EntreContos

Literatura que desafia.

Terceira encruzilhada, no caminho da esquerda (José Geraldo Gouvea)

Hoje que estou em segurança tudo parece ter sido sonho, como sempre na vida. Hoje está tranquilo, madrinha, mas não quero visitas, estou doente ainda, quero remédios e não quem me teste a paciência e diga que estou corado e bonito. Para essas coisas tive a minha mãe, que Deus a tenha.

Disseram-me que estive sumido muito tempo, que me acharam nos matos, com barba e banho de muitas semanas, picado de insetos, quase morto de tanta ferida. Disso não lembro. Dizem os médicos que vou lembrar, depois que melhorar. Enquanto isso, por favor me alcance aquele copo de leite quente porque passou um frio dentro de mim. Mas se o exercício da cabeça faz bem para o corpo também, conforme diz Dr. Juvenal, então vamos seguir espremendo as lembranças. Se eu voltar a sentir frio, pede outro copo de leite quente, que a minha boca ainda está muito inchada para mastigar.

Madrinha, só sei que queria muito encontrar a diaba, mesmo numa sexta-feira. Não me tenha raiva, madrinha, família é família e rabicho é rabicho. O homem vai atrás do que confunde, não do que explica. As maravilhas da vida estão no que vem entre as linhas e depois do ponto final. Então eu queria a diaba. Nunca fui de andar pela opinião alheia, queria ver e crer. Não bastava aparecer em noites combinadas para fazer o que Deus não quer — eu queria chegar de surpresa, tirar a limpo a malícia da gente. Era sexta-feira de tarde e eu saí dizendo que ia à cidade por amor de ver missa. O mundo é grande demais para as pernas das velhas seguirem as dos moços.

Desci de lá aos pinotes e sem olhar para trás, talvez de vergonha, correndo até risco de quebrar perna, não quis ver a senhora me olhar com aquela cara de quem sabe aonde o pecado está. Montei depressa, esporeei o cavalo e prometi que voltava outro dia.

Ela tem uma outra casa na matinha da Serra, perto da cachoeirinha. Ninguém se atreve muito por lá: as macegas estão altas, os barrancos são um perigo e a terra não tem nem fruta que preste. O único caminho é o trilho dos animais. Lá que a gente se encontrava nas noites de pecado, madrinha.

Acima da primeira subida, com o cavalo já cansado, a estrada estava seca e os cascos do animal batiam no fofo da poeira e levantavam nuvens amarelas, correndo fácil e leve. Meia légua adiante, porém, ele passou a pisar torto e bamboleou dos quartos. Passei a primeira encruzilhada, e logo a segunda. A estrada passava pela beira do morro, o rio correndo embaixo num chiado gostoso e do outro lado os fogos das casas eram como estrelas na noite preta — mas não haveria noite preta de ter estrelas, era lua cheia e a estrada logo seria um tapete entre pastos e mato.

Cheguei à terceira encruzilhada e tive o primeiro arrepio de medo, quando lembrei o que a madrinha diz: o caminho do inferno é difícil, por isso que o catiço vem até nós. Mas bateu o primeiro ventinho frio e esqueci. Só depois lembrei: quebre a esquerda na terceira encruzilhada de um caminho que pouca gente vai.

O cavalo já conhecia o caminho e não tinha medo. Naquele momento a poeira da estrada começou a entrar nas botinas e irritar meu pé, mesmo eu montado. A tarde já estava nas últimas luzes e no fundo da paisagem a Ponta de Flecha apareceu no horizonte com a encosta ainda brilhando ao sol das almas. Mais em frente a estrada passou um estreito dedo de luz amarelada que vinha entre as montanhas. Olhei à direita e a luz descia devagar em direção à estrada, arrastada pelo sol que já se deitava nos braços da serra.

A estrada ficou barulhenta, lembrei do lajedo: estava perto, menos de uma légua. Meu pé começou a coçar por causa dos pedregulhos e da poeira que tinham entrado na botina, e então o cavalo afrouxou e não teve chute nem varada que fizesse continuar. Ele já estava tão arregaçado que começou a cambalear, eu apeei de um susto.

Enquanto o cavalo procurava onde se coçar e deitar, desci, bati as botinas numa árvore e calcei. O cavalo escutou alguma coisa, assustou e disparou pela estrada como se nem cansado. Fiquei de pé, mas a coceira continuava. Sentei no meio da estrada, tirei as botinas e esfreguei as unhas do polegar entre os artelhos. Levantei de novo e tentei caminhar, mas a cavalgada acelerada tinha posto a minha cabeça bamba no pescoço, minha vista balançando como uma página de livro soprada pelo vento.

De repente escutei também. Sem vento nas orelhas e sem trote de cavalo para atrapalhar. Bem no horizonte subia a lua, bem cheia e linda. Escutei os cascos, e já bem perto. Primeiro pensei que fosse meu cavalo enlouquecido que voltava, mas logo enxerguei faiscar depois da curva, ainda longe, e isso me devolveu juízo. Cheirei o ar, tinha uma rainha da noite perto, obra da providência, seu cheiro doce enchia o ar e me adoecia, mas era bem o que Deus me oferecia, eu aceitei.

Prendi o fôlego, o coração batendo no peito como um surdo no carnaval e tentei ouvir o silêncio entre curiangos e corujas. Vinha exato e rápido. Segurei meu grito de medo, saltei de banda e saí da estrada, ou melhor, de lá caí, entre as moitas e espinhos, fui esconder entre a rainha da noite e um taquaral mais abaixo.

