EntreContos

Detox Literário.

Morgana (Renata Rothstein)

Meu nome é Morgana, tenho sete anos, gosto de sorrir, amo ler, uso sempre um lenço vermelho na minha cabeça (hoje até acho bonitinho), e para mim a vida é feita de paredes brancas e leitos com lençóis azuis trocados duas, às vezes três vezes ao dia.

Não entendo bem o porquê, mas me chamam de guerreira todo o tempo.

Por aqui circulam muitos doutores e enfermeiras que me examinam, veem se estou com febre e ajeitam os fios que –dizem -, lavam o meu sanguinho.

Penso sempre em como vim parar aqui: quando eu tinha três aninhos fui ao médico com minha mãe, estava sentindo dor na barriga e botando sangue pelo nariz.

Eu não entendia nada, sabe? Mas percebi que mamãe e papai estavam muito preocupados, enquanto o doutor explicava o resultado dos exames naquela sala amarela.

Eu brincava com o cavalinho de madeira e uma boneca que, para mim, era uma fada de verdade: tão linda…foi quando ouvi o médico dizer a palavra “tumor”, enquanto mamãe chorando muito, correu para mim e me abraçou tão forte que eu quase sufoquei.

Dali para a frente tudo ficou um pouco nublado, as lembranças vão e vêm.

Sei que uma vez passei quarenta e oito dias na UTI, é lá onde as crianças que estão em estado grave ficam.

Mamãe Érica sempre esteve ao meu lado, desde aquele dia no consultório do doutor Felipe. Claro, mamãe sempre está comigo.

O papai ficava também, mas ele e a mamãe começaram a brigar muito. Desconfio que por causa da minha doença, porque uma vez ouvi ele dizendo que não aguentava mais aquela maldita vida, que queria sua esposa de volta, que estava sempre sozinho.

Pior que era verdade, mamãe vive comigo no hospital.

Isso foi quando eu ainda morava em casa – faz tempo já – e vinha só de vez em quando aqui no Hospital Geral para tomar remédio na veia e sair.

Depois ele simplesmente sumiu de casa, eu me internei e o papai veio me ver duas vezes, então não apareceu mais.

Mamãe trabalha muito, coitada – ela tem que fazer faxina em quatro casas e correr para cá – até ouvi ela dizendo para a tia enfermeira que meu pai não paga pensão!

Não sei direito o que é, mas é triste imaginar papai sem pagar pensão e desaparecido, deve estar com muitos problemas, certamente.

Eu me preocupo, mas não digo nada para a mamãe. Sou assim mesmo.

Ah! Quando eu sair daqui, vou querer um cachorrinho, já disse? Não? Pois é, um amigo para a vida inteira.

A mamãe prometeu, mas depois inclinou a cabeça, e chorou muito.

Deve ser porque cachorro e criança fazem bagunça demais.

Agorinha há pouco dois médicos vieram falar com a mamãe: “sem um doador de rins a Morgana não vai aguentar, já está muito fraquinha.”

Reparei que disseram “sinto muito, vamos aguardar”, para a mamãe, apertaram sua mão e saíram.

Olhei dentro dos olhos de mamãe e sei lá, vi tanto e tanto que não consigo explicar. Vi tristeza, vi lembranças, saudade do que ela não viveu, vi um filme da vida de mamãe Érica passando bem ali, e eu era o centro do filme.

Quis dizer para ela não chorar, que eu estava bem, que logo, logo iria para casa, adotaríamos um cachorrinho que se chamaria Argos, voltaria para a escola e reencontraria meus amigos, mas não consegui – que estranho!

É que a voz não saía mais pela minha garganta, desconfio que era por causa daquele tubo que tinham colocado na semana passada, e até agora ninguém veio para tirar.

Incomoda bastante. Agora eu durmo quase o dia todo, então não penso muito nas dores fortes pelo meu corpo e nessas máquinas apitando todo o tempo na minha cabeça.

Eu sei que ficarei boa, eu sei porque já vi, enquanto estava na enfermaria, quatro ou cinco crianças que entraram – e saíram.

Fiquei tão feliz por elas! Fiquei muito feliz mesmo.

A minha melhor amiga, naqueles dias, foi a Mirella: morena e franzina, nove anos, cabeça totalmente rapada.

Todo dia pela manhã andava com esforço até a minha cama, me dava um beijo e dizia:

– Olá, Morgana meu anjinho, quer ganhar mais um beijinho? – e ria o riso mais alegre daquele hospital, ao menos para mim.

Passavam-se assim os dias, naquele lugar de tratamento, reencontros e tristezas. De alegrias, também.

Um dia acordei e não vi Mirella, nem suas coisas, nem a mãe e o pai já idoso, que todo dia estavam lá, com ela. Me assustei, estava só, mamãe no trabalho, o quarto vazio.

A enfermeira entrou, perguntei pela minha amiga, mas a enfermeira não disse nada.

Saiu do quarto chorando.

Lembro até hoje desse dia. Já ia começar a chorar, quando ouvi uma voz conhecida bem perto do meu ouvido, dizendo: – Olá, Morgana, meu anjinho, quer ganhar mais um beijinho?

Era Mirella, sorrindo contente… e com cabelos compridos! Nos abraçamos e rimos, passei a mão pelos seus cabelos comentando como haviam crescido rápido. E ela apenas sorriu e me deu a mão.

Vi que não tinha marcas de agulhas, do soro, nada. Uau, ficar boa é assim? – pensei, animada.

Depois de alguns minutos, Mirella finalmente me olhou e disse que era hora de ir.

Fiquei bem triste, mas compreendi, afinal hospital é para quem está doente, e ela estava curada. Que bom!

Uma moça ruiva de vestido lilás veio até a minha cama, deu a mão à minha amiga, e as duas saíram da enfermaria. Mirella acenando, enquanto uma lágrima rolava pelo seu rosto.

Bem, é por isso que sei que também vou ficar boa, todos os dias eu sei que meus rins vão chegar, e meu sangue vai ficar bom e vou sair daqui.

******

Lembro das máquinas apitando, o mundo escurecendo, mamãe gritando para que salvassem sua filhinha, lembro da enfermeira, agitada, colocando alguma coisa numa seringa, lembro de palavras que não entendi: desfibrilador, massagem cardíaca, hora do óbito…

Lembro de me sentir bem, muito bem, e de ter visto mamãe chorando. Devia ser de alívio – pensei.

Sentindo um bem-estar que jamais senti em toda minha curta existência, olhei em volta, vi os leitos da UTI, as tias enfermeiras chorando, os médicos conversando em voz baixa, a luz do sol refletindo no vidro da pequena janela que ficava acima do meu leito.

Olhei bem e então tudo fez sentido: sem espanto, vi meu próprio corpo sem vida naquela cama de hospital, leito oito, UTI dois.

Vi Mirella, sorrindo, braços abertos, dizendo que era assim, que agora eu também estava curada, como ela.

E compreendi tudo.

Um homem caminhou até minha mãe, minha tão amada mãe, e falou algo muito importante, mas que minha pobre e querida mãe não estava ainda pronta para refletir.

Era o doutor responsável pela doação de órgãos intra-hospitalar. Ele disse para a mamãe que meus olhos poderiam fazer outra criança enxergar, que apesar do meu estado grave (eu nem percebi nunca sobre meu estado grave, mamãe me poupou mesmo), minhas córneas serviriam para que outra criança enxergasse.

Eu vibrei, mas fiquei assustada quando mamãe começou a gritar que não, não permitiria, nunca, que sua filhinha fosse cortada, retalhada, maltratada – e chorava e gritava.

Caminhei passos de pluma até ela, passei a mão pelos seus cabelos – eram tão lindos! -, dei um beijo leve em sua face, falei em seu ouvido:

– Mamãe, doe, eu estou bem, você não pode me ver, mas juro,  estou bem, estou feliz, tenho até cabelos agora, se você pudesse me ver, mamãe….doe e faça por alguém o que não puderam fazer por nós.O motivo não interessa mais, mamãe, apenas doe! – e assim eu estarei sempre viva.

Nesse instante mamãe parou de chorar, olhou na minha direção, sem me ver, suspirou profundamente e, mais calma, autorizou a doação.

Ali foi uma despedida, e uma constatação do que eu já sabia: minha mãe era uma super mãe, uma sobrevivente, e seguiria sua vida, seria triste, mas ainda assim seria feliz.

