EntreContos

Detox Literário.

Seba(S)Tiana (Bubo)

 

Quando Sebá soube que a família de Tiana estava de trouxas prontas, correu. Papa léguas, sebo nas canelas, pernas para que te quero, alcançou-os. O fusca bege, no meio da estrada de terra, se confundia com a poeira deixada para trás. A fumaça fedorenta e o motor fervido foram os milagres que seu padrinho providenciara como paga de muita lágrima, rezas e negociações. E Padre Cícero que não fosse doido de negar pedido a um menino bonzinho, cumpridor de suas tarefas. De mais a mais, ele, Sebá, tinha uma missão a executar. Precisava garantir que Tiana partiria,- afinal eram ainda crianças, obrigados a prestar obediência aos pais -, mas que voltaria para cumprir o pacto que fizera com o menino, à custa de sangue e um talho na mão esquerda que levara uma eternidade para cicatrizar, mas que lhe desenhara na palma, bem ali onde nunca a possuíra, a marca da linha do coração.  

Tiana iria.

Mas retornaria vestindo branco, pronta para com ele dividir, no altar, o derradeiro e definitivo sim.

Eram um.

Ele e ela. Ela e ele. Sebá e Tiana, quase um vocábulo perfeito, destinados a estar juntos pelo resto de seus dias.  

O pai da menina, controlando o riso, consentiu. A mão de Tiana seria dele. Sim, seria. Como, afinal, poderia negar pedido àquele menino de olhos oblíquos e orelhas baixas já tão conhecido de seus afetos?  

A permissão foi dada sob o olhar de Tiana, meio de lado, através do vidro traseiro do veículo. A menina não desceu, e diante da ausência de aliança ou joia outra qualquer para selar compromisso de tamanha importância, Sebá se empolgou em juras de amor e dotes. No dia do casório traria, para presentear a noiva, algo raro e sem igual. Quem sabe o sol, talvez a lua, arquitetava.

O pai recuou. Filha dele em chiste ou não, não era menina para aceitar clichês como presente. Nada feito. E como um menino de apenas doze anos não fizesse ideia do que pudesse ser, naquele mundo de seu Deus, um clichê, ajoelhou-se para o rubor da amada, prometendo anel confeccionado com metal tão escasso, mas tão precioso, que neste planeta não se haveria de encontrar. A aliança do noivado, o rapazola prometeu, qual a donzela guardada ali, dentro do fusca, seria única e forjada com nada menos que uma pedra sem par, trazida diretamente do espaço sideral.

Pacto selado, o garoto cuspiu na mão, que não era homem de voltar atrás com palavra dada. E manteve-se firme, mesmo no momento em que sentiu o aperto forte naqueles dedos pequenos, peculiares de sua natureza.

Assim, partiram.

Aos pulinhos.

O fusca para um lado, Sebá para o outro, já com os olhos nas estrelas e a cabeça na televisão.

O programa de Flávio Cavalcante. Era ali que o menino daria início a seu plano. Lembrava de ter visto, um sem número de vezes, comendo pipoca com a avó, entrevistados contando histórias de visitas a galáxias longínquas, e amizades com seres das estrelas que, viajando em foguetes potentes, eram capazes de ultrapassar a velocidade da luz e de cruzar a distância entre mundos em um segundo de piscar de olhos.

Plano traçado, mão na massa. Engenhoca desenhada à lápis, papel e muita saliva daquela sua língua grande, que, à certa altura, já quase não cabia quieta de euforia em sua boca seca e concentrada para não se esquecer de detalhe. Depois, escreveria à namorada, em carta selada e enviada por carteiro, tão logo o sogro comunicasse o endereço da nova casa.

Arrumou o material.

As chapinhas de refrigerante, para a carcaça de metal, seriam rebitadas com pregos de atar ferradura em jegue, emprestados da oficina do avô. A antena da televisão com bombril na ponta, captaria ondas, as de rádio e as de TV, sintonizando a nave no canal extraterrestre. Para o topo, arquitetou uma estrutura de caquinhos de espelhos, teto solar para aquecer o tripulante, ele, e para ampliar a imagens das estrelas, as pequenas. Para a impulsão que lançaria seu foguete para além da estratosfera, subtraiu do banheiro o antigo secador de cabelos. E para a energia com dupla função, a de alimentar e a de fazer girar o motor, utilizaria o mais puro açúcar. Informação colhida, novamente, em sua inesgotável e preferida fonte: A televisão. Ou, mais precisamente, o programa do Repórter Esso que anunciara para o orgulho da nação, a cana-de-açúcar como o combustível do futuro.