Deitado ali, com a alma agarrada entre os dentes e querendo pular da boca, esperei o destino acontecer. O meu coração batia depressa, os cascos vieram devagar.

Troc, troc — como goteira lenta num balde, quando a chuva já vai parando, cada vez mais e mais devagar. Mas sem a alegria de escutar os trovões ficando mais longe.

Troc, troc — como se o cavaleiro tivesse razão para prestar atenção à beira da estrada, talvez soubesse de eu estar lá. Por que, com mil capetas banguelas, eu me arriscava naquela aventura?

Troc, troc — cascos infernais batendo no lajeado. A curiosidade, traiçoeira amante dos desastrados, parecia agarrar-me a cabeça e puxá-la com a força de trezentos bois para eu a levantar e olhar entre os galhos. Mas eu sabia que não devia, que precisava, se possível, bater o coração mais baixo, até evitar a língua nos dentes para não fazer ruído. Qualquer ruído.

Troc, troc — bufado de narinas pareceu um sopro úmido na nuca, como uma mulher me lambendo cangote abaixo. Cada um de meus sete mil e duzentos pelos do corpo arrepiou e o calafrio desceu as costas, me fazendo contorcer. Confesso que me mijei como uma criança que ouve história de fantasma.

Troc, troc — cascos afastando. Pararam, ameaçaram voltar uns passos atrás, e eu com meia mão dentro da boca para os dentes morderem sem fazer barulho. Um relincho fez alguns passarinhos voarem. Felizes eles, podem voar. Mas nem todos. Alguns ficaram, mortos de medo, como folhas secas.

Troc, troc — pela escuridão que aumentava entendi que o animal se afastava, mas demorou a coragem de me mexer, mesmo depois que aquele vermelho esquisito acabou e eu já teria podido até gritar.

Devo ter ficado muitas horas ali parado, sem dormir e sem me mexer. Passei a noite entre cochilos curtos, até que a lua virou no céu e eu a vi de frente, já bem descida e pronta para se por. Então acabou a paralisia e voltei à estrada. Não sentia mais coceira no pé e nem o incômodo da botina. Estava melhor que em toda a vida, andando  como anjo pelas nuvens. Com a lua no céu a paisagem se abria e vi que estava perto e que a estrada estava marcada pelos rastros do que parecia um cavalo imenso, cujas ferraduras cortaram até a pedra. A estrada desceu até a porteira no caminho de casa. Tão perto.

Nas montanhas um dedo rosado penetrou as cortinas pesadas da madrugada, lambuzando de luzes delicadas uma franja de céu ainda estreitinha, mas confortável, graças a Deus. Um relincho rosnado, o lamento medonho de uma criatura do inferno impactou o ar, como se mil cavalos morressem, e o tropel voltou, na potência de cascos sobrenaturais, pela estrada do outro lado do vale, a estrada que se encontrava na encruzilhada logo em frente da última subida.

Então corri, corri o quanto pude, a cortar atalhos pelo pasto. Cheguei depressa, mais tropeçando incerto do que seguindo um rumo. Atirei-me no rio para tirar do corpo o cheiro de poeira e da urina, lavei do jeito que deu, e subi pelo rio, não tive coragem de ir pelo trilho, só se já tivesse amanhecido.

Passei no varal e recolhi uma manta para me enrolar e espantar o frio e contornei a casa, procurando a tulha para esconder. Então o tropel chegou ao terreiro pelos fundos, a menos de dez metros! Senti o sangue passar nas minhas veias como barro que uma criança aperta na mão. Aguardei com esperança alguém desmontar, mas não.

Então o animal espojou e estrebuchou no chão, levantou uma poeira que dobrou a esquina e que apareceu acima do telhado. Quando o ruído diminuiu, a curiosidade me chamou. Era por querer ver se era verdade que eu tinha enfrentado a noite de perigo, andando pelas quebradas aonde o homem de bem não deve ir. Mas eu seria um frouxo se voltasse dali.

No terreiro dos fundos, deitada no chão em posição fetal chão e coberta de poeira eu a vi. Aproximei-me sem que ela visse. Ela tentou se levantar e estendeu os braços até a porta da casa. Gotas grossas de suor caíam de seus cotovelos e escorriam pelas suas costas nuas. Com muita dificuldade ela se pôs de quatro e tentou arrastar-se. Então me viu pelo canto de um olho e virou devagar na minha direção, como se cada músculo estivesse no limite do esgotamento.

Ela me olhou, cheia de vergonha e dor, mas não disse nada. Tentou de novo se levantar, mas os joelhos escorregaram na poeira e tinha de usar os braços para se apoiar. Só então me dei conta de que talvez devesse ajudar. Ela se assustou com o meu primeiro movimento. Estremeceu, estendeu um braço em minha direção como se quisesse me impedir, mas não teria forças.

— Posso ajudar? — Só resmungos. Repeti a pergunta.

— Some daqui — foi o que, por fim, deu para entender de sua voz rouca.

Mas eu não saí. Eu não tinha ido até ali para voltar antes de saber. Filipa, a mula. Eu via com meus próprios olhos, mas queria ver mais, porque, de um jeito que só se explica por artes do demo, eu não estava com nojo e nem queria ir embora. Filipa, a mula.

