EntreContos

Detox Literário.

Ó varões, vigor, vitórias (Angelo Rodrigues)

“Us puliça! Us puliça! Us puliça…”, gritava o menino.

Escancarei as jajajajanelas: policiais espancavam um menino pobre vestindo apenas boné Vans e tênis Nike de mil dólares. Quase nu, clamava socorro. Policiais tomado por obrigações, disparavam tiros ao ar. Um dedededeles acertou-nos a janela.

“Filhos duma mula!”, gritou Mamãe.

Guardinhas irritados quiseram nos atacar. Era tanta a sua fúria que papapapareciam uma horda buscando um-por-fora. Quando dei por mim, vi que Mamãe, possuída por sua autoridade estelar, ereta sobre suas quatro papapapatas, espreitava as ocorrências com o canto dos olhos, e ajeitava em seu colo as tetas que nos davam o leite de totototodos os dias.

Os policiais observavam aquelas tetetetetas de Mamãe: eram oito fluts perfeitos de cristal.

“Aleluia! Aleluia! Aleluia!”, ela dizia ao secar as mãos num pano de prato Good Morning.

“Gooooodaaaafternooooonnnn!”, saudou-os mostrando os dentes. “Achais que devo pintar meus cabelos de ruivo? Assim, parecem mais putas as fêmeas? Ahnnnn!!!”

Mamãe desejava desmamar aqueles memememeganhas, dando-lhes seu leite morno.

 

Quando já ia adiantado o desmame dos meganhas, Mamãe mostrou-lhes seus gonzínios, que fazia rolar entre os dentes:

“Heranças de família. Sabeis?”

Ocupados em sugar o leite, os mememeganhas se limitaram a concordar, levantando os polegares:

“Ok!”

“Quão belo sois, amadinhos, pareceis todos meus ratos buchudos.”

Um dos mememeganhas, expressando nojo daquelas tetas cristalinas, afastou-se do colo mamário de Mamãe:

Vade retro Satana!, que não sou chegado às fêmeas”, ele disse, limpando da boca o leite.

Perplexa pela papapapatetice do pepepepeeme, Mamãe desolou:

“Magoastes meu mamilo…”, disse Mamãe.

E insurgindo-se contra a indiferença do memememeganha, disparou:

“Sinto agora o ambiente gelado entre nós. Palavras se congelam ao deixarem minha boca, caem ao solo como flocos de neve, e se desfazem em murmúrios inaudíveis.”

Mas o memememeganha foi firme:

“Escuta, Mamãe, a gala das minhas palavras: prefiro mamar em roliças peias.”

“Arrearre, meu pituchuco!”, repreendeu-o Mamãe. “O que espereis desta potranca capaz de vos dar um coice de gozo no meio da cara? Por acaso não gostais? Achais que Deus foi benevolente demais com as fêmeas dando-lhes tantas e tão tesudas tetas?”

O memememeganha se intimidou.

“Vejo que o bostinha aqui nunca se enfiou no frenesi das fendas fundas das fêmeas…”, e despejou em continuidade: “Se Deus nos houvesse dado um Deus que nos houvesse dado um Deus que nos houvesse dado um Deus… ajuizado, haveria ele de dar ao Homem a Sabedoria, nunca a desgraça do Conhecimento.”

E prosseguiu:

“O que temos? Um Partisan?, um Hussardo?, um Carbonário?, um Cruzadinho de Urbano II?, um vaidosinho que pede bênçãos e reverências? Ó grande confusão chegada ao mundo. Não sei como pôr juízo nessas cabeças encapeladas por capacetes de fibra de carbono e cassetetes de borracha vulcanizada… Nenhum homem é maior que seus atos, não porque seja o homem pior que seus atos, mas pelo desapreço com que os pratica mundo afora: falta-lhe sempre a razão, habita o silêncio das certezas.”

Fez uma papapapausa, entupiu de ar as narinas, e finalizou neste algoz aviso:

“Todos putos! Todos cagões! Todos cuzões! Tomai com vossa boca minha teta, meganha… e mamai. Vos comprazeis com o doce leite da Mamãe, senão, chamar-vos-ei eternamente de bostinha que veste uma farda azul-escuro de mar abissal.”

“Us puliça! Us puliça! Us puliça…”, continuava o memememenino.

Entristecida pelo sofrimento do jovem que agonizava nas mãos dos peemes, Mamãe sentenciou que do menino valia mais a sua sombra que ele próprio, e ordenou que os memememeganhas mantivessem aquele harmônioso e pedagógico espancamento.

“Avante, valorosos! Dai nele as porradas merecidas!”, gritou.

Houve regozijo entre os memememeganhas.

“Aleluia! Aleluia! Aleluia!”, didididizia Mamãe.

Os policiais fartavam-se do leite morno de suas tetas.

“Aleluia! Aleluia! Aleluia!”, insistia, feliz.

“Us puliça! Us puliça! Us puliça…”, ouvia-se.

“Imaginais que esse menino que vos implora clemência poderia, noutra vida, ser amado por uma fêmea da Bielorrússia? Um rosto liso e sem espinhas… uma façanha nesta idade…”

“Não se fala Bielorrússia, Mamãe”, eu a corrigi.

“E como, meu caríssimo Ludomir?”

“Russas brancas!”, eu dididisse.

“Mui apropriado após o passamento do muro de Berlim, que Deus o tenha! Cadê Benólia? Deve-me a diaba muito sexo… dizei a ela quando a encontrardes”, caro Ludomir, “que me pode pagar em prestações, mas do bom sexo, que o falso me ataca a afasia.”

Benólia, que entrava na sasasasala completamente nua, trazia o punhado de sexo que devia à Mamãe. Havia-os distribuído pelas suas oito tetas, papapaparte pendurado em seus mamilos (papapaparecia uma árvore de natal: feliz, luminosa e equivocada).

“Deus seja louvado!”, disse Mamãe. “Ter que vos procurar em busca de sexo seria vexatório para alguém na minha idade”, concluiu.

Benólia sorriu enquanto depositava sua bunda peluda numa cadeira.

“Aaaaahhhhhnnnn…”, ela fez quando pousou suas nádegas no assento de cocococouro. “Como me dói a ossada da bunda…”

E foi assertiva:

“Não faria isso, Mamãe, sempre pago o que devo, nem que me arruínem as pregas do cu.”