Era a vida.

Naquele momento era como se eu soubesse de tudo: passado, presente e futuro não existiam, apenas o ser, grandioso e radiante.

A minha sobrevivência veio do poder da minha mamãe, e a minha nova vida começava agora.

Tudo é poder, quando estendemos a mão.

A moça de vestido lilás e Mirella me deram as mãos.

Tudo transformou-se em brilho e luz, para sempre.

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73 comentários em “Morgana (Renata Rothstein)

  1. Marco Aurélio Saraiva
    30 de dezembro de 2017

    =====TRAMA=====

    Este conto é toda a história de vida (curta) de Morgana. Com uma forte carga dramática, você nos narra o que é viver em um hospital, com a sombra da morte sobre a sua cabeça o tempo inteiro, e ainda sem saber direito o que está acontecendo, já que o narrador é uma criança muito pequena. Acho um conceito válido de enredo, mas que, como aprensetado aqui, é desprovido de conflitos, um tanto previsível e, por isso, um pouco entediante. Deixa eu me explicar:

    Desde o primeiro momento, o leitor já sabe que Morgana tem um tumor e está internada, já que isso é bem explicadinho no conto. Fica claro também que a proposta do conto, endo narrado em primeira pessoa, é a de uma criança que não entende o que acontece ao redor dela e que tenta criar explicações, sempre infantis, para o que ela vê. Ponto final. Não há muita abertura para desenvolvimento aí: o leitor entende, desde o princípio, que tudo o que o conto fará será narrar a curta história de Morgana do seu infantil ponto de vista, até o fim da sua existência.
    A única forma de surpreender aqui seria tornar esta história que Morgana nos conta numa verdadeira odisséia; algo realmente inesperado. Mas toda a história dela acontece da forma mais previsivel possivel.

    Talvez se você tivesse se dedicado mais a mostrar os conflitos (em terceira pessoa), o conto se tornaria mais empolgante. Mostrar a briga entre o pai e mãe de Morgana. A resistência da mãe dela para doar a sua córnea. Conflitos entre os médicos, etc.

    Por fim, não há superpoderes neste conto, me desculpe. Eu precisaria extrapolar muito para tentar encontrar um por aqui. Apesar da sua frase no final, feita claramente para levar a atenção do leitor sobre que tipo de superpoderes estamos lidando aqui, não fiquei convencido.

    “Tudo é poder, quando estendemos a mão.”

    =====TÉCNICA=====

    Muito boa. Uma leitura simples e fluida. Senti a falta do tal “mostrar mais e contar menos” mas, tirando isso, sua técnica é muito boa.

  2. Pedro Luna
    30 de dezembro de 2017

    O conto não é ruim, claro que não, mas ele foi na mesma onda da emoção que muitos outros seguiram. Sei lá, esse lance de hospital, tumor, doença, não sei, tudo está me parecendo igual ao que já vi antes. Não estou tirando pontos por conta dessa dramaticidade toda nos contos, mas me incomodou um pouco. Cara, Sakuro, você escreve muito bem, mas não fui engolido pela trama. A narração infantil me incomodou um pouco, em alguns momentos foi tão açucarado que achei forçado. O que mais gostei foi o lance da ênfase na doação de órgãos, uma mensagem bonita e aí sim, algo que não se vê sempre por aqui. No geral, o conto é ótimo na escrita mas a trama não foi forte, pelo menos para mim.

  3. Daniel Reis
    30 de dezembro de 2017

    36. Morgana (Sakura Haruno):
    Como PREMISSA, a história narrada por uma menina com câncer tem tudo para se tornar um drama. Mas o tratamento escolhido pelo autor, ainda que a TÉCNICA tenha sido comprometida pela falta de fidedignidade ao modo de falar de uma criança, conduziu a narrativa com leveza ao final inexorável. Como APRIMORAMENTO, acho que a linguagem poderia ser mais trabalhada como a narrativa de uma menina, não só no modo de falar, mas no modo de pensar e sentir. E algumas coisas, como a parte da doação, ficaram excessivas, a meu ver. De qualquer forma, boa sorte no desafio!

  4. sakuroharuno@bol.com.br
    29 de dezembro de 2017

    Olá, boa tarde!
    Agradeço a todos que leram e comentaram meu conto com tanto carinho e atenção.
    Obrigada de coração pelas dicas. Anotadas.

    Este Desafio, para mim, foi o mais complicado de lidar, em termos das críticas.
    Sobreviver em meio à extremas dores é algo comum, qualquer ser humano faz….não sei, tenho cá minhas dúvidas.
    Falar de doação de órgãos é panfletar – bom, se é mal visto, que seja, nunca se sabe quando precisaremos do trabalho de um panfletista 😉
    Falar de dor, amor e morte é piegas, okay, piegas demais.
    Tenho um “álibi” para justificar Morgana, mas nem sei se as explicações virão.
    Não sei em que mundo a maioria vive, mas no meu (infelizmente, pelo jeito), existe esse tipo de sofrimento – uma, duas, três vezes.
    Visitem a ala infantil do INCA, visitem UTI’s, vocês mesmos verão dezenas de Morganas..
    Ou não. Não visitem.
    Obrigada a todos, feliz 2018.

  5. Edinaldo Garcia
    29 de dezembro de 2017

    Morgana (Sakura Haruno)

    Trama: Garotinha relata como são seus dias num hospital. Pensei em outro resumo mas daria spoilers.

    Impressões: Um texto com cara de crônica. Tão ingênuo, mas bem feito no que se propôs a fazer (emocionar). Personagem principal e uma fofa, carismática; o pai é um lazarento safado rsr.

    Linguagem e escrita: Simplista. Achei que houve muita repetição, mas como era um relato de uma garotinha de oito anos até funcionou o tom infantil das palavras.

    Veredito: Uma boa crônica, recheada de carga dramática que me pegou de jeito. Infelizmente, só não poderei dar nota alta porque achei que fugiu do tema e não achar ser exatamente um conto.

  6. Ana Maria Monteiro
    29 de dezembro de 2017

    Olá, Sakura. Tudo bem? Desejo que esteja a viver um excelente período de festas.
    Começo por lhe apresentar a minha definição de conto: como lhe advém do próprio nome, em primeiro lugar um conto, conta, conta uma história, um momento, o que seja, mas destina-se a entreter e, eventualmente, a fazer pensar – ou não, pode ser simples entretenimento, não pode é ser outra coisa que não algo que conta.
    De igual forma deve prender a atenção, interessar, ser claro e agradar ao receptor. Este último factor é extremamente relativo na escrita onde, contrariamente ao que sucede com a oralidade, em que podemos adequar ao ouvinte o que contamos, ao escrever vamos ser lidos por pessoas que gostam e por outras que não gostam.
    Então, tentarei não levar em conta o aspecto de me agradar ou não.
    Ainda para este desafio, e porque no Entrecontos se trata disso mesmo, considero, além do já referido, a adequação ao tema e também (porque estamos a ser avaliados por colegas e entre iguais e que por isso mesmo são muito mais exigentes do que enquanto apenas simples leitores que todos somos) o cuidado e brio demonstrados pelo autor, fazendo uma revisão mínima do seu trabalho.
    A nota final procurará espelhar a minha percepção de todos os factores que nomeei.

