EntreContos

Literatura que desafia.

A transformação (Lucas Maziero)

Quando Gregório de Matos Sansei acordou na manhã de 30 de fevereiro, após uma agradável noite maldormida, viu que estava transformado num ser ridículo.

— Puta merda! — exclamou Gregório. Olhava-se e nada compreendia.

Nesse instante, dona Belinda adentrou o quarto do filho.

— Ah! Ai, meu Deus! — por pouco dona Belinda não ficou de pernas para cima. — Quem é você?

— Mãe, calmaí… Sou eu, seu filho. Tá, sei que é difícil de acreditar, nem mesmo eu…

— Mentira! O que você, coisa feia, fez com o meu Greg?

— Peraí, mãe, não fique tão desassustada, vou te provar que sou eu. Humm… Já sei! Que tal perguntas e respostas?

Dona Belinda pôs uma das mãozinhas debaixo do queixo, mexeu suas anteninhas de vinil e, depois de muito tempo pensando pouco, achou a ideia estupidamente inteligente. Perguntas após perguntas, Gregório esgotou todas as suas alternativas: pediu ajuda às cartas, recorreu aos universitários (que a bem da mentira não havia nenhum ali), e, por fim, conseguiu convencer a mãe de que ele e Gregório eram a mesmíssima pessoa.

— Greg, ó meu filho! Que desgraça lhe foi acontecer! Bem, agora já foi, né? É vida que segue. Ponha uma roupa e venha tomar o café da manhã, não fique com essa “coisinha” de fora.

Mas Gregório não se mostrava resignado com a sua nova forma quanto a mãe parecia estar. Já à mesa, procurou pelos pães amanhecidos que tanto gostava. Notou o olhar que o pai lhe direcionava, um olhar de censura, como se aquela situação não fosse culpa do filho. Todos comeram em ruidoso silêncio. Então o pai (um coadjuvante sem nome) levantou-se, pegou sua pasta, deu um tapinha estalado nos glúteos da esposa e foi trabalhar. Era o tipo de marido que nunca lavava um prato.

Gregório meteu-se em seu quarto e passou o dia todo fora dele. A namorada lhe telefonara várias vezes, mas ele não quisera atendê-la. Do trabalho recebera uma ligação, e o mesmo se dera. Essa atitude de isolamento denunciava um traço de sua personalidade: uma tremenda falta de egoísmo. Mas não é para menos, pois ele se sentia envergonhado e aflito.

Por que isso foi acontecer justo comigo?, pensava ele.

Não conseguia compreender, estava mais por fora do que bunda de nudista com o que lhe sucedera. Por falar em bunda, Gregório se mostrava descontente com a sua. O reflexo que via no espelho lhe causava a mais deleitosa aversão. Dessa forma passou o dia, e a noite toda dormiu acordado.

Na manhã seguinte, constatou que continuava transformado, o que o deixou ainda mais agoniado. E assim os dias se passaram um atrás do outro, e Gregório permanecia isolado em seu cafofo. Os pais começaram a despreocupar-se, e dona Belinda resolveu falar com o filho sobre uma ideia que tivera.

— E então, o que acha acerca dela? — perguntou-lhe dona Belinda.

— Hã? Ah, sim… Então, mãe, não sei, só sei que nada sei.

— Pare com isso, bobinho! Tenho certeza que irá te fazer bem. Eu falei com sua tia, e ela me disse que já se consultou com o doutor Caprinio Balido. O doutor Caprinio já tratou de casos iguais ao seu, embora diferentes…

— Tá bom, eu vou.

Consulta marcada para as treze, lá se foi Gregório andando vespertinamente para o consultório do psicólogo Caprinio Balido. Pelo caminho, as pessoas que olhavam para ele nem o notavam; já as que não lhe direcionavam o olhar, percebiam nele uma esquisitice nada incomum. Chegado ao consultório, a secretária pediu-lhe que aguardasse e perguntou-lhe:

— É conveniado ou particular?

— Particular…

— São trezentos mangos, por favor.

Dali a pouco, estava frente a frente com o psicólogo.

O doutor Caprinio sorria. Só ria, o que deixava Gregório incomodado.

Imagine um bode sorridente sorrindo para você, não mexeria com os nervos de qualquer nenhum?, pensou Gregório.

“Alô, tem alguém aí?”.

— Como é? — perguntou Gregório para o ar.

“Sou eu, o doutor Caprinio, está me recebendo direitinho?”.

Puta merda!

— Sim… Como o senhor consegue fazer isso?

“Não fique admirado, meu jovem, esta técnica de transmissão é conhecia como Teletiopatinhas, muito embora apenas a maioria da minoria dos maiores psicólogos consegue dominá-la. Também sou capaz de ler a mente”. O doutor sorriu.

— Que da hora!

“Vejamos: você está pensando em como era bom lamber a boca das pessoas que vão para a cama sem escovar os dentes… Eca! Que pensamentozinho, hem?”.

Puta merda!

— Por favor, doutor, não me lembre disso, é saudosismo demais para uma pessoa só.

“Está bem, não está mais aqui quem teletiopatinhou”. O doutor riu.

Puta perca de tempo ter vindo aqui. Esse cabra só ri.

“Alto lá, meu jovem! Rir é o melhor remédio, como dizia minha vovozinha”.

— Tá, tá, tá. O senhor pode me ajudar ou não?

“Claro que posso! Vou lhe dizer exatamente o que está acontecendo com você: às vezes as pessoas agem assim, como você, para fugir da realidade virtual. Por exemplo: para não sair de casa, um adolescente raspa as sobrancelhas; alguém embriagado corta o bilau e o coloca no congelador; uma garota, geralmente roliça, se empanturra de chocolate só para não ir ao baile, por causa das espinhas que aparecem. Por fim, alguém, que não vou dizer quem, uh! uh!” — doutor Caprinio indicou Gregório com um de seus chifres — “se transforma, e é isso. Ah, e não precisa falar, é só pensar que eu entenderei”.

— Tá bom…

“Desculpe. Humm… Doutor, o que devo fazer? Tem como voltar ao normal, ser como eu era antes?”.

“Claro que tem! A palavra do dia é: aceitação! Aceite-se, e tudo irá bem, acredite. Ah, e claro, vou receitar um remedinho para você: tome dois comprimidos ao dia de fluocretina, isso ajuda bastante”. O doutor sorriu, triunfante.

“Só isso? Me aceitar?”.

Doutor Caprinio não transmitiu, mas continuou a sorrir.

