EntreContos

Literatura que desafia.

Eleutério e o Garrafão (Wender Lemes)

Da pequena Jequitinhonha, no cocuruto das Minas Gerais, nasceu um Eleutério – primeira cria entre cinco que haveriam de vir. Como primogênito, esperava-se muito dele: que carregasse o legado de lavrador do pai, que cuidasse dos irmãos miúdos para a mãe, que separasse o feijão, que não se embriagasse nas segundas-feiras – mas, fosse o clamor insaciável, que não se esquecesse de sorver um gole ao santo. E de uma frase-vida tão sibilante, Eleutério formou-se humano.

Eleutério, vulgo Leléu, foi meu fiel amigo da adolescência até o acinzentar das têmporas. É triste que ele tenha encontrado seu fim no fundo de uma garrafa. Não tenho vergonha de admitir que chorei verdadeiramente sua morte e bebi por ele durante sete dias de luto. De qualquer forma, tal fim me trouxe à lembrança um dos causos que ele mais gostava de contar…

Entre tantos carnavais que atormentamos juntos, houve um específico em que meu amigo não deu as caras. Eleutério desapareceu na sexta-feira e só veio dar o ar da graça no boteco do Tuca na noite da quarta de cinzas, maltrapilho e envergonhado.

– Que é que houve, homem? – eu perguntei.

– Sabe, Zé… – e ele tinha a mania de entrecortar as frases bebericando sua cerveja – acho que esse carnaval foi o pior que eu já passei.

– Pior que o do ano passado?

– Pior, Zé, bem pior –  o copo suando na mão.

– Pior que virar sábado e domingo na cadeia?

– Pois é, pior. Cê sabe que eu tinha uma vontade danada de conhecer a Bahia?

– Sei.

– Cê sabe também que minha tia-avó tem pacto com o Demo, não sabe?

– Vai me falar que foi fuçar com ela outra vez?!

– Fui, Zé. – sua expressão era de legítimo arrependimento.

– Mas Leléu…

– Deixa eu continuar. Eu fui na Vó Binha, falei com ela que queria ir pra Bahia, mas não tinha dinheiro. Aí, ela disse que eu podia arrumar um Famaliá pra me ajudar, mas que eu tinha que fazer tudo certinho do jeito que ela falasse.

– Deus o livre, homem.

– Falasse antes. Vó Binha me passou uma receita da boa. O que lascou foi que eu não tinha o que precisava, aí tentei improvisar…

Naquele momento eu já não parava de me benzer, passava do sexto ou sétimo sinal da cruz, então ele continuou:

– Tinha que arrumar uma garrafa de vidro e um ovo de galinha preta, mas o Tuca não quis me emprestar um casco. Em casa eu só tinha garrafão de vinho e uma caixa de ovinho de codorna, então teve que servir.

– Com ovinho de codorna o Cramulhão ia subir de pronto mesmo – não consegui guardar a piada, nem Leléu o riso.

– Cê nem sabe. Botei um ovinho dentro do garrafão, tampei e deixei pousar à noite no pé da goiabeira lá de casa. Fui ver no outro dia, acredita que a garrafa tava vazia?

– Alguém mexeu no despacho?

– Que nada. Quando eu abaixei pra pegar o garrafão, vi que tinha uma coisa esquisita no fundo, igual sombra, só que sem sombra.

– Sombra sem sombra?

– É, é. Aí eu chacoalhei pra ver se mexia.

– E mexeu?

– Não reparei, quase me borrei de susto nessa hora. Ela falou comigo assim…

– A sombra?

– Não, Zé, a moça que tava dependurada na goiabeira. Ela falou: “Não chacoalha, maldito, que isso me enjoa o estômago.”.

– Moça, Leléu?

– E bonita pra dar com pau.

– Mas de onde que a danada saiu.

– Não saiu, ela ainda tava na garrafa, só que o corpo ficava de fora.

