EntreContos

Detox Literário.

Se as paredes falassem (Pedro Paulo)

─ Mas você não pode nem ir ver lá?

─ Não tem ninguém morando lá, eu já falei!

Davi tem que respirar fundo antes de respondê-lo. Não conseguiria gritar com o síndico. Claro que não. Além disso, respira fundo mais para preservar um tom digno de um homem do que realmente afrontá-lo. Por detrás do síndico, observa-lhe o porteiro do prédio, de braços cruzados e lábios apertados, vez ou outra murmurando algo. Era a mesma cara feia que fazia para Davi sempre que abria-lhe a porta para que entrasse, mas o jovem universitário não percebia. Não tem tino para essas coisas.

─ Olhe, eu sei que você tá dizendo que não tem ninguém morando lá ainda…

─ Eu saberia se tivesse. ─ e um gesto para enfatizar: ─ Eu sou o síndico!

─ É, é… mas olhe, não custa nada ir lá ver. Pode ser que não tenha ninguém morando, mesmo, mas eu juro que ouvi gente andando por lá… e o meu celular sumiu!

O síndico não se importou em omitir o deboche, na voz ou no sorriso:

─ E quer dizer que se você esquece seu celular na escola, alguém tem que ter ido no seu apartamento e roubado?

─ Não! Mas olhe: eu ouvi gente lá. Música! Eu ouvi gente ouvindo música, cara, e nem era música boa. E agora eu saí pra ir comprar umas coisas e voltei pra não encontrar o meu celular. E eu sei que voltei para casa com ele.

Davi acha melhor deixar sem dizer como a coisa realmente começou. Tinha notado que a plaquinha de “ALUGO” sumira da janela do apartamento vizinho e, pouco depois começara a escutar as passadas arrastadas vindas do outro lado da parede. Foi uma semana com isso, sem nunca sequer vê-lo. Fizera uma postagem sobre no facebook, que lhe rendeu 5 curtidas e 1 haha. Davi valorizava essas coisas e era o suficiente para lhe satisfazer.

Mas o verdadeiro problema desse novo vizinho foi quando ele começou a mover o tapete de “Bem-vindo” da sua porta para a dele. Na primeira vez não pensou que fosse nada e devolveu a peça aonde deveria estar. Tinha sido um presente da sua mãe. Quando o fato se repetiu, porém, não tardou: reposicionou o tapete com o pé e com as mãos foi logo digitando a nova publicação: “quando o vizinho mal chega no prédio e já vai roubando seu tapete de bem-vindo! – sentindo-se confuso”. 12 curtidas e 4 hahas, uma das curtidas de ninguém mais, ninguém menos do que Ana Rafaela, dona de seus olhares desde que entraram juntos para o primeiro período de Audiovisual. Até então, imaginava que ela nem sabia da sua existência.

O ápice do seu drama do tapete foi na quinta noite em que chegou em casa para encontrá-lo mudado de lugar. Escreveu um bilhete obsceno e o mandou por debaixo da porta do vizinho – tomando o cuidado de verificar se o mesmo não se encontrava em casa, é claro. Postara uma foto do bilhete, acrescida do comentário: “espero q ele entenda agora, né? Kkk”. 18 curtidas, 7 hahas. Ora, ora, que isso está rendendo. Um haha foi da Ana Rafaela. Rendendo mesmo! Até mandou uma mensagem para o inbox dela: “acho que o meu vizinho não vai desistir de roubar o meu tapete, né? Kkkkk”. Ela: “É kk”. Davi não tentou puxar assunto depois disso.

Aliás, um comentário da sua mãe na própria postagem do bilhete o fez apagá-la e nunca mais tocar no assunto. No entanto, o tapete não deixara de ser mudado e Davi não deixara de ouvir a música, os passos e cochichos do novo morador. Era a única coisa que sabia do seu vizinho: era um homem velho. Quando falava, sabe-se lá com quem, mesmo que Davi colasse a orelha na parede, não havia entendimento sobre o que era dito, quase como se fosse outra língua, palavras que pareciam sair de um delírio… e agora o seu celular. Naquela noite, chegara para ver o tapete mudado, mas ignorou, deixou as coisas em casa e saiu para comprar algum lanche. Retornara para não encontrar o celular e agora descobrir pelo porteiro que não tinha ninguém morando no apartamento. “Tô te dizendo, guri. Vão chegar moradores novos, mas só daqui a um mês! Não tem ninguém morando lá. Ou você ouviu errado, ou é coisa da sua cabeça doida!”

Foi assim que acabara conversando com o síndico. Inclusive, o homem fez uma decisão, o aborrecimento bem evidente entre as suas palavras.

─ Tá, tá… me deixa ir pegar a chave mestra que a gente vai lá.

Antes de ir pegar a chave, uma olhadela para o porteiro: acredita nessa merda? Davi nem percebe.

***

Sua mãe não foi nem um pouco simpática com a ideia de que ele fosse morar fora do estado. Você não sabe se cuidar não, tá achando o quê? Davi precisou chorar muito para que ela deixasse e acreditava que o que realmente a fez ceder foi ter passado em uma universidade prestigiada. Isso não a fez poupá-lo do olhar arrogante quando o visitou pela primeira e única vez. Acha que não houve um momento em sua visita que ela não o reprovou balançando a cabecinha redonda.

─ Não arruma nada, mas que bagunça, que porqueira!

Então a mulher resolveu lhe dar o tapete. Quando ganhara, tratava-se de uma bela peça bege de bordados verdes que escreviam: “Bem-vindo!”. Dois sapinhos cartunescos pareciam estarem abraçados embaixo das palavras receptivas, sorridentes como só sapos desenhados poderiam sorrir. O tapete adquirira um aspecto encardido desde então e, quando Davi e o síndico chegam ao andar em que mora, vê que o tapete havia sido recolocado na frente do seu apartamento. Estava na porta vizinha quando chegou e não havia o mudado para o lugar certo. Mas ali está. Davi para ao pé da escada, olhando para as duas portas dos únicos apartamentos do andar. O síndico está balançando os braços para cima.

─ Não tem sensor aqui?

Se tem, nunca havia funcionado. Davi gosta disso. Costumava brincar com os dedos, simulando o enquadramento de uma câmera, como se as duas portas no final do corredor pudessem encaminhá-lo a um destino tão obscuro quanto ao recinto mal iluminado que as antecedia. Ali, olhando para o próprio tapete sujo no escuro, tem a impressão de que algo verdadeiramente ruim o aguarda, em uma porta ou na outra. Não se dá conta de que o síndico o havia chamado.

─ Ei, moleque!

─ Oi, oi.

─ Você me tirou de casa tarde pra ver essa besteira.

─ Sim, sim, desculpe.

─ Qual porta?

─ A esquerda.

Com o mesmo balançar de cabeça reprovador que sua mãe sinalizara em sua visita, o síndico vai andando até a porta. Ele mostra a chave, apenas uma silhueta naquela parca luminescência. Depois, segura a maçaneta da porta e tenta abri-la, sem sucesso. Está trancada. Acena-lhe com a cabeça como quem diz: avisei. Do modo como conduz as coisas, parece apresentar uma sessão de mágicas para crianças de cinco anos. Mas Davi não se importa.

Quase não enxerga o homem, na verdade, o coração batendo tão forte no peito que o sente como se estivesse no fundo da garganta. Não consegue dizer uma palava, comunica-se por acenos. O síndico insere a chave na fechadura, é bem velha e ele tem que fazer alguma força para que ela gire. A porta se destranca com um som alto de ferro velho se chocando. Davi tinha parado de respirar e suas mãos estão brancas de tanto que as aperta uma com a outra. O síndico lhe dá um olhar debochado antes de empurrar a porta. Com leveza, ela vai se abrindo até dar vista ao apartamento.

Poderia ser o seu apartamento. Certamente, as paredes ostentam o mesmo grau de velhice, descascadas, praticamente quase extirpadas de tintura. Não há lâmpadas, apenas buracos escuros no teto dos quais saem fiações coloridas e retorcidas. A janela da sala está aberta, deixando a brisa gelada da noite os alcançar. Os arrepios fazem Davi dar um saltinho, mas não é pela brisa. É o fato de que o apartamento não tem mobília alguma, nenhum sinal de que alguém mora ali e, dado o abandono, também parece como um lugar em que ninguém sequer esteve. Mas Davi tinha escutado. Sabe que alguém tinha estado ali, e que este alguém vinha mudando o seu tapete de lugar. Nem se lembra do celular agora. Davi vai entrando, o síndico ri, seguindo o universitário. O homem testa ligar e desligar o interruptor, único efeito gerado sendo os cliques repetidos.

─ Não te disse?

Mas Davi não o escuta e continua a andar. O apartamento é igual ao seu, sabe onde fica o único quarto do lugar e, de algum modo, entende que tem que ir até lá. Os protestos do síndico não chegam aos seus ouvidos. A batida acelerada de seu coração é a única coisa da qual tem consciência, como se o certificasse de sua segurança. Chega no quarto para encontrá-lo quase tão vazio quanto o resto do apartamento. Talvez, se não soubesse, uma olhada rápida lhe causasse o julgamento de que realmente está vazio, mas ele sabe e, portanto, enxerga: na parede oposta à porta, meio oculto na penumbra ocasionada pela noite, está o bilhete que encaminhara por debaixo da porta, preso por um durex. Caminha até ele na mesma passada medrosa que o levara até ali. É mesmo o seu bilhete, com os mesmos xingamentos que escrevera e, no entanto, há uma adição, feita num traçado grosso e vermelho, logo abaixo do que foi primeiramente escrito. Lê-se:

 

Venha visitar!

 

Ouve os passos do síndico virem acompanhados de pragas meio ditas, embora ditas o suficiente para que Davi soubesse que estava sendo xingado. Amassa o bilhete dentro do bolso e vai ao encontro do síndico que, na mesma balbúrdia que viera, o conduz até o lado de fora do apartamento. No caminho, quase tropeçando nos próprios pés, Davi percebe que tem sim uma diferença entre o seu apartamento e o do vizinho: o piso é novinho, de textura lisa e tão limpo que quase se enxerga refletido nele. O síndico também percebe, pego de surpresa. Quando passam pela porta, nenhum dos dois vê o pingente colorido enrolado na maçaneta do lado de dentro.

No batente, o síndico se demora um pouco em olhar o piso. O rosto dele se ilumina com o entendimento de algo e só então ele fecha a porta. Enquanto luta com a fechadura, vê que Davi também tem a mesma confusão.

─ Esse apartamento pertence a um velho, na verdade. Ele não comprou pra ele, mas ninguém nunca veio morar… acho que ele ou morreu, ou viajou. Não sei.

***

Adentrando a madrugada, Davi descobre que o celular lhe faz mais falta do que se sente confortável em admitir. De minuto em minuto, a mão escorrega para o bolso à procura do aparelho, os olhos desejosos por alguma distração, o entorpecimento pelo feed de notícias do facebook rolando para cima. Sempre que embolsa a mão, acaba encontrando, amassado no fundo do bolso, o bilhete. Não precisa nem vê-lo para visualizar as letras vermelhas que o convidam para visitar o apartamento vizinho. Que não tem ninguém morando e estava trancado…

Lembrando-se das piadas que fizera do caso no facebook e twitter, Davi mal consegue acreditar que agora talvez estivesse correndo perigo de verdade. Ele sabe que alguém tem estado no apartamento vizinho. Mesmo que estivesse vazio, tinha escutado e agora tem o bilhete. E a quem eu vou mostrar? O síndico já não é muito meu fã, eu deixei ele ir e se mostrar o bilhete, vai rir de mim e dizer que eu que coloquei a parte em vermelho. Enche as mãos com os próprios cabelos, atônito, levado por imagens de um velho sorrateiro no apartamento vizinho, aguardando a sua saída, mudando o seu tapete de lugar… Davi nunca fizera um julgamento exato do motivo por detrás da mudança do tapete, sempre mais interessado no que o caso tiraria nas redes sociais, então nunca nem pensara sobre aquilo ser um convite. Venha visitar, bem-vindo! Davi estremece. Alguém estava jogando com ele.

Polícia? Sua mãe? Quem poderia chamar? O que mostraria a polícia? Olá, olha aqui esse apartamento vazio e mal assombrado? Teme que só ligar para a sua mãe com uma reclamação o encerrasse em um voo de volta para casa, destinado a mil sermões que poderiam ser simplificados em “eu avisei”. Davi se encolhe no canto do sofá velho que fica na salinha, medindo a sua falta de opção no escuro. Contempla as paredes antigas, as janelas sujas, o piso arranhado e encardido de poeira e fios de cabelo. Eu quase consegui me ver naquele piso. E então ele escuta a música vinda do apartamento vizinho.

Vem tão alta e abrupta que acaba se assustando e deslizando para cair de bunda no chão. A dor do traseiro mal é sentida com a surpresa trazida pela melodia dramática que é logo acompanhada pela voz de Roberto Carlos. Davi vai se levantando atrapalhado, errando as passadas para reaver equilíbrio. De pé, ainda não tem uma ideia exata do que fazer, embora saia andando para fora do apartamento. É uma fuga que nem se dá conta de estar fazendo, mas, na rapidez que anda, definitivamente uma fuga. A escuridão o aguarda no corredor externo ao apartamento, levemente invadida pela luz dourada que escapa da brecha da porta do apartamento vizinho. Por detrás da porta, pode-se ouvir passos débeis. Davi está a meio caminho da escada, mas não dá nenhum passo a mais. A mão vai ao fundo do bolso, topa o bilhete. Venha visitar.

