EntreContos

Detox Literário.

Na conta do Christian – Conto (Fabio Baptista)

NOTA DO AUTOR: O presente trabalho contém descrições explícitas de atos sexuais, incluindo ‘deepthroat’ e outras práticas não muito convencionais (imagino eu…). Então, se você é sensível ao tema, ou se tem menos de 18 anos, sugiro que não leia este conto, tampouco procure por ‘deepthroat’ no redtube, xvideos e afins, nem mesmo no Google (pelo menos não no computador do trabalho). Se for procurar, use a opção “navegar sem deixar rastros” (essa foi a dica que um amigo me deu, mas não sei se funciona mesmo, nunca testei… nem sei muito bem o que são essas coisas…).

 

Dizem que apenas uma paixão pode preencher o vazio deixado pela perda de um grande amor. Ou que só um grande amor cura a dor de uma paixão não correspondida. Ou algo assim. Tem um monte de pagodes com esse tema, inclusive. Putz, como eu odeio pagode. E também odeio esses ditadinhos populares, que fazem parecer que todos os problemas têm uma solução e todas as histórias acabam em final feliz. O normal, acredito, é que durante a vida toda nos deparemos com apenas duas ou três pessoas a quem possamos classificar como “grande amor”. No máximo. Tem gente que passa a vida procurando e, no final, acaba ficando na mão (literalmente). Daí, vem alguém e fala pro cara que acabou de tomar um pé na bunda (ou um belo par de chifres na testa) que um novo amor resolve a situação. Ora, como se fosse só dobrar a esquina e pronto: lá estará uma linda donzela de altura mediana, seios firmes e coxas grossas, te esperando, pronta e ansiosa para ser o arrebatador e derradeiro grande amor da sua vida.

E, pra começo de conversa: quem acredita nesse papo de amor?

Bom, eu acreditava. Acreditei nessa merda por sete anos, desde que vi a mulher mais linda do mundo andando no parque, com cabelos loiros esvoaçando ao sabor do vento quente de início de primavera, olhos azuis brilhando como quasares gêmeos nos confins do tempo e do espaço, beleza cintilante a ofuscar o próprio Sol. Por Deus, não sei como tive coragem de ir até ela, mas eu fui. Fiz uma piada boba qualquer, estava tão nervoso que nem me lembro. Só lembro que ela riu. E eu ri. O mundo todo riu. Meio segundo depois, eu estava apaixonado. Um ano depois, casado. Continuei apaixonado, apesar da frequência dos beijos e do sexo ter diminuído. Achava que era normal, todos os meus amigos falavam que era assim mesmo. Quem liga para sexo quando se tem companheirismo e amor verdadeiros? Eu não ligava e ela parecia não ligar também. Estávamos focados em coisas mais importantes e duradouras, era o que eu pensava.

É… eu acreditei no amor.

E lógico que me fodi.

Minha ilusão foi destruída hoje à tarde, quando voltei mais cedo do trabalho com um buquê de rosas vermelhas na mão, pronto para fazer uma surpresa para minha pequena. Estava tão feliz que nem estranhei um carrão, que deveria custar o equivalente a 10 anos do meu salário, estacionado em frente à minha casa. Enquanto me aproximava da porta, ouvi um barulho estranho dentro de casa, como se alguém estivesse martelando a cama. Também ouvi gemidos ao estilo “uivos de loba no cio”. Não podia ser minha esposa, ela nunca gemia assim.

Mas era.

