EntreContos

Detox Literário.

Procela (Marco Piscies)

Fevereiro de 2002

Fabiana ultrapassou apressada os portões da faculdade, singrando o mar de transeuntes na calçada externa, seguindo na direção do estacionamento rotativo. Andava em longas passadas, balbuciando pedidos rápidos de desculpas sempre que esbarrava em outro pedestre. Perdera-se nos preparativos para a vindoura semana de provas, e esquecera que aquele era seu dia de buscar a filha na escola. A imagem da menina esperando sozinha em frente aos portões fechados atormentava seus pensamentos.

Sem aviso, algumas finas gotas de chuva começaram a cair. Um trovão urrou no céu, apesar do azul ainda reinar por entre esparsas nuvens brancas. Fabiana alcançou o guichê do estacionamento e pagou em dinheiro. Recuperou a chave do carro e marchou na direção de seu Fiat Uno Mille ano 1996.

A chuva engrossou. Quando Fabiana encontrou o carro, seu cérebro levou algum tempo para processar a informação. O quadro era inconcebível: as gotas da chuva desciam viscosas pelo capô branco do automóvel, deixando para trás filetes de sangue.

Sangue.

Fabiana olhou para o carro vizinho ao seu: uma BMW com o dobro do tamanho de sua humilde lata velha. Sentiu inveja. Em uma fração de segundo, sua inveja tornou-se raiva. Esta tornou-se ódio. A estudante entrou no veículo antiquado, ignorante das gotas grossas de sangue que jorravam das nuvens negras no céu. Não notou o acanhamento repentino da luz do sol. Apenas girou a chave, acelerou e, quando julgou estar a uma distância ideal, engatou a marcha ré e mergulhou a traseira de seu carro com toda a força sobre a BMW. O estrondo do impacto coincidiu com uma nova trovoada.

Um guarda saiu da guarita incrédulo, vomitando impropérios. Atrás dele, na rua e na calçada, as pessoas se engalfinhavam em um surto de insanidade coletiva. Ele se aproximou do Fiat – seus olhos confusos com a pintura de vermelho sobre branco. O chão era todo cacos de vidro e sangue. A fumaça que escapava do capô dançava com as gotas que caíam do céu.  

Súbito, um engavetamento na rua principal causou grande estardalhaço. O guarda olhou para trás assustado. Quando se voltou para o carro, mal teve tempo de notar o extintor de incêndios que Fabiana usou para golpeá-lo no rosto. Quando o homem desfaleceu ao chão, a estudante montou sobre seu corpo débil e golpeou seu rosto inúmeras vezes. Seus gritos insanos uniram-se aos do povo na calçada; às explosões que se espalharam por toda a cidade; e ao cantar de pneus e das armas de fogo.

Passados poucos minutos, as nuvens se dissiparam e as gotas de sangue aguaram até tornaram-se corriqueiras gotas de água. Elas continuaram a cair e a lavar todo o sangue derramado – fosse das nuvens, fosse dos corpos que se aglomeravam.

Em um canto do estacionamento, Fabiana jazia deitada de bruços, vítima de outro transeunte igualmente ensandecido. As gotas de chuva escorriam por seus olhos perpetuamente abertos.

***

Em 2200, pouco mais de uma centena de povos indígenas ocupava as terras reservadas pelo governo brasileiro. Dentre eles, apenas um conhecia o real significado da chuva.

Os Amanaí veneravam Yamanay, a Água do Céu enviada por Wanadi. Certo dia, alguns estudantes universitários visitaram vilas Amanaí em Alagoas com o objetivo de realizar estudos antropológicos. Lá, descobriram algo inesperado. Encontraram em cantigas infantis algo que poderia explicar os acontecimentos fatídicos de quase duzentos anos atrás. Por toda a cultura do povo Amanaí – em seus registros escritos, em sua arte e em seus ritos – a imagem das Duas Crianças era recorrente.

Mas aquela cantiga infantil em especial, cantada pelas vozes inocentes das crianças indígenas, fazia os estudantes lembrarem da Procela.

 

Yamanay, Yamanay
Caia, caia, bem aqui
Se quiser pode mandar
Os Dois para ajudar

Aiyra não, que tenho medo
seu olhar pode matar
Seu poder não é segredo
Tudo pode destruir

Jurecê, esse sim
Filho de Wanadi
Manda ele já pra cá!

Yamanay, Yamanay
Caia, caia, bem aqui
Se eu não me comportar
Os Dois vêm pra me pegar!

Eles vão chamar a chuva
Que não é de Wanadi
No passado já sofreram
Com esse povo daqui

Acharam que os dois
Eram maldição do céu
Expulsaram dos costumes
Isolaram dos abrigos
Mas os dois eram amigos
E juntos, fortes permaneceram
Yamanay, Yamanay,
Faz-me forte como eles eram!

[…]

***

Agosto de 2002

A manhã ainda bocejava na praia de Santos. Os serviços de previsão do tempo falavam de sol e céu límpido, o que fez encher de esportistas as calçadas. Àquela altura, muitas pessoas já não confiavam nas previsões do tempo. Estas observavam por suas janelas, incrédulas, os corajosos que transitavam pelas ruas.

Gotas esparsas de chuva começaram a cair. Eram tão finas que muitos só perceberam que chovia de fato quando o sino da igreja se pôs a badalar.

A confusão teve início. Em meio à correria e à gritaria, todos se apressavam em encontrar uma marquise ou qualquer outra proteção contra o aguaceiro. Conforme as badaladas seguiam, cada vez mais pessoas se apertavam dentro dos estabelecimentos e sob os toldos. Em poucos segundos, não havia vivalma nas ruas. Até mesmo os carros foram abandonados. A cidade parou.

O badalar do sino da igreja anunciava o apocalipse que os veículos de comunicação chamaram de Procela.

Ela apareceu pela primeira vez seis meses antes. A Procela disfarçava-se de chuva, para logo se transformar em sangue. O céu azulado se tornava cinzento. As gotas vermelhas banhavam o solo, e quem entrasse em contato com elas tinha a mente consumida por uma insanidade violenta. A carnificina resultante era indescritível. Quando satisfeita, a Procela cessava, tornando-se, novamente, apenas água caindo dos céus. Foram necessários três daqueles eventos para que o povo entendesse que o problema se encontrava na chuva. Era difícil saber dos detalhes do ocorrido quando todos os envolvidos estavam mortos.

Em Santos, a chuva seguia translúcida, mas sua força aumentava. Em pouco tempo, o fino chuvisco havia se tornado uma tempestade. Apesar de a água correr cristalina pelo asfalto, ninguém ousava deixar que ela tocasse a pele. Muitos cogitavam observarem a ira de Deus em andamento na forma de um novo dilúvio.

Em resposta ao temor coletivo, a tempestade se intensificou ainda mais.

No centro da cidade, em um quarto alugado, Jurecê tinha um pesadelo. Remexia-se sobre a cama, suando e gemendo. Acordou em um átimo, levantando o torso ofegante.

Lá fora, a tempestade chegou a um fim abrupto, como se alguém desligasse uma mangueira. A água simplesmente deixou de cair e o vento parou de soprar. Atônitas, as pessoas saíram de seus esconderijos, ainda com medo de tocar o solo molhado.