Exausta, envergonhada e imunda; ela só queria lavar-se na bica, entrar em casa e esquecer de outra noite a assombrar o mundo. Mas ela cambaleava, apoiou-se no batente da porta, os joelhos ralados se dobraram. Caiu de novo. Cheguei mais perto, abaixei-me e procurei onde segurar. Ela xingou, tentou se debater.

— Sai daqui! Não me rele a mão!

Saí de perto. Ela finalmente conseguiu se arrastar até a bica. Perdeu um pouco da vergonha, tratou de se lavar, e eu lá olhando. A água fria relaxou, curou um pouco do cansaço e o sabão lavou um pouco da dor. Na face cheia de cansaço era impossível enxergar o limite entre a água, a lágrima e o suor.

Ela saiu da bica, deu-me as costas, fingiu que eu nem estava. Tateou a porta e destravou a taramela.

— Filipa, posso lhe falar?

Ela me disse alguma coisa em uma voz tão rouca e raivosa que tive medo que ela me mordesse ou me escoiceasse se eu entrasse naquela casa. Então o calor do sol finalmente me tocou e percebi onde estava, que estava nu, que a noite acabara e eu sobrevivera, que um belo novo dia entrava. Daí para a frente eu não lembro mais nada.

Deus me livre.

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53 comentários em “Terceira encruzilhada, no caminho da esquerda (José Geraldo Gouvea)

  1. Elisa Ribeiro
    1 de abril de 2017

    Oi amigo. Passada a correria do desafio e devidamente esclarecida pelas suas explicações, acabei de reler seu conto. Realmente faltam explicações no texto para leitores apressados, hiperativos e pouco acostumados a ler entrelinhas como eu. Mas na releitura, a passagem em que você narra sobre a mula destransformada, você criou a mais bela e pungente cena desse desafio. Parabéns, de verdade! Muito inspirado e inspirador!

  2. jggouvea
    1 de abril de 2017

    O conto foi revisado seguindo algumas das sugestões apresentadas e agora foi blogado no seu lar definitivo, o Letras Elétricas:

    http://www.letraseletricas.blog.br/lit/2017/04/terceira-encruzilhada-no-caminho-da-esquerda/

  3. Wender Lemes
    31 de março de 2017

    Olá! Para organizar melhor, dividirei minha avaliação em três partes: a técnica, o apelo e o conjunto da obra.

    Técnica: o medo do insólito sustenta a trama do início ao fim. A escrita, parte rebuscada/parte regionalista, causa um efeito interessante de sugestão ao leitor menos familiarizado. Nem tudo é claro, nem precisa ser, pois a dúvida é também uma base forte do conto. A trama em si não possui tanto destaque, uma vez que não é o foco da narrativa (basicamente, é apenas o encontro do peão com a mula-sem-cabeça).

    Apego: o suspense mantido enquanto acompanhamos a perspectiva do protagonista é muito importante para o conto, visto que nos mantém aficionados – foi assim comigo, ao menos. Ao final, não há como deduzir com muita propriedade a verdadeira relação do rapaz com Filipa, mas pode-se entender que, apesar do cagaço que passou, ele já conhecia sua história e esperava encontrá-la.

    Conjunto: na soma dos quadrados dos catetos, achei a trama um pouco questionável e a narrativa muito instigante, além da maturidade com que trabalhou com o leitor.

    Parabéns e boa sorte!

  4. felipe rodrigues
    30 de março de 2017

    Eu achei as metáforas muito ricas, pois são pequenas, deixam as frases muito boas. outro ponto forte é a descrição da chegada da mula, mas o texto chama mesmo a atenção enquanto ele cavalga procurando a encruzilhada. a história passa uma impressão de que ela é uma espécie de mulobisomen, Filipa, pois a maldição termina com o raiar do sol, deixando-a exausta e imunda.

  5. Bia Machado
    30 de março de 2017

    Fluidez da narrativa: (4/4)
    Construção das personagens: (3/3)
    Adequação ao Tema: (1/1)
    Emoção: (1/1)
    Estética/revisão: (1/1)

    Muito bacana. Não tive o que tirar de pontuação, nos meus critérios está tudo de acordo com o que estou avaliando. É complicada uma narrativa em primeira pessoa que leva quase o conto inteiro. Muito bom!

  6. Vitor De Lerbo
    30 de março de 2017

    Um texto poético, com passagens bem bonitas. Prende a atenção até o final.
    Boa sorte!

  7. Marsal
    30 de março de 2017

    Olá, autor (a). Parabéns pelo seu conto. Vamos aos comentários:
    a) Adequação ao tema: com certeza adequado
    b) Enredo: bem articulado. Acho que, de todos os que li ate agora, o mais assustador. A mula sem cabeça aqui lembra-me a versão feminina de um lobisomem, o suspense foi muito bem construído.
    c) Estilo: bem escrito, a narrativa e’ um pouco rebuscada mas ainda assim flui bem. O tom regionalista e’ bem forte, e isso contribui bastante para o clima deixado pelo conto.
    d) Impressão geral: Um ótimo conto, com certeza adequado ao tema. Boa sorte no desafio!

  8. Pedro Luna
    29 de março de 2017

    Achei bacana, mas acredito que o conto perde um pouco do ritmo em alguns parágrafos, que me soaram meio enrolação. Como a aproximação da mula na estrada, e muitas descrições de ambientação. O conto também tenta criar um suspense em cima do que já sabemos, com a relutância do cidadão em olhar para a criatura. No fim, ele vê o óbvio. Então, é isso, achei um bom conto, mas que poderia ser enxugado. Minha opinião, claro.

