros, a crista dele, aquele feito só de barro vermelho e capim, onde haveria um tamboril centenário; depois desceria, mas não sabia quanto; disso não se lembrava. Era esse o pouco que ainda guardava vivo daqueles dias.

Sentou com o filho à sombra de um oitizeiro e inventariaram a sacola de coleções.

“Joga isso fora…”, ela disse.

Ele não jogava. Já ia cheia a bolsa que a mãe levava com os achados do filho que voltava a contar os brinquedos encontrados pelo caminho: um, dez, sete, três…

De onde estava podia ver ao longe a cidade na borda do porto. A locomotiva com infindáveis vagões contornava a grande curva no vazio da capoeira ao Norte da cidade e entrava no porto para descarregar o minério.

Como formigas, homens se moviam lentamente pelo grande pátio; uns sobre máquinas, outros caminhando nas sombras dos silos, nos barcos ancorados na lerdeza das águas. Um grande navio mineraleiro guardava providências para o embarque do minério.

Espantava-se por saber que tudo a se mover no porto era tão pequeno. As máquinas, que tão distantes, eram brinquedos. Os guindastes eram aranhas sonâmbulas, dinossauros de pescoço longo, todos a margear o vaivém das águas. Os homens nem a uma aranha chegavam de tão pequenos que eram. Pairando sobre tudo um sol pregado no azul: tudo fazia dó, um sonho feito para despertar.

Ouvira que do outro lado da baía haveria uma cidade imensa, mas era algo só de ouvir, nunca fez caso de se interessar, era tão distante que nem imaginava como tudo por lá seria. Sabia apenas da própria vida, que era a mesma, como pedras ou árvores antigas, a casa que sempre existira, o pai, as lembranças da mãe; tudo ali, perenes, a existir antes dela e continuar depois, menos a mãe, que era só ausência e saudade.

Da vida que tinha só conhecia o que cabia nas costuras e regas da horta, no preparo do almoço e do jantar. Faria dezoito anos em breve, meia vida, imaginava, em mais não acreditava de tão difícil que tudo era. O poço profundo de águas salobras e a cacimba de latão, o cercado da criação, a poda das laranjeiras depois da colheita, as compotas de mamão, os canteiros de salsa, os pés de milho e feijão, o cocho azedo dos porcos sempre cheios, o piso lavado, a roda do moinho na borda do rio triturando a ração que jogaria à criação. Galinhas, patos e gansos. Tantos pombos que chegavam e partiam. Esses não, não eram de criação, só de gosto vê-los chegar e ir embora. O pai sobre a rede descansava. Tudo nela era feito de zelo e cuidado. Uma mulher de enxadas, regas, costuras e alimentação.

Por que não nascera logo um homem de verdade? Mas o que sabia dos homens? Do pai sabia pouco, da voz e do mando, das providências que ouvia e obedecia, às vezes nem ouvia e a obediência chegava como se a água do mar lhe batesse displicente aos pés. O que faria o pai naquela hora? Talvez olhasse com desalento a lenha que ela cortaria para fazer o cozimento das compotas, ou dormiria na rede esperando que os braços dela cuidassem de tudo, hora ou outra, mas ele estaria lá, olhando e descansando, aguardando os resultados que faziam funcionar a horta e o pomar. Tudo. Dera por falta dela ou não? E do menino, do neto, dera pela falta? De estorvo que fora um dia, o menino era agora uma promessa de novos braços para tocar a terra, fazer as podas, as regas, cumprir as colheitas, somando-se aos braços dela.

Voltou a olhar em direção à subida íngreme do morro e puxou o filho pelo braço, a bolsa com as tralhas e a pequena mala com as roupas do menino. Do homem que procurava sabia apenas do cheiro de louro seco que tinha, da força excessiva, das mãos imensas e ásperas, do peso que tinha e que quase a sufocou.

“Vamos…”, ela disse.

Ele não ia, queria coisas, tudo era brinquedo, e agora eram os frutos que vicejavam nas árvores que margeavam o caminho. O menino correu a uma goiabeira onde o amarelo dos frutos gritava alto, ao sabor das carambolas. Do abieiro, mil olhos acenavam. Recolheu o quanto pôde das frutas e despejou tudo na sacola que a mãe carregava. Contou tudo, um a um nos dedos da mão: sete, cinco, três, quinze, dois, sete…

“Tem visgo…”, ela advertiu.