Entrei devagar, parei na porta do quarto e então eu vi. Um macho musculoso e peludo, metendo a rola com gosto no cu da minha mulher. É… no cu. Aquele buraquinho enrugado que pra mim ela não liberava de jeito nenhum, porque – “ai… aí dói demais”. Pro cara não doía. E não tinha desculpa, porque, pra acabar de foder, o pau do filho da puta ainda era bem maior que o meu. Ele socava com vontade, cravava até o talo nela de quatro, segurando os cabelos loiros com a esquerda e batendo na bundinha empinada com a direita. Ela, presa por algemas à cabeceira da cama, urrava, com uma cara de safada que eu mesmo nunca tinha visto (pra ser sincero, acho que foi esse detalhe que mais me partiu o coração). Fiquei ali, assistindo por uns dois minutos, num amálgama de voyeurismo e sadomasoquismo. Depois, fui à cozinha, pegar uma faca para matar os dois, lavar a honra com sangue e essas baboseiras que todo corno pensa no calor do momento. Mas a quem eu queria enganar? Nunca fui de matar nem barata. Acabei pegando a chave e a carteira do puto. Quanto dinheiro tinha ali dentro! Deixei os dois lá se divertindo e saí. Quando me dei conta do símbolo do cavalo na lataria vermelha, comecei a juntar as peças. Rico, bonito, roludo, bom de cama, gosta de algemas e de dar uma enrabadinha

Era óbvio – o filho da puta do 50 tons de cinza tinha enjoado da porra da Anastasia e agora estava comendo a minha mulher! E, verdade seja dita… quem podia culpá-la? Quem não ia querer dar pra um homão da porra daqueles? Se bobear, até eu! (hetero).

Peguei a grana e o carro e saí pela cidade, não para encontrar uma nova paixão, mas sim o santo remédio que cura todos os males da alma (pelo menos por uma noite) e é muito mais fácil de encontrar – álcool. Entrei num boteco qualquer e bebi. Bebi até cair. Daí levantei e bebi mais, até vomitar. Bebi até me expulsaram do bar. Não lembro como achei outro lugar, cheio de fracassados que nem eu. Encostei no balcão e pedi uma garrafa. Estava na terceira dose quando a vi. Saída do céu ou do inferno, não sei e nem me importo, uma linda donzela de altura mediana, seios firmes e coxas grossas, pronta e ansiosa para ser o arrebatador e derradeiro grande amor da minha vida.

Não dissemos palavra, tudo se resolveu no olhar. Em meio segundo eu estava apaixonado e atracado com ela, subindo as escadas aos beijos. Entramos no quarto e ela ajoelhou na minha frente, afoita para abrir o zíper. Minha benga já estava mais em pé que peruca de velha com laquê (bonito isso, né? Eu li num livro…) e saiu da cueca como uma catapulta finalmente livre de suas amarras. Ela abocanhou com vontade, chupando num ritmo frenético por uns cinco minutos, daí cadenciou e, olhando nos meus olhos, deslizou a língua por baixo do pau, abrindo caminho para a garganta. Puxei a cabeça dela na minha direção e mandei meus quator… digo… dezenove centímetros pra dentro. Ela gemeu gostoso e começou a mexer na boceta. Ia parar pra respirar, mas eu a prendi. Começou a fazer barulho de engasgada, mas segurei até o limite. Soltei e ela tirou a boca, deixando um rastro de baba no caminho, respirando fundo como se voltasse à tona depois de quase ter se afogado. Isso a deixou ainda mais louca e então tornou a chupar, com perícia de fazer inveja a Sasha Grey, até eu não aguentar mais e mandar três jatos de leitinho quente direto na goela.

Meu “amigão” (só um apelido carinhoso) nem estava pensando em amolecer e eu não deixei que ela tomasse fôlego. Deitei-a de frente, na beiradinha da cama e coloquei suas pernas sobre meu ombro. Fiquei roçando a cabeça do pau naquela boceta molhada, até ela (a moça, não a boceta), completamente alucinada de desejo, me puxar em sua direção. Daí enfiei tudo de uma vez, meti com força, fazendo-a morder os lábios, gemer e urrar. Fiquei ali, bombando em frenesi por uns 15 minutos (ou talvez só um pouco menos…), hipnotizado pelos peitos perfeitos balançando à minha frente, sentindo-me um patriarca Neandertal por conseguir causar aqueles gemidos tão selvagens. Queria gozar nos peitos, mas, assim que tirei o pau da boceta, ela já veio chupar de novo, suada, olhos revirando de tesão. Gozei, e aquela deusa do sexo engoliu tudo outra vez, olhando nos meus olhos, lambendo os beiços e resgatando com o dedo a última gotinha branca que fugia pelo canto da boca.

