EntreContos

Detox Literário.

Aquela História do Rabo da Daisy Dulce (Iolanda Pinheiro)

 

A noite já ia alta e o Manoel ameaçava abaixar a coberta do comércio caso não chegasse mais gente para comer e beber. Passava das doze e o movimento estava fraco. Só eu e o Rosângelo do grupo da “diretoria” havíamos aparecido, e mais da metade das mesinhas enferrujadas do estabelecimento estava encostada na parede.

Lá só aparecia conhecido. O bar ficava numa quebrada escondida entre as árvores, e era frequentado por quem manjava sua localização. O grosso dos viajantes ficava pelos restaurantes ruins e caros onde as chalanas aportavam.

Diziam que o seu Manoel malocava o bar porque tinha um passado de crimes e temia ser reconhecido pelos familiares de alguma de suas inúmeras vítimas. Todo mundo falava, mas ninguém achava ruim, o velho era enjoado, mas era o nosso Manoel.

Assim como eu, os demais frequentadores em trânsito preferiam gastar os caraminguás bebendo cachaça ao relento do que pagar por uma vaga em algum mosqueiro do cais.

A vila ficava na minha rota de vendas e depois de tantos anos eu já era macaco velho nos esquemas locais.  Quem ia ficando com sono estendia a rede entre os galhos baixos e guardava a mercadoria no depósito por trás da cozinha. Ninguém mexia nas coisas dos outros. No meio daquele mato todo tipo de trairagem era punida com a morte.

Na noite em questão eu percebi o aperreio do Manoel e resolvi ajudar. Já havia proposto rachar umas piabas fritas, mas ninguém coçava os bolsos, aí me veio a ideia de contar uma história bem doida para manter o povo acordado e gastando, um causo daqueles bem cabeludos que assanhasse o macharal.

Já comecei com uma frase de impacto:

– Boa mesmo era a tal da Daisy Dulce…

– Deise, quem? – Se interessou o Rosângela.

– Daisy Dulce, macho! Uma gostosa que conheci no tempo que trabalhava em Bodocó.

– No que tu trabalhava, Tide? Já era vendedor?

– De certa forma, Rosângelo, mas naquele tempo eu vendia esperança.

A conversa deu certo, logo outros dois que passavam por ali ouviram a palavra “gostosa” e já foram sentando para ouvir a treta inteira. Lá do balcão o Manoel sorria. Limpava mais copos e preparava uma partida de peixe com farofa porque a noite prometia.

E, de fato, em pouco tempo uma rodinha havia se formado para ouvir uma história do tempo em que eu havia sido padre.

– Porra, Tide, tu foi padre?

Eu havia sido um tipo padre, era mais um assistente do padre Milton, que quando ficava atacado das crises de gota me autorizava a rezar missa, ouvir confissões, dar extrema unção…. Eu era um padre genérico, para explicar melhor. Nunca nem havia frequentado o seminário mas Padre Milton me achava sabido o suficiente para substituí-lo, coisa que só acontece em lugar pequeno, onde tudo é possível.

– E a tal da gostosa?

Eu havia conhecido a moça em questão no primeiro domingo em que substituí o padre titular. Era aquele tipo de mulher que é impossível ignorar. Acho que até os santos de barro suspiravam quando ela passava toda séria, toda fechada em roupas que pareciam ter sido propositadamente produzidas para lhe furtar os encantos: largas, longas, de tecidos rústicos e cores neutras, mas nem adiantava. De alguma maneira as curvas da criatura se desenhavam e me hipnotizavam a despeito de qualquer esforço em contrário. Era bem alta, a cintura estreita, os seios leves, bem pequenos do jeito que eu gostava, as pernas longas e … bem… aquela bunda que parecia ter sido esculpida por cinzéis angelicais.

Os marmanjos do bar nem piscavam os olhos enquanto eu descrevia a musa de Bodocó. Na falta de uma fotografia da dita cuja, cada um fabricava curvas e volumes em sua própria imaginação, mas em todas as imagens lapidadas nas cabeças pervertidas dos meus ouvintes havia um detalhe especial que unia todas as mulheres em uma só: Os glúteos soberbos e perfeitamente firmes de uma autêntica Vênus Calipígia.

– Aposto como era casada!

– Pior que não, viu Auricélio! Não tinha nem namorado, acredita?

– Conversa, véi!  Que magote de macho frouxo era esse?

– Também estranhei, Rosângelo. Mas com o tempo acabei sabendo de uma história que vocês nem vão acreditar…

A verdade é que nem eu acreditei quando foram me dizer que a pobre da Daisy Dulce nunca arrumava namorado porque tinha um RABO! Ora, que ela tinha uma senhora retaguarda eu já sabia, mas pelo que me contaram a pobre tinha era um rabo de verdade, uma cauda saída do final do dorso como ocorre com alguns animais. A princípio eu achei que estavam querendo me fazer de besta, mas como me contaram tudo isso durante as confissões, eu acabei acreditando que ou a moça tinha mesmo um rabo, ou que a visão do rabo dela nu causasse alucinações.