O menino não ligava. Lambuzou a cara no visgo dos abius que comeu. Os lábios se colaram e o menino quis sorrir e não pôde; quis falar e a boca travou. Vezes cuspiu o grumo do visgo e nada mudou. Esfregou na boca a blusa, as mãos, os braços. Tentou sorrir em direção à mãe. Ela sorria quando passou no rosto dele o pó vermelho do chão e esfregou. Tinha agora lábios imensos, numa pintura feliz de um menino palhaço. Ambos riram, o menino não se dava conta do quê.

Ela correu mais uma vez em direção ao alto do morro tentando animá-lo e ele chorou. Ela o aguardou de braços abertos e o menino a ultrapassou correndo em direção ao alto. Tão rápido correu que ela não o pôde deter, ficou fingindo querer pegá-lo, mas não pegou, corria adiante dele, que a seguia com manhas e choro forçado, feitos para enganar.

Voltavam a subir e já haviam cumprido dois morros e descido dois. Atravessaram um rio, uma vereda, uma vacaria, uma estrada de ferro, um grande pomar.

Não era a primeira vez que ela passava ali. Na vez anterior levou uma semana inteira para retornar a casa, esquecida do mundo. Alguém a procurou? Nunca soube ou perguntou. Do menino que começava a se formar em seu ventre só saberia algum tempo depois.

Outra vez estava ali, seguindo os mesmos fios, os mesmos postes que a levariam até o homem com mãos enormes e no corpo o cheiro de louro. Havia quase cinco anos que os pulsos estavam sarados e as roupas queimadas junto com o lixo no mesmo dia em que retornou a casa. A dor, essa, nunca foi embora ou esqueceu.

Nada disse ao pai e nada lhe foi perguntado. Uma semana inteira ausente. O pai, a dormir na fresca da rede ainda esperava dela as providências não cumpridas: as podas, as regas e as costuras que se acumulavam. Do pouco que restava em suas lembranças, apenas os fios, as trilhas estreitas margeadas pelo capim, os postes que diziam de um caminho até o homem que um dia a levou. Vivo ainda o cheiro inconfundível dos pés de louro que cercavam a casa.

Do alto da curva do morro maior, sob o imenso tamboril, via de um lado a sua cidade, a chácara, talvez um pai que ainda dormisse um sono despreocupado dos fazeres dela, que acabariam por se cumprir; do outro lado via a grande várzea perdida onde os postes a levariam e os fios terminavam. Lá estaria a casa do homem que queria reencontrar.

Em torno da casinha podia ver e lembrar dos loureiros. Sentiu novamente o odor daquele homem; mais lembranças que verdade.

Uma dor, a mesma, voltou com toda a força. Se acostumara a ela.

Podia ver a fumaça deixando a chaminé dizendo que ele continuava a queimar a lenha para secar os ramos de louro. Foi quando teve a certeza de que não se havia perdido. Ele estaria lá, o homem das mãos enormes, do cheiro intenso de louro seco, da força excessiva que um dia prendeu seus pulsos e a arrastou morro acima para só deixá-la partir depois de uma semana, com um filho a crescer em seu ventre. Dele só sabia o silêncio, a força, o peso sufocante enquanto invadia seu corpo pequeno, dando-lhe as dores do desassossego que já duravam tempo demais.

Pôs nas mãos do menino a pequena mala, a bolsa com os brinquedos improvisados, seus achados, as frutas que havia colhido pelo caminho. Com a mão virada na direção dos loureiros, indicou ao filho o caminho que os levariam a encontrar o pai.

23 comentários em “Retorno (Angelo Rodrigues)

  1. iolandinhapinheiro
    27 de dezembro de 2018

    Olá, amigo Angelo. Enquanto estive participando do desafio, não me foi dada a incumbência de julgar o seu texto, ainda assim, e diante de todos os elogios que foram feitos a ele, resolvi ler, mas o fiz de maneira apressada.

    Naquele momento entendi o conto como um texto de enredo simples, enriquecido pelos detalhes que o diferenciaram dos demais. Hoje, passado o certame, e estando menos atribulada nestes últimos dias do ano, resolvi voltar para poder ler saboreando. Seu conto é muito bonito, mas precisa de uma entrega de quem o lê de paciência para desembrulhar cada pequena gema, engastada neste bordado, sentir suas filigranas, e nunca ter pressa, pois, como um doce muito fino, e muito quente, há um tempo para ser digerido: um tempo lento e de contemplação. Foi uma honra ter perdido para você.

  2. Fil Felix
    23 de dezembro de 2018

    Boa tarde! A história de uma mãe e seu filho, atravessando toda uma cidade, morros e montanhas, colhendo brinquedos improvisados no caminho, para reencontrar o pai da criança.

