EntreContos

Literatura que desafia.

Encantamento (Evelyn Postali)

Os irmãos observavam o ritual. A Saraipora conduzia o andor de cipó adornado com algodão e fitas, repleto do simbolismo religioso. Significados de mais de trezentos anos na região. Seguia pelas ruelas da vila acompanhada pelo juiz e juíza, mordomos e moças da fita em busca dos mastros de tachi preto.

Enquanto seguiam, Jacinto e Jandira combinavam de saírem à noite, para as festas aleatórias e para a grande festa dos botos, um final de semana depois.

— Inda é cedo pra fazer plano — ele explicou.

— Mas a Fabiana quer sair contigo. Vai ou não?

Jacinto calou. O silêncio ganhou a dimensão da mata, dos tons de verde. Observou a retirada dos mastros da água. Depois, acompanhou a levada das toras.

O vilarejo não crescera nada desde a infância. As ruas mais afastadas descalças, as calçadas de grama rala, a alvenaria peculiar. Ele respirava aquele ar quente de setembro e se sentia um peixe fora d’água. Mesmo trabalhando em Santarém durante a semana, Jacinto entendia que a vida que precisava não se encontrava ali. Seguia a procissão por imposição da mãe. As intenções alimentadas, contudo, eram as mesmas da irmã: ver os moços vindos de Santarém no domingo, para a disputa dos botos.

— Então…

— Então o quê? — ele deu de ombros. Jandira aporrinhava quando o assunto era Fabiana.

— Vai sair com a Fabiana?

— Claro que não.

Ele virou o rosto e se afastou de Jandira. Circulou pela praça. Viu os mastros serem erguidos.

Jandira observou o irmão gêmeo. Sentia que algo não ia bem, mas em suas vidas nada ia bem. A tranquilidade enfadonha daquele lugar tornava tudo pior, mesmo com os turistas. Depois de sair da escola secundária e começar a trabalhar fazendo faxina, o cansaço das coisas repetidas assolava o ânimo.

A mãe não facilitava, tampouco. Pressionava para ela se aquietar e não buscar a vida fácil encontrada pelas filhas da vizinha.

O desejo de Jandira se resumia em um marido, uma casa e a liberdade observada no casamento das amigas de escola. Nada além do que a maioria tinha. Enquanto seguia, cantarolava baixinho. Para ela, a festa cravejava no peito esperanças. Gente não faltava.

A cantoria elencava outras tantas músicas sagradas. As ladainhas emprestavam àquilo um ar antigo. Jacinto observava os homens e mulheres na disputa da decoração. A cor da pele, fustigada pelo sol. A voz arranhada, estridente, das mulheres cantoras. Olhava para as mãos dos que adornavam os mastros. Os calos, os sulcos.

Jandira seguia as canções sem entusiasmo. O lado sagrado da festa não tinha a exuberância do lado profano. As festas nas praias fluviais atraíam milhares de turistas. Os ritmos marcantes e alegres destoavam daquele emaranhado de cantilenas sem vibração.

A espera da apresentação dos botos Rosa e Tucuxi materializou-se em eternidade. Os irmãos encontraram no trabalho diário a agonia da expectativa. Uma semana de espera. Jandira limpando casas, exaurindo as forças em detergentes e alvejantes. Esfregando a alma em chãos encardidos. Sete dias intermináveis, até o acontecido. Ele, Jacinto, na construção civil. Um pedreiro desajeitado que não encontrava nos tijolos o regalo da vida. Mas encontrava-se aí outra vez, depois de uma semana. Se eu fosse pra São Paulo viver minha vida. Se me livrasse desse chão, pensava vez ou outra. Sabia das oportunidades. Vez ou outra, recebia cartas dos amigos corajosos que partiram para a cidade grande e nunca mais voltaram. Atendia telefonemas esparsos; conversas rápidas, contando promessas de uma vida melhor. O jeito era esperar.

Os grupos começaram a reunir-se logo cedo, no domingo. O sol estropiando a pele, ardendo os desejos. O calor evaporando sonhos pelos poros.

O vai-e-vem dos preparativos, as conversas e a cantoria levaram os irmãos para perto do rio, mas para lados diferentes.

Jandira e as amigas podiam contar nos dedos os moços mais belos da pequena vila.  Encantaram-se com um fulano, encostado na casa caiada maior, perto da esquina. Aquele vinha de longe e se mostrava afoito.

À distância segura, entre risos e cochichos, acompanharam a impetuosidade de Fabiana, apostando descobrir nome e lugar de origem do forasteiro, vestindo roupa clara e chapéu. A esperteza das amigas não chegava aos pés da morena, ignorantes do fato de ela já o conhecer do dia anterior.

— Eu gostei de ontem — Fabiana confessou ao estranho.

Ele a tomou pelas mãos.

— Eu também.

— Vai ficar até o fim? — A curiosidade saltava pelos olhos castanho-esverdeados.

Ele não respondeu, mas o sim estampava a face clara.

— Posso apresentar você pras minhas amigas.

— Quem sabe depois.

Fabiana afastou-se. As amigas a rodearam. Riam e falavam ao mesmo tempo.

— Que afoito! Como é o nome dele? Ele vai pular pra que lado? — Marcela era a curiosidade. — De onde ele é?

— Vocês são muito atiradas — Jandira não segurou a reprimenda. — Você também. — Apontou para Fabiana.

— Deixe de ser besta! Vai ficar solteira se continuar assim, puritana. — Fabiana não perdoou. — Não tem nada de mais. Eu conheci ele ontem, se querem saber. Veio de Manaus. Está passeando; conhecendo a região.

— Oxi! Conheceu ele ontem, foi? Que rápida. — Rita olhava para ela admirada.

— Ele estava na barraca do meu irmão, à noite. Eu estava escolhendo peixe. Conversamos. Foi isso. — A explicação foi rápida e convincente. — Vamos! — Puxou Rita com pressa. — Quero encontrar o Jacinto.

— Ah! Esquece o Jacinto — advertiu Marcela. — Não vai ter futuro com ele.

— Isso, vamos ver — Fabiana respondeu.

— Vamos! — Rita puxou Jandira pelo braço. — Estamos perdendo a festa.

Jandira olhou para trás, mas não viu mais o sujeito.

A música e o mundaréu de gente ao redor levaram as moças para dentro das danças. O tom dourado na vegetação anunciou a descida do sol e o movimento dos jovens para a disputa se agigantou.

Do outro lado, Jacinto bem sabia o que procurava, mas ali, no meio daquela gente cheia de culpa e medo, não podia se pronunciar. E ai, dele! Também sentia culpa. E medo. Sequer olhava ou respirava de outra forma, mesmo custando muito o disfarce. Ele era diferente, bem sabia, e as poucas pessoas de suas relações, desconfiavam até da sombra.

Avistou o moço bonito, de calças claras, chapéu de turista, daqueles que não se vê o ano todo. Parado, próximo de uma das vendas de artesanato, jogava charme pras moças, cumprimentava sorridente, e encarava os moços. A distância percorrida pelo estranho até o Lago dos Botos podia ser percebida no tom da pele. Clara demais para ser daquela região. Parou ao lado, dois passos longe dele. Flertou com a discrição dos terços de contas de semente a balançar nos ganchos da lojinha. Olhares trocados. Máscaras confusas. A imagem da mãe cresceu feito os paus de fitas da celebração. Jacinto guardou os ímpetos de se aproximar do sujeito até não ter como. A vontade falou mais alto. Aquilo tinha nome: encantamento.

— Veio de muito longe?

— De logo ali.

Jacinto sorriu. O desconhecido não queria ser conhecido, mas para ele estava de bom tamanho. Ele também fugia de quem ele era toda a vez que alguém se aproximava de maneira perigosa.

O olhar faiscante do estranho bateu no peito de Jacinto e o coração parou na boca. Ele olhou ao redor.

— Pra que lado tu vai?

O sorriso largo e tranquilo do desconhecido pegou o irmão de Jandira de jeito.

— Digo… — Hesitou. — Torce pra quem?

— Para o Boto Rosa, é claro. E você?

— Pro Boto Rosa, é claro.

Jacinto enfiou as mãos nos bolsos da calça. Muito longo, as luzes da rua se misturariam às do céu. A música começava a inundar o lugar.

— Não vai dançar também?

— Depois, quem sabe.

— Aqui não tem muita coisa pra fazer.

O olhar escuro de Jacinto encontrou o azul âmbar do estranho. Era o mar refletido, e não o rio. Era encantamento.

Não precisou muito. Um visgo de canto de lábio.

Jacinto seguiu o moço sem pensar na mãe, no padre eterno ou em Fabiana que queria casar a todo custo.

Longe da multidão, por entre as árvores ribeirinhas, sob uma lua cheia brilhante, os dois se banharam nas águas e deitaram sobre as pedras. O barulho do rio, o vento batendo de leve nas folhas, o ritmo distante, as poucas luzes espelhadas na outra margem do Tapajós. O mundo era grande e, ele, Jacinto, solitário, escondendo sentimentos, desejos e o que sempre fora.

