EntreContos

Literatura que desafia.

Vida e morte do homem só (Juliano Gadelha)

Nasceu no âmago do amor familiar.

Cresceu percebendo-se diferente. Os outros não faziam sentido. Tolos, erráticos, insensíveis, cruéis. Protegeu-se em relações superficiais. Ainda assim, laços foram rompidos bruscamente.

Desistiu. Seus vínculos estavam fadados a dolorosos desfechos. Decidiu nem começá-los. Viveu como rei absoluto de sua fortaleza interior. E, como nunca antes, feliz.

Feliz. Adorava cantar e pular no chuveiro. O chão liso, traiçoeiro, o derrubou impiedosamente certo dia. Olhos vidrados, não conseguia se mexer ou falar. Nem havia quem chamar. Seu crânio fendido tingia de vermelho a água. No fim, uma vida em paz cobrou-lhe uma morte em agonia.

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88 comentários em “Vida e morte do homem só (Juliano Gadelha)

  1. Gustavo Henrique
    27 de janeiro de 2017

    Mais um conto bem triste, bem interessante, ficou bom. Boa sorte.

  2. Felipe Teodoro
    27 de janeiro de 2017

    Um conto triste e muito pesado. A cena da morte é boa, pois uma situação como essa seria realmente horrível. Ainda assim, acho que fazer essa escolha, contar praticamente toda a vida de um personagem em uma história tão curta, deixa as coisas com cara de resumo, entende? Quem sabe se a história inicia-se com ele tomando banho, aí você inserisse as memórias e informações para no fim acabar com a morte, fosse melhor. Mas sei que a história é sua e não quero que mude só pq eu falei, o que eu realmente quis dizer aqui, é que sempre precisamos ter em mente que um micro-conto (e o conto também), eles são como fotografias, correr tempo demais em uma história dessas, sempre deixa aquela sensação de algo faltando. Enfim, boa sorte.

  3. Victória
    27 de janeiro de 2017

    Gostei da introspecção do protagonista e a última frase fechou o conto de uma maneira excelente. Parabéns

  4. Thayná Afonso
    27 de janeiro de 2017

    É engraçado como mesmo em períodos de introspecção, é impossível que sejamos completamente sozinhos. É impossível viver sem interação humana, precisamos dos outros, não importa o quanto desejemos o contrário. Não tem jeito, acho que todos os vínculos estão fadados a falhar, será que vale à pena se abster tanto assim? Ótimo conto, parabéns!

  5. Remisson Aniceto (@RemissonA)
    27 de janeiro de 2017

    Uma trajédia de certa forma interessante, mas que poderia crescer muito se o autor acrescentasse mais emoção, inclusive no desfecho, onde faltou algo que consolidasse o conto.

  6. rsollberg
    27 de janeiro de 2017

    Aristóteles dizia que o homem só é pleno dentro da sociedade, fora dele é uma besta ou um demiurgo. Assim sendo, sua abordagem para a felicidade solitária é muito relevante. Temos aqui a exceção da regra, E sim, aparentemente a felicidade do protagonista era plena. Ocorre que por um golpe do destino, esse jeito viver cobrou o seu preço. Lembrei-me do “into de wild” e do curta “o lobinho nunca mente” do Anões em Chamas, que também possuem esse mote e o desfecho com essa agonia solitária.
    Parabéns!

  7. Estela Menezes
    27 de janeiro de 2017

    Desde o título, já podemos imaginar que o relato teria que ser simplificado e simplista, até para caber no espaço disponível. E foi justamente o que aconteceu: uma premissa interessante levou a uma constatação final não necessariamente moralista, um personagem bem construído, um desenvolvimento bem cuidado, um desfecho coerente trazendo uma cutucada de ironia maldosa. Tudo redondinho, na medida certa, nada em especial a cortar ou acrescentar. Algumas imagens muito criativas, já bastante comentadas. Só não sei se gosto muito de “Nasceu no âmago do amor familiar” e diria que vale a pena substituir “o derrubou” por “derrubou-o”…

  8. Gustavo Aquino Dos Reis
    27 de janeiro de 2017

    Até o final do segundo parágrafo o conto tinha me nocauteado de bom.

    “(…) rei absoluto de sua fortaleza interior”. Demais isso aqui.