    Gostei bastante da maneira como o conto é narrado. Tem um estilo que me identifico, até. A maneira como a criança conta, como é exposto a simplicidade da família, com alguns trechos muito bons, como a do sonho que é melhor acordado. E é um conto sem pressa, mostrando toda a viagem da mãe com o filho, atravessando meio mundo, para encontrar o homem misterioso. É bastante visual também, dá pra sentir aquele gosto de sertão. O final, porém, me deixou com um gosto bom e ruim ao mesmo tempo. Por ser uma história calma, a gente vai criando a expectativa de que algo vai acontecer, um clímax. No último parágrafo, depois de dizer que ele, aparentemente, abusou dela, estava na expectativa de ver uma vingança, talvez. Mas termina com a “união” da família. Então não sei muito bem o que achar desse final. Mas um ótimo conto, bem narrado e desenvolvido. Gostei.

  3. Amanda Gomez
    23 de dezembro de 2018

    A história de uma menina mulher, que retorna a um momento traumático de sua vida, com ela vem junto uma criança, fruto de uma violência sexual. Menina simples, sem perspectivas, do conhece um tipo de vida nunca se imaginou andar mais longe do que os caminhos que já percorreu. Com o filho refazem um caminho do passado, ela tenta de alguma forma fazer essa travessia algo agradável pra ele, ao contrário do que foi pra si. Chegando ao alto de um monte avista o lugar onde perdera um pouco do que era. Um final complicado onde ela indica o caminho que a criança deve seguir, sem ela.

    Olá!

    Mais um conto daqueles que enchem os olhos, uma escrita belíssima, o autor(a) não tem pressa aqui, ele vai delineando os caminhos a serem percorridos com leveza, cuidado, carinho mesmo que esteja levando o leitor para um caminho sem volta ao desalento, a realidade nua e crua de tantas mulheres. É sofrido, como a criança foi concebida e o fato daquela mãe acreditar que o melhor a fazer é entregar o menino ao seu agressor. Isso não fica muito claro, você deixou um tanto em aberto. Fica as dúvidas mas a certeza de um final nada feliz para ambos. A beleza da escrita deixa o o texto agridoce, mas só por um momento…a realidade logo amarga.

    Parabéns pelo belo trabalho!

  4. Givago Domingues Thimoti
    23 de dezembro de 2018

    Olá!

    Tudo bem?

    “Retorno” é, definitivamente, um dos melhores contos do Desafio. Uma narrativa com muita qualidade sobre a busca de uma jovem mãe com o seu filho por uma vida melhor. O texto possui muitas frases bonitas, com um jeito diferente de contar o que pensamos ser óbvio. Queria eu escrever com tanto talento!!!

    Porém, pessoalmente, não gostei tanto. É de extrema qualidade, sem dúvidas. Mas não sei o que faltou. Achei que a leitura não é tão fluída, nem prende a atenção.

    Talvez seja apenas meu gosto resistindo a um jeito diferente de conto. Mesmo assim, reitero que, para mim, esse é um dos melhores contos deste Desafio.

    Parabéns!!!!!!!

  5. Nathiely Feitosa
    20 de dezembro de 2018

    O conto traz a narrativa de uma jovem, mãe de um menino astuto, que guia-se pela memória através de subidas e descidas entre morros, para chegar até o seu destino.

    A linguagem do conto é poética. O conto tem um toque misterioso que eu atribuo ao espaço onde a história é ambientada. Desde o início eu consigo idealizar uma mãe jovem e quase infantil – o que mais a frente se afirma, com a revelação da sua idade. A repetição dos gestos de carinho entre mãe e filho trazem uma inocência de ambos que encantam e fazem cenas extremamente afetuosas.
    Um ponto forte do conto é a maneira como a personagem se enxerga diante da sua realidade: como algo útil, usável. Como feminista, percebo como isso atrela-se aos homens com quem conviveu até então; e mais, como essa coisificação faz com que ela deixe de ter perspectivas para o futuro.
    O que talvez tenha faltado para mim é um detalhamento maior da relação dela com o homem que cheira a louro (inclusive, esse detalhe foi de uma poeticidade genial!!!). É só um desejo de leitora em tentar saber como aconteceu, como ela se sente em relação a ele de uma forma ainda mais profunda.
    Gostaria que o desafio lhe desse mais palavras e que esse conto pudesse crescer, ter ainda mais espaço para esbanjar a sua boa escrita.
    Parabéns!

