EntreContos

Detox Literário.

Companheira de Guerra (Leandro Barreiros)

Shiar encontrou Kamaru deitado no celeiro. O cheiro de enxofre e podridão exalava de sua asa esquerda, afastando até mesmo as moscas. Tinha que ficar sozinho, pois os outros dragões já não suportavam sua presença. Não havia espaço para um dragão que não podia voar, nem entre os antigos companheiros alados.

Kamaru ergueu a cabeça em direção à Shiar. Precisou de um tempo para reconhecer o jovem cavaleiro, pois mesmo seu olfato não era capaz de atravessar a pestilência emanada de sua asa. Ele estava vestido com os trajes que sempre usava em batalha, quando montava em seu corpo e vencia os inimigos, fosse no chão ou no ar. A malha de aço, as placas brilhantes e a espada embainhada na altura da cintura lembravam tempos que não voltariam mais, isso o dragão sabia.

A recordação da última batalha atingiu a memória do dragão com a mesma violência com que a lança mutilara o seu corpo e infectara sua carne. Sentiu-se envergonhado, triste e sozinho. Por isso, virou a cabeça na direção oposta, deitando-a sobre a palha.

Shiar arrepiou-se. Desde a infância ouvira sobre a sensibilidade dos dragões, mas apenas quando virou um pequeno homem vivenciou-a. Mesmo antes de se tornarem líderes do esquadrão vermelho, presenciou a dedicação de Kamaru em batalha. A ferocidade com que destruía inimigos no céu e na terra; o cuidado com que mantinha Shiar protegido das investidas. Cada vez que a batalha terminava, Shiar podia ver os olhos de Kamaru faiscando, sentia as escamas trêmulas e ria de seu sorriso bobo de dragão quando passava a mão em sua boca. Após a batalha, Kamaru era apenas alegria. Você viu como fui bem? Você viu?, queria dizer o dragão todas as vezes. E todas as vezes Shiar sorria de volta, respondendo com o coração eu vi. Sim garoto, eu vi. Por uma década compartilharam a alegria como irmãos.

Por isso, agora, estava tão desolado.  

–Você é um ótimo companheiro –disse, represando as lágrimas nos olhos.

As orelhas de Kamaru levantaram, reconhecendo a voz agradável de seu amigo. Sua cabeça, contudo, manteve-se encarando a escuridão do fundo do celeiro.

O mau cheiro impregnava o ar, invadindo o nariz e a boca de Shiar, quando a abria. Mas isso já não parecia ter importância.

–Os bardos me disseram que farão canções sobre nós. E os druidas me contaram que todo dragão derrotado pelo aço renasce maior e mais belo em cem anos.

Aproximou-se. Agora as lágrimas deslizavam por seu rosto, tal como fazia a espada por sua bainha. O som do metal fez com que as orelhas se mexessem de novo, mas a cabeça do dragão continuou parada, imobilizada por uma tristeza invisível.

Shiar pensou em muitas palavras, mas nenhuma saiu de sua boca. Não havia nada apropriado para se dizer à Kamaru. O companheiro era melhor do que todas as palavras que existiam, ou que viriam a existir. Por isso, apenas ergueu a espada e cortou com ela o ar, o pescoço do dragão e a palha sob ele.

Nada além de um grunhido sufocado escapou pela boca do animal.

Shiar sentiu que precisava chorar durante o restante da noite, então chorou. Chorou no escuro, cercado pelo cheiro da velha morte e da nova morte. Chorou iluminado, quando as primeiras frestas de luz atravessaram o telhado mal acabado. Primeiro gritando, depois em silêncio e então gritando de novo.

Quando o Sol alcançou o topo do céu, limpou a espada, as lágrimas e foi destacado para um novo batalhão. Montaria um cavalo na frente de batalha, mas foi a solidão quem se tornou sua verdadeira companheira, sempre latente, nas tardes frias e solitárias e nos sorrisos mortos dos outros solitários, do lado de cá e do lado de lá, que também lutavam a boa luta, porque tinham que fazê-lo. Vencida ou perdida, a guerra estaria sempre longe do fim.

FIM

Anúncios

18 comentários em “Companheira de Guerra (Leandro Barreiros)

  1. Julia Mascaro Julia Mascaro Alvim
    30 de janeiro de 2019

    linda. no começo fiquei na dúvida em relação aos nomes. parabéns

  2. jowilton
    23 de dezembro de 2018

    Conto de fantasia que narra os últimos momentos do dragão Kanuru após se ferir fatalmente em uma batalha.