Para um bom entendedor, uma palavra não basta, e Gregório entendeu que a consulta dava-se por encerrada. Pegou a receita e se despediu do doutor com um aperto de mão. Fora do consultório, recebeu a seguinte transmissão:

“Há algum problema em ser um bode sorridente? E cabra é a mãe!”.

Gregório não soube o que responder.

Me aceitar, me aceitar, me… Assim matutando, sentiu-se um pouco mais desanimado. Enfim, uma pequena vitória. Tomou então o rumo do supermercado Kafka, lugar onde trabalhava, sendo recebido alegremente, com duas pedras na mão, pelo seu encarregado.

— Greg, é você? — perguntou, nada espantado, o encarregado. — Você está diferente, mas os seus cabelos…

— É, tô sabendo. Escute, seu Franz, sei que andei faltando um ou dois dias…

Um ou dois dias teu c… Você faltou uma semana, seu merdinha, pensou Franz.

— Será que tem algum problema?

Ah, se tem!

Depois de conversarem muito sobre nada, e de estar tudo certo e nada resolvido, e, por menos que Franz lhe falasse sobre direitos trabalhistas, Gregório não aceitara receber os dias trabalhados, mostrando com essa atitude o seu lado egocêntrico.

Antes de ir-se, ouviu uma música emitida pelos alto-falantes do supermercado:

“La cucaracha, La cucaracha!

Tome cuidado com a sandália de borracha…”.

Que se dane! Nesse trabalho de merda ninguém ia com a minha cara mesmo, ninguém aceitava o meu jeito de ser. Para quem está cagado, que diferença faz uma freada? Procuro outro trampo, e boa. Pau no c do seu Franz!

Mais tarde, já em sua casa, Gregório contou à mãe como fora a consulta e tudo o mais.

— Eu sabia, o doutor Caprinio é batata! — disse dona Belinda. — Você vai se aceitar, não vai, meu filho?

— Vou…

— Que bom! Agora, que tal procurar a sua namorada? A pobrezinha te ligou a semana toda e você nem tchum.

— Verdade, mãe, obrigado. Te amo.

— Filho, também te amo. Ah, antes que eu me esqueça: nunca fui mesmo com a cara do seu Franz.

Como a namorada morava por perto, Gregório achou melhor telefonar do que andar toda aquela distância até a casa dela.

— Greg? Oi… — Cunegundes ao celular.

É claro que ela não ia me atender com um “oi amor”.

— Oi, amor, tudo bem?

— Tudo bem?! Poxa, que que deu em você? Te liguei várias vezes, e cê nem tchum.

— Me desculpe, amorzinho. Aconteceu uma coisa bem estranha comigo, você não acreditaria…

— Ah, agora cê mim vem com essa! É você que nem ia acreditar no quanto chorei por sua causa. Fiquei mega preocupada, cê simplesmente sumiu sem mim falar nada. Sabe, esse seu sangue de barata mim deixa bem irritada.

Sangue de barata, quem me dera!

— Escuta, coraçãozinho, tô arrependido, eu sei que não devia ter sumido, devia ter te procurado antes. Vamos ficar mal, por favor!

— Num sei… — Cunegundes estava a ponto de chorar. — Num sei não…

— Estou com tanta saudade de você, meu quindim! — Essas palavras balançaram um pouco Cunegundes (não se sabe se lhe despertaram a fome ou os sentimentos). — A gente podia se ver, conversar sobre esse bem-entendido. Que tal?

Ela pensou durante uma breve eternidade.

— Tá bom, vai. Amor?…

Ah, enfim ela me chamou de amor!

— … cê sabe que te amo, num sabe?

— Sei.

Antes de encerrarem a ligação, Gregório ouviu um “oinc” carinhoso.

Será possível?

Cunegundes veio encontrá-lo de moto, as mamas balançando em direções hipnóticas. Vendo-a, teve um déjà vu:

Como não percebi antes? Bem, não importa, melhor do que… do que uma javalina. Estou farto de javalis.

Só não sabia o porquê.

— My chubby girl — Gregório sempre a chamava assim quando se sentia tesudo, e ela adorava. Beijaram-se (fazendo inveja ao melhor encanador) e, em seguida, foram “motocando” em direção a um motel zero estrelas, com os cabelos flutuando ao vento sobre os capacetes. Pagaram pelo pernoite.

No motel, eles… desfrutaram uma noite com muita movimentação e acrobacias, e não há como descrever tamanhas travessuras.

Ao amanhecer, quando Gregório despertou, viu que estava transformado de novo. Espreguiçou seus seis membros, tocou a namorada com suas anteninhas de vinil e sorriu. Ela lhe sorriu de volta. Sentiam-se felizes, neste que era o pior possível dos melhores mundos impossíveis (ou algo assim).

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45 comentários em “A transformação (Lucas Maziero)

  1. Bia Machado
    1 de setembro de 2017

    Desenvolvimento da narrativa – 2/3 – Comecei a ler com uma grande curiosidade. Uma versão de A Metamorfose no desafio Comédia? Mas aos poucos acabei lendo por ler mesmo, para terminar, a narrativa acabou não se sustentando, o final podia ter sido melhor, acabou ficando meio filosófico, mais do que deveria…
    Personagens – 2/3 – Não consegui criar empatia com o Gregório totalmente. Quando a narrativa é em terceira pessoa, penso que o narrador e os diálogos contam muito para criar essa empatia.
    Gosto – 0,5/1 – Hum, no geral gostei. Pero no mucho.
    Adequação ao tema – 1/1 – Sim, adequado.
    Revisão – 1/1 – Não vi nada que atrapalhasse a leitura, porém deixo uma dica: não existe a expressão PERCA de tempo. É PERDA. A palavra PERCA existe, mas é o modo subjuntivo do verbo perder: Espero que você perca todo o medo de avião que tem. Só uma dica. 😉
    Participação – 1/1 – Ok, valeu pela participação.

    Aviso quanto às notas dadas aqui em cada item: até a postagem da minha avaliação de todos os contos os valores podem ser mudados. Ao final, comparo um conto a outro lido para ver se é preciso aumentar ou diminuir um pouco a nota, se dois contos merecem mesmo a mesma nota ou não.

