EntreContos

Detox Literário.

Azul (Terraqueo)

 

Tomou minhas mãos e usou-as para apontar-me as estrelas. Seus olhinhos cheios de água me olhavam enquanto a boquinha me agraciava com um sorriso.

– Você vem de lá? – perguntei. Ela confirmou com a cabeça. Tomei-a nos braços e fizemos amor na relva molhada.

00

_

Acordei pela manhã. O barulho de britadeiras ecoava, calando o sonho das pessoas que caminhavam pelas ruas barulhentas em suas cascas vazias de alma. O vento que corria das poucas árvores restantes naquela selva de concreto incomodava-os. Parecia invasor de suas vidas sem graça.

Levantei, a rotina tomou-me pelos braços e lançou-me em direção a um dia tão ordinário quanto as manchetes da televisão.

Saí pelas ruas da cidade, caminhando sem olhar pra onde ia. Meus olhos vasculhavam ao redor, buscando alguma fonte de serenidade naquele mar de turbulência. A esperança ausentara-se anos atrás.

Olhei para as minhas mãos, já calejadas pelo trabalho. Na cabeça, o número de fios brancos já superava os negros. Nesse emaranhado, sentei no meio-fio e chorei.

Dezenas passaram por mim e ninguém se comoveu. Meu ato era humano demais para a vida daquelas pessoas. Mas delas não senti ódio. Cada um tinha sua própria solidão por companhia, e essa senhora negra é invejosa e quer seus pares apenas para si.

Reuni o resto de dignidade que tinha e segui para o trabalho, sabendo que voltaria para casa da mesma maneira que ontem, e que amanhã tudo se repetiria.

 

00

_

A noite parecia mais reconfortante porque trazia seus vazios com mais clareza. É claro que há sempre os sorrisos trocados nas mesas de bares que machucam com sua alegria injusta. Há sempre os braços dados que trazem memórias de coisas que poderiam ter sido. Há sempre uma felicidade inerente aos outros, mas impossível a nós. No entanto, há também a verdade que se revela ao escuro, nos becos sem nome e nas vielas sem rumo. Nas pessoas sem rosto. Nos olhos sem vida.

Foi caminhando sob o véu negro de uma noite de lua nova que vi o céu se iluminar por um instante. Cortou o firmamento um rastro de fogo, luz tremeluzente nunca antes vista.

Olhei ao redor para verificar se as pessoas partilhavam de meu pavor. Ninguém mais havia visto aquilo. O rastro no céu lhes era invisível. Só olhavam para baixo.

Corri em sua direção. Talvez tomado por uma estupidez momentânea não considerei os perigos de tais atos. Talvez por sorte. O fato é que alcancei o fim do rastro que se precipitava em direção ao solo. Ao longe, uma fogueira em meio a um parque. Nela, um estranho objeto redondo.

Aproximei-me, os braços cobrindo a face, protegendo-a do calor.

Então a vi.

Saiu dentre os destroços. Nua. A pela azulada em nada arrancava-lhe a beleza. Pêlos muito negros cobriam cabeça e vergonhas. Os seios firmes e redondos balançavam conforme andava. Olhou para mim e sorriu. Depois caiu ao chão.

 

00

_

 

Eu contemplava-a, deitada no sofá, um lençol cobrindo o corpo nu. Assustei-me quando abriu os olhos. Ela olhou ao redor, também assustada. Conforme levantou, o lençol deslizou do corpo. Não parecia se importar, vergonha não conhecia. Começou a tatear as coisas ao seu redor.

Aproximei-me com uma xícara de café. Ela recuou.

– Está tudo bem. – eu disse. Dei um gole no café para lhe acalmar. – Viu? Pode beber.

Estiquei a xícara e dessa vez ela pegou. Tomou um gole e fez careta.

– Não gostou? – perguntei rindo. Ela sorriu de volta. Colocou a xícara na mesa ao lado e levantou-se. Caminhou pela casa olhando e tateando as coisas. Pegou um quadro e contemplou-o. Depois olhou pra mim e apontou. – Sim, sou eu. – Mais uma vez ela sorriu. Colocou o quadro de volta e seguiu em direção à janela. Desesperado, eu corri e fechei a persiana. Ela olhou para mim em dúvida. – Eles não podem te ver. Ou vão te levar. – e naquele momento eu já sabia que não queria que ela partisse.