Mãos a brincar, bocas a experimentar sabores. O contraste das peles, o marulho das águas, a cantoria. O movimento dos corpos, o calor e o alívio. Entre uma ação e outra, entre uma canção e outra, braços e pernas entrelaçados. A respiração no pescoço. O toque suave como onda de rio manso naquela pele fustigada pelo sol. Aquele desejo de tempos, aquela vontade reprimida… A vida faz sentido quando é, de fato, vivida.

Mas nada dura para sempre e Jacinto soube disso ao avistar Fabiana, passos de onde estavam, parada nas pedras mais salientes, com o olhar grudado, duro, feito oração de beata. Levantou-se num salto, nu em pelo, e Fabiana correu para longe.

— Deita aqui, Jacinto. Deixa ela ir. Levo você comigo.

O estranho parecia não entender a dimensão daquilo. Tampouco Jacinto.

Vestiu-se depressa. Sequer abotoou a camisa. Olhou para o sujeito ainda deitado, com um meio sorriso despreocupado, como se pudessem manter a magia daquele encontro para sempre.

— Jesus…

Indeciso que era, naquele momento pareceu outro. Saltou sobre as pedras e correu em direção da praça. Tudo o que poderia fazer era salvar a si mesmo da desgraça de Fabiana contar o que vira para as bocas malditas do lugar. O povoado era pequeno demais para aquela verdade. Mesmo Santarém era pequena demais.

Avistou Jandira, com Rita e Marcela junto da multidão. Pulavam, cantavam. Fantasias indo e vindo. Um boto, outro boto. A dança frenética exaltava alegria e ele, ali, agoniado até as entranhas. Arrodeou as barracas. Uma volta e meia a mais. E por fim, Fabiana, parada em frente à barraca do Tonho, o irmão.

A alma pareceu sair com o suspiro.

— Fabiana.

Ela virou o rosto. Braços cruzados. Corpo tenso.

— Eu explico.

— Não precisa explicar pra mim.

Para Jacinto, estava tão cristalino quanto o olhar do fulano na beira do rio debaixo daquela lua cheia enorme. Fabiana espalharia para o povo. A mãe o expulsaria de casa. Os amigos, os poucos, se afastariam.

— Não pode contar o que viu.

— Não?

 

*  *  *

 

A luz entrava pelas portas da igreja. A manhã ensolarada matizava os adornos de lírios e copos-de-leite. Coisa simples. A imagem de Nossa Senhora da Saúde abençoava os fiéis de seu altar. Pouca gente convidada ocupando os bancos de madeira já gastos.

As madrinhas esperavam a noiva. Jandira, Rita, Marcela. Os padrinhos as acompanhavam em silêncio, descrentes.

— Ela quase não consegue esconder a barriga — Rita sussurrou no ouvido de Jandira. — A mãe escolheu um vestido de outra cor.

— Não se usa mais disso — Marcela cutucou a amiga. — Que gente mais ignorante.

— Mas o filho não é do Jacinto. Ela pode dizer o que quiser. — Jandira olhava fixamente para o irmão, do outro lado. — Meu irmão é um trouxa. Pra não dizer outra coisa.

Enquanto Jandira trocava fuxico com as outras duas, Jacinto ajeitava a gola da camisa fora de moda, olhava para os sapatos sem brilho, observava os ladrilhos do chão. As mãos suavam. Sentia o cheiro dos lírios. A escolha das flores não poderia ser mais funesta. Lembrava-se daquelas flores enfeitando os caixões. Aquele era o seu funeral.

Perguntava-se quando perdera totalmente o juízo. Envergonhava-se da falta de coragem. Olhou para a mãe. Ela choramingava, mas ele choraria muito mais, ao assentar tijolos com sanha e culpa, endurecendo dia após dia, ao se lembrar do olhar azul âmbar, das pedras do rio, da lua cheia.

Olhou para as portas abertas da Igreja Matriz. Ele não era nenhuma moçoila frágil, mas tinha um coração naquele peito e a esperança o chapiscava de cinza a cada minuto na espera. Cristo crucificado olhava diretamente para ele.

Ele aguardava um milagre.

As pessoas levantaram.

Fabiana surgiu na porta da igreja ladeada pelos pais.

A visão de Jacinto embaçou. Não ouviu a Ave Maria tocar.

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97 comentários em “Encantamento (Evelyn Postali)

  1. Wender Lemes
    31 de março de 2017

    Olá! Para organizar melhor, dividirei minha avaliação em três partes: a técnica, o apelo e o conjunto da obra.

    Técnica: a trama é um pouco previsível. Achei criativo ter explorado o efeito do boto em um homem. Também foi interessante o cuidado que teve ao trabalhar com os preconceitos do vilarejo e utilizá-los na construção da narrativa. Quanto ao tema, está bem encaixado, é indispensável ao conto. Sobre a ortografia, vi alguns daqueles detalhes que sempre passam na revisão, como em “Muito longo”, imagino que pretendia dizer “muito logo” – pode ter sido uma tentativa de trocadilho também, mas creio que estaria meio deslocado do restante do texto.

    Apelo: terminei o conto com certa sensação de que faltou algo para deslanchar, talvez um pouco mais de espontaneidade (por exemplo, se Jacinto tivesse fugido com o boto, como sugeriu em dado momento, seria uma maneira bem mais fora da caixa de finalizar a história).

    Conjunto: enfim, é um conto bem trabalhado, mas justamente pelo mote ser bacana é que se espera mais do que o comum.

    Parabéns e boa sorte.

    • Evelyn Postali
      2 de abril de 2017

      Querido Wender,
      Anotadas aqui suas colocações.
      Quanto à Jacinto fugir com o boto… Seria um final, para mim, muito óbvio. Finais felizes contentam o leitor, mas nem sempre são adequados. Ele ter ficado implica em outras coisas: o medo, a culpa, a indecisão… Tem outros aspectos que estão implicados nessa decisão de Jacinto.
      Agradeço muito pela paciência da leitura e comentário.
      Já corrigi a palavra escrita com erro.
      Um grande e carinhoso abraço.

  2. mitou
    31 de março de 2017

    o conto está bem estruturado , a história se encaixou bem com a lenda do folclore brasileiro e a linguagem interiorana foi usada com destreza na hora das falas e a narração ficou de acordo com a norma culta da linguagem.

    • Evelyn Postali
      2 de abril de 2017

      Querido mitou,
      Agradeço de coração pelos elogios. Guardarei com carinho.
      Agradeço muito pela paciência da leitura e comentário.
      Um grande e carinhoso abraço.

  3. Fheluany Nogueira
    30 de março de 2017

    Curiosa: Jacinto casou ou não? Tudo bem amarrado: título, pseudônimo, história, a lenda, o castigo. Será que o boto usou o encantamento de Jacinto para ele assumir a paternidade de seu filho? O preconceito sexual como segunda temática trouxe mais interesse pelo conto.

    Gostei muito da narrativa mostrando os costumes, as crenças, a filosofia de vida e a Festa do Sairé, realizada na região de Santarém. O texto está bem escrito, com linguagem adequada ao conteúdo, coerente e coeso. Em alguns trechos, a reiteração do pronome “ele/ ela” trouxe certa confusão ao interpretar o texto.

    Bom trabalho. Abraços e sorte no Desafio.

    • Evelyn Postali
      2 de abril de 2017

      Querida Fheluany Nogueira
      Sim. Jacinto casou.
      Sim. Jacinto usou o encantamento em Fabiana.
      Verificarei a questão do ele/ela.
      Obrigada pelos elogios. Guardarei com carinho.
      Agradeço muito pela paciência da leitura e comentário.
      Um grande e carinhoso abraço.

  4. Bia Machado
    30 de março de 2017

    Fluidez da narrativa: (4/4)
    Construção das personagens: (3/3)
    Adequação ao Tema: (1/1)
    Emoção: (1/1)
    Estética/revisão: (1/1)

    Eita, que prosa boa! Tão bom ler uma prosa firme, que parece fazer a gente nem lembrar que está respirando enquanto lê! Muito bom, gostei demais e parabéns por todo o cuidado com a narrativa, de em momento algum cair no que poderia ser vulgar. Aliás, é um conto que parece todo muito bem planejado. E apesar do final ok, bem que eu queria que a prosa continuasse. Nem senti as 2.000 palavras. Parabéns!

    • Evelyn Postali
      2 de abril de 2017

      Querida Bia,
      Obrigada pelos elogios. Guardarei com carinho.
      O final me pareceu adequado no momento da escrita. Considerando a vivência de Jacinto, o medo, a culpa… Não me pareceu ser forte o bastante como homem para assumir o que era. Logo, ceder à chantagem de Fabiana foi algo plausível. Não é um final feliz, concordo, mas me pareceu irreal se ele fugisse com o boto.
      Agradeço muito pela paciência da leitura e comentário.
      Um grande e carinhoso abraço.

