EntreContos

Detox Literário.

Cinzas (Miquéias Dell’Orti)

 

O soldado caía nas profundezas do abismo e ouvia mil vozes sussurrando coisas incompreensíveis. Ele não sentia suas pernas nem seus braços. Não sentia calor, nem frio.

Sua vida parecia dissipar enquanto ele se contorcia nas trevas, empurrado em direção ao solo. Seu corpo desabava por tubulações enferrujadas, veloz como uma bala.

O mergulho na escuridão já durava tempo demais e o homem chegou a ponderar que, talvez, o fim fosse justamente aquilo: apenas a sensação de cair eternamente. Resolveu, então, entregar-se ao destino, deixando que o vazio o engolisse.

O baque seco do seu corpo ao atingir o solo foi primeiro uma surpresa, seguida pelo desespero. De alguma forma, ele permanecia vivo, consciente.

Tentou se mover. Não conseguiu.  As órbitas dos seus olhos giravam, rebatiam da orelha ao nariz à procura de alguma luz.

Com o silêncio profundo abraçando-o, ele desejou com todas as forças poder se desgarrar do plano físico e descansar em paz.

O tempo executava sua tortura e sua única companhia era a própria Consciência. Companheira essa que, ele podia sentir, aos poucos se transformava em algo terrível e controverso. O soldado podia senti-la nas profundezas dos seus pensamentos. Uma criatura com olhos injetados que ultrapassara os limites da sanidade, voltando-se contra ele e tornando-se sua inimiga mais mortal a partir daquele momento.

A Consciência impiedosa e incontrolável aproximava-se, pronta para feri-lo com o chicote da amargura, para embebedá-lo com a desesperança e para afogá-lo na ira e na loucura, até que ele fosse destruído, reduzido a menos que nada. Até que apenas o recipiente restasse. Só o corpo alvo, nobre, mas inerte, sem utilidade. Como um rubi esquecido em meio à uma porção de cascalhos. Como só mais um galho seco na árvore despida pelo outono.

O som de passos fez com que o soldado deixasse sua batalha interna por um instante. Ele ouviu o tamborilar frenético do seu lado direito, contornando seu corpo. Alguns segundos depois os passos pararam e ele ouviu algo sendo arrastado sobre o chão.

Ao perceber que a entidade incorpórea, moldada à escuridão, estava bem próxima, a tensão fez com que permanecesse imóvel. Ele aguardou ser tocado, ou mesmo morto. O medo e o terror eram como mariposas que se debatiam dentro do seu corpo, tentando escapar por sua garganta, rasgando-o ao meio e abrindo caminho para a liberdade.

A inércia pairou no ar por tempo demais e, tomado por uma agonia insuportável, o homem gritou, berrou, rolou de um lado para o outro, se debateu e agitou os braços em uma última investida por socorro. Mas fez isso por dentro, apenas. Por fora era como um pedaço de madeira.

Não havia como saber quanto tempo se passara. Assim como a luz, o tempo se tornou volátil ali. O soldado lutava contra a loucura, tentando forçar sua alma a reagir. E no meio dessa batalha, flashes do que pareciam lembranças irromperam em uma mistura de repugnância e medo que começou a corroer a fina camada de sua sanidade.

Mesmo envolto em trevas, ele fechou os olhos…

“… e se viu de pé no topo de um monte coberto de cinzas. No horizonte, distante, o inimigo: um aglomerado asqueroso de carne e metal, com bigodes e orelhas pontudas saltando para fora dos capacetes. Um exército de criaturas que grunhiam coisas incompreensíveis e se debatiam, ineptos, como porcos brigando por lavagem.

Olhou para baixo e viu suas tropas. Os rostos endurecidos e sombrios aguardando a morte certa.

Apontou para o adversário e ordenou o ataque, mas o silêncio era um pano cobrindo sua boca, que se mexia para cima e para baixo, mas não pronunciava nada.

O inimigo avançou. Incontáveis olhos vermelhos com dentes projetados para fora de bocas imundas. Animais com uma fome mortal e prontos para destruir qualquer coisa viva que encontrassem.

Eles investiram rápido e atingiram o contingente como uma rocha em um castelo de areia. Um monstro carcinogênico acometendo os que permaneciam na linha de frente, mastigando e arrancando pedaços de seus corpos até reduzi-los a pó.

O guerreiro levantou sua espada e se preparou. Era apenas um ponto vermelho minúsculo de frente a uma floresta viva, feita de unhas e dentes, saltando para abocanhá-lo.