    O seu conto está muito bem escrito e revela um autor competente e com tarimba, já a história… enfim, deixa um pouco a desejar, particularmente se atendermos ao tema do desafio. Sabe? Eu não aprecio heróis doentes de cancro (câncer, como vocês dizem), sejam eles crianças ou adultos. Não há heróis, há pessoas e circunstâncias incontornáveis que cada um vive como pode – e as crianças vivem-no quase sempre com muito mais dignidade e sabedoria que os adultos, talvez porque não têm ainda formada uma ideia tão física da vida. Então, a sua protagonista é uma menina como tantas outras, mas a quem sucedem desgraças em excesso. Isto não é, de todo, impossível; talvez, apenas e felizmente, raro. A linguagem desenvolvida por uma criança tão jovem está bem, pois consegue transmitir-nos o seu olhar, não achei nada forçada, como vi em alguns comentários (não li todos, mas sempre leio 3 ou 4, ao calhas). Não apreciei o excesso de palavras terminadas em “inho” e “inha”, achei lamechas, as crianças de hoje já são mais tecnológicas, menos “inhas”, felizmente. Está bem patente o apelo à doação de órgãos, mas está bem feito, sem exageros e é uma causa louvável. Nesse quesito, soube passar a mensagem de forma clara e sem se tornar panfletária. Algo muito óbvio (não sei porquê, mas sinto-o como uma certeza) é que este conto foi escrito por uma mulher e isso não tem a ver com a “pieguice”, os homens são igualmente piegas, mas com o papel da mãe, da mulher, das tias, amigas, a linguagem usada. O conto é no feminino.
    Por fim, temos o tema e aí devo dizer que não encontrei qualquer ligação. O poder de nos ultrapassarmos, de sermos maiores que nós em circunstâncias adversas é característico do ser humano na sua própria essência. Felizmente, nem todos precisam chegar a descobrir isso, mas está em nós, em todos nós. Então não é super, antes seria banal, se não fosse grande, e digo grande no melhor sentido da palavra. A doença, bem como as adversidades, não faz de ninguém mais nem menos do que é, apenas revela. Terminando, achei que você escreve muito bem mas não atendeu ao tema nem transcendeu com um conto cujo deslumbramento permitisse ignorar esse propósito.
    Parabéns e boa sorte no desafio.
    Feliz 2018!

  7. Leo Jardim
    28 de dezembro de 2017

    # Morgana (Sakura Haruno)

    📜 Trama (⭐⭐⭐▫▫):

    – é bonita e singela, mas um tanto simples e linear: temos, infelizmente, muitas crianças vivendo esse mesmo drama neste momento
    – o viés espiritual deixou a trama mais leve e otimista, mas não chegou a acrescentar muita originalidade; é também um elemento comum em histórias do tipo
    – esquecendo a análise técnica, é uma história triste e contada com muita beleza e suavidade, trabalhando uma mensagem importantíssima de doação de órgãos

    📝 Técnica (⭐⭐⭐▫▫):

    – existe, no texto, alguma confusão no tempo verbal, por exemplo: mamãe *vive* comigo no hospital (essa cena ocorreu no passado)
    – algumas frases não combinam com uma criança de 7 anos, por exemplo: deve estar com muitos problemas, *certamente*
    – parágrafos muito curtos; alguns com a mesma ideia poderiam ser unidos em um só, por exemplo: Quando eu sair daqui, vou querer um cachorrinho, já disse? Não? Pois é, um amigo para a vida inteira. (…) A mamãe prometeu, mas depois inclinou a cabeça, e chorou muito. (…) Deve ser porque cachorro e criança fazem bagunça demais.
    – de resto, corrigindo esses pontos, achei uma boa escrita

    💡 Criatividade (⭐▫▫):

    – como já adiantei, o texto não foge muito do comum em textos desse tipo

    🎯 Tema (▫▫):

    – não achei adequado ao tema do desafio, pois o máximo que vemos é uma mediunidade e isso não chega a ser um superpoder

    🎭 Impacto (⭐⭐⭐⭐▫):

    – o conto é todo focado na emoção e, apesar de parecer forçado em alguns pontos, acabou atingindo seu objetivo: me emocionou; não chegou a me arrancar lágrimas nem a molhar meus olhos, mas é uma história que sempre me emocionará

    • sakuroharuno@bol.com.br
      28 de dezembro de 2017

      Oi, Léo Jardim
      Obrigado pela leitura e pelo comentário.
      Vou anotar seus toques aqui, viu?
      Sobre o superpoder, realmente não pensei em mediunidade, a capacidade de sobrevivência em meio às adversidades seria o superpoder.
      Sobre o conto ser “simples”, tenho uma explicação, mas só após o término do desafio .
      Muito agradecido, abração!

  8. Fabio Baptista
    28 de dezembro de 2017

    Meu, quanta sofrência! kkkkkkkkkk

    Putz, tudo que tinha pra dar errado na vida da menina, deu! Nesse ponto, fiquei com a sensação que o(a) autor(a) pesou muito a mão no drama, toda frase parecia colocada com o objetivo de despertar pena pela situação da criança, caindo no exagero.

    A parte técnica também deixou um pouco a desejar. Pra mim não ficou muito legal a emulação da “voz” narrativa de uma criança de sete anos. As frases e parágrafos também ficaram muito curtos, deixando o texto um pouco truncado.

    O final é até bonito, e se destaca com um gosto de lição de moral de fábula. Ali é explicado a ideia do conceito de superpoder usado no texto. Honestamente, pra mim não se enquadra no tema, mas não estou considerando muito isso.

    Abraço!

    • sakuroharuno@bol.com.br
      28 de dezembro de 2017

      Oi, Fabio!
      poxa, até eu ri aqui com o sofrência hahahaha, mas infelizmente acontece, a vida é assim, imagina a arte?
      Confesso que pesei a mão 🙂
      Obrigado pela leitura,
      Sou seu fã
      Abraço!

  9. Fernando Cyrino.
    27 de dezembro de 2017

    Olá, Sakura, um conto que me toma pelos braços fortes da emoção. Uma história bonita de uma menina se preparando para partir, no hospital em que estava internada. Confesso-lhe, Sakura, que tive dificuldades com seu texto. Escrever como menina me fez o relato, algumas vez, perder em verossimilhança. Mesmo assim, lhe digo que você me traz uma narrativa muito boa. A história está bem contada, só que senti que o tanto que passou da emoção, faltou da parte literária. E aqui também me pergunto sobre o tal do superpoder? Senti falta dele. Seria o de ver a vida através do outro lado quando sussurra ao ouvido da sua mãe para que doe seus olhinhos? Bem, se o for, está bem explicado. Abraços.

    • sakuroharuno@bol.com.br
      28 de dezembro de 2017

      Oi, Fernando,
      Muito obrigado pela leitura e pelo comentário.
      Bom, eu busquei mesmo uma simplicidade na escrita que não sei se funcionou, foi uma experiência.
      Já o superpoder estava na capacidade de sobreviver. Nessa abordagem fugi de coisas fora da realidade, para focar na nossa vida, que é, muitas vezes, para super heróis.
      Abraços

  10. Fil Felix
    26 de dezembro de 2017

    É um conto curto e bastante doce, no modo feliz da palavra. Uma narrativa bonita, sobre superação, narrada pelo ponto de vista da menina, que conseguiu expressar bem sua inocência e ingenuidade, de como passou por todo o tratamento do tumor/ câncer. Essa questão estética, junto de cenas bem inspiradas, como quando encontra o espírito da amiga de quarto, ajudaram a criar um belo conto. Gostei. Porém, em relação ao tema, vi que associou a força da mãe ao superpoder, sua nova fé em continuar vivendo e doar os órgãos da filha. Porém foi um sussurro do espírito, que pode ter influenciado de maneira direta, então não enxerguei tão bem como poder, mas resiliência.

    • sakuroharuno@bol.com.br
      28 de dezembro de 2017

      Oi, Fil Felix!
      Então, feliz com seu comentário, viu?
      Sobre o superpoder, indo na contramão da maioria, eu acho que viver certas situações exige não só força, resiliência, mas a busca de um super poder que nos impulsione.
      Obrigado pela leitura,
      Abração

  11. Sigridi Borges
    26 de dezembro de 2017

    Olá, Sakura!
    Seu texto foi muito bem escrito, sem problemas de concordância.
    Uma pena não ter detectado nenhum superpoder. Não atendeu ao objetivo proposto pelo desafio, a meu ver.
    Triste realidade de pessoas acometidas por doenças gravíssimas que não conseguem alcançar a cura.
    Mãe preocupada e pai ausente não nos parece um caso isolado. São tantos dessa forma…
    Narrado por uma criança, o conto ficou leve. Não percebi deslizes.
    Obrigada por escrever.

    • sakuroharuno@bol.com.br
      28 de dezembro de 2017

      Olá, Sigridi Borges
      Obrigado pelo comentário, fico feliz com sua leitura.
      O superpoder, bom, eu tentei utilizar um super poder do dia a dia, mas parece que não ornou.
      Abração!