    Porém, o final ficou aquém de tudo. Não sei, me pareceu uma tragédia pífia, gratuita, para um personagem tão complexo e – para mim – empático.

  9. Lee Rodrigues
    27 de janeiro de 2017

    O texto nos faz tentar compreender os sentimentos do persona, abre lacunas para as possibilidades sequências de decepções, possibilitando o uso da capacidade imaginativa do leitor. Essa relação é feita usando o nosso histórico, nossas cicatrizes. Nisso o texto atinge o objetivo, nos leva a identificação, mas fecha no instante em que libera a sentença de “ter que dar para receber”.

    É um bom conto, talvez, apenas cortasse a frase “nem havia quem chamar”, e a última frase (No fim, uma vida em paz cobrou-lhe uma morte em agonia), eu separaria num outro parágrafo, penso que valorizaria ainda mais o seu peso.

  10. Thiago de Melo
    27 de janeiro de 2017

    Excelente! Parabéns! Já está na minha lista!

    Essa frase aqui já valeria o conto pra mim: “Viveu como rei absoluto de sua fortaleza interior”. Na hora que eu li quase dei um grito aqui em casa, pq finalmente alguém tinha resumido meus objetivos de vida hehehehhe.

    Também gostei muito da reviravolta no final. Essa frase ficou muito bem construída: “uma vida em paz cobrou-lhe uma morte em agonia”. Muito bom! Parabéns!

  11. Pedro Luna
    26 de janeiro de 2017

    Gostei e não gostei. Explico: no passado vivi um período semelhante ao do personagem. Após algumas experiências bizarras, acabei me isolando um pouco e virando um senhor de mim mesmo. O negócio era tão sério que quando eu pensava em me apaixonar e namorar novamente, começava a me tremer (hahahaha). Hoje estou melhor e gostei do início do conto por trazer bem esse drama pessoal. Apesar de que… acredito que você deve viver bem, e se o personagem era feliz daquela forma, então dane-se.

    Já o final me soou um pouco como uma lição de moral desnecessária. Conheço pessoas cercadas de gente, que morreram em agonia. O personagem pelo menos foi feliz enquanto durou..rs

  12. Vanessa Oliveira
    26 de janeiro de 2017

    Nossa, que inesperado! Já ouvi dizer que não conseguimos viver em solidão absoluta, precisamos de contato humano, mas discordo. Aprender a viver consigo mesmo é bom. Gostei do conto, achei interessante o desfecho. Boa sorte!

  13. Davenir Viganon
    26 de janeiro de 2017

    Estória fechada com situação e punição do destino no final. Não consegui sentir nada pelo protagonista, logo, o destino dele não me importou muito. Achei o conto redondinho mas não me conquistou.

  14. Cilas Medi
    26 de janeiro de 2017

    A morte como fator principal nesse encontro de micro contos, infelizmente. Nesse caso, bem escrito, mas, no título tudo o que se precisava saber sobre ele. O autor deveria escolher um título menos esclarecedor.

  15. Thata Pereira
    26 de janeiro de 2017

    Ai autor… eu podia sentar e ficar HORAS discutindo seu conto com você. Não de uma forma para criticá-lo, mas seu personagem é um serzinho muito interessante.

    Ele diz que os outros são “Tolos, erráticos, insensíveis, cruéis” e por julgá-los dessa forma acaba, antes mesmo do fim, sendo tolo, errático, insensível e cruel. A vida é linda.

    De tanto se proteger, acabou desprotegido. Vamos conversar sobre esse conto, por favor?

    Nessa altura do campeonato acho que não vai para minha lista, mas vale muito a discussão.

    Boa sorte!

  16. Srgio Ferrari
    26 de janeiro de 2017

    Toda a construção do começo não se liga com o final….então parece mesmo encheção de linguiça pra sua ideia de final. Faz perder o tempo do leitor quando poderia ter ido direto ao assunto do homem solitário que se “fodeo” numa queda. Você sabe, né? O lobinho nunca mente (!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!) 😉

  17. Glória W. de Oliveira Souza
    26 de janeiro de 2017

    Relato de temática sobre solidão, isolamento, apatia, insensibilidade, indiferença, egoísmo, antipatia, repulsa e afastamento. Típico de grupo social que optam pelo comportamento ‘single’. O bom berço não foi suficiente para afastá-lo de uma trilha de conforto socioemocional. A morte, por mais banal e corriqueira, indica que, na maioria das vezes, somos responsáveis pelas nossas escolhas. Até trágicas, como a cena final, mas que não impacta, como faz crer a descrição.

