EntreContos

Literatura que desafia.

Vida (Tom Lima)

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Ela acompanhava com olhos amarelos o tortuoso voo de aprendiz. Pupilas como duas linhas negras compensando a luz da manhã. Observando. Esperando. Corpo tenso. Está preparada para o complexo ato de matar.

Momento perfeito, não pode haver hesitação.

Salto firme, mordida certeira no pescoço, garras cravadas em pequenas asas brancas. Contraste quase belo com pelos negros. Há ainda vida no passarinho quando chega ao chão, debate-se entre garras, presas, penas e dois corações acelerados. Ela sente o sabor do sangue, aguçando a fome e afastando memórias de caçadas mal sucedidas. Um coração acelerado.

Talvez seus filhotes venham a nascer.

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86 comentários em “Vida (Tom Lima)

  1. Gustavo Henrique
    27 de janeiro de 2017

    Ficou legal até, o conto foi bem escrito, o autor conseguiu descrever bem a cena. Boa sorte no desafio!!

  2. Felipe Teodoro
    27 de janeiro de 2017

    Olá!

    Se não fosse pela frase final, provavelmente eu não teria gostado do conto. Mas achei muito interessante a justificativa dessa briga pela sobrevivência e o fato dos filhotes estarem a caminho. Acho que você descreveu o quadro da caça muito bem, as imagens são vivas e a foto que você selecionou pra ilustrar o conto ajuda muito. A questão sobre a morte de um representar a vida para outro é complicada, mas a forma como vc representa isso, utilizando o mundo animal, é válida. Parabéns pelo trabalho.

  3. Victória
    27 de janeiro de 2017

    Gostei muito do texto. Escrita excelente, cena bem detalhada, deu para sentir a emoção da caçada. Parabéns.

  4. Remisson Aniceto (@RemissonA)
    27 de janeiro de 2017

    Se eu disser que entendi tudona primeira leitura estou mentindo. Li três vezes até se descortinar a ideia da narrativa, que me impressionou. Quem escreve imprimiu uma cadência poucas vezes percebida noutros contos deste desafio. Abraço grande.

  5. rsollberg
    27 de janeiro de 2017

    Sem sombra de dúvida é um conto muito bem escrito, cru e cruel como a vida. Ocorre que não me despertou muitas sensações. Uma cena de caça muito bem narrada, como um trecho de um documentário do National ou do Animlal Planet. Penso que faltou algo, infelizmente.
    De qualquer modo, essa é apenas a minha impressão. Contudo, desejo boa sorte no desafio.

  6. Lee Rodrigues
    27 de janeiro de 2017

    A escolha da imagem pode ter descortinado o mistério, mas eu adorei ler com os olhos semi-serrados, já fui no “Espírito de caçada”. A narrativa fluída me conduzio sem tropeços, dando velocidade ao clímax.

  7. Estela Menezes
    27 de janeiro de 2017

    Gostei, sobretudo, da técnica refinada do autor, que fez uso do título para transformar o que poderia ter sido apenas uma simples cena – muito bem descrita, por sinal – em um relato que conduz a uma reflexão capaz, inclusive, de modificar nossa primeira reação ao que foi narrado. Sem querer ser chata, peço licença pra acrescentar que um texto tão bem cuidado merece que seja evitada a repetição desnecessária de algumas palavras (garras, corações) …

  8. Gustavo Aquino Dos Reis
    27 de janeiro de 2017

    É escrito com maestria. Linhas com cadencia e perfeição felinas.
    Tudo redondinho e fechado.
    Mas, como é triste dizer isso, faltou algo que pudesse ganhar o leitor – no caso, eu.

    Temos o embate da vida animal aqui. Primal. Selvagem. Polvilhado com uma poética escrita.

    Vou como ver National Geographic em FULL HD.

  9. Vanessa Oliveira
    26 de janeiro de 2017

    Bem, apesar da foto entregar de bandeja quem é, achei interessante o ponto de vista do animal. É o segundo conto que leio assim, com a perspectiva de um animal. Engraçado porque, se tirasse o animal e colocasse uma pessoa, nossa forma de pensar mudaria; não seria mais apenas o instinto de sobrevivência, mas sim assassinato. Boa sorte!

  10. Cilas Medi
    26 de janeiro de 2017

    O gato na foto tira todo e qualquer suspense logo na primeira frase. Boa sorte!

  11. Davenir Viganon
    26 de janeiro de 2017

    Bacana o conto. A vida animal para além da penina ou repulsa dos bixos. Pura necessidade de sobrevivência. Quem seria a mãe dos filhotes? Acho que o texto deixou em aberto que poderia ser qualquer uma das duas ou as duas. Não sei se tem algum outro texto escondido nesse texto, se houvesse eu gostaria mais do conto.