Em seu quarto, Jurecê abraçou os joelhos e desatou a chorar. Em seu pesadelo, ele ainda era uma criança ajudando seu pai na plantação de milho. Todos os Amanaís que por ele passavam ignoravam-no por completo. No sonho ele não tinha poderes. Era apenas um garoto invisível, isolado do mundo. Sua existência – ou a falta dela – não fazia diferença alguma.

Chacoalhou a cabeça e tentou esquecer. Levantou-se e afastou as cortinas da janela. Lá fora, a cidade estava encharcada. Um fluxo constante de água de chuva escapava das calhas. Suspirou. Sabia que era tudo culpa de sua falta de experiência.

Alcançou o controle da televisão que descansava sobre o criado-mudo e ligou o aparelho. O noticiário urgente acabava de começar.

“Uma tempestade repentina acaba de assolar Santos. Felizmente, não era uma Procela, cujo próximo ataque estava previsto justamente na região costeira de São Paulo.”

A tela exibiu um mapa do Brasil. Uma linha vermelha descia desde Alagoas, percorrendo todas as regiões que sofreram com a Procela. As ocorrências do cataclismo traçavam um caminho óbvio e nada aleatório. O governo suspeitava de ataques terroristas com armas bioquímicas, mas nada fora descoberto até então.

“A região estava nos limites do que os especialistas consideravam a ‘zona de perigo’ para a próxima ocorrência da Procela. Felizmente, a chuva terminou tão rápido quanto começou, sem nenhuma morte registrada até agora. Especialistas cogitam que esta tempestade foi uma espécie de ‘Procela malsucedida’, e que o evento deve seguir na direção sul”

Jurecê desligou a televisão, irritado com aquelas deduções sem embasamento. Aquele tipo de anúncio em rede nacional poderia custar a vida de inocentes. Foi até o banheiro para lavar o suor do corpo e preparar a mente. Tinha que estar pronto para o pior.

Ela chegaria em Santos a qualquer momento.

***

[…]

Ipiora era menina Amanaí
Que na tempestade se perdeu
Mãe de Ipiora implorou
E Aiyra atendeu

Os Dois eram deuses
Debaixo da água forte
Aiyra bem sentia
Yamanay que tudo tocava
A água lhe contava
Que Ipiora beirava a morte

Encontraram Ipiora
Nas pedras da cascata
Aiyra saiu da mata
Valente, até lá desceu
Resgatou a pobre menina
Mas o destino de Aiyra
Wanadi quem escreveu

Aiyra na sua volta
Caiu nas pedras e desmaiou
A mãe de Ipiora
De medo, congelou
Jurecê pediu ajuda
Mas a mãe, desesperada,
Foi embora com Ipiora
E Aiyra lá ficou
Até que a água a levou

Yamanay, Yamanay
O que aconteceu com os Dois?
Jurecê fugiu cansado
Deste povo insensato
Já Aiyra, o que dizem
Na verdade não morreu
E que com chuva fez vingança
Lavando o sangue que escorreu

Yamanay, Yamanay
Caia, caia, bem aqui
Está na hora de entrar
Está na hora de dormir

***

Agosto de 2002

Ela caminhava graciosa pela mata, os olhos ferinos mirando a cidade que enfeitava a paisagem. O morro era pequeno, mas alto o suficiente para que ela visse tudo o que queria tocar.

Aiyra, majestosa em suas roupas ritualísticas, executou o comando mental e sorriu. A natureza atendeu de imediato. As nuvens moveram-se com rapidez até que estivessem sobre Santos, então começaram a chorar sobre seus habitantes.

O badalar do sino teve início.

A índia levantou os braços e retesou os músculos: o comando mental agora era mais intrincado. Súbito, o choro das nuvens tornou-se lágrimas de sangue. Aiyra tudo sentia. A água informava a posição de cada pessoa, tal qual seus pensamentos e medos. Eles se escondiam, mas bastava que um fosse atingido para que a epidemia se espalhasse.

Por alguns instantes, Aiyra manteve os olhos fechados e apreciou o caos.

Estava tão absorta em sua Procela, que notou tarde demais uma história diferente que as águas lhe contavam. Uma presença masculina – conhecida – se aproximava dela rapidamente. Seus movimentos eram impossíveis: deslocava-se pela costa rochosa como se voasse. Aiyra abriu os olhos e presenciou o inacreditável.

Diante dela, imune ao sangue que jorrava das nuvens, um homem de traços indígenas elevava-se no ar. Petrificada, Aiyra observou-o abrir os braços e, com um fechar tranquilo de olhos e uma longa inspiração, fazer com que a chuva voltasse a ser apenas Água do Céu. Então, o índio movimentou-se pelo ar, como se a própria chuva que acabara de purificar o carregasse como forma de agradecimento. Pousou suave diante dela e observou-a com afeto. A expressão de Aiyra era um misto de confusão e ódio.

— Finalmente a encontrei.

— …Jurecê?

Ele aquiesceu, sorrindo. Aiyra se afastou do antigo amigo, seus olhos percorrendo o corpo de Jurecê, o asco nítido em seu semblante. Notou, particularmente, as calças jeans e a camisa de malha que ele vestia.

— Você se veste como eles.

Em contraste, Aiyra cobria pouco de seu corpo com peças de pele animal e adornos feitos de ossos. O resto de sua pele era coberto de pinturas cheias de significados ritualísticos.

— Eu sou um deles. E você também é. Somos todos humanos, Aiyra. Cada qual carregando o peso de uma vida sobre as costas.

A expressão no rosto da índia mudou. As rugas de ódio em sua testa deram lugar a um semblante triste e frustrado.

— Eu sonhei com este momento por tanto tempo… – ela confessou. Jurecê renovou o longo sorriso e preparou-se para abraçá-la — …sonhei que você, como eu, estaria em algum lugar fazendo chover justiça sobre estes imundos.

O sorriso de Jurecê murchou. Aiyra riu.

— Sempre o submisso. Achei que você um dia entenderia o real motivo de termos estes dons. Jurecê! Você ainda não entende nossa missão neste mundo?

— Não há missão, Aiyra.

– É CLARO QUE HÁ! – ela vociferou e, em um rompante, invocou novamente seu poder. Uma nova onda de relâmpagos iluminou os céus e, por um momento, a chuva tornou-se sangue, antes de ser, novamente, purificada. Naquele instante ela notou os músculos retesados de Jurecê. Ele a observava frustrado, e agora não conseguia disfarçar a força que fazia para impedir a mácula da Procela. Seus punhos fechados tremiam. Sua mandíbula estava rígida. Ela prosseguiu com seu comando mental e sentiu que a natureza a respeitava muito mais do que a ele. A chuva iniciou um lento processo de transformação. A água assumia, novamente, o tom escarlate.

— Viemos para purificar este mundo!

Jurecê ajoelhou-se, exausto. Estava óbvio que jamais superaria a amiga, mas não poderia desistir.

— Temos um dom, Aiyra. Podemos usá-lo para criar ou destruir. Pense… — sua voz vacilou.

— Destruir é parte da criação.

— …pense… nas pessoas de bem. Pense que nem todas são casos perdidos.

— VOCÊ É FRACO!

Com o novo brado, uma forte ventania jogou Jurecê ao chão. Satisfeita, ela assistiu ao antigo amigo sucumbir à sua mácula. Viu seus olhos injetados de ódio.

Então, pela primeira vez desde o início, arrependeu-se do que fazia.

