EntreContos

Literatura que desafia.

A perdição de Anton (Jules Bastién)

Eu não saberia dizer quando começou. Lembro-me de tia Esther vasculhando nossa biblioteca à procura de algo bastante específico pelo modo como descartava livros e documentos sem nenhum apego. Seu marido a ajudava.  

Lembro-me disso e que era no dia seguinte ao sepultamento de meus pais. Contava eu, nesse instante, dezessete anos completos. Lamentavelmente, estava deitado com pés e mãos firmemente atados sobre o belo tapete oriental que revestia todo o assoalho.

Tia Esther e esposo vieram morar conosco pouco antes de papai e mamãe viajarem pelo mundo em busca de uma nova vida, eles disseram.

Minha tia era alguns anos mais nova que mamãe. Retinha a mesma beleza clássica e elegância inata. Entretanto, não fizera um bom casamento, o que era confirmado à boca miúda pelos corredores da mansão.

Nosso convívio durante a ausência de meus pais foi muito tranqüila, excetuando as últimas semanas. É preciso admitir que me apaixonei platonicamente por tia Esther.  Gostava de tocar sua letra no papel onde anotava ordens para os empregados da casa. Um ou outro lenço que lhe chegasse aos lábios, eu surrupiava. Tolices de um jovem sem grandes amizades femininas.  

Mas me adianto muito sem necessidade, tudo tem seu tempo. O marido de tia Esther, por nome Octaviano, nunca sorria e fumava cachimbo.

A propósito, eu era chamado de Anton. Filho único, sobrevivente das tentativas de aborto e infanticídio. Foi o que presumi quando mamãe brava por alguma traquinagem me disse:

− Seria melhor se não tivesse nascido – e papai, atencioso, a corrigiu:

− Nós tentamos, não é culpa dele nossa incompetência antes e depois do nascimento – falou naturalmente.

Suspeitava que minha “leve” deformidade no crânio ou a estranha marca em minhas costas tivessem relação com essa repulsa. Restaram-me os livros, as conversas com a criadagem e longos passeios por nossa vasta propriedade rural.

Certa vez perdi-me na mata, após o cavalo que montava jogar-me ao chão assustado com um bicho qualquer. Não fosse um casal bondoso que me guiou à rocha donde se entrevia a residência e possivelmente eu teria falecido.  Fazia dois dias que perambulava sem rumo.

Mamãe disse apenas, quando me viu: − Vá se lavar.

Perguntei a quem pude quem eram as pessoas que me salvaram, ninguém soube dizer.

Não sei se tia Esther já me conhecia antes de vir para a mansão. De todo modo, ela não demonstrou qualquer estranhamento comigo, ao contrário, pareceu bem interessada e a fisguei mais de uma vez me observando atentamente.

Minha tia era agradável e ria sempre, compartilhava suas histórias. Seu marido se reservava mais e estava a todo momento vistoriando o trabalho, analisando finanças, administrando.

Geralmente após o jantar, nos sentávamos na sala da lareira e enquanto tio Octaviano apreciava seu conhaque aquecido e fumava, nós líamos. Em determinada hora, eu subia para dormir. Eles ainda ficavam, e só os ouvia se recolherem bem mais tarde.

Numa dessas ocasiões, movido por curiosidade, voltei discretamente e pude escutá-los:

− É ele, Esther. Não há dúvidas sobre isso – meu tio afirmou decididamente.

− Ora, meu querido, isso são somente fantasias. Não acredito que você, logo você, seja seduzido por lendas –  tia Esther devolveu.

− Não são histórias apenas – e serviu-se de outra dose de bebida – se fossem, sua irmã e marido não teriam fugido.

Essa última fala fez tia Esther se remexer na poltrona.

− Eles não fugiram – disse – logo retornarão.

− Talvez para invocar seu direito eterno.

− Chega dessa conversa, Octaviano. Anton não é um monstro predito num livro de contos pueris que vem iludindo nossa família há tantos anos – tia Esther retrucou de uma forma que pretendia ser definitiva, mas seu marido não desistiu.

− Então por que tentaram matar a criança? Por que você nunca quis filhos? Tudo está no Livro, você sabe.

− O Livro a que você se refere, meu marido, nem existe mais. Você mesmo só ouviu falar dele – tia Esther arrematou com certa apreensão na voz.

− Mas você o leu, não? – para isso não houve resposta.

Entre confuso e espantado, perguntava-me qual o significado daquilo.

Nisso pensando, um mínimo movimento chamou-me a atenção e ao mirar a vista para a outra saída da sala onde meus tios estavam, vislumbrei uma sombra que também parecia atenta à conversa.  Os pelos de meu corpo se eriçaram. Não deveria ter mais ninguém na casa. Os empregados todos partiam ao anoitecer para suas residências instaladas a pouco mais de um quilômetro da sede.

A sombra, ou o que fosse, se moveu e ao se reposicionar deu-me a impressão de “olhar” para mim. Lentamente ergueu seu braço e o apontou em minha direção como galhos ressequidos. Isso foi o suficiente para fazer-me partir depressa rumo ao quarto.

Na manhã seguinte, insone, fui ao local onde estaria aquilo. No assoalho muito limpo, encontrei riscado em letras regulares: fuja.

À luz do dia minha coragem estava multiplicada e racionalmente entendi que a ordem deveria ser antiga, sem nenhuma relação comigo. A casa era secular e muitas pessoas já viveram nela. Desassombrei-me à força, um pouco.

Dirigi-me então à biblioteca no intuito de procurar o Livro citado na conversa noturna. Em lá chegando deparei-me com tia Esther cercada por um grupo de pessoas que me pareceram estranhas. Ela estava desacordada.

Minha entrada teve o efeito de uma bomba. Como se atingidos por força invisível, todos se afastaram instantaneamente da minha tia e se alinharam na parede contrária à porta por onde entrei.

− Anton, suba para seu quarto – ordenou tio Octaviano ao se recobrar do susto.

−  O que houve com tia Esther? – perguntei rapidamente.

− Nada grave, um desfalecimento – afirmou.

− Anton  –  tia Esther disse voltando à vida – obedeça seu tio, estou bem.

Diante desse pedido, afastei-me. Mas algo não estava bem, eu sentia.

À noite, alguém bateu à porta do meu quarto:

− Posso entrar, Anton?

− Claro, tia −  respondi surpreso com sua visita.

Ela usava um vestido leve, era branco. Seu perfume muito suave invadiu o ambiente. Fazia calor e aparentemente havia acabado de sair do banho. Seus longos cabelos negros e soltos emolduravam-lhe o rosto. Os olhos muito claros me fitavam seriamente. Toda a beleza do mundo entrou por mim. Meu estômago se contraía em espasmos e sentia minhas pernas trêmulas.

− Desculpe vir aqui, mas preciso conversar a sós com você – disse após observar-me por instantes.

Eu não poderia estar mais imóvel.

− Anton – iniciou ela – sei que em sua idade acontecem muitas coisas e nem sempre conseguimos dominá-las – sua face estava ruborizada e percebi que o assunto era difícil.

− Não entendo o que a senhora quer dizer, tia Esther – falei apenas para não ficar calado.

− Serei clara. Você é quase um adulto, muitos jovens como você já estão trabalhando ou em guerras mundo afora, essa é a realidade, então tratarei você como um adulto. Está me acompanhando, Anton ?

− Claro – menti.

− Ótimo – fez uma pausa e continuou −  ontem, ou melhor, hoje de madrugada acordei com uma sensação estranha. Meu marido dormia a sono solto. Havia pouca luz entrando pela janela, mas o suficiente para que notasse a presença de outra pessoa.