    • jggouvea
      1 de abril de 2017

      Para quem conhece o mito, a recusa em olhar não é um rebuscamento. É que a mula, se encarar alguém nos olhos, a perseguirá até o nascer do dia para pisotear. Recusar-se a olhar significa manter-se invisível para ela.

    • jggouvea
      1 de abril de 2017

      Aliás, justamente por isso é importante a cena em que ele a contempla destransformada: ali ele a contempla impunemente, quando ela já não pode fazer nada. É uma espécie de estupro visual.

  9. Cilas Medi
    29 de março de 2017

    Um relato estranho dentro de um conto habilmente talhado. O sobrenatural dito com maestria e aflição. Fluente. Criativo.

  10. Bruna Francielle
    29 de março de 2017

    tema: bem, apesar de não ter nenhum momento em que se diz mesmo que se trata da mula sem cabeça, algumas partes, bem como a ilustração do conto dão a entender isso. tema Adequado.

    pontos fortes: Teve várias frases inspiradas, como essas: “O homem vai atrás do que confunde, não do que explica. As maravilhas da vida estão no que vem entre as linhas e depois do ponto final. ” .

    pontos fracos: Houveram várias repetições, bastante próximas, do pleonasmo: “a lua no céu” ou algo parecido, de forma que incomodou um pouco.
    O enredo infelizmente não me cativou. Deu a impressão que nada aconteceu mesmo, no fim ele conversava com a mula, que de “passos infernais” passou a dialogar “fora daqui”, algo meio sem sentido.
    Falhou em incutir medo com o conto. Faltou obscuridade, mistério e suspense.
    Dando uma relida aqui, não sei se to correta, mas ser´que foi tentado transparecer algum caso de ‘zoofilia”? Ou era curiosidade pra ver um monstro ?
    Talvez sim, talvez não.

  11. Gustavo Castro Araujo
    29 de março de 2017

    O conto destaca-se pelo virtuosismo, pela habilidade em contar uma boa história sem necessariamente parecer verborrágico ou pedante. Temos aqui um sujeito simpático que (sabemos desde o início) parece fugir da mula sem cabeça, num suspense bem arquitetado, paulatino, crescente. No fim, percebemos que ele mesmo era um ser fantástico – talvez outra mula sem cabeça ou mesmo o saci ou curupira. A reviravolta no fim é bacana, mas o que segura a trama são os nós bem amarrados do desenvolvimento e passagens bem inspiradas. É talvez um dos melhores contos do desafio. Em certa medida me lembrou do também excelente “Mãe d’água”, à exceção da natureza melancólica que lá existe e que, confesso, acaba por me atrair mais. O único senão é a imagem utilizada, um spoiler desnecessário que quebra o encanto cedo demais. Se o leitor descobrisse que se tratava – realmente – da mula sem cabeça só lá pela metade, creio que a força da história, do suspense, em especial, teria sido imbatível. Ainda assim, é um conto muito bom, acima da média.

  12. rsollberg
    29 de março de 2017

    Fala ai, Pedro!
    Gostei da jornada do seu herói. O protagonista determinado pelas incertezas da vida, em busca do desconhecido. O conto tem um fluxo de consciência muito interessante, bem raro nesse desafio. Não é apenas uma história que leva do ponto A ao ponto B. Esse trecho é muito bom ” O homem vai atrás do que confunde, não do que explica. As maravilhas da vida estão no que vem entre as linhas e depois do ponto final” e exemplifica bem o que disse.

    Meu porém vai para a parte do “troc-troc” pelo tamanho, confesso que fiquei um pouco entediado nessa parte.

    O final, a meu ver, recupera o fôlego, apesar de não possuir o dinamismo da primeira parte (falta do tal fluxo, mais voltado para as descrições), encerra bem.

    Bem, é isso.
    Parabéns!

    • jggouvea
      1 de abril de 2017

      Ele não vai atraś do desconhecido, vai atrás de conhecer. Ele é amante de Filipa, ouve dizer que ela é mula. Ele quer tirar a prova.

  13. Fabio Baptista
    29 de março de 2017

    Narrativa em estilo relato, sem grandes construções de frases, mas competente quanto à gramática e clareza. Senti falta da “madrinha” que sumiu no decorrer e, em determinado momento, repetiu-se muito a palavra “estrada”.

    A trama não traz muita novidade, mas eu gostei, especialmente do final que me trouxe uma sensação boa de estranhamento.

    – deitada no chão em posição fetal chão
    >>> sobrou um chão aí

    Abraço!

    NOTA: 8

  14. danielreis1973 (@danielreis1973)
    28 de março de 2017

    O autor optou por começar de onde o narrador chegou (ou seja, que ele sobreviveu) para só então contar o que aconteceu com ele – e como ele escapou. Isso tem a desvantagem de quebrar a curiosidade sobre o que vai acontecer ao final. É uma técnica bem utilizada no cinema (me veio à mente o Titanic, por exemplo) mas que, nessa história, carece de um elemento surpresa, um motivo para ele ter escapado. Desejo boa sorte ao autor no desafio!

