EntreContos

Detox Literário.

Águas que atravessam (Claudia Roberta Angst)

“Pela sede, aprende-se a água.”
Emily Dickinson

 

Era aquela a sua sina: seguir por caminhos que geralmente terminavam em nada. Não era infeliz, dizia que não, mas em seus olhos cabia um mar de melancolia.

Não era fácil acompanhar aquela senhora e seus passos curtos. Movia-se em um ritmo apressado, sem hesitação alguma. Passava feito vento, ligeira, quase invisível. Uma figura discreta, esbelta, envergando uma estrutura minimalista.

As primeiras horas anunciavam um dia quente, mormacento, prenúncio de um verão sem tréguas. A praia iluminada aos poucos por um sol tímido, mas provocador. Alguns corredores, atletas em potencial, outros apenas aproveitando a aposentadoria para esticar os músculos. Idosos pingavam em alguns pontos da praia, ora aos pares, ora em solitária trajetória.

Poucos ali reparavam em uma mulher já ultrapassada pelos anos e sua presença diminuta. Nada naquela senhora denunciava estranheza. Parecia ter como missão ausentar-se do mundo.

Com um sorriso desprovido de orgulho, ela avançava pela areia, sem se incomodar com as conchas e galhos que lhe arranhavam os pés. Era assim a frágil caminhante, um misto de timidez e força velada.

Depois de dias, semanas e quase meses, cruzando caminhos e olhares, seguimos a mesma direção, cumprimentando uma a outra com um pouco mais de entusiasmo.

A princípio, espantei-me com a agilidade daquela senhora que parecia ser feita de papel. Sua constituição lembrava um origami delicado que poderia ser facilmente desfeito pelo mar ou pelo vento. No entanto, era notável a energia que a impulsionava a se locomover sem transparecer qualquer desconforto. Resolvi acompanhá-la, mesmo sabendo que isso me custaria mais dores do que prazeres

Sem diminuir o ritmo, a senhora apenas sorriu e se apresentou formalmente. Pensei que a cerimônia fosse resquício de uma educação oriental, firme em propósitos e escassa em demonstrações de afeto.

− Tainá Ayako. – disse certa de que o nome não me causaria maior espanto.

Era a sua designação e descrição em traços. Contou-me a sua vida de forma agitada, como quem confidencia mais ao mar do que à nova companheira de caminhada. Suas palavras surgiam cautelosas, quase sussurradas. A voz macia, baixa e submissa a regras que ela mesma nem se lembrava mais da serventia. Sua fala revelava mais pausas do que segredos.

− Vivi tanto que algumas lembranças já estão gastas pelo tempo.

Ayako era como todos a conheciam. Tainá era estranha, um nome desperdiçado no registro em cartório. Sabia-se filha de um imigrante militar aposentado, que formara nova família lá para os lados de Maringá. A mãe,  falecida ainda jovem, era também filha de dois perdidos em uma pequena tribo indígena de um Brasil distante. Irani, a costureira mais afamada que a Vila Tupi havia acolhido. Seu nome revelava uma alma doce, um rio de mel. Dona de pequenos dedos ágeis, costurava e bordava como ninguém.

De Irani, o povo falava coisas mais fantasiosas do que o conteúdo de romances para moças. Muitos diziam que ela movimentava águas, que sorvia líquidos, secava açudes, derramava chuvas. Trazia bênçãos, mas também sabia conduzir tempestades e que, mais de uma vez, havia feito beberagens borbulharem, córregos de lágrimas brotarem, sangue disparar. A alcunha de bruxa índia pesou-lhe, amargando suas águas internas e a matando aos goles. Só na lenda, permanecera a suspeita de poderes ocultos. O resto foi varrido com uma chuva passageira.

Ayako herdara o dom da mãe: costurar desafetos em malhas de justiça líquida. Desconfiava desta coincidência entre desejo e desaguar desde criança. Os fluídos eram seus brinquedos preferidos, gotas de chuva que dançavam conforme seu ritmo.

A primeira vez que levou a sério o instinto que lhe contaminava as carnes foi ainda na escola. Experimentou seu dom secreto incentivada por uma colega da sétima série. Ludimila Sanches Alvarez, garota esnobe que não sabia discernir provocações infantis de maldade. Tinha a incrível habilidade de angariar  inimizades.  

A japa índia deve ter piolhos nessa cabeleira porca, era o boato que se espalhava pelos corredores. Água não resiste a nada, invade, contorna qualquer obstáculo, deixa-se fluir. Assim foi com a maldade traduzida em sussurros e risadinhas mal camufladas.

Tainá Ayako nem se permitiu espanto ou drama. Só observou o tempo passar até atingir o nível certo no reservatório da ira. Assim que viu Ludmila passar, rindo e medindo sua figura com ares de repugnância, Ayako soube. Era a hora.

Juntou os pezinhos diminutos, pronta a bater continência àquela que lhe despenteava a vaidade. Sorriu com um leve arqueado de lábios e esperou. Tinha consciência de que não possuía controle do fluxo daquelas águas, nem de nada que delas surgiria, mas a sede de justiça lhe fazia cócegas. Por um momento, duvidou que seria mesmo capaz de provocar algo só por assim desejar. Esperou, apenas esperou com a mesma paciência de seus ancestrais.

Por uma fatalidade de datas, quis o destino que Ludmila estivesse naqueles dias. Sangue, composto por água, fluía seguindo a orquestração de uma menina irada, sedenta de um acerto de contas. O fenômeno iniciado ganhava maior  repercussão à medida que Ayako acelerava o ritmo do piscar de seus olhos.

A menina, crivada por uma movimentação interna, desmaiou ali mesmo, deixando ao seu redor uma nódoa perceptível do seu estágio reprodutor. O incidente gerou conseqüências que a todos espantaram. Ludmila permaneceu internada em um hospital por semanas, sob a atenta supervisão de especialistas em hematologia. Sobreviveu por um milagre, dizia o médico da família. Nunca souberam como explicar o ocorrido.

Por não acreditar em acasos, Ludimila afastou-se de Ayako, evitando até mesmo cruzar com o seu olhar. Nada mais aconteceu e a menina voltou a xingar aquela que lhe inspirava curiosidade e repúdio. Destilava sua maldade adolescente, mas o fazia isso entre dentes, protegida pelo anonimato do silêncio imposto pelo pavor. Pelo sim, pelo não, a garota considerou ser mais seguro manter o sigilo como estratégia. Melhor evitar a peste de olhos rasgados.

A vida trouxe poucos amigos, mas os melhores que ela poderia ter. Tentou limitar-se àquelas relações, renunciando ao secreto poder que preferia nunca ter conhecido.

− Mas ainda assim era um poder e tanto. – Comentei deixando escapar minha incredibilidade diante dos fatos narrados.

− Se tudo tivesse permanecido assim…

Por duas ou três vezes, Ayako havia visto copos de água ferverem nas mãos de desafetos. Quando percebia, evitar danos já não era uma opção. Atribuía os acidentes à própria energia vulcânica dos sujeitos envolvidos.