Cada um que aparecia no confessionário trazia uma versão diferente sobre a anatomia da famosa cauda. Para uns era peluda como a de um gato persa, para outros era no modelo de rabo de demônio, vermelha e com uma ponta em formato de flecha. Os mais tarados diziam que era enroladinha como o rabo das porcas rosadas que andavam soltas pela zona rural da cidade.

Enquanto falava, chegava mais gente para ouvir a história do rabo, ninguém arredava o pé de lá com medo de perder algum detalhe, mas quem estava feliz mesmo era o Manoel, que nem saia da beira do fogo produzindo um petisco atrás do outro.

– Olha, Zé de Paula – Continuei minha narrativa – Não sei se foi carência, ou se foi porque eu era de fora e ela achava que eu não sabia do negócio do rabo, mas a Daisy Dulce passou a andar na igreja todo santo dia. Inventava milhões de desculpas para aparecer: trazia pote de biscoito caseiro, se oferecia para lavar as toalhas da missa, se oferecia para organizar quermesse. E eu só sacando as intenções da gata, morto de feliz.

De tanto Daisy Dulce andar por lá surgiu entre nós uma amizade estreita, a minha querida passou a sorrir sem medo, e os convites para andar na casa dela começaram. Não bastava ser linda, inteligente, discreta e gostosa, a menina ainda tinha mãos de fada na cozinha.

 

– Tá, Tide, mas e o rabo? Você chegou a ver, ou não? Desembucha logo, desgraça!

– Calma, dor de barriga! Já já eu conto!

A verdade é que até chegarmos a ter alguma intimidade demorou um bom tempo. Para começar, Daisy Dulce fazia questão que as minhas visitas fossem secretas, não gostava de passar recibo para ninguém, principalmente para aqueles fuxiqueiros de plantão, além da moça ser do tipo tímido, ainda evitava proximidade física com qualquer um. Mas eu entendia, se eu tivesse um rabo na bunda também não iria querer que ninguém visse…

Um dia encontrei Daisy mais pensativa do que era o seu costume. Almoçamos em silêncio e enquanto comíamos a sobremesa ela começou a contar de onde havia partido aquela história do rabo que todo mundo falava. Contou que havia chegado na cidade novinha, depois de perder os pais num acidente e que fora morar numa casa de família, com uma mulher e sua filha da mesma idade que ela, a Maribel. No começo as duas ficaram muito amigas, mas quando\a menina percebeu que os garotos caíam de amores pela forasteira, começou a sabotá-la. Quando viu que nada funcionava, Maribel saiu espalhando que a hóspede tinha rabo, que o rabo era uma coisa nojenta, que tinha até batido uma foto do rabo. Como Daisy jamais aparecia de biquíni, ou short, ou saia curta, o povo acabou acreditando e todo mundo passou a tratar a garota com desprezo.

Enquanto a minha amada contava, entre lágrimas, a sua triste história eu me ia me lembrando da cara da intrigante. Maribel era uma beata antipática, até bonita de rosto, mas reta igual a uma tábua de engomar, daquele tipo que tinha “bunda de aspirina”: batida e com um traço no meio.  Uma criatura bem sem graça e toda trabalhada na inveja.

Logo depois de me contar o drama inteiro, Daisy Dulce me pediu licença e avisou que eu esperasse na sala que ela ia tomar um banho. Nunca imaginei o que estava por vir. Uns dez minutos depois…

Contei por cima a história para os biriteiros e foi neste momento que eu larguei a bomba.

– Uns dez minutos depois ela saiu do banheiro nuazinha! Pelada! Toda molhada do banho e olhando para mim!

– E tinha rabo, cara? Conta aí, filho da puta!

– Tinha, porra! Um rabão vermelho!  Tá bom pra vocês?

– E tu encarou?

-Na hora eu nem pensei, tava no meio da batalha, armei meu fuzil e parti para a ação, ora! Comi, né?

Ainda contei alguns lances da transa, a maioria deles, inventados, e os caras ficaram satisfeitos. Depois todo mundo tinha alguma outra história parecida para contar e quando estendi minha rede ainda tinha gente falando no mesmo assunto.

No dia seguinte, antes de sair para fazer minhas visitas, o Manoel me chamou num canto e me deu uns vidros de doce de bacuri “para a patroa”. Guardei na mala e dei um abraço no meu amigo. Ainda encontrei Rosângelo antes de partir, foi o único que perguntou como tinha terminado o nosso namoro. Falei rapidamente que um par de meses depois alguém denunciou o Padre Milton para o bispo e eu e ele fomos embora de Bodocó, que quando voltei a Daisy Dulce havia se mudado.

Afinal segui viagem. Ainda viajei por algumas vilas e depois parti para minha casa. Cheguei tarde, mas Roberta me esperava acordada. Quando estendi os doces para ela, minha esposa riu e falou:

– Aposto que tu andou contando aquela história do rabo de novo, né seu puto?

Balancei a cabeça afirmando e rimos juntos.

– Qual nome tu deu para mim desta vez?

– Daisy Dulce!

– De onde tu tira estes nomes, Aristides?

Afinal eu havia casado com ela, que, aliás, não tinha nenhum rabo no corpo, mas uma grande tromba bem no meio das pernas. Daisy Dulce era um homem que se vestia de mulher e se chamava Zé Roberto/Roberta.  