  2. Pedro Paulo
    1 de setembro de 2017

    Admito estar um tanto desconsertado, porque só entendi algumas intenções depois de concluir a leitura. Eu entendi a sátira logo no início, habilmente entregue logo na primeira sentença. A partir daí, passei a acompanhar a jornada de Gregório para lidar com a sua transformação, na qual a vida pessoal e a profissional ficam afetadas com a própria isolação. Essa metamorfose é mantida em segredo e só podemos discernir mais sobre ela ao longo do texto, quando aparecem outras dicas da situação da personagem, principalmente em momentos que são escritos para ficarem contrários à coerência da situação, como o olhar de censura que não infere culpa ou, mais à frente, os “bem-entendidos” que causam confusão. Todos esses elementos compõem o tema do “inverso”, algo que constitui a própria premissa da narrativa. A escolha dos nomes do mercadinho e do chefe do Gregório deixam a sátira ainda mais direta e aparecem com uma boa homenagem, sem ser forçado. Ao longo da narrativa há outros momentos humorísticos, como a tirada metalinguística do “coadjuvante sem nome” que é o pai, no absurda da consulta com o médico, feita por “teleopatinha” – aqui outra dica da inversão – e das conversas melosas que o protagonista tem como a namorada. O reencontro dele com a namorada culmina, enfim, em sua transformação ao normal e na revelação final do que foi hábil e sutilmente sugerido ao longo de toda a leitura. A única ressalva quanto ao humor é que a maioria dos diálogos não contribuem muito para isso, as conversas com o chefe e com o médico ligeiramente destoantes da trama, ainda que provoquem um avanço na narrativa.

  3. Vitor De Lerbo
    31 de agosto de 2017

    História desenvolvida para gerar estranheza desde o princípio, algo que foi alcançado. Uma homenagem a Kafka não poderia ser diferente. Aliás, a menção ao supermercado Kafka e ao chefe Franz, na minha visão, empobreceram um pouco o texto; a homenagem já estava clara, não havia necessidade para ainda mais alusões. É mais legal deixar os leitores se sentirem espertos.

    Um dos textos mais diferentes que li no desafio; como comentei em outro conto, os melhores comediantes são aqueles que não têm medo de arriscar.

    O jogo de palavras antagônicas foi bem trabalhado, e ainda assim, a história faz sentido.

    Obrigado pela menção aos javalis, vejo que eles traumatizaram geral mesmo.

    Boa sorte!

  4. Rsollberg
    30 de agosto de 2017

    hahaha

    Grande Gregório de Matos, o boca do inferno que Ana Miranda tanto falou! Ou Gregor Sansa do tal K?

    Então, o conto não chega a subverter a história, mas dá nova perspectiva. Mostrando o “e se fosse o contrário”. Funciona! O texto é rápido. Tem boas frases e analogias, nem todas, afinal temos uma “mais por fora que bunda de nudistaa” Completamente diferente desta ótima passagem “Gregório meteu-se em seu quarto e passou o dia todo fora dele” É muito perspicaz, conseguiu arrancar um sorriso aqui do meu rosto.
    Os personagens tem força, características próprias bem definidas, exceto pelo Pai, é claro. Os diálogos ajudam a história, ou seja, não estão apenas como exigência do protocolo.

    Seu conto é bom e divertido parabéns!

  5. Marco Aurélio Saraiva
    30 de agosto de 2017

    Um conto muito corajoso e inteligente. Primeiramente o leitor se atrapalha com todas a antíteses, até entender que as antíteses são, justamente, o cerne da história.

    Gostei de como você conseguiu contar uma história, ser engraçado e ainda assim adicionar profundidade ao texto. Gregório poderia ser um adolescente se descobrindo, olhando-se no espelho e entendendo, finalmente, o que realmente era. Gostei de como ele, no final, se aceita e “mexe suas anteninhas de vinil” tal qual a sua mãe no início. Quanto mais o tempo passa, também percebo que sou muito parecido com os meus pais.

    O mundo adolescente é cheio de paradoxos e antíteses, como no conto. Mas é assim também toda a nossa vida. Não existe data certa para o nosso descobrimento e, quando ele acontece, o mundo parece ficar de cabeça para baixo. Você expressou tudo de forma um tanto artística, dominando até mesmo os erros, que eram encaixados com certa obviedade, para denotar que eles eram propositais. Não vi problemas na leitura. Foi excelente!

    Destaque para as frases:

    “…depois de muito tempo pensando pouco, achou a ideia estupidamente inteligente”

    “Depois de conversarem muito sobre nada, e de estar tudo certo e nada resolvido…”

    Muito bom!

  6. Lucas Maziero
    29 de agosto de 2017

    Opinião geral: Mais um conto doido, gostei!

    Gramática: Está bem escrito, apesar de alguns erros encontrados.

    Narrativa: Um estilo inteligível. Creio que o uso equivocado de algumas palavras e frases foi intencional, como:

    –> — Peraí, mãe, não fique tão desassustada
    –> (que a bem da mentira não havia nenhum ali)
    –>Gregório meteu-se em seu quarto e passou o dia todo fora dele
    –> Imagine um bode sorridente sorrindo para você, não mexeria com os nervos de qualquer nenhum? (em vez de qualquer um)

    E por aí vai.

    Criatividade: Não tão boa. Simplesmente pegou uma ideia já existente, encontrada no livro A metamorfose, de Kafka, e a subverteu em algo pouco gracioso. Contudo, gostei de algumas passagens, como o diálogo com a namorada Cunegundes.

    Comédia: Bem humorado, um tanto non sense, creio que dentro da proposta.

    Parabéns!

  7. Davenir Viganon
    28 de agosto de 2017

    Claramente inspirado na obra “A Metamorfose” de Franz Kafka. mas desta vez sobre um inseto monstruoso que se tornou num humano mediano. Eu ache bom, é cômico e trabalhou bem o material original com as inversões. Não sei se foi proposital, mas as inversões aparecem até na importância dos papeis. O pai deste Gregório, só aparece em uma linha, já na obra original o pai era o centro da sua aflição. Alguns já disseram que esse conto é meu, que me deixa bastante lisonjeado pois gostei bastante. muito divertido!

  8. Rubem Cabral
    28 de agosto de 2017

    Olá, Curiango.

    Curioso o seu conto, acho que é o único conto realmente absurdo que eu li neste desafio. Algumas partes funcionaram, feito o início, com a metamorfose às avessas, a consulta com o médico telepata também. Outras, feito o encontro com a namorada, não acrescentaram nada à história, penso.

    Quanto à escrita, está boa. Diálogos idem. Quanto à construção de personagens, penso que eles ficaram só esboçados, que apenas serviram para conduzir o enredo.

    Boa sorte no desafio e abraços.