Ostentava, nessas ocasiões, um sorriso que lhe entortava o semblante e revelava uma altivez resoluta. Aqui se faz, aqui se paga – dizia tão baixo que ela mesma mal ouvia a sentença dada.

A vida seguiu seu curso tal rio que se confunde com o destino. Casou-se como se supunha com um homem tão invisível quanto ela. Um alemão, sem porto ou razão, a tornara mulher, esposa e mãe. Não era amor, nem mesmo interesse, apenas o que acontecia entre um banho e outro.

Depois de calcular os riscos, buscou pelas rédeas da própria vida. Com a prole estabelecida, um menino e uma menina de olhos puxados e loiras madeixas, Ayako julgou que era hora de deixar de procriar. Olhou para o marido que lhe exigia mais e mais pelo simples hábito de ser seu senhor. Imaginou o que faria calar seu fecundo desejo de vez.

Tornou-o seco de provisões seminais. O gozo seria para sempre estéril, árido, quase ar enquanto alívio. Consultaram médicos, em vão. Isso acontece, é raro, mas acontece, sentenciou o jovem médico da capital.

Ayako fingiu, dissimulou, vivenciou um egoísmo como nunca havia se permitido. Camuflou sua alegria em uma atitude esperada por todos: chorou por dias. Teria de se resignar. Não seria mais mãe, nada mais geraria que lhe pedisse explicação e conhecida exaustão. O marido, aos poucos, convenceu-se de que aquela era a vontade divina e deixou a vida correr sem mais questionar a falta de sorte.

− O que Deus risca, ninguém rabisca. – repeti como se estivesse concordando com o marido, personagem apresentado com ares de saudades.

A incansável senhora era tão fascinante em sua quase inexistência que até a ideia do seu superpoder começou a fazer sentido para mim. Minha mente passou a desenhar projetos, alinhavar uma mulher diferente daquela que seguia tão ligeira ao meu lado. Talvez, tenha sido a hiperventilação ou o sol pesando sobre minha cabeça descoberta. O fato é que Ayako era material para estudos, fossem verdadeiros aqueles fenômenos ou fruto de surtos psicóticos.

Perguntei-lhe que graça tinha um poder daqueles se ninguém o presenciava. Ela mais uma vez sorriu diante da minha desconfiança. Via em meus olhos que eu duvidava, que tudo o que era líquido era por ela orientado.

Era incrível a simples possibilidade de um dom daqueles, o poder de fazer subir a água apenas com a sua vontade. Reter e expelir a quantidade de líquido que lhe apraz. Imaginei aquela discreta senhora como alguém que já havia sido seu próprio enigma. Dona de uma fantástica autoridade sobre sangue, suor e todas as águas que cruzassem seus caminhos.

Não me contou tanto assim, mas eu supus muito mais. Uma nova sede parecia emergir de dentro da pequena dama. Criei, em segundos, uma outra Ayako, movida pelas suas palavras que escorriam feito calda de chocolate, doces e grudentas, que se misturavam à areia molhada sob nossos pés. Sua vida também teria sido algo assim, lodo salgado pelo mar. Dei-lhe um enredo, parceiros e coadjuvantes em uma trama reinventada. Assumi suas dores, sem me importar com os cortes.

Ayako deveria ter ainda segredos bem guardados, uma vida oculta como os fluídos que sabia tão bem dominar. Na minha versão, conhecera vários homens e bebido todo tipo de água, vítima e algoz de amores desacertados. Tudo submerso em um mar de aparente serenidade, a quase inexistência.

Os anos correram como haviam sido escritos. Nada de alterações desnecessárias, nenhuma reviravolta, um descuido aqui, outro ali, mas sem testemunhas. Ninguém nunca notou qualquer aspecto espetacular em Ayako e, se o fez, fingiu nada ver,

O que mais a deixava feliz eram as nuvens. Gostava de tocá-las com o olhar.  Afofava as ideias de acordo com as ondulações voláteis. De vez em quando, secava uma ou duas camadas de água em suspensão. Nada de chuva se seu desejo era solar. E ninguém mais desconfiaria que aquela secura era causada pela doce Tainá Ayako.

Algo aconteceu e o fluxo estancou. De repente, Ayako diminuiu o ritmo da caminhada. Eu recolhi minhas palavras curiosas. Cedi-lhe atenção e mais do meu tempo. Interrompemos nossos passos, sem nada falar, frente ao mar que nos molhava os pés. O silêncio cobriu-nos de uma cumplicidade tardia. Entendi suas pausas em um olhar. Ayako já não tinha enredo para me oferecer.

Mostrou-se cansada, mais da vida do que da caminhada. Os dias narrados pareciam pesar no entardecer da vida. A distração das águas já não lhe aquecia a alma. Algo em seu olhar me fez pensar em um último refúgio, nas noites e nas manhãs sem companhia. Tinha pressa, uma urgência que nunca lhe ocorrera antes. Talvez por falta de hábito, acostumara-se ao cair lento da areia das horas.

− É mesmo uma pena…

− O que? – perguntei sem esperar uma resposta que preenchesse o momento cheio de lacunas.

Ayako quase sorriu, mas os lábios emolduraram uma espécie de soluço, um sopro aprisionado em palavras que não a socorriam. Olhou para longe, para o horizonte que se tingia de eternidade.

− Tudo terminar assim. – disse esticando os braços para me abraçar.

Foi um abraço curto, delicado como o sopro da brisa que vinha do mar.

Fechou os olhos, um leve piscar tremulando as pálpebras. O momento abriu a consciência da presença do oceano a nos espreitar. Pude ver além. Como em um filme, aquela maga das águas fez o improvável acontecer. O mar agitou-se, tornando seus limites invisíveis, um chacoalhar de medos. A espuma das ondas teceu rendas na areia, tão finas e delicadas que em um segundo já estavam desfeitas. Depois, tornaram-se espessas, formando uma rede capaz de colher todas as razões do mundo.

Tratei de me afastar do que me parecia um desastre natural. Corri para o calçadão, forçando as pernas a um ritmo que seria mais característico de Ayako do que meu.

Ao chegar ao concreto mosaico da calçada, levantei os olhos.  Supunha que ela me acompanhava, discreta, tão invisível como sempre fora. Mas lá ela não estava. Nem perto, nem longe. Sumira como os dias que deixara para trás. O mar tudo lavava, sem dar satisfação de suas intenções.  

Nada de Ayako, nem nas ondas, nem na areia. Forcei o olhar, enquanto me afastava cada vez, fugindo da invasão das águas. A força de atração era assustadora, meus passos lutavam contra a mente que me queria no oceano.

A maré alcançou a areia mais alta, aquela que antes era afofada por pés infantis e atletas de fim de semana. Depois, alargou-se, ganhou terra, subiu calçada, emparelhou-se com a avenida.

Ela se foi. Não sei o porquê, nem por quais caminhos, só descobri que se desfez de si. No meio do caos, inundada por todo um universo mergulhado em espanto. Foi-se, simples assim, deixando-me com os olhos cheios, vazantes.

Ayako deu-me a prova de tudo o que, para mim, ainda era ficção.  Pôde, finalmente, mergulhar na própria inexistência, livrando-se de seu dom já há muito transformado em maldição.