    Achei um bom conto. A atmosfera foi bem criada e a execução do Dragão realmente me pegou de surpresa. Eu imaginei que iria ocorrer alguma forma mágica para curar o bicho. Mas o que veio foi uma espada, ocasionando um bom impacto na leitura. Boa sorte no desafio.

  3. Davenir Viganon
    20 de dezembro de 2018

    Comentário-Rodada5-(“Companheira de guerra”x”Saída Temporária”)
    “Companheira de guerra”
    Kamaru é um dragão ferido, que perdeu sua asa. Amigo de Shiar, um cavaleiro que lutava com ele. Shiar sacrifica Kamaru como um animal ferido.
    Conto simples, que explora um pouco a amizade entre homem e o ser alado. Não tem nada de errado mas faltou desenvolver mais um pouco a historia. O conto é bom, mas o que desempata confrontos para mim é a história e vou dar meu voto para o outro conto.

  4. Givago Domingues Thimoti
    19 de dezembro de 2018

    Olá, Kamaru!

    Tudo bem?

    O conto aborda a relação entre um animal mitológico (imagina um mundo com dragões? Acho que seria uma relação para lá de antagônica) e um homem.

    Acho fantástico como a humanidade consegue se conectar com os animais. Essa narrativa conseguiu, de forma simples porém muito eficaz, mostrar as relações que podemos construir com seres os quais julgamos irracionais.

    Ainda em tempo, sempre bom lembrar que animais até podem não raciocinar como nós, mas ainda sentem como qualquer um de nós.

    E isso, estimado(a) colega, você conseguiu mostrar no texto com uma perícia impressionante!

    Parabéns!!

  5. iolandinhapinheiro
    18 de dezembro de 2018

    Oi, autor! Vamos ao resumo: Guerreiro, em um cenário fantástico, encontra com um dragão com o qual batalhou por muitos anos, e que encontra-se à beira da morte, ferido por uma lança. O guerreiro vai até onde o companheiro está para se despedir e executar, já que a ferida está apodrecendo. Antes, durante e após a morte, o autor utiliza as lembranças para emocionar o leitor, e consegue.

    Tenho inveja de quem consegue extrair muito de um momento apenas. Aqui o trabalho das palavras, das cenas criadas, dos sentimentos e lembranças reveladas a cada frase vão gerando uma imensa empatia entre o leitor e os dois únicos personagens do conto (até porque nem precisaria de outros). Foi muito inteligente a decisão do autor de dar características de um cachorro sentimental ao dragão, afinal, é meio difícil conseguir sofrer por um animal gigante que mata, assombra e vomita fogo. O conto me conquistou, me emocionou, me fez chorar.

    O outro conto era muito bom e tinha uma ótima técnica, mas, para a sua sorte, a emoção, comigo, sempre vencerá. Parabéns, ponto conquistado.

  6. JULIA ALEXIM NUNES DA SILVA
    16 de dezembro de 2018

    Shiar, guerreiro, se despese do dragão seu companheiro de batalhas, ferido. Termina por sacrificar o animal. Shiar segue na batalha com um cavalo, mas sua companheira, de fato, é a solidão. O texto é singelo. É bonita a comparação entre a emoção da despedida e a dureza das batalhas.

  7. Leo Jardim
    16 de dezembro de 2018

    🗒 Resumo: um dragão de guerra, mortalmente ferido, e seu cavaleiro têm seus últimos momentos numa caverna. No fim, ele prefere aliviar o sofrimento do réptil, cortando-lhe o pescoço.

    📜 Trama (⭐⭐⭐▫▫): o conto parece mais um recorte de uma trama maior. Embora ainda funcione de forma independente, acaba enfraquecida, pois faltou maior desenvolvimento dos personagens principais. Essa triste despedida seria mais forte se conhecêssemos e vivêssemos mais a bonita amizade do homem com o dragão. Um ponto a se destacar aqui é que o dragão poderia ser qualquer outro animal que a trama não mudaria. No texto apresentado, não houve um acontecimento que fizesse com que o dragão se destacasse por ser um dragão. Experimente trocar o dragão por um cavalo, por exemplo, e o texto mudaria muito pouco. Estou dizendo isso por que dragões são meus animais mitológicos preferidos, então queria ter visto mais dele como um dragão mesmo.

