EntreContos

Literatura que desafia.

Tupã, pichador (Sérgio Ferrai)

A bota apertou a bochecha do mendigo que dormitava na calçada em frente à construção do edifício.

– Está sonhando, dorme sujo? Acorda, vagabundo. – Vociferou o dono da bota.

Os cabelos compridos estralaram no papelão. O mendigo apertou o tornozelo do pedreiro e o arremessou até o quarteirão seguinte.

Fedendo a suor e cachaça, pôs-se de pé desordenadamente. Elevou os dedos destros, circundados por uma escura nuvem de relâmpagos.

“Vaus cegos!Criança chorosa na biboca;anhanguera quer cidade.”

Findados os raios sobre o tapume, o mesmo é substituído pelo pedreiro que retornara na uber-nau. Tupã, coitado feito, foi vomitar.  

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84 comentários em “Tupã, pichador (Sérgio Ferrai)

  1. Gustavo Henrique
    27 de janeiro de 2017

    Não me agradou muito não, um texto bem complexo e meio confuso ainda. Boa sorte no desafio 😕

  2. Thayná Afonso
    27 de janeiro de 2017

    Tive que ler algumas vezes, mas ainda fiquei com a impressão que era apenas um delírio por conta da bebida. Acredito que por trás do texto, realmente exista maiores referências, mas não consigo me conectar a elas. Boa sorte no desafio!

  3. Andreza Araujo
    27 de janeiro de 2017

    Tupã era o próprio mendigo (ou incorporou no mendigo) depois de beber além da conta. Então castiga o pedreiro que lhe acordou, justo, eu também faria o mesmo kkk brincadeira. No final, Tupã traz o pedreiro de volta, acredito por ter se arrependido ou apenas percebido que tinha ido longe demais ao arremessar o homem pro outro quarteirão. Bem, foi isso o que eu entendi do texto. É criativo e o autor demonstra ter grande conhecimento do tema abordado.

  4. Remisson Aniceto (@RemissonA)
    27 de janeiro de 2017

    Mendigo, índio, folclore, lenda urbana real… uma mistura de ingredientes para compor uma trama que inicialmente dá a impressão de que transcorrerá plena de erros de grafia, mas não. Uns entenderão bem, outros terão muita dificuldade para se inteirar sobre as palavras e as frases, como se compostas em estranho idioma. Parabéns

  5. Felipe Teodoro
    27 de janeiro de 2017

    Olá.

    Uma trama muito interessante e carrega de potencial. Gostei da ideia, da ambientação, porém senti que a linguagem adotada não surtiu um efeito legal. A escrita é travada e ao meu ver, aqui, nessa ideia, caberia uma narrativa mais informal, dotada quem sabe de sarcasmo. Acabou soando meio mecânico. Uma pena…

  6. Sra Datti
    27 de janeiro de 2017

    Este é um dos contos que retornarei à leitura e ao comentário do autor. Apenas observo um mendigo delirando pela ordem da bebida. Mas sinto que há mais.
    Mistura folclórica com nossos retratos atuais. Não mergulhei. Uma pena.
    Mas boa sorte.

  7. Leandro B.
    27 de janeiro de 2017

    Oi, Canvas.

    Serei sincero, acho (sei) que não entendi o conto. A confusão pode ou não ser proposital, típico de escritor que se expõe e tem ousadia como marca, mas aqui não consegui mesmo pegar o fio da meada. Li o comentário dos colegas, mas continuo viajando.

    Não consigo nem conceber que o texto deve ser lido de forma literal, afinal este pedreiro já estaria em guajupia, ou algo similar.

  8. Victória
    27 de janeiro de 2017

    Parecia ser um texto pesado e com crítica social, mas até agora não entendi direito o negócio do Tupã. Meio confuso, na verdade. Boa sorte

  9. Lee Rodrigues
    26 de janeiro de 2017

    Eu não sei se por sorte minha ou sua, a mente já tá em curto e não rolou aquela viajada braba, fiquei na coisa do índio-mega-power, perdida naquele negócio de “Vaus cegos!Criança chorosa na biboca;anhanguera quer cidade.”

  10. rsollberg
    26 de janeiro de 2017

    Achei a ideia muito boa, trazer um elemento folclórico para a cidade, sobrevivendo aos desafios diário de uma metrópole estilo SP com um Dória da vida.

    Contudo, a execução ficou muito truncada, a mistura não surtiu efeito e em alguns momentos não fez muito sentido, no meu entediamento é claro.

    De qualquer modo, é um conto de rara originalidade, que com um pouco mais de maturação poderia alcançar o patamar de clássicos do E.C.
    Parabéns e boa sorte.