Com suas caras rorororoliças, os meganhas manifestavam alegria ouvindo a voz orfeônica de Mamãe:

“Louvado seja Deus!”, ela dizia levantando os braços, quequequerendo acariciar as mãos de Nosso Senhor.

“Us puliça! Us puliça! Us puliça…”, ouvíamos.

Ao perceber tamanha agonia, Mamãe quis rerererecitar um poema, e antes de o fazer, sucumbiu, por sabê-lo hostil a cabrais e colombos.

“Não posso!”, disse Mamãe, e um meganha começou a recitá-lo:

 

Afundação

 

“Ó varões, vigor, vitórias.

“Sob nuvens oceânicas,

“fulguram murmúrios brancos,

“tal como os seios das virgens,

“que brotam seus botões

“para despertar a Humanidade

“nas Manhãs do Mundo.

 

“Adeus, cavalheiros, adeus!

“Que Adônis ― o filho bastardo

“de Cíniras e Mirra ―, destrua

“a semente Galathea de Pigmaleão,

“e faça, incontinenti, florescer

“a razão nos incontáveis putos

“que nos habitam o Reino.”

 

Totototodos conheciam tal lírica, menos eu. Compelido pelo momento pastoril, lasquei a fruição duma conclusão epopeica, até então ignorada:

 

“Que partam, então, putas e putos

“em mil caravelas enfunadas

“e aportem todos nas terras

“do nosso Nonononovo Mundo

“e façam daquele lugar

“gran e verdadeiro Inferno!”

 

Emocionada, Mamãe estendeu sobre a mesa seu Tabuleiro Ouija.

Jogaríamos destinos prescindíveis. Foi assim:

riverrum, past Eve and Adam’s, from swerve of shore to bend of bay, brings us by a commodius vicus of recirculation back to Howth Castle and Environs.”

“James Joyce faz sua introdução”, disse Mamãe ao ouvir o Ouija.

“Ulisses!”, gritou um memememeganha.

“Finn’s Hotel!”, disse outro.

“Stephen Hero!”

“Popopopomes Penyeach!”, disse.

“A Portrat of the Artist as a young man!”

“Dubliners!”

“Chamchamchamber Music!”, chuchuchutei.

Uma borla de erudição quicava no ar.

“Calai-vos, infelizes, é Finnegans Wake”, corrigiu Mamãe.

Agora, no ar, a decepção.

“Inútil continuar. Joyce nunca retornará ao mundo para nos testar a canina paciência…”, disse Mamãe, caminhando.

Aquele momento peripatético quebrou nonononossa corrente mística. Desentrelaçamos as mãos e Mamãe guardou o Tabuleiro Ouija sob sexos inservíveis ao uso corrente.

“Us puliça! Us puliça! Us puliça…”, vinha da janela.

Mamãe, mostrando-se indignada, foi à janela fazer valer sua autoridade estelar:

“Ó valorosos, com tamanha desenvoltura em espancar meninos pauperizados, devíeis cavalgar Dragões de Komodo, mas nunca cavá-los”, concluiu.

Os policiais desceram de seus equinos e foram avaliar o buraco que haviam feito no coitado do indigente. Indignada, Mamãe prontificou-se a interferir: subiu em sua liteirinha e ordenou que os memememeganhas levassem-na ao menino.

“Adiante, valorosos!”, disse.

 

“Vim para confrontar-vos!”, vociferou, sobre suas quatro patas.

“Us puliça! Us puliça! Us puliça…”, continuava o menino.

Mamãe caminhou até ele e ajeitou seu boné Vans e limpou a pata do cavalo que decepara, do menino, a orelha.

“Indignadíssima!”, disse.

Benólia acompanhava aquela desgraça. Recompusera seu estado de nudez completa introduzindo um tampão higiênico na vagina por estar naqueles dias.

Les anglais ont débarqués, querido Ludomir”, ela me didididisse.

E posicionando sua cadeira, precificou o menino:

“Não vale o peido dium cigânio!”, falou.

Mamãe flutuava na inquietude:

“Como pode um menino, que seria amado por uma mulher russo branca, hoje, não valer o peido dium cigânio? Todos temos nossas mazelas, caríssima Benólia, e todos vamos nos defrontar com elas.”

O menino se rerererecuperava. Sua orelha crescia, seu buraco se apertava.

“Um supervivente!”, disse Mamãe.

Benólia praticava seu desprezo pela humanidade brincando com o cordão de resgate do tampão menstrual. Disse, aos guardas:

“Não vale o peido dium cigânio, este putinho!”

“Ó minha demi-vierge”, disse Mamãe, “desviastes do Bem do Mundo. O menino merece algo melhor: uma russa branca que muito o mime…”

Então, disse Benólia:

“Se é para o Bem do Mundo, submeto-me aos Mandamentos, mas não me responsabilizo pelas imprescritíveis minudências.”

 

Alvoroçado, chegou-nos o corvo, o papafigo, o pápápároco local, que Mamãe chamara secretamente para desenlaces.

“Que ocorre ao povo de Deus? Uma casa derupta?, um rouso?, merda in bucca?, stercus?, bloidam in ore? Pois sonhava com Nossinhorinha e anjinhos brancos… agora isso…”, e apontou ao menino.

“Felizes os que sonham…”, disse Mamãe, às lágrimas.

Pousado sobre sandálias franciscanas, o corvino mostrava desapreço pelas caridades de Mamãe: eram rivais na Fé Cristã.

“Vejo que Benólia não se compõe como devem as virgens: traz o cu e a vagina desimpedidos… insuportável tesão”, disse o papapapadreco.

Demi-vierge, meu pároco. Não lhe tenho confiança…”

“Que seja… as tentações… um homem de Deus… ainda um homem…”

“Dúvidas nos atropelam, meu Papa.”

“Que Benólia se recomponha, Mamãe…”

“Já está composta, Carneguíssimo. Veste um tampão higiênico: não vos representa perigo… por agora.”

Benólia, não suportando que lhe falassem aos cus, interferiu:

“Pois saiba, Santíssimo Carnegão, que o Chico já partiu para reconquistar sua Menarquia, mas volta logo, em um mês.”

O papapadreco apenas ouvia Benólia: eram rivais no strip-pôquer.

“Insisto, Mamãe: toma-me o priapismo… escusam-me vergonhas adolescentes… perpetram-se calos na mão direita.”