Compreendi, talvez tarde demais, que eu também carregava meu próprio fardo. Leitora de vidas alheias, meu destino já desembocava no mar. Fechei os olhos, tomei fôlego e esperei com toda força e um único desejo.  

O poder das águas.

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46 comentários em “Águas que atravessam (Claudia Roberta Angst)

  1. Fil Felix
    30 de dezembro de 2017

    Gostei que o conto se desenrola todo em cima de seu poder, que é de controlar as águas e fluidos, com descrições molhadas e tudo o mais, sendo fiel a sua proposta, indicando um cuidado maior com o texto e sua estética. Ótimo. A vida da Tainá me interessou mais na infância, quando deu a hemorragia na outra garota, uma cena bem chocante, com mais ação e suspense. Depois ficou um tanto quanto “light”, digamos assim. Ela entrou numa vida normal. Mesmo secando o marido, não teve o mesmo impacto da menstruação (chocante!). Um conto que se revela bastante azul, num caminhar a beira mar, terminando em onda, que leva a protagonista. Visualmente, tudo bastante poético! Gostei.

  2. Higor Benízio
    30 de dezembro de 2017

    A narrativa se sobressai ao enredo sem grandes surpresas. Gostei das metaforas, com um tom poetico que soou natural. O jeito como o super poder é apresentado também foi bacana, com destaque para a frase:Ayako herdara o dom da mãe: costurar desafetos em malhas de justiça líquida.

  3. Pedro Luna
    30 de dezembro de 2017

    Acabei não gostando muito porque a personagem não se desenhou para mim. O texto insiste em defini-la, com características físicas e emocionais, mas não funcionou muito. Não acho que ficou bem definida a questão de ela ser uma senhora e falar do passado, ainda menina. Não achei que ela estava suficientemente construída para permitir um vislumbre do seu passado. Acabei não enxergando no passado a mesma pessoa do futuro. Será que estou conseguindo me fazer entender? kk.. Alguns pontos, como quando você fala que ela secou o marido, ou a vingança com a menina, entram em conflito com trechos em que o narrador diz “a doce ayako” (ainda que aqui pareça irônico), por exemplo. Não sei. Não consegui enxergar a personagem. Em relação a escrita, ela é muito bonita e segura, mas a trama e a personagem não me pegaram. Infelizmente.

  4. Daniel Reis
    30 de dezembro de 2017

    35. Águas que atravessam (Mitocôndrias):
    Tainá Ayako, descendente de japoneses que controla as águas, conta como sofreu bulling e pode utilizar seu poder como vingança – o controle das águas. Essa PREMISSA parecia bastante promissora. Porém, o tanto da vida que se conta dela é um pouco longo, se concentrado apenas no episódio de formação, acho que seria mais efetivo. Quanto à TÉCNICA, a elipse de tempo ficou muito aberta, em: “Os anos correram como haviam sido escritos. Nada de alterações desnecessárias, nenhuma reviravolta, um descuido aqui, outro ali, mas sem testemunhas.” E o final, com Tainá sendo engolida pelo mar, sem uma motivação clara, também foi um pouco decepcionante. Para o APRIMORAMENTO, acho que o autor poderia reescrever outras situações de uso do poder por ela e justificar melhor o destino que buscou.

  5. Priscila Pereira
    30 de dezembro de 2017

    Superpoder: manipular líquidos

    Olá Mitocôndrias, eu gostei do seu conto, é poético, tem frases incríveis, está bem escrito e bem revisado, a personagem principal é interessante, mas o que mais me chamou a atenção foi a narradora, que é quem filosófa (kkk), achei essa personagem muito intrigante, mas você não revelou nada sobre ela, só os seus pensamentos e ao mesmo tempo em que isso é instigante, é também decepcionante. Parabéns e boa sorte!!

  6. Bianca Amaro
    29 de dezembro de 2017

    Olá Mitocôndrias! Tudo bem?
    Vejo que foi um texto bem poético, com uma gramática boa (se tem algum erro, não notei), adequado ao tema “superpoderes” e com uma ótima narrativa. Gostei do final, principalmente dessa parte: “Ayako deu-me a prova de tudo o que, para mim, ainda era ficção. Pôde, finalmente, mergulhar na própria inexistência, livrando-se de seu dom já há muito transformado em maldição.” Acho que ficou interessante, no fim de tudo Ayako conseguir se fundir ao seu elemento. Dá para ver que o(a) autor(a) tem um estilo interessante de escrita, bem poético e bonito de ser lido.
    Enfim, parabéns pelo conto e boa sorte no desafio! 😀

  7. Marco Aurélio Saraiva
    29 de dezembro de 2017

    =====TRAMA=====

    Um conto excelente. A história de Tainá Ayako é uma história mundana, simples… sem grandes altos e baixos. Porém, a narradora faz o papel do leitor e guia o seus pensamentos: ela imagina toda a vida não contada de Tainá. Todos os prováveis altos e baixos que aquela senhora nunca contou – nem para a narradora, nem para ninguém. Todos os seus feitos nunca ditos, todas os seus arrependimentos ou diversões velados.

    Achei interessante este pensamento por quê ele pode remeter a pessoas reais do nosso dia-a-dia. Você talvez esteja ao lado de um milionário extremamente bem-sucedido e que simplesmente aprendeu a não esbanjar as suas conquistas ao mundo, e anda nas ruas como alguém simples. Ou talvez um dos seus parentes ou conhecidos já tenha salvado vidas e nunca quis se aproveitar dos louros do heroísmo. Pessoas que são autossuficientes nas suas próprias conquistas, sem precisar de uma afirmação externa. É essa ideia que carrega todo o texto, já que a história que a própria Tainá contou é pouco profunda.

    Gostei da leitur. Não há muito impacto no leitor. É claro que gostei de gastar alguns minutos pensando em como teria sido a vida de Tainá, mas não foi muito tempo.

    O final, por outro lado, não entendi. Li e reli e reli… mas nao entendi o último parágrafo. Vou ler os comentários e ver se acho alguma dica, hehehehe.

    =====TÉCNICA=====

    Seu conto brilha pela sua escrita. Acho que é a melhor que encontrei aqui até agora. Você escreve com tanta elegância que dá até inveja. Que literatura maravilhosa! Você com certeza domina o dom da escrita como poucos. Não vou me extender muito em comentários, mas só queria dizer que as suas escolhas de palavras, as suas decrições cheias de reflexões, e as suas frases quase poéticas me cativaram do início ao fim.

    Deixo aqui alguns destaques:

    “Não era amor, nem mesmo interesse, apenas o que acontecia entre um banho e outro.”

    “O silêncio cobriu-nos de uma cumplicidade tardia. Entendi suas pausas em um olhar. Ayako já não tinha enredo para me oferecer.”

    “Ayako deu-me a prova de tudo o que, para mim, ainda era ficção. Pôde, finalmente, mergulhar na própria inexistência, livrando-se de seu dom já há muito transformado em maldição.”

  8. Amanda Gomez
    29 de dezembro de 2017

    Olá, Mitocôndria!