  6. Sidney Muniz
    17 de dezembro de 2018

    Aff… lendo novamente e entendendo que a minha dúvida com o conto foi ridícula, não, dum lado o pai que só queria dela o trabalho, o labor, o suor do filho que estava crescendo e do outro lado, o outro pai, o pai do filho, que só queria o corpo, o corpo dela…. Uma vida desgraçada de sofrimento…

    Triste demais né!

    O que me faz gostar ainda mais do conto é essa incerteza do comportamento do pai com o filho, o que esperar?

    Minha mente está a trabalhar nas várias hipóteses… Li agora com meu filho e estou ainda mais impressionado!

    Aplausos!

    • Sidney Muniz
      18 de dezembro de 2018

      Detalhe… Meu filho de 11 anos só confirmou o que eu já sabia…

      Palavras dele:

      “Pai, sinceramente, esse texto vai ganhar do seu, pois o seu é bom, não é desmerecendo, mas esse é melhor!”

      Aff, ter um filho assim me dá um orgulho danado!

      Retornos e mais retornos por aqui, pois realmente é um texto e um espaço que vale cada visita!!!

  7. Daniel Reis
    16 de dezembro de 2018

    Sinopse: mãe e filho caminham pelo campo, dirigindo-se ao local onde vive o pai que o garoto desconhece. Enquanto cuida e admoesta o menino, a mãe vai lembrando de sua vida, de como o menino nasceu, de sua vida, de como as coisas são no sertão. No final, entende-se que a mãe está mandando-o conhecer o pai, apesar de não ficar claro se ela o acompanhará até o final.

    Comentários: linguagem lírica, com pitadas de Graciliano Ramos, é o grande diferencial dessa história. Apesar de pouca ação, a história da fundo é tocante e marca o leitor. Como disse na sinopse, apenas a indecisão final, se a mãe vai com o filho até o pai ou não é que poderia ser afinada numa possível revisão. Parabéns!!

  8. Pedro Paulo
    16 de dezembro de 2018

    RESUMO: O enredo se estende por uma longa caminhada de uma mãe acompanhada de seu filho, em que pesa as observações da mulher sobre o ambiente que os cerca, onde ela reflete sobre sua situação doméstica com o pai autoritário e também a respeito do estupro que ocasionou a doce criança da qual ela cuida, cujo pai, o estuprador, vai ficando cada vez mais claro que eles vão visitar. É chegando na casa desse homem que o conto se encerra.

    O CONTO: Para todos os efeitos, é um conto muito bem escrito. Em matéria de enredo, é simples, como já sinalizado no resumo. Trata-se de uma jornada, em que vemos tudo pela perspectiva de uma mulher. Não é um conto de grandes ações, mas de tamanhas observações, em que podemos exaltar algumas. Em primeiro lugar, somos apresentados à criança e à sua mania coletora pelos olhos da protagonista, em que pesa uma doçura do garoto, esboçada naquela animação com o mundo que só as crianças podem ter. E então, temos o segundo ponto, que é a constante interação dela com a natureza, evocando ao leitor a sensação de estar mesmo no ar livre, deixando tudo bastante palpável a quem lê. Por fim, vamos às lembranças dela sobre o pai, o que já não serve para nos situar sobre o caminho pelo qual anda, mas sobre a pessoa que ela é, habituada a gerenciar uma casa. No meio dessas lembranças, pouco a pouco a autora vai nos indicando o que teria ocorrido à protagonista, deixando cada vez mais claro que seu filho é fruto de um estupro e, doravante, aumentando a expectativa em torno do fim daquela jornada. Juro que eu estava bastante temeroso sobre o que ocorreria com o retorno, e aí parabenizo pela escolha de ter feito ser uma revelação gradual, na qual cada momento de lembrança vai dando mais clareza sobre a brutalidade do ato.

    O conto transfere o leitor à paisagem, efeito causado pelo tamanho peso descritivo que segue com a leitura. De início, achei um pouco cansativo e me perdi um pouco sobre o que eu estava realmente lendo. Mas refletindo sobre, reconheço que um dos desejos da autora foi justamente nos transportar à vagareza daquela caminhada e, com a revelação do que teria ocorrido à protagonista, deixa aberto a pensar que talvez a lentidão do avanço dela tem a ver com o temor desse “retorno” que ela faz. Mais do que isso, faz toda a jornada evocar a coragem da protagonista. Muito bem, ótimo conto. Parabéns!