Passei por cima de meus preconceitos por amor. Com rabo ou com tromba, com qualquer nome que ela tivesse, era a minha amada, e no fim das contas era isso que importava.

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23 comentários em “Aquela História do Rabo da Daisy Dulce (Iolanda Pinheiro)

  1. Felipe Rodrigues
    23 de dezembro de 2018

    Eu posso ser rechaçado aqui por dizer em outros contos que foi criada uma mulher infantilizada – como era mesmo tachada a mulher “moderna” dos anos 20, ou seja, a garçonne francesa ou a melindrosa do Brasil – mas neste conto isso não acontece. Acho bom que tenham ocorrido diversos relatos sobre mulheres neste desafio, sejam elas catalépticas ou não, isso enriquece a narrativa e por consequência traz à tona uma discussão atual.

    Resumindo, trata-se aqui, este conto, de uma homenagem, uma homenagem de amor, trazendo tudo quanto é coisa boa do papo informal dos bares, da brutalidade banal e violenta dos papos regados à peixe-frito e goles bons de cerveja. Trata-se aqui de um descortinamento da vida privada, um baú que é retirado do meio da ondas fracas, da maré baixa e neutra e morna da moralidade aflita – aflita para sair do armário! – e que é aberto como caixa que pandora, transformando o que era pra ser uma loroto em uma revelação redentora ao final do causo.

    O tal narrador está num bar com amigos, contando um causo – no começo parece que para aumentar o lucro do bar, mas depois percebe-se que não é nada disso. Então revela aos convidas que era padre – assistente de padre – e que conheceu a Daisy Dulce, uma rabuda em todos os sentidos. Após alguns encontros casuais, acabam envolvendo-se a mulher vem a contar a história de que era uma órfã a viver em casa de família, vítima da inveja de uma garota recalcada que acaba por inventar uma história de que ela tinha rabo. Após a revelação, eles transam, e então vem a revelação maior ainda de que Daisy era uma alegoria invertida, o rabo na verdade era uma piroca, que colocada pra trás e pintada em vermelho servia como base para este vendedor-caixeiro-viajante e contador de causos livrar-se da solidão da vida e manter-se perto da trans por que resolveu dividir a vida.

    Ponto pra todos, conto bom, conto simples, narrativa relevante e reflexiva.

  2. Marco Aurélio Saraiva
    21 de dezembro de 2018

    Um conto com tudo o que um conto precisa ter: uma história instigante, um clímax, uma conclusão surpreendente e arrebatadora. Tem até lição de moral no final. Apesar de ter notado algumas escorregadas na digitação, o conto é muito bem escrito. Seu estilo é leve e carrega a história para frente, ao mesmo tempo em que prende o leitor e o faz querer ler até o final. Quando a historia terminou do “rabo de Daisy Dulce” terminou, ficou óbvio que tinha “algo a mais” então você fez bem em acelerar a narrativa. O final me surpreendeu: eu pensei que você ia simplesmente confirmar que Daisy Dulce existia de verdade e que tinha um rabo, mas a história foi bem diferente, rs. Achei sensacional.

    Por fim, toda a “mitologia” do rabo de Daisy muda quando se chega ao final do conto, criando uma releitura interessante: voltando e lendo as partes onde se fala do “rabo”, sabendo do que se trata de verdade, cheguei a rir.

    Parabéns!

  3. Leandro Soares Barreiros
    20 de dezembro de 2018

    A história trata de um causo contado por Aristides em uma mesa de bar. Em sua narrativa, o intrépido ex-assistente de padre conta como conheceu Daisy Dulce, moça bonita de uma pequena cidade em que trabalhou, mas que afastava os homens por conta de um suposto rabo que escondia na calça. Ao final da história, descobrimos que Aristides acabou se casando com Daisy, que era, na verdade, um travesti e cujo nome real era Roberto/Roberta.

    Certamente um bom conto, tratando de um tema incomum através de um causo ainda mais incomum. O que da início efetivamente ao prender do leitor é a seguinte contradição: existia essa mulher que era linda, mas ninguém queria ficar com ela. O mistério se desenvolve em algo mais complicado: o motivo é que a tal guria podia ter um rabo.

    Ora, o leitor não sabe se, de fato, a questão da cauda é verdadeira e, sendo a narrativa bastante convidativa (quase informal por conta do ambiente de bar) acaba submergindo na história.

    Gostei da resolução final, embora tenha achado o último parágrafo dispensável. Você foi capar de surpreender sem fugir do teor do texto, mas umas previsões aqui e ali do que poderia ser de fato o mistério (a tromba entre as pernas) pudessem dar um gosto final melhor.

    Um bom conto, parabéns.

  4. Daniel Reis
    16 de dezembro de 2018

    Sinopse: história de contador de histórias de bar, no casos, o bar do Manoel. Pela narrativa em primeira pessoa, o narrador, Aristides, vulgo Tide, é assíduo do bar, assim como seus amigos ouvintes da história de Daisy Dulce que, diziam, tinha um rabo (apêndice, não no popular). Tide se aproximou dela, mas só depois de um tempo ela contou que a lenda se espalhou por inveja de uma ex-amiga, Maribel. E que, finalmente, teve intimidades com ela, deixando no ar se ela tinha um rabo vermelho ou não. Volta para casa e a companheira Roberta (Close?) fica sabendo que ele contou de novo essa história, agora com esse nome. Resumindo, o rabo era uma tromba.