Preparava-se para dar o primeiro e último golpe quando uma gigantesca mão, branca e delicada, surgiu por trás dele, passou pelo seu lado direito e dobrou em forma de concha, envolvendo-o afetuosamente.

E novamente, a escuridão.

Diferente dessa vez, pois agora uma estranha luz permitia que enxergasse a si próprio, e nada mais. Podia ver seu uniforme vermelho, já gasto pelo tempo e sem os cuidados necessários. Percebeu a ausência do braço esquerdo, mas isso não o assustou.

Olhou para frente, com uma intuição implacável despertando sua atenção. Um som estranho chegou aos seus ouvidos, um resfolegar forte e rouco, quase inaudível.

Então, aos poucos, a enigmática luz deu forma a um animal com dentes pontiagudos e pelagem marrom espessa. A boca aberta escorria baba, formando uma gota brilhante na ponta da carregada pelugem. Os olhos, vermelho-sangue, possuíam um brilho negro e distante. A criatura usava uma coroa com algumas manchas de ferrugem e sangue e o fitava ardentemente, como se quisesse penetrar em seu mais profundo pensamento, como se o estudasse de todas as formas possíveis.

Estavam os dois ali, frente a frente, duas faces que eram como o dia e a noite, como o bem e o mal, o humano e o desumano. A luz e a escuridão personificadas e refletidas num espelho.

Como se despertado de um sono infernal, a criatura abriu a boca e emitiu um som estridente que atravessou os tímpanos do soldado, fazendo-o estremecer. Então, o manto do silêncio baixou novamente.”

O soldado vermelho abriu os olhos lembrando-se do quarto empoeirado em que vivera durante anos, em reclusão. Uma revelação diante da confusão que era sua mente naquele lugar infernal. Ele se lembrou do cômodo abandonado. Um lugar onde a única luz possível de ser apreciada entrava pelo buraco da fechadura durante um breve período do dia, projetando um feixe tênue que iluminava um ponto na parede oposta.

Aquele quarto era um vilarejo de abandono, onde os esquecidos como ele ouviam, apreensivos, os passos, conversas e cantorias da vida do lado de fora. Onde o único direito que tinham era o de imaginar rostos opacos e cenários sem cor para as conversas e risadas constantes.

Lá, dentro do mundo esquecido, móveis antigos, espelhos cobertos por mantas da cor de lodo e inúmeras peças de madeira inúteis, inclusive ele próprio, se conformavam com a solidão e esperavam o impossível resgate à sua velha vida.

Ainda envolvido pela lembrança, uma luz avermelhada trouxe o soldado de volta à prisão. Agora ele conseguia ver o lugar onde estava: um tipo de gaiola revestida com colunas de metal, pregadas com ferrolhos entre os vértices.

Sua visão se acostumou com o ambiente e ele viu, com horror, corpos espalhados ao seu redor, jogados como pedaços de madeira podre. Alguns estavam enrolados em barbantes grossos, amarrados de forma bizarra, com as pernas e braços dobrados e repuxados sobre cada lado da cabeça. Laços dados nos pulsos mantinham os corpos nessa posição e a extensão da corda passava em volta das orelhas, atravessando o tronco e a parte de baixo do corpo, formando um tipo de espiral.

A cabeça do leão jazia mais distante, com buracos negros e fundos no lugar das órbitas. Cabeças, braços, pernas e membros formavam um quebra-cabeças medonho pelo lugar. Vidas, um incontável número delas, amontoadas como lixo.

“E talvez o sejam, afinal.”

Seus pensamentos se tornaram sombrios e o soldado sentiu uma bolha de ódio inflar dentro de seu corpo. Onde estava, afinal? Como havia caído naquele inferno silencioso? E como ainda permanecia vivo?

As perguntas só serviram para que a dor aumentasse. Ele sentiu os corvos do seu desespero bicarem as paredes do seu crânio por dentro até uma palavra ecoar em sua mente como num disco riscado.

Sete”.

“Sete. Sete. Sete. Sete. Sete. Sete. Sete”.

Esse número fez com que o interior do seu corpo gritasse e a cena de uma chuva de estilhaços de vidro atingindo-o em cheio e arrancando seu braço repetia-se em suas lembranças.