      • Caligo Editora
        2 de abril de 2017

        Oi, Evelyn, imagina, foi uma ótima leitura. Quanto ao final, o que quis dizer foi que dá vontade de continuar lendo. Jacinto é bem isso mesmo, como eu disse, o final é ok, mas deixa um gosto de querer continuar. Parabéns. 😉

  5. Marsal
    30 de março de 2017

    Olá, autor (a). Parabéns pelo seu conto. Vamos aos comentários:
    a) Adequação ao tema: sim, com certeza
    b) Enredo: A ideia e’ bastante original. Um tema extremamente contemporâneo e ao, mesmo tempo, tradicional. A mistura de elementos folclóricos e o conflito do protagonista quanto a própria orientação sexual pode ser vista de forma literal mas também alegórica.
    c) Estilo: Um conto muito bem escrito. Há uma estória e a leitura e’ bastante fluente, com uma certa elaboração na linguagem, na medida certa.
    d) Impressão geral: Um ótimo conto. O autor conseguiu abordar um tema bastante delicado, de forma sutil e balanceada. Boa sorte no desafio!

    • Evelyn Postali
      2 de abril de 2017

      Querido Marçal,
      Obrigada pelos elogios. Guardarei com carinho.
      Eu gostei do seu apontamento: A mistura de elementos folclóricos e o conflito do protagonista quanto a própria orientação sexual pode ser vista de forma literal mas também alegórica.
      Ótima percepção. Obrigada.
      Agradeço muito pela paciência da leitura e comentário.
      Um grande e carinhoso abraço.

  6. jggouvea
    29 de março de 2017

    Hahahahah,

    mas que boto mais safado… rsrs

    Gostei do conto, gostei muito mesmo. Além de ter uma das melhores introduções deste desafio (à parte o meu heheh), esse conto tem uma cadência narrativa tão envolvente quanto um olhar de boto.

    Acho que a grande sacada desse texto é a originalidade. Afinal, por que botos não podem ser gays? Está escrito em algum lugar isso? Perfeito. E dois botos aparecendo no lugar, um para emprenhar a Fabiana e outro para seduzir o Jacinto, resultando nesse arranjo delicioso do fim. E tudo bem amarrado dentro do limite de 2000 palavras.

    Parabéns ao autor.

    Vamos às notas:

    Média 9,95
    Introdução: 9,5
    o resto é dez.

    • Evelyn Postali
      2 de abril de 2017

      Querido José Geraldo,
      Obrigada pelos elogios. Guardarei com carinho.
      Ahahah safado de um boto! Ficou com Fabiana e também com Jacinto. Gosta da diversidade.
      Boa pergunta: por que botos não podem ser gays? Por que não podem encantar aos homens também? Por que não ressaltar esse feminino também de outro jeito?
      Não havia, de verdade, dois botos no mesmo lugar. Era apenas um e ele envolveu Fabiana e Jacinto.
      Agradeço muito pela paciência da leitura e comentário.
      Um grande e carinhoso abraço.

  7. Cilas Medi
    29 de março de 2017

    Um belo conto, respaldado por uma lenda que foi convertida em amor. O sofrimento de não poder ser o que é, uma chantagem marcada pelo constrangimento e um casamento por conveniência, restando a vergonha e a amargura no consentimento. Criativo.

    • Evelyn Postali
      2 de abril de 2017

      Querido Cilas Medi,
      Obrigada pelos elogios. Guardarei com carinho.
      Agradeço muito pela paciência da leitura e comentário.
      Um grande e carinhoso abraço.

  8. Bruna Francielle
    29 de março de 2017

    tema: essa festa do Boto existe mesmo, ou apenas colocou o Boto de nome pra dizer? Parece que o folclore nem sequer ocupou um plano de fundo aqui

    pontos fortes: texto bem escrito, fácil de ler. Conseguiu descrever bem os tormentos do personagem, gay e “no armário”, bem como a relação dele com o outro. Estranho mesmo foi a reação de Fabiana o.0 Ah, achei bem engraçado a frase final. Quem desmaiou foi Jacinto, não a noiva.

    pontos fracos: como disse anteriormente, o folclore não foi muito explorado no conto. Não teve nem sequer um pouquinho de atenção que passasse de umas 2 frases ou nomes.
    Outra coisa foi a troca de foco e perspectiva. Começou falando de Jandira, terminou falando de Jacinto. No mesmo conto e sem separação, misturou a perspectiva de dois personagens distintos. Jacira que tinha o foco inicial, sumiu do conto.

    • Evelyn Postali
      2 de abril de 2017

      Querida Bruna Francielle,
      Sim. Essa festa do boto existe mesmo. Não conhece? Dá uma pesquisada e vai ver que ela é até bem famosa. Tem dois botos concorrendo na festa. O boto rosa e o boto tucuxi. Tem uma mistura de religião com festa pagã. É linda.
      Quem desmaiou? Jacinto não desmaiou. Mas tudo bem, pode interpretar assim, também.
      O folclore, devo discordar, está presente tanto na festa, quanto na presença do boto. Acho que você não prestou atenção, ou não deve saber o quão abrangente é a palavra folclore.
      Também não concordo com a mudança de perspectiva. Eu comecei falando dos dois, porque eles são gêmeos e tinham vida em comum. Depois, eu os separei, e os uni. A irmã de Jacinto é o elo com Fabiana. Talvez, se você ler uma segunda vez, vai perceber que há um equilíbrio dentro dessa relação.
      De qualquer maneira, agradeço muito pela paciência da leitura e comentário.
      Um grande e carinhoso abraço.

  9. Gustavo Castro Araujo
    29 de março de 2017

    Gostei do conto. Os personagens são muito bem construídos, com foco no psicológico, demonstrando muito bem defeitos e qualidades. Apesar do substrato de fantasia – afinal falamos do Boto que encanta – tudo soa muito real, verossímil, doloroso como uma paixão de verão. Por isso é muito fácil a identificação do leitor com os personagens. Achei que a relação entre Jacinto e o estranho bem elaborada, carregada de sensibilidade e, o que é melhor, sem qualquer dos estereótipos que normalmente acompanham esse aspecto, transformando-o numa bandeira. No fim, vemos Fabiana chantageando Jacinto, casando-se com ele, enfim, em troca da manutenção do segredo. Triste para Jacinto, mas interessante para a história, algo que a torna diferente, que a destaca. Belo trabalho.

    • Evelyn Postali
      2 de abril de 2017

      Querido Gustavo,
      Obrigada pelos elogios. Guardarei com carinho.
      Agradeço muito pela paciência da leitura e comentário.
      Um grande e carinhoso abraço.

  10. Vitor De Lerbo
    29 de março de 2017

    Ótimo texto. Uma releitura bem feita e interessante, aonde o medo da repercussão faz com que o protagonista escolha o caminho da infelicidade.
    Boa sorte!

    • Evelyn Postali
      2 de abril de 2017

      Querido Vitor De Lerbo,
      Obrigada pelos elogios. Guardarei com carinho.
      Realmente o final não é feliz, mas medo e culpa em alinhamento com a pressão da família e sociedade podem ser mesmo um desastre.
      Agradeço muito pela paciência da leitura e comentário.
      Um grande e carinhoso abraço.

  11. Rsollberg
    29 de março de 2017

    E ai, Tapajós!

    Cara, o grande mérito do conto foi ter subvertido o tema, mostrando uma perspectiva diversa do habitual, tudo com muita delicadeza e sensibilidade. A história foi muito bem construída, revelando aos poucos as motivações do protagonista – não querer sair com Fabiana, a angustia por estar na cidade, pensando em ir para São Paulo, até mesmo o “possivel” desconforto com a profissão, muito associada a “masculinidade”.Quando ele encontra o forasteiro tudo começa a clarear.

    Os demais personagens, ainda que com participações curta, são bem definidos: Fabiana determinada, Rita Niilista, Marcela Curiosa…

    O final é bom, mas obviamente muito triste, E a pior parte é porque parece absolutamente crível, ordinário!
    Parabéns e boa sorte!

    • Evelyn Postali
      2 de abril de 2017

      Querido RSolberg,
      Obrigada pelos elogios. Guardarei com carinho.
      Você apontou algumas particularidades que planejei na construção. Jacinto sendo pedreiro, porque pedreiro é uma profissão masculina para a sociedade onde estamos inseridos.
      O final, como disse em comentário anterior, me pareceu adequado no momento da escrita. Considerando a vivência de Jacinto, o medo, a culpa… Não me pareceu ser forte o bastante como homem (ser humano, pessoa) para assumir o que era. Logo, ceder à chantagem de Fabiana foi algo plausível. Não é um final feliz, concordo, mas me pareceu irreal se ele fugisse com o boto.
      Agradeço muito pela paciência da leitura e comentário.
      Um grande e carinhoso abraço.

  12. danielreis1973 (@danielreis1973)
    28 de março de 2017

    Perfeito até nas filigranas, esse texto é sem dúvida o meu preferido até aqui. Desde a construção do cenário, caracterização dos personagens, diálogos e até a surpresa final. Bravo, autor!

