EntreContos

Detox Literário.

Por um punhado de areia (Arthur Calvin)

“Do lugar mais alto
ela olha
o invólucro que protege o universo.”
Autor desconhecido.

 

Conheci o velho na época em que as obrigações ainda me afligiam. Eu caminhava pela calçada, absorto em pensamentos, preocupado com os artigos atrasados que deveria entregar e talvez por isso não o tenha visto. Só dei conta da sua presença quando ele desabou do meu lado.

Olhei, surpreso, para o sujeito. Ele tremia muito e apertava as mãos contra o peito, exibindo a careta de uma dor que parecia insuportável.

Minha reação foi automática: peguei o celular e estava discando o 192 quando ele voltou a si, arquejante. Presumi que o ataque havia passado e abaixei-me ao seu lado.

— Tudo bem com você? – Eu disse.

— Você… — Ele falou com dificuldade. — É com você que vai ser.

— Preciso chamar uma ambulância. Acho que você teve um ataque cardíaco.

— Você… precisa vir comigo. — E colocou a mão no meu ombro.

Foi o tempo de um piscar de olhos. A rua desapareceu e tudo ficou mais escuro. Olhei para cima e vi o teto de uma casa. Paredes envolviam a mim e ao velho. Ele continuava no chão, mas parecia pior do que antes. Seu rosto estava pálido e ele apertava fortemente a mão sobre o coração, como se quisesse arrancá-lo.

— O que aconteceu? — Desaguei a pergunta mais tola possível.

— Preciso… de você, Arthur. — Ele parecia recuperado e levantava-se devagar.

— Como sabe meu nome? Quem é você?

O homem sentou-se no sofá com dificuldade. Depois olhou para a mesa. Em cima dela, havia uma ampulheta.

— Quem é você? — Insisti.

— Meu nome é Saulo… e eu estou morrendo.

Obviamente aquela afirmação não respondeu minhas perguntas.

— Você fez isso? — Eu disse ignorando o “eu estou morrendo”. — Você nos trouxe aqui?

— Sim. — Ele assegurou, como se teletransportar pessoas por aí fosse a coisa mais natural do mundo.

— Como? — Perguntei, com mil coisas passando pela minha cabeça.

— Não dá tempo de ficar explicando isso, garoto. Eu não tenho muito tempo. — Disse o velho, um tanto impaciente. — Você precisa me fazer um favor.

O medo deu lugar a uma leve euforia. Eu começava a conformar-me com a situação. Por mais doido que aquilo tudo fosse, eu não estava sonhando.

— Um favor?

— Sim, um favor. O que você é? Um maldito papagaio? Primeiro você faz um milhão de perguntas e agora repete tudo o que eu falo? — Ele colocou a mão no peito fazendo uma careta. Depois se levantou, foi até uma cômoda no canto da sala, abriu a gaveta, tirou uma garrafa e bebeu um gole.

Fiquei olhando sem falar nada.

— Isso é gin, se você quer saber. Não bebo há anos e, como vou morrer, posso me conceder alguns luxos.

— O que você quer de mim?

— Já disse. Eu vou morrer, Arthur. Mas antes preciso deixar algo. Uma herança… gosto de pensar assim. Preciso deixar o tempo para trás, dar lugar ao novo.

— Se quer fazer um testamento, melhor procurar um advogado. — Rebati aquele desatino. Ele só podia estar brincando.

— Testamento? — O velho riu. — Minha herança é minha história, filho. É a única coisa que posso deixar, a lembrança. Ela é a única herança dos miseráveis.

— Não entendo. Por que precisa que eu escreva isso? — Indaguei. — Nem nos conhecemos.

— Isso é só um detalhe. Afinal de contas, se o destino fez com que nos encontrássemos, então é assim que deve ser.

— Eu não acredito em destino. — Menti.

— Você vai escrever ou não?

—Mas… escrever o quê?

— Já disse, quero que escreva minhas memórias.

Por absurdo que fosse, não havia como recusar. Afinal, escrever a história de vida de um cara que podia se teletransportar seria, no mínimo, interessante. Muito mais do que escrever artigos sobre cinco motivos para comer pão no café da manhã, por exemplo.

— Quanto? — Perguntei.

O velho sorriu.

— Não tenho muito a oferecer. — Ele falou olhando para a sala.

— Se vou escrever, preciso saber o que vou ganhar.