    A DISPUTA: Muito bem, vejo-me diante de dois ótimos contos, cada qual com sua proposta e características individuais. Em “Retorno”, o enredo é mais descritivo e não há tanta ação, o que no comentário individual denotei que serve ao objetivo do conto. Já em “Rabo”, o que se tem em definitivo é um homem contando uma história, mas tão vívida que todas as ações dentro dela causam efeitos de mobilidade e expectativa que são mais sucintos e graduais em “Retorno”.

    Em “Retorno”, a autora optou por uma estratégia fortemente descritiva que foi muito bem executada por uma escrita de qualidade. Já em “Rabo”, temos essa mesma descrição, mas traduzida num linguajar do que nós nordestinos chamamos de “fuleiragem”, que evoca e consolida o ambiente no qual o conto se passa. Então sabemos que os contos são bem diferentes, mas concluirei explicando o porquê da minha decisão.

    Neste confronto favorecerei “Aquele Rabo da Daisy Dulce”, pois acredito que o autor teve o mérito de nos levar a um ambiente um tanto singular, que é o desses botecos madrugueiros em que as maiores sacanagens ocorrem e são ditas. A autora de “Retorno” também soube nos imergir na vasta e exuberante natureza campestre do seu conto, mas eu acho que o esforço maior foi visto em “Rabo”, em que o autor soube escrever numa língua “particular”. Muito que bem, os parabéns vão a ambos e desejo muita boa sorte nos confrontos que virão!

  9. JULIA ALEXIM NUNES DA SILVA
    16 de dezembro de 2018

    Caminham mãe e filho em uma área rural. A criança brinca e a mãe reflete sobre sua vida, o passado e o lugar para onde está indo. A criança foi concebida em um estupro e a mãe retorna com a criança para o lugar onde está o pai. O texto é bem bonito e maduro. As descrições poderiam ser um pouco mais limpas, mas revelam de forma sutil elementos da História. O conto emociona.

  10. Paula Giannini
    8 de dezembro de 2018

    Olá, Autor(a),

    Todo bem?

    Resumo

    Em busca de uma sina melhor para o filho, a mãe faz uma jornada com o pequeno, a fim de levá-lo ao encontro do pai.

    Meu ponto de vista

    Para mim, seja como leitora, seja como escritora, o grande trunfo, muitas vezes, encontra-se não na história em si, mas naquilo que não é dito. Assim é, com este belo conto, escrito com uma linguagem apaixonante. Aqui, mais que a jornada da mãe e as belíssimas imagens e momentos criados pelo(a) autor(a), vê-se, nas entrelinhas, a saudade antecipada e intrínseca da mãe que, já se sabe só, antes mesmo de cumprir o seu caminho.

    Não há choro não há lamentação, mas enxerga-se, no coração da protagonista, toda a dor, o medo, as dúvidas, as certezas. Vê-se que ela sabe o que perde, ao passo que o filho ganha.

    Um texto que deve e pode fazer parte de um romance, mesclando o que há de melhor na boa literatura. Enredo, linguagem primorosa e brasilidade.

    Parabéns autor(a).
    Boa sorte no campeonato.

    Beijos
    Paula Giannini

  11. Ana Maria Monteiro
    5 de dezembro de 2018

    Observações: sendo um conto muito previsível enquanto dura, chega-se ao final sem saber qual a intenção que a move: vai procurar o pai do filho para o quê? matá-lo? na frente do filho? não percebi bem esse final.
    Prémio “Voltar atrás para quê?”

  12. Fernando Cyrino.
    5 de dezembro de 2018

    Que história mais bonita você me apresenta, Das Nuvens. Estou aqui encantado com o seu conto. Parabéns! Você me traz a história da mulher violada, quando ainda garota, pelo homem grande de mãos imensas e cheirando a louro. E, aí, passados quase cinco anos, lá está indo ela peregrinando para levar o filho, já nos seus quatro anos, para encontrar o violador, seu próprio pai. O caminho se faz na subida e na descida dos três morros, guiados os dois, mais do que pela trilha, pelos fios e postes, eis que no final deles, lá estaria, perto do imenso tamboril e rodeado dos loureiros, o homem que tanto desejava reencontrar. Eis aqui, Das Nuvens, um conto de uma delicadeza tremenda, que se reflete mesmo (quero dizer isto a guisa de exemplo) na cena da mãe a esfregar terra no rosto do filho com a boca colada pelo visgo do abiu, quem sabe ainda meio de vez, tornando-o com cara de palhaço e os dois sorrindo. Três pontos me chamam bastante a atenção nessa sua narrativa: A singeleza das palavras. Você as cria, como em navio mineraleiro. Noto na sua escrita um domínio bem grande da língua. Você realmente escreve muito bem. O segundo ponto diz respeito ao pai da mulher. Interessante você descrevê-lo como um personagem amorfo, sempre na rede, sempre deitado, sempre a descansar. Um homem cansado? Um homem doente? Meio homem? É a mulher (sem nome, como todos na história) que é forte, que é de enxada, de poda, de cozer e de cuidar da criação. A mulher tão destemida que vai em busca do homem grande que um dia a subjugou e lhe gerou o filho. Além de levar a criação dos dois, me fica a dúvida: ela fugia da fraqueza do pai e também queria, de novo, a força das mãos grandes que a machucaram os pulsos e o seu interior? O terceiro ponto já o citei acima, diz respeito aos fios e postes. Os postes me passaram a impressão de serem “gigantes” protetores da mulher (e seu filhinho) nessa louca peregrinação rumo à casa cheirando a louro do homem que a prendeu por uma semana. E aí tem também os fios. O fio da meada, o fio da navalha, o fio de Ariadne, que aqui não é teia, mas que segue em linha reta. O fio, fico a imaginar, das Nuvens, dos mistérios do humano. Bem, acho que já viajo na maionese. Hora então de parar. Mais uma vez, parabéns. Meu abraço fraterno, Fernando.