    • Evelyn Postali
      2 de abril de 2017

      Querido Daniel Reis,
      Obrigada pelos elogios. Guardarei com carinho.
      Agradeço muito pela paciência da leitura e comentário.
      Um grande e carinhoso abraço.

  13. Fabio Baptista
    28 de março de 2017

    Não tem um estilo muito bem definido nem construções mais elaboradas, mas está bem escrito, com fluidez e clareza.

    Gostei dessa abordagem diferente da lenda do boto (não consegui deixar de pensar em Robocop Gay dos Mamonas rsrs) e gostei mais ainda do final, puxando para o lado humano das consequências do “incidente”, mostrando bem esse lado da vergonha e tal.

    Bom conto.

    Abraço!

    NOTA: 8,5

    • Evelyn Postali
      2 de abril de 2017

      Querido Fabio Baptista,
      Não sei o que você quis dizer com estilo bem definido, ou construções mais elaboradas. No meu humilde entendimento, se você me diz que está bem escrito, com fluidez e clareza, significa que a linguagem foi usada adequadamente. Fica a questão do estilo – que eu não sei ao que você se refere. Também não entendi a referência com o Robocop Gay dos Mamonas. Perdoa a minha ignorância.
      Com relação ao final, acredito que tenha realmente sido o mais infeliz, mas não consegui ver um final muito diferente de ‘infeliz’.
      Obrigada pelos elogios. Guardarei com carinho.
      Agradeço muito pela paciência da leitura e comentário.
      Um grande e carinhoso abraço.

  14. Felipe Rodrigues
    28 de março de 2017

    Gostei do conto, que fica bom após o encontro do cara com o boto, pela originalidade e inversão na temática. Embora alguma construções do começo tenham ficado cansativas (descrições demais sobre os festejos), o autor parece ter encontra seu caminho com a revelação a respeito de Jacinto, a quem acompanhamos com entusiasmo da direção de um conclusão crítica e realista.

    • Evelyn Postali
      2 de abril de 2017

      Querido Felipe Rodrigues,
      Obrigada pelos elogios. Guardarei com carinho.
      Obrigada, também, pelos apontamentos sobre as descrições a mais. Talvez eu devesse ter dito apenas que eram os festejos da disputa dos botos, mas considerei que nem todos conhecem os rituais e os acontecimentos nessa semana de festejos.
      Agradeço muito pela paciência da leitura e comentário.
      Um grande e carinhoso abraço.

  15. Anderson Henrique
    27 de março de 2017

    Bem escrito, dá gosto de ler. Uma história trágica e curiosa, a lenda roçando de leve nas vidas ordinárias. O disfarce trágico e o selo do destino em uma cidade interiorana, pequenas intrigadas e histórias à boca miúda que contribuem para a trama montada. Um dos meu preferidos até aqui. Parabéns.

    • Evelyn Postali
      2 de abril de 2017

      Querido Anderson Henrique,
      Obrigada pelos elogios. Guardarei com carinho. ]Fiquei muito feliz que tenha gostado dessa história.
      Agradeço muito pela paciência da leitura e comentário.
      Um grande e carinhoso abraço.

  16. Rafael Luiz
    27 de março de 2017

    O conto se inicia um pouco devagar e despretensioso. Os personagens são bem apresentados e explorados, o enredo parece batido e clichê, até a reviravolta do terceiro ato pegar o ator de surpresa e a surpresa e a curiosidade crescerem junto com a narrativa

    • Evelyn Postali
      2 de abril de 2017

      Querido Rafael Luiz,
      Obrigada pelos elogios. Guardarei com carinho.
      Talvez tenha me estendido no começo. Como eu disse no comentário anterior, talvez eu devesse ter dito apenas que eram os festejos da disputa dos botos, mas considerei que nem todos conhecem os rituais e os acontecimentos nessa semana de festejos.
      Agradeço muito pela paciência da leitura e comentário.
      Um grande e carinhoso abraço.

  17. Pedro Luna
    26 de março de 2017

    Nossa, gostei bastante. Curioso como esse conto tem semelhanças com o meu, o fato do cara estar na construção, de ter almas descontentes com o lugar onde vivem, tratar do Boto. Bom, mas para por aí. O conto surpreende ao trazer o tema do homossexualismo, e de maneira bem delicada. Curti. Realmente dá para perceber a angústia que vive o personagem, e a sua realidade, de povoado pequeno, esmagava ainda mais o seu coração. No fim, só resta o destino certo, não buscado, mas que vem até ele de forma avassaladora.

    Conto humano, apesar do lado folclore, e por isso curti.

    • Evelyn Postali
      2 de abril de 2017

      Querido Pedro Luna,
      Obrigada pelos elogios. Guardarei com carinho.
      Eu me lembrei do meu conto quando li o seu – a questão da masculinidade da profissão, de estar descontente com o lugar e querer fugir sem ter como. A questão da homossexualidade foi algo bem complicado, porque tinha medo da reação dos leitores. Sempre se espera que leitores tenham mente aberta, que vislumbrem horizontes mais amplos, mas nem sempre é isso que acontece. Assim como escritores – espera-se que eles consigam escrever a diversidade, mas nem sempre é possível -. Então, tinha esse medo de usar a temática aqui, no EntreContos, muito embora eu já tenha escrito outros contos de mesma temática no meu blog e nunca tenha recebido ofensas nos comentários. Sim. Procurei ser muito delicada na descrição do envolvimento, porque me parece que algumas pessoas esperam sempre algo mais gráfico de um envolvimento homoafetivo – nesse caso, não sei como é que se chamaria tendo em vista que o outro é o boto em forma de gente.
      Fiquei bastante contente que gostou do meu conto.
      Agradeço muito pela paciência da leitura e comentário.
      Um grande e carinhoso abraço.

  18. Ricardo de Lohem
    26 de março de 2017

    Olá, como vai? Vamos ao conto! Interessante e bastante original versão GLS da história do Boto, envolvendo um triângulo amoroso ou algo assim. O começo é um pouco descritivo demais, até arrastado para um conto curto. Em histórias curtas, não se deve perder tempo; é preciso ir direto ao núcleo da questão, melhor chegar adiantado que atrasado, pelo menos é o que eu aconselho para os contistas. Um conto que deu certo, foi bastante original e manteve o ritmo, podia ter sido melhor, mas também podia ter sido muito pior, considero então que o resultado ficou bastante bom. Desejo Boa Sorte.

    • Evelyn Postali
      2 de abril de 2017

      Querido Ricardo de Lohem,
      Obrigada pelos elogios. Guardarei com carinho.
      Também agradeço pelos apontamentos com relação à narrativa arrastada.
      Agradeço muito pela paciência da leitura e comentário.
      Um grande e carinhoso abraço.

  19. Elias Paixão
    26 de março de 2017

    É um conto interessante que se divide entre o drama da personagem por sua sexualidade e a lascívia do mito. O(a) autor(a) foi a fundo na imersão e nos levou com ele(a). Foi possível viver todo aquele clima de fofoca que permeia festas do interior e quando passamos de volta ao Jacinto, sendo apresentados ao seu íntimo, já tememos pelo que pode acontecer. No final, o destino inexorável cobra seu preço e o final deixa no ar o destino que o leitor já pode imaginar.

    • Evelyn Postali
      2 de abril de 2017

      Querido Elias Paixão,
      Obrigada pelos elogios e apontamentos. Guardarei com carinho.
      Agradeço muito pela paciência da leitura e comentário.
      Um grande e carinhoso abraço.

  20. Olisomar Pires
    25 de março de 2017

    Bom conto. Bem escrito. Bom ritmo. Os personagens são meio superficiais, mas se adaptam à estòria. Talvez o “boto” tenha ficado por demais em segundo plano e a conclusão tenha se precipitado.

    • Evelyn Postali
      2 de abril de 2017

      Querido Olisomar Pires,
      Obrigada pelos elogios e apontamentos. Guardarei com carinho.
      Gostaria de saber em que sentido os personagens são superficiais e como, sendo superficiais eles se adaptam à história. A história é superficial? A festa do boto é parte do folclore. O boto é o segundo elemento folclórico da história. Ele não poderia ser o elemento principal porque se fosse, estaria recontando a lenda, logo, ele está em segundo plano. Pode me explicar como se fica em segundo plano sem estar muito em segundo plano? Gostaria também de saber sobre a sua ideia de precipitação no final para que eu possa analisar melhor o final.
      Agradeço muito pela paciência da leitura e comentário.
      Um grande e carinhoso abraço.

      • Olisomar Pires
        3 de abril de 2017

        Olá…

        “muito em segundo plano” teve a intenção de dizer que o boto não era peça fundamental para o texto, ele poderia ter sido substituído por outro homem comum e o resultado seria o mesmo.

        Personagens superficiais, pois não tem domínio de suas ações, são passivos (sem trocadilhos). dominados pelas circunstâncias.