— Vejamos… darei os direitos sobre o que escrever. Poderá fazer o que quiser com o conteúdo.

Obviamente aquela proposta era uma porcaria, mas a curiosidade falava mais alto.

— Talvez. — Respondi friamente.

— Nos encontraremos todos os dias. Vamos fazer isso por… — Ele olhou para a mesa. — Vamos fazer isso por duas semanas. Acho que é tempo suficiente.

Não fui contra. Algo naquilo fazia com que me sentisse mais vivo e resolvi continuar para ver no que dava.

O velho entregou-me um caderno. Agradeci e caminhei até a saída. Abri a porta um pouco receoso, mas relaxei quando vi que estava no mesmo quarteirão.

Os dias passaram rápido. O homem falava e eu escrevia. Histórias malucas e absurdas, mas que se refletiam em verdades saídas da boca dele. Em uma das vezes, contou que salvara pessoas que foram soterrados no desabamento de uma obra do metrô.

Depois, falou do assalto a um banco, em que fez a arma do ladrão desaparecer, após ser feito de refém pelo bandido.

— Você precisava ver a cara daquele maldito quando a arma sumiu. — Ele contava e soltava uma risada dolorida.

Eu escrevi durante a semana inteira. Registrei tudo. E a cada dia, mais eu ficava admirado com a quantidade de vidas que ele salvara sem que ninguém percebesse.

— Eu fazia questão de apagar da mente dessas pessoas qualquer vestígio de lembrança sobre mim. — Ele dizia com a cabeça baixa, relembrando.

É impossível tomar conhecimento de uma vida tão excepcional e não se sentir fascinado. Desenvolvi uma simpatia enorme pelo velho. Salvou tantos, mas não reivindicou recompensa, e isso era mais incrível do que qualquer poder.

Os dias passavam e as coisas fluíam bem. Mais da metade do caderno estava preenchida e eu já pensava no que fazer para publicar aquilo. Mas em um dos dias, o velho estava particularmente sombrio. Por mais rabugento que fosse, nunca o vira naquele estado.

Nesse dia ele contou sobre um incêndio que destruiu uma favela construída embaixo de um viaduto e todo o encanto que eu sentia por ele pareceu desabar como uma árvore de raízes mortas.

— Os barracos de madeira cresciam em chamas. — Ele dizia, sem emoção. — As trilhas que ligavam as casas pareciam um labirinto dentro do inferno. As pessoas não conseguiriam se salvar, elas não conseguiam sequer sair de suas casas por causa do fogo. — Ele parou e olhou fixo para algum lugar daquela sala.

— Está tudo bem? — Eu perguntei, como de costume.

— Sabe, garoto… — Ele voltou a dizer. — Às vezes, quando acreditamos fazer a coisa certa, algo acontece e tudo se distorce, como se o conceito do que é certo e errado virasse do avesso. Você já se sentiu assim?

— O que você quer dizer? — Perguntei, soltando a caneta sobre o caderno.

— Nesse dia, uma coisa aconteceu… uma coisa que foi contra tudo o que eu pensava. Eu entrava nos barracos e salvava as pessoas. Mandava-as para longe dali. Crianças, mulheres, homens, até cachorros.

“Foi então que entrei numa pequena casa de madeira. Metade dela consumida pelo fogo. Uma mulher estava abaixada em um canto. Peguei-a pelos braços e disse que iria ajudá-la. “Você vai sair daqui e ficará bem”, eu disse. Então olhei nos seus olhos e… vi raiva. Ela queria que eu a deixasse lá… começou a gritar pelo filho. O garoto estava no outro cômodo, mas o fogo tinha tomado o quarto. Não havia o que fazer, mas… essa mulher… — Ele se ajeitou no sofá. — Ela tinha algo tão forte… Era uma energia tão poderosa que… não permitia que eu…”

— Você não conseguiu tirá-la de lá. — Opinei.

— Consegui, sim. — Ele assegurou. — Mas não como eu queria. Dei um chute na porta e sai pelo corredor em chamas com ela nos braços. Queimei parte de minha perna e ela havia queimado metade do rosto. Quando a soltei, longe daquele calor insuportável. Ela gritou… “seu monstro”, ela dizia. “Eu não quero mais viver… meu filho…”.

— Você acha que o garoto estava vivo? — Perguntei sem levantar a cabeça, enquanto escrevia.

— Não… não havia nada vivo.