– Então a moça era um Cramulhão?

– Antes fosse uma capetinha meia estopa qualquer. A moça era o Bixo em pessoa.

– Valei-me, Santo Expedito! O Diabo é mulher?

– Não é que é.

– Até faz sentido, Leléu, minha patroa quando quer…

– É. Deixa ela ouvir, cê vai ver onde param seus tomates. Onde eu tava?

– Na goiabeira.

– Ah, é. Não. Ela que tava na goiabeira, Zé. Começou a explicar um monte de coisa difícil, parecia advogada falando. No fim das contas, Ela ia me levar pra Bahia e me trazer de volta na quarta se eu levasse o garrafão comigo.

– E levou?

– Ô, se levou.

– Mas o acordo nem foi tão ruim, então.

– Pois é, o trato foi bom, a viajem foi boa, o carnaval nem se fala, mas teve uma coisa que me deixou triste: no meio daquela muvuca danada tinha uma baianinha jeitosa de fazer gosto.

– Se enrabichou nela?

– Foi. Passei a festança inteira com ela.

– Quem diria, Leléu, cê não é disso.

– Não era, mas a danada me ganhou.

– Ainda não entendi. Por que a tristeza, então?

– Porque eu não queria voltar – Eleutério tinha mesmo o olhar sofrido dos amantes separados.

– Se gostou tanto da gaiata, por que voltou?

– O contrato era pra Lúcifer me levar e trazer de novo, esse tipo de coisa é sagrada.

– E a Diaba quer lá saber do que é sagrado?

– Uai, sagrado é sagrado, só muda o tratante. Acho que até Ela queria ficar mais, disse que tava tirando umas ideias boas dali, mas sabe como é.

– Mas já que a gente tá falando Dela, que foi que a Pata-Rachada ficou fazendo esse tempo todo?

– Olha, Zé, eu só sei o que Ela me contou na volta – pelo ar de riso no rosto de Eleutério, eu podia prever uma galhofa das boas, mas não sabia ainda o tamanho do disparate -, parece que Ela andou furunfando com uns baianos bons de muque por lá.

– Eita…

– Pois é, o pior é que engravidou.

– A Diaba embuchou?

– Embuchou os baianos.

– Igual cavalo marinho?!!!

– Pois é.

– E agora, como faz?

– Daqui a nove meses a gente vai ter história, pelo menos uns quatro anticristos.

– Conta outra, Leléu, vão sair por onde essas crianças?

– Isso Ela não disse, nem eu quis ficar perguntando.

Tive que beber muito para afogar aquela imagem, mas o causo ainda tinha uma ponta solta importante:

– E o que foi feito da Lúcifer no final das contas?

– Uai, eu tirei a rolha do garrafão e Ela foi embora.

– Sem remorso? Cê podia ficar rico nas custas da Coisa-Ruim.

– Nada, Zé. Liberdade a gente não deve tirar de ninguém. No fim, eu até fiquei com dó Dela. Não é nada do que pintam, me rendeu umas boas risadas.

– Cê vai acabar indo pro Inferno blasfemando desse jeito, homem.

– Se eu for, melhor ser amigo da dona.

E assim ele terminava.

Muitos anos se passaram desde aquele carnaval. Nenhum anticristo veio ao mundo, muito menos à Bahia. Isso não impediu Eleutério de recontar seu causo a cada roda de amigos que reunimos tantas vezes. Sejamos sinceros, eu sempre soube que aquilo era uma tremenda lorota. Meu amigo me deixou para trás, caiu na farra sozinho e, agora que partiu, eu nunca saberei por quê. Na quarta-feira de cinzas ele estava lá, entretanto, tão arrependido que precisou inventar a maior das histórias para se justificar.

Eleutério era um grande mentiroso, mas sabia ser amigo de verdade.