“Que Benólia cubra-se tal como os antigos, nas folhagens das parreiras a esconder o pau dos santos e a vagina das santíssimas”, disse Mamãe.

“Vejo santidade! Cubram-lhe o cu e tragam-me as tragédias…”

 

“O menino, um dilema: teve castrados seus direitos por um tropel de meganhas, homens de azul profundo, afeitos às tetas e às tiranias.

O papapadreco precificou o menino sob as patas duma égua.

“Lindo, mas já tenho muitos. Mais um, embargar-me cama e alcova.”

“Este é diferente, Santíssimo: traz um furo que se aperta, boné Vans e tênis Nike.”

“Interessa-me apenas o furo, Mamãe. Há de me vir o furo sem o menino?”

“Impossível, Carneguíssimo, não segue um sem o outro. É da natureza dos meninos, se não dos furos, andarem aos pares.”

“Não me serve, então. Muitos na alcova: tantos meninos, tantos furos.”

“Leve mais um, Iminência! Sustente-o no óbolo de São Pedro.”

“Inútil, Mamãe… talvez, se me viesse o furo sem o menino…”

“Inútil! Retornemos ao casarão!”, gritou Mamãe.

Aproveitando o desamor do padre pelo menino, os memememeganhas pisotearam o pequenino com seus animais.

“Loucos! que as vacas sagradas do Sol hiperiônio comeram. Que vos falteis o protetor solar fator 60”, ribombou Mamãe.

Decepcionada, susususubiu em sua liteirinha.

“Toquem de volta ao casarão”, ordenou.

 

“Voltemos ao Tatatatabuleiro Ouija”, eu dididisse. “Talvez ele nos diga o caminho… o menino… us puliça… que destino…”

“Aos colhões com o Tabuleiro Ouija”, caríssimo Ludomir. “Alguém esculache esse moleque pobre que só me fode a paciência!”, sentenciou, infeliz com o desenrolar dos fatos.

“Us puliça! Us puliça! Us puliça…”, ouvia-se.

Com a arma dum pepepepeeme, disparei seis vezes, e pus fim na vida e no sofrimento daquele menino pobre que gritava. E disse:

“Fifififinalmente jaz o menino pobre, Mamãe. Tantos tiros, tantos furos, sem conta de chegada. Seu sangue esguicha: ficam perdidos o boné Vans e o tênis Nike.”

“Tem agora o menino mais furos que antes. Querê-lo-á nosso pároco em sua alcova de loucuras, sevícias?”, disse Mamãe.

“Não valia o peido dium cigânio. Com tantos furos, nem sua pele serve prum tapetinho…”, falou Benólia.

Mamãe glorificava:

“Aleluia! Aleluia! Aleluia!”

E levantando seus braços ao Céu, disse-nos:

“Deus toca-me com suas mãos glaciais e seu calor emana. Finalmente! Toca-me o Deus magnífico, que escolheu dar ao Homem o Conhecimento ao invés da Sabedoria. Sinto-O me possuir, todinha! Agora temos um silêncio feito apenas de palavras inúteis: o menino, o buraco, o boné, o tênis Nike… us puliça.”

Mamãe desfaleceu.

Todos corremos para socorrê-la.

Anúncios

43 comentários em “Ó varões, vigor, vitórias (Angelo Rodrigues)

  1. Amanda Dumani
    27 de abril de 2018

    A narrativa é confusa e difícil. Li mais de uma vez para me dar tempo de interpretar o conto. No final das contas consegui pegar uma carona na sua viagem. Enxerguei algumas críticas sociais aí e espero que tenha captado sua mensagem. Gostei da escolha por um narrador gago. O ponto negativo foi a extensão. Quanto mais complexo é o processo de leitura, mais cansativo ele se torna ao longo do texto. Quanto ao tema se enquadra perfeitamente.

  2. M. A. Thompson
    27 de abril de 2018

    Olá autor(a).

    Seu conto é bastante confuso e pelo jeito a interpretação do que se quis dizer será do tipo cada por si.

    O experimentalismo surge do caos e das metáforas que acabaram tornando a narrativa difícil de entender em uma leitura descompromissada, poderia ser mais enxuto.

    A ideia do gago foi ótima, parabéns. 🙂

    Boa sorte no desafio!

  3. Bianca Machado
    27 de abril de 2018

    Olá, autor/autora. Não me sinto em condições de fazer comentários muito técnicos dessa vez. Então tentei passar as minhas impressões de leitura, da forma como senti assim que a terminei. Desde já, parabenizo por ter participado!

    Então, vamos ao que interessa!
    ————————————————

    Experimental além da conta. No início pensei que a gagueira seria um entrave, mas o que me desanimou nessa leitura foi a extensão dela. Fosse mais enxuta, seria muito bom de ler, ou seja, apesar do texto ter qualidade pra mim foi cansativo. Mas parabéns pelo nível da narrativa e a segurança com que o escreveu. Só dosar um pouco mais na próxima vez, acredito. Boa sorte!

  4. Cirineu Pereira
    27 de abril de 2018

    Muito bom mesmo ler alguém que entendeu, assimilou e foi feliz em produzir um conto realmente experimental. Neste objetivo, alguns ignoraram, não captaram, não compreenderam o que realmente significa experimentar. Outros sequer obtiveram êxito em escrever um conto capaz de, de uma forma ou de outra, impactar sobre o leitor, pré requisito implícito, primordial, inerente, obrigatória a toda boa literatura. Entretanto, seu conto faz cabeças girarem, bocas se abrirem (de riso ou de perplexidade) cérebros se desdobrarem (no entendimento da narrativa, das referências e criticas sociais embutidas, bem como na visualização das cenas), além de abalar conceitos de leitores mais ortodoxos, bem como chicotear aqueles outros mais preconceituosos. Perfeito? Jamais, ele tem o cheiro dos trabalhos não revisados, algo compreensível face à maratona que é um desafio como esse. Parabéns.

  5. Anderson Henrique
    27 de abril de 2018

    Um texto muito caótico, uma enxurrada de imagens e metáforas. Vi a mulher como a pátria, todos a extraírem algo dela, mas tudo com seu preço. O autor levou o experimental a série e arriscou. Gostei da confusão, mas a sensação de caos ao vim acabou me incomodando um pouco. De qualquer forma, parabéns pelo conto.