No meio dessa tempestade de agonia, algo novo foi-lhe relevado e ele se lembrou de tudo. Do motivo de ter sido jogado ali, do porquê do sofrimento e da solidão, e do amor incontestável e irrepreensível. Lembrou-se, em meio aquele turbilhão de recordações, de Marie e de toda a sua doçura. De como ela o abraçou quando tudo estava perdido. A única alma que lhe deu atenção e carinho, que o salvou e prometeu cuidar dele para sempre.

Acompanhada dessa recordação, sua memória relevou a face do verdadeiro inimigo. A força maligna que lhe tomara a única coisa que mantinha a chama da sua vida acesa. E pela primeira vez durante todo o tempo que permaneceu ali, sua Consciência se dispôs a ajudar.

O soldado se lembrou de como foi esquecido. Substituído pela criatura diabólica, com traços semelhantes à sua própria fisionomia, e que usou desse trunfo para lançar um feitiço sobre os olhos de todos, inclusive de Marie que, convencida de um milagre, permitiu o verdadeiro herói fosse jogado como lixo, ocupando um dos cantos daquele quarto empoeirado.

E assim ele permaneceu até o dia em que porta foi aberta. O primeiro rosto que viu foi o de Marie. Quanto tempo havia passado? Ela estava linda, mas seus olhos pareciam ter perdido o brilho de antes.

Ela o pegou pela cintura e o ninou por algum tempo, como na noite em que se conheceram, e ele sentiu o seu calor e o seu perfume doce. Marie não sentiu nada. Por fora, ele era só mais um boneco sem vida.

Ela o levou para a rua, onde o inverno soprava gélido e voraz o seu hálito sobre as árvores. Atrás dela, a sombra do monstro pousou a mão em seu ombro, como um demônio à espreita de uma frágil alma. O ser demoníaco que tomara seu lugar sorria, com a vitória brilhando entre os dentes. O soldado se lembrou de cada detalhe, inclusive das palavras de Marie, que soaram como balas de chumbo atravessando seu corpo:

“Eu sei que já passamos da hora de reformar aquele quarto, D. Mas você acha mesmo que as crianças do orfanato vão gostar desses brinquedos? Será… que vão cuidar bem deles?”

Um mar de melancolia o afogou no momento em que essa memória se fez presente, mas a luz fraca, que à princípio parecia uma vela acesa ao longe, começou a aumentar.

Agora ele via com clareza braços e pernas amontoados nos cantos da gaiola de metal. Cinzas e restos da morte lenta e sofrida de seus iguais cobriam o chão. Boa parte deles, queimados. Alguns só com a metade da face.

As chamas começaram a aumentar tomando conta de tudo. E sem conseguir se mexer, só lhe restava relembrar o ultimato daquele dia, nas palavras frias do seu maior inimigo:

“Pode ficar tranquila, meu amor. Os brinquedos estarão em boas mãos. E tenho certeza de que as crianças vão adorar.”

O fogo se alastrou e a parte de trás da sua ombreira dourada começou a expelir uma fumaça escura. A madeira começou a crepitar e ele viu suas pernas se transformarem em uma coisa negra e disforme.

E enquanto era tomado pelas chamas, o bravo soldado ainda conseguiu se agarrar a uma última lembrança perdida: a de Marie tentando estancar a lágrima que corria de seus olhos azuis momentos antes dele ser levado para sempre.

Então, as cinzas do Quebra-Nozes foram varridas para a eternidade junto com seu um último pensamento:

“Foi o fim de um lindo natal, pena que o sonho acabou.”

16 comentários em “Cinzas (Miquéias Dell’Orti)

  1. Marco Aurélio Saraiva
    23 de dezembro de 2018

    É um bom conto! A mente do leitor vai divagando nas possibilidades de resposta ao grande enigma que é boa parte do texto. Durante algum tempo o conto não faz sentido nenhum: parece apenas uma descrição onírica de algum sonho louco. Por boa parte da leitura eu achei que o soldado era um homem na primeira ou segunda guerra mundial que tinha acabado de pisar em alguma mina ou tomar a explosão de uma granada, rs.

    Ao fim o conto revela ser uma versão sombria de Toy Story (você sabia que a comparação iria acontecer, né? É impossível não fazê-la, rs). É quase “como seria Toy Story em formato de filme de terror”, especialmente a cena do incinerador de Toy Story 3, que emocionou um mundo inteiro e foi refeita aqui em uma versão 100% mais arrepiante e triste. É incrível como você descreveu as “pernas e braços mutilados” de uma forma gore e assustadora e, apenas alguns parágrafos depois, fez tudo fazer sentido.