  12. Priscila Pereira
    26 de dezembro de 2017

    Superpoder: Imagino que para uma mãe sobreviver depois da perda de um filho seja necessário um superpoder mesmo…

    Olá Sakura, olha eu chorei lendo o seu conto… Narrar sob a perspectiva da criança foi essencial para emocionar o leitor. Você conseguiu passar muita emoção. Parabéns por isso. A leitura é fácil, o enredo é simples mas bem contado, o conto está bem escrito e bem revisado. Boa sorte!

    • sakuroharuno@bol.com.br
      28 de dezembro de 2017

      Oi, Priscila Pereira,
      Obrigado mesmo pela leitura e pelas palavras.
      Minha intenção foi justamente mostrar o quanto de super heróis nós podemos ter.
      Obrigado de coração,
      Abraços

  13. Estela Goulart
    26 de dezembro de 2017

    Olá. Nesse conto encontrei melancolia e alegria, não sei qual dos dois era de sua intenção, autor (a), mas a alegria e o otimismo foram predominantes. Gostei do conto, você conseguiu escrever como uma criança sem cair nos famosos clichês. Sorri em alguns trechos. Bem, a questão é que não encontrei o superpoder da personagem. Até tentei, mas considerando os superpoderes que já li nesse desafio, o seu conto pode ter sido escrito pensando em outro desafio. É bom, bonitinho, gostei, mas faltou trabalhar no principal: o superpoder. Parabéns e boa sorte.

    • sakuroharuno@bol.com.br
      28 de dezembro de 2017

      Oi, Estela Goulart,
      Obrigado mesmo pela leitura e pelo comentário tão generoso.
      Como venho explicando, optei por trazer um super poder inerente aos humanos “normais”, mas não funcionou bem.
      Meu muito obrigado sempre,
      Abraço

  14. Rubem Cabral
    26 de dezembro de 2017

    Olá, Sakura.

    Então, narradores-personagens costumam ser difíceis, em especial quando muito diferentes do autor, que tentará então emulá-los. Isso pode soar verdadeiro às vezes, mas costuma ser uma armadilha: acabamos por exagerar nos sotaques, nas expressões, etc. No seu caso, penso que seria melhor ter escolhido a mãe como narradora. A menina, tão novinha, não soa natural muitas vezes.
    Penso também que o enredo não ajudou muito, pelo conjunto de alguns lugares-comuns: mãe batalhadora e forte, pai covarde e fraco, menina dulcíssima e inocente.

    A mensagem final, de altruísmo e bondade, é boa e até atenua um pouco o calvário da história até então, de doença, morte e abandono…

    Quanto às escrita, ela é boa, sem voos metafóricos, mas correta é precisa em contar a história.

    Abraços e boa sorte no desafio!

    • sakuroharuno@bol.com.br
      28 de dezembro de 2017

      Oi, Rubem!
      Obrigado pela leitura, pelo comentário.
      Esse conto tem uma história, depois do Desafio eu conto, a narrativa em primeira pessoa, sendo a primeira pessoa uma criança, enfim, mas só depois rs
      Obrigado,
      Abraço

  15. Catarina Cunha
    26 de dezembro de 2017

    Escrever em primeira pessoa infantil é complicado. É muito fácil errar e deslizar em alguma expressão adulta. Mas aqui são raros os deslizes, exceto pelo amadurecimento e consciência não inerente à idade cronológica.
    A escrita é fluida e prática. Essa pegada espírita ficou um pouco desconfortável pela linearidade da trama; isto é, era esperado. Não consegui identificar o superpoder.

    • sakuroharuno@bol.com.br
      28 de dezembro de 2017

      Oi, Catarina,
      Super feliz com seu comentário, obrigado! Superpoder – mas o super está lá – é sobreviver em meio ao sofrimento….embora não saquemos logo de cara, muitas vezes somos “super”.
      Gosto muito de você, viu?
      Abraço

  16. eduardoselga
    26 de dezembro de 2017

    Caro(a) autor(a).
    Antes de tudo, interpretações do literário são versões acerca do texto, não necessariamente verdades. Além disso, o fato de não haver a intenção de construir essa ou aquela imagem no conto não significa a inexistência dela.

    A narrativa, principalmente em sua porção final, assemelha-se às que encontramos em romances espíritas, com um discurso de exaltação aos “bons sentimentos” e ao suposto lugar de paz reservado, após a morte, a quem os cultiva.

    Essa opção resulta numa narrativa melodramática, com alguma inverossimilhança. Por exemplo, a protagonista chamar a mãe e “Mamãe Érica”, muito possivelmente com o intuito de demonstrar o afeto que unia as duas. No entanto, penso que para alguém de sete anos é muita infantilização, contrariando várias outras partes em que esse nível de infantilidade não se mostra.

    A narrativa é separada em duas partes: antes de a protagonista ter consciência de sua morte e depois dela. Uma ideia que poderia ter funcionado a contento, não fosse a estranha mistura temporal de pretérito e presente que há sobretudo na primeira parte, a exemplo de “Por aqui CIRCULAM muitos doutores e enfermeiras que me EXAMINAM […]” e “Eu BRINCAVA com o cavalinho de madeira […]”.

    A princípio supus que o presente era resultado de a protagonista, morta, ter como lugar de fala o seu momento atual, mas trechos como “[…] meus rins vão chegar, e meu sangue vai ficar bom e vou sair daqui” desmontam essa ideia. Afinal, como extrair sangue de alguém já falecido? Outra possibilidade seria o tempo presente como projeção da personagem no interior do passado, mas, se for isso, o resultado em minha opinião não é bom.

    • sakuroharuno@bol.com.br
      28 de dezembro de 2017

      Oi, Eduardo Selga
      Obrigado por sua tão atenciosa leitura, pelo comentário e dicas também. Anotei.
      Olha, não tive intenção de abordar o lado espiritual, mas para um desenvolvimento do conto, até que é uma ótima ideia.
      Obrigado mesmo!
      Abraço

  17. Felipe Rodrigues
    25 de dezembro de 2017

    A presença da amiga de leito, da mulher ruiva e da protagonista forma uma tríade forte que segura o conto e causa interesse, até mesmo pq as três parecem meio fantasmagórica já de início, só contornando os obstáculos para finalmente verem os infelizes, vivos, seguirem suas vidas. Gostei dessa união de forças entre elas e, claro, há os momentos onde as doses dramáticas passam dos limites e irritam, sendo que um texto deste pede a maneira mais seca de narrar, exatamente por um motivo: em si já tem uma carga emotiva forte. O pai tbm me pareceu uma figura que poderia render mais.

    • sakuroharuno@bol.com.br
      28 de dezembro de 2017

      Oi, Felipe
      Muito obrigado pela leitura e comentário
      Abraços

  18. Andre Brizola
    25 de dezembro de 2017

    Salve, Sakura!

    Seu conto, esteticamente, é muito acima da média. É um drama com tema duro, triste, mas contado sob um prisma otimista. É difícil fazer algo assim sem soar piegas e citar a questão da doação sem ser panfletário. Acho que você conseguiu fugir dessas duas armadilhas de uma forma bastante elegante. E olha que eu não sou fã de dramas.
    Por outro lado, de certa forma, achei que se a vida de Morgana era foi contada sob esse viés mais otimista, o mesmo não pode ser dito da mãe. Por ser um personagem coadjuvante isso não vem à tona com tanta força, mas acho que algumas de suas “desgraças” poderia ter sido suprimida, afinal, a filha já estava morrendo. Mas é só uma opinião. Não contribui contra, mas não acrescenta muito.
    Mas aí vem a crítica. Não vi nenhum superpoder. Poderia ser o de ver e conversar com os mortos? Mas aí ela teria visto outros, imagino, e não só Mirela. Eu até concordo com um ponto de vista que o superpoder seria algo metafórico, algo como o superpoder de ajudar outra criança com a doação. Mas acho que isso teria que ser trabalhado melhor no texto para ficar mais claro.

    É isso! Boa sorte no desafio!

    • sakuroharuno@bol.com.br
      28 de dezembro de 2017

      Oi, André!
      Poxa, fiquei muito feliz mesmo com seu comentário. Obrigado!
      Na verdade o superpoder, para mim, estava na própria sobrevivência, na luta e a coisa da vida continuar, mas é isso, não deu como super poder.
      Obrigadão mesmo
      Abraço

  19. Luis Guilherme
    25 de dezembro de 2017

    Olá, amigo (a), td bem?

    Que bela história, singela e tocante.