    Comentários: apesar do inegável talento do autor para criar uma atmosfera interiorana, de conversa de bar mesmo, a costura geral parece ter alguns pontos expostos, com personagens às vezes unidimensionais ou caricatos (essa crítica eu mesmo me fiz em um conto meu apresentado a outro desafio, e que tinha natureza paralela: o Samba-Enredo). O final, apesar de antecipado, me pareceu muito satisfatório para fechar a história. Ponto para o autor, que sem dúvida estará entre os mais bem colocados deste desafio.

  5. Pedro Paulo
    16 de dezembro de 2018

    RESUMO: O conto é essencialmente sobre um homem contando uma história para outros num bar, mantendo o lugar agitado até manhãzinha, para benefício do dono. Ele conta sobre uma época em que teria atuado como padre de uma cidadezinha, aproximando-se de uma “devota” chamada Daisy Dulce, que por boato da cidade, teria um rabo. Entre a dúvida e o desejo, o protagonista vai contando aos outros homens como teria se aproximado dela e qual a versão da própria sobre o boato. Chegaria ao clímax da história relatando a transa e então a concluiria para um amigo mais curioso explicando que não teria a encontrado de novo. No final, no entanto, nos é revelado que teria casado com ela e que, mais do que isso, Daisy era na verdade Roberta, que era “na verdade” Roberto. Tratava-se de uma mulher trans, sua esposa, sua paixão.

    O CONTO: Uma história sobre uma história, muito bem contada tanto pelo autor deste conto como pelo próprio protagonista dele. Foi com muita agilidade que tratou da apresentação do espaço em que se desenrolaria a história, pois logo no começa uma breve descrição que nos leva àquele típico boteco madrugueiro, em que se aninham os biriteiros de péssima qualidade. Ainda acrescentou algumas “regras” sobre o lugar, como a omissão a respeito do passado de Manoel e o costume de amanhecer ali sem maiores desassossegos. Com essa aura, a história que o protagonista se pôs a contar pareceu ser contada no melhor lugar possível.

    E sobre essa história, é outra de grande qualidade, contada por um homem que soube reconhecer o seu público. Digo isso porque a própria maneira de contá-la é estruturada a partir das expectativas de uma plateia masculina, no que pesam as descrições das sensualidades de Daisy, com detalhamentos e aumentativos engraçados, como quando diz que santos de barro suspirariam à sua passagem, ou quando fala que a imaginação dos homens teriam um encontro universal naquele rabo.

    O proceder da história também é muito bem pontuado para o público que a ouvia e também para qualquer leitor, dado que é bem contada. Trata-se de um homem e uma mulher, a expectativa da consumação de uma vontade e um suposto e intrigante obstáculo que provoca a curiosidade que prende o leitor até o final: um rabo sobre O rabo. E qual desses dois rabos vale mais? A história é concluída, satisfazendo a curiosidade de todos envolvidos (os biriteiros e o leitor), mas então o autor soube preparar e entregar uma chocante revelação final que é a do gênero de Dulce, na verdade Roberta. Primeiro mentiu para nós pela mentira que o personagem deu ao amigo e assim conseguiu nos surpreender com o verdadeiro desfecho. Mostra um impressionante domínio de narrativa, dado que nos contou uma história dentro de uma história e ainda nos enganou no meio disso. Parabéns!

    A DISPUTA: Muito bem, vejo-me diante de dois ótimos contos, cada qual com sua proposta e características individuais. Em “Retorno”, o enredo é mais descritivo e não há tanta ação, o que no comentário individual denotei que serve ao objetivo do conto. Já em “Rabo”, o que se tem em definitivo é um homem contando uma história, mas tão vívida que todas as ações dentro dela causam efeitos de mobilidade e expectativa que são mais sucintos e graduais em “Retorno”.

    Em “Retorno”, a autora optou por uma estratégia fortemente descritiva que foi muito bem executada por uma escrita de qualidade. Já em “Rabo”, temos essa mesma descrição, mas traduzida num linguajar do que nós nordestinos chamamos de “fuleiragem”, que evoca e consolida o ambiente no qual o conto se passa. Então sabemos que os contos são bem diferentes, mas concluirei explicando o porquê da minha decisão.

    Neste confronto favorecerei “Aquele Rabo da Daisy Dulce”, pois acredito que o autor teve o mérito de nos levar a um ambiente um tanto singular, que é o desses botecos madrugueiros em que as maiores sacanagens ocorrem e são ditas. A autora de “Retorno” também soube nos imergir na vasta e exuberante natureza campestre do seu conto, mas eu acho que o esforço maior foi visto em “Rabo”, em que o autor soube escrever numa língua “particular”. Muito que bem, os parabéns vão a ambos e desejo muita boa sorte nos confrontos que virão!