 

00

_

 

Mostrei a ela toda a casa. Cada móvel, cada eletrodoméstico. Comemos sanduíche de atum e lasanha de microondas. Ouvimos Sinatra e assistimos Breakfast at Tiffany’s. Ela aprendeu a cantarolar Moon River e fazia-o todas as noites antes de dormir.

Certa noite, uma tempestade caiu do céu. Ante o primeiro trovão ela saiu correndo e veio deitar-se comigo. Enfiou-se toda sob os lençóis, tremendo de medo.

– Tudo bem, não tem perigo. – mas outro trovão veio e ela voltou a se esconder. Então mostrei a ela o relâmpago e sua relação com o barulho que vinha depois. Ela não pareceu entender, mas se acalmou. Continuou deitada, virada para mim. Olhava-me ininterruptamente com um sorriso no rosto. Não resisti àquela beleza inumana e a beijei. Mais uma vez, dúvida pairou sobre seu rosto. Então ela própria tomou a iniciativa e puxou-me em direção a um beijo. Quando nossos lábios se afastaram, sua faceta era de curiosidade. Então sorriu de novo.

 

00

_

Tocaram a campainha. Desesperado, mandei-a para o banheiro. Era minha irmã.

Chegou falando alto, dizendo como eu vivia sozinho e não tinha amigos. Que tinham ligado para ela do trabalho porque fazia uma semana que eu não ia. Dizia que estava preocupada. Perguntou se eu pensava em suicídio. Indicou-me um psicólogo, uma benzedeira e um livro do Augusto Cury. Pediu para ir no banheiro.

Com muito medo, autorizei.

Ela foi.

Os segundos pareciam dias. Pensava em sua reação. Será que ela entenderia? Contaria para outros? Levariam ela de mim? Não. Não. NÃO. Eu não podia permitir. Fui até a cozinha. Abri a gaveta e tirei uma faca de açougueiro. Fui até o banheiro. Esperei que ela abrisse a porta. Seu rosto parecia normal. Ela já estava planejando sair e denunciar-me. Dizer para as autoridades o que eu mantinha lá. Também nela pairou a dúvida. Depois terror quando viu a faca.

Ela não gritou. Apenas abriu a boca e expirou um punhado de silêncio. Atrás dela, a outra me olhava sorrindo.

Coloquei-a na banheira e tranquei a porta.

 

00

_

 

Agora já ousava sair altas horas da madrugada. Levava-a comigo. Ela não falava, mas sempre me olhava com aquele sorriso. Uma noite, toquei-a com mais intimidade. Ela me agarrou o membro e inseriu em si. Não gemia, mas seu rosto contorcia-se em prazer. Depois daquilo passávamos os dias fazendo amor.

Eu pensava em como era fascinante que num mundo tão grande, meu amor viesse das estrelas.

 

00

_

 

Bateram à porta no meio da madrugada. Entraram sem cerimônia, revirando as coisas.

Puseram-me de joelhos enquanto vasculhavam a casa.

– Por favor. Só não levem ela! – implorei.

Mas não me ouviram. Continuaram a busca. Então um deles voltou para a sala com a mão no estômago.

– Ela está azul já. – e vomitou no carpete.

– Ela é linda, não é? – eu perguntei.

– Você é nojento. – disse outro deles, e me cuspiu no rosto.

Já dentro da viatura vi enquanto levavam o corpo de minha irmã.

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Sobre Fabio Baptista

19 comentários em “Azul (Terraqueo)

  1. Victor O. de Faria
    19 de setembro de 2018

    ET (Enredo, Texto)
    E: Tive que ler o final duas vezes para entender, mas acho que caiu a ficha. O protagonista substituiu o corpo (foi isso?). Texto curto, rápido e certeiro. Deixou um certo amargo na boca, mas talvez essa fosse a real intenção. Tem um tom mais intimista, de final aberto, embora leviano demais. Não houve grandes consequências, a não ser o fato de as autoridades aparecerem por ali. Então eles viveram felizes para sempre, sem aparecer os parentes da criatura ou ela pegar uma “gripe”? O texto tem uma pegada muito boa, mas ela se adapta rápido demais, parecendo aqueles filmes de Sessão da Tarde (lembrou-me de Cocoon, onde os aliens tem de deixar suas famílias depois de um tempo, pois a atmosfera terrestre começa a lhes fazer mal).
    T: Bem escrito. Leve em determinadas partes e pesado quando precisava. Flui muito bem.