− Quem, tia Esther? – quase gritei.

Ela ignorou-me e prosseguiu.

− A princípio fiquei apavorada e consegui apenas me fixar naquela sombra ali próxima à nossa cama. Pensei em acordar seu tio, mas não o fiz.

− Mas tia, por que não o chamou? E se essa pessoa lhes fizesse mal? – minha preocupação era sincera.

− Eu não sei o que você está pensando, jovem, talvez acredite que eu seja um tanto parva, mas lhe afianço que não o sou – ela disse com a voz alterada.

− Tia Esther, eu não entendo…

− Vai negar que era você, Anton? Nega que esteve em meu quarto enquanto dormíamos? Como se atreve? – E sentou-se desolada na cama desarrumada.

Sua acusação se abateu sobre mim como uma árvore derrubada no campo. Perdi o fôlego e respirava com dificuldade.

Vendo meu estado, tia Esther assustou-se.

− Calma, Anton, por favor. Eu não pretendia, nem pretendo, contar a ninguém, muito menos a seu tio. Ele é bastante instável – suas palavras não me confortaram e reunindo alguma força perguntei:

− Como pode saber que era eu, tia? A senhora mesma afirmou que viu somente uma sombra.

− Não me obrigue a ser desagradável, sobrinho…

− Pois insisto, minha tia. De onde vem tamanha convicção?

Ela pensou um pouco antes de responder.

− Anton, apenas lhe digo que a sombra que vi só poderia ser sua – e levou as mãos à frente de seus olhos formando uma espécie de grande balão, sugerindo uma cabeça.

Aquilo me envergonhou como jamais ocorrera antes. A sombra aparentava o mesmo defeito que eu. Não consegui dizer mais nada.

− Parece que você compreendeu – ela estava triste também – por favor, não me queira mal por isso, mas o susto foi enorme. Não sei como você entrou ou como saiu, fechei os olhos e quando os abri, você tinha partido.

Eu só conseguia pensar que numa mesma noite duas sombras foram vistas na casa.

− Gosto de você e me sinto lisonjeada por sua corte, ainda que impossível e tola, mas tudo tem um limite. Até o momento não me incomodei com o desaparecimento de algumas peças de roupa e também não reclamei com seu tio. Mas, pare com isso de uma vez – ela finalizou.

Além de mudo, estava constrangido ao extremo agora.

− Espero que nada disso ocorra novamente – levantou-se e se encaminhou à porta.

Desesperado por uma saída honrosa, perguntei:

− Onde encontro o Livro? – a voz pulou mais alta do que pretendia.

Tia Esther voltou-se de imediato. Seu vestido se contraiu, apertando seu corpo.

− O que disse? Qual livro? – estava assombrada.

− A senhora sabe. Aquele sobre o qual falavam ontem à noite.

Seu semblante se anuviou.

− Também nos vigia às escondidas? As surpresas não param. Pergunte a seus pais quando voltarem – suas palavras mostravam indignação.

Plenamente perturbado, desabafei:

− Nós mal conversamos, meus pais e eu.  A senhora foi a primeira a me ouvir de verdade − algo no tom da minha voz ou a constatação da simples realidade tocou-lhe o coração, ela veio sentar-se perto de mim.

− Meu querido sobrinho, não deveria ter ouvido aquilo – e abraçou-me.

− A senhora disse que eram lendas. O que está nesse livro?

Pela maneira como nossos olhos se encontraram, ficou óbvio que ela me contaria, mas ouvimos passos no corredor e minha tia se levantou rapidamente. Antes de sair, disse-me ainda que logo conversaríamos.

Eu pretendia lhe perguntar quem eram aquelas pessoas na biblioteca e o motivo do seu desmaio, mas por enquanto eu sentia puro medo.

Fuja”, as palavras rabiscadas no piso voltaram em minha mente. Tentei dormir, mas era impossível. Antes do amanhecer muita coisa aconteceria.

Pouco depois da partida de tia Esther ouvi gritos ecoando pela casa. Saí do quarto sem noção da origem dos sons.  Logo percebi que vinham dos aposentos do casal.

“Vocês estão mortos”, “desapareçam”, “não, não me toquem”

A voz era de minha tia, sem dúvida. Quando me decidi a bater, a porta se abriu repentinamente e tio Octaviano apareceu totalmente descontrolado:

− Menino – ele disse como se esperasse me encontrar ali – entre e nos ajude, em nome de Deus.

Sem a menor concepção do que estaria lá dentro, entrei.

Acuada junto à escrivaninha, tia Esther olhava fixamente para a janela e continuava a gritar desesperada. Intuitivamente, vez que não sabia o que estava acontecendo e sem visualizar nada no local para onde ela apontava, disse por desespero o que me veio à boca:

− Já chega, saiam daqui agora.

Como se por encanto, a histeria reinante cessou.

− Eles se foram, você mandou e eles se foram. Obrigada, Anton – debruçou-se em mim, estava chorando.

− Quem estava aqui, tia Esther? – perguntei.

− “Eles” estavam aqui e me ameaçavam.

O marido dela voltou nesse momento trazendo dois empregados armados. “Em quem pretendia atirar?”, pensei desconfiado.

Tia Esther se afastou e assumindo controle próprio despachou a todos dizendo que fora um susto sem importância. Voltei para meu quarto bastante impressionado com as palavras anteriores dela. O que estava acontecendo conosco?

Deitei-me, implorando pelo sono.

Foi quando surgiu novamente a sombra. E flutuava horizontalmente alguns metros acima de mim. Do jeito que estava, fiquei. Ela também não se movia. Cogitei gritar chamando meus tios, mas concluí que não seria muito proveitoso visto o que acontecera há pouco. Então esperei, meio paralisado, meio sufocado.

Inicialmente não era possível distinguir nada, exceto as linhas irregulares do “corpo” que pulsavam em ondas. Depois de alguns minutos, muito vagarosamente, sua cabeça se expandiu até se parecer em tamanho à minha. Olhos surgiram. Eram amarelos. E piscavam.

A sombra tentou mesclar-se a mim. Eu deitado na cama, ela deitada próxima ao teto, mas enviando em minha direção tentáculos que saíam de si, como raízes em busca de água. Não sei como, mas ousei perguntar:

− O que deseja, coisa? – cada fibra tremia.

A “coisa”, então, esticou seu braço de galho até atingir o quadro na parede à minha direita. Segui o movimento com os olhos.

Quando voltei para encará-la, outras formas negras a atacavam furiosamente. “Minha” sombra resistia, mas elas eram muitas e a tragaram para algum lugar, desaparecendo todas como se sugadas por um funil. Ainda estava estupefato quando bateram na porta com tamanha força que o vaso com água sobre a mesa tremeu.

− Abra essa porta – ordenou alguém.

− Quem é?

− Abra logo essa porta, garoto.

− Se não disser quem seja, não abro – tentei parecer firme.

− Se revelasse quem sou, você jamais abriria outra porta novamente − ouvi a macabra resposta e risos.

Levantei e me aproximei devagar. Encostei o ouvido na madeira curiosamente suada. Silêncio absoluto.

De repente novas batidas quase me ensurdeceram, me jogando dois passos para trás com o coração arritmado.

− Já perguntei quem é? – gritei em pavor.

− Desculpe, Anton, não ouvimos – respondeu tio Octaviano.

Corri para a maçaneta, puxando-a com força e alívio. No corredor, meus tios me olhavam aflitos. Após breve momento, ele disse:

− Sua tia continua muito nervosa e não se sente segura em nosso quarto, pensamos que talvez … – entendi de pronto.