    Seu texto é belíssimo, uma técnica, poesia, domínio das palavras de admirar-se. Ele parece uma canção, do tipo ”sons da natureza” leveza, ele podia ser facilmente o mar e suas ondas espumantes.

    A história é contata através de uma ouvinte que possui certa incredulidade sobre ela, isso deixa o leitor um pouco de fora. Eu não me senti tão presente quanto gostaria. A sensacão é como se eu estivesse ali do lado, vendo as duas conversando e pegasse apenas pedaços da história.

    A parte que vai contando sobre o passado instiga, as referências, você criou toda um arvore genealógica da personagem. Eu só achei ela muito ausente “Parecia ter como missão ausentar-se do mundo.” Acho que era isso mesmo que pretendia, não?

    O conto cativa, mas não arrebata, depois que se lê, ficamos com a mesma sensação da Pessoa que estava ao seu lado, vendo-a sumir sem mais explicações.

    Parabéns pelo trabalho. Boa sorte no desafio!

  9. Ana Maria Monteiro
    29 de dezembro de 2017

    Olá, Mitocôndrias. Tudo bem? Desejo que esteja a viver um excelente período de festas.
    Começo por lhe apresentar a minha definição de conto: como lhe advém do próprio nome, em primeiro lugar um conto, conta, conta uma história, um momento, o que seja, mas destina-se a entreter e, eventualmente, a fazer pensar – ou não, pode ser simples entretenimento, não pode é ser outra coisa que não algo que conta.
    De igual forma deve prender a atenção, interessar, ser claro e agradar ao receptor. Este último factor é extremamente relativo na escrita onde, contrariamente ao que sucede com a oralidade, em que podemos adequar ao ouvinte o que contamos, ao escrever vamos ser lidos por pessoas que gostam e por outras que não gostam.
    Então, tentarei não levar em conta o aspecto de me agradar ou não.
    Ainda para este desafio, e porque no Entrecontos se trata disso mesmo, considero, além do já referido, a adequação ao tema e também (porque estamos a ser avaliados por colegas e entre iguais e que por isso mesmo são muito mais exigentes do que enquanto apenas simples leitores que todos somos) o cuidado e brio demonstrados pelo autor, fazendo uma revisão mínima do seu trabalho.
    A nota final procurará espelhar a minha percepção de todos os factores que nomeei.

    O seu conto está muito bem escrito, numa prosa poética quase invejável e com excelente domínio técnico sobre cada palavra. O problema foi a ausência de história, ou seja, apesar do seu superpoder de manipular as águas, Ayako revela-se quase invisível, tal como é descrita. Não nos oferece nada além da excelente prosa liquefeita, fazendo jus ao título “águas que atravessam” – atravessam, mas não ficam.
    Está adequado ao tema, mas falta algo que lhe dê substância, é por demais líquido. Tive a sensação de que colocou a narradora na pele de uma criança e espero que tenha sido pois se os comportamentos têm idade, e ato de escutar também a tem e a história foi relatada como tendo sido ouvida por uma criança. Parabéns e boa sorte no desafio.
    Feliz 2018!

  10. Fernando Cyrino.
    27 de dezembro de 2017

    Olá, Mitocôndrias, seu conto está muito bem escrito. Sua linguagem é poética, bem bonita mesmo. Seu domínio da escrita está mais do que óbvio. Mas o que senti foi que a sua história não me abraçou, como as águas sobre as quais a nossa heroína tinha pleno domínio. Queria ter sentido mais, mas infelizmente me senti à margem do que você me trouxe. Mas lhe digo que releve isto. De repente, trata-se de problema só meu mesmo. Abraços

    • Fernando Cyrino.
      31 de dezembro de 2017

      vim reler seu conto, Cláudia. Vim na ânsia de que ele me abraçasse, sabe? Reitero que o problema é meu mesmo, eis que não senti a emoção que deveria sentir por uma história tão bem escrita, uma linguagem poética e tão bonita. Literatura é a curtição do sentir, né? Então, não irei mais pedir desculpas. Só me lamentar. Abraços de paz.

  11. Ana Carolina Machado
    27 de dezembro de 2017

    Oiii. Achei o conto muito bonito. A parte da narrativa que eu mais gostei foi a que falou da vida que a idosa teve, da relação dela com o poder dela de manipular líquidos e de como o usou em benefício próprio muitas vezes sem que os outros soubessem, como no caso do marido dela e da menina que não gostava dela . Ela gerava coisas que pareciam ser apenas coincidência ou atos do destino. O poder dela era usado de forma sutil como uma corrente de água que passa sem fazer barulho. Minha única dica é sobre algumas partes meio repetidas no final, acho que se tivesse sido mais direto teria sido mais impactante. Parabéns. Boa sorte.

  12. Renata Rothstein
    27 de dezembro de 2017

    Oi, Mitocôndrias!
    Boa tarde 🙂
    Que belo conto vc nos traz, hein? Poético, doce e um tanto triste, metáforas bem construídas, além da parte técnica, irrepreensível.
    Gostei do super poder ser mostrado como não necessariamente usado para o bem – não o bem como se pensa, pelo menos.
    Ayako é distante é misteriosa, mas é muito humana, também.
    Boa sorte, parabéns!
    Abraços

  13. Rafael Penha
    27 de dezembro de 2017

    Olá, Mitocondrias

    1- Tema: Se adequa perfeitamente nos parâmetros do desafio.

    2- Gramática: Achei a narrativa um tanto rebuscada. Um ou outro probleminha, mas que não chegaram a me incomodar.

    3- Estilo – Um estilo poético e lúdico. A meu sentir, além do ponto. É uma bela forma de narrar, mas para o meu gosto, me desliga da trama, me fazendo focar mais na beleza que no enredo, ou em palavras menos bonitas e mais eficientes. Mas reafirmo que é um conceito de minha parte.A história corre bem devido aos parágrafos curtos.

    4- Roteiro; Narrativa – Uma narrativa leve, porém muito comprometida com a beleza e menos com o enredo. A personagem superpoderosa me pareceu mais uma vilã que uma vitima. Sempre reagindo de forma a fazer mal para as pessoas que a fazem minimamente sofrer. O final é abrupto e não me emocionou, pois não senti preparação para aquilo. Poderia se melhor trabalhado o fato dela estar chegando no final da vida.

    Resumo: Conto muito bem escrito, belo, poético, mas estes a meu ver acabam se sobrepondo ao enredo, que é o que mais importa, afinal.

    Grande abraço!