  15. Anderson Henrique
    28 de março de 2017

    O texto começa com uma frase mais ou menos, meio genérica e com jeito de que foi feita apenas para efeito (“Hoje que estou em segurança tudo parece ter sido sonho, como sempre na vida”). Mas aí você vai lendo e vê que o texto tá todo bem escrito. Encontra frases bonitas como “O homem vai atrás do que confunde, não do que explica. As maravilhas da vida estão no que vem entre as linhas e depois do ponto final.” E então percebe que falta só um puxão de orelha no autor, alguém que vá lá e diga: faz isso não rapaz, tu veio bem a vida toda, pra que colocou isso lá no início? Fiz minha parte, apontei. Tá aí meus dois centavos de contribuição. E o texto é bom? É muito bom. Tem suas escorregadelas (bem pequeninas), mas está bem acima de média. Arrisco dizer que está junto dos dos melhores do desafio. E quem o fez, fez muito bem ao narrar uma história com recortes de lenda, toda em primeira pessoa, a cadência certa, os elementos arrumados. Foi à lenda e, sem explicar muito, foi encaixando na narrativa. A história instiga, tem agilidade e conclui muito bem. Ótimo texto.

  16. Rafael Luiz
    27 de março de 2017

    Conto muito legal. O tom de terror vai numa crescente interessante, sem no entanto, chegar a seu ápice. As expressões e falas do personagem e a descrição dos cenários são bem imersivas. A escrita é bem feita, mas o recurso de usar numerais para expressões de intensidade acaba sendo excessivo. Bom conto

  17. Matheus Pacheco
    27 de março de 2017

    Deus me livre de uma mula sem cabeça, um conto excelente com algumas mesclas de suspense o regionalismo do interior.
    Mas vou dizer que se o protagonista achou que Filipa estava brava a ponto de morde-lo, então a coisa estava feia.
    Abração ao autor

  18. mitou
    27 de março de 2017

    o conto está muito bem estruturado , tem um suspense no ar muito forte e uma poética fantástica. acho que se perdeu no final um pouco e não explicou bem o começo do conto ,fora isso está perfeito

  19. Olisomar Pires
    26 de março de 2017

    Interessante. O conto é longo, talvez pela escolha do autor em relatar em 1ª pessoa, bastante introspectiva.

    É bem escrito, embora alguns parágrafos tenha ficado grandes.

  20. Ricardo de Lohem
    26 de março de 2017

    Olá, como vai? Vamos ao conto! Uma história tradicional de mula(s)-sem-cabeça, que segue todos os clichês do gênero, do início até o quase fim. Tudo seria absolutamente plano e sem despertar o interesse se não fosse pela surpresinha final… Que tenta e até consegue elevar o nível, um plot twist é (quase) sempre bom, demonstra no mínimo uma certa criatividade e desejo de surpreender, consegue elevar em um e às vezes dois pontos a nota de uma história. Às vezes, só às vezes, acho que histórias muito descritivas são uma desculpa para fugir da necessidade de escrever diálogos e monólogos, sempre mais difíceis que longos e detalhados relatos. Não que este tenha sido o caso, mas aconselho que pense nisso. Acho que faltou um empenho um pouco maior para a história ficar realmente boa. Desejo Boa Sorte.

  21. Elias Paixão
    26 de março de 2017

    A base do que li aqui é o mistério e este foi muito bem trabalhado no encontro do protagonista com a mula-sem-cabeça. O mistério acaba dando lugar ao drama que encaixaria bem se a Filipa tivesse sido apresentada antes. O encerramento acaba sendo um recurso narrativo já um tanto cliché para transportar uma personagem de um ponto ao outro, mas a parte do mistério compensa.

  22. Marco Aurélio Saraiva
    25 de março de 2017

    Uau. Que escrita fantástica! Tão rebuscada que, por vezes, eu tinha que voltar e reler o trecho para entender o que você queria dizer. Isso geralmente conta como algo negativo para mim mas, neste caso, sua escrita tem passagens tão belas que eu me reprimia sempre que não entendia algo. Voltava, lia de novo e pensava “uau, boa frase”.

    Este conto tem um foco muito mais no visual e estético do que no enredo em si. A cavalgada apressada foi muito bem narrada, e o medo que o personagem principal sentiu foi palpável. O crepúsculo e o passeio da lua do céu foram muito bem descritos, com uma beleza fora do comum. A própria linguagem usada no texto situa o leitor no ambiente onde passa a história.

    O enredo é simples, por se tratar pura e simplesmente da lenda da Mula sem cabeça. Porém, sua abordagem foi muito boa. O leitor deduz que o homem é um padre, mesmo que você não o cite em momento algum. A motivação dele em visitá-la nas sextas-feiras, que seria um dia proibido, foi um aspecto interessante. Curisidade. Além disso, a narração de Filipa ao retornar a sua forma humana foi feita com muita atenção, cheia de detalhes envolventes.

    Uma narração sublime, e um excelente conto. Talvez peque por não trazer nada de inovador para a história, mas não vejo isso como um pecado grave (afinal, quem disse que temos que ser inovadores em tudo?). Parabéns mesmo!

    PS: Nâo entendi o por quê do personagem principal ter apagado após encontrar Filipa e encontrado na floresta quase morto. Isso não faz parte da lenda, faz?

    • jggouvea
      1 de abril de 2017

      Na verdade faz parte da culpa dele… E é uma necessidade para marretar a história dentro de um limite de 2000 palavras.