— Então ela o culpou por você não ter chego a tempo?

— Não… você não entendeu. — Respondeu Saulo, sua voz começava a falhar. — Ela me culpou porque queria morrer. Disse que eu só havia atrasado sua partida, que eu não tinha esse direito.

— Eu também não entendo. Você a salvou.

— Você acha mesmo que eu a salvei, garoto? Acha mesmo? Então vou contar o que aconteceu em seguida.

“Uma avenida separava a favela em chamas do local onde eu deixava os sobreviventes. Essa mulher, assim que se viu fora da casa, enlouqueceu completamente. Ela gritava e eu ouvia tudo aquilo sem acreditar como alguém poderia não entender o valor da própria vida. Então, sem mais nem menos, ela correu em direção à avenida e se jogou na frente de um caminhão. O veículo a atingiu em cheio. Eu não tive tempo de fazer nada. Ela voou como um boneco de pano e caiu no meio da rua. Corri até ela, mais confuso do que preocupado. Ainda estava viva, mas as ambas as pernas estavam quebradas e a nuca, afundada como uma cuia, vertia sangue. Só que seus olhos… os olhos estavam ali, fitando minha alma. Mais vivos do que nunca. Com mais ódio do que qualquer outra coisa.”

Parei de escrever. Não fazia sentido a mulher acabar com a própria vida, nem ter raiva da pessoa que a salvou.

— O filho era sua única ligação com esse mundo. — Continuou Saulo. — Eu sabia disso. Eu vi nos olhos dela. E ela sabia que eu sabia. Mas, não foi só isso. Havia alguma coisa naquela mulher. Ela tinha um poder também, mas diferente do meu. Eu senti como se ela entrasse na minha mente, senti como se ela abrisse meu ser como se abre um livro. Ela entrou dentro da minha cabeça e plantou algo. Algo frio, sujo e deformado. Uma coisa aterrorizante e faminta que foi crescendo aos poucos. Essa mulher, seja lá que ela era, usou suas últimas energias para me amaldiçoar… “Seu dom destruirá seu corpo, como o tempo carrega os grãos de areia ao esquecimento”. Essa frase vibrou dentro de mim e uma dor aguda surgiu em meu peito. E depois desse dia, tudo mudou.

— Por isso está morrendo?

— Sim. — Disse e olhou para a ampulheta.

— Mas você tomou a decisão certa. — Eu disse.

— Foi a decisão certa?

— Claro, você a salvou.

— Salvei? — Ele falou e começou a tossir bastante, colocando a mão sobre o peito. — Como posso ter salvo aquela mulher, filho? No fim das contas meu ato heroico só prorrogou sua ida, só aumentou seu sofrimento. E é aí que eu quero chegar… não foi o senso de justiça que acabou comigo, foi o egoísmo.

— Você salvou vidas sem pedir nada em troca. Isso é o contrário de egoísmo.

— Entenda uma coisa, depois daquele dia nunca mais ajudei ninguém. Porque, no fim das contas, ajudar o próximo é a coisa mais egoísta concebida pelo ser humano. Só fazemos isso para nutrir nosso próprio ego… olhem como sou bondoso… olhem como eu salvo o mundo…. Não há nada mais desprezível do que a bondade humana porque ela só serve para preencher um desejo superficial. Não tem nada a ver com o próximo, lembre-se disso.

Senti uma pena terrível daquele velho. Aquilo soou de uma insignificância tão grande que tudo o que eu havia escrito pareceu banal, sem sentido. Não havia nada de heroico naquela figura. Era só um homem decadente.

— Nossa conversa acabou por hoje. — Eu disse, fechando o caderno.

O velho não disse nada. Apenas ficou me observando. Peguei o caderno e levantei. Olhei para a ampulheta. A areia quase toda no fundo.

— Seu tempo está acabando.  — Eu disse, seriamente.

Ele sorriu. E eu sai pela porta.

Passei aquela noite tentando entender aquele homem. Ele tinha tudo para ser o salvador do mundo. A maldição não o impediu de continuar usando seus poderes, afinal, estava morrendo por causa disso, então por que ele preferiu não os usar mais para o bem? Não fazia sentido.

Com o tempo, minha raiva diminuiu, dando lugar a um tipo de compaixão. Resolvi não julgar seus motivos. Tentei ser racional e pensei no material que já tinha. De qualquer forma, havia bastante coisa, e se ninguém acreditasse nas loucuras que escrevi, poderia pelo menos lançar aquele calhamaço como uma boa obra de ficção.