Vira-se para a porta, a luz dourada iluminando parte do seu rosto, limitada pelas sombras que predominam no corredor. Do lado de dentro, a voz Roberto Carlos fala que: se chorou ou se sorriu, o importante é as emoções que viveu, mas Davi não se dá conta, encarando a porta escura contornada pelo ouro da lâmpada que ilumina o apartamento. Não se dá conta que caminha em direção à porta, também. Rememora as palavras da mãe, quando ela comentou a foto que postara do bilhete: muito homem ele pra escrever bilhete. De pé diante da porta, ele se lembra do ceticismo arrogante do síndico, como se só então percebesse. Com o punho erguido para bater na porta, Davi se lembra da resposta desinteressada de Ana Rafaela. Antes que possa bater, sente a luz diminuir em seu rosto e olha para baixo, vendo que uma sombra impede a luz de sair por debaixo da porta. Há alguém do outro lado, estando só a porta entre ele e Davi. Consegue ouvir a respiração dificultosa do outro lado. Rola os olhos espantados para o olho vivo, sabendo que está sendo observado. A mão, levantada e bem fechada na altura de sua cabeça, treme.

A maçaneta gira em um escândalo sonoro e metálico e, em um único salto, Davi alcança a porta do próprio apartamento, pronto para voltar ao seu esconderijo, o coração tão acelerado que mal consegue respirar. Por debaixo da música alta Davi discerne um som rouco e alongado, que logo compreende como uma risada. O seu celular começa a tocar. Sua mão vai ao bolso, encontrando a carta no lugar em que normalmente encontraria o celular. Não. O som vinha de dentro do apartamento vizinho.

─ Chega disso de joguinhos!

Enfim, a raiva encobre a hesitação. Em duas longas passadas e um empurrão, Davi adentra ao apartamento vizinho.

A luz se apaga bem quando ele entra, mas ele não se dá conta, seguindo o som do toque do seu celular, quase omisso pela voz dramática de Roberto Carlos. O aparelho está no chão, bem no meio da sala, vibrando enlouquecidamente com o toque. Davi entrou no apartamento com tanta força que a porta bateu na parede, começando uma lenta trajetória de retorno para se fechar novamente. Naquela velocidade, a porta não teria chegado a se fechar, mas, mesmo assim, ela bateu atrás de Davi, o estrondo inaudível sob a música. Enquanto Davi se aproxima do celular tal qual faria como se fosse uma bomba, Roberto Carlos se felicita: eu estou aqui vivendo este momento lindo!

Alguém ligava para o seu celular, mas a chamada acabou assim que o pegou. Tinha vindo de um número indeterminado e uma notificação mostra que Ana Rafaela respondeu a uma mensagem sua. É uma longa série de Ks. Maiúsculos. O temor da situação é brevemente ofuscado por uma ainda mais breve felicidade, pois Davi não tinha sequer estado com o celular para poder conversar com o celular. O seu reflexo meio turvo no assoalho o lembra de que não deveria estar ali e, como se não fosse óbvio, lembra-se de que poderia não estar sozinho. Quando levanta a cabeça, não vê mais ninguém. Davi está sozinho no meio do apartamento escuro. Isto não o impede de sair correndo em direção à porta.

É a primeira vez que percebe o pingente colorido amarrado na maçaneta, logo coberto pela sua mão afobada. Quando puxa a porta, algo resiste, puxando do lado de fora e, enxergando pelo olho vivo, vê o rosto de um velho, num sorriso largo, perverso. O velho se divertia. Davi sente algo vir pela mão direita, como um choque, e depois não sente mais nada.

***

Seu corpo está no chão. Não é algo que Davi sabe, é algo que vê. Pode ver o seu corpo deitado pela esquerda, pela direita e até mesmo de cima, como se uma câmera fixada presa a um drone o gravasse. No começo, é exatamente assim que se sente, como se pudesse ver o próprio corpo pela lente de milhares de câmeras, de todos os tamanhos, distribuídas por todos os cantos possíveis, gravando todos os ângulos que quisesse. Diverte-se com o conceito, mas logo percebe que tem que sair dali. Não sente o mesmo desespero de antes. Não sente o coração acelerar ou os pelos arrepiarem, apenas sabe que tem que sair dali. É uma noção.

No entanto, quando tenta se levantar, acaba vendo o espaço do banheiro, totalmente vazio. Ali, também pode assistir a todos os ângulos dos recinto, como se os seus olhos pudessem vagar por cada milímetro do lugar. Uma vez mais, não sente a angústia, mas a tem em mente. Eu morri? Não consegue nem se sentir nervoso, pois não sente nada, apenas sabe que quer sair de lá e, nesse querer, acaba no quarto. Tem uma escada encostada na parede, Davi está pairando em todo o recinto. Passa pelas paredes, pelo chão, pela porta, pelo batente e pela janela. Não consegue ver fora da janela. Virando para lá, dá-se com uma escuridão, como se não existisse mundo para além do apartamento. Quer sair dali. Teria saído correndo e gritando por ajuda, mas não tem meios nem de correr e nem de gritar. Querendo sair dali, Davi acaba na sala como em um teletransporte. Ali, o seu corpo está se levantando.

Parece atordoado, mas não é Davi que se levanta. Morto ou não, não está em seu corpo. Como é que isso é possível? Quer chamar por alguém, mas não consegue encontrar uma voz para sair de si. Esforça-se, concentra todos os seus pensamentos em falar, mas nem mesmo se cansa. Não tem boca para falar. Sua boca está ali, no corpo que agora vai se pondo de pé como quem acabara de ser nocauteado. Aquilo que se levanta olha para cima e sorri. Sem nem pensar, acaba o encarando de volta, como se pairasse acima dele. Naquele sorriso, Davi identifica a mesma perversidade que encontrara no rosto do velho, quando tentou abrir a porta. O seu corpo abre a porta atrás de si, revelando o mesmo paredão de breu que conseguia enxergar pela janela do quarto. O braço da coisa que se apossara do seu corpo atravessa aquela escuridão como se não fosse nada e de lá vem arrastando um corpo magricela em que logo reconhece o velho que vira pelo olho mágico. O homem parece estar morto. Davi escuta a própria voz, mas não é ele que fala.

─ Olhe, eu sei que isso é bem difícil de entender, mas, ao menos, não doeu! ─

O seu corpo dá de ombros. Davi pensa que se estivesse em qualquer lugar do apartamento, poderia ouvi-lo tão bem como o escuta agora, quase como se a voz fosse produto do seu próprio pensamento. Enxergando o seu corpo de cima, percebe que o reflexo meio anuviado que se esboça no piso não é a mesma pessoa que está de pé. Ele dá um chute no corpo idoso que jaz no chão

─ Eu pensei em te colocar ali, mas aí eu teria que te matar, você ia ficar todo confuso e bla, bla, bla. Então eu tive uma ideia bem, bem melhor.

Ele caminha até uma das paredes e Davi pode vê-lo bem à sua frente. Ele dá três toques na parede e Davi enxerga o próprio punho vir em sua direção, como se fosse bater na sua testa. Mas ele não sente nada, os nós dos dedos dele batem na parede e é isso.

─ Eu te coloquei aqui. No meu plano original, eu ficava aí no seu lugar, entende? Não me leve a mal, é que eu preciso ficar de olho na minha filha ─ ele para, com a impaciência de quem tem que se corrigir ─ Ela vai dizer que eu sou o padrasto e qualquer merda assim, mas criei, então é filha e tenho que tomar conta! ─ sua pele avermelha, a irritação é óbvia. Davi vê a si próprio, mas não se reconhece. Está com medo, mas não sente nada. Apenas sabe que a situação é horrível. A coisa joga os punhos para o alto ─ Porra! ─ então respira fundo, parece mais calmo ─ De qualquer modo, não vai ser tão ruim. Se você não estiver preparado, vai esquecer logo que está aí, não dói e nem nada, você só… esquece.

Davi está processando. Ouvira tudo, não teve a opção de não escutar. Pensara em mil coisas, mas a voz dele se sobressaíra. Davi não tinha morrido, não está em seu corpo, está nas paredes, no piso, no teto, em todo lugar daquele apartamento. Ele é o próprio apartamento. O berro do seu desespero não se verbaliza, o temor e o arrependimento não pesam em seu coração, pois este não existe. Davi não sente o completo terror de ser uma consciência perdida em azulejo e cimento, pois não tem como senti-lo. Mas sabe que aquele terror existe, sabe que não deveria estar ali. E, enquanto a figura que assume o seu corpo sobe em uma escada para remover a lâmpada, Davi se esforça para gritar. Teria chorado e implorado para que ele não fizesse aquilo, mas não tem como. Não consegue acreditar no que está acontecendo e nem na tranquilidade que vê a si próprio – agora descendo a escada – ostentar em um momento de tanta angústia. Mas aquele não sou eu… ele não pode sentir a minha angústia… e nem eu.

A voz de Roberto Carlos é interrompida quando a pequena caixa de som é desconectada e vê o seu corpo andar até a porta e parar bem no batente, a um passo do breu que separa o apartamento do mundo exterior, escada embaixo do braço. O corpo que pertencia a Davi se vira, alcança o celular que caíra no chão. Está novamente possesso daquele sorriso terrível, que nunca se imaginara capaz de esboçar. Levanta o celular para o teto, seu modo de se comunicar com Davi.

─ Vou fazer bom uso disto. Você não é o cara mais interessante que tem, mas em tudo se dá um jeito. ─ e olha para o breu, em direção ao chão ─ E vou deixar o tapete de bem-vindo aqui na porta… para que minha filha se sinta bem-vinda.

Em um passo, seu corpo adentra o breu, parecendo ser absorvido por ele. Davi teria berrado para que não fosse, para que ficasse e negociasse. Eu posso ver sua filha pra você, observo cada passo dela, te digo o que você quiser. Mas nunca nenhuma parede pôde manifestar tamanha eloquência.

***

Em algum momento, Davi se esqueceu de que era Davi. Ainda preservava alguma consciência sobre si próprio, acompanhada de um claro arrependimento. No entanto, não se lembrava do que se arrependia. No começo, tivera muitos porquês. Por que fui entrar no apartamento? Por que não fui morar com mais gente? Por que não ouvi minha mãe? Perguntas que faria chorando se tivesse como chorar. Antes do arrependimento, veio o terror, o pânico, mas nada que pudesse realmente sentir. Nada de coração saindo pela boca, pelos arrepiados, respiração atravancada… Não. Paredes não tem nada disso. Quando tentava fugir, acabava pulando de cômodo em cômodo. Quando tentava fingir que era um sonho e que acordaria, não acordava, pois nem sequer dormia. Paredes não dormem. E então ele se esquecia. E se lembrava que esqueceria, tal como aquela coisa que lhe roubara o corpo lhe dissera que aconteceria. E então o terror assumia de novo, ciclicamente até que perdesse as esperanças e, com isso, criasse aquele profundo arrependimento. Arrependimento de tantas coisas que logo esquecera e, com isso, esquecera a si mesmo. Uma consciência arrependida, cimentada em todas as paredes arruinadas daquele apartamento.

E um dia os homens entraram e, com eles, móveis, eletrodomésticos, coisas para ocuparem os inúmeros espaços vazios da casa. Pouco do que entrara era novo e, ao todo, os móveis eram igualmente poucos. Os homens foram embora e os substituem um casal, uma moça e um rapaz, os dois bens jovens. Davi os vê. Pode enxergá-los de onde quiser, embora nem se dê conta, já tão acostumado à sua limitada onipresença. Não sabe como entende que são jovens ou que se trata de um casal, conceitos que vem do longe de uma mente praticamente perdida. Os observa com uma atenção que havia perdido tinha muito tempo. De algum modo, enquanto vê a moça sentada no sofá, sabe que ela está triste. O companheiro dela também sabe.

─ O que foi, bebê?

Ela dá de ombros, ele se senta ao seu lado, toma-lhe a mão com suavidade. Ela se vira para ele.

─ Eu não queria ter vindo morar aqui… é estranho. Não quero nada dele.

Ele se aproxima dela. Davi pensa que são casados, é uma intuição que não compreende, mas existe.

─ Olhe. Eu sei que você tem um histórico terrível com o seu padrasto, mas ele sumiu, não foi? Não existe mais, não precisamos lidar com ele. Agora que casamos, temos que aproveitar coisas como esse apartamento, já que não temos dinheiro algum…

─ Você não entende! Quando eu era mais garota, tinha uns treze anos… ele quis me mostrar as coisas que fazia… você sabe que eu não sou supersticiosa, mas… não eram coisas comuns, sabe?

Ele não sabe e, antes que pudesse saber, ouve alguém tocar na porta, eles se entreolham, nenhum dos dois esperava visita e é o primeiro dia de mudados, as coisas ainda estando soltas pelo apartamento. Quando o marido vai abrir a porta, tudo o que Davi enxerga é aquele breu, mas de lá vem uma voz que reconhece.

─ Olá, vocês são os novos vizinhos?

Eles se cumprimentam, o marido explica que sim, o convida para entrar e, do breu, sai um rapaz. Olhando aquela figura, a consciência que uma vez foi Davi se acende em ira, um sentimento que ganhara poeira na desolação de seu ser. O casal trouxe um espelho para a parede da sala, onde nenhum dos dois percebe que o reflexo do rapaz é totalmente diferente do rapaz em si. No espelho há o marido conversando com a figura de um cadáver que persiste em viver, avançado em um grau de velhice que o distancia de qualquer semelhança humana. No entanto, tanto o casal como o visitante percebem que a parede com o espelho começou a tremer com tanta força que se continuasse aumentando, quebraria a peça. Quando eles se viram para o espelho, o visitante se põe de joelhos. Explica que teve que amarrar o tênis. O tremor cessa. O marido continua olhando para o espelho, perplexo.