    📝 Técnica (⭐⭐⭐⭐▫): o autor tem talento para narrar cenas. Há um cuidado descritivo grande, por isso as imagens ficam bem vividas na mente. Se me permite uma pequena crítica, ocorre aqui algo comum em autores que estão mais acostumados com livros (romances) e têm pouca experiência com contos: foco mais nas descrições e menos na história em si. Digo isso porque aconteceu comigo (acontece, ainda, de vez em quando). Numa narrativa longa, temos espaço para descrever em detalhes cada cena e a história é desenvolvida aos poucos. Num conto, o espaço é curto, portanto temos que deixar os detalhes para a imaginação do leitor e focar um pouco mais na trama. É só uma observação, uma coisa que aprendi nessa longa estrada literária. Fique à vontade para ignorá-la, se desejar.

    💡 Criatividade (⭐⭐▫): pouco do universo do conto nos foi apresentado, portanto fica difícil avaliar a criatividade. Não dá pra dizer, porém, que não há personalidade nessa história.

    🎭 Impacto (⭐⭐⭐▫▫): gostei bastante do texto, fiquei com gostinho de “quero-mais”. Quero conhecer mais esse mundo e esses personagens. Sou fascinado por boas histórias de fantasia. Faltou, porém, para o impacto ser maior, para que a perda do dragão fosse mais forte, eu ter me apegado mais aos personagens. Conheci muito pouco deles, então foi como se eu estivesse observando um cena triste e bonita de alguns desconhecidos, com certa distância.

  8. Virgílio Gabriel
    9 de dezembro de 2018

    O texto narra a despedida de um cavaleiro ao seu dragão, ferido em batalha. O momento se passa mais em sentimentos que nas palavras. E no fim, decepa a cabeça do seu companheiro para cessar a dor de uma vez por todas. O cavaleiro ainda é movido para uma nova missão, mas dessa vez montado em um cavalo.

    Bem, não sei dizer se é bem um conto, ou um fato de boa técnica descritiva. Gostaria de ver as situações pretéritas e futuras da história, melhores exploradas. Esse conto é como se me dessem um bolo delicioso, mas que eu só pudesse comer a cereja em cima. É uma pena, mas no pouco que vi, gostei bastante. Parabéns.

  9. Wilson Barros
    7 de dezembro de 2018

    Um guerreiro sacrifica seu Dragão, que não pode mais voar.
    O conto relembra as fantasias míticas, guerreiros e dragões alados. Escrito em uma linguagem singela, parece destinado a jovens, a não ser pela fixação meio barroca por coisas apodrecendo e cheirando mal – ainda que isso esteja na moda, como nos poemas de Gullar e Bukowski. Os nomes “Kamaru” e “Shiar” foram bem escolhidos, deram um toque meio alienígena que ficou bem aqui. Mesmo que possamos inferir, pela referência a bardos e druidas, que estejamos no tempo de Asterix, o gaulês. Na verdade, acho que faltou apenas um pouco de desenvolvimento à história, ou, como se costuma chamar comumente, um enredo mais elaborado, o que certamente faria o conto deslanchar, pois é inegável a capacidade do autor de elaborar personagens, cenas e diálogos. Encontrei bem poucos erros na revisão:
    à Shiar >> a Shiar
    à Kamaru >> a Kamaru
    Boa sorte na carreira e parabéns.

  10. Gustavo Araujo
    5 de dezembro de 2018

    Resumo: jovem cavaleiro encontra seu dragão ferido, agonizando em um celeiro. Como último ato de amizade, termina o sofrimento de seu companheiro, sacrificando-o.

    Impressões: Uma pequena fábula sobre amizade, muito bem escrita, com toques de lirismo, flertando com o poético. Pela narrativa podemos perceber a profunda devoção que o cavaleiro Shiar nutre pelo dragão Kamaru — e vice-versa, na medida em que, numa troca de olhares, recordam as batalhas que travaram juntos, os sacrifícios que fizeram um pelo outro. Mesmo depois de sacrificar o dragão, como um ato derradeiro de lealdade, Shiar resigna-se e volta à batalha, desta vez montando um cavalo, tendo a solidão como companhia, porque não há espaço para remorsos ou saudades.