  9. Jorge Santos
    27 de agosto de 2017

    O tom utópico deste conto começa logo na primeira frase, na referência ao dia 30 de fevereiro. A partir daí é o descalabro total, no bom sentido, mas preferia que fosse menos confuso. Apreciei a referência aos javalis. Terá sido este um conto que sobrou do desafio anterior?

  10. Juliana Calafange
    26 de agosto de 2017

    É muito difícil fazer rir. Ainda mais escrevendo. Eu mesma me considero uma ótima contadora de piadas, mas me peguei na maior saia justa ao tentar escrever um conto de comédia para este desafio. É a diferença entre a oralidade e a escrita. Além disso, o humor é uma coisa muito relativa, diferente pra cada um. O que me faz rir, pode não ter a menor graça para outra pessoa. Assim, eu procurei avaliar os contos levando em consideração, não necessariamente o que me fez rir, e sim alguns aspectos básicos do texto de comédia: o conto apresenta situações e/ou personagens engraçadas? A premissa da história é engraçada? Na linguagem e/ou no estilo predomina a comicidade? Espero não ofender ninguém com nenhum comentário, lembrando que a proposta do EC é sempre a de construir, trocar, experimentar, errar e acertar! Então, lá vai:
    Simplesmente adorável o seu conto, Curiango! Muito louquinho, mas eu adooooro loucuras! A história é divertida, numa estrutura simples e eficaz. A linguagem fora do comum acrescenta um toque de extravagância ao conto e na verdade, acho que é dessa extravagância que sai a graça do texto. Porque a situação, em si, não tem nada de cômico. Poderia até ser um conto de terror, se vc tivesse escolhido outra linguagem narrativa. E, nesse mundo paralelo onde qualquer absurdo é dito como se fosse a coisa mais normal do mundo, até os erros de português, como “Puta perca de tempo” e “ agora cê mim vem com essa”, passam sem qualquer destaque dado pelo autor, sejam aspas ou grifos, como se Tb fosse a coisa mais normal do mundo do nosso idioma. Também amei esse final meio Shrek! Dá um ar de fábula ao desfecho. Parabéns!

  11. Pedro Luna
    26 de agosto de 2017

    Mais um conto que ganha pontos por características especiais, do que propriamente pela trama ou tons de comédia. Aqui, fiquei intrigado com as frases que se negavam o tempo inteiro, como: “Gregório meteu-se em seu quarto e passou o dia todo fora dele”. Obviamente pensei se tratar de um erro no começo, mas depois vi que não. Não peguei o objetivo, não sei se tem algo a ver com o trabalho homenageado de Kafka, que nunca li, mas achei bem interessante esse recurso estilístico. Certamente foi o diferencial. Quanto a trama, não vi muito o que comentar. Acompanhamos o dia de Greg e é isso, nada muito emocionante nem que prende mt a atenção. No geral, um conto médio com esses detalhes diferentes que deram mais valor ao texto.

  12. Paula Giannini
    25 de agosto de 2017

    Olá, Curiango,

    Tudo bem?

    Creio que Kafka seja um dos autores mais homenageados em intertextualidade do mundo. 😉 Gostei de sua “versão”. A barata vira homem e o universo é todo “do avesso”. Se não o universo, ao menos as palavras.

    Gostei de sua investigação acerca dos significados dos vocábulos, empregando-os como antônimos, a fim de causar um belo estranhamento em seu leitor. Soou quase como o palavreado da Família Adams, sem que haja nada de pejorativo nesse meu comentário. Ao contrário.

    Quanto ao conto em si, a premissa é ótima e respeita os universos criados na obra do autor homenageado, mantendo a vida do rapaz dentro de um cotidiano que, se por um lado parece totalmente natural, por outro mostra a pequenez da vida que escolhe seguir um caminho igual ao de todos os outros. A massa.

    Parabéns.

    Sucesso no certame.

    Beijos
    Paula Giannini

  13. angst447
    24 de agosto de 2017

    Olá, autor(a), tudo bem?
    Temos aqui uma paródia de Metamorfose de Kafka? Texto cheio de referências (algumas entregaram a idade) e expressões com o sentido trocado. Por exemplo: O pior possível dos melhores mundos/cabelos ao vento sobre os capacetes/conversar sobre esse bem-entendido.
    Ou seja,é uma leitura bem divertida, mas que requer o desapego de qualquer lógica. Bom mesmo é tomar o mesmo chá que o(a) autor(a) deve ter tomado.
    Não há lapsos de revisão que atrapalhem a leitura. Só reparei em dois:
    transmissão é conhecia > transmissão é conhecida
    Puta perca de tempo > perda de tempo (mas aqui acho que o erro foi proposital, pois se trata do pensamento de Gregório)
    Também há menção a termos só conhecidos por aqui: chubby(Anorkinda homenageada) e javalina (saudades do último certame?)
    O ritmo da narrativa é muito bom e os diálogos agilizam a leitura, o que ajuda muito. Parabéns pela criatividade.
    Boa sorte!

  14. Roselaine Hahn
    23 de agosto de 2017

    Olá autor, parodiar Kafka não é moleza, nem para baratas. Achei que vc. começou bem, a ideia da transformação, ao contrário de Metamorfose, pareceu-me original, o enredo em si é uma ótima sacada. Alguns poréns a destacar: a questão dos opostos em excesso, tipo “Como a namorada morava por perto, Gregório achou melhor telefonar do que andar toda aquela distância até a casa dela”, chegou uma hora que tornaram-se repetitivos, não causaram mais o impacto do início. E tudo que não serve a um propósito no texto, deve ser cortado, para o bem da fluidez e aproveitamento do que realmente importa, como em: “— É conveniado ou particular?— Particular…— São trezentos mangos, por favor”, perceba que essa informação não trás qualquer influência na trama, podendo ser descartada. Ah, a sacada da javalina foi muito boa, e as piadas da barata também. E jure pra mim que na frase: ” Puta perca de tempo ter vindo aqui”, o perca é erro do personagem e não do autor, né? Jure….Parabéns e sorte no desafio.

  15. Eduardo Selga
    23 de agosto de 2017

    O conto faz uma paródia de “A metamorfose”, de Kafka, avançando na “animalização” dos personagens. Na obra de Kafka, um dos mestres do Fantástico, apenas Gregor Samsa passa por esse processo; em “A transformação” (até o título remete ao texto parodiado) há várias “pessoas-insetos” e um “médico-caprino”, embora haja a possibilidade de, exceto no caso do protagonista, alguns outros personagens não serem a representação de pessoas metamorfoseadas, e sim de animais falantes. Nesse caso, teríamos uma fábula.