  6. André Lima
    26 de abril de 2018

    A narrativa é propositalmente confusa, os personagens são exageradamente caricatos e, para terminar, a narração se dá por um gago. Achei excelente, pois aqui o experimental foi levado a um nível extremo.

    A ideia é excelente, mas acho que o autor pecou um pouquinho de nada na execução. O texto não é realista, mas também não é non-sense. Acho que faltou aí uma escolha para se consolidar melhor a ideia. O conto também ficou arrastado em determinados momentos.

    Mas, os diálogos ficaram muito legais. O conto é muito bom, mesmo com as coisas que não me agradaram.

    Parabéns e boa sorte no desafio!

  7. Sabrina Dalbelo
    26 de abril de 2018

    Olá,

    Que texto, hein!?
    Quando falei lá no grupo, ao lançarem o desafio, que lembrei de Júlio Cortázar, não imaginei que iria topar por aqui com um texto muito além do experimentalismo dele… um James Joyce.
    Por mais que não tenha lido James Joyce (apesar de amar Cortázar, que me ajudou muito a quebrar o “quadradinho” das minhas poesias, a propósito), quando procurei “Finnegans Wake” no google tudo se acendeu.

    Ontem eu já tinha lido o teu texto e gostado muito.
    Hoje gostei de novo.
    Há experimentalismo puro aqui. O teu texto nos remete ao impossível aparente, pelas infinitas viagens que propõe, ainda que possua um só enredo.
    Isto é, existe um personagem assistindo aos tropeços sociais, como polícia corrupta, padre pedófilo, cultos sem sentido, autoritarismo, que é o nosso gago (talvez gago diante desse caos todo).
    E cada um dos outros, secundários, interage no texto e também dentro da nossa cabeça. A linguagem é a chave de tudo.
    Por vezes pensei que a “mãe poderosa” – dado o número de tetas e o potencial leiteiro – fosse uma metáfora para a “verdade”, ou “justiça”… talvez.

    Aplaudo a técnica, o conhecimento colocado aqui e principalmente a possibilidade de permitir-se (e permitir-me) entrar nessa viagem.
    Escrever assim é muito difícil!
    Hoje conheci as palavras meganha, liteira e sevícia. Nunca tinha ouvido.

    Por fim, textos como esse tiram a nossa mente preguiçosa das mesmices, nos mostram outros ângulos, fazem dançar no escuro e gostar da música que não toca.
    Sinto que meu cérebro foi faxinado.

    Agora, tu sabe que pode levar bomba, né!? pra começar a entrar na dança, o leitor deve encarar o desafio desse conto pelos menos umas 3 vezes. Além disso, o fato de o cara ser gago pode piorar.

    Mas eu TE AGRADEÇO! ACHEI SENSACIONAL.
    Obrigada!

  8. Daniel Reis
    26 de abril de 2018

    Inegavelmente experimental, esse texto ultrapassou um pouco o tempero, ficou até meio enjoativo. O que eu posso dizer é que os leitores, em geral, não gostam de ficar no escuro – querem compartilhar o que o escritor pensou. E eu, sinceramente, não consegui fazer ideia aonde você quis nos levar. Boa sorte no Desafio!

  9. Priscila Pereira
    25 de abril de 2018

    Olá Ludomir,
    Acho que você exagerou um pouquinho no experimental… Eu confesso que não entendi onde você queria chegar com o conto…. A leitura causou muita estranheza, mesmo, e até raiva em algumas partes… Não consegui pegar o sentido do conto. É uma pena.
    Boa sorte!

  10. Gustavo Aquino Dos Reis
    24 de abril de 2018

    Um disfêmico narrador. Uma narrativa cheia de aparente caos e que vai se desdobrando, muito bem, em algo que me fez sorrir e refletir.

    Ele é cheio de crítica social – coisa que aprecio nos contos. O leitor não pode se sentir intocado ao finalizar a leitura, e a sua obra mexeu comigo.

    Os diálogos brilham!

    Parabéns, autor(a)

  11. Mariana
    23 de abril de 2018

    É um cocococonto caótico, que que que me lembrou os fluflufluxos de consciência de James Joyce, aqui quase um Godot (tittitive que ler duas vezes, aliás, e continuo não entendendo o seu conto também). O que me marcou foi o fato de naturalizarmos algumas imagens aqui presentes, nesse sentido o autor é cirúrgico em tocar o dedo na feridas de padres e meganhas… Não é um conto agradável e isso é o maior elogio que posso dar ao mesmo, pois foi escrito com o objetivo da subversão. Parabéns e boa sorte no desafio

  12. Renata Afonso
    23 de abril de 2018

    Oooolá!
    Li seu conconconto e vevevenho dizer que se há um conto verdadeiramente exexexperimental nesse desafio é o seu.
    Sei que há muito de reflexão e realidade (próximas) em cada linha, mas confesso que estou me sentindo como se estivesse tendo uma crise de labirintite – e veja: isso não é dito no sentido ruim da “coisa”, não, é no sentido de estar um tanto amortecida pela leitura, que mostra-se ao mesmo tempo de difícil assimlação e dá pano pra manga do pensamento.
    Li, reli e vou continuar lendo, pra ver se cada símbolo é realmente o que consegui (acredito) captar.
    Abç

  13. angst447
    23 de abril de 2018

    Li e reli em um dia. Li e reli hoje. E ainda não sei bem o que comentar. O contrário de alguns leitores, eu não encontrei motivo para rir na narrativa complexa, densa, fechada em si. Há decerto algum simbolismo nesta trama. Um primitivo relacionamento entre pessoas que nos faz imaginá-los como animais. Será a mamãe uma cadela? Uma égua? Uma fêmea, mãe de todos? Nossa pátria, mãe nada gentil que alimenta o sistema e deixa a miséria tomar conta de tudo? E o menino acaba como um animal sacrificado com tiros para que o seu sofrimento não perdure e incomode como denúncia social.
    Conto bem difícil de ler, quase impossivel de entender. Talvez se fosse um pouco mais curto e claro atingisse de fato meus neurônios. Stou um pouco frustrada por ter entendido tão pouco do muito que o autor quis passar.
    Boa sorte!

  14. Amanda Gomez
    22 de abril de 2018

    Olá, autor!