    Voce tem um enredo bom em mãos, só achei que foi empregado no desafio errado. Até entendo e respeito o uso do superpoder como algo mais real e palpável, como já vi em outros contos do desafio. Mas achei que aqui ele ficou ausente demais.

    É uma pena, pois a história é realmente tocante.

    Tem um tom melancólico, mas ao mesmo tempo alegre. É uma mensagem de superação, daquelas que somente as crianças conseguem contar, e que você transmitiu bem na pele de Morgana. Como já disse nesse desafio, doença é meu ponto fraco e me toca muito, afinal, já passei por umas poucas e boas e quase morri. Sei como é esse momento, por isso, sou facilmente “emocionável”.

    A alegria e coragem da menina ao encarar a provação foram o ponto alto do conto. É fácil se sentir envolvido na imaginação da garota, alheia ao perigo que corre. O fim é muito bom, também, em especial a parte sobre a doação.

    Por outro lado, alguns pontos me incomodaram um pouco. Por exemplo, em alguns momentos, Morgana é totalmente inocente quanto a sua situação. Em outros, ela entende bem o que se passa. Em outros momentos, ainda, o autor tentou explicar a situação à partir do desentendimento da garota, como quando diz “ouvi palavras como desfibrilador”. Entendo que você quis deixar mais palpável para o leitor, mas acho que não tinha necessidade de deixar tão claro. Poderia usar mais metáforas ou as sensações da menina para retratar o momento da desfibrilação, por exemplo.

    Enfim, é um belo conto, tocante e emocionante, mas que merece um trabalho mais apurado, e que, infelizmente na minha opinião, ficou muito abaixo do esperado na adequação ao tema.

    Parabéns e boa sorte!

    Boas festas!

    • sakuroharuno@bol.com.br
      28 de dezembro de 2017

      Oi, Luis!
      Que maravilha de comentário, fico feliz que vc tenha gostado, de verdade.
      Obrigado pela leitura, pelas palavras de incentivo também,
      Abraços

  20. Rafael Penha
    25 de dezembro de 2017

    Olá, Sakura

    1- Tema: Infelizmente, não percebi qualquer conexão com o tema pedido. Mesmo entendendo uma alusão à mãe ter o superpoder da vida, a filha acabou morrendo, o que contradiz o conceito.

    2- Gramática: Achei a leitura excelente. Nenhum problema que tenha me atrapalhado.

    3- Estilo – A autora sabe como descrever e narrar como uma criança. A doçura e a meiguice transpiram nesse conto, sem perder a narrativa e a continuidade da história. A narrativa é fluida e prende a atenção até o derradeiro fim.

    4- Roteiro; Narrativa – Uma narrativa fácil e envolvente. A habilidade dessa história de nos fazer sentir o que a protagonista sente é notável. É emotiva, curiosa e pungente. A história progride de forma lenta, mas não chega a incomodar. Há momentos de verdadeira emoção e tristeza. O final é previsível, mas nem por isso perde seu impacto.

    Resumo: Conto bem escrito, e que atinge exatamente o coração do leitor. Infelizmente, o drama (maravilhosamente não percebido) da protagonista ofusca totalmente o objetivo do certame, que é explorar os superpoderes. Há uma pequena menção no fim do texto, mas que aparenta ter sido colocada apenas para justificar o texto no desafio, mas que nada se encaixa na trama. Mas não deixa de ser um conto maravilhoso.

    Grande abraço!

    • sakuroharuno@bol.com.br
      28 de dezembro de 2017

      Oi, Rafael Penha
      Muito obrigado por ler e comentar.
      Pois é, a ideia era passar que sobreviver, seja lá do jeito que der, às vezes exige de nós um mais que um poder “normal”.
      Seus comentários me deixam contentíssimo, obg mesmo!
      Abraço

  21. Pedro Paulo
    24 de dezembro de 2017

    Olá, entrecontista. Para este desafio me importa que o autor consiga escrever uma boa história enquanto adequada ao tema do certame. Significa dizer que, para além de estar dentro do tema, o conto tem que ser escrito em amplo domínio da língua portuguesa e em uma boa condução da narrativa. Espero que o meu comentário sirva como uma crítica construtiva. Boa sorte!

    Neste conto, a autora soube muito bem assumir a perspectiva de uma criança de sete anos, narrando as vicissitudes de sua vida no hospital e nos fazendo sofrer e se encantar pela inocência da menina e o seu otimismo genuíno que só poderia pertencer a uma criança de sua idade. Só li os comentários por cima e vi que houve pessoas para reclamar do melodrama, mas eu só ousaria fazer uma reclamação do tipo caso a autora não tivesse sabido conduzir no gênero. Além do mais, não acredito que ficou excessivamente dramático, a tristeza estando presente só na ambientação, uma vez que na narrativa da personagem, não há muito espaço para infelicidade, constatando-se muito mais um olhar perseverante sobre a própria situação.

    Devo comentar sobre alguns pontos negativos da história, porém. Com a personagem contando sobre o seu estado e sobre a própria vida, senti falta de uma base mais sólida para história, algum momento em que ela nos situasse em que momento ela está, sem começar já contando. Isto porque assim a história poderia começar com alguns indicativos de elementos que serão trazidos depois. Quando escrevo isto, é pensando especificamente na Miranda, que poderia ter sido mencionada por uma cama vazia ao lado ou até por saudades da protagonista no começo da história. Do modo como ela apareceu, realmente ficou mais como um elemento para adicionar tristeza à história, soando artificial.

    Outro aspecto negativo, e este pesa mais, é em relação à abordagem do conto sobre o desafio. Embora a personagem tenha conseguido se comunicar com a mãe enquanto fora do corpo, pareceu-me uma situação de pós-vida, não algo manifestado pela própria protagonista. Não reclamo que as personagens sejam passivas aos próprios poderes, mas não houve nenhuma indicação que a própria Morgana tenha se conduzido àquilo, simplesmente se vendo na situação. Sua partida para o que talvez seja o Paraíso confirmou ainda mais sua passividade nessa parte, de modo que, dentro do desafio, este conto perca um pouco de sua força por praticamente não abordar o tema.

    • sakuroharuno@bol.com.br
      28 de dezembro de 2017

      Oi Pedro Paulo,
      Primeiro queria agradecer pela leitura tão atenciosa, e pelo comentário,realmente qualquer participante fica lisonjeado por ver que seu texto é alvo de tanta atenção e cuidado.
      estou anotando tudo que vc apontou.
      obg mesmo,
      Abraços

  22. Bia Machado
    23 de dezembro de 2017

    – Enredo: 1/1 – Oi, Sakura! Seu enredo é simples, podemos dizer. Menina conta a sua história, uma criança entre tantas, infelizmente, que se veem nessa situação. Esse ano perdi um sobrinho de quinze anos, que passou a metade da vida tentando se curar de uma leucemia. Morro de medo de que isso aconteça com uma das minhas filhas, eu não sei se teria a mesma força que minha irmã mais nova, mãe dele, teve para lidar com isso. Realmente, um superpoder, porém um superpoder humano, que todos podem ter se acreditarem nisso.
    – Ritmo: 0,5/1 – Aqui descontei um pouco por conta de algumas coisas que julguei inverossímeis. Principalmente a questão de falar sobre o tumor, sobre os rins da menina não aguentarem, na frente dela. Isso não é feito na frente do paciente, ainda mais uma criança, compreende? Tudo é discutido fora do quarto do paciente. E isso quebrou o ritmo da minha leitura, pois me fez desviar o foco da história para pensar sobre essas questões.
    – Personagens: 0,5/1 – Se a menina diz que a mãe tinha esse superpoder, de ter passado por tudo o que ela passou, por que não dar mais espaço para a mãe? Ou, então, fazer a mãe como narradora? Imagino o momento da doação de órgãos narrado na perspectiva da mãe, ao ouvir o espírito de sua filha fazer o pedido. A menina é uma fofa, mas achei que a narração ficou muito madura para ela. As crianças de sete anos da escola onde estudo não demonstram essa maturidade toda que a menina demonstrou. Não basta colocá-la perguntando o que seriam determinados termos ouvidos, para caracterizar sua idade. Da forma com ela está, parece ter uns 10 anos. E eu não veria problema em dar essa idade a ela na história.
    – Emoção: 1/1 – Sim, eu gostei do conto e me emocionei demais com ele, como poderia ser diferente? Só acho que o drama poderia ter sido um pouco mais dosado.
    – Adequação ao tema: 0,3/0,5 – Aborda um superpoder, sim, mas na minha opinião o tema do desafio são os superpoderes que não podem ser adquiridos só de acreditarmos nisso, por sermos fortes ou aceitarmos o que está acontecendo, com coragem e resignação.
    – Gramática: 0,5/0,5 – Nada que me incomodasse.