Era a mulher da minha vida, com certeza.

Não pude deixar de me imaginar apresentando-a para minha mãe no almoço do próximo domingo. Quando ela voltou do banho, sem receio de soar precipitado, falei algo que pensei que nunca mais falaria para ninguém:

— Olha, acho que é cedo pra dizer isso, talvez soe demasiado afoito, mas não quero nem saber… a verdade é que EU TE AMO!

Ela sorriu (meio envergonhada, assim me pareceu… era uma moça tímida, afinal).

Começou a se vestir e falou:

— Também te amo, lindo! – Então, me deu um selinho e completou: – São 400 reais… paga no caixa lá embaixo, tá?

Bom, pelo menos a foda foi por conta do filho da puta do Christian Grey.

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15 comentários em “Na conta do Christian – Conto (Fabio Baptista)

  1. Regina Lopes Maciel
    10 de setembro de 2017

    Fábio, este não é um conto que eu escolheria para ler, mas ficou claro, desde o início, que não se tratava de um “reles” conto pornô, por isto prossegui. Continuei não gostando, mas vê-se nele, o exercício de duas linguagens diferentes, o que é uma coisa boa para o desenvolvimento de textos.

  2. Fernando.
    9 de setembro de 2017

    Um conto que me fez rir, o que significa que cumpriu com o objetivo do desafio: ser comédia. Está muito bem redigido e entendi os clichês como irônica crítica, ou seja, achei que ficaram bem na narrativa. No entanto o enredo me pareceu bem previsível. Achei também que o cara depois de beber demais e a noite toda, sendo até escorraçado dos ambientes, não teria libido (eita que esta palavra é pornográfica) suficiente para esta trepada monumental. Acho que devia ter preservado o personagem com um pouco menos de álcool para tal performance exuberante. Bem, a nota é 8,8. Vê-se de primeira que o escritor tem boa pegada. Trata-se de alguém com futuro. Leia os clássicos e continue participando. Boa sorte no desafio.

    • Fabio Baptista
      10 de setembro de 2017

      Valeu, Fernando!

      Tentei pensar em algum plot twist mais elaborado, colocar uma carga dramática mais Shakespeariana, desvirtuar (conscientemente a jornada do herói) e tal.

      Mas acabei optando pelo caminho seguro do consagrado template de roteiro “boa noite, senhora! Foi daqui que pediram pizza de calabresa?” Rsrs

  3. Juliana Calafange
    9 de setembro de 2017

    Muito divertido, ironia fina. Confesso q pelo título e pela imagem, e até mesmo pelo deepthroat do preâmbulo, achei q se referia a alguma operação financeira, delações premiadas e propinodutos. Que bom que não foi isso.
    Nem sequer pensei que o autor estivesse tentando esconder que a moça do final era puta. Achei q isso ficou explícito de propósito, como quase tudo no texto aliás… rsrs
    Gostei das suas descrições das trepadas, riqueza de detalhes, sexy sem ser vulgar… 😉
    Só gostaria que a vingança contra o Christian rendesse mais q quatrocentos reais numa trepada, mesmo sendo uma puta trepada (com trocadilho). Ele tinha uma Ferrari nas mãos, afinal de contas… Aliás, mais uma prova de que esses ditados populares não correspondem à realidade: o cara é dono de uma Ferrari, mas tem o pau enorme…

    • Fabio Baptista
      10 de setembro de 2017

      Sexy sem ser vulgar! Missão cumprida! Kkkkkk

      Sobre a teoria do carro, não tenho muito embasamento pra opinar.