    Acho que não tenho maturidade pra entender o seu conto… digo, não sei se a palavra certa seria essa, mas a leitura foi um misto de estranheza, é algo que não costumo ler, na verdade nem sei se já li algo parecido. No entanto consegui assimilar algumas coisas, entre ela a capacidade do autor de dar forma a esse texto humorístico e crítico. Eu posso ter entendido algumas referências e ter deixado outras passar.

    Não foi uma leitura fácil, e dado a minha indisposição para tal fico até contente que tenha tido uma boa experiência , mesmo que no resultado final….er… não entendi nada.

    Boa sorte no desafio!

  15. Andre Brizola
    21 de abril de 2018

    Salve, Ludomir!

    Anarquia! Anarquia! Meu, não entendi muita coisa. Era essa a intenção? Se foi isso, parabéns, você conseguiu!
    A primeira coisa que posso dizer aqui é que dar voz ao narrador gago foi muito legal. Tal é o caos de acontecimentos e personagens que o narrador gago é a nossa âncora, aquele que nos mantém dentro da “linha narrativa”. E ele é gago!
    Mesmo tendo dificuldades em compreender a direção em que “ouvir” o conto, é possível tirar dali diversas críticas sociais do nosso cotidiano, marcadas por sentenças bem ácidas. Algumas referências e críticas se perdem um pouco no texto, entretanto. São muitas, em um texto grande e confuso. Algo iria se perder.
    Não sei o porquê, mas durante a leitura fiquei com a impressão de que em parte do conto os personagens eram cachorros. Talvez eu não tenha entendido nada mesmo!

    É isso! Boa sorte no desafio!

  16. Ana Carolina Machado
    21 de abril de 2018

    Oiii. Achei o conto bem criativo. Ele é uma boa crítica social. A relação do menino com a mãe que acompanham o espancamento da janela me lembrou de um monólogo de “o último programa do mundo”, que fala de um menino que ver um ônibus vazio chegando pela janela e que chama a atenção de todo mundo e depois se começa uma série de reflexão sobre algumas coisas. O conto passeia por várias questões, até sobre pedofilia e violência policial. Em alguns momentos tive um pouco de dificuldade para me situar por causa da linguagem. Abraços e boa sorte no desafio.

  17. Luis Guilherme Banzi Florido
    21 de abril de 2018

    Boa tarde! Td bem por aí?

    Olha, desculpa mas tenho q ser totalmente sincero: nao gostei. O texto inteiro é complexo demais, como se o simples fato de ser complexo o tornasse mais erudito, sei la. Fiquei com essa sensação. Li duas vezes e continuei sem entender nada.

    Da pra botar claramente que o autor domina absolutamente a linguagem, além de possuir um vocabulário fora do comum.

    Mas pra mim nao foi suficiente, e na verdade eu só queria terminar o quanto antes. Desculpe.

    De qualquer forma, parabéns e Boa sorte.

  18. Jorge Santos
    21 de abril de 2018

    Este texto deixou-me fortes dúvidas. Se a linguagem é notável e comprova o domínio e a cultura do autor, preferia ter conseguido perceber melhor a narrativa, escondida que está numa teia de alegorias. A critica social é uma constante e o texto flui bem e com humor. Decerto daria uma boa peça de teatro. No entanto, é de difícil compreensão, dada a sua complexidade.

  19. Catarina Cunha
    20 de abril de 2018

    Frase chave: “Nenhum homem é maior que seus atos, não porque seja o homem pior que seus atos, mas pelo desapreço com que os pratica mundo afora: falta-lhe sempre a razão, habita o silêncio das certezas.”

    E bota experimental nisso! O vocabulário é riquíssimo, até extrapolou com um “gonzínios”. Neologismo? Pensei se tratar das presas, mas no fundo não sei o que é.
    Achei extremamente criativo, mas prolixo além da conta. Sou a chata rainha da toalha, então vou mandar essa sugestão: enxugar as pontas, principalmente nesse meião, para dar mais velocidade à trama. O experimental sem nexo pode surpreender ou apenas cansar. Depende de quem lê.

  20. Rose Hahn
    19 de abril de 2018

    Caro Autor, alinhada com a proposta do desafio, estou “experimentando” uma forma diferente de tecer os comentários: concisa, objetiva, sem firulas, e seguindo os aspectos de avaliação de acordo com a técnica literária do “joelhaço” desenvolvida pelo meu conterrâneo, o Analista de Bagé:

    . Escrita: Doidoidoidaça;
    . Enredo: Não entendi bulhufas, o que é positivo, dado o tema proposto;
    . Adequação ao tema: Sem pé, nem cabeça, vai pras “cabeças” do Top10;
    . Emoção: “Interessa-me apenas o furo, Mamãe. Há de me vir o furo sem o menino?”“Impossível, Carneguíssimo, não segue um sem o outro. É da natureza dos meninos, se não dos furos, andarem aos pares.” Kkkkk.
    . Criatividade: Transbordante.

    . Nota: Totototô pensando. Alguns descontos por conta do excesso de “baixarias”, enenenjoei.

  21. Thata Pereira
    19 de abril de 2018

    É isso que eu chamo de um conto experimental, sai da leitura tontinha. Comecei a ler ele ontem de noite, mas não estava conseguindo entender, por isso resolvi retomar a leitura hoje. Não é um conto para ler correndo, muito menos com a cabeça cheia das atividades do dia.

    Caramba, que escrita complexa. E não digo apenas pelo fato do narrador ser gago, mas os diálogos aqui são muito perfeitos. Muitas vezes durante a primeira leitura me senti perdida, e resolvi retomá-la tirando um pouco da complexidade que podia, como ler o narrador normalmente. Acho injusto fazer, mas como já havia passado pela experiência de ler o conto da forma como está da primeira vez, arrisquei.

    Li em alguns comentários que alguns leitores falam de humor. Talvez pela presença de elementos surreais, mas mesmo com eles não encontrei o humor aqui. Sobretudo porque são tratados temas bastante complexos e a sua escrita aplica à história um peso indescritível em palavras. E não é ruim. Isso tira o leitor da zona de conforto de uma forma que poucos autores são capazes de fazer e eu admiro muito isso.

    Boa sorte!!

  22. rsollberg
    17 de abril de 2018

    Fala, Ludomir!!

    Na boa, esse conto possui a incrível capacidade de criar sinapses. Se eu fosse um computador estaria todo iluminado soando barulhinhos mecânicos de roldanas e encaixes trabalhando em jornada dupla.
    O seu narrador é um achado, um alivio cômico mesmo dentro de um texto Cômico, porém denso.