− Claro, tio. Entrem, por favor. Vou para outro aposento. Fiquem à vontade e descansem.

− Não é isso… – principiou ele, mas foi interrompido pela esposa.

− Você os mandou embora, Anton, mas se eles retornarem? – tia Esther respirou – meu marido concorda que seria bom ficarmos juntos.

A idéia de estar sozinho também não me agradava no momento e como não havia espaço suficiente para nós ali, fomos para o quarto do casal. Acomodei-me da melhor forma possível e aguardamos o sol.

Durante o café da manhã todos aparentavam o desgaste da noite. Tia Esther procurava não evidenciar, mas o tremor em suas mãos a desmentia miseravelmente. Senti imensa compaixão, porém não toquei no assunto e tio Octaviano parecia não se importar. Cabia-nos seguir com nossas rotinas.

Não houve mais sobressaltos durante muito tempo, apenas um detalhe permaneceu: passei a dormir regularmente no quarto deles.

Por óbvio não me esqueci da sombra apontando-me o quadro e a parede, mas ela, a parede, nada me revelou. Era tudo liso. Nenhuma abertura, letras ou marcas. Procurei no verso da tela alguma pista, em vão.

A arte representava um homem já de certa idade carregando um feixe de lenha enquanto uma criança brincava com flores. Ambos numa floresta.

Súbito tudo se clareou. Aquele senhor pintado tão realisticamente me buscou à força para si. Seus olhos pareciam presos em mim. Eu me sentia acorrentado por eles. Suas roupas e o modo como se curvava me fizeram lembrar: o catador de madeira e a criança retratados na obra eram os mesmos que me defenderam da morte certa quando me perdi.

Desmoronei-me sobre a cama. Como isso era possível? Eu recordava dessa ocasião imaginando um casal, mas, em verdade, eram um velho e sua criança. Até as vestimentas pareciam iguais às de outrora. Faltava apenas eu na cena captada pelo artista.

A sombra queria que os encontrasse depois de tantos anos? Impossível. Mesmo assim, fiz-me em disparada, disposto a percorrer o caminho inverso daquele tenebroso dia. Sem demora cheguei onde eles haviam me deixado a salvo na rocha conhecida como Arco da Madeira, pois ela vibrava e emitia o som de um caixão vazio.

A paisagem em volta era comum. Um descampado logo depois da floresta, sem grandes atrações. Dali eu via nossa casa que se apresentava lúgubre contra o firmamento.  Avaliei a pedra como um todo: sem detalhes, sem rachaduras. Iniciou chover, lavando a superfície rochosa. Mas nada incomum se apresentou.

Encontrei um galho bom para lenha e feri com ele a rocha. O som familiar ressoou, mesmo com a chuva aumentando. Raios e trovões despejaram sinais do fim do mundo. Desconfiado que perdia tempo, resolvi voltar, não sem antes tocar novamente naquele fenômeno. Mal encostei e ouvi um longo gemido afogado como se buscasse…  respirar: ahnnnn…

O som parecia fluir do solo sob meus pés. Pulei sentindo o céu enegrecido me envolver como um casulo.

E aconteceu outra vez: Ahnnn-on…

Realmente vinha do chão onde eu estivera há pouco. Molhado e aterrorizado, enfiei o galho no local, cavoucando superficialmente a lama. Depois forcei terra adentro e senti que algo concreto impedia maior avanço. Joguei-me sobre os joelhos e cavei com minhas mãos até encontrar um objeto quadrado: um pequeno baú.

Não havia maneira de abri-lo ao relento sob tanta água. Abracei-o e fui para casa. Depois de caminhar uma centena de metros, virei para me certificar da distância entre a pedra e a floresta. E lá estavam o homem idoso e a criança do quadro. Iniciei retornar para eles, mas desapareceram.

Na mansão, após um rápido banho e troca de roupas, tranquei-me na biblioteca para examinar meu tesouro.

Era uma caixa comum. Forcei sem dificuldade a pequena tranca com o abridor prateado de correspondências. Levantei a tampa e dentro havia um rolo de documentos em couro ou algo similar. As folhas estavam envoltas por uma argola simples de madeira. Retirei-a e abri o calhamaço sobre a mesa. Um dúzia delas, pouco mais, pouco menos.

Já era quase noite e a chuva não cessara. Ouvi os empregados dizendo que meu tio não havia voltado ainda. Tia Esther já se recolhera.

Então o grito mais apavorante jamais ouvido invadiu a biblioteca. Fui imediatamente verificar. Dei alguns passos, mas voltei. Enrolei os pergaminhos novamente e os guardei por sob a camisa, presos nas calças.

Tia Esther descia as escadas correndo. A face lívida como a de um fantasma.

“Eles voltaram, Anton”, foi só o que disse e se atirou para mim. Pedi que a acalmassem, ainda havia gente em casa detidos pelo aguaceiro.

Fomos para a sala da lareira. Ouvíamos o dedilhar da água construindo ou destruindo tudo. Quase não falamos. Ela tremia. Havia chá e biscoitos à nossa disposição. Tio Octaviano não regressara. Tivemos notícias de que uma ponte não havia resistido e confiamos nessa justificativa.

Os “papéis” ainda estavam sob minha camisa e por me incomodarem os retirei colocando-os sobre a mesa ao lado dos bons-bocados.

Tia Esther permanecia totalmente absorta e não notou o maço depositado. Somente depois de alguns instantes sua visão se focou nos documentos, o que a fez se levantar de um salto:

− Onde… onde você arrumou isso, Anton? – a voz estridente e alta.

− Descobri escondidos sob o Arco da Madeira – respondi um tanto cansado  – a senhora sabe o que seja?

− Eu lhe peço, Anton – ela falou se encaminhando para mim – destrua isso.

− Nem os li ainda, tia Esther.

− Não leia, isso só vai lhe trazer desgosto.

− É o Livro, não é? Aquele sobre o qual você contaria.

− Eu o vi há muito, mas se parece com uma parte dele sim, jogue na lareira – a súplica em seus olhos me incomodou.

Senti-me tentado a obedecer-lhe, mas a sombra, as vozes, o quadro, me convenceram do contrário:

− Não, minha tia, desculpe, mas preciso saber – fui categórico.

− Então não o deixarei ler sozinho, quem sabe assim tudo não se pareça apenas uma peraltice – sua esperança me comoveu – aguarde um pouco, aproveitarei que a chuva amainou e dispensarei a todos.

A demora foi pequena, logo ela retornou. Estávamos completamente sós agora.

A luz era fraca, mas nos permitia ler bem e a um sinal dela iniciei:

Capítulo XXIII – Família Melnik

Haverá um tempo, nem tão distante, nem tão próximo, que a Família será transformada, cumprirá seu destino, resgatará a promessa.”

Esse início me pareceu bastante otimista e sorri para tia Esther que me ignorou completamente:

− Leia – foi a ordem.

Passei por descrições de familiares que me eram completamente alheios, defeitos e pecados. O texto era confessional.

Tia Esther ouvia como se relembrando. Acenava com a cabeça ao reconhecer um ou outro personagem. Como ela parecia enlevada, continuei até chegar num ponto que me pareceu diferente do restante. Ela se empertigou na poltrona, nossos olhos se buscaram,  tocou em meu braço levemente, estávamos próximos, continuei:

Infelizmente, não é possível receber a herança sem nenhuma dor. E essa dor virá na figura do filho nascido deformado e com a marca nas costas lembrando a lua crescente. Seus pais serão reverenciados.