    Dicas: Sem necessidade de contar palavras, desenvolver mais a vida das personagens, antes da internação, ou mostrar mais isso ao leitor. Mudar a idade da personagem, ou transferir o foco narrativo para a mãe, até mostrando coisas do cotidiano da mãe. Dosar mais o drama.

    Frase destaque: “Olhei dentro dos olhos de mamãe e sei lá, vi tanto e tanto que não consigo explicar.”

    Obs.: A somatória dos pontos colocados aqui pode não indicar a nota final, visto que após ler tudo, farei uma ponderação entre todos os contos lidos, podendo aumentar ou diminuir essa nota final por conta de estabelecer uma sequência coerente, comparando todos os contos.

    • sakuroharuno@bol.com.br
      28 de dezembro de 2017

      Olá, Bianca!
      Obrigado pela leitura e pelo comentário, viu? Vc sempre atenciosa, apontando os pontos bons, os que podemos melhorar, vc é 10!
      Sobre seu sobrinho, meus sentimentos, de verdade, é necessário daí tirar um superpoder, mesmo como tia, imagino como mãe.
      É bem complicado, um abraço forte.
      Sobre o médico ter falado sobre o estado de Morgana, é assim mesmo, está no Código de Ética Médica, é lei, se não com o paciente (caso seja criança, ou pessoa que não pode responder por ela no momento), o representante legal pode e deve ser comunicado sobre o real estado, a gravidade da situação. Isso se dá até mesmo para autorização de certos procedimentos.
      Já vi muito isso.
      No caso, o erro foi terem deixado Morgana ouvir, mas supõe-se que ela não teria entendido, como de fato não entendeu, no todo.
      É isso, grande abraço pra ti!

      • Bia Machado
        29 de dezembro de 2017

        Olá, então, me refiro a falar assim, abertamente, na frente da menina. Com minha irmã era um cuidado, não esconderam nada dela, mas conversaram com ela primeiro e depois ela e meu cunhado conversaram com meu sobrinho… Me refiro a quando acontece o diagnóstico de criança… Obrigada por responder!

  23. Juliana Calafange
    23 de dezembro de 2017

    Muito comovente sua história. A mensagem é muito bacana, doar é um gesto de extrema generosidade, e ser capaz desse desprendimento, num momento de dor tremenda, é coisa para espíritos elevados.
    O que me incomodou foi o tom ‘meloso’ do conto. Sendo narrado em 1ª pessoa, e sendo a narradora uma menina de 7 anos, talvez fosse interessante você tentar aproximar mais a linguagem da narrativa ao vocabulário de uma criança dessa idade.
    Parabéns e boa sorte!

    • sakuroharuno@bol.com.br
      28 de dezembro de 2017

      Oi, Juliana,
      Muito obrigado pela sua leitura e comentário, querida.
      Grande abraço!

  24. Jorge Santos
    21 de dezembro de 2017

    Olá, Sakura. No mangá, Sakura Haruno é uma heroína, uma das personagens principais (bendita Wikipédia). Aqui, a heroína é Morgana, e o seu superpoder é o mesmo de tantas crianças que partilham o seu triste destino, aqui descrito com todo o realismo. O conto é perfeito, agarrando o leitor desde a primeira palavra. Parabéns.

    • sakuroharuno@bol.com.br
      28 de dezembro de 2017

      Olá, Jorge!
      Muito obrigado por sua leitura, pela sensibilidade do comentário.
      Abraço!

  25. Paula Giannini
    21 de dezembro de 2017

    Olá, Autor(a),

    Tudo bem?

    Seu conto fala de uma triste realidade que ocorre o tempo todo em todos os locais do mundo. Crianças, não deveriam morrer. Não é natural, ao que nos parece. Mas, infelizmente, a natureza assim o permite, para a dor dos pais e de todos que cercam o pequeno ser.

    O(a) autor(a) optou por mostrar essa realidade do ponto de vista da própria menina, fazendo uma confissão que, ao contrário do que muitos por aqui acharam (sim eu li os comentários), não me pareceram apelativos de emoção. Para mim, a menina conta o que ocorre com ela como quem conta seu dia na escola, com a inocência de quem não entende bem o que se passa em seu corpo, em sua doença.

    Por que, então, alguns leitores sentem-se desconfortáveis imaginando o texto como apelativo ou didático?

    Isso é algo a se refletir.

    Aqui estamos para aprender todos, então tento fazer essa reflexão junto com o(a) autor(a).

    Melodrama é um gênero, que, especialmente no teatro fez e ainda faz sucesso. Existe o circo-teatro e teatro de pavilhão, ainda vivos no Sul e um pouco no Sudeste e que se utilizam desse tipo de drama, atraindo muito público e levando-os, sempre, às lágrimas. No gênero, existem títulos como “O Filho Pródigo”, “Maconha – Veneno Verde”, e, ouso incluir aí até o famoso e muito conhecido, “Marcelino Pão e Vinho”. Textos escritos com a mais ingênua e pura das verves, buscando sempre emocionar plateias às lágrimas.
    Talvez o gênero já não funcione na vida moderna. Talvez, fujamos da emoção, ou da armadilha que, espertamente, parecemos perceber que o(a) autor(a) armou para nós e negamos o gênero. Mas ele existe e como tal deve ser respeitado e até mais, lembrado para que não morra. Melodrama também é literatura.

    E emoções devem ser sempre bom vindas. Ainda que tão tristes.

    Parabéns.

    Desejo-lhe sorte no desafio.

    Beijos

    Paula Giannini

    • sakuroharuno@bol.com.br
      28 de dezembro de 2017

      Oi, Paula!
      Vc, como sempre, dando um banho ao falar com propriedade e generosidade, acho que isso de ser tão clara, serena e prudente, aliado ao seu talento ímpar, fazem de vc esse ser humano que brilha.
      Muito obrigado mesmo, Sou seu fã.
      Abraço

  26. João Freitas
    21 de dezembro de 2017

    Olá. 🙂

    Nota positiva pela forma como o conto está muito bem escrito. Acho que cumpriu bem a missão de escrever sob a perspectiva inocente de uma criança de sete anos.
    O conto é tocante mas não é marcante nem tem qualquer elemento que o torne único. Não estou certo que o mesmo se adeqúe ao tema.
    Sei que muitos criticaram o tom demasiado dramático mas eu não concordo, acho que ele está ótimo assim, apenas acho que não é o tipo de conto cujo público alvo sejam outros escritores, nomeadamente os restantes 46 escritores do entrecontos onde eu me incluo.
    Poderia ter no entanto muito sucesso sob leitores casuais que procuram histórias assim mais dramáticas. Não sendo o seu conto o de melhor qualidade na minha opinião, seria dos que pudesse ter mais mercado lá fora! E não há nada de errado com isso.

    Parabéns pelo conto e boa sorte. 🙂

    • sakuroharuno@bol.com.br
      28 de dezembro de 2017

      Oi, João Freitas,
      Obrigado, vou ver como melhorar.
      Abraço

  27. Bianca Amaro
    20 de dezembro de 2017

    Um conto que mostra a realidade de crianças com câncer e que é a favor do transplante de órgãos. A gramática está boa, além da narrativa ser ótima.
    O jeito inocente de mostrar como uma menininha de sete anos enxerga sua situação, sem ter muita noção do que realmente está acontecendo, foi uma ótima sacada. E parece mesmo que foi escrito por uma criança (isso é um elogio).
    Mas não achei muito adequado ao tema. Onde está o superpoder? Bom, talvez queira dizer que a pessoa que consegue passar por isso mantendo-se tão inocente tem superpoderes, ou algo assim. Muitos falam isso, talvez tenha sido essa uma das lições dadas pelo texto.
    Minha sugestão é que você corte um pouco o drama e deixe algum momento “feliz” na história, pois assim você conseguirá deixar o leitor mais comovido na hora da morte. Faça o leitor ser cativado pelo personagem, assim ele poderá chorar no final. Se você reescrever o texto, sem um limite de palavras, mostrando as experiências antes do câncer, a relação da menina com os pais e também mostrar como a menina lidou com a perda dos amigos, a mudança na rotina e as amizades que ela fez no hospital; ficará um texto que leitores fãs de drama apreciariam muito.
    Sinceramente, não é meu tipo de texto. Mas essa é somente uma opinião minha, seu texto foi muito bem escrito, e se você aceitar minha sugestão, acho que ficará ainda melhor.