    O absurdo é que mesmo diante de tantos absurdos, a familiaridade com PMs truculentos e padres pedófilos não nos parece tão absurda quanto uma mãe com inúmeros peitos! As referências pontuando todo o texto fez piscar novas luzes no meu nariz. James Joyce sentiria-se desafiado frente ao seu relato rebelde. E começaria uma espécie de batalha do rap justamente com essa frase: ““Inútil continuar. Joyce nunca retornará ao mundo para nos testar a canina paciência…”, disse Mamãe, caminhando.”

    Os diálogos são ótimos, e tem um pouco de Suassuna, e outra parte de Cordel, e muito humor no insólito, ainda que com uma parcela significante de lógica: “Impossível, Carneguíssimo, não segue um sem o outro. É da natureza dos meninos, se não dos furos, andarem aos pares.”.
    Se não fosse meu prrprio priapismo diria que esse conto possui doses afrodisíacas, ainda que para brancos, de estimulo sexo-neural.

    Parabéns

  23. Luís Amorim
    16 de abril de 2018

    Um conto com alguma sátira religiosa e social, bastante teatral.
    Experimental mas ainda assim faço o reparo pelo calão usado. Têm sido vários os contos que optam pelo calão e eu acho uma pena. Pode ser-se experimental sem o uso do dele.

    • Luís Amorim
      16 de abril de 2018

      Pode ser-se experimental sem o uso dele.

  24. jowilton
    15 de abril de 2018

    Muito bom. Achei o texto bem teatral, meio teatro do absurdo. As imagens que se formam quando lemos são bem surreaia e perturbadoras em alguns momentos. Os policiais mamanfo na matrona, que tem quatro tetas, é uma delas. Os dialogos são muito bons, e reafirmam este tom teatral, em minha opinião. A ctítica social e o humor acrescentam qualidade ao conto. Boa sorte no desafio.

  25. iolandinhapinheiro
    14 de abril de 2018

    Olá, Sr. Ludomir

    Gostei muito do seu gaguinho. Uma das ideias que tive para este desafio era fazer um diálogo entre um fanho e um gago, felizmente não o fiz, ia sumir diante de sua loucura revolucionária.

    Eis que não sobra pedra sobre pedra. No início pensei que a mãe do gago era uma cadela, por ficar de quatro e por ter muitas tetas, fosse o que fosse ela parecia uma personagem de Murilo Rubião e seus momentos mais absurdos.

    Deu uma agonia que a história se desenrolasse enquanto a criança era espancada e torturada pelos policiais. Não foi um conto agradável de ler. Se o experimentalismo foi provocar emoções como nojo e inquietação, vc teve êxito na sua proposta comigo.

    Parabéns pela enorme criatividade. Abraços!

  26. Rubem Cabral
    5 de abril de 2018

    Olá, Ludomir.

    Estava esperando por um conto louco assim, que bom que você o escreveu! Gostei bastante do absurdo, do narrador gago, da Mamãe equina, da mulher menstruada e nua, dos policais violentos e do padre abusador de meninos. Algumas frases foram bem inspiradas e me fizeram rir, feito “Pois saiba, Santíssimo Carnegão, que o Chico já partiu para reconquistar sua Menarquia, mas volta logo, em um mês.”

    Hahahahahaha! Monarquia x menarca? Chico!?

    O conto lembrou-me daquelas peças do Gogol, ou um Kafka que tomou ácido. Achei muito bom!

    Abraços e boa sorte no desafio!

  27. Ana Maria Monteiro
    4 de abril de 2018

    Olá, Ludomir. É-me muito difícil comentar o seu conto; ainda mais do que foi lê-lo procurando um fio condutor que fosse além do caos aparente. Não cheguei muito longe, confesso. Percebi a crítica, a cultura, vi pancadaria a torto e a direito e tive a sensação que, de alguma forma, você estava no meio dessa pancadaria enquanto escrevia. Por algum motivo, ver foi mais activo e agradável que ler. Enfim, no espaço de 2000 palavras (que pareceram mais) você conseguiu o que em Portugal chamamos de “dar bordoada de três em pipa” a torto e a direito, à esquerda, à direita e até ao centro. Oriente, Ocidente, passado e presente, cultura, costumes, religião e seus representantes, autoridade e civis. Levou tudo à frente.
    No entanto e ao final, se alguém me pedisse que contasse a história, teria que lhe dizer que a lesse e tirasse as suas conclusões, pois é inenarrável.
    Experimental? Sim, talvez, não sei. Não conseguiria classificá-lo fora do nonsense.
    Foi uma experiência lê-la, também deve ter sido escrevê-la. Então é experimental.
    Quanto ao autor/a, não me restam dúvidas de que sabe escrever e o que escreve.
    Parabéns e boa sorte no desafio.

  28. Paula Giannini
    2 de abril de 2018

    Olá autor(a),

    Tudo bem?

    Gostei da interpretação do Angelo Rodrigues quando falou em anárquico e, vou aqui pegar uma carona.

    Para mim, como leitora, a palavra chave, aquela que liga seu público (no caso aqui eu) ao texto, é a palavra “carbonários”. Bem, minha tataravó (a emblemática bailarina Marieta Baderna) foi uma carbonária e, por conta das pesquisas de genealogia de minha mãe, aprendi muito sobre o movimento que pregava o anarquismo, ou melhor, o governo do povo, o governo sem governo. Também fui produtora da série da Band “A Colônia Cecília”, um clássico do anarquismo no Brasil. Mas isso foi em uma outra vida, há tempo demais para seja levado em conta.

    E foi norteada pela ideia de anarquismo, que enxerguei no conto uma forte crítica social na qual a mamãe seria nossa Pátria, ou melhor Mátria. Uma Mátria que, ao passo que pode ser pródiga e farta, com suas tetas tanto para os poderosos “meganhas” quanto para o povo, em sua opulência de recursos, pode, também, por outro lado, ser carrasca e entregar os próprios filhos à miséria.