─ Foi um terremoto?

─ Nunca teve um terremoto por aqui. ─

Quando o rapaz volta a ficar de pé, é com um passo para trás, longe do alcance do espelho. O piso ainda captura o seu reflexo distorcido, no entanto. Só Davi vê e, nesse momento, mesmo que não saiba, é algo que percebe enquanto Davi, pois age por através da raiva que só Davi poderia ter. A ira o humaniza.

─ Bom, foi muito bom conhecer vocês, se tiverem mais terremotos, a gente se fala.

O casal ri, o jovem vizinho se vira para abrir a porta, mas ela resiste, como se alguém a puxasse do lado de fora. Ele força um puxão, a porta se move um centímetro e volta com um estrondo. O marido se aproxima para ajudar, mas o chão treme com tanta violência que o desequilibra dois passos para trás e, intensificando, o derruba. A esposa grita, o rapaz se manteve de pé apoiado na parede, tentando não cair. Como aconteceria com gelo fino, uma rachadura traceja desde a parede oposta até a porta, bem embaixo do visitante, cortando o seu reflexo disforme ao meio. A porta se abre, enfim. O casal está atônito, mas o jovem vizinho sabe o que aconteceu. A coisa que possui o corpo de Davi olha para cima, para o teto, como se o encarasse.

E Davi ainda está ali. Por enquanto.

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84 comentários em “Se as paredes falassem (Pedro Paulo)

  1. Renata Rothstein
    11 de novembro de 2017

    Olá!
    Bem, seu conto é um pouco arrastado no início, em seguida parece que engata e vc mostra um suspense do melhor nível.
    Sobre a parte gramatical sei que muitos falarão com mto mais propriedade e só digo que com ctz, precisa.
    O final, para mim, meio que desconcentra, destoa, não sei, gostaria de reler, mas no conjunto, gostei!

  2. Daniel Reis
    11 de novembro de 2017

    Meu caro autor: não consegui decidir ainda se gostei ou não do seu conto. Ele tem aspectos bem positivos, que eu considero muito: a linguagem simples, a situação clara, os desdobramentos consequentes, a preparação para o clímax. Mas em alguns aspectos eu senti que ele ainda pode melhorar, principalmente na construção/aprofundamento dos personagens. De qualquer forma, considero uma boa execução. Sorte no desafio!

  3. Fil Felix
    10 de novembro de 2017

    Gosto muito de apartamentos. A trilogia dos apartamentos do Polanski é excelente, envolvendo esses delírios e paranoias com vizinhos e tudo mais (se não viu, veja!). E o conto cria um ótimo suspense, nos fazendo pensar quem é a coisa do outro lado, que está mexendo o tapete e ouvindo música. Por mostrar logo que se trata de algo mais sobrenatural, perde um pouco desse clima. O final ficou ótimo e foi o destaque, quando começa a tremer a casa, criar rachaduras, deixa a gente super empolgado, querendo mais, além das descrições serem bem acertadas. Fiquei na expectativa de acontecer mais alguma coisa, que explodisse, rachasse tudo. Pena que acaba. Entendi o uso do Facebook, mostrando a solidão da personagem, que não tinha a aprovação nem da mãe, mas os “hahaha” e “kkkks” dão um tom que, particularmente, acho que deixa mais pro cômico e descontraído do que pro suspense.

  4. Miquéias Dell'Orti
    8 de novembro de 2017

    Oi,

    Cara… no início, sinceramente, achei a história arrastada, a coisa do apartamento vizinho com barulhos estranhos e a personalidade do protagonista e sua relação com o síndico não estavam me convencendo (na verdade, eu estava achando um saco). Mas, então, as coisas começaram a acontecer de forma diferente do que eu imaginava. Essa história… tem uma ótima premissa, ótima mesmo. Você teve uma baita de uma ideia e quando o síndico saiu de cena e Davi entrou no quarto tudo mudou para melhor.

    A troca de corpo entre o velho e Davi foi a grande sacada do conto. No quesito criatividade, nota máxima pra você. Quando ele se incorpora à parede também dá pra sentir aquela sensação claustrofóbica, da prisão da qual Davi está envolvido. A gente sente a angústia dele, mesmo ela desaparecendo logo depois rs.

    Tem algumas falhas no tempo verbal, que predomina no presente mas tem algumas passagens com verbos no passado. Mesmo assim isso não atrapalhou minha imersão na história.

    No final, bem, parecia que eu tinha voltado ao início. A descrição de Davi perdendo sua consciência e humanidade me pareceram sobrar na narrativa e a entrada da enteada (com a “revolta” de Davi ao ver seu corpo novamente), apesar de necessária para o desfecho, acho que poderia ser melhor trabalhada, talvez se você tivesse mostrado mais quais coisas (ou rituais) o velho fazia para que tivesse conseguido passar a alma de Davi para a parede e dado essa fagulha de esperança para que ele pudesse reagir e sair dali, sei lá.

    Talvez, até se o conto tivesse terminado aqui: “Em um passo, seu corpo adentra o breu, parecendo ser absorvido por ele. Davi teria berrado para que não fosse, para que ficasse e negociasse. Eu posso ver sua filha pra você, observo cada passo dela, te digo o que você quiser. Mas nunca nenhuma parede pôde manifestar tamanha eloquência.” o desfecho cairia mais no meu gosto, por deixar uma abertura à interpretação do leitor, algumas perguntas bacanas de criar suposições.

    De qualquer maneira, insisto que a ideia é ultra-ótima e que você deveria pegar essa premissa e retrabalhar esse conto depois do desafio.

    Parabéns.

  5. Pedro Luna
    7 de novembro de 2017

    Estava detestando o começo. O texto tem falhas na escolha temporal, e sinceramente?, não gostei muito do Davi. Achei ele um personagem bem mala sem alça, com dramas que não me chamam a atenção, como estar preocupado com seu perfil do facebook e seu rolo inexistente com a menina. Então li no automático. Porém, depois o conto da uma guinada e ficou melhor. A ideia de aprisionar o cara nas paredes do apartamento é simplesmente aterradora. Deu até dó dele, e olha que nem fui com a cara do cidadão. Apesar de ficar confuso quando surge o casal, no fim, considerei o conto melhor no final do que quando começou. De qualquer forma, para mim foi um conto com altos e baixos.

    • Tiago Arjolo
      7 de novembro de 2017

      Boa tarde, Pedro.

      Li todos os quarenta comentários, tendo decidido que aguardaria o fim do prazo para responder a todos. No entanto, lendo o seu, achei que deveria respondê-lo de imediato, pois me incomodou.

      Compreendo sua crítica quanto ao problema gramatical deste conto. É uma que vi na maioria dos comentários, com aprofundamento ou simples menção. No entanto, quanto ao que você entendeu do personagem, devo rebater. O personagem não é feito para o seu gosto ou para o de ninguém. As preocupações e ações da personagem são o que a definem e, é claro, compreendo que há personagens que sejam escritas para serem carismáticas e fáceis de se gostar. Não escrevi este considerando o que o leitor acharia, mas buscando, em primeiro lugar, definir um protagonista que acabasse se vendo sozinho em umas situação tão perigosa. Um rapaz que mora só e não tem família próxima ou amigos, mas o vazio das redes sociais. É como o principal do filme “Ex-Machina” (no qual, nesse sentido, me baseei). Em certo momento, ele percebe que caiu em uma armadilha e que, mais do que isso, ele é “a vítima perfeita”, pois ninguém nunca se preocuparia ou o procuraria.

      Abraços!

      • Pedro Luna
        8 de novembro de 2017

        Esse lance de personagem é complicado. É ame ou odeie. Eu não gostei. Teve gente que gostou. Sobre a sua intenção ao criá-lo, nem sempre ela vai ser reconhecida. No meu conto também teve nego falando bobagem sobre coisas que pelo menos para mim estão bem claras. Fazer o quê? É o leitor, é a visão dele, mesmo que seja uma visão de merda..huauaha. Entendo seu incomodo, mas sou um cara verdadeiro e preferi mandar na lata: não gostei do seu personagem. Quem sabe o próximo eu curta.

      • Pedro Luna
        8 de novembro de 2017

        Todo mundo AMA o banguelinha do Stranger Things. Eu detestei tanto o personagem que foi um dos motivos que me fez não querer ver a série. É a vida.

  6. José paulo
    5 de novembro de 2017

    Ah! que pena! O conto estava otimo. Um clima de suspense sensacional. Seper diferente, com pitadas de humor e alusões a elementos da vida moderna. Um escrita rápida, fácil, de deliciosa leitura, pondo o leitor dentro da cena. A partir da estada do protagonista na sala do apartamento, diante de seu celular…um outro conto começa. Uma escrita pesada, sem graça e extremamente confusa. Não sei se pesquei tudo….Bateu- me um desânimo. Não fiquei satisfeito com as escolhas do autor quanto ao enredo e quanto a pegada diferente. Amei esse conto até os 30min do segundo tempo.

  7. Rafael Penha
    5 de novembro de 2017

    Olá, Tiago,

    Gostei bastante do conto. Mostra bem o personagem e desenvolve de forma satisfatória sua vida e personalidade.

    A história é interessante e o terror é crescente. A temática é legal e não lembro de ver com muita frequência uma troca de corpos, deixando a vítima aprisionada nas paredes da casa. Foi um ponto inovador. Acho que poderia ser melhor explorado, mas a iniciativa já foi bem interessante.

    A história se desenvolve bem e alguns clichês me incomodaram um pouco, mas nada que atrapalhasse o desenvolvimento da história.

    Acho que poderia focar mais tempo em desenvolver o velho, suas motivações e objetivo. Dar mais profundidade.

    Quanto a gramática, creio que nada me incomodou.

    Boa sorte!

  8. Pedro Paulo
    4 de novembro de 2017

    Olá, entrecontista. Para este desafio me importa que o autor consiga escrever uma boa história enquanto em bom uso dos elementos de suspense e terror. Significa dizer que, para além de estar dentro do tema, o conto tem que ser escrito em amplo domínio da língua portuguesa e em uma boa condução da narrativa. Espero que o meu comentário sirva como uma crítica construtiva. Boa sorte!

    O conto nos introduz durante a situação em que o personagem se encontra, mais especificamente quando ele procura por ajuda para resolvê-la. Com isso, temos a oportunidade de conhece-lo e entender o que se passa. Enquanto trata com o síndico, o autor coloca a situação do tapete e nos apresenta a outra faceta do personagem, um jovem claramente absorto nas redes sociais.

    Daí já somos colocados diante do apartamento onde vive o vizinho misterioso, dando de cara com a descoberta de que não tem nada lá, nem ninguém. Quando ele acha o bilhete, a situação deixa de ser apenas suspeita para se tornar também perigosa. Portanto, quando o vemos aflito em seu apartamento, não deixamos de sentir que algo está para acontecer, com uma tensão que passa para o suspense em uma trama coerente. A música vem para surpreender a personagem e então o vemos, pouco depois de ter tentado resolver a coisa, sendo forçado a enfrenta-la de novo, com um bom destaque dado à sua falta de opções.

    Sua entrada no apartamento vizinho é cheia de descrições e rememorações da personagem, que criam grande tensão e uma sensação de embate: ele está sozinho e tem que resolver aquilo. Ele entra no apartamento, encontra o celular perdido e aí acontece. De primeira, ficou bem difícil de entender do que se tratava, mas o autor foi esclarecendo e, depois, as explicações ficaram até excessivas. Compreendo a ênfase pretendida pelo autor, mas por vezes as descrições das limitações e agonias da personagem mais poluíram o texto do que ajudaram, como se o autor estivesse muito preocupado em fazer entender o que se passava. Quando compreendemos a situação, ela é bem medonha e surpreendente, inovadora não com o personagem tendo o seu corpo roubado, mas com sua alma sendo transferida para o apartamento, onde fica impotente, obrigado a observar. Nesse ponto, só achei que o nosso possuidor do seu corpo deveria ter falado mais. O monólogo dele não explicou muito, embora eu tenha gostado da malícia que o cerca e da última fala com o celular. Demorei um pouco, mas entendi que o autor fez uma boa ligação do vício do protagonista em tecnologia com aquele gesto do “velho” (agora Davi), como se dissesse: eu vou roubar não só o seu corpo, mas a sua vida, também.

    Fiquei um pouco dividido com a parte que veio depois. Caso o conto tivesse terminado neste momento, teria sido bom, faltando apenas mais explicação para as ações do velho, mas ao mesmo tempo compreendi que a moça do casal que foi morar ali era a tal afilhada, dando a entender ao que ele tinha se referido quando roubou o corpo de Davi. Neste momento, também podemos ver os efeitos de ter sido emparedado e como eles diluíram a sua humanidade, embora persevere aquele mesmo problema de exagerar nas ênfases. Quando o corpo roubado volta à trama, a tensão é alta e ficamos esperando que algo terrível aconteça, mas então o conto termina com uma última manifestação de Davi. Eu achei o final aberto demais, mas reli para reinterpreta-lo como um final (mesmo que seja impossível não vê-lo como aberto para outros desdobramentos). Neste conto, o fim ainda é aterrador, com o casal em perigo e com um protetor improvável, Davi, como o próprio apartamento. O “por enquanto” é o que dá um final agonizante à trama, uma vez que ficamos sem saber se Davi vai resistir ao seu período sem corpo e se vai conseguir tê-lo de volta. Só poderíamos saber lendo mais sobre a história, então é um final um pouco problemático por não realmente encerrar a história.