    Mesmo assim, acho que a revelação de que eram bonecos brochou um pouco o final. Para o nível da sua escrita e a profundidade dos pensamentos do personagem, esperava algo a mais. Teve um momento que eu achei que ele era um personagem criado por uma escritora chamada Marie e esquecido em um canto das lembranças dela.

    De qualquer o conto ficou excelente, o título foi bem interessante e a revelação no final de que ele era um quebra-nozes foi inesperada. Parabéns!

    Destaque para a frase: “Mesmo envolto em trevas, ele fechou os olhos.

  2. Jorge Santos
    20 de dezembro de 2018

    Este conto poderia ser um remake de Toy Story, narrando a história de um soldado de brincar. No entanto, o seu desenvolvimento é tão monótono e desconcertante que o leitor fica desmotivado a meio. Deveria ter sido encontrado um equilíbrio na narrativa que permitisse manter a atmosfera de mistério e não revelasse a natureza do personagem.

  3. Gustavo Araujo
    20 de dezembro de 2018

    Resumo: Durante uma queda, um soldado repassa os momentos mais importantes de sua vida. Ao final dela (a queda, mas pode também ser a vida) descobre-se cativo em uma gaiola onde seres demoníacos querem destruí-lo.

    Impressões: Eu tinha todos os motivos do mundo para gostar deste conto. Para começar, trata de um soldado, o que na literatura, de modo geral, nos conduz àquele tipo de personagem transtornado, obstinado, cheio de falhas de caráter, mas que no fundo é alguém que procura fazer o que considera certo. Parecia ser este o caso aqui, já que ainda na queda, o protagonista põe-se a analisar sua própria consciência, com esse embate entre certo e errado. Com o desenvolvimento, porém, algo se perdeu. O texto ficou muito confuso com esse fluxo de ideias, caindo na armadilha do excesso. Excesso de figuras de linguagem, excesso de metáforas (um tanto deslocadas). No fim, fiquei sem entender se o soldado era mesmo um brinquedo ou se isso também foi usado no sentido figurado. Ele foi realmente atirado ao fogo por Marie? Marie era sua amada real ou a dona do brinquedo? Até faria sentido, isso — uma espécie de soldadinho de chumbo versão macabra. Mas, a verdade é que não ficou claro. Gosto de contos com finais abertos e que dão margem a interpretações diversas, mas aqui, creio, as alternativas foram demais. E o que me frustra ainda mais por não curti o conto como gostaria é ver que o(a) autor(a) conhece do riscado. Uma pena, mas a ligação autor-leitor não funcionou muito bem para mim. De todo modo, estou certo de que você tem muito a nos ensinar. Espero ler mais de suas criações. Um abraço e boa sorte no desafio.

  4. Felipe Rodrigues
    16 de dezembro de 2018

    Olha, sinceramente esse conto me cansou para Diabo.
    Mas, vamos ao resumo, se é que eu entendi.

    Bom, ao início me parece um soldado ferido em batalha que, impossibilitado de qualquer movimento e cheio de dor, começa a travar uma batalha com a sua própria consciência, que tomar forma, e começa a dominá-lo por completo como um monstro. Depois ocorre uma guerra entre o soldado, seu contingente, e um exército de bichos dentuços e metalizados, que eu não entendi se são realmente sua consciência ou se são um flashback do protagonista. Eis que ele aparece caído em um quarto escuro que só se ilumina pela fresta de uma porta, e lá ele continua caído e tendo alucinações de guerra malucas, vendo ao seu redor pessoas desfiguradas, montes de braços e pernas e pessoas amarradas com barbantes como frangos. Então vem à memória uma tal de Marie, que aparece naquele quarto e revela um sujeito que é a cara dele e que os dois vão doar brinquedos para órfãos, é isso? Depois surge a informação de que o tal sujeito foi um substituto seu na guerra, o cara foi substituído pelo outro, e esse cópia aí enganou direitinho a sua esposa e ao fim das contas o protagonista, que não é cópia, se agarra a uma lembrança natalina o conto acaba. Desculpe se não captei a essência do texto, mas me dei o direito de não lê-lo mais uma vez.