Pensando na noiva, já apreensivo com a falta de notícias há mais de meses, Sebá trabalhava focado. Feito o protótipo, partiu para a construção da nave mãe. Se tudo funcionasse como planejado, se lançaria no espaço na meia noite da noite da festa de São João, momento em que todos, de olho no céu, soltariam foguetes, pedindo sorte de chuva para o sertão. Pensava em tudo, embora dele, se imaginasse que não… Quando a avó desse por sua falta, e percebesse o boneco de travesseiro em sua cama, já estaria próximo à órbita da lua e acenaria para ela, com auxílio de um dos espelhinhos, em código morse, como aprendera com o avô, ainda pequeno.

E assim fez. Mais de ano passado do dia em que a amada sumira na poeira, quando, enfim, conseguiu contemplar sua obra, prontinha, bem no meio do quintal de casa, coberta providencialmente com a colcha de retalhos de roupas de secar do varal.

Estavam prontos, ele e a nave.

Antes de partir, abasteceu o compartimento de cargas. Presentes para os homens do espaço que encontraria em sua jornada rumo à conquista da pedra sideral. Levava de tudo, iguarias irresistíveis para seu jovem paladar humano de quatorze anos e que seriam, com a certeza de que o dia era dia, irresistíveis também para os milenares humanoides de outros universos. Rapadura, geleia de mocotó, bala Juquinha e chiclete-de-bola.

Tudo certo para a contagem regressiva, providenciou bombinhas, a fim de dar ignição no açúcar de seu combustível.

Dez.

Com a explosão o foguete voaria pelos ares.

Nove.

Apertou o cinto, repassando mentalmente seu passo a passo a partir daquele momento.

Oito.

Certamente o barulho da explosão quebraria a monotonia do estranho silêncio desde a partida da amada.

Sete.

Chegara a hora. Finalmente.

Seis. E seus fogos de artifício explodiram, antes da hora, levando tudo a perder.

Cinco. Quatro. Três. Dois. Um.

Era esquisito. Tiana estava certa, não valia a pena esperar por um menino como ele. Era um retardado. A cidade toda estava correta.

Explodiram. Os fogos. Seu humor. Ele próprio, em lágrimas e raiva. A cabeça doía, uma chaleira apitando na fervura da água. Seu sangue fervia. Era um burro.

Teve febre. E caiu de cama.

Outros tantos meses se passaram até que voltasse a encarar seu erro no meio dos varais. Seu foguete, animal à espera do momento da aproximação, o encarava calado através do vidro, tal qual Tiana no dia da despedida. No dia em que o motor do fusca fervera em fumaças para que ele pudesse, tolamente, se ajoelhar no solo seco, transformando em deserto o seu próprio coração. Maldita hora do dia, maldito segundo em que a chaleira do carro lhe alimentara as esperanças.

Fumaça. Motor. Deserto. Chaleira. Também peculiares eram as conexões que seu cérebro fazia. Era isso. Precisava produzir mais calor para ferver o açúcar no motor. Como não pensara nisso antes? Seus dentes desalinhados se escancararam em riso. Era isso.

Eureca!

Correu para o calendário.

A próxima festa cheia de luzes e fogos seria o ano novo. Faltava pouco, apenas uns dias contados nos dedos. Tentaria novamente. Aos quinze anos, já sabia o que queria e aquilo o que mais desejava era o mesmo que sempre almejara desde os doze.

O coração de Tiana seria seu.

Vestindo branco, o astronauta dirigiu-se ao quintal logo depois da ceia, não aos quinze, mas somando já dezesseis. Levara tempo realizando um modo de enterrar sob a nave, sem ferir sua estrutura, um punhado de pólvora que conseguiu abrindo estalinhos e morteiros, um a um, até considerar possuir quantidade suficiente para uma explosão eficaz.

Dessa vez não fez contagem regressiva, apenas fechou os olhos e riscou o fósforo.

E o tempo de Sebá parou.  