    Como construção narrativa o trabalho funciona, também, trabalhando com uma sensação de estranhamento na linguagem e na inversão de papéis. Aqui, o caos criador leva ao anarquismo, não como o conhecemos hoje como vernáculo sinônimo de bagunça (mas também – uma bagunça pensada), mas, como o anarquismo em sua essência, a proposta de um povo governado por si mesmo e a seu bel prazer. Será que isso funcionaria? Bem, creio que o próprio texto, ao nos mostrar a dualidade do ser humano, nos prova que não.

    Parabens por seu trabalho.

    Sorte no desafio.

    Beijos
    Paula Giannini

  29. werneck2017
    1 de abril de 2018

    Olá,

    O texto fala com certo humor sobre opressão. E sobre padres pedófilos, adolescentes envolvidos com crime e prostituição. E sobre pessoas oprimidas contadas por um narrador gago. Apesar da boa escrita, das referências literárias, do vocabulário bem ajustado, do tema bem escolhido, a leitura não fluiu como eu gostaria, tendo eu de voltar ao texto por mais de uma vez para entender a narrativa. De qualquer forma, um bom texto. E, definitivamente, experimental. Boa sorte.

  30. Fabio Baptista
    29 de março de 2018

    Um conto divertido, certamente atendendo o tema experimental, seja pelo narrador gago, pela maneira ágil de relatar os acontecimentos ou pelas transições malucas de eventos. Eu gostei no geral, cheguei a rir alto na parte das pregas do cu. Mas, assim como em muitos outros textos do desafio, fiquei com impressão de estar lendo só um fluxo de ideias aleatórias, um videoclipe cheio de recortes. Ok, até dá pra tirar algumas questões tipo truculência policial e tal, mas tenho impressão que o conto ficaria melhor sem tantos desvios do caminho principal.

    Abraço!

  31. Evandro Furtado
    28 de março de 2018

    Que soco no estômago!!!
    O experimentalismo navega forma, conteúdo e elementos de gênero. Da gagueira do narrador (provocada ela pelo medo?) ao desencaixe da trama.
    Uma história que muito mais se propõe ao pensar do que ao entreter. Crítica à autoridade, à religião, à alienação, à pobreza, ao preconceito. Crítica à crítica, inclusive. O autor conseguir dizer tudo, sem dizer muito, talvez sem dizer nada. Mamãe é a favela, com suas tetas gordas que alimentam os pretos e os pobres. Os pepepeemes são soldados robóticos, carentes, sempre a obedecer ordens, vindas de quem venham, contanto que a figura que as profira lhe pareça imponente o suficiente. O padre com sua obsessão por buracos (inclusive as chagas de Jesus, talvez?). E o menino com sua dor e seus gritos, vestimentas caras, mas nú.
    Poética, a linguagem constrói o conto de forma majestosa, Ela não segue forma, cria a sua própria, até porque existe num mundo só seu, onde é preciso submergir para fazer sentido (inclusive o leitor).
    Não me resta dúvidas.

    Oooooooooooooooooooooooooooooooooooooutstanding!!!

  32. Ricardo Gnecco Falco
    23 de março de 2018

    PONTOS POSITIVOS = Pensar (e escrever) “fora da caixinha”. O(a) autor(a) trouxe aqui um texto, praticamente, dadaísta… Rs! Um narrador gago, desbocado; críticas sociais e religiosas… Realmente, um texto experimental. Parabéns por isso!

    PONTOS NEGATIVOS = A ‘viagem’, talvez, um pouco além do entendimento comum… Não sei se os leitores estarão preparados para entrar nesta espaçonave criativa, ousada e crítica. Para mim, confesso que, ao final, fiquei com aquela sensação: “Será que eu entendi essa porra?” E, logo depois: “Será que ALGUÉM entendeu essa porra?”. Enfim… Acho que experimentar é isso!

    IMPRESÕES PESSOAIS = Um trabalho que soa (bem) divergente entre os demais. E isso, vamos combinar, deve ser o mais desejado em um Desafio Experimental: Divergir. Ou seja: Parabéns!

    SUGESTÕES PERTINENTES = Tentar (se possível), aumentar a tangencialidade do compreensível. Ou, então, chutar logo o balde e deixar, TUDO, impossível de se entender. Esse “mais ou menos” aqui presente é o que, talvez, desabone um pouquinho o seu trabalho.

    Boa sorte no Desafio!

  33. Fernando Cyrino.
    20 de março de 2018

    Olá, Ludomir. Que porra é essa que você me apresenta aqui? Dei umas boas risadas, também tive a minha cota de nojos, confesso-lhe que sofri com o menino a gritar os puliça, os puliça enquanto era espancado sob as patas dos pangarés e sem deixar cair o boné e muito menos largar os tênis tão caros, gostei das críticas que faz ao sistema, viajei por Joyce, lamentei as mazelas de gente da Igreja… e cheguei ao final de tudo. E então lhe digo o quê? Digo que não entendi bem a sua experimentação. Uma anarquia tremenda, um cipoal de cultura imbricada na narrativa, um passar desvairado de cenas, muita loucura, mas fio da meada que é bom mesmo não encontrei. Bem, deve ser questão meramente minha e agora até que estou aqui bastante curioso para ir ler as críticas que os outros leitores fizeram ao seu conto. Bem, é isto. Parabéns pela cultura, pela loucura, pela experimentação, bem como também os meus lamentos por não ter conseguido acompanhá-lo, mesmo relendo e trilendo o texto. Abraços.

  34. Evelyn Postali
    19 de março de 2018

    Criatura! Li. Parei. Voltei. Retomei a leitura. Você não estava narrando, mas contando. Eu pude ouvir você narrar cada trecho dessa balbúrdia – no bom sentido da coisa – entremeada de citações da literatura. Deve ter dado trabalho fazer isso tudo acontecer dentro de duas mil palavras e você deve ter usado toda a cota. Se eu entendi algo? Sim. Entendi algumas críticas com relação a nossa sociedade, sempre muito capitalista, cheia de escuridão.

  35. Antonio Stegues Batista
    17 de março de 2018

    Certamente um conto humorístico, uma história absurda, com citações aleatórias, palavras em outro idioma que eu não entendi, só entendo o idioma português brasileiro. Experimental? Não sei. O humor é uma boa ferramenta para construir uma história experimental? Até pode, depende do experimento. Um narrador gago ou defeito de digitação?Bbboa sorte.