  11. juliana calafange da costa ribeiro
    26 de janeiro de 2017

    Muito doido seu conto, Canvas! Eu gostei mesmo de imaginar Tupã numa puta ressaca tendo q lidar com um pedreiro de manhã cedo… Tudo no seu conto é bem trabalhado, lapidado, bem construído. Nada está por acaso, me parece. E eu gosto muito do resultado dessa lapidação. Muito bom trabalho mesmo, parabéns!

  12. Simoni Dário
    26 de janeiro de 2017

    Texto complexo que usou uma metáfora perigosa. Não foi de meu agrado.
    Bom desafio.

  13. Gustavo Aquino Dos Reis
    26 de janeiro de 2017

    Canvas,

    gostei demais do conto.

    Porém, meu amigo, faltou mais apuro na escrita. A narrativa é boa e traz um mendigo, incorporado no Tupã, que não aceita desaforos. Seria um contaço! E só não foi por conta da escrita.

    Por favor, reformule-o. Ele tem muito potencial.

    Parabéns.

  14. Rubem Cabral
    26 de janeiro de 2017

    Olá, Canvas.

    Um texto interessante, mas um tanto hermético. Entendi (talvez) a metáfora do índio tornado mendigo ao viver em nossa sociedade: alcóolico, miserável, delirante. Contudo, achei que transpor parte dos delírios à própria narração foi um recurso arriscado.

    Nota: 7.

  15. Tom Lima
    26 de janeiro de 2017

    Gostei da forma, mas não sei se entendi a ideia. Narra bem, o lançamento de agressor é um choque interessante, mas a partir daí fica estranho. Fui procurar o sentido das palavras ali usadas, na fala do tupã/mendigo, mas não ajudou. Não entendi o sentido da fala dele e o pedreiro que vem depois complica ainda mais.

    Gostei da escrita, mas não consegui compreender a história. talvez falha minha.

    Boa sorte.

    Abraços.

  16. Paula Giannini - palcodapalavrablog
    25 de janeiro de 2017

    Oi, Canvas,

    Tudo bem?

    Seu conto faz pensar, não é? Bem, o que esse cara quis dizer? Li alguns comentários e vi que não era a única. Então, parti do seu título. Pichador. E encontrei o tapume no final do conto.

    Então imaginei que Tupã, como o título diz, é um pichador, talvez um grafiteiro e toda essa viagem é a descrição dele pintada no muro. Por isso o pedreiro volta de uber-nau. E os raios são as jatadas do spray de tinta.

    De qualquer forma, você escreve muito bem.

    Parabéns por sua verve e boa sorte no desafio.

    Beijos

    Paula Giannini

  17. vitormcleite
    25 de janeiro de 2017

    não gostei muito da temática, mas ao ler o texto parecia muito bem escrito até ao último paragrafo, mas este deixou-me meio confuso, no entanto, parabéns pela originalidade da trama

  18. vitor leite
    25 de janeiro de 2017

    não gostei muito da temática, mas ao ler o texto parecia muito bem escrito até ao último paragrafo, mas este deixou-me meio confuso, no entanto, parabéns pela originalidade da trama

  19. Estela Menezes
    25 de janeiro de 2017

    Um outro colega bem resumiu o que achei: “Sobrou ousadia e boa ideia. Faltou composição pra fazer funcionar”. De fato; as surpresas do texto jogam a gente a quarteirões de distância. Pena que não tragam de volta…

  20. Srgio Ferrari
    25 de janeiro de 2017

    hahahahaha . Ler este foi como chupar nariz de mendigo morto, com um twist duplo carpado de Tupã nas olimpiadas de 1976.

  21. Daniel Reis
    25 de janeiro de 2017

    Seu texto tem umas construções que me causaram estranhamento: “cabelos que estralam”, por exemplo. Sem falar no discurso sem sentido do mendigo, que deixa a gente com cara de trouxa, tentando entender. O final é surreal. E, na parte técnica, não entendi se o mendigo arremessou o pedreiro pelo tornozelo ou se ele foi arremessado. Sinto muito, não consegui me conectar com essa história.

  22. Cilas Medi
    24 de janeiro de 2017

    Não achei muita coisa, porque alguma coisa me incomodou a partir de “Vaus cegos!…” não entendendo absolutamente nada desse final. Enfim, o autor deve saber o que escreveu, mas não soube explicar o que quis dizer.

  23. Lohan Lage
    24 de janeiro de 2017

    Olha, Canvas, confesso que achei meio confuso o seu texto.
    Por vezes, é melhor optar pela simplicidade, abrir mão de certos hermetismos.