  6. JULIA ALEXIM NUNES DA SILVA
    16 de dezembro de 2018

    Um homem em um bar conta para outros homens a historia de uma transa com uma mulher, Daisy Dulce, que teria um rabo. Ao final, o homem encontra sua mulher e fica claro que a história contada no bar era inventada e que sua mulher é na verdade um homem travesti. A história é leve, é engraçada, prende o leitor e faz um jogo com o machismo no diálogo entre os homens. O diálogo está ótimo. O único reparo possível seria na frase “passei por cima dos meus preconceitos por amor” é um pouco clichê e didático e destoa do resto do texto, tirando a força da história que, sem explicações explícitas, se opõe com mais força ao preconceito.

  7. Miquéias Dell'Orti
    8 de dezembro de 2018

    RESUMO

    Aristides é um pescador que, ao ver que seu amigo Manoel (dono do bar onde os pescadores passavam as noites) está preocupado com o baixo movimento do local, resolve tentar ajudá-lo a manter a clientela e inicia uma seção de contação de histórias para os presentes. Ele conta a história de Daisy Dulce, uma mulher que conheceu quando fazia a vez de ajudante em uma sacristia.

    Aristides conta que na vila onde ajudava o padre, o povo contava que Daisy Dulce nascera com um rabo. Era linda de morrer, mas tinha um rabicó que fervia a imaginação de todo mundo, inclusive a dele.

    Ele acabou tendo um caso com a guria e confirmou a todos que ela tinha sim, um rabo.

    No fim, descobrimos que Daisy Dulce é, na verdade, uma trans e ela e Aristides vivem juntos até hoje.

    MINHA OPINIÃO

    O conto tem um estilo de narrativa super gostoso de ler. O vocabulário simples e os trejeitos de pescadores e caiçaras ficam evidentes nos diálogos, o que considero essencial para o sucesso da história.

    Existem alguns pequenos deslizes (como chamar Rosângelo e Rosângela em uma das partes), mas nada que reduzisse a qualidade do conto.

    Aliás, gostei muito dos nomes escolhidos (Aristides, Rosângelo, Daisy Dulce).
    Gostei também da surpresa no final. Eu até já esperava um desfecho surpreendente, mas esse superou muito minhas expectativas.

    Parabéns!

  8. Ana Carolina Machado
    6 de dezembro de 2018

    Oiiii. Um conto sobre uma história que gira em torno do rabo da Dayse Dulce . A história começa sendo contada na mesa para atrair a atenção dos homens e ao mesmo tempo ajudar o dono do bar/comércio, Manoel, com as vendas que estavam meio paradas. O plano funciona e logo uma roda se forma para ouvir sobre a Dayse Dulce. A história começa falando da época em que Tides(Aristides) era um tipo de padre auxiliar e ver Dayse pela primeira vez. Era mulher bonita, mas por algum motivo não estava em nenhum relacionamento. É quando entra na cena os boatos sobre o rabo dela, um rabo literal que muda de acordo com quem fala dele. Uma amizade se forma entre eles e em um momento em que ela parecia mais pensativa e distante que o normal fala sobre a sua versão dos fatos, sobre como segundo ela toda a história do rabo foi originada devido a inveja de uma moça da mesma idade que ela chamada Maribel. Logo após essa cena de intima confissão chega o momento da revelação, a curiosidade dos ouvintes está no máximo, existia realmente um rabo que segundo o Tides era até vermelho. A história se encerra depois de mais alguns detalhes e mesmo depois dele se retirar os outros continuam falando do assunto. No fim temos a revelação que aquela não era a primeira vez que ele contava a história do tal rabo e que a tal Dayse Dulce(ele mudava o nome cada vez que contava a história) existia e era a atual esposa dele, que na verdade se chamava Roberta/Zé Roberto. Tides faz no fim uma reflexão sobre o relacionamento deles. Sem dúvidas um conto muito bem narrado em que o leitor fica realmente curioso junto com o pessoal do bar para saber onde a história vai dá e se o tal rabo existia ou não. Em alguns momentos comecei a ler mais rápido para saber o que iria ocorrer. O final é totalmente inesperado principalmente o fato da Dayse citada na história, ou melhor Roberta/Roberto, ser a esposa dele. Parabéns pelo conto.

  9. Givago Domingues Thimoti
    4 de dezembro de 2018

    Aquela História do Rabo da Daisy Dulce (Loroteiro)
    Caro(a) autor(a),
    Desejo, primeiramente, uma boa Copa Entrecontos a você! Acredito que ao participar de um desafio como esse, é necessária muita coragem, já que receberá alguns tapas ardidos. Por isso, meus parabéns!
    Meu objetivo ao fazer o comentário de teu conto é fundamentar minha escolha, além de apontar pontos nos quais precisam ser trabalhados, para melhorar sua escrita. Por isso, tentarei ser o mais claro possível.
    Obviamente, peço desculpas antecipadamente por quaisquer criticas que pareçam exageradas ou descabidas de fundamento. Nessa avaliação, expresso somente minha opinião de um leitor/escritor
    PS: Meus apontamentos no quesito gramática podem estar errados, considerando que também não sou um expert na área.
    RESUMO: Numa roda de botequim, Aristidis, com o objetivo de estender a noite no bar, conta a história do seu rolo com Daisy Dulce, numa cidadezinha do interior do Pernambuco (pelo menos foi o que o Google me contou).