Da escotilha da nave, os dedos crispados no assento, podia ver sua casa diminuindo. A cidade, já tão pequena, era agora brinquedo. Em seguida, o estrondo. E o silêncio o envolveu, lançando seu universo para fora do som. Tudo era instante naquela hora em que se soube na zona limítrofe da atmosfera do planeta. Sem o incêndio que sempre via nos gibis do Super-Homem, o herói flutuou próximo à Lua. Passou por Marte, Saturno, Plutão. E só na fronteira do sistema solar reparou na escuridão.

Riscou um fósforo, percebendo a inesperada falha em seu plano. Não trouxera lanterna. Aquela caixa roubada da cozinha era sua única fonte de luz.

Soltou o palito, nem tanto pela dor da queimadura na ponta dos dedos, mas pelo que viu do outro lado do plástico duro de pasta com elástico de guardar papeis, que confeccionava a janela da espaçonave.  

Dois olhos.

Olhos oblíquos e peculiares, exatamente iguais aos dele.

Dois… Iguais…  

As conexões entravam em conflito.

Meneou a cabeça. Obviamente, o que vira, fora seu próprio olhar, reflexo do brilho da chama. Arriscou um segundo palitinho, já abrindo seu desalinhado sorriso Stonehenge, como Tiana costumava rir, apontando as páginas de seu almanaque favorito, quando sentiu a fisgada.

Estremeceu ao baque. Algo se acoplava à sua nave. E percebeu-se levado, guinchado, através de galerias e túneis interligados em uma espécie de labirinto.

Onde estava?  

Já recuava no instinto de beliscar o próprio braço quando sentiu que não só estacionava, como a carcaça de seu foguete era aberta de ponta a ponta por uma espécie de alicate.

Noz retirada com cuidado de dentro de seu refúgio, Sebá cerrou os olhos. Não por dor ou medo, que não era de seu feitio tremer ou afrouxar. Não. Apenas intuía, aos soluços, que Tiana jamais saberia da verdade, que não se esquecera dela e que morrera no espaço sideral, buscando a joia de seu casamento, quando capturado por truculentos extraterrestres, que destruíram seu meio de transporte.  

Escrevia mentalmente a carta de despedida, imaginando o modo como seguraria sua mão perfeita de dama, tão diferente da própria, com prega única e simiesca na planta, não fosse a cicatriz. Passou o indicador sobre ela. Se na presença da noiva, faria o mesmo em sua pele de menina.

Lembrava-se do dia do pacto.

O talho firme em si mesmo, o sangue, a dor, a euforia, o choro engolido junto ao estranhamento ante ao olhar de riso d´esguelha da companheira. O estilete passado às mãos de Tiana.

O pequeno furo que ela produzira na ponta de seu anelar, certamente não estaria mais lá, tantos anos passados de sua jura de infância.

Menos mal. Assim se esqueceria dele com maior facilidade. Já vislumbrava seu futuro, com busto de bronze na única praça da cidade – o herói sideral desaparecido -, quando abriu os olhos e encarou seu alicate, ou melhor, seu carrasco.

Gritou.

Pela primeira vez em sua vida de natureza pacata, esgoelou-se.

Diante dele, dois metros de comprimento, a criatura extraterrena era uma gigantesca formiga batendo as mandíbulas em sua direção. Então era isso. Seu destino estava selado. Morreria ali, anos-luz de casa, devorado por insetos colossais, sem direito a enterro ou beijinhos da avó dizendo que ele era especial, não esquisito. Era o fim. Sem pedra espacial, morreria virgem do beijo que Tiana lhe negara durante toda a meninice.

Já arriscava o segundo grito, pois se era para morrer, que fosse na coragem de ser o que sempre fora, Sebá, quando foi interrompido pela voz do alienígena.       

— Seus regalos foram aceitos, siga-me.

Seguiu.

Não se lembrava dos presentes, mas, ainda assim, seguiu. A cabeça erguida e o coração, frágil por natureza, aos pulos, reflexo das terríveis cenas que imaginava enquanto caminhava por entre as galerias. Lembrava-se dos adultos, aos cochichos, comentando entre si desmandos da ditadura em um país próximo. Seu final seria terrível, devorado pelas formigas, com as partes íntimas besuntadas com o melado que ele mesmo trouxera a bordo.

Carrascos-ET assistiriam de longe, tentando extrair dele algum tipo de informação. Talvez perscrutassem de onde vinha todo aquele açúcar.

Interrompeu as divagações ao penetrar na câmara da rainha. Colossal, vermelha e, explodindo habilmente a maior bola de chiclete cor-de-rosa que jamais vira em seu ou em qualquer mundo ou galáxia.