  2. Miquéias Dell'Orti
    14 de setembro de 2018

    Oi.

    O protagonista é o grande trunfo da história. Um personagem bem caracterizado, que, ao contrário do comum, causa antipatia com sua inveja velada sobre a vida e felicidade de terceiros.

    Essa revolta permanente e o insólito relacionamento com a alienígena, que à princípio me pareceu mais como uma alegoria para o sentimento incestuoso que ele tinha com a irmã, ficou realmente ótimo.

    O final termina de forma parcialmente aberta por conta disso, é dele que tiramos a noção de que, talvez, haveria alguma relação com a paixão dele com a irmã, mas isso não fica claro, pois quando a irmã aparece em seu apartamento ele não há menção nenhuma a isso que corrobore com essa afirmação.

    Por conta desse fato, talvez a ilusão doentia da alienígena não seja apenas relacionada a irmã, mas a alguma outra mulher da qual o protagonista se sentira atraído e, talvez, também a tenha matado na banheira, sob o mesmo modus operandi do qual matou a irmã.

    Diante de todas essas divagações, o veredito só poderia ser o de um ótimo conto. Parabéns.

    P.S.: Apenas para constar, não entendi os “00” que dividem os capítulos. Têm alguma explicação?

  3. Mariana
    11 de setembro de 2018

    É um conto perturbador, quase um terror. Narrativa ligeira, sem enrolação. Acredito que apenas o momento do assassinato e o pós poderiam ter sido alongados, dar um final mais palpável para a alien/alucinação. É um pouco complicado se conectar com o personagem principal, acredito que o autor não quis conquistar o leitor nesse aspecto – ele causa repulsa, não empatia. O que é interessante, já que a experiência literária não é feita apenas de momentos positivos. Um ótimo conto. Parabéns e boa sorte no desafio.

  4. Fheluany Nogueira
    10 de setembro de 2018

    Necrofilia, incesto e confusão mental? É terror mesmo. Narrativa bastante criativa, com certo caráter íntimista, boas construções sintáticas, linguagem poética, fluida.

    O texto é prova de como o cotidiano pode ser explorado. O autor mostrou capacidade de contar uma situação intensa com poucas palavras, sem deixar muitas sensações de lacunas,apesar de que o leitor não captar, ao certo, se a alienígena existiu de fato e com direito à virada. Gostei da cor azul que criou a oportunidade para que o cadáver fosse confundido com ela, pelo protagonista. O desfecho é inesperado e instigante. Mas… faltou mais sentimentos, os personagens ficaram rasos, não provocaram empatia.

    Parabéns pelo trabalho. Abraço.

  5. iolandinhapinheiro
    9 de setembro de 2018

    Olá! Gostei do seu conto. Bem escrito, rápido, honesto, fácil de ler e com um final surpreendente. Cheguei a ler a opinião dos outros comentaristas, mas antes de ler o que eles pensaram já havia concluído que desde o começo a alienígena e a irmã eram a mesma pessoa.

    Provavelmente a irmã dele morreu (morta por ele ou por causas naturais) e ele, sem saber lidar com o fato, criou uma fantasia na qual ela era uma alienígena com a qual poderia se relacionar. Morta, a irmã não era mais a chata intrometida e cobradora que em vida. Possivelmente ele sempre nutriu desejos pela irmã mas só conseguiu concretizá-los após a sua morte.

    Assim como ele criou a nave, as conversas, os passeios, as respostas corporais dela ao toque dele, mas concordo que há pano para outras interpretações. Gostei bastante.

    Agradeço pela leitura gostosa e desejo sorte no desafio

  6. Higor Benízio
    4 de setembro de 2018

    Tanta coisa para explorar, e nada é aprofundado para conectar o leitor. Os personagens são poucos, o que é um acerto, por isso mesmo deveria ter explorado-os bem mais. A irmã do cidadão, por exemplo, leva uma facada do nada,e eu, como leitor, nem liguei, justamente por faltar a construção dessa empatia. Isso também falta ao protagonista. Se ele é louco ou não, necrófilo ou não, preso ou não, pouco importa, porque nada nele é atraente, apesar da tentativa, comum clichê e por muitas vezes tediosa, de marginalizar a rotina. Enfim, salvam alguns trechos da narrativas, onde vemos boas construções, como: ” A noite parecia mais reconfortante porque trazia seus vazios com mais clareza. É claro que há sempre os sorrisos trocados nas mesas de bares que machucam com sua alegria injusta. Há sempre os braços dados que trazem memórias de coisas que poderiam ter sido. Há sempre uma felicidade inerente aos outros, mas impossível a nós. No entanto, há também a verdade que se revela ao escuro, nos becos sem nome e nas vielas sem rumo. Nas pessoas sem rosto. Nos olhos sem vida.” Excelente parágrafo.