    IMPRESSÃO PESSOAL: Esse é um dos contos mais mencionados no grupo do Facebook. Acho que é um dos mais diferentes contos do desafio, quiçá, de todo o site (Somente minha impressão) e por isso é tão mencionado. É um conto leve e que prende atenção, com um desfecho arrebatador.

    ENREDO: Como disse anteriormente, o conto é leve, prende a atenção do leitor, com uma linguagem bastante simples. Me agrada bastante essa união. É muito bem fechado e cíclico, o que demonstra o talento do(a) autor(a) em conduzir narrativas. Não é fácil escrever um causo, principalmente num desafio como esse.

    GRAMÁTICA: Alguns deslizes ali e outros acolá, principalmente com vírgulas. Acho que uma revisão teria sanado esses problemas.

    PONTOS POSITIVOS:
    • O(a) autor(a) consegue trazer para o conto o clima de um barzinho de uma cidade do interior. A conversa leve descontraída, cheia de causos com baixíssimos níveis de verdade, muito embora, ninguém desacredite, aliado a uma condução de texto bastante competente mostram o talento de quem escreveu.
    • O desfecho é muito bom. Principalmente porque quebra nossa expectativa. Sempre muito bom ver contos com essa proposta.

    PONTOS NEGATIVOS:
    • Percebi alguns deslizes gramaticais, mas nada muito sério. Uma revisão mais apurada resolveria a situação

  10. Ana Maria Monteiro
    30 de novembro de 2018

    Observações: Esperava mais da história deste rabo. O desenlace do conto é o seu grande trunfo, mas é também onde se encontra a sua fragilidade, uma vez que o protagonista se justifica no último parágrafo, sem qualquer necessidade, pois o que diz já estava mostrado e uma justificação implica um sentimento de culpa. Em minha opinião, o conto teria muito a ganhar cortando o último parágrafo.
    Prémio “Quando um título gera excesso de expectativa”

  11. Jorge Santos
    28 de novembro de 2018

    Conto perfeito a todos os níveis, talvez o melhor que li no Entrecontos. Ainda não li o seu adversário neste duelo, mas se não for um Saramago está ferrado…
    Sinopse: numa conversa de amigos num café/restaurante, um fala de uma das suas conquistas, uma mulher chamada de Daisy Dulce que tem um curioso problema fisiónomico, o de ter uma cauda.
    O desenvolvimento do conto mantém o interesse de uma forma elegante, enquanto as personagens são desenvolvidas exemplarmente, com um ou outro estereótipo que está perfeitamente enquadrado e serve para caracterizar física e psicologicamente as personagens.
    O desfecho é inesperado a todos os níveis. A reviravolta surge em dois momentos seguidos, primeiro com a revelação da identidade de Daisy Dulce, depois com a revelação dos verdadeiros sentimentos do personagem principal, para quem só o amor importa.
    Em termos linguísticos o conto está excelente, indo ao cúmulo do exotismo dos nomes que, em vez de serem atirados para o texto como lama que o autor espere que cole, servem para aumentar a sua carga poética. Parabéns.

    • iolandinhapinheiro
      25 de dezembro de 2018

      Adorei o seu entusiasmo com meu conto. Achei que iam (os comentaristas) acabar com ele, mas os que votaram, mesmo aqueles que votaram contra, todos fizeram análises respeitosas, elogiosas, e profundas. Fico muito feliz que tenha gostado do meu conto, visto que sua opinião é aguardada e festejada. Beijos, Jorge.

  12. Amanda Gomez
    28 de novembro de 2018

    Numa noite qualquer no comercio do Seu Manuel uma história é contada para quebrar o marasmo e atrair clientela. Conhecemos Tide que nos apresenta a Daisy Dulce, segundo ele uma mulher que famosa na cidade onde vivia como ajudante de padre. Se encantou por ela mesmo sabendo das histórias que lhe rondavam, principalmente a do rabo. Imediatamente o bar fica movimento e Tide segue contando a história da moça com um corpo escultural, mas que tinha rabo.

    No fim acabamos descobrindo que na verdade, Daisy é a mulher dele, Roberta, uma travestir, e o rabo da verdade era…hum… Um tromba!

    ________________

    Olá Loroteiro! Cheguei em fim no tão falado conto, de fato ele merece os créditos que recebeu, o estilo que você usou prende de imediato a atenção muito embora o leitor já fique bem desconfiado de como se termina essa lorota o andar até essa conclusão é bem interessante. Gostei de Tide, parece uma pessoa que se redescobriu, fiquei imaginando o choque dele quando descobriu quem realmente era a moça e a batalha longa ou não, que ele travou para se livrar dos seus pre conceitos e viver o amor, que me parece ser bem grande.

    Não é um conto surpreendente, tão pouco o melhor que li até agora, mas comparando com o concorrente acho que o rabo da Dulce vai subir mais um pouquinho.

    Parabéns!!!