  18. Rubem Cabral
    26 de janeiro de 2017

    Olá, Malakian.

    Um bom conto, com um personagem bem desenhado, que se protege do mundo ao não se expor. Apenas lamentei o desfecho, um tanto comum. Boa a escrita: não notei falhas por acertar.

    Nota: 7.5

  19. Vitor De Lerbo
    26 de janeiro de 2017

    As ironias da vida e da morte retratadas muito bem. Em poucas palavras, conseguimos visualizar todo o trajeto do protagonista, desde seu nascimento, suas escolhas que o levaram a ter certo tipo de vida e sua morte, que também tem muito a ver com a maneira que viveu.
    Boa sorte!

  20. Anderson Henrique
    26 de janeiro de 2017

    Tá tudo certinho: fluido, organizado, boa passagem de tempo. Mas acho que é aí que está o calcanhar frágil do conto: é bastante coisa acontecendo e passa tudo muito rápido. Entendo que o limite prejudica, mas achei que o conto ficou na superfície. Achei o final bom, bem contado, mas seguro um um fio frágil.

  21. Leandro B.
    25 de janeiro de 2017

    Oi, Malakian.
    Cada vez mais conectados e cada vez mais sozinhos.

    Gostei de como toda a vida do personagem foi condensada em poucas palavras, de forma bem convincente. O homem parece verdadeiro, e olha que nem sabemos sue nome.

    A mensagem do conto não me atingiu, nem a ironia final me convenceu. Morreu porque pulava no banheiro (ainda que seja essa uma metáfora) e ao menos viveu sua vida feliz.

    Enfim, um bom trabalho.

  22. Simoni Dário
    25 de janeiro de 2017

    O homem viveu a escolha de uma vida na solidão. O triste fim do solitário em sua morte trouxeram impacto ao conto de uma forma trágica. Gostei.
    Bom desafio!

  23. Paula Giannini - palcodapalavrablog
    25 de janeiro de 2017

    Olá, Malakian,

    Tudo bem?

    Seu conto me lembrou o “Fim” da “Fernanda Torres”. Não sei se é uma boa referência ao seu gosto, mas eu, pessoalmente, gostei muito do livro.

    O cotidiano é matéria riquíssima para a literatura e a morte de seu personagem no chuveiro dá esse tom. Ele optou por uma vida solitária e morreu como viveu. Só. “Vivendo” o bom e o ruim de se ser só.

    Adorei a premissa. Você é um ótimo contador(a) de histórias.

    Parabéns por seu trabalho e boa sorte no desafio.

    Beijos

    Paula Giannini

  24. Miquéias Dell'Orti
    25 de janeiro de 2017

    Caraca, que pancada na cabeça o final desse conto.

    Você construiu um ambiente todo confortável, contando com habilidade o desenvolvimento da personalidade de uma pessoa que tem alguns problemas de adaptação social. Uma pessoa que encontrou sua paz na solidão, mas que foi cobrada com a morte pela falta de relações com as pessoas.

    Como não estava esperando nada de mais, a frase final me causou um puta choque.

    Quanto a escrita, certas repetições deixaram alguns trechos um pouco cansativos, mas isso não diminuiu em nada o impacto que a história me proporcionou

  25. Daniel Reis
    25 de janeiro de 2017

    Na natureza selvagem do seu próprio banheiro, o protagonista encontra a proteção contra os relacionamentos duradouros e os laços familiares cruéis. No entanto, o destino faz a sua parte e dá a ele mais uma dose de agonia. Qual o sentido disso? Faz a gente pensar, mas não chegar a conclusão definitiva. Na parte técnica: laços foram rompidos – laços romperam-se (a voz passiva enfraquece). Só isso. Bom trabalho!

  26. Gustavo Castro Araujo
    24 de janeiro de 2017

    O conto me trouxe a lembrança da fantástica e perturbadora obra de Tolstói, “A Morte de Ivan Ilitch”, por retratar a vida vazia de um homem que, de repente, é atingido por uma doença misteriosa que o vai devorando aos poucos, até a morte. Claro que não há espaço aqui para debater o assunto com a profundidade que se vê no conto do autor russo, mas os ingredientes principais parecem ter sido cirurgicamente pinçados e, de fato, atiram ao leitor as mesmas perguntas incômodas atinentes à superficialidade da vida e suas consequências. Um belo trabalho. Parabéns!