    Entendo a opção que o autor fez pelo universo fantástico, pela fantasia de gladiadores e dragões. É um contexto que atrai um público fiel e que vende horrores, talvez por flertar com a imaginação, com nosso desejo infantil relacionado a seres mitológicos. Contudo, por tratar de temas universais, como o sacrifício supremo, a lealdade (como já dito), o texto acabaria sendo atraente mesmo que se desenvolvesse em uma atmosfera mais contemporânea, real, numa guerra de verdade, com gente de verdade, com soldados, cães ou cavalos (tá, bem podemos incluir um javali nessas opções). Para mim, como leitor, seria mais atrativo, mas, como dito aí em cima, a opção do autor é algo que se deve respeitar, até por conta da fidelidade à linha escolhida e principalmente pela boa técnica empregada.

    Enfim, um bom conto, que certamente poderá ser mais desenvolvido, resultando num trabalho ainda melhor. Parabéns e boa sorte no desafio.

  11. Paulo Luís
    2 de dezembro de 2018

    4) Olá, Hamaru, boa sorte no desafio. Eis minhas impressões sobre seu trabalho.

    Enredo: Um dragão ferido de morte esconde-se em um celeiro, quando é descoberto por seu parceiro de muitas batalhas, este o sacrifica em detrimento de seu sofrimento, enquanto recorda as tantas vitórias alcançadas por ambos.

    Gramática: Afora o erro de gênero: companheiro = dragão; companheira = dragoa ou dragona, não vi erros mais graves.

    Tema: No melhor estilo ficção fantasia, a narrativa explora a relação de amor e respeito de um parceiro por um, e o sentimento de vergonha e culpa por não ter correspondido, por outro. Tema típico dos clássicos da literatura de fantasia. É um singelo conto, bem desenvolvido e sintetizado num só foco, a perda de uma companheira(o) de batalhas. Explorando muito bem o sentimento de comiseração pelo amigo(a) ferido(a) de morte. Entretanto, a cena que dar mote ao conto é bem simples, pois esta é tema de centenas de filmes e da literatura do gênero. Mas merecedor de louvores.

  12. Fil Felix
    2 de dezembro de 2018

    Bom dia! Um soldado visita seu dragão, que está ferido, e depois de conversar com ele, dá um golpe de misericórdia, matando-o.

    De início, imaginei que a história seguiria por um caminho a lá “Como treinar o seu Dragão”, mas tudo muda quando o soldado acaba decepando o animal. É forte e bastante visceral. Um pouco antes pensei se iriam cortar as asas, para que pudesse viver mas sem voar. Mas por ser militar, guerreiro, Shiar optou pela morte, ainda que trazendo a esperança do renascimento. Traz um espírito de “morrer com honra”. Gostei também do título, levando a crer que era uma dragão. Ou Shiar uma mulher. Saindo um pouco do padrão. Não sou muito fã de contos curtos, mas nesse caso funcionou bem, pois mostra um recorte de todo um contexto, que é a guerra. Haverão mortos e feridos, como o final comenta, sem estar perto de finalizarem a guerra.

  13. Ana Maria Monteiro
    1 de dezembro de 2018

    Observações: Intensa, a relação entre Shiar e Kamaru e muito semelhante à que se tem com um animal de estimação. E a guerra estará sempre longe do fim.
    Prémio “Somos humanos em qualquer circunstância”

  14. Fheluany Nogueira
    28 de novembro de 2018

    O dragão Kamaru (Como o título indica, deve ser uma fêmea.) estava mortalmente ferido. O guerreiro Shiar, que, de início, parece fazer uma visita, vive a dolorosa experiência de ter que sacrificar a sua companheira de guerra —decisão inesperada, sofrida, pois o vínculo entre o homem e o animal é muito forte para ser quebrado subitamente e, o que é pior, por uma escolha do guerreiro. O conto se arremata com reflexões sobre a inutilidade da guerra.

    Um conto curto, ágil, com pitadas poéticas, dá impressão de ser a uma cena final de uma distopia intemporal, porém com conteúdo substancial para uma longa trama. Lembrou-me, de certa forma, o quadro da morte de Baleia e a relativa humanização da vira-lata doente, que foi sacrificada em “Vidas Secas”, Graciliano Ramos.

    Aqui, a narrativa poderia facilmente escorregar para a pieguice nas mãos de um escritor menos seguro, pois quando o prognóstico é desfavorável, o sacrifício é sugerido. No entanto, a decisão final é sempre um grande dilema: sacrificar o animal ou não?