Voltei à casa no dia seguinte. Bati na porta com força. As luzes estavam acesas, mas ninguém apareceu.

Virei a maçaneta e a porta estava aberta. Entrei.

Passei pelo corredor e parei na porta da sala. Ele estava sentado, com a cabeça pendendo para o lado esquerdo. A garrafa de gin estava no chão. Aproximei-me, apertando forte a espiral do caderno.

Olhei para aquilo. Não passava de um corpo qualquer. O sujeito notável das histórias em minhas mãos não existia mais. Se tudo o que ele disse era verdade ou não, não importava. O que importava é que ali havia um homem, e ele estava morto.

Tentei pensar em algo profundo, uma homenagem ou qualquer coisa. Não pude pensar em nada.

Limpei o carpete sujo de bebida. Coloquei-o deitado no sofá. Recolhi tudo o que podia e guardei comigo. Liguei para a polícia. Acompanhei o caixão de metal sendo enfiado dentro da ambulância do IML. Os policiais me perguntaram se eu era neto, respondi que não. Disse que eu o ajudava na limpeza da casa. Eles pegaram meu número e se foram.

Procurei seus familiares. Ninguém. Conversei com os vizinhos. Ninguém o conhecia.

O cemitério velava os indigentes nas noites de sábado. Ninguém compareceu. Nem eu. Fiquei em casa, algo me impedia de sair. Olhei para ampulheta, a única coisa que sobrara da história dele.

Comecei a pensar nos motivos daquilo e concluí que tudo não passava de delírios de um velho. Não me recordava direito sobre a primeira vez que o havia visto, desaparecendo da rua e aparecendo dentro daquela sala. Talvez eu tenha me envolvido tanto com a coisa que passei a acreditar que tinha me teletransportado. Tudo uma bela ironia da mente.

Uma tristeza gigante me abraçou quando lembrei disso. Senti pena daquele homem. Ele devia ter passado por problemas demais na vida para chegar naquele nível de loucura, e acabou morrendo em uma solidão da qual sequer tinha consciência.

Então decidi fazer de tudo para que ele não fosse apenas uma sombra desconhecida em meio às suas ações. “Só a lembrança nos mantêm vivos pela eternidade”, não sei quem disse isso, mas naquele momento aquilo me pareceu verdadeiro e correto.

Para sentenciar meu objetivo, peguei a ampulheta e reiniciei seu ciclo. Seria um novo começo, afinal.

Recordei, então, da minha infância e fechei os olhos para aquele raro instante de alegria. Eu corria pelo campo ensolarado, olhando os morros no horizonte. Senti o cheiro doce das flores e meu coração quase parou quando o vento fresco tocou minha pele.

Quando abri os olhos e encontrei-me sob o céu aberto, a imagem da ampulheta percorrendo sua trajetória irrefreável fixou-se em minha mente e não pude evitar que uma lágrima corresse pelo meu rosto.

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22 comentários em “Por um punhado de areia (Arthur Calvin)

  1. Pedro Paulo
    16 de dezembro de 2017

    Olá, entrecontista. Para este desafio me importa que o autor consiga escrever uma boa história enquanto adequada ao tema do certame. Significa dizer que, para além de estar dentro do tema, o conto tem que ser escrito em amplo domínio da língua portuguesa e em uma boa condução da narrativa. Espero que o meu comentário sirva como uma crítica construtiva. Boa sorte!

    Ótimo conto! Para dar este veredito, devo tomar que a história não é especificamente sobre o escritor que registra as aventuras do velho ou até mesmo sobre o velho, sobre quem mais aprendemos. Não, ao meu ver, o conto é ótimo justamente porque exime os personagens de carregarem a centralidade da história, deixando a narrativa ser sobre outra coisa, sobre uma ideia: até que ponto se pode intervir na vida, quando em posse de um superpoder? Vale comentar que temos o terceiro ator a interpretar o Homem-Aranha na telona e que “grandes poderes vêm com grandes responsabilidades” não é um dilema novo e, ao mesmo tempo, eu prefiro muito mais histórias sobre os personagens, suas nuances e mudanças, do que aquelas que visam trazer uma lição de moral. E aí está: este conto continua sendo ótimo, não direcionando a discussão entre biógrafo e biografado para um campo de moralidade. Portanto, o final também me veio como acertado, pois não nos deixa saber o que o protagonista vai fazer com os poderes ganhados, só ficando o conflito sobre as atitudes do velho serem certas ou erradas. Parabéns!