        Conclusão precipitada – ficou muito conveniente a descoberta da relação homossexual, uma chave para a chantagem ou culpa e tudo termina com os personagens, novamente, sem conseguirem se impor.

        O conto é bom, não me entenda mal, apenas são detalhes da cabeça de outro escritor. Parabéns !

      • Evelyn Postali
        3 de abril de 2017

        Agora ficou mais claro, Olisomar, o que quis dizer. É possível que esse final pudesse ser outro. Havia a possibilidade de fazer, mas seria, no meu entendimento, um final muito do nada. Esse, pelo contrário, apesar de óbvio, foi aquele que mais se encaixou no todo. Com relação ao que disse sobre os personagens, não vejo Fabiana como uma personagem passiva. Ela é determinada e conseguiu o quis. Obviamente, Jacinto, pelo medo e pela culpa, jamais tomará uma atitude a seu favor. Mas aí, existem outras coisas para serem discutidas.
        De novo, obrigada pelo seu carinho e cuidado em vir aqui explicar o seu comentário. Amei.
        Um grande e carinhoso abraço!

  21. Marco Aurélio Saraiva
    24 de março de 2017

    Caramba, gostei muito. Foi um conto que começou despreocupado, sem alarde, silencioso. O ritmo foi aumentado conforme você vai entendendo a homossexualidade de Jacinto e seguindo a angústia dele em viver aquele tabu. Por fim, a revelação do boto e o fato dele não escolher homem ou mulher foi o ápice: numa noite engravidou Fabiana, na outra destruiu a vida de Jacinto. Engraçado como as histórias de boto sempre vêm para destruir vidas.

    Seu conto é bem diferente dos outros, cheio de originalidade e pensamentos interessantes. Sua escrita facilita a leitura. Ela é muito boa, e com pouquíssimos erros. Você faz uma excelente imersão, tanto no desenvolvimento dos personagens quanto na descrição do cenário.

    Parabéns mesmo! Um conto excelente!

    • Evelyn Postali
      2 de abril de 2017

      Querido Marco Aurélio Saraiva,
      Suas observações me encantaram. Obrigada. Como já disse em outro comentário, a questão da homossexualidade foi algo bem complicado, porque tinha medo da reação dos leitores. Sempre se espera que leitores tenham mente aberta, que vislumbrem horizontes mais amplos, mas nem sempre é isso que acontece. Assim como escritores – espera-se que eles consigam escrever a diversidade, mas nem sempre é possível -. Então, tinha esse medo de usar a temática aqui, no EntreContos, muito embora eu já tenha escrito outros contos de mesmo tema no meu blog e nunca tenha recebido ofensas nos comentários. Acredito que algumas notas baixas tenham sido exatamente pela subversão dessa ordem, dessa coisa de que o boto só encanta as mulheres. Mas enfim… Por que não subverter, não é?
      Obrigada pelos elogios e apontamentos. Guardarei com muito, muito carinho. Nem sempre se acerta, não é? Dessa vez, fiz certinho.
      Agradeço muito pela paciência da leitura e comentário.
      Um grande e carinhoso abraço.

  22. Iolandinha Pinheiro
    24 de março de 2017

    Uma versão homoafetiva da lenda do boto. O conto tem uma linguagem pendendo para o poético, intimista, reflexivo, mas o enredo é bem simples: irmãos gêmeos sem grandes perspectivas na vida aguardam um acontecimento na cidade e a chegada de vários estranhos bonitões. Jacinto, noivo de uma garota chamada Fabiana, na verdade não tem coragem de assumir sua orientação sexual, mas acaba se entregando aos prazeres da carne com um desconhecido que o seduz na margem do rio. A simplicidade do enredo e o fato de não haver subtramas ou outras coisas a explorar fazem com que o autor prolongue o conto excessivamente, contando e recontando as frustrações e tristezas dos personagens principais. O conto acabou ficando bastante sacal a despeito da bela linguagem, e me levou a começar e parar várias vezes. É isso. Nada a acrescentar. Parabéns e boa sorte.

    • Evelyn Postali
      2 de abril de 2017

      Querido Iolandinha Pinheiro,
      Obrigada pelos elogios e apontamentos. Guardarei com carinho.
      Agradeço muito pela paciência da leitura e comentário.
      Um grande e carinhoso abraço.

  23. Elisa Ribeiro
    23 de março de 2017

    Genial! Que boto ardiloso! Sua ambientação e personagens estão perfeitos. O enredo, surpreendente. O único comentário que faço é que eu preferia que seu conto tivesse terminado um pouco antes, em “aquele era seu funeral”. Parabéns pelo excelente trabalho!

    • Evelyn Postali
      2 de abril de 2017

      Querido Elisa Ribeiro,
      Obrigada pelos elogios e apontamentos. Guardarei com carinho.
      Muito pertinente sua observação sobre o final!
      Agradeço muito pela paciência da leitura e comentário.
      Um grande e carinhoso abraço.

  24. Miquéias Dell'Orti
    23 de março de 2017

    Oi. Trágico fim de Jacinto. Coitado. Como milagre, seu santo pelo menos não o deixou acordado para dar cabo do evento, mas ele irá viver (se é que isso é viver) todo o resto da vida se arrependendo de suas escolhas.

    A narrativa está bem construída e o romance entre o moço e o boto é bacana, inovador e fora do lugar comum. Gostei bastante.

    • Evelyn Postali
      2 de abril de 2017

      Querido Miquéias Dell’Orti,
      Obrigada pelos elogios e apontamentos. Guardarei com carinho.
      Você tem razão… As escolhas nos carregam para o bom ou para o ruim da vida. Jacinto, de pouca atitude, com medo e cheio de culpa, não será feliz. Creio que não será feliz ao lado de Fabiana.
      Agradeço muito pela paciência da leitura e comentário.
      Um grande e carinhoso abraço.

  25. Olá, Tapajós,

    Tudo bem?

    Seu conto mostra uma vertente pouco explorada do mito do Boto. Porém, creio eu, uma faceta que, certamente, está muito presente no imaginário do Norte do país. O Voto é símbolo de virilidade, fertilidade, beleza, amor, encantamento. E, obviamente, o meninos GLS se encantam com tal figura, da mesma forma que as meninas.

    Colocar dois gêmeos ambicionando o mesmo “belo” foi uma grande ideia de premissa. Não sei se aludiu a outra lenda, mesclando as duas, mas funcionou muito bem.

    A narrativa é gostosa, flui bem demais e as imagens criadas nos transportam à festa do Boto, à vida do povo local e, mais que isso, desses dois irmãos de vida simples e para os quais o sonho da festividade e o amor que ela promete é de suma importância.

    Parabéns por seu trabalho e boa sorte no desafio.

    Beijos

    Paula Giannini

    • Evelyn Postali
      2 de abril de 2017

      Querida Paula Gianinii,
      Obrigada pelos elogios e apontamentos. Guardarei com carinho.
      Além do boto, o folclore pertence à festa do boto, a parte religiosa, que tem mais ou menos uns 300 anos. É folclore também.
      Com relação ao tema homoafetivo, sim, muito pertinente sua colocação. Meninos GLS também se encantam. E meninos não GLS também se encantam. Existem muitas restrições na nossa cultura (ainda). Essas questões de meninos não poderem fazer isso, sentir aquilo… Meninas não poderem agir assim, brincar com isso… Estava com medo de mandar esse conto para o desafio. E acredito que as notas baixas que ganhei se devam exatamente à subversão desse tema. Mas não foi só o boto que usei para falar do folclore. Quase nenhum dos leitores se deu por conta de que a Festa do Sairé é um evento folclórico, religioso; é cultura de Alter do Chão, perto de Santarém. Hoje é mais conhecida. Enfim… O fato é que existe muita resistência com temas que fogem da nossa ‘normalidade’, se posso dizer assim.
      Agradeço muito pela paciência da leitura e comentário.
      Um grande e carinhoso abraço.

  26. Matheus Pacheco
    21 de março de 2017

    Cara, eu tenho uma pequena critica para constar… E talvez esteja um pouco mal escrita porque estou com meu telemovel.
    Mas vamos que vamos:
    O conto tem alguns dialogos muito mal desenvolvidos, e alguns que parecem estar lá só parace encher linguiça…
    Abração ao autor… E que o boto nunca te visite

    • Evelyn Postali
      2 de abril de 2017

      Querido Matheus Pacheco,
      Obrigada pelos apontamentos. Guardarei também com carinho.
      Poderia explicar sobre os diálogos que não estão bem desenvolvidos? Quais são os diálogos que você entende estarem no texto só para ‘encher linguiça’?
      Agradeço muito pela paciência da leitura e comentário.
      Um grande e carinhoso abraço.

  27. G. S. Willy
    21 de março de 2017

    Conto admiravelmente bem escrito, leve, cada palavra em seu lugar, as emoções e dilemas bem implícitos, permeando todo o texto. A construção da narrativa começa devagar, meio confusa, mas depois desenrola e gruda o leitor. Bons personagens também, construídos de maneira rápida e convincente. No quesito escrita é nota máxima, sem dúvida.