    Outro elemento do conto é a gramática. Confesso que esteja fazendo uma avaliação mais centrada na trama, uma vez que uma leitura prioritária da gramática exigiria que eu extraísse trechos e tudo mais e eu tenho que cumprir o prazo. No entanto, li alguns dos comentários que deram erros gramaticais como um grande “porém” e me atentei mais a isto, notando o problema repetido da situação verbal da história. O conto está no presente, funcionando para dar uma urgência maior aos perigos que a personagem sofre, mas o autor também teve bastante dificultade para se manter neste tempo verbal e alternou entre presente e passado em vários momentos. Além disso, achei alguns errinhos. São indicativos de que o autor precisa fazer uma boa revisão no conto, dando conta desses problemas.

    Ademais, achei um ótimo conto, com uma trama surpreendente e cheia de suspense, tão necessário para a desenvoltura de um bom terror. Outro elemento positivo é a estrutura da história, que flui de uma só vez, com ele já metido na situação ao mesmo tempo em que vamos o conhecendo e entendendo no que ele está metido. Creio que o que te impedirá de conseguir a nota máxima será, de fato, o domínio da língua portuguesa. Tenha mais atenção com a revisão na próxima. Parabéns!

  9. Ricardo Gnecco Falco
    2 de novembro de 2017

    Olá! Segue abaixo o resultado da Leitura Crítica feita por mim em seu texto, com o genuíno intuito de contribuir com sua caminhada neste árduo, porém prazeroso, mundo da escrita:

    GRAMÁTICA (1,5 pts) –> Sim, escrever é a arte de cortar palavras… E sem se esquecer de cuidar das que foram poupadas! Ou seja, uma boa e atenciosa revisão é FUNDAMENTAL em um texto — e não apenas para este quesito —, ainda mais em um trabalho que estará concorrendo com os de outros escritores… Aqui, infelizmente, o autor deixou escapar muita coisa, já apontada pelos coleguinhas. Vale ressaltar que eu fiquei bastante triste por ter de descontar pontos de uma obra tão criativa e que me causou tamanha tensão. Contudo, estamos em um desafio… Espelhe-se neste “erro” para refletir toda a perfeição que seu conto merece; mesmo que apenas em uma próxima oportunidade! 😉

    CRIATIVIDADE / ENREDO (2 pts) –> Este é, sem a menor sombra de dúvida, o quesito MAIS IMPORTANTE de todos (e consequentemente possuidor do maior peso em sua nota final)… Gostaria de dar nota 10, mesmo valendo 5! Seu conto, pelo menos até o momento, foi o que achei mais criativo. Inovou na forma de contar a história; a brincadeira com o tapete, as portas… Desde o início deu pra perceber que viria algo diferente. Ótima ambientação, proximidade narrador-leitor… Tudo muito bem trabalhado e exposto. Parabéns!

    ADEQUAÇÃO ao tema “Terror” (0,5 pt) –> Como estamos em um Desafio TEMÁTICO, não tem como avaliar sua obra sem levar em consideração este “pequeno” detalhe, rs! Assim sendo, mesmo eu o tendo valorizado apenas com meio ponto, ao final do somatório isso poderá representar a presença (ou não) de seu trabalho lá no pódio. No caso de seu conto: tema mais do que adequado!

    EMOÇÃO (1 pt) –> Beleza! Gramática (e revisão!), criatividade (enredo), adequação ao tema… Tudo isso é importante para um bom texto. Mas, mesmo se todos os demais quesitos estiverem brilhantemente executados, e o conto não mexer de alguma forma com o leitor, ou seja, não o emocionar, o trabalho não estará perfeito… Então, por isso mesmo, posso afirmar que, se você não tivesse escorregado na revisão, seu trabalho teria levado a minha primeira nota máxima! Fiquei tenso do início ao fim da leitura e, diferente de alguns colegas, não senti a emoção cair na segunda parte mas, ao invés disso, minhas pálpebras vibrando e os lábios quase tremendo com o aproximar-se do fim da história. Ou melhor, à espera da continuação! 😉 Parabéns!

    Nem vai precisar de boa sorte no Desafio!

    Paz e Bem!

  10. Marco Aurélio Saraiva
    2 de novembro de 2017

    =====TRAMA=====

    MUITO legal. Uma história bem original, cheia de nuances interessantes, sacadas magníficas e muito – MUITO – suspense e terror.

    Você trabalhou muito bem todos os personagens: Davi, o pai da garota, até o porteiro e o síndico. Até a mãe de Davi foi bem trabalhada, apesar de nunca aparecer em cena. Mas Davi, é claro, o único personagem com nome, é o protagonista e é em sua mente que o leitor mergulha.

    Acompanhar Davi durante toda a trama foi intrigante. Você trabalhou bem o suspense, criou uma atmosfera densa, onde um garoto mora sozinho em frente a um apartamento vazio. Por ser jovem, ninguém confere crédito aos seus relatos. Além disso, ele sofre com problemas de auto-estima. Tudo isso enquanto o velho do outro lado do corredor continua a assombrá-lo, até o seu ataque derradeiro.

    A aparição do velho foi de arrepiar. Toda a sequência de Davi adentrando o apartamento abandonado foi de arrepiar.

    E a transformação!! Foi uma excelente sacada, isso de colocar a consciência de Davi DENTRO do apartamento. Pela primeira vez, uma história de terror sobre uma casa mal-assombrada… onde o narrador é a própria casa!

    Todo o problema com a falta de sentimentos, a ausência de um corpo, a raiva que não pode sentir, a confusão mental de Davi ao notar que agora é uma consciência sem um corpo… isso tudo foi muito bem narrado e fez a minha cabeça explodir. Quanta imaginação! Gostei demais.

    O final foi um pouquinho mais fraco que o resto do conto. Todo o ataque de raiva de Davi me soou um pouco “forçado” e fugiu um bocado de toda a proposta do texto. Para manter o nível da narrativa condizente com o resto do conto, o certo seria Davi apenas observar enquanto o seu corpo age sem a sua consciência, completamente impotente. Mas isso é opinião de leitor, rs rs rs.

    Também notei uma crítica velada às redes sociais e ao vício de usar o telefone e de estar sempre conectado. Você faz um paralelo interessante: Davi parece mais atento aos detalhes e interações sociais no Facebook do que às nuances de expressões das pessoas com quem conversa ao-vivo. Ele não nota uma série de expressões de sarcasmo vindas do síndico e do porteiro, mas nota o tom de desdém da breve risada que Ana Rafaela escreve no Messenger. Foi uma boa forma de abordar o tema, inserido dentro de um conto sinistro de terror.

    Parabéns pela originalidade!

    =====TÉCNICA=====

    Sua escrita é agradável aos olhos, com frases bem construídas, descrições interessantes e narrativas bem boladas. As imagens são conjuradas de forma clara na mente do leitor, e você até narra muito bem também as linhas de raciocínio do seu protagonista.

    A sua leitura é fluida, mas infelizmente uma série de falhas impedem que ela seja perfeita.

    1) Há uma confusão no tempo da narrativa. Sempre achei difícil escrever narrativas no presente, pois sempre rola uma mistura entre presente e pretérito. Isso acontece aqui. Segue alguns exemplos disso:

    “Os homens foram embora e os substituem um casal…”

    “Davi tinha parado de respirar e suas mãos estão brancas de tanto…”

    Isso acontece outras vezes durante a leitura.

    2) Há uma série de repetições de palavras que merecem atenção. Elas acabam travando a leitura e estragando a sua fluidez. Segue alguns exemplos:

    “A luz se apaga bem quando ele entra, mas ele não se dá conta…” – ELE

    “Quer sair dali. Teria saído correndo e gritando por ajuda, mas não tem meios nem de correr e nem de gritar. Querendo sair dali, Davi…” – QUER SAIR DALI

    “Há alguém do outro lado, estando só a porta entre ele e Davi. Consegue ouvir a respiração dificultosa do outro lado…” – DO OUTRO LADO

    3) O conto precisa de uma séria revisão, pois encontrei diversos erros de digitação e de português durante a leitura. Segue alguns exemplos:

    “Davi adentra ao apartamento vizinho.” – “ao” deveria ser “o”

    “O que mostraria a polícia? ” – tenho quase certeza que este “a” é craseado.

    “Estava na porta vizinha quando chegou e não havia o mudado para o lugar certo…” – e não o havia mudado…

    “Dois sapinhos cartunescos pareciam estarem abraçados…” – ESTAR

    • Marco Aurélio Saraiva
      2 de novembro de 2017

      Aliás, excelente título e pseudônimo! rs rs rs

    • Pedro Paulo
      18 de novembro de 2017

      Olá, Marco! Fico muito feliz por você ter gostado da trama! Algumas coisas sucintas não foram muito bem assimiladas pelos outros leitores, como a parte das redes sociais, então é muito gratificante ver que você pegou o sentido exato desses elementos no texto. Sobre a parte técnica, concordo e reescreverei levando em conta todos os problemas, com uma atenção extra à revisão. Agradeço!

  11. Gustavo Araujo
    31 de outubro de 2017

    É um conto bem interessante. Criativo ao extremo, para dizer o mínimo. Embora haja outro (bom) conto em que a parede ganha vida, aqui a abordagem é distinta, na medida em que transforma o protagonista nesse ser tão singular – e que pode estar nos observando agora! Gostei do desenvolvimento, dessa atmosfera de suspense que toma conta da primeira metade, do apartamento vazio, dos ruídos, da música, do tapete, a descrença do síndico… Tudo bem pensado, tudo bem encaixado. A segunda parte – quando o protagonista se assume apartamento – me pareceu um pouco confusa no início, mas logo compreendi o que se passava: a visão de si mesmo, o espelho que revelava a verdadeira identidade do outro eu, o casal que, ao que parece, está condenado sem saber… Enfim, uma ótima história. Apenas faço ressalvas à execução na parte gramatical. Há vários erros de concordância e de ortografia. Destaco, em especial a crônica falta de paralelismo verbal, com o passado se misturando ao presente em diversos períodos, o que, para mim, prejudicou um pouco a leitura. De todo modo, não dá para negar que o conto se destaca pelo interesse que desperta. Creio que com uma boa revisão poderá ficar ainda melhor. Parabéns ao autor!

    • Pedro Paulo
      18 de novembro de 2017

      Olá, Gustavo. Agradeço pelo comentário e fico feliz em ver o impacto que o conto teve em você, além de ter avaliado como boa a estrutura da história. Darei mais atenção à gramática quando for reescrever o conto!

  12. Leo Jardim
    31 de outubro de 2017

    # Se as paredes falassem (Tiago Arjolo)

    Autor(a), desculpe-me por não ter tempo para formatar o comentário melhor. Em caso de dúvida, é só perguntar.

    📜 Trama (⭐⭐⭐▫▫):

    – o conto se divide em dois: a primeira parte apresenta o personagem com bastante humor
    – a parte que ele entra no apartamento, o celular tocando, a tensão criada foi muito grande, una trabalho bem feito
    – depois que a maldição passa pra ele, a segunda parte, não ficou muito bom
    – as descrições de como ele se sentia sendo parede ficou, além de desnecessária, cansativa e repetitiva
    – para facilitar, sem precisar explicar muito, ele poderia ser só um fantasma preso ao apartamento, sem todos aqueles sentimentos e esquecimentos, ficaria até melhor sentir a raiva dele
    – essa parte também, para ter mais impacto, teria que ser bem menor e mais crua, cruel…
    – fiquei achando q a filha dele era a Ana Rafaela… Não sendo, ela sobrou na trama, não serviu pra nada

    📝 Técnica (⭐⭐⭐▫▫):

    – textos narrados no presente sempre me incomodam, parecem mais com roteiro
    – pior q no início está no presente e depois vai pro passado e pro mais-que-perfeito. Tente uniformizar o tempo verbal da narrativa, por exemplo nesse trecho: Foi assim que *acabara* (pretérito mais-que-perfeito) conversando com o síndico. Inclusive, o homem *fez* (pretérito perfeito) uma decisão (…) Davi nem percebe (presente) (todos os atos aconteceram no mesmo momento, devem estar no mesmo tempo verbal)
    – afora esse problema verbal que se repetiu por todo o texto, foi uma leitura ágil e prazerosa

    💡 Criatividade (⭐⭐▫):

    – tem sua dose de criatividade

    🎯 Tema (⭐⭐):

    – o terror está na cena que ele entra no apartamento

    🎭 Impacto (⭐⭐⭐▫▫):

    – ganha pontos pela primeira parte, mas perde pelo final e é justamente no fim a morada do impacto

    • Pedro Paulo
      18 de novembro de 2017

      Olá, Leo.

      Uns gostaram mais da segunda parte, outros da primeira. Um também me sugeriu que eu reescrevesse me atendo à realidade, sem recorrer ao sobrenatural. Você sugeriu que Davi fosse um fantasma e não um ser preso em uma parede. Mas Leo, caso eu quisesse contar uma história de fantasmas, teria escrito uma história de fantasmas. Não é o caso.