    • iolandinhapinheiro
      25 de dezembro de 2018

      Oi, Amanda, tudo bem? Obrigada pela sua análise, eu nem sei se vc votou nele ou no outro e isso nem importa. Para mim um comentário atento, cuidadoso e feito com consideração pelo esforço do autor é muito mais valioso do que qualquer resultado. Só fiquei encafifada quando vc falou que o conto não era surpreendente. Como assim?? Daisy Dulce era um cara! Quer final mais inesperado do que esse? No mais, tudo perfeito. Um grande beijo de fim de ano (pacote natal – e ano novo) meus parabéns com estrelinhas para o projeto de vcs – Priscila, Paula e vc, que, realmente, foi o grande diferencial deste concurso. Tudo de bom!

  13. Antonio Stegues Batista
    26 de novembro de 2018

    O personagem/narrador, conta aos amigos e colegas viajantes, a história de uma mulher que tinha uma cauda e que foi sua namorada tempos atrás. Ele era casado e na realidade, sua namorada não tinha rabo e sim tromba, pois era um travesti.

    Achei um enredo bem original, bem escrito. Gostei da narrativa, dos diálogos, bem naturais. Uma boa história com um final surpreendente. A escrita á leve, sem muitos palavrões o que deixou a leitura agradável.

    • iolandinhapinheiro
      25 de dezembro de 2018

      Gostei muito do seu conto, Antonio. Torci bastante por ele, mas não tive com ajudar porque não fui escalada para julgar. Um abraço e fiquei feliz quando soube que era seu, beijos.

  14. Gustavo Araujo
    25 de novembro de 2018

    Resumo: no meio de um bar decadente, um rapaz conta suas conquistas amorosas a uma plateia de amigos, em especial sobre a garota que dizia-se ter um rabo, Daisy Dulce — no fim, um homem que se vestia de mulher.

    Impressões: O melhor do conto é a ambientação. A atmosfera do bar é muito bem descrita, fazendo com que o leitor se sinta parte dos amigos de Tide, ávido por saber mais sobre o estranho causo da mulher que tinha um rabo. As conversas entre os homens foi bem descrita, com ponto positivo para os diálogos, que soaram naturais e não forçados. Alguns trechos, porém, em que o narrador/protagonista divaga, como que explicando os fatos ao leitor, fugiram um pouco do informalismo, sobrando uma ou outra palavra deslocada, diferente do linguajar despojado que domina o conto. O conto vai muito bom até o momento em que Tide termina a história aos amigos. A confissão ao leitor foi um tanto telegráfica — ao menos para mim — já que percebi de longe que Daisy não era bem Daisy. De todo modo, o texto ganha pontos por ser leve, descompromissado, fluido e gostoso de ler. Sexo sempre gera boas expectativas, algo que, neste caso, foi bem correspondido e explorado. Somado ao clima de comédia, dá para dizer que o texto agradará muita gente. Parabéns pelo trabalho!

    P.S. Claro que posso estar enganado, mas a mim parece que foi uma mulher quem escreveu este texto.

  15. Paulo Luís
    23 de novembro de 2018

    Olá, Loroteiro, boa sorte no desafio. Eis minhas impressões sobre seu trabalho

    Enredo: Um vendedor, (tipo caixeiro viajante) que fora um falso padre, conta uma história picaresca de certa persona-gem que tinha a fama de possuir um rabo, mas em verdade, era um homem trans.

    Gramática: Um texto bem desenvolvido sem nada grave que o desabone.

    Tema: O conto tem por mote a comédia, e que é realmente bem engraçado. Embora com um enredo simples, até ingênuo de certa forma. Sem grandes pretensões de passar alguma mensagem. Acredito que o uso excessivo de diálogos prejudicou um pouco a narrativa, achei um pouco forçados, não me parecendo naturais. Entretanto, com um final que surpreende. Tornando-se o ponto alto do enredo.

  16. Sidney Muniz
    21 de novembro de 2018

    Resumo:

    O cara vai pro buteco e conta a história de como conheceu a mulher do rabo… risos, bem e o final revelador, que eu confesso que matei antes mesmo de chegar lá é que o cara na verdade casou com um homem, hehe, e que rabo ele não tinha não, tinha mesmo era um trabucão… Isso é revelado quando ele chega na casa dele e o marido-esposa-ou sei lá já suspeitava que ele havia contado a história, como de costume. Foi bom ler esse conto, achei bem engraçado e bem escrito.

    Análise.

    Por mais que tenha gostado achei que o início tinha um “malandrês” e que ás vezes não tinha, achei isso desnecessário,mas o conto tem uma dinâmica boa, tem uma piada por trás da narrativa, tem bons personagens e tem uma boa pegada.

    Possíveis equívocos:

    Lá só aparecia conhecido – Não sei, para mim soou estranho. Acho que o correto é: Lá só apareciam conhecidos.

    Num geral gostei do conto, me lembrou uma piada que ouvi, e também o caso de um colega meu que foi enganado por um cara vestido de mulher e acho que isso acontece muito, hehe, no mais o trabalho foi bem feito e o autor(a) demonstrou um excelente domínio.

    Estou dando nota para o conto sem o pedido prévio de análise, caso venha a ser solicitado haverá o confronto das notas finais dos dois contos para escolha do vencedor do embate.