Essa criança amaldiçoada desde o útero será a redenção dos vivos e mortos de nossa família. Todos ressuscitaremos no instante mesmo que o punhal santo for cravado de boa vontade por ela no último elo da linhagem antes dele e aqueles ainda vivos não morrerão jamais.

Assim o mestre prometeu, assim será”.

Aquelas páginas antigas terminavam seu relato dessa forma. Ficamos em silêncio.

Tia Esther apenas olhava para as mãos e por fim pronunciou com angustia:

− Isso me privou da felicidade de ter filhos, eu não me arriscaria a trazer para o mundo o ser que me mataria para que todos vivessem novamente e para sempre. Não está certo.

− Mas tia, isso é só … – ela levantou a mão pedindo um instante.

− Sua mãe também não acreditava, mas depois teve medo e tentou abortá-lo. Não conseguiram e então você veio deformado e com a marca lunar – aquilo foi dito tão cruamente que não me incomodou – isso abalou tanto seus pais que tentaram afogá-lo, mas você resistiu. Por fim, eles aceitaram o destino, suspeito que até passaram a gostar da idéia.

− Tia, a profecia só se realizará se eu eliminar o último elo antes de mim. Não matarei meus pais. Pronto. Causa resolvida – ofereci um grande sorriso.

− Você é muito generoso, meu sobrinho, e bom – havia lágrimas em sua face – mas isso não impedirá que o fado se cumpra.

Um vento forte soprou na sala mesmo estando fechada. Quadros e ornamentos foram derrubados, os móveis mais leves empurrados rudemente. Um odor de putrefação pairou sobre e em torno de nós. Como se atendessem a um comando, as folhas soltas que acabáramos de ler rodopiaram e se precipitaram para a lareira onde o fogo ardia. Toda a casa foi chicoteada por um forte e abrupto relâmpago seguido por trovões ensurdecedores.

Quando tudo se acalmou e ouvíamos somente o crepitar das chamas roendo as páginas malditas, uma voz às nossas costas nos assustou terrivelmente:

− Nós conseguiremos, Anton.

Viramos alarmados e nos deparamos com duas dúzias ou mais de pessoas de aspecto gelatinoso. Muitos trajavam roupas antigas, alguns ainda carregavam espadas em suas cintas. Havia homens e mulheres e crianças. Olhavam-nos com tamanho ódio que fluidos em forma de garras se desprendiam de seus corpos e avançavam para nós sem contudo nos alcançar, se desfazendo a nossos pés.

− Mamãe – tia Esther gritou apontando para uma senhora de cabelos muito brancos, cujas mechas lutavam para lhe cobrir o rosto.

− Cala-te Esther – falou rude minha suposta avó – levamos décadas reunindo forças para que nada impedisse nossa volta. Tu não te atrevas a tentar, menina.

− Ouça, Anton – disse aquele que parecia o mais forte de todos – cumpra sua missão, ninguém sairá prejudicado, seus pais também se levantarão e serão nossos líderes em função de terem dado a vida ao escolhido: você!

Fez uma pausa e seguiu:

− Faremos desse mundo, nosso mundo. Até aquele que lhe ajudou pensando destruir nossa causa voltará – “a sombra”, eu concluí – um tolo que confia na sua fraqueza. Seremos o flagelo de nosso mestre sobre os vivos.

O medo, a vergonha de ser parente desses imundos, o desespero de não saber como lidar com algo transcendental me fizeram gritar:

− Sumam daqui, corja do inferno, não aceito, não os reconheço, desapareçam, acabou essa loucura!

Instantaneamente eles foram se dissipando, mostrando caretas horrendas de dor, alguns gritando, outros se abraçando e ainda aqueles tentando nos tocar, mas se perdendo em penumbras. O velho e a criança da pintura também se foram em revolta.

Só uma última voz restou apregoando:

− Nunca termina, Anton, pois aqui estávamos, estamos e estaremos o tempo todo.

Por fim, o vazio da noite.

− Vamos, tia Esther, eles jamais conseguirão – disse tentando protegê-la – não ajuda ficarmos aqui.

Subimos as escadas para o quarto. Já era tarde. A chuva voltou a bater forte.

Fizemos nossas abluções noturnas. Tia Esther, muito calada, vestiu sua roupa de dormir, busquei meus pijamas e me acomodei no lugar de sempre.

Após vários minutos silentes, ela disse:

− Anton, venha te deitar perto de mim, chega de desconforto, vivemos o suficiente por hoje.

− Tia – respondi cauteloso – não há necessidade, estou bem aqui.

− Receias que teu tio chegue, mas se já dormes conosco todos os dias?

− Sim, mas não na mesma cama – insisti.

− Anton, serás um ótimo marido algum dia, mas hoje preciso apenas afastar meus medos mais antigos – seu tom de voz pareceu-me diverso do usual e seus olhos, à fraca luz das velas, brilhavam em outra cor – porque tu não trancas as portas, para tua maior tranqüilidade? – disse quase em rogo.

Derrotado, assim o fiz e deitei-me ao seu lado sentindo vagamente seu perfume.

Pouco antes do amanhecer fui para meu quarto numa sensação de sonho e realidade. Extenuado pelos eventos, dormi até bem tarde, quando fui chamado:

− Anton – era tia Esther – abra, preciso lhe falar.

Mal toquei na porta e minha tia entrou no quarto dizendo:

− Eles estão lá embaixo.

− Quem?

− Seus pais – falou secamente − Octaviano foi buscá-los no porto, por isso não voltou ontem – os olhos dela estavam normais – desça para recebê-los.

Sobre a noite passada, ela fez o simples alerta: “Não comentaremos nada sobre o ocorrido, o Livro e as visitas, está bem?”

− Claro, tia Esther – falei para a porta fechada.

Meus pais voltaram. A profecia. Os mortos. Tudo veio sobre mim como uma avalanche. Arrumei-me e fui enfrentar minha sina.

Eles estavam na grande ala reservada para reuniões. Além de meus pais, outras pessoas desconhecidas e meus tios. Papai e mamãe concederam-me pouco mais que um abraço. Fui dispensado. Minha tia seguiu-me:

− Não se preocupe, eles estão bem.

− Não pensava nisso, tia. Quem são essas pessoas? São as mesmas daquela outra vez quando a senhora sentiu-se mal?

− Sim, meu querido. Eles estiveram aqui buscando informações sobre você, o mistério e seus pais. Acredito ter desmaiado por não suportar tanta hipocrisia e maldade, não sei ao certo – novamente ela se ruborizava.

Sem nem pensar, levei a mão em seus cabelos para arrumar uma mecha que intentava lhe cobrir o rosto.

− Seus pais trouxeram o punhal – informou-me baixando o rosto – dizem que será o instrumento da redenção.

− Mas tia, o que faremos? Nunca os matarei. Eles são capazes de me obrigar contrariando o Livro? – eu estava apavorado.

Erguendo a face lentamente, como se saindo de um poço, respondeu:

− Acalma-te, criança, encontraremos solução.

Após a chegada deles, tia Esther os tratou muito bem. Mimando-os com alimentos e guloseimas exclusivos, feitos por ela mesma. “Para matar a saudade”, ela dizia. Duas semanas depois, eles morreram numa manhã de sol.

O médico da família, aliás, médico da tia Esther, examinou os falecidos e atestou que uma doença exótica contraída nos confins de suas viagens, os tinha consumido.

O velório foi bastante tenso. Durante a noite, ouvimos gemidos e urros enfraquecidos.

No dia seguinte ao funeral, tio Octaviano atacou-me ainda no quarto e amarrou-me os braços e pernas dizendo que eu havia envenenado meus pais. Iniciou uma busca frenética pelo Livro para encontrar uma alternativa. Um momento de insanidade pura.