    Agora sobre o tema do desafio. Entendi, ou quis entender, que o misterioso homem era o boto. Porém “Levo você comigo.” é uma frase que o boto como conhecemos nunca diria, e então me pareceu que era apenas uma representação real do que é o boto, alguém que vem de fora, faz filhos e vai embora. E mesmo no caso o folclore não é o tema do conto, não é o mote principal. Este conto poderia estar em diversos outros desafios sem mover uma vírgula e também faria sentido, uma pena…

    • Evelyn Postali
      2 de abril de 2017

      Querido G. S. Willys,
      O tema do desafio era folclore brasileiro. A Festa do Sairé também é folclore. Não é só a lenda do boto. A história do boto acontece em todos os lugares, mas a festa só acontece em Alter do Chão, perto de Santarém. Ela é uma festa idosa; tem uns 300 anos, mais ou menos. Então, não se pode ter certeza de nada. Algumas versões da lendas dizem que o boto carrega as moças para o fundo da lagoa, outras, para o fundo do rio. Se o boto diz ‘levo você comigo’, isso não quer dizer que ele vai levar para sempre e para sempre felizes. Desta maneira, acredito que a fala seja bastante pertinente.
      Obrigada pelos apontamentos. Guardarei também com carinho.
      Agradeço muito pela paciência da leitura e comentário.
      Um grande e carinhoso abraço.

  28. Priscila Pereira
    21 de março de 2017

    Oi Tapajós, seu conto está bem escrito, muito bem ambientado, muito interessante… Não sabia que o boto encantava também os homens… nada como um pouco de licença poética… bem, eu entendi que se tratava do boto, mas será? Gostei muito da ambientação, quase me senti no meio da festa. Boa sorte!!

    • Evelyn Postali
      2 de abril de 2017

      Querida Priscila Pereira,
      O tema do desafio era folclore brasileiro. A Festa do Sairé também é folclore. Não é só a lenda do boto. A história do boto acontece em todos os lugares, mas a festa só acontece em Alter do Chão, perto de Santarém. Ela é uma festa idosa; tem uns 300 anos, mais ou menos. Então, não se pode ter certeza de nada. Algumas versões da lenda dizem que o boto carrega as moças para o fundo da lagoa, outras, para o fundo do rio.
      Com relação à questão homoafetiva… Não vejo motivo de surpresa pelo encantamento também de Jacinto. Não é possível conceber um mundo onde somente as mulheres se encantam. Você não concorda? Seria um mundo de uma ‘normalidade’ doentia. Foi pertinente a colocação da Paula Gianini que escreveu: Meninos GLS também se encantam. Sim! E eu digo: meninos não GLS também se encantam.
      Existem muitas restrições na nossa cultura e elas passam muito pelas mulheres. As mulheres são responsáveis pelo domínio do masculino. Elas reforçam na criação de seus filhos as questões de meninos não poderem fazer isso, sentir aquilo… Meninas não poderem agir assim, brincar com isso…
      Eu estava com medo de mandar esse conto para o desafio. E acredito que as notas baixas que ganhei se devam exatamente pela subversão desse tema – ou como você disse: ‘nada como um pouco de licença poética’. Mas, sim, estava com medo da reação dos leitores. Sempre se espera que leitores tenham mente aberta, que vislumbrem horizontes mais amplos, mas nem sempre é isso que acontece. Assim como escritores – espera-se que eles consigam escrever a diversidade, mas nem sempre é possível -. Então, tinha esse receio de usar a temática aqui, no EntreContos, muito embora eu já tenha escrito outros contos de mesmo tema no meu blog e nunca tenha recebido ofensas nos comentários.
      Obrigada pelos apontamentos. Guardarei também com carinho.
      Agradeço muito pela paciência da leitura e comentário.

      • Priscila Pereira
        3 de abril de 2017

        Oi Evelyn, gostei de saber mais sobre essa festa que parece tão bonita!! Não estranhei que o boto tivesse encantado o Jacinto, só expressei que nuca havia lido ou ouvido nada parecido, e sobre a licença poética… eu também usei, se você se lembra o meu boto escolheu a moça mais feia ao invés da mais linda, como diz a lenda. Parabéns pelo pódio!!!

  29. Antonio Stegues Batista
    20 de março de 2017

    Gostei da historia, mas o final aberto me frustrou. A escrita é boa, as descrições, o enredo. A lenda do boto cor de rosa é quase inexistente, mas ficou legal a ideia, a criação de um personagem gay e seus conflitos sentimentais.

    • Evelyn Postali
      2 de abril de 2017

      Querido Antônio Stegues Batista,
      O tema do desafio era folclore brasileiro. A Festa do Sairé também é folclore. Não é só a lenda do boto. A história do boto acontece em todos os lugares, mas a festa só acontece em Alter do Chão, perto de Santarém. Ela é uma festa idosa; tem uns 300 anos, mais ou menos.
      Não sei o que você considera como final aberto. Jacinto casou-se. É o merecido fim para a culpa, o medo e a incapacidade de escolher a felicidade. Talvez possa me dar uma dica de como esse final não lhe pareceria aberto. Vou gostar de saber.
      Obrigada pelos apontamentos. Guardarei também com carinho os elogios.
      Agradeço muito pela paciência da leitura e comentário.

    • Evelyn Postali
      2 de abril de 2017

      Um grande e carinhoso abraço!

      • Rsollberg
        3 de abril de 2017

        Como assim final aberto????
        Mais fechado é impossível!!

  30. Anorkinda Neide
    19 de março de 2017

    Que bonito! Tem umas construções tão lindas…
    Tem sensibilidade e emoção. Um conto muito bem trabalhado e amarrado.
    Achei os rapazes cativantes, com tão pouco mostrou tanto das personalidades…
    Parabéns!
    abração

    • Evelyn Postali
      2 de abril de 2017

      Querida Anorkinda Neide,
      Obrigada, de coração! Guardarei também com carinho os elogios. Tenho muita consideração pela sua avaliação.
      Esse conto não tinha um final quando eu decidi retomar.
      Agradeço muito pela paciência da leitura e comentário.

    • Evelyn Postali
      2 de abril de 2017

      Um grande e carinhoso abraço!

  31. Neusa Maria Fontolan
    18 de março de 2017

    Loucura!
    A covardia falou alto aqui! O medo de assumir ou partir daquela cidade fez Jacinto sufocar todos seus desejos e anseios. Casou-se com uma chantagista só para ter uma imagem limpa perante aquela cidade. E com isso proclamou a sua infelicidade para sempre.
    O conto é muito bom, parabéns.
    Destaque: “Mãos a brincar, bocas a experimentar sabores. O contraste das peles, o marulho das águas, a cantoria. O movimento dos corpos, o calor e o alívio. Entre uma ação e outra, entre uma canção e outra, braços e pernas entrelaçados. A respiração no pescoço. O toque suave como onda de rio manso naquela pele fustigada pelo sol. Aquele desejo de tempos, aquela vontade reprimida… A vida faz sentido quando é, de fato, vivida.”

    • Evelyn Postali
      2 de abril de 2017

      Querida Neusa Maria Fontolan,
      Pois é… Jácinto e a culpa. Jacinto e o medo. Jacinto e a incapacidade de se decidir pela felicidade.
      Obrigada, de coração! Guardarei com carinho os elogios.
      Agradeço muito pela paciência da leitura e comentário.

    • Evelyn Postali
      2 de abril de 2017

      Um grande e carinhoso abraço!

  32. Evandro Furtado
    18 de março de 2017

    Resultado – Average

    O autor se arrisca em alguns pontos, sobretudo no enredo, e isso enriquece o texto. A trama, no entanto, não se condensa, e fica presa a esses fatos aleatórios. Faltou dar uma cadência melhor à história. A narrativa é decente, com retoques de brilhantia que não se estabelecem, no entanto.

    • Evelyn Postali
      2 de abril de 2017

      Querido Evandro Furtado,
      Obrigada, de coração pela avaliação. Guardarei com carinho os apontamentos, mas gostaria de saber algumas coisas. Pode ser?
      Poderia me explicar qual é o problema que detectou na trama, com relação a essa coisa de não se condensar? Os fatos aleatórios são os que dizem respeito à Festa do Sairé? O que você chama de cadência? Pode explicar o que significa retoques de brilhantina?
      Agradeço muito pela paciência da leitura e comentário.
      Um grande e carinhoso abraço.

      • Evandro Furtado
        3 de abril de 2017

        Oi, Evelyn, fico feliz em ser útil.

        Vamos lá, aos apontamentos.