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41 comentários em “Eleutério e o Garrafão (Wender Lemes)

  1. Wender Lemes
    1 de abril de 2017

    Olá, pessoal. Passando para agradecer a todos que dedicaram tempo e atenção lendo meu conto. Fiquei satisfeito com o resultado e muito feliz com os comentários. Peço desculpas pelas derrapadas grotescas na revisão. Como sempre, uma honra participar do desafio com vocês. Que venha o próximo!
    Forte abraço, inté.

  2. mitou
    31 de março de 2017

    o conto apresentou muito dialogo sendo que o mito retratado não aconteceu de fato , e impressionantemente esses aspectos aparentemente negativos funcionaram para a narrativa. o conto não ficou monótono e foi engraçado, quem diria

    • jggouvea
      1 de abril de 2017

      Mas isso não importa. O importante é haver referência ao folclore, e isso claramente houve. A distinção entre ser “real” dentro da história ou não é completamente irrelevante e o seu comentário é um equívoco.

  3. Vitor De Lerbo
    31 de março de 2017

    Conto leve e divertido, como normalmente acontece quando dois amigos estão bebendo no bar falando sobre o carnaval.
    Boa sorte!

  4. Fabio Baptista
    31 de março de 2017

    Achei o conto divertido e bem escrito dentro da proposta. O diálogo dos amigos é bem natural, com umas tiradas engraçadas. Dei uma boa risada nessa aqui, por exemplo: “Conta outra, Leléu, vão sair por onde essas crianças?”.

    Mas a história é pouco crível, mesmo levando em conta que era só uma lorota de bar. Os ingredientes não eram tão difíceis de encontrar, a goiabeira aparece do nada, o que o próprio (a própria, no caso) diabo estava fazendo ali, precisava de tudo isso pra ir à Bahia? etc.

    São muitos furos na história do Eleutério. Tudo bem, o outro percebe, mas fica a impressão de que não precisava inventar tudo isso. E a última afirmação “mas sabia ser amigo de verdade” não encontra justificativa no texto.

    Mas, tirando essas chatices que preciso dizer para ser (ou tentar ser) justo na avaliação, o sentimento final foi de um texto bem gostoso de ler.

    Abraço!

    NOTA: 8

  5. rsollberg
    30 de março de 2017

    kkkkkkkkk, Zelindo!

    Gostei muito, O causo conto é todo elaborado através do diálogo, que por sinal na minha opinião é o melhor do desafio, mostrando a habilidade do autor com a ferramente. Nesse sentido, é muito legar ver o aproveitamento das falas dos personagens, ver a história avançando de modo natural e ainda rir/pescar algumas características da dupla. Adorei essa parte: “Uai, sagrado é sagrado, só muda o tratante. Acho que até Ela queria ficar mais, disse que tava tirando umas ideias boas dali, mas sabe como é.”

    A última frase é a cereja do bolo, a tal impagável filosofia popular que traz sempre reflexão e a vontade de responder: “pois não é”!

    Parabéns, um dos melhores contos do desafio!

  6. Anderson Henrique
    30 de março de 2017

    Belo causo. Gostei foi d+. História simples, bem fechadinha, mas muito bem contada, quase que inteiramente por diálogos. Juntou carnaval, capeta mulher e um amigo bom de prosa. Excelente combinação.

  7. Marsal
    30 de março de 2017

    Olá, autor (a). Parabéns pelo seu conto. Vamos aos comentários:
    a) Adequação ao tema: diria que sim. A ideia do demônio na garrafa não e’ exclusiva do folclore brasileiro, mas sem duvida faz parte dele, ate mesmo em novela já apareceu.
    b) Enredo: o enredo e’ bem elaborado, há um crescente suspense na estória, e ficamos a esperar alguma revelação-bomba no final, que acaba não vindo. Ainda assim, uma estória bem interessante.
    c) Estilo: narrativa bem direta. Há um certo regionalismo na escrita, mas bem leve. Diálogos bem construídos.
    d) Impressão geral: Um conto bem instigante, ate um pouco humorístico. Apesar do tema potencialmente pesado, o resultado final ficou bem leve. Boa sorte no desafio!