Jurecê levantou, babando em insanidade. Olhou ao redor e encontrou apenas Aiyra para descarregar seu ódio. Diante dela não havia mais Jurecê. O índio havia se tornado um avatar da ira que os humanos carregavam dentro de si. Ela se lembrou da bondade que morava dentro do amigo; lembrou-se das histórias que compartilharam quando crianças. Entendeu que sua Procela havia reduzido Jurecê a um mero animal.

Quando Jurecê aproximou-se o suficiente para que pudesse machucá-la, Aiyra finalmente deixou que lágrimas escapassem de seus olhos.

— Não – ela balbuciou, e a chuva a escutou. A mácula dentro de Jurecê fê-lo reconhecê-la como sua comandante. Confuso e irado, o índio não tinha em quem descarregar todo o ódio que sentia, então só lhe restou flagelar o próprio corpo. Correu na direção do precipício e se jogou.

— NÃO! – a chuva de sangue tornou-se água em um segundo e ela, em desespero, aprendeu a voar. Usou o vento para que alcançasse o corpo do amigo antes que atingisse as rochas, segurando-o nos braços. Jurecê se debatia em ira. Queria morrer. Queria causar o mal. Aiyra pousou leve sobre uma plataforma na encosta do morro. Banhado pela água cristalina, Jurecê acalmou-se aos poucos. Ela deixou o corpo do amigo sobre a grama, que levaria horas para ver-se livre de todo aquele sangue. Ao passo que a mesma chuva lavava também todo o ódio que consumia aquela cidade, Aiyra ajoelhou-se ao lado de Jurecê e chorou.

Agora entendia.

No céu, as nuvens negras tornaram-se brancas e se afastaram para dar lugar ao sol. A luz do astro, refletida pelas gotículas de água na atmosfera, formou um majestoso arco-íris.

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45 comentários em “Procela (Marco Piscies)

  1. Bianca Amaro
    31 de dezembro de 2017

    Olá!!!

    Gostei de ter colocado versos bem poéticos no desenvolvimento do texto, achei muito legal e criativo.

    O começo nos deixa com uma grande curiosidade de ler, para saber o que aconteceu. Eu acho que isso é uma coisa muito boa, pois o texto tem que prender o autor. E não só prendeu no começo, como também no resto do texto.

    É claro que tem suas falhas, mas, em geral, foi um bom texto.

    Parabéns por escrever e boa sorte!

  2. Fil Felix
    30 de dezembro de 2017

    Um conto que se transforma em mito, meio lenda e com toques modernos. Visualmente, gostei muito da chuva de sangue, de como ela incorporou na cidade e depois no país, como lidaram com isso. Acho bacana esse tom de Apocalipse, com as reportagens dando maior realismo à trama. E a chuva, meio que despertando o “dia de fúria” em cada um, ficou ótima! Em relação aos índios, do encontro, sinto que perdi alguma coisa que não sei o que é ainda, pois ficou um tanto diferente do resto da narrativa, recheando de informações.

  3. Felipe Rodrigues
    30 de dezembro de 2017

    O que mais gostei foi da ideia da chuva de sangue, ao tocar as pessoas, fazer com que elas fiquem doidas, e logo de cara essa paulada na BMW me ganhou. A ramificação do conto entre as duas culturas, o ancestral diluído no contemporâneo, essa influência revista atualmente, já deu a este conto grande valor cultural. A inserção de um personagem que simboliza as duas culturas em um contexto urbano também foi uma escolha interessante.

  4. Fabio Baptista
    30 de dezembro de 2017

    Conto bem escrito, abusando do rebuscamento em poucos trechos (como o “singrando o mar de transeuntes na calçada externa” logo de cara).

    Eu gostei bastante do começo, o início da chuva de sangue e a luta no estacionamento estão muito bem narrados, com uma forte pegada de terror estilo filme de zumbis.

    Depois o texto dá uma quebrada, principalmente com a inserção do poema/cantiga. Sendo bem sincero, esse tipo de trecho sempre me dá vontade de pular (mas quando é desafio eu nunca pulo, só pra ficar registrado) pois raramente agrega à trama, ou agrega muito menos do que um trecho em prosa normal. É uma quebra de ritmo desnecessária, na minha opinião.

    O efeito da chuva, com as pessoas com medo da garoa, foi também muito bem descrito. Daí vem o confronto dos índios e o negócio vira Dragon Ball, mudando muito a pegada. Não que tenha ficado ruim, mas em contraste com as cenas dos humanos afetados pela chuva (mesmo que apenas pelo medo da chuva), teve uma queda.

    Abraço!

  5. Edinaldo Garcia
    30 de dezembro de 2017

    Procela (Buroti)

    Enredo: Chuva de sangue causa estranhos efeitos violentos e destrutivos nas pessoas, enquanto seres muito especiais indígenas travam um duelo de poder e filosófico acerca dos motivos de seus poderes e quanto ao seu uso. (Foi isso que eu entendi)

    Impressões: Um escrita muito boa. Fluida, dinâmica. O tipo de escrita para se ler por horas sem se cansar. O tom inicial do conto foi muito bom (pelo menos para o meu gosto), a narrativa seguia no terror muito bem elaborado e criativo, lembrando obras como: O Nevoeiro, Tempestade do Século. Ambas obras do Stephen King. Depois há o confronto dos poderosos (deuses?) e aí o tom muda para um confronto/drama/filosófico de super-herói. Não que tenha ficado ruim, mas essa mudança de estilo me incomodou um pouquinho. Eu apenas criei expectativas que poderia ter sido melhor tendo em vista o início muito bom.

    Linguagem e escrita: O autor possuiu uma leveza, uma construção de períodos, combinado a uma gramática excelente e madura faz com que a leitura se torne muito agradável. Um romance com essa escrita e um bom enredo daria para ler fácil quinhentas páginas de uma única vez.

    Veredito: Um excelente conto.

  6. Daniel Reis
    30 de dezembro de 2017

    24. Procela (Buroti):
    Já de começo, você, autor, me fez ir ao dicionário para saber que “Procela: substantivo feminino. 1. forte tempestade no mar com vento intenso e grandes ondas; tormenta, borrasca, temporal. 2. p.metf. grande tumulto, agitação, intranquilidade, guerra, rebelião.”. Tive que buscar isso, para melhor compreender a intenção do autor. A princípio, estranhei o fenômeno (o conto é notadamente de terror) entendido como superpoder. Mas depois compreendi que, dentro da PREMISSA, o Apocalipse era o dom do povo da floresta. A morte de Fabiana, no começo, me lembrou Psicose – a protagonista que morre no começo da história. Depois, surgem Jurecê, Aiyra, o cântico indígena, etc. Me senti numa cerimônia tradicional, entendendo cada vez menos da história ou da razão daquela chuva mortal. A TÉCNICA tenta organizar isso, inclusive com uma música, mas eu realmente continuei perdido. Como APERFEIÇOAMENTO, acho que o autor poderia reduzir a quantidade de ações/focos de narração, concentrando-se sobre o poder e as consequências dele.