  12. Givago Domingues Thimoti
    26 de janeiro de 2017

    Gostei do conto. É uma ideia diferente dos outros microcontos do desafio. Foi bem escrito e fácil de entender.
    Parabéns!

  13. Srgio Ferrari
    26 de janeiro de 2017

    Essa parte arranhou todo micro: “Contraste quase belo com pelos negros. Há ainda vida no passarinho quando chega ao chão, debate-se entre garras, presas, penas e dois corações acelerados.”

    Oí? Olá pássaro da dislexia, bem vindo a entrecontos! 😀 😀

    • Brian Oliveira Lancaster
      26 de janeiro de 2017

      Estudos dizem que quem tem dislexia é mais criativo…

  14. Glória W. de Oliveira Souza
    26 de janeiro de 2017

    Texto com temática de caça de felino (gata) contra um pássaro (pomba/pardal). A cena, confesso, me incomoda. Morbidez, para mim, desprezível. A narrativa faz uso de longa descrição, mas isso não a transforma em dramaticidade cênica. Há elementos de apresentação, algum desenvolvimento mas a conclusão não impacta (em termos dramáticos). O meu lado humanista interferiu negativamente na minha apreciação.

  15. Rubem Cabral
    26 de janeiro de 2017

    Olá, Jack.

    Bom conto: você conseguiu passar as sensações e imagens do ato da gata com poucas palavras. Boa a escrita: não notei erros por apontar.

    Nota: 8.5

  16. Vitor De Lerbo
    26 de janeiro de 2017

    Ótima descrição. Relata a vida selvagem, com a gata matando um jovem pássaro para garantir sua sobrevivência e a de seus futuros filhotinhos. Imagens tão fofas em um cenário tão trágico.
    Boa sorte!

  17. Anderson Henrique
    26 de janeiro de 2017

    A descrição da caçada é excepcional. E no fim, a revelação de que a presa deixaria filhotes. Naturaza funcionando a toda. Escritor a toda, fazendo tudo certo, cada coisa em seu lugar. Bom conto.

  18. Thiago de Melo
    26 de janeiro de 2017

    Amigo autor,

    Gostei muito da descrição da caçada urbana. Essa frase aqui ficou ótima: “Pupilas como duas linhas negras compensando a luz da manhã.”.

    Confesso que fiquei um pouco em dúvida com a última frase: eram os filhotes dá gata? Por que agora talvez eles venham a nascer? Ela está grávida?

    Essas e outras são as perguntas que deixam o seu texto interessante (apesar de eu ter ficado confuso inicialmente).

    Um bom trabalho. Parabéns!

  19. Thayná Afonso
    25 de janeiro de 2017

    Como já foi dito nos outros comentários, infelizmente a escolha de imagem entregou o conto. De toda forma, o conto está incrível, muitíssimo bem escrito, parabéns!

  20. Leandro B.
    25 de janeiro de 2017

    Oi, Jack.

    Não me parece que o conto dependia da revelação do personagem felino para adquirir forças. A revelação da história, acredito, está no fato da caça visceral, naturalmente associada com a morte dos mais fracos é (ou pode ser), na verdade, uma busca pela vida dos mais fracos.

    É um texto interessante cujas significações eu prefiro congelar no mundo animal. É bastante competente na dicotomia vida/morte, além de se bem escrito.

    Bom micro.

  21. Simoni Dário
    25 de janeiro de 2017

    Gostei muito do conto. É uma ótima narrativa da natureza animal agindo, com muita adrenalina e precisão nos detalhes.
    No final, fiquei em dúdiva se os filhotes que viriam a nascer eram da gata ou do pássaro, o que me deixou intrigada.
    Bom desafio!

  22. Paula Giannini - palcodapalavrablog
    25 de janeiro de 2017

    Olá Jack,

    Tudo bem?

    Seu texto é muito visceral. A caçada, o gato, o olhar, dá para sentir até o cheiro do sangue, da presa. Sua verve é ótima. Um dom. Vemos muitas narrativas sobre assassinato, mas nem todas envolvem o animal, a caça. Ponto para a criatividade.

    A premissa é ótima e o resultado também não fica atrás.

    Parabéns e boa sorte no desafio.

    Beijos

    Paula Giannini

  23. Miquéias Dell'Orti
    25 de janeiro de 2017

    Oi,

    Muito bom conto, narrando a ação da caçada com muita habilidade. Tensão crescente do início ao fim.