  24. Mariana
    24 de janeiro de 2017

    O conto é ousado e a ideia de Tupã como um mendigo é interessante… Porém, uma linguagem mais simples (a expressão uber-nau era mesmo necessária?) o tornaria menos hermético, mas não menos rico… Bom, essa é uma opinião minha, não tira a qualidade do conto. Parabéns

  25. Laís Helena Serra Ramalho
    24 de janeiro de 2017

    Não tenho certeza se entendi seu conto (o que talvez não tenha acontecido por eu não conhecer muito sobre a mitologia retratada). Talvez por causa disso eu tenha ficado incomodada com os raios ao redor da mão dele. Ficou meio deslocado, e talvez fosse necessário apresentar um pouco mais do universo ao leitor para que ele compreendesse suas regras e portanto pudesse acreditar que aquilo é plausível dentro do universo da história.

    Ao chegar ao final, fiquei com a sensação de não ter uma história completa. Afinal, porque um cara tão poderoso teria de viver como um mendigo? Senti falta de uma revelação nesse sentido (ou talvez, mais uma vez, tenha me escapado devido à falta de conhecimento sobre o assunto).

  26. Luiz Eduardo
    24 de janeiro de 2017

    Achei criativo e a proposta sem dúvida inovadora. Ao mesmo tempo achei muito confuso, e acho que um conhecimento prévio da cultura retratada fosse necessário para melhor compreensão da história. Boa sorte

  27. Anderson Henrique
    24 de janeiro de 2017

    O texto é ousado e exige do leitor. Creio ter entendido, mas achei vago em certos momentos. Talvez fosse a intenção do autor. As referências indígenas são boas, mas confesso que fiquei pelo caminho. Sobrou ousadia e boa ideia. Faltou composição para fazer funcionar.

  28. Miquéias Dell'Orti
    24 de janeiro de 2017

    Olha… que coisa louca essa que você escreveu.

    Confesso que até a metade eu estava gostando para cacete da coisa, meio maluca e tals. Mas aí o pedreiro retornou voando na uber-nau-tupã (na minha cabeça imaginei um índio fazendo bico de Uber, sério) e eu caí no abismo das interrogações sem fim.

    Me lembrou aquele vídeo do cara que fala: “Adriano? Romero Britto? Katrina? Guarapari Búzios é minha arte …”

  29. Vitor De Lerbo
    23 de janeiro de 2017

    Me lembrou um dos livros do Douglas Adams em que um caminhoneiro é o Deus da Chuva – só que naquele caso, ele não sabe disso, e se lamenta por nunca conseguir pegar um sol.
    Aqui é mais Hancock mesmo. Gostei da quebra do realismo no meio do conto, sem aviso prévio. Isso gera mais surpresa e expande os horizontes do leitor.
    Boa sorte!

  30. Givago Domingues Thimoti
    23 de janeiro de 2017

    Muito confuso!
    Não sei, ao certo, se eu entendi a mensagem, mas, acho que foi imaginação do mendigo.
    Para mim, o grande trunfo do conto é a escrita. Não é difícil notar o talento para a escrita do autor.
    Por isso, pelo talento, meus parabéns!

  31. Sabrina Dalbelo
    23 de janeiro de 2017

    Criatura, que baita viagem tu nos convidou a fazer!
    Gostei, não sei se entendi tudo, mas gostei.

    Pra mim, o mendigo, possivelmente pela cachaça, achou que tinha enviado o pedreiro pra longe. A parte que diz que ele jogou a muitas quadras me levou a pensar isso… ele viajou!

    Olha só, desculpe-me a chatice, mas sugeriria dar uma revisada no uso de “o mesmo”. O uso no texto está incorreto. Grande abraço!

  32. Renato Silva
    23 de janeiro de 2017

    A primeira leitura me pareceu bem “sem pé nem cabeça” e me lembrei do livro “Macunaíma” que, ao contrário de muita gente, eu gostei. Mas li de novo e de novo. Aí eu achei que entendi e fui ler alguns comentários. Percebei que tinha feito uma interpretação parecida. Era só um devaneio do mendigo ou ele se imaginando como alguém com super poderes e eliminando aquele fdp que o agrediu.

    Quando falou em bota, cheguei a pensar que fosse um policial. Ainda bem que não era, pois eu tô de saco cheio dessa forma de retratar a polícia nas obras, sempre como um vilão, como se os policiais é quem fossem os bandidos.

    Boa sorte.

  33. angst447
    23 de janeiro de 2017

    Viagem completa em um espaço limitado de 99 palavras. Dizer que entendi completamente o seu conto seria no mínimo um exagero. No entanto, gostei da forma como foi trabalhado com imagens e palavras diferentes.
    O autor domina bem a escrita, mas precisa se lembrar de que nem todos serão capazes de alcançar uma ideia tão complexa (ou talvez tão simples) em poucas palavras. Eu li, reli, li comentários, pensei e falei – Tá, você nasceu loira mesmo, mas…
    Boa sorte!

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Publicado às 13 de janeiro de 2017 por em Microcontos 2017 e marcado .