  13. Antonio Stegues Batista
    4 de dezembro de 2018

    Retorno
    É a história de uma garota raptada por um homem. Ele a libertou depois de algum tempo, grávida. Anos depois, com o filho, ela retorna à casa do homem.

    A narrativa é bem agradável, muito boa. As descrições da paisagem, da viagem até a casa do homem, ficaram bem bacana, perfeita. A escrita é muito boa, porém, achei a história fraca, não há nada surpreendente. Achei que faltou algo mais impactante. Não me surpreendeu a decisão da garota de levar o menino ao pai dele. No início da leitura achei que a história se passasse num mundo pós-apocalíptico, mas não. Das Nuvens, que tal essa ideia? Você tem uma boa escrita. Parabéns.

  14. Jowilton Amaral da Costa
    2 de dezembro de 2018

    O conto mostra o trajeto de uma jovem mãe e seu filho de quatros até a casa do pai do menino. durante este trajeto descobrimos que seu filho é fruto de uma violência sexual.

    Achei um bom conto. O escritor é bastante hábil com as palavras, demonstra experiência na escrita e fez um bom uso de várias figuras de linguagem, deixando o texto bastante literário. O começo empolga bastante, no entanto, no decorrer da narrativa, e,´principalmente, pelo estilo desta condução narrativa, acabei me enfadando um pouco e perdendo o fio da meada e achando que a jovem mãe tinha sido estuprada pelo próprio pai. Voltei a leitura e descobri que não, que os homens que ela falava eram diferentes. A narrativa em terceira pessoa é bastante eficiente e vemos todo o caminho percorrido sendo descrito com um olhar lúdico, que gera uma delicadeza num assunto bem sério, que é a violência que a jovem sofreu. No fim fiquei sem entender o porquê do retorno, se pelo que entendi, a menina foi violentada. Ou ela só foi deixar o menino com o pai? Ou a vida de tarefas árduas no sítio em que vivia com um pai indolente seria pior do que viver com o homem que a violentou? Ou ela se apaixonara pelo homem que a roubou e a engravidou? Este final em aberto me deixou bastante intrigado, tentando descobrir tais motivos. Se era isso que a autora queria, conseguiu bastante sucesso comigo. Boa sorte no desafio.

  15. Miquéias Dell'Orti
    29 de novembro de 2018

    RESUMO

    O conto narra a história de uma mãe que leva seu filho pequeno para conhecer o pai.

    Durante a jornada, somos apresentados ao temperamento do filho, com suas manias e criatividade ingênua.

    No fim, descobrimos que a mulher fora abusada quando mais jovem e está retornando ao lugar onde sofreu esse abuso para deixar ou apresentar o filho com/ao seu pai biológico.

    MINHA OPINIÃO

    As comparações são o ponto forte do conto. Refletem em muitas partes, a criatividade ingênua de uma criança, provavelmente para fazer um paralelo com a figura do filho.

    As manias da criança também tornaram a narrativa mais atraente. Aquele desejo infantil de ter tudo sem saber de nada e criar um algo a partir de coisas aleatórias. Achei bem legal.

    Ao que parece, sua fuga com o filho se deve também ao pai, que, conforme algumas descrições nos mostram, tratava-a com impunidade. Por causa disso senti uma relação entre o papel do pai da personagem e o papel do homem que era pai do seu filho. Como se a figura masculina fosse um fator que atormentasse a personagem, independentemente de quem fosse essa figura. Ela sofreu abuso por ambas as partes, só a perspectiva que mudou.