Tia Esther não levantou a voz em protesto, mas quando seu marido saiu para outro cômodo, ela buscou meu ouvido e sussurrou:

− Não se preocupe, logo desamarraremos você. Tudo acabou. Já falei que é tolice, ele é inteligente e me ouvirá. Até porque você é o herdeiro de tudo. Peço paciência para com seu tio – disse num sorriso para me animar.

Eu confiava totalmente nela e gostei do calor que irradiava de si contaminando-me.

Deitado, observava minha tia descartando livros e papéis sem nenhum apego, fingindo procurar. Ela estava de costas para mim e usava um vestido de corte antigo. Preto. De vez em quando, olhava por sobre o ombro para me flagrar compenetrado em sua figura. Sorria.

O episódio da destruição do Livro com nossos parentes mortos continuava em segredo.

Após algum tempo, meu tio voltou à razão como previsto e soltou-me com milhões de escusas. Alegou cansaço e tristeza pela morte precoce dos cunhados, além da pressão feita pela Família que aparentemente enlouquecera no desejo de morte. Minha morte.

Pensando unicamente no bem de tia Esther, comuniquei que seriam bem vindos se quisessem permanecer. Eu precisaria de um braço direito, acrescentei.

Os olhos de tia Esther voltaram a brilhar diferentes, do mesmo modo que cintilavam naquela primeira noite tempestuosa. Isso passou a ocorrer de forma intermitente.

Nossa tranqüilidade durou meses, então nasceu Antoine, assim batizado em minha homenagem, para alegria sinistra do tio Octaviano, para desespero meu e da tia Esther, apesar dela não o demonstrar tanto como eu esperaria, visto tudo que sabíamos.

Antoine trazia certa deformidade na coluna e uma grande marca em suas costas.

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44 comentários em “A perdição de Anton (Jules Bastién)

  1. Luiz Henrique
    20 de outubro de 2017

    Este é o tipo de conto que ao invés de cativar distancia o leitor que, assim como eu, não é lá muito adepto ao tema terror. Primeiro, o tipo do enredo que em nada acrescenta ao já tão manjado enredo do casarão misterioso, dos antepassados de famílias malditas. O argumento não se sustenta como uma história lógica. Os personagens não têm sal e muito menos, alho. Uma escrita modesta como literatura. O texto não tem problemas gramáticos, mas isso só não basta.

    • Jules Bastien
      20 de outubro de 2017

      Entendo perfeitamente sua opinião.

      Obrigado pelo comentário.

  2. Evelyn Postali
    17 de outubro de 2017

    Caro(a) Autor(a),
    O conto é bom e a escrita ajudou muito na leitura. Eu gosto quando eu começo a ler e não travo porque erros de escrita ou de construção. Então, se precisa de uma revisão, deixei escapulir pelo mergulho na história. Está dentro do tema. Tem ritmo, movimento, e a trama se constrói de forma coerente. Gostei dos personagens também e do final do conto. Boa sorte no desafio.

  3. werneck2017
    14 de outubro de 2017

    Olá,

    O texto apresenta uma narrativa segura, que cativa o leitor desde seus primórdios com elementos que incitam a curiosidade e lançam a trama em um suspense que se dá em espiral. No entanto, concordo com alguns colegas a respeito do autor ter dado um enfoque maior ao enredo que à profundidade emocional dos personagens., o que abriria campo para níveis de conflito mais profundos e envolveria mais o leitor. Também o surgimento da sombra que se manifesta para a tia e para ele também poderia ter rendido mais. No geral, um bom conto, com elementos próprios do gênero.
    Ressalto alguns erros de gramática além dos já citados, tais como:
    por fim pronunciou com angustia > por fim pronunciou com angústia
    passaram a gostar da idéia > passaram a gostar da ideia

    No mais, muito bom. Boa sorte no desafio.

  4. Lolita
    13 de outubro de 2017

    A história – Um terror clássico, com um casarão, maldições familiares e fantasmas. Daria um ótimo filme, com gancho e tudo. A imagem utilizada é a mais bonita do desafio, sendo inserida na história com maestria.

    A escrita – Refinada, lembra clássicos como Poe, Lovercraft etc. As cenas são interessantes e a narrativa mantém o leitor atento. No entanto, uma questão ficou: por que a tia engravidou do sobrinho deformado?

    A impressão – Terror elegante. Parabéns e boa sorte no desafio!

    • Jules Bastien
      13 de outubro de 2017

      Obrigado pelo gentil comentário.

      Suspeita-se que a tia, por vontade própria ou possuída por sua mãe, desejava tornar-se a mãe do escolhido que traria todos de volta à vida, ela inclusive.

      Um abraço.

  5. Rose Hahn
    12 de outubro de 2017

    Jules, um bom conto, mantive-me presa à narrativa, até um determinado momento. Talvez tenha carecido, na minha opinião, de uma maior agilidade na trama e da melhor personificação dos personagens, como se o narrador, o Anton estivesse distanciado de todos os acontecimentos. Considerei o flerte com a tia a parte mais envolvente do conto. Também poderia ter carregado mais tinta na morte dos pais do menino. Quase nada a observar quanto à gramática e pontuação: “Foi o que presumi quando mamãe brava por alguma traquinagem me disse:”, colocar “Brava por alguma traquinagem entre vírgulas”. Achei a comparação da seguinte frase confusa “e levou as mãos à frente de seus olhos formando uma espécie de grande balão, sugerindo uma cabeça”., pequenos detalhes diante da maturidade da sua escrita. Abçs, e sorte no desafio.

  6. Lucas Maziero
    12 de outubro de 2017

    Fiquei bastante envolvido com a leitura, um dos pontos positivos aqui é que está quase perfeitamente escrito, disse quase por haver alguns errinhos, mas nada que me faça diminuir a nota por conta disso. Ou outro ponto positivo é a história em si, ela foi bem inventada e construída. Para mim esse negócio de sentir medo ao ler uma história de terror é papo furado, o que sentimos é incômodo, tensão. ansiedade pelas partes em que o protagonista vai se dar mal, agora medo é impossível.

    Assim, digo que nem incômodo me causou, porque me pareceu que tudo se encaminhou de forma a não nos transmitir que os personagens passaram por uma situação de agora ou nunca. Simplesmente encararam o fato de os fantasmas aparecerem como se algo desagradável e o desaparecimento destes como um alívio, mas nada mais.

    Ficou bem construído o envolvimento de Anton com a tia para que no decorrer da história e principalmente no final pudesse ser plausível o nascimento de outra criança maldita. Mas maldita como? É exatamente isso que não entendi muito bem. Afora isso, tudo me pareceu harmonioso com a ideia.

    A figura do velho e da criança inseriu um quê de misterioso que eu considerei elegante na trama.

    Gostei, é um bom conto.

    Parabéns!

  7. angst447
    11 de outubro de 2017

    T (tema) – O conto está dentro do tema proposto pelo desafio.

    E (estilo) – Narrativa ágil, focada nos diálogos que muito facilitam a leitura. Linguagem sem floreios, mas alguns parágrafos se estendem além do necessário. O(a) autor(a) sabe como prender a atenção do leitor, criando um clima de mistério ao redor da maldição da família.

    R (revisão) – Se alguns erros passaram, não percebi.

    R (ritmo) – Ótimo ritmo, agilizado principalmente pelos diálogos.

    O (óbvio ou não) – A história não me pareceu óbvia, tendo sido narrada em um tom de suspense. Só o final considerei um pouco solto demais.

    R (restou) – Uma agradável sensação de ler um bom conto.

    Boa sorte!