  36. Regina Ruth Rincon Caires
    17 de março de 2018

    O que provoca uma balbúrdia ainda maior, neste texto, além da complexidade de informações, do alto teor de conhecimento vários do autor, é o fato de ser um “texto falado”. O narrador é gago, ele não está escrevendo um conto, ele está “contando” oralmente um conto. Gago não escreve e nem canta gaguejando. Não é apenas a fala de um personagem gago, como estamos acostumados a ler, aqui é um narrador falante e gago. Uma pegada inteligente, diferente de tudo que “li” até hoje, uma técnica muito criativa.

    O texto tem uma profusão de tresloucadas opiniões. O “bicho-mãe” seria um marsupial ou um outro mamífero, entre tantos, acometido de alguma aberração, anomalia? Na verdade, tudo é muito estranho, mas muito bem escrito. Linguagem primorosa.

    Fala-se, insistentemente, sobre o Tabuleiro de Ouija, numa busca constante de orientação através dos espíritos, adivinhos do futuro. Há citação de James Joyce colocada numa roda de acertos/erros/chutes.

    “Um Partisan?, um Hussardo?, um Carbonário?, um Cruzadinho de Urbano II?”
    Aparecem citações, termos que precisei buscar: “Partisan” = membro da tropa (bélico), “Hussardo” = soldado da cavalaria (bélico), “Carbonário” = membro de uma sociedade secreta revolucionária (bélico), “Cruzadinho” = diminutivo de alistado em cruzadas (bélico). É. O autor tem vasto conhecimento do assunto.

    Inteligente a crítica sorrateira que o texto exibe. Discussões seríssimas. Pedofilia do pároco, corrupção, falta de compaixão, impiedade, humanidade banalizada. Tudo tratado de modo matreiro.

    Enfim, LUDOMIR, a sua escrita é perfeita, de inteligência ímpar. Parabéns!

    Boa sorte no desafio!

    Abraços…

  37. Higor Benízio
    17 de março de 2018

    Eu não entendi nada, sinceramente. Gostei da ideia de um narrador gago, hehe. Se fosse fanho também seria ainda melhor, ou mudo, já que o desafio é experimental.

    • Matheus Pacheco
      21 de abril de 2018

      Ah mano eu perdi meu comentário por conta de um erro…
      Mas esse conto é uma das pérolas experimentais do desafio, tanto pela temática (anarquia) quanto a linguagem usada, vale dizer que foi a linguagem que me ganhou…
      Ótimo conto amigão, abração.

  38. José Américo de Moura
    16 de março de 2018

    Achei bom, um conto história que me deixou agonizado, como se eu tivesse vendo o sofrimento das pessoas diante dos “puliças’ que torturavam uma criança envolvida com o crime em troca de objetos de consumo. Uma mãe que sofria diante de sua fé e de seu Deus, sem nada poder fazer pra aliviar a dor do povo sofredor. Um sofrimento que só a morte poderia aliviar. Me desculpe o nobre escritor mas foi assim que vi o seu conto experimental.

  39. Paulo Luís Ferreira
    15 de março de 2018

    A princípio um conto de difícil compreensão e continua assim até o fim, se é que teve um fim. Afora a brincadeira este conto é realmente um tanto complicado. Não consegui entender em verdade do que se trata. Apenas que é uma balbúrdia total. Até mesmo a alusão ao James Joyce ficou flutuando, quando eu pensei que o enredo fosse enveredar por aquelas fendas, mas destrambelhou-se de novo e eu perdi o fio da meada. Visto que, assim como o James, o mote dos experimentalistas, me parece ser que, quanto mais se fizer incompreensível, mais experimental será ele. Mas de qualquer forma, acredito que o problema esteja comigo mesmo, pois o conto em si tem a marca de um conto um tanto inteligente, com o estigma do anárquico, a ver o próprio texto o sê-lo, e nuances herméticas e enigmáticas, tanto por isso muito me pareceu obscuro, ou pouco claro, por assim dizer. Entretanto não deixei de entender como uma sátira a este Brasil desde os dias de seu achamento, quando aqui depositaram seus degredados e outras infâmias mais, cuja sentença, “Em aqui se plantando tudo dá”, não só se germinou como se proliferou como uma bênção dos céus. Haja vista, os ladrões, a pedofilia sarcedotal e os políticos corruptos, empesteado por todo o território brasileiro. Enfim me bastou só esta sentença para me valer todo o conto: “Se Deus nos houvesse dado um Deus que nos houvesse dado um Deus que nos houvesse dado um Deus… ajuizado, haveria ele de dar ao Homem a Sabedoria, nunca a desgraça do Conhecimento.”

  40. Fheluany Nogueira
    15 de março de 2018

    O conto, realmente está ligado ao Anarquismo, pois traz nas entrelinhas uma afronta à ordem social, aos costumes, defende a liberdade responsável. A crítica social é severa (boné e tênis de marca, padre pedófilo, corrupção policial), a História da colonização é revista, a maternidade é analisada de um ângulo novo (a mãe é humana ou de outra espécie?). Gostei do narrador gago. Sem dúvidas um texto experimental que, ao mesmo tempo, faz rir e refletir.

    Trabalho muito bom. Parabéns pela inventividade! Boa sorte no desafio. Abraço.

  41. Angelo Rodrigues
    15 de março de 2018

    Caro Ludomir,

    gostei do seu conto.
    uma narrativa anárquica onde nada significa, necessariamente, o que parece ser.
    Um narrador gago, uma protagonista que não se sabe se é humana ou um quadrúpede que tem oito mamilos. Uma rata, uma cadela…

    Esculacha tudo, desde o menino pobre que tem um boné Vans e um par de tênis Nike de mil dólares até o Deus supremo, que, ao final, possui a protagonista.

    Padre pedófilos, falsas virgens, policiais corruptos, humanidade cruel e tal.
    Uma experiência anárquica na retórica dissociava, onde não é possível se saber quem é contra ou quem é a favor de quem ou de quê.

    Nem James Joyce escapou das malvadezas do autor por atazanar a vida dos leitores com seu Finnegans Wake.

    Quase esqueci que até portugueses e espanhóis foram acossados com o poema, quando mandaram para as Américas seus putos e putas que atormentavam aqueles reinos e, vindos para cá, fizeram deste lugar um “gran e verdadeiro inferno”.

    Boa sorte no desafio.

E Então? O que achou?

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

w

Conectando a %s

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.

Informação

Publicado às 14 de março de 2018 por em Experimental e marcado .