  2. Fheluany Nogueira
    16 de dezembro de 2017

    Superpoder: teletransportar, salvar pessoas e apagar da mente delas a lembrança do acontecido, conhecer o próprio tempo de vida — os poderes se concentram em quem possuir a ampulheta.

    Enredo e criatividade: A narrativa é clara e envolvente, bom ritmo, organizada. Somente algumas falas fogem ao tom filosófico, reflexivo do texto, são até ingênuas. O desfecho ficou muito bom, se bem que havia imaginado desde o momento que o velho colocou a mão no ombro do rapaz que ocorreria uma transferência do poder. Pensei depois que essa troca seria pela escrita do livro, mas ficou muito bom da forma como está. Desfecho perfeito. Coisas de leitora ansiosa.

    Estilo e linguagem: Leitura fluida, prazerosa. Revisão pequena: vírgulas, uma forma verbal…

    Premissa interessante e bem conduzida. Trabalho muito bom. Parabéns! Abraços.

  3. Givago Domingues Thimoti
    16 de dezembro de 2017

    Olá, Arthur Calvin

    Tudo bem?

    Gostei da história, como um todo, e da escrita fluída. Não notei nenhum erro gramatical marcante.

    Quero destacar o quanto você, autor ou autora, foi feliz ao escolher a “queda do herói”. Até onde um pessoa pode intervir numa situação para salvar uma pessoa? Ela deve atuar, mesmo quando a pessoa não deseja ser salva? Essas questões me lembraram o caso de um senhor que sofreu um ataque cardíaco, se eu não estiver enganado, e, quando entrou na sala de cirurgia, os médicos viram uma tatuagem no peito deste homem dizendo: “Do not resuscitate!” ( Não ressuscite!). A questão dos médicos seria ressuscitar ou não o homem? É ético deixá-lo morrer? E caso ele venha a falecer, isso não iria de encontro diretamente ao Juramento de Hipócrates?

    Parabéns pela provocação filosófica e existencial e boa sorte!

  4. Catarina
    15 de dezembro de 2017

    Lembrei de “Entrevista com o Vampiro” de Anne Rice. O começo tinha essa pegada. Mas tudo bem, gosto dela.

    BUG: “— Não entendo. Por que precisa que eu escreva isso?” – Eu também não entendi. O velho não tinha falado o que queria que fosse feito com sua história. Sugiro colocar esta frase antes: “— Já disse, quero que escreva minhas memórias.” – ele não tinha dito ainda, isto é, pequeno ajuste na trama.

    Gostei do conto e da forma como a escrita flui bem, principalmente, do final que dá uma aprofundada no conto, tomando ares filosóficos.

  5. Paula Giannini
    14 de dezembro de 2017

    Olá, Autor(a),

    Tudo bem?

    O tempo de nossas vidas se esvaindo nas areias da ampulheta é uma imagem simples, recorrente, mas, ao menos para mim, perfeita.

    Em minha opinião seu conto gira, justamente, em torno da ampulheta. O(a) autor(a) inicia o texto com o encontro entre o jovem e o velho. O velho, cansado e no fim, encontra um substituto para seu dom e maldição, enquanto que o jovem, inicia seu ciclo, com o frescor e a inocência de quem está galgando os primeiros passos.

    Que coisa maravilhosa ter o dom de ajudar a tudo e todos. Mas não. Todo dom tem o outro lado da moeda. No caso do presente conto, esse outro lado é explorado através de uma sábia premissa. Quem faz o bem, faz mais a si que aos outros, tantas vezes por vaidade, outras tantas para tentar dar sentido à própria vida ou para curar-se a si mesmo. Assim, o autor explora esse “outro lado” através do salvamento e morte da pobre mãe desesperada com a pior de todas as perdas possíveis. A do filho.

    O conto termina de volta ao início da contagem do tempo com a areia. O que reforça a ideia de ciclo. Um ciclo vicioso de ajuda, culpa, remorso, perdão, agora nas mãos do jovem protagonista.

    Parabéns

    Desejo-lhe muita sorte no desafio.