        1 – A trama não se condensa no sentido de não há conexões fortes suficientes entre os fatos narrados. Acho, que isso, inclusive, responde à questão dos fatos aleatórios. Eu sou um grande defensor da unidade narrativa – uma ideia que li na obra crítica de Poe, vale a pena dar uma conferida. Eu senti que os acontecimentos na histórias não possuem ligações suficientes entre si. Tudo acontece, mas é isso. A história não leva, exatamente a um ponto específico. Achei super interessante a ideia das mulheres atiradas, do drama homossexual do cara e do casamento forçado no final. Achei, no entanto, que alguns acontecimentos foram desnecessariamente narrados. O conto fica um pouco longo e isso tira o impacto desse drama. Consequentemente faltou justamente o mais importante: criar ligações entre esses três importantes momentos da história. Tivesse feito isso, teria recebido um Outstading, sem dúvidas.

        2 – Sim, os acontecimentos da festa são, na maioria, desnecessários. Não acho que precisava aprofundar tanto. O tema já está no boto, era suficiente. Às vezes a simplicidade é a melhor coisa.

        3 – Não é “toques de brilhantina”, mas “toques de brilhantia”. Refere justamente aos acontecimentos soltos. A narrativa é fantástica e tem seus pontos positivos. Acho que foram alguns exageros que incomodaram.

        Espero ter ajudado. De qualquer forma, é lembrar que a opinião é subjetiva. Pra outros, o efeito pode ter sido diferente e funcionado de forma diferente. Minha opinião é embasada diante daquilo que vejo em relação à arte literária. Espero poder ler mais textos seus e poder dar mais pitacos.

        Fico à disposição.

      • Evelyn Postali
        3 de abril de 2017

        Oi, Evandro,
        Vou parecer chata. Mas, sério, não consegui entender o que quis me dizer no ponto 1. Essa coisa de “A trama não se condensa no sentido de não há conexões fortes suficientes entre os fatos narrados.” Que tipo de conexões seriam fortes suficientes para amarrar os fatos? Quais os acontecimentos que você considera desnecessários? A que ponto específico você acredita que a história devesse ter seguido? No ponto 2 você diz: “Sim, os acontecimentos da festa são, na maioria, desnecessários. Não acho que precisava aprofundar tanto. O tema já está no boto, era suficiente. Às vezes a simplicidade é a melhor coisa.” Bem… Se a festa do Sairé era o tema do conto, como eu poderia não ter abordado a festa? Porque, pelo que eu entendo, o fato de eu mostrar alguns momentos da festa, fazem com que o leitor que desconhece essa manifestação, passe a entender um pouco dela. Sobre o ponto 3, foi um erro mesmo de grafia. Você fala sobre acontecimentos soltos. Pode me dizer quais são?
        Claro que ajudou! E gosto não se discute, mas vou ficar muito feliz se me ajudar a entender para melhorar.
        Abraços carinhosos!

  33. catarinacunha2015
    18 de março de 2017

    Uma crônica muito profunda da hipocrisia dos arranjos sociais. Embora lento, o texto mantém uma tensão constante com o sentimento de culpa e perda latente. Personagens bem estruturados diante de um boto aparentemente coadjuvante, mas responsável pelo lado puro dos amantes.

    • Evelyn Postali
      2 de abril de 2017

      Querida Catarina,
      Obrigada, de coração pela avaliação. Guardarei com carinho os apontamentos.
      Devo acrescentar que o boto não é o único elemento do folclore presente. A Festa do Sairé já tem umas centenas de anos. O boto foi um elemento que serviu para romper algumas coisas e mostrar outras, como bem disse: a hipocrisia dos arranjos sociais, a culpa, o medo.
      Gostaria de saber qual é o sentido da lentidão que falou. É por causa da linguagem? Dos poucos diálogos? Pode esclarecer? Obrigada!
      Agradeço muito pela paciência da leitura e comentário.
      Um grande e carinhoso abraço.

      • catarinacunha2015
        3 de abril de 2017

        Os diálogos estão perfeitos, assim como a estrutura da trama. A lentidão reside nas excessivas descrições ambientais em detrimento da ação. O que não é nenhum defeito, apenas um estilo de narrativa lenta para o meu gosto pessoal de leitura. O que não interfere em nada em sua merecidíssima colocação. Parabéns.

      • Evelyn Postali
        3 de abril de 2017

        Obrigada, Catarina!
        Está anotado aqui: “excessivas descrições ambientais”.

  34. Roselaine Hahn
    17 de março de 2017

    Tapajós, o seu conto é muito bom. Começou tímido, e foi se soltando, ganhando espaços. Achei um quê de poesia no texto, um certo lirismo, que apareceu em frases como “o cansaço das coisas repetidas assolava o ânimo”. Um final algoz para o protagonista que ansiava por liberdade. No tocante ao Desafio do folclore, parece-me que o texto centrou no drama de Jacinto, com a festa popular do boto de fundo, mas sem maiores destaque à festa e as lendas populares. Mas quer saber? Eu não me importo. Destaco a fluidez do texto, a escrita simples, a descrição dos costumes do vilarejo e o tom acertado da narrativa. Parabéns.

    • Evelyn Postali
      2 de abril de 2017

      Querida Roseilaine Hahn,
      Obrigada, de coração pela avaliação. Guardarei com carinho os apontamentos.
      Eu creio que o folclore não deveria ser o todo do conto, mas como você mesma disse, ele está presente nos costumes do vilarejo, na descrição da festa, no tipo de fala… Ele deveria ser o pano de fundo dos acontecimentos, no meu entender. Teve o boto e a festa do boto, a Festa do Sairé. Se eu descrevesse somente a festa do boto ou a história do boto, eu estaria apenas recontando algo que todos conhecem. Não teria nada de novo. Mas, construir uma trama em cima desse folclore é a chave para escrever um conto para esse desafio. Teremos a criação em cima de algo que já se conhece. A lenda do boto está presente de forma sutil porque Fabiana, se não ficou claro, carrega o filho do boto. Enfim… Procurei fazer dentro do que sabia depois da pesquisa toda.
      Obrigada novamente.
      Agradeço muito pela paciência da leitura e comentário.
      Um grande e carinhoso abraço.

  35. Rubem Cabral
    17 de março de 2017

    Olá, Tapajós.

    Um conto bonito, diferente e corajoso. Gostei dessa versão da lenda do boto. Pobre Jacinto! Talvez, forçado a casar com Fabiana, terá que ser o padastro do filho do próprio amante!

    Boa escrita, sem rebuscamentos, mas também sem ser simples demais. Não vi erros para apontar.

    Nota: 9

    • Evelyn Postali
      2 de abril de 2017

      Querido Rubem Cabral,
      Sim! Você apontou a parte cruel da coisa toda. Jacinto, por culpa e medo, acaba sem liberdade, vítima de chantagem e, no fim, padrasto do filho do amante.
      Obrigada, de coração pela avaliação. Guardarei com carinho os apontamentos e elogios.
      Agradeço muito pela paciência da leitura e comentário.
      Um grande e carinhoso abraço.

  36. marcilenecardoso2000
    17 de março de 2017

    É muito triste ter que se preocupar tanto assim com o que as outras pessoas vão dizer, a ponta de contrair matrimônio com alguém que não se ama, independente nesse caso da opção sexual. o conto não fugiu do tema, mas não explorou como poderia ter explorado.

    • Evelyn Postali
      2 de abril de 2017

      Querida Marcilene Cardoso,
      Obrigada pela avaliação. Guardarei com carinho os apontamentos e elogios, mas creio que não fugi do tema e o explorei como pedia o desafio. Existem dois aspectos claros do folclore dentro dele – a festa do Sairé, em Alter do Chão, perto de Santarém, e a lenda do boto. Creio que estão bem nítidas dentro do conto. Se eu não estou entendendo sua colocação, por favor, gostaria que você explicasse melhor.
      Agradeço muito pela paciência da leitura e comentário.
      Um grande e carinhoso abraço.

      • marcilenecardoso2000
        3 de abril de 2017

        O que eu disse foi exatamente que você não fugiu do tema. O que achei foi que explorou pouco o que tinha em mãos.

      • Evelyn Postali
        3 de abril de 2017

        Ah… ok! Então, pode me explicar como eu poderia ter explorado melhor? Abraço!

  37. M. A. Thompson
    17 de março de 2017

    Olá “Tapajós”. Parabéns pelo seu conto. O que mais chamou minha atenção foi a construção dos diálogos, fluidos e agradáveis de ler. Às vezes não é fácil fazer o diálogo dar certo em um conto, mas você conseguiu. Parabéns.

    • Evelyn Postali
      2 de abril de 2017

      Querido M. A. Thompson,
      Obrigada pela avaliação. Guardarei com carinho os elogios.
      Agradeço muito pela paciência da leitura e comentário.
      Um grande e carinhoso abraço.

  38. angst447
    15 de março de 2017

    O conto aborda a lenda do Boto Rosa, logo obedece à regra do desafio (tema folclore brasileiro).
    Gostei do enredo criado em volta do folclore regional. Imagino que Fabiana também tenha se deitado com o Boto e engravidado dele. Logo, Jacinto e Fabiana tinham algo em comum – o encantamento.
    O conto está bem escrito, não encontrei falhas de revisão.
    A narração possui um ritmo muito bom e segue sem entraves. Prendeu minha atenção desde o começo.
    Bom trabalho!