Estava a salvo.

Não devorado ou torturado, mas herói, a rainha lhe sondava os desejos. O que poderia o homem da Via-Láctea, portador de tão grandes riquezas, exigir em troca de sua preciosa doçura.

Nada.

Sebá se divertia. E recusava a pinça da rainha em casamento, já tinha prometida em seu planeta. Moço fiel, jamais descumpriria palavra dada. Honrado, porém, visitou o planeta ao lado da soberana. E descobriu o modo de vida daquele povo, com suas câmaras de fungo, e criadouros berçário, onde os filhos da rainha eram alimentados de acordo com sua natureza. Aquele planeta, logo aprendeu, nada mais era que uma fina crosta de alguns quilômetros, abrigando a estratosférica colônia em seu interior. Plantavam, colhiam, comiam, sua tecnologia estava há anos-luz da encontrada na Terra. Autossustentáveis, reciclavam, e tudo que, porventura aqueles seres precisassem ou sonhassem, se encontrava ali, dentro do formigueiro.

Do lado de fora, nada.

“Se o Brasil não acabar com a Saúva, a Saúva acabará com o Brasil”. Mais uma vez o Repórter Esso estava certo. Em um passado longínquo, as formigas-ET comeram tudo o quanto havia do lado de fora. Tudo ali era inabitável. E a rainha assim mantivera, para que as novas gerações não se esquecessem do passado.   

Tudo deserto.

Providencial proteção contra o maior de seus inimigos interplanetários, os tamanduás galácticos.

Tudo agreste.

Tudo.   

Exceto um local. A câmara externa de descarte com o único material que os sobreviventes das estrelas jamais conseguiram reutilizar.

Estremeceu.

A seus pés, milhares, se não milhões, de anéis de metal dourado com pedrinhas coloridas de plástico que vinham grudadas aos chicletes que a Soberana adorava, seus preferidos, mais pelo efeito da bola colorida que pela goma pouco doce para seu paladar de formiga.

Sebá encarou a nova amiga. Sabia o que pedir.

Ele e ela. Ela e ele. Sebá e Tiana finalmente seriam um, unidos por algo que, embora sempre tenha estado lá, durante todo o tempo lhes faltara. O S de soberana, insígnia marcada em cada um dos anéis, seria o seu elo perdido, a prova de que estivera ali, o laço que os ataria. Voltaria a sua galáxia com ajuda da tecnologia fórmica e entregaria à amada o lixo daquela rainha, para ele uma preciosidade.

Escolheu o perfeito entre tantos, o azul, cor da cor dos olhos da menina como deles se recordava.

Antes de decolar, encostou a cabeça à da monarca, modo de cumprimento daquele mundo para o qual, sabia, jamais retornaria. Sentiu a fisgada na testa, mais uma cicatriz. E partiu para os braços da amada, cruzando universos, na velocidade de um bater de antenas.

Ao longe, pode ver o pipocar de flashs registrando sua partida e respondeu com um aceno de espelhinhos de sua nave novinha em folha, turbinada e repaginada, outro presente daquele povo amigo. Um dia olharia as estrelas imaginando onde estavam, e adivinharia em torno de que pontinho, há 70 anos-luz da Terra, eles orbitariam.

Quando deu por si, já estava lá. Na porta daquela a quem tanto bem quisera. E ainda queria.

Tocou a campainha, sem dar importância às mudanças a sua volta. Tiana vivia em uma cidade grande, em um prédio moderno, em um apartamento que deveria ser, igualmente moderno.

Colou o rosto no olho mágico tentando entrever o outro lado. E foi surpreendido pelo azul da íris de sua donzela.

Suando frio, o rapaz ensaiava discurso. Ajoelharia no tapete fofo e abriria a caixinha da aliança interestelar. Nesse momento, não sem antes agradecer em reza ao padrinho, o Padre Cícero, se beijariam apaixonados até que a morte os separasse.

A porta se abriu cautelosa.

Pela fresta, podia ver a dona daqueles olhos que um dia sonhara seus.

Tiana.

Não a menina de quem se lembrava, pequena, sardenta, loira. Tampouco a jovem a quem tanto imaginara em seus devaneios de astronauta. Não. Ali, parada a sua frente, uma simpática senhora de 86 anos exibia o exato sorriso de sua infância.