  7. Ana Maria Monteiro
    29 de dezembro de 2017

    Olá Buroti. Tudo bem? Desejo que esteja a viver um excelente período de festas.
    Começo por lhe apresentar a minha definição de conto: como lhe advém do próprio nome, em primeiro lugar um conto, conta, conta uma história, um momento, o que seja, mas destina-se a entreter e, eventualmente, a fazer pensar – ou não, pode ser simples entretenimento, não pode é ser outra coisa que não algo que conta.
    De igual forma deve prender a atenção, interessar, ser claro e agradar ao receptor. Este último factor é extremamente relativo na escrita onde, contrariamente ao que sucede com a oralidade, em que podemos adequar ao ouvinte o que contamos, ao escrever vamos ser lidos por pessoas que gostam e por outras que não gostam.
    Então, tentarei não levar em conta o aspecto de me agradar ou não.
    Ainda para este desafio, e porque no Entrecontos se trata disso mesmo, considero, além do já referido, a adequação ao tema e também (porque estamos a ser avaliados por colegas e entre iguais e que por isso mesmo são muito mais exigentes do que enquanto apenas simples leitores que todos somos) o cuidado e brio demonstrados pelo autor, fazendo uma revisão mínima do seu trabalho.
    A nota final procurará espelhar a minha percepção de todos os factores que nomeei.

    Eu sinto grande dificuldade em comentar este conto muito difícil de compreender. Percebi o poder de fazer chover sangue que contamina de uma ira assassina a quantos toca. Esse poder revela-se me 2002 entre dois personagens, Jurecê e Ayira, que são amigos mas entendem o mundo de forma diferente. É-me muito difícil imaginar a existência de semelhante tipo de cultura nessa época. Depois é-nos apresentado um futuro, em 2200, com as terras ocupadas por indígenas que se conseguem imaginar, quando muito, em 1200. O mundo acabou entretanto e recomeçou? Mas se assim é, como se desenvolveram e coabitam, em simultâneo, estudantes universitários e tribos indígenas? Além do mais, o final do conto indica que Ayira alterou a sua postura e retomou a serenidade, após o confronto com Jurecê. Acho que o conto teria ficado menos confuso sem a inserção de 2200 com crenças e comportamentos inimagináveis no mundo atual, quanto mais no futuro. Mas também é certo que lendas indígenas estão completamente fora da minha cultura e do mundo real, imaginário, ou até oral em que fui criada. Então e porque está bem escrito, vou ignorar um pouco o facto de não ter compreendido como é que os paradoxos que constatei se podem conjugar. Parabéns e boa sorte no desafio.
    Feliz 2018!

  8. Ana Carolina Machado
    28 de dezembro de 2017

    Oiii. Achei o conto muito bom, principalmente as partes das canções, achei elas bem bacanas. Minha única dica quanto a elas é que poderia ter as colocado diretas, sem falar aquela parte do ano 2200. A cena inicial foi muito boa, retrata bem uma cena de histeria coletiva. Achei interessante o uso da chuva, porque os índios a consideram sagrada e que pode ter vários significados. Foi bom que no conto ela assumiu os dois aspectos, tanto o mal que revelava o pior de cada um como o bom a chuva que lava. O final foi bom também. Parabéns. Boa sorte!

  9. Higor Benízio
    28 de dezembro de 2017

    Bacana a forma como o “superpoder” é apresentado, gostei também das inserção das canções (sei como é difícil compor canções) um ponto alto do texto. O trabalho só peca pelo excesso de mudanças de núcleo, que acabou deixando a leitura meio desconexa em alguns momentos.

  10. Juliana Calafange
    28 de dezembro de 2017

    Um belo conto. Bem escrito e bem estruturado, o leitor vai aos poucos montando o quebra-cabeças da história/lenda da Procela.
    O conto consegue manter o leitor atento e curioso até o fim. A descrição dos acontecimentos é muito bem escrita, mesmo a parte mais ‘sobrenatural’, dos índios voando meio país e se encontrando, é facilmente visualizada, pela habilidade do autor em construir o texto.
    Só acho que foi desnecessário o parágrafo que menciona o futuro: “Em 2200, pouco mais de uma centena de povos indígenas ocupava as terras reservadas pelo governo brasileiro. Dentre eles, apenas um conhecia o real significado da chuva.” O ano de 2200 só é mencionado aqui e, em minha opinião, só serve para confundir. Esse trecho poderia ser suprimido, sem nenhum prejuízo ao entendimento da história.
    Parabéns e boa sorte!

  11. Fernando Cyrino.
    27 de dezembro de 2017

    Olá, Buroti, você me traz essa procela e ela vem intensa, vem forte, vem lavando tudo (com sangue e água, naturalmente). Ao narrar a história indo e vindo você me fez viajar no tempo e no espaço, e isto tornou seu conto mais interessante. Você tem um domínio estupendo da língua. Está tudo bem escrito. O enredo senti que muito bem amarrado. A história vinda das nossas tradições indígenas me fez viajar. Um ponto que poderia ser revisto é que achei que os cantos postos entremeio ao que estava sendo narrado, quase nada ajudaram no enredo, quem sabe, Buroti, eles poderiam mesmo serem suprimidos… ou ditos de uma forma diferente… Abraços.

  12. Bia Machado
    27 de dezembro de 2017

    – Enredo: 1/1 – Gostei muito da história e da forma como foi contada, alternando o tempo. A situação me lembrou um pouco um filme do Night Shyamalan, não sei se o nome é “Fim dos Dias”, mas tenha certeza, foi só a questão da chuva (que no caso do filme acho que era o vento, o ar, sei lá) e é certo: o seu conto é bem melhor, rs. Senti pena da Fabiana, coitada… Do final, tenho que dizer, eu esperava mais, a meu ver tudo aconteceu muito rápido.
    – Ritmo: 0,8/1 – Dá para ler de uma só vez, pelo menos comigo foi assim, envolvida na narração, somente no final a coisa fica acelerada, quando seria muito bom que tudo se desse de forma mais lenta.
    – Personagens: 1/1 – Gostei dos dois, são daqueles personagens que nos mostram que poderiam estar em outras narrativas e seria tudo de bom.
    – Emoção: 1/1 – Gostei muito do conto. Outro que gostaria de ter escrito, muito bacana mesmo.
    – Adequação ao tema: 0,5/0,5 – Sim, adequado. E algo que foge ao comum.
    – Gramática: 0,5/0,5 – Se havia algo a arrumar, não notei, tal o envolvimento.

    Dicas: Que pense melhor na cena do encontro dos dois, acho que poderia render mais do que rendeu, para nossa alegria.

    Frase destaque: “Satisfeita, ela assistiu ao antigo amigo sucumbir à sua mácula.”

    Obs.: A somatória dos pontos colocados aqui pode não indicar a nota final, visto que após ler tudo, farei uma ponderação entre todos os contos lidos, podendo aumentar ou diminuir essa nota final por conta de estabelecer uma sequência coerente, comparando todos os contos.

  13. Hércules Barbosa
    26 de dezembro de 2017

    Saudações.