      • Marco Aurélio Saraiva
        3 de abril de 2017

        Esses limites exigem muitas manobras da nossa parte mesmo, para exprimir tudo o que queremos no conto =)

  23. Iolandinha Pinheiro
    25 de março de 2017

    Amigo, que conto! Você escreve demais! Fiquei impressionada com tudo. Cada pequeno grandioso detalhe, tão bem escrito, tão genuinamente matuto, sertanejo. Estou encantada. O melhor conto até agora e, dificilmente, será batido. Leitura envolvente, palavras bordadas com precisão e beleza, construções bem arquitetadas e inéditas. Mesmo com um tanto de metáforas, eu não mudaria uma única vírgula deste texto fantástico. Início e desenrolar soberbos, e um final arrebatador. A Mula sem Cabeça voltada à forma humana: fragilizada, envergonhada, lutando para se erguer formou em minha cabeça imagens belíssimas e cheias de cor, textura, cheiros… Sublime. Só tenho a dar os meus parabéns. Um grande abraço.

  24. Priscila Pereira
    24 de março de 2017

    Oi Pedro, que poético e bonito de ler o seu texto, muito bem escrito, bem elaborado, com uma ótima descrição das cenas. Gostei de como retratou a mula tão forte, poderosa, assustadora… e como ficou a moça no final, muito verossímel!! Parabéns pelo ótimo trabalho!!

  25. Elisa Ribeiro
    24 de março de 2017

    O ponto alto do seu conto foi a ambientação. Confesso que a narrativa me cansou um pouco, especialmente o trecho dos troc-troc, e acabei me dispersado muitas vezes ao longo do texto. Talvez por isso não tenha compreendido muito bem o enredo. Boa sorte!

  26. Evelyn Postali
    24 de março de 2017

    Oi, Pedro,
    É um bom conto. Está bem escrito e inseriu o personagem do folclore de uma forma também adequada. Gostei de como usou a linguagem. O final me pareceu inacabado, não sei. Talvez porque eu esperava algo mais.

  27. Miquéias Dell'Orti
    23 de março de 2017

    Oi.

    A curiosidade do protagonista quase o fez ser chamuscado pela mula-sem-cabeça. Gostei bastante da narrativa. Fluida, bem escrita, com ação na medida. O final me deixou um tanto ressabiado. Do jeito que a coisa aconteceu, e como o personagem estava e foi encontrado, será que ele, também, não havia se tornado uma criatura lendária? Afinal… era lua cheia.

    Não sei se era a intenção do autor (nem se alguém vai ter essa impressão) mas gostei da dúvida que ficou no ar.

    • jggouvea
      1 de abril de 2017

      Miquéias, parabéns pelo conhecimento do folclore. No relacionamento entre um padre e uma mulher, a mulher se torna mula, e corre nas noites de quinta para sexta e segunda para terça, e o padre se torna lobisomem, correndo nas noites de sexta para sábado e terça para quarta.

      Devido ao limite de duas mil palavras, foi preciso comprimir a ação e isso prejudicou o entendimento. Na verdade a desorientação dele é porque, com a entrada da Quaresma, ele passa a correr como lobisomem TODAS as noites, daí só ser encontrado após a Páscoa.

  28. Olá, Pedro,

    Tudo bem?

    Você criou um conto muito visceral. A ideia de mostrar o mito se (re)transformando em gente, não só é muito boa, como funcionou imageticamente com muita força em sua narrativa.

    Gostei da maneira com que você descreve as cenas, os locais, as sensações, como a da coceira causada pela poeira, por exemplo. A imagem da Mula-Sem-Cabeça voltando a ser mulher é o ponto alto da trama e de sua narrativa.

    Parabéns por seu trabalho e boa sorte no desafio.

    Beijos

    Paula Giannini

  29. G. S. Willy
    22 de março de 2017

    Conto muito bem escrito, com as informações necessárias bem distribuídas pelo texto. O maior problema para mi foi a forma escolhida para narrar. Se o personagem está narrando, então é certo que ele não morreu, e por isso mesmo, não senti perigo por ele, medo por ele. E a imagem da mula no início do texto já denunciou o que viria a seguir, e portanto o mistério foi quebrado logo no início. Mas no geral, um ótimo texto que engloba o folclore, mesmo que não em primeiro plano…

    • jggouvea
      1 de abril de 2017

      O grande mistério do texto, que eu falhei em deixar mais claro, não é a morte ou não do protagonista, é o que ele se torna. Um lobisomem.

      A mulher do padre se torna mula. E o padre se torna lobisomem. A sua alienação no final é por descobrir isso. Ao ver Filipa amaldiçoada ele gradualmente se vê também amaldiçoado.

      Infelizmente deixei isto tão sutil que ninguém entendeu. Esse texto precisa de uma boa revisão.

  30. angst447
    22 de março de 2017

    O conto aborda a lenda da mula sem cabeça, logo o tema proposto pelo desafio foi respeitado.
    A narrativa caminha pela prosa poética e traz um tom de regionalismo no relato pessoal para a madrinha. O rapaz parece ter sofrido uma experiência transformadora, misto de terror e encantamento.
    O texto está muito bem escrito, com algumas escorregadelas na revisão, que nem sei se dá para considerar assim, já que fazem parte do discurso do narrador:
    quem sabe aonde o pecado está > quem sabe onde o pecado está
    fui esconder > fui me esconder
    talvez soubesse de eu estar lá > talvez soubesse que eu estava lá
    O ritmo, devido à cadência da poesia, perde um pouco da força e constância. Em alguns momentos, o leitor pode se perder no labirinto das palavras e das imagens criado pelo autor.
    Gostaria de saber o que aconteceu com o rapaz depois que viu a transformação de Filipa. Enlouqueceu?
    Bom trabalho!