    O(a) autor(a) busca captar e parodiar o insólito kafkiano por meio de uma linguagem caracterizada pela falta de nexo causal (nonsense), pelo trocadilho e relações antitéticas. Estas soam muito mais estranhas que engraçadas. O resultado não me parece de todo bom, pois o humor gerado soa apenas como truque linguístico, na medida em que as situações em cena, por elas mesmas, pouco têm de humorísticas.

    Contribui para a baixa efetividade enquanto comédia (e aqui não falo da intensidade do risos provocado) a pouca variedade de recursos que possam induzir ao cômico, concentrado basicamente nos três itens da construção da linguagem que já citei. É como se apenas o fato de ser parodístico fosse garantia de humor. É importante ressaltar isso, porque paródia não é necessariamente comédia, embora na maioria das vezes sim.

    Seria preciso mais. É que a comédia é um gênero muito ligado ao cênico, à encenação, portanto produzi-la quase exclusivamente pelo sintático e pelo semântico é tarefa árdua. O(a) autor(a) poderia manter a estratégia de humor pela linguagem (e no presente desafio há vários contos bem sucedidos nesse sentido), mas os recursos linguísticos deveriam ser mais variados.

  16. Ana Maria Monteiro
    22 de agosto de 2017

    Olá colega de escritas. O meu comentário será breve e sucinto. Se após o término do desafio, pretender que entre em detalhes, fico à disposição. Os meus critérios, além do facto de você ter participado (que valorizo com pontuação igual para todos) basear-se-ão nos seguintes aspetos: Escrita, ortografia e revisão; Enredo e criatividade; Adequação ao tema e, por fim e porque sou humana, o quanto gostei enquanto leitora. Parabéns e boa sorte no desafio.

    Então vamos lá: A sua escrita é fluida e desenvolve-se bem, tornando a leitura fácil. Não encontrei falhas de revisão nem nada a apontar (excepto a: “perca” de tempo). A trama está bastante adequada ao tema e, apesar de nada ter a ver, é impossível não ir pensando em Kafka, logo no título e durante toda a leitura, sendo até agradável acabar por encontrar a referência direta. Enquanto leitora foi uma experiência agradável, ainda que um pouco acidentada por desvios frequentes entre a simplicidade e a complexidade.

  17. Gustavo Araujo
    22 de agosto de 2017

    Uma inspirada homenagem a Kafka e ao universo subversivo – ou subvertido – por ele criado. Uma trama meio nonsense, com um cara – Gregório, claro – que se vê transformado em algo diferente do que costumava ser. Percebe-se que seu ambiente, as pessoas, as ideias, os argumentos, são autorreflexivos e autocontraditórios. Confesso que no início achei estranho esse contexto, mas no fim acabei me acostumando. Na verdade, ao perceber que essas contradições foram intencionais, tive uma outra percepção do conto. Nesse cenário avesso tudo se encaixa, como peças de quebra-cabeças diferentes que se amontoam, formando um todo assimétrico, mas mesmo assim inteligível. Se fosse possível comparar a um estilo de arte, diria que se parece com o cubismo. O conto é uma releitura não só de Kafka, mas de Picasso. Causa estranheza na partida, mas no final a viagem mostra-se no mínimo corajosa, criativa e inteligente. Não ri – não é um texto para gargalhar – mas não deixei de me divertir e no fim é isso o que importa. Ótimo trabalho.

  18. Olisomar Pires
    21 de agosto de 2017

    Escrita: Boa, sem entraves, fluida.

    Enredo: algo se transforma em outra coisa e narra suas experiências.

    Grau de divertimento: médio. As construções com sentido inverso dão um charme ao texto, no início. Depois se torna cansativo. Tudo é uma grande fantasia e nada precisa fazer sentido, claro, mas a repetição do argumento derruba o encantamento pela leitura.

  19. Fheluany Nogueira
    21 de agosto de 2017

    Uma comédia que mistura situações improváveis, como o personagem com outra aparência, o médico estranho. O texto tem um bom ritmo e está bem escrito. A trama é meio sem lógica, não entendi bem o lance dos seis membros.

    O protagonista está bem construído e é fácil entendê-lo, mas não convenceu, faltou mais emoção e mais graça, pareceu-me até com uma lição de moral na repetição do “aceitar-se”.

    Parabéns pela final. Abraços.

  20. Brian Oliveira Lancaster
    21 de agosto de 2017

    JACU (Jeito, Adequação, Carisma, Unidade)
    J: Texto carregado de ironia, apresentado de forma excepcional. Devo dizer que atingiu muito bem o objetivo, apesar de focar mais no sarcasmo. – 9,0
    A: O personagem diz e pensa coisas engraçadas, mas se o contexto não ajudasse, nada faria sentido. Então a comédia de situações impera, com a inversão de papeis de Kafka. A ideia é batida, mas tem sua originalidade por inverter a situação e misturar com o mundo dos animais de “Estação Perdido”. Sim Davenir, sei que esse texto é seu. – 8,5
    C: Tem carisma de sobra. Um ou outro exagero em palavrões, mas o enredo compensa, apesar do final “água com açúcar” e referência ao javali passado (ou mal passado). – 8,8
    U: Está bem escrito e você dividiu a ação com itálicos e diálogos indiretos. Bem construído. Somente o final ficou “normal” demais para a loucura apresentada. – 9,0
    [8,8]

  21. werneck2017
    20 de agosto de 2017

    Olá, Curiango!
    Um texto bem-humorado, sem dúvida, fazendo uma sátira à Kafka com espiritualidade. Desde o início, eu, como leitora, vi-me interessada na estória que se desenvolveu criativa, coerente, coesa, com direito à inserção de javalis e javalinas.
    É um texto que envolve, emociona, conecta o leitor nas agruras do personagem que padece. Muito bom.