    Critério nota de “1” a 5″

    Título: 4 – O título cumpre o propósito, mas de verdade, não compraria um livro com esse nome, nem o conto, então mesmo estando bem alinhado isso vai perder um ponto, mas pode ser birra minha…kkk, me perdoe.

    Construção dos Personagens: 5 – Muito bem realizada. Conseguiu dosar muito bem, e mesmo tendo mais personagens os apresenta de forma ordenada e respeitando o pouco espaço que tem, dado o limite de palavras.

    Narrativa: 3 – Uma narrativa bem executada, mas devido a escolha do “malandrês” e a falta de ser constante no decorrer do texto me desapontou.

    Gramática: 4 – Apenas um possível equívoco que não pesaria para nota, mas no caso de encontrar alguém que não errou nada preciso tirar o ponto para não empatar injustamente com quem me convenceu mais. Procuro conhecimento e não perfeição, mas preciso pesar isso.

    Originalidade: 3 – Ideia muito boa, mas como já ouvi alguns casos parecidos e também piadas, acabo achando que num geral funcionou mais como piada mesmo.

    História: 5 – A história foi muito bem contada, isso é fato, então não tenho como tirar nota disso em minha opinião o autor conseguiu o que queria, ficou engraçado e envolvente.

    Total de pontos: 24 pts de 30

    Boa sorte no desafio!

  17. Priscila Pereira
    21 de novembro de 2018

    Um vendedor viajante, para ajudar o dono do bar onde está a conseguir mais fregueses, conta uma história sobre uma moça que conheceu quando era “ajudante” do padre. A moça supostamente tinha um rabo, razão pela qual não conseguia namorado. A história se desenrola em uma amizade e na consumação carnal entre os protagonistas. O dono do bar ficou feliz e os clientes satisfeitos. No final descobrimos que não era uma lorota qualquer, mas um caso real, só que no lugar do rabo a moça tinha uma tromba…

    Bem… não gostei da premissa. Nunca fui chegada em estórias de bar. Sinceramente achei um tantinho preconceituoso, a “escrachação” passou um pouco dos limites. Dizendo isso, tenho que ressaltar que está muito bem escrito, o autor tem o pleno domínio das palavras e uma escrita firme. Me deu vontade de ler outros textos do autor. Não notei erros de gramática nem de revisão. Um bom conto que não me ganhou. Pena. Boa sorte!

    • iolandinhapinheiro
      25 de dezembro de 2018

      Eu, preconceituosa? Meu personagem preconceituoso? Ele era um hétero convicto que ao descobrir que o amor da vida dele era outro homem, não recuou porque o amor está acima destas coisas. O meu texto é exatamente a superação do preconceito. Uma pena vc ter percebido o conto assim, mas obrigada por ler apesar de não gostar de conversas de bar e de ter conseguido perceber pontos positivos no conto mesmo achando a história desagradável. Deve ter sido um peso ter que ler algo que vc não gosta, o que faz o seu valor como juíza aumentar ainda mais. Mostra o quanto é uma pessoa justa acima de qualquer gosto pessoal. Parabéns.

  18. angst447
    21 de novembro de 2018

    RESUMO: Tide resolve ajudar Manoel, o dono do bar que frequenta, tentando chamar a atenção dos poucos que ali se encontram para comer e beber. Começa então a contar um causo dos tempos era ajudante do padre em sua cidade: a história de Daisy Dulce, que todos diziam possuir um rabo. Na verdade, a moça com nome de batismo José Roberto era a companheira de Tide. Roberta, como preferia ser chamada,não ostentava um rabo, nem mesmo uma esvoaçante cauda, mas uma “tromba” entre as pernas. ❤ O amor é lindo, com rabo, tromba e tudo mais. ❤
    —————————————————————————————————————-
    Este conto chamou logo a minha atenção devido ao título inusitado. Então, eu havia lido o texto antes de saber que teria de avaliá-lo. Já adiantou o meu lado!
    O tom divertido contamina toda a narrativa, tornando a leitura fluída e bastante ágil. Os diálogos estão bem elaborados e pontuados de forma bastante natural.
    A linguagem coloquial encaixa-se perfeitamente à trama que tem como protagonista um contador de causos. O grande mérito do conto, ao meu ver, é conseguir atrair e manter a atenção do leitor sem se utilizar de recursos mirabolantes.
    Apesar da intenção clara de trazer um texto leve e bem humorado ao desafio, o autor não descuidou dos detalhes e caprichou na caracterização dos personagens e do ambiente. A revisão também está OK, não encontrei falhas.
    Sem dúvida, o autor (ou autora) possui notável habilidade com as palavras e consegue transmitir segurança ao abordar com criatividade o tema escolhido. Parabéns! Boa sorte na Copa!

  19. Cirineu Pereira
    20 de novembro de 2018

    Olhe, a história vem bem. A técnica narrativa, a coisa do “causo” dentro do conto, tudo muito bom, exceto o arremate. No arremate o autor comete um pecado básico ao ignorar uma velha premissa literária, a que diz “mostre, não conte”.

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Informação

Publicado às 20 de novembro de 2018 por em Copa Entrecontos e marcado .