    Beijos

    Paula Giannini

  6. Miquéias Dell'Orti
    13 de dezembro de 2017

    Oi,

    Um bom conto! A narrativa é competente e tem umas passagens bem trabalhadas.

    Os diálogos de Arthur soaram com certa ingenuidade, principalmente quanto à mulher que desejava morrer. Talvez isso tenha sido proposital, para mostrar o quanto as impressões dele (e do velho, por que não) eram imperturbáveis quanto ao valor da própria vida (mesmo isso soando mesquinho no contexto onde estavam inseridos). Mas, mesmo assim, talvez essa ingenuidade tenha passado do ponto.

    Gostei bastante do final, com a passagem dos poderes para Arthur, que mesmo obtendo a habilidade extraordinária, chora ao descobrir que também vai carregar a sina de saber exatamente quanto tempo da sua preciosa vida lhe resta.

    Parabéns pelo trabalho!

  7. Amanda Gomez
    13 de dezembro de 2017

    Olá, Arthur.

    Eu gostei do seu conto, mas fiquei com aquela sensação de que ele não foi até onde poderia ir.

    Acho que o principal problema que eu tive com ele( se é que se pode chamar assim) Foi com o jovem , a deliberada ingenuidade dele foi um pouco irritante, fiquei pensando no porquê eu senti isso , e cheguei a conclusão que foi pelos diálogos, eles não foram muito firmes, sabe? Banais demais para uma história que deveria ser surreal, ele faz perguntas bobas, e tem interpretações como eu disse, ingênuas demais.

    Outra coisa que também impediu o texto de decolar ainda mais, foi a trama…digo, as memórias, as revelações girar em torno dessa mulher, acho que isso se estendeu, e não tinha nada de confuso ou impressionante no fato dela querer morrer ao saber que o filho já o tinha, e você alongou demais esses porquês dela… Fiquei pensando que esse homem tinha coisas bem mais interessantes para serem contadas.

    Tirando essas ressalvas é um texto interessante, bem escrito, que promete umas coisas bem legais, fica mais nas promessas, mas ainda sim é competente. Gostei da ideia da ampulheta ser o instrumento do poder, nas minha opinião o conto termina na melhor parte, mas tudo bem!

    Acredito que seu texto terá um bom destaque, quem sabe mais?

    Parabéns, boa sorte no desafio!

  8. Luis Guilherme
    13 de dezembro de 2017

    olá, arthur, tudo bem?

    conto interessante!

    Acho que sua historia tratou de assuntos mais profundos que um mero super-poder. Você abordou temas como o arrependimento, a dúvida, a angústia, a incerteza. Esses sao temas recorrentes nas historias de super heroi, pois tocam o lado humano do personagem, dando profundidade à trama. O heroi sempre tem esse tipo de angustia, como “será que estou fazendo a coisa certa?”, “será que tenho o direito de fazê-lo?”,”quem sou eu pra decidir o certo ou errado?”.

    Você abordou bem essas questões, e o poder em si acabou ficando em segundo plano (isso não invalida o tema, não entenda mal).

    Ou seja, o lado humano foi a alma da trama. Gostei.

    Infelizmente, o homem sucumbiu às próprias angustias e acabou definhando. Na minha opinião, não foi nenhum tipo de maldição que acabou com ele, mas sim a propria tristeza e arrependimento.

    No fim, me parece que é a ampulheta que concedia o dom, que acabou sendo transmitido para Arthur.

    Belo conto. Gostei. Parabéns e boa sorte!

    • Luis Guilherme
      13 de dezembro de 2017

      Ah, gostei do título, também!

  9. Antonio Stegues Batista
    12 de dezembro de 2017

    Então, o superpoder estava na ampulheta, um instrumento antigo para medir o tempo. Também representa a morte. O velho, usava o dom de se teletransportar, para ajudar as pessoas, mas também gastava o seu tempo de vida. O argumento não é grande coisa, mas a leitura foi razoável, sem problemas. A não ser o final, sem grandes revelações, mas se mudasse alguma coisa, evidentemente não haveria uma história para contar, não é mesmo?

  10. Priscila Pereira
    11 de dezembro de 2017

    Super poder: teletransporte

    Oi Arthur, seu conto é muito interessante e bem desenvolvido. Tem a boa trama. Gostei do Saulo querer escrever suas memórias e passar seu dom pro Arthur. Eu como mãe, entendi porque a mulher não queria mais viver depois de ver seu filho morto, entendi o ódio que ela sentiu por quem queria salvá-la. Foi um triste fim o do Saulo… Conto muito bom. Bem escrito, bem pensado e bem revisado. Parabéns e boa sorte!