  7. José Geraldo Gouvea (@jggouvea)
    4 de setembro de 2018

    O ponto alto desse conto é a linguagem. Melhor que a média. Acho que você forçou um pouco a barra ao fazê-lo matar a irmã, a cena teria rendido mais se você tivesse usado a visita da irmã para criar um conflito, em vez de matá-la assim tão simplesmente. Veja bem, eu não disse que a morte da irmã está errada na história, mas que ela não se justifica da maneira como foi narrada.

    O conto também funciona melhor se você deixar menos claro que a alien é apenas uma ilusão. Poderia haver algum indício material para confundir o leitor. Um objeto que o narrador associa à alien e que os demais personagem associam a outra coisa. O encontro da alien, se ocorresse em local fora da cidade, ficaria menos claramente como alucinação.

    Enfim, apesar de você escrever com beleza, a sua história tem várias pequenas arestas que não a deixam rolar redondinha.

    Mas eu gostei.

  8. Alessandro Diniz
    30 de agosto de 2018

    Oi, Terráqueo! Gostei do conto. Principalmente do clima de apatia pela rotina cotidiana humana a partir do segundo parágrafo. “Tomou minhas mãos e usou-as para apontar-me as estrelas.” Achei um pouco estranho quando imaginei a ET segurando as duas mãos do cara nas suas e apontando as estrelas a quatro mãos. Mas… Tudo bem. Gostei do final, mas me pareceu um pouco inverosímel, pois se ele foi capaz de matar a própria irmã num misto de loucura e paixão pela ET, certamente ele enlouqueceria completamente ao ser separado dela e sem saber o que fariam, caso a encontrassem. Seu português é ótimo. A escrita é simples e prende a atenção. parabéns! E boa sorte!

  9. Bruna Francielle
    29 de agosto de 2018

    TEMA: sim

    INTERESSE PELA HISTÓRIA alto

    PONTOS POSITIVOS: Narrativa rápida e objetiva, sem enrolação.
    Conto fácil de ler. É possível ler de uma vez só, sem se distrair com outras coisas.

    A resolução do conto a meu ver tem duas hipóteses. Ou a pessoa azul existia e era um et, ou era a irmã dele morta com quem ele tinha um “relacionamento” necrófilo. O final deixa a dúvida. Caso seja a primeira opção, é possível que quando os pms vieram revistar a casa, a et azul tivesse sumido. Na segunda opção, a et azul nunca existiu e era a irmã. O conto parece indicar ser a segunda hipótese a verdadeira.
    O fato de o leitor ter que pensar após ler as últimas linhas e questionar tudo que leu antes faz o leitor participar ativamente da história. Nem todos os contos oferecem isso.
    PONTOS NEGATIVOS:
    Confesso que não achei muito original o fim, dando a entender que o protagonista pudesse ser louco. Nesse mesmo certame há pelo menos mais um conto que apresenta uma premissa similar a essa, o que tirou um pouco a graça do final para mim.

  10. Evelyn Postali
    29 de agosto de 2018

    O final surpreendeu porque ficou aberto e deixou dúvida sobre tudo o que aconteceu. Ficou aquela sensação de conto de suspense e terror, então, a imagem do extraterrestre ou o que quer que tenha me levado a pensar nisso se dissipou por completo.
    A leitura foi sem percalços. Não percebi erros, a não ser por uma única palavra. Acho que é pele. Mas não me detive a corrigir qualquer coisa da estrutura das frases. Para mim, está tudo bem trabalhado e objetivo, embora a linguagem poética esteja presente em algumas passagens.
    Boa sorte no desafio. Abraços!