  22. Evandro Furtado
    20 de agosto de 2017

    Olá, caro(a) autor(a)

    Vou tentar explicar como será meu método de avaliação para esse desafio. Dos dez pontos, eu confiro 2,5 para três categorias: elementos de gênero, conteúdo e forma. No primeiro, eu considero o gênero literário adotado e como você se apropriou de elementos inerentes e alheios a ele, de forma a compor seu texto. O conteúdo se refere ao cerne do conto, o que você trabalha nele, qual é o tema trabalhado. Na forma eu avalio conceitos linguísticos e estéticos. Em cada categoria, você começa com 2 pontos e vai ganhando ou perdendo a partir da leitura. Assim, são seis pontos com os quais você começa, e, a não ser que seu texto tenha problemas que considero que possam prejudicar o resultado, vai ficar com eles até o final. É claro que, uma das categorias pode se destacar positivamente de tal forma que ela pode “roubar” pontos de outras e aumentar sua nota final. Como eu sou bonzinho, o reverso não acontece. Mas, você me pergunta: não tá faltando 2,5 pontos aí? Sim. E esses dois eu atribuo para aquele “feeling” final, a forma como eu vejo o texto ao fim da leitura. Nos comentários, eu apontarei apenas problemas e virtudes, assim, se não comentar alguma categoria, significa que ela ficou naquela média dos dois pontos, ok?

    Uoooooooooooooooooooooooooooou. Que viaaaaaaaaaaaaaaaaaaagem, caaaaaaaaaaaara. Devia ter ouvido Frank Zappa pra ler esse. Parece que eu acabei de ler uma história de Bizarro, no mundo Bizarro. “Mim ser Bizarro” e tudo o mais. Hmmmmmm, o seu conto é tão bom que não gostei. Seu conto talvez tenha uma nota boa e baixa. Ou tudo ao contrário. Ah, eu e essa minha mania de absorver as escolhas estéticas dos textos que leio. Mas, falando sério agora. A escolha foi bem interessante e resultou em um texto bastante diferente, o que é sempre positivo. Talvez tenha sido um pouco mais absurdo do que ridículo, mas, no final, o saldo é positivo.

  23. Thiago de Melo
    18 de agosto de 2017

    Amigo Curiango,

    Muito legal o seu texto. Gostei de como você usou a história da metamorfose como base para o seu texto, mas sem fazer uma cópia paraguaia, você colocou no texto o seu próprio estilo e isso ficou muito legal. Também gostei bastante dos paradoxos de trocar as palavras que se esperaria ouvir por seus exatos antônimos. “Vamos ficar mal, por favor!”
    A única coisa que não gostei tanto foi o uso de algumas frases feitas, tipo “só sei que nada sei”, mas nada de muito crítico. Foi um bom trabalho, bem executado. Parabéns.

  24. Leo Jardim
    17 de agosto de 2017

    A transformação (Curiango)

    Minhas impressões de cada aspecto do conto:

    📜 Trama (⭐⭐⭐▫▫): uma releitura invertida do conto de Kafka (referenciado nominalmente). Acho que o autor ficou no meio termo entre contar logo no início que o personagem era uma barata e virou humano e deixar isso para uma revelação no fim. Acabou que eu percebi logo e o fim não me surpreendeu. A trama também possui algumas gorduras, como a consulta com o bode telepático que acabou sendo maior que o necessário. Enfim, é mais um amontoado de referências que uma trama em si.

    📝 Técnica (⭐⭐⭐⭐▫): achei bastante boa, daquelas que não chegam a se destacar pelas figuras de linguagem elaboradas, mas cumpre bem o papel. Foi uma leitura bastante fluída.

    💡 Criatividade (⭐▫▫): textos que brincam com a metamorfose de Kafka são bastante comuns. Só aqui no EC já li vários. Para fugir do lugar-comum, precisaria de um pouco mais de personalidade.

    🎯 Tema (⭐⭐): é um texto divertido, focado na comédia.

    🎭 Impacto (⭐⭐⭐▫▫): o texto faz piadinhas em vários momentos e algumas me arrancaram risadas. A falta de um destaque maior e o fim previsto, entretanto, diminuíram um pouco o impacto.

    🤡 #euRi:

    ▪ “Como a namorada morava por perto, Gregório achou melhor telefonar do que andar toda aquela distância até a casa dela.” 😃

    ▪ “melhor do que… do que uma javalina. Estou farto de javalis” (quem não está?) 😃

    ⚠️ Nota 7,5

  25. Gustavokeno (@Gustavinyl)
    17 de agosto de 2017

    Curiango, que conto bom.

    Haha!

    Adorei a alusão ao Kafka, adorei a escrita e adorei os nomes criados. Cunegundes! Muito bom.

    Com certeza, pela engenhosidade do conto, foi um dos melhores trabalhos que li até agora.

    Parabéns.

    O final foi o ponto alto.

    PS: Davenir? É você?

  26. Amanda Gomez
    16 de agosto de 2017

    Oi, Curiango.

    Três vezes eu li seu conto, e nas três eu acho que não entendi nada. Esse ser, Gregório, ora parece humano, ora parece um equino, depois algo com antenas e vários braços, talvez isso não precise ser explicado….na verdade precisa sim, o nome do conto é transformação, como ela ocorreu? pq ocorreu? trata-se apenas de um conto para estimular as diferenças e a aceitação de si próprio?

    Confuso, bem confuso. Há características sim de humor, não funcionaram comigo, mas estão ai, nos diálogos rápidos, com boas tiradas, na fluidez, nos personagens.

    Boa sorte no desafio 🙂

  27. Priscila Pereira
    16 de agosto de 2017

    Olá Curiango.
    Esse comentário não serve como avaliação, é só minha opinião sobre o seu texto!
    Que texto interessante de ler… gostei bastante das contradições. Fiquei curiosa… no que ele se transformou? Eu perdi alguma coisa ou você omitiu essa parte mesmo?? Achei muito legal esse universo paralelo de baratinhas… um ótimo texto. Parabéns e boa sorte!!

  28. Wender Lemes
    16 de agosto de 2017

    Olá! Primeiramente, obrigado por investir seu tempo nessa empreitada que compartilhamos. Para organizar melhor, dividirei minha avaliação entre aspectos técnicos (ortografia, organização, estética), aspectos subjetivos (criatividade, apelo emocional) e minha compreensão geral sobre o conto.
     
    ****
     
    Aspectos técnicos: um conto bem revisado e organizado, que abusa de uma ferramenta narrativa. Esqueci o nome que se dá a esse tipo de figura de linguagem, mas refiro-me à contraposição de ideias (antítese? Não lembro mesmo). Enfim, é uma artimanha estética que busca realmente causar o estranhamento, invertendo valores e usos, fazendo o leitor se questionar se leu direito.
     
    Aspectos subjetivos: sempre achei a “Metamorfose” meio tragicômica. Reconstruí-la de um modo puramente cômico é uma saída ousada. Nesse sentido, acho que entendi a presença constante da figura de linguagem que citei: a transformação não se limita ao conteúdo descrito, ela abrange também a forma, a descrição. É como se todo o universo fosse invertido, não apenas o protagonista. Achei isso bastante criativo.
     