    • jggouvea
      1 de abril de 2017

      O padre amante da mulher se torna lobisomem. E durante a Quaresma, ele e a mulher “correm” todas as noites.

  31. catarinacunha2015
    21 de março de 2017

    Fiquei matutando aqui com meus calos. Uma trama tão simples, mas que o (a) autor (a) manipula com tanta maestria que a danada se agiganta. Até a gordura derreteu com a competência. A primeira pessoa foi uma boa escolha: cria empatia do leitor com o narrador. Boa técnica, vocabulário simples, mas riquíssimo em linguagem.

  32. Antonio Stegues Batista
    20 de março de 2017

    O enredo é bom, a lenda da mula-sem-cabeça, inserida na história. O suspense foi muito bem construído, algumas frases boas outras não. Existem alguns probleminhas como por exemplo, repetição da palavra, estrada, que está escrito 14 vezes muito próximos, o que quebra a harmonia e o fluxo da leitura. Existem outras palavras com o mesmo sentido. Se o personagem ou os acontecimentos estão na estrada, não precisa mencionar o local, apenas a ação pois sabe-se que ainda não mudou de lugar.

  33. Neusa Maria Fontolan
    18 de março de 2017

    Que sufoco! Se esconder de uma mula sem cabeça não deve ser nada fácil. Mas descobrir que a mulher com quem dormia era essa mula deve ser pior.
    Bom conto, parabéns
    Destaque: “Mas eu não saí. Eu não tinha ido até ali para voltar antes de saber. Filipa, a mula. Eu via com meus próprios olhos, mas queria ver mais, porque, de um jeito que só se explica por artes do demo, eu não estava com nojo e nem queria ir embora. Filipa, a mula.”

  34. Eduardo Selga
    18 de março de 2017

    O conto aborda a personagem “mula sem cabeça” a partir e uma perspectiva interessante: ela não é uma criatura amorfa, cuja identidade se restringe aos aspectos já postos pela lenda: ela tem nome próprio, tem consciência da maldição de que é vítima, sente vergonha e sofre por conta disso (“na face cheia de cansaço era impossível enxergar o limite entre a água, a lágrima e o suor”).

    Outro bom aspecto do conto é que há uma parte dele que não é contada, ou está oculta. É que no início o narrador-personagem informa ao leitor: “disseram-me que estive sumido muito tempo, que me acharam nos matos, com barba e banho de muitas semanas, picado de insetos, quase morto de tanta ferida”. No entanto, a seguir pela toada do texto, ele não permaneceu na mata tempo bastante para que adquirisse essa condição.

    Ou, por outro lado, talvez tenha permanecido e essa informação esteja nas entrelinhas do conto. Quando ele diz “devo ter ficado muitas horas ali parado, sem dormir e sem me mexer. Passei a noite entre cochilos curtos, até que a lua virou no céu e eu a vi de frente, já bem descida e pronta para se por”, o lapso temporal pode não ter sido de “muitas horas”; a percepção dele de que a lua mudou sua posição no céu pode não ter sido obra de uma noite, apenas. Ou seja, ao invés de “cochilos curtos” ele pode ter dormido dias, e quando acordou a lua estava em outro lugar. Isso explicaria estar “picado de insetos” e “quase morto de tanta ferida”.

    O diálogo entre o protagonista e Filipa, a mula, na porção final da narrativa, demonstra o que já era sugerido no início: entre eles há algum grau de intimidade. Que grau seria esse? Não é dito, mas não é necessário: uma das razões de a narrativa ser de qualidade está precisamente aí.

    Decerto o repetido e acertado uso de “troc, troc” teve o propósito de causar no leitor a sensação de suspense, e acredito que na maioria dos leitores tal objetivo foi alcançado. Mas também há outro efeito importante, anexo ao anterior: a onomatopeia aproxima o leitor da ação, fazendo com que ele “ouça” a cena, fazendo-a “sólida”.

    • jggouvea
      1 de abril de 2017

      Ele foi encontrado em estado lastimável após a Quaresma, quando a SUA maldição lhe deu uma trégua. Ele, o padre (isso só fica nas entrelinhas, e deve ser entendido quando o identificamos como amante da mula sem cabeça), se transforma, também, em lobisomem. Esse é um aspecto menor (e não muito frequente) da lenda, que eu quis trabalhar.

  35. Roselaine Hahn
    17 de março de 2017

    Pedro, um bom conto, pontuações e concordâncias ok. Criou um bom suspense na aventura do personagem na mata, me envolvi na expectativa do que estava por vir. Teve uma questão, em especial, que me deixou desconfortável, pois já passei isso nos meus textos, e talvez possa lhe ajudar: excesso de clichês. Ele torna o texto previsível, e o leitor tende a se dispersar. Algo como “como goteira lenta num balde” ou “bufado de narinas pareceu um sopro úmido na nuca, como uma mulher me lambendo cangote abaixo”, entende? As metáforas e comparações devem provocar o leitor, aguçar os seus sentidos, como uma experiência nova. O burilamento da escrita é lapidado texto a texto, siga em frente afinando a pena. Abçs.

  36. Evandro Furtado
    17 de março de 2017

    Resultado – Average

    A narrativa é fabulosa, mas isso, por si só, não segura o conto. O enredo poderia ter sido enriquecido. A sensação é que o autor usou tudo na linguagem, criando o conto de forma quase experimental, e não focou na história em si. Em algumas situações, isso até pode funcionar. Aqui, faltou um pouco.