Tiana.

Não era tolo. Sabia o que havia. Esquecera-se apenas, enevoado pela esperança que alimentava aquele seu amor de impossibilidades. Ignorara Einsten e sua relativa teoria, menosprezando os gêmeos e seu paradoxo. Para o viajante da velocidade da luz, o tempo estacionara. E os setenta anos que correram para ela, eram os mesmos que agora os separavam.

Respirou.

Fundo.

Não era homem de descumprir promessa, embora percebesse outra aliança no dedo daquela que lhe convidara a entrar. E oferecendo o regalo, brinde de chiclete-de-bolas, contou a ela toda a sua saga espacial.

Tudo.

O foguete. A pólvora. A fisgada. O formigueiro. O anel. O encostar de cabeças.

Seba-S-Tiana.

Seu cérebro de conexões teimosamente românticas não desistia. E arquitetou um plano no qual a enviaria a bordo da nave, estacionada atrás do prédio, rumo à constelação das formigas, onde entregaria à rainha novo carregamento de guloseimas. Ao retornar, congelada em seu tempo espaço de anos-luz, poderia se igualar a ele, e finalmente seriam felizes.

Tiana sorriu.

E não pode deixar de notar a intrigante cicatriz, no momento em que beijou a testa do amigo.

Mais uma vez se despediam. Ela com o anel no dedo e ele, não mais virgem do beijo da amada, ainda que na testa.

Jamais seriam um. Algo maior que aqueles 70 anos os separava.

E em um planeta distante, se soubesse se orgulharia, sua imagem figuraria no rol dos amigos viajantes. Seres especiais, de constelações distantes, de estrelas desconhecidas e, alguns, poucos, exatamente como ele. Com seus olhos oblíquos, as línguas grandes, e corações de eternas crianças, na bifurcação da peculiaridade sindrômica e única da doçura de um Down: a trissomia no cromossomo 21.

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Sobre Fabio Baptista

11 comentários em “Seba(S)Tiana (Bubo)

  1. Victor O. de Faria
    21 de setembro de 2018

    ET (Enredo, Texto)
    E: Excelente. Singelo e tocante. Acho que sei quem é o autor(a). Estava achando estranho uma adolescente imaginar tudo isso, mas o final explica tudo e fecha com chave de ouro. Contém muita melancolia e tristeza nas entrelinhas, talvez por despertar (ou resgatar) algo que falta nos “adultos” hoje em dia: a imaginação infantil. Estamos mesmo precisando de um pouco de inocência.
    T: Começa de um jeito regionalista, mas logo parte para a prosa poética. Dá uma leve quebrada de tom, mas nada que atrapalhe o belo desenrolar da história. Suave, com sensações bem descritas.

  2. Rafael Penha
    20 de setembro de 2018

    Olá Bubo,

    Um conto divertido, bonito e agradavel, com um final twist!

    PONTOS POSITIVOS – A linguagem do conto transita na linha tênue entre a beleza e o maçante, mas consegue se equilibrar nos dando belos trechos, gostosos de se ler. O tom cômico e jocoso empregado em algumas passagens também desperta um sentimento intimista e uma certa fofura ao conto. A fantasia ganha um espaço aqui maior que a ficção ciêntifica, que nesse caso, caiu bem e não saiu do tema. O protagonista é carismático, humano, falho, esperançoso o que o torna verossimil, mesmo que no mei ode tanta loucura. O final é digno de uma das melhores histórias que ja li neste desafio.

    PONTOS NEGATIVOS – Em alguns momentos, achei que a descrição ficou por demais detalhada e, apesar de carregar de beleza o conto, é um pouco cansativa de ler.

    Um conto sensível, inteligente que não subestima seu leitor e que o cativa. Excelente!

    Grande abraço!

  3. Evandro Furtado
    16 de setembro de 2018

    Pontos Negativos

    – Nada aparente;

    Pontos positivos

    – Vou quebrar a fórmula de separar por tópicos meus comentários nesse conto porque o próprio conto quebrou uma barreira em mim. Me fez chorar. E ainda que eu seja, na verdade, um grande “crybaby”, normalmente não é a literatura o meu fraco nesse sentido. Mas esse conto é carregado de uma beleza, de uma inocência e de um cuidado, que foi impossível a mim cuidar das emoções. O conto me quebrou, me derrubou, me tirou a racionalidade. Eu adoro contos que me fazem pensar, mas amo os que me fazem sentir. Muito obrigado autor(a).