      Mas eu tenho um Fiatzinho 92, por via das dúvidas rsrs

  4. Gustavo Araujo
    9 de setembro de 2017

    Ri com o texto em vários trechos. Não há nada mais eficiente do que a miséria alheia para fazer com que nos identifiquemos com um personagem. A narrativa não prima pela criatividade, afinal, afogar as mágoas de uma traição, apelando aos serviços de uma profissional não é exatamente algo novo na vida do homem comum. Mas mesmo assim o conto prende pelo realismo das cenas e pelo tom de sarcasmo que o permeia. Apesar dos palavrões aqui e ali, e das descrições pormenorizadas das cenas de sexo, não achei o texto pesado. Para quem leu “Fórum Ele & Ela” na adolescência o conto é quase softcore. Mas valeu a leitura! Boa sorte no desafio!

    • Fabio Baptista
      10 de setembro de 2017

      Eu lia as putarias da Roxxane no portal do iG! Kkkkkk

      Mas fiquei surpreso que o pessoal achou leve… povo tá meio saidinho hahaha.

      Ou, talvez eu seja muito inocente. Acho que é isso.

  5. Leo Jardim
    9 de setembro de 2017

    Técnica muito boa, como de costume. Ótimas metáforas, comparações e referências. As piadas do Christian Grey são muito boas (após a cena da traição e a última frase).

    A trama, porém é simples e previsível. Já tinha previsto que a segunda mulher da história era puta, a descoberta não teve impacto.

    Reduziria, também, a parte do início, em itálico, pois acabei me preparando para algo mais pesado e no fim foi mais pra leve (considerando que é um conto 18+).

    Enfim, é um texto bastante divertido, arrancou uns sorrisos, mas um tanto previsível e não tão pesada como faz parecer.

    O autor tem futuro no Whattpad 😀

  6. Pedro Luna
    9 de setembro de 2017

    ” Pro cara não doía”

    hahaha

    O personagem é simpático, consegui ter pena do sujeito. Gostei do conto. É agradável de ler e o teor sexual não foi aquele de deixar desconfortável, o que teria sido ruim visto que o restante do texto não tem uma pegada louca, suja demais. É um conto explícito, mas não chocante, e andou no tom o tempo inteiro, sem escorregadelas ou exageros. Bom trabalho. (400 pilas o programa? Em Fortaleza, com essa grana, o cidadão se apaixonaria 3 vezes por dia).

    Eu tinha uma amiga de trabalho que descia o galho no marido dela, na própria casa. Quando o sujeito finalmente pegou no flagra (após desconfiança inicial), ela simplesmente o convidou a se juntar. São casados até hoje. O seu personagem podia ter se voluntariado…kkk.

  7. Evandro Furtado
    9 de setembro de 2017

    Caraca, seria foda se tivesse sido conto de desafio. Mas, aí, a autoria seria decifrada facilmente.

    A pergunta que não quer calar, no entanto é: naquele momento Mumm-Ra, beija ou não beija?

    • Fabio Baptista
      10 de setembro de 2017

      Kkkkkkkkkkk

      Na minha inocência, imaginava que o tal “beijo grego” tivesse algo relacionado a isso!

      Ainda bem que os tutoriais do YouTube desfizeram o engano.

  8. Olisomar Pires
    9 de setembro de 2017

    Parece que o desafio Comédia não acabou. 🙂

    Bom conto, bem escrito e explícito. Ironia e pornografia numa combinação bem casada (!)

    A saga da desilusão amorosa apimentada com detalhes porno-eróticos geralmente desbunda no comum, entretanto, o autor conduziu o ato com maestria e conhecimento: leitura fluida, experiente e tranquila.

    Embora o final estivesse telegrafado no primeiro beijo da nova garota, nada obriga que um bom texto tenha que ser mirabolante ou finalizar de forma inédita.

    É como dizem: ” não é o tamanho da varinha, mas a mágica produzida” , no caso, o efeito da narrativa é extremamente satisfatório e nada vulgar.

    Parabéns !

    • Fabio Baptista
      10 de setembro de 2017

      Valeu, Oli!

      Esse ditado da varinha é o lema da minha vida!

      (Mas com relação à estatura…)

E Então? O que achou?

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Informação

Publicado às 9 de setembro de 2017 por em Contos Off-Desafio e marcado .