  14. Leo Jardim
    26 de dezembro de 2017

    # Águas que atravessam (Mitocôndrias)

    📜 Trama (⭐⭐⭐▫▫):

    – a trama é simples: uma mulher, filha de japonês com índia, recebe da mãe o dom de controlar os líquidos, mas acaba achando seu poder um fardo muito pesado
    – ela acabou usando seus poderes, pelo menos nas partes citadas, sempre de maneira negativa: interferindo em fluidos vitais de outras pessoas
    – não sei exatamente porque, mas acabei não me apegando à personagem, talvez por causa da narrativa muito poética; gostaria de ter sentido mais empatia pela velhinha, mas não cheguei a sentir nada, como se o texto narrasse à distância

    📝 Técnica (⭐⭐⭐▫▫):

    – o autor opta por frases e parágrafos muito curtos, deixando o texto bastante travado
    – outra coisa que me cansou durante a leitura foi a tentativa do autor de enfeitar cada frase, dizendo algo sempre de forma indireta; em pouca quantidade isso é legal e é possível encontrar diversas metáforas belíssimas no texto, mas em excesso acabou ficando cansativo
    – por esses dois motivos acima, fiquei com a impressão que o conto tinha o dobro de tamanho
    – Tainá Ayako *sem ponto* – disse *vírgula* certa de que o nome não me causaria maior espanto
    – achei confuso o parágrafo que fala da mãe dela; ficou truncado, precisei reler algumas vezes pra entender
    – Talvez *sem vírgula* tenha sido a hiperventilação
    – Via em meus olhos que eu duvidava *sem vírgula* que tudo o que era líquido era por ela orientado

    💡 Criatividade (⭐⭐▫):

    – o poder não é novo, mas a abordagem tem personalidade

    🎯 Tema (⭐⭐):

    – poder de manipular fluidos (✔)

    🎭 Impacto (⭐⭐▫▫▫):

    – desculpe, provavelmente eu não sou público-alvo deste tipo de conto; já li algumas ótimas prosas poéticas aqui no EC, mas esta aqui acabou me cansando; me peguei duas vezes olhando pra ver o quanto faltava para acabar 😦
    – por eu não ter me apegado à velhinha, o fim ficou para mim apenas como uma bela fotografia: bonito, mas distante

    • Leo Jardim
      26 de dezembro de 2017

      Caramba, acabei lendo meio sem querer o comentário do Gustavo e ele usou a mesma metáfora que eu 😓

  15. Rubem Cabral
    26 de dezembro de 2017

    Olá, Mitocôndrias.

    Um conto certamente bonito: com passagens poéticas e metáforas interessantes. A vida de Ayako não foi muito feliz e ela foge dos moldes de vilã ou heroína, foi boa e foi má, como a maioria das pessoas. O final da história, com a reunião com o elemento que lhe dava poder, foi esperada e bonita também.

    Penso, contudo, que o conto falhou em aproximar o leitor das personagens, que não logramos criar empatia. Talvez o uso de diálogos houvesse conseguido tal coisa.

    A escrita está correta e não notei nada por acertar.

    Abraços e boa sorte no desafio.

  16. Catarina Cunha
    26 de dezembro de 2017

    As construções são belíssimas e foi difícil escolher a melhor frase. Deu vontade de colocar umas 10. As metáforas são poéticas e a leveza do conto impressiona, embora com tom extremamente melancólico. Trama intimista com personagem profundo, todo calcado nas impressões do narrador. Se der uma enxugada no “meião” do texto, que está um pouco repetitivo, ficará perfeito.

  17. Felipe Rodrigues
    26 de dezembro de 2017

    É um conto bonito, tanto nas construções – metáforas na medida e o melhor, sem soar piegas – como na criação da detentora do poder, sua originalidade não reside só na escolha do poder, mas na utilização deste somente como escudo. Algo que me incomodou foi no trecho em que a narradora conta que a personagem se casa com um homem que a “torna” mulher, mãe, etc, estas narrativas patriarcais anacrônicas empobrecem a história. Uma contradição, em termos, já que o conto trata também sobre essa invisibilidade da mulher com ascendência indígena.

  18. eduardoselga
    26 de dezembro de 2017

    Caro(a) autor(a).
    Antes de tudo, interpretações do literário são versões acerca do texto, não necessariamente verdades. Além disso, o fato de não haver a intenção de construir essa ou aquela imagem no conto não significa a inexistência dela.

    A prosa é poética, com vários bons momentos e outros nem tanto. Apesar de a protagonista dominar os fluidos, o que tese lhe seria algo positivo na medida em que detém um poder, ela se mostra um tanto entristecida. A vida, para ela, parece não fazer muito sentido, ou não ter sido uma experiência feliz. Seu poder é encarado como algo positivo ou excepcional mais pelos olhos de sua interlocutora do que pelos seus próprios.

    Ao desistir da vida, Ayako amalgama-se ao seu elemento natural, tornando-se parte dele. Nesse ponto, a narrativa se aproxima da epistemologia dos povos originários, que se enxergam enquanto partícipes da natureza, não como inimigos dela. Narrativamente falando, é feita a ponte, assim sendo, com o elemento indígena citado no conto, qual seja, a mãe da Ayako.

    Se a personagem se uniu voluntariamente ao elemento sobre o qual tem poder, sua tristeza não é causada por ele e sim, talvez, pelo uso que fez dele. Considerando que a água exerce para os indígenas brasileiros a função de elemento purificador (um arquétipo universal) ao entregar-se e integrar-se às águas a personagem, simbolicamente, se purifica dos males de uma vida desagradável, causada talvez, como já disse, pelo modo como essa mesma água foi usada.

  19. Andre Brizola
    25 de dezembro de 2017

    Salve, Mitocôndrias!

    Eu gosto muito desse estilo de um narrador contando a história de uma outra pessoa, colocando seu próprio ponto de vista sobre fatos e casos. O narrador acaba emprestando um pouco de sua própria personalidade ao personagem principal, e isso propõe um questionamento interessante ao leitor. É uma forma muito legal de dar mais camadas a um enredo que poderia ficar preso à biografia pura e simples.
    O texto é muito bem escorado em frases bonitas e poéticas. Algumas construções são realmente excelentes, e cito uma do final, que me impressionou por ter simplicidade e, ao mesmo tempo, profundidade: “Mostrou-se cansada, mais da vida do que da caminhada. Os dias narrados pareciam pesar no entardecer da vida”.
    Por outro lado, achei que a construção do conto ficou um tanto confusa. Embora muito poético, o texto exige algumas releituras para ficar claro e, em alguns momentos, a confusão não se desfez ali, somente em linhas adiante.

    É isso! Boa sorte no desafio!

  20. Luis Guilherme
    25 de dezembro de 2017

    Bao diaaa, td bem?

    Olha, devo dizer que achei q leitura um pouco complicada, e que travei em algumas partes. Nao tem julgo por isso, pois meus contos mesmo sempre sao assim, porem, nao da pra negar que isso atrapalhou um pouco a experiencia da leitura.

    Por outro lado, a escrita eh bela e poetica, o que eh o ponto alto do conto. Voce escolheu bem as palavras, e empregou diversas metaforas que caíram bem. Assim, esteticamente eh um belo conto.

    A personagem da ayako eh mto bem construida, tambem, e o conto apresenta uma certa melancolia, certamente resultado do sentimento da propria mulher.

    Porem, como disse no comeco do comentario, a leitura nao me envolveu mto além do aspecto estetico. Achei o enredo meio confuso e cansativo, com excesso de histórias paralelas e alguma confusao que tirou um pouco da minha atenção.

    Parabens, boa sorte e boas festas!

