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Detox Literário.

Felinos – uma homenagem ao Desafio Terror (Neusa Fontolan)

FELINOS

Quatro amigos,entediados, quase ultrapassando A LINHA TÊNUE entre o certo e o errado, discutiam o que poderiam fazer para agitar um pouco aquela monotonia. Essa é UMA VONTADE QUE NUNCA CESSA quando se é adolescente.

— Já sei! – Pedro gritou com euforia, dando um baita susto nos outros. – Vamos invadir o ferro-velho e fazer uma algazarra naquele lugar!

— Cê tá maluco! Lembra da última vez que a galera fez isso? – Henrique deu um soco no braço de Pedro para acordá-lo daquela sugestão besta. – A HERANÇA daquele dia está gravada em nossa pele, todo mundo levou chumbo. Só OS QUE NÃO FORAM saíram ilesos, EU E OS OUTROS temos marcas até hoje. O HOMEM DA TORRE tem uma boa pistola de sal e com certeza acerta O ALVO.

— Eu que o diga… – Carla passou a mão nas nádegas, demonstrando que ainda sentia ardume naquele local. – O HOMEM me acertou em cheio.

— Então, esse é O SINISTRO CASO DE CARLA PARKER? – Pedro perguntou dando uma bela olhada no traseiro de Carla. – Eu sempre quis saber porque você vive alisando a bunda, – com a mão no queixo e a maior cara de safado ele continuou – quero ver.

— O quê? – perguntou Carla.

— A MARCA.

O que ele viu foi a mão de Carla voando na direção do seu rosto. Rindo, conseguiu desviar do soco merecido.

— Calma aí, gente! – Alice se colocou entre os dois – NÓS somos amigos, nada de safadeza e soco entre a gente. E você, Pedro, se toca! O que você acha que Anton acharia dessa sua brincadeirinha?

— Têm razão. Essa marca deve ser A PERDIÇÃO DE ANTON.

Ainda bem que ele correu! Porque desta vez o soco ia acertar em cheio.

— Vamos mudar de assunto? – Henrique interferiu, antes que a coisa ficasse séria. – Que tal falarmos sobre A VIAGEM DE ALICE?

Alice que tinha TRANSTORNOS OBSESSIVOS só de pensar naquela viagem fechou a cara.

— Qual é, Alice? Será como um NOVO LAR! Vai ser bom, você vai ver.

— Desde quando o HOTEL KORZHA pode ser chamado de lar? Isso sem contar que tenho pavor de avião! Não vejo nada de bom nessa viagem, só vejo O ABISMO ALÉM DO INFINITO! Vou morrer antes de o avião pousar e será A MORTE NAS ALTURAS! E depois, eu não quero ficar longe dos meus amigos, vocês.

Dizendo isso, ela caiu no pranto. Pedro, o brutamonte, não podia ver uma lágrima no rosto de uma mulher que se derretia todo em delicadezas, abraçou-a e falou.

— Quem sabe AQUELAS PESSOAS que estão obrigando o seu pai ir gerenciar esse hotel… quem sabe elas mudam de ideia… quem sabe elas os mandem de volta… é isso! Vocês serão apenas OS VISITANTES naquele lugar. Olha, toma aqui um doce, vai se sentir melhor com um pouco de açúcar.

— Acho que gosto mais desse Pedro, o gentil, apesar de não falar coisa com coisa – comentou pegando a barra de CHOCOLATE que ele lhe oferecia.

— NÃO DUV(ID)ARÁS, OU UMA TRAGÉDIA MODERNA EM TRÊS ATOS. – Pedro falou o que veio na cabeça, isso com um grande sorriso ao ver que a tristeza dela estava passando, pelo menos por enquanto.

— Eu disse que você não fala coisa com coisa! – Alice fez beicinho com a maior cara de dengosa.

Pedro perdeu a fala e a olhou quase que em COMTEMPLAÇÃO. Agindo desta maneira, ele confirmou o que os amigos desconfiavam: Pedro amava Alice.