  8. Cilas Medi
    29 de março de 2017

    Um bom conto, mas sem grandes atrativos. Gosto da interação dos personagens, como esse, onde o diálogo fluindo mostra a que vieram. Gostei do neologismo Pata-Rachada e até dos “prá”, “cê”, “tava”, por ser coloquial. Furunfando é ótima. O que me causa apreensão – vistos em outros contos – é que o folclore parece exclusivo dos meios rurais. Será que não existem elementares no meio urbano?

  9. Gustavo Castro Araujo
    29 de março de 2017

    Gostei bastante desse conto com jeitão de causo. Pude enxergar direitinho a conversa do Leléu com os amigos: os exageros, as expressões de incredulidade, os disparates. O conto é muito envolvente e a prosa, fluida como uma boa conversa, ajuda muito na imersão. Para completar, há uma série de passagens inspiradas, como no início, em que se lê “que separasse o feijão, que não se embriagasse nas segundas-feiras – mas, fosse o clamor insaciável, que não se esquecesse de sorver um gole ao santo. E de uma frase-vida tão sibilante, Eleutério formou-se humano.” O senão do conto é o final, com o tom de saudade resvalando para o piegas, tirando o caráter satírico que permeia o desenvolvimento, a desventura de Leleu. Foi como uma sobremesa com um gosto azedo e inesperado no fim. De todo modo, é um ótimo conto.

  10. Bia Machado
    29 de março de 2017

    Fluidez da narrativa: (4/4) – Ok, narrativa que flui, um bom ritmo e uma conversa que me prendeu até o final.

    Construção das personagens: (2/3) – Acho que havia espaço para delinear melhor esses dois. Da forma como está já está bom, mas senti o conto meio “travado” nesse aspecto.

    Adequação ao Tema: (1/1) – Sim, adequado, bem dentro do folclore.

    Emoção: (0,5/1) – Ah, gostei. É simples, talvez por isso seja um “refresco” em meio a outros textos que tentaram ser elaborados e não conseguiram, mas tirei meio ponto porque esperava mais, e ao chegar ao final fiquei meio “assim”, sabe como? Triste de ver que o autor ou autora se comportou meio que como alguns alunos meus que querem terminar o texto e “dão um jeito”, produzindo então uma última frase bem deslocada. U-hum, tá certo, era mentiroso, mas era amigo.

    Estética/revisão: (0,5/1) – Da revisão peguei um “viajem” que foi triste de ler. Mas o meio ponto que tirei foi pela estética. Podia ter desenvolvido mais nesse aspecto, principalmente o final, construído a meu ver de forma meio que abrupta, sem dar fim a nada e tentando terminar de qualquer jeito, quase como um inevitável “e foram felizes para sempre”, a gente que aceite, rs.

  11. jggouvea
    28 de março de 2017

    Um belo e sacana texto, que trabalha muito bem a história do narrador inconfiável. O texto é bem narrado, sem nenhuma ponta solta, e é exatamente aí que está seu único defeito: amarrar demais as pontas resulta num texto fechado em si, sem espaço para o leitor imaginar. Poderia ter sido melhor se o narrador simplesmente dissesse que não sabia do nascimento de anticristos na Bahia, mas talvez porque eles ainda fossem criancinhas, ou porque são discretos. Esse é o tipo de informação que nada acrescenta, mas que retira algo.

    Tendo feito meu comentário, vamos às notas, sem merchan:

    Média: 9,68
    Introdução: 9,0
    Enredo: 10,0
    Personagens: 10,0
    Cenário: 9,0
    Linguagem/forma: 10,0
    Coerência: 10,0

  12. Priscila Pereira
    28 de março de 2017

    Oi Zé, que história heim… kkk mó causo, contado de um jeito danado de bom… Haja imaginação heim!!! Gostei, você é um grande contador de histórias!! Parabéns!!