      A significação de Ana Rafaela é bem sucinta, algo que falhei em colocar mais evidentemente. Em primeiro lugar, ela aparece para demonstrar um pouco da perspectiva de Davi e de como ele reage às coisas, com toda a importância que ele dá às redes virtuais. No final, porém, eu quis deixar claro que o velho vinha conversando com ela, bem mais sucedido do que o próprio Davi tinha sido. E, no final, quando o velho fala com o celular em mãos, eu deveria ter deixado mais claro que, ao falar que “você não é o cara mais interessante que tem, mas em tudo dá-se um jeito”, ele quis dizer que estaria assumindo a vida virtual de Davi e, por extensão, as conversas com Ana Rafaela.

      Agradeço pelo comentário!

  13. mariasantino1
    28 de outubro de 2017

    Boa tarde!

    Então, autor (a), até a parte em que o Davi (nome do meu irmão ❤) entra no apartamento vizinho (sozinho) o conto tem ares cômicos na apresentação do personagem e seu universo. Os eventos são gradativos, a narrativa é ágil e o clima é instigador, porém. Porém… confesso que depois que houve o roubo de corpo as descrições tornaram-se repetitivas (faria isso, se paredês pudessem fazê -lo. Faria aqui ou aqueloutro…), a explicação do que o pai da menina fazia é rasa, rápida, não se equipara ao trato com a apresentação o conflito do conto. E as motivações do velho não soou convincente.
    Uma observação que, no seu lugar eu evitaria é que você menciona que Davi havia escutado musica vindo do apto. ao lado, e depois insere uma canção do Roberto Carlos no texto. Não acho bacana esses fios soltos, porque ficou parecendo que a música ruim mencionada era a do Roberto Carlos, e um artista que não respeita o trabalho do outro já se apresenta com pontos a menos (o personagem pode achar ruim, o autor, a meu ver, quanto mais neutro, melhor).
    Bem, se o conto houvesse acabado com o roubo do corpo do David, seria um bom conto de suspense, com doses de humor cativantes. Da forma que está o texto quebra o ritmo e tem repetições de descrições.
    Gostei do personagem, da apresentação da vida dele com as mensagens no Facebook , assim como do mistério que envolvia o roubo do tapete.

    É isso!

    Boa sorte.

    • Pedro Paulo
      18 de novembro de 2017

      Olá, Maria!

      A senhora me traz mais uma crítica às motivações do velho. Também disse que o conto teria finalizado melhor se tivesse acabado com Davi preso à parede. Bom, primeiro eu digo que a perspectiva da história é a de Davi, então tudo o que vemos e sabemos é o que ele vê. Arrependo-me de não ter escrito mais do monólogo do velho quando ele rouba o corpo do rapaz, mas, ao mesmo tempo, caso ele tivesse saído em silêncio, isto seria o que Davi teria visto. Além disso, a parte do casal dá concretude ao plano do velho, uma vez que é aí que conhecemos a filha dele e o vemos chegar no corpo roubado, “disfarçado” e capaz de fazer qualquer coisa com a menina.

      Sobre o que você falou sobre o Roberto Carlos, concordo com a necessidade de um respeito entre artistas. No entanto, não há um momento no conto em que eu falo por mim e, inclusive, quando há uma ponderação sobre a música de Roberto, é na voz do próprio Davi, que diz que não é música boa. Algo que você mesma reconheceu ser válido. Mesmo assim, aproveito para dizer que eu realmente não gosto de Roberto Carlos, embora não tenha dito isso no texto em nenhum momento.

  14. iolandinhapinheiro
    28 de outubro de 2017

    Olá, amigo.

    Parabéns pelo conto, ele, até chegar no ponto em que o segredo é desvendado, cria um clima de mistério dos melhores que vi neste desafio. A partir de quando ele sai do próprio corpo, eu só conseguia me lembrar daquele filme CHAVE MESTRA.

    Depois, infelizmente, o texto ficou bem confuso, e difícil de ler. Acho que a trama poderia perfeitamente ter terminado no momento em que Davi percebe o que aconteceu, exatamente como no filme. Para que esticar uma história que estava ótima e redonda? Acho que foi aí que vc errou. Não precisava mais de nada, estava super bom e vc foi mexer.

    Há alguns erros espalhados pelo conto mas deixo para os colegas. Para mim a fluidez, o suspense, a ideia, a escrita cativante importam muito mais.

    No fim fiquei meio dividida. Quando for dar as notas venho aqui e leio novamente.

    Abraços e boa sorte no desafio.

    Iolanda.

    • Pedro Paulo
      18 de novembro de 2017

      Olá, Iolanda. Eu abri um sorriso bem largo com o seu comentário, pois você acertou: eu me inspirei no filme “A Chave Mestra”. Assisti a ele quando pequeno e não realmente gostei da história, mas lembro de ter ficado com bastante raiva do final, com a menina perdendo o corpo. Então peguei esse elemento e trouxe para cá.

      Refuto, no entanto, o que você diz sobre “uma história boa e redonda” que eu fui mexer. O momento que segue com o casal chegando dá concretude ao que o velho fala antes. Caso ele só tivesse mencionado sobre a filha, a história acaberia com motivações fracas e só citadas. A chegada dela, seguida da visita do vizinho (que na verdade é ele), coloca para o leitor exatamente o que velho disse.

      O final fico muito em aberto, de fato. No entanto, devo dizer que não gosto de histórias “redondas”. Aquele conto deste desafio, em que o viúvo tem a chance de ter a esposa de volta e ela retorna como um verdadeiro pesadelo. Lembro que tudo que o autor citava ia voltando à trama na mesma tônica aterradora que voltou a esposa. Argumentei que a história ficou previsível e redonda demais.

      Agradeço pelo comentário!

      • iolandinhapinheiro
        18 de novembro de 2017

        Espero que vc participe de mais desafios e que invista seu talento em contos de terror. Escrevo terror há alguns anos e sei quando um autor consegue criar um bom clima de suspense. Vi isso em seu conto. Um abraço e que bom

      • iolandinhapinheiro
        18 de novembro de 2017

        Que bom que gostou do comentário, rs.

  15. Jorge Santos
    26 de outubro de 2017

    Olá.
    Achei o seu conto perturbador pela forma criativa como junta elementos actuais com um paranormal consistente. Só gostaria que o final fosse menos confuso. O destino do casal fica em aberto, mas temo o pior e fiquei a desejar ler a continuação, o que é sinal de uma boa narrativa.

    • Pedro Paulo
      18 de novembro de 2017

      É o que falei logo abaixo, não resisti à tentação de deixar uma brecha para uma história maior, em que veríamos os prosseguimentos dos planos do velho e as manifestações da existência titubeante de Davi. Mas faz certo em temer pelo pior. Agradeço pelo comentário!

  16. Vanessa Honorato
    26 de outubro de 2017

    Gostei demais! Achei um conto criativo, escrito de forma leve e que prende a leitura. Gostaria de ler mais, porque ficou na curiosidade o que aconteceria dali pra frente. Quem venceria a disputa, será que o rapaz consegue o corpo de volta? E também fiquei curiosa para saber o que esse padrasto fazia, será que mexia com magia negra? Muito bom mesmo.

    • Pedro Paulo
      18 de novembro de 2017

      Oi, Vanessa! Fico feliz que tenha gostado. Acredito que um dos problemas do conto foi não oferecer uma história definitiva, terminando com um aspecto de prólogo. Isto é um problema ocasionado pela minha falta de coragem de realmente encerrar a história. Com certeza eu poderia prosseguir com uma história bastante tenebrosa de Davi tentando se comunicar e o indivíduo que lhe roubou o corpo planejando seu ataque ao casal recém-chegado. Claro que o limite de palavras não permitiu e eu não resisti a deixar uma brechinha para isso.

      Agradeço pelo comentário!

  17. angst447
    25 de outubro de 2017

    T (tema) – O conto está dentro do tema proposto pelo desafio.

    E (estilo) – A narrativa feita no tempo Presente tenta aproximar o leitor da trama. A linguagem é coloquial, sem rebuscamentos desnecessários. No entanto, algumas descrições alongam-se demais e alguns detalhes citados ficam perdidos, sem função posterior no enredo.

    R (revisão) – Alguns erros passaram como os colegas já apontaram, mas em nada atrapalharam minha leitura.

    R (ritmo) – O ritmo em geral é bom, mantendo-se ágil do começo ao fim. O início prendeu mais minha atenção do que o desenrolar.

    O (óbvio ou não) – Tive de reler algumas passagens para entender melhor o que havia acontecido com o vizinho curioso. Achei a ideia de terror bem original, mas um tanto confusa em alguns pontos.

    R (restou) – Medo! De tudo, do velho, das paredes, do terremoto, do espelho, até do tapetinho…aff! Terror realizado com sucesso.

    Boa sorte!

    • Pedro Paulo
      18 de novembro de 2017

      shuahsuahsuahsauhsa, “terror realizado com sucesso” é uma das melhores coisas para ler em um desafio como esse. Agradeço pelo comentário!

  18. Luiz Henrique
    24 de outubro de 2017

    O enredo é confuso, embora como ideia seja muito boa, a princípio não se sabe onde está o terror, prejudicando a leitura. Mas a trama é bem urdida. É uma forma diferente de forjar a história. Nova. Mas talvez se contada de outra forma rendesse melhor resultado, do jeito em que foi contada complicou um pouco, mas de certa forma um bom conto.

    • Pedro Paulo
      18 de novembro de 2017

      Olá, Luiz. Infelizmente, não tem como saber no seu comentário o que te confundiu. O terror deveria ter sido sentido, mas como não aconteceu, não há muito o que argumentar, a história afeta a todos diferentemente. Ao menos, vejo que achou a trama interessante. Mais uma vez, porém, sugere que eu reescreva de outra forma e não diz como ou que está na errado na maneira que usei.

      Agradeço pelo comentário!

  19. Evandro Furtado
    24 de outubro de 2017

    Eu gostei bastante da primeira parte do texto. Achei realmente atormentadora. Consegui ouvir o rádio ecoando Roberto Carlos e deu um arrepio por aqui. Achei o personagem bem desenvolvido, e a história foi cadenciada de um modo interessante pra causar desconforto. Quando há a mudança, no entanto, acho que perde força. O terror desaparece. Toma lugar uma fantasia etérea sem muito senso de unidade ou sentido. E isso caminha até um desfecho inofensivo e sem sal.

    • Pedro Paulo
      18 de novembro de 2017

      A história afetou diferentemente as pessoas, então não sei se posso argumentar contra o que você achou do desfecho. Posso dizer que, no mínimo, não dá para debater muito com o fato de você ter o achado sem sal.

      Você também falou da falta de sentido do que ocorreu a Davi e sobre isso eu argumento para dizer que a história foi escrita na perspectiva do rapaz, conosco sabendo apenas o que ele sabe. Infelizmente para ele, tudo o que sabe é que ele jaz impotente, transformado em uma parede.

      Agradeço pelo comentário!

  20. Rose Hahn
    23 de outubro de 2017

    Tiago, eu tinha um tapete igualzinho ao da foto, juro, até a cor era a mesma, mas não foi mamãe que me deu, ela tinha bom gosto. Buenas, o seu enredo é muito bom, achei bastante criativo a ideia do apartamento assombrado, fugiu dos clichês das histórias de terror em apês (terror mesmo é a conta do condomínio, rsrs). Ocorre que, como já dito pelos colegas, a forma como foi contado trouxe confusão e entraves à leitura. A questão do sumiço do celular, por exemplo, não entendi como o celular de Davi sumiu, pois ele não havia, até então, entrado no apto. do vizinho. Em “Mas o verdadeiro problema desse novo vizinho foi quando ele começou a mover o tapete de “Bem-vindo” da sua porta para a dele. Na primeira vez não pensou que fosse nada e devolveu a peça aonde deveria estar”. Quem pensou que fosse nada e devolveu a peça? Se foi o vizinho, Davi estaria pensando por ele? Entendes? Algumas palavras devem ser corrigidas dentro do contexto e da norma gramatical: “o homem fez uma decisão”, decisão se toma e não se faz. “sempre mais interessado no que o caso tiraria nas redes sociais”, ficaria mais claro no que o caso repercutiria nas redes sociais. “muito homem ele pra escrever bilhete”, não entendi essa construção.”é o primeiro dia de mudados”, é o primeiro dia da mudança. A questão da alma de Davi emparedada deu nó na minha cabeça, veja essa frase: “Só Davi vê e, nesse momento, mesmo que não saiba, é algo que percebe enquanto Davi, pois age por através da raiva que só Davi poderia ter”. Citei algumas situações para ajudá-lo a entender como isso afeta a fluidez e entendimento da leitura. A criatividade é algo singular, e pelo visto vc. já está bem familiarizado com esse processo, uns ajustes gramaticais aqui, umas técnicas acolá, e estarás pronto para alçar voos maiores. Abçs.

    • Pedro Paulo
      18 de novembro de 2017

      Oi, Rose. Estou bem ciente dos problemas de escrita e da necessidade de reescrever este conto. Fico feliz que a trama tenha te surpreendido em algum grau.

      Explicando a dúvida que você apontou no comentário: “muito homem ele pra escrever bilhete”. Uma vírgula após o “ele” faria ficar mais fácil de entender, mas eu quis escrever tal como havia sido escrito no Facebook, sem vírgula mesmo.

      Agradeço pelo comentário!