    A cultura indígena sempre é muito bem vinda (eu tenho ancestralidade indígena) e neste desafio sobre superpoderes há uma rica variedade de lendas que podemos usar para atender o tema proposto. A história de Jurece e Ayira é contagiante por conta do uso dos poderes que cada um deles sobre a natureza, particularmente sobre a chuva; e traz um questionamento interessante: o tratamento e desrespeito dispensados à cultura dos índios e como eles também estão inseridos nos moldes de vida deste terceiro milênio. Enquanto Aiyra busca vingança-purificação segundo ela- pelo que foi feito ao seu povo Jurece procura fazê lá entender que que não há o que ser vingado e essa chuva de sangue ceifaria a vida de inocentes. Consequência disso foi o ódio que Aiyra sentia se apoderar de Jurece, ao mesmo tempo que o remorso se apoderava dela
    As cantigas indígenas temperam o conto de maneira muito saborosa mas, se me permite opinar; deixaria o levantamento antropológico feito em 2200 para parte final do texto para que a sequência da história permanecesse na cronologia apresentada

    Parabéns pelo trabalho e sucesso.

  14. Pedro Luna
    26 de dezembro de 2017

    Olá, eu gostei muito de algumas ideias apresentadas no conto. O lance da procela, deixando a turma enlouquecida, gostei muito. Me lembrou os melhores textos apocalípticos, e o início de Celular, de Stephen King. Realmente me envolveu. A explicação da chuva maldita também me deu no que pensar. Uma realidade dessas, onde as pessoas tentam viver normalmente, mas com medo de uma chuva. Putz, demais.

    Mas depois o conto perdeu um pouco da qualidade para mim. O poema no meio do conto, um recurso que não costumo gostar (junto a trechos de músicas), sempre quebra o ritmo. Além disso, explorar os personagens indígenas foi uma faca de dois gumes. Deu ao conto um ar diferente e político, mas também meio exagerado, pois com isso o conto engloba muitos elementos dentro de um texto pequeno. O conflito no final também não funciona tanto porque os 2 personagens aparecem apenas no fim do texto, não sendo muito explorados, então não me importei tanto.

    Pela primeira metade, considerei um conto bem massa.

  15. eduardoselga
    25 de dezembro de 2017

    Caro(a) autor(a).
    Antes de tudo, interpretações do literário são versões acerca do texto, não necessariamente verdades. Além disso, o fato de não haver a intenção de construir essa ou aquela imagem no conto não significa a inexistência dela.

    O conto é interessante por abordar personagens da mitologia indígena brasileira, como o deus Wanadi. Fiz alguma busca tentando descobrir se as cantigas e até mesmo o eixo narrativo existem como parte dessa cultura ou se foram criadas pelo(a) autor(a), mas não consegui informação segura. Não obstante, se foi uma transcrição de cantigas existentes na cultura oral indígena, parabéns pela valorização; se foi criação integral ou parcial (como criar versos sobre uma mesma base rítmica das estrofes), parabéns pela competência.

    Para mim há um indício de que ao menos o eixo narrativo é extraído de alguma cultura indígena, possivelmente do povo Yecuana ou Yanomami: o uso do arquétipo. Esse tipo de estrutura está presente em toda a humanidade, repetindo-se com as variações causadas pela cultura específica. Um dos arquétipos é o castigo divino por meio das águas purificadoras, como o dilúvio do Catolicismo, o que certamente se repete em alguma cultura indígena.

    Apesar dessas qualidades, acredito que o conto tenha um problema de estrutura que o compromete um pouco. É que a parte inicial parece ter servido como demonstração do fenômeno Procela, mas não é a ocorrência central dele no conto, que se dá seis meses após a primeira.

    A mim me pareceu que a introdução ficou meio perdida. Como ela é particularmente interessante em termos imagéticos, talvez tivesse sido mais produtivo transferi-la para Santos, de algum modo.

    O conto termina de um modo meio clichê – o arrependimento do mal –. Nesse sentido, se foi criação do(a) autor(a), um final menos espetaculoso ficaria melhor, em minha opinião; se é uma adaptação de uma lenda, não tem muito por onde fugir, pois elas costumam ser clichês por serem expressões do arquétipo.

    “[…]fê-lo reconhecê-la[…]” não está errado do ponto de vista gramatical, mas duas ocorrências enclíticas, sendo uma ao lado da outra, causa um efeito desagradável de assonância.

  16. Renata Rothstein
    25 de dezembro de 2017

    Oi, Buroti!
    Tudo bem?
    Feliz Natal e….uauuuuu, mas o que é que é esse seu conto, hein?
    Fantástico, perfeito, bem escrito, todo super estruturado, prende a atenção do leitor do início ao fim – e vejamos, entre o início, primoroso, e o fim, lindo, emocionante, chave de ouro mesmo, o que se vê é um passeio de talento!!
    É partir para o pódium, né? 🙂
    Meus parabéns!!

  17. Amanda Gomez
    25 de dezembro de 2017

    Olá, Buroti!

    Nossa, seu conto é muito rico, bem amarrado, descrito, temos aqui um incrível concorrente ao pódio. O que foi essa introdução?? Foi tão boa que é natural uma certa frustração pelo texto seguir por outro caminho.

    Mas quando essa sensação passa, voltamos a apreciar a incrível capacidade do autor de contar uma história. As explicações são importantes e acho que estão no ponto certo, não chega a ser didático, as lendas e cultura introduzidas só enriquece o enredo, e tímida porém presente apresentação dos personagens é feita com cuidado, em um ritmo muto bom.
    Gostei da lenda, de como isso afetou o mundo, dos efeitos dessa procela e em como as pessoas a sociedade com o tempo passa a se acostumar com ela, a ideia de previsão do tempo e etc, ficou muito bacana, é um apocalipse diferente, muito original. Gostaria de ver essa parte em si, em um enredo maior… principalmente a parte das consequências, pessoas como Fabiana. Ficou de fato muito interessante.

    Senti que com o decorrer do texto o ritmo foi desacelerando só pra acelerar o final, que ficou sim, um pouco abrupto. A música também foi meio repetitiva.

    Mas tirando esses pequenos detalhes, seu texto é incrível.

    Parabéns, Boa Sorte no desafio.

  18. Iolandinha Pinheiro
    24 de dezembro de 2017

    Olá, autor.

    Seu texto começa muito bem com uma introdução bem escrita, instigante e impactante. Gostei do insólito da situação que vc criou. A partir daí você tenta levar aos leitores as causas disso tudo e a narrativa vai desacelerando. Uma pena, foi a melhor introdução de todos os textos que li neste desafio.

    Gostei das divisões de tempo e espaço (faço muito isso) e do texto sem entraves gramaticais. O problema é que o conto foi esmaecendo enquanto se encaminhava para o fim e mesmo bem escrito perdeu o viço e de espetacular passou a ser um bom conto.

    Sugestões. Eu tiraria as musiquinhas e o final podia ser mais punk.

    A ideia foi ótima.

    Sorte no desafio.

  19. Rafael Penha
    23 de dezembro de 2017

    Olá , Buroti

    1- Tema: Se adequa perfeitamente nos parâmetros do desafio.

    2- Gramática: Achei e leitura interessante e fluida. Sem problemas de gramática que tenham me atrapalhado.

    3- Estilo – Um prólogo arrebatador, demonstrando uma boa inclinação para o suspense. No final a história parece mudar um pouco de estilo se assemelhando mais a uma fábula.

    4- Roteiro; Narrativa – Uma narrativa fácil e envolvente. O prologo prende e faz querer continuar com o texto. O desenvolvimento do fenômeno é interessante, apesar de não ter me agradado muito as cantigas indígenas. O final é interessante, mas um tanto Ex-Machina, com a índia aprendendo a voar do nada.