  8. Evandro Furtado
    10 de outubro de 2017

    Achei um conto muito interessante, talvez o mais peculiar do desafio. A grande força está em certas imagens que são sustentadas por descrições poderosas. Em particular, a imagem do velho e da criança do quadro e a revelação de que foram eles quem salvaram Anton foi assustadora. O autor conseguiu explorar bem o uso da imagem do desafio para colocar medo e sucedeu. Trama consistente, estilo meio vitoriano, funcionou bem.

  9. Fheluany Nogueira
    9 de outubro de 2017

    Enredo e criatividade – Interessante a escolha do nome de um pintor naturalista francês, quando é um quadro que , na trama, leva o protagonista a encontrar o livro que desvenda todo o mistério. O enredo é instigante, mas faltou algo para atrair mais. Há algumas pontas soltas na narrativa, por exemplo: os pais do jovem somem, voltam, morrem repentinamente. Qual o papel deles?

    Terror e emoção – Faltou mais emoção na construção dos personagens. A tia teve um papel importante na trama, mas não se destacou.

    Escrita e revisão – estilo e assunto se encaixaram perfeitamente. As descrições da casa mal-assombrada foram muito bem executadas.

    Bom trabalho. Abraços.

    • Jules Bastien
      9 de outubro de 2017

      Obrigado pelo comentário.

      Os pais realmente tem um papel subalterno nesse conto em função da visão do narrador e o limite.

      Mas eles não sumiram. Foram buscar o punhal santo para que a maldição se completasse. Eles não morrem repentinamente, são assassinados pela irmã que busca livrar o sobrinho da obrigação de matá-los ou pior, deseja ela própria ser a mãe do “escolhido” que um dia irá matá-la.

      Na versão original, com muito mais palavras, a coisa fica mais clara (risos).

      Vício meu de ver a cena sem conseguir transcrevê-la bem.

      Um abraço.

  10. Fernando.
    8 de outubro de 2017

    Você escreve muito bem, sabe lidar com as palavras de forma bem interessante. Bacana isto. A história, sem dúvidas que é de terror, preenche o tema, aquilo que está sendo pedido pelo desafio. Foi uma história que não me gerou a tensão que seria legal que me trouxesse. Achei que algumas pontas ficaram soltas gerando um tanto de dúvidas no leitor, mesmo retornando para releituras, continuei com a impressão de que faltava algo… Por exemplo, o caso da “Sombra” e do quadro. No meu modo de ver isto precisava ser mais explicitado e trabalhado. Também sobre os pais do Anton. Achei a saída meio estranha e Tia Esther e Otaviano, que tinham um casamento ruim, isto não transparece na narrativa, ao contrário. Estas são as minhas impressões, amigo. Abraços.

  11. Eduardo Selga
    7 de outubro de 2017

    O enredo é interessante, mas acho que existe uma falha na construção do protagonista e da tia. Parecem sem vida, apenas instrumentos de condução do enredo. Talvez a causa disso tenha sido a opção por parágrafos excessivamente telegráficos. Se vez por outra mais fosse dito, além da alternância rítmica, haveria possibilidade de entrar em aspectos psicológicos de ambos, o que seria muito bom em se tratando de uma narrativa que se passa numa casa mal assombrada.

    • Jules Bastien
      8 de outubro de 2017

      Interessante observação. Obrigado.

  12. Luis Guilherme
    7 de outubro de 2017

    Boa tarde, Jules, tudo bem?

    Gosto muito do gênero, então esse desafio me é particularmente especial. Portanto, tenho lido os contos com bastante expectativa.

    Dito isso, vamos ao seu conto:

    Sua escrita é segura e competente, a trama foi bem desenvolvida, e tem um tom de mistério e suspense bem interessantes.

    Em alguns momentos o tom de terror aparece, mas acho que o suspense é o que conduz a trama.

    A trama é bem elaborada, e gera uma certa curiosidade, mas devo admitir que à partir de certo ponto comecei a achar cansativa. Não sei se acabou ficando longa demais, e fui meio que perdendo um pouco o interesse aos poucos.

    É como se o clímax tivesse chegado cedo demais, e ficado muito distante da conclusão, sabe?

    A conclusão é boa, especialmente os dois últimos parágrafos, quando os familiares lançam seu retorno por meio do novo filho.

    Enfim, é um belo conto, com uma excelente ambientação, um clima de suspense bem construído, mas que infelizmente não prendeu minha atenção, que foi ao pouco se dispersando.

    Ainda assim, um bom conto. Parabéns e boa sorte!

    • Jules Bastien
      7 de outubro de 2017

      Obrigado pelo comentário.

      A partir de qual ponto sua leitura foi dispersada?

      Pretendo retomar esse conto e será de grande valia colher o máximo de informações para melhorá-lo.

      Um abraço.

      • Luis Guilherme
        8 de outubro de 2017

        Olá, Jules!

        Não entenda, de forma alguma, que não gostei do conto! É realmente muito bom, e acho legal seu interesse na nossa opinião para torna-lo ainda melhor, pois realmente tem bastante potencial.

        Vou reler o texto e procurar fazer uma análise mais detalhada, daí volto a postar aqui, ok?

  13. Ana Maria Monteiro
    7 de outubro de 2017

    Olá, Anton. O seu conto está muito bem escrito (notei uma ou outra discordância, mas nada que atrapalhasse) e contém os elementos clássicos do terror. Ainda assim, alguma coisa não funcionou. A história, dentro do género, é boa, tem uma boa trama. Acho que faltou “dar corpo” aos vivos. Quero com isto dizer que os personagens se mantêm distantes do leitor. O próprio quadro, por exemplo, tem um caráter mais acentuado que os próprios pais, estes referidos apenas de passagem mesmo aquando do seu regresso. O que senti, foi ausência de sentimento no narrador/protagonista. Até na relação consigo mesmo. Mas isto pode ser um problema apenas meu – espero que sim. Porque li a história, mas não a senti. E não estou a falar de terror, pois esse não sentiria na mesma, mas sim em sentir.
    Creio que você precisaria de uma de duas coisas: ou muito mais palavras, ou muito menos enredo; ao colocar tanta informação em tão pouco espaço, ficou um pouco assim: fez bem a massa, mas levou a cozer antes de colocar o recheio.
    Em quanto à trama, apesar da mais que suspeita morte dos pais, o final está bem engendrado. A profecia mantém-se.
    Está perfeitamente adequado ao tema proposto, bem engendrado e conduzido, só ficou a dever alguma verosimilhança por conta da falta de ligação emocional.
    Parabéns pela participação e desejo-lhe boa sorte no desafio.

    • Jules Bastien
      7 de outubro de 2017

      Obrigado pelo comentário.

      Confesso que tive uma sensação parecida, o que me deu ideias de transformar esse enredo num romance, pois vejo material para tanto, embora a tarefa me assuste. Mas, quem sabe ?

      Um abraço.

  14. Angelo Rodrigues
    6 de outubro de 2017

    Olá, Jules.

    Gostei do conto. Bem construído, manteve o ritmo pretendido por todo o tempo da narrativa. Notei um bom clima claustrofóbico, antigo, capaz de gerar boa verossimilhança.
    Achei-o, entretanto, um pouco alongado demais. Sei que isto tem mais a ver com o leitor que com o texto em si, dado que tenho mania de me perguntar se já compreendi o mote dos fatos, aguardando o surgimento da imediata sequência.
    O enredo, a despeito de bem conhecido, ficou bem explorado.

    Boa sorte, Jules, obrigado por nos deixar conhecer seu conto.

    • Jules Bastien
      6 de outubro de 2017

      Obrigado pelo comentário gentil.