    Outro ponto interessante foi a escolha dos antropônimos: Kamaru é o nome de um lutador nigeriano de artes marciais mistas que atualmente compete (e foi vencedor) no peso-meio-médio — seria símbolo da luta, da força física do dragão? Os Shi’ar são uma espécie fictícia de alienígenas que aparecem em quadrinhos americanos — para assinalar a ficção?

    É bom texto,bem escrito, personagens bem construídos e cenas claras, prende do início ao fim. Uma trama fechada, redonda, não é de explodir cabeças, mas é bastante recompensadora. O relacionamento de guerreiro e sua montaria em batalhas da guerra ficou bem exposto e deu um toque singelo à trama.

    Não é daquelas técnicas que se destacam, mas deixa a trama fluir. A ambientação apresenta elementos comuns do gênero e a trama fechadinha agrada, embora o drama não tenha chegado a impactar.

    Parabéns pelo trabalho. Abraço.

  15. Sidney Muniz
    24 de novembro de 2018

    Resumo:

    Trata-se da história de companheirismo entre dois guerreiros, um dragão e um homem, que batalharam por 10 longos anos, mas o Dragão fêmea, ferida em batalha estava muito doente, a ferida não cicatrizou e estava infeccionada demais, ele morreria sofrendo muito e já não voava, assim sendo o seu companheiro teve que sacrificá-lo.

    Curto e grosso! Um conto excepcional com poucas palavras, curto, mas belo!

    Gostei bastante do conto, ainda que preferia conhecer um pouco mais, não sei, senti que aqui tem potencial para me emocionar bem mais do que foi feito, mas o fato é que mesmo tão curto e o conto tem um impacto e isso me agradou bastante!

    Estou dando nota para o conto sem o pedido prévio de análise, caso venha a ser solicitado haverá o confronto das notas finais dos dois contos para escolha do vencedor do embate.

    Critério nota de “1” a 5″

    Título: 4 – Um título muito bom, mas temos melhores, e apenas para não ser injusto com eles darei nota 4!

    Construção dos Personagens: 4 – Muito boa, realmente gostei muito, entretanto queria um pouquinho mais para me aproximar ainda mais deles, pois do pouco que vi já me emocionaram.

    Narrativa: 5 – Muito eficiente e bem conduzida!

    Gramática: 5 – Não vi nada de errado, achei perfeito nesse quesito.

    Originalidade: 3 – Bem, é um conto original, mas depois de Eragon… Coração de Dragão etc… acho que acaba ficando tudo batido mesmo.

    História: 4 – Só não vou dar nota maior porque realmente fiquei com aquela sensação que poderia ter esticado um pouquinho mais, de tanto que gostei queria conhecê-los melhor, seja com descrições ou algo mais.

    Mas reafirmo que é um excelente conto!

    Total de pontos: 25 pts de 30

    Boa sorte no desafio!

  16. Fabio D'Oliveira
    23 de novembro de 2018

    Companheira de Guerra – Kamaru

    Nesse desafio, irei avaliar cada texto de forma cruel, expondo os defeitos sem pudor. Mas não se preocupe: serei completamente justo na hora de decidir o vencedor do embate. Meu gosto pessoal? Jogarei fora neste certame.

    – Resumo: Uma guerra. Dois companheiros que lutam lado a lado por muito tempo. Uma despedida. Kamaru está ferido e não tem mais utilidade. Um dragão que não pode voar não presta pra nada. Shiar, que dividiu muitas lembranças com o réptil alado, felizes e tristes, sendo seu parceiro de combate, reflete sobre esses momentos. Chora. E finaliza seu amigo, num corte rápido e limpo. Melhor terminar com o sofrimento assim. Depois de um tempo, alocado em novo regimento e função, Shiar se encontra sozinho no mundo. Esse é o fim.

    Como o conto é pequeno, decidi ler duas vezes. Fiquei confuso com algumas coisas e pensei que uma segunda leitura me daria uma luz. Ledo engano. Perdi meu tempo.

    Por que diabos um cavaleiro dracônico seria realocado numa cavalaria? Foi ele que pediu? Ele cometeu algum engano imperdoável? Outra coisa: os dragões são meras ferramentas usadas na guerra? Não possuem outras utilidades? Não teria como curar a asa de Kamaru? Ele foi envenenado? O combate aconteceu no ar ou na terra? Como o cavaleiro está ileso?