    Resumo: Conto bem escrito, com ares de suspense e fábula.. Tem um enredo simples e direto, mas o final não foi do meu agrado.

    Grande abraço!

  20. Estela Goulart
    23 de dezembro de 2017

    Olá, Buroti. É um conto interessante. Nao achei erros, e a leitura flui prendendo a atenção do leitor. Não curti muito o texto em si, a ideia me deixou um tanto confusa, mas o enredo é forte e o início impactante. Além disso, é adequado ao tema. Parabéns e boa sorte.

  21. Andre Brizola
    22 de dezembro de 2017

    Salve, Buroti!

    Até o momento esse é o conto mais bem escrito do desafio. Estou realmente impressionado. A primeira cena, com Fabiana capitaneando os eventos, foi um início espantoso. É incrível achar requinte em um texto sobre fúria, sangue e morte, mais foi o que aconteceu. Muito bom mesmo.
    O recurso com os interlúdios no futuro, acrescentando explicações sobre o que está acontecendo, também foi bem legal e criativo. Não atrapalharam o desenvolvimento da trama, e deixaram o conto com uma dinâmica mais ampla.
    Jurecê e Aiyra são dois personagens fortes, com pontos de vista contrastantes, e o embate é inevitável. É curto, entretanto. Achei que leria mais sobre o reencontro dos dois. Mas, se a ideia era realmente mostrar o quanto o rancor de Aiyra sobrepujaria facilmente a boa vontade de Jurecê, então o intento foi alcançado. Mas devo dizer que foi o ponto baixo do conto.
    Resumindo é um conto ótimo, dos melhores do atual desafio.

    É isso! Boa sorte no desafio!

  22. Mariana
    22 de dezembro de 2017

    É um conto ousado, ao contrário dos colegas, curti a parte do futuro estudando o passado. A primeira parte é muito legal, mesmo Fabiana sendo uma mera figurante na história (o que aconteceu com a sua filha?). A chuva de sangue é forte, apocalíptica e um dos poderes mais originais no desafio. A mensagem sobre perdão e a escolha pela humanidade é muito bonita e os personagens serem indígenas foi uma boa sacada. As canções são necessárias, mas realmente quebraram o ritmo da narrativa . Nada que atrapalhasse, parabéns e boa sorte no desafio.

  23. angst447
    22 de dezembro de 2017

    Olá, Buroti, tudo bem?
    O tema proposto pelo desafio foi abordado, tendo como base lendas indígenas e em parte ambientado na minha cidade. Adorei isso.
    O nome Ayira significa “aquela que não tem dono”. O que essa mocinha não tinha era bom senso. Onde já se viu brincar com chuva de sangue? O nome Jurecê significa “aquele que fala o bem” – combinou com a natureza do personagem.
    Se houve falhas de revisão, nem percebi.
    O começo da narrativa deu-se em ritmo quase frenético, prendendo a atenção e despertando a curiosidade. Depois, há algumas pausas, acarretadas pela inserção dos versos das cantigas. Não sei se tal artifício favoreceu seu texto.
    A imagem da chuva sanguínea (?) grudou na minha mente. Isso indica que você foi bem feliz na sua descrição. E o que faço agora para sair pelas ruas de Santos temendo as nuvens? Ainda bem que os meteorologistas falaram que vai fazer sol. Ufa!
    Boa sorte!

  24. Leo Jardim
    22 de dezembro de 2017

    # Procela (Buroti)

    📜 Trama (⭐⭐⭐⭐▫):

    – a cena inicial é muito foda (desculpe o latim); bem escrita, bem desenvolvida, de narração profissional e instigante; um ótimo cartão de visitas
    – a segunda cantiga ficou confusa com muitos nomes indígenas; tive dificuldade de entender o que exatamente aconteceu e quem era quem
    – apesar disso, achei a trama de simples compreensão e muito boa, amarradinha
    – adorei a ambientação indígena; não conheço os mitos, logo não sei se são inventados ou criados; de qualquer forma, funcionou muito bem de qualquer jeito
    – o único ponto que merecia ser melhor trabalhado é desenvolvimento dos personagens; gostei bastante do pouco que foi feito, mas gostaria que maior espaço da trama fosse gasto com Jucerê e Aiyra; as cenas do impacto dos poderes deles e as cantigas foram legais, mas acabaram consumindo muito espaço
    – de resto, só faltou dar os parabéns pelo excelente trabalho

    📝 Técnica (⭐⭐⭐⭐⭐):

    – não tenho nada a comentar de ruim aqui; foi uma leitura muito prazerosa, por mim ficaria lendo por várias horas
    – o autor sabe escrever ótimas sentenças e destilar seu farto vocabulário, mas sem deixar o texto cansativo, confuso ou maçante; uma escrita profissional

    💡 Criatividade (⭐⭐⭐):

    – ganha muitos pontos aqui pelo uso de personagens bem brasileiros, poderes bastante criativos e bem aplicados

    🎯 Tema (⭐⭐):

    – poder de controlar os elementos da natureza e, além disso, trazer o que há de pior em cada pessoa (✔)
    – um poder muito legal

    🎭 Impacto (⭐⭐⭐▫▫):

    – aqui é o ponto que avaliei pior: o texto é de uma beleza textual gratificante e a trama também é muito bem conduzida, mas o impacto, a emoção, ficou devendo um pouco por causa da falta de identificação com os personagens
    – a cena final é linda, crível e bem narrada, mas naquele momento eu não pude sentir as dor dos dois; o autor fez muito com o pouco espaço que teve, mas faltou um pouquinho ainda para causar aquele impacto maior, de me sentir naquela cena

  25. Jorge Santos
    21 de dezembro de 2017

    Remake da Storm dos X-men, em versão Índia Brasileira. A protecção dos direitos dos povos índigenas e o seu confronto com a suposta civilização. Um tema cada vez mais actual e que não pode ser nunca esquecido. Está bem escrito, se bem que é algo confuso. Mesmo assim, por mim, nota máxima.

  26. João Freitas
    20 de dezembro de 2017

    Olá. 🙂

    Gostei muito no primeiro terço do texto. Gostei do impasse que deu até entendermos o que realmente se passava com Fabiana. O tempo até o leitor entender não foi exagerado e deu uma boa sensação. Não adorei as canções no meio da prosa, acho sempre que quebra o ritmo de leitura.
    Tenho um fraco por uma escrita assim mais poética e por isso foi um prazer ler o conto. 🙂

    Parabéns e obrigado por ter escrito!

  27. Pedro Paulo
    18 de dezembro de 2017

    Olá, entrecontista. Para este desafio me importa que o autor consiga escrever uma boa história enquanto adequada ao tema do certame. Significa dizer que, para além de estar dentro do tema, o conto tem que ser escrito em amplo domínio da língua portuguesa e em uma boa condução da narrativa. Espero que o meu comentário sirva como uma crítica construtiva. Boa sorte!

    Muito bom! Neste desafio, não leio os contos esperando grandes explicações sobre os poderes, mas aqui o autor soube trazê-las sem prejudicar o ritmo da leitura e abordando a temática com uma perspectiva criativa e surpreendente, trazendo duas personagens que inevitavelmente se veem em conflito e, no meio de seu embate, nos são identificados em seu posicionamento, na maneira como se vestem e em seus argumentos, que não são ricos, mas simplesmente sinceros, ditos entre amigos que brigam.