  13. danielreis1973 (@danielreis1973)
    28 de março de 2017

    O causo-mentira misturado com o folclore e a festa ficou, na minha opinião, um pouco saturado de elementos. Mas o diálogo, muito ágil e pertinente, me encantou. Parabéns ao autor, continue nesse caminho, você tem muito talento com diálogos como elementos de narrativa.

  14. Antonio Stegues Batista
    28 de março de 2017

    História bem contada, narrativa simples, enredo cativante. Os diálogos ficaram muito bons que deram aos seus personagens, personalidades diferentes, sem precisar de muitas descrições, o que é importante na escrita.

  15. Matheus Pacheco
    27 de março de 2017

    Cara, me lembrou uma história do Chico Bento, eu lembro que meu priminho tinha um almanaque chamado “Histórias da vó Benta” ou alguma coisa assim.
    Excelente essa história, coisa que se eu ainda vivesse no interior eu acreditaria que era possivel prender um capetinha numa garrafa.
    Abração ao autor.

  16. Olisomar Pires
    27 de março de 2017

    Bom diálogos, diálogos bem medidos, deu um bom ritmo.

    A trama talvez seja meio fraca, mas o texto é divertido e bem escrito.

  17. Rafael Luiz
    27 de março de 2017

    Conto rápido e sem rodeios. Escrito de forma fluida e sem momentos enfadonhos. Apesar de despertar o interesse na trama, o final não recompensa, sendo uma história sem clímax

  18. catarinacunha2015
    27 de março de 2017

    O “bixo” e a “viajem” entrou rasgando, mas não tiremos o ganha-pão dos revisores. Não gostei da personalidade de Eleutério ter, através do narrador, se mostrado destruída, aterrorizada; mas nos diálogos ele se mostra muito mais forte. Eu reveria a construção do personagem. O diálogo é limpo e direto, coisa rara por aqui. A trama é interessante e o “arranjo” com os ovos de codorna foi uma grande sacada.

  19. Ricardo de Lohem
    26 de março de 2017

    Olá, com vai? Vamos ao conto! História meio que bobinha, não tem clímax nem desfecho decentes, mas mesmo assim boa, divertida, com sabor marcante de causo. O diabinho na garrafa, o Famaliá, uma espécie de djinn do mal, é um tema clássico que vem desde a Idade Média, pelo menos.Felizmente o autor optou por diálogos sem descrições intermináveis que nada acrescentam à história, como muitos fizeram. Um errinho:”– Pois é, o trato foi bom, a viajem foi boa…”. “Viagem”, o substantivo, é com “g”; o verbo é que é com “j”, são flexões do verbo “Viajar”. Gostei do conto, foi bom de ler, desejo para você muito Boa Sorte no Desafio!

  20. Elias Paixão
    26 de março de 2017

    Que foto feia desse gato, mas vamos à escrita… Aqui o incrédulo não é o “dotô” e não só convence com seu ceticismo, como se adequa e alavanca a história, convidando-nos a sentir a mesma descrença do protagonista. O contato com o fantástico vem do interlocutor e rende uma boa leitura com sua narrativa competente, com direito a despertar no leitor a piedade pelo “cramunhão”!

  21. Elisa Ribeiro
    25 de março de 2017

    Li seu conto com muito prazer. Lembrou-me a prosa do José Ubaldo. Adoro personagens mulheres que engravidam homens. Os diálogos estão muito bons e deram vida aos personagens. Não gostei muito no final quando o amigo diz que sabia ser tudo lorota do Eleutério para justificar o sumiço no Carnaval. Achei que não combinou com o clima do conto. Como leitora, senti uma frustração por preferir que o conto terminasse no mesmo clima de delírio criativo do personagem Eleutério. Boa sorte!