    Balanço Final: Outstanding!!!

  4. Antonio Stegues Batista
    12 de setembro de 2018

    Gostei demais desse conto, bem escrito, com boas ideias, frases inteligentes, destacando, “sorriso Stonehenge”, os dentes desalinhados como as pedras daquele monumento. É do meu tempo o “Repórter Esso”, a “balinha Juquinha”. Achei sensacional também a “tecnologia fórmica”. Final surpreendente. Um belo conto, uma excelente ideia. As conexões de sebá-s-tiana, também formam uma ideia brilhante dentro do conto. Me parece uma homenagem a alguém em particular. Parabéns e boa sorte.

  5. Wilson Barros
    11 de setembro de 2018

    Um dos poucos contos do desafio nesse estilo moderno que comumente chamam literário, e que geralmente vence os concursos do SESC, Araçatuba e Paulo Leminski, entre outros. A história me lembra o emocionante “Viajantes do Espaço” de Robert Heinlein, a mesma encarniçada dedicação infantil para o espaço sideral, aqui adaptada ao tema romântico. O tema do programa de televisão foi muito bem encaixado, como no livro do imortal Heinlein. Achei incrível a presença dos “Primeiros Homens a chegar na Lua” de H G Wells. Muito bom o final, parabéns.

  6. iolandinhapinheiro
    11 de setembro de 2018

    Olá, autor!

    Um conto fofo sobre um amor que durou uma vida inteira. Descobri que o garoto tinha down quando ele falou que a cidade inteira o chamava e retardado, no começo do conto, pensei que se tratava de uma criança de sete anos, aí quando foi revelado que ele tinha catorze eu achei que o comportamento não era condizente com a idade, mas aí veio a revelação de que ele tinha síndrome de down e tudo fez sentido.

    A transição entre realidade e fantasia me deixou um pouco confusa, quando alguém abriu a nave pelo lado de fora, pensei que havia sido a avó ou o avô. Esta parte ficou um pouco complicada, porque me pareceu que ele ficou nesta fantasia por muitos anos, enquanto transcorria, em sua cabeça, o contato com o povo das formigas gigantes, achei que foi tempo demais para uma pessoa, mesmo uma pessoa na condição dele, ficar alheia à realidade ao seu redor. Afora esta inconsistência, o conto é muito bonito, e como ele se sentia uma eterna criança, eu gostei da explicação dele para o fato da Tiana ter envelhecido e ele não.

    Gostei também do foco inédito que vc deu ao tema. Criativo e cativante. Também enxerguei o Sebá, o diferente na cidade, como um alien no mundo de gente “normal”.

    Espero que seu conto fique muito bem colocado, pois merece. Parabéns e sorte no desafio.

  7. Pedro Paulo
    8 de setembro de 2018

    Antes de começar, esclarecerei alguns dos critérios a partir dos quais estarei avaliando, ainda que a nota não vá estar totalmente definida antes do desafio. Avaliarei o conto a partir do domínio da língua portuguesa, da estruturação da narrativa, da adequação ao tema e, enfim, mas não menos importante, da criatividade. Vê-se que são critérios interligados. Vamos lá!

    Belíssimo conto, nos trazendo uma história de amor que se torna linda ao nos situar na perspectiva do inegavelmente romântico protagonista. De fato, o que fez dessa leitura tão gostosa foi justamente a atenção ao constantemente condicionar o leitor a entender a lógica de Sabá. Para tanto, deixou claro a sua engenhosidade, sua determinação, seu romantismo e o contexto em que vive. Atrelados ao seu ponto de vista, ficamos tocados por sua persistência e sua inocência. Aspectos de seu contexto social e familiar também são trazidos com agilidade, em menções bem colocadas que contribuem bastante para a profundidade da personagem, como a referência à cidade, ao Padre Cícero e aos seus avós. De pouquinho em pouquinho vamos tendo noção de quem Sabá é de onde vive, compreendendo cada vez mais as razões por detrás dos seus atos, absurdos que sejam.