  11. Anderson Roberto do Rosario
    26 de agosto de 2018

    Olá, Terráqueo. Temos aqui um conto que pra mim passa longe do realismo fantástico e sim está mais próximo do sugerido pelo amigo Antonio Stegues, um psicótico descontente com ele mesmo e com a vida cotidiana, que odeia seu trabalho e o sistema capitalista, a forma como as pessoas interagem, enfim, nada o agrada. No seu anseio por um mundo diferente talvez tenha criado um só para si. Muitos paralelos nos remetem aos seus devaneios. Por exemplo, na cena em que a suposta alienígena se assusta com o raio e o trovão e ele explica para ela, me levou direto à parte em que ele (e só ele) avista aquele clarão no céu, quando a nave dela cai na terra e que ninguém mais vê, só ele. Também na parte em que ela tenta abrir a janela e ele não deixa, como se nos mostrasse sua aversão a ser visto, ele, não ela, pelas pessoas. A história foi construída, em minha opinião, em torno dessa perturbação de sua mente e nessa dissociação da realidade. Na parte da irmã, para mim, não fica claro o que acontece depois que ela sai do banheiro, nem porque ele a permite ir ao banheiro, sabendo que encontraria a alienígena lá. Seria friamente calculado o assassinato da irmã? Não sei. O final, pra mim é bem assustador. Espero estar eu perturbado da cabeça e estar viajando no que se refere a um suposto incesto. Pareceu que a morta, se exista, seja a alienígena e a irmã a assassina dela. Não dá para saber se a alienígena e a irmã sequer não sejam a mesma pessoa, ou ele tenha criado a imagem da alienígena baseado na figura da irmã o que também culminaria em um desejo incestuoso reprimido. O que eu sei é que a alienígena, real ou não, foi um refugio para a sua mente perturbada. Mas como o texto deixa muitas dúvidas, pelo menos pra mim, talvez seja o caso de uma releitura, mas por hora essa foi a impressão que me pasou. Parabéns e boa sorte no desafio.

  12. Rafael Penha
    26 de agosto de 2018

    Olá, Terráqueo

    Um conto bem desenvolvido, dinâmico, misterioso e com final dúbio. Quer coisa melhor?

    PONTOS POSITIVOS:
    Um enorme ponto positivo é a agilidade e dinâmica com que a história é contada. Sem palavras demais nem de menos. Direto ao ponto, mas profundo suficiente para conhecermos a mente do protagonista. O amor e a paranóia foram bem justificados e o final, aberto, dá margem para a mente voar. Ela era invisível a outros olhos? Ela existia apenas na imaginação do protagonista? Ela era maligna? Boas questões para se levar.

    PONTOS NEGATIVOS:
    Nenhum.

    Conto perfeito. Tudo na medida certíssima. Parabéns!!!

    Grande abraço.

  13. Pedro Paulo
    25 de agosto de 2018

    Antes de começar, esclarecerei alguns dos critérios a partir dos quais estarei avaliando, ainda que a nota não vá estar totalmente definida antes do desafio. Avaliarei o conto a partir do domínio da língua portuguesa, da estruturação da narrativa, da adequação ao tema e, enfim, mas não menos importante, da criatividade. Vê-se que são critérios interligados.

    Gostei muito do conto, é sucinto e desenvolve muito bem o protagonista ao contar uma simples história de amor. Denoto também que há muitas construções que merecem destaque de tão belas e certeiras que são, como as duas que constam no mesmo parágrafo “meu ato era humano demais para a vida daquelas pessoas” ou “cada um tinha sua própria solidão por companhia”. Ambos os trechos compõem muito bem a alienação solitária da protagonista, preparando a trama para a mudança que vem com a chegada da alienígena.

    Como tratou de situar o estado alheio da protagonista, fica mais palpável o efeito que a moça azul exerce sobre ele, dependente e receptiva de sua atenção e carinho, o que atribui sentido à sua vida. Ao mesmo tempo, consta presente a constante desconstrução do estranhamento entre os dois, dando lugar à relação que depois desenvolvem, então baseada também na paixão. Ao mesmo tempo em que discorreu sobre essa beleza, também soube escrever a respeito da paranoia homicida que o toma depois, quando assassina a própria irmã (embora tenha ficado claro que ambos não tinham uma relação próxima).

    O final, entregue rápida e surpreendentemente, eleva o conto a outras questões, pois é o primeiro momento em que ganhamos outra noção da alienígena que não lhe atribuem um caráter inocente ou desnorteado. Com a chegada dos agentes, vê-se pela primeira vez que talvez ela pudesse representar algum perigo. Desse modo, o conto encerra a história ao mesmo tempo em que nos traz outras perguntas: o que o azul exatamente representa, dado que um dos agentes denotou sua cor? Será que a paranoia assassina do protagonista teve a ver puramente com sua própria alienação à sociedade ou a alienígena teria exercido algum efeito sobre ele? Não são precisas respostas e essas dúvidas só dão mais profundidade ao conto. Parabéns!