    No desfecho, a grande realidade da vida, a sobrevivência do mais apto, do mais forte. Quem pode julgar a gata de matar um pássaro indefeso agora?

    Parabéns.

  24. Pedro Luna
    25 de janeiro de 2017

    Fiquei na dúvida no fim de quem seria os filhotes. Do gato, que estava lutando para comer e sobreviver, alimentando com nutrientes os filhotes na barriga, ou do passarinho, que poderia ter um ninho cheio de ovos quase quebrando naquele momento? Não sei. rs

    Uma cena do cotidiano animal. Uma descrição de um ataque certeiro. Feliz no que se propôs. Lembrei dos gatos aqui de casa que de vez em quando pegam um passarinho. Não sobra nem a cabeça..rs.

    Bom texto.

  25. Daniel Reis
    25 de janeiro de 2017

    Um recorte cotidiano, que infelizmente acabou entregue pela imagem do desafio… e mesmo pela construção. Talvez, e digo hipoteticamente, o texto pudesse ser construído sem entregar que era um gato. O pronome possessivo, na última frase, também deixou dúbio de quem eram os filhotes. Mas, de qualquer forma, a descrição, o ritmo e o desfecho ganharam minha admiração. Parabéns, Autor(a)!

  26. Gustavo Castro Araujo
    24 de janeiro de 2017

    Um bom conto que retrata o instinto de mãe, focado no mundo animal. Muitas vezes não compreendemos o que nos parece crueldade, quando na verdade se trata de mera luta pela sobrevivência. Claro que do modo como narrado, o conto exagera nas cores, afinal é preciso mexer com os sentimentos de quem lê. No fim, a reviravolta que traz a compreensão dos fatos. Gostei do título, mas achei que a imagem escolhida serviu como spoiler. Na minha opinião, teria sido melhor outro tipo de ilustração ou até mesmo ilustração nenhuma. De todo modo, o resultado é positivo pois faz pensar. Parabéns!

  27. Laís Helena Serra Ramalho
    24 de janeiro de 2017

    Gostei da ideia geral do conto, mas a narrativa não me agradou muito. Fora o “acompanhava”, que está no pretérito enquanto os demais verbos estão no presente, senti falta do “mostrar”. Você descreve as ações em vez das sensações, o que acabou quebrando um pouco a imersão. Além disso, em uma história narrada sob o ponto de vista de um animal, explorar as sensações é bem importante.

  28. Poly
    24 de janeiro de 2017

    Muito bem descrita a caçada, gostei da forma como você usa as palavras.
    A última frase não teve um choque ou surpresa, como esperava, mas me fez ficar feliz dela ter conseguido pegar o passarinho para se alimentar.

  29. angst447
    24 de janeiro de 2017

    A ilustração tirou o mistério que poderia ter sido criado com a narrativa, mas tudo bem.
    A gata, prenha, só estava procurando sobreviver para garantir a continuação da sua ninhada.
    A troca de tempos verbais incomodou um pouco.É preciso ficar atento a isso, para não embolar o ritmo do conto.
    Um bom recorte de uma cena cotidiana e felina.
    Boa sorte!

  30. vitormcleite
    24 de janeiro de 2017

    Bom conto com excelente ritmo passando para o leitor toda a acção daquele momento, muitos parabéns

  31. Matheus Pacheco
    24 de janeiro de 2017

    Gato é maligno, eu já disse isso pra todo mundo, esse conto só confirma a natureza selvagem dessa criatura.
    Mas deixando as brincadeiras, esse conto foi uma boa representação de um cotidiano que não vemos.
    Um abração ao escritor.

  32. Thata Pereira
    24 de janeiro de 2017

    Que gracinha de conto! Acho que não queria que fosse todo entregue pela imagem, mas aí ficaria a dúvida de qual animal seria… talvez se ele lambesse as patas no final? Gatinhos fazem isso. Adoro gatos, são meus bichinhos preferidos.

    Não tem surpresas, mesmo sabendo que ela espera filhotinhos e a achei engraçada a colocação das “caçadas mal sucedidas”, pois não sei se gatos passam fome, mas eu acredito que não. Eles têm um cardápio muito extenso. Além de pássaros, ratos, comem muitos insetos (ou então os meus eram caducos mesmo rsrs’).

    Mas é um conto bacana, ideia legal e bem escrito.

    Boa sorte!

  33. Mariana
    24 de janeiro de 2017

    A imagem realmente entrega de cara o conto… Bastante comum a ideia, competente no que se propôs. É um conto legal

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Informação

Publicado às 13 de janeiro de 2017 por em Microcontos 2017 e marcado .