    Em meio a isso, o autor incluiu belas descrições e soube articular o que acontecia com as ações das personagens e as consequências nacionais das chuvas sanguinolentas. Os trechos que nos trazem as cantigas da tribo refrearam um pouco a leitura, mas avaliando depois de terminar o conto, pareceram-me como mais um ponto positivo, como se encantassem a história e a deixasse anda mais em sintonia com o a ambientação que busca no colocar, uma em que é central o tema da natividade, dos males irreversíveis da colonização. O conto traz uma personagem que coloca uma pergunta: e se não fossem irreversíveis? É inegável não pensar em Charles Xavier e Magneto, entre a convivência e a extinção, uma dicotomia que aqui é retratada em um contexto brasileiro, de um país marcado pela colonização e pelo genocídio indígena. Parabéns!

  28. Catarina Cunha
    18 de dezembro de 2017

    Belíssimo conto. A intensidade dos elementos da natureza e as metáforas, para o bem e o mal, me encantaram. Muito criativos os superpoderes, exóticos até.
    Os poemas, embora bem elaborados, tiraram um pouco da cadência do conto e não interferiram na trama: gordura.
    Ousado.
    Finalização em grande estilo.

  29. Givago Domingues Thimoti
    18 de dezembro de 2017

    Olá, Buroti!

    Tudo bem?

    Gostei do conto em si. A ideia de uma chuva vermelha controlada por uma índia vingativa foi muito bem explorada. Entretanto, acho que essa notícia de 2200 ficou totalmente fora de propósito, assim como as canções, que quebraram o ritmo de leitura, um pouco travada.

    Parabéns pela criatividade e boa sorte!

  30. Paula Giannini
    17 de dezembro de 2017

    Olá, Autor(a),

    Tudo bem?

    Seu conto começa contando uma história, com foco na personagem Fabiana. Assim, acompanhamos o fenômeno da Procela através de seus efeitos na vida dessa mulher até seu derradeiro momento, quando morre, em um canto de um estacionamento, assim como vários outros seres humanos. Dessa forma, o(a) autor(a) nos traz uma espécie de conto dentro do conto. Ou melhor, uma introdução que também funcionaria como história isolada e independente, se assim o leitor preferir.

    A partir da morte de Fabiana, podemos dizer que acompanhamos uma segunda história. Embora focada no mesmo fenômeno, uma espécie de chuva do mal. Essa segunda parte da narrativa, menos urbana que a primeira, é construída de forma a nos remeter a uma espécie de lenda indígena, onde conhecemos Aiyra e Jurecê. Duas forças antagônicas. Ele defendendo o direito a pertencer à humanidade como um todo e ela, o direito de seu povo.

    O ponto alto do conto é justamente a forma crível como o(a) autor(a) nos traz a “lenda”. Ao ler, o leitor embarca na fantasia e realmente crê tratar-se de uma “lenda real”. Fiquei, inclusive, curiosa. Você se baseou em alguma lenda de alguma etnia? Índios, brasileiros ou não, é sabido, possuem histórias para a criação do universo, da chuva, das plantas, e a trama de seu conto, caberia perfeitamente nesse tipo de “fábula”, com ensinamentos ocultos e pedidos de cuidado e respeito à natureza.

    Parabéns

    Desejo-lhe sorte no desafio.

    Beijos

    Paula Giannini

  31. Gustavo Araujo
    17 de dezembro de 2017

    O trecho inicial é arrebatador, de uma perícia literária que não se vê em qualquer lugar. Do segundo trecho em diante, porém, essa intensidade se dilui, vítima, talvez, das necessárias explicações. A opção por fazê-lo por meio de canções indígenas foi um ato de coragem extrema, muito embora criativo, já que exigem atenção redobrada por parte de quem lê. Lá pela metade, percebe-se que tudo se trata da querela de amigos quanto ao que fazer com seus poderes: vingar-se dos colonizadores ou usá-los para o bem. A discussão entre os amigos ganha ares de tragédia, encerrando o conto. Confesso que fiquei um tanto frustrado com se arremate, mas não sei se havia opção melhor. De todo modo, o conto está bem escrito e possui metáforas bem elaboradas.Ainda que o desenvolvimento dos personagens tenha ficado um pouco aquém do esperado, a escrita revela um autor que não tem problemas em se afastar do lugar-comum, em experimentar. E isso deve, sempre, ser exaltado. Enfim, um conto irregular, mas de coragem. Hemingway aprovaria. Boa sorte no desafio.

  32. Luis Guilherme
    17 de dezembro de 2017

    Ola, amigo (a), td bem por ai?

    Caraca, q criatividade! Adorei o uso do tema, caiu super bem e ficou elegante.

    Gosto muito de contos com tematica e ambientação indigena, acho (desculpe repetir o adjetivo, mas acho q descreve perfeitamente a impressao q tive) mto elegante. Seu conto tem uma riqueza de vocabulario e culttura, um tom poetico, e uma releitura interessante da velha luta entre bem e mal.

    Os personagens sao bons! Gostei mto do comeco e do desfecho (apesar de ter achado meio confuso).

    Alias, gostei das canções, mas admito q a ultima ficou meio confusa.

    Enfim, um contk esteticamente mto belo, com riqueza na escrita, vocabulario e cultura, q entrega um enredo q se valoriza pela estetica.

    Parabens e boa sorte

  33. Fheluany Nogueira
    17 de dezembro de 2017

    Superpoder: Enquanto a índia representa o mal e, por vingança, faz chover sangue que provoca raiva, destruição e morte, o índio busca superar o mal, amainando a tempestade.

    Enredo e criatividade: Inspirado na chuva vermelha de Kerala, Índia, em 2001? Transformar esse fenômeno em lenda indígena foi ótima sacada. Uma história original, diferente, adequada ao tema, bem construída. A introdução trouxe impacto, curiosidade, o desenvolvimento se arrastou com os versos e explicações, o desfecho veio com chave de ouro. Pequena ressalva sobre a estruturação da narrativa: foi demais o lapso de quase duzentos anos para se explicar a origem da procela, ao meu ver.

    Uma escrita fluente, sem problemas gramaticais. Gostei muito da ideia e da execução. Parabéns pelo trabalho! Abraços

  34. Antonio Stegues Batista
    14 de dezembro de 2017

    Você criou uma história baseada em lendas indígenas. Uma ideia diferente sobre superpoderes. Lembra muito lendas gregas e as lutas entre deuses e semideuses. Gostei do enredo, da escrita, dos períodos temporais. A cantiga também ficou boa, ajudando a compreender, ou por outra, completando a história.Boa sorte.

  35. Regina Ruth Rincon Caires
    13 de dezembro de 2017

    Leitura prazerosa. Narrativa muito interessante, inteligente. Enredo muito bem construído, admirável a ideia de criar personagens indígenas. O autor tem total domínio de linguagem, escrita excelente. Personagens bem marcadas, descrição perfeita. A maneira fluente que o autor utiliza para narrar, faz com que o leitor fique motivado para chegar ao desfecho. Belo conto.
    Parabéns, Buroti!
    Boa sorte!