  11. Regina Ruth Rincon Caires
    11 de dezembro de 2017

    Enredo interessante, escrita fluente> Não há qualquer embaraço. O leitor fica motivado para ver o desfecho. Carece de revisão leve, simples (chego/chegado). Conto de ótima estrutura, cadenciado, cativante. Personagens bem delineadas. A narrativa, apesar do teor reflexivo, é trabalhada de maneira suave, serena. Li e reli. Nas entrelinhas, pelo movimento incessante da ampulheta (o tempo não para) e pelo “teletransporte”, acho que o superpoder foi passado a Arthur. Não foi?! O texto é de uma ingenuidade um pouquinho desmedida, mas acho que foi intencional. O texto ficou doce, envolvente.
    Parabéns, Arthur Calvin!
    Boa sorte!

  12. Rubem Cabral
    11 de dezembro de 2017

    Olá, Arthur Calvin.

    Gostei do conto, em especial do enredo e do Saulo. Ele é um personagem rico, com camadas. Essa argumentação sobre o mal que o fazer bem pode trazer, é muito interessante. O resgate da mulher que queria morrer foi o ponto alto do conto.

    Quanto à escrita, há alguns acertos a fazer, feito o “chego” x “chegado”, mas o conto está bem escrito em linhas gerais. Não há lá “mirabolâncias” narrativas, mas a simplicidade e boa fluidez deram conta do recado.

    Abraços e boa sorte no desafio.

  13. Paulo Ferreira
    10 de dezembro de 2017

    Uma trama muito bem urdida, com uma narrativa linear e bem estruturada. O final, um tanto lacrimejante, o que me pareceu apelativo?, não sei, talvez não precisa-se de tanto. Mas um conto muito bem construído, exceção feita a esse final. A escrita limpa, sem entraves gramaticais.

  14. Neusa Maria Fontolan
    10 de dezembro de 2017

    Bom conto.
    Então a ampulheta era a chave para os poderes. Assim que Arthur reiniciou o seu ciclo os poderes passaram para ele e ele entendeu isso por ter se transportado para o campo de sua infância.
    Até eu derramaria uma lágrima, sabendo que a ampulheta não podia ser parada. Todos nós sabemos que vamos morrer, mas ver sua vida se esvaindo, representada por um punhado de areia, é assustador.
    Parabéns e obrigada por escrever.

  15. Evelyn Postali
    7 de dezembro de 2017

    Caro(a) Autor(a)
    Muito bem escrita. Sem erros de português, de construção. Eu li com muita facilidade. Eu gostei de como a trama foi se desenrolando, de como a simplicidade deu lugar para a reflexão de que, o que é importante para uns não é para outros e tudo tem um tempo, mesmo. Depois, fim. Os diálogos deixaram a leitura mais ágil. Gosto de contos que tenham diálogos. Não pode ter demais, também, mas aqui está tudo adequado. O final se adequou ao restante contado. Eu esperava que o velho tivesse passado o superpoder para o jovem, mas não aconteceu. Isso meio que decepcionou no final. Mas nem todos os finais são do jeito que queremos que eles sejam.
    Boa sorte no desafio.

  16. Olisomar Pires
    7 de dezembro de 2017

    Pontos positivos: uma boa estória, a leitura até que flui tranquila, as partes do enredo estão bem concatenadas, os personagens marcaram presença.

    Pontos negativos: os diálogos me soaram forçados.

    Impressões pessoais: o texto é bom, mas senti que faltou uma dose de realidade. O velho demorar a entender porque a mulher queria morrer e depois o jovem cair no mesmo equívoco me pareceram ingenuidade passada do ponto.

    sugestões pertinentes: focar nos diálogos durante a revisão.

    E assim por diante: conto interessante, bem fechado e com direito a uma lágrima, a qual interpreto como felicidade do jovem pela chance de fazer algo bom.