    • Evelyn Postali
      2 de abril de 2017

      Querida Angst,
      Obrigada pela avaliação. Guardarei com carinho os elogios.
      Agradeço muito pela paciência da leitura e comentário.
      Um grande e carinhoso abraço.

  39. Eduardo Selga
    13 de março de 2017

    Ainda existe uma discussão teórica envolvendo a literatura homoerótica: por esse termo devemos denominar o texto literário produzido por autor(a) homoafetivo(a) ou o texto de enredo ou abordagem homoerótica? Nem sempre uma coisa deságua na outra.

    Outro aspecto é que existe uma diferença entre a literatura homoerótica e a gay. Pretende-se estabelecer a mesma distinção que existe entre literatura pornô e “literatura séria”: a gay é consumista, sem grande preocupação estética, ao contrário da homoerótica. Além disso a gay é uma literatura militante, politicamente engajada; a homoerótica, não.

    Esse preâmbulo eu fiz porque tenho observado nos últimos Desafios a presença de enredos nos quais a homossexualidade é abordada de alguma forma, não explícita (portanto não é literatura gay) possivelmente por uma questão de segurança: o autor tem pouca certeza da boa reação do público. O presente conto é outro conto nesse universo, ainda dentro da literatura homoerótica, mas com um pé na gay.

    Numa sociedade heteronormativa, todas as tradições e o folclore estarão inseridos nessa regra invisível e naturalizada. A lenda do boto é mais um caso assim, originalmente. No entanto, o(a) autor(a) subverteu a ordem, a lenda, e criou um boto que gosta de ter relações homoafetivas. Claro, a necessidade de ser original foi determinante na resolução do(a) autor(a), mas não apenas isso: reflete um novo padrão de sexualidade que busca espaço junto ao tradicional. Do mesmo modo pelo qual já existem produtos da indústria cultural abordando o tema (HQ’s, por exemplo), a homoafetividade merece uma lenda, um mito de criação popular, e possivelmente está sendo construindo à boca miúda nos espaços homoafetivos.

    Um autor literário é uma antena no meio da sociedade. Tapajós, possivelmente, talvez sem se dar conta, captou essa necessidade da narrativa social e adaptou o mito heteronormativo do boto. Algum leitor mais mal humorado, insatisfeito com a subversão poderá dizer que ficou inverossímil. Espero que ninguém o faça, pois a versão original da lenda também não é nada verossímil, e não é disso que se trata. A verossimilhança a ser exigida é a interna, e essa ocorre.

    Se bem que a subversão pode, estrategicamente, não ter sido completa. Se Jandira jura de pés juntos que “[…] o filho não é do Jacinto. Ela pode dizer o que quiser”, de quem seria o filho? Do boto, por que não?

    E aí entra outra questão. Dá para perceber que Jacinto (“já sinto”) possui uma alma romântica e que ele se apaixonou pelo boto. Almas apaixonadas ao extremo costumam ser altruístas em relação à pessoa amada e até se sacrificam por ela. Assim sendo, a aceitação do personagem em casar-se, sabendo que o filho não era dele, provavelmente do boto, não se explicaria como uma maneira de ter próximo de si o boto, indiretamente? Isso não faria dele a pessoa verdadeiramente grávida da lenda?

    A escolha do nome do protagonista decerto não foi aleatória. Na mitologia grega Jacinto é um belo jovem, objeto do afeto do deus Apolo, que o transforma em flor quando morre.

    • Evelyn Postali
      2 de abril de 2017

      Querido Eduardo Selga,
      Respondendo a pergunta, acredito que se possa dizer tema homoafetivo porque envolve um sentimento mútuo, um relacionamento entre partes, sem cair para o sexo propriamente dito, ou para aquilo que se chama erotismo (não confundir com sensualidade). Um tema homoerótico aborda, segundo o que eu pesquisei, uma relação nem sempre afetiva. Pornografia é diferente de erotismo, eu creio. Pornografia me parece que é algo do tipo, sem roteiro, sem objetivo mais literário. Não entendo literatura gay como literatura de pouco valor. Existem autores que escreveram grandes obras enquadradas nessa especificação… Reinaldo Arenas, Cassandra Rios, Edward Morgan Forster, Adolfo Caminha… E talvez isso não seja um problema. Ultimamente penso que as pessoas estão tentando encontrar pelo em ovo. Talvez, a presença dessa temática nos últimos desafios, seja um vislumbre de uma melhora.
      Eu não tenho problemas com o tema, mas conheço autores que se mostram muito reticentes. Não somente com ela, mas com a inserção de personagens diversos. Assim como muitos leitores, acentuando a necessidade dessa abertura na Literatura. Como eu já afirmei nos comentários anteriores, fiquei bastante temerosa da aceitação do tema pelos colegas. Não tenho esse tipo de problema no meu blog ou nas plataformas onde exponho meus textos, mas me senti bastante desconfortável pensando que talvez pudesse incomodar e causar alguma reação mais alterada no desafio. Estou bastante surpresa pela aceitação.
      Perfeita colocação (Numa sociedade heteronormativa…). Subverter a ordem seria um dos pontos importantes dentro do que se tem como princípio de escrita. Os escritores, assim como os artistas, são subversivos. Ou deveriam ser. Para mim, a normalidade seria que tanto homens quanto mulheres, em suas orientações sexuais, se encantassem pelo boto, já que ele é o que as lendas chamam de ‘encantado’. Não deveria, então, ter esse delimitador. Eu leio diversos temas e gêneros. Não me sinto constrangida com relação a eles. Meu primeiro romance é um romance homoafetivo. Escrevo contos com essa temática. Tenho leitores dentro desse universo emergente. Gosto de escrever de forma a vencer meus limites.
      Eu procurei ser coerente na construção desse roteiro exatamente para que a lenda pudesse estar bem suportada, pudesse passar essa coisa de ser real, de ser verdadeira. Pesquisei o que consegui sobre a lenda do boto. Em algumas versões, ele leva as mulheres para o fundo do rio, ou do lago. É lá que, nessas versões, ele engravida suas escolhidas. Procurei deixar claro nos diálogos a existência da lenda, apesar de ela mover a festa do Sairé de Alter do Chão. Também nesse sentido, pensei que a fala do estranho, “levo você comigo”, pudesse fazer alusão a esse aspecto de ele levar para o fundo do rio. E não foi fácil chegar a um final para esse conto. O primeiro final era trágico. O segundo não tinha suporte. E esse, era infeliz, mas coerente. E sim, o filho é do estranho que esteve com Fabiana na noite anterior que esteve com Jacinto. Tem outro ‘sim’ para Jacinto ter a alma romântica, contudo, ele carrega culpa e medo, pelo que pode desencadear sendo quem é. Ele vive preso entre a culpa e o medo, indeciso, incapaz de tomar uma atitude e assumir sua identidade, seu verdadeiro eu.
      Você levantou uma questão deveras intrigante: Assim sendo, a aceitação do personagem em casar-se, sabendo que o filho não era dele, provavelmente do boto, não se explicaria como uma maneira de ter próximo de si o boto, indiretamente? Isso não faria dele a pessoa verdadeiramente grávida da lenda?
      Conheço a lenda de Jacinto. O nome tem essa coisa de fragilidade, para mim. Nesse sentido, Jacinto, quando o construí como personagem seria alguém que não se revela, que é frágil apesar de trabalhar como pedreiro – profissão de homem nessa sociedade na qual vivemos –, que tem sonhos de liberdade, mas que não se liberta porque a vergonha que tem dele mesmo é maior do que a coragem de viver feliz. Diferente de Fabiana que é forte e determinada, e que poderá não ter o amor de Jacinto, mas o tem preso a ela, quem sabe, até perceber sua, também, ilusão.
      Obrigada pela avaliação. Guardarei com carinho.
      Agradeço muito pela paciência da leitura e comentário.
      Um grande e carinhoso abraço.

  40. Fernando Cyrino
    11 de março de 2017

    Uau, que conto bonito. Uma temática forte e diferente na história do boto. Como ficou bacana. Dois detalhes que reparei que talvez merecessem acertos nem irei citar. são pequenos demais diante da grandiosidade do conto. A narrativa perfeita, o conflito interno trabalhado de maneira rica e que nos faz querer continuar na história. Você soube trabalhar muito bem o enredo. Realmente um conto muito bom. Parabéns.

    • Evelyn Postali
      2 de abril de 2017

      Querido Fernando Cyrino,
      Ah… Por favor! Quero saber o que corrigir! Se não se importar, gostaria que apontasse.
      Obrigada pela avaliação. Guardarei com carinho os elogios.
      Agradeço muito pela paciência da leitura e comentário.
      Um grande e carinhoso abraço.

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Publicado às 10 de março de 2017 por em Folclore Brasileiro e marcado .