  21. Pedro Paulo
    24 de dezembro de 2017

    Olá, entrecontista. Para este desafio me importa que o autor consiga escrever uma boa história enquanto adequada ao tema do certame. Significa dizer que, para além de estar dentro do tema, o conto tem que ser escrito em amplo domínio da língua portuguesa e em uma boa condução da narrativa. Espero que o meu comentário sirva como uma crítica construtiva. Boa sorte!

    Este desafio está nos dando histórias muito encantadoras, esta aqui figurando como uma delas, escrita de maneira tão bela e, ao mesmo tempo, comovente, com os caminhos trágicos da personagem que centraliza a trama.

    A história é, na verdade, um relato transmitido a uma narradora personagem, cujas impressões não são muito colocadas, dando o espaço devido à jornada de Tainá, mestra dos fluidos e dos humores, pelo que eu entendi. A autora soube escrever tudo muito bem, por vezes detalhando um pouco demais, como quando falou do retorno da bully, explicando suas estratégias de convivência após o incidente, algo que poderia ter sido cortado. Com o ritmo de um relato, alguns casos acabaram um pouco apagados, interessantes e despertando curiosidade, mas nenhum central, o “cerne” do conto sendo sempre a caminhada em que a nossa protagonista acompanha a senhora. Ao redor dessa caminhada, a autora deixou destacado o isolamento da velha mulher, uma invisibilidade e uma perseverança que parece não levá-la a lugar nenhum quando, na verdade, estava sempre a destinando um final, uma conclusão que é a deste conto, ela se somando às águas. Sobra só a protagonista impressionada e decidindo o que fazer sobre o que acabou de ouvir e presenciar. Então é um conto muito bem escrito e estruturado, uma narrativa com início, meio e fim, que puxa a curiosidade.

  22. Sigridi Borges
    24 de dezembro de 2017

    Olá, Mitocôndrias!
    Gostei muito do seu conto.
    Texto totalmente adequado ao tema.
    Você descreveu o mar e os fatos de forma poética, o que me agradou.
    Encanto-me pelo mar, mas tenho medo dele. Confesso que, por algumas vezes, pareceu-me estar tão próximo que cheguei a sentir aflição.
    Interessante a mistura de raça na formação da personagem.
    Final tranquilo e previsível, mas escrito de forma maravilhosa.
    Obrigada por escrever.

  23. Estela Goulart
    23 de dezembro de 2017

    Olá. Confesso que tive que reler seu conto várias vezes para tentar entender com clareza certas partes. Acho que elas poderiam ser melhoradas, afinal parece muita beleza para uma narrativa que poderia ser simples. Mas é questão de gosto, afinal. A questão é que o conto é bom, trata do superpoder de forma clara, muitas vezes poética. Encontrei poucos erros, nada que prejudique muito. De qualquer forma, é um bom conto, precisa de alguns ajustes, mas contando pela história geral é bom. Parabéns e boa sorte.

  24. Bia Machado
    23 de dezembro de 2017

    – Enredo: 1/1 – Gostei muito do enredo, pela singularidade dele, por sua ternura em tratar de uma vida que me pareceu ter sido um fardo. O superpoder não livrou a Tainá de muitas coisas desagradáveis.
    – Ritmo: 1/1 – Na minha opinião, a narradora dificultou as coisas pra muita gente que leu o conto, mas de alguma forma, pra mim, parece que o conto pedia esse ritmo lírico, poético, emotivo… Quero crer que, fosse narrado de outra forma, a história de Tainá não teria o mesmo encanto, não despertaria tanto o interesse que despertou em mim, por exemplo.
    – Personagens: 1/1 – Nem preciso dizer que gostei. E a narradora, que se insere na história, sem rosto e sem nome, inclusive ela foi essencial para a história, com esse mistério todo que a envolve. Terminei o conto sem saber quem ela poderia ser, teci várias suposições e fiquei sem saber ao certo, mas gostei disso.
    – Emoção: 1/1 – Não tive como não chorar com essa narrativa. Em parte pelo tom poético, em parte por estar de TPM (não tenho mais útero, mas Tainá deve saber que as sensações continuam sendo as mesmas) e em parte por Tainá me fazer lembrar de várias mulheres que passaram pela minha vida e que poderiam estar no lugar dela.
    – Adequação ao tema: 0,5/0,5 – Totalmente adequado.
    – Gramática: 0,5/0,5 – Vi algumas coisas a serem arrumadas, mas estou sem coragem de tirar qualquer pontuação do conto nesse sentido, se não o fiz nos outros itens avaliativos.

    Dicas: Aumentar o conto, detalhando mais, trabalhando mais alguns pontos que ficaram meio rápidos, ou que poderiam ter sido narrados de forma mais elaborada.

    Trecho em destaque: “Ela se foi. Não sei o porquê, nem por quais caminhos, só descobri que se desfez de si. No meio do caos, inundada por todo um universo mergulhado em espanto. Foi-se, simples assim, deixando-me com os olhos cheios, vazantes.”

    Obs.: A somatória dos pontos colocados aqui pode não indicar a nota final, visto que após ler tudo, farei uma ponderação entre todos os contos lidos, podendo aumentar ou diminuir essa nota final por conta de estabelecer uma sequência coerente, comparando todos os contos.

  25. Juliana Calafange
    23 de dezembro de 2017

    O seu conto tem uma beleza poética, sem dúvida. Vc domina bem as palavras, cada frase é uma pequena poesia. A água acompanha toda a história, mas não parece ser o fio condutor da trama. Acho que o conto tem um problema de estrutura, são muitas histórias numa só, numa caminhada pela praia, ao lado de uma estranha. Tudo me pareceu muito forçado. As imagens que vc cria são muito belas, mas não ajudam a construir a história na mente do leitor. Eu, pelo menos, não me envolvi com nenhuma das duas personagens.
    O final também me pareceu previsível. Sugiro reescrever a história, dando mais atenção a estrutura, pra que o leitor consiga alcançar o que vc quis dizer com o conto.
    Boa sorte!

  26. Jorge Santos
    21 de dezembro de 2017

    Olá. Tive de reler o seu conto para tentar perceber completamente, com medo de ser injusto neste comentário. No entanto, tenho de reconhecer que continuei confuso. A linguagem é a correcta, mas há demasiadas ideias que se cruzam, uma necessidade de embelezar a escrita e transportá-la para um nível literário superior. A tentativa ficou aquém do esperado e as ideias não conseguiram passar.

  27. angst447
    21 de dezembro de 2017

    Olá, Mitocôndrias, tudo bem?
    O tema proposto pelo desafio foi abordado com bastante água.
    Não notei falhas graves na sua revisão.
    O enredo é interessante devido à peculiar personagem – Tainá Ayako – eita, nominho estranho. A mistura de raças, a raiz indígena entrelaçada à raiz oriental resultou em uma senhorinha cheia dos poderes, mas reticente em seu uso.
    Não entendi quem foi a sua interlocutora – trata-se de uma mulher, pois ao se referir a si mesma utilizou adjetivos no feminino – mas não percebi se era jovem ou velha. Bom, isso pouco importa porque a figura central é Ayako, certo?
    O ritmo do conto segue a maré, às vezes vagarosa, às vezes mais pulsante. No entanto, a leitura flui com facilidade, sem grandes entraves.
    Boa sorte!