    A história é extremamente confusa e cheia de inserções de novas informações e pequenas tramas que deixam tudo mais louco ainda, a princípio tempos esse soldado que trava uma briga com a sua consciência, mas depois o conto vai degringolando e caindo pelas tabelas, e me parece que o autor quis manter a atenção do leitor e começou a colocar uma novidade doida a cada parágrafo, se que isso tornou a coisa toda ainda mais confusa.

    Há um excesso de comparações e metáforas demasiadamente longas para explicar coisas muito simples, que acabam por deixar os parágrafos muitos longos e cansativos, fora isso, não há espaço para que seja feita uma aproximação entre o leitor e nenhum desses personagens, enfim, não gostei não.

  5. Matheus Pacheco
    12 de dezembro de 2018

    RESUMO: A história nos mostra um soldado morto em batalha que teve toda sua vida passada perante seus olhos, suas frustrações, seus sentimento de solidão e de amor por Marie, e talvez a perda de um filho(?), tudo culminado ao momento em que era perseguido por uma fera dentro de sua própria gaiola.
    Comentário: Essa foi a rodada mais difícil que eu tive que eu tive que julgar. porque tanto o seu, quando o do adversário estão relacionados aos sentimentos, à fragilidade e a solidão.
    O seu se destacou um pouco porque apresentou de uma forma diferente todos os sentimentos condensados do Soldado.
    Um ótimo conto, um abração.

  6. rsollberg
    11 de dezembro de 2018

    Fala, G.t

    Storyline: Um soldado que cai, experimentando sensações e lembrando-se aos poucos do “passado” e, por fim, revelando sua própria natureza.

    Pois bem, infelizmente não consegui compreender o texto em sua amplitude.
    Um soldado que cai, um salto no escuro, sua consciência como principal algoz. Não sente nada porque é um brinquedo, porém, tem consciência,Depois entra um texto em “italico”, que compreendi como uma história inventada, enfim, percebemos que o soldado é um boneco, com uma relação intensa com Marie, que aparece muito tarde no texto, especialmente pelo seu importante papel.
    Um toy srtory macabro.

    Na parte técnica achei no geral com muitos adjetivos, deixando a leitura um pouco arrastada, pesada. Também não curti muito algumas analogias,”madeira”, “rubi”, sei lá…

    Enfim, creio que perdi muita coisa do conto, infelizmente.
    De qualquer modo, parabéns pela originalidade e ousadia.

  7. Daniel Reis
    7 de dezembro de 2018

    Sinopse: o ponto de vista de um “soldado” abandonado em meio a escombros (como se fosse um campo de batalha ou prisão de guerra), que aos poucos se revela tratar-se de um brinquedo (Quebra-Nozes) pertencente a uma menina, Marie, que acaba iludida que seus brinquedos serão doados a um orfanato, quando na verdade estão sendo incinerados.

    Análise: o conto é bastante engenhoso na adaptação do Quebra-Nozes, misturado a um Toy Story III. A narrativa é que, a meu ver, concentrou-se demais na linguagem e nas sensações do deslocado soldado, enfatizando ora o ornamento poético, ora o desespero desorientado. Um bom trabalho, que pegou nessa terceira rodada outro candidato de alto nível.

  8. Givago Domingues Thimoti
    4 de dezembro de 2018

    Cinzas ( G.T Princewood)
    Caro(a) autor(a),
    Desejo, primeiramente, uma boa Copa Entrecontos a você! Acredito que ao participar de um desafio como esse, é necessária muita coragem, já que receberá alguns tapas ardidos. Por isso, meus parabéns!
    Meu objetivo ao fazer o comentário de teu conto é fundamentar minha escolha, além de apontar pontos nos quais precisam ser trabalhados, para melhorar sua escrita. Por isso, tentarei ser o mais claro possível.
    Obviamente, peço desculpas antecipadamente por quaisquer criticas que pareçam exageradas ou descabidas de fundamento. Nessa avaliação, expresso somente minha opinião de um leitor/escritor
    Boa sorte!
    PS: Meus apontamentos no quesito gramática podem estar errados, considerando que também não sou um expert na área.
    RESUMO: O conto aborda o ponto de vista de um soldado (O Quebra-Nozes) diante do horror da guerra contra os ratos e ao esquecimento que ele cai depois do fim da guerra e amadurecimento da Marie.

    IMPRESSÃO PESSOAL: Pessoalmente, não gostei do conto. Acredito que o autor abusou do uso das imagens grotescas do boneco. Embora com parágrafos bem construídos, essa repetição tornou a leitura bastante cansativa e truncada. Aliado a esse fato, o início e o desenvolvimento da história são confusos.