  22. G. S. Willy
    24 de março de 2017

    Os diálogos desse conto ficaram ótimos, bem próximos da realidade, e a conversa soa de forma muitíssimo natural o tempo todo. Mas este não é bem um conto, é apenas um causo, uma crônica talvez.

    E sobre o folclore, assim como comentei em outro conto que também tratava do diabo, não reconheci a lenda, se é que ela existe em nosso folclore. Se não existir, se for apenas relacionado ao demônio cristão mesmo, que parece ser o caso, então o(a) autor(a) falhou em atingir o objetivo do desafio…

  23. Evelyn Postali
    24 de março de 2017

    Oi, Zélindo,
    É um causo… Gostei da maneira como você abordou a lenda e de como terminou a história. Está bem escrito. Os personagens são bem marcantes. Nada de problema com a gramática e o enredo ficou bom.

  24. angst447
    24 de março de 2017

    Conto curtinho e bom de ler como se estivesse ouvindo uma rodada de causos em volta da fogueira.
    Não vi grandes problemas quanto à revisão, a não ser por ” a viajem foi boa” > viagem.
    O ritmo da narrativa é muito bom, o diálogo agiliza a leitura, que flui facilmente.
    O tema do desafio – folclore brasileiro – foi abordado, sem dúvida. Essa coisa do coisa ruim preso dentro de uma garrafa já apareceu até em novela. A novidade aqui foi ser uma diaba. Bacana!
    Bom trabalho!

  25. Miquéias Dell'Orti
    23 de março de 2017

    Oi. Cara…Achei o causo de Eleutério bem bacana. Não segue nenhuma lenda, mas não deixa de ser um folclore regional, eu acho.

    Gostei da narrativa, fluida, simples de ler. Ri com a conversa descontraída dos dois. Com certeza estou viajando, mas pareceu até algo que realmente aconteceu com o autor. Parabéns

  26. Olá, Zélindo,

    Tadinho do gatinho, vestido de diabinho… Gatinha? Ri muito com a sua imagem.

    Agora vamos ao conto.

    Uma boa ideia, uma ótima premissa.

    Gostei da criação da cena da garrafa, toda errada, com ovos de codorna e todo o resto, e, de como você faz surgir a capetinha carnavalesca.

    A alusão aos “filhos do carnaval”, todos nascidos da “Coisa-Ruim” em pessoa é uma bela sacada.

    O que não se explica bem é o motivo de o personagem não voltar à Bahia após o trato ter-se desfeito. Mas, como dizia um amigo meu, o leitor também precisa embarcar no jogo do escritor e acreditar em algumas meia-verdades contadas, a fim de que a história se complete.

    Parabéns pelo humor.

    E boa sorte no desafio.

    Beijos

    Paula Giannini

  27. Marco Aurélio Saraiva
    22 de março de 2017

    Gostei muito da leitura! O conto me entreteve do início ao fim. Eleutério sabe mesmo contar uma boa história.

    Gostei da abordagem de um folclore menos óbvio (fugindo de temas como Saci, Boto e Curupira). O desenvolvimento foi excelente! Sua escrita é muito boa e sem erros. Tem um ar de informalidade, mas recheada de boas construções, mesmo o conto tendo sido 90% diálogo.

    Parabéns pela originalidade e pela execução!

    Uma nota: achei a explicação no final do conto desnecessária. Deu para entender que Eleutério só queria se justificar ao amigo pelo carnaval que saiu na surdina. Mas vá lá, talvez se você não explicasse alguém reclamaria que a história tinha ficado muito “no ar”. rs rs rs.

  28. Felipe Rodrigues
    21 de março de 2017

    O conto também se utiliza do elemento fantástico, que não me pareceu muito próximo ao folclore nacional, para que o rapaz pudesse explicar um sumiço de carnaval, e esse foi o maior trunfo da história. A aproximação com a cultura brasileira, aqui, se dá a partir do Carnaval, da conversa de bar e do causo, da lorota contada muitas vezes até virar verdade, e então a história não deve nada às outras neste critério. No entanto, a crescente de humor e disparate parece diminuir ao final, o qual me pareceu muito didático.