    Compreensão geral: como se Kafka não fosse suficientemente pirado, você o recriou às avessas. Gostei disso e da maneira sutil como o fez, sem se focar nos detalhes do que se passava, mas induzindo às suposições – acho que esse aspecto lembra um pouco o original.

    Parabéns e boa sorte.

  29. Anderson Henrique
    16 de agosto de 2017

    Ufa! Algo novo, um sopro. Sabe, gosto muito das bizarrices. E teu texto tá cheio delas. Começar com uma inversão da metamorfose foi covardia, pois captura de imediato o quem gosta dessa linha. Bacana observar que o texto foi seguindo nessas inversões até o fim, às vezes se metendo pela negação da negação pra tornar ao sentido original. Gostei bastante. O humor vai pro lado do absurdo, mas é coerente e se mantém concreto durante toda a narrativa. Referências aqui e ali. Parabéns!

  30. Renata Rothstein
    15 de agosto de 2017

    Olá, Curiango, beleza?
    Para mim foi o seu conto foi o mais engraçado, até agora.
    Criativo e com grande fluidez, embora alguns errinhos de gramática atrapalhem (há diferença clara entre os erros propositais, e os erros “de verdade”).
    Destaque para os nomes, achei hilários, e a alusão à A Metamorfose, de Kafka.
    Destaque para os diálogos.
    Nota 9,4
    Abraços

  31. Jowilton Amaral da Costa
    14 de agosto de 2017

    Achei o conto médio. Na verdade achei meio bobo, sem pretensão, se havia algo a mais para captar, me fugiu da leitura.. A narrativa é simples. Não vi erros e a escrita está O.k. Entendi que uma barata, um inseto, chamada Gregório se transformou em um ser humano, o contrário do famoso livro de Kafka, e com isso o autor também reverteu algumas expressões, como assustada para desassustada, ficar bem com ficar mal e algumas outras espalhadas por todo o texto. Tipo o mundo bizarro das estórias em quadrinho. No entanto, o tipo de humor não funcionou comigo e terminei sem sentir nada de especial em relação a estória. Boa sorte.

  32. Fernando.
    13 de agosto de 2017

    Olá, Curiango, que interessante a homenagem que faz ao grande Kafka. Ficou bacana, bastante criativa a sua história. Fica claro para mim o tremendo trabalho que teve ao inverter as situações. Parabéns pela sua rica história. Seu conto me trouxe uns sorrisos, claro. Está bem adequado ao tema, com certeza. Grande abraço.

  33. Luis Guilherme
    12 de agosto de 2017

    E aí, curiango, tudo em paz??

    Quantas referências entreconticas.. hahaha

    Fiquei pensando: será que o Davenir seria tão ousado? Ou seria um imitador, fazendo se passar pelo pobre rapaz? Ou seria realmente o Davenir, que, já sabendo que eu desconfiaria que ele não seria tão ousado, ousou? Muitas perguntas.

    MAs vamos lá, possível não-Davenir Viganão.

    O conto é divertido! As subversões deram um tempero ao conto.

    E também tem algumas reflexões legais, principalmente na cena do psicologo, tudo regado a bom humor e uma pitada de irreverência.

    Captei algumas referências do EC: os chubbys da Kinda, o Gregório do Davenir, o final sabrinesco, os javalis (argh, nem me lembre)..

    Aliás, gostei dessa parte ahahha.. “estou farto de javalis. só não sabia pq”

    Enfim, é um conto divertido, que certamente vai ser mais apreciado pelos veteranos do EC, que conta com uma pitada de bom humor e irreverência que dão o tom do conto. O enredo é bom, também.

    Belo trabalho. PArabéns e boa sorte!

  34. iolandinhapinheiro
    12 de agosto de 2017

    Método de Avaliação IGETI

    Interesse: Um barato este conto (sem trocadilhos). A expressão Kafkiana ao avesso ficou muito criativa, engraçada, e maravilhosa de se ler. Parabéns, menino. Talvez ficasse ainda melhor se vc cortasse algumas coisinhas, mas no todo o conto está uma delícia.

    Graça: Putz, eu dei a minha tão sonhada risada alta. O texto é irônico, os personagens são cômicos, as situações nos remetem às atitudes comezinhas de uma família, proporcionando um reconhecimento que envolve o leitor. Há alguns momentos ainda melhores que o todo (que já é muito bom). Este trecho aqui eu achei particularmente hilário:

    “Que se dane! Nesse trabalho de merda ninguém ia com a minha cara mesmo, ninguém aceitava o meu jeito de ser. Para quem está cagado, que diferença faz uma freada? Procuro outro trampo, e boa. Pau no c do seu Franz!”

    Cumpriu com excelência a adequação ao tema.

    Enredo: A barata Gregório acorda certa manhã transformada em ser humano. O fato dramático na vida do rapaz gera consequências engraçadíssimas através de situações muito bem criadas pelo autor, e de personagens marcantes. Um enredo muito bom, que, suspeito, tenha saído da cabeça de um certo colega.

    Tente Outra Vez: Só aconselharia a cortar um pouquinho alguns excessos desnecessários. Mas o conto está TOP.

    Impacto: Dei as gargalhadas que imaginei para este desafio. Amei seu conto. Abraços.

  35. Cilas Medi
    11 de agosto de 2017

    maldormida, = mal dormida.
    . O reflexo que via no espelho lhe causava a mais deleitosa aversão. Como se explica o “deleitosa aversão”. O que isso realmente quer dizer?
    … que a consulta “dava-se” por encerrada. = que a consulta “se dava” por encerrada.
    Cunegundes = o que é ou o que significa?
    Pois é, o pior texto que já li (obrigado após a primeira frase) de uma possível comédia. Não tem como evitar um reflexo de repúdio e constatar falta de respeito para com um desafio que pediu, como máxima, a comédia. Não me alongo mais nas considerações para não ser totalmente desagradável. Não cumpriu nada do que haja que prometeu. Ah sim, o javali é em outro desafio. Nota 3,0 (e a minha menor nota sempre é cinco, portanto, fica devendo). Abraços autor(a).

  36. Catarina Cunha
    11 de agosto de 2017

    Gostei muito desse jogo maluco de palavras, como “Ela pensou durante uma breve eternidade.”. O conto em si tem uma premissa é muito legal. As gírias antigas também ficaram engraçadas. Infelizmente o texto está repetitivo e carregado de interferências com opiniões do narrador que prejudicam o fluxo.