    Talvez por isso ela não enxergasse no pai do filho o mal que ele realmente representava e, dentro do seu âmago, quis voltar para perto dele, em uma espécie de Síndrome de Estocolmo.

    Também poderíamos seguir outra linha de raciocínio sobre esse desfecho, com o simples abandono do filho aos cuidados do pai abusador. Talvez, devido à situação extrema de impunidade ao qual o pai a mantinha.

    Ou, ainda, nenhuma dessas afirmações se faça real. A mente humana é complexa e o autor pode, também, querer ter passado a ideia de que não havia, no fundo, um motivo objetivo para que ela fizesse isso. Talvez essa ação de levar a criança ao pai fosse apenas um vestígio de uma natureza primitiva humana, em que prevalece o desejo genético de manter a prole próxima de seu progenitor.

  16. Sidney Muniz
    28 de novembro de 2018

    Eita conto bom, hein?

    Gustavo? Aff… acho que talvez… quem sabe né?

    Vamos ao resumo:

    História que conta o retorno de uma mãe e um filho para casa do pai dele, dando um sentido de “proposital” de ambiguidade em certo ponto enganando o leitor sobre ser o pai da mulher ou não…

    Estou dando nota para o conto sem o pedido prévio de análise, caso venha a ser solicitado haverá o confronto das notas finais dos dois contos para escolha do vencedor do embate.

    Critério nota de “1” a 5″

    Título: 5 – Simples e belo… !

    Construção dos Personagens: 5 – Perfeito!

    Narrativa: 5 – Lindíssima e poética!

    Gramática: 5 – Não vi nada de errado!

    Originalidade: 5 – Um conto cativante que nos faz caminhar junto com a mãe o filho, com as travessuras e também com as angústias da mulher… Lindo e contado de uma forma muito contagiante!

    História: 5 – Perfeita, sinceramente esse aqui e o Voz são os melhores até agora e se for pra escolher entre os dois terei um problemão!

    Contaço!

    Total de pontos: 30 pts de 30

    Boa sorte no desafio!

    • Sidney Muniz
      17 de dezembro de 2018

      Vim aqui visitar meu carrasco e reler esse texto maravilhoso!

      Sinceramente só de duelar com um conto deste nível fico feliz demais, pois está para mim entre os dois melhores contos desta edição, juntamente com o texto “Voz” que até fiquei triste pela queda que teve depois dos dois últimos embates, mas vencer de fato não é o mais importante, e sim ter o privilégio de colher dicas e poder encontrar textos como este que aqui está, compartilhar opiniões e estar entre pessoas de um intelecto tão alto e nível de escrita tão bom!

      Obrigado por me dar a honra deste combate!

  17. Davenir Viganon
    28 de novembro de 2018

    Comentário-Rodada2-(“Retorno” X “Silêncio”)
    “Retorno”
    Uma mulher jovem volta para casa para encontrar o pai do seu filho, enquanto remoe as sensações quando está prestes a chegar no seu destino. O conto carrega bem a ideia de retorno mas conta pouca história e fica mais nas sensações e nas sugestões que não me prenderam no texto. O que acaba
    deixando tudo um pouco cansativo. Por isso, e principalmente pela qualidade do outro conto desse confronto, vou optar pelo outro conto nesta rodada. Boa sorte na próxima.

  18. Gustavo Araujo
    25 de novembro de 2018

    Resumo: Mãe e filho retornam a casa do pai do garoto, um homem que, aparentemente, engravidou a menina-moça e fez partir cinco anos antes. Agora a dupla retorna sem um motivo aparente.