  27. Laís Helena Serra Ramalho
    24 de janeiro de 2017

    Não sei se eu concordo muito com o que o texto passou. Claro que o personagem, pelo que foi mostrado, não é bem uma pessoa introvertida e de poucos amigos, e sim alguém que não consegue lidar com as pessoas ao redor (e nem com o fato de ser diferente) ou com as decepções. Mas não gostei da punição que veio ao final, como se fosse errado ele estar feliz com o estilo de vida que escolheu. Não que isso seja um demérito para o conto: é mais uma questão de gosto e opiniões divergentes.

    Quanto à escrita em si, está boa. Só achei que a cena final poderia ter sido descrita de forma um pouco mais impactante, mergulhando o leitor na dor e no desespero com os momentos finais.

  28. Amanda Gomez
    24 de janeiro de 2017

    Poxa, Malakian…Coitado do cara.

    De primeira me identifiquei bastante com o personagem, e digo com convicção que ele não fez escolhas erradas, apenas respeitou seu jeito de ser. Escolheu se preservar de coisas que podiam ou não lhe trazer alguma felicidade.

    A vida é solitária mas, é exatamente como ele escolheu, não vejo infelicidade aqui, e até estava animada com essa versão dos fatos, mas ai você matou o coitado… com uma mensagem do tipo ” não seja idiota, pode viver sozinho, mas só que terá é o arrependimento” Posso está exagerando, mas foi mais ou menos isso.

    Quando a hora chega, não importa se está só ou acompanhado. rsrs Se bem que, morrer sozinho deve ser uma droga haha.

    Uma vida em paz, é com certeza a melhor opção.

    Gostei do seu conto! Muito bem feito, a frase final me soou exagerada, mas coube bem como desfecho.

    Parabéns, boa sorte no desafio

  29. angst447
    24 de janeiro de 2017

    O título já diz tudo, né? Uma vida solitária, longe dos relacionamentos que só traziam dor de cabeça… e a morte estúpida no banheiro. Poxa, que trouxa!
    Boa narrativa, fechadinha e com um tom de “neste episódio, aprendemos que é preciso se relacionar para se encontrar um sentido na fugacidade da vida.”
    A vida como ela é, diria Nelson Rodrigues. Fugaz e traiçoeira.
    Boa sorte!

  30. vitormcleite
    24 de janeiro de 2017

    texto muito interessante mas que para mim perde força com a repetição de algumas palavras, sem ter entendido o porque dessa repetição. Lamento, pois podia ser um texto excelente

  31. Matheus Pacheco
    24 de janeiro de 2017

    Esse é o meu maior medo, morrer em solidão, sem ninguem para me ajudar mesmo que seja minhas horas finais.
    Um texto agoniante mas realmente muito bom.
    Um abração ao escritor.

  32. Bruna Francielle
    24 de janeiro de 2017

    Puxa, adorei o conto !
    Não esperava esse final sangrento.. com uma “filosofia” inovadora até, uma frase de efeito q acho que ninguém havia usado ainda, rs
    Está bem escrito, não vi nenhum erro aparente…
    Pelo menos o cara viveu feliz, né..
    Os detalhes do “cranio fendido” e outros deram riqueza para a cena, principalmente por se tratar de um microconto onde as vzs detalhes não conseguem ser incluídos por causa do limite
    Parabéns

  33. Mariana
    24 de janeiro de 2017

    Nossa! A vida e a morte de um homem comum… Ao tratar da pequenez, o conto se tornou grande. Vou ter que refazer a minha lista, esse coitado precisa figurar nela…

  34. Sabrina Dalbelo
    24 de janeiro de 2017

    Eis o preço de nossas escolhas.
    Não é mau escolher a solidão. Não é um erro.
    Eu gostaria que ele tivesse morrido feliz também, sem arrependimentos, sem cobranças, porque ele assumiu os riscos por suas escolhas conscientes.

    Mas… na hora da morte somos quase irracionais, egoístas e hipócritas.

    Essa é a mensagem do conto pra mim.
    Achei um belo trabalho.

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Publicado às 13 de janeiro de 2017 por em Microcontos 2017 e marcado .