  14. Caio Freitas
    24 de agosto de 2018

    Olá. Gostei da surpresa no final do conto. Realmente não era o que eu estava esperando. Também achei que você usou muito bem esse lance de cortar de uma cena para outra. Boa sorte!

  15. angst447
    24 de agosto de 2018

    Olá, autor, tudo bem?
    Acabei a leitura com aquela sensação quentinha de ter encontrado alguém da família. A cumplicidade apresentada entre as frases com carga poética e sensibilidade camuflada por um enredo que mescla o fantástico e o policial.
    Como me determinei a não procurar erros de revisão, não os encontrei. E duvido que encontraria qualquer engano que atrapalhasse essa viagem.
    O final me surpreendeu e adoro ser surpreendida. Parabéns!

  16. Antonio Stegues Batista
    24 de agosto de 2018

    O conto me parece mais uma história com tema psicose , alucinação de alguém que com a mente perturbada, vê o mundo de outra maneira,” pessoas de cascas vazias sem alma”, traduz bem o seu estado de espírito. Não deu para saber se o alienígena foi real ou apenas algo criado pela perturbação, senilidade e solidão do personagem. Algumas frases tem efeito outras não. Há uma redundância na frase que diz que a chuva cai do céu. De qualquer forma, está valendo. Boa sorte.

  17. Thiago Lopes
    24 de agosto de 2018

    Sou dos que não estão acostumados a ler no computador. A impressão que tenho é que essa mídia obriga que os textos sejam curtos para que mantenhamos nossa atenção. Isso é um desafio muito grande, pois nos obriga a sermos concisos. O grande desafio é falar muito com poucas palavras, esse deveria ser nosso caminho. Seu conto é curto e nele você deu o recado que gostaria de dar, na minha opinião o ar poético foi bem usado, os diálogos foram bons, e a leitura não cansou, o que permitiu ler mais uma vez inclusive. Espero ler mais contos seus no futuro, experimente escrever um conto sem essas divisões, sabe, num texto um bloco só para não ficar muito fragmentado, seria um exercício interessante, pois obriga um narrador que fale de algo panorâmico. Tenho tentado aprender a escrever contos na internet com dois grandes precursores – indico vivamente a leitura para os leitor do Entrecontos! – são Daniel Galera e André Takeda. Foram dois caras que escreviam contos em blogs no idos dos anos 90, 2000. Fizeram muito sucesso na época. Seus contos são curtos, vivos, intensos e couberam muito bem na internet.

  18. Wilson Barros
    24 de agosto de 2018

    O conto é cheio de frases poéticas, ou melhor, românticas, o que facilita a leitura para os adeptos da poesia. O conto, de forma diferente dos que li até agora, está mais para o estilo denominado “Realismo Fantástico”, que para ficção científica, e revela alta dose de criatividade. Lembrei-me muito de um conto de Oscar Wilde, “O filho da estrela”. Nota-se bem a influência de Garcia Máquez nas frases filosóficas e intimistas. E como na “Volta do Parafuso”, de Henry James, ficamos sem saber se tudo aconteceu mesmo ou se foi só a loucura. Muito bem elaborado, estilizado e conciso, parabéns.

  19. Sarah Nascimento
    23 de agosto de 2018

    Olá! Legal a sua história. Interessante ver esse romance e o desenvolvimento dele durante o tempo.
    Parece que foi algo breve e bonito.
    Gostei do fato da alien ter desaparecido bem quando foram investigar a casa dele.
    Acho que suas cenas são um pouco confusas, no início da história vemos um momento emocionante e cheio de significado. Depois o personagem principal acorda e é descrito como alguém que está velho e sozinho. Entendi que você quis partir do começo, antes dele conhecer o amor, mas do jeito que está escrito parece que ele chora no dia seguinte ao episódio descrito na primeira cena e não antes.
    O fato dele ter matado a irmã foi meio exagerado na minha opinião, mas quem sabe ele já estivesse louco de amor. Assim justificaria esse ato.
    Como já falei antes, a surpresa final ficou bem legal, parabéns.

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Informação

Publicado em 23 de agosto de 2018 por em Alienígenas.