    Parabéns e boa sorte!

    • sakuroharuno@bol.com.br
      28 de dezembro de 2017

      Oi, Bianca Amaro,
      Muito obrigado pela leitura, pelas dicas também, nossa, sem palavras aqui.
      Estou anotando todas.
      Valeu mesmo,
      Grande abraço

  28. Givago Domingues Thimoti
    20 de dezembro de 2017

    Olá, Sakura Haruno!

    Tudo bem?

    Sabe quando você escreve algo com uma intenção e saí outra completamente diferente? Pois é, tenho a impressão que foi o que aconteceu aqui.

    O conto é bonito, sem dúvidas disso, porém ficou um tanto exagerado demais. Achei, por exemplo, incrível que a Morgana tenha tanta capacidade de entender tudo o que a rodeia quando ela parece ter uns 5/6 anos (talvez eu tenha errado a idade ou perdido a referência. Nesse caso, me perdoe).

    O superpoder não ficou muito claro, mas entendi que ela tinha o poder de ver os mortos, além de suportar o peso de uma terrível de uma doença.

    Quanto à escrita, algumas construções me incomodaram e achei algumas repetições, mas creio que isso se deve à tentativa de incorporar a linguagem de uma criança.

    Boa sorte, Sakura, nesse desafio!

    PS: Gostei do pseudônimo, mas não entendi muito bem a escolha. É por que a Morgana e Sakura são parecidas?

  29. Higor Benizio
    20 de dezembro de 2017

    Podia ser um pouco menos “explicito”, eu acho. Uma situação em si pode emocionar ou impactar por ela própria, sem precisar que o autor escreva uma espécie de “mapa emocional”. Um bom exemplo de que a emoção pode vir apenas do contexto, sem imposições, é o conto aqui do desafio “O curto voo da borboleta”. Um bom exercício seria tentar descrever sentimentos, por exemplo, pegue um: “Alegria”, e escreva um longo parágrafo sobre este sentimento sem citá-lo em momento algum, é uma experiência bacana.

  30. iolandinhapinheiro
    20 de dezembro de 2017

    O melhor jeito de fazer o comentário é separando a obra do autor. Lendo o seu texto é fácil perceber que vc domina muito a arte da escrita. Vc consegue escrever de uma forma envolvente, sem deslizes gramaticais. A impressão que eu tive foi que escrevendo qualquer coisa a que se proponha, vai ter esta competência, esta boa técnica, então acho que vc deva ser uma autor experiente ou muito talentoso. Nota 10 para você.

    Agora a história que vc criou acabou te atrapalhando. Esse negócio de contar uma história na perspectiva de uma criança de sete anos requer uma habilidade de convencer o leitor que as palavras e pensamentos vêm mesmo de alguém com vocabulário e maturidade cognitiva de uma pessoa de sete anos, mas o tempo inteiro a menina relata e percebe as coisas como se fosse uma jovem adulta. Isso retirou muito a credibilidade do conto, e, desta feita,atrapalhou a minha imersão como leitora do seu conto.

    Outra questão é a sucessão de desgraças que se abatem sobre a vida da menina. Doença, separação dos pais, dores, perda da amiguinha, piora do estado, morte, drama da doação de órgãos… Com tantos motivos para sofrer pela menina o leitor acaba ficando anestesiado e indiferente. Seria melhor escolher uma dor e desenvolvê-la passo a passo, entende?

    O superpoder ficou nebuloso.

    O que eu posso dizer, você escreve super bem, sua ideia é muito boa, mas suas escolhas de como executá-la acabaram atrapalhando o resultado.

    Espero ler mais coisas suas.

    Abraços e sorte no desafio.

    • sakuroharuno@bol.com.br
      28 de dezembro de 2017

      Oi, Iolandinha,
      Obrigada pela leitura e pelo comentário, super feliz de verdade com seu elogio e com a análise profunda do conto, já anotei todos, e vou utilizá-los, futuramente 😉
      Sou muito sua fã, te admiro demais, vc é 1000, viu?
      Grande abraço!

  31. Regina Ruth Rincon Caires
    19 de dezembro de 2017

    Texto denso, muito triste. E real. A narrativa descreve exatamente o sentimento de impotência, as reflexões, a crença e descrença, a vontade de lutar e o abatimento de um paciente acometido de doença grave. Talvez o superpoder esteja na força da mãe, na resignação, no continuar a caminhada. Escrita fluente, clara, propositalmente dramática.
    Um belo relato. A vida como ela é.
    Parabéns, Sakura Haruno!
    Boa sorte!

    • sakuroharuno@bol.com.br
      28 de dezembro de 2017

      Oi, Regina!
      Muito obrigado,
      Abraços

  32. Fheluany Nogueira
    19 de dezembro de 2017

    Superpoder: a menina interagia com os mortos e mesmo depois de morta convenceu a mãe a doar suas córneas?

    Enredo e criatividade: Chorei. Não consegui segurar, a emoção se sobrepôs. Tantas fatalidades juntas fez a trama perder parte da credibilidade.O foco narrativo limitou o enredo ao ponto de vista da criança.

    Estilo e linguagem: Texto bem escrito,sem entraves gramaticais, leitura fácil e fluente. Parabéns pela participação! Abraços.

    • sakuroharuno@bol.com.br
      28 de dezembro de 2017

      Oi, Fheluany Nogueira,
      Agradeço demais pela leitura e pelo comentário, você é muito generosa.
      Grande abraço!

  33. Antonio Stegues Batista
    19 de dezembro de 2017

    Acho muito difícil escrever os pensamentos de um criança de sete anos. Ainda mais em primeira pessoa, sem que a narrativa pareça a de um adulto. Aqui, acho que posso dizer que a linguagem ficou adequada. O enredo é triste, mas isso só não basta para que a história seja boa. A mensagem final ficou bacana, porém o superpoder me pareceu muito fraco, difícil de acreditar. Boa sorte.

  34. Miquéias Dell'Orti
    18 de dezembro de 2017

    Oi 🙂

    Uma bela narrativa. Um tanto dramática demais (pro meu gosto pessoal, claro), mas bem feita no geral.

    Seu estilo é leve, de leitura fácil… tão gostoso de ler que fiquei até chateado de não ter gostado da dramaticidade da trama 😦

    Entendi que o poder estava na garotinha… o poder de ver e sentir os mortos… que seria muito legal, não fosse o fato dela estar prestes a ir embora também (triste isso).

    Fiquei com uma dúvida (na verdade, duas): a mulher de vestido lilás seria a Morte? E qual a relação da cor lilás com ela?

    Parabéns pelo trabalho!

  35. Gustavo Araujo
    17 de dezembro de 2017

    Este é um conto muito difícil de comentar, pessoalmente falando. Eu mesmo tenho a tendência de preferir dramas a comédias, de modo que corriqueiramente me vejo atraído por temáticas dessa natureza. É realmente fascinante dissecar aquilo que mostra nossa verdadeira humanidade, não é mesmo? Pois então, o problema é que escrever sobre isso leva o autor a enfrentar uma série de armadilhas, entre as quais se destaca — odeio essa palavra — a pieguice. Isso corre quando, no afã de demonstrarmos o caráter melancólico das relações humanas, resvalamos para certo exagero, como que impondo ao leitor uma espécie de desafio, como quem diz “olha, essa parte é para chorar, hein?”. Creio que esse foi o pecado aqui. Antes de nos afeiçoarmos ao protagonista, já nos vemos enredados pelo seu drama-sem-saída, o que realmente é uma pena. É perceptível a capacidade, a habilidade, de quem escreveu a história; tudo se encaixa, tudo bem arquitetado. Só o que ocorreu foi o açodamento em cobrar do leitor a identificação com quem já estava num caminho sem volta. Minha sugestão é que, numa eventual revisão do texto, já sem as amarras das 2500 palavras, expanda o texto de modo a primeiro cativar o leitor pela personalidade, pelas características do personagem, para só então falar da doença. Bem, é isso.