    ENREDO: O enredo em si é bom, porém, a técnica deixou um tanto a desejar. Como falei anteriormente, o excesso de imagens grotescas torna a leitura repetitiva e truncada. Apenas se aproximando da conclusão, o conto vai fluindo mais rápido e com mais clareza. O desfecho é, sem dúvidas nenhuma, o ponto alto do conto, onde o Quebra-Nozes assiste melancolicamente sua antiga dona Marie e o marido D se desfazerem do velho soldado ferido pela guerra.

    GRAMÁTICA: Notei alguns acentos faltando em construções como “senti-la” e “ feri-lo “, além de alguns erros de pontuação. São coisas que escapam de uma revisão às vezes.

    PONTOS POSITIVOS:
    • A ideia é muito boa, lembrando um pouco Toy Story 4 (ou o 3. Não sou muito fã de Toy Story depois do 2 KKKKKK)
    • Algumas construções são muito boas, tais como “Ela o pegou pela cintura e o ninou por algum tempo, como na noite em que se conheceram, e ele sentiu o seu calor e o seu perfume doce. Marie não sentiu nada. Por fora, ele era só mais um boneco sem vida”
    • Desfecho muito bom também

    PONTOS NEGATIVOS:
    • Como repeti algumas vezes, o conto é bastante confuso. No início, por exemplo, não pude distinguir se o Quebra-Nozes estava ou não estava imóvel enquanto ele jazia guardado no móvel.
    • Leitura cansativa

  9. Ana Maria Monteiro
    1 de dezembro de 2018

    Observações: Muito bonito, adivinhei cedo de que se tratava, mas isso foi muito bom, porque me permitiu apreciar melhor o conto, dentro de todo o seu espírito, à primeira leitura.
    Prémio “Soldadinho de chumbo”

  10. Cirineu Pereira
    29 de novembro de 2018

    Resumo

    A confusa estória de um soldado cujo exército luta contra criaturas monstruosas. Aprisionado num quarto em que é aterrorizado por criaturas sinistras, o prisioneiro, flertando com a loucura, encaixa fragmentos de memória tentando dar sentido ao seu destino. Por fim, ao sair da cela e reencontrar sua amada, o que o aguarda não é a liberdade, mas a condenação à morte numa fogueira.

    Análise:

    Um conto que se inicia promissor, com uma narrativa dinâmica, mas que logo se perde em um banquete de excessos, e ao qual falta o essencial. Há um sobejo de adjetivos e figuras de linguagem, em sua maioria pouco originais, eventos e menções desconexas e sem explicação, fazendo parecer que o conto seria parte de algo maior, mas então, na ausência desse contexto mais amplo, ele fica sem muito sentido, não encontra um fim em si mesmo, não se basta. Para este exigente leitor, uma leitura cansativa.

    Há, o essencial? Um enredo minimamente coerente, personagens com perfis concretos e que possam despertar alguma empatia (ou mesmo apatia), um desafio intelectual implícito (para além do que implica em desvendar uma narrativa deveras empolada), algum suspense, um final mais surpreendente que o maior e mais humano dos clichês, ou seja, a morte.

  11. Catarina Cunha
    28 de novembro de 2018

    O que processei disso tudo aí: Um soldado tem a alma roubada por um demônio que, penso eu, estava de olho na bela Marie. O coitado é jogado em uma gaiola cheia de corpos e depois fazem churrasquinho dele. No meio disso tudo tem algumas alucinações com inimigos de olhos vermelhos (muito doidos), dentões e muito mal humor.

    Título: Fraquinho.

    Melhor imagem: “As órbitas dos seus olhos giravam, rebatiam da orelha ao nariz à procura de alguma luz..”

    Impacto: Relativo. Não entendi o negócio do “Sete, sete, sete”, mas tudo bem. Gostei do jogo de consciência do soldado, mas acredito que poderia ter explorado mais este diferencial, e não a simples descrição da ação cinematográfica e não literária; o que prejudicou a trama. O texto merece uma boa enxugada.

  12. Sidney Muniz
    24 de novembro de 2018

    Um conto que fala sobre um soldado que está aprisionado em algum lugar, além de também estar aprisionado em sua própria mente e em suas angústias, procurando se recordar do que o levou até ali. No fim é revelado que ele foi de alguma forma amaldiçoado por um “demônio” e transformado no Quebra-Nozes…

    Não sei, senti muita semelhança no filme de 2010, até o nome Mary, para mim ficou como um recorte não contado no filme e então nesse caso não funcionou bem, mas o autor(a) mostrou uma boa dinâmica para contar a história e desenvoltura para narrativa.