— Eu quero saber é o que vamos fazer hoje? – Carla perguntou, quebrando o silêncio que havia se instalado naquele momento.

Pedro, muito desconcertado, se afastou de Alice e forçando seu lado troglodita, falou:

— Passar a noite no cemitério? O que vocês acham?

Carla discordou, Henrique e Alice que naquela altura da conversa concordariam com qualquer coisa, sentaram-se no chão e deixaram os dois resolverem.

— Já fizemos isso uma vez e não teve graça nenhuma.

— Nós fomos ao cemitério novo, aquele que tem A CAPELINHA PARA SANTO ANTÔNIO, mas eu estou falando do cemitério velho, aquele que foi fechado por ter virado um mundo FELIDAE.

— Felinos? Só tem gatos lá!

— E gato é o quê? E tem outra coisa que ninguém se lembra, COLUMBÁRIOS subterrâneos, é como um labirinto. Deram a desculpa dos gatos para lacrarem aqueles portões, mas a verdade é que pessoas se perdiam naquele lugar.

— Se os portões estão lacrados, como vamos entrar?

— Sempre tem uma falha, eu sei onde tem um buraco no muro.

— Podemos passar a noite naquele labirinto contando histórias de terror.

— POR ACASO VOCÊ TEM ALGUMA HISTÓRIA ASSUSTADORA PARA ME CONTAR? – Carla que era a descrente da turma, o interrogava.

— Tenho. O MENINO SEM FÍGADO. – Pedro fez cara de suspense e gestos indicando terror. – Ele teve sua VIDA ROUBADA.

— Isso é assustador mesmo! Por acaso ele bebia muito a ponto de perder o fígado? E quem era esse menino?

— Tem um ditado que diz: NÃO SAIBA O NOME DELE, isso traz azar. Você também pode ficar sem seu fígado.

— Você inventou isso agora, eu não acredito. Eu vou contar COMO NASCEM OS MONSTROS. São casos inventados para divertimento das pessoas.

— Falou a cética! Se fosse por você, nós teríamos O GÊNESIS REVISTO!

— Não sou tão cética assim como você pensa. Eu acredito em terror real, como O ASSASSINO DE NEW RIVER.

— MISTÉRIO: ASSASSINO, DE QUEM MORREU?

— Não conhece esse caso? Esteve em todas as manchetes por um tempo. Ele dirigia O AUTOMÓVEL VERMELHO E PRETO, onde guardava seus SEGREDOS VENENOSOS. Ficou também conhecido como o caso A MORTE PEDE CARONA.

— Claro que conheço, só estou te azucrinando.

— Tudo bem então. Vamos para o cemitério. – Carla se deu por vencida, concordando. – Mas não me venha com aquelas histórias que vocês sempre contam como: A COISA NO ÁRMARIO ou aquela outra do CORAÇÃO CABELUDO. Essas eu já conheço.

— Posso levar O LIVRO DE JONAS – disse Henrique, que se animou por ver Carla concordando – nele tem muitos contos de terror.

— Pode levar o livro, mas não esqueça a lanterna, lanche e cobertor. Isso vale pra todos, QUANDO A NOITE CHEGA, chega também A ESCURIDÃO E O COAXAR, e com eles o frio, a fome e o medo do escuro. E lá vamos nós!

— Sim, vamos nós e DEUS CONOSCO. – Alice, a covarde do grupo, falou depois de longo silêncio.

— Nós somos NOSSOS PRÓPRIOS DEUSES. – Afirmou Carla, dando voz a sua descrença.

— Carla, você sabia que lá tem um prédio com um rosto? – Pedro queria continuar a provocar Carla, sentia prazer nisso. – Dizem que O ROSTO NA PAREDE DO PRÉDIO fala com você.

— Está inventando novamente. Vamos logo pra casa nos preparar para a noite.