    • sakuroharuno@bol.com.br
      28 de dezembro de 2017

      Oi, Gustavo!
      Muito obrigada pela leitura e pelo comentário, estou anotando todas as dicas 😉
      Há uma história por trás desse conto, e só vou revelar depois do dia 30, mas foi meio que “eu quero participar do último Desafio do ano, deixe-me ver aqui nos meus guardados”…e foi, meio que só com a revisão.
      Ficou muito dramático, sim, ninguém viu superpoder, me afundei, mas participei. Rá!
      Obrigada de novo,
      Abraço!!

  36. Paulo Ferreira
    15 de dezembro de 2017

    Peça teatral de caráter popular, na qual se acumulam sentimentos e ações de exagerada dramaticidade. O que caracteriza e provoca um sentimento de piedade, tristeza; aquilo que comove, causa compaixão e emociona: este é o significado de melodrama. Foi o que se sucedeu com este conto, embora bem escrito, e de uma escrita fluente e bem desenvolvida. É de se considerar o esforço da autora em mostrar em seu enredo o poder da bondade e da pureza, manifestada pelo desejo da personagem criança. Mas não vem bem ao caso e propósito do desafio.

  37. Neusa Maria Fontolan
    14 de dezembro de 2017

    É visível até para mim, que o conto está bem escrito e bem conduzido. A leitura fluiu fácil.
    Mas cadê o superpoder? Talvez isso não tivesse a menor importância se o conto não fosse tamanho drama, parecendo até propaganda para doação de órgãos.

    Parabéns e obrigada por escrever.

    • Neusa Maria Fontolan
      15 de dezembro de 2017

      Vim me desculpar pela grosseria, é isso que da comentar quando se está nervosa. Perdão, não sou fã de dramas, mas o conto é bom e tenho certeza que muitos irão gostar.
      Um abraço.

      • sakuroharuno@bol.com.br
        28 de dezembro de 2017

        Oi, Neusa Maria,
        tudo bem, é por isso que eu também não respondo quando estou nervoso rsrs
        Não gosto de ser grosso com ninguém, quanto mais com a senhora. Sobre a propaganda de doação de órgãos, poxa…o que teria se fosse? Mas nem foi.
        Obrigado pela leitura,
        Abraço

  38. Olisomar Pires
    13 de dezembro de 2017

    Pontos positivos: bem escrito, leitura fácil.

    Pontos negativos: muito drama num curto espaço. Nem dá tempo de chorar com algo e lá vem outra pancada. E não atendeu ao tema, acho.

    Impressões pessoais: impossível ler um texto assim e não sentir um friozinho de dor, mesmo sabendo que a intenção do conto é essa mesmo.

    Sugestões: aliviar a sobrecarga de sofrimento.

    E assim por diante> texto bem narrado, entretanto, a doação dos orgãos ficou meio macabra, tive esse sentimento. Nem precisava dela para mostrar o laço com a mãe ou consolá-la.

  39. angst447
    12 de dezembro de 2017

    Olá, Sakura, tudo bem?
    O conto está muito bem escrito como já comentaram os demais colegas. Não encontrei falhas nas construções ou lapsos de revisão.
    O ritmo é muito bom, talvez por ser um texto curto, e a leitura flui sem entraves.
    O que pega mesmo é o tom de dramalhão mexicano. Claro que esta realidade existe: crianças ficam doentes, pais não aguentam a barra e abandonam a família, há a falta de grana, a mãe que trabalha demais, etc e tal. É desgraça que não acaba mais e claro que isso emociona, sensibiliza o leitor.
    Considero que o tema proposto pelo desafio foi abordado, de uma forma mais sutil, mas aí está.
    Boa sorte!

    • sakuroharuno@bol.com.br
      28 de dezembro de 2017

      Olá, Claudia!
      Que bom, fico feliz com seu comentário, viu?
      Sou seu fã, muito obrigado pela leitura e pelo comentário,
      Abraços!

  40. Mariana
    12 de dezembro de 2017

    Olá! O conto é bem escrito, não percebi erros , foi fácil de ler e tudo o mais. A mensagem da doação de órgãos é bastante importante e eu até estou sentindo um pouco de culpa do que irei dizer aqui: particularmente, não gostei do conto. Ele está montado de uma forma overrated, linha por linha para te fazer chorar e sentir empatia. É uma boa sacada do autor, funciona em um sentido mercadológico, mas comigo não rolou (o que não desmerece o trabalho). Parabéns e boa sorte no desafio

  41. Ana Carolina Machado
    11 de dezembro de 2017

    Oiii. O conto tem o tom como se fosse realmente narrado por uma criança, desde a forma como ela se apresenta no começo até a forma como fala da mãe, a inocência quanto ao seu real estado e tudo mais, achei isso interessante. É um conto bem triste, principalmente a parte em que ela morre e mostra a tristeza da mãe dela. Apenas acho que poderia ter explicado melhor qual era o superpoder, talvez poderia ter deixado mais claro que o superpoder estivesse na Morgana e na luta dela pela vida ou na mãe dela. E a moça de vestido lilás seria a morte? Fiquei em dúvida quanto a isso. Parabéns. Boa sorte.

  42. Evelyn Postali
    11 de dezembro de 2017

    Caro(a) Autor(a),
    É um conto bem dramático e entendo o motivo porque esse tema é bastante complicado. Também não vi erros de grafia, ou ortografia, ou construção. Está bem escrito. A leitura vai devagar por conta da primeira pessoa e por não ser muito direto. Contudo, com relação ao desafio, não encontrei o superpoder do tipo dos outros contos. Encontrei um superpoder um pouco diferente, que é aquele do amor, que é bem grande, porque é generoso. Mesmo sendo um superpoder – esse da generosidade e do entendimento de nossa condição passageira por essa vida – talvez ele devesse ter sido enfatizado, ou desenvolvido de forma diferente.
    Boa sorte no desafio.

  43. Amanda Gomez
    11 de dezembro de 2017

    Olá, Sakura-Chan!

    É um conto complicado de “julgar” aparentemente está tudo certo com ele, desde escrita, narrativa, enrendo…mas faltou algo, e Talvez tenha tido alguns excessos.

    Quando se fala em superpoder a gente pensa em…poderes, aqueles típicos de filmes de super heróis, eu estava sabia que encontraria algum texto assim, mais nas entrelinhas, um superpoder limitado ao ponto de vista, não sei se é a proposta do desafio, ao mesmo tempo que não posso dizer que não é.

    Como já comentaram, tem uma carga dramática muito grande, o autor forçou isso, sua intenção é emocionar, causar empatia, é isso sobrepôs todo o resto. Tornou-se apenas um conto triste que carrega uma mensagem importante.

    Para o tema em si, e baseado nisso o conto não funcionou muito para mim. Mas é um bom conto.

    Parabéns, boa sorte no desafio.

  44. Angelo Rodrigues
    10 de dezembro de 2017

    Cara Sakuro Haruno,

    superpoder: confesso que não vi.

    Um conto linear que narra na primeira pessoa as dificuldades por que passa uma criança com (supostamente) câncer nos rins, ou algo assim.
    Um conto feito pra te pegar lá no fundo e te fazer chorar: câncer, mãe faxineira, pai desalmado que abandona a família, clima de hospital, crianças mortas.
    Eita!!
    Um conto curto no qual pouco figura a trama, fazendo transitar apenas um relato linear dos fatos contados por uma menina que morreu.
    Um tema que não é novo e não recebeu uma roupagem nova. Acho que poderia ficar legal se fosse melhor explorado, sem tanta desgraça junta. Me pareceu, ao final, que ficou um pouco panfletário em direção à doação de órgãos, salvo engano.

    Se posso ousar alguma recomendação, diria para limpar do conto esse tom excessivamente dramático e trata-lo como uma história simples e direta, mudando a voz do narrador. Todo conto narrado na primeira pessoa acaba restrito àquilo que for perceptível a quem narra, particularmente quando deitada numa cama de hospital. Tudo no conto se torna limitado e limitante.

    Boa sorte no desafio.

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Publicado às 10 de dezembro de 2017 por em Superpoderes e marcado .