  17. Bianca Amaro
    7 de dezembro de 2017

    Olá, tudo bem?
    Gostei de seu texto, foi interessante. A narrativa é ótima, não é cansativa e é rápida. A trama é ótima, envolvente. Mostrar um “super heroi” que foi amaldiçoado por salvar quem não gostaria de ser salva foi uma ideia boa. É de se imaginar que aconteceria isso com um super heroi. Quando descreveu a cena, consegui imagina-la perfeitamente em minha mente, o que mostra que a escrita é boa.
    O final é bom, apesar de um pouco triste, e terminar com a lágrima do indivíduo foi uma boa ideia, emocionante e envolvente. Ele pegou os poderes do velho? Se sim, isso não ficou tão claro como poderia ter ficado. Na minha opinião, foi o único momento em que a narrativa falhou um pouco. Mas ainda dá para saber que ele ganhou os poderes, se refletir sobre essa parte do texto. Não sei…
    Mas, o que ele fez com o caderno que escreveu as memórias do velho? Gostaria muito de saber isso…
    Meus parabéns pelo seu texto, e boa sorte!

  18. Angelo Rodrigues
    7 de dezembro de 2017

    Caro Arthur Calvin,

    Primeiro Alfred Gold, agora Arthur Calvin. Definitivamente o Entrecontos está ficando internacional.

    Seu conto está bem estruturado. Gostei. A história flui sem problemas, embora tenha resistência a histórias em que velhos chegam para contar suas histórias a jovens (no caso não tão jovem). Remetem a uma hierarquia desfocada. Velhos já não contam suas histórias…

    Prometi a mim mesmo que não comentaria erros construtivos, mas vou abrir um espaço para tanto:
    “…não ter CHEGO a tempo.” Acho que deveria valer o particípio passado “CHEGADO”, do verbo chegar.
    “…mas as ambas as pernas…” Acho que seria apenas “…mas ambas as pernas…”
    “… voltei à casa…” Não caberia a crase.

    Já no final imaginei outro fim. Desculpe-me, achei o final um pouco fora de escopo, onde o protagonista escritor faz da ampulheta um “objeto” de suas próprias reflexões, retornando à sua infância e tal.
    A ampulheta o transportou para um ambiente à céu aberto?
    O poder de teletransporte estava na ampulheta e não no velho?

    Esperava (e isso pouco importa, dado que é só uma opinião) que, observando a ampulheta sobre a mesa, após virá-la para que reiniciasse seu ciclo, o narrador assumisse os poderes do velho, dando início a um interminável devir de poderes. Terminou melancólico, com uma lágrima correndo dos olhos do narrador.

    Humm… sei não, acho que, esse povo está tentando me fazer chorar…

    Boa sorte no certame.

    • Arthur C.
      7 de dezembro de 2017

      Olá Ângelo, tudo bem meu jovem?

      Muito obrigado pelo comentário bem fundamentado e pelo apontamento das falhas. Somente a questão da crase me deixou ressabiado. Será mesmo que não cabe uma crase no “voltei à casa”? Digo isso porque ele volta para a casa do velho… não é casa dele…

      Mas enfim, isso é o de menos, eu quis responder ao seu comentário por conta da sua interpretação do final.

      Talvez eu tenha falhado realmente, mas ao virar a ampulheta, nosso querido escritor assumiu sim os poderes do velho. Ele abre os olhos e está sob céu aberto, bem no lugar que lembrava de sua infância… e acredito que isso tenha acontecido porque ele não soubesse ainda como controlar a coisa.

      Como eu disse, talvez tenha falhado por não conseguir deixar isso claro nas últimas linhas, e por isso, peço-lhe desculpas.

      E novamente, obrigado pelo seu comentário! 🙂

      • Génio da Lâmpada
        8 de dezembro de 2017

        Não apenas cabe a crase, como ela é devida no contexto.

  19. Fabio Baptista
    7 de dezembro de 2017

    Muito bom, o que mais gostei até agora.

    A escrita é do tipo que faz a história passar rápido, narrando tudo com clareza e sem qualquer entrave, com o bônus de acrescentar algumas boas construções aqui e ali. Cada vez mais chego à conslusão que esse é o melhor caminho.

    A história começou meio morna e eu não estava aceitando bem que tudo girasse em torno do velho contando suas histórias. Obviamente, ficou a expectativa de qual seria afinal a relação com o jovem… cheguei a desconfiar que ele era filho da mulher resgatada no incêndio, ou algo do tipo. Depois, temi que não houvesse relação com nada, afinal (isso teria arruinado o conto).

    Mas, sim, havia uma revelação reservada para o ótimo final.

    Abraço!

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Informação

Publicado em 7 de dezembro de 2017 por em Superpoderes.