    Impressões: é um conto magistralmente escrito. O autor domina a narrativa completamente, joga as palavras com perícia, revelando que sabe muito bem aonde quer chegar. O conto parece ser o recorte de uma história maior: a mulher e o filho que retornam ao local onde o garoto foi concebido cinco anos antes. Não se sabe exatamente o motivo dessa volta – se tem o intuito de cobrança, se há um amor a ser buscado. O caminho, as andanças, tudo é retratado com sensibilidade, com uma dor latente, pincelada por momentos de alegria por conta do jeito espevitado da criança. É durante o caminhar da protagonista que compreendemos sua história de miséria, sem saber ao certo se ela se prostituiu ou se foi tomada à força – tanto num como noutro caso, desconhecendo se o pai anuiu com isso ou não. É uma história comum àqueles que chafurdam na pobreza, na falta de esperança, na expectativa de uma vida sem futuro. A mãe, talvez, busque no pai do menino o último refúgio para o filho, seguindo os fios, a linha do trem, os pardais. É um conto triste, sem dúvida, que se aferra a uma linguagem condizente, de certo modo arrastada como uma caminhada ao sol do meio-dia. O tipo de narrativa que me ganha. No entanto, como eu disse lá no início, parece ser o recorte de algo maior, porque justamente no ápice da história – o confronto (ou o reencontro) – tudo termina, deixando no ar aquela pergunta inevitável: tá, e então? Naturalmente, textos há que dispensam um arremate, mas creio que aqui essa finalização era necessária, ainda mais porque o tempo todo viemos nos preparando para ela. Este texto, ainda que escrito com maestria e por alguém que detém uma bagagem literária invejável, não pode se escorar apenas nessa habilidade, por mais relevante que seja. Finalizar uma história mantendo o nível do desenvolvimento é uma qualidade invejável, só que muita gente prefere deixar o arremate em aberto, uma saída que entrega ao leitor a responsabilidade de preencher as lacunas. Infelizmente foi este o (único) pecado do conto. De todo modo, é um trabalho que merece parabéns efusivos.

  19. Virgílio Gabriel
    25 de novembro de 2018

    Uma ótima surpresa.

    O conto tem uma mescla de nostalgia e drama. Nele, uma garota retorna para o seu antigo lar junto do filho. Enquanto seguem o trajeto, a nostalgia toma conta da personagem. Esta relembra de cada detalhe, deixando no ar se isso é bom ou ruim.

    No final do percurso, está seu pai, que também é o pai do seu filho. Um homem do campo, que abusada da filha como se isto fosse algo comum. O conto deixa no ar a possibilidade dela ter fugido para poder ter a criança, mas que agora, com ela maior, voltara ao lar. Assim, demonstra também que o medo a tornou de certa forma submissa a tudo que ocorrera consigo. No fim, pelo cheiro e características do lugar, sabe que o homem está por lá. O conto termina assim, deixando no ar os próximos passos. O que achei excelente.

    A história é muito bem escrita – senti até uma invejinha do bem -. Quando conto começa a se tornar muito nostálgico, o(a) autor(a) traz para o contemporâneo. Tudo feito na medida certa. Apesar de não ser m conto que surpreende, pois no meio já deu pistas do que acontecera, ainda assim deixa aquele ar pesado.

    Gostei bastante, parabéns!

  20. Leo Jardim
    23 de novembro de 2018

    🗒 Resumo: uma mulher revive o caminho de casa com um filho pequeno para um reencontro com o homem que a violentou e engravidou.

    📜 Trama (⭐⭐▫▫▫): muito lenta e circular. Há um excesso de descrições e sensações, mas o problema maior é que as coisas acabam se repetindo muito. Muita coisa ficou se repetindo e não teve importância para a trama, como a forma de contar do filho e suas coleções. No meio desse monte de gordura, há uma trama um tanto escondida. Não tive certeza, por exemplo, se o pai do menino era também o pai dela ou um outro homem qualquer. Queria ter entendido melhor o que aconteceu com mais detalhes: por que ele fez isso com ela? Por que ela voltou? Ela o perdoou?

    📝 Técnica (⭐⭐⭐⭐▫): as descrições são bonitas e a autora trabalhou bastante a sinestesia dos personagens. Ocorreu, como eu já citei, um exagero e algumas repetições que incomodaram. As gorduras deixam a leitura mais gostosa, mas em excesso faz mal. Neste conto, acabou atrapalhando a trama.

    💡 Criatividade (⭐⭐▫): o texto tem personalidade na criação do ambiente e dos personagens.

    🎭 Impacto (⭐⭐▫▫▫): o texto termina sem o reencontro do título. O fato de descobrir que o homem era o pai do menino também não impactou, pois eu imaginei quando foi insinuado o estupro. Fiquei esperando uma vingança ou algo do tipo, mas não veio. Assim, deixando o final muito aberto, acabei me frustrando.

  21. Jorge Santos
    23 de novembro de 2018

    Conto narrado numa linguagem simples que nos remete para a literatura de qualidade. É a história de uma mulher que vai levar o filho de quatro anos a conhecer o pai. Neste caminho são desenvolvidos os personagens de uma forma elegante. Os momentos descritivos são usados como complemento da acção e não se tornam entediantes. Falta apenas um desfecho mais intenso, na minha opinião.

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Informação

Publicado às 20 de novembro de 2018 por em Copa Entrecontos e marcado .