      Também ao ler fico tentado a pular parágrafos para saber se estou no caminho certo. Com o tempo aprendi a fazer uma segunda leitura com mais calma e tudo se ajeita.

  15. Paula Giannini
    4 de outubro de 2017

    Olá, Autor(a),

    Tudo bem?

    Seu conto me remeteu ao mito de Édipo Rei. É interessante notar como os contos desse desafio estão, de algum modo, me fazendo lembrar dos mitos. Certamente os arquétipos do terror estão ligados àquilo que há de mais ancestral em nós. E o mito de Édipo é, de fato, anterior à própria tragédia, composta na Grécia antiga.

    Assim como em Édipo, o protagonista de seu texto é vítima de uma maldição. Não a da deformidade física, mas a do destino. Aquela que lhe é imposta. Ou seja, a obrigação de matar pai e mãe. A maldição de família. Aquela a que não se pode escapar.

    Ao contrário de Édipo, no entanto, seu personagem consegue, de alguma forma, livrar-se da terrível “mão do destino”. Mais que isso, consegue através de uma trama da qual ele é apenas um integrante passivo. A tia, que certamente mostrou-se mais mãe que a verdadeira, salva-o de sua terrível missão e o final, ao menos momentaneamente pode nos parecer “feliz”.

    Se entendi bem, há aqui, também, uma sutil insinuação de sedação entre tia e sobrinho. Outro ponto que, aliás, me remeteu ao mito, visto que na Tragédia Grega, o Rei acaba se casando com a própria mãe e é justamente a partir daí que se desenrola a tragédia (que hoje, talvez, fosse chamada de terror, com direito a cenas do filho arrancando os próprios olhos e a coisa só piora).

    O ponto forte do texto é a forma como o(a) autor(a) consegue manter a curiosidade do leitor acesa durante toda a narrativa. O que o menino tem? Por que foi abandonado? Qual o motivo da tentativa de infanticídio? E por aí vai.

    Outra coisa muito interessante em se notar é a inserção de uma informação (que a princípio até me pareceu meio fora de contexto), para, em seguida, resgatar a pista plantada, justamente para fazer com que o todo fizesse sentido (e nesse momento a informação tornou-se totalmente pertinente). Aqui, falo da parte onde o menino ouve a briga dos pais acerca de sua incapacidade para matá-lo quando ainda era bebê, ou, mais que isso, antes mesmo de nascer. Quando, no final, você revela o motivo para tal tentativa, mostra toda sua habilidade de um(a) autor(a) consciente, com uma escrita planejada e madura.

    Parabéns.

    Desejo-lhe sorte no desafio.

    Beijos
    Paula Giannini

    • Jules Bastien
      4 de outubro de 2017

      Muito obrigado por sua generosa e atenta avaliação.

      🙂

  16. Nelson Freiria
    4 de outubro de 2017

    O que seriam “letras regulares”? Achei que esse adjetivo ficou meio perdido no texto por não dar um significado tão preciso. Se as letras não fossem regulares, o personagem teria enxergado só rabiscos? E afinal, pq a sombra do início queria alertá-lo para fugir dali, se o perigo real nem era à vida dele, mas sim a dos pais, que sequer estavam presentes? Se ele fugisse, aí sim que ele jamais encontraria os
    pais. Confuso, confuso…

    Achei esse diálogo bem engraçado, ainda que sem intenção de o ser:
    “− Seria melhor se não tivesse nascido – e papai, atencioso, a corrigiu:

    − Nós tentamos, não é culpa dele nossa incompetência antes e depois do nascimento – falou naturalmente.”

    Quanto ao terror no texto, acredito que o mistério foi mto bem elaborado, tem várias questões que cativam o leitor, desde o que Anton é e qual seu papel nisso, pq os pais fugiram, o que o quadro tem a ver com isso, o que são essas sombras, pq seus tios escondem coisas. Só não fiquei mto contente com a forma escolhida para “encerrar” a maldição, pois ela evitou um bom conflito que acrescentaria cenas de ação e terror à trama. Entretanto, a maldição ressurge depois com o nascimento de outra criança deformada.

    O português me pareceu mto bom, mas senti falta de algumas vírgulas (apesar que posso estar errado quanto a isso, pois tive de dividir a leitura do conto em dois momentos diferentes), já a formatação dos diálogos realmente apresenta erros, mas são apenas letras que deveriam começar com maiúscula e os pontos inseridos ao final dos comentários entre meia risca, ou seja, nada que comprometa o entendimento.

    Alguns diálogos de Anton não me soaram naturais, assim como algumas observações, como o fato de haver chá e biscoitos a disposição num momento em que ele e sua tia estão se cagando de medo. Isso desvia a atenção do suspense criado em algumas cenas. Eu não gosto de frases iniciais que apresentam dúvida, confusão, se o restante do texto não trata de lembranças confusas. Na verdade, Anton parece saber mto bem quando tudo começou e nos conta isso, foi quando ele se perdeu na mata e avistou o casal que o ajudou, foi ali seu primeiro contato com o sobrenatural.

    • Jules Bastien
      16 de outubro de 2017

      Olá, quando Anton diz não saber como começou está se referindo à maldição. Ele não sabe mesmo. Mas concordo que deveria ter explicitado.

      A sombra queria que Anton fugisse para que a maldição não fosse concretizada.

      Bem, acho que é só. EStou a disposição.

  17. Regina Ruth Rincon Caires
    3 de outubro de 2017

    Sem dúvida, dentre todos os contos que li até agora, este é o melhor texto de terror do desafio. Começando pela ilustração, foi criado um clima de suspense gradativo, prendendo o leitor. Confesso que li o conto num único fôlego, curiosa para ver o desfecho. Excelente!
    Texto produzido de maneira inteligente, bem estruturado, tendo, o autor, total domínio da linguagem. A narrativa segue um ritmo cadenciado, fisga o leitor.
    A descrição é também primorosa, a ambientação é tão perfeita que visitei este passado nebuloso. Estive lá.
    Parabéns, Jules Bastién!

    • Jules Bastien
      3 de outubro de 2017

      Obrigado pelo generoso comentário. Um incentivo e tanto nesta lida.

      Forte abraço !

  18. Antonio Stegues Batista
    3 de outubro de 2017

    ENREDO; Achei bom em certo momento, confuso em outros. O estilo parece querer imitar o de Edgar A. Poe, mas passa raspando.O não cumprimento da profecia foi uma decepção e a confusão se faz na tia engravidando de Anton, gerando uma criança deformada, e aí que reside a confusão; não deveria a profecia ter se cumprido? Ou pelo menos,colocando Anton lutando contra o mal e acabando com a profecia? Parece que o autor optou por um outro final.

    PERSONAGENS: Não muito firmes, às vezes fortes e decididos, às vezes simples e confusos. Principalmente os pais, faltou algo nessa parte, achei muito superficial a presença deles no relato. Acho que deveria ter focado mais nos sentimentos de Anton sobre a condição dele, um conflito com ele mesmo.

    ESCRITA: Boa, firme e correta.

    TERROR: Regular. mais suspense do que terror.

    • Jules Bastién
      3 de outubro de 2017

      Obrigado pelo comentário.

      Sobre sua dúvida: ” a profecia não deveria ter se cumprido com o nascimento de uma criança deformada?”

      A resposta é não. A profecia se cumpre se o filho deformado e marcado assassinar os pais por sua própria vontade. Ou seja, Anton não poderá realizá-la mais visto que seus pais foram mortos muito suspeitamente , sobra para a nova criança o fardo de matar os seus: o próprio Anton ou o verdadeiro marido e Esther. Nos dois casos a “tia” Esther, se a profecia se cumprir passa a ser a autoridade reverenciada no mundo por vir, pois é a mãe do novo Escolhido.