  28. Paula Giannini
    21 de dezembro de 2017

    Olá, Autor(a),

    Tudo bem?

    Desilusão. Ao menos para mim foi disso que seu conto tratou. Sim, há aí o bullying, a triste vida amorosa e o incrível poder da protagonista que, mais que protagonista no texto, é “dona” de seu próprio dom, exercendo-o, ao contrário do que li em muitos textos do desafio, sempre que dele precisou, sem vergonha ou culpa.

    É interessante notar o quão crível é essa personagem que o(a) autor(a) criou. Não é pelo fato de possuir poderes que ela se torna uma pessoa “especial”. Não. Ao contrário. Ayaco segue sendo o que é. Uma mulher mediana, de uma cultura que tudo cala na mulher e que apenas segue seu destino como um fluxo de água em um rio. Ainda que exerça suas vinganças, reagindo contra o preconceito na escola, queimando a mão de desafetos, ou estancando a sede do marido por filhos, ainda assim, o que ela faz ao utilizar-se de seu dom conscientemente, como mencionei acima, é se defender (ou se resguardar) do mundo que a cerca. Ela não tem grandes sonhos, desejos de mudar o mundo, de ajudar pessoas, de se tornar poderosa ou algo que o valha. Não. Ela simplesmente é quem é e passa pela vida como a grande maioria. Retirando as “pedras” de seu caminho, em busca mais de paz que de felicidade.

    Existem essas pessoas no mundo que, simplesmente chegam perto das ouras e desabafam. Contam toda a sua vida para um estranho. Talvez seja mais fácil desabafar com alguém que não se conhece, não sei. Isso acontece sempre comigo. Estou em uma praia ou praça e pronto, lá vem uma confessora sentar-se ao meu lado… Geralmente são mulheres. Rsrsrs

    O final do conto lembrou-me de um documentário, cujo nome não saberei dizer, roteirizado por um amigo meu e, coincidentemente, em japonês. Para a pesquisa no documentário, o autor, David Mendes, contou que entrevistou centenas de pessoas acerca de um sonho recorrente que, ao que parece, ocorre com mais de 60 por-cento da população mundial. Ao menos pelo que ele me disse. O sonho da onda é um sonho recorrente e a tal onda muda de tamanho, bem como o observador de local e ou situação, mas o fato é que, muitos de nós são assombrados por uma tsunami sonhada que engole tudo.

    Para finalizar, percebi que Ayaco se fundiu às águas. Assim, ela era seu poder. Ela era a própria água e voltou para “casa”.

    Parabéns.

    Desejo-lhe sorte no desafio.

    Beijos

    Paula Giannini

  29. Givago Domingues Thimoti
    21 de dezembro de 2017

    Olá, Mitocôndrias!

    Tudo bem?

    Tive a impressão, ao final do seu conto, que li uma história de uma onda de mar tranquilo. Ela veio, passou e você relaxou. Foi um texto bonito, mas que não teve um algo a mais. Demonstrou que a autora (geralmente eu coloco autor ou autora, mas algo me diz que esse conto é de uma autora, muito talentosa por sinal) sabe mexer com palavras, mas, infelizmente, dessa vez, não soube/conseguiu aliar o escrever bem com o de contar uma história.

    Parabéns e boa sorte!

    PS: Me perdoe se a crítica foi pesada demais!

  30. João Freitas
    21 de dezembro de 2017

    Olá. 🙂

    Ainda me faltam ler alguns contos mas o seu estará certamente no meu Top 3 de contos favoritos.
    Escrita incrível e cativante. Talvez a história não tenha um desenrolar amplo, mas a forma como o conto está escrito vale por tudo. Adorei como usou o elemento “água” e brincou com ele ao longo de todo o conto, de forma literal, figurada, poética e tudo mais.

    Muitos parabéns e obrigado por ter escrito.

  31. Mariana
    20 de dezembro de 2017

    Ayako é uma personagem interessante, mutável como as águas – para uma senhora simpática, ela tinha uma face bem vingativa (a cena da menstruação, por motivos pessoais, considerei pesada). O destino de Ayako foi poético,o conto todo é, mas sem ser piegas. Está tudo muito bem explicado e escrito, a única questão é porque a velhinha poderosa, que camuflou o seu dom a vida inteira, escolheria uma simples companheira de caminhada para desabafar? Em um posterior desenvolvimento do conto, esse seria um dos poucos aspectos a ser repensado. Parabéns pelo trabalho e boa sorte no desafio

  32. iolandinhapinheiro
    19 de dezembro de 2017

    Olá, autor.

    Conto muitíssimo bem escrito com construções bonitas e poéticas.

    Uma senhora idosa depois de muitas trocas de olhares com uma jovem acaba abrindo o seu coração para ela, contando sobre poderes que julga ter ou de fato tem. Para explicar de onde tirou sua convicção ela conta alguns episódios em sua vida em que se utilizou dos supostos poderes, em algumas destas vezes para fazer mal alguém. É interessante como se constrói um personagem todo frágil como é a senhorinha da história e coloca nele características que não combinam. Vc nunca vai imaginar que uma japinha pequena e idosa já quase matou a coleguinha da escola, ou tornou o próprio marido estéril, e ainda fez gente se queimar segurando copos de água que ferviam. Mas na vida real aparência e caráter nem sempre combinam.

    Gostei de muita coisa apenas a forma de narrar deixou a trama e a própria Ayako muito transparentes. Acho que o grande volume de água na sua história acabou por diluir todo mundo.

    Gostei da interlocutora sem nome. Ela se comportou exatamente como uma pessoa comum se comporta quando encontra gente contando coisas loucas, ainda que depois lhe pareçam verdadeiras.

    É isso, caro autor.

    Boa sorte no desafio.

  33. Regina Ruth Rincon Caires
    19 de dezembro de 2017

    O autor é muito competente, tem amplo domínio de linguagem. O poder de controlar as águas, o diálogo “enviesado”, a descrição minuciosa do ambiente, tudo é tratado de maneira poética. Aliás, o texto todo é imerso em poesia. Escrita fluente, um instigante arrazoado sobre dom/maldição. Muito interessante. O texto com nuances da cultura indígena com a asiática, um encanto. Quando a senhorinha caminhava com os passinhos rápidos e miúdos, no meu pensamento ecoava o som da harpa lírica. Muito suave.
    Parabéns, Mitocôndrias!
    Boa sorte!

  34. Fheluany Nogueira
    19 de dezembro de 2017

    Superpoder: manipular líquidos.

    Enredo e criatividade: história de vida da japa-índia, relatada a um desconhecido que a abordara na caminhada. Herdou os poderes da mãe, usou-os para uma pequena vingança do bullying na escola e outra para controlar a prole, ao seu critério, sem rusgas com o marido, enfim de forma bem humana, buscando equilíbrio. O desfecho é a parte que traz mais emoção, quando a protagonista junta-se às águas de que sempre fez parte.

    Estilo e linguagem: Texto bem estruturado e bem conduzido, com ritmo e poesia. A água, além de tema da trama, é recurso para metáforas e comparações bonitas e sonoras. Outro recurso bem utilizado foram os provérbios. Enfim, tudo bem amarrado: título, pseudônimo, trama e técnica.