  36. Priscila Pereira
    13 de dezembro de 2017

    Super poder: fazer chover sangue que traz o ódio e fúria destrutiva

    Oi Buroti, fazer um conto com personagens indígenas foi uma ótima sacada!! Esse começo ficou ótimo, bem imprevisível, muito bem descrito, muito visual… A trama é muito interessante e os personagens são ótimos, muito bem delineados. O ano 2200 ficou meio destoante no conto, ficou estranho… E as canções, para mim, ficou meio difícil de entender… No mais, um ótimo conto, original e bem escrito. Gostei muito!!! Parabéns e boa sorte!!

  37. Rubem Cabral
    13 de dezembro de 2017

    Olá, Buroti.

    Gostei muito do conto. O prefácio, apresentando a chuva de sangue, foi muito bem descrito e dramático. O mote, a ideia de uma chuva causadora de ira foi bem original.

    Resumindo o conto: índios com poderes de controlar a natureza discordam quanto o uso destes. Ayira quer vingança contra o povo que tanto mal fez ao seu, Jurecê é pacífico e acredita em usar os poderes para o bem.

    A escrita está ótima, com ótimas imagens e boas metáforas, além de estar muito correta e revisada.

    Penso, contudo, que talvez as canções ou a longa introdução nos roubaram um tanto do espaço que poderia ter sido usado para construir melhor Jurecê e Ayira. Não que eles tenham ficado ruins, mas poderiam ter ganho mais densidade.

    Parabéns pelo texto e boa sorte no desafio.

  38. Miquéias Dell'Orti
    12 de dezembro de 2017

    Oi,

    O começo do texto é arrebatador. A cena insana de Fabiana surtando geral e todo o sangue caindo do céu… muito bom!

    As imagens criadas foram bem legais. Parecia que eu estava na frente de Fabiana, observando-a caída de bruços, com a água da chuva escorrendo pelos olhos abertos.

    A Procela é um evento que me lembrou um pouco aquele filme Fim dos Tempos, onde as plantas soltavam substâncias no ar que deixavam os seres humanos insanos.

    Jurecê e Aiyra são personagens bem construídos. Um contraponto interessante na velha batalha entre bem e mal.

    Ah… e gostei das cantigas… a última, em particular, achei um pouco extensa, mas nada que tenha atrapalhado minha leitura.

    Parabéns pelo trabalho!

  39. Paulo Ferreira
    12 de dezembro de 2017

    Um belo conto em forma de fábula indígena. Realmente um grande achado ao enfocar a cultura indígena, pois é de ciência ser uma cultura riquíssima em poderes ultrassensoriais. Não estes superpoderes banais que mais servem de entretenimentos em fantasias cinematográficas. Embora eu tenha sentido falta de mais informações que me levassem a um melhor entendimento dos fenômenos acontecidos pela chuva. E não vi muito propósito na alusão ao ano de 2200, me soou pouco desnecessário. Entretanto um enredo ministrado com domínio e conhecimento de causa absoluta. Uma escrita fluída e limpa, e sem problemas gramaticais.

  40. Neusa Maria Fontolan
    12 de dezembro de 2017

    Uma fábula indígena, boa por sinal. Confesso que tive que reler para entender, os anos 2200 e 2002 deram um nó na minha cabeça (sou lerda mesmo), mas enfim é um bom conto. Bom que Aiyara tomou juízo e salvou Jurecê, não só ele, mas a humanidade.
    Parabéns e obrigada por escrever.

  41. Evelyn Postali
    9 de dezembro de 2017

    Caro(a) Autor(a),
    Eu gostei muito mesmo da sua história. Primeiro porque traz algo diferente, ligado aos povos indígenas. A inserção da música no conto ficou muito charmosa. Gostei de como a minha leitura foi fluindo e chegou ao final tranquila. Se eu pudesse dar um pitaco, eliminava a parte do futuro, lá do 2200. Ela é desnecessária. Fiz várias relações no seu conto. A chuva – água – que limpa, purifica em dois entendimentos. A questão do bem e do mal. A reflexão sobre o sentido de estarmos aqui e as questões do humano. A linguagem é perfeita. Uma história bem contada.
    Boa sorte no desafio.

  42. Olisomar Pires
    9 de dezembro de 2017

    Pontos positivos: uma belíssima escrita, de fácil entendimento e totalmente cativante.

    Pontos negativos: acho que o trecho lá em 2200 sobra um pouco, não sei se o compreendi direito. E as canções também deram uma reduzida na leitura, apesar de bem compostas.

    Impressões pessoais: sempre fico admirado com textos assim, de poesia e narração concomitantes.

    Sugestões pertinentes: centrar nos personagens principais, desavenças, episódios de vida, etc

    E assim por diante: excelente texto que nos alerta sobre o poder do sangue.

  43. Sigridi Borges
    9 de dezembro de 2017

    Olá, Buroti!
    Confesso que tive de reler alguns trechos para tentar compreender o texto.
    Imaginei que Fabiana ainda retornaria no final para dar um desfecho diferente.
    Admiro seu conhecimento sobre os indígenas.É necessário um estudo bem aprofundado para se escrever com propriedade. Você o fez com tamanha maestria.
    Parabéns!
    Gostei muito da forma que relatou os fatos e acrescentar música faz com que seja um texto mais imponente.

  44. Angelo Rodrigues
    9 de dezembro de 2017

    Caro/Cara Buroti

    superpoder: diversos.

    Um conto que me pareceu uma fábula indígena com vinganças trazidas aos homens brancos. Um bom conto, mas (parece que sempre haverá um mas…) a forma como foi estruturado me deixou um pouco confuso. Explico o motivo:

    Fiquei com a expectativa de que Fabiana se tornasse protagonista e, de repente… ela morre e desaparece. Entendi posteriormente, claro, que ela apenas protagonizava a doideira da Procela. Tudo bem, mas me pareceu um quebra-molas na compreensão do texto. Não sei se seria preciso introduzir tão minuciosa e fortemente uma personagem para protagonizar apenas uma ideia e depois a excluir da narrativa.

    Achei que houve uma proliferação de minúcias logo no início do conto, com indicações desnecessárias, como ano de fabricação do veículo, recuperação da chave do carro, a forma de pagamento como feito no estacionamento e tal.
    Acho que isso impede a fluência da narrativa. Mas é só uma opinião.

    Por minutos fiquei sem entender a tal linha vermelha que se estendia pelo litoral do Brasil e acabei achando que seria a Procela perseguindo Jurecê, ou o próprio Jurecê trazendo consigo a Procela até Santos. Fiquei confuso quanto a isso.

    Se há o que recomendar, diria que “contos-sanfona”, que vão e vêm, requerem uma técnica tão refinada que qualquer deslize pode pôr tudo a perder.
    Recomendaria, também, o encurtamento das canções. Feitas com frases extremamente curtas acabam por se tornar longas demais para passar uma ideia. Não as estou criticando, apenas sugerindo um novo modo de as fazer.

    A ideia da Procela como forma de vingança foi bem legal e (me pareceu) deixou marcas nos versos:
    “Yamanay, Yamanay
    O que aconteceu com os Dois?
    Jurecê fugiu cansado
    Deste povo insensato
    Já Aiyra, o que dizem
    Na verdade não morreu
    E que com chuva fez vingança
    Lavando o sangue que escorreu”

    Se posso discordar, Jurecê fugiu cansado, mas aderiu à insensatez do povo branco por compreendê-lo um pouco mais.

    Parabéns pelo conto e boa sorte no desafio.

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Publicado às 9 de dezembro de 2017 por em Superpoderes e marcado .