  29. Roselaine Hahn
    19 de março de 2017

    Zélindo, que trabalhadeira deve ter dado pra tirar essa foto do gato, rsrs. Vc é um ótimo contador de causos, a sua prosa é engraçada, os dois primeiros parágrafos cumpriram a função de prender o leitor no que estava por vir, dessas estórias do tipo “era uma vez”. A frase “sagrado é sagrado, só muda o tratante” é digno de uma placa. Cuidar a pontuação no término dos diálogos, usar ponto e letra maiúscula se não há uso dos verbos Dicendi. Confesso que algumas prosas dos diálogos não entendi, as gírias, os jargões da região, mas o problema é meu, eles estão bem inseridos no contexto. Parabéns. Go Ahead!

  30. Bruna Francielle
    19 de março de 2017

    Tema: adequado

    Pontos fortes: gostei dessa ideia de usar o folclore brasileiro como desculpa para sumiços, etc. Criativo. Gostei também do diálogo, ficou ate que verossímil. A escrita de forma mais coloquial ficou em um bom tom, não muito forçado. Quando fica forçado, exagerado em erros, não fica legal. A história cativa, não cansa, flui bem. Eu me interessei mesmo pelo conto, a medida que fui lendo,fui gostando. Parabéns!

    Pontos fracos: O começo foi o que menos me cativou, e também não vi a importância de algumas informações contidas ali. Deu a impressão que o conto ia enveredar por outro caminho, dai quando começou o diálogo, mudou o foco.

  31. Fátima Heluany AntunesNogueira
    18 de março de 2017

    O autor foi muito competente em criar a atmosfera de camaradagem juntando carnaval, gosto pela cachaça e diabo preso no garrafão para atender pedidos. Tudo com muita dinâmica e simplicidade e conseguindo despertar certa curiosidade no leitor.

    A história saiu leve e sem grandes pretensões, mas sem qualquer impacto. Dei boas risadas imaginando os homens grávidos. A leitura flui, o ritmo é bom, o ambiente é crível, os diálogos estão bem construídos, porém faltou uma emoção maior.

    É um conto bom, bem escrito! Abraços.

  32. Neusa Maria Fontolan
    18 de março de 2017

    Esse Leléu é bom de bico mesmo, né? Ele deve ter passado o carnaval com uma diaba sim, mas de carne e osso, e depois enrolou o amigo direitinho. Pior, gostou tanto da história que inventou e contava ela o tempo todo.
    Boa sorte.
    Destaque: “– Tinha que arrumar uma garrafa de vidro e um ovo de galinha preta, mas o Tuca não quis me emprestar um casco. Em casa eu só tinha garrafão de vinho e uma caixa de ovinho de codorna, então teve que servir.”

  33. M. A. Thompson
    18 de março de 2017

    Olá “Zélindo”. Parabéns pelo seu conto. Este também foi um dos que mais gostei. Sua história me traz boas lembranças da infância. Sucesso.

  34. marcilenecardoso2000
    17 de março de 2017

    O título óbvio empobreceu a obra. Um conto cômico. Tem a leveza e o tom de veracidade dos causos, o que por si só já é folclore. E ainda tem uma diaba na garrafa para coroar a criatividade do(a) autor(a). Completo em questão de coerência, enredo, adequação ao tema, concordância, além de bom gramaticalmente falando.

  35. Rubem Cabral
    13 de março de 2017

    Olá, Zélindo.

    Muito divertido o conto, e com a dose certa de regionalismo, que deu o tom, mas não tornou difícil de ler. Boa a construção dos personagens e a ideia da diaba.

    Apenas a acertar algumas coisinhas no texto, feito “viajem” (que é verbo e não substantivo). Achei que o final também foi um tanto fraco, que podia ter havido algo mais engenhoso.