    Análise:

    Gramática:

    Excesso de uso dos pronomes seu-sua-seus suas – tornando um pouco cansativo em alguns pontos.

    Também achei que o conto com excesso de adjetivos e ao lê-lo, quando o meu eu leitor na tentativa de dar forma às palavras em minha mente, fantasiando a história no mundo real, devido a quantidade de adjetivos acabou se tornando uma tarefa efadonha.

    Como diria o pessoal do MasterChef…

    Menos é mais!

    Estou dando nota para o conto sem o pedido prévio de análise, caso venha a ser solicitado haverá o confronto das notas finais dos dois contos para escolha do vencedor do embate.

    Critério nota de “1” a 5″

    Título: 3,5 – Um título que trata bem a nostalgia do conto em si, não é empolgante, mas é bom.

    Construção dos Personagens: 3 – Entendo que o conto se trata principalmente do Quebra-Nozes, mas senti falta de mais descrições dos personagens, tanto o vilão como da Mary e um pouco mais do próprio soldado em si, pois não senti o apego que queria, mas não foi de todo mal.

    Narrativa: 3,5 – A narrativa é boa, o autor(a) tem talento e isso é nítido, mas talvez a escolha e os citados excessos deixaram o texto em algumas ocasiões arrastado, o que me frustrou um pouco.

    Gramática: 3,5 – Apenas um equívoco encontrado por mim.

    Originalidade: 1 – Não achei o texto original, não apenas por ter visto um filme com traços dele, mas também pela coisa do homem transformado em boneco, maldição, etc…

    História: 2 – Também achei a história abaixo do esperado, tem bons trechos e uma ideia interessante, mas que para mim não funcionou devido a falta de mais contexto… Sinceramente queria compreender mais a ideia, pois para mim não temos uma história em si, vejo mais como um esboço a ser trabalhado.

    Total de pontos: 16,5 pts de 30

    Boa sorte no desafio!

  13. Fabio D'Oliveira
    23 de novembro de 2018

    Cinzas – G. T. Princewood

    Nesse desafio, irei avaliar cada texto de forma cruel, expondo os defeitos sem pudor. Mas não se preocupe: serei completamente justo na hora de decidir o vencedor do embate. Meu gosto pessoal? Jogarei fora neste certame.

    – Resumo: Um soldado vê-se na escuridão, sem lembranças, assustado com o mistério da situação. Sem saber o que fazer, permanece imóvel por muito tempo. Entre reflexões, vê-se envolto por supostas lembranças, que, aos poucos, começam a fazer sentido. O quebra-cabeça é montado. Estamos acompanhando o famoso Quebra-Nozes em seus momentos finais. Abandonado. Assim como todos serão um dia. Triste, arrebatador. Esse é o fim.

    É um conto muito bem escrito. Talentoso, o autor. O maior defeito da narrativa é ela ser arrastada demais, tornando a leitura um tanto cansativa e entediante. Algumas partes não precisam estar no texto. O texto é um pouco prolixo. Bocejei umas vinte vezes durante a leitura. Isso afetou meu apreço pelo conto. senti-me bem com o término do conto. Infelizmente. Enfim, não tenho o que falar mais sobre isso.

    Achei a história frágil demais. É tudo muito temporal e dispensável. O conto depende muito que o leitor conheça a história do Quebra-Nozes. É um exercício interessante, mas não acredito que textos que não funcionam sozinhos podem se tornar atemporais. É capaz do leitor que não conhece bem esse conto natalino ficar boiando grande parte da história, até acontecer a revelação final. Isso é, ao meu ver, terrível, pois a revelação não é sutil ou vai se mostrando aos poucos, ela é brusca e forçada. Há referências e pistas aqui e ali, fatores que diminuíram a qualidade final do enredo, olhando pelo viés que abordei agora pouco.

    O maior desafio de adaptar histórias já conhecidas, seja numa releitura, seja numa continuação, é fazê-las se sustentarem sozinhas. Você falhou nisso. E feio. Um autor que sabe escrever tão bem, desenvolver uma boa narrativa, criar algo tão descartável assim parece desperdício de tempo. O tema era livre e você podia fazer qualquer coisa. A criatividade é tão pouca assim? Você poderia ter feito bem melhor.