    Cara, a história tem tantas pontas soltas, tantas subtramas nas sombras, que ficou difícil até tentar me envolver com o plot principal, que é o sacrifício do dragão. Não tem consistência. Não é bem definido. E olha que teve muito espaço para trabalhar isso. O envolvimento do leitor com o texto se dá pela imersão. Se você não cria um mundo sólido e um enredo consistente, dificilmente o leitor irá se doar ao conto. A leitura foi assim: mais por obrigação do que por prazer. Desculpe a sinceridade.

    Mas nem tudo é feio. A relação dos dois, aparentemente, é bonita, entretanto, a falta de desenvolvimento prejudica a criação de empatia por parte do leitor. Ele pode se emocionar com a ideia, mas nunca irá ver Shiar e Kamaru como seres pensantes e sentimentais. Temos poucas cenas dos dois juntos, mas há uma indução, nada sutil, de tentar fazer o leitor se envolver com a situação. Não é narrando a morte, colocando lágrimas e lamúrias e cenas felizes do passado que você conseguirá fazer o leitor se emocionar. É fazendo ele entrar na história e se sentir próximo deles. E como você faz isso? Mostrando as situações ao leitor, como narrando a cena exata de como Shiar conheceu Kamaru, dos combates, das alegrias e tristezas, do conflito final que levou o dragão ao seu fim. Deixando claro as regras daquele mundo, como revelar que dragões são usados apenas como armas e ferramentas, ou não, revelando que Kamaru estava morrendo aos poucos com um veneno mortal e incurável. Dando mais solidez ao conto. Aconselho-te a pesquisar sobre a técnica Contar X Mostrar. Você simplesmente contou a história, jogando informações demais no leitor, sem sutileza. Se você dividisse a história em atos, poderia ser melhor.

    Para completar, o plot principal é clichê. E para piorar, até a forma de executá-la é clichê. Quando o enredo não brilha por conta própria, você precisa brilhar em outros lugares, como no desenvolvimento ou nos personagens, mas nem isso você conseguiu fazer. Realmente, é um conto pouco promissor. A melhor coisa dele são os nomes dos personagens.

    Sobre a escrita e o Português, tenho pouco a adicionar. Apenas ficou claro que sabe escrever, mas não se envolveu por completo na criação desse conto. Ou ainda não sabe lidar com isso, pode ser iniciante na arte da escrita. Vai saber, né. Eu já escrevi contos piores que esse, sei bem o que estou falando, mas é escrevendo que se aprende. Continue escrevendo, mesmo que seja doloroso às vezes. Não espere que essa área representa apenas alegrias. Tem muita dor na literatura.

  17. Paula Giannini
    22 de novembro de 2018

    Olá, autor(a),
    Tudo bem?

    Resumo

    Em um lindo conto que me fez chorar, o autor fala da amizade entre um guerreiro e seu dragão que, após sérios ferimentos, precisa ser sacrificado.

    Meu Ponto de vista

    Um conto de fantasia, muito bem construído, e que consegue criar empatia no leitor, ao explorar sentimentos muito conhecidos de quem possui um animal de estimação. Amizade, fidelidade, amor e o momento de uma eutanásia.

    O trabalho é perfeito para uma leitura jovem e foi criado de forma imagética, com belas cenas. Assisti a um filme em minha cabeça.

    Parabéns pelo trabalho.

    Desejo-lhe sorte no campeonato.

    Beijos
    Paula Giannini

  18. Ricardo Gnecco Falco
    21 de novembro de 2018

    Resumo (como eu entendi a história): Cavaleiro vem dar fim, por misericórdia, de seu velho e mortalmente machucado companheiro de batalhas aladas; um dragão. Corta-lhe a cabeça e, nas próximas batalhas, servirá em outro batalhão fantástico, agora montando um cavalo.
    Impressões pessoais sobre a obra: É um texto bem curto e que vai direto ao ponto que o(a) autor(a) deseja: ressaltar o grau de amizade, respeito, lealdade e cuidado existente entre duas criaturas que passaram boa parte de suas vidas juntos. Um texto leve, porém com raízes que se aprofundam no fértil solo da fantasia misturada com o que de mais palpável (e mágico!) pode existir na realidade.
    Gostei da obra e desejo-lhe sorte no Desafio!

E Então? O que achou?

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.

Informação

Publicado às 20 de novembro de 2018 por em Copa Entrecontos e marcado .