  21. Evelyn Postali
    22 de outubro de 2017

    Caro(a) Autor(a),
    Está dentro do tema, com toda a certeza. Espíritos e possessões estão sempre dentro do tema. E não é uma história, de uma maneira geral, muito comum. Esse é um ponto positivo. Mas precisa de uma boa reescrita. Uma revisão. Travei em alguns parágrafos, ou pela construção, ou por erros que encontrei. Isso incomoda. Perturba. Então, boa sorte no desafio.

    • Pedro Paulo
      18 de novembro de 2017

      Oi, Evelyn! Espero que o conto tenha perturbado não só com a escrita ruim, mas com a trama, também. Será reescrito. Obrigado!

  22. Anorkinda Neide
    22 de outubro de 2017

    Olá!
    Um conto que começou prometendo, muito bem conduzido, mas se perdeu pelo caminho… 😦
    Acho que você precisa de mais tempo pra fechar melhor a ideia dos fatos sobrenaturais, a conclusão ficou meia-boca. Mas o suspense do início foi indo muito bem… (eu tb tenho esse problema, vou largando o mistério e quando tenho q resolvê-lo, não sei o que fazer, geralmente deixo em aberto…kkk)
    Uma dica, pegue o gancho das mensagens no celular e use-as no final, traga as personagens.. a menina por quem ele era apaixonado, faça ela aparecer, procurar por ele,talvez. Eu ao ler, imaginei q ela fosse a moça q se mudou para o apartamento, a filha do velho bruxo.. é uma ideia…
    Vc tá no caminho certo, falta apenas direcionar melhor.
    Abração e boa sorte

    • Pedro Paulo
      18 de novembro de 2017

      Olá!

      Então, eu não sei se você comentou em crítica à pouca explicação que se dá para o velho, mas eu ressalto que o conto é escrito sob a perspectiva de Davi, a vítima. Sabemos só o que ele sabe e o foco da história é ver o quanto ele sofre na situação de uma parede, não entender como ele foi parar ali. Quanto à Ana Rafaela, eu vou aproveitar aqui para dizer que deveria ter dado mais luz ao significado dela na história. Ela aparece logo antes de Davi perder o corpo e a intenção foi mostrar que o velho vinha conversando com ela pelo celular, o longo “KKK” dela indicando que ele tinha conseguido conduzir uma conversa bem melhor com a menina, mais do que o próprio Davi. Então, quando o velho fala do celular antes de sair, é indicando que se sairia bem melhor com a garota do que o rapaz. Era para eu ter deixado isso mais claro.

      Agradeço o comentário!

  23. Pedro Teixeira
    22 de outubro de 2017

    O enredo é sensacional, talvez seja um dos melhores do desafio. A escrita tem alguns momentos bons, outros nem tanto. Acho que faltou trabalhar mais o perfil psicológico dos personagens e os diálogos.
    É o tipo de ideia que rende pano pra manga, e que pode e deve ser retomada numa narrativa maior, com ajustes — a motivação da coisa que habitava o corpo não fez muito sentido pra mim, pois cuidar da moça seria algo bem mais fácil de fazer no plano espiritual. A conclusão acabou ficando muito em aberto, como se o texto fosse o capítulo de uma obra maior.
    No final das contas, é um conto interessante, especialmente a partir de sua segunda metade.

    • Pedro Paulo
      18 de novembro de 2017

      Oi, Pedro. É importante lembrar que embora a personagem tenha falado sobre “ficar de olho” e “tomar conta”, isto foi logo depois de roubar o corpo de uma pessoa inocente e prendê-la à impotência de uma parede. Claramente, o velho não tem interesse em se certificar que a filha está bem. Na pele de Davi, ele está disfarçado e pode fazer o que quiser, sem ela se preparar para a sua chegada.

      Sim, sim, o final é bem aberto e dá um aspeto de prólogo ao conto, algo que, quando eu for reescrever, será revisto. Até porque não há limites de palavras para a reescrita.

  24. Lolita
    19 de outubro de 2017

    A história – Tornar-se uma consciência perdida em cimento. A ideia mais apavorante desse desafio.

    A escrita – Sim, amigo, a escrita está confusa. Inicialmente eu pensei que fosse estilo, a tentativa de emular um jovem falando. Depois percebi que, realmente, eram problemas. No entanto, a ideia é excelente e o texto possui uma força muito interessante. Gramática se aprende, essa luz que o teu conto traz não se consegue em qualquer esquina ou leitura de manual.

    A impressão – Um texto assustador, que merece uma revisão. Parabéns e boa sorte no desafio.

  25. werneck2017
    17 de outubro de 2017

    Olá,

    Um texto com uma boa ideia e que vai bem até certo ponto. Eu concordo com o colega que falou: se ele queria tomar conta da filha, ele conseguiria fazer isso muito melhor do plano espiritual do que do plano físico no corpo de um jovem que nem financeiramente independente aparenta ser. Além do que, dentro das paredes do apartamento renderia muitas cenas interessantes. A partir de quando o corpo de Davi é sequestrado, há uma urgência para o desfecho, alterando o ritmo de leitura.

    Quanto à estrutura, o texto é fluido no começo, seguindo numa leitura fluente, mas depois se torna confuso e, como sugestão, aconselho a reescritura, inclusive para rever certas construções frasais e erros de gramática.

    Boa sorte no desafio!

    • Pedro Paulo
      18 de novembro de 2017

      É o terceiro comentário que questiona o plano do velho e então eu o defendo mais uma vez. A personagem se diverte enquanto aprisiona Davi em uma parede e rouba o corpo do rapaz. Acredito que essas circunstâncias funcionem para deixar claro que “ficar de olho” e “tomar conta” não são impulsos paternais do protagonista. Na pele de Davi, ele poderia interagir com a filha como se estivesse “disfarçado”. Ela nunca saberia o que a atingiu. No entanto, o conto vai ser reescrito, com uma atenção melhor ao ritmo e á gramática. Agradeço!

  26. Lucas Maziero
    16 de outubro de 2017

    O conto está mal escrito, e o estilo (maneira de expressar os pensamentos) está um tanto confuso. Esse descuido com o texto causa um dissabor, fica-se a pensar se foi escrito de qualquer jeito, ou se se trata de um descuido não intencional. Porém, do outro lado da moeda, temos a ideia, não que seja original, pois almas presas num recinto, corpo que é tomado por outra alma, já foram vistos em filmes, livros… Não senti grande emoção ao ler, MAS (é um grande mas) não desgostei da história.

    Entendi que o velho comprou o apartamento para a afilhada e que, após morrer, de alguma forma, manteve-se aprisionado no lugar ou por vontade própria ou por algum fato não explicado. E sabe-se lá como, já em alma, adquire um poder sobrenatural de aprisionar qualquer alma de sua escolha no mesmo apartamento (o que para mim é um ponto fraco). Mais valeria permanecer ali, uma vez que a afilhada herdou o apartamento e ali foi morar com o marido. Assim, o velho poderia observar melhor a filha, como ele mesmo disse. Ao contrário, tomou o corpo de um jovem, e, seja por maldade, seja por reação da própria troca, o jovem vizinho ficou aprisionado no apartamento. Consequentemente esse jovem poderia também roubar o corpo de outra pessoa, ou reaver o seu, e é o que se entende pelas palavras finais: E Davi ainda está ali. Por enquanto.

    Creio que a intenção foi criar uma situação angustiante e terrífica: alma separada do corpo e aprisionada no apartamento, enquanto outro possui o corpo; realmente é uma situação pavorosa, porém o desenvolvimento dessa ideia não me agradou, devido àquelas falhas de nexo (como a alma do velho tinha esse poder?; por que o velho não permaneceu no apartamento?).

    Outro detalhe: o fato de postar fotos nas redes sociais não teve peso na história, pois não refletiu em nada nos demais acontecimentos. E afinal, por que o velho, já no corpo do jovem, removeu uma lâmpada? Não entendi.

    Apesar de tudo, me deixei levar pela história.

    Parabéns!

    • Pedro Paulo
      18 de novembro de 2017

      Seu comentário vem com algumas colocações e algumas perguntas, acusando faltas no texto. Refletindo a respeito, acho que posso defender o conto. Em primeiro lugar, o velho ainda não tinha “morrido” quando este conto iniciou. É mencionado que ele ficava no apartamento vizinho, ouvindo música e murmurando coisas que Davi nunca entendia (e o rapaz nunca tinha o visto, também). Claro, isso poderia ser uma manifestação sobrenatural de sua presença no apartamento, mas depois o corpo é trazido e ele menciona que poderia ter colocado o rapaz ali, mas preferiu evitar o trabalho.

      Você disse que seria mais proveitoso que o velho ficasse no apartamento, pois poderia observar a filha melhor. Ele menciona sobre “ficar de olho” nela e depois sobre “tomar conta”. Isto depois de sorrir maliciosamente enquanto aprisiona a alma de uma pessoa inocente a uma parede. Acredito que as circunstâncias do ocorrido adicionam mais sentidos ao que ele quis dizer com “tomar conta” da filha. Acho que está claro que não são intenções paternais que o dirigem. Então observá-la não é o seu único objetivo e, dentro do corpo do rapaz, ele poderia interagir com ela enquanto “disfarçado” como um universitário inocente. Ela não teria tempo de se defender caso ele fizesse qualquer coisa.

      Você também ponderou que falta nexo ao poder do velho. Bom, a história segue a perspectiva de Davi, a vítima da situação. Tudo que o leitor acompanha é o mesmo que ele enxerga. Portanto, não dediquei momentos a realmente explicar o que o velho fez e como ele fez, deixando bem mais espaço para como Davi sofre com a sua nova situação. Acho que trabalhar mais em explicar as origens do poder do velho não contribui para a história que quero contar aqui.

      Argumento também para defender os trechos que demonstram o vínculo de Davi com as redes sociais. Não são elementos que realmente impulsionam a história para frente, mas é por meio deles que: o leitor fica sabendo da situação do tapete; é mostrada a importância que ele dá às redes e a sua consequente alienação; e a solidão da personagem, que vê-se desamparado e sustentado por “reações” no facebook, enquanto corre perigo de verdade. Os trechos servem para consolidar a personagem de Davi, ao mesmo tempo em que algumas informações úteis são colocadas.

      A lâmpada foi tirada porque quando Davi e o síndico visitaram horas antes, não havia nada no apartamento, nem mesmo lâmpadas.

  27. Luis Guilherme
    16 de outubro de 2017

    Boa tarde, amigo!! Ce ta bao??

    Como tenho dito, esse desafio me agrada particularmente, ja que adoro o genero. Por isso, tenho lido com bastante expectativa. Dito isto, vamos ao seu conto:

    Olha, seu conto tem dois momentos opostos, pra mim. Eu tava gostando MUITO ate a parte q ele acorda “flutuando” e sem saber oq aconteceu.

    Ate ali, o conto tava incrível, serio! Depois, nao gostei muito do rumo que tomou, achei que perdeu a força. É como se fossem duas historias diferentes pra mim. Uma pena, acho que se seguisse naquela pegada, seria um conto grandioso.

    Ainda assim, eh bom. Eh criativo e interessante.

    A escrita em alguns momentos eh un pouco confusa, especialmente no final, eh como se o autor tivesse cansado ou perdido o fôlego, nao sei.

    Enfim, acho que eh isso: o conto coneço muito bom, interessante, misterioso, com uma dose excelente de suspense, mas pra mim decai drasticamente no ponto que citei, perdendo a força e perdendo o suspense que era a alma do enredo.

    Bom conto! parabens e boa sorte!

    • Luis Guilherme
      16 de outubro de 2017

      Voltei pra ressaltar um ponto: a primeira parte (é, ainda to pensando nela), dentre as que coloquei, tá mto boa.. e queria sugerir algo: se vc pegasse e seguisse naquela pegada de suspense, sem entrar no sobrenatural, mais na questão da sensação angustiante de ser observado e provocado, acho que poderia ter otimos frutos.

      Veja bem: quem sou eu pra dizer oq vc deve fazer do seu texto? Oq to dizendo é só uma sugestão, e você já teria um leitor, caso deseje segui-la.

    • Pedro Paulo
      18 de novembro de 2017

      Opa, Luís. O seu comentário é um dos que demonstra como as leituras dessa história deram reações diferentes. Muita gente não gostou do começo, achando que a reviravolta da parede deu um novo fôlego ao conto. Sobre o que você falou, devo dizer que enquanto escrevia fiquei tentado a continuar com uma história de invasão domiciliar, atendo à realidade. No entanto, quando imaginei essa história, a primeira grande dúvida foi sobre o que é que haveria no apartamento vizinho e penei um pouco para chegar a ideia que escrevi. Prossegui com ela e não em arrependo, mesmo com as críticas. Fico feliz que tenha gostado e que o mistério tenha entretido. Agradecido!

  28. Edinaldo Garcia
    16 de outubro de 2017

    Escrita: Para mim é um dos melhore enredos que li até agora no desafio. Só achei o final um pouco cansativo depois que o protagonista perde o corpo, mas entendo que o ritmo lento foi para dar carga dramática à situação, e você conseguiu. Oh, se conseguiu! Gostei bastante do início, do mistério, da ambientação, da sequencia de cenas construindo o terror aos poucos até o clímax. Você é realmente um excelente contador de estórias.

    Terror: Muito bem construído.

    Nível de interesse durante a leitura: Depois que ele perde o corpo eu senti que a leitura ficou cansativa, mas sei que esse problema é meu e não do seu enredo.