    Gostei muito. Parabéns! Abraços.

  35. Antonio Stegues Batista
    19 de dezembro de 2017

    O texto foi muito bem escrito, as frases com um tom poético, as metáforas combinaram com o sentido do resto. Boa escrita, bom enredo. Ayako tinha sangue indígena, de ancestrais capazes de dominarem a natureza, como nas lendas gregas e tantos outros povos. Faltou falar disso, das origens de Ayako, de seu superpoder. Será que ela morreu, mesmo? É uma personagem tão fascinante! Tomara que não tenha morrido. Boa sorte.

  36. Gustavo Araujo
    17 de dezembro de 2017

    Este conto possui qualidades e defeitos parecidos com o conto da roda gigante. Qualidades no sentido da escrita. A pessoa que escreveu sabe realmente o que faz: usa bem as palavras, tem habilidade diferenciada no momento de expor as ideias e, ainda, o dom invejável de empregar um sentimento poético em todas as nuances, em todo o texto. O defeito, por sua vez, revela-se na abordagem um tanto distante da protagonista. Sabemos dela por um intermediário, o personagem narrador, que nos dá suas impressões pessoais de modo um tanto abrangente, sem se ater a um fato específico, algo que, na minha opinião, tornaria o leitor mais próximo, que o aproximaria dos anseios da personagem principal. Ao abordar a vida inteira dela, de modo genérico, tudo ficou muito distante, como um quadro que, embora belo, é visto de longe, sem acesso aos detalhes. Como eu disse, está escrito de forma impecável, mas devo confessar que senti falta de um drama mais real, mais definido. No geral, em todo caso, é um belo trabalho. Parabéns e boa sorte no desafio!

  37. Miquéias Dell'Orti
    17 de dezembro de 2017

    Oi 🙂

    Que conto lindo!

    Interessante como você usa a água para fazer comparações felizes e belas durante toda a história. Usar provérbios e sentenças morais também foi um recurso muito bem utilizado.

    O poder de Ayako é muito bacana. Controlar as águas. Mas a grande sacada do conto não está no poder, mas na forma poética e bela como a história de vida da protagonista foi contada, sua vida, seus atos… e seu fim, juntando-se as águas das quais ela sempre foi uma parte.

    Não consegui muitas certezas com esse texto, mas acho que foi propósito seu, inclusive é o grande charme da história, mas fiquei com uma dúvida se a jovem e Ayako eram, afinal, a mesma pessoa, talvez uma a consciência da outra, ou Ayako fosse, na verdade, uma personagem criada pela imaginação fértil da jovem, o que não excluiria minha primeira opção. Enfim, suposições de leitor.

    Parabéns pelo trabalho!

  38. Edinaldo Garcia
    16 de dezembro de 2017

    Águas que atravessam (Mitocôndrias)

    Trama: Idosa faz revelações de sua vida a uma jovem que acabou de conhecer.

    Impressões: Um conto maravilhoso. Poética primorosa. O enredo bem construído com frases que nos faz lembrar grandes escritores clássicos do Romantismo (posso estar exagerando). Tainá Ayako é muito carismática ao ponto de sentirmos vontade de abraçá-la (uma vovô carinhosa). Um superpoder bem ao estilo mitologia indígena. Textos bons se explicam, dispensando maiores interpretações.

    Linguagem é escrita: Primorosa. Poética e de leitura bastante agradável.
    Veredito: Um excelente conto. Primoroso

  39. Paulo Ferreira
    15 de dezembro de 2017

    Dona de um poder meio que sem sentido, improvável. A escrita desenha uma personagem como uma figura terna e curiosa, entretanto a real figura contradiz de certa forma essa personalidade. A escrita de contornos poéticos embeleza o conto que já por si é bastante comovente pela figura da personagem, com seus poderes, no mínimo estranho. As frases tais como “Sumira como os dias que deixara para trás” “aquela que antes era afofada por pés infantis e atletas de fim de semana” – Me passaram como alegóricas, atrapalhando um pouco a narrativa. Mas nada que tire o mérito do conto, cujo maior trunfo seja exatamente a maneira própria como o autor (autora) se expressa; seu estilo.

  40. Neusa Maria Fontolan
    14 de dezembro de 2017

    Então Ayako se fundiu com o seu elemento, a água. Isso após uma longa vida sabendo conduzir com maestria o poder que herdou da mãe para pequenas causas.
    Ludmila recebeu o que mereceu, nada mais justo.
    Gostei do conto, uma história gostosa de ler.
    Parabéns e obrigada por escrever.

  41. Olisomar Pires
    12 de dezembro de 2017

    Pontos positivos: belo texto, poético e ondulante. Construções frasais e imagens bem colocadas.

    Pontos negativos: somente a repentina confissão da senhora à jovem, pareceu-me estranho, mas talvez eu tenha deixado passar algo.

    Impressões pessoais: impossível não se ligar à liquidez evocada na escrita.

    Sugestões: explorar mais a visão da senhora poderosa.

    E assim por diante: quem nunca imaginou ter poderes secretos para punição de alguns desafetos? Esse gancho causa empatia.

  42. Angelo Rodrigues
    11 de dezembro de 2017

    Cara/Caro Mitocôndrias,

    superpoder de manipular as águas.

    Gostei do conto. Bem estruturado e bem conduzido veio para dizer o que queria dizer e disse. Disse bem, com ritmo e poesia.
    Frases bem estruturadas, têm o tamanho certo que necessitam para passar uma ideia. Além de Dickinson na epígrafe.

    Boa sorte no desafio.

  43. Fabio Baptista
    11 de dezembro de 2017

    Um conto em clima de “Vento no Litoral”. Uma música bem bonita, de ritmo cadenciado, que exige paciência para ter a beleza devidamente apreciada.

    A técnica é excelente, a poesia transborda em cada frase, as contruções elaboradas aparecem com frequência, encantando olhos e coração. Só não colocaria aqueles pontos ali antes do segundo travessão do diálogo…

    A trama se resume à história de vida da japa-índia-superpoderosa. Na forma de relato como foi apresentado, acabou ficando um pouco distante, não causando maior envolvimento, por mais interessantes que fossem as situações.

    No decorrer, achei que ela se revelaria uma vilã, mas era só uma humana com seus erros e acertos mesmo. Melhor assim.

    Muito bom.

    Abraço!

  44. Evelyn Postali
    11 de dezembro de 2017

    Caro(a) Autor(a),
    Ayako conduziu a vida relativamente bem, não é? Porque superpoderes não é para qualquer um. Acredito que ela tenha se equilibrado entre considerar um dom e considerar uma maldição. De qualquer maneira, é o que todos os personagens desse desafio, ou pelo menos a maioria, vivenciou. O conto está bem contado. Começo, meio e fim. Não percebi erros de construção muitos significativos, nem erros de gramática, ou digitação. É um conto que nos conduz com tranquilidade até o fim.
    Boa sorte no desafio!

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Publicado às 10 de dezembro de 2017 por em Superpoderes e marcado .