  14. Paula Giannini
    22 de novembro de 2018

    Olá autor(a),
    Tudo bem?

    Resumo
    Partindo do ponto de vista do Soldadinho de O Quebra-nozes, o autor cria uma história de terror, na qual a trama da guerra, dos ratos e de uma verdadeira tortura aos brinquedos, recria o drama da Guerra e seus prisioneiro no mundo real.

    Meu ponto de vista

    Em literatura, o ponto de vista do narrador é, me minha opinião, um dos maiores trunfos de um(a) escritor(a). Aqui, esta escolha foi muito bem sucedida e surpreende o leitor no momento final, arrebatando-o (ao menos assim foi comigo).

    Um texto muito bem escrito e cheio de detalhes vívidos e aterrorizantes, com um plot twist que joga o brinquedo na pele do humano e vice versa, ao propor a vida como uma jogo de crianças, e, questionando, nas entrelinhas, o que significado daquilo por que passamos.

    Meus sinceros parabéns.
    Boa sorte no campeonato. 😉

    Beijos

    Paula Giannini
    (11)982497839

  15. Leandro B.
    21 de novembro de 2018

    A história tem início com a queda de um soldado, abandonado a própria sorte num lugar escuro. Quem é ele, por que foi jogado ali e qual guerra estava lutando são questões respondidas ao final do texto. Daqui para lá, pequenas dicas são introduzidas pelo autor como prenúncios da realidade: trata-se de um boneco separado para doação, abandonado, pode-se dizer. E encontra seu trágico fim com crianças… bem, curiosas sobre o processo de queima de madeira.

    Vou sair do desafio para este conto rs, e, pra mim, será uma certa honra.

    Gostei de toda a construção da narrativa. Tive a impressão de muito esmero e lapidação para incluir todas as figuras de linguagem, e fazer com que funcionassem tão bem, de modo belo e não cansativo.

    Ao longo da leitura percebi a ênfase na relação entre o personagem e a madeira e percebi que não eram meras repetições, mas um esforço do autor em alertar os leitores para o significado da história. Pouco antes da revelação, deduzi que se tratavam de brinquedos ou marionetes. Isso não atrapalhou o impacto da narrativa, porque o escritor aqui não direcionou a força da história para a revelação, mas sim a todas as construções simbólicas e ao POV do soldado, derrotado na guerra do amadurecimento. Aliás, parece que o autor comemoraria junto ao leitor com o desvendar antecipado da trama.

    Preciso reforçar que admiro toda a construção narrativa feita e a aparente lapidação paciente que o autor se propôs.

    Boa sorte, amigo(a)!

  16. Ricardo Gnecco Falco
    21 de novembro de 2018

    Resumo (ou “como eu entendi a história, de maneira sucinta, numa primeira leitura”): Em uma profunda luta interna, que envolve suas memórias falhas e a aceitação de uma realidade cada vez mais latente, ambas dolorosas, provável vítima de um incêndio retorna à vida de maneira inanimada, na ‘pele’ de um brinquedo esquecido num quarto e, desse modo, reencontra seu grande amor; agora caído nas graças de um farsante que tomou seu lugar.

    Impressões pessoais sobre a obra: Trata-se de um conto extremamente denso. O autor, ou autora, escreve muito bem e consegue transmitir a sensação de tristeza, uma tristeza profunda e claustrofóbica, que faz o leitor refletir sobre a vida e, principalmente, sobre a perda; em vários sentidos. É uma densidade dolorosa e que vai corroendo no decorrer da leitura toda e qualquer esperança de um final feliz ou, mesmo, de algum tipo de salvação ou descanso. É uma história triste, que remete ao âmago da existência humana e, sobretudo, ao significado da eternidade. Uma eternidade danosa, fria e principalmente solitária…

    Em poucas palavras: um conto que fala sobre perda e solidão.

    Opinião final: Um texto que eu não gostaria de ter lido; não por ser ‘ruim’ (no sentido de sua construção — irrepreensível, tanto léxica, quanto gramaticalmente!), mas por se tratar de uma história TERRÍVEL, em todos os demais significados etimológicos.

    Bem… Que o próximo trabalho consiga elevar o meu astral! 🙂 Parabéns pela obra e boa sorte no Desafio!
    Paz e Bem!

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Informação

Publicado às 20 de novembro de 2018 por em Copa Entrecontos e marcado .