    Língua Portuguesa: Ortografia e uma parte da gramática. Percebo que muitos colegas escritores aqui não fazem diferença de um e outro e apontam erros ortográficos como sendo erros gramaticais, não que esteja errado, mas acho muito pesado apontar erros de digitação como erros de gramática. Pra mim você mandou mal nos dois. Conjugação verbal, concordância verbal e nominal, uso de pronomes, palavras repetidas em excesso causando cansaço à leitura, Eu sei que é muita coisa, mas a vida é isso mesmo, aprendendo aos poucos e sempre caminhando. Ora, o seu enredo é sensacional, não seria justo perdermos um grande escritor só porque ele não quer estudar língua e linguagem literária, afinal essa é sua ferramenta de trabalho como o corpo está para as modelos, o preparo físico para um atleta enfim…

    Veredito: Grande enredo, mas infelizmente a linguagem deixou a desejar. Imagine um filme incrivelmente bom gravado com câmeras de baixo custo.

    • Pedro Paulo
      18 de novembro de 2017

      Olá, Edinaldo! Agradeço o comentário e fico feliz que a história tenha te impactado. Tratarei de reescrever o texto com uma atenção especial à gramática e à ortografia. Surpreendi-me com os erros bobos que cometi e não tenho vergonha de voltar aos estudos da gramática, pois é evidente que estou precisando dar uma revisada.

  29. Fheluany Nogueira
    14 de outubro de 2017

    Enredo e criatividade – Suspense, tensão e uma trama bastante original. O tapete e o celular são usados como chamariz para que uma alma maléfica tomasse o corpo do rapaz e prendesse a dela na parede. Ótima e assustadora ideia.

    Escrita e revisão – muitos e variados problemas: uso dos tempos e modos verbais, dos pronomes, concordância, mas uma boa revisão dará conta de tudo.

    Terror e emoção – o impacto ficou meio comprometido com as repetições e o final cíclico (a história recomeçaria com o rapaz tentando tomar o corpo de outrem). Alguns trechos também estão confusos, dá para se perder o fio da meada entre corpos e almas. A resposta no bilhete foi um bom recurso de continuidade.

    Parabéns. Abraços.

    • Pedro Paulo
      18 de novembro de 2017

      As associações que você faz nesta análise estruturam se mostram bem de acordo com o que quis mostrar, enquanto você também aponta os problemas do conto. Obrigado!

  30. Ana Maria Monteiro
    12 de outubro de 2017

    Olá, Tiago. Bem, quanta pancada tem levado por conta da gramática e da escrita. Nem tenho coragem para falar mais disso. Por esta altura, você já percebeu que vai ter de rever isso. O seu conto tem um ponto de vista muito original e está muito bem narrado. Adequa-se perfeitamente ao tema do desafio e revela imaginação autoral e muita capacidade para desenvolver. Está tudo bem, a história funciona, tem um toque de ironia cínica sobre toda a nossa vida cibernáutica. Faltou um pouco mais de densidade no velho, isso sim. Imagine-se, daqui a muitos anos, a contar esta história aos seus netos no halloween: o que você vai acrescentar? mais carga sobre o velho, não é? ele precisa ser mais real. Você é um contador de histórias, que é precisamente o que eu penso que um escritor deve ser. Escrever muito bem não é suficiente, pode até resultar em coisas muitos aborrecidas de ler. Mas saber contar também não é suficiente, há que passar as palavras para o papel de maneira a que resultem bem na leitura. Esta parte treina-se, aprende-se e apreende-se, a primeira não. A primeira ou se tem ou não se tem e você tem.
    Parabéns e boa sorte no desafio.

    • Pedro Paulo
      18 de novembro de 2017

      Olá, Ana. Agradeço pelo comentário positivo e por ter me poupado em apontar os erros gramaticais e da escrita, ainda que os reconhecendo. Sobre o velho, digo que é importante levar em conta que a história é limitada na perspectiva de Davi e que tudo que o rapaz viu do velho foi o que apareceu na história. Sabemos pouco sobre o antagonista, é verdade, mas é o mesmo que Davi sabe. Ainda assim, agora penso que poderia ter aproveitado aquele monólogo para dar mais consistência às ações e intenções do velho. Quando ele fala do celular, por exemplo, eu queria ter dado a ideia de que ele vai realmente roubar a vida de Davi.

  31. Antonio Stegues Batista
    12 de outubro de 2017

    ENREDO: Rapaz ouve barulhos no apartamento vizinho que está vazio e descobre que é ele mesmo, no futuro, em outra dimensão, não consegui ficar sabendo. A ideia é boa, mas o desenvolvimento da história é confusa.

    PERSONAGENS: fracos, com pouca descrição e conteúdo de personalidade.

    ESCRITA: O texto tem descrições muito longas e inúteis, parece que foram colocadas apenas para atingir o limite de palavras. A maioria das frases são ruins e tem problemas. Você escolheu mal a palavras para compô-las Existem dezenas de palavras para formar uma frase com o mesmo sentido e você escolheu as piores. Por exemplo; ” Ouve os passos do síndico virem acompanhados de pragas meio ditas. Não existe meio ditas, a não ser palavões, ou palavras pela metade, o que não faz sentido. ” Ouve os passos do síndico se aproximando e murmurando pragas…” É uma maneira de dizer a mesma coisa com mais clareza e lógica.

    TERROR: Devido ao excesso de descrições e confusão nas cenas, não deu para sentir. A história é boa, só precisa de uma boa lapidação. Boa sorte e não desanime. Paciência e trabalho (escrever) é o que eu recomendo. Boa sorte.

    • Pedro Paulo
      18 de novembro de 2017

      Olá, Antônio. Um dos comentários mais recentes teve uma resposta imediata minha, com a justificativa que eu tinha ficado incomodado. Na verdade, desde o começo este foi o comentário mais incômodo que li.

      Fica difícil crer que você tenha achado a ideia ou a história boa quando não entendeu praticamente nada do que aconteceu. Não foi o único a ficar confuso, mas certamente foi o único a desentender a história completamente. Não há sentido em explicá-la aqui e desacredito que eu tenha feito pensar que a narrativa é sobre “encontrar a si mesmo do futuro”. Portanto, recomendo a releitura.

      A frase que você tomou como exemplo é uma que posso defender. Não sei se alguém poderia me dizer que o termo “meio dito” realmente é algo impossível na língua portuguesa, embora possa citar alguns exemplos em que veja o termo como apropriado. No caso deste conto, as pragas “meio ditas” são colocadas dessa maneira porque seriam da mesma forma que um adulto xingaria na presença de uma criança, cortando as palavras ou as prolongando em outras que não realmente pretendia dizer. O síndico quer xingar o rapaz, mas não pode porque ainda tem que manter a educação, então se interrompe antes que complete os xingamentos. Apesar de que a frase que você sugeriu funcione da mesma maneira.

      No final, pediu que eu não desanimasse. Não desanimei.

  32. Paula Giannini
    10 de outubro de 2017

    Olá, Autor(a),

    Tudo bem?

    Escrevi um comentário imenso e, na hora de publicar, deu erro. Vamos ver se consigo retomar.

    Seu conto prova aquilo que dizem os grandes mestres de nosso ofício de contar histórias. Escrever correto se aprende, é só estudar, se dedicar, contratar um bom revisor, sei lá. Mas se aprende. Porém, escrever uma boa história, é para poucos. Isso é dom. E você é uma ótimo contador de histórias.

    Uma vez assisti, em uma viagem ao Ceará, um espetáculo de teatro chamado “A Casa”. Na peça, a casa era um personagem vivo e assistia a vida de seus habitantes. A casa via as crianças crescerem, virarem velhos, morrer, as brigas, os amores, as heranças, o abandono, enfim. Em contraponto o casarão sofria, acompanhando os rumos daquelas vidas.

    Seu conto me remeteu ao espetáculo, do qual gostei muito. Tanto é que lembro dele até hoje, mais de 10 anos depois.

    Em seu texto, o que assombra é igualmente a casa (o apartamento). É interessante notar que o que assombra o rapaz até se mostra como um velho mas, o verdadeiro foco é o espírito capaz de “possuir” aquelas paredes. Desse modo, o terrível velho (ou no caso, depois, o rapaz) se tornaria onipresente, vigiando a moça 24 horas por dia, de todos os ângulos e de qualquer lugar dentro de sua própria casa, no entanto ele opta por trocar de lugar e aprisionar o rapaz nas paredes. Assim, além de vigiar, ele poderá interagir com a moça. Puro terror.

    Parabéns.

    Desejo-lhe sorte no desafio.

    Beijos
    Paula Giannini

    • Pedro Paulo
      18 de novembro de 2017

      Obrigado pelo incentivo, Paula! No desenrolar do desafio, já ciente dos problemas técnicos do conto, o seu comentário me deu uma força muito bem vinda. Eu fiquei bastante triste ao perceber os erros bobos e como eles prejudicaram as leituras. Mas, ao mesmo tempo, foi muito bom ver em comentários como este (porque houve outros que também elogiaram a história) que a história surpreendeu a maioria e teve o seu impacto. De novo, obrigado!

      • Paula Giannini
        18 de novembro de 2017

        Isso mesmo, Pedro. O que vale é a história. 😉 Sempre!

  33. Regina Ruth Rincon Caires
    10 de outubro de 2017

    Leitura complexa, colocações ambíguas geram uma confusão de ideias. Seria interessante fazer uma revisão criteriosa, bem detalhada, o texto ganharia mais fluência. O enredo é muito interessante, o texto merece ser aprimorado. Tem uma construção inteligente. A leitura é tensa, assustadora. Acho que é um conto que realmente trata de terror. Gostei muito da trama.
    Parabéns, Tiago Arjolo!!!!!!!!!!!!

    • Pedro Paulo
      18 de novembro de 2017

      Olá, Ruth. Recebi diversas críticas e me felicita muito quando me falam que o conto causou o medo esperado, por mais que seja estranho ficar feliz em cima do medo dos outros. O conto será reescrito. Obrigado!

  34. Rafael Soler
    10 de outubro de 2017

    Caro, escritor(a), gostei muito do seu conto! A trama me pareceu clichê no início, mas tomou rumos inesperados que me surpreenderam demais.Achei excelente o conceito do protagonista ficar preso ao apartamento e tudo o mais.

    Mas o material parece muito cru. Se puder reescrevê-lo, tomando cuidado com a gramática e melhorando um pouco a estrutura, tenho certeza que a obra ganhará muito valor.

    Excelente trama, mas a execução pode ser melhorada.

    😀

    • Pedro Paulo
      18 de novembro de 2017

      Olá, Rafael. Fico feliz que tenha gostado da história. Não é o primeiro a recomendar que reescreva e com certeza será feito. Eu mesmo reli com um novo olhar e percebi os problemas.

  35. Nelson Freiria
    10 de outubro de 2017

    Tenho que dizer, já tive um tapete igualzinho esse da foto, até a cor era a mesma. Mas ele é tão feio que vizinho algum ousou roubar.

    Essa coisa de prédio assombrado sempre me lembra algum filme japonês. Mas enfim, o conto é bem interessante, consegue provocar vários momentos de tensão. Achei legal a figura do velho e suas ações, mas se a intenção dele era tomar conta da filha, a impressão que tive era de que ele conseguiria fazer isso muito melhor do plano espiritual do que do plano físico no corpo de um jovem que nem financeiramente independente aparenta ser. Mas isso é só uma especulação, pois não fica exatamente claro de como funcionam os elementos sobrenaturais da trama.

    Quando Davi fica separado de seu corpo, o conto ganha novo fôlego, talvez aí desse para explorar um pouco mais algumas imagens de terror.

    O(A) autor(a) tem uma linguagem bem próxima da fala, ou seja, erros que representam nossa comunicação desleixada, mas que se faz entender. Só não sei se foi proposital. O ritmo do texto é bom, li tão rapidamente que fez parecer que o conto tinha menos de 2 mil palavras. Mas algumas coisas soaram repetitivas, outras poderiam ser ditas de outra maneira, o sindico poderia ser um pouco menos debochado… isso faria o texto ficar redondinho.

    • Pedro Paulo
      18 de novembro de 2017

      Oi, Nelson. Lembro que uma outra pessoa também comentou sobre o plano do velho e então percebo que talvez eu tenha falhado (e feito ficar enfadonho) em descrever a impotência de Davi enquanto aprisionado em uma parede. Não é uma posição na qual se pode intervir e o que o velho fez foi se situar de modo que pudesse interagir com a afilhada, ao mesmo tempo em que estaria “disfarçado” sob o rosto de um jovem inocente. Não sei se a maioria percebeu, mas lembro de ter lido alguns que mencionam esse plano maléfico. O síndico não serve ao riso, tendo sido colocado para dar uma amostra do tratamento que Davi tem e da própria perspectiva do rapaz em relação a isto, que é a de alguém relapso, sem firmeza. Como no caso do plano do velho, também teve quem compreendeu isto e quem achou isso um mau começo para a história.

      Agradeço o comentário!

  36. Andre Brizola
    9 de outubro de 2017

    Salve, Tiago!

    Cara, se você me permite uma comparação meio estapafúrdia, vou comparar seu conto a um diamante não lapidado. Trata-se de algo com muito valor em seu estado bruto, mas que se for “tratado” vai virar algo único. Você já viu nos outros comentários que uma revisão faria bem ao texto. Mas, pra mim, o mais importante é que ele tem um potencial gigante. É um dos melhores enredos até o momento, tem uma ambiência artificial muito legal (que acaba tornando-se personagem, inclusive), e todos aqueles clichês bem vindos em uma história de terror (pois, afinal, é do que se trata o desafio). Mas, talvez ele sofra neste desafio pelo fato de estar nesse estado pré-lapidação.
    Não sei qual foi a sua intenção original, mas eu imaginava o desenrolar em três atos, sendo o primeiro a descoberta, o segundo o confronto/derrota, e o terceiro uma consolidação da situação (com Davi talvez tornando-se uma própria entidade maligna), ou um confronto final, onde a vingança seria o ápice. Do jeito que ficou eu acabei sentindo falta de um desfecho mais grandioso. Mas, reafirmo, o enredo é muito legal e a opção por esse final é compreensível.