  37. Fheluany Nogueira
    17 de março de 2017

    Boa abordagem do tema, estilo seguro, com técnica do monólogo e um interlocutor que nunca responde, aqui, a madrinha que cuida do doente.

    O conto está muito bem narrado, escrita fluente e tranquila, construções frasais que impressionam, como a frase que expressa a sabedoria popular: “O homem vai atrás do que confunde, não do que explica.”

    A narrativa começa bem, apresenta descrições vivazes, traz cenas e cenários bem desenvolvidos. Há riqueza de detalhes, a história prende do início ao fim, com boa dose de suspense. Apenas não entendi bem uma coisa: o personagem saiu para encontrar a amante em local afastado e de difícil acesso. No caminho deu de cara com a mula-sem-cabeça e quando achou que estava livre dela e chegou à casa, a besta estava ali se transformando em pessoa. Filipa, a mula era a amante dele?

    Bom trabalho. Parabéns e abraços.

    • jggouvea
      1 de abril de 2017

      Vamos lá. O protagonista encontra sua amante em local ermo (amor proibido, dica primeira). Ele costuma encontrá-la certas noites (mas não nas sextas) em uma propriedade que é dela, em um local remoto da serra. A madrinha anda desconfiando, mas o protagonista insiste em ir. Ele não acredita em superstições, mas o povo diz que anda a correr uma mula…

      Ele encontra a mula, na qual não acredita, mas ainda não reconhece a verdade.

      Ao identificar a mula como Filipa, a sua amante, descobrimos que ele é um padre (amante da mula sem cabeça) e ele gradualmente se dá conta de que também está amaldiçoado (“artes do demo”). Ser encontrado muito tempo depois, em péssimo estado, sugere ser encontrado após a quaresma, período durante o qual o lobisomem (destino do padre amante em algumas lendas) é forçado a correr todos os dias.

  38. marcilenecardoso2000
    17 de março de 2017

    Não entendi o que fez o personagem sofrer os transtornos que sofreu. Uma lenda muito conhecida, por isso mesmo tem várias versões, e isso torna difícil escrever sobre ela. conto criativo, mas um pouco nonsense até para ficção.

    • jggouvea
      1 de abril de 2017

      É que o amante da mula sem cabeça (um padre) se torna lobisomem na quaresma, e é forçado a correr todas as noites.

      • marcilenecardoso2000
        3 de abril de 2017

        Obrigada por sua atenção em esclarecer minha dúvida.

  39. Rubem Cabral
    17 de março de 2017

    Olá, Pedro Cavalari.

    Um conto muito bonito, com um “quê” de Guimarães Rosa. Gostei da narração/relato e do enredo.

    Como sugestão de melhoria, eu sugeriria limar algumas palavras/expressões que soaram meio cultas demais, feito “artelhos” e “posição fetal”, talvez “dedos do pé”, “deitada como um bebê”, ficassem melhores.

    Nota: 8.5

  40. M. A. Thompson
    17 de março de 2017

    Olá “Pedro Cavalari”. Parabéns pelo seu conto. É um daqueles que a gente começa a ler e não consegue parar. Gostei muito. Abçs.

  41. Fernando Cyrino
    11 de março de 2017

    Que conto bonito você me apresenta. Uma bela de uma história da mula sem cabeça. Até do nome dela eu gostei: Felipa, que achei bem mais adequado para princesa, será? rindo aqui. Achei e isto é pena, que faltou tempo para uma revisão mais acurada. Há umas repetições que me soaram bacanas demais e outras que me pareceram não ter surtido o mesmo efeito. Exemplifico e farei isto logo no primeiro parágrafo, eis que o limite entre a repetição gostosa e aquela que quebra o ritmo é tênue: há dois hoje e dois quero que acho poderiam ter sido evitados. No segundo parágrafo há lembro, lembrar e lembranças que também achei me soarem excessivos. Já madrinha no terceiro parágrafo, achei melhor. Que bacana as imagens que você usa. Excelentes. Essa “Nas montanhas um dedo rosado penetrou as cortinas pesadas da madrugada, lambuzando de luzes delicadas uma franja de céu ainda estreitinha” é banquete para muitos talheres. Há outras. Agora, tem um parágrafo que tem início com “desci de lá aos pinotes” que achei meio desfocado no interior da narrativa. Tenho dificuldades em entender o seu sentido. Pareceu-me que houve algum corte antes, ou mesmo depois dele e que depois a montagem não causou o efeito e o sentido que se buscava. Também, pudesse lhe sugerir, deixaria somente poeira na botina. Tiraria dela os pedregulhos, deixando-os para os pés postos na estrada (palavra que poderia ser trocada uma ou duas vezes). Esse “A estrada desceu até a porteira no caminho de casa. Tão perto.” sugiro rever, eis que mais adiante veremos que ele não voltava à sua casa, mas ia para a da “princesa” (por minha conta, risos) Felipa. É isto, senti que seu conto, tão bonito, tão bem narrado, tão rico, se perdeu um pouco devido a essas coisinhas que serão facilmente resolvidas. Não quero deixar de registrar que, por isto lamentei, eis que gostei muito da sua narração, ela me fez lembrar João Rosa, um que, além de muito mais, era mestre em dar nomes aos seus personagens (acho mesmo que ele aprovaria demais da conta o Felipa). Abraços de parabéns..

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Publicado às 10 de março de 2017 por em Folclore Brasileiro e marcado .