SE AS PAREDES FALASSEM… elas diriam para aquelas crianças: não venham. O terror aqui é real. Já assistimos a muitas mortes, eles se criaram comendo cadáveres. Com o fechamento do cemitério, o alimento ficou escasso e passaram a matar para comer, primeiro os ratos e outros pequenos animais, mas estes também rarearam. Uma pessoa aqui, desavisada, é um banquete para eles que estão acostumados com carne humana. Eles são selvagens. Se vocês querem viver, não venham…

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17 comentários em “Felinos – uma homenagem ao Desafio Terror (Neusa Fontolan)

  1. iolandinhapinheiro
    22 de novembro de 2017

    Sempre deliciosos textos homenageando todos os participantes do concurso. Menina sabida que eu gosto muito! Beijão, flor.

  2. Regina Lopes Maciel
    21 de novembro de 2017

    Neusa, que bom que você tem humor. Depois é que fui entendendo que é um costume seu fazer isto. Mas como só participo da sessão off e não leio as histórias que concorrem nos desafios, pra mim o texto ficou meio no “ar”, por isto comentei sobre vida própria. Abraços

  3. Marco Aurélio Saraiva
    17 de novembro de 2017

    É muita criatividade e paciência, meu deus, rs rs rs rs

    Destaques que me fizeram sorrir:

    “— Têm razão. Essa marca deve ser A PERDIÇÃO DE ANTON.”


    — POR ACASO VOCÊ TEM ALGUMA HISTÓRIA ASSUSTADORA PARA ME CONTAR? – Carla que era a descrente da turma, o interrogava.

    — Tenho. O MENINO SEM FÍGADO. – Pedro fez cara de suspense e gestos indicando terror. – Ele teve sua VIDA ROUBADA.”

    • Marco Aurélio Saraiva
      17 de novembro de 2017

      Aliás, bela estratégia de falar que Pedro não dizia coisa com coisa pra encaixar o “NÃO DUV(ID)ARÁS, OU UMA TRAGÉDIA MODERNA EM TRÊS ATOS.”

      Só assim mesmo, hahahahaha!

  4. Regina Lopes Maciel
    16 de novembro de 2017

    Neus,
    Como lá no título você fala da homenagem, entendi que você fez uma colcha de retalhos com os nomes de histórias do desafio (até fui lá checar). A ideia em si é interessante e você fez o esforço das costuras. Mas, sinceramente, achei que o resultado final deixou a desejar, no sentido de fazer este seu texto ter uma vida própria que estimulasse a leitura. Achei os diálogos fracos e que não levaram a lugar algum.
    Abraços,
    Regina

    • Ricardo Gnecco Falco
      20 de novembro de 2017

      Nota: 0,9

      Brincadeirinha… As DUAS merecem 10! 😉
      Bjs e parabéns!

      • Neusa Maria Fontolan
        20 de novembro de 2017

        Regina, obrigada pela leitura e comentário, esse meu texto é apenas uma pequena homenagem que faço a cada término de um desafio. Eu preciso melhorar? Vou te contar uma coisa que talvez você não saiba: eu preciso melhorar em tudo. 🙂

      • Neusa Maria Fontolan
        20 de novembro de 2017

        Meu querido Ricardo. Não entendi a brincadeira, esclareça aqui a tapada: por acaso a Regina Ruth Rincon Caires e a Regina Lopez Maciel são a mesma pessoa ou foi você que se confundiu? Acabe com a curiosidade de uma velhinha kkkkkkkkkkk

  5. Juliana Calafange
    16 de novembro de 2017

    Hahahaha! Neusa e suas homenagens! Sempre sensacional! Adorei, de novo!

  6. Luis Guilherme
    15 de novembro de 2017

    Essa Neusa eh um arraso! Sensacional!

    Em geral adoro seus contos de titulos, mas esse foi sua obra prima! Incrivel!

    Parabens! Adorei.

    • Luis Guilherme
      15 de novembro de 2017

      Ah, esqueci de comentar: o conto mistura perfeitamente uma dose de bom humor e o terror no desfecho!

      A parte da marca na bunda eh mto boa hahajah

    • Neusa Maria Fontolan
      20 de novembro de 2017

      🙂 🙂 🙂

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Publicado às 15 de novembro de 2017 por em Contos Off-Desafio, Terror e marcado .