    É isso! Boa sorte no desafio!

    • Pedro Paulo
      18 de novembro de 2017

      Agradeço pelo comentário, cara! Já não é novidade para mim que tenho que reescrever o conto e admito que o concluí sem a coragem de realmente terminá-lo, finalizando-o com um “quase confronto” que não põe um fim de verdade na história. Eu tinha pensado em um final no qual Davi conseguiria emboscar o velho (que está no corpo dele), mas não coube no limite de palavras, algo que, quando eu for reescrever, não será um problema.

  37. Paulo Luís
    9 de outubro de 2017

    É um conto peculiar, visto que um ser transforma-se em matéria, o que leva a certa confusão de ideias. Em alguns momentos, não se sabe se o apartamento é o terror, ou se o terror é que está dentro do Davi. E com a chegada do novo visitante a coisa passa por certa exacerbação de ideias para a conclusão do enredo, no meu entender mal elaborado. Algumas construções de frases ajudaram a prejudicar o texto. Precisando de uma boa revisão. A ideia do tema é muito boa, se melhor trabalhado tornar-se-á um grande conto.

    • Pedro Paulo
      18 de novembro de 2017

      Não acredito que o conto seja peculiar pelo que ocorre no enredo… seria peculiar se trouxesse aspectos de crônica, ou a aparência de ser um capítulo de alguma coisa, por exemplo.

      No entanto, reconheço que justamente pelo que ocorre na história, minha escrita não serviu e confundi mais de um leitor em trechos que tentei colocar a natureza abstrata da existência de Davi.

      No seu entender, o enredo está mal elaborado, mas eu discordo. O conto inicia com Davi no meio de uma situação e se desenrola com ele aterrorizado e ficando cada vez mais sem saída, até ter que confrontar o que o aflige, resultando em seu confinamento na parede. O que vem depois é uma parte da história que dá concretude ao que o velho falou, de ter que cuidar da filha e tudo mais. O final não convence como final, reconheço, mas a história ainda progride do início, meio e fim.

      Agradeço pelo comentário!

  38. Eduardo Selga
    9 de outubro de 2017

    O uso de um espaço ficcional tipicamente urbano, o apartamento, para desenvolver um conto de terror, apresenta alguma originalidade, na medida em que sabemos o quanto é comum espaços mais clichês como cemitério, casas mal assombradas, floresta e espaços ocupados pela noite. O problema, acredito, é que o espaço ficcional no conto não foi agraciado com uma ambientação, de modo que sabemos que os espaços principais são dois apartamentos porque a narração nos diz, porém falta-lhes, por assim dizer, concretude.

    Não seria uma nódoa se o narrador claramente indicasse ao leitor que outros elementos da narrativa são o ponto central da narrativa, como personagem. No entanto, isso não ocorre e, como se trata de uma apartamento mal assombrado, a ambientação do espaço se torna fundamental.

    O protagonista tem alguma consistência, embora me pareça que sua reação diante da morte prematura tenha sido natural demais para um jovem. O velho, ao contrário, é excessivamente tênue em sua construção enquanto personagem, falta-lhe substância. Talvez tivesse sido mais produtivo reduzir o espaço do síndico e aproveitar o espaço aberto para melhorar o perfil do velho.

    Outro ponto delicado é a escolha temporal. Ao elaborar-se uma narrativa toda no presente é preciso ter em conta que os verbos nesse tempo, quando em quantidade, podem soar arrogantes na recepção textual. É como se não tivessem na verdade no tempo presente e sim no modo imperativo. Além disso, o presente, quando a narração não é feita pelo próprio personagem, não causa a mesma sensação de credibilidade de uma narrativa feita no pretérito, ainda que o narrador não seja o personagem. Aquilo que já aconteceu carrega consigo certa aura de confiabilidade exatamente porque já aconteceu. A ação que acontece (presente) pode soar, na recepção textual, como incompleta.

    O presente, contudo, pode ser muito útil na provocação do efeito de suspense. No conto, porém, esse efeito não se deu, na medida em que as cenas são frágeis do ponto de vista dramático.

    Há sérios problemas de escolha vocabular, fazendo com que algumas construções frasais fiquem enjambradas. Por exemplo, em “[…] E agora eu saí pra ir comprar umas coisas e voltei pra não encontrar o meu celular”, parece que o objetivo do personagem ao retornar é descobrir que seu aparelho telefônico sumiu, quando na verdade o retorno apenas constata o desaparecimento. Noutras, palavras, o segundo PRA foi uma má escolha.

    Outro exemplo é “[…] o homem fez uma decisão […]”: decisão não se FAZ e sim se TOMA.

    Há muitos outros casos assim.

    • Pedro Paulo
      18 de novembro de 2017

      shausahusahusahushaush, seu comentário desaprova mais do que eu lembrava.

      Concordo com o ponto da ambientação. Será algo a ser levado em conta quando eu for reescrever o conto. Sua crítica em relação ao tempo dos verbos é mais consistente do que outra que li abaixo, do Fábio, pois explica qual é exatamente o problema em que essa escolha resulta. Reescreverei no passado justamente para ver se realmente haverá uma grande mudança.

      Também gostaria de saber o que exatamente no drama que é “frágil”. O texto teve impactos diferentes nos leitores, mas a maioria gostou da história, mesmo com os seus problemas técnicos. A história tem três cenas: a do síndico, a de Davi sozinho e a do casal. Acredito que seja justo dizer que as três vão se orientando no sentido de criar tensão, enquanto ainda fazem parte de uma situação só. Mas entendo que cada leitura é uma leitura, só que esse ponto da crítica ficou meio vago para mim.

      Quanto aos personagens, acredito que os espectros de Davi que aparecem são todos associados à situação em que ele está, comigo sem realmente cuidar de trabalhar mais a vida dele… quanto ao velho, faço uma ressalva. Lendo as críticas, percebi isto como um ponto por vezes levantado e então me peguei pensando que a história toda é contada na perspectiva do rapaz, então tudo o que é visto pelo leitor, é o que é visto por Davi. Arrependo-me, porém, de não ter estendido o monólogo do antagonista quando ele tomou o corpo do garoto, poderia ter aproveitado para delineá-lo melhor, deixando claras algumas de suas intenções. É o único momento em que posso trabalhar melhor a personagem enquanto preservando a perspectiva do conto.

  39. Fernando.
    8 de outubro de 2017

    Olá, Tiago Arjolo, que bela história você me apresenta. Desde o início do desafio procuro por um conto que verdadeiramente me gerasse tensão. Sinto que a sua história cumpriu este meu anseio. Parabéns. Você consegue criar um enredo realmente assustador e me conduziu para dentro dele e isto, Tiago, mesmo com os vários problemas que vi na sua forma de escrever. Sim, é preciso que você revise bastante o seu texto. Ele tem alguns problemas que, sanados, farão com que a sua história seja colocada dentre as mais brilhantes desse desafio de terror. Bem, quem está escrevendo isto é alguém que entende pouco desse assunto, mas creia-me, sua história é muito legal. Valerá bastante a pena investir mais nesses cuidados com ela. Parabéns.

    • Pedro Paulo
      18 de novembro de 2017

      Agradeço o comentário, Fernando. Fico muito feliz que o conto tenha te prendido. O conto será reescrito.

  40. Fabio Baptista
    8 de outubro de 2017

    Olá, autor.

    Ao começar a ler o conto, pensei que viria uma bomba: falhas de revisão, narrativa no tempo presente (gerando as inevitáveis confusões de tempo verbal), emprego equivocado de pronomes, falhas de concordância, etc.

    Os erros permanecem durante todo o texto… comecei a listar, mas parei. O texto precisa ser totalmente reescrito, na minha opinião, de preferência usando os verbos no tempo passado – só esse elemento já daria outra cara para o conto. Caso o faça e tenha interesse numa revisão mais detalhada, me envie depois do desafio, por favor.

    No entanto, apesar da parte técnica comprometida, achei a premissa bem interessante e, veja só, acabou sendo um dos contos que mais conseguiu criar suspense até aqui. O mistério sobre “quem afinal está no apartamento ao lado?” é ótimo e o uso do tapete como armadilha foi bem criativo.

    Tudo ia bem até nosso protagonista (cujo nome se repete à exaustão, aliás) ter o corpo roubado e a alma emparedada. Depois tudo ficou bastante repetitivo, dando voltas e voltas para narrar algo simples. Também a dualidade Davi corpo e Davi alma acabou gerando certa confusão em alguns momentos. Destaco esse trecho já próximo do final: “Só Davi vê e, nesse momento, mesmo que não saiba, é algo que percebe enquanto Davi, pois age por através da raiva que só Davi poderia ter.”.

    Falando em final… aqui temos o caso do “aberto demais”, dando para o conto uma indesejada cara de prólogo.

    Abraço!

    • Pedro Paulo
      17 de novembro de 2017

      Tanto o senhor quanto o Selga deram certa ênfase ao tempo verbal em que está escrito o conto, não em apontar os erros de construção, mas apontando que o tempo presente não funciona tão bem quanto seria se a história tivesse sido narrada no passado. Eu imagino que se eu não tivesse errado os tempos verbais e ainda assim mantido no presente, haveria diferença, mas não uma negativa.

      Quanto ao final aberto, é uma crítica que revi nos demais comentários e acabo concordando. Apesar de que, eu não removeria o momento em que conhecemos o casal. Acredito ser importante e é algo que também direi nas respostas mais acima.

      Uma coisa a mais: é bem possível que você nem sequer leia essa resposta, mas você disse que eu poderia te reenviar uma segunda (na verdade terceira) versão do conto e eu realmente pretendo escrevê-la. Espero que não tenha feito o mesmo pedido nos demais contos. Agradecido!

  41. Olisomar Pires
    8 de outubro de 2017

    Impacto sobre o eu-leitor: alto

    Narrativa/enredo: espírito assume o corpo de outra pessoa para voltar à “vida”. A alma do corpo tomado foi jogada na construção do apartamento e vê a situação se complicar.

    Escrita: alguns errinhos de tempos verbais, mas nada que me travasse a leitura. O tom é contemporâneo e jovial.

    Construção: O início estava meio sem graça com o jovem perturbando todo mundo, um inicio despretensioso.

    Mas a partir da descoberta do bilhete com o “venha visitar” o terror começou e ficou muito bom.

    Talvez algumas descrições não tenham ficado tão cristalinas e possam ser refeitas, mas temos aqui um bom conto de terror.

    • Pedro Paulo
      17 de novembro de 2017

      Agradeço a avaliação, Olisomar. Está bem prática e os problemas levantados são uns que já tomei nota, tanto na releitura como nos demais comentários. Espero não repeti-los na reescrita.

  42. Angelo Rodrigues
    8 de outubro de 2017

    Caro Tiago,

    vejo no seu texto uma representação bastante característica do que rola no Wathsapp e no Facebook, e você não nega isso quando faz relatos acerca desses veículos.
    Ficou-me claro que eu precisaria ler o seu conto imaginando o que você quis dizer e não o que você disse efetivamente. Todo o texto me pareceu carecer dessa minha engenharia. Não é esse o objetivo desse desafio, acredito.
    Acredito também que o seu texto precise de uma profunda revisão de língua e linguagem, estruturação e profundidade temática.
    Em outro post falei que o contista havia abordado três terrores em seu relato quando falou de ratos, namoradas e mães. Volto aqui a falar disso quando li: “Polícia? Sua mãe? Quem ele chamaria?” Bárbaro quando você põe no mesmo patamar a mãe do David e a polícia. Imaginei a velha quebrando o pau no apartamento ao lado.
    Se posso recomendar alguma coisa, digo que reescreva e reescreva.

    • Pedro Paulo
      17 de novembro de 2017

      Reescrever o texto está na minha agenda, com certeza. Na verdade, é o meu plano fazê-lo assim que terminar de responder a todos os comentários. Espero corrigir os defeitos gramaticais e a estrutura narrativa, que confundiu algumas pessoas.

      Quanto ao que você achou “bárbaro”, faço uma ressalva. A mãe de Davi é referenciada sempre em uma perspectiva temerosa, de uma mulher que exerce controle sobre o rapaz. Escrevi que ele teve que chorar para ela deixá-lo se mudar para outra cidade, citei a reprovação que ela esboçou na (única) visita que fez e, logo em seguida ao trecho que você citou, falo que ele sabia que ela o colocaria num ônibus de volta para casa se ele ligasse explicando o problema.

      Quando pensa na polícia e na mãe, pensa nas figuras de autoridade que talvez pudessem resolver a situação perigosa em que se encontra, concluindo que está totalmente desamparado. Então sim, quando ele pensa na mãe, imagina que ela iria até lá quebrando o pau, mas não para resolver o problema, só para trazê-lo de volta para casa, mesmo.

      Foi o único comentário com esta reclamação e, tendo relido o texto, vejo que o Davi foi suficientemente “construído” para fazer entender o porquê da mãe estar nos seus pensamentos mais desesperados.

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Publicado às 7 de outubro de 2017 por em Terror e marcado .