    E, em falar no absurdo, um artifício que acrescentou ao enredo foi a virada par o “fantástico” que se tem com o seu voo. Com a frustração do primeiro voo e a súbita ideia para o segundo, imaginei que o enredo seria sobre sucessivas tentativas acompanhadas de um amadurecimento (e eventualmente alienígenas), mas então ele ascendeu e vi que o primeiro fracasso foi estrategicamente escrito para confundir nossas expectativas, iniciando o enredo numa via realista para depois no surpreender com a surreal viagem até as formigas, onde conseguiu o fatídico artefato para Tiana. O reencontro: chocante, embora eu possa confessar que suspeitei sobre algo assim no momento em que li “anos luz” ser mencionado. O último parágrafo revela a síndrome de Down do protagonista, mostrando um autor atencioso que soube dispersar essa informação ao longo do conto, com referências indiretas à síndrome (de modo que não é tão revelado quanto simplesmente complementado). O maior mérito, porém, é a sensibilidade com a qual tratou da personagem, sabendo evitar possíveis preconceitos a respeito do seu ponto de vista. Parabéns pelo lindo conto!

  8. Ricardo Gnecco Falco
    8 de setembro de 2018

    Olá, Bubo! Tudo bem? Nossa… Que história bonita a que você contou pra gente aqui! Tenho reparado neste Desafio, em especial, duas vertentes muito bem definidas (para mim, enquanto leitor). A primeira delas, trata-se de uma visão apocalíptica sobre o tema deste Certame. É legal, e tal… Fica ali pelo universo da FC e, como era de se esperar de um desafio sobre alienígenas, aborda o fim da raça humana, ou de abduções, pessoas sendo levadas (e até enganadas por estes fanfarrões de outras galáxias)… Contudo, eu sou mais fã da segunda vertente observada por aqui — e da qual o seu trabalho faz parte –; que são aquelas histórias que falam (e tocam), justamente, no âmago da alma humana. Ou, colocando de forma mais física: o coração. E para o amor não importam cromossomos a mais ou a menos. Nem distâncias. Nem Tempo. Nem Espaço. Sideral, ou temporal…
    Parabéns pelo trabalho; curti bastante a viagem! Boa sorte no Desafio! Saudações amorosas,
    Paz e Bem!

  9. Caio Freitas
    8 de setembro de 2018

    Interessante o final. Percebemos porque a avó dele dizia que ele ra especial. Quando vi o garoto tentando fazer naves espaciais lembrei da minha infância. Estranhei ele fazer isso aos dezesseis anos, mas agora faz sentido. Eu não conheço niguém com síndrome de Down e não sei como funciona, mas para mim pareceu que, mesmo com 70 anos, o garoto ainda pensava da mesma maneira que na infância, se por acaso a viagem fosse coisa da cabeça dele. Muito bom o trabalho. Parabéns e boa sorte.

  10. Sarah Nascimento
    1 de setembro de 2018

    Olá! Primeiro quero dar os parabéns, sua história ficou linda, divertida e tocante. Você descreve tudo de um jeito perfeito, podemos saber como o Seba pensa, a mente dele, os sentimentos dele, é maravilhoso.
    Desenvolveu tudo muito bem mesmo.
    Tenho de admitir que primeiro achei bobo ele levar aqueles doces na nave para os aliens que encontrasse no espaço, mas depois isso se prova genial, era justamente o que ele precisava naquele planeta das formigas.
    Toda essa determinação dele em construir o foguete com a inocência de um menino e sua simplicidade foi uma das coisas que eu mais gostei. E é claro o final com o reencontro dele com a Tiana, foi uma ideia excelente que deixou toda a história ainda mais bonita.
    O único ponto negativo para mim é que algumas palavras e detalhes se repetem demais. É bom tomar cuidado com isso. Um exemplo é a cicatriz que o Seba fez em si mesmo no dia da partida da Tiana.
    Ainda assim é uma história maravilhosa, parabéns pela criatividade!

  11. Claudia Roberta Angst
    31 de agosto de 2018

    Olá, autor, tudo bem?
    Uma linda história de amor, de aventura, de outro mundo. Conto muito bem escrito, com fluidez e ritmo. Bom de se reler para se identificar o universo conforme os olhos do protagonista Seba.
    O final pega em cheio, com inocência e delicadeza, mas também de forma impactante. O melhor desfecho é sempre uma ideia simples, mas que ninguém antes pensou.
    O autor (possivelmente a autora)soube conduzir o leitor de forma sutil pelos corredores da imaginação infantil, onde as promessas feitas são de fato realizadas.
    Parabéns e boa sorte!

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Publicado em 31 de agosto de 2018 por em Alienígenas.