    Nota: 8.5

  36. Iolandinha Pinheiro
    13 de março de 2017

    História bem interessante sobre a lenda do diabo na garrafa. Texto bom de ler, o linguajar matuto resvalando aqui e ali, mas convincente. Os personagem ficaram muito bem delineados. O autor foi inteligente colocando poucos e pode traçar um bom perfil para o espaço reduzido que possuía. A história desce bem, como uma copo de limonada no verão. Achei curta, mas acho que foi mais pelo talento de autor em me deixar presa na história do que no seu tamanho. Todas as informações que o conto deveria ter foram passadas, deixando o conto bem fechadinho e explicado. Alguma queixa? Acho que não. Não é o conto mais encantador do desafio, mas também não tem problemas. Ficou na média para bom, passou de ano! rs. Gostei da sua história, vamos ler as outras para decidir que nota o seu conto merece. Parabéns e boa sorte.

  37. Pedro Luna
    12 de março de 2017

    Gostei do conto. No fim, não achei o causo contado pelo amigo tão bom assim, do tipo que fica na cabeça, mas o texto é bem bacana. Bem construído, com base em diálogos, o que o agilizou, e com aquele ar simpático de “interior”, coisa que encontrarei muito no desafio.

    A única coisa que eu mudaria era a palavra “Lúcifer”. Não sei pq, mas essa palavra não combinou com o resto do palavreado. Sei lá, ficou chique demais..kk.
    O restante é bom e a imagem é boa demais..kkk. Sempre que vejo, dou risada.

  38. Evandro Furtado
    12 de março de 2017

    Resultado – Good

    Essa pegada meio causo com toques de humor combinou bem. A narrativa é pra lá de competente, com os diálogos bem estruturado e verossímeis. O conteúdo também é bastante interessante, com uma trama bem desenvolvida e amarradinha.

  39. Fernando Cyrino
    11 de março de 2017

    História gostosa e criativa desse seu amigo, o Eleutério lá do Jequitinhonha me traz através de você. Meu Deus, a diaba engravidando homens, tais quais ficam como cavalos marinhos. Rindo muito aqui. Um conto leve e agradável. Parabéns.

  40. Eduardo Selga
    11 de março de 2017

    O conto trata do “diabinho da garrafa”, crença comum no Nordeste brasileiro, e apresenta duas características originais: ao mostrar a entidade como pertencente ao gênero feminino, aproxima-a do súcubo, que seria um demônio com aparência feminina e que se alimenta do prazer sexual causado aos homens durante o sonho; nos parágrafos iniciais há passagens que deixam em dúvida a natureza humana do protagonista, como “[…] nasceu um Eleutério – primeira CRIA entre cinco que haveriam de vir”; “E de uma frase-vida tão sibilante, Eleutério FORMOU-SE HUMANO”; “é triste que ele tenha encontrado seu fim NO FUNDO DE UMA GARRAFA” (o trecho pode ou não ser metafórico). Ao mesmo tempo, Eleutério domina a linguagem, apaixona-se, tem parentes. Essa mistura de sinais (humano e inumano), de propósito ou não, eu entendo ter sido positiva de modo a criar certa aura de mistério.

    A narrativa está, como é evidente, fincada no diálogo de linguagem coloquial, mas sem muita concessão à oralidade, como acontece em “CÊ sabe também que minha tia-avó tem pacto com o Demo, não sabe?” e “SE enrabichou nela?”. Considero sempre uma decisão difícil para o autor a questão do uso da oralidade, pois se ele “erra a mão” o leitor pode recepcionar mal o texto. Acredito que nesse caso a dosagem foi adequada, não vi elementos que clamassem por mais oralidade.

    Nos trechos que seguem, a intenção é de pergunta, mas faltaram os sinais de interrogação: “Mas de onde que a danada saiu”; “Não é que é”.

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Publicado às 10 de março de 2017 por em Folclore Brasileiro e marcado .