    Frase auge: “ Ah, e claro, vou receitar um remedinho para você: tome dois comprimidos ao dia de fluocretina, isso ajuda bastante”. – Tá explicado: o narrador toma o mesmo remédio.

    Sugestão:

    Enxugar o texto sem dó nem piedade. O diálogo entre os namorados está enorme e sem acrescentar nada à trama. Rever os comentários entre parênteses, como: “(ou algo assim)”

  37. Cláudia Cristina Mauro
    10 de agosto de 2017

    Gostei da inspiração no texto de Kafka, porém recriando a história ao contrário.
    Texto enxuto, criativo, que não entrega a história antes da hora, dando-nos a chance de imaginar, deduzir e participar. Tal qual o texto de Kafka, o conflito é apresentado logo no início, sem que isto perca a força narrativa, ou entregue todas as questões.
    Há alguns clichês em alguns diálogos, principalmente com a namorada, chegando a ser bem piegas. Mas não posso deixar de afirmar que a namorada e o psicólogo são as personagens que mais garantem o ritmo cômico.
    Tem um problema com o tempo verbal dentro do mesmo parágrafo.
    Você conseguiu dar uma comicidade ao texto, tornando-o seu. Já Kafka temos, como você sabe, uma narrativa incômoda e pesada, que causa enjoos em algumas passagens. Seus personagens não causam enjoo, mesmo com seis membros.
    Por fim, foi uma metamorfose bem conduzida.
    Nota 8.

  38. Higor Benízio
    10 de agosto de 2017

    Gostei da forma como brincou com os adjetivos, foi bacana. O tom que empregou também funciona bem, apesar de essa coisa de transformações e quimeras ter desviado muito o foco da leitura. Talvez funcionasse melhor sem isso, o que daria uma ênfase as boas tiradas e piadinhas. No mais, bom trabalho!

  39. talitavasconcelosautora
    9 de agosto de 2017

    Vamos seguir a lógica do conto: uma história absurdamente tradicional, surpreendente e muito clichê. Agora inverta tudo, rs.

    Achei incrível a analogia com a Metamorfose, de Kafka. Não vou dizer que amei o conto, mas a brincadeira com os antônimos foi bem divertida.

  40. Anorkinda Neide
    8 de agosto de 2017

    Hahahaha gostei muito!
    chubby girl?! hahaha
    fluocretina? hahaha
    Falando sério.. fazia tempo que nao me deparava com um texto assim, com as contradições fazendo todo o sentido hahaha
    Não vou parar de rir neste comentario!
    Doida pra saber quem escreveu..um paulistano, com certeza, meu! Que da hora!
    Abraços e mil risadas

  41. Regina Ruth Rincon Caires
    7 de agosto de 2017

    Diz e contradiz, fala e desfala, “antonímica” constante. Interessante que o texto fala de javalina, e o termo remete a um prêmio passado. Pode ser que não. “Então, mãe, não sei, só sei que nada sei.”, esse é o teor que permeia toda a escrita. Ler o texto é um processo de mutação. Gosto disso. É uma leitura que zonzeia, prende, são fatos que trazem o inconcebível sem que haja tempo de avaliar. O desfecho abrupto e morno deixou um gostinho de “quero mais”. Bom texto. Parabéns pelo Gregório de Matos, Curiango!

  42. Fabio Baptista
    6 de agosto de 2017

    SOBRE O SISTEMA DE COMENTÁRIO: copiei descaradamente o amigo Brian Lancaster, adicionando mais um animal ao zoológico: GIRAFA!

    *******************
    *** (G)RAÇA
    *******************

    Não é um texto para gargalhadas (pelo menos não foi pra mim), mas consegue manter o humor em alta e arrancar uns risos vez ou outra.

    – (um coadjuvante sem nome)
    >>> boa!

    – por fora do que bunda de nudista
    >>> não tem muito a ver (o ideal seria “pra fora”, que não combina ali), mas eu ri rsrs

    – Ah, agora cê mim vem com essa!
    >>> kkkkkkkk

    – Estou farto de javalis.
    >>> quem pode culpá-lo? rsrs

    Há um jogo de palavras interessante ao longo do texto, como se o bom fosse ruim e vice-versa:

    – qualquer nenhum
    – começaram a despreocupar-se
    – deleitosa aversão
    – conversarem muito sobre nada
    – Vamos ficar mal, por favor!

    Mais ou menos como se no mundo das baratas valessem as regras da família Adams. Apesar de achar criativo, o efeito humorístico não funcionou muito comigo.

    *******************
    *** (I)NTERESSE
    *******************
    Prendeu a atenção o tempo todo (nesse ponto, a inversão de bom/ruim mencionada acima ajudou, pois o estranhamento dava uma “acordada” no cérebro, forçando o raciocínio).

    *******************
    *** (R)OTEIRO
    *******************
    O plot é meio batido. Se não me engano, em algum desafio passado teve um conto com a mesma premissa: barata (ou outro inseto que não me lembro) transformando-se em humano.
    Mas, como não ligo muito para o uso de clichês e plot batidos (eu mesmo faço isso amiúde), gostei.

    *******************
    *** (A)MBIENTAÇÃO
    *******************
    Mais um ponto em que o jeito “Família Adams” ajudou, dando uma peculiaridade ao mundo das baratas.
    Gostei dos personagens, com exceção ao pai que não disse a que veio (além de gerar uma boa piada, com o autor quebrando a quarta parede muito bem), todos parecem únicos, com personalidades distintas. Isso é muito legal.

    *******************
    *** (F)ORMA
    *******************

    Sem falhas gramaticais e muito bem escrito dentro da proposta.

    *******************
    *** (A)DEQUAÇÃO
    *******************
    Totalmente adequado.

    NOTA: 8,5

  43. José Bandeira de Mello
    6 de agosto de 2017

    Percebe- se que o autor domina tanto a arte da escrita que brinca com ela. Talentoso, faz das contradições o forte no texto – como o próprio Gregorio de Matos original- e faz da metamorfose o tonica do conteudo. Texto riquíssimo, repleto de sacadas inteligentes, curiosas e bem humoradas. Muito bem conduzido e de fácil leitura, será sempre devorado por quem estiver com ele. Adorei o personagem do doutor e até mesmo do pai, que era um desses que não lavava nem uma louça kkkk. E finalmente…uma ótima comedia. Parabéns a quem o escreveu.

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Publicado às 5 de agosto de 2017 por em Comédia - Grupo 2, Comédia Finalistas e marcado .