  19. paulolus
    2 de outubro de 2017

    Definitivamente o gênero terror não me apetece em nada. E conto como este é o tipo do remédio que ao invés de servir como antídoto contra minha resistência, não passa de um placebo. Situações inverossímeis sem mínima alegoria que leve a uma lógica. A escrita é de mais um conto bem comportado, cheio de frases e situações adornadas de todos os pontos nos is, a moda de “O homem da torre”. Ao longo da narrativa, lá pela metade, chega dá até certo asco, pelo gosto sem sal e sem açúcar de sopa fria. Mas como é de praxe de tudo se tira um proveito. Gostei muito do quadro que ilustra o conto.

    • Jules Bastien
      3 de outubro de 2017

      Que bom que tenha gostado da imagem. Até mais.

  20. Edinaldo Garcia
    2 de outubro de 2017

    Escrita: Muito boa. Excelente qualidade literária. Senti lendo um conto europeu do século XIX. Toda a atmosfera fria, sombria foi muito bem construída.

    Terror: Perfeito. Achei que houve muitos elementos, mas, por burrice minha mesmo, não captei bem a amarração de todo o mistério. Uma segunda, terceira ou quarta leitura talvez me ajuda nisso.

    Nível de interesse durante a leitura: A trama me sugou completamente, atiçando minha curiosidade.

    Língua Portuguesa: Excelente. Não encontrei nenhum erro.

    Veredito: Um conto excepcional. Magnífico. Churrasco com feijão tropeiro (um dos meus pratos favoritos)

    • Jules Bastien
      3 de outubro de 2017

      Muito obrigado pelas incentivadoras palavras.

  21. Rafael Soler
    2 de outubro de 2017

    Conto excelente!

    Adorei como o ritmo é dinâmico, como os personagens são bem trabalhados, como a trama é desenvolvida em cima de um mistério que vai sendo explicado aos poucos, a ambientação criada e tudo mais.
    A única coisa negativa é que a história é corrida em alguns momentos, mas isso se deve ao limite de palavras do desafio. Espero poder ler a “versão do diretor” desse conto, sem os cortes.

    Acho que é um dos melhores textos que li no desafio de terror, não precisando, na minha opinião, de quase nenhuma alteração.

    Parabéns!

    😀

    • Jules Bastien
      3 de outubro de 2017

      Obrigado pelo comentário. Realmente pretendo trabalhar neste conto depois do desafio, gostei muito do tema e o incentivo recebido é sempre bem vindo.

      Um abraço.

  22. Pedro Teixeira
    1 de outubro de 2017

    Um bom conto de terror, bastante criativo e com uma trama excelente. A escrita também é segura e firme. Senti falta em alguns momentos de mais descrições, de um desenvolvimento maior das cenas, sobretudo na parte final, que me pareceu muito acelerada, com cenas que mereciam maior atenção, um cuidado maior com a “atmosfera”, como a do confronto com os fantasmas. O enredo é inteligente e mantém o interesse até o fim.

    • Jules Bastien
      1 de outubro de 2017

      Obrigado pelo comentário e análise. Realmente o conto pede essas descrições, mas depois de cortar 1900 palavras fiquem com receio de desfigurar a história toda.

      Quem sabe, depois do desafio eu retome a versão original e a complemente mais ainda !

      A gente pensa que 5000 palavras é muita coisa, mas passa rapidinho…rsrsrs

  23. Andre Brizola
    1 de outubro de 2017

    Salve, Jules!

    Seu conto é o mais próximo até agora daquilo que busco num conto de terror. Suspense, algum mistério, cenas tensas, e o elemento sobrenatural, pairando sobre tudo. As interações entre protagonista e sua tia (possessa e não possessa) ficaram muito legais, e pra mim se enriquecem a relação com a profecia/maldição.
    Só achei um ponto que poderia ter sido um pouco melhor explorado e/ou esclarecido: a relação das figuras do quadro com o protagonista. Sobretudo por eles terem aparecido na cena do confronto com os espíritos. Pode ser deduzido que as figuras faziam parte da família, mas o trecho “o velho e a criança da pintura também se foram em revolta” me pareceu meio jogado, pra amarrar essas pontas que estavam meio soltas até então. Não é um problema, mas é algo que poderia ter ficado mais legal.
    No geral é um bom conto. Tradicional em sua forma e enredo, mas totalmente funcional dentro do gênero do desafio!

    É isso! Boa sorte no desafio!

    • Jules Bastien
      1 de outubro de 2017

      Obrigado pela análise. Na versão original e bem maior, esses dois personagens são melhor tratados. Mas vai ficar pra depois do desafio.

      Até mais.

  24. Olisomar Pires
    30 de setembro de 2017

    Impacto sobre o eu-leitor: alto.

    Narrativa/enredo: jovem se vê às voltas com uma maldição que poderá ressuscitar familiares e dar vida eterna a todos desde que ele mate seus pais. Ao se recusar, os espíritos atormentadores planejaram outra maneira de conseguir o intento seduzindo-o pela possessão de sua tia pela qual o jovem nutre certos sentimentos.

    Escrita: muito boa. Não se nota erros, é fluida e adaptada ao clima de suspense e terror.

    Construção: Em 1ª pessoa, o conto se desenvolve na maior parte via diálogos. Os elementos de terror estão presentes praticamente em todo o texto ao estilo clássico.

    A possessão da tia de Anton pode ser vista quando a personagem-tia muda o tratamento de “você” por “tu” ao falar com o sobrinho, indicando que o espírito possessor seria a mãe da tia ou a avó do garoto que falava dessa maneira.

    Outro momento interessante se dá quando os personagens do quadro são aqueles que ajudaram o menino quando ele estava perdido e claro, a imagem escolhida para o conto é o quadro no quarto de Anton.

    É isso.

  25. Fabio Baptista
    30 de setembro de 2017

    É um bom conto, muito bem escrito (aliás, torno a repetir – o nível do desafio está muito alto!) e que se enquadra no tema.

    Gostei bastante da ambientação – o linguajar empregado e as descrições de vários cômodos, corredores e quartos de dormir nos passa a ideia de casarão antigo, ótimo cenário para uma história de terror.

    O suspense criado também foi interessante: livro misterioso, maldições, segredos sussurrados pelos cantos – os elementos estão todos aí. Porém, fiquei com impressão de que o conto prometeu mais do que cumpriu. São muitas situações de “agora vai” que acabam “não indo” na última hora. O efeito das ameaças acabou se diluindo, sobretudo quando descobrimos que Anton possui o poder de expulsá-las.

    O que poderia ser o confronto derradeiro, quando todos os fantasmas da família se apresentam, foi monótono… a palavra “gelatinoso” não ajudou nada. E a tal da profecia foi muito complexa. Pelo trecho do livro eu não teria entendido. Só entendi depois da explicação do personagem.

    Sendo bem sincero, o que mais gostei no conto foi do flerte com a tia. A cena em que ela o convida para vir se deitar acabou me despertando algumas emoções (não de terror, necessariamente rsrs).

    Mas foi um bom entretenimento, no geral.

    Abraço!

    • Jules Bastién
      30 de setembro de 2017

      Uma observação: não foi a tia que convidou Anton para se deitar com ela.

      • Fabio Baptista
        30 de setembro de 2017

        Ah, mas no lugar do Anton eu teria ido do mesmo jeito! kkkkkkkkkk

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Publicado em 30 de setembro de 2017 por em Terror.